Cachaça ou vodka?
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 19/03/2010 15:52
Eu fui convidado para uma degustação da cachaça Leblon, no Mr Lam, na Lagoa, Rio de Janeiro. A ideia da empresa é quebrar uma vantagem que a vodka - principalmente a importada - tem sobre a cachaça na hora do preparo de uma das bebidas mais populares do país. 60% das caipirinhas são feitas com vodka. E não com cachaça.
Embora, existam maneiras distintas na hora da fabricação da bebida mais popular do Brasil. "A principal diferença entre uma cachaça industrial para uma de alambique está no processo de produção. A cachaça de alambique é elaborada em alambiques de cobre, tem colheita manual e processo de fermentação artesanal, que pode levar até 30 horas. Já a industrial é produzida em alambiques de aço inox, a colheita é feita com máquinas e o processo de fermentação é químico, de apenas seis horas. O resultado está no sabor, mais leve e suave, que não 'pega' na garganta", dizem os especialistas da Leblon. Será que o hábito de caipirinha com cachaça vai pegar?
Serra, candidato
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 19/03/2010 15:26
É caminho sem volta, José Serra confirmou que vai disputar a presidência e jogo começa para o PSDB em abril. Ele admitiu em São Paulo que não fará campanha agora. "Faltam poucos dias", disse.
E quanto ao companheiro de chapa? Com a palavra o próprio governador de São Paulo: "Essa coisa de vice é para mais adiante. Só vai ser resolvido no fim de maio".
Bem, o movimento de Serra no tabuleiro é orientar seguidores, tranquilizar um pouco os tucanos, mandar recado para FHC e aguardar um pouco mais. Serra segue a estratégia que escolheu. Jogo perigoso.
Serra não quer bater de frente com Lula. Lula está no auge. Serra tem muitas qualidades, mas não tem uma imagem agradável para todos os brasileiros.
Serra quer enfrentar Dilma. Serra aposta na sua própria popularidade e conta com o eleitorado paulista para isso. Aí temos outro problema. O país parece querer brecar a força paulista que já ultrapassou todos os limites. Os ministérios desde FHC ganharam o triste apelido de "paulistério". Será que nordestinos e nortistas vão de Serra? Difícil.
Os mineiros, sem Aécio de vice, vão de Serra? Difícil. Os cariocas vão de Dilma? Talvez. Mas será que vão de Serra? Difícil dizer. Afinal, o eleitorado carioca é esclarecido e vai ficar grudado no andamento da campanha.
Contra dados não se briga
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 17/03/2010 10:50
Li aqui no SRZD a nota oficial da Firjan que ressalta que "em 2008, as receitas oriundas do petróleo representaram, em média, 15,8% das receitas dos municípios fluminenses que declararam suas contas ao Tesouro Nacional, percentual próximo ao verificado para o Governo do Estado, 16,4%. Dentre os municípios, a falência seria inevitável em São João da Barra, Rio das Ostras e Quissamã, cujos percentuais de dependência são de 73,7%, 68,12% e 65,17%, respectivamente".
Resumo, contra números não se discute. O Rio precisa mesmo ir à luta.
Interessante também a decisão tomada pela empresa Barcas S/A que vai franquear a viagem de quem se desloca de Niterói para o Rio às 15h. E o Metrô colocará mais composições para amenizar a espera dos interessados em participar do evento na Candelária.
Artistas em favor do Rio
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 16/03/2010 15:13
O evento organizado pelo Governo do Rio de Janeiro, com apresentação de Tony Garrido, que será realizado nesta quarta "Contra a Covardia! Em Defesa do Rio" conta com um time de artistas populares, basicamente com ligação com o samba:
Leandro Sapucahy, Fernanda Abreu, Molejo, Sapão, Revelação, Pixote, Gustavo Lins, Furacão - Rômulo e Priscila, Hawaianos, Neguinho, Alcione, Suingue e Simpatia, Sandra de Sá, Bom Gosto, Nega Gizza/Bill, Sany PitBull - Paula Sued, Pedro Luis e a Parede, e as escolas de samba, Grande Rio, Salgueiro, Mangueira, Portela e Vila Isabel.
Dilma e Serra são antipáticos
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 12/03/2010 09:38
Repito exaustivamente uma lição que aprendi ainda muito jovem com a minha experiência no jornalismo diário: "não se briga com a realidade".
Todo ano eleitoral, eu procuro aumentar a minha rede de contatos com pessoas de várias classes sociais, profissões diversas e de diferentes matizes. É a maneira pessoal que encontrei de aferir o pulso do eleitor.
Em geral, eleição é emoção. A decisão, ou indecisão de voto hoje, nunca é a mesma se a pesquisa for feita amanhã. O eleitor é bastante volúvel. Mas, curiosamente, em muitas situações a opinião coletiva não muda.
Vejamos no que parece ser mais permanente. Para as pessoas que converso, em geral, José Serra e Dilma Rousseff são tidos como pessoas antipáticas e arrogantes. A ministra Dilma não consegue quebrar sua fama de autoritária. E Serra, a de um sujeito que tem medo de sorrir. E que não dorme. É como se alguém optasse por costumes eternizados pelo personagem Drácula. Ele até tem feições noturnas. Uma pele amarelada.
Dilma é muito mais conhecida hoje do que há 3 meses, mas sua imagem ainda não está colada com a do presidente Lula. E nem o povo vê semelhança. Nem petistas.
E ainda tem uma sombra política a ser considerada. Lembre-se que Michelle Bachelet, no Chile, também goza de alta popularidade, mas não transferiu votos suficientes para seu aliado, Frei, e ganhou o opositor, Sebastián Piñera. Ganhou, e já levou.
A decisão de Serra em demorar a se lançar não está passando esperteza de político profissional, e sim, covardia. O povo começa a ter dúvidas se ele realmente quer ser candidato. Um gari me disse: "esse cara parece que não tem tesão!".
Dilma é vista pela maioria como sem experiência, mas, por outro lado, seria a única com condições de manter a política social "do Lula".
Serra não tem colado na testa a marca de que é o candidato dos ricos, mas o PT fará tudo para que isso aconteça e assim possa ficar estabelecida a polaridade eleitoral.
Neste tocante, Ciro, Marina e demais postulantes com menos chances, não conseguiram desmontar a estratégia do Palácio do Planalto de estreitar a disputa.
Faltam a eles dinheiro, visibilidade e musculatura. A grande verdade é que os condutores destas campanhas não têm muita oferta na lojinha para oferecer. Não dá nem para saber se Ciro Gomes, por exemplo, vai para a disputa.
Seria bom para o Brasil se o deputado cearense e ex-governador daquele estado fosse para a briga. A pluralidade é tudo de bom!
