Despedida

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 23/05/2010 14h10

Esse post encerra um ciclo. Será o último do blog.

Desde seu lançamento no SRZD há 9 meses, aqui foram publicados 40 textos.

Das células-tronco embrionárias às reprogramadas, passando pelas bactérias sintéticas que hoje dominam o noticiário, conversamos sobre diversos temas relacionados às pesquisas biomédicas e ciência em geral.

Muitíssimo obrigado aos leitores pelas dezenas de mensagens, pelas perguntas, pelos comentários e sugestões.

Agradeço ao Sidney pela amizade, confiança e pela oportunidade.

Ao Francisco, Alberto e todos os profissionais com quem convivi pelo apoio sempre.

É chegada a hora de alçar outros vôos com a certeza e gratidão de que tudo começou aqui no SRZD.

Continuaremos nos encontrando na internet.

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Jornada de Controle do Tabagismo

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 16/05/2010 21h56

No dia 9 de junho de 2010, acontecerá no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ a II Jornada de Controle do Tabagismo e Promoção da Saúde,  durante a qual serão debatidas questões importantes relativas ao tabagismo (ver programa abaixo).
 
Este evento faz parte dos esforços para tornar o ambiente nas dependências da UFRJ totalmente livre do tabaco, em busca de melhor qualidade de vida e em respeito às leis que proíbem o uso do tabaco em recintos fechados.

A meta é erradicar em 100% o hábito de fumar dentro do CCS.

 

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Policiamento a Cavalo na UFRJ

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 29/04/2010 18h50

Boas notícias precisam ser comemoradas e divulgadas.

Agora é torcer para que o nova forma de patrulhamento reduza a insegurança no campus da cidade universitária.

Abaixo mensagem que recebi da Profa. Cristine Riche, Ouvidora-Geral da UFRJ.

"Prezado Prof Stevens Rehen,

Considerando que V.Sa já se manifestou, juntamente à Ouvidoria-Geral da UFRJ, externando a sua preocupação com a segurança do campus, cumpre-nos dar ciência do e-mail do Major PMERJ Marcos Balbino,  Chefe da Seção de Operações do 17º BPM, enviado ao Prefeito da UFRJ, sobre as ações adotadas pela PMERJ.

Mais uma vez, agradecemos o seu olhar atento em prol da melhoria dos serviços da UFRJ.

Cordialmente,
Profa Cristina Riche
Ouvidora-Geral da UFRJ"


A ronda ostensiva por veículos esta sendo substituída pelo patrulhamento a cavalo na Cidade Universitária.

Boa tarde,

Venho informar que desde 20 Abril de 2010 foi implantado na Ilha do Fundão, o Policiamento a Cavalo com o intuito de aumentar a segurança no local.

Informo que tal tipo de policiamento só foi possível devido à parceria entre o 17º BPM, Ten Cel Silvestre, e o RPMont/CECS, Ten Cel Samaha, que disponibilizou o Policiamento Montado.

Venho informar ainda que o 17º BPM, também implantou policiamento velado, ou seja, descaracterizado, com o intuito de verificar o modo de atuação, e se possível flagrar, de possíveis marginais que  atuam no furto de veículos e roubos a transeuntes.

Sem mais para o momento e contando com sua colaboração.

Major PMERJ Marcos Balbino
Chefe da Seção de Operações do 17º BPM

A oficina de divulgação para cientistas continua

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 14/04/2010 08h46

Oficina de divulgação para cientistas (blog, podcast, twitter e outras ferramentas)

A oficina tem como objetivo incentivar a prática da divulgação científica a partir de discussão sobre o impacto da atividade com experientes divulgadores de ciência.

Participe! É grátis!

Nessa sexta-feira (16/4) das 12h às 13h no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ (Ilha do Fundão, UFRJ, ICB, CCS, bloco F)

Ciência, história em quadrinhos e o jogo do genoma, por Milton Moraes (Fiocruz)


Resultados negativos devem ser publicados

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 06/04/2010 15h41

Nossa Oficina de Divulgação para Cientistas caminha firme e forte, ignorando a chuva que maltrata o Rio de Janeiro.

Estima-se que o percentual de experimentos não divulgados publicamente chegue a 16% do total realizado. Dinheiro jogado no lixo cujos resultados poderiam contribuir para o avanço de outras pesquisas.

Reproduzo aqui trecho do post das alunas de nossa Oficina Bruna Paulsen e Louise Louro que discute a importância da publicação de dados negativos para o progresso da ciência.

No último dia 30, o neurologista Malcom Macleod, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, publicou artigo no periódico PLoS Biology sobre como testes em animais superestimam em pelo menos 30% a expectativa sobre o sucesso de um tratamento em seres humanos. Isso porque eventuais resultados negativos associados não são publicados.

Para continuar a leitura do artigo de Bruna e Louise clique aqui (Blog da Oficina de Divulgação para Cientistas).

Vagas para professores adjuntos em universidade estadual (UEZO)

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 06/04/2010 09h39

O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO) promove concurso para preencher 30 vagas de professores adjuntos das áreas de:

Polímeros; Construção Naval;Tratamento e Acabamento de Superfícies; Tecnologia Mineral e Metalografia; Tecnologia e Processos de Transferência de Calor e de Massa; Siderurgia; Planejamento e Controle de Produção; Processos de Fabricação, Logística e Gestão; Análise Organizacional, Economia e Contabilidade; Bioestatística; Biologia Vegetal; Biofísica e Fisiologia; Morfologia Humana; Microbiologia e Imunologia; Química Analítica; Farmacologia e Bromatologia; Fisiologia Humana; Genética; Morfologia; Química Orgânica; Tecnologia Farmacêutica; Matemática Computacional e Sistemas Computacionais.
 
O regime do cargo é de 40 horas. A remuneração inicial para o cargo é de R$ 4.685,32 (requer doutorado na área de interesse).
 
As inscrições vão até 30 de abril de 2010 na UEZO, Avenida Manuel Caldeira de Alvarenga, nº 1203, Campo Grande, Rio de Janeiro (RJ), Telefone (21)2332-7533, entre 10 h e 16 h. Mais informações aqui (página principal, concursos, Concurso Público para Docentes Efetivos)

A Neurociência brasileira volta à Caxambu

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 02/04/2010 13h40

 

A Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento, SBNeC, alegra-se em anunciar a realização de seu XXXIV Congresso Anual, no período de 8 a 11 de setembro de 2010, na cidade de Caxambu, MG.

A SBNeC, fundada em 1977, é uma sociedade científica sem fins lucrativos, que hoje conta com mais de DOIS MIL associados oriundos das diversas áreas das neurociências.

Sua  principal missão é promover a disseminação do conhecimento relativo aos vários aspectos do funcionamento do cérebro, interdisciplinares por excelência.

O XXXIV Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento será realizado, em 2010, de forma autônoma e independente, congregando cientistas brasileiros e estrangeiros que irão expor o que há de mais recente no cenário neurocientífico mundial, em um espectro que abrange das ciências básicas às aplicações clínicas, dos fenômenos moleculares às interações sociais, de modelos matemáticos a implicações éticas, pedagógicas e filosóficas das neurociências.

Será oferecido um panorama extremamente atual e abrangente do conhecimento neurocientífico e de suas relações com outras importantes áreas do conhecimento, tanto básicas quanto aplicadas.

Informações adicionais sobre o evento podem ser obtidas aqui, ou pelo endereço eletrônico sbnec2010@sbnec.org.br.

XV CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE BIOLOGIA CELULAR

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 01/04/2010 21h29

Estão abertas as inscrições para o XV Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, a ser realizado de 24-27 de julho, no Bourbon Convention Ibirapuera, em São Paulo.

A data limite para envio de resumos é 14 de maio. Inscrições com desconto até 30 de abril.

A Sociedade Brasileira de Biologia Celular fundada há 31 anos tem apresentado um crescimento exponencial na última década. Este fato deve-se à progressiva formação e capacitação de profissionais interessados na célula, na interação desta com seu microambiente e sua organização em sistemas.

O XV Congresso da SBBC discutirá temas de fronteira com grande interdisciplinaridade e interação entre a Ciência Básica e Aplicada.

A estimativa é de que o Congresso conte com aproximadamente 15 conferências, 23 mesas redondas, 2 fóruns e 5 palestras técnicas.

