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Sidney Rezende

Sidney Rezende

Diretor do SRZD, apresentador do "Brasil TV", da "Rede Globo", e âncora de telejornais da "GloboNews". Sidney foi um dos fundadores da "CBN".

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



26/10/2014 23h25

Para que serviu esta eleição?
Sidney Rezende

Para nós, brasileiros, nos conhecermos mais profundamente. Atualizarmos nosso download.

Foi uma disputa incrível. Emocionante. Histórica. O país não rachou, concordo com a presidente reeleita, Dilma Rousseff, e sim se fortaleceu. Os mais jovens foram se empolgando gradativamente com a política conforme a campanha se desenrolava.

Não venceu o melhor orador. Não ganhou o candidato com sorriso mais bonito. Aécio não só tem dentes expressivos, herança extensiva à sua simpática filha, como forma um belo casal ao lado da sua linda esposa. Tudo certo, neste quesito. Só que estávamos discutindo os destinos do Brasil.

Os aplausos deselegantes dos assessores do tucano durante os debates quando Aécio encurralava a oponente serviram para trazer à tona um comportamento infantil. Os políticos mais bem posicionados na hierarquia social precisam percorrer mais o Brasil e conhecer melhor os conterrâneos.

A vencedora é uma senhora, já avó, que se veste com uns terninhos curtos de gosto duvidoso, gagueja praticamente a todo instante, não completa frases, e que se apresenta corriqueiramente com cara amarrada. Dilma não é simpática. E daí? Ela venceu a eleição. Democracia é assim. Quem vence, leva.

Por mais que derrotados que não saibam perder batam na porta dos quartéis, as Forças Armadas brasileiras merecem todos os aplausos, porque os militares não têm faltado com suas responsabilidades e são garantidoras das instituições. O Brasil saiu melhor da disputa do que entrou. Fosse Aécio ou Dilma. Tanto faz. Esqueçam o golpismo. Vamos cobrar as mudanças que a Nação precisa.

O derrotado ligou para a vencedora e teve altivez de vir a público reconhecer a grandeza do momento. No discurso de Aécio faltou um afago ao seu estado. Está bem que Aécio não ganhou na sua terra, mas e os que votaram nele? Eles não merecem o seu carinho?? Vamos dar desconto pela emoção do momento. Não é fácil para quem chegou muito longe e poderia ter vencido.

A presidente fez um discurso pós-vitória maduro, sincero, propositivo. Muito bom. Além dela se abrir para o entendimento, o diálogo com todos, foi sábia em eleger a reforma política como sua prioridade. A estrutura atual da política brasileira é um lixo.

Mas por que esta eleição foi útil para nos conhecermos? Porque é bom que saibamos de uma vez por todas que o voto de um não vale mais que o do outro. Tenho asco dos que odeiam os nordestinos em qualquer situação. Mais ainda quando alguns se sentem superiores no julgamento do voto. Aécio perdeu no Rio e Minas Gerais. Mas venceu em outros estados igualmente importantes. Faz parte do jogo.

Querer impor o mantra de que pobre vota no PT e o rico vota no PSDB também não é fiel ao que vimos vindo das urnas. O escore apertado após a conclusão da contagem de votos mostra um país desejoso de mudanças que nos coloque em sintonia com a contemporaneidade.

Tornar irrelevantes temas como homofobia, violência contra a mulher e descriminalização do uso de algumas drogas não se justifica. O pequeno grande Uruguai está aí a nos dar lições. Mujica foi votar de Fusquinha e ainda pediu ajuda para empurrá-lo. Eu sei como é isso, pois já tive 4 Fuscas na vida.

O brasileiro não quer só inflação baixa e crescimento econômico. Queremos liberdade e uma sociedade mais justa e menos mesquinha.

O jovem brasileiro de hoje não difere muito do jovem da década de 80. Se a canção dos Titãs não existisse, ela poderia ser composta hoje do mesmo jeito:

"A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida

A gente quer a vida

Como a vida quer".

Abaixo o pensamento monolítico e viva a diversidade. Saber aceitar os outros é um princípio básico. Se o povo escolheu Dilma, a escolha do brasileiro está feita e agora é trabalhar para que o Governo mais acerte do que erre. Boa sorte, presidente!


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02/10/2014 11h47

Vida de Rei
Sidney Rezende

A minha admiração pelos meus colegas da Maquiagem e editoria de Moda da Globo é total. São aplicados, sorridentes, dedicados e fazem um trabalho de primeira. São profissionais que sempre buscam aperfeiçoamento e muito ligados no que existe de mais atual no seu universo de atuação.

Ontem, as queridas Margareth Vaz e Claudimara Assis Braz, que a gente chama de Mara, fizeram uma graça comigo. As duas me maquiaram ao mesmo tempo. Foi alto astral. E o resultado ficou ótimo. Claro que, após a brincadeira, uma só deu o arremate.... Afinal, TV é coisa séria, né?

Mas para curtir, eu pedi licença para fotografar este "momento histórico". Não posso deixar de registrar que, diariamente, sou muito bem atendido pelo Flávio Barroso, companheiro e completo no que faz. E, quando o horário coincide, pelo Roberto Rafael, que nunca deixa de dar um sorriso de boas vindas.

A fotógrafa que registrou meu "dia de Rei" é a Roberta Cerqueira, camareira, que faz questão de deixar as roupas que usarei sempre muto bem passadas...

Sidney Rezende e maquiadoras. Foto: Roberta Cerqueira

A empresária, empreendedora, pós-graduada maquiadora Silvana Rufino não está na foto, porque deve estar de férias em Paris. Gente chique é outra coisa.

Aproveito para mandar meu beijo caloroso para Katyn Miranda, Ronald Chagas (o mestre de todos!), Cadigina, Marcinha Alves, Ana Lucas, Natividade Moye e Thaylane Neves.

