SRZD | Stevens Rehen


Ciência vale a pena (e pode te dar um livro de presente!)

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 03/02/2010 18:58

Renata Lima assina post no CoNECte sobre os saudosos filmes da campanha Ciência vale a pena, uma parceria do Instituto Ciência Hoje e Rede Globo.

Os vídeos, com 30 segundos cada um, procuram estimular o interesse das pessoas pela ciência ao mesmo tempo que desconstroem o estereótipo do cientista como indivíduo distante e de poucos amigos.

A intenção também é mostrar que a ciência pode ser atraente e que faz parte do cotidiano de todos nós.

E você, leitor, qual o vídeo que mais gostou dentre os 8 da série?

Vote nos comentários e concorra a um exemplar do livro A encruzilhada da nanotecnologia de Peter Schulz, da Coleção Ciência no Bolso (Casa Editorial Vieira e Lent).

O sorteado será anunciado no dia 12 de fevereiro!

Participe!



Caxambu já foi a Meca científica do Brasil

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 02/02/2010 23:53

 

Ontem retornei de Caxambu. O motivo da viagem não foi desfrutar das águas dessa conhecida instância hidromineral brasileira.

Acompanhei a Diretoria da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) nas negociações com prefeito e empresários sobre a realização do XXXIV Congresso Anual de Neurociências.

Arrisco dizer que na década de 1990, Caxambu era mais conhecida como Meca científica do que como balneário hidroterápico. As principais reuniões científicas do país aconteciam naquele município.

Lembro de uma reunião da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) com quase 4 mil participantes. Não há um único pesquisador brasileiro com mais de 30 anos que não tenha visitado Caxambu! Posso garantir.

A oportunidade de caminhar pelos corredores vazios do Hotel Glória durante o final de semana foi como uma viagem no tempo. Cada pedaço do hotel trazia uma lembrança sobre uma conferência ou debate científico importante. Muitas decisões sobre os rumos da pesquisa brasileira aconteceram ao redor da piscina do Glória!

Lembrei com saudades da época em que o autor desse blog se aventurava na percussão da banda que animava as festas da FeSBE em Caxambu. Eram centenas de cientistas dançando ao som da Mula Rouca!

Por inúmeras razões que não cabe aqui discutir, a partir do início da década de 2000, Caxambu foi preterida como destino dos principais eventos científicos do país.


Hoje a cidade busca se reerguer como atração turística e opção para realização de reuniões científicas.

Para isso é preciso investir na infra-estrutura e retomar a qualidade do serviço dos hotéis, principalmente o Glória, recentemente adquirido por empresários de Minas Gerais com experiência no setor hoteleiro.

A SBNeC escolheu Caxambu como sede de seu congresso anual. O evento acontecerá entre 8 e 11 de setembro de 2010 e reunirá os principais neurocientistas do país.


Aproveito para anunciar em primeira mão que a palestra de abertura ficará por conta de Fred Gage, um dos mais importantes pesquisadores dos Estados Unidos no assunto células-tronco e candidato natural ao Prêmio Nobel. Será a primeira vez que o cientista virá à América do Sul.

Se depender do sossego e tranqüilidade preservados nas ruas e praças de Caxambu, o que favorece bastante as discussões e debates sobre ciência, o sucesso da SBNeC 2010 está garantido.



Transformando carvão em diamante: um cérebro novo pode surgir de um punhado de pele

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 27/01/2010 22:42

 

Em 2007 o japonês Shynia Yamanaka, ao reprogramar fibroblastos da pele, conseguiu criar pela primeira vez células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Foi uma revolução.

As células iPS são equivalentes às células-tronco derivadas de embriões. Capazes de se transformar em qualquer tipo celular do corpo, inclusive em neurônios.

Neurônios por sua vez são células altamente especializadas, por onde circulam nossos pensamentos e desejos, com os quais sentimos dor e prazer.

Criar neurônios a partir de células iPS parecia ser o ápice de uma história de sucessos que começou em 1981 com Mario Capecchi,  Martin J Evans e Oliver Smithies, ganhadores de Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina pelo isolamento das primeiras linhagens de células-tronco embrionárias de camundongos.

Só que uma equipe de cientistas da Califórnia, liderados por Marius Wernig, fez o que parecia impossível. O equivalente em biologia a transformar carvão em diamante.

Converteram pele de camundongo em cérebro. Direto! Como que por um atalho impensado. Sem parada na fase embrionária, como é necessário no caso das iPS.

O trabalho dos pesquisadores da Universidade de Stanford vem à reboque da inventividade e esforço seminal de Shinya Yamanaka mas tem mérito para subverter positivamente o campo.

Trata-se de procedimento rápido e eficiente para criar neurônios paciente-específicos.

Partiram de 19 genes, todos com importância na formação do cérebro durante o desenvolvimento normal de mamíferos. Chegaram a 5, confirmaram que com somente 3 genes já era possível a conversão.

Os 3 genes que, quando combinados, respondem pela façanha são conhecidos por siglas de difícil compreensão: Ascl1, Brn2 e Myt1l.

Destaco Myt1l, gene sabidamente alterado em pacientes com esquizofrenia. Por tabela, o estudo do processo de conversão fibroblasto-neurônio poderá no futuro ajudar no entendimento de doença tão complexa.

Com a ajuda de vírus com papel de cavalos de Tróia, levaram para dentro das células da pele os 3 genes. Em 3 dias apareceram os primeiros neurônios. Em menos de duas semanas um punhado de fibroblastos se transformou em uma rede neural complexa, recheada de sinapses (especializações de membrana através das quais os neurônios conversam entre si).

A quantidade de perguntas que o trabalho suscita é enorme. O que é ótimo!

Alguém já disse que a humanidade é movida por perguntas muito mais do que por respostas.

 

Por que a maioria dos neurônios obtidos parecem ter saído do córtex cerebral, aquela camada mais externa do cérebro cheia de giros e sulcos, e não de outras áreas do sistema nervoso?

Neurônios dopaminérgicos (aqueles que se perdem em pacientes com a doença de Parkinson) não foram gerados, por quê?

Será que uma combinação com outros genes poderá gerar células produtoras de dopamina a partir da pele?

Abre-se mais uma janela de possibilidades para a Medicina Regenerativa.

Agora é esperar que o mesmo procedimento seja aplicado a células isoladas da pele de pessoas jovens e idosos.

A eficácia como transplante dos neurônios convertidos deverá ser testada em animais de laboratório, sua funcionalidade comparada a neurônios oriundos do próprio cérebro.

E não vai demorar até que proteínas façam a vez dos temidos vírus no processo de conversão pele-cérebro.

Se tudo correr (muito) bem, no futuro, terão início os testes de segurança em humanos.

Minha única crítica ao trabalho é a falta da confirmação prática da inexistência de células com potencial tumoral entre os neurônios formados.

Não custava nada ter feito um ensaio clássico que evidencia a possibilidade de formação de teratomas. Seria melhor do que sugerir que as células geradas não carregam o potencial tumorigênico das iPS, como fizeram ao longo do texto mas sem comprovar com resultados.

É bem provável que daqui a bem menos tempo do que imaginávamos, um paciente que necessite repor neurônios perdidos por conta de um acidente, envelhecimento ou doença poderá recorrer à sua própria pele. Já pensou?

Não me surpreenderia ainda que os bancos que hoje armazenam sangue de cordão umbilical se diversifiquem e passem a guardar fibroblastos extraídos de pessoas de todas as idades.

A partir de agora, sua pele vale ouro (e diamantes) ou em outras palavras, poderá te dar um cérebro novo!



AVATAR, cadeira de rodas e tabaco

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 05/01/2010 14:10

 

No final de semana assisti ao filme AVATAR. O épico fantástico de James Cameron é de impressionar. Visto em 3-D melhor ainda.

Há centenas de comentários positivos na internet sobre a saga dos Na’vi diante da ameaça colonialista e da ganância do "povo do céu". Concordo.

O filme é imperdível mas fiquei encafifado com dois, a meu ver, contra-sensos presentes no longa:

    •    Por que as cadeiras de rodas do futuro são idênticas às atuais?


Não faz sentido Jake Sully, o fuzileiro naval paraplégico, não usar uma prótese eletrônica que o fizesse caminhar.

Sua cadeira de rodas é do ano 2000 mas a aventura se passa em 2154!



Paradoxalmente, os grandes robôs de guerra controlados pelos soldados americanos no filme, esbanjam tecnologia capaz de movimentar braços e pernas biônicos!



Eu esperaria encontrar um terno robótico no melhor estilo Miguel Nicolelis vestindo o fuzileiro.

No mínimo, uma versão repaginada do exoesqueleto israelense ReWalk, previsto para comercialização em 2010 (por aproximadamente 35 mil reais).

 



    •    Por que Grace Augustine é uma fumante inveterada?

Entre uma tragada e outra durante a trama, a cientista introduzira em seu organismo mais de 4 mil substâncias tóxicas, incluindo substâncias pré-cancerígenas, como agrotóxicos e até radioativas.

 

 

Diante da divulgação dos prejuízos à saúde causados pelo fumo, das campanhas de conscientização e das políticas públicas, imaginaria que até 2154 os cigarros já estivessem banidos do universo (inclusive em Pandora!).

Em nota, James Cameron disse que a personagem de Sigourney Weaver fuma como forma de criticar àqueles que desprezam a vida real e prestam mais atenção a seus avatares, na internet ou nos vídeos games. Como diria Ancelmo Gois: É. Pode ser.

Mas assistir AVATAR é experiência sensorial para ser vivida e discutida, independente da fumaça do cigarro e da cadeira de rodas ultrapassadas.

As câmeras e a tecnologia de performance criadas pelo seu diretor tornam impossível distinguir o que é real do que é virtual.

