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Valdeci

Valdeci

Jornalista da área de política com atuação em jornais, rádios, assessorias de imprensa e produção de TV. Já trabalhou para "O Popular", de Goiânia, e para "Correio Braziliense", "Jornal de Brasília" e "JB". Foi repórter de rádios como "CBN", "BandNews FM" e "Jovem Pan", em Brasília, e noticiarista das rádios "Araguaia FM", "Executiva FM", "Anhaguera AM" e "Terra FM", de Goiânia.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



14/04/2014 18h10

André Vargas ainda é o vice-presidente da Câmara

O deputado André Vargas (PT-PR) ainda é o vice-presidente da Câmara. Ao menos até às 17h desta segunda-feira, 14, oficialmente houve apenas o pedido de licenciamento do mandato por 60 dias, por questões particulares. E o próprio parlamentar já está dizendo que não ficará dois meses fora do Congresso Nacional e que voltará logo depois do feriado do dia 21.

O que houve? Uma grande encenação até o momento. André Vargas, uma das pontas do grande escândalo que envolve a Petrobras, distribuiu um texto sem assinatura quarta-feira passada, 9, afirmando que estaria renunciando à vice-presidência da Câmara para concentrar-se na defesa de seu mandato.

Ele aparece como sócio do doleiro preso Alberto Youssef, de acordo com investigações feitas pela Polícia Federal na Operação Lavajato. A PF interceptou conversas entre os dois, sobre como  ganhar dinheiro e adquirir "independência financeira" negociando com o Ministério da Saúde.

O texto de renúncia à vice-presidência da Câmara não tem sequer sua assinatura. Papel que também não foi feito em forma de ofício à Mesa Diretora da Casa. Como André Vargas pediu licença do mandato por motivos particulares, pode voltar a assumi-lo antes de dois meses ― é o que ele tem afirmado nos últimos dias, inclusive com ameaças de entregar mais participantes do esquema de roubo de dinheiro na Petrobras.

Se nada mudar daqui até o dia 21, André Vargas reassumirá o mandato de deputado e, consequentemente, o cargo de vice-presidente da Câmara. Isso mostra o tamanho da encrenca para os petistas e o governo, já que André Vargas tem dito que não "cairá" sozinho.

Aliás, o petista assemelha-se muito com o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), tido como o grande opositor do governo e reserva moral do parlamento até se descobrir suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Assunto que parece sepultado, né?

Refiro-me à molecagem do vice-presidente da Câmara ao levantar o punho ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Era a solenidade de abertura dos trabalhos legislativos deste ano, no plenário da Câmara. Portanto, um salamaleque oficial. Só pode ser confiança demais na impunidade, para fazer uma demonstração dessas para a "companheirada" com a ficha que André Vargas tem. E levantada pela Polícia Federal.

Diante disso, as ameaçadas de André Vargas de entregar mais "companheiros", já que se sentiu "abandonado", devem estar sendo levadas a sério pelo governo e seus aliados. Os governistas tentam a todo custo barrar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a corrupção na Petrobras usando método semelhante ao de André Vargas: apurar também denúncias que atinjam os pré-candidatos à Presidência da República pelo PSDB, senador Aécio Neves, e pelo PSB, ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Essa companheirada não é moleza não! Não mede esforços para continuar "desviando" dinheiro do contribuinte. Gostaram demais desse roubo tão fácil quando se tem o domínio do erário. E o caso da Petrobras tem todos os indícios de ser bem maior do que já apareceu até o momento.



10/04/2014 16h20

Legislativo não é Poder independente?
Valdeci Rodrigues

Espantosas são também as contradições dentro do Congresso Nacional, um dos três Poderes estabelecidos pela Constituição para funcionar de forma independente e harmoniosa entre si. Não é necessário nenhum conhecimento especial para se perceber rapidamente que em relação ao Poder Executivo o parlamento é uma extensão do Palácio do Planalto.

Como puxadinho do governo, o Congresso Nacional funciona sem que ninguém se importe com isso. Há discursos para tudo, contra ou favor. E aí entra a história da maioria, da minoria, dos aliados etc. Mas, volta e meia, aparecem deputados ou senadores irritados com o funcionamento do Poder Judiciário.

Não faz muito tempo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elaborou normas para as eleições porque Câmara e Senado não haviam cumprido seu papel como, também, os responsáveis pela elaboração das leis. Houve muitas excelências arrotando mal-estar para todos os lados.

Agora, assistimos à nova contradição desses papéis constitucionais de independência de Poderes por causa das irregularidades encontradas na administração da Petrobras. A oposição conseguiu assinaturas suficientes para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o que houve na estatal ― que se transformou num dos escândalos da vez.

A maioria governista manobrou e aprovou uma outra CPI, elencando irregularidades para investigação que podem atingir os governos da oposição em São Paulo e em Pernambuco. Não por acaso, comandados pelos partidos dos dois pré-candidatos à Presidência da República ― o PSDB, do senador Aécio Neves, e o PSB, do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Então, os oposicionistas bateram às portas do STF para que a instância máxima de Judiciário decida sobre assuntos internos do Congresso Nacional. Querem garantir uma CPI exclusiva para a corrupção apurada na Petrobras, inclusive pela Polícia Federal.

Logo em seguida, uma senadora do PT, também foi ao STF em busca de um mandado de segurança para impedir funcionamento de qualquer CPI da Petrobras. Do jeito que o governo aprovou no Senado, com sua maioria, nada será apurado. Todos sabem disso.

E agora, leitor? O Congresso Nacional só é Poder independente quando é do interesse de deputados e senadores, sejam maioria ou minoria? Neste caso da Petrobras, tanto governistas quanto oposicionistas recorreram ao STF.

Conclusão a que podemos chegar com estas movimentaçõe é de que a balbúrdia no Legislativo é tamanha que, além do Parlamento funcionar como repartição do Palácio do Planalto, não tem sequer preocupação de honrar suas próprias normas internas. É vale-tudo na Câmara e no Senado.

Essas iniciativas no Congresso Nacional são apenas mais um dos indícios de que o país está a mercê das quadrilhas organizadas, que roubam o dinheiro do contribuinte. Sim, aqueles recursos que faltam para educação, saúde e segurança etc. Sim, aqueles reais arrancados na forma da segunda maior carga de impostos do planeta.

Esperemos. Seja qual for o resultado, tenha uma certeza, leitor. Ele não sera favorável ao contribuinte. Não favorecerá nenhum dos 200 milhões de brasileiros que sustentam também um dos sistemas mais corruptos do mundo. Refiro-me à esmagadora maioria que não está usufruindo, de forma honesta ou não, do erário.

Entristecedor. Lamentável. Desanimador. E você ainda é obrigado a votar para que esse barafobafo todo tenha o nome honroso de democracia!



29/03/2014 19h23

Plenário vazio, retrato do parlamento
Valdeci Rodrigues

Quinta-feira, 20 de março, 17h. Plenário da Câmara dos Deputados vazio. Um parlamentar discursando na tribuna e outro sentado na mesa que preside a sessão. Transmissão ao vivo pela TV Câmara, que nunca mostra que o recinto está abandonado. Entre aspas, claro.

No painel eletrônico, há o registro da presença de 363 parlamentares. Prática comum. Eles registram presença de manhã para não ter desconto em seus salérios e viajam em seguida para suas "bases" eleitorais. O deprimente espetáculo do plenário vazio de um discursando e outro presidindo a sessão repete-se às quintas, sextas e segundas-feiras.

O que me fez abordar novamente este acinte aos trabalhadores de todo o país foi uma foto de um colega jornalista que cobre há muitos anos as atividades do Congresso Nacional. Ele postou naquela quinta-feira a imagem no facebook com os dizeres: "Eu não me acostumo. Como pode falar para ninguém? E mais: 362 registrados como presentes em plenário vazio? A Câmara dos Deputados". Quando ele fez a foto havia um nome a menos no painel.

São práticas com as quais eu também não me acostumo. Dia de semana, hora de trabalho, de expediente. Suas excelências argumentam que precisam dar assistência a suas bases eleitorais. O resultado é que toda a estrutura do Congresso Nacional ― a situação repete-se no Senado Federal ― fica à mercê desta encenação.

Um "teatro" que custa muito caro a cada um dos pagadores de impostos. De acordo com cálculo feito pelo Correio Braziliense, em 2012 os contribuintes gastaram com o parlamento mais de R$ 10 mil por minuto. É o custo de toda esta megaestrutura, para o fingimento de que se trata "de democracia".

Além de o Poder Legislativo não honrar o próprio nome, funcionando como departamento do Poder Executivo, a situação é mais revoltante. Estatísticas mostram que a maioria do que é aprovado no Congresso vem do Palácio do Planalto. Durante a luz do dia, é difícil encontrar muitos senadores e deputados no Congresso.

A maioria sai no horário de expediente normal das pessoas normais, para resolver problemas em ministérios e órgãos do governo federal. Obviamente, que a quase totalidade dessas questões não diz respeito ao eleitorado, aos cidadãos. São problemas que interessam à elite do Estado que o parlamentar representa no Congresso Nacional. Por isso, costumo chamar generalizadamente os parlamentares de "despachantes"― ressalvadas as exceções de sempre, óbvio.

Nesta sexta-feira, 29 de março, o mesmo Correio Braziliense traz reportagem com o título "A conta do Congresso é cada vez mais salgada". O texto mostra que as restrições orçamentárias não atingem o parlamento. E que o orçamento da Câmara e do Senado, somados, é R$ 209 milhões maior do que em 2013.

É um desperdício de dinheiro e tanto, num Legislativo que tem entre suas atribuições ficalizar as atividades do Poder Executivo que, por sua vez, comanda tudo como se Câmara e Senado fossem departamentos do Palácio do Planalto. O poder aqui vem das verbas, do dinheiro de uma nação que tem a segunda maior carga de impostos do planeta.