Galera, respeito demais o trabalho de vocês! Saibam que aqui tem alguém que valoriza e muito tudo o que vocês fazem. E muito obrigado em meu nome e de meus colegas pelo trabalho de primeira que vocês oferecem para nossos espectadores e assinantes. No que concerne ao meu caso, o modelo não ajuda muito, mas aí que vocês entram e fazem milagre.


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12/09/2014 20h27

Não vamos desistir da polícia
Sidney Rezende

A insegurança pública no Brasil tornou-se um problema de política e não só de polícia.  

A sociedade virou as costas para a sua polícia. E isto é inaceitável. Sem segurança, não temos como avançar na construção de um projeto de nação.

O brutal assassinato do comandante de uma das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Complexo do Alemão, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, capitão Uanderson Manoel da Silva, de apenas 34 anos, é a mais atual tragédia. 

Um policial é assassinado a cada 32 horas no Brasil. Não é possível que achemos que este não é um problema nosso. A omissão da sociedade é criminosa. Não basta gritar que é preciso mais polícia na rua, baixar a idade penal, tascar fogo nos pobres e meter a porrada no bandido.  

É preciso impedir que o menino e a menina se transformem nos monstros que colecionam crimes em seus currículos. Hoje, uma boa parte dos nossos jovens já se familiarizou com a impiedade no cartão de visitas.

O nosso problema é anterior ao momento da decisão do camarada em pegar uma "máquina" e sair por aí tocando o terror. E não é só dever da escola. É da família, da igreja e do vendedor de frutas da esquina.

No ano passado, 229 policiais civis e militares foram mortos, 183 estavam de folga. 

Com esta estatística, torna-se irrelevante se o policial estava ou não com colete a prova de balas, com arma na cintura ou no banco do carona no carro. O bandido identifica o policial como inimigo e o confronta. O policial é a autoridade visível. Nós e os governantes estamos aqui no ar condicionado. É mais fácil fingirmos que isto não é com a gente. Estamos completamente equivocados.

A Polícia precisa de socorro. 190 para ela, já.

Quem já não ouviu algo como "tira a velharia da ativa e bota a garotada para oxigenar a polícia". Nem sempre isso funciona. Muitos jovens entram cheios de sonhos e não demora e os novatos já estão repetindo os vícios dos antigos. Isto aconteceu também na saudável ideia das UPPs. O modelo de renovação deve ser feito com o ímpeto dos jovens misturados aos cabelos brancos da experiência. Policial flagrado em desvio de conduta pede para sair.

A separação na cobertura de ação entre as polícias, guarda municipal, rodoviária e florestal criou um emaranhado ineficaz e de difícil gerenciamento. Tenta convencer um policial na viatura a perseguir um louco que acabou de ultrapassar o sinal vermelho em frente a uma escola repleta de criancinhas. Certamente ele vai dizer: "isto não é conosco, senhor. Esta área não nos pertence. Nós estamos em operação. A PM no Rio não multa". A ordem pública não é de ninguém, é isso?

Você já ouviu algo assim como "mude os instrutores e uma nova filosofia de respeito aos direitos humanos brotará como flores no jardim"? Balela. A capacitação só funciona com remuneração justa, acompanhamento sistemático dos inscritos na missão e reciclagem constante. Mas constante, mesmo.

O que a "política" pode fazer em benefício do trabalho do secretário José Mariano Beltrame, por exemplo?

Planejamento de segurança é algo tão sério que deve ser feito e comandado por especialistas, mas com a anuência da sociedade. Trazer para dentro das nossas casas o "barulho" do Beltrame já ajudaria bastante.

Nas favelas do Rio hoje há um divórcio entre a polícia que nos representa e os verdadeiros líderes dos moradores. Um vizinho preso é um atentado ao tecido comunitário. O morador não aceita. Prefere se manifestar contra a Polícia, incendiar ônibus, queimar o lixo, obstruir as ruas com concreto e xingar o povo do asfalto.

Está faltando diálogo entre a autoridade e cidadão, papo reto, obras e ações com nome, responsáveis pelos processos e datas definidas de entrega. Chega de botar material de quinta, preço Fifa e o secretário e o governador que jamais voltam para fiscalizar cada centavo investido. Basta.

Precisamos ser adultos e abrir negociação com o povão. Não tem a menor importância quem possa estar do outro lado do balcão, desde que a Lei prevaleça. Polícia para quem precisa de polícia. Dê microfone e palanque para o morador, discuta com ele que a luz virá. Recupera-se credibilidade indo ao lugar, sentindo as pessoas e olhando no fundo dos seus olhos. Com verdade e não com teatralização de que "eu finjo que governo e você finge que está achando legal a minha administração".

Matou, roubou, contrabandeou armas, sequestrou ou praticou qualquer outra violação ao Código Penal, mão pesada da Lei em cima dos criminosos. Jamais brutalizar o trabalhador. Um jovem me contou uma história que jamais gostaria de ver repetida. Um policial entrou no seu barraco e vasculhou todos os pertences da casa em busca de drogas. Como elas não existiam naquele lar, o soldado abriu todas as latas que guardavam arroz, feijão, milho, sal e açúcar e jogou o conteúdo sobre a mesa.  

Os homens da lei foram embora e deixaram para trás um tsunami naquela casa simples, de uma família pobre. A mãe do rapaz ficou horas separando os alimentos, em silêncio, e sem pingar uma lágrima. É aquilo!!!! É assim que a banda toca quando viramos as costas para a PM e para o povo sofrido. A desigualdade está matando até comandante. 