Não é à toa que AVATAR tornou-se em tão pouco tempo um dos mais lucrativos filmes da História do cinema.

 



O melhor da ciência em 2009

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 30/12/2009 20:08

Nessa época, as principais revistas científicas internacionais elegem as mais importantes descobertas do ano, segundo suas fontes.

O blog de ciência do SRZD resolveu fazer o mesmo e apresenta aqui os 5 trabalhos que, na opinião do autor e seus colaboradores, marcarão para sempre 2009.

Viver mais, viver melhor? Antibiótico produzido por bactéria da Ilha da Páscoa pode ajudar!

O trabalho, conduzido por três instituições americanas, indica que camundongos idosos tratados com rapamicina tiveram a expectativa de vida aumentada em até 14%. Parece pouco mas seria o equivalente a eliminar com um único remédio as chances de uma pessoa com mais de 60 anos morrer de câncer ou arteriosclerose!

Rapamycin fed late in life extends lifespan in genetically heterogeneous mice.
Harrison e colaboradores
Nature. 2009 Jul 16;460(7253):392-5


Refinarias microscópicas para produzir biocombustível?

Nesse trabalho pesquisadores do Instituto Craig Venter conseguiram transferir o material genético de uma bactéria para uma levedura. O que isso significa? É mais um passo na direção de se criar seres vivos com DNA sintético, que não existiriam naturalmente em nosso planeta. A idéia por trás do experimento é gerar organismos capazes de produzir etanol, eliminando a necessidade de processamento de grandes quantidades de cana de açúcar ou milho para esse fim.

Creating bacterial strains from genomes that have been cloned and engineered in yeast. Lartigue e colaboradores Science. 2009 Sep 25;325(5948):1693-6

Produzir células-tronco pluripotentes sem embrião ficou mais fácil

Sempre lembrada ao menor sintoma de gripe, a vitamina C ganha agora mais uma função: facilitar a geração de células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Desde o trabalho seminal de Shynia Yamanaka em 2006, produzir células iPS nunca foi fácil. A eficiência de reprogramação girava em torno de 0,01%, o que dificultava a produção dessas células a partir da pele de pacientes idosos ou portadores de determinadas doenças. Com a simples adição de vitamina C ao meio de cultura, cientistas chineses conseguiram aumentar a eficiência de reprogramação em 100 vezes! O achado poderá acelerar ainda mais as pesquisas para a produção de células iPS e desenvolvimento de modelos inéditos para o estudo de doenças humanas incuráveis. Linus Pauling iria se entusiasmar com mais esse feito atribuído à vitamina C!

Vitamin C Enhances the Generation of Mouse and Human Induced Pluripotent Stem Cells. Esteban e colaboradores. Cell Stem Cell 2009 Dec 24

Para tratar a doença de Parkinson, reduza a inflamação

Nesse trabalho pesquisadores do Instituto Salk na Califórnia demonstraram que um gene chamado Nurr1 protege neurônios dopaminérgicos de estragos causados por processo inflamatório presente no cérebro de pacientes com doença de Parkinson. Ativar o gene Nurr1 e reduzir a inflamação gerada por células gliais poderão se tornar estratégias terapêuticas no futuro.

A Nurr1/CoREST pathway in microglia and astrocytes protects dopaminergic neurons from inflammation-induced death. Saijo e colaboradores
Cell, 2009 Apr 3;137(1):47-59


Para tratar a doença de Parkinson, estimule eletricamente a medula espinhal

Equipe do brasileiro Miguel Nicolelis da Universidade Duke nos Estados Unidos demonstrou que a estimulação elétrica na medula espinhal melhora o controle motor de camundongos com sintomas da doença de Parkinson. A técnica, relativamente simples e pouco invasiva, deverá ser testada muito brevemente em seres humanos.

Spinal cord stimulation restores locomotion in animal models of Parkinson's disease. Fuentes e colaboradores
Science. 2009 Mar 20;323(5921):1578-82.


E para você, leitor, que descoberta faltou na lista do melhor da ciência em 2009? Comente aqui!

Feliz 2010, repleto de descobertas científicas!



Pedro Bial e a busca pela imortalidade

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 29/12/2009 14:28

 

Para quem não conseguiu assistir ao Globo News Especial de domingo que discutiu o envellhecimento e os novos caminhos da ciência para a vida eterna, o programa está disponível na íntegra aqui.

Entrevista e samba do Oscar Niemeyer são imperdíveis!

"Você é um gozador, Pedro Bial", disse o maior arquiteto do século XX.

E você, tomaria o elixir da vida eterna?



Reflexões sobre os avanços da ciência no tempo do impossível

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 24/12/2009 10:32

Muitos avanços biotecnológicos que hoje fazem parte de nosso cotidiano foram considerados, em algum momento, desejos impossíveis.

Alcançar a imortalidade habita o imaginário coletivo desde o início dos tempos.

É desejo antigo, cantado mais recentemente pela Escola de Samba Unidos da Tijuca em desfile inesquecível:

"Na arte da ciência
A busca continua
Na luta incessante pra vencer o mal
E no vai e vem dessa história
O velho sonho de ser imortal
Profecia, loucura, magia..."

"...Mistérios que ainda quero desvendar, levar
O destino é quem dirá
O amanhã, como será"

Pedro Bial perguntou se eu acharia possível um dia vivermos para sempre. Eu respondi que sim!

Os avanços da ciência nos últimos anos são impressionantes e me estimularam a defender o que, para muitos, está fora de cogitação.

Há somente 170 anos não sabíamos que células formavam nosso corpo. Há 50 anos desconhecíamos como as informações que controlam o metabolismo do organismo estão organizadas.

Hoje estudamos as células-tronco, conhecemos a telomerase e controlamos genes que aumentam a longevidade de diversos animais em até 50%. Já é factível evitar ou corrigir alguns dos mecanismos celulares que levam a problemas associados ao envelhecimento. A engenharia tecidual busca criar novos órgãos e tecidos para repor aqueles danificados por doenças ou pelo passar dos anos.

O especial de fim de ano que irá discutir os avanços da medicina contemporânea na busca pela eterna juventude vai ao ar nesse domingo (27/12) às 23h na Globo News.

Não posso adiantar muito a surpresa mas o programa recebeu tratamento de cinema. Mauro Mendonça Filho, Walther Carvalho e João Carrascosa fizeram parte da equipe de produção.

O debate final foi extremamente rico e divertido. Tenho certeza que irá estimular discussões acaloradas entre os telespectadores por muitos e muitos dias.

E você? Gostaria de viver eternamente? Na sua opinião, envelhecer é evitável?

Deixe aqui seu comentário!



Ciência e saúde não combinam com cães e gatos abandonados

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 19/12/2009 22:05

De acordo com o ranking internacional de instituições acadêmicas (ARWU 2009), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está entre as 350 mais prestigiosas do mundo.

Esse ranking, criado há 6 anos, é uma das principais referências na avaliação das universidades. Sua metodologia é baseada em um conjunto de indicadores, como a qualidade dos artigos científicos publicados por cada instituição.

Para aqueles que acham isso pouco, levando-se em consideração que existem 8397 universidades distribuídas em 201 países, uma rápida regra de três revela que a UFRJ está entre as 4% mais importantes do planeta!

Cabe mencionar que somente 6 universidades brasileiras, dentre as 183 que aqui existem, aparecem no ranking das 500 melhores, sendo a UFRJ a única representante do Rio de Janeiro.

Os pesquisadores de seu Centro de Ciências da Saúde (CCS) respondem por uma parcela bastante significativa da produção científica que classificou a universidade carioca para a lista da ARWU em 2009.

No CCS da UFRJ localizam-se o Instituto de Ciências Biomédicas, o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, o Instituto de Bioquímica Médica, o Instituto de Biologia, o Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes entre outras importantes unidades de ensino e pesquisa.

Anualmente centenas de biólogos, biomédicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, médicos e enfermeiros freqüentam o centro, além de mestres e doutores das mais variadas áreas da saúde.

Reportagem de Carolina Drago e Clarissa Cogo publicada na Revista Bio relata situação que nada condiz com a excelência acadêmica descrita acima.

Estudantes, professores e cientistas dividem suas instalações com cães e gatos abandonados, que sobrevivem de alimentos deixados por um grupo de freqüentadores do centro. Todos concordam que esses ótimos companheiros dos seres humanos têm direito ao respeito e ao cuidado mas um centro de ciências da saúde certamente não é o espaço adequado para acolhê-los.

Diariamente esses animais deixam seus excrementos pelos corredores do centro (veja o vídeo). Os alunos e docentes acabam por pisar nas fezes e urina, levando resíduos para o interior dos laboratórios e salas de aula e colocando em risco a saúde e o desenvolvimento das pesquisas.

Como se não bastasse, alguns desses bichos foram responsáveis por incidentes inesperados, como o ataque a transeuntes e infestações de pulgas e carrapatos nos laboratórios. Além disso, nos últimos meses pelo menos dois gatos morreram eletrocutados no interior de caixas de alta tensão, o que ocasionou queda de energia e risco iminente de incêndio.

A atual situação do CCS é incompatível com os princípios básicos de biossegurança. O manual da Organização Mundial de Saúde afirma categoricamente que somente animais de laboratório podem ser mantidos em locais onde se faz pesquisa biomédica.

A coordenadora da Comissão de Biossegurança do CCS, Dra. Sônia Costa, realiza importante trabalho de conscientização sobre a necessidade de remover os cães e gatos que habitam os corredores do centro de ciências da saúde da UFRJ, dando-lhes abrigo e tratamento adequado.

O final de ano é um período propício para a reflexão. Que a virada para 2010 traga a motivação necessária aos gestores do CCS da UFRJ para que providências sejam tomadas.

Animais domésticos devem habitar nossos lares e não os corredores de um dos mais importantes centros de pesquisa biomédica do país.



