Em 20/Nov/08 07:11:01

Fidel, joelhos e canos de pvc

O som é a imagem do rádio. Um gravador poderia registrar a voz do príncipe regente às margens do Ipiranga e o brado retumbante. Na falta da sonora resta-nos os livros de história. As gravações servem para transportar o ouvinte para o teatro dos acontecimentos. É o que alguns autores chamam de "cenário sonoro". Tanto é que, quando chegamos à redação aprendemos que a sonora é a ilustração da matéria.

Devemos fazer de tudo para captar o áudio. Durante uma reunião de cúpula de chefes de estado num hotel em Copacabana, fiquei três horas ajoelhado aos pés de Fidel Castro. Não, não foi um culto ao comandante-mor da Revolução Cubana, apenas malabarismo de um repórter iniciante.

O pior foi constatar que por interferência de outros equipamentos eletrônicos a maior parte da gravação d´el comandante ficou fora da rotação. Aproveitei pouco do áudio e me senti um integrante das tropas de Fulgencio Batista em Sierra Maesrtra.

Desde então tomei todos os cuidados para preservar minhas sonoras. O escândalo do propinoduto estourou no começo do governo Rosinha. Para quem não se lembra, foi um esquema de propinas montado por alguns funcionários na secretaria estadual de Fazenda. A Alerj resolveu instalar uma comissão parlamentar de inquérito.

No dia do primeiro depoimento, o primeiro grande desafio. As caixas de som da sala 316 do Palácio Tiradentes eram perto do teto. Os repórteres de TV resolveram pendurando seus microfones na caixa para captar as falas dos interrogados. Eu fiz a mesma coisa com meu gravador. No entanto, as trocas de fita eram trabalhosas. Terminei meu turno de trabalho e voltei para redação pensando em como resolver o problema no dia seguinte.

Lembrei dos meus tempos de técnico em Construção Civil e amanheci no setor de manutenção do Sistema Globo de Rádio. Pedi a um dos rapazes que arrumasse uma prancha de madeira e colocasse na ponta de dois canos de pvc.

Parafernália pronta, o primeiro problema. Meu novo "companheiro" não cabia no carro. Resultado, amarramos um pano na ponta e fomos com traquitana para fora do carro rumo à Alerj.

Quando cheguei com meu novo "amigo", medindo pouco mais de dois metros, fui barrado. Tive que convencer os seguranças que não faria uma manifestação contra os nobres deputados. Com a intervenção da assessoria de imprensa, consegui me dirigir à sessão da CPI do Propinoduto. Ao entrar na sala, a apoteose. Interrompi o depoimento. Os deputados, o depoente e os jornalistas olharam para mim e meu "amiguinho". Pedi perdão pelo inconveniente. Instalei meu gravador e consegui minha sonora. Negociamos com a Alerj para que "rapaz" ficasse guardado lá. Minhas amigas Carolina Morand e Simone Lamim agradeceram e aproveitaram minha tosca invenção.

É necessário improvisação em vários momentos da nossa profissão, não só no momento de entrar no ar. Ah, como o ambiente das redações é saudável e extremamente sarcástico, o equipamento ficou conhecido como "pau do Creso".

 

Generosidade e parceriaFantasmasAbatido no vôoO bife em Campos dos GoytacazesImagino o "pau do creso" com mil e uma utilidades! Professor essa foi a melhor. Usei algo parecido, mas para ficar mais alta no meio de uma trupe de repórteres que me fazia sumir de tão pequena. Aí que descobri minhas habilidades circenses, além de palhaça, é claro! bjãoPára tudo, roubaram o Pau do Creso??? Putz, mas isso era relíquia!!! rs... Inspirada neste relato, que já conheci há alguns anos na faculdade, estou providenciando uma versão mais moderna do "Pau do Creso"! Aguardem coleguinhas... rs Ahhh, conheçam o meu blog: www.faillacenews.blogspot.com B j Creso!!!rs rs rs Creso, fico feliz por vc compartilhar esta hilária história na grande rede. Vc realmente é muito criativo. Um verdadeiro professor Pardal!!! Abs!!! Cida BelfordCreso e suas fantásticas aventuras!!! Adorei! Nos tempos onde a reciclagem e a responsabilidade com o meio ambiente estão em alta, poderíamos reutilizar vários objetos... imaginação está a mil..... aguardamos as novidades.. bjkas PriscilaDe fato, o "pau do Creso" nos ajudou muitíssimo, não só na CPI do Propinoduto como em outras coberturas. Pena que depois o famoso artefato desapareceu nos corredores do Legislativo. Que fim terá levado? Pior é que a cada meia hora tínhamos que baixar o pau, tirar a fita crepe que prendia o gravador à madeira, virar a fita e erguer o pau novamente. Tudo isso numa sala lotada e sem fazer muito barulho. Ainda hoje as caixas de som das salas de comissões da Alerj são perto do teto, apesar de inúmeros pedidos para que houvesse uma numa altura razoável e todos os repórteres sentem falta do "pau do Creso" nesses momentos.E tem gente que acha que a profissão de jornalista é só apurar....acho que vc podia escrever um livro de aventuras: "Creso e suas travessuras no jornalismo"....rs Bjs e até o próximo.Dr. Soares, essa do cano de pvc me rendeu boas gargalhadas. Se juntar as sua histórias com as do nosso amigo Paulinho Araújo o mundo acaba em risadas. Um abraçoCreso da Cruz Soares Júnior, vc é uma figura...rs Com essa sua história lembrei daquela série da Tv "Profissão perigo" na qual o personagem "MacGyver", resolvia os problemas aplicando conhecimentos científicos para inventar engenhocas... Aguardo o próximo... Bj

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