Eu defendo um pacto separando o joio do trigo. O Estado traz para si a responsabilidade que é só sua e a sociedade entra com a sua parte. Se a gente não conversar, sabe o que vai acontecer? Primeiro matam o recruta, o soldado e o cabo. Depois trucidam o sargento e o tenente. Não demora e o comandante da UPP também toma um tiro de fuzil no peito...

Você que está lendo este texto agora acredita que em quanto tempo estes caras levarão para chegar até a gente?

 


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13/08/2014 18h16

Morte de Eduardo Campos embaralha tudo
Sidney Rezende

Estava em São Paulo me preparando para o debate sobre economia global no Congresso Brasileiro do Aço quando, quase ao mesmo tempo, o ex-ministro Delfim Netto e o empresário Jorge Gerdau Johannpeter me pegaram pelo braço e me perguntaram: "Sidney, me confirma se é verdade que o Eduardo Campos estava no avião que caiu em Santos?". Pensei comigo, é "boato", "não é possível".

Eduardo Campos. Foto: Agência Brasil

Fiz algumas ligações. Eu não tinha elementos para confirmar. Minhas fontes diziam que era possível, mas ninguém queria cravar o desfecho da tragédia. E, até aquele primeiro momento, tínhamos apenas a notícia da queda de um jato em Santos. E a possibilidade de que, de fato, a morte de Eduardo não estaria descartada.

A equipe do SRZD foi rápida, competente e demos a notícia completa muito cedo. Nos ajudou a entender o que estava acontecendo.

Quando vi Eduardo Giannetti correndo para fora do salão em que estávamos, pressenti o pior. Alguns minutos antes da agência Reuters dar a notícia, recebi a confirmação. Relutei em passar uma informação não totalmente clara.

Com a tragédia escancarada, ainda numa reflexão imediata, sem ignorar a dor verdadeira da família, amigos sinceros, possíveis eleitores, simpatizantes e pernambucanos que, de fato, gostavam do ex-governador, a morte de Eduardo Campos vai muito além disso. É péssima para o Brasil.

A minha suspeita é que Marina Silva aceitará ser candidata e sua performance poderá ficar presa ao espírito emocional, religioso, como se a morte estivesse ligada pelo fio espiritual no campo do inexplicável por humanos. Fé misturada à política é nitroglicerina pura. Se isso acontecer, será muito ruim para nosso processo democrático.

Você já imaginou alguém vencer uma eleição fincada no aspecto sentimental?

Se Marina não substituir Eduardo no comando da campanha, teremos explosão da sua base de sustentação e alguns vão optar por Aécio e outros por Dilma. Assim mesmo, sem unidade.

A tragédia obriga a candidata Dilma Rousseff a jogar, mais do que nunca, todas as suas energias para ganhar a eleição no primeiro turno. Um segundo turno para a presidente tem o risco do pleito ganhar um caráter plebiscitário. E isto não é bom para Dilma. 

A candidata do PT precisa do esforço absoluto para somar mais votos que todos os seus adversários logo, imediatamente, caso Marina não decole. Eduardo Campos era a garantia de um eventual segundo turno. Mas e se Marina crescer?

O candidato Aécio Neves terá que adiar seus próximos passos. Esperar, como ensinam os chineses. O maior prejuízo da disputa é dele. A morte de Eduardo é ruim para o PSDB. No primeiro momento, ele vai restringir seus movimentos a acompanhar a dor da perda. Quem entra no jogo e é player importantíssimo é o brasileiro das ruas. Como o eleitor vai agir? 

Não esqueçamos que havia a dúvida, ainda com Eduardo vivo, se, num eventual segundo turno, com quem ele ficaria: Dilma ou Aécio? Lula, por exemplo, não tinha dúvidas que, no momento-chave, tanto Eduardo como Marina não ficariam com o tucano. Será que isto muda quando os programas populares começarem a explicar o que está em jogo?

Detalhe, o jogo mudou. 

Tudo está em aberto.


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03/08/2014 17h13

Muito surpreso
Sidney Rezende

Muito surpreso. Para ser sincero, estou passado... O que está havendo? Será que tem explicação racional? Tem que ter.

Há 8 anos, meu filho, Francisco Rezende, e eu estreamos o site www.sidneyrezende.com. E tudo começou pela singela razão de que todos aos quais pedi uma oportunidade para me permitir escrever um blog me disseram "não". Eu entendo que também viviam lá suas limitações. Tudo bem.

Criamos um site para abrigar o blog. Olhando aqui de onde estamos parece até engraçado. Ousado e maluco ao mesmo tempo.

O deputado Alessandro Molon tirou uma foto minha e do meu filho e ele disse que guardaria para a história tal a certeza de que iria dar certo. Agradeço a ele pela gentileza em incentivar aqueles principiantes. Alfredo Lopes, da Abih, e Olavo Rufino, da CEG Gás Natural, os primeiros patrocinadores que nos acompanham até hoje, também foram fundamentais.

Nunca vimos o registro feito por Molon. Só sei que Francisco estava com um boné pra trás, típico dos adolescentes da sua época, e um casaco surrado. Depois das minhas cobranças, Molon procurou a foto em todos os lugares, e não achou. Deve ter ido junto com a poeira do tempo. Ficou na minha mente como uma imagem terna do começo.

O site foi andando. Alfredo e eu comemorávamos que o site atingia 30, 34, 40 entradas por dia. Nossa, como ficávamos felizes. Hoje, são milhões de leitores. Estamos entre os 500 maiores portais do Brasil.

Mais adiante, não muito tempo depois, passamos a difundir quatro letras de difícil memorização: SRZD. Que nada mais são do que algumas consoantes do meu nome.

Já nos chamaram de tudo: SRDV, SRZT, SRDZ, ZRZS... A gente não fica triste. A gente entende que é um nome difícil, mesmo.

