Empresário da Zona Oeste ergue monumento em homenagem a São Jorge

| Vagner | 23/04/2010 02h18

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Na Avenida Marechal Fontenelle, no cruzamento que separa os bairros de Sulacap e Vila Valqueire, na Zona Oeste da cidade, São Jorge protege os moradores da região durante todo o ano. Um empresário local, devoto do santo guerreiro, ergueu uma estátua de mais de três metros de altura em pleno canteiro central da avenida (foto acima).

Mas, como não poderia ser diferente, é no dia 23 de abril que acontece uma verdadeira romaria para visitas ao monumento, que já se tornou 'point' da turma chegada a um 'bate-folha'. E como a gente não é bobo nem nada, vamos saudar Jorge. No Rio, o santo ficou associado a Ogum no sincretismo religioso. Na Bahia, a Oxóssi. Então, meus amigos, é 'Ogum êeeee', para nós cariocas, e 'Oke arô' para não haver problemas com 'Jorge' (com todo respeito pela intimidade) lá pelas bandas do Nordeste. Salve!    

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A dona das tardes da TV brasileira

| Vagner | 15/04/2010 23h47

 

 

 

 

 

 

 

Pelo menos dez dos trintas anos de carreira de Leda Nagle foram dedicados ao 'Sem censura', programa da TV Brasil que torna as tardes brasileiras mais amenas, repletas de boas informações, com entrevistados de primeira. Nesta semana, Leda deu início a uma nova temporada da atração, lançando mão de um pacote novidades: cenário novo, interatividade por meio de redes sociais e até um palquinho para cantores e músicos convidados. A apresentadora conversou com o blog sobre a nova fase do 'Sem censura', para o qual recebe sugestões de pauta onde quer que esteja: 'É impressionante como me dão idéias (boas, ruins, agradáveis e chatas) no tempo que eu passo na escada rolante', conta Leda, que tem previsto para maio o lançamento do novo livro 'De Minas para o mundo', no qual entrevista conterrâneos mineiros.

São mais de 10 anos à frente do 'Sem censura'. O programa passa por uma nova reformulação. O que o público pode esperar daqui para frente?

Leda - São 15 temporadas no programa, a gente está com cenário novo, mais alegre, com mais recursos para trabalhar como, por exemplo, um palquinho para apresentações dos músicos.

A reformulação contempla a interação com as mídias sociais, como o twitter e o facebook?

Leda - A TV Brasil pretende fazer o twitter do 'Sem censura'. Enquanto isso vou usando o meu, vou experimentar para sentir se vai dar tempo de usar durante o programa ou se vou poder usá-lo para anunciar o que vai ter no dia seguinte. Começamos a experimentar essa semana.

Qual a importância do 'Sem censura' em seus 30 anos de trajetória?

Leda - Eu gosto imensamente de fazer o 'Sem censura', porque ele permite uma variedade ampla de assuntos, porque tem interatividade e porque os telespecadores gostam muito ou pelo menos dizem que gostam, escrevem, participam, sugerem pautas. Acho um espaço democrático, que não é pretensioso e me dá muito prazer.

Sente falta da bancada de um telejornal diário construído a partir de 'hard news', já que o 'Sem censura' te levou para outro caminho?

Leda - Eu adorava fazer o telejornal diário, mas era naquele tempo. Neste tempo, neste momento, não tenho saudade alguma, gosto da conversa mais reflexiva, mais democrática e mais relaxada do Sem censura. Mas continuo adorando notícia, lendo todas, percebendo todas. Eu acho que a gente nasce jornalista, nasce interessado na notícia, tem o olhar para vê-la e, no caso do 'Sem censura', para repercuti-la. Mas sou totalmente viciada em notícia, em telejornal, em internet e em jornal impresso, revista, tudo que tem notícia.

Você tem quase 15 mil seguidores no twitter. Como boa jornalista, consegue pautas por essa rede para o 'Sem censura'?

Leda - Estou adorando o twitter, é um espaço pra opinar, para apoiar ou ignorar, que uso de maneira muito pessoal, preocupada com o exercício da minha própria cidadania. Mas todo dia, quase a todo momento, alguém sugere uma pauta. Aliás, isso acontece no meu e-mail, nas ruas, nos bares e nas escadas rolantes. É impressionante como me dão idéias (boas, ruins, agradáveis e chatas) no tempo que eu passo na escada rolante...

Já pensou em registrar em livro toda a experiência adquirida nestes anos de 'Sem censura'?

Leda - Tenho vontade sim de fazer um livro, um dia, mas não contando bastidores e sim usando as dicas que são dadas no programa para passar informações e notícias, claro. Mas agora estou ralando para terminar o "De Minas para o mundo", em que só entrevisto mineiros que saíram de Minas mas levam Minas no jeito, no gesto e no coração, que tem lançamento previsto (ai, meu Deus!) para maio....

O fato de estar em uma TV 'não-comercial' te proporciona uma seleção mais apurada dos entrevistados do 'Sem censura', sem a preocupação excessiva com os números do Ibope?

Leda - Não sei se é a idade, se é o fato de trabalhar na TV aberta e pública, se é a interatividade e a longevidade do programa. O fato é que a repercussão do 'Sem censura' é mais importante para mim neste momento do que o Ibope. Gosto de ouvir essa repercussão nas ruas. Em março, passei uns dias trabalhando (no livro novo) em Belo Horizonte e no livro que lancei (ano passado) em Palmas, no Tocantis. Nas duas cidades vi e senti como a repercussão do programa é boa, como as pessoas falam sobre as entrevistas que viram com uma desenvoltura, dando opinião, gostando, sugerindo. Esse jeito delas de chegar, de comentar, me comove, me honra e me prova que o programa é assistido independentemente do Ibope ou de qualquer outra forma de medição.

Você é uma das poucas apresentadoras que consegue levar à sua bancada personalidades avessas à TV, como Maria Bethânia, por exemplo. A que atribui esse fato: conhecimento ou credibilidade? Ou uma conjunção dos dois fatores?

Leda - Ao tempo de trabalho (risos)...antiguidade é posto... brincadeira... felizmente as pessoas vão ao programa, se sentem à vontade para contar suas histórias, para dar suas opiniões e eu fico muito feliz, orgulhosa mesmo de contar com convidados de tanto prestigio. E a gente procura honrar a presença deles procurando as melhores pautas, olhares diferentes e múltiplos para manter o nível do programa e da informação a fim de receber essas presenças tão marcantes que nos deixam muito felizes.

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Mostra resgata a trajetória de Orlando Villas-Bôas, o 'pai do Xingu'

| Vagner | 12/04/2010 22h35

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Personagem que desempenhou papel fundamental na implementação de políticas de proteção à saúde e à cultura dos indígenas, Orlando Villas-Bôas (acima, em foto de divulgação, no último encontro com Raoni) ganha, a partir do dia 26 de abril, uma bela exposição que resgata (e retrata) o amor e a dedicação aos povos da selva. Batizada Kuarup - A última viagem de Orlando Villas-Bôas, a mostra reúne fotos, objetos pessoais e vídeo sobre o indigenista e fundador da Funai, que, em 1944, abandou São Paulo e o emprego em uma multinacional inglesa de petróleo para se aventurar na mata.

Mais velho e último dos irmãos Villas-Bôas (Cláudio, Leonardo e Álvaro), Orlando fez o reconhecimento de numerosos acidentes geográficos do Brasil central. Ao lado dos irmãos, comandou por treze anos (acreditem!) a Expedição Roncador-Xingu (1943), que resultaria quase duas décadas depois na criação do Parque Nacional do Xingu, com o apoio do Marechal Rondon, do antropólogo Darcy Ribeiro e do sanitarista Noel Nutels.

Também escritor, publicou 14 livros. Foi indicado duas vezes na década de 1970 ao Prêmio Nobel da Paz. Morreu em 2002, aos 88 anos.

Com patrocínio da Petrobras, Kuarup - A Última Viagem de Orlando Villas-Bôas tem curadoria de Denise Carvalho, Gilberto Maringoni e Noel Villas-Bôas e fica em cartaz até 6 de junho na CAIXA Cultural Rio de Janeiro. Depois segue para Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

'É um erro pensar que o índio guerreia movido simplesmente por um costume inato. Em princípio sua índole é boa, melhor ainda era no começo, quando aqui chegaram os primeiros navegadores europeus. O primeiro encontro foi pleno de paz e compreensão. Mas essa harmonia não teve longa duração. O interesse pelos bens da terra nova atiçou a ambição do conquistador. Um verdadeiro estado de guerra foi criado pelos métodos de exploração e, principalmente, pela tentativa de escravização do índio'. (Trecho da antológica obra A marcha para o Oeste, de Orlando e Cláudio Villas-Bôas)

Flávio Marinho lança livro da peça 'Além do arco-íris' e dispara: 'Jamais trabalharei com um ex-BBB'

| Vagner | 07/04/2010 16h43

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dramaturgo, escritor e roteirista dos mais afiados da cena teatral brasileira, Flávio Marinho (ver entrevista abaixo) lança logo mais, na Travessa de Ipanema, o livro 'Além do arco-íris', texto da peça estrelada por Luciana Braga, que reestreia amanhã no Teatro Solar de Botafogo. Com 25 anos de estrada, Marinho enfileira uma série de sucessos, entre eles os musicais 'Noviças rebeldes' e 'Splish Splash'. Também amanhã estreia na TV Globo 'A vida alheia', seriado que escreve com Miguel Falabella e que retratará os bastidores de uma revista de fofoca. 'Conheço muita celebridade que convive bem com a coisa. Até gosta. E procura', resume Marinho. Avesso aos modismos, ele não poupa críticas aos realities shows e sentencia: 'Jamais convidaria um ex-BBB para uma peça minha. Só trabalho com quem é formado no teatro'.  

