A cena é típica: no último sábado (28), acontece uma briga entre garotos em uma das casas noturnas mais badaladas da Zona Sul do Rio de Janeiro. O resultado, nem tanto. Daniel Duque, de apenas 18 anos, é baleado na cabeça ao sair da boate pelo policial militar Marcos Parreira, segurança de Pedro Velasco, o menino com o qual brigara. Em meio a tanta violência, uma manifestação hoje, promovida pelo movimento Rio de Paz, e outra no próximo sábado (5), promovida pela família de Daniel, homenageiam a vítima.
Dois balões de gás vermelho com uma cruz branca pintada no meio serão expostos hoje em frente ao Palácio da Guanabara, em Laranjeiras. Além de Duque, a manifestação é inspirada também no caso do menino Rámon Dominguez, que foi baleado na cabeça durante tiroteio entre policiais e traficantes na Favela do Muquiço, em Guadalupe.
Em entrevista para o jornal O Globo de 1º de julho, o presidente do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirma que o objetivo é sensibilizar o governo de Sérgio Cabral para o alto índice de homicídios no estado.
"Queremos uma nova polícia, bem remunerada e preparada.Se nada for feito, vamos preparar uma manifestação em frente à sede das Organizações das Nações Unidas, em Nova York, alertando para os altos índices de criminalidade no Rio e no Brasil", ameaça.
No sábado, a família de Duque se reunirá mais uma vez, porém na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, situada em frente ao local onde o garoto foi morto. O intuito é pedir que Parreira não fique impune. A Polícia Militar disse que está apurando o caso e que o PM pode ser expulso da corporação.
Parreira: legítima defesa?
Segundo o Ministério Público, Velasco deve prestar depoimento hoje. No relato dos amigos dele, que se apresentaram na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), no último sábado, o segurança do garoto agiu em legítima defesa, uma vez que o grupo de jovens que estava com Duque tentou agredi-los. Amigo de Velasco, Bruno Monteiro afirmou que Parreira deu dois tiros para o alto, e depois "acidentalmente" atirou contra Duque quando este tentava tirar a arma de sua mão.
Parreira defendeu-se, em depoimento à 14ª DP, dizendo que Leite e Velasco lhe procuraram pedindo que os defendesse de um grupo de 12 jovens que ameaçava atacá-los. Afirmou também que os agressores deram um soco em uma funcionária da boate e foram atrás de Velasco e mais três amigos. Nesse momento, ele atirou.
O policial militar foi designado há sete anos pelo Ministério Público para defender a promotora Márcia Velasco e sua família, após esta ter denunciado o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
O jogador de futebol do Botafogo, Diguinho, fazia parte do grupo que estava com Velasco e depôs no fim da tarde desta segunda-feira, na 14ª DP. Seu relato ainda não foi divulgado pela polícia.
Mãe do jovem morto fala na TV
Em entrevista para o programa de Ana Maria Braga, na Rede Globo, Daniela Duque, mãe da vítima, afirmou que tinha medo que seu filho não voltasse para casa, e que naquela mesma noite não conseguiu dormir. "Durante a madrugada, minha filha de dois anos e meio acordou para tomar mamadeira e eu não consegui dormir. Só ficava pedindo para ele voltar, mas ele não voltou", declarou emocionada.
Daniela disse ainda estar confortada pelas palavras do governador Sérgio Cabral, que definiu como absurda a forma com que o jovem foi morto e criticou o despreparo do policial que atirou.

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