Um país, cuja carência de serviços públicos salta aos olhos de todos, poderia dar-se ao luxo de gastar tanto com esta encenação? E o que é pior: todos estão já acostumados com este "ritmo" de trabalho. Há as exceções como o meu colega jornalista que fez o comentário com que inicio este texto ― e eu também, que há mais de 15 anos faço cobertura jornalística do Congresso Nacional.

Sempre tenho dito e repetido, que até onde as vistas alcançam não existem sinais de modificação deste lamentável cenário, onde os partidos também funcionam num faz-de-conta assustador. Basta ver a quantidade de legendas: 32. Todas eles recebendo dinheiro do contribuinte também.

Este "excesso" de "democracia" serve apenas e tão-somente para a enganação de 200 milhões de brasileiros ― todos sem os serviços que pagam para receber do Estado, como educação, saúde e segurança etc.

Na verdade, o que há é uma avacalhação completa na administração pública como um todo, onde entra até o Poder Judiciário. No governo federal, basta acompanhar sua rotina. Programas de fachada e atendimento aos interesses dos nobres deputados e senadores para que votem de acordo com o quer o governo. E quanta energia em torno de cargos para fulano, beltrano ou cicrano.

Aliás, nem auto-estima os parlamentares têm. Um instrumento colocado na Constituição para casos de urgência e relevância, as Medidas Provisórias, jorram o tempo inteiro sobre o Congresso Nacional. Ou seja, deputados e senadores abriram mão de legislar e vão tocando no faz-de-conta um poder que deveria ser independente.

Voltando ao que afirmei que não há no horizonte sinais de modificação, tenho dito sempre também que algo só será alterado se houver uma revolta repentina da população. No ano passado, com as manifestações de junho e julho até, otimista, cheguei a pensar que começaria a reação dos pagadores de impostos.

Tudo acabou ali mesmo, com os movimentos infiltrados por baderneitos, e não se falou mais no assunto. Há quem acredite que a Copa do Mundo servirá para novos protestos. Mas os baderneiros estarão aí também para desacreditar tudo.

Como disse meu colega a respeito do plenário vazio da Câmara: eu não me acostumo como esta megaenganação de democracia, com a roubalheira de dinheiro público nem com a inoperância do Estado, que custa caro demais a toda a nação.

Também não me acostumo em ver integrantes de um partido, o PT, fazendo o papel de outro lado do balcão, algo que criticavam desde que criaram o Partido dos Trabalhadores. Hoje eles têm debaixo de suas asas todos os chamados "movimentos sociais" que faziam protestos no passado.

É nojento ver pessoas que criaram um partido fazendo denúncias, querendo investigar qualquer coisa, com grande desses indivíduos trabalhando no serviço púlbico, hoje estarem prontos para retaliar quem quer que seja. Basta que aponte alguma falcatrua no governo para ser chamado de golpista e varrido, por exemplo, de qualquer trabalho em órgãos do governo. E até de sindicatos ou qualquer entidade ligada aos "companheiros".


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13/03/2014 19h45

Confissão de culpa no Congresso Nacional
Valdeci Rodrigues

A recente "rebelião" de deputados do PMDB na Câmara pode ser vista como uma confissão de culpa de conivência com a corrupção. Segunda maior bancada da Casa, perdendo apenas para o PT, os nobres parlamentares "contam" publicamente que quando têm seus interesses contrariados passam a exercer, de verdade (?) a função para a qual foram eleitos. No submundo da política isso pode ser rotulado também como "chantagem".

Que outra leitura posso fazer, vendo os "rebeldes" convocando e convidando ministros para darem explicaçõe sobre denúncias de corrupção no governo? O Congresso Nacional só cumpre também uma de suas atribuições ― a de fiscalizar governos ― se parlamentares não tiverem seus interesses atendidos?

Como disse um amigo jornalista aqui na cobertura diária do parlamento: "Nada disso aí é republicano". Quer ele afirmar que não se trata de nenhum movimento em prol de alguma causa de interesse da nação. Trata-se apenas e tão-somente de dinheiro e cargos, e mais poder, e mais dinheiro. Grana do contribuinte, claro.

O que os deputados do PMDB afirmaram com todas as letras: se não ficarmos contentes investigaremos as denúncias que nos chegam sobre corrupção em órgãos públicos, ministérios etc. Fazendo a leitura ao contrário: dizem sem rodeios que são comprados por quem tem a chave do cofre: o governo.

O que ocorre agora ainda tem o agravante de os aliados não suportarem a arrogância dos petistas, que já mostraram à exaustão ao país inteiro que estão também interessados em poder. Ou seja, cargos, mais cargos e dinheiro. A conversa aqui no corredores do Congresso Nacional gira em torno destas questões que não envergonham nenhuma de suas excelências.

Votar ou não votar determinado projeto; instalar ou não determinada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar esta ou aquela denúncia; convocar ou convidar determinado ministro para dar explicações sobre desvios de dinheiro público ― tudo isso é arma nas mãos dos parlamentares para… terem seus interesses atendidos.

Eles contam isso abertamente à nação inteira. Que imagem quer ter um parlamento que atua como bando em que a lei só vale se for para este ou aquele "resultado"? Você acredita, leitor, que ainda há parlamentar achando que os "meios de comunicação" jogam lama na imagem da instituição?

Um descaramento deste tamanho somente é possível diante da oceânica indiferença com que os cidadãos tratam o Poder Legislativo, que custa caro demais, produz de menos e serve como casa de luta pelos interesses dos grupos organizados em torno dos cofres públicos para roubarem o dinheiro do contribuinte.

E aqui, como em toda administração pública, o roubo é denominado, candidamente, de "desvio de verbas". E tudo é encarado com a maior tranquilidade pelos "homens públicos".



12/02/2014 15h40

Governo ruim é culpa de quem?
Valdeci Rodrigues

É correta a afirmação e indagação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, de que "a sociedade não é vítima, é a culpada. Reclama e se esquece de quem colocou os políticos lá foi ela própria?". Ao menos é uma afirmativa fácil de se fazer.  E de um cinismo sem fim. Ainda mais que ele está ocupando a presidência do TSE pela terceira vez.

Em primeiro lugar, não se pode chamar de "sociedade" toda a população brasileira sem as devidas distinções. Para simplificar, basta constatarmos que temos a parcela mais ampla dos brasileiros alheia ao que acontece em sua cidade, seu Estado, seu país.

Vira um círculo vicioso. À maioria é negada instrução, escolarização. Mas esses indivíduos são obrigados a votar a partir dos 18 anos de idade. Daí, compra-se um voto até por uma camiseta no exato dia da votação. Por isso, não é assim como diz Marco Aurélio Mello, em entrevista às paginas amarelas da revista Veja desta semana, ao afirmar que ao invés ir para as ruas, deve-se ir para as urnas.

O voto é apenas e tão somente a escolha de um nome para determinado cargo público. A questão central está no que vem depois que o indivíduo é eleito. Quem votou volta para casa e vai cuidar da vida. E para cuidar de todos, os politicos eleitos são pressionados por uma minoria, que tem seus desejos atendidos, quase sempre em prejuízo da maioria que está ao deus-dará.

Marco Aurélio Mello realçou muito a importância do voto e quase nada disse sobre a fiscalização dos cidadãos sobre seus governantes, o que chega a zero. Depois de eleito, um prefeito, governador, deputado, senador, presidente da República, seja de que partido for, será um funcionário público de todos os brasileiros.

Esse raciocínio do ministro Marco Aurélio Mello é muitíssimo comum. Mas é como a expressão popular do "cachorro correndo atrás do próprio rabo". O cidadão vota, de forma obrigatória, chama todo politico de ladrão e não acompanha o desempenho e o trabalho nem de quem ele ajudou a eleger.

E aí? De quem é a culpa? Se antes faltam escolas, escolas e escolas, e todo tipo de instrução para a maioria dos brasileiros, como cobrar deles uma consciência política a ponto de responsabilizá-los pelos maus politicos que existem, com raras exceções,  como fez tranquilamente o presidente do TSE?

A parcela de culpa pelas mazelas do Brasil deve ser distribuída de acordo com o nível social do cidadão. Quanto mais esclarecido, mais responsável pelos desmandos que todos já conhecem. Então, quase toda a responsabilidade pode ser colocada nas costas das elites.

Gente que viaja para Europa e Estados Unidos, elogia o desenvolvimento das nações que visitam e tem no itinerário que fez uma espécie de distinção que a coloca acima dos demais. Por que esse pessoal não usa seus conhecimentos para fazer do Brasil um país semelhante aos que elogiam?

Gente que conhece as "autoridades", tem poder de fazer pressão sobre os três poderes da República e fazer com seus interesses sejam atendidos e… reclamam depois do país onde vivem. Um exemplo: aqui em Brasília gente bacana de um determinado setor impediu a construção  de uma escola pública, com área pública destinada para tal, sob o argumento os moradores dali têm seus filhos em escolas particulares. É gente bacana, que costuma elogiar o que vê no exterior.

Aliás, senhor ministro Marco Aurélio Mello, se o Poder ao qual o senhor pertence, o Judiciário, fizesse ao menos sua parte, já teríamos um grande avanço! Mas o que vemos são movimentos de juízes e magistrados em busca de mais e mais privilégios. Seria interessante se eles colocassem essa mesma energia para punir os maiores ladrões do país.

Exatamente aqueles que roubam de todos ao mesmo tempo, e sua ladroagem sempre tem nome sofisticado e o coletivo dos delitos chamado candidamente de "desvio de recursos públicos". Raramente esses cidadãos são alcançados pela Justiça, num panorama de impunidade que se destaca entre os demais países do planeta.