O que é fato é que o povão não engrenou para a eleição. E a frase mais ouvida nas ruas é: "político é tudo igual, 'tudo' ladrão!".
Não gosto de brigar com a realidade, mas gosto de ouvir o povo.
Carioca não luta por seus direitos
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 11/03/2010 00:09
O estado do Rio de Janeiro, que um dia teve na Guanabara a sede do Governo Federal, é um lugar aprazível e tem um povo sintonizado nos problemas brasileiros, mas completamente desligado na hora de lutar por seus próprios direitos.
O carioca não está nem aí se o Estado onde vive perder mais de R$ 7 bilhões. Para que se preocupar, não é? Será que o cidadão sabe que menos dinheiro federal significa menos escolas, menos verba para a saúde, menos estradas, menos qualidade de vida?
Só podemos chegar à conclusão que o povão e a elite não estão nem aí para os reais temas discutidos no Congresso Nacional. A inércia do povo do Rio diante da discussão em Brasília do tema mais relevante do momento é chocante. Mostra despolitização e ignorância.
E que elite política é essa que não mobiliza, não explica para o povo o que estava em jogo na votação desta quarta-feira? Lamentável.
Hebe, Danilo Gentili e a Múmia
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 10/03/2010 18:05
Humorista é humorista e não é obrigado a fazer concessões. Se faz, vira lambe botas. É mais ou menos assim desde que o mundo é mundo. Por isso, defendo o direito do Danilo Gentili escrever, falar e pensar o que quiser. E não vejo graça em quem quer calá-lo para ficar bem na foto.
Para ser justo, defendo o mesmo princípio para "imensa plateia" que o lê, ouve, vê ou psicografa os seus pensamentos. Comunicação é mão dupla. Você pode falar o que quiser, mas saiba que pode ouvir o que não se quer. E até receber um processo pela fuça. Vá aos tribunais e se defenda.
Desde Glauber Rocha, eu até escrevi um livro a respeito, que não vejo graça no discurso monocórdio. Sou a favor do pluralismo. E o Brasil não tolera isso. Tem uma turminha aí que parece arroz empapado, só anda em grupinho e pensa em conjunto. Pensa?
Gentili comentar o retorno de Hebe Camargo à TV - diga-se de forma triunfal e emocionante! - está no seu direito de exercício de liberdade. Isto é muito positivo, e não negativo. Ele disse: "- Assistam! O 'SBT' está reprisando agora 'O Retorno da Múmia'". Ao "R7" ele deu um passo além:
Você se arrependeu da frase que postou sobre a volta de Hebe?
Danilo Gentili -
Eu me arrependi é de ter apagado a frase. Eu já falei coisas
consideradas piores pela patrulha do politicamente correto e mantive.
Não levemos muito a sério o que o humorista escreveu. É só uma piada. Coloquemos no devido lugar. Foi uma indelicadeza, falta de cavalheirismo. E isto não tem nada a ver com humor.
Veja o comediante falando sobre o caso:
A Internet cresce
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 07/03/2010 12:44
Eu conto nas minhas palestras o caso de uma jovem de 18 anos que assistia TV com a família, e demonstrava desconforto com o que via. Ela se remexia no sofá, transmitindo uma nítida insatisfação.
Não resistindo, ela desabafou dizendo que a irritava a atuação do "núcleo pobre" da novela. "Por isso, gosto de assistir no computador. Quando não gosto da cena, eu pego o mouse, e passo rapidinho para as cenas seguintes", ela disse.
O que quer dizer isso? É que hoje temos um outro tipo de espectador, mais jovem, mais exigente, mais rápido, ansioso e que está perfeitamente inserido no conceito "nativo digital".
Eu, com 51 anos, sou um "imigrante digital". Não tem jeito. Mas a garotada não tem mais saco de ficar grudada no aparelho de TV. A oferta de atrativos tecnológicos leva ao usuário opções de escolha. É o fim do monopólio.
Segundo a Anatel, o fenômeno é comprovável em números, conforme destaca o blogueiro do "R7", Daniel Castro. "Ao longo dos últimos cinco anos, a TV paga chegou a atingir a marca de 2 horas e 27 minutos de consumo diário por telespectador, em setembro de 2006. Seu pior momento foi em fevereiro de 2008, com 2 horas e 53 minutos.
À TV aberta, o brasileiro dedicava 5 horas, 1 minuto e 35 segundos em janeiro de 2005. Em dezembro passado, tinha cortado 27 minutos por dia de TV aberta (dedicava a ela 4 horas, 34 minutos e 31 segundos).
A internet, por outro lado, teve curva ascendente. Foi de 51 minutos e 36 segundos de consumo diário individual em janeiro de 2005 para 1 hora, 19 minutos e 45 segundos em dezembro último.
Isso quer dizer que o público perdido pela TV aberta migrou para a internet, não para a TV paga. O irônico é que as operadoras de TV paga contribuíram muito para isso. Com internet rápida, muita gente hoje vê TV no computador. Faz o download de séries que vão demorar meses para passar nos canais fechados."
Gabeira, Cesar Maia e Sérgio Cabral
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 07/03/2010 12:31
A senadora Marina Silva lançou seu colega verde Fernando Gabeira como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. Com as recentes denúncias do Ministério Público contra Anthony Garotinho, Gabeira ganha terreno fértil para ser o principal opositor de Sérgio Cabral, favorito na disputa.
Para quem acha estranho Gabeira ganhar o apoio do ex-prefeito Cesar Maia, lembro que o PV integrou o governo do DEM nos últimos anos. Não basta Alfredo Sirkis demonstrar desapontamento público com o "estilo Maia", pois foi auxiliar dele, seu secretário de Urbanismo.
Fica feio alguns aliados de Gabeira tentarem esconder Cesar Maia, que apoia o verde abertamente. Cesar Maia será candidato ao Senado pelo DEM. Gabeira conta, além do PV e do DEM, com o apoio de PSDB e PPS.
Sinceramente, não creio que ter Cesar Maia por perto será um grande obstáculo de campanha. Será muito mais dolorido ver Fernando Gabeira explicando por que compartilhou com outros beócios da "farra das passagens aéreas".
A credibilidade de homem honesto de Gabeira, forjada por longo período, foi bem arranhada quando confessou que usou de fato passagens em benefício pessoal. É como se um cristal se quebrasse. Além de decente, é preciso parecer, também.
Gabeira apoia Serra e Marina, e Cabral, Dilma. Aqui no Rio, mais uma vez, também será montada uma arena nacional. Pena. Temos tantos problemas locais que corre-se o risco da agenda estadual ficar em segundo plano.
Chuva de março vai para a conta do prefeito
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 06/03/2010 21:54
Se você mora no Rio de Janeiro, dê uma olhadinha para o lado de fora da sua janela. Foi isso que fez o blogueiro Eduardo Homem de Carvalho. Ele até tirou fotos.