 

O seu 'boom' no teatro se deu com a tradução e adaptação de 'Noviças rebeldes'. De lá para cá o que mudou em sua trajetória até o 'Além do arco-íris'?

Flávio - Mais que meu "boom", a tradução e adaptação das "Noviças" foi minha iniciação teatral. De lá para cá, virei, autor, depois diretor e, a partir de 1993, com "Os 7 Brotinhos", também produtor. Fui,digamos, crescendo. Para os lados, latu sensu. He-he-he...

Em seus 25 anos de carreira, como avalia o atual momento do teatro brasileiro? Está, de fato, mais difícil fazer teatro hoje como a maioria dos atores e diretores assinala?

Flávio - Muuuuuito mais difícil. Primeiro, porque o processo de captação tornou-se kakfianamente burocratizante. Segundo, porque, com apenas três sessões semanais, você tem que superlotar o teatro para poder viver do seu ofício. E terceiro porque o teatro perdeu muuuito espaço: na mídia e no coração do público. É uma situação bem desanimadora...

Você tem como princípio não se render aos atores 'midiáticos' para estrelar seus espetáculos. Como consegue administrar a obsessão da mídia, dos patrocinadores e do público por espetáculos protagonizados por astros e estrelas de novelas do horário nobre?

Flávio - Com muuuuita dificuldade. Tenho certeza de que levo mais tempo para captar e para conseguir um espaço porque meus elencos não estão na novela das oito. Os administradores dos teatros e os departamentos de marketing - mesmo de empresas voltadas para patrocínios teatrais - desconhecem os artesãos do teatro e dão notória preferência aos rostos popularizados através da mídia eletrônica.

Convidaria um ex-Big Brother para um espetáculo? Aliás, como profissional de televisão o que pensa do Big Brother?

Flávio - Jamais convidaria. Só trabalho com quem é formado no teatro. Os realities são programas de entretenimento como quaisquer outros. É uma moda que passará - como toda moda.

A série 'A vida alheia', que escreve junto com o Falabella, estreia amanhã (dia 8) e trata dos bastidores de uma revista de fofoca. Todos sabemos que fofoca vende. Sendo um profissional do meio, como convive com os paradoxos éticos e morais que perspontam a profissão, em que a fofoca faz parte do cotidiano?

Flávio - Olha, eu convivo razoavelmente bem porque sou um homem de coxia, dos bastidores, portanto pouca gente me conhece fisicamente, sou mais conhecido assim "de nome", digamos. Mas acho que a indústria da fofoca é algo que, embora invasora, pode ser administrada pelo famosos com alguma habilidade. É claro que, quando, por exemplo, mataram o Falabella de aids nos anos 80, foi uma coisa horrível, cruel demais. Mas, de uma forma geral, conheço muita celebridade que convive bem com a coisa. Até gosta. E procura.

O livro 'Além do arco-íris' reproduz o texto teatral de uma peça sua em cartaz, mas você já redigiu obras como a biografia de Oscarito. Brasileiro gosta mais de textos de ficção ou de obras realistas? E qual sua predileção neste sentido?

Flávio - Brasileiro não gosta de ler. Ponto. Gosta de ver televisão. De carnaval, futebol, chope e mulata. Gosta, um pouco, de cinema. E ainda menos de teatro. Cultura não é o nosso forte. Quando leem, geralmente, são best-sellers estrangeiros, tipo Dan Brown. Ou então, a praga dos livros de auto-ajuda. Eu, pessoalmente, leio tudo que cai na minha mão. Mas desde que virei essa coisa que faz teatro, leio muito sobre o assunto, peças inéditas, etc. Mas o que cair na rede é peixe...

Pegando carona na pergunta anterior, por que quase todas as telenovelas brasileiras de décadas atrás, sobretudo as de Janete Clair e Dias Gomes, eram mais bem aceitas pelo público? Não há hoje uma tendência de a maioria dos autores querer tornar tudo muito próximo do real? Isso não tende a afastar o telespectador?

Flávio - Não sou a pessoa mais adequada pra falar sobre o assunto porque não vejo muita novela. Vejo muito teatro, cinema, show, dvd e, quando ligo a TV, fico mais plugado nos canais pagos. Mas, que eu saiba, as novelas do Dias primavam por traduzir a realidade, por fazer crítica social,  enquanto as da Janete por inventar uma fantasia. Talvez esteja aí a receita do sucesso de então: um fazia uma coisa, a outra fazia outra, completamente diferente. Hoje em dia, a impressão que eu tenho - e isso é apenas uma impressão de um telespectador meio desatento - é que todas as novelas se parecem. Quando surge uma novela com uma cara mais definida, com mais personalidade e um estilo diferente, que foge de uma padronização, ela chama mais atenção e tem mais chance de fazer sucesso. Se não é assim, pelo menos, é o que me parece.

O caos de uma cidade sem plano diretor

| Vagner | 06/04/2010 19h53

O Rio virou mar. O prefeito Eduardo Paes concede uma entrevista coletiva e, nitidamente irritado, solta farpas para cima dos jornalistas quando questionado sobre as possíveis ações preventivas que deveriam ter sido tomadas pela prefeitura para minimizar o impacto deste caos que vivemos desde ontem. Diz que numa escala de zero a dez, a infraestrutura da cidade está abaixo de zero. Mais adiante, descontrolado, dispara que 'quem quiser achar que essa chuva não é atípica, que ache! Deve ser porque das outras vezes eu limpei os ralos e desta vez, não'.

Peralá, a população sofre as conseqüências de um temporal (e não é a primeira vez) que já matou quase cem e o prefeito ainda acha que não deve ser pressionado a explicar por que o poder público não agiu de forma preventiva? Não se trata de questionar quem é culpado ou inocente na mais nova tragédia que se abateu sobre a cidade, mas de compreender o que poderia (e deveria) ter sido feito e não foi. A Praça da Bandeira sempre fica debaixo d'água a cada chuva e nem precisa que seja torrencial. A mais recente obra do poder público naquelas mediações incluiu a interdição de 1,5m de pistas da Rua Teixeira Soares e da Avenida Oswaldo Aranha. Os bloqueios foram para facilitar as obras do Metrô Rio. Recapearam o asfalto que agora parece um tapete de veludo. Ontem, tudo estava debaixo d'água. De novo.  

A Lagoa transbordou, com os tradicionais pedalinhos boiando quase em plena Borges de Medeiros. O prefeito diz que não faltam recursos, caso alguém prove que há soluções para o caso. Se não faltam recursos, prefeito, falta o que? Ah, sim, a solução. E quem tem de encontrar a solução certamente deve ser a população carioca, segundo o prefeito. Ou a Fundação Cacique Cobra Coral? Há anos discute-se a proposta de uma eficaz ligação direta da Lagoa com o mar, via Canal do Jardim de Alah. O projeto nunca saiu do papel. 

O caos foi parar na imprensa internacional. Prato cheio para o 'primeiro mundo' que até hoje tripudia a cidade pelo fato de ter saído vitoriosa na disputa para sediar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.  

Os cariocas são mal-educados com a cidade? Ninguém duvida disso. Ocupa áreas de risco por décadas, quando deveriam estar ordenados no solo? Certamente. A cidade tem uma topografia complexa? Também não há dúvidas quanto ao fato. Mas não se pode negar a omissão do poder público nos últimos anos com o Rio de Janeiro. É uma cidade sem plano diretor. Se existe, pelo menos até o momento, ninguém viu. E uma cidade que se propõe a brigar de igual para igual com outras tantas do chamado ''Bloco dos Países Desenvolvidos' não poderia pecar com tamanho amadorismo. Plano diretor não é tema que se debata nos gabinetes cariocas. Nesta tragédia, os discursos políticos se repetirão, os especialistas em geografia, em topografia, em economia vão ficar horas a fio sendo entrevistados pelas redes de TV para falar dos impactos do caos e a população continuará 'chupando essa manga'.  

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Licitação de Lonas Culturais: servidor integrava direção de ONG vencedora

Vagner Fernandes | Vagner | 05/04/2010 13h04

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O gari José Walter Damasceno integrava a diretoria de uma das ONGs vencedoras da licitação das Lonas Culturais, realizada pela ex-secretária de Cultura Jandira Feghali, contrariando assim a Lei de Licitações 8.666, que impede a participação de servidores públicos em concorrências. A informação está na coluna 'Extra, Extra' (acima), de hoje, da colega Berenice Seara do Jornal Extra. Apurei com fonte da Comlurb se a matrícula do funcionário está ativa. Confirmado: a matrícula está ativa, mas o funcionário encontra-se afastado sob o regime de auxílio-doença.

