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Valdeci

Valdeci



* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.POLÍTICA. Jornalista da área de política com atuação em jornais, rádios, assessorias de imprensa e produção de TV. Já trabalhou para "O Popular", de Goiânia, e para "Correio Braziliense", "Jornal de Brasília" e "JB". Foi repórter de rádios como "CBN", "BandNews FM" e "Jovem Pan", em Brasília, e noticiarista das rádios "Araguaia FM", "Executiva FM", "Anhaguera AM" e "Terra FM", de Goiânia.



27/02/2015 00h14

Brasília, um mau exemplo completo
Valdeci Rodrigues

Brasília decepciona de forma completa: tanto nacionalmente, com o governo federal, quanto como uma unidade da federação. Tratarei neste artigo apenas de uma deficiência que atinge também os 26 Estados e o Distrito Federal: transporte coletivo. Não citarei uma possível exceção porque não conheço.

Não faz muito tempo, o problema crônico passou a ser denominado de "mobilidade urbana". Nesta questão, a capital do país é uma decepção total. Estou usando este tipo de transporte e posso dizer ainda com mais conhecimento de causa --- já que sou passageiro cotidiano do sistema.

Novidade? Nenhuma. As deficiências são as mesmas desde que quando aqui cheguei há 23 anos. Inclusive já fui assessor de imprensa da Secretaria de Transportes do governo local, conhecido aqui pela sigla GDF. Vi a situação por dentro.

Como repórter de cidades lá nos anos 1990 já fiz várias reportagens sobre o assunto. Incluindo aí matérias sobre a quantidade de carros em circulação na capital do país. No século passado já iniciei textos informando que toda a população do Distrito Federal poderia deixar a cidade usando os carros particulares registrados aqui.

Neste caso, era uma forma de ilustrar a quantidade de automóveis em relação ao número de habitantes. Atualmente o Distrito Federal tem quase três milhões de moradores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) --- dados de agosto do ano passado --- o número exato referente a 1º de julho era 2.852.372, de acordo com reportagem do Correio Braziliense em agosto de 2014.

Brasília vive uma situação inadmissível em qualquer lugar. Poucos ônibus, veículos sucateados, horários despeitados, motorista que não param na parada (ponto) etc. Um caos. Ainda para completar a ideia disseminada num bordão: "Aqui, só de carro". 

Se em algumas outras capitais há pessoas que sentem vergonha de andar de ônibus, em Brasília então... Um motorista ou cobrador por exemplo --- já constatei isso pessoalmente --- trata qualquer passageiro com desdém.

É um tratamento que parte do princípio equivocadíssimo de que quem anda de ônibus é desvalido e um ser qualquer que não merece respeito. Existem as exceções de sempre, claro. Eu mesmo já pedi informação a um motorista enquanto ele descia do veículo e registrei um comportamento aparentemente inexplicável.

No caso que estou citando --- repito envolvendo-me como passageiro --- o motorista encarou-me e simplesmente não deu nenhuma resposta. Isso é leveza diante do que presenciei com outras pessoas e dos relatos que obtenho praticamente todos os dias.

Então, até onde a vista alcança nada mudará. Uma capital como Brasília, com amplas avenidas, enfrenta enormes engarrafamentos. Já observei em várias situações assim, que em cada carro há apenas o motorista.

O cidadão que tem condições de pressionar o poder público para solucionar a questão, tem vergonha de andar em transporte coletivo. Nos casos observados por mim, uma enorme fila de carros não teria gente para encher um ônibus!!!

Não há nenhum estímulo ao transporte de massa. Mas existem facilidades para se adquirir um carro. Não faz muito tempo eu e outro colega também jornalista esperamos ônibus na Rodoviária do Plano Piloto. Simplesmente os três últimos carros que deveriam sair dali naquela noite para o nosso destino não apareceram. 

Esperamos já de propósito até o fim. Fomos para casa de táxi. E nada aconteceu. Nada acontecerá. Outros passageiros reuniram-sem em grupos para chegar em seus lares também de táxi. Casos assim são corriqueiros na capital do país. 

Tudo que há de deficiência em serviços públicos em todo o território nacional existe também onde estão instalados os três Poderes da República.  É uma avacalhação geral e irrestrita!!! E não começou agora!!! Infelizmente não existe nenhum sinal de mudança no horizonte.


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07/02/2015 19h35

Dilma, um poste na Presidência da República
Valdeci Rodrigues

Está feito. O ex-sindicalista e ex-presidente Lula elegeu um poste duas vezes. E agora, Brasil? Temos uma haste de ferro na Presidência da República. Por ironia (?) ainda sem luz! O país está envolto no maior escândalo de corrupção da sua história. Acredite quem quiser que Dilma Rousseff e Lula são inocentes neste repugnante caso da Petrobras.

Se fossem inocentes não deveriam sequer ter ocupado cargo nenhum na administração pública. A presidente reeleita está paralisada. Dá sinais de que não sabe ao menos o que dizer sem o roteiro de seu marqueteiro. Não se governa com propaganda eleitoral.

Os brasileiros, enganados, pagam a conta pelos desgovernos dos "companheiros" com seus aliados --- gente do quilate de José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor... ---, mais sua própria turma sedenta pelo fácil enriquecimento com dinheiro surrupiado do contribuinte.

Há "companheiros" que acreditam que tudo não passa de campanha de uma "mídia" de direita, blá-blá-blá... O Brasil está sem rumo há muito tempo. O PT já provou e comprovou sua verdadeira natureza. E a de sua estrela maior, o ex-sindicalista Lula. Ele escolheu Dilma para que ninguém fizesse sombra à sua popularidade.

Mas os tais avanços sociais estão neutralizados --- em termos de gastos --- com o roubo desenfreado dos cofres públicos. Não foi à toa que escrevi em novembro do ano passado um artigo com o título: "Brasil, feliz 2019!". A menos que esta mulher seja apeada do governo. Motivos não faltam!!!

Não se trata de golpe. Seria apenas e tão-somente a aplicação das leis já existentes. Elas são mais do que suficientes para condenar essa turma, incluindo aí o ex-presidente Lula.

Em tempo: eu não pertenço, não milito, não sou filiado a partido nenhum. Era chamado de petista no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso por causa das críticas que fazia. Tomei esta decisão de não ter militância político-partidária praticamente no mesmo momento em que optei por ser jornalista. 


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03/02/2015 05h11

Câmara dos Deputados independente? Será?
Valdeci Rodrigues

A promessa do novo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de transformar a Casa Legislativa num poder independente será cumprida? Ou apenas valorizará o já famoso toma-lá-dá-cá que impera no Congresso Nacional?

