SRZD | O Carnaval no cinema | Carnavalesco | Thatiana Pagung


O Carnaval no cinema

Thatiana Pagung | Thatiana Pagung | 02/06/2008 00:32

No curso de férias "Cinema e Carnaval", que ministrei no Instituto do Carnaval, da Universidade Estácio de Sá, enfatizei que o samba e o carnaval sempre estiveram, ao longo das décadas, representados no cinema. Desde 1908, quando foi feito o primeiro registro em película do carnaval brasileiro, os dias de folia nunca mais saíram das nossas telas, mesmo que periodicamente aconteça um hiato entre produções do gênero.

A chanchada foi o genêro que marcou a cultura carnavalesca nas telas, pois, mesmo com todas as críticas, lotou as salas de cinema, sendo um sucesso de público nas décadas de 30, 40 e 50.

O Cinema Novo trouxe à estética carnavalesca a realidade do cotidiano da época, e grandes obras do gênero foram realizadas, como por exemplo, o filme "Rio 40º", de Nelson Pereira dos Santos, onde mostra o cotidiano carioca através de um olhar neo-realista. Com esta crônica generosa, singela e abertamente influenciada pelo cinema italiano do pós-guerra, Nelson Pereira dos Santos provou ser possível produzir filmes mais baratos e autorais no Brasil. A música "A voz do morro" de Zé Kéti (ele também participou do elenco) fecha com chave de ouro o filme.

Nas décadas seguintes apareceram outros gêneros, deixando um pouco de lado a narrativa carnavalesca, como a pornochanchada, filmes de caráter policial, político, o Cinema Marginal, e etc. O cinema brasileiro entrou em produção quase zero, na década de 90, devido à Lei Sarney, ao fim da Embrafilme e ao fim da reserva de mercado para o filme brasileiro.

De alguns anos para cá, observamos a ascensão novamente do cinema brasileiro, num todo; e também, de forma ainda tímida, a retomada de produções voltadas ao universo do carnaval.

Entre os dias 14 e 25 de maio aconteceu o Festival de Cannes. Um dos eventos cinematográficos de maior expressão no mundo teve o samba em sua lista de exibições, e encerraria, com chave de ouro, o Festival no domingo passado, dia 25. Infelizmente, não ocorreu devido ao mal tempo e fortes ventos. O local onde seria projetado o filme era ao ar livre, nas areias da praia de Cannes, e a organização decidiu cancelar a exibição.

O documentário "O Mistério do Samba" com a direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Holanda, apresenta histórias que o grande público desconhece. O longa-metragem fala sobre a história e o cotidiano dos integrantes da Velha Guarda da Portela. Em vários momentos, a cantora Marisa Monte conduz as entrevistas. Também no filme estão presentes Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho, freqüentadores e admiradores da Portela.

O projeto, que teve início há 10 anos, foi idealizado quando Marisa Monte, fazendo as pesquisas para o CD Tudo Azul, começou a  resgatar a obra musical dos compositores da Velha Guarda da Portela. A cantora se apresenta como co-produtora e co-roteirista, trazendo ao filme um olhar mais próximo da realidade, mais natural.

Este ano o cinema brasileiro foi agraciado com um importante prêmio no Festival. Uma atriz brasileira ganhou a "Palma de Ouro" por sua excelente interpretação no filme "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas. Sandra Corveloni interpreta Cleuza, uma empregada doméstica que criou sozinha os quatro filhos e está grávida novamente de mais um pai desconhecido.

Enfim, para o mundo do samba seria muito importante que mais produções sobre a cultura carnavalesca fossem produzidas. Agora, vamos ter que segurar a curiosidade e esperar até agosto para assistirmos ao documentário, pois é a data prevista para ser lançado aqui no Brasil.


| Topo

Patrocínio