Então, ministro Marco Aurélio, mais importante do que ir às urnas  é acompanhar o trabalhos dos que foram eleitos para cuidar do bem comum. E ao contrário do que senhor diz, ir às ruas muitas vezes é necessário para despertar governantes e até membros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao qual o senhor pretence há 24 anos.

Às vezes, é até mais eficaz do que ir às urnas forçosamente para chancelar um democracia de fachada como a brasileira. Então, ministro, governo ruim é culpa muito mais de pessoas que se parecem com o senhor, tem o mesmo nível do senhor, mas contentam-se em admirar "países desenvolvidos", criticar o próprio Brasil e nada fazer para que esta nação seja digna de orgulho.

Mas concordo integralmente quando o senhor diz: "Temos de admitir a realidade: houve um evidente desgaste institucional nesses doze anos de governo do PT. Com ataques inaceitáveis ao Ministério Público, ao Judiciário e à liberdade de imprensa". Assinaria embaixo. 


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06/02/2014 17h52

Perdi minha filha para o WhatsApp
Valdeci Rodrigues

Estou em estado de luto desde o ultimo dia 31. Fui obrigado a deixar de conviver com minha filha, única, de 12 anos, por discordar de seu vício ― como ela mesma admite com a grafia "visio" ― no WhatsApp e no facebook. E por que o pai não pode fazer nada? Porque garota vive com a mãe, que se sentiu incomodada em não ter a garota no mesmo nível dos coleguinhas.

Para isso enganou o pai, ensinou a menina a ser falsa para abrir uma página no facebook há um ano ― mentindo a data de nascimento, obviamente ― e deu-lhe o celular que lhe permite passar o dia inteiro conversando com garotos e garotas mais ou menos da mesma idade pelo WhatsApp sobre sexo. Vasculhei as conversas de um ano no seu facebook e fiquei estarrecido: 95% dos papos, em termos chulos, são referentes a sexo e relações sexuais, putas, vadias, dar o c..., c…arrombado etc.

A guarda da garota é da mãe. As mentiras estimuladas para enganar o pai terminou fazendo a menina ter, inclusive, personalidade dupla ― não as falsidades próprias da pré-adolescência ― e uma capacidade de dizer inverdades olhando nos olhos do pai ou de qualquer pessoa. Ao ser comunicada, a primeira reação da mãe foi dizer que o pai estava praticando o crime de falsidade ideológica.

No caso, puxando conversa com um contraparente da mãe, de 39 anos, que já partia para cima da menina com conversa de conquistador no facebook. Os textos que escrevi receberam vários de tipos de críticas de leitores ― das mais agressivas às mais diplomáticas, como é de costume num blog.

Mas também recebi, por ter divulgado os textos no facebook, exemplos de menores, de dez anos, que navegam em páginas de pornografia na internet. Os sites curtidos pela filha ― tive de relacioná-los e enviá-los à mãe, que duvidava do pai ― tratam em quase toda sua totalidade de estímulos erótico-pornográficos, num palavreado já usado pela filha que tive de abandonar.

Uma mulher mandou-me uma mensagem para dizer que no seu caso, o pai é que queria ser moderninho e deixou-a ir "à frente" de seu tempo. "O resultado foi catastrófico para mim", afirmou a mulher, sem dizer que tipo de catástrofe teve de enfrentar por causa disso.

Como se diz na gíria, "não deixo a ficha cair" senão desmorono-me, ao privar-me dos finais de semana na companhia de quem amava tanto e tinha a intenção de auxiliar na sua educação repassando-lhe valores que fazem toda a diferença entre as pessoas, inclusive entre brutas e civilizadas. O termo amar está no passado porque não conseguiria conviver com a segunda personalidade da filha, camuflada de forma a dar inveja a qualquer bom ator.

A questão é dolorosamente simples. Na verdade tanto o WhatsApp quanto o facebook que a mãe permitiu à garota ― burlando a idade minima e a proibição do pai  ― faz parte de um longo processo de tentativa de fazer a filha ter a mesma raiva e o mesmo ressentimento que a ex-companheira nutre por mim. Usou ― eu sempre soube ― a criança para atingir-me desde quando a menina nasceu.

Depois de longos anos dizendo que "seu pai é mau", "seu pai é doente", "seu pai é desequilibrado" etc., a ex-mulher finalmente conseguiu o queria: afastar-me da minha filha. Afasto-me porque não posso compactuar com o que acabei de ver. Obviamente, fiquei entristecido ao constatar que a formação da menina está comprometida por ter servido de "arma" contra o pai, que conserva auto-estima suficiente para não fazer papel de bobo nem pela própria filha.

Mais triste fico ainda porque não tenho como intervir. A maior prejudicada é a menina. As intenções da mãe são mais interessantes aos desejos de uma pré-adolescente que já começou a trilhar um rumo que nenhum adulto, pai ou mãe, de bem, permitiria. Ainda mais que a menina fica ao deus-dará na selva da internet em conversas que varam a madrugada, até as 5 horas da manhã.

Aos leitores que acham que exponho minha filha, exposição pior é deixar uma garota que ainda não completou 13 anos adquirir o vício do bate-papo no WhatsApp em nome de uma suposta modernidade.  Quem acha que eu deveria dialogar com a ex-mulher talvez não saiba que há pessoas que nunca admitem estar erradas. Sem contar a dissimulação que a filha já herdou de forma bem ensinadinha. Estou de luto. E o luto por uma pessoa viva é mais doloroso do que por quem já morreu. Falo sem medo de errar por ter passado pelas duas situações.

Encerro aqui este assunto particular. Mas continuarei meus estudos sobre comportamento humano tendo em mãos um material doloroso, que rasga a minha alma de ponta a ponta. Sobre os que acham que sou um careta e em descompasso com os tempos atuais, aviso apenas que fui um adolescente várias mil vezes mais rebelde do que minha filha. Ainda hoje, há quem veja esses traços comportamentais em mim.

Rebeldia que começou dentro de casa, contra o pai e a mãe, sem dissimulação. E terminou comigo solto no mundo tomando conta da própria vida. Mas o que vi na minha filha foi uma espécie de massificação erótico-pornográfica, como se dar vazão à sexualidade fosse a maior revolução que um jovem pode fazer. Vejo isso em pessoas de mais idade até, e sinto dó.

Há indivíduos com 20, 30 ou 40 anos, achando que a libido desenfreada é um passo além para a humanidade. Mas trata-se apenas de adoção da promiscuidade como avanço, algo que presenciei em criança e adolescente, e presencio em adultos e... está registrado na história da passagem do homem pela terra desde o tempo das cavernas!

Aliás, foi exatamente a roupa, que "reprime" o desejo sexual do homem durante o "horário de expediente", que permitiu o "avanço" da civilização e a junção de indivíduos em forma de família. Até hoje ninguém conseguiu imaginar outra forma mais efetiva e agradável de preservação da espécie. Inclusive, servindo até para apimentar ainda mais as relações sexuais e turbinar os desejos de homens e mulheres.


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29/01/2014 07h58

WhatsApp vira meio de sexualização precoce
Valdeci Rodrigues

Encabula-me a falta de percepção de alguns adultos. Aqui cito especificamente o caso da minha ex-mulher, mas pelo que já li e ouvi, não se trata de um caso singular. A mãe da minha filha ensinou-a a mentir de tal maneira que a garota, de 12 anos, tem comportamento duplo. É uma pessoa perto do pai e da mãe, e outra, completamente diferente, entre os colegas de escola. E numa dissimulação que me causa espanto. É dupla personalidade.

Este é o terceiro artigo seguido que escrevo sobre a presença de crianças menores de 13 anos em páginas do facebook e telefones com o uso do WhatsApp. Consegui recuperar todos os diálogos da minha filha na página, depois que a mãe deletou todos os seus mais de quarenta coleguinhas de bate-papo. A situação é muito pior do que o pouco que eu havia visto. Amanheci esta quarta-feira, 29, copiando e lendo todos as conversas.

A filha que aparece nas conversas não é que convive comigo. Aprendeu a mentir desde cedo com a mãe, sob o pretexto de "evitar que o papai brigue conosco". O resultado é castastrófico. A garota mente para quem a ensinou a mentir também, como eu já havia alertado minha ex-mulher para este problema.

Nos diálogos com as colegas e os colegas ― onde minha filha chega a ir até as 5h da manhã ― o vocabulário dela é outro: vai de puta, caralho, vaca, a "c... arrombado", "tomar no c...". Descubro nesta madrugada que a mãe abriu para ela uma página no facebook em fevereiro de 2013, mentindo a idade da filha. O celular foi dado mais recentemente, em novembro, tudo escondido do pai, que já previa o tamanho da encrenca.

A garota diz a uma amiguinha que quer aprender a beijar de língua. Recebe como resposta: "Posso te ensinar o básico do básico". Minha filha conta que está apaixonada mas está com vergonha porque não sabe beijar. Conta a uma amiguinha que determinado garoto a convidou para "ficar" e ouve de volta que quem "fica assim é puta, que sai com um e com outro".

A que minha filha julga mais experiente, e que tem a mesma idade, conta que já viu um pênis mas nunca viu o pai pelado. Ao ouvir de outra que uma garota "está dando em cima de todos os garotos", minha filha responde: "Não sabia que ela está tão seca assim" ― gíria utilizada para quem está há muito tempo sem manter relações sexuais. A uma delas, minha filha afirma com ares de vantagem: "Não sou santa". A outra retruca: "E quem não sabe disso?". Minha filha escreve: "Meu pai e minha mãe".