Tenho motivos para duvidar que, finalmente, ao menos uma parte do Legislativo --- a que reúne 513 deputados eleitos diretamente pelo povo --- finalmente transforme-se no que deveria ser por definição constitucional. Tanto na independência como na harmonia com os outros dois poderes: Executivo e Judiciário.

Eduardo Cunha faz parte de um grupo dentro do PMDB que não aceita seguir cegamente o que determina o governo da presidente Dilma Rousseff. A legenda é uma das consideradas como integrante da base de sustentação à administração tanto da petista grosseira quanto do demagogo político Lula, seu criador.

Pelo histórico de adesões a governos --- seja em parte ou na totalidade ---, mais o fisiologismo partidário também deste partido, é difícil de acreditar. A própria história de Eduardo Cunha tem características que sustentam minha dúvida. Uma legenda que ainda já teve noutros governos partes governistas e oposicionistas. Um exemplo atual, está no grupo que orbita em torno do presidente reeleito do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Nesta segunda-feira, 2, Eduardo Cunha, com um histórico de confrontos com o Poder Executivo como líder da bancada peemedebista, repetiu o compromisso. Reafirmou que conduzirá a Casa parlamentar de forma independente, mas de maneira harmônica com o governo, algo que, repito, está na Constituição.

Esperar para ver se esta postura não será apenas a valorização da venda de apoio --- nunca para beneficiar o país --- sacramentada na expressão "toma-lá-dá-cá". Motivos para minha desconfiança não faltam, já que, inclusive, uma das funções da Câmara e do Senado é fiscalizar ações do Poder Executivo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem registradas 32 siglas partidárias. Simplesmente uma avacalhação do que deveria ser a tal democracia brasileira. Eduardo Cunha já andou falando em colocar na pauta de votações a sempre adiada reforma política.

Dificilmente um partido votaria a favor de leis que prejudicam sua própria existência. Sem contar que a barafunda vai muito além disso. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-petista, colocou o PMDB no mesma condição do PT, dentro da avaliação da senadora e ex-ministra Marta Suplicy, ainda no PT de São Paulo.

O senador afirmou que a exemplo do que Marta Suplicy afirmou recentemente, se o PMDB modificar-se a legenda também deixará de existir. O motivo? Tamanho compromisso e identificação, e seus devidos benefícios, com o fisiologismo que desmoraliza a atividade político-partidária em todo o país.


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31/01/2015 10h12

Querem jogar a culpa toda em São Pedro!
Valdeci Rodrigues

Crise hídrica. Choveu menos. Tarifas nas alturas. "Conta de água no DF tem a maior alta em 10 anos" é a manchete do Correio Braziliense deste sábado, 31.  Apagões existem desde os governos do tucano FHC. Mas os dos "companheiros" do PT planejaram obras que poderiam amenizar a crise no fornecimento de energia elétrica em uma década?

Claro que não. Até agora há pouco na campanha, Dilma Rousseff garantia nos palanques que não haveria o risco de desabastecimento. Claro, a repercussão foi maior a partir da situação em São Paulo. Vêm os "companheiros" criticando a administração do Estado, nas mãos dos tucanos.

Vira uma  guerrinha política que turva a compreensão do problema para a esmagadora maioria da população. E vindo de um partido que criticava e fazia protestos sem limites ao governo federal tucano na década passada. Também pudera! Ocupados agora com a roubalheira sem freios...

Petistas buscam dados do governo FHC para "justificar" as bandalheiras da "companheirada". Abriram um rombo nas contas públicas, detonaram tudo. Dilma Rousseff ainda fica tentando encontrar motivos para a má administração petista até colocando culpa em crise externa, blábláblá...

Sem ter como explicar o afundamento do país, a presidente sequer dá entrevista. Não teria como explicar as mentiras na campanha eleitoral desmentidas logo depois de sua reeleição. Deve estar gastando sua energia para fugir de suas próprias responsabilidades no maior escândalo de corrupção da história, o petrolão.

No caso do Nordeste, acompanho a situação de seca desde que me entendo como gente. Nem o governo dos "companheiros" --- o tal "governo popular" para os pobres --- tentou resolver a situação. A roubalheira de recursos destinados para resolver a questão para os miseráveis continuou mesmo sob a estrela vermelha e que brilha pro lado de gente como gente o ditador Fidel Castro.

Agora que a seca provoca falta de energia em Estados nobres como São Paulo e Minas Gerais, é um deus-nos-acuda. Algo normal no comportamento humano. O mundo revoltou-se contra o assassinato de 12 pessoas no jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. Dezenas de milhares de negros morreram no norte da Nigéria pelas mãos também  de terroristas que seguem o Islã.

Até meninas de dez anos foram usadas como terroristas suicidas pelo Boko Haram. E na mesma ocasião do terror em Paris. Pode até aparecer alguém argumentando que no caso da França foi uma agressão à liberdade de imprensa e expressão. Nem preciso agregar aqui mais argumentos...

A morte num bairro nobre sensibiliza mais do que a mortandade numa favela. Quem tem poder de mobilização identifica-se com vítimas semelhantes com consigo mesmo. Ponto. É da natureza humana. Mas há tanta coisa da "natureza humana" que mudamos, não é?

Agora, se vacilarmos o governo federal jogará a culpa toda na natureza, em São Pedro. Quanto cinismo!!! Ainda mais que na "guerrinha" entra o governo tucano de São Paulo e ex-governos do PSDB de Minas Gerais. Incluindo aí o candidato derrotado por Dilma Rousseff, senador Aécio Neves.

Bom lembrar que a própria Minas Gerais bacana tem áreas semelhantes às paupérrimas do Nordeste que nunca sensibilizaram ninguém! Hoje temos de engolir não só as explicações esfarrapadas como pagar o preço pelos desgovernos --- especialmente nos últimos 12 anos.

Não é à toa que os petistas sonham com "controle social da mídia". Melhor e mais coerente com as supostas origens do partido de Lula que se preocupassem com o "controle social dos gastos públicos"!.


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29/01/2015 09h12

Malabarismo do PT fere a lógica
Valdeci Rodrigues

Fico aqui a imaginar o que essa turma do "Partido dos Trabalhadores" e seus aliados não ficam tramando para tentar violentar a lógica. Para que Lula e Dilma não soubessem do roubo na Petrobras, os dois teriam de estar num nível de idiotice incompatível com a administração de um botequim de periferia.