Quero ser um rato toupeira pelado

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 23/11/2009 00:16

Enquanto jovens, não nos preocupamos com o tempo. Chega a idade madura e o que parecia distante torna-se realidade, estamos envelhecendo. "Inexorável!" acrescentaria meu pai.

Essa sensação transformada em angústia sempre motivou a humanidade na busca pela imortalidade.

Artigo científico publicado semana passada na revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos explica como o rato do tipo toupeira pelado (Heterocephalus glaber) evoluiu para prolongar drasticamente sua expectativa de vida e traz pistas sobre como poderemos eventualmente fazer o mesmo para a espécie humana.

Ratos toupeiras pelados (foto) vivem em colônias subterrâneas na África numa estrutura social parecida com a das abelhas e formigas.

Curiosidades à parte, esse bichinho que de tão feio é simpático, vive 28 anos enquanto seus "parentes", como os camundongos domésticos, vivem no máximo 4 anos. Se o rato toupeira fosse humano, chegaria portanto aos 500 anos de idade!

No referido trabalho, cientistas norte-americanos sugerem que a surpreendente longevidade desse animalzinho é conseqüência de sua capacidade natural de evitar o crescimento de tumores.

Cabe aqui mencionar que roedores que escapam de ratoeiras e de predadores naturais, morrem inevitavelmente de câncer, cuja taxa de mortalidade extrapola 90% nesses animais.

Para entender como o rato toupeira é capaz dessa façanha, cabe lembrar que as células têm a capacidade que tem de se dividir ao longo da vida e que esse processo é chamado ciclo celular.

Desajustes no ciclo de divisão celular podem transformar uma célula normal em tumoral e, por conta disso o processo precisa ser bastante controlado. Essa regulação fica por conta de proteínas que, produzidas e destruídas em períodos determinados, têm a capacidade de interromper ou fazer prosseguir o processo.

Quando uma célula normal "sente" outra ao seu lado, ela pára de se dividir para não "atropelar" o que estiver pela frente. Esse fenômeno chama-se inibição por contato.

Células tumorais ignoram esse sinal de contato, continuam se dividindo e invadem outros tecidos e órgãos. É o que conhecemos como metástase.

A inibição por contato é regulada por uma família de proteínas batizada pelo acrônimo CDKI (do inglês inibidores de cinases dependentes de ciclinas) e nomeadas de acordo com o peso (molecular) que possuem.

Quando uma célula humana ou de camundongo percebe a presença de uma vizinha, aumenta a produção da proteína p27, o que impede uma nova divisão celular. O problema é que muitas vezes produzir p27 não é suficiente para impedir o crescimento de tumores.

O rato toupeira pelado evoluiu um sistema de inibição por contato ultra-sensível. Ao menor sinal (de contato), produz p16, além de p27 (que funciona como back-up). Dessa forma, impede que células neoplásicas se multipliquem e atropelem o que estiver no caminho.

Em células humanas, além de produzir p27, perder telomerase é estratégia adicional para evitar a geração de células neoplásicas ao longo da vida.

Como já discutido aqui nesse blog , os telômeros protegem o material genético durante a divisão celular. E a cada ciclo celular, encurtam um pouquinho. Na sua ausência, é impossível se dividir. A telomerase evita o encurtamento dos telômeros, garante novas divisões celulares e está muito presente nas células cancerosas.
Em contrapartida, as células (normais) de nosso corpo, em algum momento da vida, param de se dividir. É a senescência replicativa, o que reduz a chance de formação de tumores mas traz consigo a incapacidade de regeneração dos tecidos e o envelhecimento do organismo.

Por conta de seu mecanismo de inibição de contato mais eficiente, as células do rato toupeira podem manter a telomerase ativa, restaurando seu corpo desgastado por doença ou pelo tempo, sem com isso, aumentarem o risco da formação de um câncer. Quando alguma coisa parece errada, novas divisões celulares são sumariamente interrompidas, e extingüe-se o risco de metástases.

Ao desenvolver mecanismos anti-neoplásicos tão eficientes, o rato toupeira vive 7 vezes mais do qualquer outro pequeno roedor e pode ser considerado um highlander entre seus pares.

Não custa nada especular sobre a possibilidade de, um dia, nos utilizarmos das estratégias do rato toupeira pelado para superar o câncer e quem sabe não mais nos preocuparmos com o passar do tempo.



Células-tronco, Malbec e bife de chorizo argentinos

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 16/11/2009 12:23

 

Ontem à noite retornei de Buenos Aires, onde aconteceu o Simpósio Internacional sobre Pesquisa em Células-Tronco da Fundación Instituto Leloir .

O evento reuniu os principais especialistas dos Estados Unidos, Canadá, Suécia, Alemanha, Espanha, Brasil, Chile, Uruguai e Argentina trabalhando no tema.

Sem dúvida um dos melhores encontros científicos que já participei. As discussões, sempre muitos intensas, continuavam durante o jantar, enquanto apreciava-se bom vinho e carne em algum restaurante de Palermo Soho, a Lapa portenha.

A presença da Presidente da Argentina Cristina Kirchner abrilhantou o encontro. Carismática, fez questão de lembrar o dia em que, durante visita a um laboratório, surpreendeu cientistas de seu país ao identificar sozinha ao microscópio as estruturas de um célula (núcleo e citoplasma).

Kirchner demonstrou entusiasmo legítimo e algum conhecimento sobre os avanços na área de Medicina Regenerativa. Aproveitou a ocasião para comentar a existência de uma sala dedicada à ciência no interior da Casa Rosada, onde há fotos e informações sobre as principais conquistas dos "científicos argentinos". Los hermanos presentes vibraram.

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva daquele país, Lino Barañao e o Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde do Brasil, Reinaldo Felippe Nery Guimarães, assinaram termo de colaboração científica com duração prevista de 5 anos para estudos sobre células-tronco entre os dois países.

Nesse primeiro texto especial sobre o simpósio, relato as conclusões da mesa-redonda "Perspectivas e realidades na pesquisa e tratamentos envolvendo células-tronco".

José Cibelli, pesquisador da Universidade de Michigan e especialista em reprogramação celular, foi o mediador.

Perguntou aos participantes qual o maior desafio a ser superado para a aplicação clínica de células-tronco embrionárias no tratamento de doenças humanas.

Armand Keating, estudioso de células-tronco adultas na Universidade de Toronto (Canadá), destacou a importância de se garantir a segurança dos novos procedimentos. 

Olle Lindvall, o maior especialista do mundo na utilização de células para o tratamento do Mal de Parkinson, ressaltou que as novas terapias precisam ser definitivamente mais eficazes do que os medicamentos já existentes. Caso contrário não valerão a pena.

O pesquisador da Universidade de Lund (Suécia) comentou que será preciso eliminar a possibilidade de formação de tumores antes que qualquer transplante de células-tronco embrionárias seja realizado em humanos.

George Daley, pesquisador de células iPS da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos) lembrou a importância da obtenção de populações plenamente diferenciadas (de neurônios, células cardíacas ou do pâncreas) a partir de células-tronco antes de sua aplicação terapêutica.

Irv Weissman pensa diferente.

O pesquisador da Universidade Stanford (Estados Unidos) sugeriu que a comunidade científica rediscuta justamente o procedimento que precede o transplante de células-tronco embrionárias. Transplantar células totalmente diferenciadas (como sugere Daley) ou aquelas mais jovens, assumindo que o próprio corpo forneceria as pistas para a diferenciação completa e específica das células-tronco? A vantagem desse procedimento seria deixar para o organismo a decisão sobre qual tipo celular precisa numa determinada situação.

Weissman lembrou ainda a importância de se impedir o turismo de células-tronco e anunciou a criação de uma página na internet onde serão listados todos os médicos e instituições que vendem terapia celular sem comprovação científica. Os pacientes agradecem.

Em resumo serão esses os desafios que nortearão os cientistas nos próximos 10 anos.

Talvez pareçam insuperáveis para alguns mas vale lembrar que o isolamento das primeiras células-tronco embrionárias aconteceu há 11 anos atrás, e a criação das células iPS há somente 3 anos! Desde então os avanços são impressionantes.

Na minha opinião não há porque duvidar que as pesquisas sobre células-tronco, de um jeito ou de outro, irão revolucionar a medicina.

E você leitor, o que acha? Qual sua expectativa sobre o assunto para os próximos anos?



O que Bruce Willis têm em comum com um neurocientista brasileiro?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 02/11/2009 12:59

Ontem assisti Substitutos (no original Surrogates - Touchstone Pictures, 2009).

A ficção científica é ambientada em 2054, quando seres humanos trocariam a vida em carne e osso por substitutos andróides.

Na internet proliferam críticas pouco entusiasmadas sobre a trama estrelada por Bruce Willis.

De fato o filme não foge de clichês hollywoodianos e leva às últimas conseqüências o que conhecemos hoje como Second Life.

Pode ser considerado um pot-pourri de Eu, Robô, com a trilogia Matrix e grande influência estética da tetralogia o Exterminador do Futuro, o que não é surpresa, já que seu diretor, Jonathan Mostow, também assinou a Rebelião das Máquinas.

Ninguém comentou entretanto que o enredo dos Substitutos é uma extrapolação fantástica do trabalho pioneiro de Miguel Nicolelis sobre a interface cérebro-máquina.

A narrativa introdutória tenta explicar como a humanidade decidiu trocar a vida real pela virtual e é acompanhada por cenas reais, incluindo a de um macaco controlando um braço biônico "com a força do pensamento". É justamente aí que se vê o dedo do neurocientista brasileiro, primeiro a demonstrar que a atividade elétrica de neurônios pode ser convertida em códigos matemáticos que movimentam braços e pernas mecânicos .

De forma bastante simplificada, Miguel e sua equipe estudam como o cérebro define a percepção do que é o corpo que o abriga, e quem sabe, como o cérebro poderá se libertar desse corpo.

