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Valdeci

Valdeci

Jornalista da área de política com atuação em jornais, rádios, assessorias de imprensa e produção de TV. Já trabalhou para "O Popular", de Goiânia, e para "Correio Braziliense", "Jornal de Brasília" e "JB". Foi repórter de rádios como "CBN", "BandNews FM" e "Jovem Pan", em Brasília, e noticiarista das rádios "Araguaia FM", "Executiva FM", "Anhaguera AM" e "Terra FM", de Goiânia.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



17/12/2014 22h26

Aprovação do governo Dilma vem de onde?
Valdeci Rodrigues

Pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Confederação da Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira, 17, aponta que 40% dos entrevistados veem o governo de Dilma Rousseff (PT) como bom ou ótimo.  A aprovação da maneira de governar da ex-guerrilheira petista chega a 52%.

Tudo bem. Porcentual próximo do que a reconduziu no segundo turno para seu segundo mandato, que começa no próximo mês --- 38,2% contra 35,7% do concorrente, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Mas o que me chama a atenção é que o porcentual está em dissonância com os problemas enfrentados pelo país.

Há deficiências generalizadas na saúde, na educação, na segurança pública etc. etc. etc. Isso já antes da eleição. E agora estoura um mega-escândalo de roubalheira na Petrobras que deixou os outros casos de corrupção no chinelo. O levantamento foi feito entre os dias 5 e 8 deste mês.

Essa maneira de encarar governos ineficientes e corruptos alimenta uma descrença sem fim. Como imaginar solução para os problemas que, inclusive, chamam a atenção do mundo inteiro? Especialmente a rapinagem nos cofres públicos? Dinheiro que falta para todo tipo de serviço público que, no caso brasileiro, está muito longe de um patamar minimamente aceitável?

Crítica a este comodismo em relação à administração pública eu fazia também durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), há mais de uma década, quando lia seus índices de aprovação em pesquisas. Há uma apatia numa nação de mais de 200 milhões de habitantes diante dos descalabros nos governos --- tanto o federal quanto os estaduais e os municipais.

Para quem acompanha o que acontece --- e entende o que está se passando no governo ---, este porcentual de aprovação é incompreensível. Mas este tipo de resultado é prova de que os contribuintes não se percebem como financiadores do que há de errado no país.

E aos que mantém-se informados sobre o roubo contínuo de recursos públicos e a respeito da ineficiência da administração nada resta a não ser uma profunda descrença. Ou a esperança de que os outros 60% saiam do imobilismo e pressionem --- como o próprio PT fazia com ruidosas manifestações, por exemplo --- para que o governo atinja um nível de eficiência que, hoje, está distante demais do que seria digno de aprovação.


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15/12/2014 23h16

Lambança do crime na Petrobras
Valdeci Rodrigues

Pelo que já sabemos até o momento, os criminosos de colarinho branco fizeram uma verdadeira lambança na Petrobras. E de forma tão acentuada e prolongada que só é possível pensar na existência de uma atuação tão sistemática de roubo de dinheiro da empresa estatal levando-se em conta a certeza de impunidade dos "companheiros".

Encabula-me que uma legenda, chamada Partido dos Trabalhadores, tenha patrocinado tamanho assalto à maior empresa do Brasil. E que petistas como a presidente da República, Dilma Rousseff, tenha compactuado-se com rapinagem de tamanha envergadura, junto com o líder maior do PT, o ex-presidente e ex-sindicalista Lula. Na companhia, claro, de outros caciques do partido e aliados.

"A corrupção no Brasil é uma das maiores vergonhas da humanidade", afirmou recentemente o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto. O ministro Felix Fischer, ex-presidente do STJ, não ficou atrás. "Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira", disse.

Mesmo para uma nação acostumada com o roubo de dinheiro do contribuinte, o assalto à Petrobras para financiar campanhas do próprio PT e pagar propina a políticos --- constatam as investigações ---, o caso extrapola tudo o que já se viu até agora. E logo em seguida ao mensalão, que levou petistas da cúpula da legenda e políticos de outros partidos à prisão.

Igualmente encabula-me a reação de petistas, como o próprio Lula, que atacam os meios de comunicação que noticiam o megaescândalo. Criticam "vazamentos" da Justiça e mobilizam seus militantes para reagir a um suposto "golpe" arquitetado pelas "elites".

Esperamos que a Justiça leve o caso até o fim, ao menos como aconteceu com o mensalão, que gente como José Dirceu e Lula diz que não aconteceu. "Companheiros" que chegam ao ponto de questionar o julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Comecei a trabalhar na cobertura política justamente quando o PT era oposição ferrenha ao governo e fonte de denúncia de todo tipo de ato ilícito cometido no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Até agora não me acostumei em ver petistas que diziam combater a corrupção querendo até impedir que os casos envolvendo seus próprios correligionários sejam noticiados.

Recentemente, Lula disse que quando as investigações sobre o roubo na Petrobras forem concluídas, seus correligionários já terão sido julgados pela imprensa. São os mesmos meios de comunicação que o PT usava para atacar os governos anteriores ao seu.

Sobre essa história de "golpe", os petistas não encontraram em 12 anos de poder nenhuma oposição ferrenha como a que eles patrocinavam em companhia dos "movimentos sociais", sindicatos e centrais sindicais. Petistas diziam "fora FHC", "fora Collor", por exemplo, sem dar a mínima para o que eles dizem agora valorizar ao extremo: a eleição.

