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19/10/2011 11h22

Festival do Rio 2011: premiação é marcada por risos e aplausos
Thaiane Silveira e Victor Rocha

Foto: Divulgação

Em cerimônia marcada por imprevistos e muita emoção, a refilmagem de "A hora e a vez de Augusto Matraga", baseada na obra de Guimarães Rosa, levou a melhor no Festival do Rio 2011. O filme foi soberano no acumulado de prêmios além de ser votado tanto pelo júri popular como pelo oficial como Melhor Longa-Metragem de Ficção. O evento aconteceu na noite desta terça-feira, no Cine Odeon, centro do Rio de Janeiro.

Abrindo a premiação, foi exibido um vídeo mostrando momentos de todo o festival. Um recorte de imagens e entrevistas curtas lembrou desde a abertura, passando pela festa e exibições de gala no próprio Odeon, até o funcionamento dos novos cinemas no Complexo do alemão e na Maré. Em seguida, o casal Thiago Lacerda e Vanessa Lóes assumiu a oratória para comandar a noite.


Uma breve homenagem foi prestada ao realizador do festival, Carlos Manga, que tomou a palavra em seguida. Muito aplaudido, o montador, roteirista e diretor exaltou o cinema nacional. Ele ainda se emocionou ao ser presenteado com uma placa e uma estátua com a sua própria imagem "para ficar eterno o Odeon". "É muito difícil. Oitenta e quatro anos... Eu chego aqui e me vejo... E ainda bonito", disse em tom de brincadeira encarando a escultura de bronze. Manga encerrou falando sobre sua trajetória e da satisfação em fazer parte da história do cinema nacional. "Não há nada mais bonito do que pegar uma criança, que é um filme, e fazê-la falar e ser aplaudida (...) Eu só tenho a agradecer por terem me tirado do nada e me darem a Atlantida para eu fazer cinema."


Entre os momentos marcantes da noite esteve a falha técnica na projeção do vídeo que indicaria os concorrentes de curta-metragem. Neste momento, um silêncio tomou a premiação e o Odeon ficou escuro, esperando. "Thiago, acho que essa é a hora em que a gente improvisa", disse Vanessa Lóes para quebrar o gelo que já incomodava os presentes. "Tá no escuro! Vamos aproveitar!" revidou o marido. Após uma série de tentativas, coube ao orador pedir para a equipe de projeção desistir, dando continuidade à programação.


Outro ponto alto da noite foi a premiação de Melhor Atriz Coadjuvante para Maria Luiza Mendonça, por "Amanhã Nunca Mais". Ela não compareceu, mas o ator e colega de trabalho Lazaro Ramos fez questão de telefonar e colocar a atriz no viva-voz ao microfone do evento. Sem entender o que acontecia, Maria Luiza custou a acreditar. "Lázaro? O que você está fazendo comigo?" e "mais deixa eu falar", foram frases esboçadas por ela entes de ser convencida de que estava no festival.


Foto: DivulgaçãoO muitas vezes homenageado Chico Anysio também roubou a cena durante a premiação. Em todas as oportunidades o comediante soltava frases inesperadas, fazendo todo o público rir e aplaudir. "Eu aceitei fazer todos os filmes que já fui convidado... Quatro. E vejo esse prêmio como um incentivo, porque é como ator coadjuvante que a gente começa", brincou ao ganhar uma premiação referente ao seu trabalho em "A hora e a vez de Augusto Matraga". Na cadeira de rodas, o vencedor do Prêmio Especial de Júri foi erguido até o palco para comemorar junto com a equipe do filme que participou. Após palavras de carinho, ele pediu encarecidamente, mas com humor, que as pessoas não fossem festejar e esquecessem dele ali, já que não conseguiria descer sozinho.


Antes da entrega do prêmio mais esperado da noite, melhor filme, o ator português Joaquim de Almeida disse estar satisfeito por ter sido convidado "há algumas horas". "Fico muito feliz já que o prefeito belo e jovem não pode vir, coitadinho, caiu do triciclo." Relembrando sua atuação no longa Brasileiro "O xangô de Baker Street", 1999, introduziu a notícia mais esperada da noite após comparações bem humoradas entre os sotaque do Brasil e de Portugal.

Vinícius Coimbra, ao receber o prêmio pelo Melhor Longa avaliado pelo Júri (o mais esperado da noite), teve que preparar rapidamente seu segundo discurso. Controlando o choro, ele dedicou a conquista, além de toda a equipe, para todos os que se aventuram no cinema experimental, aos que se dedicam às produções comerciais, segundo ele importantes pelo dinheiro. "O cinema tem que englobar todas as propostas, sem preconceito e com coragem", encerrou.


Já aconteceram 1800 sessões no festival, que ainda vai continuar até a próxima quinta-feira em seu período normal. Após isso, existem os dias de repescagem, quando será possível ter uma nova chance de ver alguns dos filmes projetados durante o festival.

- Saiba mais sobre os presentes na cerimônia de premiação

Veja a relação completa de premiações e premiados:

Trofeéu Redentor

Melhor Longa-Metragem de Ficção: A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra
Premio especial do Júri (Longa Ficção): Sudoeste, de Eduardo Nunes
Menção Honrosa: Mãe e Filha, de Petrus Cariry
Melhor Longa-Metragem Documentário: As Canções, de Eduardo Coutinho
Premio especial do Júri (Doc): Olhe Para Mim de Novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscila
Melhor Curta-Metragem: Qual Queijo Você Quer? De Cíntia Bittar
Menção Honrosa: Tempo de Criança, de Wagner Novais
Melhor Direção: Karim Aïnouz, de O Abismo Prateado
Melhor Ator: João Miguel, por A Hora e a Vez de Augusto Matraga.
Melhor Atriz: Camila Pitanga, por Eu Receberia As Piores Notícias Dos Teus Lindos Lábios
Melhor Atriz Coadjuvante: Maria Luiza Mendonça, por Amanhã Nunca Mais
Melhor Ator Coadjuvante: José Wilker, por A Hora e a Vez de Augusto Matraga
Premio especial do Júri (ator coadjuvante): Chico Anysio, por A Hora e a Vez de Augusto Matraga
Melhor Roteiro: Odilon Rocha, por A Novela das Oito
Melhor Montagem: Jordana Berg, por Marcelo Yuka, no Caminho das Setas
Melhor Fotografia: Mauro Pinheiro Jr, por Sudoeste e Petrus Cariry, por Mãe e Filha

Voto Popular

Melhor Longa-Metragem de Ficção: A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra
Melhor Longa-Metragem Documentário: As Canções, de Eduardo Coutinho
Melhor Curta-Metragem: Passageiro, de Bruno Melo

Melhor Filme da Mostra Novos Rumos

Rânia, de Roberta Marques

FIPRESCI - Melhor Filme Latino Americano

Sudoeste, de Eduardo Nunes



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