Seu trabalho de pesquisa caminha para o desenvolvimento de neuropróteses capazes de restaurar funções motoras em pacientes paralisados por lesões ou doenças que comprometem o funcionamento do sistema nervoso, incluindo cadeirantes e portadores da Doença de Parkinson.

A novidade dessa saga pode ser apreciada na edição de setembro desse ano da revista Frontiers in Integrative Neuroscience.

Miguel e sua equipe na Universidade Duke dos Estados Unidos assinam artigo científico que demonstra a possibilidade de comunicação bidirecional entre cérebro e máquina a partir da estimulação do córtex somatossensorial, ou seja, além de movimentar um braço biônico o cérebro começa a ser capaz de senti-lo!

Foi no mínimo curioso assistir a um filme de ficção científica baseado numa HQ cuja justificativa para refletir sobre esse futuro alternativo esteja baseada no trabalho de um brasileiro.

O filme sugere que a opção pelos substitutos seria principalmente estética e sexual. Isso sem contar que a grande conspiração que movimenta o agente do FBI vivido por Bruce Willis contribui para atiçar medos e preconceitos em relação à conduta social dos cientistas.

Melhor seria se Hollywood trabalhasse no sentido oposto mas aí já é pedir demais.



Cordão umbilical gera neurônios?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 25/10/2009 23:04

Por força de três viagens e tarefas administrativas que se acumularam, este blog não foi atualizado nas últimas 2 semanas. Peço desculpas aos leitores pelo silêncio.

Retomo as atividades comentando reportagem publicada anteontem no jornal Folha de São Paulo sobre trabalho que compara o padrão de expressão gênica de células mesenquimais derivadas do sangue do cordão umbilical com células do próprio tecido que forma o cordão umbilical.

A chamada para a matéria, tanto no jornal impresso quanto na versão online , é o título desse post sem o ponto de interrogação, seguido de "afirma pesquisa da USP". No primeiro parágrafo da reportagem lê-se ainda: "isso porque as células-tronco do cordão servem para formar neurônios".

Assim que comecei a ler a reportagem, senti uma mistura de surpresa e empolgação, depois veio o desapontamento e por último a preocupação.

A simples possibilidade de demonstração da geração de neurônios a partir de células adultas não provenientes do cérebro, de células-tronco embrionárias ou de pluripotência induzida (iPS) seria um marco científico daqueles. Daí minha empolgação.

No começo dessa década alguns pesquisadores já haviam proposto que células-tronco derivadas do sangue poderiam se transformar em células extremamente especializadas como os neurônios. Entretanto, poucos anos mais tarde a maior parte da comunidade científica foi incapaz de reproduzir esses resultados .

O tema é controverso mas o conceito aceito atualmente é que células do sangue, inclusive as mesenquimais, podem apresentar marcadores comuns aos neurônios mas isso não significa que consigam fazer o que os neurônios fazem: formar sinapses, disparar potenciais de ação, participar de redes neurais no interior do cérebro.

Seria o equivalente que chamar de zebra um cavalo com listras como o da foto. Essa ótima comparação ouvi pela primeira vez do Professor Luiz Eugenio Mello, que publicou artigo científico demonstrando que células mesenquimais podem, em algumas situações, produzir proteínas de neurônios sem entretanto agirem como tal.

As células mesenquimais analisadas pela equipe do Professor da Unifesp foram retiradas da medula óssea de ratos. Seus resultados não excluem a possibilidade de que células mesenquimais extraídas do cordão umbilical humano sejam diferentes e possam eventualmente gerar neurônios.

Por outro lado, o artigo sobre as células do cordão umbilical, apesar de bastante interessante, de ter passado pelo crivo da comunidade científica internacional e ter sido aceito para publicação em revista científica especializada não demonstrou o que afirma a manchete da reportagem da Folha: que células do cordão umbilical geram neurônios.

Muito pelo contrário, seus autores foram extremamente cautelosos, escreveram inclusive que a expressão dos genes associados à neurogênese (geração de neurônios) detectada nas células do cordão umbilical poderia ser uma "contaminação" da amostra por terminais de neurônios.

Segundo o próprio artigo, além desses 4 genes comuns aos neurônios (SYNPO2, NRP2, CDH2 e NPY), as células de cordão umbilical também expressam genes relacionados à angiogênese, à morfogênese, à adesão celular e secreção.

A chamada da matéria da Folha de São Paulo poderia ter sido "cordão umbilical gera vasos sangüíneos" ou ainda "cordão umbilical gera um monte de coisas". Certamente a opção por falar dos neurônios na chamada e no primeiro parágrafo atraiu muito mais leitores.

Até a tarde de hoje a reportagem da Folha havia repercutido em pelo menos 219 blogs e 981 páginas de notícias na internet. A partir de agora para a maioria esmagadora dos leitores cordão umbilical gera neurônio! Ninguém irá se preocupar em confirmar se o artigo citado traz de fato dados experimentais que corroborem essa afirmação.

Todos nós torcemos para que um dia se demonstre que células-tronco adultas derivadas do sangue, do cordão umbilical ou de qualquer outra parte do corpo além do cérebro sejam capazes de formar neurônios funcionais. Iria acelerar bastante os estudos clínicos para doenças como Parkinson, lesão medular ou esclerose lateral amiotrófica. Infelizmente não foi dessa vez.



Células-tronco na terra da Nação Zumbi

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 07/10/2009 00:40

Começa amanhã no Recife o mais importante encontro científico brasileiro na área de terapia celular e células-tronco.

O IV Simpósio Internacional de Terapias Avançadas e Células-Tronco contará com a presença de 9 palestrantes estrangeiros e 24 brasileiros.

O destaque fica por conta de James Thomson, o primeiro cientista no mundo a isolar células-tronco embrionárias a partir de embriões humanos.

Seu principal artigo, publicado na revista Science há 11 anos atrás, mudou a forma com que estudamos o desenvolvimento humano no laboratório.


Além de James Thomson, outros pesquisadores de grande destaque estarão presentes.

Abaixo a programação completa do evento. Muita ciência brasileira de boa qualidade.

O saudoso Chico Science iria se orgulhar.

PROGRAMA

Quinta-Feira - 08/10/2009

08:30 - 10:00 - Simpósio: Terapia Celular no Brasil
Coordenador: Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)
Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Dr. Ricardo Ribeiro dos Santos (BA)
Dr. Paulo Roberto Slud Brofman (PR)
Dr. Julio César Voltarelli (SP)

10:00 - 10:30 - Intervalo

10:30 - 12:00 - Simpósio: Células Tronco Pluripotentes
Coordenadora: Dra. Lygia da Veiga Pereira (SP)
Dr. James Thomson (EUA)
Dr. Stevens Rehen (RJ)
Dr. Thomas Reh (EUA)
Drª. Lygia da Veiga Pereira (SP)

12:00 - 14:00 - Intervalo

14:00 - 14:45 - Conferência de abertura: Células Tronco Embrionárias e Induzidas
Presidente: Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)
Dr. James Thomson (EUA)

14:45 - 15:30 - Conferência: De Células Tronco Embrionárias a Neurônios
Presidente: Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Dr. Thomas Reh (EUA)

15:30 - 16:00 - Intervalo

16:00 - 16:45 - Conferência: Células Tronco e Diabetes
Presidente: Dr. Stevens Rehen (RJ)
Dr. Julio Cesar Voltarelli (SP)

17:00 - 19:30 - Temas Livres selecionados para Apresentação Oral
Coordenadores: Dr. Milton Artur Ruiz e Drª. Nance Beyer Nardi
(10 temas escolhidos para concorrer ao prêmio de melhor pesquisa na área de terapia celular no país)
 

Sexta-Feira - 09/10/2009

08:30 - 10:00 - Simpósio: Células Tronco em Doenças Neurológicas
Coordenadora: Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Dr. Gabriel Rodríguez de Freitas (RJ)
Dr. Walace Gomes Leal (PA)
Dr. Carlos Alexandre Netto (RS)
Dr. Fernando Pitossi (Argentina)

10:00 - 10:30 - Intervalo

10:30 - 12:00 - Simpósio: Células Tronco em Cardiopatias - Ensaios Clínicos
Coordenador: Oswaldo Tadeu Greco (SP)
Dr. Renato Kalil (RS)
Dr. Timothy Henry (EUA)
Dr. Luís Henrique Wolff Gowdak (SP)
Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)

12:00 - 14:00 - Intervalo

14:00 - 14:30 - Conferência: Células Tronco na Isquemia Miocárdica
Presidente: Dr. João Moraes Jr. (PE)
Dr. Noedir Stolf (SP)
14:30 - 15:00 - Conferência: Os Ensaios Clínicos de Terapia Celular em Cardiologia do NIH
Presidente: Ricardo Ribeiro dos Santos (BA)
Dr. Timothy Henry (EUA)

15:00 - 15:30 - Conferência: Uso de Células Tronco no Tratamento do Lupus Eritematoso Sistêmico
Presidente: Dr. Julio César Voltarelli (SP)
Drª. Ewa Carrier (EUA)

15:30 - 16:00 - Intervalo

16:00 - 16:30 - Conferência: Células Tronco para Terapias Regenerativas
Presidente: Milton Artur Ruiz (SP)
Dr. Bernd Fleischman (Alemanha)

16:30 - 17:00 - Conferência: Terapia Celular em Epilepsia
Presidente: Dr. Paulo Roberto Slud Brofman (PR)
Dr. Jaderson Costa da Costa (RS)

17:00 - 17:30- Conferência: Derivação de Eritrócitos a Partir de Células Tronco Embrionárias
Presidente: Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Drª. Ewa Carrier (EUA)

