Não sou dono da verdade e nunca serei
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 16/07/2008 23:46:16
Nessa última semana, um comentário de um de nossos leitores me deixou por demais intrigado. Dizia que um colunista é um formador de opinião. E de repente me assustei muito com essa coisa de escrever colunas num site de carnaval.
Sinceramente, eu não me vejo como um formador de opinião e nem quero ter essa responsabilidade tão grande. Me considero um explanador de idéias, um expositor de teorias e argumentos, mas que em nenhum momento representam a verdade absoluta do assunto abordado.
Não quero e não sou o dono da verdade e tenho a certeza que nenhum de nós colunistas tem essa pretensão. A grande razão de uma coluna, qualquer que seja o assunto que ela aborde, é trazer um argumento que sintetiza o ponto de vista desse articulista. Esse deve ser o ponto de partida de análise e reflexão dos leitores e cada um siga o seu ponto de vista, tira da matéria o que for útil e descarte o que não considerar pertinente.
Com sinceridade, o melhor colunista está em cada um de nós. Quantas vezes lendo um comentário de um leitor percebo que seu argumento é melhor que o meu, quantas vezes lendo um de nossos comentaristas, que são vocês leitores, noto uma argumentação bem mais consistente que a minha. Quantas vezes um contra-argumento me convence de que imaginara não era tão correto assim.
Eu não concordo com tudo o que o Eugênio escreve por aqui, já discordei várias vezes da Thatiana e do Lula. Tenho certeza de que cada um discordou de alguns de meus pontos de vista. Mas aprendo sempre um pouco com cada um deles. E acredito que eles aprendam comigo também.
É assim que vejo um coluna: Um painel de idéias que nem sempre são concordantes com o meu modo de pensar. Uma coluna é um ponto de partida de um amplo e salutar debate, onde ao final cada parte discordante terá dado um salto de qualidade na sua forma de pensar.
E na boa: Verdade, quem tem?
E pra não deixar de falar em samba, gostaria de confessar que gostei muito da penúltima matéria do Eugênio Leal e gostaria de acrescentar algumas observações.
É inegável o talento do carnavalesco Alex de Souza, que conheço desde os tempos em que era apenas um auxiliar de figurinos do mestre Renato Lage. O moço é de um bom gosto invejável, trabalha formas e cores de forma admirável e não foi à toa que de seu risco nasceram, em minha opinião, o melhor conjunto alegórico, em luxo, adequação e requinte do carnaval passado. E tem esse ano um enredo autoral, bonito e elegante, mas um enredo clássico e limitado. Com a chegada do Paulo Barros, a frieza desse enredo pode ganhar novos ares e o trabalho do Alex crescer em vários sentidos. Assim como o trabalho do Paulo falta receber um desfile de escola de samba que faltou no carnaval passado.
Poderia o Alex ter negado o pedido de seu presidente Moisés, poderia ter fincado pé firme e não ter admitido a inclusão de um carnavalesco renomado ao seu lado. Mas tem um sábio ditado que sempre lembra: Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Além de bom gosto e talento o Alex teve juízo e torço muito para que essa parceria dê certo e como o Eugênio já colocara em sua coluna, a Vila que estava meio escondidinha, acordou e clamou: Estou viva e vou brigar de verdade por esse carnaval.
Essa é a verdade? Claro que não. Essa é apenas a minha opinião. E que venha mais um rodada de bons debates.
Um abraço
Luiz Fernando Reis
|
Topo






