Um brilhante publicitário nos desaconselhou seguir com o nome e propôs a alternativa de usar só 3 letras: SRZ. Talvez ele esteja certo. Mas não seguimos seu conselho.

O nome SRZD foi sugestão dada quase ao mesmo tempo por Nadja Nagib, hoje cidadã americana depois de obter o greencard, e pelo jornalista Marcelo Lins, prodígio da nossa profissão.

E também porque queríamos dissociar o produto, o site, de um dos seus fundadores. Silvio Santos havia feito algo semelhante. Para quem não sabe, o hoje "SBT", Sistema Brasileiro de Televisão, chamava-se no início "TVS", TV Studios Silvio Santos.

Depois dos milhões de leitores que nos acompanham, estou perplexo porque sinto que fomos descobertos. Sei que muita gente não sabe que SRZD e Sidney Rezende são a mesma coisa, ou que SRZD são consoantes retiradas de um nome, mas porque sinto a curiosidade do público pelo que estamos fazendo.

Estou surpreso, perplexo, porque tudo o que fazemos está atraindo multidões. Agora há pouco, participamos de uma feira de Carnaval e o nosso stand foi parada obrigatória para os mais importantes compositores e intérpretes do samba. Veja ao término deste texto.

Eu abri um perfil pessoal no Facebook e 5 mil pessoas acorreram até lá. Abri outro, e, novamente, mais 5 mil pessoas me fizeram abrir um terceiro. E, em 10 dias, 2.700 pessoas já me procuraram. Se seguir assim, terei que abrir um quarto perfil.

Não quero abrir uma fan page minha agora, porque gosto deste contato humano. Recebo afeto, carinho, críticas, sugestões, pauladas duras, afagos... É isso que o SRZD está construindo. E isto que acredito ser a razão do nosso trabalho. O SRZD, sim, tem uma fan page para você acompanhar nossas notícias. Você pode ver nossa página clicando aqui.

Jornalismo para mim não é teatrinho, fingir que se está a favor do povo, mas na verdade, tudo não passa de trapaça. Jornalismo para mim é olho no olho, papo reto, e convicção de tentar fazer a coisa certa. Se a gente errar, tudo bem, fé em Deus e pé na tábua.

- Clique aqui para ver o SRZD 'parando' o Carnavália-Sambacon com a presença de importantes compositores


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27/07/2014 12h12

Os jornalistas precisam aprender a ouvir
Sidney Rezende

A gigantesca massa humana que foi às ruas reivindicar mais qualidade de vida no ano passado obrigou-nos a refletir sobre o melhor modelo de como levar informação da luta social ao cidadão brasileiro. É como se nosso ofício diante daquela fratura exposta tomasse de 7 X 1. O impacto dos protestos repercutiu nas mídias local e global. 

Manifestante. Foto: Reprodução

Na ocasião, a imprensa foi duramente criticada. Talvez um pouco menos que governantes que não conseguiram melhorar os serviços de transporte, saúde, educação e segurança do país. O movimento popular entrou para a história e provavelmente demorará muito tempo a se repetir. 

O reflexo é sentido até hoje. Foi um bom momento para transformações. Mas ele foi desperdiçado. Esperava-se inovações nas práticas democráticas na nossa relação com a sociedade. É frustrante constatar que elas não vieram. Nem por parte da estrutura política e nem pelo modelo de gestão da Comunicação. 

Paralelamente, a "Mídia Ninja" e as ações dos black blocs partiram para o confronto e suas ações desencadearam mudanças na forma de cobertura de manifestações públicas. Principalmente da maneira como os repórteres sempre cobriram estes eventos. Ficou perigoso identificar o profissional com o veículo de comunicação a que ele pertence. 

Os repórteres foram descobrindo aos poucos, e de repente, que ocupar as ruas era muito perigoso. Alguns se intimidaram. Nosso dever é o oposto. Jornalistas têm a obrigação de estar justamente onde não se quer que eles estejam. Levar a notícia é parte inerente da vida de quem jurou se dedicar a este ofício. 

Neste momento, estamos mal parados. Nos últimos 15 meses, assistimos impassíveis a multiplicação do "Jornalismo Biquíni", aquele que "mostra coisas interessantes, mas esconde-se o essencial". O jornalismo tornou-se partido político e o jornalista torna-se notícia. E ainda pensa que isso é o certo. Não é. 

Antes de tudo isso, já se reclamava que a imprensa publicava a acusação sem devida apuração. Quantas vezes ouvimos que a denúncia ganha destaque na capa e o desmentido é publicado no rodapé da página interna. 

Não é de hoje que nos acusam de destruir reputações. Tom Wolfe, colega ilustre, já disse isso certa vez: "Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma". 

Um dia, um empresário me disse com toda a educação: "Por que quando realizo um evento importante no meu hotel vocês não citam o nome do estabelecimento? Mas se tiver um incêndio num quarto o nome do hotel é estampado na capa em letras garrafais?". 

Precisamos parar de apontar o dedo em riste para quem julgamos ser os culpados. Jornalista não prende, não realiza inquérito, não julga. Jornalista deve informar tudo o que é pertinente ao fato. Não existe neutralidade, e, sim, isenção. Notícia não tem somente dois lados, e, sim, vários. Em alguns casos, incontáveis. 

Jornalista está se achando mais importante do que ele é. E, com esta falsa convicção, estamos sendo conduzidos para o cadafalso. 

Esta longa introdução é para chegarmos até uma conclusão simples: nós, jornalistas, não gostamos de ouvir. Não sabemos ouvir. Não aceitamos críticas. Somos arrogantes mesmo que não pensemos isso de nós. Talvez porque sejamos tão ludibriados, enganados por fontes maldosas e presos a horários perversos, que já partamos do princípio que estamos certos.