Que chuva, hein!
Já faz tempo que Tom Jobim mandou avisar que as águas de março trazem pau e pedra. Mas pelo visto as autoridades continuam ignorando o alerta do compositor.
Na hora do sufoco, não tinha um só guarda municipal, nem agente da CET-Rio, de planejamento de trânsito ou autoridade municipal, para ajudar o cidadão que assistiu indefeso ao alagamento de ruas, estradas, garagens, calçadas,...
Os sinais de trânsito sem qualquer sincronia. Nenhum alerta preventivo foi dado para servir de GPS para os motoristas que foram à luta na hora que a chuva resolveu castigar a cidade.
Bueiros entupidos em inúmeros bairros. O que só contribui para a constatação de que a Prefeitura não se preparou devidamente para a situação.
Não adianta virem com a desculpa de que "choveu em 1 hora mais do que chove em um mês inteiro". Ou ainda, "herdamos um caos do governo anterior"... blá blá blá.
Algo me diz que esta chuva e suas consequências vão para a conta do prefeito Eduardo Paes.
Mais calor, mais cerveja
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 05/03/2010 11:56
O balanço da Ambev que traz um retrato das operações da companhia que tem negócios em 14 países das três Américas, e é a quinta maior cervejaria do mundo, embute uma informação curiosa.
"A recuperação da economia foi impulsionada pela demanda interna e o crescimento da renda disponível acima da inflação beneficiou a indústria de cerveja e de refrigerantes. Adicionalmente, o clima no Brasil durante o ano (2009) ajudou com temperaturas médias mais altas que em 2008. Esses fatores contribuíram para um aumento significativo do crescimento orgânico de volume de cerveja no Brasil (9,9%) e de refrigerante (8,1%)."
Leu direito? O calor chegou pra valer e o brasileiro consumiu, a mais, quase 10% do volume de cerveja produzido. Se continuar assim, a cirrose vai bater na porta de muita gente logo, logo.
Em tempo, a Ambev produz Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia, Original, Quilmes, Labatt Blue e Brahva.
Voltei ao 'Estúdio i'
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 04/03/2010 11:32
Hoje e amanhã eu apresentarei o programa "Estúdio i", da "Globonews", que tem como titular a colega Maria Beltrão, que foi a São Paulo participar de um evento que contou com a presença da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton.
Ontem, o entrevistado foi o diretor de cinema Beto Brant. Hoje, o ator de teatro Luis Melo e José Wilker, que falará sobre o Oscar e os lançamentos do cinema. Por conta desta mudança de horário, continuo apresentando o "Conta Corrente" à noite.
E, na segunda-feira, retorno ao "Conta Corrente" da tarde. Minha agenda acabou ficando apertada. Mas tudo voltará ao normal em breve.
Dilma encosta em Serra
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 28/02/2010 09:00
O leitor Zappa, querido de todos nós, sempre me alerta que escrevo sobre Serra e Dilma, como se fossem únicos na disputa presidencial, e que não dou a devida atenção aos demais. Zappa, realmente, eu levo em consideração, neste momento, a uma constatação: a corrida presidencial está polarizada. É evidente que pode mudar. Se tiver evidências disso, escreverei exaustivamente sobre o tema.
Repare a mais atual pesquisa Datafolha em que mostra a queda de José Serra de 37% para 32% e a subida de Dilma Rousseff de 23% para 28%. Ciro Gomes, do PSB, saiu dos 13% que tinha para 12%. E Marina Silva, do PV, patinou e não saiu do lugar. Tinha 8%, e ali ficou.
A pesquisa abrange os dias 24 e 25 de fevereiro e foi uma sondagem com 2.623 eleitores com mais de 16 anos. E revela que Dilma saltou de uma diferença de 14 para 4 pontos. É muita coisa. Foi um pulo e tanto. O padrinho de Dilma, o presidente Lula, continua no alto da sua aprovação recorde, com 73% de ótimo e bom.
Esta pesquisa detona a estratégia de José Serra de ficar quietinho e não fazer marola, já que está na liderança. Se continuar assim, será esmagado, pois Lula e Dilma estão em campanha há muito tempo. E já melhorou a popularidade dela, desconhecida ainda por 14% dos eleitores.
Neste blog cheguei a escrever que Serra deveria ter ido à luta em janeiro, lembra-se? Ele decidiu não ir. O resultado está aí. Se continuar reticente tomará uma lavada nas urnas.
Não esqueçamos que nesta pesquisa Datafolha, 25% dos eleitores estimulados dizem que não votariam em Serra; 23%, em Dilma; 21%, em Ciro; 20%, em Aécio, caso saia candidato; e 19%, em Marina.
Esta pesquisa tem outro dado a ser comemorado no Palácio do Planalto: Lula transfere votos, sim. E demonstra que chuva em São Paulo e os percalços de Gilberto Kassab arranham Serra.
E uma pergunta matadora sugere que hoje tem churrasco em Brasília com carne comprada por Dona Marisa: Você votaria no candidato apoiado por Lula? 42% disseram que sim; 26%, talvez; e 22% afirmaram que não.
Terremoto no Chile é de assustar
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 27/02/2010 07:47
Quantas vezes ouvimos a expressão: "o Brasil é um país abençoado, não tem terremoto, tsunami e nem vulcão". Hoje sabemos que tremor de terras também acontecem por aqui. E que rachaduras no fundo do mar não são impossíveis de acontecer em algum momento da nossa história.
O Brasil desperta para suas fragilidades. E deve fazê-lo com maturidade. Precisamos equipar nossos centros de defesa para agirem preventivamente na hipótese de manifestações violentas da natureza.
O que aconteceu nesta madrugada no Chile, aqui pertinho, é de assustar. Um forte terremoto de 8.3 graus na escala Richter. É mais intenso do que o terremoto que assolou Porto Príncipe, capital do Haiti. O número de mortos no Chile é crescente. Já ultrapassou 40 quando o dia clareou.
A presidente chilena, Michele Bachelet, já declarou estado de catástrofe no país. O hipocentro foi a 59 km de profundidade, a cerca de 90 km da cidade Concepción, a 320 km da capital Santiago, que está parcialmente sem energia elétrica.
Após o terremoto, já ocorreram dez tremores em regiões próximas, mas de menor magnitude.
Pessoas em São Paulo ligaram para a Defesa Civil estadual dizendo que sentiram tremor minutos depois do alerta chileno. A ressonância é a mesma frequência. Quem mora em prédios altos sente o mesmo se morar em Brasília e Curitiba.
Há riscos de tsunami atingir a costa do Equador, Colômbia, Panamá e Costa Rica. As ondas podem chegar com a velocidade maior do que 900 km por hora. Depois de nove horas após o terremoto, as grandes ondas começam a se formar.