Ao contrário da presidente Dilma Rousseff, já ouvi inúmeras vezes Lula ser classificado como "gênio" da política. Para mim, ele tem "genialidade" para a malandragem. Tanto que descobriu logo cedo como ganhar a vida só na conversa dentro do sindicalismo.

Ambição do ex-presidente foi tamanha que o homem sequer quis frequentar uma escola formal para não ser discriminado --- há quem acredite que tenha sido já uma jogada. Não vejo assim. Enxergo ambição exacerbada, como pôde ser vista quando o ex-sindicalista chegou ao Palácio do Planalto.

Ele tem o dom de emocionar pessoas, embora seja um oceano de contradições em palavras e raciocínios. Ao escolher sua sucessora, uma suposta e competente gerente, o ex-sindicalista quis, óbvio, continuar mandando e ganhando dinheiro junto com seus "companheiros".

Um indivíduo com este elevado grau na "arte" de enganar desconhecer esquemas como mensalão e petrolão é impensável. Mesmo um monumento à grosseria como Dilma Rousseff não conheceria os meandros do petismo? Igualmente inconcebível.

No caso de Pasadena, nos EUA, há assinatura ex-ministra de Minas e Energia e ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff num parecer. Se não leu ou deixou-se enganar --- mesmo assim --- tem responsabilidade, pois ela era presidente do Conselho Administrativo da empresa estatal. Um comportamento inaceitável num roubo de milhões e milhões da companhia.

O rombo já é estimado em R$ 88,6 bilhões. Que adianta Bolsa Família numa mão e um assalto dessa magnitude na outra? Os "companheiros" são insaciáveis. Saíram do mensalão, com cabeças coroadas do petismo na cadeia, já tendo engatado um esquema de roubalheira ainda maior.

E por falar nisso, um procurador da República, Hélio Telho, em Goiás, já afirmou que a corrupção no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), supera em mais sete vezes o esquema montado na Petrobras.

Os petistas só obtiveram sucesso nessa empreitada por contar com apoio de outros ladrões de dinheiro público e com todos os profissionais dos protestos. Gente de sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais, União Nacional dos Estudantes (UNE), e até intelectuais --- mas há intelectualidade para justificar qualquer tipo de malandragem.

O resultado não poderia ser outro. O país naufraga sem que os profissionais das manifestações reajam. Eles também recebem lá seus "benefícios". Sem contar a "elite" que o PT adora atacar. Pessoas desse grupo são contempladas, claro, a exemplo dos banqueiros e empreiteiros.

Aos miseráveis restam a retórica e a esmola do Estado. O que realmente deveria funcionar não atende os interesses do país --- educação, saúde, segurança, infraestrutura, mobilidade urbana etc. etc. etc. Mas um dia a "casa cai". Quem sabe o petrolão não engata-se no mensalão e mais outros escândalos que virão por aí? E a Justiça funcione mesmo com um Supremo Tribunal Federal (STF) "politizado"?

Então essa turma do ex-sindicalista Lula não terá sequer como justificar sua tais políticas sociais fazendo comparação com os governos de Fernando Henrique Cardoso, há mais de uma de uma década. Bom lembrar que esta polarização ajuda a esconder muita coisa, especialmente para quem tem predisposição a apoiar o dito "governo popular".

Como Lula aliou-se a José Sarney, Fernando Collor de Mello e adjacências, a mira só poderia ser mesmo nos tucanos. Então temos de suportar os argumentos dos "companheiros" fazendo comparações com FHC e seus escândalos --- como se uma roubalheira justificasse outra ainda maior.

Com esse excesso de partidos e interesses em jogo, não há luz no fim do túnel. A menos que a população tome as ruas, livrando-se dos baderneiros e da liderança de qualquer legenda. Ao menos a sombra de um partido político por perto já faz muita gente repugnar-se com o reduzido argumento: "Odeio política"!

 

É Brasil, está complicada tua situação!!! Em tempo: atualmente milhares de pessoas tomam as ruas por causa do aumento na passagem de ônibus. É uma questão mais fácil de entender do que a "engenharia" do crime de colarinho branco que saqueia os mais de 200 milhões de brasileiros de uma vez só.

Assalto coletivo que provoca muitas mortes --- nas estradas, no roubo comum, nos hospitais... E o aumento no número de miseráveis que fazem girar a roda da violência. Mas os bacanas "trabalhadores" do PT preferem virar elite no pior sentido do termo.


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28/01/2015 06h58

Que é isso, "companheira" Dilma?
Valdeci Rodrigues

A presidente Dilma Rousseff demonstra mais uma vez que quer enganar o país inteiro apenas com palavras, mesmo diante de suas próprias contradições. Para ter coragem de dizer o que afirmou em discurso na reunião ministerial nesta terça-feira 27, só pode.

Aliás, ao ler o pronunciamento, ela própria não parecia convicta do que estava falando. Mas ao menos foi coerente com a postura dos "companheiros" num ponto: o de que a culpa pelas notícias ruins no país é do trabalho dos adversários --- incluindo aí os meios de comunicação, principalmente.

Já que não pode responsabilizar nenhum antecessor pelos descalabros administrativos e pela desenfreada roubalheira dos cofres públicos nos 12 anos de governos petistas, conclamou os 39 (!) ministros para travar uma batalha na comunicação. Isso, depois de ela própria ficar sumida por quase um mês.

Tendo de arrastar um governo perdulário por mais quatro anos, a "companheira" quer resolver a questões da nação colocando seus ministros para comunicar, ocupar espaços na imprensa. Mas para apresentar o quê?

Existem palavras que podem substituir os fatos negativos de seu primeiro mandato? Ou dos dois mandatos do seu criador, o ex-presidente e ex-sindicalista Lula? Há oratória, dados, para neutralizar os resultados da última operação da Polícia Federal, no caso do assalto à Petrobras, por exemplo?

Existem indicadores suficientes para se contraporem a uma realidade cotidiana que desmente seu discurso? Por acaso, o aumento de impostos, os rombos nas contas públicas, a má gestão, o fisiologismo, a enganação dos "companheiros" em mais de uma década é culpa da oposição, da imprensa?

Junto com a indignação diante da corrupção cotidiana e implacável que surrupia os recursos públicos, ainda temos de conviver com descaramentos desta magnitude. De cara com uma presidente da República que ainda tem a coragem de dizer nada mudou entre as promessas de campanha e a realidade de seu segundo mandato.

Um exemplo do que a "companheira" e seus cúmplices consideram como oposição da mídia está no título da reportagem do Correio Braziliense desta quarta-feira 28: "Palanque em defesa do arrocho e da Petrobras". Aliás, sobre o petrolão, Dilma saiu-se com o suprassumo do cinismo.

