O drama de Muller e as 30 moedas de dinheiro...

Claudio Russo | Claudio Russo | 27/05/2011 13h58

A notícia correu os meios de comunicação na última semana: o ex- jogador Muller estaria passando por sérias dificuldades financeiras. Mas como? Não acredito! O drama do jogador com passagens de sucesso por São Paulo, Palmeiras, Torino, Seleção Brasileira e diversos títulos conquistados, inclusive campeão mundial, revela o lado menos glamouroso da fama e do dinheiro, ou melhor, da falta deles após ter todo um "mundo aos seus pés". A ausência de habilidade com o sucesso repentino, as amizades de ocasião e o despreparo para lidar com o dinheiro podem ser alguns dos fatores que levam tão bem sucedidos profissionais a bancarrota.

Guardando-se as devidas proporções, principalmente financeiras, percebe-se que o "drama de Muller" não é uma história solitária, nem exclusiva dos grandes jogadores de futebol, a ascensão relâmpago, por vezes efêmera, em áreas diversas como a música e o Carnaval somente salientam as dificuldades em gerir um patrimônio jamais pensado, posto que o anônimo de ontem, que hoje passou a ser uma nova estrela, prefere na maioria das vezes adquirir, primeiramente, um carrão do ano a um imóvel; cordões de ouro e roupas grife também são parte da escolha em detrimento de um equilíbrio financeiro.

O universo do carnaval e das escolas de samba vem passando por transformações que sedimentam, ano após ano, a mudança do modo de produção artesanal para o modo de produção capitalista, sistema em que o trabalhador vende sua força de trabalho por "30 moedas de dinheiro" e a história resolveu chamar de salário. É nesse quadro que surgem os profissionais do samba (carnavalescos, intérpretes, coreógrafos, mestre-salas e porta-bandeiras, entre outros) e surgem também números de um grande show: os investimentos de patrocínio, propaganda e marketing e a transmissão para mais de uma centena de países que vem solidificar a maior festa popular do planeta. É necessário que o processo se renove a cada instante o que justifica ousadia e novidades constantes. Entender todo esse quadro não é fácil, porém imprescindível para que não sejamos, nós, os próximos a viver um drama humanamente evitável. Por mais, é importante continuar trabalhando, e muito, assim como a formiga na parábola da cigarra, antes do inverno chegar e quando o tempo do frio prevalecer, escutamos a perfeição nos clássicos dos mestres Cartola e Nelson Cavaquinho (por toda minha vida...) que vendiam sua inspiração, sua força de trabalho e foram imortalizados por suas canções. Afinal, o mundo é um moinho...

Comentários (4)

Isso evita spams e mensagens automáticas.

LUIS F

02/06/2011 22:21:57

OBSERVADOR PORQUE DESSA MAGUA TÃO GRANDE ELE É O CARA E BOTA A CARA E VC É O QUE É SAMBISTA,COMPOSITOR OU UM RECALCADO?

Claudio Russo

02/06/2011 20:27:40

Caro observador a natureza das relações humanas por vezes encontra-se na mais Caro observador a natureza das relações humanas por vezes encontra-se na mais obscura seara o que leva a sentimentos como: o rancor, a mágoa e a raiva. Na maioria das vezes são frutos de julgamentos imprecisos por não conhecermos o alvo de tamanhos sentimentos ou por conhecermos tão bem que chegamos à ira. Acho que a sua assídua presença possa fazê-lo conhecer melhor meu pensamento (Conhecereis a verdade e a verdade vos libertara...) aprofundando o debate em nossa tribuna popular, porém, se me conheceis bem, acho que não, posso em algum momento ter despertado o que há de mais obscuro em você, se for este o problema continuamos o debate para quem sabe a sua verdade seja mais clara, desculpe o Mestre Cazuza mentiras sinceras não me interessam, grande abraço. Obs: Acho que fui superestimado, quem sou eu para acabar com o que é imortal, como o samba de Ismael, Silas e Anescarzinho.

Tania

29/05/2011 17:06:00

Quando adolescente tive o privilégio de conhecer e de certa forma conviver com Silas de Oliveira. Na quadra da Império Serrano ou em sua residência era sempre um homem gentil e tranquilo. Dotado de talento raro para compor considerando sua pouca instrução, se valia da colaboração de amigos para corrigir suas músicas. Dentre elas "Aquarela do Brasil" a mais gravada. Recentemente assisti a um documentário sobre o grande Cartola e sua obra. Eram outros tempos, em que os compositores muitas vezes não recebiam o devido reconhecimento e não ganhavam por suas composições o que se ganha agora. Alguns vendiam seus sambas e nem por isso eram criticados. Hoje, no momento em que o samba ganha seu espaço e reconhecimento eu gostaria de ver mais união. Observei aqui um jovem professor de história, compositor dos bons, ser julgado. Não o conheço pessoalmente, mas conheço parte de sua obra e lamento que algumas pessoas percam tempo para criticar alguem talentoso como ele. Quanto ao que dizem não sei se é verdade, mas se for, se esse moço compões vários sambas ao mesmo tempo, parabéns pra ele e que bom para nós (apreciadores de sambas de boa qualidade). Claudio Russo, você incomoda porque é bom e o carnaval só tem a lucrar.

O Obscuro Observador

28/05/2011 23:27:31

Ou seja: o "drama" de Muller serviu de pretexto pra vc justificar a vendilhagem da Cultura Popular aos capitalistas. Tsc, tsc, tsc, que feio, seu Claudio Abramovich, além de mafioso deu agora pra querer posar de "gestor de recursos financeiros"??? Triste ver o fim do Samba de Ismael, Anescarzinho e Silas nas mãos de crápulas como vc.