SRZD | Observações sobre a LESGA | Carnavalesco | Eugênio Leal


Observações sobre a LESGA

Eugênio Leal | Eugênio Leal | 16/07/2008 15:28

A iniciativa de criar a LESGA  já era propagada há alguns dias e ganhou força durante o sorteio da ordem de desfile, na quadra do Império Serrano. Comentava-se, inclusive, que Nilo Figueiredo (presidente da Portela) poderia vir a ser o presidente da nova entidade. 

O que mudou de lá pra cá foi que algumas escolas, inicialmente contrárias, juntaram-se ao grupo. O porquê disso talvez seja a resposta para o virtual sucesso do movimento "separatista": alguma "força maior" deve ter apoiado a iniciativa. E se isso realmente aconteceu o caminho, num primeiro momento, é sem volta. Afinal, não existe grupo de acesso sem estas escolas.

O que me intriga são os objetivos do grupo. Num primeiro momento eles são comerciais. As escolas alegam que querem receber mais dinheiro. Mas isso poderia ser resolvido dentro da própria Associação. Dependia de uma administração mais ousada e profissional do desfile e as escolas poderiam tomar a frente desta organização sem sair da entidade.

O que move realmente as agremiações são os objetivos políticos. As escolas nunca se preocuparam em melhorar o espetáculo do sábado. Cada uma delas sempre pensou em sair deste grupo o mais rápido possível. A troca do poder pode facilitar o caminho de volta à elite para quem não estava "afinado" com a Associação.

Além disso há algum interesses comerciais de quem identificou ali  potencial para gerar dinheiro. O maior temor é que esta visão comercial norteie o desfile de maneira a transformá-lo em mais um produto turístico, afastando o carioca que ainda tinha no grupo de acesso a possibilidade de acompanhar o carnaval.

COMO SERÁ?

Ainda é muito cedo para dizer se a LESGA vai dar certo porque não foi apresentado um projeto concreto. É preciso esperar. Vale lembrar que nos anos noventa uma iniciativa parecida (LIESGA) durou apenas um ano e serviu apenas para alçar uma escola do grupo D ao Especial (Porto da Pedra).

Claro que muita coisa pode melhorar, assim como no grupo de elite. Mas antes de pensar em arrecadar mais as escolas deveriam pressionar os políticos em busca de barracões definitivos e estruturados e de um maior equilíbrio na distribuição do dinheiro público. É preciso também uma transmissão mais elaborada de televisão, que dê maior visibilidade e valorize o produto em nível nacional.

O presidente da Rocinha, Maurício Mattos, teria um papel interessante no processo se fizesse o trabalho comercial de sua escola ser estendido para o evento como um todo. Ele sabe como fazer isso. Mas abriria mão desta vantagem?

Imaginar que com o simples aumento no valor dos ingressos as escolas sairão da penúria é um erro fatal. Elas podem perder o público que conquistaram nos últimos anos e voltar a desfilar para arquibancadas vazias.

Muita coisa pode ser feita, mas não se pode esquecer que este é o carnaval do povo carioca.

LAMENTÁVEL

O pior de tudo no processo foi o covarde "não posicionamento" do prefeito César Maia. Ao empurrar a responsabilidade para a LIESA o prefeito, além de "tirar da reta", reafirma sua postura pouco preocupada com as escolas menores. Não é de se surpreender. Foi na gestão dele que o número de escolas no especial foi reduzido, que acabaram as participações do acesso nas campeãs e o ascenso foi reduzido a uma agremiação.


Para comentar essa notícia é necessário estar logado. Por favor entre o seu login e senha no formulário abaixo. Caso não possua um, clique aqui para criar o seu.


Postado por:Penelope | 18/07/2008 12:06:37

Motivo este que leva o prefeito por enquanto a não se manifestar , tudo político, realmente Paulo Almeida na época foi um desastre , porém acho válido que as escolas se mobilizem para melhoria no grupo a que pertencem , se organizar já é um passo.

Postado por:julinho di ojuara | 18/07/2008 10:23:31

Mais uma vez algupem quer tirar vantagem política das escolas, conforme muito bem lembrado pelo Eugênio a mesma inicitaiva aconteceu nos anos 90, onde o Sr. Paulo Almeida querendo se eleger deputado a qualquer custo, ofereceu mundos e fundos as escolas dos grupos de acesso, inclusive que subririam 4 ou 5 ao invés de apenas 2 de cadas grupo e etc..., depois de eleito, só beneficiou a Porto da Pedra, que sem nunca ter ganho grupo algum, chegou ao Especial, uma vergonha que parece esquecida pela maioria dos sambistas. O Tuiuti foi ludibriado na época assim como diversas outras escolas de comunidades que não atingiram o numero de votos que o nobre deputado queria. Mais uma vez as agremiações mostram a sua ingenuidade ou falta de coragem de mudar de verdade os rumos da Associação.

