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Não existe mais quente

Thatiana Pagung | Thatiana Pagung | 24/06/2008 04:10


A terceira edição da feijoada da Estrela Guia, realizada no dia 15 de junho, na quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, marcou o retorno de Andrezinho, filho de Mestre André, para escola. Ele desempenhará a função de coordenador de bateria, ao lado de Jorjão e Mestre Jonas.

Que tarde maravilhosa Andrezinho nos proporcionou! Ele levou, para se apresentar na quadra, a BN10 Velha Guarda do Ritmo de Padre Miguel. Foi sensacional! Foi difícil não se emocionar!

BN10 significa Bateria Nota 10, e "Velha Guarda do Ritmo de Padre Miguel" surgiu porque, na década de 70, nas carteiras dos ritmistas não vinha escrito bateria, e sim, Ala Mocidade do Ritmo.

O Mestre da Bateria Nota 10 chama-se Celso "Meu Querido". Num determinado momento, ele bate com o dedo no chapéu (que significa um sinal para os ritmistas), começa a sambar e, de costas para a bateria, tira o chapéu. Nesse momento, a bateria pára. Cumprimenta o público à sua direita, abaixando a cabeça e o chapéu, e levanta-se, respondendo à ovação que acabara de receber. Faz o mesmo à frente, e no lado esquerdo. Logo em seguida, dá um giro colocando o chapéu, e a bateria sobe, tocando muito. Essa "coreografia" era feita por Mestre André, e Zé Bolinho fez questão de manter. Há um momento em que eles parecem se desentender, simulam uma briga, mas tudo não passa de uma abertura para que Celso do Agogô se apresente, em seu momento solo.

Depois, também num momento solo, Lindomir da Cuíca, tocando ?Samba de uma nota só?, é um show à parte.

À frente da bateria, Madrinha Celi, que conhece como ninguém seus afilhados.

A alegria, o sorriso no rosto, o prazer desse ritmistas em tocar nos cativam e os tornam diferentes. São verdadeiros artistas. Sentem a música com o coração.

O grupo surgiu em 2003, fundado por André, mais conhecido como Zé Bolinho. Na época, conta ele, uns empresários italianos tinham um projeto para umas apresentações na Quinta da Boa Vista, e queriam um grupo de 80 ritmistas da Mocidade, tocando com o swing das décadas de 70, 80 e 90. O projeto nunca se concretizou, mas a BN10, depois de formada, nunca mais parou. Já fizeram apresentações em diversos lugares, e sempre emocionam por onde passam.

Zé Bolinho entrou na bateria da Mocidade em 1969. Saiu em 2002, onde já era diretor da bateria ao lado de Mestre Coé. O motivo, diz ele, foi  não concordar com as modificações que o ritmo vinha sofrendo, tornando-se cada vez mais acelerado. Hoje, Zé Bolinho é o presidente da BN10, que, com ele, soma 32 ritmistas, todos discípulos de Mestre André, e esses mantêm a mesma essência, o mesmo swing, a mesma cadência - o que não significa ser arrastado nem veloz. Simplesmente se consegue viajar no ritmo.

A BN10 retorna à Mocidade para ficar. Até o nome está sendo modificado para BN10  Velha Guarda do Ritmo da Mocidade Independente. Como será essa integração eu não sei; só sei que os jovens ritmistas daquela comunidade terão a oportunidade de aprender com a raiz do ritmo da escola. E, no futuro, quem ganha é a nossa cultura, o nosso samba e o nosso carnaval.

Enfim, o retorno de segmentos importantes acende, definitivamente, a luz no fim túnel da Mocidade. O retorno da BN10 passa a ser emblemático e de uma importância muito grande. Muitos ritmistas, que estavam afastados da agremiação, retornam seguindo o exemplo da BN10, reforçando o carro-chefe da escola, que é sua bateria. E, com isso, o novo nome dado à bateria por Andrezinho tem mais do que um simples efeito de palavras, reafirma as tradições da escola e vislumbra um futuro vitorioso a ser alcançado. Lá vem a bateria da Mocidade Independente - Não existe mais quente!


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