Não há como não sentir nojo diante não só de uma profunda mudança de postura como em relação a práticas criminosas adotadas pelo PT. E não há como não cobrar agora o que os "companheiros" já exigiram no passado. Que a Justiça funcione para punir os ladrões de colarinho branco --- e agora também os que usam estrela vermelha no peito!

 


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11/12/2014 19h36

Estupro na cadeia, pode?
Valdeci Rodrigues

A inclassificável afirmação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) de que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque "ela não merece" gerou um compreensível mar de indignação. O bafafá em torno do caso faz-me relembrar o quanto a violência está entranhada em cada ser humano. E uso aqui o próprio crime de estupro como exemplo.

Incontáveis vezes já ouvi de "gente de bem" que determinado pedófilo ou estuprador vira "mulherzinha" na cela da prisão. Ou seja, é estuprado coletivamente, dentro de um estabelecimento do Estado, supostamente enquanto pagaria pelo crime cometido. E as pessoas comentam o delito com ar de prazer e de vingança.

Então uma violência deixa de ser violência dependendo das circunstâncias? Quem violenta pode ser violentado numa prisão por outros criminosos sob as vistas grossas de agentes do Estado, que tem o dever de fazer cumprir as leis? Ou as leis não valem dentro do cárcere?

Como vou mostrar a um estuprador que o que ele fez não se faz com ninguém permitindo que o dito-cujo seja vítima do mesmo crime que praticou, dentro de uma penitenciária? Como uma sociedade pode querer menos violência com seus cidadãos considerando o crime contra o criminoso normal?

Esta é uma ponta da hipocrisia reinante na sociedade tida como ordeira e civilizada. Crime é crime. E ponto final. No caso de um estuprador, ao ser violentado enquanto cumpre pena, os outros criminosos fazem-no aliviar-se de qualquer tipo de peso na consciência. Servem-lhe, sob o manto do Estado, para mostrar que ele não é monstruoso.

Então, zero para qualquer tipo de recuperação. Esta mesma falsidade que viceja de ponta a ponta na sociedade faz a tortura ser permitida cotidianamente nas prisões do país. Criminosos comuns sofrem uma das maiores atrocidades que um ser humano pode cometer contra outro --- igualmente sob a proteção do Estado.

Hipocrisia oceanicamente criminosa. Agora mesmo o Brasil toma conhecimento do resultado do trabalho da Comissão Nacional da Verdade, onde se apontam nomes de responsáveis, inclusive, pela tortura nos cárceres dos presos políticos da ditadura militar.

E aqui também vem a discriminação. Os agentes do Estado a mando do regime ditatorial mortos no confronto com os "terroristas" que queriam implantar uma ditadura de esquerda no país não são levados em conta. Nova mostra de que o crime depende do lado em que se está quando o delito é cometido.

Nação nenhuma avança nessa história de direitos humanos  fazendo distinção entre pessoas que praticam os mesmos crimes. Voltando ao caso do deputado Jair Bolsonaro, um homem que cita a conjunção carnal entre homem e mulher --- para a humanidade, um ato de amor --- como ameaça de agressão, tem parte de seu próprio ser doente. O triste da história é que o deputado boquirroto não está sozinho nesta maneira de enxergar a relação sexual.

Faz parte de um grupo expressivo de pessoas, que só não é maior dos que não veem crime no estupro do estuprador. Nem dos que não consideram tortura os maus tratos infligidos aos criminosos comuns. Ia esquecendo-me de outro símbolo desta maneira torpe de enxergar a relação sexual. O verbo f... é usado como sinônimo de aniquilar uma pessoa.

É preciso frisar que o criminoso, quanto mais maltratado mais violento ele fica --- além de não ter nenhum tipo de recuperação, o que deveria ser a finalidade das punições nas cadeias e penitenciárias.  Mas se o Estado brasileiro não oferece nem os serviços básicos aos pagadores de impostos honestos e livres, não seria o sistema penitenciário a vitrine de serviço público no mínimo razoável.



09/12/2014 21h56

Brasília não é ilha de nada
Valdeci Rodrigues

Nesta terça-feira, 9, o Distrito Federal viveu um dia de caos. O governo do petista Agnelo Queiroz --- que não se reelegeu e perdeu já no primeiro turno das eleições --- termina de maneira caótica. A população teve de sofrer por causa de greves nos transportes públicos, na educação e na saúde. As paralisações são motivadas pela falta de pagamento de salários.

Mesmo as "elites" tão citadas pejorativamente pelos principais políticos do PT, incluído aí a estrela maior do partido, o ex-sindicalista e ex-presidente Lula, sofrem com isso. As manifestações tumultuaram a vida de todos os moradores da capital da República.

O governo petista que se encerra em Brasília passou pelo mesmo processo que detona a qualidade de vida nas outras 26 unidades da federação. Corrupção, roubo de dinheiro do contribuinte, empreguismo etc, o que caracteriza a má administração pública nos estados, municípios e União.

