Dom João VI teve caso gay
Da redação | Verão | 28/12/2007 03:10
Até tu, Dom João VI ? Não se fala em outra coisa na praia da Farme. O livro Império à deriva, do historiador canadense radicado na Inglaterra Patrick Wilcken está se transformando num cult entre o público GLS, depois que revelou um aspecto da personalidade do Rei de Portugal que nunca havia aparecido nos livros de história: uma paixão homossexual. O livro descreve o Rio de Janeiro da época de Dom João como um lugar exótico, de clima caliente. E extremamente sensual. Em alguns momentos cita observações de intelectuais europeus sobre o clima erótico encontrado na cidade. O historiador britânico James Henderson, por exemplo, descreveu a população acorrentada de escravos em termos lisonjeiros, se bem que suspeitos:
Muitos escravos negros são admiravelmente bem-feitos, em especial alguns dos que trabalham na alfândega, e exibem tamanha força muscular em toda a sua estrutura, combinada com tal simetria de formas, que os contornos e a protuberância muscular de seus corpos nus fizeram-me lembrar alguns belos modelos da antiguidade.
Império à deriva também cita comentários do escritor francês Fernand Denis, quando esteve no Rio, na mesma época de Dom João.
Uma das cousas que sempre excita a admiração do estrangeiro que chega à rua que conduz à Alfândega, na qual se efetuam quase todos os transportes da cidade, é o ajuntamento de negros, de tantas raças africanas, que o primeiro golpe de vista confunde sempre: a seminudez, porque apenas usam umas bragas de pano de linho; esses robustos membros, que à memória trazem belas formas de estatuária antiga; esses exóticos debuxos do corpo mediante os quais se conhecem as nações. Tudo isso forma um quadro que em breve se torna indiferente, mas que à primeira vista admira como revelação d´um mundo desconhecido.
O livro dá a entender que o clima tropical e o ambiente lascivo da província mudaram a cabeça de Dom João, que era um homem deprimido e atormentado quando vivia em Portugal. No Rio ele encontrou calor, música, exotismo, sensualidade. Igualzinho aos turistas europeus que hoje vêm conhecer o verão da cidade e se encantam com a beleza dos corpos seminus na praia e ficam abismados com a troca de olhares e a descontração entre os cariocas. É numa refência aos inúmeros pequenos escândalos da corte portuguesa no Rio que o livro relata a relação afetuosa entre o Imperador e o seu camarista:
O próprio D. João não ficou livre de escândalos durante sua temporada no Rio. Houve rumores no palácio sobre sua afeição exgerada por seu camarista – um dos irmãos Lobato, família de favoritos palacianos que tinham sido confidentes do príncipe regente em Lisboa. D. João conferira a esse servo particular o título de Visconde de Vila Nova da Rainha, uma honraria sem precedentes entre os servidores do palácio. Os boatos – que chegaram a acusações de atividades homossexuais – são sugestivos, embora possam ter provindo de invejas palacianas. Um religioso que servia em Santa Cruz, o padre Miguel, afirmou que, quando ajoelhado em oração num canto escuro, efetivamente testemunhara atos de intimidade entre D. João e outro homem. Tempos depois o padre Miguel foi exilado no bispado de Angola, por motivos que nunca foram esclarecidos.
Império à deriva narra com vigor literário como foram os treze anos da presença da corte joanina no Brasil. O choque com a miséria, a pobreza, a falta de civilização e, ao mesmo tempo o fascínio pela natureza exuberante, a sensualidade do povo, o estilo de vida fomentado pelo calor dos trópicos. De um relevante fato histórico Patrick Wilcken criou uma história original protagonizada por personagens extravagantes, num cenário exótico e apaixonante. Uma publicação da editora Objetiva.