Uma garota a manda tomar no c... Ela responde: "Estou precisando mesmo". E por aí vai, num festival de palavrões. A mãe, para fugir de qualquer responsabilidade, deletou todos os diálogos do bate-papo. Recuperei-os todos e passei a noite inteira, até a manhã desta quarta-feira, 29, lendo tudo e arquivando para que os utilize como exemplo da cultura da exacerbada sexualização que tomou conta do Brasil, e do mal exemplo de uma mãe que ensina uma filha a mentir desde a mais tenra idade.

Mal exemplo também vem da avó. Não faz muito tempo fiquei sabendo que a avó dizia na frente da neta que tem um namorado para cada dia da semana. Resultado: minha filha afirma a uma coleguinha que "minha vó pega um monte de veinho".

A mãe da minha filha a ensinou a mentir a tal ponto que até esta terça-feira, 28, a garota negava para mim que havia ganhado um celular, o que ela contou para quase todas as coleguinhas do facebook em novembro passado, e que eu li durante à noite. Num e-mail que enviei à mãe, no final da madrugada desta quarta-feira, 29, depois de mandar-lhe cópias de todos os diálogos que ela se recusou a ler, lembro-a do mal que ela fez à filha no intuito de atingir o pai.

E também na ânsia de se mostrar moderninha e avançadinha, com apregoa em redes sociais. O curioso é que a mulher que ensina a filha a mentir vai à missa todos os domingos e posta fotos de santos e de santas no facebook, com palavras inspiradas no evangelho. Quando lhe questionei sobre o problema com a filha, ela respondeu que "Deus não deixará nada acontecer" com a menina.

Nestas situações costumo lembrar apenas dois acidentes com ônibus. Um lotado de católicos e outro cheio de membros de uma igreja protestante aqui mesmo de Brasília. Os dois veículos mataram mais de uma dezena de pessoas que estavam rezando. Os católicos iam para um festival de música sacra e os evangélicos, para a inauguração de um templo. O que vale para minha ex-mulher. De nada adianta tantas orações se a filha fica ao deus-dará no WhatsApp madrugada adentro enquanto a mãe dorme "nas mãos do Senhor".

Do meu caso basta. No Brasil, sexualiza-se tudo. Letras das músicas, danças, conversas ― num nível muito acima do que seria recomendável. E a crianças estão entrando na onda, encurtando a infância cada vez mais e submergindo, supostamente, na vida adulta com menos idade. Para as meninas-moças, prejuízo. São facilmente engambeladas por homens mais velhos apenas e tão somente para o usufruto sexual ― só preciso fazer a ressalva que isso já existia antes do facebook e do WhatsApp.

A tecnologia está apenas expandindo o que já havia aqui, ali e acolá. Trato deste assunto não por caretice, mas por enxergar essa sexualização tendendo a ser a base de tudo. Das mulheres adultas até as crianças e pré-adolescentes como minha filha. Dos homens, nem precisa falar. Para mim resta uma grande empreitada. Mostrar à filha que a vida não é apenas e tão somente sexo, transa, namoro. E que há formas e formas de vivenciar o sexo, um dos maiores prazeres da vida, sem cair na banalização escravizante, especialmente no caso das mulheres. E não se comportar como se nada mais existisse no mundo a não ser a cópula ― ou foda, como minha filha já conversa com as coleguinhas no WhatsApp, até dentro de sala de aula.

Minha tarefa é hercúlea porque no entendimento da mãe, eu é que estou sem foco na vida, "doente" e dando importância demais ao que não deveria. Será que a educação de uma filha é de tão somenos importância assim? Como comentei nos dois artigos anteriores, já presenciei e já li sobre histórias semelhantes à minha, especialmente nas separações litigiosas em que a mãe sente ciúmes do apego da filha com o pai. E quer agradar-lhe de qualquer maneira.


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28/01/2014 17h51

Pais, filhos e pornografia no facebook
Valdeci Rodrigues

O último artigo que escrevi neste espaço sob o título "Mãe que ensina filha a enganar o pai tem caráter?", trouxe-me desdobramentos que servem como alerta a todos os pais que permitem a seus filhos menores acesso ao facebook e às tais redes sociais.  Depois de descobrir que a mãe de minha filha havia ajudado-a não apenas a entrar na rede social como a usar um telefone ― que o pai também havia proibido ― vasculhei a página da garota, que tem 12 anos. A mãe também autorizou-a a mentir a idade para fazer parte da "modernidade" que a própria genitora tanto apregoa referindo-se a si mesma.

Fiquei estupefato com o nível das conversas. E das imagens postadas por garotos e garotas, quase todos da mesma idade da minha filha. Descobri que a menina chegava a ficar conversando no WhatsApp com uma coleguinha até 5h da madrugada, enquanto a mãe dormia. E vangloriava-se diante da amiga, dizendo "minha mãe confia em mim". Com esta menina havia troca de imagens eróticas de homens seminus, em que minha filha respondia: "Nossa, que delícia!".

Com um garoto, também de 12 anos, a conversa chegava a ponto de minha filha responder-lhe "Não tenho o c... tão arrombado quanto o teu". Expressões como "tomar no c..." são frequentes. Nas imagens e mensagens havia até grupo de homens nus com um cartaz encobrindo o pênis, onde se lê: "aluga-se".

Uma das mensagens reproduzo aqui literalmente:

QUAL NÚMERO TERMINA SEU CELULAR?

 0 - safado (a)

1-    gostoso (a)

2-    bom de cama

3-    beija gostoso

4-    tem pegada na cama

5-    beija com pegada

6-    lindo (a)

7-    pega com jeitinho

8-    conquistador (a)

9-    viciado em sexo

Em seguida há duas fotos de um rapaz abaixando as calças onde se vê o pênis atravessado sob a cueca, com uma legenda no meio da imagem "É fibroi meninas? *........*

Mais não pude ver porque ao conversar com minha ex-mulher eu estava com o facebook da garota aberto e aceitei um convite de um homem de 39 anos, contraparente da mãe. E o cabra já estava se abrindo para a garota dizendo que ela é uma "morenaça" e "muito bonita". Ao contar para mãe, ela irritou-se e mudou a senha do facebook que ela autorizou minha filha a usar. O objetivo era evitar que eu pegasse no flagra alguém ligado à família dela.

A mãe, em defesa do contraparente que partiu para cima da minha filha, disse que eu é que estava cometendo o crime de falsidade ideológica! Minha filha também já tinha na lista de "amigos" um locutor de rádio casado de uma cidade do interior. Que conversas estes cidadãos querem com uma garota de 12 anos? Eu ia dar corda, inclusive já com orientação de um agente de polícia, para pegar o "cabra com a boca na botija". Aliás a mãe deletou todas as mensagens que eu estava analisando sob o argumento de que o pai "está torcendo para acontecer algo com a filha para me culpar".

Leitor, grande parte dos pais que querem se sentir modernos colocam filhas e filhos na "selva que é a internet" antes de um pouco mais de maturidade e orientação. É recorrente a sedução de garotas como minha filha por homens mais velhos, aproveitando-se da ilusão romântica de pré-adolescentes. É fácil, muito fácil colocá-las para ficarem nuas diante da Webcam, como minha filha, que estava sozinha teclando madrugada adentro sem nenhuma vigilância.

Repito o que escrevi no último artigo. Há dezenas de páginas de sexo na internet com desfile de meninas de 6 a 12 anos, e até de menos ou mais idade do que esta faixa etária que citei, nuas e em poses eróticas. Eu mesmo já dei um susto num cidadão depois de várias fotos que ele postou, dizendo que era agente da Polícia Federal que já havíamos localizado onde ele estava.

Voltei a esta história também porque constato a presença de garotas de menos idade ainda do que minha filha no facebook. Mas faço a ressalva de que a página social apenas facilita o contato. Tenho um amigo de profissão aqui em Brasília que teve a filha assassinada por um agente de polícia, contraparente da família. O homem, casado, fez a adolescente apaixonar-se por ele, engravidou-a, assassinou-a e sumiu com o corpo. Mas foi condenado, num dos raros casos em que a Justiça condena sem que o cadáver apareça.

No caso do contraparente da minha ex-mulher, de 39 anos, que quis contato com minha filha, é algo semelhante. Na foto, o cabra aparece sem camisa e com peito cheio de tatuagens. Não terei como saber o que ele quer porque deverá ser avisado pela mãe da minha filha que o pai teve acesso ao facebook da menina. Mas é a situação típica das estatísticas, em que as menores são violentadas, em sua grande maioria, por parentes e pessoas próximas da família.

Terei agora de trabalhar com minha filha para mostrar-lhe que a banalização sexual só tem trazido prejuízo para as mulheres desde que o mundo é mundo. E que mãe avançadinha, moderninha e que se diz "amiga" da filha, acaba jogando-a num caldeirão onde tudo pode acontecer. Antes de ser amiga, ela deve ser mãe. Antes de ser amigo, eu devo ser pai. Amigos são os filhos que escolhem. Esse é um dos grandes prejuízos da massificação, onde filho cobra igualdade com o filho do outro e por aí vai.

Só lamento que toda a evolução tecnológica sirva, em sua esmagadora maioria, para garotos e garotas, como a minha filha, mandar o coleguinha ir "tomar no c...", ou dizer que não tem o "c... tão arrombado quanto o dele". O contexto maior da conversa não pude acessar porque a mãe da minha filha apagou os diálogos, chegando ao ponto de dizer que eu estava praticando um crime ao puxar conversa com o adulto que queria seduzir minha filha pelo facebook.