O Distrito Federal ganhou o apelido de "Ilha da Fantasia". Um dos motivos é o alto poder aquisitivo da população --- aqui é bom lembrar que o valor atribuído a cada um é resultado da divisão da renda somada de todos pelo número de habitantes. Mas existem, por exemplo, miseráveis a poucos quilômetros da Praça dos Três Poderes, como a maior favela da América Latina, de acordo com o IBGE: Sol Nascente, com cerca de 80 mil habitantes.

O descalabro que detona a administração da nação inteira, praticado por gente que vem de todos os estados para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário federais tem seus tentáculos locais. Os cerca de dois milhões de moradores do Distrito Federal penam devido aos mesmíssimos males que afligem a nação inteira.

Brasília não é ilha de nada. É apenas mais uma unidade da federação, que mesmo abrigando o governo federal, sempre esteve à mercê de todo tipo de aproveitador que atua na política. O que serve de argumento para petistas que buscam administrações fracassadas de gente de outros partidos na hora de defender seus "companheiros".

No caso do Distrito Federal, o verdadeiro rombo nas contas públicas só será conhecido a partir de janeiro, com a posse do novo governador. Rodrigo Rollemberg, do PSB, assumirá o governo da capital do país pelos próximos quatro anos. Temos informação de que apenas demissões em cargos comissionados passarão de seis mil.

O caos desta terça-feira em Brasília aconteceu enquanto o governo da petista Dilma Rousseff terminava de aprovar no Congresso Nacional modificações na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). São alterações que permitirão à presidente livrar-se de penalidades previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, exatamente por causa do excesso de gastos na administração do país --- o que inclui assalto ao erário com o cândido nome de "desvio de recursos públicos".


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06/12/2014 22h53

Político não se importa com a própria imagem
Valdeci Rodrigues

Na madrugada da última quinta-feira, 4, aconteceu o que esperávamos e o que todos os meios de comunicação noticiaram como sendo a "grande" manobra da presidente Dilma Rousseff. O projeto de lei que detona a Lei de Responsabilidade Fiscal foi aprovado, livrando a petista reeleita de crime de responsabilidade.

O que chamou a atenção aqui foi o toma-lá-dá-cá  explícito num decreto de Dilma Rousseff condicionando a liberação de vários milhões de reais para emendas de parlamentares ao Orçamento Geral da União, publicado no Diário Oficial, inclusive, à aprovação do projeto. Isso levou oposicionistas a dizerem que os 81 senadores e 513 deputados têm uma etiqueta na testa, referindo-se ao valor disponibilizado para cada um deles: R$ 748 mil reais.

Esta afirmação foi feita pelo candidato derrotado à Presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Numa sessão que durou quase 19 horas, deputados e senadores aprovaram o projeto que modifica a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Alteração permite ao governo descumprir meta de superávit primário --- economia para pagar "apenas" os juros da dívida pública trilionária.

Manobra vergonhosa, aberta e oficializada no Diário Oficial para que o governo deixe de cumprir a lei. O que me encabula é como os 513 deputados e 81 senadores não se preocupam sequer com a imagem de legisladores e de independência do Poder Legislativo em relação ao Poder Executivo, como estabelece a Constituição. Ressalvadas as exceções de sempre, a maioria dos parlamentares ajudou a rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal, um importante freio na gastança desenfreada de dinheiro do contribuinte --- não onde deveria ser aplicado, claro.

Para essas "execelências", basta que haja mais verba liberada em seus nomes para supostas obras em seus redutos eleitorais. Falou-se muito --- em muitas reportagens, inclusive --- que Dilma Rousseff fez chantagem com os parlamentares. Não foi assim.  É o Congresso Nacional que trabalha desta maneira.

Um outro exemplo extremamente tristonho e desolador do Poder Legislativo é que, além de não fiscalizar o Poder Executivo como deveria, tem sua pauta de votações ditada pelo governo da hora.  Daí minha constatação de que deputados e senadores não apenas menosprezam a imagem do parlamento como também sequer têm auto-estima, tanto como políticos quanto como cidadãos.

Se eles próprios não valorizam a si mesmos como deveriam, como a população poderá ver com bons olhos um importante pilar de uma suposta democracia? Sinceramente, leitor, o Congresso Nacional também não tem limites em detonar sua própria imagem diante da nação inteira! Nem de trabalhar de forma totalmente fisiológica e irresponsável, prejudicando o país!

 


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04/12/2014 01h33

CONTO: Óculos de grau, meu excêntrico caso de amor
Valdeci Rodrigues

Pelas reclamações que ouço e já escutei ao longo da vida, meu gosto por óculos de grau é uma exceção, uma excentricidade. Essa afeição tem raízes na infância. A primeira garota por quem me apaixonei, aos oito anos de idade, usava óculos. Era colega de sala de aula e vizinha da casa de minha mãe. A imagem dela está gravada na memória como fotografia até hoje.

No ano seguinte, aos nove anos, tive como professora uma freira estadunidense. Em embaixo dos óculos, os lábios carnudos mais belos que já vi. Um encanto! Na mesma época, meu pai comprou para mim óculos de lente branca, sem grau, claro. Foi uma felicidade!

Depois desta junção afetivo-erótica infantil, o passo seguinte foi a ligação dos óculos com intelectualidade, leitura, conhecimento. Cismei de ser intelectual logo na adolescência. Então, quando tive de usá-los para miopia, aos 19 anos, fiquei muito contente. Óculos redondos, usei-os por muito tempo, inclusive escuros.