Postado por:LUANDA | 17/07/2008 23:14:51

Eu não quero nem saber!!! eu quero é vê o Dr Ney presidente da LESGA, ai sim o carnaval do acesso vai mudar como ele mudou a Ilha, alô Dr Ney como vc mesmo disse!!! Vc não veio só para mudar a ILHA, veio para mudar o carnaval. O Dr Ney é o cara!!! A presidência da LIESA é o proximo objetivo. Com o Dr Ney no comando é certeza de excelente administração é só olhar o que é a Ilha hoje. Com 2 milhões em caixa para desenvolver o carnaval, patrono, bicheiro e comunidade unida.

Postado por:Walter Guilherme | 17/07/2008 16:30:28

Meus amigos do carnaval, voces não esqueceram da LIESGA, né! No inicio dos anos noventa fizeram um liga e não levou a nada. Cuidado os tramites na justiça são lentos isso vai atrabalhar o carnaval em 2009, a verba vai demorar a sair, esse ano tem eleição para prefeitura do Rio. Como será que o novo Prefeito vai receber a LESGA?

Postado por:Penolope | 17/07/2008 11:01:14

Como simples admiradora do carnaval , na minha opinião o não posicionamento do prefeito significa que o mesmo está apoiando a LESGA , mas não quer se expor publicamente para não se comprometer caso não se concretize ou venha a dar problema, claro que é de responsabilidade dele o carnaval de acesso , no momento oportuno , quando os ventos tiverem favoráveis ao prefeito ele divulgará seu apoio... oportunamente. Em relação a Associação, você não deve ter esquecidos dos desmandos desta entidade por muito e muitos anos , certo... as escolas devem ser ouvidas e se estão querendo alçar novos horizontes , tem este direito...

Postado por:Denise (São Clemente) | 16/07/2008 18:29:52

O meu medo é esse. A Liesga serviu para subir o Porto da Pedra sem passar pelos grupos de acesso. Que escola seria beneficiada com a nova liga? Padre Miguel, Alegria, Flor da Mina, Favo de Acari, Amarelinho? Será que a Tradição vai receber um convite? Vão resgatar a Ponte lá da Intendente?

Postado por:jorge lopes | 16/07/2008 18:11:00

Parabéns, pela afirmação do posicionamento "covarde" do Prefeito. Não quer se meter e pouco fez, efetivamente, para as escolas de samba dos acessos a, b, c, d e e. O Carandiru é um inferno. Cada escola, poderia ter uma quadra coberta, poliesportiva. Agregaria as comunidades. Teríamos talentos nos esportes e no samba. Uma quadra coberta, no modelo das dos brisolões, não seria um gasto muito grande para o Município. A Mangueria só virou a Mangueira que é hoje, depois da criação do Palácio do Samba, em 1970. Sempre aparecem patrocinadores. Por exemplo: Império da Tijuca e Lins, com mais de 50 anos de fundação, não têm uma quadra decente. O que estas escolas já deram para a cultura do país? Muito, sem dúvida. O que foi dado para o povo pobre. Um beijo na bandeira e alugum dinheiro de político da comunidade. O CM só privilegiou, sim, as do grupo especial. Mas, aos sábados e às 3ªs feiras de Carnaval, não deixa de ir à Sapucaí para beijar as bandeiras das escolas. Essa minha sugestão merece estar na pauta de cobranças do futuro prefeito.

Postado por:Denise (São Clemente) | 16/07/2008 17:38:40

Não estou entendendo nada. Acho que uma entidade para ser criada, deveria ser pensada e repensada antes da divulgação oficial. Não seria muito mais digno a LIESA e a PREFEITURA se posicionarem? O problema é só grana ou tem a ver com estrutura? Acho estranho mesmo a AESCRJ ficar abrindo incrição de escolas e mais escolas e deixar todas as outras insatisfeitas...Tá na hora de enxugar esse numero exagerado de agremiações e se a saída é a criação de uma liga independente, que se faça isso. Ou então que se dê oportunidade da AESCRJ apresentar nova proposta que satisfãça as filiadas.

Postado por:Marcio | 16/07/2008 15:34:33

Eugênio, qual seria então essa força maior que empurrou as escolas pra essa empreitada? O prefeito, pelo jeito, não é. A LIESA, também não é. Faltaria a Riotur. E se eles também não forem? Tudo isso me cheira a oportunismo de alguns dirigentes que teimam em serem do contra, mas só para aparecerem e nunca trazem nada de bom ao carnaval. Se isso não andar pra frente será o suicídio político de várias escolas.

Galeria do Carnavalesco