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Judeus e cristãos: notas de um mesmo canto

Zeca de Mello | Zeca | 30/10/2008 20:04

Nós cristãos aprendemos a festejar com nossos irmãos mais velhos, os judeus. A liturgia cristã não é fruto de um tipo de geração espontânea, sem pai nem mãe, mas encontra suas raízes e boa parte de suas riquezas no judaísmo.  As categorias da fé, da eleição, da vocação, da aliança, da paz e da reconciliação, são como fontes que irrigaram e influenciaram a fé e as celebrações cristãs.

Jesus alimentou-se em sua vida deste rico manancial de espiritualidade judaica. Não se pode, por isso, pretender afirmar a grandeza e a originalidade de Jesus fora ou contra o judaísmo. O judaísmo não é o negativo sobre o qual se faz sobressair o positivo de Jesus e do cristianismo, mas é a "divina melodia" cuja beleza nos permite sentir a medida da grandeza e da originalidade de Jesus e da cristandade.

Não seria possível compreender a comunidade cristã sem o conceito de sinagoga, a festa da páscoa sem o pesah, a festa de pentecostes sem a festa judaica shavuot, o sentido do domingo sem o shabbat, o conceito de conversão sem o yom kippur.

Num mundo tão ameaçado pelo egoísmo, banalidades e crise da falta de sentido, as celebrações judaicas e cristãs, podem apontar uma resposta a esta situação de emergência, ajudando a descobrir a beleza, o amor e a sabedoria que se encontram misteriosamente presente em todas as coisas.

Judeus e cristãos são chamados a colaborar na afirmação e manifestação desta beleza, sabedoria e amor condensados em nossas tradições, embora diferentes se atraem e se influenciam, como notas de um mesmo cântico do amor de Deus apresentado aos homens e do amor dos homens elevado a Deus em forma de prece e solidariedade uns com os outros.


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Esperança, uma virtude para tempos de crise

Zeca de Mello | Zeca | 22/10/2008 09:21

Não foi nem preciso abrir o jornal, figurava na primeira página: "Num mês, mundo gastou mais para evitar derretimento das bolsas do que contra aquecimento global num século". Nem se fale na gravidade dos problemas sociais enfrentados  em tempos de globalização econômica.

Em dias de crise, as feridas e contradições ficam expostas. Se pudéssemos pesar todas as coisas vivas da terra, os seres humanos somariam somente um milionésimo da biomassa total. Esta insustentável leveza nos espanta! Somos uma parte quase insignificante do que acontece na Terra. Paradoxalmente, nosso poder de destruição desta "casa comum"  assusta. Isso vale tanto para a carne do nosso corpo como para a carne da nossa Terra. Falamos aqui de "carne" simplesmente indicando que se trata de organismo vivo. A mesma e única vida é que está em jogo.

Tudo que é precioso carrega certa fragilidade que clama e reclama por proteção, atenção e cuidado. Uma discreta esperança pode brotar das cinzas do desencanto para superar a ética da exploração e dominação, em direção a uma ética do cuidado e solidariedade.

As palavras de Santo Agostinho podem nos ajudar nesta tarefa: "A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las". 


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Zeca de Mello

Doutor em Teologia Fundamental (Universidade Gregoriana de Roma), mestre em Teologia Bíblica (PUC-Rio) e pós-graduado em Administração de Empresas (COPPEAD). Atua em empresas desenvolvendo programas de Gestão do Conhecimento e Responsabilidade Social.

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