Informações adicionais sobre o evento podem ser obtidas na página da SBBC, ou pelo endereço eletrônico sbbc2010@gmail.com

Ciência como Notícia

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 18/03/2010 18h32

A neurobiologia dos batedores de penâlti

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 16/03/2010 18h25

Ontem à noite recebi convite do Kiko Menezes para repercutir no Globo Esporte hipótese biológica que justificasse a performance do jogador do Vasco da Gama Dodô ao perder dois pênaltis no clássico de domingo contra o Flamengo.

Fiquei surpreso com o telefonema do jornalista mas aceitei o desafio, motivado pela possibilidade de falar sobre ciência num programa de esportes.

Resolvi reler artigos que descrevem o efeito de neurotransmissores e hormônios sobre o comportamento social dos humanos. Deparei-me com a ocitocina, peptídeo produzido no hipotálamo e secretado pela hipófise, glândula do tamanho de uma ervilha situada na base do cérebro.

Descoberta na década de 1950 produz uma sensação positiva no cérebro com conseqüências diretas para o funcionamento de todo o corpo.

Em mulheres, ajuda na hora do parto e também durante a amamentação. Algumas lactantes, inclusive, usam um spray nasal de ocitocina, que contribuiria para aumentar a produção de leite.

Ocitocina reduz a atividade da amígdala, hipotálamo, núcleo accumbens e tronco encefálico, regiões do sistema nervoso central relacionadas ao medo e ansiedade. 

Há 5 anos um grupo de pesquisadores da universidade de Zurique, na Suíça, demonstrou que a ocitocina aumenta a cooperação e a confiança entre seres humanos.

Receber um voto de confiança induz a produção de ocitocina.

É plausível imaginar portanto que um jogador ovacionado por sua torcida produzirá mais desse hormônio, o que provavelmente fará com que tenha uma atitude mais positiva diante dos desafios do jogo. O contrário aconteceria com os atletas vaiados.

Especulações à parte, não há estudos sobre o efeito da ocitocina na performance de jogadores de futebol, muito menos nos momentos que antecedem uma situação de estresse extremo, como o pênalti. Um projeto interessante para um estudante de pós-graduação, diga-se de passagem.

No futuro, o spray de ocitocina, adotado por algumas mamães enquanto amamentam, fará parte do kit dos preparadores físicos e será aplicado nos artilheiros em momentos que antecedem uma cobrança decisiva? Em ano de Copa do Mundo fica aqui a pergunta.

Para saber mais sobre a neurobiologia da confiança, leia o artigo em português de Paul J. Zak.

O artigo original "Oxytocin increases trust in humans" do grupo de Ernst Fehr, pode ser obtido aqui

 

Para assistir à reportagem de Kiko Menezes exibida no Globo Esporte de hoje clique aqui

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Oficina de divulgação para cientistas

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 08/03/2010 19h36

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOMÉDICAS
 
Oficina de divulgação para cientistas (blog, podcast, twitter e outras ferramentas)

A oficina tem como objetivo incentivar a prática da divulgação científica a partir de discussão sobre o impacto da atividade com experientes divulgadores de ciência.

Participe! É grátis!

Organização: Stevens Rehen
 
Sextas-feiras das 12h às 13h no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ (Ilha do Fundão, UFRJ, ICB, CCS, bloco F)

PROGRAMAÇÃO

12/03 A divulgação científica no Brasil (1980-2010): do Paleolítico ao  Neolítico.

Roberto Lent (ICB-UFRJ)
 
26/03: Nos bastidores da notícia, a divulgação científica sob ótica da assessoria de imprensa.

Claudia Jurberg (Programa de Oncobiologia IBqM-UFRJ)

16/04: Ciência, história em quadrinhos e o jogo do genoma.

Milton Moraes (Fiocruz)
 
30/04: A Neurocientista de plantão.

Suzana Herculano Houzel (ICB-UFRJ) 
 
07/05: Por que divulgar Ciência?

Franklin David Rumjanek (IBqM-UFRJ)
 
14/05: Como a ciência vira notícia.

Reinaldo Lopes (Folha de São Paulo)
 
28/05: Bioletim e Blogs de ciência.

Mauro Rebelo (IBCCF-UFRJ)
 
25/06: Histórias e estórias da divulgação científica.

Alysson Muotri (UCSD e colunista do G1)

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Big Brother e a avaliação por pares na ciência

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 21/02/2010 15h16

Pedro Bial me contou que a franchise Big Brother foi inspirada no projeto Biosfera, iniciado em 1986 no Arizona, Estados Unidos. O objetivo era confinar cientistas em um laboratório ecológico de vidro e aço, isolados do meio exterior, na expectativa que produzissem sua própria comida e reciclassem sua água ao longo de 2 anos.

O experimento fracassou, os cientistas não conseguiram se manter auto-suficientes, entretanto, como "experiência antropológica" foi um sucesso. A quantidade de intrigas e fuxicos entre os participantes daria para encher um ano de publicação da revista Caras.


Tais intrigas não me surpreendem. Cientista não é santo, e como qualquer pessoa, é movido por vaidades em muitas situações da vida, estejam eles confinados ou não.

O problema é quando essas vaidades interferem demais com a divulgação de informações geradas com dinheiro público e que podem beneficiar o progresso da ciência.

Reinaldo Lopes assinou interessante reportagem na Folha de São Paulo repercutindo carta aberta, assinada por alguns dos principais cientistas do mundo na área de células-tronco, denunciando que um petit comité de pesquisadores estaria dificultando a publicação de dados científicos contrários aos seus interesses. Tipo de situação que lembra o que vem acontecendo entre os moradores da casa de luxo e do puxadinho no BBB10.

A diferença é que, enquanto no programa de TV, vez por outra o confessionário é abolido e os brothers têm que dizer na cara quem vai para o paredão, na academia, os cientistas que decidem quais trabalhos científicos serão publicados, estão sempre protegidos pelo anonimato.


Até aí tudo bem, o anonimato favorece a franqueza e dureza das críticas, muitas vezes justas e construtivas. O problema é que Austin Smith, Shynia Yamanaka e abaixo-assinados reclamam que há pesquisadores recusando trabalhos por motivos fúteis. Por quê? Especula-se que atrasando a publicação de seus competidores, ganham tempo para produzir seus próprios artigos, munidos de informações privilegiadas obtidas na condição de revisores. Vaidade pura.

De fato, sempre que artigos semelhantes, de grupos distintos, são publicados na mesma edição de uma revista científica, alguém diz que o autor de um dos trabalhos foi o revisor do outro, pediu "novos experimentos para complementá-lo" e com isso teve tempo para produzir e submeter dados idênticos. Nunca há provas que isso de fato aconteça mas casos assim favorecem teorias conspiratórias a respeito.

O que a carta pede é que as revistas científicas divulguem publicamente os pareceres redigidos pelos revisores. Não seria necessário revelar seus nomes, somente suas críticas.

A proposta não é portanto eliminar a avaliação, ação cotidiana essencial ao processo de construção do conhecimento científico mas os pareceristas tendenciosos e maliciosos que travam artigos importantes com justificativas sem pé nem cabeça. Com suas avaliações tornando-se públicos, reduziria-se distorções no processo de avaliação por pares.

O problema é mais grave para os cientistas de países com menor tradição científica.

Os grandes conglomerados editoriais recrutam poucos editores ou revisores de países emergentes ou em desenvolvimento. E é claro que sem eles, menos atenção é dada à ciência produzida abaixo do Equador.

Felizmente há iniciativas que buscam reverter essa situação. Revistas como PLoS ONE e Frontiers in Neuroscience, cujo conteúdo é gratuito, têm um corpo editorial realmente internacional, muitos brasileiros inclusive, o que garante o caráter plural da ciência.

Só que essas iniciativas inovadoras não se preocupam com o chamado fator de impacto: a razão entre citações dos artigos da revista e o número total dos artigos publicados pela mesma revista. E é justamente esse indicador (muito mais do que a informação científica contida no trabalho) a commodity que define prestígio e ascensão de um pesquisador. Isso significa que hoje em dia publicar nessas revistas não vale muita coisa ao cientista que depende de sistemas de avaliação de mérito acadêmico no Brasil.

Uma pena, pois a evolução natural dessas iniciativas irá agilizar a divulgação pública da ciência de qualidade e eliminar os maus revisores. Avaliações, realizadas por revisores não anônimos, além de comentários e sugestões de membros da comunidade científica disponíveis online só ajudam a separar o joio do trigo no universo da ciência produzida em todo o mundo.