Por isso, é raro um estudioso de comportamento humano não dizer que pai e mãe têm, não só o direito, mas o dever e acompanhar o que os filhos estão fazendo para poder educá-los da melhor maneira possível. No caso da minha filha, peguei conversas dela tecladas de dentro da sala de aula, com troca de palavrões e de mensagens pornográficas. De lá, ela conversava inclusive com a mãe. Um telefone que minha ex-mulher deu-lhe como forma de enganar o pai e fazer-lhe de bobo, em prejuízo da própria criança.

Repito o que escrevi no último artigo, de que conto essas histórias porque são mais comuns do que possamos imaginar. Como está acontecendo comigo, não resisti à tentação de citar meu próprio caso como exemplo do prejuízo que a falta de vigilância dos pais pode causar na educação das crianças, pré-adolescentes e adolescentes. Especialmente no caso de pais separados de forma litigiosa. 

Com a boa convivência que tenho com minha filha, apesar de ela mentir para mim e tentar enganar-me com ajuda da mãe, já comecei a reforçar algumas orientações e começar outras que eu estava esperando para iniciar daqui a alguns meses. O intuito é, inclusive, para que ela tenha uma vida sexual saudável sem cair na armadilha de ter comportamento igual aos dos homens. Nem entender que promiscuidade sexual significa algum tipo de avanço. É algo que existe desde os tempos pré-históricos.

 


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25/01/2014 09h28

Mãe que ensina filha a enganar o pai tem caráter?
Valdeci Rodrigues

Desde criança acompanho maldades de pais contra filhos porque fui vítima de atos de suprema covardia. Exatamente quando você é menor indefeso e tem ― ou teria ― na figura materna ou paterna a sensação de proteção, amor e carinho. Desde a mais tenra idade tive de conviver, sair de casa e superar traumas que poderiam me transformar numa pessoa incivilizada, grotesca e em mais um indivíduo a reproduzir a violência de que foi vítima.

Em parte, essas feridas na infância foram motivadas por brigas entre pai e mãe. Mas trilhei outro caminho. Descobri logo cedo o autodidatismo e parti para o estudo de psicologia, especialmente a infantil. O objetivo foi superar os traumas e atingir a libertação do que aquilo poderia provocar de desequilíbrio emocional ― o que não anula, e nem deve extinguir, sentimentos normais, como raiva, indignação, revolta e disposição para defender ideias e reagir a provocações, por exemplo.

O destino reservou a mim reviver tudo por que passei na infância, agora como adulto e tendo de atravessar longo período de desentendimentos e brigas com uma ex-companheira com quem convivi por duas décadas e meia. No meio do relacionamento conturbado, está minha filha, agora com 12 anos, passando por um processo delicadíssimo. Por ressentimento e maldade, a mãe jogou-a contra mim e a usou para atingir-me de forma cruel e desumana.

Fazer o pai de bobo

Minha história conto aqui, por ser muito comum entre casais separados ― e preciso ressalvar que ouvi depoimentos e li sobre situações muito piores do que as que vivenciei a vivencio até hoje por não abrir mão de contribuir para a educação da minha filha sem nenhum tipo de violência como as que eu mesmo sofri na infância.

Escrevo este texto já alta madrugada porque o último aborrecimento trouxe junto, novamente, uma indignação infinita e uma insônia cavalar, de uma noite inteira em claro. Descubro que além das mentiras que minha filha já contou-me no intuito de preservar a mãe ― criança não percebe o porquê das reações do pai, no meu e em vários casos ―, ela partiu para me enganar, com o auxílio de quem deveria ajudar a educá-la da melhor maneira possível.

A garota de 12 anos, que amo de forma que nunca havia imaginado, e a trato com todo amor, carinho e respeito, quis fazer o pai de bobo com pleno apoio da mãe, que se diz moderna e religiosa ― vai às missas aos domingos e posta imagens de santos e santas no facebook. E agradece o que consegue às forças divinas que supostamente a guiam para o bem e para o sucesso.

Mentira: arma contra os dois

A maldade e o ressentimento parecem falar mais alto. Tanto que ajudou a filha a burlar uma proibição do pai para não entrar de cabeça nas redes sociais agora. O problema aqui é mais sério. Quando a mãe ensina a filha a mentir para o pai e consentir que a menor tente enganá-lo, a maior prejudicada é a criança, agora pré-adolescente. Sem contar a mentira na hora de abrir uma página no facebook, orientando-a a informar que tem 13 anos, idade mínima para utilizar esta rede social.  E o raciocínio é muito simples.

Se a mãe estimula a filha a mentir para o pai, logo, logo ela descobrirá que poderá usar a mesma arma contra a mãe também em seu suposto benefício. Isso deforma a sua educação e a garota acaba sendo prejudicada com o auxílio da genitora. Colecionei as mentiras. A maioria, sob a justificativa de que é para evitar "que seu pai brigue com a mamãe". Nesta sexta-feira, 24, à noite, por intuição e observação, entrei numa rede social para verificar.

A mãe havia ensinado a filha como impedir que o pai visse sua página na internet. Está aí a deformação de caráter da mãe em mais uma tentativa de fazer a filha ver o pai como a ex-mulher quer que ele seja visto: "neurótico", "mau", "careta", "brigão" etc. É aquela velha história de um dos membros do agora ex-casal querer transferir para o filho ou filha o ressentimento que nutre em relação ao ex-parceiro. Isso vale para homens também. Mas tenho constatado, em meus estudos, esse tipo de comportamento mais em mulheres, especialmente quando a criança gosta do pai e tem com ele um bom relacionamento.

Filha decide obedecer o pai

Para impedir que minha filha continuasse mentindo, prometi a ela não reagir mais a nenhuma pirraça ou provocação da mãe ― e estou seguindo a risca a promessa. Mas isso não adiantou. A mãe, motivada pela vontade de angariar a simpatia da filha, de atingir-me e se mostrar moderna, como se declara em páginas de relacionamentos na internet, colocou minha filha para me enganar. Como não tenho mais diálogo com a mãe, para não correr o risco de me enfurecer, conversei com minha filha nesta sexta-feira à noite. Ela própria achou que seria melhor ter o pai presente do que ter uma página na internet neste momento.

Só conto esta história particular neste espaço, onde trato quase cem por cento de assuntos políticos, porque esse tipo de embate entre casais separados é muito comum. Dos inúmeros relatos que já ouvi ou li, a maioria das situações são até piores do que a minha. Uma garota odiou o pai até por volta dos 25 anos porque não tinha contato com ele. Quando o conheceu, foi uma emoção tremenda. O pai não era nada do que mãe lhe inculcou na mente durante anos, já que ele não convivia com a filha. O encontro virou uma emocionante reportagem de jornal.

Outro exemplo foi o de um colega, em processo de separação, ouvir da mulher que ela arrumaria outro homem logo e que colocaria o filho do casal de pouco mais de dois anos para chamar seu novo parceiro de pai. Justamente a criança que o colega ama até de forma incomum. Não sei como ele suportou. Mas estava trêmulo e pálido quando me narrou a história.

Lei Maria da Penha é machista

No meu caso, a mãe da minha filha já lhe disse que sou "mau", "doente", "desequilibrado" etc. Não funcionou porque a garota convive comigo, tem sua própria percepção e avaliação a respeito do pai. Tanto que quando ela me contou a história do "seu pai é um doente", devia ter uns nove anos. Perguntei-lhe se me via assim. Sua resposta: "Ah, papai, te acho inteligente". Fiquei quieto porque percebi que a mãe não estava conseguindo seu intento.

Por causa de brigas com a ex-mulher já tive de ir à Justiça duas vezes. Perante a lei, não interessa o que a ex-companheira fez. Só é vista a reação do homem. Tanto que acho a Lei Maria da Penha machista. E muito machista. Ela coloca o homem como superior à mulher por ter de suportar todo tipo de afronta sem reagir. Senão, vira bandido, fora-da-lei, enjaulado num cárcere, visto como um pária.

A Lei da Maria da Penha é como se dissesse ao homem: "Você é o macho. Tem o dever, então, de ficar quieto e não reagir de forma alguma diante de que qualquer provocação". Já presenciei cenas de mulheres enfurecendo homens que estavam no limite da suportaliblidade. Existem homens maus, ruins, brutos e violentos. Mas, com esta lei, misturou-se tudo.

Já ouvi depoimento de agente de polícia contando-me que muitos de seus colegas sentem nojo do teatro que mulheres fazem na delegacia no papel de vítimas. Fêmeas que momentos antes afrontaram e peitaram com toda a valentia seus parceiros até que eles não aguentassem mais.

Uma mãe ensinar uma filha a mentir para o pai só é aceitável no caso de homens brutamontes, e numa situação em que a prioridade é preservar a vida da própria criança. Agora, uma mulher que faz pirraça e tenta, inclusive, fazer a filha tomar raiva do pai presente e preocupado em passar-lhe valores morais, está sem nenhum apreço, consideração ou respeito pela própria criança.

Enganação tem mão dupla

É o suprassumo do egoísmo maldoso. E o que pior: na quase totalidade desses casos, a filha passará a mentir e a enganar a mãe também. Trabalharei dobrado para neutralizar esta má influência materna ― já que o amor que sinto pela minha filha já não me permite mais abandoná-la, como quase aconteceu em sete ocasiões. Exatamente porque ela funciona como uma arma nas mãos da mãe má e ressentida. Sem contar o deslumbramento com sua autointitulada modernidade e apego às energias positivas ― algo forçado. Quem é bom e positivo apenas o é. São os outros que percebem. A pessoa não necessita dizer todo dia em rede social os tais "ditos positivos e de paz", se realmente tiver as tais energias. 

Mas a mãe usou, para tentar manchar a minha imagem perante minha filha, as brigas que já tivemos, inclusive com idas a delegacias. Estive no limite da fúria, provocada por pirraça e maldade. Numa dessas ocasiões, a mãe deve ter ficado muito enciumada ― algo que ela não consegue disfarçar ― porque depois da saída de uma delegacia, conversei com minha filha normalmente. Ela não tomou as dores da mãe.