Envolta no maior escândalo de corrupção do país --- ainda em fase de investigação pela Polícia Federal, não pela imprensa ---, ela disse que é preciso punir pessoas e não destruir a empresa. Mas quem é mesmo que detonou a estatal?

O descaramento da presidente só confirma o que prevemos: mais quatro anos de mandato com a descoberta de novos escândalos de corrupção. Um tempo arrastado para seu governo se equilibrar entre a enganação, as negociatas com os políticos profissionais de sua base aliada, para...

Enfim, dar continuidade ao enriquecimento ilícito de um pequeno grupo de pessoas aboletadas na administração pública da União, dos Estados e dos municípios. Junto com isso, a tentativa de "controlar" os meios de comunicação.

Em tempo: não cito aqui nenhum partido de oposição, muito menos governos passados porque depois de 12 anos não há mais desculpa para a "companheirada", que já mostrou inúmeras vezes que "faz o diabo" para manter-se no poder e com cada um levando seu quinhão do bolo do dinheiro do contribuinte.

Também nem preciso dizer aqui sobre o que falta em todo o país como resultado desta corrupção generalizada. Só não enxerga quem não quer, faz parte da turma que se deixa enganar ou parceiros na empreitada --- sindicatos, centrais sindicais, "movimentos sociais", etc. etc. etc.


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21/01/2015 17h51

Estelionato eleitoral e governamental
Valdeci Rodrigues

A oposição tem razão em denominar de estelionato eleitoral a eleição de Dilma Rousseff (PT) para um segundo mandato? Sim, tem. A realidade está aí no noticiário para provar. Medidas que a candidata petista à reeleição jurou que quem as adotaria seria seu adversário, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), estão sendo anunciadas.

Mas um estelionato é resultado de outro, o do primeiro mandato. O país continuou naufragando-se por causa do desgoverno da "companheira" e de seus "companheiros", sejam petistas ou não. Aqui entram aliados de outros partidos. Mas todos, na verdade, para dar "sustentação" aos desmandos e aos roubos na administração pública.

Foco no PT porque é o partido que sofreu a maior transmutação da história deste país --- parafraseando a estrela maior do petismo, o ex-sindicalista e ex-presidente Lula. Em sua megalomania ele só não acrescentou que é também responsável, junto com sua legenda, pelos maiores casos de corrupção já vistos no Brasil.

Impressionante. Não se ouve um pio sobre contenção de despesas. Em algum tipo de compromisso para diminuir os gastos públicos, recursos esbanjados de todas as maneiras que se possa imaginar --- não apenas por conta do roubo puro e simples, com a sofisticada nomenclatura que o camufla em nomes de leis que sequer são aplicadas para valer.

Com os sucessivos rombos no erário, convoca-se o contribuinte para pagar mais impostos. As explicações nunca chegam ao entendimento do comum dos mortais, como manutenção do superávit primário --- apenas a economia para pagar juros de uma dívida pública monstruosa. E que cresce ininterruptamente.

A explicação para esta situação em que o país vive, com as carências de sempre --- sejam em segurança, educação e saúde --- é de uma simplicidade cavalar.  Quem poderia fiscalizar e impedir os desmandos beneficia-se deles também, ressalvadas as exceções de sempre.

O exemplo mais gritante disso é o Congresso Nacional. Um poder que deveria ser independente e tem como atribuição também fiscalizar o governo, com representantes eleitos diretamente pelo povo, é um anexo do Palácio do Planalto.

Igualmente sublinhando sobre as exceções, os 594 parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado têm interesses que não coincidem com o que a população realmente precisa. E cada um cuida de melhorar sua própria vida e a existência dos que se lhe são próximos. Além, claro, de agir sob comando de lobbies (grupos de pressão) que o cidadão comum desconhece.

Bagunçou? A conta não fechou? Passa-se a fatura aos mais de 200 milhões de brasileiros na forma de mais impostos. O Estado não presta os serviços que deveria prestar? Nada acontece. Os órgãos de fiscalização são ocupados por gente da mesma turma de privilegiados numa nação com número significativo de miseráveis. E, crueldade suprema: quem mais sofre são exatamente os que menos, pouco ou nada têm.

Não é à toa, leitor, que o número de partidos só cresce, aumentando ainda mais o rombo nas contas públicas. É um negócio lucrativo. Pode ser ilustrado pela quantidade de ministros de Estado. Eram 15 com Fernando Collor, em 1990 (hoje aliado do PT); 27 com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1995; 32 no governo de Lula.

A "companheira" Dilma Rousseff começou seu primeiro mandato em 2011 com 37 ministros, número que subiu para 39. Essa quantidade é para melhorar a administração do país? Não, claro que não. Tem a finalidade de acomodar "aliados" no primeiro escalão.

Estão todos ali porque desejam o bem comum do Brasil? Acho que não preciso responder... Aí, na parte que "suga" o dinheiro público ninguém aparece para mexer. Sem a reação das ruas, teremos mais quatro anos de pura embromação dos "companheiros" forjados na história do "nós" contra "eles". Risível se não fosse uma grande tragédia.

Não entro nesta história de comparar casos de corrupção nos 12 anos de governos do PT com governos  comandados por outras legendas. Um crime não justifica outro. Nem preciso buscar casos acontecidos há mais de uma década diante de escândalos surgindo em sequência, cotidianamente, como no caso do assalto aos cofres da Petrobras.

PS: Enquanto escrevo este texto leio reclamações de políticos da oposição sobre o sumiço da presidente Dilma Rousseff há mais de 30 dias. Ela não havia aparecido até esta quarta-feira 20 para falar sobre as mentiras ditas durante sua campanha. Nem para explicar o recente apagão no país. 


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17/01/2015 15h51

Minha difícil convivência com a hipocrisia
Valdeci Rodrigues

Faz muito tempo que tenho o hábito de brincar com amigas e colegas na hora dos três beijinhos no rosto.

--- Vamos para os nossos três segundos de falsidade! --- digo rindo e com alma toda aberta.

Quase todas elas entendem a chacota. Divertem-se junto comigo. Houve um caso de uma que chegou para mim e afirmou:

--- Companheiro, vamos para os nossos três minutos de falsidade!

Igualmente, rindo muito, respondi-lhe:

--- Companheira, são apenas três segundos!!! Três minutos já são matrimônio!!!

Motivo para novas gargalhadas. Mas já soube que há pessoas que consideram um absurdo a pilhéria. Claro, nada é unânime. Mas o curioso é que se trata de gente que convive tranquilamente com o fingimento no dia-a-dia de forma séria e normal.

