Estudo revela morte de 100 policiais por ano no Rio
Redação SRZD | Rio+ | 18/07/2008 12:41

O assassinato de dois policiais militares em serviço, na madrugada da quinta-feira (17), chocou o Rio de Janeiro e está provocando debates e discussões sobre a atual política de segurança pública e a tática de enfrentamento da Polícia Militar. Em estudo feito com base em estatísticas da corporação, pelo tenente-coronel da reserva Milton Corrêa da Costa, que foi instrutor da antiga Escola de Formação de Oficiais da PM, 1.434 policiais morreram no Rio nos últimos 10 anos.
Ainda segundo o estudo, atualmente há uma média de cem policiais mortos durante o ano e cerca de 30% das mortes ocorridas em serviço. Para o coronel, o Rio de Janeiro encontra-se diante de uma "real chacina a conta-gotas, de que são vítimas os policiais militares".
"1343 homens morreram em um período de 10 anos, o equivalente a um efeito batalhão de classe A. O grupo ETA, que lutou durante 40 anos pela criação do país basco, matou 800 pessoas. O narcoterrorismo do Rio matou 1434", relatou em entrevista a Sidney Rezende, na CBN.
Para ele, a polícia não é responsável pelas mortes no Rio de Janeiro, mas o narcotráfico, que compra armas de guerra vindas das fronteiras. "As pessoas chegam hoje nas emergências de hospital sem chance de vida. O sargento que morreu ontem foi assassinado com sete tiros de fuzil, que destrói tudo o que vê pela frente. O policial sofre com ansiedade, revolta, depressão, alto grau de stress", afirmou Côrrea.
O coronel acredita que a política de segurança pública do governador Sérgio Cabral e do Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, está correta e não deve ser modificada. "Eu acho que não existe fórmula mágica. Cientista social nenhum disse qual é a solução. A formulação está calcada em três pilares: preparação técnica dos homens na linha de frente, maior número de informações possíveis da criminalidade e tática de enfrentamento sim. Nenhum modelo importado da polícia resolve a questão do Rio de Janeiro", afirmou.
Segundo os dados levantados no relatório, a maior parte dos policiais morre porque são identificados em ação, e uma outra parte, quando está em serviço. Uma minoria das mortes, ele indicou, ocorre por envolvimento de oficiais com o crime. "Na França, morrem três ou quatro homens por ano, no Canadá esse número é ainda menor. Acredito que no auge da violência na Colômbia não morreram tantos policiais como aqui", observou o coronel.
"O Rio sofre com uma criminalidade atípica, que se instalou em morros e favelas e dispõe de armas de guerra que penetram pelas vulneráveis fronteiras brasileiras. Aqui, o policial recebe um passaporte para morrer", finalizou Corrêa.



