Nossos vizinhos precisam da nossa solidariedade e dos nossos conhecimentos técnicos.
A vantagem de Serra
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 26/02/2010 13:26
Um presidente de uma grande Superintendência disse ter ouvido do presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, a seguinte análise: Dilma sairia do primeiro turno da eleição presidencial, na região nordeste, com vantagem de 6 milhões de votos sobre Serra. Mas Serra, por sua vez, liquidaria Dilma no sudeste. Ele a bateria com 7 milhões de votos de frente. Será?
Bye bye Paulo Octávio
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 23/02/2010 17:21
A renúncia de Paulo Octávio do GDF é o pior desfecho para uma carreira política promissora. O mesmo homem que comprovou ser um meteoro no grande mundo empresarial, agora é cinza.
Paulo Octávio enriqueceu rapidamente e se transformou num ícone de empreendimento local. Eis que, neste momento, vivencia sua ruína política e a deterioração da sua imagem pública.
O projeto costurado há 4 anos era que José Roberto Arruda tentaria ser candidato a vice-presidente do Brasil. E realizada esta etapa, o caminho estaria livre para que PO, como é conhecido em Brasília, se transformasse na locomotiva que o levaria à sucessão do até há pouco governador e hoje encarcerado numa sala minúscula da Polícia Federal.
Paulo Octávio não conseguiu sequer ser um interino em paz. Sempre atormentado pela destruição da corrupção dentro do governo e ainda arrolado no escândalo por conta da proximidade de um assessor direto no esquemão do DEM. Era dinheiro público para todo lado. Na meia, na mala, no saco, na conta, na mão,...
A corrupção atropelou Arruda, destruiu a reputação do seu partido e ainda contaminou os planos do seu vice. Agora, ele terá que esperar. É jovem e poderá voltar à política. Sim, porque Joaquim Roriz, o mestre dos mestres, já sofreu tudo o que se possa imaginar e, pasmem, é favorito na próxima eleição.
O povo de Brasília, pelo visto, gosta de viver perigosamente.
Usuários de drogas também matam
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 23/02/2010 09:50
O brutal assassinato da ex-modelo Penha Ferreira do Nascimento - conhecida como Pia Nascimento -, de 66 anos, repõe na ordem do dia a necessidade de alertar para os riscos da convivência social com usuários de drogas que demonstrem perturbação mental após o consumo excessivo de crack. Estas pessoas precisam de tratamento médico.
A posição da sociedade brasileira é hipócrita. Há uma propensão a condenar o traficante e inocentar de responsabilidade os usuários.
E isto acontece porque praticamente todas as famílias deste país têm um parente, ou um conhecido, envolvido com drogas. E ninguém quer ver alguém querido na cadeia.
Quando se passa a mão na cabeça do usuário, como se drogas fossem inocentes jujubas, é uma espécie de proteção corporativista. Tapa-se o sol com a peneira e, tudo bem, vida que segue. Não. É uma tragédia pensar assim.
O principal suspeito de ter matado a ex-modelo Pia Nascimento é um homem de 25 anos, que já a havia ameaçado inúmeras vezes. Os vizinhos contam que ele costumava bater na porta dela e de outras pessoas para pedir dinheiro.
Em seguida comprava drogas e surtava. Vive momentos de agressividade explícita. Os moradores tinham medo dele. E Pia começou a se incomodar com esta maneira de agir. Ela chegou a pedir ao pai do rapaz que o proibisse de visitá-la.
Como a polícia não achou marcas de digitais na faca que perfurou o pescoço da vítima, o principal suspeito foi liberado. O assassino cobriu o corpo da vítima com lençol após matá-la. Na avaliação dos investigadores o assassino pode não ter sido o usuário de drogas citado aqui, mas era alguém que conhecia a vítima e que após ter conseguido o que pretendia, a morte dela, a cobriu para que ele não visse o que acabara de fazer.
Cassação e sucessão
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 22/02/2010 15:52
A estratégia do governador José Serra, que está liderando todas as pesquisas de opinião eleitoral à presidência da República, é não mexer no placar. Ficar caladinho para que a disputa continue no atual ritmo até o dia da eleição.
No seu entendimento, se partir para o confronto com Dilma Rousseff agora, trará o presidente Lula e sua imensa popularidade para a roda. Se nada mudar, estará no segundo turno, ou pode até ganhar no primeiro, hipótese que eu pessoalmente considero muito difícil.
Sendo assim, é muito ruim ter o prefeito Gilberto Kassab no centro de um escândalo. O anúncio do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo dos nomes dos oito vereadores que tiveram os mandatos cassados pelo juiz Aloisio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral, é a péssima notícia que Serra não gostaria que fosse dada este ano.
Como esclarece reportagem do SRZD, "também foram cassados os mandatos do prefeito de São
Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e sua vice, Alda Marco Antônio (PMDB). Todos são
acusados de captação ilícita de recursos, ou doações irregulares de
campanha nas eleições de 2008".
Os vereadores são: Antônio Donato
Madormo (PT), Arselino Roque Tatto (PT), Gilberto Tanos Natalini (PSDB),
Italo Cardoso Araújo (PT), José Américo Ascêncio Dias (PT), José Police
Neto (PSDB), Juliana Cardoso (PT) e Marco Aurélio de Almeida Cunha
(DEM)".
O que se pretende é "a revisão das prestações de contas dos
candidatos. Além da cassação do mandato, os acusados são considerados
inelegíveis por três anos. O prazo para o recurso é de três dias após a
publicação das sentenças".
Kassab é Serra, para o bem e para o mal. Pronto, a candidatura Dilma tem mais um elemento para devolver ao adversário, a pecha de corrupção. Não adiantará o tucano jogar pedras com a marca "Mensalão" gravadas na textura. Já tem lama demais para todo lado.
Rainha de bateria, musas e outras damas
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 20/02/2010 12:05
Ainda bem que está superada a dúvida se as rainhas de bateria acrescentam ou diminuem valor ao desfile das escolas de samba. Musas e outras beldades são importantes para a festa. São passistas, acima de qualquer coisa. E ser passista é uma condição de nobreza e inteligência.
As passistas de "verdade" são as que sambam desde a infância. A maioria oriunda de comunidades pobres. São moças belas e energéticas. Mulheres forjadas nos ensaios, congraçamentos familiares e festas de todo o gênero, vibram ao ritmo da bateria.
As mais velhas ensinam as menininhas desde cedo. Repetindo, olhando como se faz, trocando passos e delirando com o acerto. No ritmo, na cadência do samba. Quase sempre maquiadas, arrumadas, bonitas e sorridentes. Riem porque se divertem. A passista gosta do que faz.
Elas olham para as chamadas "colegas do asfalto" com uma certeza interior: "essa aí só dá pinta, mas não samba nada!".
