Como disse na coluna anterior, pela primeira vez depois de dez anos, pude acompanhar, mais de perto e com mais calma, os desfiles e refletir, pensar sobre o que vi de cada escola. Apesar da usual enxurrada de Egitos, Índias, carros com temas orientais e etc... Tinha saudades disso, sentia falta de poder curtir a essência de cada desfile. E como opinião cada um tem a sua, concordem ou discordem à vontade.
SÃO CLEMENTE:
Plasticamente muito bem. Que alegria poder ver de novo o trabalho do Fabinho, um dos mais promissores carnavalescos da nova geração, no grupo Especial!!! A São Clemente em si não consegue mais me empolgar como a escola alegre e irreverente do passado. O desfile da escola da Zona Sul passou frio, sem sal, sem ingredientes que pudessem mexer com o público na avenida. Fico me perguntando o que será que ela pretende ser no futuro.
IMPERATRIZ:
Um dos desfiles que mais gostei na avenida. Era visível a vontade da escola de Ramos de mostrar que está mudando. A Comissão de Frente foi uma das mais legais da avenida, uma belíssima ideia da escola, empolgante mesmo. O samba, achei maravilhoso desde o CD. Estandarte mais do que merecido. E o que dizer da bateria do Marcone? Quanto mais eu ouço mais gosto da batida e da ousadia. O que me entristeceu foi ver problemas de acabamento em carros do Max, carnavalesco que admiro demais exatamente pelo capricho que tem. Ah! E teve Egito...
PORTELA:
Me dá vontade de pular para a próxima, mas, em respeito aos vários portelenses que conheço e admiro, vou escrever. Todos sabem que foi a menos atingida pelo fogo. Todos sabem que o trabalho estava atrasado desde antes do incêndio. E o que foi a Portela na avenida?? Nada que nos faça lembrar que ela é a grande campeã do nosso carnaval, um dos berços do samba e uma das escolas mais admiradas em todo o país. Mais não falo.
TIJUCA:
O Paulo Barros faz uma coisa que me incomoda: deixa a gente de boca aberta o desfile quase todo e, com isso, acaba prejudicando a evolução e o samba da escola. Brincadeiras à parte, acho que ele foi mais brilhante no ano passado. Em 2011, o assunto não estava tão bem amarrado e alguns problemas de evolução prejudicaram a escola. Sei que alguns puritanos do carnaval vão me xingar, mas é impossível, hoje, pensar em ir para a avenida sem ver o trabalho do Paulo. É genial.
VILA ISABEL:
A Rosa voltou a ser Rosa, a Vila é que deixou de ser Vila. Estava acostumado com os desfiles emocionantes que a turma do morro dos Macacos sempre levou para a avenida e, surpreendentemente, me deparei com uma chatice técnica insuportável. Muito bonita plasticamente mas sem brilho, sem tesão. Além disso, o que aconteceu com o Átila??? Um dos melhores mestres que conheço, não se acertou com uma das melhores baterias do carnaval.
MANGUEIRA:
Começou deixando a avenida irada com o infeliz e enorme discurso do Milton Gonçalves e o tempo de desfile rolando. Na primeira virada da bateria, já podia sentir que vinha algo diferente. O samba, que também achava dos melhores da safra, funcionou bem e os componentes começaram a aparecer empolgados mesmo com a chuva que caía. Mas nem tudo pode ser perfeito. Carros feios e mal acabados começaram a desfilar cercados de fantasias irregulares. Acho até que o terceiro lugar foi exagerado. Mas valeu, e muito, pela emoção.
Adiel Silva Santos
05/05/2011 23:27:44
Caro Cadu. Sou Unidos do Porto da Pedra, minha escola de coração, como você bem sabe. Mas na sua gestão como presidente do Boi da Ilha do Governador passei a amar e também a desfilar na escola. Lendo a sua análise sobretudo sobre a Porto da Pedra termina escrevendo: " Bonitinha mas ordinária". O que quis dizer com essas palavras. Se puder me responder pode ser na própria página de comentários ou me enviando pelos seguinte emails: poetacarteiro2010@hotmail.com ou poetacarteiro@correios.net.br. Abraços , Adiel Carteiro Poeta. Ala de Compositores da Unidos do Porto da Pedra. Vitória, Espírito Santo.
Denise
02/05/2011 21:44:12
Acho que o problema maior da São Clemente foi abrir o desfile. Mesmo sem a responsabilidade de cair, é complicado ter de provar a todo tempo que é uma escola competente. Algumas escolas passaram bem pior e mais fria que a São Clemente. O carnaval evoluiu. A São Clemente é cinquentenária. Não pode ser a mesma escola brincalhona de sempre. Até a gente amadurece, envelhece. A escola está buscando uma nova identidade, assim como a Mocidade, Imperatriz e tantas outras,. Tenha paciência e dê crédito a nossa São Clemente. Vcs ainda vão ouvir falar muito BEM dela...Aguardem.




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