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Valdeci

Valdeci

Jornalista da área de política com atuação em jornais, rádios, assessorias de imprensa e produção de TV. Já trabalhou para "O Popular", de Goiânia, e para "Correio Braziliense", "Jornal de Brasília" e "JB". Foi repórter de rádios como "CBN", "BandNews FM" e "Jovem Pan", em Brasília, e noticiarista das rádios "Araguaia FM", "Executiva FM", "Anhaguera AM" e "Terra FM", de Goiânia.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



21/01/2015 17h51

Estelionato eleitoral e governamental
Valdeci Rodrigues

A oposição tem razão em denominar de estelionato eleitoral a eleição de Dilma Rousseff (PT) para um segundo mandato? Sim, tem. A realidade está aí no noticiário para provar. Medidas que a candidata petista à reeleição jurou que quem as adotaria seria seu adversário, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), estão sendo anunciadas.

Mas um estelionato é resultado de outro, o do primeiro mandato. O país continuou naufragando-se por causa do desgoverno da "companheira" e de seus "companheiros", sejam petistas ou não. Aqui entram aliados de outros partidos. Mas todos, na verdade, para dar "sustentação" aos desmandos e aos roubos na administração pública.

Foco no PT porque é o partido que sofreu a maior transmutação da história deste país --- parafraseando a estrela maior do petismo, o ex-sindicalista e ex-presidente Lula. Em sua megalomania ele só não acrescentou que é também responsável, junto com sua legenda, pelos maiores casos de corrupção já vistos no Brasil.

Impressionante. Não se ouve um pio sobre contenção de despesas. Em algum tipo de compromisso para diminuir os gastos públicos, recursos esbanjados de todas as maneiras que se possa imaginar --- não apenas por conta do roubo puro e simples, com a sofisticada nomenclatura que o camufla em nomes de leis que sequer são aplicadas para valer.

Com os sucessivos rombos no erário, convoca-se o contribuinte para pagar mais impostos. As explicações nunca chegam ao entendimento do comum dos mortais, como manutenção do superávit primário --- apenas a economia para pagar juros de uma dívida pública monstruosa. E que cresce ininterruptamente.

A explicação para esta situação em que o país vive, com as carências de sempre --- sejam em segurança, educação e saúde --- é de uma simplicidade cavalar.  Quem poderia fiscalizar e impedir os desmandos beneficia-se deles também, ressalvadas as exceções de sempre.

O exemplo mais gritante disso é o Congresso Nacional. Um poder que deveria ser independente e tem como atribuição também fiscalizar o governo, com representantes eleitos diretamente pelo povo, é um anexo do Palácio do Planalto.

Igualmente sublinhando sobre as exceções, os 594 parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado têm interesses que não coincidem com o que a população realmente precisa. E cada um cuida de melhorar sua própria vida e a existência dos que se lhe são próximos. Além, claro, de agir sob comando de lobbies (grupos de pressão) que o cidadão comum desconhece.

Bagunçou? A conta não fechou? Passa-se a fatura aos mais de 200 milhões de brasileiros na forma de mais impostos. O Estado não presta os serviços que deveria prestar? Nada acontece. Os órgãos de fiscalização são ocupados por gente da mesma turma de privilegiados numa nação com número significativo de miseráveis. E, crueldade suprema: quem mais sofre são exatamente os que menos, pouco ou nada têm.

Não é à toa, leitor, que o número de partidos só cresce, aumentando ainda mais o rombo nas contas públicas. É um negócio lucrativo. Pode ser ilustrado pela quantidade de ministros de Estado. Eram 15 com Fernando Collor, em 1990 (hoje aliado do PT); 27 com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1995; 32 no governo de Lula.

A "companheira" Dilma Rousseff começou seu primeiro mandato em 2011 com 37 ministros, número que subiu para 39. Essa quantidade é para melhorar a administração do país? Não, claro que não. Tem a finalidade de acomodar "aliados" no primeiro escalão.

Estão todos ali porque desejam o bem comum do Brasil? Acho que não preciso responder... Aí, na parte que "suga" o dinheiro público ninguém aparece para mexer. Sem a reação das ruas, teremos mais quatro anos de pura embromação dos "companheiros" forjados na história do "nós" contra "eles". Risível se não fosse uma grande tragédia.

Não entro nesta história de comparar casos de corrupção nos 12 anos de governos do PT com governos  comandados por outras legendas. Um crime não justifica outro. Nem preciso buscar casos acontecidos há mais de uma década diante de escândalos surgindo em sequência, cotidianamente, como no caso do assalto aos cofres da Petrobras.

PS: Enquanto escrevo este texto leio reclamações de políticos da oposição sobre o sumiço da presidente Dilma Rousseff há mais de 30 dias. Ela não havia aparecido até esta quarta-feira 20 para falar sobre as mentiras ditas durante sua campanha. Nem para explicar o recente apagão no país. 


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17/01/2015 15h51

Minha difícil convivência com a hipocrisia
Valdeci Rodrigues

Faz muito tempo que tenho o hábito de brincar com amigas e colegas na hora dos três beijinhos no rosto.

--- Vamos para os nossos três segundos de falsidade! --- digo rindo e com alma toda aberta.

Quase todas elas entendem a chacota. Divertem-se junto comigo. Houve um caso de uma que chegou para mim e afirmou:

--- Companheiro, vamos para os nossos três minutos de falsidade!

Igualmente, rindo muito, respondi-lhe:

--- Companheira, são apenas três segundos!!! Três minutos já são matrimônio!!!

Motivo para novas gargalhadas. Mas já soube que há pessoas que consideram um absurdo a pilhéria. Claro, nada é unânime. Mas o curioso é que se trata de gente que convive tranquilamente com o fingimento no dia-a-dia de forma séria e normal.

O estranhamento tem um motivo verdadeiro. A hipocrisia é de fundamental importância para a vida em sociedade. Sem sua existência sequer haveria a civilização. Franqueza dói, machuca e é confundida rapidamente com grosseria. A troça que faço tem origem aí. Brinco porque a falsidade é séria!!! Senão, graça nenhuma haveria.