Injustiças, duplicações de resultados e fraudes seriam mais facilmente identificadas. A qualidade de cada artigo seria conseqüência do número de citações, número de downloads e comentários deixados nos blogs das revistas eletrônicas. O fator de impacto, que não garante o mérito do trabalho mas sim a capacidade que teve de passar pelo crivo dos revisores de determinada revista, perderia em importância.

Um trabalho científico, financiado na maioria dos casos com dinheiro público, não pode deixar de ser publicado por motivos que não sua (baixa) qualidade.

É através da avaliação que se definem os rumos, tanto da ciência quanto das instituições acadêmicas. É hora de nos valermos das facilidades que a internet proporciona para gerar alternativas ao atual sistema de julgamento e divulgação dos artigos científicos, criado há mais de 70 anos.

Para saber mais sobre os antecedentes históricos e elementos conceituais relativos aos processos de avaliação por pares na ciência, leia DAVYT, Amilcar & VELHO, Léa. A avaliação da ciência e a revisão por pares: passado e presente. Como será o futuro? Hist. cienc. saude-Manguinhos. Disponível aqui.

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Ciência vale a pena. O Ganhador é...

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 14/02/2010 12h51

Obrigado a todos que participaram, indicando seu filme de preferência no acervo da campanha Ciência vale a pena.

O vídeo mais votado foi o quinto listado no post abaixo:

"Todo ser humano é um cientista por natureza, é só continuar."

Nesse domingo de Carnaval (com dois dias de atraso portanto) anuncio o nome da ganhador por sorteio do livro A encruzilhada da nanotecnologia de Peter Schulz, da Coleção Ciência no Bolso (Editora Vieira e Lent).

BRUNA, parabéns!

Por favor envie seu nome completo e endereço para o e-mail stevens.rehen@srzd.com para que receba livre de qualquer custo seu presente (de Carnaval).


Ciência é a base do futuro, ciência vale a pena!

Bom domingo!

Ciência vale a pena (e pode te dar um livro de presente!)

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 03/02/2010 18h58

Renata Lima assina post no CoNECte sobre os saudosos filmes da campanha Ciência vale a pena, uma parceria do Instituto Ciência Hoje e Rede Globo.

Os vídeos, com 30 segundos cada um, procuram estimular o interesse das pessoas pela ciência ao mesmo tempo que desconstroem o estereótipo do cientista como indivíduo distante e de poucos amigos.

A intenção também é mostrar que a ciência pode ser atraente e que faz parte do cotidiano de todos nós.

E você, leitor, qual o vídeo que mais gostou dentre os 8 da série?

Vote nos comentários e concorra a um exemplar do livro A encruzilhada da nanotecnologia de Peter Schulz, da Coleção Ciência no Bolso (Casa Editorial Vieira e Lent).

O sorteado será anunciado no dia 12 de fevereiro!

Participe!

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Caxambu já foi a Meca científica do Brasil

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 02/02/2010 23h53

 

Ontem retornei de Caxambu. O motivo da viagem não foi desfrutar das águas dessa conhecida instância hidromineral brasileira.

Acompanhei a Diretoria da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) nas negociações com prefeito e empresários sobre a realização do XXXIV Congresso Anual de Neurociências.

Arrisco dizer que na década de 1990, Caxambu era mais conhecida como Meca científica do que como balneário hidroterápico. As principais reuniões científicas do país aconteciam naquele município.

Lembro de uma reunião da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) com quase 4 mil participantes. Não há um único pesquisador brasileiro com mais de 30 anos que não tenha visitado Caxambu! Posso garantir.

A oportunidade de caminhar pelos corredores vazios do Hotel Glória durante o final de semana foi como uma viagem no tempo. Cada pedaço do hotel trazia uma lembrança sobre uma conferência ou debate científico importante. Muitas decisões sobre os rumos da pesquisa brasileira aconteceram ao redor da piscina do Glória!

Lembrei com saudades da época em que o autor desse blog se aventurava na percussão da banda que animava as festas da FeSBE em Caxambu. Eram centenas de cientistas dançando ao som da Mula Rouca!

Por inúmeras razões que não cabe aqui discutir, a partir do início da década de 2000, Caxambu foi preterida como destino dos principais eventos científicos do país.


Hoje a cidade busca se reerguer como atração turística e opção para realização de reuniões científicas.

Para isso é preciso investir na infra-estrutura e retomar a qualidade do serviço dos hotéis, principalmente o Glória, recentemente adquirido por empresários de Minas Gerais com experiência no setor hoteleiro.

A SBNeC escolheu Caxambu como sede de seu congresso anual. O evento acontecerá entre 8 e 11 de setembro de 2010 e reunirá os principais neurocientistas do país.


Aproveito para anunciar em primeira mão que a palestra de abertura ficará por conta de Fred Gage, um dos mais importantes pesquisadores dos Estados Unidos no assunto células-tronco e candidato natural ao Prêmio Nobel. Será a primeira vez que o cientista virá à América do Sul.

Se depender do sossego e tranqüilidade preservados nas ruas e praças de Caxambu, o que favorece bastante as discussões e debates sobre ciência, o sucesso da SBNeC 2010 está garantido.

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Transformando carvão em diamante: um cérebro novo pode surgir de um punhado de pele

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 27/01/2010 22h42

 

Em 2007 o japonês Shynia Yamanaka, ao reprogramar fibroblastos da pele, conseguiu criar pela primeira vez células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Foi uma revolução.

As células iPS são equivalentes às células-tronco derivadas de embriões. Capazes de se transformar em qualquer tipo celular do corpo, inclusive em neurônios.

Neurônios por sua vez são células altamente especializadas, por onde circulam nossos pensamentos e desejos, com os quais sentimos dor e prazer.

Criar neurônios a partir de células iPS parecia ser o ápice de uma história de sucessos que começou em 1981 com Mario Capecchi,  Martin J Evans e Oliver Smithies, ganhadores de Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina pelo isolamento das primeiras linhagens de células-tronco embrionárias de camundongos.

Só que uma equipe de cientistas da Califórnia, liderados por Marius Wernig, fez o que parecia impossível. O equivalente em biologia a transformar carvão em diamante.

Converteram pele de camundongo em cérebro. Direto! Como que por um atalho impensado. Sem parada na fase embrionária, como é necessário no caso das iPS.

O trabalho dos pesquisadores da Universidade de Stanford vem à reboque da inventividade e esforço seminal de Shinya Yamanaka mas tem mérito para subverter positivamente o campo.

Trata-se de procedimento rápido e eficiente para criar neurônios paciente-específicos.

Partiram de 19 genes, todos com importância na formação do cérebro durante o desenvolvimento normal de mamíferos. Chegaram a 5, confirmaram que com somente 3 genes já era possível a conversão.

Os 3 genes que, quando combinados, respondem pela façanha são conhecidos por siglas de difícil compreensão: Ascl1, Brn2 e Myt1l.

Destaco Myt1l, gene sabidamente alterado em pacientes com esquizofrenia. Por tabela, o estudo do processo de conversão fibroblasto-neurônio poderá no futuro ajudar no entendimento de doença tão complexa.

Com a ajuda de vírus com papel de cavalos de Tróia, levaram para dentro das células da pele os 3 genes. Em 3 dias apareceram os primeiros neurônios. Em menos de duas semanas um punhado de fibroblastos se transformou em uma rede neural complexa, recheada de sinapses (especializações de membrana através das quais os neurônios conversam entre si).

A quantidade de perguntas que o trabalho suscita é enorme. O que é ótimo!

Alguém já disse que a humanidade é movida por perguntas muito mais do que por respostas.

 

Por que a maioria dos neurônios obtidos parecem ter saído do córtex cerebral, aquela camada mais externa do cérebro cheia de giros e sulcos, e não de outras áreas do sistema nervoso?

Neurônios dopaminérgicos (aqueles que se perdem em pacientes com a doença de Parkinson) não foram gerados, por quê?

Será que uma combinação com outros genes poderá gerar células produtoras de dopamina a partir da pele?

Abre-se mais uma janela de possibilidades para a Medicina Regenerativa.

Agora é esperar que o mesmo procedimento seja aplicado a células isoladas da pele de pessoas jovens e idosos.

A eficácia como transplante dos neurônios convertidos deverá ser testada em animais de laboratório, sua funcionalidade comparada a neurônios oriundos do próprio cérebro.