José Walter Damasceno foi eleito 1º Tesoureiro do Instituto Pertença, vencedor da licitação da Lona Gilberto Gil. Ficou no cargo da diretoria até 30 de novembro de 2009. A licitação ocorreu no dia 4 de novembro, prova de que o Instituto alterou o estatuto após a homologação da licitação por Jandira Feghali. Outras duas ONGs também teriam mudado o estatuto meses antes da licitação para atender às exigências do edital.

A licitação das Lonas Culturais do Rio encontra-se sob investigação da Controladoria do Município. As irregularidades constatadas foram denunciadas ao MP e ao TCMRJ. Abro aspas abaixo para reproduzir as irregularidades confirmadas pelos advogados da Associação Cultural Amigos do Agito, que vem tentando sem sucesso uma audiência com o prefeito Eduardo Paes para pedir a apuração imediata do caso e a anulação da Licitação das Lonas Culturais:

"1ª IRREGULARIDADE - O artigo 8º do Estatuto de Constituição do
Instituto Pertença registrado em 07/04/2003, exige a eleição de nova diretoria após os 3 (três) primeiros anos de mandato de seus
dirigentes. Não existe no Cartório Civil de Pessoas Jurídicas nenhuma ata de eleição da instituição legitimando as seqüentes diretorias que deveriam existir após o término do vigor do mandato da primeira diretoria em 07/04/2006.

2ª IRREGULARIDADE - O Instituto Pertença elege como 1º Tesoureiro e o mantém até 30 de novembro de 2009 em sua diretoria, o Sr. José Walter Damasceno, brasileiro, natural do Rio de Janeiro, casado, gari....Constata-se na profissão declarada, o vínculo com o Poder Público, contrariando novamente as condições de participação do PROCESSO SELETIVO nº 001/2009.

3ª IRREGULARIDADE - O Instituto Pertença ficou sem diretoria durante 3 (três) anos e meio, e só elege e regulariza nova diretoria em Cartório no dia 22 de setembro de 2009, dois meses antes da abertura do PROCESSO SELETIVO, estranhamente excluindo todos os associados fundadores da diretoria do Instituto Pertença, não restando nenhum membro da gestão anterior para fazer valer a experiência na administração da instituição. Como pôde o Instituto Pertença comprovar a qualificação técnico-profissional da Instituição demonstrando a experiência comprovada na administração do desenvolvimento/acompanhamento das ações necessárias à execução do objeto do convênio proposto pelo Edital 001/2009?

4ª IRREGULARIDADE - Mais irregular do que a aprovação do Instituto Pertença com a sua nova constituição citada no anexo 2 é a exclusão total dos associados fundadores em Ata registrada em 16 de dezembro de 2009, dois dias após a Secretária ter homologado a instituição. Tal procedimento é comprovado pela publicação no Diário Oficial do Município em 14 de dezembro de 2009."

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Zona Oeste briga por lona cultural e faz protesto contra Jandira Feghali em Sábado de Aleluia

| Vagner | 02/04/2010 02h52

A brilhante ideia da ex-secretária de Cultura Jandira Feghali de licitar as lonas culturais começa a dar chabu. Há indícios de irregularidades, agora investigadas pela Controladoria Geral do Município, conforme noticiou o colega Fernando Molica no 'Informe do Dia', de 25 de março. Na nota publicada, intitulada 'Controladoria apura', Molica ressalta que 'A licitação para a escolha de gestores das lonas culturais da prefeitura está sendo analisada pela Controladoria Geral do Município. Há suspeitas de irregularidades no processo'.

Eu havia noticiado aqui no blog que a proposta de licitar as lonas culturais corria o risco de ser um fiasco. A prova está aí. Jandira Feghali deixa o cargo e vários abacaxis para a sua sucessora, Ana Luisa Lima, descascar. Mas ressalta em entrevistas na internet, em rádios e TVs que tudo corre perfeitamente bem com os espaços culturais do Município do Rio. Pois corre tão maravilhosamente nos eixos que a população da Zona Oeste resolveu fazer neste Sábado de Aleluia, em Realengo, uma manifestação contra a herança deixada pela ex-secretária. 

Reproduzo abaixo o e-mail que recebi:

'SÁBADO DE ALELUIA EM REALENGO SERÁ MARCADO COM 'MALHAÇÃO' DE JANDIRA FEGHALI NO MOVIMENTO ANTROPOFÁGICO 'VAMO COMÊ JANDIRA!
 
A Zona Oeste vai dizer NÃO à essa política canibalista deixada por Jandira Feghali (agora herdada por Ana Luisa Lima). Sábado, às 10h, em frente à Lona Gilberto Gil, artistas, empresários, comerciantes, donas-de-casa, universitários e secundaristas farão uma grande manifestação batizada 'Vamo comê Jandira!', uma alusão à música de Adriana Calcanhotto 'Vamos comer Caetano' e ao manifesto antropofágico de Oswald de Andrade.
 
A 'antropofagia cultural' de Jandira Feghali 'engoliu' as manifestações artísticas e populares do Rio de janeiro. Agora, daremos a resposta no Sábado de Aleluia, dia de 'malhar Judas'. Assim o faremos: Vamo comê Jandira!. Um enorme boneco será 'comido' pela população da Zona Oeste numa grande manifestação popular. Todos em prol da cultura do Rio de Janeiro e pela apuração das irregularidades na licitação das lonas culturais. A licitação está sob investigação e sendo auditada pela Controladoria Geral do Município.'  
  

Claro, uma manifestação em tom de brincadeira mas com teor absolutamente sério. Só para lembrar: foi na Zona Oeste que Eduardo Paes venceu a queda de braço com Gabeira nas últimas eleições muncipais. Paes conseguiu seu melhor desempenho nesta região que concentra o maior número de eleitores. Portanto, brigar com a Zona Oeste não é definitivamente uma boa ideia. 

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'Jandira Feghali, a secretária de Cultura que foi sem nunca ter sido', resume Xexéo

| Vagner | 02/04/2010 01h55

Deu no Xexéo, em O Globo de 31 de março, e compartilho agora com vocês

'E, como era mais do que esperado, Jandira Feghali está deixando a Secretaria de Cultura para se candidatar a deputada. Ao fazer um balanço de sua administração em entrevista ao "Jornal do Brasil", Jandira disse que, "no primeiro ano do governo, você tem uma série de ideias, mas não consegue colocá-las em prática". Como Jandira só ficou pouco mais de um ano, podemos dizer que foi uma administração de ideias, o que não é muita coisa.

Ela definiu sua passagem-relâmpago pela Secretaria como "uma
administração de estruturação". E acredita que "o ponto culminante" de seu período foi o Viradão Cultural. Vamos lá: se ela sabia que um ano não é tempo suficiente para colocar ideias em prática, por que cargas d’água aceitou o cargo? Ou ela quer entrar para a História como a secretária de Cultura que teve ideias? O orgulho por ter promovido uma "administração de estruturação" não faz sentido. Jandira estruturou tanto que as lonas culturais, outrora movimentadas, agora estão paradas.

A Rede Municipal de Teatros virou uma confusão com funcionários
terceirizados entrando em greve por falta de pagamento. A "estruturação" da Jandira chegou ao ponto de a população ter que ver espaços tradicionais como a Sala Baden Powell e o Espaço Cultural Sergio Porto passarem um período fechados. Fechado também ficou o Centro Coreográfico. E, embora tenha anunciado reformas em teatros e nas lonas culturais, ela sai do governo sem entregar um só teatro ou uma só lona reformada. Ou reestruturada, como ela prefere.

Quanto ao Viradão Cultural, sinceramente, o Rio nunca precisou da
prefeitura para organizar espetáculos na rua. Jandira Feghali foi a
grande bola fora do prefeito Eduardo Paes.'

Preciso dizer mais alguma coisa?

Dourado, Frota e Dado: a santíssima trindade da vilania dos realities shows brasileiros

| Vagner | 31/03/2010 02h24

Marcelo Dourado venceu o BBB 10. Quanta novidade! Ganhou com 60% da simpatia do público. Nada menos do que mais de 92,4 milhões de votos. Em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu segundo mandato para a Presidência da República com 58 milhões de votos. Em 2002, superou a marca dos 52,4 milhões. Dourado vale praticamente por dois Lulas. É a nova celebridade do pedaço. Daqui a pouco, pela manhã ainda, deverá estar sentado no sofá de Ana Maria Braga. Domingo estará no Faustão. E, claro, será capa de todos os jornais e revistas do Brasil nos próximos dias. O BBB é um fenômeno.

Para votar num brother, cada telefonema dado ou SMS disparado para a Central Globo custa R$ 0,31. Não tenho estatísticas sobre quantos votos foram por telefone (0300), declarados por torpedos ou encaminhados via internet. Se todos fossem cobrados em R$ 0,31, Globo e Operadora teriam faturado algo em torno de R$ 48 milhões. Certamente devem ter abocanhado muito mais com os pacotes vendidos em TV por assinatura e pela Internet para os que desejavam seguir os brothers e as sisters 24h/dia. Somam-se a isso o merchandising e os produtos com a marca BBB. 'Recorde mundial de votos', exultou Pedro Bial no 'grand finale' deste Big Brother Brasil, em que vilão se transformou em herói, com direito a final feliz e saldo na conta bancária de R$ 1,5 milhão, o que é muito pouco, diga-se de passagem, diante do lucro gerado pela atração.