O fato é que rainha de bateria é um elo fundamental entre alas. Mais importante do que alegrar os ritmistas, ela ocupa espaços na avenida e facilita o trabalho dos diretores de harmonia, que é organizar a evolução da escola.
Quando as rainhas são charmosas, conscientes do seu papel, queridas pela escola de coração, o resultado é uma maravilha. No entanto, quando as moças entram numa "egotrip" de só fixarem olhar e burilar poses para fotos, o trabalho torna-se egoísta e pouco produtivo para a escola de samba.
A "egotrip" das rainhas traz mais trabalhos para elas durante o ano. São ensaios, propagandas e convites para apresentações. No entanto, para o futuro do espetáculo é de pouca contribuição. Por isso, elas aceitam pagar para sair na escola.
Rainha de bateria, um dia, deveria ser quesito de avaliação, sim. Mas o que mais me incomoda são os editores dos jornais, revistas, sites e TVs fortalecerem suas coberturas em nomes já conhecidos e "consagrados". Os demais destaques são renegados ao segundo plano.
Passistas incríveis - homens e mulheres - são descartados, porque a mídia prefere mostrar bundas sem rosto ou passos sem face. No fundo, a cobertura de carnaval que fazemos é muito ruim. Todos precisamos melhorar.
A festa e o público merecem que a imprensa repense a forma como noticia o desfile. Reduzir a apresentação destes artistas do samba a um açougue de carnes expostas é apequenar a dimensão do espetáculo. E é uma cobertura burra, acima de tudo.
Todo poder à mulher
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 18/02/2010 17:41
Neste carnaval assistimos à constatação do que até pouco tempo era só um prenúncio: as mulheres estão mandando de verdade. O poder gay é uma realidade e embutido nele estão mulheres poderosas que de forma desabrida defendem publicamente sua opção homossexual. O refrão "mulher, mulher e mulher...", não é masculino, como se pode pensar inicialmente.
As redações dos grandes veículos de comunicação estão ocupadas por 70% de jornalistas do sexo feminino. E cresce a olhos vistos a liderança delas nas decisões mais estratégicas. São chefes que mandam pra burro. Este comando se traduz nas pautas e na submissão masculina.
No mercado financeiro a presença delas é marcante, mas ainda é uma área de domínio do homem. Mas não o será por muito tempo.
Na política a presença ainda é tímida, embora não seja improvável que Dilma Rousseff ou Marina Silva possam vencer a eleição. Isto pode acontecer!
Mas por que no carnaval algo novo aconteceu? Por ser uma festa de liberação de instintos mais íntimos, as pessoas se soltam. E fazem o que pensam.
O fato da atriz Paula Burlamaqui ter namorado e aparecer publicamente beijando um outro modelo, ao invés de causar algum embaraço para ela, ao contrário, aconteceu o oposto. Muitas mulheres a apoiaram. E até condenaram os sites que optaram pela publicação da foto. "Isto é vida particular", disseram. Detalhe, Burlamaqui escancarou num camarote de cervejaria na Marquês de Sapucaí. No dia seguinte, a atriz estava no camarote com seu namorado.
Bem diferente de quando Luana Piovani "traiu" o seu então namorado Rodrigo Santoro. A mudança de comportamento demonstra que as mulheres, a exemplo do que os homens faziam, estão adotando a prática de que "o importante é fazer o que se tem vontade independente de se ter qualquer compromisso".
Uma jovem no carnaval de Salvador, ao ser questionada por um repórter que a flagrou beijando outro homem que não o seu namorado "fixo", não negou e foi imediata na resposta: "homem não manda mais nada, meu Rei. Quem manda é a gente. Tá na hora de cornear eles um pouquinho".
O desfile da Sapucaí entrou numa encruzilhada
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 16/02/2010 12:57
O desfile da segunda no Sambódromo do Rio de Janeiro nos serve para profundas reflexões. Acompanhei com atenção os dois dias de desfiles. Vi e ouvi muita coisa, e tentarei colocar ordem aqui.
Um sambista há anos dedicado à Portela resumiu um pensamento que concordo. "O carnaval de hoje precisa agradar três grupos: o público que assiste ao vivo ao espetáculo; os jurados que analisam e dão notas pela performance; e a televisão, que transmite a festa para milhões de pessoas no mundo", disse.
Ele está certo. A Vila trouxe um carro alegórico em que um casal embutido numa espécie de caixa dançava, levemente encoberto por um voal branco. A solução dava delicadeza ao enredo. Foi impossível ao espectador presente do Sambódromo ver. Poucos viram.
A direção de transmissão da TV e repórteres cinematográficos precisam de sensibilidade para ver a suavidade de imagem como essa. Se não se explicar com imagens ou palavras, o cara que está diante do aparelho de televisão em casa nem sabe que narrativa está sendo contada ali.
Aos jurados se pede a mesma atenção. Com todo o respeito, tenho dúvidas que eles estejam tão atentos assim. Muitas das justificativas dadas após a disputa deixam claro que a peneira não é tão fina como se pensa.
Resumo, o carnaval virou uma pasta geral e não uma festa de detalhes. Quem está na arquibancada valoriza o carro alegórico, as musas e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, pois são as poucas possibilidades para o olhar mais distante. Fisicamente dizendo. O resto é plano geral.
O passista, quando não está em destaque, sofre. Não só porque muitos carnavalescos não os valorizam como devia, mas como a forma de olhar o carnaval está viciada.
A Comissão de Frente da Unidos da Tijuca foi feliz, porque conseguiu o tripé. Ela surpreendeu o público e o espectador entendeu o que estava sendo apresentado. A mágica usada já é manjada, mas foi executada com extraordinária competência e completamente dentro do enredo.
Como a TV mostrou o plano geral e, também, no detalhe, isto ajudou a pôr um nó na cabeça do cara que estava em casa assistindo. A tão propalada interatividade aconteceu na veia, para copiar o que disse Renato Lage. E, finalmente, influenciou o jurado porque a euforia da galera não terá como impedir a nota 10 no quesito. Foi a melhor comissão de frente e ninguém fala mais nisso.
Até aqui o papo foi conceitual. O principal para mim é que o público não recebe mais as escolas - salvo a Unidos da Tijuca deste ano - com a mesma euforia. Tudo parece igual. Embora, decididamente, não seja. Há um certo cansaço da fórmula. E se tem que conquistar o público pela cabeça e não mais só pelos olhos.