17:30 - 19:00 - Sessão de Pôster: Apresentação de Trabalhos Científicos
Coordenadoras: Drª. Valéria Bezerra de Carvalho
   Drª. Carmen Lúcia Kuniyoshi Rebelatto

Sábado - 10/10/2009

08:30 - 10:00 - Simpósio: Terapia Celular nas Doenças Renais e Hepáticas
Coordenadora: Dra. Regina Coeli dos Santos Goldenberg (RJ)
Drª. Milena Botelho Pereira Soares (BA)
Dr. Adalberto Ramon Vieyra (RJ)
Dr. André Castro Lyra (BA)
Dr. Nestor Schor (SP)

10:00 - 10:30 - Intervalo

10:30 - 12:00 - Simpósio: Terapia Celular para Doenças Pulmonares, Locomotoras.
Coordenador: Dr. Julio César Voltarelli (SP)
Drª. Zulma Gazit (Israel)
Dr. Dan Gazit (Israel)
Dr. Marcelo Morales (RJ)
Dr. João Tadeu Ribeiro-Paes (SP)

12:00 - 14:00 - Intervalo

12:30 - 13:30 -Assembléia - Associação Brasileira de Terapia Celular (ABTCel)
Presidente: Dr. Paulo Roberto Slud Brofman (PR)
Coordenadores: Drª. Alexandra Cristina Senegaglia (PR) e Paula Hansen Suss (PR)

14:00 - 14:30 - Conferência: Células Tronco Mesenquimais na Reconstituição de ossos
Presidente: Drª. Nance Beyer Nardi (RS)
Drª. Zulma Gazit (Israel)

14:30 - 15:00 - Conferência: Células Tronco Mesenquimais na Reconstituição de Cartilagens
Presidente: Dr Sérgio Paulo Bydlowski (SP)
Dr. Dan Gazit (Israel)

15:00 - 15:30 - Intervalo

15:30 - 16:00 - Conferência: Estado da Arte na Terapia Celular para Doenças Neurológicas
Presidente: Dr. Renato Kalil (RS)
Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)

16:00 - 17:30 - Rede Nacional de Terapia Celular
Coordenador: Dr. Reinaldo Guimarães (DF)
Dr. Reinaldo Guimarães (DF)
Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)
Dr. Fernando Pitossi (Argentina)
Dr. Mariano Levin (Argentina)
Drª. Lygia da Veiga Pereira (SP)
Drª. Geni Neumann N. de Lima Camara (DF)

17:30 - Entrega de Prêmios

18:00 - Encerramento



Cromossomos, ponteiras plásticas de cadarços e o relógio da vida

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 07/10/2009 00:33


Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak devem ter tido a segunda-feira mais feliz de suas vidas. Anteontem cada um deles recebeu um telefonema informando que ganharam o Prêmio Nobel de Medicina de 2009.

Nas décadas de 1970 e 1980 esses três cientistas americanos descobriram como os cromossomos evitam sua degradação enquanto se dividem. O segredo está nos telômeros, sequências repetitivas de DNA que protegem suas extremidades da mesma forma que ponteiras plásticas protegem as pontas de nossos cadarços.

A foto, tirada por Priscila Britto Campos em meu laboratório, ilustra cromossomos de uma célula-tronco coloridos em azul e seus telômeros marcados como pontos vermelhos. Os nobelistas foram os primeiros a identificá-los!

Tais estruturas conferem proteção contra fusões, erros de recombinação e danos no DNA.

Em 1961, Hayflick notou que células de mamíferos tinham uma taxa finita de proliferação mas não soube explicar como isso acontecia.

Graças à Blackburn, Greider e Szostak hoje sabe-se que tal fenômeno ocorre porque a cada ciclo de divisão celular os telômeros sofrem encurtamento em função do antiparalelismo das fitas de DNA.

Com isso, acabam funcionando como um relógio da vida, definindo o momento em que uma célula entra em senescência, ou em outras palavras, quando tem início o envelhecimento de nosso corpo.

Algumas células são capazes de corrigir o encurtamento de seus telômeros. Essa tarefa é realizada por uma enzima chamada telomerase.

A telomerase é capaz de adicionar sequências de DNA nas extremidades dos cromossomos prevenindo assim a perda progressiva dos telômeros e desacelerando o tic-tac do tal relógio.

A maioria das nossas células não produzem grandes quantidades de telomerase e por isso depois de 50 a 80 duplicações não conseguem mais se dividir.

A exceção fica por conta das células epiteliais, das hepáticas e infelizmente das tumorais, ricas em telomerase, o que pode explicar porque se dividem tantas vezes.

A alta atividade da telomerase pode indicar inclusive o início de um câncer. Há medicamentos sendo testados em seres humanos com o objetivo de inibir essa enzima e conseqüentemente o crescimento de tumores.

A próxima vez que amarrar os sapatos lembre-se que algo com a mesma função da ponteira plástica de seus cadarços define quantas vezes nossas células conseguem se dividir, para o bem e para o mal.



Como surgiu o mundo? E a vida?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 28/09/2009 22:44

Marcelo Gleiser é um dos cientistas mais populares do Brasil. Físico, astrônomo, escritor e roteirista participou de diversos programas de divulgação científica na TV.

O professor do Dartmouth College fará palestra sobre a origem do universo no Rio de Janeiro.
 
A ORIGEM DO UNIVERSO: DOS MITOS DE CRIAÇÃO AO BIG BANG

Quinta-feira (01/10) a partir das 17h30.

Aberta ao público, entrada gratuita.

Local: Fórum de Ciência e Cultura  - Salão Pedro Calmon.



AV. PASTEUR, 250. 22295-900 RIO DE JANEIRO, RJ 

TEL.: (21) 2295-1595

Tradicionalmente,  as  religiões  foram  a  nossa  primeira tentativa  de  resposta sobre a origem da vida.

Os mitos  de  criação  fazem  parte  de  todas  as  culturas,  do  passado e do presente.

Com o surgimento da  filosofia ocidental e, mais  recentemente, da ciência,  a mesma pergunta continua sendo feita e respondida de forma diversa. A cada geração, temos um novo modelo  do  universo. Nessa  palestra,  Marcelo Gleiser irá cruzar dois mil  anos  de  história  do  conhecimento investigando como a imaginação humana tentou e tenta lidar com o maior dos mistérios.

IMPERDÍVEL!



Lançamento do livro "Ab Initio", de Franklin David Rumjanek

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 22/09/2009 19:52

A Vieira e Lent Casa Editorial divulga o lançamento do livro "Ab Initio", do professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ Franklin David Rumjanek.

Será nesta quarta-feira, dia 23 de setembro, às 19 horas, na livraria da Travessa em Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572).

O Dr. Rumjanek é diretor adjunto do Instituto Ciência Hoje. Trabalhou na Universidade de Copenhagem, na Universidade de Londres, National Institute for Medical Research e Universidade de Harvard nos Estados Unidos.

A vida começou na Terra ou em algum outro lugar do Universo?

A vida está subordinada a leis especiais da física?

Por que surgiram ideias evolucionistas?

A evolução é aleatória ou não?

Por que a maioria das pessoas rejeita a evolução?

O cientista usa linguagem acessível para refletir acerca do surgimento e evolução da vida.

A publicação é lançada quando se comemoram os 150 anos da publicação da Origem das Espécies e 200 anos do nascimento de Charles Darwin.

Para ler o primeiro capítulo do livro clique aqui .



Teste clínico com células-tronco neurais autorizado para esclerose lateral amiotrófica

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 21/09/2009 22:17

Esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença progressiva ainda sem cura. Pode ser genética, ou não, apresenta seus sintomas geralmente na meia idade, e, em 90% dos casos, mata rapidamente os neurônios responsáveis pelos comandos dos músculos.

À medida que esses neurônios atrofiam e degeneram, os músculos controlados enfraquecem e a pessoa perde o controle dos movimentos.

A agência federal americana responsável pelo controle de alimentos e questões de saúde (FDA) autorizou hoje o primeiro teste clínico com aplicação de células-tronco neurais para o tratamento de ELA.

Dezoito pacientes com graus variados da patologia irão receber na medula espinal até 10 injeções de células-tronco neurais produzidas por uma empresa americana de biotecnologia.

Quatro artigos científicos publicados por cientistas da Johns Hopkins e da empresa sugerem que a aplicação de células-tronco neurais derivadas da medula espinal humana combinada a imunosupressores aumenta a sobrevida e reduz a progressão da ELA em camundongos e ratos.

O teste terá como principal objetivo avaliar a segurança do procedimento mas a expectativa também será analisar a hipótese de que terapia celular é capaz de desacelerar em seres humanos o processo degenerativo da ELA que leva a paralisia e morte.

A autorização para o início desse teste clínico estava prevista originalmente para fevereiro de 2009 mas foi adiada pelo próprio FDA.

Em março desse ano hospitais da região de Murcia na Espanha anunciaram um teste clínico para ELA (número identificador NCT00855400) com células-tronco autólogas derivadas da medula óssea mas até o momento nenhum paciente foi recrutado.



Quem deve pagar a conta?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 21/09/2009 14:45

Fuga de cérebros pode ser definida como uma emigração de indivíduos com aptidões técnicas ou de conhecimentos devido a conflitos políticos, étnicos, guerras civis ou falta de oportunidade em seu país de origem.

Existe um contingente não desprezível de cientistas brasileiros trabalhando fora do país e que não pensa em voltar. O assunto volta à tona de tempos em tempos. Ontem foi a vez do jornal O Globo reacender a discussão.

Segundo reportagem de Leila Suwwan, bolsistas de doutorado e pós-doutorado enviados ao exterior mas que não retornaram, devem R$ 81,1 milhões (valores sem correção ou juros) aos órgãos de fomento nacionais (CAPES e CNPq).