Por volta dos 20 anos de idade, iniciei um doloroso processo de autotransformação muito pesado. "Autodidata" na área de psicologia, cismei em transformar um Valdeci em outro. O primeiro --- que ainda carrego comigo, claro --- era um indivíduo de uma timidez paralisante. Tinha autoestima enterrada a sete palmos.

Tudo resultado de uma infância extremamente traumática. Houve momentos em que achei que não conseguiria finalizar a empreitada. Mas toda vez que ouvia zombaria de psicólogos nas mesas dos bares que frequentava, minha determinação era aumentada. Pensava:

--- Ridicularizarão os casos que quiserem, menos o meu!!!

Trato aqui da hipocrisia porque foi a última decisão que tomei no meu processo de autotransformação aos 20 anos.

--- Serei verdadeiro ou serei falso? --- questionava-me.

Decidi então que manteria a franqueza. Havia observado com ares de estudioso durante um bom tempo o comportamento das pessoas. Casos simples do cotidiano. Como alguém receber uma pessoa cheia de mesuras e manifestações de afeto. E, logo depois, comentar:

--- Aff!!!, não a suporto!!!

Há 15 anos bati com a cara num muro intransponível. Tive de recomeçar o processo de autotransformação de meu temperamento. Descobri, pagando um preço elevadíssimo, que não basta ser eficiente e trabalhar bem. É preciso uma boa dose de hipocrisia e de... bajulação!!!

Ao reavaliar meu nível de franqueza, dei destaque especial ao puxa-saquismo.  Passei a enxergar com mais clareza seu valor. A bajulação é tão valorosa que suplanta a competência. Quem é lisonjeado desta maneira sente um prazer mais prolongado e intenso. Satisfação maior que orgasmo, droga, álcool, rock and roll...

Trata-se de uma carícia enorme no ego. Em todos os ramos de atividade, encontraremos gente menos competente na frente por causa da bajulação. No meu caso, desde o ano 2000, revejo onde posso mudar-me.

Trabalho ainda em alterações comportamentais que não atinjam minha essência, de onde brota toda a minha energia. Flexibilizo-me. Por exemplo: antes via uma amiga com uma roupa bonita e nada dizia. Hoje, comento porque não estou mentindo. Ela fica feliz e enxerga-me com olhos de maior simpatia.

Igualmente, passei a tratar meus superiores da mesma maneira que sempre tratei as pessoas humildes. Antes, se um chefe não tomasse a iniciativa de conversar comigo eu ficava calado no meu canto. Tinha receio de ser interpretado como puxa-saco.  Hoje cumprimento-o como sempre fiz com os mais humildes --- faxineiros, porteiros etc.

Mas apesar desta autotransformação, ainda tenho o maior cuidado para que minhas reações não sejam confundidas com bajulação. Igualmente uso a hipocrisia no menor nível possível. Antes da boa convivência com os outros, preciso estar em perfeita sintonia comigo mesmo.

Nestes últimos quinze anos, descobri margens de manobra comportamentais. Ser mais "diplomático" sem violentar meu temperamento, nem minha sinceridade. Um equilíbrio nada fácil de se conseguir!

Mas se assim é a vida --- e eu decidi continuar com menos atropelos ---,  venho a cada dia tornando-me uma pessoa mais compreensível e melhor. Estou muito longe da falsidade generalizada, e nem quero chegar até este ponto. Muito menos atingir a classificação de bajulador. 


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14/01/2015 02h34

Sexo é humilhação?
Valdeci Rodrigues

É impressionante o elo que as pessoas criam entre sexo e humilhação. No reino dos ditos palavrões entram expressões que contrariam a lógica. Frases que detonam o mais simples raciocínio, as mais simplórias idéias, ligando relações sexuais --- prazer maior da raça humana --- para retratar situações pejorativas e de dominação.

Exemplos: "Vá tomar no c...", "f...-se", "ficar de quatro", "comer o seu c...", "pagar um b..." etc. etc.  Sem contar alusões à sexualidade para demonstrar irreverência, provocação. É o caso de músicas que indivíduos colocam a todo volume em carros para circular em ruas de bairros. "Canções" que usam os termos crus das genitálias masculina e feminina. E também da cópula.

São ditos que atingem tanto homens quanto mulheres. Que a libido remete-nos e nivela-nos ao nosso estado animalesco, não há dúvidas. Nenhum coito teria tanta excitação se usássemos vocábulos mais refinados. Não haveria graça nenhuma.  Outra contradição: mulheres que gostam exatamente do que homens adoram são tachadas de "vadias", "piranhas", "vagabundas"...

Tanto que há frases consagradas --- "entre quatro paredes vale tudo"... --- e até mulheres que dizem "sou uma dama na sociedade e uma prostituta na cama". Outra ligação que violenta a lógica e repassa uma ideia errada do comércio sexual. Mas...

Quem realmente "toma no c..." sente prazer por ter no ânus uma zona erógena turbinadíssima.  É o caso de quem é "f...", "comido". Um dos motivos desta conexão entre situações orgásticas e dominação e situações humilhantes está, inconsciente, na cabeça dos machos.

Os homens não se sentem senhores de si diante das mulheres. A atração é forte demais. A explicação está nos mecanismos de preservação da espécie presentes no ser humano. Há então um "desejo" de vingança --- também inconscientemente ---  manifestado na maneira de os machos encararem o que os "perturbam".

Especialmente em reações cerebrais diante de uma fêmea. Basta ser uma mulher atraente para bloquear outras atividades em seus cérebros. Tratando-se de atrações homossexuais aí, então, é um deus-nos-acuda. Provoca até assassinatos.

Isso a ciência já explica há muito tempo. Entre milhares de depoimentos de mulheres que já ouvi, destaco o caso de uma professora universitária. Ela tem uma fantasia comum também entre mulheres de todos os níveis: "ser prostituta por um dia". Resposta da mestra, de mais de 40 anos, quando lhe expliquei como é o trabalho das profissionais do sexo: "Quero isso mais não!"

