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CFZ sedia lançamento de camisas retrô do Flamengo

Colin Foster | FutRio | 27/06/2008 17:20

O Centro de Futebol do Zico foi palco, na noite desta quarta-feira (26), de um evento para lá de nostálgico. Quase 27 anos depois da conquista do título mundial no Japão, o Flamengo lançou, juntamente à Braziline, uma linha de camisas retrô da série "craques", que recorda o feito histórico. Foram seis jogadores da época homenageados: Zico (que já tinha uma camisa da mesma linha), Adílio, Andrade, Júlio César "Üri Geller", Rondinelli, o "Deus da raça", e Leandro, que não pôde estar presente no evento.

Centro das atenções, como já era esperado, Zico foi assediado mesmo antes de se iniciar o evento. Enquanto torcedores tentavam tirar fotos com o ídolo, os jornalistas se revezavam, na esperança de obter alguma novidade sobre o futuro do galinho. Quanto à uma possível ida para a seleção portuguesa, o ex-treinador do Fenerbahçe-TUR negou prontamente, afirmando não ter sido procurado por nenhum dirigente luso. Sobre a seleção brasileira, a resposta foi seca: "a possibilidade é zero".

Após o primeiro contato com o público, Zico foi, juntamente aos outros ex-jogadores, para o auditório do CFZ, onde ocorreu o lançamento oficial das camisas. Logo quando entrou na sala, o "Galinho de Quintino", ao ser novamente questionado sobre a indefinição quanto ao seu futuro, brincou: "Não tem problema. Qualquer coisa, o CFZ está aí no segundo semestre", disse um muito bem-humorado Zico.

E o clima alegre se estendeu com o atraso de Andrade. Após 15 minutos, a chegada do ex-meia foi celebrada com aplausos e muita brincadeira por parte de todos na mesa. Um vídeo com cenas históricas dos jogadores, e uma apresentação de cada um abriram a entrevista.

Dentre os temas abordados, um dos que mais repercutiu foi a questão sobre a falta de vínculo dos jogadores com seus clubes hoje em dia. Para Adílio, técnico dos juniores do Flamengo, o assédio, cada vez mais cedo, dos clubes europeus, é prejudicial, tanto para os jogadores, quanto para os clubes formadores. Ele também comentou sobre a dificuldade de se conseguir fazer com que os jovens atletas cheguem aos profissionais no Brasil.Foto: Fabio

"Hoje é dificil mesmo criar identidade com o clube. Os tempos mudaram, e o mercado abriu muito. Os jogadores já começam a carreira com o sonho de ir para a Europa. Em todas as competições de base existem olheiros de grandes clubes do exterior, o que não existia na nossa época. Estamos trabalhando para que possa, um ou outro, chegar aos profissionais do Flamengo, mas é difícil", lamentou o ex-meia do rubro-negro.

Companheiro de meio-de-campo de Adílio, Andrade destacou o conjunto como o grande diferencial do time multi-campeão em 1981. Para ele, a ambição de cada um e as conquistas nunca se transormavam em vaidade: "Aquele grupo se tornou uma família, e isso foi o diferencial daquela equipe. Não havia vaidade entre nós, havia, sim, ambição de ganhar, de conquistar os títulos. A amizade e a união eram fundamentais para nós", lembrou o hoje auxiliar de Caio Júnior.

Ídolo maior do clube, Zico manteve a linha dos ex-companheiros, de que é possível, sim, obter sucesso trabalhando em conjunto, e criticou a postura da maioria dos jogadores de hoje. Para ele, o individualismo que toma, cada vez mais, conta dos atletas, prejudica, e muito, as atuações dentro do campo. O galinho alertou que, caso não sejam tomadas atitudes imediatas, a situação tende a se tornar irreversível.

Foto: Fabio "O futebol é um esporte coletivo, e ninguém vence nada sozinho. Se nós tivemos sucesso, foi porque cada um se entregou da maior maneira possível, dentro da própria capacidade. Os resultados apareceram fruto dessa amizade e companheirismo. Quando um não estava bem em campo, o outro ia lá e corria por ele. Hoje, existe um isolamento, e ninguém está 'nem aí' para o companheiro. Quando cheguei ao Fenerbahçe, os jogadores ficavam em quartos individualizados, e você só os via na hora das refeições e das preleções para os jogos. Se você não tomar uma atitude, ninguém se fala", disse Zico, que lançou um desafio.

"Vejo muito pouca amizade nos times. Eu quero ver daqui a 20 anos, se vai ter alguma equipe que vai estar reunida, como a nossa está aqui, hoje, para falar de como era jogarem juntos", questionou.

Momento de emoção durante a entrevista

Um dos momentos mais marcantes da apresentação do novo uniforme foi quando o ex-ponta Julio Cesar foi questionado sobre Zico. Julio nunca negou que sua gratidão pelo Galinho e, por pouco, não conteve a emoção ao falar do ex-craque.

"O Zico é uma pessoa muito importante para mim. Quando eu mais precisei, ele esteve presente, e abriu as portas do CFZ para me ajudar. Não posso dizer que o considero um pai, pois temos quase a mesma idade, mas ele é muito mais do que um irmão, é uma pessoa muito especial", disse um balançado Julio Cesar.

Desfile de modelos encerra o evento

Após o término das entrevistas, houve um coquetel para os convidados do evento e um desfile de modelos, que utilizavam as camisas comemorativas para os ex-craques. Zico viajou hoje para a Venezuela, onde participará de um jogo beneficente. O ex-jogador retorna no domingo (29) e estará presente na preparação do CFZ para a Segundona, enquanto não decidir seu futuro como treinador.


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Postado por:joao batista dos santos guia | 28/06/2008 13:31:38

Não sou flamengo, torço pelo botafogo. mas respeito a história do esporte nacional em qualquer modalidade. E com respeito venero craques como esses da matéria, acho ótimo que sejam feitas matérias em que atletas consagrados e não tão consagrados possam falar de suas experiencias vividas em suas carreiras. Parabéns COLIN FOSTER

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