Antes de receber sua bolsa, o pesquisador assina documento que o obrigaria a passar igual período no país, transmitindo o conhecimento adquirido. Apesar da cláusula "do retorno", é difícil cobrar de quem que não volta ao país. A Controladoria Geral da União discute a possibilidade dos bolsistas passarem a apresentar garantias prévias de ressarcimento para começarem a receber os recursos.

Não há levantamento completo sobre o impacto desse êxodo. Entre 1982 e 1998, equivaleria a 1% do total de beneficiados. De qualquer modo, trata-se de dinheiro público que poderia ser reinvestido em pesquisa feita no Brasil.

A principal justificativa para não regressar seria a dificuldade em conseguir trabalho. Por conta disso, o Tribunal de Contas da União recomendou estudo sobre a possibilidade de contratação compulsória de bolsistas formados no exterior. Seria o mesmo que garantir a convocação para a seleção brasileira de todo e qualquer atleta que dispute o campeonato europeu.

Atrevo-me a dizer que a falta de oportunidade não explica a permanência definitiva no exterior de cientistas que buscaram especialização em universidades dos Estados Unidos e Europa.

Há ofertas de emprego surgindo em diversas universidades brasileiras, além de bolsas disponíveis para fixação de pesquisadores recém-chegados.

Salvo raríssimas exceções, permanecer fora do Brasil é uma opção pessoal ou profissional.

Não é fácil fazer pesquisa por aqui e essa escolha deve ser respeitada. A pergunta é quem deve pagar a conta.

Há vantagens para o país em possuir cientistas radicados no exterior? Sim, há. São profissionais que absorvem em seus laboratórios estudantes brasileiros que buscam formação especializada. Além disso, estabelecem conexões internacionais que podem beneficiar o desenvolvimento de áreas de conhecimento ainda incipientes em nosso país.  Não sabemos entretanto se o impacto positivo do retorno desses profissionais ao Brasil seria ainda maior.

E você leitor, acha que o pesquisador brasileiro que migra definitivamente para o exterior deveria ressarcir aos cofres públicos o dinheiro investido em sua formação?

É um assunto controverso, dê sua opinião!



Quer saber sobre Física Quântica?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 15/09/2009 13:07

Recebi de Antonio Holzmeister Oswaldo Cruz, Produtor Cultural do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ , dica de palestra imperdível sobre as fronteiras da Física Quântica.

O conferencista será o super premiado cientista Serge Haroche (COLLÈGE DE FRANCE AND ÉCOLE NORMALE SUPÉRIEURE, PARIS).

Quinta-feira (17/9) a partir das 17h30.

Aberta ao público, entrada gratuita. A apresentação será em inglês.


Local: Fórum de Ciência e Cultura  - Salão Pedro Calmon.

AV. PASTEUR, 250. 22295-900 RIO DE JANEIRO, RJ  TEL.: (21) 2295-1595

O desenvolvimento do transistor, do laser e da nanotecnologia são exemplos de aplicações da física quântica que revolucionaram nossas vidas. Apesar disso, parece ser um mundo estranho e que escapa à intuição.

A teoria quântica proporcionou à comunidade científica novas formas de entender, de forma profunda, o mundo microscópico.

Recentes avanços tecnológicos permitem investigar este estranho mundo de forma detalhada a partir do isolamento e manipulação de sistemas quânticos como átomos, moléculas, fótons ou microchips supercondutores.

Para além de seu interesse intrínseco e fundamental, estes estudos abrem perspectivas fascinantes no sentido de aplicações práticas.

Sonhamos sobre criptografia quântica, teletransporte e computação quântica. Se alguma destas aplicações vai se tornar realidade algum dia é uma questão em aberto.

A certeza que temos é que a exploração das estranhas leis do mundo quântico ainda nos proporcionará muitas surpresas e motivos para se perguntar sobre a Natureza.

Vale conferir!



Divulgar ciência é dever de jornalistas especializados mas também dos cientistas

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 15/09/2009 12:41

Há poucos jornalistas no Brasil com formação sólida em ciências, dá para contar nos dedos. Cientistas que aceitam o desafio de se comunicar com o grande público, idem.

Apesar de alguns pensarem que cientistas e jornalistas não se topam (ou não deveriam se topar), pesquisa recente da Universidade de Wiscosin-Madison dos Estados Unidos indica que desde a década de 1980 a interação entre imprensa e academia é crescente e o mais importante, benéfica a quem realmente importa: a sociedade.

Mil e duzentos especialistas em células-tronco e epidemiologia participaram do estudo. Somente 1/3 desses pesquisadores não teve contato com jornalistas nos últimos três anos.

Os cientistas entrevistados disseram que a principal motivação para se comunicarem com os jornalistas ou diretamente com o público é divulgar a importância da ciência para a sociedade.

Um dado interessante da pesquisa é que os cientistas que mais interagem com a imprensa são aqueles com grande produção científica. Ou seja, os jornalistas buscam os profissionais com competência reconhecida entre seus pares.

São informações relevantes que ajudam a colocar mais uma pá de cal na antiga noção de que a relação entre cientistas e público não seria isenta ou que jornalistas sempre deturpam o que os pesquisadores dizem.

Não há levantamento semelhante realizado no Brasil mas cientistas engajados em divulgar publicamente o que fazem em seus laboratórios algumas vezes são criticados pelos seus próprios colegas.

O tema será discutido durante o II Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa   (EWCLiPo) entre 25 e 27 de setembro de 2009 em Arraial do Cabo, RJ.

Como escrevi em outra ocasião: os cientistas devem sair do armário. Uma maior participação e engajamento em aspectos sociais, políticos e educacionais da sociedade é bem-vinda. O pesquisador deve assumir seu papel como agente de transformação social.

A comunicação entre cientistas e grande público é essencial, principalmente em assuntos controversos, relacionados ao meio ambiente, saúde e economia.

Alimentos transgênicos, pesquisa com células-tronco, gripe suína, energia nuclear, aquecimento global, nanotecnologia são notícias de todos os dias e devem ser discutidas pelos cientistas além dos muros das universidades.

Aproveito a ocasião para compartilhar com os leitores o desafio que terei hoje à noite.

Fui convidado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro para apresentar palestra sobre pesquisas com células-tronco na Bienal Internacional do Livro.

Será hoje (terça 15/9) às 20h no Café Literário (Riocentro, pavilhão número 2, cor laranja) .

Quem estiver por lá, apareça!



Procura-se donos para cães clonados

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 09/09/2009 00:27

Filhotes do primeiro cão clonado do mundo serão oferecidos para adoção pela Universidade Nacional de Seul na Coréia do Sul.

Em maio desse ano, Snuppy tornou-se pai de três machos e seis fêmeas (foto) após inseminação artificial de duas cadelas.

Segundo o veterinário responsável, os animais estão com ótima saúde e são idênticos a qualquer outro cachorro da raça Afghan Hound. Antes de serem oficialmente adotados, todos serão esterilizados para evitar que se reproduzam.

O que é clonagem?

Quando se pensa em clonagem é impossível não lembrar da famosa ovelha Dolly, clonada em 1996 pelo grupo do pesquisador escocês Ian Wilmut .

A técnica consiste na remoção do núcleo (onde se encontra o material genético, conhecido pelo acrônimo DNA) de um óvulo e sua substituição pelo núcleo de uma célula adulta. Dessa maneira, o óvulo perde suas características genéticas próprias (presentes no núcleo) e passa a conter as informações genéticas provenientes do indivíduo de onde a célula adulta foi retirada.

Na clonagem da Dolly, após o núcleo original ter sido substituído, o óvulo foi implantado no útero de outro animal, gerando a famosa ovelhinha, idêntica à doadora do material genético. A esse tipo de clonagem cuja finalidade é gerar um novo indivíduo damos o nome de clonagem reprodutiva.

Aplicações bem sucedidas de clonagem reprodutiva já foram realizadas para diversas espécies: camundongos, ratos, gatos, coelhos, porcos, cavalos, vacas (incluindo a brasileira Vitória), bois (incluindo o brasileiro Bandido) e até camelos!

Outras ocupam por enquanto o imaginário coletivo, como por exemplo reviver uma espécie pré-histórica, a partir de células do fóssil de um mamute morto há 10 mil anos descoberto na Sibéria.

Snuppy foi clonado pelo grupo liderado por Woo-Suk Hwang. Hwang é o cientista sul-coreano que afirmou em 2005 ter conseguido obter células-tronco embrionárias após a transferência de núcleos de células de pacientes a óvulos doados. No entanto, no ano seguinte confirmou-se que seus resultados eram falsos , deixando em alerta a comunidade científica para a necessidade de cuidado e avaliação mais criteriosa dos trabalhos científicos aceitos para publicação.

Hwang, mais conhecido por uma das fraudes mais espetaculares da ciência, conseguiu clonar além do cachorro Snuppy , lobos ameaçados de extinção (batizados Snuwolf and Snuwolffy ).

Note acima que os nomes de todos esses animais clonados começam com as letras SNU (em homenagem à Universidade Nacional de Seul).
   
A universidade sul-coreana especializou-se na clonagem de cachorros. Já existem sete cães farejadores clonados trabalhando no aeroporto de Seul. Após 16 meses de treinamento, os animais parecem ter as mesmas habilidades de Chase, o labrador canadense que doou a célula que deu origem aos filhotes em 2007.

Apesar das limitações e altas taxas de insucesso que acompanham o processo atual de clonagem reprodutiva, a tecnologia veio para ficar. Sua importância é evidente para animais ameaçados de extinção ou com habilidades especiais para detectar drogas e explosivos, como é o caso dos filhotes de Chase.

Por alguns milhares de dólares empresas prometem clonar por encomenda cães e gatos de estimação (até o momento pelo menos 50 cães já foram clonados pelas duas principais firmas do ramo, ambas sul-coreanas).

Aqui vale lembrar que nem mesmo o padrão de pelagem original é garantido nos animais clonados.

