Dohe Fígado entra com intervenção contra Hospital da UFRJ
Redação SRZD | Rio+ | 03/07/2008 13:30
Desde o início do ano, os transplantes de fígado estão suspensos no Hospital Universitário da UFRJ, sob a alegação de uma crise de desabastecimento que teria paralisado as cirurgias por falta de recurso. Entretanto, todos os demais serviços de transplantes foram retomados há cerca de um mês. A Associação dos Doentes Transplantados Hepáticos do Estado do Rio de Janeiro (Dohe-Rio) solicitou uma intervenção da Defensoria Pública da União - que prepara uma ação civil coletiva. Um processo junto ao Ministério Público Federal foi iniciado para investigar o caso. O Hospital do Fundão - como é conhecida a unidade da UFRJ - é um dos quatro autorizados a realizar transplantes hepático no estado, e recebe a maior parte dos pacientes.
O presidente da organização Dohe Fígado, Carlos Roberto Cabral, explicou que dentre os três outro hospitais do Rio, um não atende pacientes do SUS, o outro fica em Itaperuna, município a 316 quilômetros do Rio de Janeiro, e o terceiro está em Bom Sucesso e atualmente passa por um projeto de reforma no número de leitos. "Mas acima de tudo, nós não aceitamos é a direção do Fundão manipulando os pacientes de forma a esconder as notícias. Eles não admitem que o hospital está incapacitado, e também não explicam à pessoa que ela pode procurar outro hospital. O paciente tem medo de sair dali, pois já se acostumou com a equipe, mas o hospital tem assumir uma postura verdadeira", disse em entrevista a Sidney Rezende, na CBN.
Cabral acredita que até a segunda (7), a Defensoria Pública da União deve anunciar qual será o procedimento a ser tomado. Enquanto isso, a direção do Hospital Universitário divulgou uma nota dizendo que a habilitação para o transplante hepático depende apenas do cadastramento de uma nova equipe técnica no Ministério da Saúde, e a decisão deve ser encaminhada até s sexta-feira (4) para a Coordenação Estadual de Transplante de Órgãos do Rio de Janeiro.
"Eu considero bastante impossível eles arranjarem toda uma nova equipe até o fim-de-semana. O último transplante de fígado foi realizado no mês de janeiro, depois de mais de oito meses parado, e o paciente veio a falecer. Além disso, as pessoas precisam de exames regulares, principalmente da avaliação de imunidade semanalmente, para verificar se o órgão não apresentou resistência. Há mais de um ano eles não realizam esse exame por falta de material", replicou Cabral.
De acordo com as estimativas da Dohe Fígado, existem 1114 pessoas no estado do Rio à espera por um transplante hepático. O Hospital do Fundão responde pelo atendimento de 54% desse total - cerca de 630 pessoas. Com a paralisação do serviço, todos esses pacientes correm sério risco de perder sua vez na fila, e não poder realizar a operação em um hospital diferente.




