Há cerca de quatro anos fiz uma cirurgia nos olhos que reduziu drasticamente meus problemas visuais. Mas não tenha dúvida. Se eles tivessem deixado de existir, continuaria a usar óculos com lente branca sem grau nenhum. Não consigo sequer imaginar expor o meu rosto sem este objeto que para mim é um caso de amor.



02/12/2014 09h29

Brasil não esconde a cara
Valdeci Rodrigues

Ao contrário do que provocou Cazuza --- "Brasil mostra a tua cara" ---, o país escancara sua face sombria de negociatas políticas em Brasília cotidianamente. E sem nenhum receio, diante de mais de 200 milhões de habitantes. É o que está acontecendo, mais uma vez, com o governo Dilma Rousseff empenhado em mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) nesta terça-feira, 2, no Congresso Nacional.

Em linguagem bem simples, esta maracutaia, trata de, com aprovação de deputados e senadores, fazer com o que governo possa burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma espécie de freio na gastança de dinheiro do contribuinte. Como o Poder Executivo não conseguiu economizar o previsto para pagar juros de uma dívida pública na casa dos trilhões de reais, mudam-se as regras.

Para modificar a LDO é necessário, então, comprar parlamentares. A compra foi anunciada no Diário Oficial da União da última sexta-feira, 29, tudo pública e abertamente. Foi oferecido mais dinheiro para as emendas que os parlamentares fazem ao orçamento em troca da diminuição do chamado superávit fiscal --- também está explícito no Diário Oficial da União.

O termo "chantagem" foi muito utilizado nesta segunda-feira, 1º, em referência à pressão do Palácio do Planalto para ser autorizado a fechar suas contas no vermelho. E por que "chantagem"? Porque os parlamentares não resistem diante de dinheiro para, supostamente, empregar em obras em suas bases eleitorais e, depois, ganhar votos.

Isso pode ser traduzido também como total menosprezo dos próprios deputados e senadores ao Poder Legislativo. Algo que pode ser verificado todos os dias, com o caráter de extensão do Palácio do Planalto que o Congresso Nacional tem.

Esse tipo de negociata é possível e não precisa ser escondido porque a população brasileira não tem interesse em saber como anda a administração pública --- embora pague caro por desmandos desta natureza. É ínfima a parcela de brasileiros que se informam sobre o que ocorre na Câmara dos Deputados, no Senado e no governo.

Desta maneira, as manobras são facilitadas quando interesses de parlamentares e do Poder Executivo são satisfeitos. Afinal, a conta é paga pelos mais de 200 milhões de brasileiros que arcam com uma das mais altas cargas de impostos do planeta.

Assim, todo o confronto a que assistimos recentemente, durante as eleições, não serve absolutamente para nada. A maioria dos que brigaram por este ou aquele candidato à Presidência da República está cuidando apenas de seus afazeres, entregando novamente a administração pública a quem não tem como meta resolver os problemas do país.

A vontade dos políticos em solucionar questões como saúde, educação e segurança resume-se aos discursos nos palanques, dizendo o que eleitor quer ouvir. Depois de eleitos, o comportamento é outro e suas ações têm como objetivo favorecer os de sempre com dinheiro público, especialmente os que os petistas adoram chamar de "elites".

O Brasil mostra sua cara. Só não enxerga quem não quer. Não é à toa que a imagem do país diante do mundo é a pior possível. Incluindo aí o que estão prestes a fazer e que é conhecido no planeta como insegurança jurídica --- mudanças constantes nas leis ---, um dos principais motivos para afugentar os investidores internacionais da nação brasileira.


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29/11/2014 18h39

Brasil, feliz 2019!
Valdeci Rodrigues

Deixei de escrever aqui neste espaço, em setembro, antes das eleições. Havia --- e ainda há --- um confronto extremado na área política. E com uma curiosidade: o partido que está no governo comandando um "nós contra eles" é que acusa as "elites" de insuflarem uma divisão do país. Nenhuma novidade tratando-se do PT, o maior caso de contradição partidária de que se tem notícia.

Passadas as campanhas eleitorais, temos aí o Brasil com seus antigos problemas. De novo, talvez, somente um recorde no esquema de corrupção da história da nação, o roubo na Petrobras, na casa dos bilhões de reais, com a prisão de corruptores. Até onde a vista alcança, teremos mais quatro anos de um governo claudicante, com seu famoso toma-lá-dá-cá e nenhum projeto para tirar a nação do atoleiro.

Já assistimos novamente as negociações para a divisão de poder, e de dinheiro do contribuinte, entre as legendas que apoiam o governo no Congresso Nacional.  Razões para otimismo não existem. O esquema da administração pública não mudará. E a perspectiva é de que tomemos conhecimento de mais escândalos durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Por causa da sua vitória apertada, pode ser que surja o que não tivemos em 12 anos de governo petista: uma oposição que realmente faça o contrapeso e diminua o caráter de repartição do Poder Executivo do parlamento. Afinal, deputados e senadores são eleitos também para fiscalizar o que se faz no governo.

Ainda teremos de conviver por mais este tempo com esta estrambótica história de "imprensa golpista", todas as vezes que os veículos de comunicação tiverem de noticiar os descalabros administrativos comandados pelos "companheiros". E ainda o forte ataque propagandístico de que há uma grande parcela da população contra um "governo popular".