O estranhamento tem um motivo verdadeiro. A hipocrisia é de fundamental importância para a vida em sociedade. Sem sua existência sequer haveria a civilização. Franqueza dói, machuca e é confundida rapidamente com grosseria. A troça que faço tem origem aí. Brinco porque a falsidade é séria!!! Senão, graça nenhuma haveria.

Por volta dos 20 anos de idade, iniciei um doloroso processo de autotransformação muito pesado. "Autodidata" na área de psicologia, cismei em transformar um Valdeci em outro. O primeiro --- que ainda carrego comigo, claro --- era um indivíduo de uma timidez paralisante. Tinha autoestima enterrada a sete palmos.

Tudo resultado de uma infância extremamente traumática. Houve momentos em que achei que não conseguiria finalizar a empreitada. Mas toda vez que ouvia zombaria de psicólogos nas mesas dos bares que frequentava, minha determinação era aumentada. Pensava:

--- Ridicularizarão os casos que quiserem, menos o meu!!!

Trato aqui da hipocrisia porque foi a última decisão que tomei no meu processo de autotransformação aos 20 anos.

--- Serei verdadeiro ou serei falso? --- questionava-me.

Decidi então que manteria a franqueza. Havia observado com ares de estudioso durante um bom tempo o comportamento das pessoas. Casos simples do cotidiano. Como alguém receber uma pessoa cheia de mesuras e manifestações de afeto. E, logo depois, comentar:

--- Aff!!!, não a suporto!!!

Há 15 anos bati com a cara num muro intransponível. Tive de recomeçar o processo de autotransformação de meu temperamento. Descobri, pagando um preço elevadíssimo, que não basta ser eficiente e trabalhar bem. É preciso uma boa dose de hipocrisia e de... bajulação!!!

Ao reavaliar meu nível de franqueza, dei destaque especial ao puxa-saquismo.  Passei a enxergar com mais clareza seu valor. A bajulação é tão valorosa que suplanta a competência. Quem é lisonjeado desta maneira sente um prazer mais prolongado e intenso. Satisfação maior que orgasmo, droga, álcool, rock and roll...

Trata-se de uma carícia enorme no ego. Em todos os ramos de atividade, encontraremos gente menos competente na frente por causa da bajulação. No meu caso, desde o ano 2000, revejo onde posso mudar-me.

Trabalho ainda em alterações comportamentais que não atinjam minha essência, de onde brota toda a minha energia. Flexibilizo-me. Por exemplo: antes via uma amiga com uma roupa bonita e nada dizia. Hoje, comento porque não estou mentindo. Ela fica feliz e enxerga-me com olhos de maior simpatia.

Igualmente, passei a tratar meus superiores da mesma maneira que sempre tratei as pessoas humildes. Antes, se um chefe não tomasse a iniciativa de conversar comigo eu ficava calado no meu canto. Tinha receio de ser interpretado como puxa-saco.  Hoje cumprimento-o como sempre fiz com os mais humildes --- faxineiros, porteiros etc.

Mas apesar desta autotransformação, ainda tenho o maior cuidado para que minhas reações não sejam confundidas com bajulação. Igualmente uso a hipocrisia no menor nível possível. Antes da boa convivência com os outros, preciso estar em perfeita sintonia comigo mesmo.

Nestes últimos quinze anos, descobri margens de manobra comportamentais. Ser mais "diplomático" sem violentar meu temperamento, nem minha sinceridade. Um equilíbrio nada fácil de se conseguir!

Mas se assim é a vida --- e eu decidi continuar com menos atropelos ---,  venho a cada dia tornando-me uma pessoa mais compreensível e melhor. Estou muito longe da falsidade generalizada, e nem quero chegar até este ponto. Muito menos atingir a classificação de bajulador. 


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14/01/2015 02h34

Sexo é humilhação?
Valdeci Rodrigues

É impressionante o elo que as pessoas criam entre sexo e humilhação. No reino dos ditos palavrões entram expressões que contrariam a lógica. Frases que detonam o mais simples raciocínio, as mais simplórias idéias, ligando relações sexuais --- prazer maior da raça humana --- para retratar situações pejorativas e de dominação.

Exemplos: "Vá tomar no c...", "f...-se", "ficar de quatro", "comer o seu c...", "pagar um b..." etc. etc.  Sem contar alusões à sexualidade para demonstrar irreverência, provocação. É o caso de músicas que indivíduos colocam a todo volume em carros para circular em ruas de bairros. "Canções" que usam os termos crus das genitálias masculina e feminina. E também da cópula.

São ditos que atingem tanto homens quanto mulheres. Que a libido remete-nos e nivela-nos ao nosso estado animalesco, não há dúvidas. Nenhum coito teria tanta excitação se usássemos vocábulos mais refinados. Não haveria graça nenhuma.  Outra contradição: mulheres que gostam exatamente do que homens adoram são tachadas de "vadias", "piranhas", "vagabundas"...

Tanto que há frases consagradas --- "entre quatro paredes vale tudo"... --- e até mulheres que dizem "sou uma dama na sociedade e uma prostituta na cama". Outra ligação que violenta a lógica e repassa uma ideia errada do comércio sexual. Mas...

Quem realmente "toma no c..." sente prazer por ter no ânus uma zona erógena turbinadíssima.  É o caso de quem é "f...", "comido". Um dos motivos desta conexão entre situações orgásticas e dominação e situações humilhantes está, inconsciente, na cabeça dos machos.

Os homens não se sentem senhores de si diante das mulheres. A atração é forte demais. A explicação está nos mecanismos de preservação da espécie presentes no ser humano. Há então um "desejo" de vingança --- também inconscientemente ---  manifestado na maneira de os machos encararem o que os "perturbam".

Especialmente em reações cerebrais diante de uma fêmea. Basta ser uma mulher atraente para bloquear outras atividades em seus cérebros. Tratando-se de atrações homossexuais aí, então, é um deus-nos-acuda. Provoca até assassinatos.

Isso a ciência já explica há muito tempo. Entre milhares de depoimentos de mulheres que já ouvi, destaco o caso de uma professora universitária. Ela tem uma fantasia comum também entre mulheres de todos os níveis: "ser prostituta por um dia". Resposta da mestra, de mais de 40 anos, quando lhe expliquei como é o trabalho das profissionais do sexo: "Quero isso mais não!"

Porém, os radicais islâmicos terroristas fizeram-me expor na minha página no Facebook imagens que eu não usaria. Charges que não aprecio foram publicadas por mim também. No meu caso, estou irmanado com cidadãos do mundo inteiro na defesa de algo muito mais importante: a liberdade de expressão e de pensamento.