Porém, os radicais islâmicos terroristas fizeram-me expor na minha página no Facebook imagens que eu não usaria. Charges que não aprecio foram publicadas por mim também. No meu caso, estou irmanado com cidadãos do mundo inteiro na defesa de algo muito mais importante: a liberdade de expressão e de pensamento.

Meus princípios nesta questão motivaram-me a postar charges do jornal satírico francês Charlie Hebdo. São desenhos que não curto e não me fazem rir. Porém, para combater o terror, considero que fiz uma exceção mínima na minha maneira de pensar e de agir.



11/01/2015 13h18

Charlie Hebdo: sim, a indignação é seletiva
Valdeci Rodrigues

O indefensável ato terrorista em Paris, contra o jornal satírico Charlie Hebdo, na quarta-feira, 7, mostra, mais uma vez, que a indignação é seletiva. Enquanto no mundo inteiro há manifestações contra o que houve na França, pouco se fala sobre o terror na Nigéria, país mais populoso da África. O argumento para a seletividade pode ser ataque a um valor do mundo civilizado, a liberdade de expressão. Mas antes disso não vem a própria vida?

Neste sábado, 9, uma menina aparentando ter dez anos de idade, foi usada para um atentado à bomba num mercado movimentado, na cidade de Maiduguri. Ao menos 20 pessoas morreram. Cerca de 20 ficaram feridas. O grupo extremista islâmico Boko Haram tem como uma de suas características usar crianças e mulheres em seus ataques.

Peguei este caso africano como comparação porque a menina-bomba explodiu um estabelecimento comercial enquanto o mundo inteiro comove-se --- com razão --- voltado-se para a França. E também porque se trata de muçulmanos assassinos. O confronto com as forças de segurança e os jihadistas já dura cinco anos, mas o Boko Haram ataca a população civil. De acordo com a Anistia Internacional, os mortos apenas nos últimos cinco dias chegam a dois mil.

A seletividade da indignação não se trata de quantidade de vítimas, nem se um país está em guerra ou não. Em São Paulo, quando pai e madrasta jogaram a filha dele, Isabela Nardoni, de cinco anos idade, pela janela do apartamento, em 2008, houve ampla e acertada cobertura dos meios de comunicação. Na mesma época, a Folha de S. Paulo fez matéria mostrando o caso uma criança mais ou menos da mesma idade de Isabela. A própria mãe é suspeita de assassiná-la, mas o caso não passou da ocorrência policial porque o crime aconteceu numa favela.

A seletividade nas reações é uma característica desumana das pessoas. O indivíduo reage, indigna-se, revolta-se quando a pessoa atingida --- mesmo desconhecida --- parece-se com ele. Ou esteja num grupo social considerado mais "elevado".  No caso de Paris então...

Não estou querendo criticar aqui a revolta mundial pelo que aconteceu na capital da França --- o que igualmente me atinge. Meu propósito é apenas chamar a atenção para a diferença de tratamento dado a vítimas do terror ou de crimes isolados. E lembrar que até nestes casos, a comoção é regida por questões sociais também.

Já presenciei dezenas de casos de pessoas entristecidas por causa de uma tragédia com gente famosa. Mesmos indivíduos que não se importam com casos semelhantes que acontecem todos os dias bem próximos deles. Chega a ser chocante!!!

A igualdade também na defesa dos valores que cultivamos está no campo dos sonhos de poucos. Mas --- isso não serve como consolo --- o ser humano é assim. Por isso temos pessoas cultas e letradas que não se importam com o analfabetismo de suas empregadas domésticas. E gente bem alimentada que sequer pensa nos que passam fome todos os dias...

Não é à toa que o então presidente Lula cometeu uma gafe ao visitar a Namíbia, em 2003. "Estou muito surpreso, porque quem chega a Windhoek não parece que está num país africano. Acho que poucas cidades do mundo são tão limpas e bonitas arquitetonicamente quanto esta cidade. E (poucas cidades têm) um povo tão extraordinário como (a capital da Namíbia) tem", disse Lula, surpreendendo a platéia que o ouvia na State House, sede do governo local.

A África tem países desenvolvidos e nações paupérrimas com imagens de miséria e guerras que chocam o mundo continuadamente. E são elas que moldaram a imagem do continente inteiro. O que inclui o caso da Nigéria.

 Je Suis Charlie



08/01/2015 18h02

Não gosto do Charlie Hebdo
Valdeci Rodrigues

Eu não gosto do jornal satírico francês Charlie Hebdo. A maioria de suas charges não é do meu agrado. Nem preciso dizer por que neste artigo. Se não aprecio, não compraria, não veria, não leria. Simples assim. O problema está no fanatismo. Ou melhor, num tipo de manifestação ou reação do fanático, seja religioso ou não.

Obviamente que esses psicopatas que promoveram o terror na França não raciocinam. O fanático não pensa, adere cegamente a uma ideia. Mas apenas isso não o leva ao assassinato, ao terrorismo. Se pensasse, sairia desse aprisionamento mental. Cultivaria outros valores e acabaria considerando sagrada a vida --- tanto a dele quanto a dos outros.

Perceberia ainda que sagrado mesmo é o direito ao livre pensar, à liberdade de existir. Bastam alguns básicos códigos de conduta para a convivência pacífica em sociedade. Daí a existência das leis. As nações ditas civilizadas as têm, inclusive, para garantir a liberdade de imprensa e de expressão.

Fanáticos que precisam que os outros considerem sagrados o que eles veneram são dementes. Nem por isso, estão livres de pagarem pelos seus crimes. Somente a demência explicaria este tipo de completa idiotice. As charges que eles queriam banir estão sendo agora publicadas não apenas no Charlie Hebdo. Apareceram em publicações no mundo inteiro. O próprio jornal, que tinha tiragem de 60 mil, passará a ter a impressão de um milhão de exemplares.

