SRZD

Sorteio do Grupo Especial

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 29/06/2008 23:31

Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.

Não amigo leitor. O site SRZD-Carnavalesco não está dando replay da matéria anterior. O papo do sorteio continua e focado no Grupo Especial, coordenado pela Liesa.

Novamente bato na mesma tecla, e desde já, me desculpem se pareço chato, sinceramente, acho que estou sendo, mas não posso deixar essa idéia adormecer eternamente no HD de meu PC.

Por que o fator sorte é o orientador da ordem de desfiles? Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, por que a sorte deve influenciá-lo? E com certeza ela acaba por influenciar. 

Eu nunca vi uma escola de samba escolher seu mestre-sala ou sua porta-bandeira por sorteio, Nunca um carnavalesco foi escolhido com mão no saco. A escolha sempre leva em consideração o talento e o desempenho anterior dessa profissional. E por que devemos sortear a ordem de nossos desfiles?

E por que não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados escolherão suas ordens de desfiles.

Criei também para o Grupo Especial um critério, que em nenhum momento, se propõe a ser o correto, o verdadeiro ou o ideal, apenas utilizarei como exemplo de como os sorteios parecem totalmente desnecessários. 

A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a campeã do Grupo Especial do ano anterior. Para a escolha do próximo ano seria a Beija Flor, que escolheria sua posição e seu dia de desfile. Imaginemos que a escola nilopolitana escolhesse a segunda feira e sendo a quinta escola a desfilar.

A segunda escola a escolher sua posição seria a vice-campeã no ano anterior. E nesse ano seria a Acadêmicos do Salgueiro a fazer a segunda escolha. Imaginemos que o Salgueiro preferisse a segunda-feira, mas não colada na campeã Beija Flor e optasse por ser a terceira a desfilar na segunda feira de carnaval.

Nesse momento entraria em cena uma regulamentação específica para esse tipo de escolha: A diferença entre a quantidade de escolas de um dia e de outro nunca poderá ser maior que dois e com isso a terceira colocada no ano anterior, em nosso exemplo a Grande Rio, teria que, obrigatoriamente, escolher o domingo como seu dia de desfile. Isso faz com que exista um maior equilíbrio entre os dois dias de desfile. Vamos supor que a Grande Rio escolhe a quarta posição de Domingo de carnaval.

A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Especial do ano anterior. E nesse caso seria Portela. Como a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro é agora de 1, a Portela pode escolher qualquer um dos dias. Se ela escolher desfilar na segunda, ele enfrentará num mesmo dia a campeã e a vice do ano anterior e isso pode não ser muito interessante. Se preferir o Domingo lá estará a terceira colocada Grande Rio. E aí aparece uma situação: a escola determinará, independente da sorte, uma estratégia de desfile.

Enfrentar as duas melhores colocadas no ano anterior num dia aparentemente melhor, a segunda-feira, ou em um dia considerando mais fraco, mas enfrentando diretamente a terceira colocada no ano anterior. Considero essa escolha de estratégia muito salutar para o mundo do samba.

E assim continuaria nossa escolha, sempre respeitando que a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro nunca ultrapasse o valor 2, e sempre seguindo a ordem de classificação do ano anterior.

A última escola a escolher seria a Porto da Pedra, penúltima colocada em 2008. Restando para a campeã do Grupo A em 2008, o Império Serrano a derradeira vaga na ordem de desfile.

Aparentemente essa forma de escolha parece ser complicada, mas aos poucos o seu entendimento acontecerá e deixaremos de ter o sorteio, também no Grupo Especial.

Uma coisa merece ser elogiada no critério de sorteio da Liesa, ela tenta equilibrar as escolas de uma maneira bastante eficiente e, de certa maneira, tem conseguido isso com os pares equilibrados de escolas.

Porém, eu fico triste com uma coisa. Essa festa não poderia ser fechada, ela poderia e deveria ser aberta ao público, talvez, não na Cidade do Samba, mas na Apoteose, por exemplo. E como encerramento da festa uma grande noite de samba para todos nós, pobres sambistas.

Um abraço
Luiz Fernando Reis