Há um grau de indeterminação intrínseco ao desenvolvimento de qualquer organismo além, é claro, das influências do ambiente que fazem com que mesmo os clones venham a apresentar diferenças entre si.

E você, gostaria de ver clonado seu animal de estimação?



A perda de um pioneiro da Neurociência no Brasil

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 03/09/2009 23:43

Como diria meu pai o tempo é inexorável.

Ontem perdemos o Professor Hiss Martins-Ferreira, um dos expoentes da primeira geração de neurocientistas de nosso país.

Dr. Martins-Ferreira teve papel fundamental na descrição da "depressão alastrante", fenômeno descoberto por outro grande cientista brasileiro, Dr. Aristides Azevedo Pacheco Leão.

A depressão alastrante de leão, descrita originalmente em 1944, é uma onda de intensa atividade neuronal que se espalha por diferentes regiões do cérebro em situações especiais.

Diretamente associada à enxaqueca, pode explicar as ilusões visuais, formigamento e fraqueza relatados por muitos pacientes na fase de prenúncio que antecede a cefaléia. O fenômeno também está associado à epilepsia, contribuindo para seu diagnóstico.

Conheci o "Dr. Hiss" em 1990, quando ingressei como estagiário de iniciação científica no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. Na época, já tinha 70 anos mas sua vivacidade contagiava os jovens que iniciavam a formação acadêmica. 

Como lembrou bem a grande amiga Cecília Hedin-Pereira, há poucas semanas atrás Dr. Hiss, com seus 89 anos, ainda frequentava os seminários do Programa Avançado de Neurociências da UFRJ.

Abaixo mensagem do Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências (SBNeC) sobre o Dr. Martins-Ferreira.

"É com grande pesar que a SBNeC comunica o falecimento do Professor Hiss Martins-Ferreira, um de nossos mais importantes neurocientistas. Mineiro de São João del Rei, nascido em 1920, formou-se médico, no Rio de Janeiro, na então Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, em 1943.

Professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ, Martins-Ferreira dedicou sua vida à neurociência, contribuindo de forma fundamental para a compreensão da "depressão alastrante", fenômeno originalmente descoberto por seu amigo, mentor e colaborador por muitos anos, Aristides de Azevedo Pacheco Leão (1914-1993).

A neurociência brasileira perde, assim, um dos últimos representantes de uma tradição de pesquisa que vem se extinguindo rapidamente, e que se caracterizava pela busca perseverante, árdua e incondicional das respostas mais simples para uma pergunta bem posta. Perdemos, assim, não só um homem que fazia uma ciência genuína e intensa, mas que também nos mostrava como ela deve ser feita.

Marcus Vinícius C. Baldo

Presidente, SBNeC (2008-2011)"

Dr. Hiss Martins-Ferreira deixa um legado fundamentado na busca do conhecimento sem a competitividade acirrada ou corrida publicitária tão comuns nos dias de hoje.



Células reprogramadas a partir da pele de pacientes com diabetes produzem insulina

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 02/09/2009 00:23

A revista oficial da Academia Norte Americana de Ciências (PNAS) publicou na edição de segunda-feira trabalho que descreve pela primeira vez a criação de células-tronco de pluripotência induzida (iPS, foto) a partir da pele de pacientes com diabetes do tipo 1.

A equipe de Douglas Melton foi capaz ainda de transformar as iPS que criaram em células do tipo beta do pâncreas, responsivas a glicose e produtoras de insulina. Justamente as que faltam nos pacientes diabéticos.

Não há planos a médio prazo para se tentar um transplante com iPS (sem risco de rejeição, já que foram criadas a partir dos próprios pacientes) para a reposição de células do pâncreas de indivíduos com diabetes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A proposta dos cientistas do Instituto de Células-Tronco de Harvard é desenvolver um modelo mais fidedigno para estudar no laboratório como surge e progride a doença.

Há bastante tempo que Douglas Melton tem batalhado pelo progresso das pesquisas com células-tronco.

Em 2005, enquanto a empresa WiCell cobrava US$ 5.000,00 por um tubo com células-tronco embrionárias, matéria-prima essencial para as pesquisas, Melton distribuía gratuitamente os mesmos tubos aos interessados em trabalhar com o tema.

No Brasil alguns cientistas receberam células-tronco embrionárias de Harvard. Foi assim que as pesquisas tiveram início em nosso país.

 



Por que o teste clínico com células-tronco embrionárias foi adiado? 2% podem explicar.

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 31/08/2009 18:27

Há duas semanas atrás o New York Times , a revista New Scientist e o jornalista Marcelo Leite divulgaram que a agência federal americana responsável pelo controle de alimentos e questões de saúde (FDA) havia adiado o início do primeiro teste clínico com células-tronco embrionárias em seres humanos.

Em virtude da expectativa dos cientistas, médicos e principalmente pacientes criou-se um dizquedizque daqueles. Afinal, por que o adiamento?

A proposta da empresa californiana Geron era avaliar a segurança da injeção de células especializadas, chamadas oligodendrócitos, geradas a partir de células-tronco embrionárias humanas, em pacientes que sofreram lesão de medula espinal há no máximo 14 dias.

Oligodendrócitos são células que envolvem fisicamente os neurônios do sistema nervoso central, permitindo que, por exemplo, quando você planeja levantar seu braço para chamar um táxi, a informação saia rapidamente do seu cérebro, chegue aos músculos e o movimento aconteça.

Um paciente paraplégico pensa em mover suas pernas mas não consegue fazê-lo. A informação pára no meio do caminho pois os oligodendrócitos que "encapavam" seus nervos desapareceram após a lesão, o que impossibilita a transmissão do impulso nervoso entre cérebro e músculos através da medula espinal.

Ano passado visitei a Geron e conversei pessoalmente com seus cientistas. A idéia por trás desse teste clínico surgiu das pesquisas de Hans Keirstead, há 10 anos trabalhando na Universidade da Califórnia em Irvine.

Criar em laboratório células tão especializadas como os oligodendrócitos é mérito de poucos.

Trata-se de um grande avanço, uma vez que um dos principais desafios em terapia celular é decifrar as pistas que fazem com que uma célula-tronco embrionária (que pode virar o que quiser) se transforme exatamente naquilo que você quer.

Keirstead foi bem sucedido, gerou uma população de oligodendrócitos com até 98% de pureza. Quando transplantados em ratos paraplégicos, restauraram seus nervos e recuperaram seus movimentos. Seus resultados, publicados originalmente em 2005, impressionaram a comunidade científica mas não explicavam o que acontecia com os 2% de células que não se transformavam naquilo que ele queria.

Na semana passada a Geron se pronunciou a respeito da decisão do FDA.

Segundo a nota, um pequeno número de animais que recebeu os oligodendrócitos produzidos pela empresa desenvolveu cistos na medula espinal. Essas informações foram encaminhadas ao FDA que optou por desautorizar os testes clínicos até que novas análises fossem realizadas.

Uma causa para a formação dos cistos pode ser justamente aqueles 2% de células-tronco embrionárias que não se transformaram em oligodendrócitos nas pesquisas de Keirstead.

Uma única célula-tronco embrionária que seja, caso não tenha recebido as informações adequadas para se transformar num oligodendrócito, pode ter dado origem a uma célula do coração, do pulmão, do fígado (ou a um cisto com vários tipos celulares) dentro da medula espinal dos ratos transplantados.

Com técnicas desenvolvidas recentemente já é possível separar células espúrias dos cobiçados oligodendrócitos antes de injetá-los. Imagino que os cientistas da Geron estejam justamente tentando separar o joio do trigo com o intuito de produzir uma população extra pura de oligodendrócitos.

Caso não observem cistos nos próximos experimentos com animais, o FDA provavelmente irá autorizar esse primeiro teste clínico nos indivíduos com paraplegia.

Adiar o início de procedimentos experimentais em seres humanos é prática comum, principalmente para terapias inovadoras. A segurança dos pacientes vem em primeiro lugar.



Células-tronco de pluripotência induzida, biologia e futebol

| Stevens Rehen | 25/08/2009 13:26

Todas as aproximadamente 100 trilhões de células que formam o corpo de um indivíduo adulto surgem a partir de um tipo especial chamado "célula-tronco". 
Células-tronco podem ser comparadas a jogadores de futebol. Há os centroavantes, especializados em marcar muitos gols mas que se tivessem que exercer a função de zagueiro não corresponderiam. Esses atletas são equivalentes a células-tronco adultas, capazes de se diferenciar em tecidos específicos mas não em todos.

Jogadores com habilidade para jogar bem nas 11 posições não existem, se existissem certamente seriam mais cobiçados que Kaká ou Cristiano Ronaldo. O equivalente em biologia a esses atletas dos sonhos de qualquer treinador são as células-tronco pluripotentes, extremamente versáteis e capazes de originar todos os tecidos do corpo humano.

Por conta dessa característica, existe uma grande expectativa sobre sua eventual aplicação no tratamento de doenças como Parkinson, diabetes, lesões da medula espinal etc. 

Células pluripotentes podem ser isoladas de embriões humanos excedentes de clínicas de fertilização e estudadas em laboratório. Há 11 anos atrás, James Thomson nos Estados Unidos foi o primeiro a fazê-lo. 

Em 2007, o cientista japonês Shinya Yamanaka surpreendeu o mundo ao gerar a partir da pele, células-tronco tão versáteis quanto as embrionárias. Foi o equivalente a transformar um peladeiro de final de semana num jogador capaz de ser ao mesmo tempo artilheiro e goleiro menos vazado do Brasileirão, e isso com 30 dias de treinamento, um bom par de tornozeleiras e chuteiras! 