Claro que se são dementes, igualmente não percebem algo simples quando se reflete. O humor é uma enorme válvula de escape para a discordância. Com a vantagem de que a divergência morre cada dia ali mesmo, sugada pelas risadas, gargalhadas.

Também não há como esconder que a pilhéria, a galhofa, a gozação, a zombaria ferem. Machucam, sim. Se provocam ferimentos numa pessoa normal, imagine num fanático. Mas é mais proveitoso e saudável conviver com isso. A resposta pode ser também uma piada. Por que não?

Só que nenhum machucado resultante do humor justifica a barbárie, o terror, o homicídio. Mesmo acometidos pela demência, os terroristas precisam ser combatidos pelo mundo inteiro. Eles, sim, são um mal em qualquer lugar. E querem exatamente o contrário do que deseja o ser civilizado: paz.

É possível a convivência pacífica dos seres humanos dentro das divergências. Ria também. Haverá charges que desabrocharão seu riso. Matar, além de ser um crime, não resolve a situação nem torna a vida melhor.

Je Suis Charlie!!!

#JesuisCharlie

 

PS: Preciso ressalvar que como profissional de comunicação, gostando ou não, olharia, leria o Carlie Hebdo. É como editar um jornal. Uma notícia que para mim não tem nenhuma relevância não pode me impedir de enxergar sua importância para a maioria dos leitores.



07/01/2015 19h01

Carlie Hebdo: palavras de Dilma valem para o Brasil?
Valdeci Rodrigues

A presidente Dilma Rousseff juntou-se a chefes de Estado e líderes políticos de todo o mundo para condenar o ataque terrorista que matou 12 pessoas na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo nesta quarta-feira, 7.  "Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas --- a liberdade de imprensa", afirmou a petista.

Guardadas as devidas particularidades entre França e Brasil --- e também em relação às características da publicação que foi vítima do ato terrorista ---, torço para que a declaração da presidente de que a liberdade de imprensa é valor fundamental numa democracia seja realidade em seu governo. Temos motivos para o temor.

Na última sexta-feira, 2, o ministro das Comunicações de seu segundo mandato, o igualmente petista Ricardo Berzoini, afirmou que o governo enviará ao Congresso Nacional projeto sobre "regulação econômica da mídia". Ele disse que empresários, sindicalistas e representantes dos movimentos sociais serão chamados para discutir a proposta do Poder Executivo.

Mas todos sabemos sobre a ânsia dos "companheiros" em controlar o que se publica. Tanto que nos governos petistas, a "companheirada" criou o termo Partido da Imprensa Golpista (PIG). E também disseminou a divisão de profissionais de comunicação entre os contra e os favoráveis ao dito "governo popular", que começou na administração do ex-sindicalista Lula. Já houve uma tentativa --- frustrada.

Em 2004, o então presidente Lula enviou ao Congresso projeto de lei criando o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Seria para "orientar, disciplinar e fiscalizar" o exercício da profissão, inclusive com poderes para punir jornalistas. O tal projeto que não aprovado teve o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), entidade comandada por petistas na época.

Naquele ano, quem na direção da Fenaj não era filiado ao PT tinha simpatia enorme pela causa dos "companheiros". Eles juntavam-se a integrantes do governo Lula incomodados com notícias sobre corrupção na administração da estrela maior do petismo.

De lá para cá, a situação piorou muito. E agora, com o governo naufragado num escândalo maior do que o mensalão --- a roubalheira na Petrobras ---, vem o também ex-sindicalista falar em controle econômico dos meios de comunicação. Ricardo Berzoini estava no meio também em 2004, como ministro do Trabalho.

Em sua exposição de motivos para criação do CFJ, em ofício enviado ao então presidente Lula, Berzoini afirmava  que "atualmente não há nenhuma instituição com competência legal para normalizar, fiscalizar e punir as condutas inadequadas dos jornalistas". O tal conselho intimidaria o profissional e não os donos dos meios de comunicação.

A afirmação de Berzoini na última sexta-feira, 2,  de que serão consultados representantes de movimentos sociais e sindicalistas para discutir o assunto é o mesmo que dizer "chamar mais companheiros petistas" para o debate. Desconheço algum sindicato ou movimento social que não seja comandado por gente do partido ou simpatizante do PT.

Já se ouviu vozes contrárias à intenção de Ricardo Berzoini entre partidos aliados do governo, como o maior deles, o PMDB. A esperança é que o Congresso Nacional não siga a cartilha "ideológica" do PT e impeça que o sonho maior do petismo concretize-se: a censura à imprensa.

Aguardemos para saber se Dilma Rousseff realmente vê na liberdade de imprensa valor fundamental em sociedades democráticas. E esperamos que a ex-guerrilheira que esteve engajada na tentativa de implantar uma ditadura de esquerda no país não dê aval ao que realmente os petistas querem.

Aliás, com os casos de corrupção acumulados nos últimos 12 anos de comando petista, mais a atual situação econômica do país, é descaramento demais tentar novamente implantar a censura aos meios de comunicação. Com o PT no governo, eu, particularmente, tive de parar com críticas que sempre fiz aos monopólios, especialmente no caso das TVs e rádios, que são concessões públicas.

Calei-me para não ajudar a dar vazão ao desejo dos "companheiros" de pôr freios na divulgação de roubo de dinheiro do contribuinte, especialmente. E fiscalizar o poder público é um dos mais nobres ofícios dos meios de comunicação.


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01/01/2015 22h28

Por que não foi feito antes, Dilma?
Valdeci Rodrigues

Discurso, como o próprio nome define, é uma "peça oratória proferida em público". O da presidente Dilma Rousseff (PT), em solenidade de posse no Congresso Nacional nesta quinta-feira, 1º, teve a característica da demagogia --- o que não é privilégio dela no mundo político, ressalte-se. Ela leu um texto, bem preparado pela sua assessoria, que soaria estranho se também não fosse comum entre governantes.

