Em 20/Nov/08 06:11:41

Observações sobre a LESGA

A iniciativa de criar a LESGA  já era propagada há alguns dias e ganhou força durante o sorteio da ordem de desfile, na quadra do Império Serrano. Comentava-se, inclusive, que Nilo Figueiredo (presidente da Portela) poderia vir a ser o presidente da nova entidade. 

O que mudou de lá pra cá foi que algumas escolas, inicialmente contrárias, juntaram-se ao grupo. O porquê disso talvez seja a resposta para o virtual sucesso do movimento "separatista": alguma "força maior" deve ter apoiado a iniciativa. E se isso realmente aconteceu o caminho, num primeiro momento, é sem volta. Afinal, não existe grupo de acesso sem estas escolas.

O que me intriga são os objetivos do grupo. Num primeiro momento eles são comerciais. As escolas alegam que querem receber mais dinheiro. Mas isso poderia ser resolvido dentro da própria Associação. Dependia de uma administração mais ousada e profissional do desfile e as escolas poderiam tomar a frente desta organização sem sair da entidade.

O que move realmente as agremiações são os objetivos políticos. As escolas nunca se preocuparam em melhorar o espetáculo do sábado. Cada uma delas sempre pensou em sair deste grupo o mais rápido possível. A troca do poder pode facilitar o caminho de volta à elite para quem não estava "afinado" com a Associação.

Além disso há algum interesses comerciais de quem identificou ali  potencial para gerar dinheiro. O maior temor é que esta visão comercial norteie o desfile de maneira a transformá-lo em mais um produto turístico, afastando o carioca que ainda tinha no grupo de acesso a possibilidade de acompanhar o carnaval.

COMO SERÁ?

Ainda é muito cedo para dizer se a LESGA vai dar certo porque não foi apresentado um projeto concreto. É preciso esperar. Vale lembrar que nos anos noventa uma iniciativa parecida (LIESGA) durou apenas um ano e serviu apenas para alçar uma escola do grupo D ao Especial (Porto da Pedra).

Claro que muita coisa pode melhorar, assim como no grupo de elite. Mas antes de pensar em arrecadar mais as escolas deveriam pressionar os políticos em busca de barracões definitivos e estruturados e de um maior equilíbrio na distribuição do dinheiro público. É preciso também uma transmissão mais elaborada de televisão, que dê maior visibilidade e valorize o produto em nível nacional.

O presidente da Rocinha, Maurício Mattos, teria um papel interessante no processo se fizesse o trabalho comercial de sua escola ser estendido para o evento como um todo. Ele sabe como fazer isso. Mas abriria mão desta vantagem?

Imaginar que com o simples aumento no valor dos ingressos as escolas sairão da penúria é um erro fatal. Elas podem perder o público que conquistaram nos últimos anos e voltar a desfilar para arquibancadas vazias.

Muita coisa pode ser feita, mas não se pode esquecer que este é o carnaval do povo carioca.

LAMENTÁVEL

O pior de tudo no processo foi o covarde "não posicionamento" do prefeito César Maia. Ao empurrar a responsabilidade para a LIESA o prefeito, além de "tirar da reta", reafirma sua postura pouco preocupada com as escolas menores. Não é de se surpreender. Foi na gestão dele que o número de escolas no especial foi reduzido, que acabaram as participações do acesso nas campeãs e o ascenso foi reduzido a uma agremiação.



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