Alimentação é tema de festival internacional de cinema em Pirenópolis

Juliana Dias | Gastronomia | 15/09/2011 01h26

Cinema e comida no mesmo prato é uma refeição completa para compreender o papel da alimentação contemporânea. De 15 a 18 de setembro, a cidade histórica de Pirenópolis, no interior de Goiás, recebe a segunda edição do Slow Filme, Festival Internacional de Cinema e Alimentação.

Para cinéfilos e gastrônomos, o cardápio traz 21 filmes, entre curtas, médias, longas-metragens de ficção e documentários de países como Irã, Índia, Itália, França, Líbia, EUA, Chile e Hungria. A curadoria da mostra é do professor de cinema, crítico e cineasta Sérgio Moriconi. As sessões acontecem no Cini Pirineus e a entrada é franca.

O festival coloca em cena temas atuais como a produção artesanal no Brasil. Histórias da Cerveja em Santa Catarina, de Andreas Peter; e Cerveja Falada, de Guto Lima, Demétrio Panarotto e Luiz Henrique Cudo, apresentam histórias sobre os principais personagens que mantêm as tradições cervejeiras no país.

Após a exibição dos filmes, o mestre cervejeiro Marco Falcone conversa com a plateia sobre o panorama da bebida no Brasil com direito a degustação. Falcone é proprietário da Falk Bier, uma das mais conceituadas cervejarias brasileiras. Ele também é um dos representantes brasileiro do movimento Slow Bier. Criado na Alemanha em 1990, propõe o prazer de tomar uma cerveja produzida no processo lento e artesanal.

Foto: Rusty Marcellini

Outra seleção em destaque é a produção de queijo artesanal. O premiado cineasta mineiro Helvécio Ratton fará a pré-estreia nacional de O mineiro e o queijo (foto acima). O documentário chama atenção para a fabricação, consumo e distribuição do famoso queijo mineiro - em especial aquele fabricado na Serra da Canastra, na região do Serro e do Alto Parnaíba, em pequenas queijarias familiares.

Apesar de ser considerado patrimônio cultural brasileiro, o verdadeiro queijo minas é proibido de ser comercializado fora do estado de Minas Gerais, por ser fabricado com leite cru. Após a projeção, Ratton conversará sobre tradição e contradição. A sessão será seguida de degustação de queijos de Cruzília, Serra do Salitre e Serro.

Na noite de abertura, dia 15, será exibido o documentário A Horta do Seu Geraldo, personagem da cidade de Pirenópolis ligado à agricultura orgânica. E no dia 18, os participantes poderão visitar a chácara Mar e Guerra para conhecer o trabalho realizado por seu Geraldo Veiga.

Foto: Divulgação

Boa parte dos títulos são inéditos no Brasil como curta de ficção O que traz a chuva (foto acima), do Chile, e o longa, também de ficção, Onde o Vento faz a Curva, da Itália, premiados no Slow Food on Film em 2008, e o comovente documentário Seja água, meu amigo, co-produção da Itália e Uzbequistão que fala das consequências das transformações ambientais sobre a vida de pescadores do mar Aral. Há ainda produções premiadas internacionalmente e nunca mostradas no Brasil, como o curta Meatrix, que projetou o diretor Louis Fox, ou o húngaro O Jantar, de Karchi Perlmann, menção honrosa no Festival de Veneza e vencedor de diversos festivais, como o Palm Springs International Short Festival, nos Estados Unidos.

A programação paralela ao festival também é farta. Restaurantes de Pirenópolis criaram pratos exclusivos, inspirados no Slow Filme. Com ingredientes da culinária do Cerrado, Juan Pratginestos, do Montserrat; Márcia Pinchemel, do Le Bistrô; Samuel Passos, do Nori e Niris Quirino do Café Pireneus prometem dar ainda mais sabor à mostra.

No dia 16 de setembro, o chef Francisco Ansiliero prepara um jantar beneficente no restaurante Empório do Cerrado. A sequência de pratos custará R$ 65 reais, com renda revertida para a participação de produtores no 1º seminário de queijos artesanais do Brasil, que acontece em Fortaleza, de 16 a 18 de novembro de 2011.

A Universidade Estadual de Goiás (UEG) realiza o debate Degustando o Cerrado com a participação de produtores e especialistas, no dia 16. A manhã de sábado, 17, começa com uma farinhada na Fazenda Custódio Santos, a 25km de Pirenópolis. No domingo, 18, o café da manhã será na Fazenda Babilônia. A proposta é fazer um resgate antropológico da culinária goiana, acompanhado de visita à fazenda. Mais de 40 itens, feitos com produtos da própria fazenda, o café é oferecido a partir de receitas antigas, do Goiás rural.

O Slow Filme, além de explorar a linguagem audiovisual para abordar a complexidade da comida, estimula os outros sentidos para provar uma experiência multisensorial e de reflexão.

Serviço

Slow filme - festival internacional de cinema e alimentação

Local: Cine Pireneus - cidade de Pirenópolis, Goiás

Data: 15 a 18 de setembro de 2011

Entrada franca

Informações: (61) 3343-8891

www.slowfilme.com.br

 

Mais informações no site Malagueta

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