Assumindo o segundo mandato, a ex-guerrilheira expressou-se como se os problemas que o país vive atualmente não fossem consequência também de seu primeiro governo e das duas administrações do ex-presidente e estrela petista Luiz Inácio Lula da Silva. Sob este ponto de vista, são palavras impressionantes.

Impressionantes pelo elevado grau de cinismo. Ela trata da necessidade de ajustes nas contas públicas como se o rombo que se verifica agora não tivesse ligação também com o desgoverno de seu primeiro mandato. Refere-se à corrupção num tom que a distancia também de sua própria administração e dos 12 anos de comando petista.

Como não deveria fugir do maior caso de roubalheira verificado na história do país, afirmou que "nunca se apurou e puniu com tamanha transparência a corrupção". E aí o gigantesco escândalo da Petrobras não poderia ficar de fora. Dilma Rousseff referiu-se ao saque nos cofres da estatal como se o que foi descoberto até agora não tivesse em sua raiz esquema montado pelos seus "companheiros". E que ela finge que nunca soube de nada.

Entre o blablabá citou que fará a reforma política, modificações numa balbúrdia político-partidária que, dificilmente, sairão das mãos de políticos --- ao menos num nível razoável. É impressionante essa desfaçatez que sustenta discurso como se a oradora não fosse um dos responsáveis diretos pelas dificuldades que a nação enfrentará ainda mais no ano que se inicia.

Do Congresso Nacional, a presidente foi para o Palácio o Planalto. Já com faixa presidencial no peito, novas palavras que a distanciam da realidade que ajudou a criar. E, em seguida, deu posse a 39 ministros. Gente demais para governo de menos. Mas número necessário para o "loteamento" do governo entre os partidos que a apoiam.

Exatamente este "loteamento" é uma das causas principais do roubo continuado de dinheiro do contribuinte. Neste caso, os "companheiros" agem em conluio com os aliados. E a presidente reeleita ainda teve a coragem de dizer que é necessário um pacto contra a corrupção, incluindo aí todos os brasileiros.

Os brasileiros pagarão já em 2015 ainda mais caro pelos desgovernos petistas --- falta de crescimento na economia, inflação em alta, rombo nas contas públicas etc. Mas até agora não se vê no horizonte nenhuma medida que mexa com os privilégios e com o oceânico cabide de emprego que há na administração federal. Muito menos com o desperdício de dinheiro público.

Reportagem do Correio Braziliense nesta quinta-feira, 1º, cita estudo mostrando que 23,5% da elite do funcionalismo público federal são filiados a partidos políticos. E que, dentro deste porcentual, 82% são ligados ao PT. É o chamado aparelhamento do Estado. Realidade que torna o discurso da presidente Dilma Rousseff ainda mais distante dos reais problemas do país.

O que não é nenhuma novidade...


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30/12/2014 17h10

2014 não é "página virada"
Valdeci Rodrigues

O ano que se encerra, à semelhança de todos os outros, não é uma "página virada", como costuma-se dizer a respeito do passado ou de algo que se deseja esquecer. No caso de 2014, ele continuará vivíssimo em 2015 --- mais do que o normal. Quase todos os brasileiros já estão sentindo as consequências do que se prolongará pelo próximo ano.

Digo "quase" porque há a turma privilegiada de sempre, que inclusive acaba de receber reajuste em seus vencimentos, como a presidente da República, ministros, deputados, senadores e integrantes do Poder Judiciário. Sem contar as mordomias custeadas pelo dinheiro arrancado do bolso dos contribuintes.

Lamentavelmente, presenciamos mais um caso escabroso de enganação político-eleitoral. A presidente Dilma Rousseff (PT) já adotou e está implementando medidas que, na campanha, atribuía ao senador Aécio Neves (MG), caso o tucano vencesse a eleição para a Presidência da República.

Seu governo acaba de anunciar mudanças restritivas no seguro-desemprego, que faz parte do que jurava manter intactas --- as tais "conquistas sociais". Com a mesmíssima máquina estatal hipertrofiada para dar emprego a aliados e petistas no toma-lá-dá-cá, já se vislumbra aumento na já famosa e gigantesca carga de impostos do país. E sem a contrapartida dos serviços que deveriam ser prestados pelo Estado.

Sob o manto do maior do escândalo da nação --- a roubalheira na Petrobras ---, que faz parte de uma série fora do comum de casos de corrupção durante os governos petistas, teremos 2015 sem novidades. E a expectativa é de que surjam mais casos de roubo de dinheiro público semelhantes ao da estatal no decorrer do novo ano.

Para citar apenas um exemplo das consequências da bandalheira, o rombo nas contas públicas do governo federal é o pior da história do país em 17 anos. No caso da União, o déficit chega a R$ 6,7 bilhões. O desvio de verbas e o desperdício provocaram também déficits nas contas de 18 estados e do Distrito Federal.

Portanto, o Brasil viverá em 2015 consequência do desgoverno também no ano que chegará ao final nesta quarta-feira. Para o cidadão que não sobrevive de benesses bancadas com dinheiro público, não haverá melhora nos próximos doze meses. Ele presenciará a repetição do que já vivenciou até agora: as negociações com uma maioria no Congresso Nacional para continuidade de um governo --- refiro-me às administrações comandadas pelo PT nos últimos 12 anos --- que está detonando de forma singular o país inteiro.

E aqui a realidade não permite esperanças. A menos que haja um levante popular contra o desgoverno. E isso é um acontecimento de pouca probabilidade porque os chamados "movimentos sociais", os sindicatos e os segmentos da sociedade que se levantavam contra os governos anteriores são comandados por petistas e aliados. Gente que ainda se autoclassifica como "esquerdista" e força oposta ao "conservadorismo" --- um igualmente singular descaramento!


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24/12/2014 19h15

Natal, reino da falsidade e do comércio!
Valdeci Rodrigues

A realidade não sofrerá nenhuma alteração por causa do que estou escrevendo aqui. Nem as reações contrárias moverão um milímetro sequer das minhas convicções. Deveria eu ficar quieto, mas não resisto. A hipocrisia na época do Natal doeria na alma de uma pedra, se dotada de algum grotesco sentimento ela fosse.