A vilania tem gosto e cheiro de sangue. O povo gosta disso. 'É a vida como ela é', comentou sister Lia ao ser eliminada, no domingo. Nelson Rodrigues deve ter se revirado no túmulo pela apropriação indébita do nome de uma de suas mais belas antologias. O BBB nunca será 'a vida como ela é'. Nunca será.

Dourado deu uma de Alexandre Frota e se deu bem. Só falta agora abrir uma produtora de filmes pornôs e ter a sua obra vendida pelos camelôs da Rua Uruguaiana. Não foi o primeiro vilão a receber honrarias e ter o 'reconhecimento' do público num reality show. Dado Dolabella consagrou-se vencedor da primeira edição de 'A fazenda', depois de ter socado publicamente a então namorada, Luana Piovani. O próprio Frota fez seguidores com sua polêmica e pensada participação em 'Casa dos artistas 1' (SBT). Não ganhou, perdendo espaço para Bárbara Paz e Supla, mas levantou o Ibope do programa com sua má educação. Até Silvio Santos teve de se render a ele. Frota anunciou uma saída repentina após Silvio 'revelar' aos outros concorrentes de que tudo não passava de estratégia do marombeiro. Deu chabu. Esperto, Frota deixou o programa. Silvio o convidou a voltar, pagando um extra de R$ 100 mil para tocar fogo na atração. A final de 'Casa dos artistas 1' conquistou picos de 55 pontos, tornando-se a maior audiência da história do SBT. Nesse papo, portanto, da 'volta dos ex' não há ineditismo e nem foi criação de Boninho. 

Ontem, Ivete Sangalo, num flash de lucidez, terminou o BBB 10 com 'País tropical', cujos versos

'Sou um menino de mentalidade mediana
Pois é, mas assim mesmo sou feliz da vida
Pois eu não devo nada a ninguém
Pois é, pois eu sou feliz
Muito feliz comigo mesmo'        

resumem bem a figura do vencedor. Dourado veio se unir a Frota e a Dado, criando assim a santíssima trindade da vilania dos realities shows brasileiros.

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Um verdadeiro quilombo em Padre Miguel

| Vagner | 17/03/2010 23h53

Descobri uma das melhores coisas que se pode curtir na Zona Oeste atualmente: o Criolice (assistam ao vídeo abaixo), uma feira cultural ou como seus organizadores gostam de definir 'um movimento de matriz africana, ao ar livre, que reúne música de qualidade, roupas, acessórios, culinária, oficinas e outros elementos da cultura negra num só lugar'. É verdade. Rola aos sábados, a partir das 16h, entre as ruas K e L do Ponto Chic, em Padre Miguel. Para quem não conhece a região, perguntem pela Rua do Ponto Chic Charm. O melhor de tudo: a entrada é gratuita.

O clima do local não poderia ser melhor, com gente bonita, inteligente e atenta ao melhor de nossa música. Quem está afim de ouvir Lady Gaga é melhor partir para as fosfoboxes e afins, porque lá o grupo Opaxoro resgata mesmo Paulinho da Viola, Nei Lopes, Monarco, Candeia, Aniceto, Luiz Carlos da Vila, Cartola, Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho. Sem falar no pout-pourri com canções de domínio público e outras tantas pinçadas dos terreiros de umbanda e candomblé. Marquinhos PQD abençoa o projeto dos irmãos Dayvison Mocidade, Rose Negrita e Leandro Kojac, todos 'crias' de Padre Miguel.

  

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Documentários de Hirszman com Candeia e Nelson Cavaquinho são restaurados e lançados em DVD

| Vagner | 16/03/2010 23h00

Dois dos mais belos registros do universo do samba e de personagens que ajudram a consolidar a história do gênero no Brasil, os documentários 'Partido alto' e 'Nelson Cavaquinho', de Leon Hirszman, chegam finalmente ao formato digital. As duas preciosidades são bônus do quarto volume do projeto que resgata a obra do cineasta, este dedicado ao antológico 'A falecida', com Fernanda Montenegro na 'cabeça' do elenco. 'Partido Alto' e 'Nelson Cavaquinho' saem em DVD restaurados e remasterizados digitalmente.

O primeiro, de 1976, com a colaboração de Paulinho da Viola, costura com delicadeza depoimentos de ícones como Candeia, personagem-condutor dessa viagem pelo subúrbio carioca, em que virtude e emoção se perpertuam no 'miudinho' de Tantinho da Mangueira, de Manacéa, de Casquinha, de Wilson Moreira, de Joãozinho da Pecadora. Quanta beleza na evolução de Djanira e das pastoras do Granes Quilombo em 'Quem mandou duvidar'. 'Partido alto' acabou por se converter na mais significante homenagem cinematográfica ao autor de 'Dia de graça', que viria morrer, em 1978, dois anos depois do início das filmagens.

Em 'Nelson Cavaquinho', Hirszman vai além na arte da delicadeza da captura de cenas suburbanas. Ao acompanhar o cotidiano do compositor, o cineasta faz um mergulho pungente na vida do personagem, exaltando a beleza de sua força criativa, sem omitir, no entanto, a pobreza que o rodeia. É uma obra que nos faz rir, chorar, cantar, refletir e se orgulhar da singular genialidade de um dos nossos mais incríveis letristas e melodistas de todos os tempos.

A Sapucaí, agora, é palco para showbizz

| Vagner | 17/02/2010 19h35

Não deu outra! Unidos da Tijuca campeã. Fato: ganhou muito mais pelos impactos fragmentados que causou na avenida com a comissão de frente e com esquiadores fantasiados de super-heróis do que pelo conjunto apresentado ao longo de 82 minutos.

Paulo Barros impôs seu estilo, fez valer sua estética e finalmente convenceu os jurados de que o carnaval, de fato, mudou. É espetáculo, é indústria, é comércio, é marketing. O público se encanta com aquilo que entende, responde à altura ao que lhe é proposto de forma inteligível. A magia do circo tem essa peculiaridade. Números óbvios emocionam. O trapezista quando salta de um lado para outro sempre hipnotiza. O mágico e seus truques banais jamais deixarão de arrancar aplausos.

Renato Lage foi um dos pioneiros a lançar mão de recursos circenses na passarela do samba com a Intrépida Trupe. Por um período teve o público na palma da mão. Hoje, a trupe carioca já não impressiona. Parou no tempo com seu pula-pula e seu sobe-e-desce por argolas e tecidos. O público que vai à Sapucaí atualmente quer mais, quer participar de uma aventura, quer testemunhar e ser cúmplice dos que se lançam ao risco.

A Sapucaí é uma arena com 'leões' à espreita. Todos querem assistir a essa batalha anunciada contra carros passíveis de quebrar, a uma bateria que pode atravessar, a uma porta-bandeira cujo pavilhão, no vaivém coreográfico, ameaça despencar, a passistas que riscam o chão num bailado frenético que os empurra ao abismo que separa emoção e evolução. Tudo num desfile de escola de samba é imprevisível, é risco. Paulo Barros trouxe o tema para o centro da discussão neste desfile da Unidos da Tijuca. Sua obviedade criativa consagrou-se vencedora e os que almejarem ganhar carnaval terão de se render à ela, como assim o fizeram com Joãosinho Trinha décadas atrás. Quem quiser sambar que vá para os ensaios de quadra. A Marquês de Sapucaí se ratifica, agora, como palco para showbizz.

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Paulo Barros: O Guy Laliberté da Tijuca e sua obviedade vencedora

| Vagner | 16/02/2010 16h52

A estética de Paulo Barros nunca me convenceu. Aclamado como o carnavalesco que revolucionou a maior festa popular do país com suas alegorias humanas, ele é considerado atualmente o Thomas Alva Edison da folia carioca, aquele que voltou a iluminar uma passarela que vem se mantendo na penumbra da mesmice criativa. Paulo Barros me soa preguiçoso com seus carros e fantasias 'conceituais', econômicos nos paramentos, mas é esperto. Com sua sagacidade soube perceber que, para estar à altura da grandiosidade industrializada do espetáculo, era preciso lançar mão de recursos cênicos que vão além dos que seus adversários recorrem habitualmente, colocando-se acima do bem e do mal.

Desde 2004, com seu DNA humano, vem tentando compreender o que desperta o interesse do público da Sapucaí e alimenta a obsessão dos jurados, sempre ávidos por novidades e perfeição. Conseguiu este ano. Lançou mão da agilidade e da precisão, revelando um segredo há muito tempo óbvio e para o qual a maioria dos carnavalescos nunca havia atentado: a magia do circo. Quem não se encanta com truques de mágica por mais batidos que sejam? A 'troca' de roupa da comissão de frente da Unidos da Tijuca não é uma novidade no picadeiro, mas foi no carnaval do Rio. Paulo Barros não teve dúvidas de que a brincadeira causaria tamanho alvoroço. Mágica fascina. E em uma festa que vem perdendo o encanto a cada ano, Paulo Barros fez a diferença. Sacudiu a Sapucaí com um truque que até o mais chinfrim dos circos do interior possui em seu set list. Não importa. Ele teve o insight e arrisca levar o título deste carnaval. E olhem que P.B. nem precisou recorrer aos hipnotizantes recursos do Cirque du Soleil, de monsieur Laliberté. Mas podem chamá-lo de Guy Laliberté da Tijuca, uma alusão ao todo-poderoso fundador da trupe canadense.