Tivemos eleições vergonhosas. Pouco se falou de programa de governo, especialmente por parte da turma da presidente reeleita. Tanto que as medidas que seriam tomadas pela oposição estão sendo agora implementadas pelo governo de Dilma Rousseff, o que pode ser classificado como "estelionato eleitoral". O reino da mentira foi vitorioso na enganação dos eleitores. 

Chega-se ao ponto de o governo estar lutando para mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso Nacional para burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelo que se conhece de Câmara e Senado e suas negociatas com o governo, o mais provável é a alteração da lei para que as contas do atual governo sejam aprovadas sem problemas.

Então, Brasil, como não há perspectiva no horizonte de melhorias em segurança, educação, saúde, infraestrutura etc. --- e ainda há o ressurgimento da inflação --- resta-me desejar-lhe um feliz 2019. Este governo que começará no início de 2015 já é suficientemente conhecido e não suscita qualquer tipo de esperança em mudanças minimamente razoáveis.


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05/09/2014 09h04

Lugar de religião é na igreja
Valdeci Rodrigues

Entristecedor esta mistura de religião com política. Triste e um atraso total. Lugar de crença religiosa é na igreja ou em casa. E nas suas próprias adjacências. As devoções precisam estar restritas às individualidades de cada um. Notadamente os evangélicos, de maneira geral, têm mania de querer impor seus valores bíblicos à sociedade inteira.

Bancada evangélica ou católica no Congresso Nacional é uma excrescência. Câmara e Senado precisam ser totalmente laicos. Nem a cruz no plenário da Câmara dos Deputados faz o menor sentido. Muito menos cultos e missas em auditórios de comissões da Casa. O mesmo vale para o Poder Judiciário.

Há um tipo de evangélico que é semelhante ao homossexual não assumido. Para que ele fique em paz com sua crença é preciso que todos acreditem no que ele  crê. Aqui é bom abrir parênteses. Há tanta facilidade para se abrir uma igreja que o comércio religioso vai de vento em popa, enriquecendo muitos aproveitadores.

Mas se aproveitam é porque há muita gente necessitada de uma justificativa para a própria existência, o que é a negação total do conhecimento. E da força para se viver sem "muletas".  Há um agravante: ressalvadas as exceções de sempre, quem sente necessidade de estar o tempo inteiro conectado com a bíblia tem problemas seriíssimos.

Há dois mais evidentes. Normalmente é gente em que uma pulsão má age com mais intensidade ou que tem tamanha fragilidade emocional que precisa estar sob o guarda-chuva deste tipo de alienação.

Quando se tem notícia do envolvimento da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, com religião, isso é muito preocupante. Quem ocupa o Poder Executivo também deve deixar na esfera privada suas convicções com base "na palavra de Deus".

Assim como há uma multidão de picaretas na política, igualmente há um número significativo deles nas religiões. Enxergam neste comércio espiritual, digamos assim, a chance de ganhar dinheiro fácil.

Advogo que a religião, assim como a orientação sexual de uma pessoa, seja prática da intimidade de cada um. E se ataco religiões evangélicas é porque elas são muito agressivas na tentativa de impor "valores" de seus templos ao país inteiro, imiscuindo-se na atividade partidária.

Repito: impressionante a fragilidade de frequentadores de várias denominações "evangélicas". Se todos não estiverem pensando como eles, não conseguem conviver bem com suas crenças. Que sejam assim, mas fora da política então.

Agora, os políticos, que só enxergam votos, abrem espaço para atuação dessa turma. Não é à toa que Dilma Rousseff visitou um templo da Universal do Reino de Deus, uma denominação campeã em picaretagem "espiritual".

Por dever de ofício, já assisti a um culto desta igreja. Os "pastores" quase arrancam na marra o dinheiro dos fiéis. Bato na mesma tecla há anos: casos como este existem vários e deveriam estar sendo combatidos pela polícia!

Mistura de política com religião é a negação do livre arbítrio e do avanço maior da civilidade: circunscrever determinadas práticas e ideias ao ambiente totalmente familiar, sob o rótulo de "intimidade", repiso.

Não é à toa que denomino de evangélico-petista aquela maioria do partido do ex-sindicalista Lula que não aceita qualquer pensamento que seja diferente do que PT está advogando na hora. "Na hora" porque a legenda adequa-se a todo tipo de picaretagem que permita aos "companheiros" ganharem dinheiro e poder!

Esta mistura é um troço que só serve prejudicar ainda mais o país! Mas a maioria da população permanece passiva também neste caso, deixando os picaretas da política e das religiões atuarem livremente. Precisamos de mais escolas com qualidade e de menos de templos religiosos!

Um "detalhe": também ressalvadas as exceções de sempre, observo em tanta gente que ora, reza, uma maldade espantosa para quem diz seguir as "palavras do senhor"!

PS: Reconheço que a maioria esmagadora das pessoas não conseguiria viver minimamente bem sem acreditar num ser superior e numa vida depois da morte. Aí entram as religiões com seu comércio da "palavra de Deus". Quem acredita precisa ter liberdade de crença. Mas fora da política,  que deve ser exercida em favor de todos --- crentes, descrentes e ateus.