Observo com estranheza a falsidade das pessoas em finais de ano desde a minha infância. Todas aquelas e essas manifestações de amizade, respeito pelo próximo, lembrança do nascimento de Jesus Cristo, confraternização etc. no final do ano já me soavam estranhas, muito estranhas.

Lembro-me com extrema riqueza de detalhes como em minha cabeça não se encaixava o que eu ouvia numa escola paroquial e na igreja ao lado. Todo o palavreado era incongruente com o padrão de vida dos padres numa pequena cidade do interior. Na ocasião em tinha apenas oito anos de idade.

Com o tempo fui percebendo o caráter comercial das religiões, que vendem uma espécie de apaziguamento da alma. Você segue alguns "ensinamentos", paga o dízimo e passa a ter a sensação de que, quando morrer, não irá para o inferno.

Claro que o comércio real não ficaria fora de uma comemoração deste porte --- há passagens na Bíblia para justificar tanto o pagamento do dízimo quanto os presentes natalinos. Não é à toa que se trata da época em que mais se vende. Qual pai não se sente na "obrigação" de dar um presente ao filho? Natal sem nenhum objeto dado ou trocado não é Natal. Que o diga as crianças das famílias pobres que não podem seguir o ritual ditado também motivos comerciais.

Como devo ter vindo ao mundo pelo avesso, sempre me chamou atenção a situação dos excluídos desta encenação. Gente que se sente diminuída por não fazer parte deste enorme teatro com ares de religiosidade, de congraçamento. Em muitas famílias, uma representação forçada --- é  comum os adolescentes, principalmente, caírem fora logo depois ceia para farrear com os amigos.

Mas a humanidade sem a hipocrisia sequer existiria, não há como negar. Franqueza com cem por cento de pureza não permitiria a formação da própria família, nem da sociedade. Mesmo esta constatação não me faz, depois de tantos natais, deixar de estranhar tanta hipocrisia.

Um lado positivo disso tudo é que podemos ao menos imaginar como seriam as pessoas se vivessem o ano inteiro com espírito natalino!!! E com sinceridade!!! 



17/12/2014 22h26

Aprovação do governo Dilma vem de onde?
Valdeci Rodrigues

Pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Confederação da Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira, 17, aponta que 40% dos entrevistados veem o governo de Dilma Rousseff (PT) como bom ou ótimo.  A aprovação da maneira de governar da ex-guerrilheira petista chega a 52%.

Tudo bem. Porcentual próximo do que a reconduziu no segundo turno para seu segundo mandato, que começa no próximo mês --- 38,2% contra 35,7% do concorrente, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Mas o que me chama a atenção é que o porcentual está em dissonância com os problemas enfrentados pelo país.

Há deficiências generalizadas na saúde, na educação, na segurança pública etc. etc. etc. Isso já antes da eleição. E agora estoura um mega-escândalo de roubalheira na Petrobras que deixou os outros casos de corrupção no chinelo. O levantamento foi feito entre os dias 5 e 8 deste mês.

Essa maneira de encarar governos ineficientes e corruptos alimenta uma descrença sem fim. Como imaginar solução para os problemas que, inclusive, chamam a atenção do mundo inteiro? Especialmente a rapinagem nos cofres públicos? Dinheiro que falta para todo tipo de serviço público que, no caso brasileiro, está muito longe de um patamar minimamente aceitável?

Crítica a este comodismo em relação à administração pública eu fazia também durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), há mais de uma década, quando lia seus índices de aprovação em pesquisas. Há uma apatia numa nação de mais de 200 milhões de habitantes diante dos descalabros nos governos --- tanto o federal quanto os estaduais e os municipais.

Para quem acompanha o que acontece --- e entende o que está se passando no governo ---, este porcentual de aprovação é incompreensível. Mas este tipo de resultado é prova de que os contribuintes não se percebem como financiadores do que há de errado no país.

E aos que mantém-se informados sobre o roubo contínuo de recursos públicos e a respeito da ineficiência da administração nada resta a não ser uma profunda descrença. Ou a esperança de que os outros 60% saiam do imobilismo e pressionem --- como o próprio PT fazia com ruidosas manifestações, por exemplo --- para que o governo atinja um nível de eficiência que, hoje, está distante demais do que seria digno de aprovação.


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15/12/2014 23h16

Lambança do crime na Petrobras
Valdeci Rodrigues

Pelo que já sabemos até o momento, os criminosos de colarinho branco fizeram uma verdadeira lambança na Petrobras. E de forma tão acentuada e prolongada que só é possível pensar na existência de uma atuação tão sistemática de roubo de dinheiro da empresa estatal levando-se em conta a certeza de impunidade dos "companheiros".

Encabula-me que uma legenda, chamada Partido dos Trabalhadores, tenha patrocinado tamanho assalto à maior empresa do Brasil. E que petistas como a presidente da República, Dilma Rousseff, tenha compactuado-se com rapinagem de tamanha envergadura, junto com o líder maior do PT, o ex-presidente e ex-sindicalista Lula. Na companhia, claro, de outros caciques do partido e aliados.

"A corrupção no Brasil é uma das maiores vergonhas da humanidade", afirmou recentemente o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto. O ministro Felix Fischer, ex-presidente do STJ, não ficou atrás. "Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira", disse.

Mesmo para uma nação acostumada com o roubo de dinheiro do contribuinte, o assalto à Petrobras para financiar campanhas do próprio PT e pagar propina a políticos --- constatam as investigações ---, o caso extrapola tudo o que já se viu até agora. E logo em seguida ao mensalão, que levou petistas da cúpula da legenda e políticos de outros partidos à prisão.

Igualmente encabula-me a reação de petistas, como o próprio Lula, que atacam os meios de comunicação que noticiam o megaescândalo. Criticam "vazamentos" da Justiça e mobilizam seus militantes para reagir a um suposto "golpe" arquitetado pelas "elites".