Para mudar o perigoso caminho do desinteresse ao espetáculo, eu arrisco algumas possibilidades:
1) Os carnavalescos não podem dissociar suas criações da comunidade de origem da escola. Mangueira verde e rosa é como Romeu e Julieta, Claudinho e Buchecha. Não pode mudar nunca. A Vila Isabel e a Porto da Pedra acertaram quando não abandonaram suas origens. A Vila, por manter o romantismo, mulher bonita e samba no pé. A Porto da Pedra por trazer alas inteiras de passistas. É uma escola cravada numa das regiões mais pobres do Rio. O samba no chão é desprezado pela arrogância estética de alguns que concebem enredos e o seu desenvolvimento. O sambista de verdade precisa ser valorizado e não os paraquedistas de ocasião que só sabem cantar o refrão do samba... e olhe lá;
2) A Portela errou porque virou as costas para a Portela. Simples assim. Pode-se ter um enredo futurista sem matar as raízes cravadas na comunidade e na sua gente. O que foi apresentado não foi a Portela velha de guerra e histórica, mesmo que muitos componentes tenham gostado de desfilar num arremedo da Mocidade que já foi futurista - e com sucesso - um dia. Vários elogiaram a escola que havia acabado de se apresentar. Não. A Portela negou sua essência e pagará caro por isso. Mesmo que desfilantes pensem que tudo bem matar a tradição;
3) O compositor Arlindo Cruz disse certa vez que a Grande Rio é a "Unidos do Projac". O destino o "pregou-lhe uma surpresa" já que ele próprio tornou-se cantor de uma das vinhetas da "Globo". O fato é que a estética global é vitoriosa, aceita, amada e querida pelo espectador da TV. E é fantástico isso. Mas não serve para escola de samba. Cada um no seu quadrado. A roupagem televisiva é uma parte do todo, como explicamos no início. E quando a escola a toma como um todo, trata-se de um brutal equívoco intelectual;
4) As escolas precisam refazer a atuação dos diretores de harmonia. A Portela fantasiou os seus com uniforme da PM. Não dá. Não me aborrece que sejam confundidos com inspetores ou canas. O que não concordo é que os diretores desfilem do lado das cabines e camarotes e fiquem dando tchauzinhos, tirando fotos, mandando beijinhos e buscando lentes de máquinas fotográficas ou câmeras de TV. Enquanto o atropelo acontece no asfalto. A escola deve banir este comportamento dos seus, digamos, "colaboradores". Foco nas alas deveria ser objetivo. Um paspalho chegou a passear na pista com charuto na boca e uma gostosona a tiracolo. Como se sua condição o credenciasse a receber um troféu de ostentação. Ridículo;
5) Escola de samba é para profissionais na organização e direção das agremiações, mas não necessariamente para os que desfilam. Cabe às escolas o equilíbrio. Ensaio máximo para os profissionais do samba: coreógrafos de algumas alas, porta-bandeira e mestre sala, figurinistas e técnicos de montagem. Aos demais, como passistas, deixe a moçada fluir. E dá-lhe mais samba no pé. Os sambas-enredo precisam devolver aos componentes mais samba de chão;
6) A Mocidade precisa se entender internamente. Mas o desfile deste ano foi um show na comparação com o do ano passado.
E para não alongar o já enorme post, sugiro que os carnavalescos do Rio abram os olhos, pois existe um jogo pesado para deslocar a importância da festa para São Paulo. E aos paulistas, sugiro que fiquem de olho com o que acontece neste momento aqui no Rio. O Brasil passa pelo Rio.
É possível impedir taxistas bandidos
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 16/02/2010 05:06
A Secretaria Municipal de Transportes agiu nesta madrugada de segunda para terça nos arredores do Sambódromo e conseguiu impedir a "máfia do tiro", taxistas que não cobram pelo taxímetro e sim conforme a cara do passageiro. Uma viagem pode custar o dobro, até o triplo, conforme a situação.
A denúncia neste site foi preponderante para enfrentar um problema que é crônico nos pontos turísticos do Rio. Uma cidade que sediará Copa e Olimpíada não pode ficar refém deste tipo de gente.
Com uma quantidade maior de agentes de trânsito nas entradas principais que dão acesso à Passarela do Samba, a prefeitura mostrou que é possível coibir o esquema destes marginais que se passam por profissionais.
Se a SMTR quiser de verdade impedir a proliferação desta prática deve mandar seus agentes para o desfile das campeãs. E ainda prestará um servilo se enviar uma equipe para a Rodoviária Novo Rio, Aeroportos Santos Dumont e Internacional Tom Jobim e Corcovado. Os taxistas que pertencem à "máfia do tiro" escolhem turistas como alvo para obter ganhos escusos. E estes lugares são excelentes para pescar inocentes.
Para o passageiro de boa fé, seguem algumas dicas para evitar cair no alçapão deles:
1) Nunca pergunte quanto custa a viagem, simplesmente procure saber se o táxi está livre. Se o taxista não quiser levá-lo, não perguntará mais nada, só dirá que está ocupado. Ocupado é ocupado. Procure outro carro;
2) Se o taxista perguntar para onde você vai, diga o lugar. E se ele disser que leva, vá. Se cobrar fora da tabela, entre no carro e siga as próximas instruções;
3) Entre e verifique o nome do taxista. Se possível, anote o nome dele e quando sair do carro, anote a placa. Na saída deixe claro, chamando-o pelo nome, para ficar claro que você sabe quem é ele;
4) Quando chegar ao seu destino, diga que precisa do recibo da viagem e peça para o taxista anotar o valor exato que você pagou;
5) No recibo, peça especificação do trajeto. Digamos, Sambódromo, no centro, até Copacabana, na zona sul;
6) Com o nome, a placa, o recibo e o valor, ligue para 196 e denuncie o taxista marginal.
Preste este serviço para a comunidade.
Unidos da Tijuca impõe novo padrão
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 15/02/2010 12:59
A Unidos da Tijuca, sob o comando de Paulo Barros, foi a mais original, ousada e diferente escola que desfilou no Sambódromo neste domingo. E até por isso é a favorita a levantar o título de a melhor de 2010.
Eu nunca vi, em anos de cobertura do carnaval, uma comissão de frente que tenha sido recebida com tamanha euforia pela plateia. Foi uma ovação histórica. Uma apresentação que será eternizada. O fator surpresa foi tudo. O segredo.
Simbolicamente, não foi por acaso que após o desfile da Unidos da Tijuca viesse numa cadeira de rodas outro inovador, Joãosinho Trinta. Ele e Paulo Barros têm uma identidade nas suas propostas fora dos padrões.
Pintou uma desafiadora encrenca agora. Este ano, Paulo Barros impôs um novo padrão para todas as demais escolas, os outros carnavalescos e também para o carnaval espetáculo.
O que se viu na avenida não foi exatamente uma revolução, porque o carnavalesco da Unidos da Tijuca simplesmente aprofundou suas ideias já demonstradas em outras ocasiões. Pouca gente lembra, mas na Viradouro tinha pista de esqui, como agora. Na própria Tijuca, do carro do DNA, o componente também se escondia e aparecia de repente. Tudo coreografado. Carnavalesco pelo conjunto, mas que não tem nada de samba clássico como conhecemos. Como foi feito neste domingo.