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27/08/2014 22h49

Meu primeiro quase elogio a um governo
Valdeci Rodrigues

Não há como não elogiar o veto da presidente Dilma Rousseff (PT) ao projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional permitindo criação, emancipação e fusão de municípios. Está aí uma fonte enorme de mutreta para os políticos.

A decisão de Dilma Rousseff foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 27. Mas... Sempre há um "mas". Esta postura da presidente demonstra que a situação das contas pública está realmente fora de controle.

Caso contrário, ela não se indisporia com a turma que  é aliada de seu governo na Câmara e no Senado. A justificativa.  "Embora se reconheça o esforço de construção de um texto mais criterioso, a proposta não afasta o problema da responsabilidade fiscal na federação. Depreende-se que haverá aumento de despesas com as novas estruturas municipais sem que haja a correspondente geração de novas receitas", informou Dilma Rousseff.

Mas o veto será analisado pelo Congresso, que pode derrubá-lo ou mantê-lo. Criar município é de interesse dos políticos. Qual deles não quer uma estrutura administrativa inteira a seu comando? Tudo com dinheiro do contribuinte?

Atualmente, temos cidades pequenas com estruturas semelhantes às de capitais, com até assessor de imprensa!!!

Mais um rol de secretarias, tudo, obviamente, com o intuito primeiro de dar emprego a apaniguados e criar um núcleo de poder. Os cidadãos são induzidos e ficam orgulhosos porque onde moram não será mais parte de outro município.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta quarta-feira mesmo que será difícil manter o veto de Dilma Rousseff no Congresso Nacional. Claro. Essa história de criar novos municípios é do interesse pessoal de cada um dos 513 deputados e 81 senadores. Ressalvadas as exceções de sempre.

O Congresso Nacional não tem nenhum compromisso com a administração do país. É afrontosa a forma de agir dos 594 parlamentares. Não trabalham. Não fiscalizam. Ajudam no roubo cotidiano de dinheiro do contribuinte.

Essa turma está totalmente acostumada com a situação em que o país vive. Nação que tem a segunda maior carga de impostos do mundo e torra todo o dinheiro em mordomias no serviço público e no assalto impune aos cofres do erário.

É desgraçadamente impossível elogiar um parlamento deste tipo! O mesmo vale para este ou qualquer governo de que se tem notícia no Brasil! O PT apenas ajudou aprofundar o nível de degeneração da administração pública!

Por isso, disse é que quase um elogio...



18/08/2014 21h30

Renata Campos é abutre?
Valdeci Rodrigues

A viúva do candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, que morreu semana passada, já participou de um ato de campanha nesta segunda-feira, 18. Seus restos mortais foram sepultados na noite deste domingo, 17.

Logo veio-me à memória, claro, as reclamações de gente, que sequer conhece a família, chamando de "abutres" jornalistas e políticos, em redes sociais, por traçarem cenários eleitorais sem o ex-governador de Pernambuco.

Essas ingênuas pessoas creem que parente de quem morre cai, necessariamente, em estado de prostração --- com choros e lágrimas dias e dias seguidos. Pois, bem. Nesta segunda-feira, Renata Campos compareceu a um ato de campanha do candidato a governador de Pernambuco pelo PSB, Paulo Câmara, que patina nas pesquisas de intenção de voto.

Renata Campos, usando a imagem do falecido marido, afirmou, na companhia dos filhos: "Quem está com Eduardo, está com Paulo Câmara". Disse também: "Tenho a sensação de que agora terei de participar por dois". E agora, ela também é um abutre? Os filhos são abutres?

No final da noite de sábado, 16, dois filhos de Eduardo Campos já carregaram o caixão do pai, vestidos com camisetas amarelas, onde se lia "Não Vamos Desistir do Brasil". Uma frase de Eduardo Campos, dita na noite anterior à sua morte, no Jornal Nacional, da TV Globo.

A própria Marina Silva, que tanto falava em luto, já tratava de política na quinta-feira, mesmo ainda chorando.  Nesta segunda-feira, militantes do PSB já estavam em campanha usando a imagem de Eduardo Campos.

No caso de Renata Campos, ela disse que sabe o que Dudu queria. Foi fotografada ao lado dos filhos discursando em favor de Paulo Câmara, na lanterna de Armando Monteiro (PTB), aliado de Dilma Rousseff, e disparado na frente.

Para quem ainda não prestou atenção na natureza humana, há pulsões que superam qualquer dor, mesmo a da perda de um ente querido. Já presenciei conversa sobre divisão de bens de um pedreiro, logo depois que ele havia sido sepultado. Tratavam-se de duas humildes casas.

Imagine, então, um caso como o de Eduardo Campos, com uma multidão de 160 mil pessoas no dia de seu sepultamento neste domingo, 17. Os filhos cerravam os punhos e repetiam a frase-símbolo do pai.

Jornalista não é abutre. Age porque sabe como é o comportamento das pessoas, especialmente das que atuam na política. Eu adorei a atitude de Renata Campos, calando gente que se diz sensibilizada com a morte de alguém que não conhece.

A esse tipo de indivíduo recomendo que, quando quiser sentir compaixão, compareça ao cemitério de sua cidade. Há sempre um velório. Fique triste ali, se o cadáver também tiver perdido a vida na "flor da idade".