Ainda no meu caso, a mãe da minha filha classifica meus cuidados como "neurose de pai". Esta é uma grande falha de muita gente, que é ter a sensação de que algo ruim só acontece com os outros. Até por dever de ofício, lidamos cotidianamente com casos de pedófilos que se fazem passar por garotos para seduzir meninas com até menos idade do que a de minha filha. Seja para violentá-las ou convencê-las as ficarem nuas diante da Webcam em poses eróticas. São imagens que rodam o mundo inteiro.

E entrou na rede, cada uma destas garotas estão sujeitas a serem usadas por homens mais velhos. Sem contar que as meninas encantam-se com o romantismo de filmes e programetes de TV. E até os garotos, desde cedo aprendem diferente, com o uso de termos como "pegar", "comer", "foder" etc. É raro a palavra amar. Já foram feitas inúmeras reportagens de garotos contabilizando quantas garotas "pegaram" numa única noite.

Liberalidade nociva

Aqui em Brasília, vi tempos atrás uma reportagem de TV em quem os garotos diziam para o repórter com ar de malícia: "Pais e mães deixam na porta. Aqui dentro, é a gente que pega". Esses "pega", "come",  "fode" estão quase todos na tela do computador dentro da casa da garota antes que ela tenha maturidade suficiente para curtir sua sexualidade ao menos de igual para igual com os homens. Homens que desde a infância aprendem a fingir ter afeto, amor, admiração ― comportamento que encanta as fêmeas ― para... "pegar", "comer" e contabilizar isso como vantagem para os colegas.

A massificação faz famílias inteiras deixarem os filhos totalmente soltos para não serem tachadas de "caretas", "retrógradas". A tal ponto que em várias escolas diretores sentem necessidade de frisar que estão ali para ensinar e não para educar bandos de meninos e meninas que não estão sob o controle dos pais.

Entro em sites na internet onde vejo desfile de meninas de quatro, cinco, seis, oito, nove, dez anos de idade nuas e em poses eróticas. É muito fácil convencer um menina diante da Webcam, sozinha em casa, a tirar a roupa e se deixar filmar ou fotografar. O pedófilo tem cálculo e frieza para, inclusive, se passar por um garoto ou garota da idade da criança que será enganada. Ou até seduzir a mãe da menina para satisfazer o que realmente deseja.

Sem contar no número de crianças, pré-adolescentes e adolescentes que desaparecem seduzidos por bandidos que agem na internet. Como a mãe da minha filha quer agradá-la para fazer média e não se passar por "conservadora" ajudou-a a fazer o pai de bobo. É uma revoltante e triste situação. Deforma a educação da criança e a fará, se o pai reagir como a mãe, a ir para lado de um ou de outro de acordo com seus desejos infanto-juvenis, que afrontam uma educação no mínimo mediana.

Lamentável. Mas é algo que acontece até quando o casal vive junto sob o mesmo teto. A maior perdedora, sem nenhuma dúvida, é a criança, o pré-adolescente ou o adolescente. Enquanto também ouço depoimentos de centenas de mulheres que lamentam não ter o pai por perto para ajudar na educação de seus filhos, há as que têm mas, por pirraça, birra, afronta, ressentimento etc. tenta jogar o filho ou filha contra o pai.

E, com as exceções de sempre, pessoas que apregoam sentimentos bons todos dias em páginas de redes sociais, por exemplo, têm a necessidade, até inconsciente, de fazer com que os outros não percebam a maldade que carcomem suas entranhas.

"Pirraça sonsa"

Em 2008, perguntei a um médico psiquiatra aqui de Brasília se ele entendia o tipo de pirraça que minha ex-mulher fazia e faz ― o que denomino de "pirraça sonsa", quando a pessoa morre dizendo que jamais faria isso. Ele me surpreendeu com a resposta, não só de que entendia esse tipo de comportamento como ele próprio assim comportava-se no seu primeiro casamento. Ele contou-me que deixava sua ex-mulher enfurecidíssima e, de acordo com suas próprias palavras, "as pessoas ficavam sem entender como ela podia tratar daquela maneira um homem tão bom quanto eu". Mais este exemplo mostra que a maldade, falsidade, covardia e mais uma fileira de comportamentos condenáveis não têm sexo, cor, idade ou classe social. A pedofilia também não.

Pedofilia no Senado

Já vi imagens revoltantes de abuso contra meninas num computador do Senado, no gabinete de um senador. O abusador, hoje foragido, era assessor do agora ministro Aloizio Mercadante (PT), na ocasião, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O então senador fez a defesa do "alto funcionário do Banco Central", que deixou o Brasil para não ser preso, tentando convencer-me a não divulgar a reportagem sobre o crime numa emissora de rádio onde eu trabalhava. E as imagens estavam arquivadas num computador da própria CAE.


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20/01/2014 10h37

2014: ano da lorota do voto
Valdeci Rodrigues

Este é o ano da lorota do voto, novamente. É enganação porque chafurdaram e carnavalizaram a democracia no Brasil. O que seria governo do povo, transforma-se em administrações sempre voltadas para os mesmos grupos de sempre. E o voto ― símbolo do sistema ― é obrigatório para maiores de 18 anos, num belo confronto de definições entre o que é direito e o que é dever.

O que me faz retomar este tema da embromação descarada hoje, é uma reportagem de domingo do Correio Braziliense, sobre os jovens que votarão pela primeira vez, incluindo aí os que ainda não são obrigados a convalidar o "sistema democrático" brasileiro ― moças e moços com idade entre 16 e 18 anos.

O título da matéria é "Um contingente que decide a eleição", referindo a cerca de 11 milhões de adolescentes na faixa etária dos 16 aos 20 anos. A reportagem informa que, de acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a média de novos votantes entre 16 e 18 anos no país tem sido de 2 milhões a cada pleito. E que neste ano já estão garantidos 1 milhão, mas o cadastramento termina no mês maio.

O porquê do título da reportagem: em 2010, a diferença entre Dilma Rousseff (PT) e o segundo colocado, José Serra (PSDB), ficou em 12 milhões de votos. Há na matéria um estudante de 16 anos que declara: "O Brasil é um dos países mais corruptos do mundo. Isso desmotiva um pouco. Eu pensava que meu voto individual não ia mudar nada, mas depois vi que cada voto é importante".

Importante para quê? Para agraciar um dos enganadores de eleitor. O candidato diz exatamente o que o dono do voto quer ouvir. Fazem-se pesquisas para sondar o desejo do eleitorado. Em cima do resultado, monta-se o discurso. Quem representar melhor, leva um emprego público cobiçadíssimo porque lidará com dezenas de milhares de reais de dinheiro arrancado do bolso do contribuinte com voracidade cada vez mais acentuada.

No meio deste oceano de descaramento, há ideias fincadas em pilares de cristalino ludíbrio. Uma delas: "Vote certo agora, senão terás que esperar mais quatro anos...". Neste caso, é como se o voto ― obrigatório para maiores de 18 anos, faço questão de repetir ― funcionasse como uma espécie de loteria. Tente acertar.

O erro crasso é que cada um dos eleitos são funcionários públicos. Será meu, teu, nosso servidor independentemente do partido a que pertencer. O patrão é o pagador de impostos. E é aqui que a vaca vai pro brejo. Os donos do dinheiro deixam as urnas, voltam para casa e vão cuidar cada um de sua própria vida. E ninguém toca num ponto crucial: o interesse de cada é também o interesse coletivo. Se não for fiscalizado coletivamente, todos sabemos o que acontece.

Cada funcionário público escolhido pelo voto ― a realidade está aí todo santo dia para confirmar ― continuará no jogo na enganação também administrando. Normalmente, planos de governo são peças ilusórias, assim como no reino na ilusão estão ainda os programas partidários. Se seriedade houvesse, junto com comprometimento verdadeiro, interessante seria ler os programas de cada um dos partidos no Brasil.

Na avacalhação geral, são 32 legendas registradas no TSE ― trinta e dois programas (diferentes?) para resolver problemas que todos sabemos quais são. Os enganadores também!!! Óbvio!!! Mas seria interessante ler mais de 30 formas de resolver o que torna a vida dos brasileiros no mínimo sofrível. Curioso é que até as elites sentem um pouco do que provocam. Afinal circulam pelas ruas, veem o noticiário, ficam sabendo do tamanho do brejo e quão atolada a vaca está.

Em 2014, não será diferente. Com esta quantidade de partidos, há os de "aluguel" e os que só vão adiante coligados com outros. Há legendas rivais no plano federal e amigas em determinado Estado ou município. A mostra é uma só: valem os interesses de quem quer mandar e da turma que comanda quem deseja os cargos ― menos os eleitores, que estarão em casa. A maioria sequer lembra-se em quem votou.

A conta? Todinha paga com o suado dinheiro de cada um de nós arrancado na forma da segunda carga de impostos mais pesada do planeta. Seja com dinheiro do fundo partidário, seja com isenções às empresas de comunicação pelo horário político obrigatório. Mas o grosso da grana vai para quem financiou as campanhas e para quem entra ou continua o mais no rendoso e impune dos crimes ― de colarinho branco, ou não ― na genérica, gasta e puída palavra "corrupção", uma das mães das mazelas que inundam a nação de ponta a ponta. Sem o roubo com nome de caixa dois!

Para fiscalizar o que o contribuinte não fiscaliza, criam-se órgãos de toda a natureza, que acabam se transformando em cabide emprego dado até porque quem deveria ser fiscalizado! Fachada maior não há. Cobre o Brasil inteirinho!