O picadeiro de Paulo Barros é óbvio, mas mexe com a emoção do público, gera expectativa, típica de grandes espetáculos desta natureza. Quando põe esquiadores fantasiados de Batman e de Homem-Aranha num carro em movimento leva todo mundo a ficar com aquele frio na barriga, sobressaltado, com a ideia fixa do 'será que vão cair?'.  Quando coloca uma comissão de frente para 'trocar' de roupa em público idem: 'será que uma delas não vai aparecer com o vestido errado?'. Assim promove uma catarse coletiva, despertando o sadismo que existe em cada um de nós, sempre à espera de uma desgraça comedida diante de uma aventura. 'Essas plantas vão murchar até o fim do desfile', pensavam alguns sobre as espécies que compunham o carro Jardins Suspensos da Babilônia.

O formato atual do carnaval carioca requer aventureiros profissionais, carnavalescos dispostos ao risco em um grande espetáculo e presidentes que desçam de sua empáfia 'burrocrático-administrativa'. Paulo Barros deu um texto longe de ser genial, mas Fernando Horta assinou embaixo. Está aí o resultado.

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Artista plástico baiano cai nas graças de documentaristas nova-iorquinos

Vagner Fernandes | Vagner | 04/01/2010 13h22

Artista Artista plástico dos mais badalados no Brasil, o baiano Bel Borba (acima, de frente) é tema de documentário assinado pelos cineastas americanos André Costantini e Burt Sun. A dupla registra, em Salvador, a delicadeza do processo criativo de Bel, que tem como marca registrada os belos mosaicos de azulejos que enfeitam paredes e muros da capital baiana. 'Esse documentário me tem proporcionado refletir sobre minha obra e revisitar o meu acervo, desde telas a vídeos. É como se estivesse fazendo um balanço de décadas de trabalho', sintetiza Bel.

Para dar início às filmagens, Costantini e Sun partiram do envolvimento do artista plástico com a pintura de aeronaves da Aero Star. As intervenções nesses dois bimotores modelo Islander irão render uma exposição no Hangar da companhia aérea, no Aeroporto de Salvador. Os aviões já voam entre Salvador, Morro de São Paulo e Barra Grande.

'Bel reúne qualidades ímpares em obras sofisticadas, produzidas com materiais simples', destaca Burt Sun, diretor criativo da Opera Boston e consultor de mídia para várias instituições culturais, como o American Repertory Theatre, na Universidade de Harvard.
Para dar asas à imaginação no trabalho com as aeronaves, Bel lançou mão de tinta automotiva com verniz fixador, técnica para que as pinturas resistam por mais tempo aos desgastes naturais. 'Tive cuidado como se estivesse tatuando uma pele', resume. A primeira aeronave ganhou desenhos de uma águia e de uma baleia, em alusão ao belo percurso que faz sobre a Baía de Todos os Santos. Já a segunda apresenta um peixe dentro da água que, ao mesmo tempo, alça voo.

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Lonas Culturais: a 'vingança' de Jandira

| Vagner | 08/12/2009 15h05

A reportagem do Segundo Caderno do jornal O Globo de hoje veio ratificar o que escrevi na estreia de meu blog há cerca de três meses: a ideia de licitar as lonas culturais colocaria o projeto, de vez, no buraco. Não deu outra. Há nove meses sem ver a cor do dinheiro para a administração dos espaços, os atuais gestores são deixados de lado (em meio a um processo licitatório) e cobrados a prestar contas pelo subsecretário de Integração e Projetos Especiais da Secretaria de Cultura, Mário Del Rei. "Assumimos o compromisso e vamos pagar. Mas tudo isso tem que passar pela Controladoria. Vamos arcar com os nossos compromissos, mas tudo tem que ser feito dentro da lei, com a apresentação dos comprovantes de gastos", disse o subsecretário a O Globo . Há algo errado. Como alguém pode ter feito gastos sem ter recebido? Como prestar contas de um dinheiro que não chegou às administrações das lonas? A secretária municipal de Cultura, Jandira Feghali, e seu porta-voz empurram neste momento para a Controladoria descascar o pepino que eles plantaram e colheram.

É evidente que a secretária Jandira não está preocupada com políticas culturais que favoreçam comunidades da periferia. É notório que nunca esteve disposta a dialogar com os atuais gestores para discutir a melhoria de um projeto que é sucesso. É fato que não gosta de se ver pressionada a resolver questões que interessam à população das Zonas Norte e Oeste. Secretária Jandira leva a cabo ainda o conceito de se fazer política no sentido raso que o termo sugere, ou seja, o do 'toma lá da cá', 'eu te dou um quilo de cimento e 100 tijolos para construir o seu barraco e você me dá voto'. Cultura não se trata desta forma. Ela ainda não atentou para o fato de que é titular de uma pasta que tem como meta promover e discutir políticas culturais. E que radicalismo, nesse caso, não leva a nada.

Ninguém tem de ser eterno em cargos, mas sou adepto do clichê 'de que em time que se ganha não se mexe'. A secretária não pensa desta forma e quer fazer valer a sua autoridade para provar (sabe-se lá a quem) que mexeu nos 'grupos' das gestões anteriores. A secretária carrega o ranço da sede de vingança dos velhos políticos brasileiros. Pode estar dando certo, mas 'como não são da minha turma' degola, manda rumo à guilhotina. E para mostrar que tudo está sendo feito dentro da legalidade nada melhor do que uma licitação.

A proposta já havia sido implementada em outros espaços da Rede Municipal de Teatros. Deu errado. Com as lonas, agora, o mesmo acontece. Não precisa ter o dom da clarividência de Patricia Arquette em 'Medium' para sentir de longe o 'cheiro' da confusão. Novamente, o bolo solou. Além de liberar os pagamentos atrasados, a Controladoria deveria abrir uma auditoria, em caráter de urgência, para avaliar a legalidade desse processo licitatório do projeto Lonas Culturais. A pedra foi cantada e ninguém deu bola. A hora é já.

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Gil conecta Realengo em banda larga

| Vagner | 07/12/2009 17h02

Antes de partir para turnê na Europa, Gilberto Gil esteve na lona que batizou com seu nome em Realengo para um encontro com o coordenador do espaço, Vicente de Paula. Impressionado com a conservação e programação do local, o ex-ministro não conversou: autorizou a compra de roteador para que crianças e jovens que moram nos arredores da lona tenham acesso gratuito à internet. Está todo mundo conectado agora em banda larga. Como diz Gil: 'o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe'.

Madonna coloca o Brasil na sola dos pés

| Vagner | 14/11/2009 00h13

Desde que Madonna chegou ao Rio não se fala em outra coisa no Brasil. Numa nova jogada de marketing, ela consegue atrair os flashes e põe a multidão na sola dos pés. Madonna é poderosa. Ela arruma a 'cama' e coloca todo mundo para deitar com ela. Uma verdadeira suruba midiática, milionária, que deixa para trás marqueteiros do primeiro time.

Montada em um alazão pós-adolescente, lá vai a loura chorando por migalhas junto aos ricaços brasileiros em busca de um dinheirinho para um projeto social. Todo mundo abre o cofre. Eike Batista faz a material girl chorar ao liberar uma módica quantia que chega aos sete dígitos, como narrou o jornalista Roberto D'Ávila, um dos privilegiados a brindar com champanhe e sashimi a doação. Ninguém ali tomou guaraná Convenção ou Tobi, comeu aquele churrasquinho de alcatra comprada nos supermercados Guanabara ou saboreou um egg-X (eggcheeseburger) prensado, repleto de ervilha, maionese e batata palha.

Luciano Huck vai para o Twitter e diz que uma Madonna é 'gente boa, simples'. Angélica faz coro ao marido e frisa que a popstar é 'brasileiríssima'. O governador Sérgio Cabral abre as portas do Palácio e coloca batedores da Polícia Militar para escoltá-la dentro do Mercedes refrigerado. O helicóptero que foi detonado no Morro dos Macacos por traficantes já faz parte do passado. O negócio agora é decolar amparado pelas turbinas siliconadas da estrela norte-americana.

O Réveillon na Praia de Copacabana promete não ser mais o mesmo depois de 2011, quando Madonna deverá brilhar mais do que a tradicional queima de fogos. As Olimpíadas de 2016 provavelmente não terão como ponto alto apresentações dos artistas da terra nativa. Já anunciaram que vão importar Madonna para apimentar a festa. Só nos resta saber se ela terá fôlego para suas performances ao som de Like a virgin . Estará com quase 60, uma sexagenária praticamente.

Madonna é 'gente boa'. Papo furado. Se o fosse teria retirado da própria conta bancária o dinheiro para sustentar um projeto social no Brasil sem recorrer aos milionários do Terceiro Mundo. Madonna é 'simples'. Mentira. Ninguém sobe morro de salto alto 'grifado' e óculos escuros Chanel (ou seria um Prada? ou Dior?), não manda fechar restaurante para jantar e não interdita portaria de hotel para entrar e sair. É um acinte.