Meus princípios nesta questão motivaram-me a postar charges do jornal satírico francês Charlie Hebdo. São desenhos que não curto e não me fazem rir. Porém, para combater o terror, considero que fiz uma exceção mínima na minha maneira de pensar e de agir.



11/01/2015 13h18

Charlie Hebdo: sim, a indignação é seletiva
Valdeci Rodrigues

O indefensável ato terrorista em Paris, contra o jornal satírico Charlie Hebdo, na quarta-feira, 7, mostra, mais uma vez, que a indignação é seletiva. Enquanto no mundo inteiro há manifestações contra o que houve na França, pouco se fala sobre o terror na Nigéria, país mais populoso da África. O argumento para a seletividade pode ser ataque a um valor do mundo civilizado, a liberdade de expressão. Mas antes disso não vem a própria vida?

Neste sábado, 9, uma menina aparentando ter dez anos de idade, foi usada para um atentado à bomba num mercado movimentado, na cidade de Maiduguri. Ao menos 20 pessoas morreram. Cerca de 20 ficaram feridas. O grupo extremista islâmico Boko Haram tem como uma de suas características usar crianças e mulheres em seus ataques.

Peguei este caso africano como comparação porque a menina-bomba explodiu um estabelecimento comercial enquanto o mundo inteiro comove-se --- com razão --- voltado-se para a França. E também porque se trata de muçulmanos assassinos. O confronto com as forças de segurança e os jihadistas já dura cinco anos, mas o Boko Haram ataca a população civil. De acordo com a Anistia Internacional, os mortos apenas nos últimos cinco dias chegam a dois mil.

A seletividade da indignação não se trata de quantidade de vítimas, nem se um país está em guerra ou não. Em São Paulo, quando pai e madrasta jogaram a filha dele, Isabela Nardoni, de cinco anos idade, pela janela do apartamento, em 2008, houve ampla e acertada cobertura dos meios de comunicação. Na mesma época, a Folha de S. Paulo fez matéria mostrando o caso uma criança mais ou menos da mesma idade de Isabela. A própria mãe é suspeita de assassiná-la, mas o caso não passou da ocorrência policial porque o crime aconteceu numa favela.

A seletividade nas reações é uma característica desumana das pessoas. O indivíduo reage, indigna-se, revolta-se quando a pessoa atingida --- mesmo desconhecida --- parece-se com ele. Ou esteja num grupo social considerado mais "elevado".  No caso de Paris então...

Não estou querendo criticar aqui a revolta mundial pelo que aconteceu na capital da França --- o que igualmente me atinge. Meu propósito é apenas chamar a atenção para a diferença de tratamento dado a vítimas do terror ou de crimes isolados. E lembrar que até nestes casos, a comoção é regida por questões sociais também.

Já presenciei dezenas de casos de pessoas entristecidas por causa de uma tragédia com gente famosa. Mesmos indivíduos que não se importam com casos semelhantes que acontecem todos os dias bem próximos deles. Chega a ser chocante!!!

A igualdade também na defesa dos valores que cultivamos está no campo dos sonhos de poucos. Mas --- isso não serve como consolo --- o ser humano é assim. Por isso temos pessoas cultas e letradas que não se importam com o analfabetismo de suas empregadas domésticas. E gente bem alimentada que sequer pensa nos que passam fome todos os dias...

Não é à toa que o então presidente Lula cometeu uma gafe ao visitar a Namíbia, em 2003. "Estou muito surpreso, porque quem chega a Windhoek não parece que está num país africano. Acho que poucas cidades do mundo são tão limpas e bonitas arquitetonicamente quanto esta cidade. E (poucas cidades têm) um povo tão extraordinário como (a capital da Namíbia) tem", disse Lula, surpreendendo a platéia que o ouvia na State House, sede do governo local.

A África tem países desenvolvidos e nações paupérrimas com imagens de miséria e guerras que chocam o mundo continuadamente. E são elas que moldaram a imagem do continente inteiro. O que inclui o caso da Nigéria.

 Je Suis Charlie



08/01/2015 18h02

Não gosto do Charlie Hebdo
Valdeci Rodrigues

Eu não gosto do jornal satírico francês Charlie Hebdo. A maioria de suas charges não é do meu agrado. Nem preciso dizer por que neste artigo. Se não aprecio, não compraria, não veria, não leria. Simples assim. O problema está no fanatismo. Ou melhor, num tipo de manifestação ou reação do fanático, seja religioso ou não.

Obviamente que esses psicopatas que promoveram o terror na França não raciocinam. O fanático não pensa, adere cegamente a uma ideia. Mas apenas isso não o leva ao assassinato, ao terrorismo. Se pensasse, sairia desse aprisionamento mental. Cultivaria outros valores e acabaria considerando sagrada a vida --- tanto a dele quanto a dos outros.

Perceberia ainda que sagrado mesmo é o direito ao livre pensar, à liberdade de existir. Bastam alguns básicos códigos de conduta para a convivência pacífica em sociedade. Daí a existência das leis. As nações ditas civilizadas as têm, inclusive, para garantir a liberdade de imprensa e de expressão.

Fanáticos que precisam que os outros considerem sagrados o que eles veneram são dementes. Nem por isso, estão livres de pagarem pelos seus crimes. Somente a demência explicaria este tipo de completa idiotice. As charges que eles queriam banir estão sendo agora publicadas não apenas no Charlie Hebdo. Apareceram em publicações no mundo inteiro. O próprio jornal, que tinha tiragem de 60 mil, passará a ter a impressão de um milhão de exemplares.

Claro que se são dementes, igualmente não percebem algo simples quando se reflete. O humor é uma enorme válvula de escape para a discordância. Com a vantagem de que a divergência morre cada dia ali mesmo, sugada pelas risadas, gargalhadas.

Também não há como esconder que a pilhéria, a galhofa, a gozação, a zombaria ferem. Machucam, sim. Se provocam ferimentos numa pessoa normal, imagine num fanático. Mas é mais proveitoso e saudável conviver com isso. A resposta pode ser também uma piada. Por que não?

Só que nenhum machucado resultante do humor justifica a barbárie, o terror, o homicídio. Mesmo acometidos pela demência, os terroristas precisam ser combatidos pelo mundo inteiro. Eles, sim, são um mal em qualquer lugar. E querem exatamente o contrário do que deseja o ser civilizado: paz.

É possível a convivência pacífica dos seres humanos dentro das divergências. Ria também. Haverá charges que desabrocharão seu riso. Matar, além de ser um crime, não resolve a situação nem torna a vida melhor.