PS: Detalhe importante. Onde a enganação é maior, o instrumento para isso torna-se o mais eficiente possível. Urnas eletrônicas, resultados rápidos e motivo de orgulho para muitos que se deixam levar pelas aparências. Já ouvir "n" vezes frases como "Nossa! Somos mais rápidos do que os Estados Unidos!". Então, tá...


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10/01/2014 21h51

Palavra sustenta mentira, o pilar do poder
Valdeci Rodrigues

Não é à toa que há uma passagem na Bíblia: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens".

A palavra, exclusividade da espécie humana, dá sustentáculo ao que há de mais belo, prazeroso e útil na vida.  Sustenta poemas, músicas, romances, filosofias, teorias e absolutamente tudo de bom que há na humanidade. Até na sua ausência ― o silêncio ― é possível extrair sensações maravilhosas.

Mas ― conjunção de contraste que existe em quase tudo ― um "mas" faz exatamente da palavra a arma mais poderosa do que há de pior na humanidade.  Por causa da sua força, força tem também a mentira que, por sua vez, sustenta a enganação, o roubo de dinheiro público e mais uma série infindável de maléficos e cruéis et cetera.

Puxando este "cordão" até as cenas que chocaram o mundo, de presos decapitando outros detentos no Maranhão, são resultado da palavra. Não dos selvagens bandidos. Mas de outra categoria de malfeitor, que usa vocábulos com maestria para manter um país inteiro com tamanhas desigualdades sociais.

No topo desta selvageria estão os homens "finos", "educados", "engravatados", cheios de verbos para enganar milhões de pessoas, ficar com praticamente quase toda a riqueza da nação e fazer fortificar e explodir noutros seres humanos o que há de mais selvagem num animal. Caso dos presos do Maranhão e dos bandidos comuns de todos os Estados.

Seguindo nesta linha de raciocínio, é inevitável constatar que, no final das contas, os responsáveis pelas mortes são os "donos" da palavra, especialmente os políticos e a chamada "classe dominante". E não só pelos assassinatos em cárceres onde reina a brutalidade mais cristalina, inclusive de agentes do Estado, mas pelas vidas perdidas em assaltos, acidentes de carro e até em deslizamentos de morros em época de chuva.

O crime dos homens da palavra é o pior, por fazer florescer o lado desumano de uma pessoa igualmente de forma "fina", "culta". E por encobrir suas espertezas, emolduradas exatamente pelo manejo do verbo ― e da verba, que não é o feminino do falar, mas materializa a riqueza "material" da exploração de uns sobre os outros. Pelo que presenciamos, o verbo dá até tranquilidade ao ladrão de colarinho branco. Ele dorme sossegado, tamanha a confiança nas artimanhas do palavreado, que lhe dá sensação de distanciamento do delito cometido.

Aqui, destaco os políticos, mas a astúcia vocabular estende-se a outros aproveitadores, como os que ganham dinheiro com a "palavra de Deus". Já presenciei discurso de político em que fiquei imaginando se ele mesmo acreditaria no está dizendo. Cheguei à conclusão de que as palavras, ressalvadas as exceções de sempre, são usadas mesmo como simples armas para "subir na vida", "galgar uma posição superior" ― dificilmente sem o usufruto do dinheiro do contribuinte.

Sempre me vem à cabeça a possibilidade de se criar uma espécie de fórmula para que citássemos, junto com notícias de que fulano "desviou" tantos e tantos milhões dos cofres públicos, a ressalva: "ele foi aí, responsável por mais ou menos por tantas mortes", apontando o homem público como um bandido pior do que os bárbaros da Penitenciária de Pedrinhas, por exemplo.

E neste ano de eleições, assistiremos mais uma vez ao exercício mais explícito de enganação dos políticos. Eles convencerão dezenas de milhares de eleitores a votarem neles para que continuem no comando do país. Conseguiram, inclusive, colocar o voto como obrigatório para chamar o Brasil de uma das maiores democracias do planeta ― com altos índices de roubo, assalto, mortes em hospitais ou fora deles, na ruas ou não, e por aí afora...

Até as ditaduras são sustentadas com as palavras, que dão justificativas também à barbárie. Infelizmente, dezenas de milhares delas serão usadas neste ano para que o Brasil continue no mesmo rumo que hoje está. Até programas partidários são copiados para justificar a criação de uma legenda na Justiça Eleitoral!

Assim, leitor, não há como enxergar uma saída... Não há. A não ser que surjam explosões das massas nas ruas, como em junho de 2013, mas com mais intensidade e por mais tempo. E mesmo assim, existe o risco de aparecerem outros bons manejadores das palavras para contornar e manter a situação inalterada!

O raciocínio vale para todos. Tanto para um ex-sindicalista como Lula quanto para um festejado intelectual como Fernando Henrique Cardoso. Ou José Sarney.


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08/01/2014 11h38

Maranhão, Estado de selvageria, é o Brasil
Valdeci Rodrigues

A selvageria no Maranhão tem ainda um outro significado. O de mostrar como políticos que se beneficiam dos recursos públicos são capazes de tamanha omissão. E no caso desse Estado nordestino há ainda uma triste constatação: a família de um ex-presidente da República comanda-o há cerca de 30 anos. Não há como a atual governadora, Roseana Sarney (PMDB), culpar qualquer antecessor.

A cenas de presos esquartejando outros presos, filmadas e vistas já no país inteiro ― e tamanha brutalidade vira notícia em qualquer parte do mundo ―, é o sinal mais grotesco de uma realidade que causaria repulsa em qualquer filme de ficção. O Maranhão, comandado pela Família Sarney, acentua como um ser humano supostamente refinado é capaz de conviver com outros semelhantes ao lado em puro estado animal, no pior sentido do termo.

O Maranhão está em último ou penúltimo lugar em quase tudo ― Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), renda per capita de R$ 17,00, alto índice de analfabetismo etc. Mas o que me interessa abordar neste artigo é a "selvageria" dos homens "finos" e "cultos". Lá existe um grande exemplo: senador José Sarney (PMDB-AP). Sim, foi eleger-se noutro Estado.

O chefe do clã é "imortal" como membro da Academia Brasileira de Letras e escreve artigos que dão impressão de existirem, ao menos, duas pessoas num corpo só. A verve do intelectual não combina com a voracidade desumana do político que foi presidente do país. Aí, Brasília entra na história. Aliás, o Brasil inteiro está dentro.

Como podem existir "homens públicos" que andam por cima de cadáveres? Seja dos da Penitenciária de Pedrinhas, no caso maranhense, seja nas estatísticas de homicídios provocados pela extrema miséria? Como podem ou conseguem sorrir, dormir, orgulhar-se de trajetória que passa por cima de qualquer incômodo com tamanha falta de humanidade?

Como pode um homem ser presidente de um país e conviver com a situação de seu Estado, agora exposta em cenas repudiadas pelo mundo civilizado? E um político aliado de todos os governos, desde a ditadura militar? E agora, da base aliada da presidente Dilma Rousseff? De braços dados com o PT desde o primeiro mandato de Lula, há 11 anos?

Li, por dever de ofício, uma nota da governadora Roseana Sarney acusando juízes de mentirem sobre a situação carcerária de seu Estado. Descaramento total. Com as redes sociais, até os indivíduos que vivem em situação de pura selvageria encarregam-se de divulgar seus grotescos crimes ― que passam pelo estupro de mulheres de outros presos e pelos ataques em ruas de São Luís. Roseana divulgou até nota de pesar pela morte de uma menina, incendiada recentemente dentro de um ônibus.

Brasília está também no centro desta selvageria ao permitir a sobrevivência política de indivíduos da natureza dos Sarney. No Congresso Nacional, acordos são feitos com foco no enriquecimento dos poucos de sempre ― em todos os Estados ―, deixando ao deus-dará milhões de brasileiros. Entra no rol o Poder Executivo federal, como parte das negociatas. E não fica de fora o Poder Judiciário com suas omissões.

Chega a causar encabulação. Como tantos políticos dizem em seus pronunciamentos querer as mesmas coisas e a realidade andar exatamente ao contrário? É a mentira, claro, como motor de um egoísmo, igualmente selvagem, que permite a manutenção de tanta miséria, com cenas do tipo que chamam a atenção do mundo inteiro vindas da África, por exemplo. Principalmente de algumas nações em guerra.

Não tenha dúvida, leitor. O Maranhão é Brasília. O Maranhão é Brasil. O Maranhão somos todos nós!


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01/01/2014 00h11

Réveillon, uma bolha para o sonho
Valdeci Rodrigues

Redijo este texto a poucos minutos da virada do ano no Brasil, ao som de fogos de artifício em Brasília. Gostaria de não abordar nada de ruim neste momento porque existem situações em que paramos tudo para poder sonhar.

O réveillon é uma dessas ocasiões. Entramos numa espécie de bolha. Deixamos a realidade do lado de fora, para podermos sonhar. Sonhar com dias melhores, vida melhor e tudo de bom num ano que está começando.

A maioria veste-se de branco, a cor da paz. No rosto, o sorriso estampado. Na cabeça planos para o decorrer dos próximos 365 dias. Todos os desejos são positivos em abraços apertados e efusivos.

Sim, não custa nada, absolutamente nada, querer um 2014 melhor para todos. Agora é aguardar o raiar do dia primeiro de janeiro. Esperar a ressaca passar. Relembrar a festa inteira.

O dia seguinte nos dará bofetadas novamente. Ao menos para a esmagadora maioria dos 200 milhões de habitantes do país. Há até uma grande parcela que sequer pode estar neste momento em algum lugar, feliz e a festejar mais um réveillon.

Infelizmente ― não consigo ficar dentro desta bolha a não ser para escrever poemas ―, teremos mais um ano com tudo o que já sabemos que existe por aqui. Falta de escolas, hospitais, estradas transitáveis, salários dignos, vida dentro de padrões razoavelmente humanos. Mais uma infindável fila de etc.