De tudo isso, a mim só ficou a seguinte impressão: o complexo de inferioridade do brasileiro ainda é tão gritante que somos capazes de tirar o manto de Nossa Senhora Aparecida para colocá-lo numa popstar travestida de Maria Madalena. Jesus? Psshiiiiiiii!!!. É melhor deixar o filho de Deus fora dessa história.

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Área destruída pelas chuvas, Tinguá foi 'cantada' por Clara Nunes. Registro inédito é descoberto

Vagner Fernandes | Vagner | 12/11/2009 15h16

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Recebi recentemente uma preciosidade da ex-jogadora de basquete do Botafogo e da Seleção Brasileira, Neuci Ramos da Silva. É o registro da gravação de Clara Nunes defendendo uma canção chamada 'Tinguá ' (em homenagem à bela reserva biológica da Baixada Fluminense), que nos últimos dias tem sofrido em decorrência das fortes chuvas.

A gravação foi realizada no II Festival Fluminense da Canção Popular, em 1968, em Niterói, no Estádio Caio Martins e encontrava-se inédita. Agora, após 41 anos, foi descoberta pela Neuci, autora da música, que mexendo em seus arquivos encontrou o registro. Durante a pesquisa para o livro 'Clara Nunes: guerreira da utopia', biografia da artista de minha autoria, ela havia comentado comigo sobre o episódio. Finalmente, achou a fita e me deu de presente. É um primor! Vou encaminhar ao prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Tinguá é uma área pertencente a Nova Iguaçu e passa por maus bocados devido às enxurradas que provocaram três mortes.

Que no futuro, a bela canção seja adotada como hino da região. Ouçam acima que beleza:

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'Noitada de Samba' do Teatro Opinião é resgatada em documentário

| Vagner | 09/11/2009 00h12

Os aclamados e bem frequentados encontros de bambas que sacudiram às segundas-feiras, nos fins da década de 1970, no Teatro Opinião, são tema do documentário 'Noitada de samba'. O longa resgata a história do projeto idealizado por Jorge Coutinho e Leonides Bayer de levar para a Zona Sul intérpretes e compositores dos morros e subúrbios cariocas. Praticamente sem registro na bibliografia recente sobre a história da música brasileira, a 'Noitada de samba' reunia nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Martinho da Vila, Rosinha Valença, Moreira da Silva, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Beth Carvalho, Xangô da Mangueira, Elza Soares, entre tantos outros.

Em fase de edição, o filme, com produção de Cély Leal e patrocínio da Petrobras, conta com depoimentos de Elton Medeiros, Ademilde Fonseca, Walter Alfaiate, Conjunto Nossa Samba, Noca da Portela, Délcio Carvalho, Gisa Nogueira, Baianinho, além de jornalistas, produtores e historiadores, entre eles Maurício Sherman, Moacyr Andrade, Jesus Chediak e Lygia Santos. O projeto contempla ainda a restauração do curta-metragem 'Noitada de samba', de Carlos Tourinho e Clóvis Scarpino, rodado nos anos 70, com imagens inéditas.

Alguém acredita em Carolina Dieckmann, Claudia Raia e Thiago Lacerda?

| Vagner | 08/11/2009 21h07

Alguém acredita que Carolina Dieckmann, Taís Araújo e Giovanna Antonelli vestem roupas das Lojas Marisa?

Alguém acredita que 'La Dieckmann' bebe refresco em pó Gula Fruts? Segundo a atriz, em sua casa todos tomam o refresco, principalmente o sabor morango com vitamina C, que faz parte do café da manhã de seus filhos. O site da Gulozitos Alimentos explica que 'tudo isso facilitou a integração da atriz com os gestores da empresa'.

Alguém acredita que Angélica usa Óleo de Amêndoa Paixão e escova os dentes com creme dental Sorriso?

Alguém acredita que Claudia Raia pinta o cabelo com Cor & Ton, da Niely? O site da companhia garante que a garota-propaganda está usando atualmente a nuance 6.7, cor de chocolate.

Alguém acredita que Thiago Lacerda usa tênis Tryon?

O mercado publicitário já não é mais o mesmo. Sei não, mas no caso do Gula Fruts, as 'mulheres-frutas', como Melancia, Moranguinho, Pêra, Uva e por aí vai, fariam mais sucesso, certamente!

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'Ben, o rato assassino' ataca na Praça 15

| Vagner | 06/11/2009 15h45

Sempre fui fã das séries antigas. E, nos últimos tempos, vivo à caça daquelas baboseiras que marcaram minha geração. Frequentador da Feira da Praça 15, aos sábados, me deparei, semana passada, com uma banca repleta de Dvd's com o melhor do passado: Da 'Mulher biônica', com Lindsay Wagner, a 'Poderosa Isis', estrelada por Joanna Cameron, essas nunca editadas oficialmente no mercado brasileiro.

Lá, encontrei um grupo de colecionadores de séries e filmes raros. Muitos estão na internet, vendem ou trocam suas preciosidades virtualmente. Outros atacam na feira com o produto na mão. Se você tiver algo raro a troca está estabelecida. Caso contrário, pode coçar o bolso e desembolsar no mínimo R$ 15 por Dvd. Como cada série não tem menos do que cinco, você acaba na penúria após meia-hora. O clássico 'Terra de Gigantes' completo, por exemplo, tem 16 Dvd's. Um derrame na conta bancária!

O jogo é duro. Mas a tentação é grande, sobretudo pelo requinte com que os colecionadores apresentam seus produtos: boxes coloridos, capinha em papel couchê brilho 120g e o melhor de tudo... áudios remasterizados. Vou explicar: o cara tinha guardada uma infinidade de VHS da série gravada da TV com a dublagem original. Depois comprou o box importado. Para colocar em prática seu preciosismo e fazer inveja à classe casou a dublagem com a imagem do box 'made in USA'. Perfeito! 'Não é pirataria', garantem.

De fato, na maioria das vezes a intenção de quem lança mão do artifício não é comercial. Querem mesmo se exibir e trocar suas 'relíquias' por outros produtos. Eles não aceitam os boxes com redublagem, que estão sendo lançados no mercado brasileiro. A loucura é tanta que vi dois desses colecionadores em busca de algo quase impossível, segundo relataram. Estavam atrás de 'Ben, o rato assassino' dublado. Para quem não lembra é o filme que tem como canção-tema a música 'Ben', com Michael Jackson. Acharam legendado. Não servia. Eles queriam a versão dublada, exibida inúmeras vezes na 'Sessão da tarde', da TV Globo. E posteriormente no SBT.

A outra 'pepita' da qual corriam atrás era a série 'Pinocchio' (também conhecida como Pinocchio japonês), que foi ar entre as décadas de 70 e 80 na extinta TV Tupi e depois na Record. Encontraram. Mas também não servia. A dupla desejava a versão com dublagem original, a que Pinocchio chama Gepetto de 'vovozinho'. O boneco sofre nesta série. Até fogo tocam em Pinocchio. Na que estava em exposição numa banca da Praça 15, Pinocchio chama Gepetto de 'papai' e as cenas grotescas em que o boneco come o pão que a diabo amassou foram cortadas. Era a nova versão da série, editada e redublada. Essa história me contagiou. Até porque tanto 'Pinocchio' quanto 'Ben' foram marcos. Desde então não paro de procurar o rato assasino e a tal série (ou algum capítulo) com dublagem original. Se alguém os tiver, me avise. A gente negocia!

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'Alô, alô Therezinha' não faz rir; faz chorar

| Vagner | 03/11/2009 02h13

Abelardo Barbosa está de volta. Ressurgiu no centro midiático, ganhando novos admiradores desde que o documentário 'Alô, alô Therezinha' foi lançado no Festival do Rio. O longa entra, agora, em circuito comercial. Quem conheceu Chacrinha pela TV até vai achar divertido quando ouvir a ex-chacrete Vera Furacão declarar que levou Chico Buarque bêbado para a cama e não foi 'comida' pelo compositor. Quem conviveu com ele certamente não. Não convivi com Chacrinha, mas não achei graça. Assistia com frequência aos seus programas, fascinado com a anarquia que imprimia à TV brasileira, dividindo a intelectualidade babaca, driblando os milicos repressores, 'andando' para os padrões estéticos. Em Chacrinha, o belo e o feio jamais rivalizaram. Preto virava branco, pobre se transformava em rico, gordo em magro, puta em gatinha Zona Sul, bacalhau era flor, Abacaxi, Oscar e buzina, borrifador de perfume importado.

Com a simplicidade de um comum trabalhador brasileiro e a inteligência de um acadêmico (mesmo sem nunca ter pisado numa universidade), conseguiu criar um conjunto próprio de signos que revolucionou a comunicação no Brasil. Saussure faria a festa. Nelson Hoineff, diretor do documentário, não faz. Ridiculariza, vulgariza, empobrece, simplifica.

Em vez de jogar os holofotes sobre a obra, a genialidade do personagem e discutir sua importância para a comunicação no país, pauta-se pela exposição dos que ajudaram a construir a história da figura mítica. Coloca Índia Potira dentro de um chafariz e a exibe em nu frontal. Põe um fã na cama de Rita Cadillac para entrevistá-la com perguntas grotescas e beijar-lhe a bunda. Especula sobre possíveis amantes do apresentador, incluindo chacretes e até Clara Nunes. Revela a fragilidade emocional de ex-calouros, fazendo graça com a desgraça.

