No carvalhão (Galo de Ouro II)

Rachel Valença | Rachel Valença | 20/06/2011 16h48

Na semana passada me permiti reminiscências sobre a Unidos de Lucas e muita gente boa comentou. Faltou falar muita coisa, mas um amigo querido me recordou um episódio mais recente, que se passou em 2005 na concentração da querida escola.

Organizávamos uma ala na Unidos de Lucas, quando ela estava no grupo B. Era uma forma de ajudar, pois havia problemas de contingente, e também de nos divertirmos. Estávamos assistindo ao desfile nas frisas, já com nossas fantasias ensacadas, prontinhas para desfilar na reedição do clássico Mar baiano em noite de gala. Minha família e amigos assistem juntos e desfilam juntos. Minha neta Luísa, na época com uns 15 anos, levara a colega Mariana para assistir, mas de última hora, sem ter planejado. De modo que Mariana não tinha fantasia para desfilar e ficou bem tristinha. O jeito foi ceder a ela a minha própria fantasia.

Acontece que eu adoro fantasia! Não sei como pode haver tanta gente correndo atrás de camisa para desfilar porque não gosta de se fantasiar. Carnaval pra mim é fantasia e nunca me esqueço das inúmeras que vesti no Império Serrano e em outras escolas em que saí. Já as camisas me parecem todas iguais...

Pois bem: cedi minha fantasia à Mariana, mas fui com a turma toda para a concentração para curtir aqueles momentos maravilhosos que antecedem um desfile. Lá chegando, o Paulinho (a personificação da Unidos de Lucas, para mim) teve pena da minha exclusão e conseguiu-me uma camisa de diretor, que eu, por falta de opção, vesti com entusiasmo.

A ala já estava armada, posicionada no seu devido lugar no enredo, e como ficava logo atrás de um carro alegórico, eu observava o posicionamento dos destaques lá em cima com o auxílio do carvalhão, aquele guindaste com uma gaiolinha, que tem a função de elevar os destaques até seus "queijos", quando esses são muito altos. Eu, que nunca entendi como uma pessoa escolhe atravessar a Avenida no alto de um carro, comentei com um amigo: - Nem por um milhão de dólares eu seria capaz de subir num carvalhão!

O amigo se foi e eu continuei paradinha assistindo aos últimos preparativos para o início do desfile, quando um funcionário da Riotur se aproximou: "- Diretora, alguém precisa subir para colocar o chapéu do destaque". Eu fiquei sem voz, pregada ao chão. Mas não tive coragem de recusar, tive vergonha de dizer que eu era uma diretora de mentirinha, dessas que eu mesma detesto e critico. Resultado: entrei tremendo na gaiolinha com o chapéu enorme na mão e ela foi me levando às alturas, até o "queijo" mais alto, e eu, de dentro da coisa balouçante, tive de fazer esforços terríveis para alcançar o destaque e ajeitar-lhe a fantasia. Sem olhar para baixo, sem pestanejar, sem sequer respirar, cumpri o meu dever de diretora.

Não ganhei um milhão de dólares, mas me senti feliz por retribuir com um pequeno serviço a generosidade da escola, que me aceitara como diretora de araque. Acho que este deveria ser o castigo para todos que se infiltram em escolas só pela vaidade de posarem de diretores.

Comentários (4)

Isso evita spams e mensagens automáticas.

Aline Said Pessoa

Membro SRZD desde 23/08/2011

28/06/2011 12:10:22

Rachel, adoro seus posts... e esse, sem dúvidas, me arrancou muitos risos! mas tenho certeza que valeu a pena subir naquele troço... Unidos de Lucas é maravilhosa! Espero ainda poder dar uma pequenina contribuição (desfilando) pelo querido Galo de Ouro. Saudações Imperianas!

IVAN SALES

23/06/2011 11:06:32

parabéns porto da pedra, achei uma ótima sacada e bom pra escola busca o tema "irmãos coragem" que foi novela da globo da pra abordar muita coisa. se tiver um bom conteúdo vai ficar bacana.

Alberto Frróes de Oliveira

Membro SRZD desde 23/11/2011

22/06/2011 21:15:59

Olá Rachel, Que bom que você pôde ajudar o "Galo de Ouro". A escola de Lucas merece toada a pompa e toda ajuda. Albertinho

Joacyr

Membro SRZD desde 01/08/2011

21/06/2011 13:48:48

Eu tenho fé que um dia essa instituição, que é a 'camisada', vai se desfazer e nós, componentes, teremos uma coisa a menos para odiar.