Ontem, no quarto encontro do projeto Carnaval: que festa é essa?, lá no Centro Cultural Banco do Brasil, não valeu o que está escrito. Pelo menos no tocante ao mediador, se o programa anunciava a participação do economista Sérgio Besserman, quem lá estava era Plínio Fraga, que não foi apresentado por ninguém, cabendo ao respeitável público ir em busca da informação por seus próprios meios.
A primeira rodada foi um desastre. Carlos Lessa resolveu dizer logo tudo, talvez com medo de que depois lhe cassassem a palavra. Apesar de ser um orador brilhante, não escapou de ser um pouco demasiado. Os assuntos abordados pareciam não ter nexo claro e a gente temia pelo desenrolar dos acontecimentos, principalmente quando o mediador balbuciou algum tipo de restrição à verborragia do palestrante e foi firmemente seguro por este, que nem tão cedo parou de discorrer sobre a origem da paixão brasileira pela festa, com breve passagem pela origem do X-tudo e pela explicação sociológica para a profissão de flanelinha.
Finalmente passamos ao segundo palestrante, Jorge Castanheira, presidente da Liesa, que, correto e educado como sempre, mostrou uma apresentação em Power Point sobre várias questões relacionadas ao carnaval, contemplando aspectos históricos bastante interessantes. O passado, o presente e o futuro, de acordo com essa apresentação, sugerem o melhor dos mundos, um espetáculo bem administrado em que tudo funciona às mil maravilhas. E embora muito bem estruturada, com clareza e objetividade, foi também uma longa apresentação.
A essa altura, o público já se revolvia inquieto, temeroso pelo que estava por vir, pois até aquele momento não parecia haver qualquer integração entre os dois palestrantes, que pareciam não estar discorrendo sobre a mesma coisa. E foi aí que o tímido mediador entrou em cena, demonstrando ter grande conhecimento do tema, dirigindo aos palestrantes questões pertinentes e provocações quase ousadas.
Enquanto Lessa se revelou mais conhecedor do mundo dos blocos e do carnaval de rua, lamentando que a comunidade esteja alijada dos desfiles das escolas em função do preço das fantasias, Castanheira abordou questões cruciais do desfile, que nos interessam de perto.
Tranquilizador quanto à certeza de que os prazos para conclusão das obras do Sambódromo serão cumpridos, otimista com relação à melhoria do espetáculo graças à construção de arquibancadas fronteiras, que permitem ao público interagir, feliz com a ampliação da capacidade de público - e Lessa observara a tendência contrária nos estádios de futebol, que estariam expulsando a torcida -, Jorge Castanheira deu show. Em defesa dos parceiros tradicionais da Liesa, como a Globo, cujos adiantamentos pecuniários pelo direito de transmissão permitem às escolas começar a trabalhar mais cedo, declara que a licitação, num caso como esse, equivaleria a trocar seis por meia dúzia.
E quando os questionamentos do Ministério Público foram sutilmente lembradas por Plinio Fraga, Castanheira fez uma hábil comparação com o Enem, em que a estatização foi desastrosa, trazendo à tona a questão da expertise e afirmando que a Liesa já tomou prejuízo para aprender a gerenciar o carnaval, fazendo hoje com 250 funcionários o que a Riotur fazia com 1.600.
Quanto às relações da Liesa com o jogo do bicho, trazidas ao debate com franqueza e habilidade pelo mediador, elas renderam o mais divertido momento da noite: ao ouvir de Jorge Castanheira a afirmação de que não tinha qualquer relação com o jogo do bicho, Carlos Lessa apressou-se a esclarecer: Eu também não! provocando gargalhadas na platéia.
Em resumo, o que começara mal acabou muito bem, num show de inteligência e bom humor. Carlos Lessa é profundo e muito divertido, Castanheira se revelou muito articulado, simpático e respeitador de valores fundamentais de nosso mundo do samba. E se algumas questões continuam sem resposta, outras ficaram mais claras e é sempre bom trazê-las a debate.
Rachel Teixeira Valença
Membro SRZD desde 05/05/2011
17/10/2011 10:05:11
Pois é, evitei comentar aqui a final da disputa do Império Serrano, em festa maravilhosa, para não ser acusada de só falar da minha escola. Mas parece que é isso que esperam de mim, então lá vai: adorei o samba vencedor, é o que o Império precisa neste momento delicado: um samba com explosão. Agora, o samba do Aloisio Machado, Henrique Hoffman, Paulinho Valença etc. era um espetáculo e sua apresentação na final foi sem dúvida a melhor da noite. Se tivesse vencido, não faria feio. Feliz a escola que tem sempre samba bom de sobra! Mais adiante voltarei a escrever sobre isso.
Desculpemas
Membro SRZD desde 07/08/2011
08/10/2011 21:50:56
...mestra imperiana o que achou da escolha de samba de sua escola???
Desculpemas
Membro SRZD desde 07/08/2011
28/09/2011 17:57:38
...também acho que seria muito interessante cair duas e subir duas!!! Mestre Rachel na sua opinião qual é o melhor samba: Arlindo Cruz ou Aluízio Machado???
Desculpemas
Membro SRZD desde 07/08/2011
25/09/2011 13:22:34
...o anterior com a Selma e a Nilce também foi um espetáculo de incompetência do mediador Aydano!
Julinho di Ojuara
Membro SRZD desde 13/04/2009
23/09/2011 13:45:08
Acredito que mesmo com aumento de capacidade da passarela do samba, a perpetuação de 11 ou 12 escolas no grupo especial, contrbui para a sonolência que o desfile das escolas hoje representa. O Castanheira é hábil demais, porém deveria repensar o tema. Ao menos 2 escolas caindo e 2 subindo já daria um outro toque na festa (competição). Quanto aos temas ligados ao dinheiro público nem discuto mais, pois acredito como cidadão que o mesmo dveria ter qualquer destino, menos o grupo especial. Até porquê jamais entendi como a prefeitura do Rio, gasta recursos públicos com agremiações de outros municípios.
carlos antonio
Membro SRZD desde 13/09/2011
21/09/2011 22:29:19
foram tres escolas atingidas no incendio,e ainda tem a renascer de jacarepagua,a ocupar oespaço no grupo especial, sem ter barracão. resumo:não terão tempo habil a desenvolver o carnaval como pretendem.e ai mais uma vez, nãao descerá ningém. DÚVIDAAAA? QUEM VIVER VERÁ.
bernardo
Membro SRZD desde 11/08/2011
21/09/2011 21:32:15
o senhor castanheira deveria ter falado sobre a situação dos barracoes das 3 escolas atingidas pelo incendio . no dia da tragédia uma blá blá blá , e até agora nada . resumindo, essas 3 escolas vão ser novamente prejudicadas . agora nao por incẽndio , mais sim por imcompetencia. se fosse beija flor ou mangueira com certeza tudo ja estaria pronto.




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