Esperamos que a Justiça leve o caso até o fim, ao menos como aconteceu com o mensalão, que gente como José Dirceu e Lula diz que não aconteceu. "Companheiros" que chegam ao ponto de questionar o julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Comecei a trabalhar na cobertura política justamente quando o PT era oposição ferrenha ao governo e fonte de denúncia de todo tipo de ato ilícito cometido no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Até agora não me acostumei em ver petistas que diziam combater a corrupção querendo até impedir que os casos envolvendo seus próprios correligionários sejam noticiados.

Recentemente, Lula disse que quando as investigações sobre o roubo na Petrobras forem concluídas, seus correligionários já terão sido julgados pela imprensa. São os mesmos meios de comunicação que o PT usava para atacar os governos anteriores ao seu.

Sobre essa história de "golpe", os petistas não encontraram em 12 anos de poder nenhuma oposição ferrenha como a que eles patrocinavam em companhia dos "movimentos sociais", sindicatos e centrais sindicais. Petistas diziam "fora FHC", "fora Collor", por exemplo, sem dar a mínima para o que eles dizem agora valorizar ao extremo: a eleição.

Não há como não sentir nojo diante não só de uma profunda mudança de postura como em relação a práticas criminosas adotadas pelo PT. E não há como não cobrar agora o que os "companheiros" já exigiram no passado. Que a Justiça funcione para punir os ladrões de colarinho branco --- e agora também os que usam estrela vermelha no peito!

 


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11/12/2014 19h36

Estupro na cadeia, pode?
Valdeci Rodrigues

A inclassificável afirmação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) de que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque "ela não merece" gerou um compreensível mar de indignação. O bafafá em torno do caso faz-me relembrar o quanto a violência está entranhada em cada ser humano. E uso aqui o próprio crime de estupro como exemplo.

Incontáveis vezes já ouvi de "gente de bem" que determinado pedófilo ou estuprador vira "mulherzinha" na cela da prisão. Ou seja, é estuprado coletivamente, dentro de um estabelecimento do Estado, supostamente enquanto pagaria pelo crime cometido. E as pessoas comentam o delito com ar de prazer e de vingança.

Então uma violência deixa de ser violência dependendo das circunstâncias? Quem violenta pode ser violentado numa prisão por outros criminosos sob as vistas grossas de agentes do Estado, que tem o dever de fazer cumprir as leis? Ou as leis não valem dentro do cárcere?

Como vou mostrar a um estuprador que o que ele fez não se faz com ninguém permitindo que o dito-cujo seja vítima do mesmo crime que praticou, dentro de uma penitenciária? Como uma sociedade pode querer menos violência com seus cidadãos considerando o crime contra o criminoso normal?

Esta é uma ponta da hipocrisia reinante na sociedade tida como ordeira e civilizada. Crime é crime. E ponto final. No caso de um estuprador, ao ser violentado enquanto cumpre pena, os outros criminosos fazem-no aliviar-se de qualquer tipo de peso na consciência. Servem-lhe, sob o manto do Estado, para mostrar que ele não é monstruoso.

Então, zero para qualquer tipo de recuperação. Esta mesma falsidade que viceja de ponta a ponta na sociedade faz a tortura ser permitida cotidianamente nas prisões do país. Criminosos comuns sofrem uma das maiores atrocidades que um ser humano pode cometer contra outro --- igualmente sob a proteção do Estado.

Hipocrisia oceanicamente criminosa. Agora mesmo o Brasil toma conhecimento do resultado do trabalho da Comissão Nacional da Verdade, onde se apontam nomes de responsáveis, inclusive, pela tortura nos cárceres dos presos políticos da ditadura militar.

E aqui também vem a discriminação. Os agentes do Estado a mando do regime ditatorial mortos no confronto com os "terroristas" que queriam implantar uma ditadura de esquerda no país não são levados em conta. Nova mostra de que o crime depende do lado em que se está quando o delito é cometido.

Nação nenhuma avança nessa história de direitos humanos  fazendo distinção entre pessoas que praticam os mesmos crimes. Voltando ao caso do deputado Jair Bolsonaro, um homem que cita a conjunção carnal entre homem e mulher --- para a humanidade, um ato de amor --- como ameaça de agressão, tem parte de seu próprio ser doente. O triste da história é que o deputado boquirroto não está sozinho nesta maneira de enxergar a relação sexual.

Faz parte de um grupo expressivo de pessoas, que só não é maior dos que não veem crime no estupro do estuprador. Nem dos que não consideram tortura os maus tratos infligidos aos criminosos comuns. Ia esquecendo-me de outro símbolo desta maneira torpe de enxergar a relação sexual. O verbo f... é usado como sinônimo de aniquilar uma pessoa.

É preciso frisar que o criminoso, quanto mais maltratado mais violento ele fica --- além de não ter nenhum tipo de recuperação, o que deveria ser a finalidade das punições nas cadeias e penitenciárias.  Mas se o Estado brasileiro não oferece nem os serviços básicos aos pagadores de impostos honestos e livres, não seria o sistema penitenciário a vitrine de serviço público no mínimo razoável.



09/12/2014 21h56

Brasília não é ilha de nada
Valdeci Rodrigues

Nesta terça-feira, 9, o Distrito Federal viveu um dia de caos. O governo do petista Agnelo Queiroz --- que não se reelegeu e perdeu já no primeiro turno das eleições --- termina de maneira caótica. A população teve de sofrer por causa de greves nos transportes públicos, na educação e na saúde. As paralisações são motivadas pela falta de pagamento de salários.

Mesmo as "elites" tão citadas pejorativamente pelos principais políticos do PT, incluído aí a estrela maior do partido, o ex-sindicalista e ex-presidente Lula, sofrem com isso. As manifestações tumultuaram a vida de todos os moradores da capital da República.