E não vai demorar até que proteínas façam a vez dos temidos vírus no processo de conversão pele-cérebro.

Se tudo correr (muito) bem, no futuro, terão início os testes de segurança em humanos.

Minha única crítica ao trabalho é a falta da confirmação prática da inexistência de células com potencial tumoral entre os neurônios formados.

Não custava nada ter feito um ensaio clássico que evidencia a possibilidade de formação de teratomas. Seria melhor do que sugerir que as células geradas não carregam o potencial tumorigênico das iPS, como fizeram ao longo do texto mas sem comprovar com resultados.

É bem provável que daqui a bem menos tempo do que imaginávamos, um paciente que necessite repor neurônios perdidos por conta de um acidente, envelhecimento ou doença poderá recorrer à sua própria pele. Já pensou?

Não me surpreenderia ainda que os bancos que hoje armazenam sangue de cordão umbilical se diversifiquem e passem a guardar fibroblastos extraídos de pessoas de todas as idades.

A partir de agora, sua pele vale ouro (e diamantes) ou em outras palavras, poderá te dar um cérebro novo!

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AVATAR, cadeira de rodas e tabaco

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 05/01/2010 14h10

 

No final de semana assisti ao filme AVATAR. O épico fantástico de James Cameron é de impressionar. Visto em 3-D melhor ainda.

Há centenas de comentários positivos na internet sobre a saga dos Na’vi diante da ameaça colonialista e da ganância do "povo do céu". Concordo.

O filme é imperdível mas fiquei encafifado com dois, a meu ver, contra-sensos presentes no longa:

    •    Por que as cadeiras de rodas do futuro são idênticas às atuais?


Não faz sentido Jake Sully, o fuzileiro naval paraplégico, não usar uma prótese eletrônica que o fizesse caminhar.

Sua cadeira de rodas é do ano 2000 mas a aventura se passa em 2154!



Paradoxalmente, os grandes robôs de guerra controlados pelos soldados americanos no filme, esbanjam tecnologia capaz de movimentar braços e pernas biônicos!



Eu esperaria encontrar um terno robótico no melhor estilo Miguel Nicolelis vestindo o fuzileiro.

No mínimo, uma versão repaginada do exoesqueleto israelense ReWalk, previsto para comercialização em 2010 (por aproximadamente 35 mil reais).

 



    •    Por que Grace Augustine é uma fumante inveterada?

Entre uma tragada e outra durante a trama, a cientista introduzira em seu organismo mais de 4 mil substâncias tóxicas, incluindo substâncias pré-cancerígenas, como agrotóxicos e até radioativas.

 

 

Diante da divulgação dos prejuízos à saúde causados pelo fumo, das campanhas de conscientização e das políticas públicas, imaginaria que até 2154 os cigarros já estivessem banidos do universo (inclusive em Pandora!).

Em nota, James Cameron disse que a personagem de Sigourney Weaver fuma como forma de criticar àqueles que desprezam a vida real e prestam mais atenção a seus avatares, na internet ou nos vídeos games. Como diria Ancelmo Gois: É. Pode ser.

Mas assistir AVATAR é experiência sensorial para ser vivida e discutida, independente da fumaça do cigarro e da cadeira de rodas ultrapassadas.

As câmeras e a tecnologia de performance criadas pelo seu diretor tornam impossível distinguir o que é real do que é virtual.

Não é à toa que AVATAR tornou-se em tão pouco tempo um dos mais lucrativos filmes da História do cinema.

 

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O melhor da ciência em 2009

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 30/12/2009 20h08

Nessa época, as principais revistas científicas internacionais elegem as mais importantes descobertas do ano, segundo suas fontes.

O blog de ciência do SRZD resolveu fazer o mesmo e apresenta aqui os 5 trabalhos que, na opinião do autor e seus colaboradores, marcarão para sempre 2009.

Viver mais, viver melhor? Antibiótico produzido por bactéria da Ilha da Páscoa pode ajudar!

O trabalho, conduzido por três instituições americanas, indica que camundongos idosos tratados com rapamicina tiveram a expectativa de vida aumentada em até 14%. Parece pouco mas seria o equivalente a eliminar com um único remédio as chances de uma pessoa com mais de 60 anos morrer de câncer ou arteriosclerose!

Rapamycin fed late in life extends lifespan in genetically heterogeneous mice.
Harrison e colaboradores
Nature. 2009 Jul 16;460(7253):392-5


Refinarias microscópicas para produzir biocombustível?

Nesse trabalho pesquisadores do Instituto Craig Venter conseguiram transferir o material genético de uma bactéria para uma levedura. O que isso significa? É mais um passo na direção de se criar seres vivos com DNA sintético, que não existiriam naturalmente em nosso planeta. A idéia por trás do experimento é gerar organismos capazes de produzir etanol, eliminando a necessidade de processamento de grandes quantidades de cana de açúcar ou milho para esse fim.

Creating bacterial strains from genomes that have been cloned and engineered in yeast. Lartigue e colaboradores Science. 2009 Sep 25;325(5948):1693-6

Produzir células-tronco pluripotentes sem embrião ficou mais fácil

Sempre lembrada ao menor sintoma de gripe, a vitamina C ganha agora mais uma função: facilitar a geração de células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Desde o trabalho seminal de Shynia Yamanaka em 2006, produzir células iPS nunca foi fácil. A eficiência de reprogramação girava em torno de 0,01%, o que dificultava a produção dessas células a partir da pele de pacientes idosos ou portadores de determinadas doenças. Com a simples adição de vitamina C ao meio de cultura, cientistas chineses conseguiram aumentar a eficiência de reprogramação em 100 vezes! O achado poderá acelerar ainda mais as pesquisas para a produção de células iPS e desenvolvimento de modelos inéditos para o estudo de doenças humanas incuráveis. Linus Pauling iria se entusiasmar com mais esse feito atribuído à vitamina C!

Vitamin C Enhances the Generation of Mouse and Human Induced Pluripotent Stem Cells. Esteban e colaboradores. Cell Stem Cell 2009 Dec 24

Para tratar a doença de Parkinson, reduza a inflamação

Nesse trabalho pesquisadores do Instituto Salk na Califórnia demonstraram que um gene chamado Nurr1 protege neurônios dopaminérgicos de estragos causados por processo inflamatório presente no cérebro de pacientes com doença de Parkinson. Ativar o gene Nurr1 e reduzir a inflamação gerada por células gliais poderão se tornar estratégias terapêuticas no futuro.

A Nurr1/CoREST pathway in microglia and astrocytes protects dopaminergic neurons from inflammation-induced death. Saijo e colaboradores
Cell, 2009 Apr 3;137(1):47-59


Para tratar a doença de Parkinson, estimule eletricamente a medula espinhal

Equipe do brasileiro Miguel Nicolelis da Universidade Duke nos Estados Unidos demonstrou que a estimulação elétrica na medula espinhal melhora o controle motor de camundongos com sintomas da doença de Parkinson. A técnica, relativamente simples e pouco invasiva, deverá ser testada muito brevemente em seres humanos.

Spinal cord stimulation restores locomotion in animal models of Parkinson's disease. Fuentes e colaboradores
Science. 2009 Mar 20;323(5921):1578-82.


E para você, leitor, que descoberta faltou na lista do melhor da ciência em 2009? Comente aqui!

Feliz 2010, repleto de descobertas científicas!

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Pedro Bial e a busca pela imortalidade

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 29/12/2009 14h28

 

Para quem não conseguiu assistir ao Globo News Especial de domingo que discutiu o envellhecimento e os novos caminhos da ciência para a vida eterna, o programa está disponível na íntegra aqui.

Entrevista e samba do Oscar Niemeyer são imperdíveis!

"Você é um gozador, Pedro Bial", disse o maior arquiteto do século XX.

E você, tomaria o elixir da vida eterna?

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Reflexões sobre os avanços da ciência no tempo do impossível

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 24/12/2009 10h32

Muitos avanços biotecnológicos que hoje fazem parte de nosso cotidiano foram considerados, em algum momento, desejos impossíveis.

Alcançar a imortalidade habita o imaginário coletivo desde o início dos tempos.

É desejo antigo, cantado mais recentemente pela Escola de Samba Unidos da Tijuca em desfile inesquecível:

"Na arte da ciência
A busca continua
Na luta incessante pra vencer o mal
E no vai e vem dessa história
O velho sonho de ser imortal
Profecia, loucura, magia..."