O novo padrão que digo é que, quando você vê as demais escolas, todas ficaram iguais. Renato Lage é um profissional maravilhoso, iluminado, mas quantas alas da Salgueiro não são reedições? Rosa Magalhães fez de um limão uma limonada. Com os recursos que tinha, superou todas as expectativas. É outra profissional de mão cheia. Mas quem é capaz de dizer que ela tenha superado a si própria?
Finalmente, para mim a Unidos da Tijuca não foi dez em tudo. Paulo Barros é criativo e de forte personalidade artística, mas não é bom de acabamento. As fantasias das baianas eram especiais, mas foram se destruindo no curso do desfile. Em frente ao grupo de jurados eu reparei com atenção.
Em algumas alas, como a que os componentes saiam de larvas, deu pena. Muitos carregavam nas mãos a fantasia. Fiquei com uma dúvida. Os foliões carregam as fantasias porque elas eram pesadas ou porque quebraram no curso do desfile? Nenhuma resposta me satisfará.
Não discuto a originalidade dos carros alegóricos, pois é o forte de Paulo Barros, mas também não tinham acabamento perfeito. E o que foi aquilo de botar a foto de Michael Jackson na retaguarda de um dos carros suplicando: "Deus te abençoe."? O primarismo não condiz com a proposta atual - e, ao mesmo tempo, futurista - do carnavalesco. Um detalhe, o destaque "Michael" deveria sambar, não é não?
Não me agrada o desprezo que Paulo Barros aparenta ter pelos passistas. No fundo, algo me diz que ele gostaria de ser um dos contratados da Pixar ou dos Parques Disney.
Existe no seu brilhante trabalho algo estrangeirista que está no casulo, mas poderá empurrar o carnaval um pouco para trás, se esta estética vencer como exemplo definitivo.
No ano que vem os carnavalescos têm a obrigação de dar uma resposta estética alternativa. Tudo que está aí, menos a Unidos da Tijuca, é "mais do mesmo".
Em resumo, a criação inovadora ajuda todo mundo. Porque provoca a superação de todos. Paulo Barros perseguiu algo nos últimos anos que finalmente chegou ontem a uma das estações. O reconhecimento do público na Sapucaí foi uma evolução mútua. Mas que não seja o único modelo.
Denúncia: taxistas roubam passageiros
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 15/02/2010 04:57
É chocante, e ao mesmo tempo triste, ver o espetáculo de desordem nos arredores do Sambódromo. Os táxis que deixam o Túnel Santa Bárbara e encostam numa das entradas da Passarela do Samba participam de um esquema "campeão". Para eles, bem entendido.
Os taxistas estacionam o carro no acostamento da direita com a conivência das "autoridades do trânsito", PMs e guardas municipais. Os motoristas saem do carro e iniciam seu esquema bandido. E achacam na cara de pau, sem dó nem piedade, turistas estrangeiros e nacionais, que, de boa fé, querem voltar para casa e não encontram alternativas de transporte decentes. Acuados, os passageiros não têm escapatória. Ou aceitam, ou ficam a pé.
O esquema que conta com a complacência de quem deveria proteger o cidadão é de assustar. O passageiro pergunta se o táxi está livre. O taxista começa uma negociação safada. Ele retruca querendo saber para onde o passageiro pretende ir. Digamos, Copacabana. Se a viagem com bandeira 2 custasse R$ 30, ele já aplica a cobrança de pelo menos o dobro.
Após o desfile desta noite de domingo, quem pretendia ir para Botafogo tinha que desembolsar R$ 50. É uma espécie de "tabela", como um deles chegou a dizer.
O detalhe perverso é que o carro já fica com taxímetro ligado. O passageiro que aceitar pagar R$ 50 não encontrará outro preço entre os que estão ali em fila indiana, teoricamente para servir ao passageiro. Não existe escapatória.
Se o passageiro pedir para o motorista desligar o taxímetro, ele simplesmente se nega a fazê-lo. É o álibi que ele considera perfeito para raríssima possibilidade do esquemão dar errado. É a forma que o malandro usa para dizer que já estaria fazendo uma viagem longa. E que tudo não passa de armação do... passageiro!
O táxi placa LUH 1044 é um dos que fazem isso. Por noite, ele duplica, e se pegar turista estrangeiro, "quadruplica", a féria do dia.
O SRZD já havia denunciado esquema semelhante em frente à Rodoviária Novo Rio. O de lá continua funcionando numa boa. Nenhuma providência foi tomada. O do Sambódromo pode continuar após o desfile de segunda. Ninguém fiscaliza mesmo.
Saiba o jogo de José Serra
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 14/02/2010 17:23
O governador José Serra tomou uma decisão: vai aguardar ainda um pouco mais para jogar a sua campanha na rua. Aposta que é capaz de ter sangue frio, até a última gota.
A estratégia de Serra é evitar um confronto direto com o presidente Lula. "Quem é capaz de ganhar de um presidente com mais de 80% de popularidade?", teria perguntado um assessor do governador paulista. Por isso, FHC tomou a frente e os tucanos tentam tirar o foco do "sapo barbudo", que é carregar Dilma pela mão. "É preciso descolar Lula da Dilma", me disse um senador.
Os cardeais do PSDB pretendem disseminar que Dilma Rousseff não precisa de Lula, que é capaz de ir para o confronto direto com Serra. Os tucanos contam com alguns jornalistas "amigos" para propagar esta falsa premissa.
Se a ideia colar, Serra partirá para a comparação com Dilma, mas não quer Lula no caminho. Contra Lula, Serra só perde. No confronto direto com Dilma, ele entende que sobra em vantagem. A biografia de Serra seria a sua melhor aliada neste momento da campanha, avaliam tucanos.
Paris Hilton no Cais
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 14/02/2010 03:41
Paris Hilton no Cais do Porto. Há algo vulgar nesta frase. Mas posso garantir que a presença dela neste lugar é tudo pensado cuidadosamente. A Schin partiu para a guerra contra a Ambev e escolheu Paris Hilton para ser a promoter da marca Devassa. Loira, festeira, provocativa, um tiquinho de devassidão, cais do porto, Praça Mauá, inferninhos, mulheres de vermelho, pescou?
Quando por volta das duas da madrugada ela foi chamada para agitar o palco do Pier Mauá, no Rio de Janeiro, já havia acontecido o show da Mart'nália e da bateria da Vila Isabel. E a rapaziada já havia ingerido uma boa quantidade de cerveja.