Je Suis Charlie!!!

#JesuisCharlie

 

PS: Preciso ressalvar que como profissional de comunicação, gostando ou não, olharia, leria o Carlie Hebdo. É como editar um jornal. Uma notícia que para mim não tem nenhuma relevância não pode me impedir de enxergar sua importância para a maioria dos leitores.



07/01/2015 19h01

Carlie Hebdo: palavras de Dilma valem para o Brasil?
Valdeci Rodrigues

A presidente Dilma Rousseff juntou-se a chefes de Estado e líderes políticos de todo o mundo para condenar o ataque terrorista que matou 12 pessoas na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo nesta quarta-feira, 7.  "Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas --- a liberdade de imprensa", afirmou a petista.

Guardadas as devidas particularidades entre França e Brasil --- e também em relação às características da publicação que foi vítima do ato terrorista ---, torço para que a declaração da presidente de que a liberdade de imprensa é valor fundamental numa democracia seja realidade em seu governo. Temos motivos para o temor.

Na última sexta-feira, 2, o ministro das Comunicações de seu segundo mandato, o igualmente petista Ricardo Berzoini, afirmou que o governo enviará ao Congresso Nacional projeto sobre "regulação econômica da mídia". Ele disse que empresários, sindicalistas e representantes dos movimentos sociais serão chamados para discutir a proposta do Poder Executivo.

Mas todos sabemos sobre a ânsia dos "companheiros" em controlar o que se publica. Tanto que nos governos petistas, a "companheirada" criou o termo Partido da Imprensa Golpista (PIG). E também disseminou a divisão de profissionais de comunicação entre os contra e os favoráveis ao dito "governo popular", que começou na administração do ex-sindicalista Lula. Já houve uma tentativa --- frustrada.

Em 2004, o então presidente Lula enviou ao Congresso projeto de lei criando o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Seria para "orientar, disciplinar e fiscalizar" o exercício da profissão, inclusive com poderes para punir jornalistas. O tal projeto que não aprovado teve o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), entidade comandada por petistas na época.

Naquele ano, quem na direção da Fenaj não era filiado ao PT tinha simpatia enorme pela causa dos "companheiros". Eles juntavam-se a integrantes do governo Lula incomodados com notícias sobre corrupção na administração da estrela maior do petismo.

De lá para cá, a situação piorou muito. E agora, com o governo naufragado num escândalo maior do que o mensalão --- a roubalheira na Petrobras ---, vem o também ex-sindicalista falar em controle econômico dos meios de comunicação. Ricardo Berzoini estava no meio também em 2004, como ministro do Trabalho.

Em sua exposição de motivos para criação do CFJ, em ofício enviado ao então presidente Lula, Berzoini afirmava  que "atualmente não há nenhuma instituição com competência legal para normalizar, fiscalizar e punir as condutas inadequadas dos jornalistas". O tal conselho intimidaria o profissional e não os donos dos meios de comunicação.

A afirmação de Berzoini na última sexta-feira, 2,  de que serão consultados representantes de movimentos sociais e sindicalistas para discutir o assunto é o mesmo que dizer "chamar mais companheiros petistas" para o debate. Desconheço algum sindicato ou movimento social que não seja comandado por gente do partido ou simpatizante do PT.

Já se ouviu vozes contrárias à intenção de Ricardo Berzoini entre partidos aliados do governo, como o maior deles, o PMDB. A esperança é que o Congresso Nacional não siga a cartilha "ideológica" do PT e impeça que o sonho maior do petismo concretize-se: a censura à imprensa.

Aguardemos para saber se Dilma Rousseff realmente vê na liberdade de imprensa valor fundamental em sociedades democráticas. E esperamos que a ex-guerrilheira que esteve engajada na tentativa de implantar uma ditadura de esquerda no país não dê aval ao que realmente os petistas querem.

Aliás, com os casos de corrupção acumulados nos últimos 12 anos de comando petista, mais a atual situação econômica do país, é descaramento demais tentar novamente implantar a censura aos meios de comunicação. Com o PT no governo, eu, particularmente, tive de parar com críticas que sempre fiz aos monopólios, especialmente no caso das TVs e rádios, que são concessões públicas.

Calei-me para não ajudar a dar vazão ao desejo dos "companheiros" de pôr freios na divulgação de roubo de dinheiro do contribuinte, especialmente. E fiscalizar o poder público é um dos mais nobres ofícios dos meios de comunicação.


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01/01/2015 22h28

Por que não foi feito antes, Dilma?
Valdeci Rodrigues

Discurso, como o próprio nome define, é uma "peça oratória proferida em público". O da presidente Dilma Rousseff (PT), em solenidade de posse no Congresso Nacional nesta quinta-feira, 1º, teve a característica da demagogia --- o que não é privilégio dela no mundo político, ressalte-se. Ela leu um texto, bem preparado pela sua assessoria, que soaria estranho se também não fosse comum entre governantes.

Assumindo o segundo mandato, a ex-guerrilheira expressou-se como se os problemas que o país vive atualmente não fossem consequência também de seu primeiro governo e das duas administrações do ex-presidente e estrela petista Luiz Inácio Lula da Silva. Sob este ponto de vista, são palavras impressionantes.

Impressionantes pelo elevado grau de cinismo. Ela trata da necessidade de ajustes nas contas públicas como se o rombo que se verifica agora não tivesse ligação também com o desgoverno de seu primeiro mandato. Refere-se à corrupção num tom que a distancia também de sua própria administração e dos 12 anos de comando petista.

Como não deveria fugir do maior caso de roubalheira verificado na história do país, afirmou que "nunca se apurou e puniu com tamanha transparência a corrupção". E aí o gigantesco escândalo da Petrobras não poderia ficar de fora. Dilma Rousseff referiu-se ao saque nos cofres da estatal como se o que foi descoberto até agora não tivesse em sua raiz esquema montado pelos seus "companheiros". E que ela finge que nunca soube de nada.

Entre o blablabá citou que fará a reforma política, modificações numa balbúrdia político-partidária que, dificilmente, sairão das mãos de políticos --- ao menos num nível razoável. É impressionante essa desfaçatez que sustenta discurso como se a oradora não fosse um dos responsáveis diretos pelas dificuldades que a nação enfrentará ainda mais no ano que se inicia.

Do Congresso Nacional, a presidente foi para o Palácio o Planalto. Já com faixa presidencial no peito, novas palavras que a distanciam da realidade que ajudou a criar. E, em seguida, deu posse a 39 ministros. Gente demais para governo de menos. Mas número necessário para o "loteamento" do governo entre os partidos que a apoiam.

