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GPS eleva movimento de cooperativa de táxi em 38%

Alexandre Mata Tortoriello | Geral | 03/07/2008 16:10

GPS

Liguei para a cooperativa pedindo um táxi e antes mesmo de desligar o telefone, a atendente disse: "Seu carro é o 120. Chega em dez minutos!". Fiquei pensando como ela tinha me fornecido a estimativa de tempo e o número do táxi tão rapidamente, sem ao menos chamar alguém pelo rádio.

Ao entrar no carro, perguntei ao taxista como aquilo tinha sido possível. Foi aí que ele me apresentou o mais novo xodó do carro: o GPS (Sistema de Posicionamento Global). Já tinha usado o sistema como motorista, mas não conhecia as facilidades que ele poderia oferecer ao pegarmos um táxi. 

O motorista foi me mostrando as funções. "Acabou aquele negócio de ficar falando no rádio. Chega tudo por mensagem aqui na tela. Olha a sua corrida aqui!"

A frota é monitorada vinte e quatro horas por dia. Da sala de operações, atendentes sabem exatamente onde os carros se encontram, quais estão livres e quais estão ocupados. Ao receber o endereço, o sistema localiza o carro livre mais próximo e informa o tempo estimado para a chegada do veículo. Por isso é que eu não precisei ficar esperando uma nova ligação informando quando o carro chegaria.

Dessa forma, além de escolher o táxi que realmente se encontra mais perto do cliente, o sistema descongestiona a central telefônica. Ao invés de ligar para o passageiro para dizer o tempo de espera, a atendente já está recebendo outra ligação com pedido de corrida.

Em um mês, o GPS ajudou a aumentar o movimento na cooperativa carioca Libertáxi em 38%, passando de 37 mil para 51 mil corridas mensais. Os aparelhos foram colocados em todos os seus 260 carros no fim de maio e a diretoria acredita que o potencial de crescimento proporcionado pelo GPS ainda não se esgotou. "Nossa perspectiva é chegar a 70 mil corridas/mês até o fim do ano", afirma o diretor administrativo, Vanderlei dos Santos Vargas, para quem o sistema revolucionou a cooperativa. "Em 30 segundos de ligação, damos o tempo de espera para o cliente."

Segundo a cooperativa, a partir do momento em que liga para a central de atendimento o cliente espera cerca de dez minutos até a chegada do táxi. Antes do GPS, o tempo médio era de 25 minutos. 

Todas as informações necessárias chegam por texto: endereço, referência, nome do passageiro e roupa que está vestindo. O taxista ainda pode levar o aparelho para fora do carro e receber o aviso enquanto estiver fazendo um lanche na padaria, por exemplo. Mas se isso acontecer, a ordem é interromper o lanche, pois não se pode recusar corrida. A partir do momento em que a mensagem é recebida, o tempo para o cliente já está contando.

Caso o motorista não conheça o endereço, é só selecionar uma opção que mostra o percurso em um mapa interativo e avisa quando deve virar à direita, à esquerda, seguir em frente, tomar cuidado com o radar... A central também envia informações sobre interrupções de tráfego ou situações atípicas que possam atrasar a viagem. "Se o trânsito está parado em tal lugar, chega tudo por mensagem. É realmente fantástico", comenta Vargas. 

Ele não revela o montante preciso do investimento, mas diz que foram gastos mais de R$ 1 milhão. O valor está sendo financiado em cinco anos. Mas, para ele, cada centavo vai ser recuperado. "O sistema é nota mil", comemora. "Está todo mundo animado. Antes, às vezes a gente tinha cerca de 80 carros ao mesmo tempo na rua, agora, como a demanda aumentou, são 140."

Se ao chegar no endereço combinado, o motorista não encontrar o cliente, ele pode acionar uma opção no aparelho de GPS que informa à central que o táxi já está esperando o passageiro. A informação aciona um dispositivo automático que liga para o cliente, se ele tiver informado um telefone fixo, ou envia uma mensagem de texto, caso ele tenha deixado um número de celular para contato.

O próximo passo da cooperativa é oferecer senha para as empresas com as quais a Libertáxi tem convênio, para que possam consultar valor e tempo estimado de um determinado itinerário. O sistema também pode funcionar como dedo-duro, dificultando a vida do empregado que tenta enrolar o patrão. As empresas poderão verificar na tela os detalhes de uma corrida feita por um funcionário, dando os horários de partida e chegada, bem como todo o caminho percorrido.

"A gente não tem medo de investir. Há oito anos, fomos os primeiros a oferecer descontos nas corridas e agora, além do GPS, inauguramos um 0800. O cliente não precisa mais pagar pela ligação quando pede um táxi", destaca Vargas.