Seguida por um séquito de puxa-sacos, Paris Hilton deixou o seu espaço vip, reservado, e seguiu em passos largos para o palco. Com charme e segurança. Dessa vez, para surpresa de alguns, ela trocou o esperado tubinho preto da propaganda da TV, por outro de cor vinho. Colado no corpo mas não tão sexy assim.
Ao lado do namorado, Doug Reinhardt, a quem insistia em dar beijinhos, trocar olhares e conselhos ao ouvido, Paris, como quase todas as loiras, agitou o cabelo de um lado para outro e correu o palco de ponta a ponta para o deleite de um batalhão de gente com celular. Veja abaixo o vídeo de Lygia Gotti.
Ao apresentá-la, o mestre de cerimônias praticou um deslize perdoável, falou da "boa". Ué, a "boa" não é a cerveja da concorrente? Ah, tudo bem, a festa estava legal. Nem muito cheia, nem muito vazia.
Para embalar Paris Hilton e o seu jeitinho de sempre, o Dj Zé Pedro mesclou "Black or White", de Michael Jackson, sucessos de Beyoncé, hits de Black Eyed Peas e outras cartas marcadas do hip hop. Em tempo, Zé Pedro achou o tempo certo de cada música, de cada mix e não passa um segundo a mais para não perturbar a paciência da plateia.
Muita gente se perguntou - inclusive, eu! - quanto será que a senhorita Hilton não ganhou para fazer este esquenta de carnaval? Todos temos uma pista: muito, muito, muito dinheiro.
Deve ser bom ser Paris nestas condições especiais.
Gays pedem divulgação no carnaval
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 12/02/2010 10:52
As lideranças dos movimentos que defendem causas homossexuais estão satisfeitas e, ao mesmo tempo, apreensivas com a falta de divulgação da iniciativa do Governo do Rio, neste carnaval, de aumentar a segurança em áreas onde existe frequência gay.
Numa mensagem que recebi está clara a mobilização feita pelos movimentos e por setores do governo Cabral: "A Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), através da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (SUPERDir), solicitou e foi atendido pela Secretaria de Segurança Pública, através da Subsecretaria de Ensino e Programas de Prevenção, a operacionalização de plano de ação para policiamento preventivo e diferenciado nos eventos e locais de frequência de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no carnaval da cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 16 de fevereiro.
O plano de ação para policiamento preventivo e diferenciado nos eventos LGBT tem como objetivo contribuir para a diminuição de atos de violência e discriminação contra os homossexuais provocados por gangues e grupos homofóbicos durante o carnaval, principalmente no Centro e Zona Sul da cidade que concentram os bailes e blocos, além das praias. Denúncias feitas à Superintendência e o histórico de carnavais passados demonstram que há necessidade de uma ação direcionada."
Por que vaiar a Beija-Flor?
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 12/02/2010 10:43
Não vejo o menor sentido a onda deliberada que está se formando, talvez organizada, para vaiar a Beija-Flor por causa da escolha do enredo em comemoração aos 50 anos de Brasília. A Beija-Flor, como qualquer outra escola de samba do Brasil, busca recursos para viabilizar sua apresentação. Faz parte da regra do jogo.
O que a Beija-Flor tem a ver com atos de corrupção atribuídos ao governador preso José Roberto Arruda? E a capital federal merece ou não merece uma homenagem deste porte? A Viradouro escolheu o México, outro país, e nem por isso está sendo perseguida.
O que ocorre com a Beija-Flor, é que ela é uma escola de chegada e sempre com potencial condições de conquistar o título. Se a escola for um fracasso na avenida, o que não vai acontecer, o espectador do Sambódromo terá todo o direito de se manifestar negativamente.E da forma que desejar, sem agressões físicas, claro!
Mas vaiar antes do desfile é uma crueldade.
'Globo' e 'Record': elegância e solidariedade
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 11/02/2010 09:52
A "Globo" e a "Record" agiram com espírito elevado diante da lamentável tragédia que subtraiu a vida do piloto Rafael Delgado Sobrinho e levou ao chão o helicóptero que ainda tentou um desesperado pouso no Jockey Clube de São Paulo. O cinegrafista Alexandre da Silva Moura, conhecido como Borracha, ainda luta para sobreviver ao forte impacto no chão.
Inicialmente o piloto do helicóptero da "TV Globo" fez o que pôde para orientar o colega a escapar do que se tornou inevitável. O abatimento emocional da repórter que chegou a testemunhar a queda deu o tom do desespero.
Em seguida, posso afirmar garantidamente, a direção de Jornalismo da "TV Globo" fez questão de não transformar o acidente numa cobertura sensacionalista. Ela deu ao caso um tratamento sério e respeitoso.
A todos interessava que o piloto e o repórter cinematográfico escapassem com vida. A atitude dos profissionais da "Globo" foi de comovente consideração.
Em retribuição, a "Rede Record" agradeceu no ar ajuda dispensada pela tripulação do helicóptero da "TV Globo", que pousou rapidamente para ajudar no socorro às vítimas. O objetivo era evitar uma explosão, o que maximizaria o drama dos ocupantes da aeronave.
O comportamento de ambas emissoras qualificam a relação que deve existir sempre. Gente em primeiro lugar. Concorrência é legítima e deve existir, ninguém é contra. Mas, acima de tudo, dentro das regras e com respeito mútuo.
Na hora da solidariedade, estamos todos juntos!
França de olho no carnaval brasileiro
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 10/02/2010 17:55
Lembra-se do apoio da França ao carnaval da Grande Rio? Pois é, os franceses estão de volta.
Repercutindo o sucesso do Ano da França no Brasil em 2009, em 2010 será lançado no carnaval o "Espaço França Brasil", um camarote totalmente voltado para networking em meio à festa na Sapucaí.
Os franceses estão finalizando um camarote de luxo no setor 7, com 250 metros quadrados, dividido em dois ambientes, um lounge e uma área montada nas frisas, cujo investimento foi de cerca de R$ 2,5 milhões divididos entre as 23 empresas patrocinadoras: GDF-Suez, Société Genérale, Renault, RCI, Altran, UTE Norte Fluminense, CELF, Technip, Sonangol, Câmara de Comércio França Brasil, CIVP, Vinhos de Provence, L’Óreal, Trampoil, Amsterdam Sauer, Mate Leão, Tok Stok, Cachaça Leblon, Pernod Ricard, CEG, High End, Datelli, Castel.
Nos intervalos dos desfiles, serão apresentados aos convidados pequenos shows com as participações de passistas, ritmistas, porta-bandeiras, mestre-salas e destaques. A decoração terá como temática o carnaval tradicional e será inspirada nas mulatas criadas pelo caricaturista Lan.




















Adeus Clarice Abdalla
Fiuk: galã da nova geração
O drama político de Wagner Montes
Cassação de Cunha Lima ajuda Lula