Por não termos paciência com o outro, mesmo que este "outro" seja a fonte que alimenta nosso "produto", estamos multiplicando este "ebola da arrogância" para as novas gerações de profissionais. E o grave é que os meninos que estão chegando são filhos de uma escola deficiente, com má formação cultural, educacional e intelectual. 

E, o mais grave, essa turma diz detestar política. Arrisco dizer que a maioria sequer sabe a diferença do que faz um deputado para um senador. 

Nas redações, nossos templos de trabalho, os jornais de papel e as revistas raramente são abertos. Nada é lido. Os garotos dizem que esse hábito é para idoso. O aparelho de TV fica ligado num só canal. Por isso se tem uma visão única. Neymar disse que jogadores brasileiros têm preguiça de treinar. Jornalistas têm preguiça de ler. O rádio, veículo sempre atual, é algo alheio à "cultura" da nova geração.  

Mas será que os focas não se informam pela internet? Falso. A esmagadora maioria prefere trabalhar no ar condicionado, não circular onde está a notícia, não andar pelas ruas, não conversar pessoalmente com o povo. Se pudessem escolher a opção, seria navegar nas redes sociais. Os jovens curtem basicamente o que circula no Facebook. 

O compromisso primário da profissão: "Para quem trabalho? Para que serve meu ofício? Dedicação máxima para levar informação para quem não tem, ser útil aos pobres" são utopias. 

Na verdade, estamos caminhando para algo parecido com o que fez o mocinho de o "Planeta dos Macacos". Seu laboratório gerou uma nova espécie de símio. 

O problema de não sabermos ouvir as ruas está nos empurrando para o descrédito. A imprensa surtou. Ao mesmo tempo que se chama ativistas sociais de vândalos, também é permitido chamá-los de jovens. Depende da ocasião. O pêndulo vai para um lado ou para outro conforme interesse específico. 

As redações que outrora abrigavam o pluralismo da sociedade hoje são redutos da velha direita. Aqueles que fizeram 1964 podem se orgulhar. Seus filhotes cresceram, ganharam musculatura. A direita venceu.

 Vamos ouvir mais a opinião pública e menos a publicada, antes que seja tarde.


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12/07/2014 20h08

Qual modelo de seleção queremos?
Sidney Rezende

O conjunto de obra da Seleção Brasileira dentro de campo na Copa 2014 foi desastroso. Tomamos da Alemanha a maior goleada da nossa história: 7 a 1. Fomos novamente rebaixados e, desta vez, para a Holanda: 3 a zero. Dez gols tomados em apenas duas partidas. Isto já é o suficiente.

Qual modelo de seleção queremos? Foto: Montagem SRZD

O grave é o treinador Luiz Felipe Scolari dizer na entrevista coletiva que fizemos uma boa Copa. Pior é assistir aos jogadores que chegaram batucando no estádio Mané Garricha, na maior alegria, como se tivessem feito o melhor que poderiam. Não fizeram. Foi horrível. Decepcionante. 

Esses caras mancharam a honra do futebol brasileiro.

O lateral Daniel Alves gastou 1h30 no cabeleireiro antes do jogo contra os alemães. Os atletas, após a derrota contra a Holanda, não descuidaram da sua vaidade pessoal. 

Alguns levantaram a gola da camisa para se apresentarem bonito na TV. Outros exibiram seus brilhantes nos brincos, anéis, pulseiras e cordões. Pelo menos uns três traziam nos seus bonés a marca do patrocinador e parceiros comerciais.

O nosso craque Neymar que se vestiu como jogador e sentou no banco dos reservas ao lado de Felipão desempenhou o patético papel de cópia do personagem Coalhada, de Chico Anysio.

Assistimos nos gramados dos belos estádios da Copa um desfile de jogadores brasileiros vaidosos, pouco dispostos a treinar duro, desplugados do povo e com arrogância típica de quem se acha superior aos adversários.

É triste, mas o futebol brasileiro não é mais o melhor do mundo há algum tempo.

Qual modelo de seleção queremos? 

Tenho a impressão que é preciso rever a comissão técnica, refazer a agenda de trabalho, formatar uma nova convocação e só manter jogadores que realmente tenham condições de competição em 2018.

Precisamos de gente séria. É hora de acabar estes vínculos publicitários e midiáticos de nossos atletas com o seu ofício.

Na minha opinião, este escopo não passa pela contratação de um técnico estrangeiro. Somos líderes de uma escola de futebol única, original, própria. 

Os nossos problemas devem ser resolvidos por nós. Não enfiem goela abaixo esse problema para os gringos. Sejamos adultos e vamos resolver o que é nosso. E não deles!


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11/07/2014 09h12

Argentinos desconstroem imagem de Pelé
Sidney Rezende

Pelé é o símbolo do esporte brasileiro mais importante da História. Seu talento é algo de uma dimensão tão extraordinária que o próprio Edson Arantes do Nascimento se refere ao futebolista como se fosse outra pessoa. Talvez seja.

Pelé jogou 1.366 partidas e marcou 1.282 gols. Não por acaso, recebeu o título de Atleta do Século de todos os esportes em 15 de maio de 1981, eleito pelo jornal francês "L'Equipe". Incontestável.

Não é por acaso que os argentinos insistem em tentar transformar Maradona, e agora Messi, em algo próximo ao chamado "Rei do Futebol". É um jogo racional da parte deles que tem o objetivo de diminuir a importância do rival brasileiro.

Ontem, no Centro de Imprensa, no Rio, Maradona foi uma espécie de animador de torcida diante dos jornalistas da imprensa do seu país. O baixinho protagonizou uma catarse. E lá voltaram os gritos debochados contra a moral de Pelé.