Ou então, proteste contra as mais de 50 mil mortes no trânsito no país, todos os anos. E entristeça junto com cada vítima para refletir sobre a fragilidade da vida etc. etc. etc.

Por que sentimento de pessoas assim só surgem quando morre alguém famoso?


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15/08/2014 10h19

Política, uma enganação sem fim
Valdeci Rodrigues

Fingimento é o pilar central da política. A falsidade adquire proporções acima da que é utilizada pelos cidadãos que exercem outras atividades. Agora, por exemplo, com a morte de Eduardo Campos, assistimos ao ritual da hipocrisia num nível que provoca quantidade extra de nojo.

Primeiro, repito: Eduardo Campos era apenas mais um político, com todos os defeitos que eles apresentam. Ser simpático faz parte do pacote. Outro, é que esta história de servir ao país é repulsiva pelo elevado grau de mentira.

O que encanta o indivíduo é o poder. Determinados cargos públicos trazem um prazer superior ao orgasmo, ao álcool, à cocaína ou qualquer outro tipo de droga. É uma satisfação intensa por período prolongado.  É algo que dinheiro não compra.

Mesmo quem é endinheirado quer ocupar um cargo assim, porque apenas a grana não dá este retorno. Somente o protocolo já provoca sensações inauditas. Sem contar que ainda ganham dinheiro, e muito, com isso!

Vamos para raciocínios simples: se todos são competentes e querem o bem da nação por que o país continua afundando? Gastos sempre acima da arrecadação com roubos, cabides de emprego etc.?

O pior: mesmo essa projeção no mundo político proporcionando este oceânico prazer, isso não é suficiente. É preciso roubar do erário. E aí, o político vai sobrevivendo apenas na lábia. O próprio endeusado Eduardo Campos, na noite anterior à sua morte, não respondeu, com sinceridade, em entrevista no Jornal Nacional da TV Globo, por que tinha dois parentes no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE).

Uma grande contradição, já que o TCE é encarregado de fiscalizar os gastos do governo, inclusive. Eduardo Campos igualmente não deu resposta real ao seu trabalho de lobby para conseguir aprovação do nome da mãe, no Congresso Nacional, para ser ministra do Tribunal de Contas da União (TCU).

Por tudo que conhecemos a respeito da atuação desses homens, duvido que os dois governos de Eduardo Campos em Pernambuco resistiriam a uma fiscalização.

No Brasil até algumas palavras perderam sua força.  Por isso, os políticos dizem "fiscalização rigorosa", contando que as outras não têm rigor. 

Grande contradição. O político é eleito para ser funcionário público e passa a ser endeusado sem cumprir suas funções como deveria. Cada Estado, cada município e a União estão aí, com todos os problemas que todos conhecem, para servir de exemplo ao que afirmo neste artigo.


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14/08/2014 10h07

Eduardo Campos, na morte, os exageros
Valdeci Rodrigues

O tipo de morte que vitimou Eduardo Campos causa comoção quase generalizada. Sentimentos gerados pela fama e pela posição do homem que concorria à Presidência da República. Na "lógica" humana quase não se fala nas outras seis vítimas.

O cidadão não se interessa por morte de gente comum, a menos que seja de alguém próximo, como parente ou amigo. Tanto que as mais de 50 mil mortes no trânsito, todos os anos, não comovem a nação. A tristeza restringe-se ao círculo familiar de cada vítima.

Exceção aqui é quando gente comum morre em acidente de avião, que costuma vitimar dezenas de pessoas ao mesmo tempo. Como era um jatinho, a queda desta quarta-feira, 13, matou "somente" sete indivíduos.

Mas os exageros a que me refiro é sobre a figura política do ex-governador de Pernambuco. Ele não era muito mais ou muito menos do que qualquer político que atua no país. Verifiques o Estado governado por ele duas vezes, e constatarás os mesmos problemas que tornam o país num dos mais desiguais do mundo.

Depois de morto, transforma-se em "esperança" que a nação perde numa tragédia. Claro, como ele não existe mais, é hora de enaltecê-lo como uma pessoa que poderia "galgar os maiores postos do país", como afirmou a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição.

O que não significa nada. Ela, Dilma Rousseff, como "criatura" do ex-sindicalista Lula não ocupa o maior cargo da nação, "governando" mais de 200 milhões de pessoas? O próprio ex-sindicalista e semialfabetizado Lula não foi presidente por dois mandatos, aliando-se ao que de pior existe na política?

Eduardo Campos era apenas e tão-somente mais um político, já acostumado com os desarranjos que existem no Brasil. Se assim não fosse, ele não teria aglutinado em torno de si uma série de partidos. Essas legendas não embarcariam em nenhum projeto que tivesse como finalidade fazer realmente as profundas modificações que o país precisa.


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13/08/2014 11h39

Raiz da corrupção dentro de cada um de nós
Valdeci Rodrigues

Nesta semana, no caixa de um supermercado. A funcionária rasga o saco plástico onde acondicionei maçãs. Sua justificativa: existem pessoas que misturam as mais caras entre as que custam menos para tirar vantagem. Disse-lhe que não reclamaria porque ela não é obrigada a saber que sou uma exceção.

As manifestações desta "raiz" aparecem em frases "simples" como "de graça tomo até injeção na testa". Passa pelo suborno ao guarda de trânsito e pela compra de peças roubadas de carro, mais baratas --- sem esse tipo de consumidor, o ladrão desistiria ao menos desta "atividade".

