| O destemido Paulo Barros "Acreditar, desafiar Em 2004, a Unidos da Tijuca acreditou no até então "desconhecido" carnavalesco que vinha do Grupo de Acesso, e ele desafiou, superou os limites, brincou de Deus, e levou para a avenida o carro "Criação da Vida", o tão famoso carro do DNA, ganhando o Estandarte de Ouro na Categoria Revelação. Do alto do carro, figurantes coreografaram com os braços, simulando a presença e o movimento dos genes humanos. Foi um desfile sensacional, realmente, em todos os segmentos. Foi assim que o mais polêmico dos carnavalescos dos últimos anos começou sua trajetória no Grupo Especial. Paulo Barros passou a ser conhecido como ousado, inovador, carnavalesco das "alegorias humanas". Voou do Acesso para o Especial e flutuou na fama repentina. O impacto de seu trabalho foi tão forte que gerou expectativa em torno de seus desfiles. Não aceitariam que seus desfiles fossem inferiores ao de 2004, ou menos ousado. Pois é, a fama lhe trouxe ônus e bônus. Vejo várias pessoas criticarem o trabalho de Paulo Barros. Por que será? Será que a culpa é dele mesmo, ou do tal assédio da mídia em torno de seu nome, devido ao repentino sucesso de 2004? Não estou aqui para defendê-lo ou dizer que gosto 100% de seu trabalho, até porque não gosto de tudo. Gosto é gosto, e cada um tem o seu. O que mais gosto em Paulo Barros é a coragem que tem em ousar, não se importando se sua arte está nos padrões estéticos convencionais. Aliás, convencional ele não é nem um pouco. Não tem medo de externar sua arte da forma como pensa, como sente. Porém, os critérios de avaliação no Carnaval ainda são muito subjetivos. As escolas são avaliadas de forma comparativa. Então, como avaliar um carnaval de Paulo Barros, se a cada ano ele se distancia do carnaval das outras escolas, quase criando uma nova forma de carnaval? Cabeça de jurado ninguém entende. Quando deparam com esta situação então, tudo pode acontecer. Sua obra é um tanto quanto expressionista e surrealista, muitas vezes se torna transgressora demais. Após o carnaval de 2008, Bruno Filippo, coordenador do Instituto do Carnaval e colunista do site O Dia na Folia, escreveu em sua coluna "Acadêmicos do samba" o artigo intitulado "O carnaval descarnavalizado de Paulo Barros". É isso mesmo: o que conhecemos sobre desfile de escola de samba está muitas vezes longe de ser o que é apresentado em alguns momentos no desfile de Paulo Barros. Um grande artista; mas, para que seja melhor compreendido, talvez tenha que se adaptar às regras do sistema, e isto me parece ser uma questão agressora a seus ideiais, extremamente particular, para o artista que é. Dosar sua ousadia com a carnavalização que todos esperam, sem perder seu estilo próprio, pode ser a solução, mas não sei se ele estaria disposto a aceitar este enquadramento. Em 2009 teremos Paulo Barros em dose dupla; no Acesso pela Renascer, com a parceria de Paulo Menezes, e na Vila Isabel, com a parceria de Alex de Souza. Essa parceria com carnavalescos mais tradicionais, talvez traga o que citei anteriormente: uma ousadia sem perder a carnavalização. Desejo sorte as duas escolas. Enfim, para os amantes das artes, das boas idéias, da transgressão artística, da ousadia, do novo, da representatividade sob um novo ângulo e da imprevisibilidade, a sua importância vai além do que ele seria capaz de "aprontar". E a mais pura verdade é que, goste-se ou não dele, todos o esperam na avenida. |
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