"...Mistérios que ainda quero desvendar, levar
O destino é quem dirá
O amanhã, como será"

Pedro Bial perguntou se eu acharia possível um dia vivermos para sempre. Eu respondi que sim!

Os avanços da ciência nos últimos anos são impressionantes e me estimularam a defender o que, para muitos, está fora de cogitação.

Há somente 170 anos não sabíamos que células formavam nosso corpo. Há 50 anos desconhecíamos como as informações que controlam o metabolismo do organismo estão organizadas.

Hoje estudamos as células-tronco, conhecemos a telomerase e controlamos genes que aumentam a longevidade de diversos animais em até 50%. Já é factível evitar ou corrigir alguns dos mecanismos celulares que levam a problemas associados ao envelhecimento. A engenharia tecidual busca criar novos órgãos e tecidos para repor aqueles danificados por doenças ou pelo passar dos anos.

O especial de fim de ano que irá discutir os avanços da medicina contemporânea na busca pela eterna juventude vai ao ar nesse domingo (27/12) às 23h na Globo News.

Não posso adiantar muito a surpresa mas o programa recebeu tratamento de cinema. Mauro Mendonça Filho, Walther Carvalho e João Carrascosa fizeram parte da equipe de produção.

O debate final foi extremamente rico e divertido. Tenho certeza que irá estimular discussões acaloradas entre os telespectadores por muitos e muitos dias.

E você? Gostaria de viver eternamente? Na sua opinião, envelhecer é evitável?

Deixe aqui seu comentário!

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Ciência e saúde não combinam com cães e gatos abandonados

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 19/12/2009 22h05

De acordo com o ranking internacional de instituições acadêmicas (ARWU 2009), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está entre as 350 mais prestigiosas do mundo.

Esse ranking, criado há 6 anos, é uma das principais referências na avaliação das universidades. Sua metodologia é baseada em um conjunto de indicadores, como a qualidade dos artigos científicos publicados por cada instituição.

Para aqueles que acham isso pouco, levando-se em consideração que existem 8397 universidades distribuídas em 201 países, uma rápida regra de três revela que a UFRJ está entre as 4% mais importantes do planeta!

Cabe mencionar que somente 6 universidades brasileiras, dentre as 183 que aqui existem, aparecem no ranking das 500 melhores, sendo a UFRJ a única representante do Rio de Janeiro.

Os pesquisadores de seu Centro de Ciências da Saúde (CCS) respondem por uma parcela bastante significativa da produção científica que classificou a universidade carioca para a lista da ARWU em 2009.

No CCS da UFRJ localizam-se o Instituto de Ciências Biomédicas, o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, o Instituto de Bioquímica Médica, o Instituto de Biologia, o Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes entre outras importantes unidades de ensino e pesquisa.

Anualmente centenas de biólogos, biomédicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, médicos e enfermeiros freqüentam o centro, além de mestres e doutores das mais variadas áreas da saúde.

Reportagem de Carolina Drago e Clarissa Cogo publicada na Revista Bio relata situação que nada condiz com a excelência acadêmica descrita acima.

Estudantes, professores e cientistas dividem suas instalações com cães e gatos abandonados, que sobrevivem de alimentos deixados por um grupo de freqüentadores do centro. Todos concordam que esses ótimos companheiros dos seres humanos têm direito ao respeito e ao cuidado mas um centro de ciências da saúde certamente não é o espaço adequado para acolhê-los.

Diariamente esses animais deixam seus excrementos pelos corredores do centro (veja o vídeo). Os alunos e docentes acabam por pisar nas fezes e urina, levando resíduos para o interior dos laboratórios e salas de aula e colocando em risco a saúde e o desenvolvimento das pesquisas.

Como se não bastasse, alguns desses bichos foram responsáveis por incidentes inesperados, como o ataque a transeuntes e infestações de pulgas e carrapatos nos laboratórios. Além disso, nos últimos meses pelo menos dois gatos morreram eletrocutados no interior de caixas de alta tensão, o que ocasionou queda de energia e risco iminente de incêndio.

A atual situação do CCS é incompatível com os princípios básicos de biossegurança. O manual da Organização Mundial de Saúde afirma categoricamente que somente animais de laboratório podem ser mantidos em locais onde se faz pesquisa biomédica.

A coordenadora da Comissão de Biossegurança do CCS, Dra. Sônia Costa, realiza importante trabalho de conscientização sobre a necessidade de remover os cães e gatos que habitam os corredores do centro de ciências da saúde da UFRJ, dando-lhes abrigo e tratamento adequado.

O final de ano é um período propício para a reflexão. Que a virada para 2010 traga a motivação necessária aos gestores do CCS da UFRJ para que providências sejam tomadas.

Animais domésticos devem habitar nossos lares e não os corredores de um dos mais importantes centros de pesquisa biomédica do país.

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Quero ser um rato toupeira pelado

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 23/11/2009 00h16

Enquanto jovens, não nos preocupamos com o tempo. Chega a idade madura e o que parecia distante torna-se realidade, estamos envelhecendo. "Inexorável!" acrescentaria meu pai.

Essa sensação transformada em angústia sempre motivou a humanidade na busca pela imortalidade.

Artigo científico publicado semana passada na revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos explica como o rato do tipo toupeira pelado (Heterocephalus glaber) evoluiu para prolongar drasticamente sua expectativa de vida e traz pistas sobre como poderemos eventualmente fazer o mesmo para a espécie humana.

Ratos toupeiras pelados (foto) vivem em colônias subterrâneas na África numa estrutura social parecida com a das abelhas e formigas.

Curiosidades à parte, esse bichinho que de tão feio é simpático, vive 28 anos enquanto seus "parentes", como os camundongos domésticos, vivem no máximo 4 anos. Se o rato toupeira fosse humano, chegaria portanto aos 500 anos de idade!

No referido trabalho, cientistas norte-americanos sugerem que a surpreendente longevidade desse animalzinho é conseqüência de sua capacidade natural de evitar o crescimento de tumores.

Cabe aqui mencionar que roedores que escapam de ratoeiras e de predadores naturais, morrem inevitavelmente de câncer, cuja taxa de mortalidade extrapola 90% nesses animais.

Para entender como o rato toupeira é capaz dessa façanha, cabe lembrar que as células têm a capacidade que tem de se dividir ao longo da vida e que esse processo é chamado ciclo celular.

Desajustes no ciclo de divisão celular podem transformar uma célula normal em tumoral e, por conta disso o processo precisa ser bastante controlado. Essa regulação fica por conta de proteínas que, produzidas e destruídas em períodos determinados, têm a capacidade de interromper ou fazer prosseguir o processo.

Quando uma célula normal "sente" outra ao seu lado, ela pára de se dividir para não "atropelar" o que estiver pela frente. Esse fenômeno chama-se inibição por contato.

Células tumorais ignoram esse sinal de contato, continuam se dividindo e invadem outros tecidos e órgãos. É o que conhecemos como metástase.

A inibição por contato é regulada por uma família de proteínas batizada pelo acrônimo CDKI (do inglês inibidores de cinases dependentes de ciclinas) e nomeadas de acordo com o peso (molecular) que possuem.

Quando uma célula humana ou de camundongo percebe a presença de uma vizinha, aumenta a produção da proteína p27, o que impede uma nova divisão celular. O problema é que muitas vezes produzir p27 não é suficiente para impedir o crescimento de tumores.

O rato toupeira pelado evoluiu um sistema de inibição por contato ultra-sensível. Ao menor sinal (de contato), produz p16, além de p27 (que funciona como back-up). Dessa forma, impede que células neoplásicas se multipliquem e atropelem o que estiver no caminho.

Em células humanas, além de produzir p27, perder telomerase é estratégia adicional para evitar a geração de células neoplásicas ao longo da vida.

Como já discutido aqui nesse blog , os telômeros protegem o material genético durante a divisão celular. E a cada ciclo celular, encurtam um pouquinho. Na sua ausência, é impossível se dividir. A telomerase evita o encurtamento dos telômeros, garante novas divisões celulares e está muito presente nas células cancerosas.
Em contrapartida, as células (normais) de nosso corpo, em algum momento da vida, param de se dividir. É a senescência replicativa, o que reduz a chance de formação de tumores mas traz consigo a incapacidade de regeneração dos tecidos e o envelhecimento do organismo.