Entraremos num ano em que haverá grande euforia com a Copa do Mundo, muita torcida. Uma festa que alegra praticamente todos os brasileiros. Espera-se também para 2014 novas e grandes manifestações populares, como as de junho de 2013. Afinal, nada foi resolvido.

Nesta noite de 31 de dezembro, ouvi um apresentador de TV falar das pessoas que comandam o país em Brasília. Queria estar lá para lembrá-lo que quase todos que estão aqui, no leme de um dos sistemas políticos mais corruptos do planeta, vêm de todos os Estados da federação.

Em todos os municípios, Estados e União continuará havendo não só o gasto desenfreado como a roubalheira sem nenhum empecilho decente. A prisão de alguns políticos ― os mensaleiros ― é definitivamente uma gota d’água no oceano.

Lamentavelmente, nada indica que o país tomará outro rumo em 2014. A menos que surjam movimentos de massa como no ano passado. E movimentos sem nenhum tipo de liderança. As que existem já estão comprometidas com a corrupção.

Permiti-me saí da bolha da festa de réveillon porque estou assistindo de fora toda esta comemoração. E assim, foi inevitável refletir sobre a triste perspectiva que nos espera. Haverá eleições, com voto obrigatório, com uma balbúrdia de mais de 30 partidos políticos. Uma avacalhação bem brasileira do que deveria ser uma democracia.

É bom lembrar que democracia começa com a participação de cada cidadão. De cada brasileiro que ajuda a pagar a segunda maior carga de impostos do mundo, e ainda chega a vibrar com a privatização de rodovias porque do Estado não há o que esperar.

Agora entro na bolha do réveillon para desejar a você, leitor, exatamente o que foi convencionado para se dizer nesta hora: Próspero Ano-Novo.  Mesmo depois de um texto como o que acabo de escrever, não custa nada sonhar até o dia amanhecer.



18/12/2013 16h05

Aécio Neves, candidatura e cocaína
Valdeci Rodrigues

Depois de lançar sua pré-candidatura à Presidência da República, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) deu uma rápida entrevista coletiva, na saída do Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 17. Ali, percebi a vontade de vários repórteres perguntarem-lhe sobre o tititi a respeito de cocaína. O motivo: na quinta-feira da semana passada, 12, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva fez a ligação do nome do tucano ao pó.

Na abertura do 5º Congresso Nacional do PT, o ex-sindicalista profissional e agora profissional da política Lula ― mesma profissão de Aécio ― fez um questionamento diante de seus fanáticos seguidores, que os  denomino de evangélico-petistas. Por que a "grande imprensa", "golpista", dá mais espaço aos presos petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do mensalão do que à apreensão de uma grande quantidade de cocaína num helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) recentemente?

Lula, estou convicto disso, não fez a indagação à toa. Fala-se em todos os cantos do Congresso Nacional que o também ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves usa cocaína. E, claro, Zezé Perrella é aliado político do pré-candidato tucano à Presidência da República.

Nenhum repórter tocou no assunto. E haveria motivo porque no dia em que Lula quis dar "lição" de como fazer jornalismo, seus fieis seguidores entoaram um refrão no auditório onde estava sendo realizado o congresso dos petistas:  "Sou brasileiro e não me engano. A cocaína financia os tucanos".

Confesso-te, leitor, que não fiz a pergunta ao senador Aécio Neves durante a coletiva porque não estava ali como repórter e temi por novos problemas, como os que enfrento por escrever sobre corrupção nos governos petistas.

Na sexta-feira passada, redigi aqui artigo em que afirmo que Lula lançou um raciocínio torto e enviesado, e que o mensalão, o maior esquema de corrupção da história do país, merece, sim, espaço em qualquer veículo de comunicação. Isso aconteceria em qualquer parte do mundo onde não houvesse censura.

Afinal está atrás das grades um ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu; um ex-presidente do partido da presidente da República, Dilma Rousseff, e do próprio Lula, encontra-se em prisão domiciliar; e um ex-tesoureiro do partido que está no poder é também um dos encarcerados no Presídio da Papuda, em Brasília. E em breve, um ex-presidente da Câmara e ainda deputado, do PT, João Paulo Cunha, poderá ir fazer companhia aos "companheiros" na prisão.

Acredito que Aécio Neves já tenha na ponta da língua uma resposta para tal questionamento sobre uso de cocaína. A menos que não tenha nenhum amigo para lhe dizer o que se fala sobre seu suposto vício por todos os lugares.  

Seguidores do petismo, seguindo a linha de ligar Aécio ao pó, não perderam a oportunidade de postarem no facebook, um artigo escrito por José Serra, que desistiu de concorrer novamente à Presidência da República em favor de Aécio Neves, publicado na Folha de S. Paulo, sob o título: "Drogas pesadas no Brasil, inépcia e ideologia".

No texto, José Serra afirma que o "debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e dever ser uma grande pauta em 2014". Muitos petistas e não petistas enxergaram aí uma cutucada em Aécio Neves. Aliás, Aécio disse nesta terça-feira, que não é verdade que ele e José Serra não conversam um com o outro. Afirmou, até, que os dois dialogam mais do que muitos imaginam.

Aécio Neves lançou as "diretrizes do programa de governo do PSDB", fazendo uma contraposição ao governo petista. Inclusive arrancando aplausos ao afirmar que num governo tucano os médicos cubanos receberão aqui mesmo no Brasil seus vencimentos e não terão seus salários enviados para o regime comunista de Fidel Castro.

Um colega meu perguntou sobre as insinuações de Lula ao deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE), senador e ex-presidente do partido, cargo hoje ocupado por Aécio Neves. Sua resposta: "Eu acho que isso é uma bela demonstração do que não deve ser feito. Este tipo de comentário nesta forma é muito menos uma peça de ação política e eleitoral. É algo que compromete e não interessa a ninguém, não ser a quem o fez,  o presidente Lula".

O senador Cícero Lucena (PSDB-CE) disse que "isso começa a demonstrar que é um gesto, um ato, no mínimo, de desespero, para não dizer de indelicadeza ou mesmo irresponsabilidade". E acrescentou que o partido não responderá a provocações deste nível.

Então, tá.

PS: Voltarei ao tema da baixaria em campanhas eleitorais e ao uso de cocaína por tanta gente bacana, bonita e bem situada que não se sente, por um segundo sequer, como responsável pelos crimes e barbaridades gerados pelo narcotráfico. Ia esquecendo-me. Lula, quando era presidente da República, quis expulsar um repórter do The New York Times porque escreveu reportagem sobre suas bebedeiras.


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13/12/2013 12h42

"Companheiro" Lula, mensalão e cocaína
Valdeci Rodrigues

Na noite desta quinta-feira, 12, o ex-presidente da República, ex-sindicalista profissional e dono de partido Luiz Inácio Lula da Silva apresentou a seus "companheiros" mais um de seus raciocínios tortos e enviesados. Ele usou, na abertura do 5º Congresso Nacional do PT, aqui em Brasília, novo exemplo de como a "mídia" persegue sua legenda "mais pelos nossos acertos do que pelos nossos erros".

Lula afirmou que a os meios de comunicação dão mais destaque à prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoíno, do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares do que à apreensão de cocaína num helicóptero da família do senador Zezé Perrela (PDT-MG).

Para a plateia de evangélico-petistas, uma grande verdade dita pelo pastor-mor da legenda. Mas, sinceramente leitor, fazer comparação de crimes pelo destaque nos meios de comunicação já seria por si só um argumento de uma indigência sem par ― na verdade uma afronta à opinião pública. Até porque escândalos envolvendo políticos profissionais já têm uma repetição cansativa, em termos jornalísticos.

Mesmo no caso de se defender mensaleiros usando tal argumento, Lula tenta levantar a moral de seus seguidores no gogó, como sempre fez. Mas está redondamente enganado o ex-presidente. O mensalão é de uma gravidade acima dos crimes já costumeiramente noticiados envolvendo os políticos profissionais.

Tratou-se de um esquema de corrupção comandado de dentro do Palácio do Planalto quando Lula era presidente. E quem chegou a essa conclusão foi o Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Poder Judiciário. Uma corte que os evangélico-petistas agora gostariam de varrer do mapa.

Há, inclusive, um grupo deles acampado nas imediações do STF com a exdrúxula reivindicação de que a ação penal que colocou os mensaleiros na cadeia depois de oito anos seja simplesmente extinta. Evangélico-petistas chegaram a ensaiar um confronto do Congresso Nacional com o Supremo. Houve a ideia até de tirar da presidência da Suprema Corte seu presidente, ministro Joaquim Barbosa.

Querer que um crime dessa magnitude não tenha o espaço que tem nos meios comunicação por causa de outros crimes cometidos por políticos profissionais é o suprassumo do descaramento. Seria o equivalente a um ladrão comum alegar que não deve ser preso porque outros como ele não foram alcançados pela Justiça.

Na abertura do 5º Congresso Nacional do PT, os evangélico-petistas fizeram sua parte chamando os mensaleiros petistas de "guerreiros" do povo brasileiro. E Lula, em seu pronunciamento, atribui as notícias a respeito do mensalão e até a prisão dos mensaleiros a uma reação das "elites" que não aceitam o "sucesso do PT" no comando do país.

Aliás, Lula e seus companheiros andam de braços dados justamente com as tais "elites", inclusive figuras que o PT satanizou no passado, quando era oposição, como os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor. Quem age assim tem estatura para querer dar lição de moral em "veículos de comunicação"? Sem contar o infindável rosário de escândalos patrocinados pelos "companheiros" e seus aliados na última década.


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