Outro dia, alguns torcedores portenhos no Brasil, no Fifa Fan Fest de São Paulo, portavam cartazes com os dizeres "Pelé maricon" e outros palavrões.

Os argentinos trabalharam diariamente para desconstruir a imagem sólida de Pelé. É como se fosse um "inimigo" a ser batido em vida.

Pelé foi artilheiro do Paulistão 11 vezes, sendo nove consecutivas, do Mundial de 1965, da Libertadores de 1963, da Taça Brasil de 1961 e 1963 e do Torneio Rio-São Paulo, em quatro das cinco conquistas do Santos.

Ele coleciona títulos: Campeonato Paulista (1958, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69 e 73), Torneio Rio-São Paulo (1959, 63, 64 e 66), Taça Brasil (1961, 62, 63, 64 e 65), Robertão (1968), Copa Libertadores (1962 e 63), Mundial Interclubes (1962 e 63).

Pelé foi campeão mundial em três Copas do Mundo: 58, 62 e 70. Pelé não precisa provar mais nada. Ele inventou jogadas até então desconhecidas, criou dribles desconcertantes, fez gols inesquecíveis e até gols que não fez entraram para a História.

Há um episódio pitoresco, único, jamais vivido por outro atleta profissional. Depois de expulso de uma partida, a torcida não aceitou a decisão do árbitro, tirou o apito do juiz e reconduziu Pelé ao campo. E por aí vai!!

Fiz esta longa introdução para dizer que os brasileiros estão esquecendo de Pelé e os nossos jovens começam a achar que, de fato, Pelé talvez não seja isso tudo que dizem. Lamentável esta desinformação.

Os argentinos, ao contrário, repetem à exaustão que Maradona e Messi são deuses.

Calma, gente!

Pelé precisa agora ter sua imagem preservada por nós brasileiros da nova geração. É patrimônio nacional. É patrimônio universal.

Neste preciso momento, cobram do nosso mais importante camisa 10 a presença na Copa do Mundo. Está crescendo o bordão: "Cadê Pelé?"

Quer saber, a minha vontade é dar um caloroso abraço neste extraordinário jogador e agradecer-lhe todos os dias por sermos contemporâneos dele. Muito obrigado, Pelé!

O fiho de Pelé, o goleiro Edinho, foi condenado a 33 anos de prisão. Foi recolhido às celas justo durante a Copa. Edinho anunciou que é dependente químico. E a Polícia diz que ele é traficante. 

Dá para imaginar o quanto o Rei está em frangalhos. Que pai não estaria triste em ver o destino oposto ao dele ser trilhado pelo filho. 

Pelé, hoje, como todos seremos um dia, é um senhor idoso, digno, decente, e que tem uma longa folha de serviços dedicada ao gênio da bola, ao talento das pernas. Uma ode ao extroardinário.

Respeitemos o nosso Rei. Se os argentinos continuarem com esta insanidade em desprestigiar Pelé, que fiquem mergulhados nos seus obscurantismos. Coitados.

O que não é possível é nós, brasileiros, entrarmos nessa... Gol contra nunca foi a praia do Pelé, e não deve ser a nossa!


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09/07/2014 21h40

Não ficarei aborrecido se a Argentina ganhar
Sidney Rezende

Existe uma cultura atrasada que insiste em separar brasileiros de argentinos. Idiotas das duas nacionalidades, com capacidade de formação de opinião nos meios de comunicação, simulam bom humor para destilar preconceito e fazer bullying uns com os outros.

Argentinos e brasileiros são ferrados na economia, engalfinhados com os vespeiros sociais, pobreza, escassez de boa saúde, educação, transporte e segurança. Vivemos abaixo do que merecemos.

O que nos une? A paixão pelo futebol e pelos feitos que aqui e ali nossas sociedades constroem.

Mas falemos da final. Se a Argetina ganhar, está tudo certo para mim. Quer que eu liste as razões?

1) A Argentina tem só dois títulos, a Alemanha três e nós temos cinco;

2) A vitória de nossos vizinhos seria algo surpreendente. Os humanos iguais a nós, com  seus pecados e suas virtudes, terão derrubado as máquinas "imbatíveis";

3) O talento de Messi seria recompensado. Por que nos preocupar com Messi e Maradona? Os dois somados não chegam a um Pelé. Seja no número de títulos conquistados por nosso Rei, seja pelo número de gols alcançados pelo nosso dez. Pelé é insuperável;

4) A vitória argentina seria a comprovação que um time medíocre também é capaz de vencer. Seria uma recompensa também para nossas fraquezas diante dos bem alimentados filhos da nação de Angela Merkel;

5) A Argentina tri seria um belo sacode para nós. Já temos a pior e maior derrota da História, os fatídicos 7 a 1 e ainda fomos anfitriões da glória do nosso principal rival. Isto não é ruim. É ótimo. Isto fará com que a gente corra atrás do nosso prejuízo e invista no que precisa ser investido, e não fiquemos brincando como se ainda fôssemos os melhores do mundo. Não somos. Quem sabe nossa escola seja a terceira, e se tudo estiver errado mesmo, a quarta. Não é uma posição ruim, mas nascemos para sermos os primeiros.

Diante disso, é melhor ter a encrenca perto e a vencermos do que acharmos que será mais sossegado do outro lado oceano, na Europa. Se fosse fácil, não seria para nós.

Em tempo, Felipão, quer moleza? Vai trabalhar no Banco do Brasil, não é mesmo?

Domingo, se a Argentina ganhar, está tudo certo.

 

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09/07/2014 10h39

Perdemos: e agora?
Sidney Rezende

Li, ouvi e vi muita coisa sobre a derrota brasileira de 7 a 1 para os alemães. Por exclusão de argumentos, não estou ao lado daqueles que pensam que perdemos porque existe magia negra, desígnios do destino, maldição de 50 ou o que o valha. Não perdemos por razões esotéricas.