Por conta de seu mecanismo de inibição de contato mais eficiente, as células do rato toupeira podem manter a telomerase ativa, restaurando seu corpo desgastado por doença ou pelo tempo, sem com isso, aumentarem o risco da formação de um câncer. Quando alguma coisa parece errada, novas divisões celulares são sumariamente interrompidas, e extingüe-se o risco de metástases.

Ao desenvolver mecanismos anti-neoplásicos tão eficientes, o rato toupeira vive 7 vezes mais do qualquer outro pequeno roedor e pode ser considerado um highlander entre seus pares.

Não custa nada especular sobre a possibilidade de, um dia, nos utilizarmos das estratégias do rato toupeira pelado para superar o câncer e quem sabe não mais nos preocuparmos com o passar do tempo.

Células-tronco, Malbec e bife de chorizo argentinos

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 16/11/2009 12h23

 

Ontem à noite retornei de Buenos Aires, onde aconteceu o Simpósio Internacional sobre Pesquisa em Células-Tronco da Fundación Instituto Leloir .

O evento reuniu os principais especialistas dos Estados Unidos, Canadá, Suécia, Alemanha, Espanha, Brasil, Chile, Uruguai e Argentina trabalhando no tema.

Sem dúvida um dos melhores encontros científicos que já participei. As discussões, sempre muitos intensas, continuavam durante o jantar, enquanto apreciava-se bom vinho e carne em algum restaurante de Palermo Soho, a Lapa portenha.

A presença da Presidente da Argentina Cristina Kirchner abrilhantou o encontro. Carismática, fez questão de lembrar o dia em que, durante visita a um laboratório, surpreendeu cientistas de seu país ao identificar sozinha ao microscópio as estruturas de um célula (núcleo e citoplasma).

Kirchner demonstrou entusiasmo legítimo e algum conhecimento sobre os avanços na área de Medicina Regenerativa. Aproveitou a ocasião para comentar a existência de uma sala dedicada à ciência no interior da Casa Rosada, onde há fotos e informações sobre as principais conquistas dos "científicos argentinos". Los hermanos presentes vibraram.

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva daquele país, Lino Barañao e o Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde do Brasil, Reinaldo Felippe Nery Guimarães, assinaram termo de colaboração científica com duração prevista de 5 anos para estudos sobre células-tronco entre os dois países.

Nesse primeiro texto especial sobre o simpósio, relato as conclusões da mesa-redonda "Perspectivas e realidades na pesquisa e tratamentos envolvendo células-tronco".

José Cibelli, pesquisador da Universidade de Michigan e especialista em reprogramação celular, foi o mediador.

Perguntou aos participantes qual o maior desafio a ser superado para a aplicação clínica de células-tronco embrionárias no tratamento de doenças humanas.

Armand Keating, estudioso de células-tronco adultas na Universidade de Toronto (Canadá), destacou a importância de se garantir a segurança dos novos procedimentos. 

Olle Lindvall, o maior especialista do mundo na utilização de células para o tratamento do Mal de Parkinson, ressaltou que as novas terapias precisam ser definitivamente mais eficazes do que os medicamentos já existentes. Caso contrário não valerão a pena.

O pesquisador da Universidade de Lund (Suécia) comentou que será preciso eliminar a possibilidade de formação de tumores antes que qualquer transplante de células-tronco embrionárias seja realizado em humanos.

George Daley, pesquisador de células iPS da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos) lembrou a importância da obtenção de populações plenamente diferenciadas (de neurônios, células cardíacas ou do pâncreas) a partir de células-tronco antes de sua aplicação terapêutica.

Irv Weissman pensa diferente.

O pesquisador da Universidade Stanford (Estados Unidos) sugeriu que a comunidade científica rediscuta justamente o procedimento que precede o transplante de células-tronco embrionárias. Transplantar células totalmente diferenciadas (como sugere Daley) ou aquelas mais jovens, assumindo que o próprio corpo forneceria as pistas para a diferenciação completa e específica das células-tronco? A vantagem desse procedimento seria deixar para o organismo a decisão sobre qual tipo celular precisa numa determinada situação.

Weissman lembrou ainda a importância de se impedir o turismo de células-tronco e anunciou a criação de uma página na internet onde serão listados todos os médicos e instituições que vendem terapia celular sem comprovação científica. Os pacientes agradecem.

Em resumo serão esses os desafios que nortearão os cientistas nos próximos 10 anos.

Talvez pareçam insuperáveis para alguns mas vale lembrar que o isolamento das primeiras células-tronco embrionárias aconteceu há 11 anos atrás, e a criação das células iPS há somente 3 anos! Desde então os avanços são impressionantes.

Na minha opinião não há porque duvidar que as pesquisas sobre células-tronco, de um jeito ou de outro, irão revolucionar a medicina.

E você leitor, o que acha? Qual sua expectativa sobre o assunto para os próximos anos?

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O que Bruce Willis têm em comum com um neurocientista brasileiro?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 02/11/2009 12h59

Ontem assisti Substitutos (no original Surrogates - Touchstone Pictures, 2009).

A ficção científica é ambientada em 2054, quando seres humanos trocariam a vida em carne e osso por substitutos andróides.

Na internet proliferam críticas pouco entusiasmadas sobre a trama estrelada por Bruce Willis.

De fato o filme não foge de clichês hollywoodianos e leva às últimas conseqüências o que conhecemos hoje como Second Life.

Pode ser considerado um pot-pourri de Eu, Robô, com a trilogia Matrix e grande influência estética da tetralogia o Exterminador do Futuro, o que não é surpresa, já que seu diretor, Jonathan Mostow, também assinou a Rebelião das Máquinas.

Ninguém comentou entretanto que o enredo dos Substitutos é uma extrapolação fantástica do trabalho pioneiro de Miguel Nicolelis sobre a interface cérebro-máquina.

A narrativa introdutória tenta explicar como a humanidade decidiu trocar a vida real pela virtual e é acompanhada por cenas reais, incluindo a de um macaco controlando um braço biônico "com a força do pensamento". É justamente aí que se vê o dedo do neurocientista brasileiro, primeiro a demonstrar que a atividade elétrica de neurônios pode ser convertida em códigos matemáticos que movimentam braços e pernas mecânicos .

De forma bastante simplificada, Miguel e sua equipe estudam como o cérebro define a percepção do que é o corpo que o abriga, e quem sabe, como o cérebro poderá se libertar desse corpo.

Seu trabalho de pesquisa caminha para o desenvolvimento de neuropróteses capazes de restaurar funções motoras em pacientes paralisados por lesões ou doenças que comprometem o funcionamento do sistema nervoso, incluindo cadeirantes e portadores da Doença de Parkinson.

A novidade dessa saga pode ser apreciada na edição de setembro desse ano da revista Frontiers in Integrative Neuroscience.

Miguel e sua equipe na Universidade Duke dos Estados Unidos assinam artigo científico que demonstra a possibilidade de comunicação bidirecional entre cérebro e máquina a partir da estimulação do córtex somatossensorial, ou seja, além de movimentar um braço biônico o cérebro começa a ser capaz de senti-lo!

Foi no mínimo curioso assistir a um filme de ficção científica baseado numa HQ cuja justificativa para refletir sobre esse futuro alternativo esteja baseada no trabalho de um brasileiro.

O filme sugere que a opção pelos substitutos seria principalmente estética e sexual. Isso sem contar que a grande conspiração que movimenta o agente do FBI vivido por Bruce Willis contribui para atiçar medos e preconceitos em relação à conduta social dos cientistas.

Melhor seria se Hollywood trabalhasse no sentido oposto mas aí já é pedir demais.

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Cordão umbilical gera neurônios?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 25/10/2009 23h04

Por força de três viagens e tarefas administrativas que se acumularam, este blog não foi atualizado nas últimas 2 semanas. Peço desculpas aos leitores pelo silêncio.

Retomo as atividades comentando reportagem publicada anteontem no jornal Folha de São Paulo sobre trabalho que compara o padrão de expressão gênica de células mesenquimais derivadas do sangue do cordão umbilical com células do próprio tecido que forma o cordão umbilical.

A chamada para a matéria, tanto no jornal impresso quanto na versão online , é o título desse post sem o ponto de interrogação, seguido de "afirma pesquisa da USP". No primeiro parágrafo da reportagem lê-se ainda: "isso porque as células-tronco do cordão servem para formar neurônios".

Assim que comecei a ler a reportagem, senti uma mistura de surpresa e empolgação, depois veio o desapontamento e por último a preocupação.