'Alô, alô Therezinha' é uma costura de depoimentos de ex-chacretes e ex-calouros em evidente estado de decadência. Não faz rir, faz chorar. Não reverencia, ignora. Não revela, omite. As declarações mais contundentes vêm de My Boy, o sonoplasta que Chacrinha alçou ao 'estrelato' com seu eterno 'ok, my boy'. 'Às vezes, dava vontade de matá-lo. Não era fácil conviver com ele', revela.

O homem irreverente, debochado, com cara, pinta e boca de palhaço, que escrachava geral e saciava a fome de suas macacas de auditório com cachos de banana, enlouquecia os que o rodeavam no cotidiano com seus rompantes, suas manias, seus dilemas. Era humano. O documentário não revela o José Abelardo Barbosa de Medeiros, o polêmico pernambucano da cidade de Surubim. Privilegia as aventuras sexuais das ex-chacretes em uma série de depoimentos sem fundamentação para um roteiro que se propõe biográfico. 'Alô, alô Therezinha' apenas entristece com closes da ex-boazuda Fátima Boa-Viagem, fritando peixe na cozinha de um restaurante do interior do estado, recebendo constrangida o 'carinho' de um fã que anuncia, aos gritos, ter sido ela o motivo de sua paudurescência quando adolescente.

'Alô, alô Therezinha' não limpa a boca-de-cena para Chacrinha balançar a pança, buzinar a moça, comandar a massa e dar a ordem no terreiro. Pelo contrário: faz dele um mero coadjuvante.

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Elza Soares brilha, aos 72 anos, ao lado Farofa Carioca

Vagner Fernandes | Vagner | 18/10/2009 20h43

Tudo e mais um pouco já foi dito sobre Elza Soares. Não é novidade que sua voz não envelhece e que, aos 72 anos, mantém forma física impressionante. No fim de semana, a cantora ratificou o posto de estrela de primeira grandeza da MPB numa dupla de jornada de apresentações pela Zona Oeste.

Sábado, lotou a Lona Gilberto Gil, em Realengo, apesar da chuva. Neste domingo, aportou na quadra da Mocidade Independente, em Padre Miguel. Elza será madrinha de bateria da agremiação no carnaval de 2010. Na Gilberto Gil, ao lado do Farofa Carioca, ela arrancou aplausos consecutivos em cena aberta. Botas pretas salto 15 até o joelho, blusa frente única e microshort jeans. Figurino de 'cocota', de gatinha, para brilhar ao lado do não menos excepcional Mário Broder, novo vocalista do Farofa egresso do Funk'n'Lata. Mário supera - e muito - Seu Jorge à frente da banda. Ninguém tem dúvida disso.

Um showzaço, primoroso, pontuado por um repertório bem selecionado, arranjos impecáveis. Amparada pela garotada da Z.O., Elza brincou. Atacou de 'A carne' ('A carne mais barata do mercado é a carne negra...'); reverenciou a saudosa Célia Cruz com um 'azúcar' no final de 'Vendedor de bananas', de Jorge Benjor, em ritmo de mambo; saudou a escola de samba de Padre Miguel com 'Salve a Mocidade!'. Elza continua um furacão e esse encontro da artista com o Farofa Carioca merece (e como merece!) registro em CD e DVD.

Beija-Flor, Portela e Mocidade têm tudo para escolher os melhores sambas de 2010

| Vagner | 11/10/2009 02h03

No carnaval deste ano, Beija-Flor, Portela e Mocidade ficaram mordidas com suas colocações. Beija-Flor porque não foi campeã. Portela porque perdeu o vice para a Beija por um décimo. E Mocidade porque quase foi parar no Grupo de Acesso em decorrência de um desfile que já começou errado com abre-alas em chamas e carnavalesco atropelado pela alegoria. Pois para o carnaval de 2010, as três prometem brigar feio. Nenhuma delas ainda elegeu o samba que defenderá na avenida. Mas quem ouviu os concorrentes de cada uma sabe do que falo. Há sambas de excelente qualidade que vão dar trabalho às coirmãs se forem eleitos. A Beija, que vai 'dissecar' a história de Brasília na Sapucaí, tem um particularmente extraordinário assinado por Picolé da Beija-Flor, Serginho Sumaré, Samir Trindade, Serginho Aguiar, Dison Marimba e André do Cavaco. É samba quente, naquele estilão da escola de Nilópolis, com frases e versos enormes, mas dois refrões de pegada forte. É pra nego sambar rasgado. Fora os detalhes de construção, idéia do enredo muito bem amarrada, coisa de profissional. Depois reclamam quando a Beija-Flor ganha. Ela simplesmente leva a sério o processo de industrialização que tomou conta do carnaval carioca por conta das próprias escolas mesmo.

A Portela também não fica atrás. Sou portelense e não escondo isso de ninguém. Mas não é só por esse motivo que destaco a safra da azul-e-branco. É porque tem samba bom de verdade. O de Serginho Procópio é uma potência. Pode não ter a riqueza poética que os portelenses mais exigentes gostariam de exaltar na avenida. Mas é um grande samba. No ano passado, fui convidado para integrar o júri na final. Votei no samba vencedor, de Ciraninho, Scafura e cia. Mas para 2010 Serginho Procópio merece levar. A Portela vem com um enredo pautado pela abstração, o que dá margem a infinitas possibilidades de criação pelos carnavalescos. Tem gente que diz que não é enredo, é 'tema'. E que todo o blá-blá-blá da sinopse se resume em... 'Tecnologia'. Mas o Salgueiro, no ano passado, também levou um 'tema' para a avenida e sagrou-se campeão. O 'enredo' só tinha uma palavra: 'Tambor'. A vermelho-e-branco tijucana levou. E todo mundo aplaudiu, porque foi merecido. Como também foi merecido, aliás, a posição da Mocidade.

Até hoje ouço muitos defenderem que a Mocidade deveria ter descido e não o Império. Vi tudo de perto e também concordo. Mas faço uma ressalva: a Mocidade desfilou brigando apesar dos problemas. O Império passou pela Sapucaí 'sorrindo' confiante no belo samba-enredo reeditado. Deu no que deu. A Mocidade brigou para não cair. O Império caiu porque não brigou. A verde-e-branco de Padre Miguel está engasgada. E um dos sambas que prometem ir 'pras cabeças' vai esquentar a briga em 2010 se for o escolhido, de fato. É de autoria do trio J. Giovanni, Zé Glória e Hugo Reis. Lembra os áureos tempos da escola, em que a ironia inteligente fazia parte do cardápio dos seus compositores. O refrão: 'Meu coração vai disparar, sair pela boca/ Não dá pra segurar, paixão muito louca/ Luz independente me leva pro céu/ Sou Mocidade sou Padre Miguel' é para levantar a autoestima da comunidade. E pode reconduzi-la ao ranking paradisíaco do Grupo Especial. Tudo a ver com o seu enredo para 2010 e a sua história no carnaval.

Roque Ferreira não precisa de 'chancela'

| Vagner | 10/10/2009 02h34

Nascido em Nazaré das Farinhas, o compositor Roque Ferreira virou a atração da semana. Motivo: Maria Bethânia selecionou várias canções do conterrâneo para os discos 'Tua' e 'Encanteria'. Há coisas que realmente são esquisitas no nosso país. Precisou que Bethânia 'chancelasse' Roque Ferreira para ele virar notícia dos principais jornais do Brasil? Peralá, Roque foi lançado por Clara Nunes em 1979. Dois anos depois a própria Clara ainda gravaria do autor 'Coração valente'. A seguir, seria a vez de Roberto Ribeiro, João Nogueira, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Elton Medeiros e tantos outros. Essa gente toda gravou Roque. Um dos maiores sucessos de Zeca Pagodinho, 'Samba pras moças', é de Roque. O primeiro disco de Roque 'Tem samba no mar' é uma preciosidade. Lançado em 2004 pelo selo Quelé, uma parceria Acari Records e Biscoito Fino, o cd foi produzido por Luciana Rabello e veio recheado de canções de Roque em parceria com o poeta-bamba Paulo César Pinheiro. O disco? Está fora de catálogo. Certamente agora o relançarão. Roberta Sá já avisou (contam que antes de Bethânia já havia avisado) que seu próximo cd será dedicado a Roque Ferreira. Vou te contar...

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Bethânia, uma unanimidade?

| Vagner | 10/10/2009 02h04

Maria Bethânia está de volta. Dois novos álbuns na praça com tudo a que tem direito. A Biscoito Fino investe. Bethânia agradece. E o público também. Ainda que se depare com a velha história dos preços escabrosos impostos pela Biscoito aos revendedores, quem gosta compra. Eu desembolsei R$ 37,99 por cada CD numa loja do centro do Rio. Não me arrependi, mas também não me surpreendi com os novos registros de Bethânia. São bons. Só. Desde 'Maricotinha' que Bethânia não lança algo, de fato, emocionante. Claro, crítico algum fala mal de Maria Bethânia. Ela é uma unanimidade no meio e fora dele. É uma das que alçaram o posto de estrela da MPB (com toda justiça!) e ninguém ousa tecer qualquer comentário incisivamente desfavorável, porque tem de ficar 'bem na fita'. Bethânia é e continuará a ser uma estrela, mas ultimamente seus trabalhos contemplam em excesso suas memórias afetivas, num movimento cíclico que, quando se chega na metade do cd, a gente tem preguiça de ouvir o restante. Pelo menos comigo tem sido assim. Muitos concordam. Mas ninguém fala. É Maria Bethânia!