Não estou entre aqueles que atribuem nossa derrota exclusivamente ao nosso principal comandante, Luiz Felipe Scolari. Embora ele seja o responsável pelo que acontece nas quatro linhas. Mas esta conta não é só dele.

Vale registrar que a imprensa de quinta categoria que temos o bajulava até ontem 5 minutos antes do jogo. A imprensa impôs Fernandinho, por exemplo, e Felipão engoliu.

Por estarmos atônitos, está parecendo que a derrota não tem explicação, que foi algo inusitado e, por isso, sem razões aparentes... Nada disso!

Como tantos "palpiteiros" brasileiros, eu também me sinto um pouquinho "dono" da Seleção Brasileira e, por isso, listarei algumas constatações para nossa reflexão:

1) Não participamos de eliminatórias e não ajustamos o time como deveríamos. Todos os que o fizeram se beneficiaram no Mundial;

2) O período Mano Menezes foi lamentável. Sejamos justos. Mano construiu a base que serviu de trabalho para Felipão. E, quando Felipão anunciou a convocação, ninguém deu um pio. Ali já estava o ovo da serpente;

3) O técnico Luiz Felipe Scolari já entrou com a porta arrombada e, convenhamos, levou a seleção longe demais;

4) O improviso brasileiro que já dera certo no passado desta vez foi para o ralo. O mundo é dos profissionais. Mais do que nunca. Escalar um time como o de ontem, sem entrosamento algum, foi de amadorismo tacanho. Bernard de início não fazia o menor sentido. Erro crasso. Felipão errou na escalação;

5) Apostar no trabalho de olheiros como Roque Júnior foi deplorável. Será que nosso ex-zagueiro de tantas glórias realmente conseguiu transmitir à comissão técnica o que a Alemanha significava e o que ela já havia construído para chegar até a Copa do Mundo? Eu conversei com o Parreira antes de assumir seu lugar ao lado de Murtosa e Felipão, e ele estava ciente do poder germânico. Mas para onde foi todo este conhecimento?

6) A Alemanha joga junto há muito tempo, mas, além disso, teve foco, frieza para perseguir seu objetivo e definição. Cada jogador sabia o que faria em campo. A Alemanha treinou e até montou um CT em Cabrália com este propósito. E ainda construiu um plano de comunicação para mostrar como os seus jogadores são simpáticos, humanos, sensíveis e gentis com o povo brasileiro. Nós caímos nesse papo...;

7) No jogo, o rival brincou. Nosso meio-campo estava errado desde o início da Copa. Perdemos a ocupação desta área estratégica para o Chile e voltamos a praticar o mesmo erro contra a Alemanha. Não povoamos o meio-campo, como por demais já foi dito nos dias que antecederam a partida;

8) A insistência do treinador em manter Fred no ataque, sob o argumento de que precisávamos de um "atacante de referência", já estava clara que era uma medida imprópria. Fred não estava bem, mas com a formatação tática do Brasil ele ficou ainda mais isolado. A seleção jogou a Copa com dez o tempo inteiro;

9) A demora em mudar antes, durante e depois do jogo foi mais um exemplo de equívoco tático. Felipão não soube substituir e, quando o fez, foi um desastre. Ele terá que entubar essa na sua conta;

10) Transferir responsabilidade para os ombros de Neymar foi um crime. Mesmo assim, o atacante do Barcelona e ex-Santos fez uma Copa digna. Neymar foi obrigado a ser o líder que o time não tinha;

11) A comissão técnica submeter os jogadores a entrar no gramado como estudantes de Jardim da Infância, um postadinho atrás do outro, com as mãos nos ombros do "amiguinho da frente", foi o retrato da infantilização. Patético;

12) A infantilização do item anterior se resume a esta tolice "família Scolari", "Papai Felipão", "Titio Parreira" ou coisas semelhantes. A passada de mão na cabeça dos "chorões" foi humilhante. Tiago Silva, belo zagueiro, jamais poderia ser reconduzido à condição de capitão da equipe. Ele não tem condições emocionais de ocupar este posto. O goleiro Julio Cesar, que brilhantemente agarrou os pênaltis chilenos, foi o mesmo que sequer saltou no último gol alemão. Tão experiente e tão despreparado emocionalmente. Copa do Mundo não é para fracos. Que saudade do Romário!

13) O que fez a tal psicóloga contratada e que deu entrevistas a valer para a mídia tupiniquim?

O Brasil precisa agora desfazer a comissão técnica, preparar um novo plano para 2018, repensar seus Centros de Treinamento, redesenhar seus métodos de trabalho, investir num curso de atualização de seus técnicos e se preocupar em fortalecer o processo seletivo de jogadores de dentro para fora e não das empresas de material esportivo e patrocinadores para dentro.

O trabalho agora é arquitetar todos os passos até o próximo Mundial.

Amigos, foi a maior derrota da história, a maior humilhação submetida à nossa camisa amarela, a maior desonra que sofremos. Basta de "vida que segue", "levantar a cabeça e seguir em frente", "aconteceu, vamos adiante"... Nada disso.

Os responsáveis precisam ser nomeados. Os craques do "condicionador de cabelo", o "time preferido de 10 dos 10 melhores cabeleireiros do planeta", os "ídolos do brinquinho de diamantes" precisam olhar para a Holanda, olhar para a Alemanha, e ver duas equipes compostas de adultos, profissionais sérios, disciplinados, dedicados, focados, trabalhadores, e muito a fim de serem campeões.

Já passou o tempo dos Cristianos Ronaldos, Bollotelis, metrossexuais e similares. Messi não tem frescura e sozinho carregou nas costas a seleção argentina. Ele está mais focado no novo mundo do que nossos "meninos!".

