Adeus, Sörensen!
Waldir Leite | Verão | 02/03/2008 14:31
O Boni adorava o trabalho dele. Carlos Haraldo Sörensen fazia tudo nos áureos tempos da TV Globo. Na época em que as heroínas das novelas eram rainhas e princesas de impérios desconhecidos, ele reinava com seu talento e arte fazendo cenários e figurinos. Foi grande figura da vida cultural brasileira dos anos 1950 e 1960. Morou em Paris onde foi aluno de Picasso, amigo de Salvador Dali e Alain Delon.
Carlos Haraldo Sörensen (1928-2008) foi um artista completo, pertencente à Escola de Paris. Foi pintor, ceramista, tapeceiro, ilustrador, ator, poeta, figurinista, cenógrafo e arquiteto. Em 1943 é descoberto em Bauru, São Paulo, por Mario de Andrade. Após se mudar para o Rio de Janeiro, inicia trabalhos com Di Cavalcanti. Em 1952, articula junto com Lúcio Costa o 1º Salão Brasileiro de Arte Moderna. A convite do governo francês, frequenta o atelier de André Lhote, onde conhece Picasso, Fernand Léger e Delaunay entre outros. De volta ao Brasil, faz cenografia para inúmeras montagens de teatro, participando do Teatro Experimental Negro. Realiza inúmeras exposições de cerâmicas e tapetes, inclusive na Tate Gallery.
Em 1956 ingressa como diretor de arte da TV Tupi a convite de Assis Chateaubriand. Trabalha por quase três décadas como figurinista e cenógrafo na Tupi, Record, Bandeirantes e TV Globo. Realiza centenas de produções, inclusive a primeira abertura do Fantástico e a novela Gabriela. Em 1975, foi carnavalesco da Portela com o tema Macunaíma. Tendo realizado inúmeras exposições individuais e coletivas ao longo de sua carreira, é considerado um dos maiores artistas brasileiros da atualidade, tendo mais de cinco mil quadros e obras de arte espalhados pelo mundo. Na semana anterior ao seu falecimento, pintou seu último quadro ouvindo Piaf.
Carlos Haraldo Sörensen morreu sexta-feira à noite (29/02), de parada cardíaca e foi enterrado sábado pela manhã. Tinha 79 anos.