A simples possibilidade de demonstração da geração de neurônios a partir de células adultas não provenientes do cérebro, de células-tronco embrionárias ou de pluripotência induzida (iPS) seria um marco científico daqueles. Daí minha empolgação.

No começo dessa década alguns pesquisadores já haviam proposto que células-tronco derivadas do sangue poderiam se transformar em células extremamente especializadas como os neurônios. Entretanto, poucos anos mais tarde a maior parte da comunidade científica foi incapaz de reproduzir esses resultados .

O tema é controverso mas o conceito aceito atualmente é que células do sangue, inclusive as mesenquimais, podem apresentar marcadores comuns aos neurônios mas isso não significa que consigam fazer o que os neurônios fazem: formar sinapses, disparar potenciais de ação, participar de redes neurais no interior do cérebro.

Seria o equivalente que chamar de zebra um cavalo com listras como o da foto. Essa ótima comparação ouvi pela primeira vez do Professor Luiz Eugenio Mello, que publicou artigo científico demonstrando que células mesenquimais podem, em algumas situações, produzir proteínas de neurônios sem entretanto agirem como tal.

As células mesenquimais analisadas pela equipe do Professor da Unifesp foram retiradas da medula óssea de ratos. Seus resultados não excluem a possibilidade de que células mesenquimais extraídas do cordão umbilical humano sejam diferentes e possam eventualmente gerar neurônios.

Por outro lado, o artigo sobre as células do cordão umbilical, apesar de bastante interessante, de ter passado pelo crivo da comunidade científica internacional e ter sido aceito para publicação em revista científica especializada não demonstrou o que afirma a manchete da reportagem da Folha: que células do cordão umbilical geram neurônios.

Muito pelo contrário, seus autores foram extremamente cautelosos, escreveram inclusive que a expressão dos genes associados à neurogênese (geração de neurônios) detectada nas células do cordão umbilical poderia ser uma "contaminação" da amostra por terminais de neurônios.

Segundo o próprio artigo, além desses 4 genes comuns aos neurônios (SYNPO2, NRP2, CDH2 e NPY), as células de cordão umbilical também expressam genes relacionados à angiogênese, à morfogênese, à adesão celular e secreção.

A chamada da matéria da Folha de São Paulo poderia ter sido "cordão umbilical gera vasos sangüíneos" ou ainda "cordão umbilical gera um monte de coisas". Certamente a opção por falar dos neurônios na chamada e no primeiro parágrafo atraiu muito mais leitores.

Até a tarde de hoje a reportagem da Folha havia repercutido em pelo menos 219 blogs e 981 páginas de notícias na internet. A partir de agora para a maioria esmagadora dos leitores cordão umbilical gera neurônio! Ninguém irá se preocupar em confirmar se o artigo citado traz de fato dados experimentais que corroborem essa afirmação.

Todos nós torcemos para que um dia se demonstre que células-tronco adultas derivadas do sangue, do cordão umbilical ou de qualquer outra parte do corpo além do cérebro sejam capazes de formar neurônios funcionais. Iria acelerar bastante os estudos clínicos para doenças como Parkinson, lesão medular ou esclerose lateral amiotrófica. Infelizmente não foi dessa vez.

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Células-tronco na terra da Nação Zumbi

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 07/10/2009 00h40

Começa amanhã no Recife o mais importante encontro científico brasileiro na área de terapia celular e células-tronco.

O IV Simpósio Internacional de Terapias Avançadas e Células-Tronco contará com a presença de 9 palestrantes estrangeiros e 24 brasileiros.

O destaque fica por conta de James Thomson, o primeiro cientista no mundo a isolar células-tronco embrionárias a partir de embriões humanos.

Seu principal artigo, publicado na revista Science há 11 anos atrás, mudou a forma com que estudamos o desenvolvimento humano no laboratório.


Além de James Thomson, outros pesquisadores de grande destaque estarão presentes.

Abaixo a programação completa do evento. Muita ciência brasileira de boa qualidade.

O saudoso Chico Science iria se orgulhar.

PROGRAMA

Quinta-Feira - 08/10/2009

08:30 - 10:00 - Simpósio: Terapia Celular no Brasil
Coordenador: Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)
Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Dr. Ricardo Ribeiro dos Santos (BA)
Dr. Paulo Roberto Slud Brofman (PR)
Dr. Julio César Voltarelli (SP)

10:00 - 10:30 - Intervalo

10:30 - 12:00 - Simpósio: Células Tronco Pluripotentes
Coordenadora: Dra. Lygia da Veiga Pereira (SP)
Dr. James Thomson (EUA)
Dr. Stevens Rehen (RJ)
Dr. Thomas Reh (EUA)
Drª. Lygia da Veiga Pereira (SP)

12:00 - 14:00 - Intervalo

14:00 - 14:45 - Conferência de abertura: Células Tronco Embrionárias e Induzidas
Presidente: Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)
Dr. James Thomson (EUA)

14:45 - 15:30 - Conferência: De Células Tronco Embrionárias a Neurônios
Presidente: Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Dr. Thomas Reh (EUA)

15:30 - 16:00 - Intervalo

16:00 - 16:45 - Conferência: Células Tronco e Diabetes
Presidente: Dr. Stevens Rehen (RJ)
Dr. Julio Cesar Voltarelli (SP)

17:00 - 19:30 - Temas Livres selecionados para Apresentação Oral
Coordenadores: Dr. Milton Artur Ruiz e Drª. Nance Beyer Nardi
(10 temas escolhidos para concorrer ao prêmio de melhor pesquisa na área de terapia celular no país)
 

Sexta-Feira - 09/10/2009

08:30 - 10:00 - Simpósio: Células Tronco em Doenças Neurológicas
Coordenadora: Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Dr. Gabriel Rodríguez de Freitas (RJ)
Dr. Walace Gomes Leal (PA)
Dr. Carlos Alexandre Netto (RS)
Dr. Fernando Pitossi (Argentina)

10:00 - 10:30 - Intervalo

10:30 - 12:00 - Simpósio: Células Tronco em Cardiopatias - Ensaios Clínicos
Coordenador: Oswaldo Tadeu Greco (SP)
Dr. Renato Kalil (RS)
Dr. Timothy Henry (EUA)
Dr. Luís Henrique Wolff Gowdak (SP)
Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)

12:00 - 14:00 - Intervalo

14:00 - 14:30 - Conferência: Células Tronco na Isquemia Miocárdica
Presidente: Dr. João Moraes Jr. (PE)
Dr. Noedir Stolf (SP)
14:30 - 15:00 - Conferência: Os Ensaios Clínicos de Terapia Celular em Cardiologia do NIH
Presidente: Ricardo Ribeiro dos Santos (BA)
Dr. Timothy Henry (EUA)

15:00 - 15:30 - Conferência: Uso de Células Tronco no Tratamento do Lupus Eritematoso Sistêmico
Presidente: Dr. Julio César Voltarelli (SP)
Drª. Ewa Carrier (EUA)

15:30 - 16:00 - Intervalo

16:00 - 16:30 - Conferência: Células Tronco para Terapias Regenerativas
Presidente: Milton Artur Ruiz (SP)
Dr. Bernd Fleischman (Alemanha)

16:30 - 17:00 - Conferência: Terapia Celular em Epilepsia
Presidente: Dr. Paulo Roberto Slud Brofman (PR)
Dr. Jaderson Costa da Costa (RS)

17:00 - 17:30- Conferência: Derivação de Eritrócitos a Partir de Células Tronco Embrionárias
Presidente: Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)
Drª. Ewa Carrier (EUA)

17:30 - 19:00 - Sessão de Pôster: Apresentação de Trabalhos Científicos
Coordenadoras: Drª. Valéria Bezerra de Carvalho
   Drª. Carmen Lúcia Kuniyoshi Rebelatto

Sábado - 10/10/2009

08:30 - 10:00 - Simpósio: Terapia Celular nas Doenças Renais e Hepáticas
Coordenadora: Dra. Regina Coeli dos Santos Goldenberg (RJ)
Drª. Milena Botelho Pereira Soares (BA)
Dr. Adalberto Ramon Vieyra (RJ)
Dr. André Castro Lyra (BA)
Dr. Nestor Schor (SP)