Há uma lista interminável. Outro exemplo interessante. Se o almoço for de graça, o indivíduo come o dobro --- mesmo que a comida lhe faça mal. Só isso já explica uma nação inteira nas mãos de ladrões de dinheiro do contribuinte. O "roubado" chega a sentir inveja de quem "desvia recursos públicos" para ter "boa vida".

O mesmo cidadão que chama deputados e senadores de ladrões, por exemplo, não titubeia na hora de subornar um guarda. Mais um caso ilustrador. Se um caminhão de alimentos tombar numa via, tudo será roubado rapidamente por pessoas que não se acham bandidas de jeito nenhum.

Ia esquecendo-me de uma pérola: "Achado não é roubado". Com todas essas pulsões, mais de 200 milhões de pessoas aceitam passivamente a roubalheira desenfreada de seu próprio dinheiro. É como se cada um se colocasse no lugar do ladrão.

Quando eu era criança, ouvia colegas chamarem de "cabrito" o furto de dinheiro do caixa das empresas onde trabalhavam!!!

O mundo fora do erário tem expressões de sobra para amenizar o roubo ou o suborno --- "molhar a mão do guarda", "pagar um lanche" e por aí afora. Então, nada mais "natural" num ambiente assim do que as leis tratarem o roubo de dinheiro público de forma diferenciada.

Peculato, apropriação indébita etc. etc. etc. Quando se somam os crimes de roubo, a expressão é um cândido "desvio de recursos públicos". Isso mostra o tamanho do desafio do país em reverter a ordem das coisas.

Essa reversão passa pela consciência de cada cidadão de que o "desvio de verba" é roubo de dinheiro de seu bolso. Mas antes ele precisa entender como esse dinheiro sai de sua carteira, principalmente em forma de impostos embutidos nos preços dos produtos.

O resultado não é menos espantador. O Brasil tem a segunda maior arrecadação de tributos do mundo e carência de todo tipo de serviço público. Desse tipo que os candidatos enchem os pulmões para dizer que resolverão: saúde, educação, segurança, infraestrutura .... etc. etc. etc..


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11/08/2014 10h53

"Jornalistas que batem no governo"
Valdeci Rodrigues

Ouvi neste final de semana as argumentações de um amigo jornalista ligado ao PT. Uma delas é a de que Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, vítimas de um crime praticado dentro do Palácio do Planalto, "batem no governo".

Ele também arguiu que deveria haver a separação entre "comentarista" e "jornalista". O PT é um troço tão cavernoso que conseguiu dividir os jornalistas, criando os "amigos" do "governo popular" e os integrantes do que os "companheiros" denominam de Partido da Imprensa Golpista (PIG).

O apego ao poder e ao roubo de dinheiro do contribuinte --- inclusive dando emprego a "companheiros" fantasmas --- transformou esta legenda num grupo de "guerrilheiros" assaltantes dos cofres públicos, com a companhia de gente que eles próprios rejeitavam até o ex-sindicalista Lula chegar ao poder.

O meu amigo petista está no grupo dos lulopetistas. Mesmo ele dizendo-me que não é "petista de carteirinha". A ele não disse o que exponho aqui neste artigo.

Leitor, uma das funções mais nobres da imprensa é exatamente informar o cidadão sobre o que fazem os que são eleitos para administrar o dinheiro de todos os contribuintes. "Bater no governo", expressão utilizada por um expressivo grupo de evangélico-petistas e até mesmo por apenas petistas é uma reação asquerosa.

Queriam esses "companheiros" que a imprensa não noticiasse crimes cometidos nos governos de Lula e da ex-guerrilheira Dilma Rousseff? Imprensa que os petistas adoravam quando estavam na oposição?

Vi neste final de semana dois vídeos. Num, o ex-sindicalista Lula faz a louvação do Bolsa Família. Noutro, mais antigo, ele condena a distribuição de cestas básicas dizendo que nada mais era do que compra de votos.

Quando um grupo como este quer usar o Estado como um enorme "sindicatão" do crime eternamente, o país inteiro está doente. Essa turma já cometeu delitos demais para ainda estar comandando esta nação.

Tem tem a cara de pau esses evangélico-petistas em querer que a gente levante corrupção no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando temos mais de uma década de crimes cometidos nas administrações do PT.

Seria antijornalismo se eu fosse atrás de irregularidades na época de FHC se o PT e sua turma expõe um escândalo a cada dia. Ou melhor, a cada hora.

Sobre o "bater no governo" a que o meu amigo petista referiu-se, trata-se apenas do exercício de um vital segmento profissional. Exatamente aquele dá ao cidadão as informações que ele precisa sobre, no caso, quem rouba o dinheiro que deveria ir para segurança, saúde, educação etc. E a respeito de todos os poderes da República.

O olhar de desconfiança dos jornalistas e meios de comunicação dever recair sobre todos os governos, independentemente a qual partido pertença. Sempre haverá ali gente disposta a roubar muito. E o PT passou de todas as medidas já vistas até agora. Como diz o ex-sindicalista Lula, "como nunca antes na história deste país".

PS: Se Lula é ex-sindicalista, não precisa nem dizer de que lado estão os sindicatos de jornalistas do país.


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