| Uma dúvida atroz Fui a uma reunião outro dia. De um grupo de profissionais. Juntos, eles tocam um projeto. Não sou o líder. Longe disso. Sou apenas um dos participantes. Bem. O projeto está crescendo. Existem muitos envolvidos. Há um tempo, fez-se uma festa de comemoração pelos resultados. Foi boa. Já se pensa em outra festa, na próxima. Mas agora ela seria num lugar maior, para mais pessoas. Talvez mil. Aí alguém falou: "O risco é a coisa crescer demais; será um problema se for muita gente. Vai descaracterizar, vamos perder o controle." Há duas semanas, fiz um texto, aqui, quase tão misterioso quanto este. Falava, nas entrelinhas, mas revelo agora, de uma escola pequena, chamada Delírio da Zona Oeste. Dizia, naquela coluna, que dias atrás havia batido um papo com integrantes da diretoria, e que elas (eram mulheres) insistiam em me provar que "o verdadeiro carnaval está lá no Grupo D, na Intendente". Escrevi sobre isso, levantei opiniões, questionei a informação e fiz, enfim, digressões. Faltou dizer, naquela coluna, que elas querem mais é subir. Fazem força para serem campeãs. Não vêem a hora de chegar ao C e depois ao B (e, conseqüentemente, à Sapucaí) e já falam até em, quem sabe um dia, pegar um Acesso A, projeto maior para os primeiros anos da década de 10. Ué? Então o que isso quer dizer? Que querem mais é deixar para trás o "verdadeiro carnaval"? Que se renderam? Não. Quer dizer que querem crescer e, uma vez a escola crescida, quem sabe levar consigo, dentro do espírito de cada componente, o "verdadeiro carnaval", para onde quer que se vá. Pensei nisso naquela reunião da semana passada. Uma empresa, ou um grupo, ou um órgão, ou um clube, ou uma associação, mesmo uma família, o que seja, mal ou bem acaba passando sempre pela fase da dúvida atroz: crescer demais e acabar se descaracterizando; ou manter raízes e uma certa humildade em detrimento da notoriedade, da fama, da expansão? Não sei. Não tem certo e errado nessa. Mas reflito muito sobre a questão. Será que um dia alguém do Salgueiro pensou: "Estamos explodindo, é melhor segurar a onda". Será que alguém em Nilópolis anda questionando: "Quase 50 alas não é demais, não?" Sei lá. Como diria um amigo: é uma dúvida atroz, que não sai de nós.
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