10:00 - 10:30 - Intervalo

10:30 - 12:00 - Simpósio: Terapia Celular para Doenças Pulmonares, Locomotoras.
Coordenador: Dr. Julio César Voltarelli (SP)
Drª. Zulma Gazit (Israel)
Dr. Dan Gazit (Israel)
Dr. Marcelo Morales (RJ)
Dr. João Tadeu Ribeiro-Paes (SP)

12:00 - 14:00 - Intervalo

12:30 - 13:30 -Assembléia - Associação Brasileira de Terapia Celular (ABTCel)
Presidente: Dr. Paulo Roberto Slud Brofman (PR)
Coordenadores: Drª. Alexandra Cristina Senegaglia (PR) e Paula Hansen Suss (PR)

14:00 - 14:30 - Conferência: Células Tronco Mesenquimais na Reconstituição de ossos
Presidente: Drª. Nance Beyer Nardi (RS)
Drª. Zulma Gazit (Israel)

14:30 - 15:00 - Conferência: Células Tronco Mesenquimais na Reconstituição de Cartilagens
Presidente: Dr Sérgio Paulo Bydlowski (SP)
Dr. Dan Gazit (Israel)

15:00 - 15:30 - Intervalo

15:30 - 16:00 - Conferência: Estado da Arte na Terapia Celular para Doenças Neurológicas
Presidente: Dr. Renato Kalil (RS)
Drª. Rosália Mendez-Otero (RJ)

16:00 - 17:30 - Rede Nacional de Terapia Celular
Coordenador: Dr. Reinaldo Guimarães (DF)
Dr. Reinaldo Guimarães (DF)
Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho (RJ)
Dr. Fernando Pitossi (Argentina)
Dr. Mariano Levin (Argentina)
Drª. Lygia da Veiga Pereira (SP)
Drª. Geni Neumann N. de Lima Camara (DF)

17:30 - Entrega de Prêmios

18:00 - Encerramento

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Cromossomos, ponteiras plásticas de cadarços e o relógio da vida

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 07/10/2009 00h33


Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak devem ter tido a segunda-feira mais feliz de suas vidas. Anteontem cada um deles recebeu um telefonema informando que ganharam o Prêmio Nobel de Medicina de 2009.

Nas décadas de 1970 e 1980 esses três cientistas americanos descobriram como os cromossomos evitam sua degradação enquanto se dividem. O segredo está nos telômeros, sequências repetitivas de DNA que protegem suas extremidades da mesma forma que ponteiras plásticas protegem as pontas de nossos cadarços.

A foto, tirada por Priscila Britto Campos em meu laboratório, ilustra cromossomos de uma célula-tronco coloridos em azul e seus telômeros marcados como pontos vermelhos. Os nobelistas foram os primeiros a identificá-los!

Tais estruturas conferem proteção contra fusões, erros de recombinação e danos no DNA.

Em 1961, Hayflick notou que células de mamíferos tinham uma taxa finita de proliferação mas não soube explicar como isso acontecia.

Graças à Blackburn, Greider e Szostak hoje sabe-se que tal fenômeno ocorre porque a cada ciclo de divisão celular os telômeros sofrem encurtamento em função do antiparalelismo das fitas de DNA.

Com isso, acabam funcionando como um relógio da vida, definindo o momento em que uma célula entra em senescência, ou em outras palavras, quando tem início o envelhecimento de nosso corpo.

Algumas células são capazes de corrigir o encurtamento de seus telômeros. Essa tarefa é realizada por uma enzima chamada telomerase.

A telomerase é capaz de adicionar sequências de DNA nas extremidades dos cromossomos prevenindo assim a perda progressiva dos telômeros e desacelerando o tic-tac do tal relógio.

A maioria das nossas células não produzem grandes quantidades de telomerase e por isso depois de 50 a 80 duplicações não conseguem mais se dividir.

A exceção fica por conta das células epiteliais, das hepáticas e infelizmente das tumorais, ricas em telomerase, o que pode explicar porque se dividem tantas vezes.

A alta atividade da telomerase pode indicar inclusive o início de um câncer. Há medicamentos sendo testados em seres humanos com o objetivo de inibir essa enzima e conseqüentemente o crescimento de tumores.

A próxima vez que amarrar os sapatos lembre-se que algo com a mesma função da ponteira plástica de seus cadarços define quantas vezes nossas células conseguem se dividir, para o bem e para o mal.

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Como surgiu o mundo? E a vida?

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 28/09/2009 22h44

Marcelo Gleiser é um dos cientistas mais populares do Brasil. Físico, astrônomo, escritor e roteirista participou de diversos programas de divulgação científica na TV.

O professor do Dartmouth College fará palestra sobre a origem do universo no Rio de Janeiro.
 
A ORIGEM DO UNIVERSO: DOS MITOS DE CRIAÇÃO AO BIG BANG

Quinta-feira (01/10) a partir das 17h30.

Aberta ao público, entrada gratuita.

Local: Fórum de Ciência e Cultura  - Salão Pedro Calmon.



AV. PASTEUR, 250. 22295-900 RIO DE JANEIRO, RJ 

TEL.: (21) 2295-1595

Tradicionalmente,  as  religiões  foram  a  nossa  primeira tentativa  de  resposta sobre a origem da vida.

Os mitos  de  criação  fazem  parte  de  todas  as  culturas,  do  passado e do presente.

Com o surgimento da  filosofia ocidental e, mais  recentemente, da ciência,  a mesma pergunta continua sendo feita e respondida de forma diversa. A cada geração, temos um novo modelo  do  universo. Nessa  palestra,  Marcelo Gleiser irá cruzar dois mil  anos  de  história  do  conhecimento investigando como a imaginação humana tentou e tenta lidar com o maior dos mistérios.

IMPERDÍVEL!

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Lançamento do livro "Ab Initio", de Franklin David Rumjanek

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 22/09/2009 19h52

A Vieira e Lent Casa Editorial divulga o lançamento do livro "Ab Initio", do professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ Franklin David Rumjanek.

Será nesta quarta-feira, dia 23 de setembro, às 19 horas, na livraria da Travessa em Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572).

O Dr. Rumjanek é diretor adjunto do Instituto Ciência Hoje. Trabalhou na Universidade de Copenhagem, na Universidade de Londres, National Institute for Medical Research e Universidade de Harvard nos Estados Unidos.

A vida começou na Terra ou em algum outro lugar do Universo?

A vida está subordinada a leis especiais da física?

Por que surgiram ideias evolucionistas?

A evolução é aleatória ou não?

Por que a maioria das pessoas rejeita a evolução?

O cientista usa linguagem acessível para refletir acerca do surgimento e evolução da vida.

A publicação é lançada quando se comemoram os 150 anos da publicação da Origem das Espécies e 200 anos do nascimento de Charles Darwin.

Para ler o primeiro capítulo do livro clique aqui .

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Teste clínico com células-tronco neurais autorizado para esclerose lateral amiotrófica

Stevens Rehen | Stevens Rehen | 21/09/2009 22h17

Esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença progressiva ainda sem cura. Pode ser genética, ou não, apresenta seus sintomas geralmente na meia idade, e, em 90% dos casos, mata rapidamente os neurônios responsáveis pelos comandos dos músculos.

À medida que esses neurônios atrofiam e degeneram, os músculos controlados enfraquecem e a pessoa perde o controle dos movimentos.

A agência federal americana responsável pelo controle de alimentos e questões de saúde (FDA) autorizou hoje o primeiro teste clínico com aplicação de células-tronco neurais para o tratamento de ELA.

Dezoito pacientes com graus variados da patologia irão receber na medula espinal até 10 injeções de células-tronco neurais produzidas por uma empresa americana de biotecnologia.

Quatro artigos científicos publicados por cientistas da Johns Hopkins e da empresa sugerem que a aplicação de células-tronco neurais derivadas da medula espinal humana combinada a imunosupressores aumenta a sobrevida e reduz a progressão da ELA em camundongos e ratos.

O teste terá como principal objetivo avaliar a segurança do procedimento mas a expectativa também será analisar a hipótese de que terapia celular é capaz de desacelerar em seres humanos o processo degenerativo da ELA que leva a paralisia e morte.

A autorização para o início desse teste clínico estava prevista originalmente para fevereiro de 2009 mas foi adiada pelo próprio FDA.

Em março desse ano hospitais da região de Murcia na Espanha anunciaram um teste clínico para ELA (número identificador NCT00855400) com células-tronco autólogas derivadas da medula óssea mas até o momento nenhum paciente foi recrutado.

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