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Clara Nunes é DVD de Ouro!

Vagner Fernandes | Vagner | 24/09/2009 00h47

Lançado há nove meses, o Dvd que reúne os musicais de Clara Nunes para a TV Globo é um dos mais vendidos da EMI, a primeira e única gravadora da cantora mineira de Caetanópolis, que morreu em 1983 em decorrência de um choque anafilático.

De acordo com a EMI, as vendas já ultrapassam a marca das 28 mil cópias comercializadas. Hoje em dia, artistas abocanham Dvd de Ouro com 25 mil vendidos. Pouco? Mas não é mesmo! Em um mercado no qual a pirataria se tornou banalidade é um feito e tanto para nossos cantores atingirem tais números.

Grandes nomes da MPB não chegam lá. Tem gente do primeiro time que sai com módicos 10 mil Cd's e/ou Dvd's de tiragem em época de lançamento de trabalho. Mais adiante, nos deparamos com o álbum sendo vendido a R$ 9,90 nas Lojas Americanas.

Mesmo após 26 anos de morte, Clara continua a encabeçar o ranking das estrelas da MPB que mais movimentam a indústria fonográfica. Os números desse primeiro Dvd póstumo mostram que ela está mais viva do que nunca.

 

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Jandira vai licitar as lonas culturais

Vagner Fernandes | Vagner | 16/09/2009 19h57

O melhor, mais popular e acessível dos projetos culturais da prefeitura do Rio agoniza em praça pública. Falo das Lonas Culturais. E a secretária de Cultura do município, Jandira Feghali, "tá luka", tipo aquela cantora que impregnou nossos ouvidos há exatos seis anos com o hit "tô nem aí". Sim, secretária Jandira "tá nem aí".

"Tá nem aí" para renovar o contrato, vencido desde março, com os grupos e associações que administram esses espaços. "Tá nem aí" para reabrir aqueles que ela própria interditou no início do ano, ao lado de agentes da Defesa Civil, numa linda ação midiática. "Tá nem aí" para dialogar sobre possíveis medidas que venham gerar a auto-sustentabilidade das lonas, já que o município, até hoje, só liberou a verba que o governo anterior sentenciou num contrato prorrogado de última hora, expirado há cinco meses. Secretária Jandira "tá nem aí".

Agora, Jandira Feghali decidiu promover um novo "viradão" na cidade: vai licitar as lonas, abrir concorrência pública para a gestão dos espaços que, reunidos, formam hoje o mais consistente e bem-sucedido projeto do segmento no Rio. Claro, como todo político, Jandira não pode ver ações independentes, oriundas das comunidades da periferia, darem certo. Vai burocratizá-las com a justificativa de melhorar a administração. Tem tudo para dar errado.

As lonas ocupam terreno cedido pela prefeitura e recebem da secretaria de cultura subsidio mensal para a manutenção e o funcionamento. Eis o motivo por que secretária Jandira dará o tiro de misericórdia e enterrará a proposta inicial do projeto Lonas, que é o de permitir aos representantes das comunidades a gestão das "tendas", independentemente de vínculos com partidos políticos que encabeçam a administração municipal. Secretária Jandira não está contente. Quer jogar as lonas na mesma areia movediça da burocracia que já "atolou" outros espaços culturais do município.

É preciso esclarecer os fatos para não haver dúvidas: tudo começou quando um grupo de ativistas culturais de Campo Grande solicitou à prefeitura a doação de uma daquelas lonas verdes e brancas que foram instaladas no Aterro do Flamengo durante a ECO 92. Estavam todas abandonadas no Riocentro. Como o povo tem sede de cultura, foi lá e pediu na cara-de-pau uma "tendinha" para abrigar ações culturais em "Big Field". Deu certo! Depois vieram as lonas culturais Hermeto Pascoal, em Bangu, e a Gilberto Gil, em Realengo. Em seguida, a idéia se proliferou pela cidade. Hoje, são dez lonas espalhadas por áreas carentes do Rio. Cada uma ganha R$ 22 mil mensais de subsídio do município. Com isso (e mais nada), paga-se funcionários, luz, som, telefone, professores de oficinas (extras) gratuitas de arte para crianças e idosos e ainda todas as despesas de espetáculos, que incluem transporte de artistas, alimentação e, às vezes, hotel. Tem artista tão boa praça que fica até em MOTEL na periferia (por R$ 20 o período) para dar uma descansada no intervalo entre a passagem de som e o início do show. Tudo em nome da arte, por amor à arte, por respeito ao público. Será que secretária Jandira sabe disso? Provavelmente, não.

Cachê de artista é pago com percentual da bilheteria. Se der público, ótimo. Se não der, ele sai de mãos abanando. Muitos já deixaram lona com R$ 100, R$ 200 no bolso. Outros com nada, porque tiveram de pagar os integrantes da banda que o acompanhavam. Faz parte do jogo. É assim que funciona. E quem fatura em mídia é a prefeitura, mais precisamente a secretaria de Cultura. Não é justo. E é por isso, que vários cantores, atores e bandas estão se recusando a participar do projeto. Não querem pagar para trabalhar. Não estão errados. Marisa Monte, madrinha da Lona Cultural Carlos Zéfiro, em Anchieta, nunca mais deu às caras. Caetano Veloso, que apadrinhou a Lona Cultural "Terra", em Guadalupe, idem. O único que ainda crê no projeto e na responsabilidade social nele contida é Gilberto Gil, que empresta o nome ao espaço em Realengo.

O fato é que as indefinições e percalços administrativos por que passam a s lonas têm afastado empresas patrocinadoras e atravancado a certificação de projetos junto ao Ministério da Cultura. Óbvio. Ninguém quer botar dinheiro em propostas de espaços ligados ao município, cravados de pepinos. Tem lona "suja no SPC". Tem lona que teve o telefone cortado. Tem lona que ficou sem luz. E, outras (para não dizer todas), com dificuldades financeiras para a manutenção. É mais fácil interditar. Vai reabrir quando? Às vésperas da próxima eleição municipal em 2012? Que saudades da Helena Severo!

"Esse imbróglio todo precisa chegar ao fim. Está mais do que claro que a secretária precisa decidir: ou quer dar continuidade ao projeto ou não quer. Ou mantém as lonas abertas ou fecha todas de uma vez. Espaço cultural de periferia não pode ser tratado como instrumento de barganha política. Lona não pode servir de palanque para deputados, vereadores e secretários de quaisquer pastas; lona não pode ter os portões abertos ao público gratuitamente apenas uma vez por ano durante o viradão cultural à paulista, lona não pode se converter em cenário para flashes e holofotes em ações da Defesa Civil.

Quem construiu a história das lonas foram as comunidades e não os políticos. Como é que se licita administração de espaços culturais de periferia? Quem sagrar-se-á vencedor? A Fundação José Sarney com toda sua experiência em projetos e ações culturais? Os diretores de ONGs mascaradas que lançam mão de pobres e favelados para "encher as burras?" Os presidentes de Associações de Moradores, comprometidos até a alma, em decorrência dos favores alcançados junto aos representantes do Legislativo e do Executivo? Ou empresas-produtoras do naipe da Time For Fun, que deu um verdadeiro show de (des)organização quando trouxe Madonna para o Brasil?

Cada comunidade tem suas peculiaridades e necessidades que só os que convivem nela, e atuam de forma responsável e consciente, conhecem bem. Não se licita, secretária Jandira, grupos de gestão cultural nessas condições. Seria a mesma coisa que querer licitar um show de Zeca Pagodinho. Só existe um no mercado. Que tantos gestores culturais existem na cidade, especializados em lonas, a ponto de se abrir concorrência pública? Como é que se licita a gestão de lona? Sim, porque em toda licitação vence aquele que consegue oferecer a melhor relação custo x benefício. No caso das lonas, ganhará uma delas (ou todas) os que propuserem realizar o maior número de ações culturais pelo menor preço? Ou seja, se o município subsidia os espaços com R$ 22 mil mensais, quem apresentar proposta para administrá-los por R$ 1 mil leva!

Os grupos de gestão das lonas culturais não são como empresas de laticínio que fornecem alimentos para merenda escolar ou empreiteiras que constroem vias expressas. Se as lonas tornaram-se referência cultural na cidade (e foram aclamadas em Paris, diga-se de passagem) agradeça a esses administradores que lá estão, cortando um dobrado para mantê-las atuantes. Se a secretaria de Cultura não tem mais como subsidiar o projeto Lonas, porque vai destinar toda a verba para os 'viradões', que deixe então a boca-de-cena desses espaços. Que ceda pelo menos o chão para que cada comunidade encontre os caminhos da auto-sustentabilidade, ainda que precise passar o pires nos sinais de trânsito das ruas da periferia. Melhor do que ficar padecendo sob as arbitrariedades políticas que descaracterizam, a cada dia, um projeto-referência após 16 anos de funcionamento.

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