O governo petista que se encerra em Brasília passou pelo mesmo processo que detona a qualidade de vida nas outras 26 unidades da federação. Corrupção, roubo de dinheiro do contribuinte, empreguismo etc, o que caracteriza a má administração pública nos estados, municípios e União.

O Distrito Federal ganhou o apelido de "Ilha da Fantasia". Um dos motivos é o alto poder aquisitivo da população --- aqui é bom lembrar que o valor atribuído a cada um é resultado da divisão da renda somada de todos pelo número de habitantes. Mas existem, por exemplo, miseráveis a poucos quilômetros da Praça dos Três Poderes, como a maior favela da América Latina, de acordo com o IBGE: Sol Nascente, com cerca de 80 mil habitantes.

O descalabro que detona a administração da nação inteira, praticado por gente que vem de todos os estados para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário federais tem seus tentáculos locais. Os cerca de dois milhões de moradores do Distrito Federal penam devido aos mesmíssimos males que afligem a nação inteira.

Brasília não é ilha de nada. É apenas mais uma unidade da federação, que mesmo abrigando o governo federal, sempre esteve à mercê de todo tipo de aproveitador que atua na política. O que serve de argumento para petistas que buscam administrações fracassadas de gente de outros partidos na hora de defender seus "companheiros".

No caso do Distrito Federal, o verdadeiro rombo nas contas públicas só será conhecido a partir de janeiro, com a posse do novo governador. Rodrigo Rollemberg, do PSB, assumirá o governo da capital do país pelos próximos quatro anos. Temos informação de que apenas demissões em cargos comissionados passarão de seis mil.

O caos desta terça-feira em Brasília aconteceu enquanto o governo da petista Dilma Rousseff terminava de aprovar no Congresso Nacional modificações na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). São alterações que permitirão à presidente livrar-se de penalidades previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, exatamente por causa do excesso de gastos na administração do país --- o que inclui assalto ao erário com o cândido nome de "desvio de recursos públicos".


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06/12/2014 22h53

Político não se importa com a própria imagem
Valdeci Rodrigues

Na madrugada da última quinta-feira, 4, aconteceu o que esperávamos e o que todos os meios de comunicação noticiaram como sendo a "grande" manobra da presidente Dilma Rousseff. O projeto de lei que detona a Lei de Responsabilidade Fiscal foi aprovado, livrando a petista reeleita de crime de responsabilidade.

O que chamou a atenção aqui foi o toma-lá-dá-cá  explícito num decreto de Dilma Rousseff condicionando a liberação de vários milhões de reais para emendas de parlamentares ao Orçamento Geral da União, publicado no Diário Oficial, inclusive, à aprovação do projeto. Isso levou oposicionistas a dizerem que os 81 senadores e 513 deputados têm uma etiqueta na testa, referindo-se ao valor disponibilizado para cada um deles: R$ 748 mil reais.

Esta afirmação foi feita pelo candidato derrotado à Presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Numa sessão que durou quase 19 horas, deputados e senadores aprovaram o projeto que modifica a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Alteração permite ao governo descumprir meta de superávit primário --- economia para pagar "apenas" os juros da dívida pública trilionária.

Manobra vergonhosa, aberta e oficializada no Diário Oficial para que o governo deixe de cumprir a lei. O que me encabula é como os 513 deputados e 81 senadores não se preocupam sequer com a imagem de legisladores e de independência do Poder Legislativo em relação ao Poder Executivo, como estabelece a Constituição. Ressalvadas as exceções de sempre, a maioria dos parlamentares ajudou a rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal, um importante freio na gastança desenfreada de dinheiro do contribuinte --- não onde deveria ser aplicado, claro.

Para essas "execelências", basta que haja mais verba liberada em seus nomes para supostas obras em seus redutos eleitorais. Falou-se muito --- em muitas reportagens, inclusive --- que Dilma Rousseff fez chantagem com os parlamentares. Não foi assim.  É o Congresso Nacional que trabalha desta maneira.

Um outro exemplo extremamente tristonho e desolador do Poder Legislativo é que, além de não fiscalizar o Poder Executivo como deveria, tem sua pauta de votações ditada pelo governo da hora.  Daí minha constatação de que deputados e senadores não apenas menosprezam a imagem do parlamento como também sequer têm auto-estima, tanto como políticos quanto como cidadãos.

Se eles próprios não valorizam a si mesmos como deveriam, como a população poderá ver com bons olhos um importante pilar de uma suposta democracia? Sinceramente, leitor, o Congresso Nacional também não tem limites em detonar sua própria imagem diante da nação inteira! Nem de trabalhar de forma totalmente fisiológica e irresponsável, prejudicando o país!

 


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04/12/2014 01h33

CONTO: Óculos de grau, meu excêntrico caso de amor
Valdeci Rodrigues

Pelas reclamações que ouço e já escutei ao longo da vida, meu gosto por óculos de grau é uma exceção, uma excentricidade. Essa afeição tem raízes na infância. A primeira garota por quem me apaixonei, aos oito anos de idade, usava óculos. Era colega de sala de aula e vizinha da casa de minha mãe. A imagem dela está gravada na memória como fotografia até hoje.

No ano seguinte, aos nove anos, tive como professora uma freira estadunidense. Em embaixo dos óculos, os lábios carnudos mais belos que já vi. Um encanto! Na mesma época, meu pai comprou para mim óculos de lente branca, sem grau, claro. Foi uma felicidade!

Depois desta junção afetivo-erótica infantil, o passo seguinte foi a ligação dos óculos com intelectualidade, leitura, conhecimento. Cismei de ser intelectual logo na adolescência. Então, quando tive de usá-los para miopia, aos 19 anos, fiquei muito contente. Óculos redondos, usei-os por muito tempo, inclusive escuros.

Há cerca de quatro anos fiz uma cirurgia nos olhos que reduziu drasticamente meus problemas visuais. Mas não tenha dúvida. Se eles tivessem deixado de existir, continuaria a usar óculos com lente branca sem grau nenhum. Não consigo sequer imaginar expor o meu rosto sem este objeto que para mim é um caso de amor.