Parabéns, "Princesinha do Mar"!

Olivia Haiad | Rio+ | 06/07/2008 08h15

"Copacabana o mar eterno cantor, ao te beijar fico perdido de amor", já cantava Tom Jobim. Há 116 anos que esse cenário, dividido hoje entre uma praia em formato de meia-lua e prédios e hotéis tradicionais, encanta quem mora e quem vem ao Rio de Janeiro. Símbolo de boemia, glamour e riqueza especialmente nos anos 30 aos 50, o bairro ainda é fonte de inspiração. Seja nos versos imortalizados na voz de Jobim, ou simplesmente na novela de televisão.

 

Uma antiga lenda conta que o nome Copacabana originou-se a partir de uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana - padroeira de uma cidade da Bolívia situada às margens do lago Titicaca - que veio parar na orla carioca através de um navio peruano ou boliviano. Ao verem a reprodução, comerciantes espanhóis fundaram a igreja de Nossa Senhora de Copacabana. A paróquia cresceu, e o bairro que antigamente se chamava Sacopenapã, do tupi, resolveu adotar o nome quéchua de Copacabana.

 

Não há comprovações se isso é verdade. O que se sabe é que, independentemente de ser verídica ou não, a lenda apenas confirma a essência de Copacabana: em quéchua, esse nome significa "lugar luminoso". 


Copacabana na história

 

Até o final do século XIX, Copacabana era povoada apenas pelo Forte Reduto do Leme, a Igreja Nossa Senhora de Copacabana e algumas pequenas propriedades. Porém, com a inauguração do Túnel Velho no Morro de Vila Rica, em 6 de julho de 1892, o difícil acesso ao bairro acabou. O número de habitantes começou a crescer vertiginosamente. A ampliação das linhas de bonde até o Forte do Leme e a Igreja contribuiu ainda mais para essa integração.

 

Ruas, casas, prédios, hotéis de luxo; não necessariamente nessa ordem, e em grande escala, foram sendo construídos. A Avenida Atlântica - famosa mundialmente por sua calçada branco e preto - foi inaugurada em 1906, trazendo ainda mais beleza ao bairro. 

 

Nos anos 70, um projeto comandado pelo engenheiro Hildebrando de Góis Filho, presidente da Companhia Brasileira de Dragagens (CBD), construiu um enorme aterro hidráulico na orla, ampliando, assim, a área da praia. Mais tarde vieram as ciclovias e posteriormente os quiosques, que em 2007 sofreram reformas e estão mais bem conservados.


Copacabana é história

 

Casa do rei das comunicações Assis Chateaubriand, do escritor Nelson Rodrigues, da ex-miss Marta Rocha e do cantor Jorge Benjor, Copacabana sempre teve seus personagens ilustres. Muitos políticos, como Carlos Lacerda e Juscelino Kubitscheck, escolheram o bairro para morar. Diz-se que a casa de Afrânio de Melo Franco, em 1905, já reunia a intelectualidade da época para discussões políticas.

O Copacabana Palace, o mais famoso hotel do Rio de Janeiro, volta e meia abriga celebridades importantes. Luxuoso e tradicional, ele fica de frente para a praia. Construído entre 1919 e 1923, a pedidos do então presidente Epitácio Pessoa, virou ícone e cartão postal da cidade. Em 1933, foi tema do musical "Flying Down to Rio", com Fred Astaire e Ginger Rogers dançando juntos. O sucesso do filme tornou o hotel conhecido mundialmente.

Já passaram por seus 226 apartamentos: Albert Eisntein (primeira figura importante a se hospedar), Brigitte Bardot, Francis Ford Copolla, José Saramago, Marilyn Monroe, Bill Clinton e Gisele Bündchen. O hotel guarda muitas histórias curiosas, como do ex-presidente do Brasil Washington Luís, que foi baleado em um de seus salões por sua amante francesa em 1928. Socorrido por seu médico particular, o caso foi abafado como uma crise de apendicite.

Terezinha Sá, de 72 anos, faz parte dos 16,7% da população total de idosos do Rio que habitam Copacabana. Morando no mesmo apartamento desde os 7 anos de idade, ela viu parte dessa história ser feita. Seu pai, que veio de Santa Catarina, no Sul do Brasil, com 29 anos de idade, escolheu a rua Toneleiros como residência. Terezinha conta que sua infância no bairro era feliz: "Foi ótima! Não tinha violência como hoje. Brincava com amigos nas ruas, saia para tomar sorvete, aproveitei muito Copacabana".

Reveillon famoso no mundo inteiro

Na noite do dia 31 de dezembro, todo ano, a orla de Copacabana fica lotada por moradores do bairro ou da cidade, e turistas. O motivo é alegre: a comemoração do ano novo. Mais de um milhão de pessoas se aglomeram no calçadão e na areia para observar o show dos fogos de artifício, que costuma durar entre 10 e 15 minutos. Em 2008, está previsto para durar 16, e contará com 22 mil bombas de efeitos especiais.

Um bairro, diferentes realidades

Com a maior concentração populacional do Rio, Copacabana tem quatro favelas: Pavão-pavãozinho, Cantagalo, Cabritos e Ladeira dos Tabajaras. O bairro que antes era habitado exclusivamente pela classe média e alta, hoje ganha um ar de desleixo. Muitos prédios estão depredados, ruas são povoadas por pessoas carentes. O comércio informal sufoca as calçadas e os índices de assalto são altos.

Segundo Ana Luiza Carvalho, moradora de Copacabana há quatro anos, o dia-a-dia no bairro é complicado: "Vou a pé para a faculdade e sempre fico atenta, olhando para os lados. Outro dia, um garoto de rua veio, começou a puxar meu cabelo e levou meu celular, que estava na minha mão".

Rafael Leão, que mora na Rua Joaquim Nabuco desde pequeno, conta que já ouviu tiros vindos do morro de Pavão-Pavãozinho enquanto caminhava em plena tarde em direção à academia.

Copacabana completa seu 116º aniversário neste 6 de julho. A comemoração fica apenas a cargo de lideranças comunitárias do bairro - a prefeitura não programou nada oficial. A festa é às 10h, no largo da Rua Dias da Rocha, esquina com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. A Banda da Polícia Militar cantará "Parabéns pra você" e um bolo será cortado.

Comentários (3)

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lala

27/08/2009 16:48:07

vois é lokos meu aff vois é tudo doido para cololar isso na net!!!

Zappa

Membro SRZD desde 16/04/2009

09/07/2008 05:46:13

Infelizmente discordo da estabilização de Copacabana como um bairro, logradouro, comunidade ou coisa parecida a partir da inauguração do Túnel Velho, já que mesmo precáriamente, Sacopenapã, primeiro nome do bairro, já tinha seu contexto existencial. Não se pode determinar quando Jacarepaguá, Tijuca, Madureira ou o Estácio foram referidos como existentes. Fica meu pedido a Olívia Haiad, para que reconsidere sua afirmação natalícia de Copacabana

rodolpho villas boas neto

06/07/2008 23:01:38

Eu que ja morei no rio sei que a noite no tão badalado e internacionalmente conhecido calçadão a noite só tem puta e assaltante