Sábado, na quadra do Império Serrano, realizou-se mais uma Feijoada Imperial. Era dia 16 de julho e por coincidência, foi num dia 16 de julho, há seis anos, que fizemos a primeira feijoada. A iniciativa foi do Jorginho do Império, que queria reproduzir na nossa casa o sucesso que já se verificava em outras escolas de samba, com as velhas guardas no comando.
A Feijoada Imperial conheceu desde então um sucesso retumbante. Durante a administração Humberto Soares Carneiro chegamos a ter 2.200 pagantes. Se sócios e convidados não pagam, é fácil contabilizar mais de três mil pessoas na quadra. Além do mais, a organização não é opressora, o público se espalha com liberdade e temos orgulho de dizer que nunca se verificou uma briga ou sequer um tumulto: a alegria é que norteia o comportamento daquele povão, mais preocupado em cantar, dançar, comer e beber do que em tumultuar o ambiente.
A qualidade do feijão da Tia Néia já foi cantada em prosa e verso, tendo a nossa feijoada inclusive sido considerada a melhor da Zona Norte em pesquisa realizada por um jornal. A fartura é outra característica que agrada aos visitantes. Nunca ouvi ninguém reclamar do tamanho do prato, pelo contrário, às vezes me aflige a quantidade de comida que é deixada por aqueles que superestimam a própria capacidade de ingestão.
Mas o verdadeiro herói da Feijoada Imperial é o seu idealizador, Jorginho do Império. Desde a primeira ele se comporta como anfitrião, cumprimenta os presentes indo de mesa em mesa, como se estivesse recebendo em sua casa. E está. Hoje a festa cresceu, é difícil até locomover-se entre as mesas e os grupos de pessoas, mas Jorginho continua com a mesma simpatia e a mesma recepção calorosa dos primeiros eventos.
Tenho certeza de que a maioria do público ali presente anseia por aquele momento delicioso em que ele assume o microfone e canta, em primeiro lugar, sambas do Império Serrano de todas as épocas, começando religiosamente por Heróis da Liberdade, que é também o samba que "abre as páginas musicais" (a expressão era usada por nosso saudoso comunicador Léo) nos ensaios da escola. Que prazer ouvir todo mês na sua voz Nordeste, seu povo, seu canto, sua glória e tantas outras maravilhas que nossos poetas produziram ao longo dos anos... Depois de visitar o repertório da casa, ele se permite um passeio pelas co-irmãs, sempre com bom gosto. E finaliza com aquele que é nosso hino maior, consagrado como o maior samba-enredo de todos os tempos: Aquarela brasileira, de Silas de Oliveira.
O andamento dos sambas na sua voz é amigável, longe do frenesi atual, o que nos possibilita saborear as delícias da letra e da melodia. E é engraçado observar que o público não é composto só de gente mais velha e saudosista: tem muita gente jovem que, entre uma paquera e uma azaração, se deixa encantar pela beleza daqueles sambas e canta e dança com animação.
Depois vem a hora também esperada da apresentação da Sinfônica. Ninguém vai a Roma sem ver o papa: em Madureira o que se quer é ver o Mestre Gilmar e seus pupilos mostrarem as inovações que a cada mês fazem as nossa delícias. E a gente parece que sai da quadra com mais energia depois de ver aquela exibição de ritmo, de disciplina e de criatividade.
Na hora em que o Jorginho celebrava ao microfone os seis anos de Feijoada Imperial, veio à minha cabeça o que ela representou como cultura, a gastronomia se enlaçando à criação musical e ao prazer do convívio, na melhor tradição afrodescendente. E não foi por acaso que nesta edição comemorativa estiveram presentes a Velha Guarda Show do Império Serrano e o Jongo da Serrinha, para mostrar a força de nossa cultura, que me faz, que nos faz ter tanto orgulho dessa querida escola.
Torcedor Pilarense
Membro SRZD desde 05/07/2011
18/07/2011 13:29:26
Parabéns ao Império Serrano pelos seis anos de Feijoada Imperial! Saúde e sucesso à essa comunidade que é uma das mães do bom samba e do bom carnaval.




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