Yamanaka reprogramou fibroblastos da pele com a ajuda 4 genes cujos produtos são encontrados exclusivamente nos primeiros estágios do desenvolvimento de embriões. Esse genes foram introduzidos nos núcleos dessas células, transformando-as em células-tronco de pluripotência induzida, conhecidas pelo acrônimo iPS.

Uma verdadeira revolução que abriu perspectivas até então impensadas para as ciências biomédicas. Imagina-se que no futuro essas células reprogramadas poderão ser usadas para criar órgãos sob medida,  sem o risco de rejeição. Se isso de fato acontecer um dia, as filas de espera por transplantes convencionais serão extintas. Bastaria retirar um pedaço de pele, transformá-la em células iPS e de acordo com a necessidade específica daquele indivíduo criar peças de reposição para reconstruir um coração, baço, pâncreas ou qualquer outro órgão danificado.

Especulações `a parte, o que podemos afirmar atualmente é que a velocidade com que as pesquisas sobre células iPS avançam é impressionante.

No sábado passado pela manhã, reunimos na FeSBE pesquisadores brasileiros que estudam o assunto. O resultado do simpósio superou as melhores expectativas.

O paulistano Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, demonstrou que não são mais necessários 4 genes para reprogramar células adultas. Basta um só, o Oct-4. É o equivalente a transformar o nosso peladeiro num exímio centroavante/goleiro sem que precisasse mais das novas tornozeleiras (bastariam os 30 dias de treinamento intensivo e é claro, as chuteiras).

Alysson também mostrou o potencial das células iPS como estratégia para se entender o que acontece no cérebro de pessoas com autismo. Como ele fez isso?

Criou neurônios funcionais (idênticos aos do cérebro) a partir da pele dos pacientes. Comparou-os a neurônios de pessoas normais e constatou que as células nervosas de pessoas autistas têm dificuldade para conversar entre si. Com esse novo modelo, poderá testar remédios capazes de melhorar esse diálogo neural deficiente. Caso demonstrem eficácia no laboratório, poderão eventualmente ser utilizados nos próprios pacientes.

Patrícia Braga, da Universidade de São Paulo criou células iPS a partir da polpa de dente, o que abre perspectivas para estudos mais sofisticados sobre doenças pediátricas de origem genética. Bastaria esperar pela queda do dente de leite da criança afetada para criar células iPS com a capacidade de se transformar em todos os seus tecidos e assim estudar em detalhes sua doença.

Dimas Covas, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, busca gerar células iPS na expectativa de, no futuro, produzir sangue sob encomenda. O que reduziria a extrema necessidade de nossa sociedade por doações de sangue.

Por último apresentei resultados sobre a utilização de células iPS para a identificação de compostos extraídos de plantas brasileiras com potencial de gerar neurônios. A ideia é desenvolver um potente coquetel capaz de criar células nervosas em grande quantidade a partir de células reprogramadas da pele, o que poderá acelerar pesquisas sobre o desenvolvimento do cérebro.

Na parte da tarde desse mesmo sábado, Koji Tanabe descreveu a estratégia original para a criação das primeiras iPS em Kyoto. O jovem pesquisador da equipe de Shinya Yamanaka contou detalhes que poderão nos ajudar a aumentar a eficiência do processo de reprogramação adotado em nosso laboratório.

Resumos dessas apresentações estão disponíveis na página da FeSBE na internet.

A possibilidade de aplicação médica das células iPS é somente uma aposta mas sua utilização nos laboratórios de todo o mundo para a identificação de medicamentos mais eficazes no tratamento de doenças incuráveis já é uma realidade.

O trabalho pioneiro de Shynia Yamanaka transformou a biologia ao criar a partir da pele células tão eficazes para formar novos órgãos como aquelas derivadas de embriões. Que golaço! Seria ótimo para o Fluminense se encontrasse um técnico com o dom desse japonês.

E você, leitor, como imagina que as pesquisas com as células de pluripotência induzida poderão contribuir para o avanço da biologia e medicina?



Pesquisas com animais

| Stevens Rehen | 20/08/2009 18:37

 

Estes dias estou em Águas de Lindóia, participando do maior encontro da área biomédica de nosso país, a Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE 2009 ).  

O evento começou com a conferência do pesquisador P. Michael Conn (Universidade de Oregon, Estados Unidos).  

Conn, autor do livro The Animal Research War, fez um importante alerta sobre os ataques de extremistas contrários ao uso de animais em pesquisa biomédica na Europa e Estados Unidos e o risco de que comecem a acontecer também no Brasil. 

É impossível interromper as pesquisas com animais, sem eliminar as melhores chances que temos para descobrir tratamentos mais eficazes contra o câncer, diabetes, doenças cardíacas, doença de Parkinson, Alzheimer ou Aids.  

O cientista americano lembrou que hoje em dia vivemos 23,5 anos a mais do que nossos antepassados por conta das pesquisas com animais, principalmente camundongos e ratos. 

No Brasil, como em todo o mundo, a pesquisa é regulamentada. A lei Arouca, publicada no Diário Oficial em outubro de 2008, restringe o uso de cobaias para experimentos cuja finalidade seja melhorar a qualidade e prolongar a vida do ser humano, sempre prezando pelo bem estar do animal utilizado. Cabe lembrar que dessas mesmas pesquisas é que surgem os medicamentos usados também em veterinária!   

E você leitor, já pensou sobre como é importante a pesquisa experimental com animais para a geração de conhecimento, melhora da qualidade de vida e longevidade de todos nós?

 

 



Turismo de células-tronco

| Stevens Rehen | 20/08/2009 11:21

Esse ano revistas científicas como Science e Lancet denunciaram prática conhecida como "turismo de células-tronco". São pacientes que saem de seus países de origem na busca por procedimentos clínicos que envolvam a utilização de células-tronco cuja eficácia ainda não foi comprovada.

Recentemente a polícia húngara prendeu 4 pessoas que vendiam "tratamento" com células-tronco por 25 mil dólares. A prática é tão comum que a Sociedade Internacional para a Pesquisa sobre Células-Tronco lançou um manual para que pacientes não sejam enganados.

No Brasil, um caso marcante aconteceu há dois anos, quando "células-tronco em pó" eram oferecidas a pacientes desenganados. Os médicos envolvidos foram denunciados mas não sei se suas licenças foram realmente cassadas.

A sociedade precisa estar bem informada sobre os avanços nas pesquisas com células-tronco e chances reais de sua aplicação na prática médica. Com o intuito de facilitar a compilação desses dados, o Ministério da Saúde criou a Rede Nacional de Terapia Celular (RNTC ).

A RNTC é formada por centros de tecnologia celular e laboratórios espalhados pelo país. A intenção é gerar conhecimento científico e competência tecnológica na área da medicina regenerativa, fazendo com que o Brasil tenha infra-estrutura de ponta para progredir nos estudos.



Bem-vindos ao blog científico do SRZD

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 18/08/2009 15:00

A ideia por trás da criação de um blog dedicado às células-tronco escrito por um cientista surgiu da leitura de uma pesquisa realizada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MC&T) e Academia Brasileira de Ciências (ABC) a respeito da percepção pública sobre ciência e tecnologia em nosso país.

Dois mil entrevistados de todo o Brasil, igual número de homens e mulheres entre 16 e 65 anos, tiveram que identificar, numa lista de 9 assuntos (política, medicina e saúde, arte e cultura, meio ambiente, ciência e tecnologia, esportes, moda, economia e religião), aquele de maior interesse. 

Para a surpresa de muitos, medicina e saúde foi o assunto campeão (60%)! Meio ambiente (58%) religião (57%), esporte (47%), economia (51%) e ciência e tecnologia (41%) vieram em seguida. Na parte inferior da tabela arte e cultura (38%) e moda (28%). Em último lugar a política, com 20% da preferência nacional.

Curiosamente a pesquisa revelou uma discrepância entre "ter grande interesse pelo assunto" e "buscar informações a respeito".

No caso de medicina e saúde, dos 60% com grande interesse no tema, somente 40% buscavam informação pra valer. Dos 41% que citaram ciência e tecnologia, somente 27% pesquisavam por notícias a respeito.

O motivo? Os leitores não conseguiam entender as reportagens na TV e jornais!

E dentre aqueles que entendiam o noticiário, 63% reclamaram que as reportagens não discutiam os riscos que as aplicações da ciência e tecnologia podem causar.

Esses resultados se confirmam mesmo quando o assunto é bem mais específico:

Uma rápida pesquisa no Google revela que células-tronco são notícia em mais de 400 mil sítios brasileiros na internet! Apesar disso, expectativas exageradas continuam a surgir, o que favorece a ação inescrupulosa daqueles que prometem curas milagrosas para as mais diversas enfermidades.

Esse blog terá como missão informar ao leitor, de forma objetiva, os principais avanços nas pesquisas sobre células-tronco realizadas no Brasil e no mundo, convidando-o a refletir sobre um dos assuntos mais interessantes da atualidade. 

A partir da criação de um canal direto que permita a troca de informações e expectativas entre cientista e o público, seu principal desafio será fazer com que os leitores compreendam o que acontece num laboratório de pesquisa e quais os desafios para que o conhecimento ali gerado se transforme um dia em tratamento médico. É o que iremos discutir nesse espaço a partir de agora. 

Sempre que possível, indicarei a fonte original da informação e os artigos citados. Eventualmente irão surgir também textos sobre neurociência, outra área de interesse do blogueiro que vos escreve. 
Envie seus comentários, críticas, sugestões, dúvidas e boa leitura! 
Detalhes sobre a pesquisa do MC&T e ABC aqui mencionada no sítio: www.mct.gov.br/upd_blob/0013/13511.pdf



Stevens Rehen

Cientista e diretor de pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências. Trabalhou na Universidade da Califórnia e Instituto Scripps dos Estados Unidos. Autor do livro Células-tronco: O que são? Para que servem? Mais informações aqui. E-mail: stevens.rehen@srzd.com

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