Exatamente este "loteamento" é uma das causas principais do roubo continuado de dinheiro do contribuinte. Neste caso, os "companheiros" agem em conluio com os aliados. E a presidente reeleita ainda teve a coragem de dizer que é necessário um pacto contra a corrupção, incluindo aí todos os brasileiros.

Os brasileiros pagarão já em 2015 ainda mais caro pelos desgovernos petistas --- falta de crescimento na economia, inflação em alta, rombo nas contas públicas etc. Mas até agora não se vê no horizonte nenhuma medida que mexa com os privilégios e com o oceânico cabide de emprego que há na administração federal. Muito menos com o desperdício de dinheiro público.

Reportagem do Correio Braziliense nesta quinta-feira, 1º, cita estudo mostrando que 23,5% da elite do funcionalismo público federal são filiados a partidos políticos. E que, dentro deste porcentual, 82% são ligados ao PT. É o chamado aparelhamento do Estado. Realidade que torna o discurso da presidente Dilma Rousseff ainda mais distante dos reais problemas do país.

O que não é nenhuma novidade...


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30/12/2014 17h10

2014 não é "página virada"
Valdeci Rodrigues

O ano que se encerra, à semelhança de todos os outros, não é uma "página virada", como costuma-se dizer a respeito do passado ou de algo que se deseja esquecer. No caso de 2014, ele continuará vivíssimo em 2015 --- mais do que o normal. Quase todos os brasileiros já estão sentindo as consequências do que se prolongará pelo próximo ano.

Digo "quase" porque há a turma privilegiada de sempre, que inclusive acaba de receber reajuste em seus vencimentos, como a presidente da República, ministros, deputados, senadores e integrantes do Poder Judiciário. Sem contar as mordomias custeadas pelo dinheiro arrancado do bolso dos contribuintes.

Lamentavelmente, presenciamos mais um caso escabroso de enganação político-eleitoral. A presidente Dilma Rousseff (PT) já adotou e está implementando medidas que, na campanha, atribuía ao senador Aécio Neves (MG), caso o tucano vencesse a eleição para a Presidência da República.

Seu governo acaba de anunciar mudanças restritivas no seguro-desemprego, que faz parte do que jurava manter intactas --- as tais "conquistas sociais". Com a mesmíssima máquina estatal hipertrofiada para dar emprego a aliados e petistas no toma-lá-dá-cá, já se vislumbra aumento na já famosa e gigantesca carga de impostos do país. E sem a contrapartida dos serviços que deveriam ser prestados pelo Estado.

Sob o manto do maior do escândalo da nação --- a roubalheira na Petrobras ---, que faz parte de uma série fora do comum de casos de corrupção durante os governos petistas, teremos 2015 sem novidades. E a expectativa é de que surjam mais casos de roubo de dinheiro público semelhantes ao da estatal no decorrer do novo ano.

Para citar apenas um exemplo das consequências da bandalheira, o rombo nas contas públicas do governo federal é o pior da história do país em 17 anos. No caso da União, o déficit chega a R$ 6,7 bilhões. O desvio de verbas e o desperdício provocaram também déficits nas contas de 18 estados e do Distrito Federal.

Portanto, o Brasil viverá em 2015 consequência do desgoverno também no ano que chegará ao final nesta quarta-feira. Para o cidadão que não sobrevive de benesses bancadas com dinheiro público, não haverá melhora nos próximos doze meses. Ele presenciará a repetição do que já vivenciou até agora: as negociações com uma maioria no Congresso Nacional para continuidade de um governo --- refiro-me às administrações comandadas pelo PT nos últimos 12 anos --- que está detonando de forma singular o país inteiro.

E aqui a realidade não permite esperanças. A menos que haja um levante popular contra o desgoverno. E isso é um acontecimento de pouca probabilidade porque os chamados "movimentos sociais", os sindicatos e os segmentos da sociedade que se levantavam contra os governos anteriores são comandados por petistas e aliados. Gente que ainda se autoclassifica como "esquerdista" e força oposta ao "conservadorismo" --- um igualmente singular descaramento!


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24/12/2014 19h15

Natal, reino da falsidade e do comércio!
Valdeci Rodrigues

A realidade não sofrerá nenhuma alteração por causa do que estou escrevendo aqui. Nem as reações contrárias moverão um milímetro sequer das minhas convicções. Deveria eu ficar quieto, mas não resisto. A hipocrisia na época do Natal doeria na alma de uma pedra, se dotada de algum grotesco sentimento ela fosse.

Observo com estranheza a falsidade das pessoas em finais de ano desde a minha infância. Todas aquelas e essas manifestações de amizade, respeito pelo próximo, lembrança do nascimento de Jesus Cristo, confraternização etc. no final do ano já me soavam estranhas, muito estranhas.

Lembro-me com extrema riqueza de detalhes como em minha cabeça não se encaixava o que eu ouvia numa escola paroquial e na igreja ao lado. Todo o palavreado era incongruente com o padrão de vida dos padres numa pequena cidade do interior. Na ocasião em tinha apenas oito anos de idade.

Com o tempo fui percebendo o caráter comercial das religiões, que vendem uma espécie de apaziguamento da alma. Você segue alguns "ensinamentos", paga o dízimo e passa a ter a sensação de que, quando morrer, não irá para o inferno.

Claro que o comércio real não ficaria fora de uma comemoração deste porte --- há passagens na Bíblia para justificar tanto o pagamento do dízimo quanto os presentes natalinos. Não é à toa que se trata da época em que mais se vende. Qual pai não se sente na "obrigação" de dar um presente ao filho? Natal sem nenhum objeto dado ou trocado não é Natal. Que o diga as crianças das famílias pobres que não podem seguir o ritual ditado também motivos comerciais.

Como devo ter vindo ao mundo pelo avesso, sempre me chamou atenção a situação dos excluídos desta encenação. Gente que se sente diminuída por não fazer parte deste enorme teatro com ares de religiosidade, de congraçamento. Em muitas famílias, uma representação forçada --- é  comum os adolescentes, principalmente, caírem fora logo depois ceia para farrear com os amigos.

Mas a humanidade sem a hipocrisia sequer existiria, não há como negar. Franqueza com cem por cento de pureza não permitiria a formação da própria família, nem da sociedade. Mesmo esta constatação não me faz, depois de tantos natais, deixar de estranhar tanta hipocrisia.

Um lado positivo disso tudo é que podemos ao menos imaginar como seriam as pessoas se vivessem o ano inteiro com espírito natalino!!! E com sinceridade!!!