A Copa no Brasil mostrou que temos condições de vencer, a Alemanha não é isso tudo, mas é preciso estudar mais, treinar mais, se esforçar mais. Nesta semifinal, o Brasil foi o time da creche batendo bola com a rapaziada 10 anos mais velha.

Foi um passeio monumental, diria Nelson Rodrigues.


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06/07/2014 18h27

A Copa dos técnicos
Sidney Rezende

Já se disse com muita propriedade que a Copa do Brasil tem sido pródiga em gols, jogos emocionantes, decisões após o tempo regulamentar e o paraíso de goleiros e grandes defesas. Eu incluiria também o mérito dos verdadeiros técnicos que mudaram o rumo das suas seleções.

O treinador da Holanda, Louis Van Gaal, foi ousado ao trocar o goleiro titular pelo terceiro goleiro na hora da decisão por penâltis. O do México, Miguel Herrera, deu um nó na Seleção Brasileira. Não ganhou, mas também não perdeu.

O treinador do Chile, o argentino Jorge Sampaoli, foi simplesmente espetacular em todas as partidas que dirigiu. E por aí, vai !!

A pergunta é: Luiz Felipe Scolari, o nosso Felipão, tem a mesma competência dos seus adversários de função? O Brasil surpreendeu taticamente? Conseguimos neutralizar as bombas colocadas em nosso caminho pelas seleções "inimigas"?

O Brasil tem elenco, tem um treinador campeão, mas, pelo visto, também tem um comandante comedido, embora entusiasmado e temperamental. Vai ver que a imagem antropológica não bate com as ações.


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05/07/2014 15h45

Calma. Dá para vencer a Alemanha
Sidney Rezende

Não é preciso falarmos da importância do Neymar para a Seleção Brasileira e a falta que ele fará nesta próxima fase da competição. Mas sua saída precoce não signfica que o Brasil não tenha condições de vencer o seu próximo adversário. Mentira. O Brasil tem time, criatividade, capacidade e... vai vencer!

Escrevo estas linhas não como torcedor com o coração cheio de emoção, e sim com a razão. A Alemanha é de uma escola de disciplina tática, muito bem montada no campo, mas como uma defesa fraca, velocidade que pode ser contida com concentração na nossa marcação, desde que acertemos nosso meio-campo.

E, outra coisa, o Brasil não pode ser mais ansioso como tem sido até aqui. O time não precisa provar mais nada. Estamos entre os quatro melhores do mundo e a missão está parcialmente cumprida.

A meu ver, o momento pede uma nova arrumação que passa pelo fim do chamado atacante de referência. O Fred poderia ir para o banco e entrar no segundo tempo. Na zaga, Thiago Silva será muito bem substituído e não teremos problemas.

A Seleção Brasileira é mais criativa, hábil, está jogando em casa, tem alma, coragem, ousadia e força. Não deixemos acontecer conosco o que aconteceu com o Uruguai quando perdeu Luis Suárez.


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03/07/2014 08h06

Felipão recebe mais de 9 milhões de reais por ano. Muito ou pouco?
Sidney Rezende

Por aqui, ninguém gosta que o vizinho saiba quando a gente ganha. O Brasil é um dos países onde o seu povo fica muito constrangido quando o salário individual é amplamente divulgado.

Culturalmente, nos incomodamos com isso, porque achamos que possamos ser vítimas de sequestro ou olho grande.

Mas não é assim que os estrangeiros convivem com o tema. Há poucos dias foi divulgada lá fora a lista dos salários dos treinadores de futebol. O "coach" da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, é muito bem remunerado.

Além dos vencimentos regulares, ele amealha extras com publicidade. Hoje é um dos treinadores mais valorizados no mundo do futebol.

A lista dos técnicos milionários é a seguinte:

1 - Fabio Capello (Rússia) - R$ 25,1 milhões

2 - Roy Hodgson (Inglaterra) - R$ 13,1 milhões

3 - Cesare Prandelli (Itália) - R$ 9,6 milhões

4 - Luiz Felipe Scolari (Brasil) - R$ 9,5 milhões

5 - Ottmar Hitzfeld (Suíça) - R$ 8,25 milhões

6 - Joachim Low (Alemanha) - R$ 8 milhões

7 - Vicente del Bosque (Espanha) - R$ 7,4 milhões

8 - Louis van Gaal (Holanda) - R$ 6,1 milhões

9 - Alberto Zaccheroni (Japão) - R$ 6 milhões

10 - Jurgen Klinsmann (Estados Unidos) - R$ 5,7 milhões

11 - Didier Deschamps (França) - R$ 4,8 milhões

12 - José Pekerman (Colômbia) - R$ 3,7 milhões

13 - Marc Wilmots (Bélgica) - R$ 1,9 milhão

14 - Alejandro Sabella (Argentina) - R$ 1,8 milhão

15 - Jorge Luis Pinto (Costa Rica) - R$ 985 mil


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01/07/2014 09h48

Seleção Brasileira em crise emocional. Basta.
Sidney Rezende

Os jogadores da Seleção Brasileira estão criando uma tempestade num copo d'água. O jogo duríssimo contra o Chile desarticulou o "emocional" dos nossos atletas que, se não for trabalhado com urgência, a partida contra a Colômbia será um problema.

Na minha modesta opinião, o Brasil é mais time do que a Colômbia e conseguiremos passar para a próxima fase sem dificuldades. Ocorre que nossos atletas estão chorando antes, durante e depois do jogo.

A atitude do capitão Tiago Silva em suplicar para não bater o pênalti, ficar isolado e não interagir no momento que antecedeu a vitória brasileira sobre o Chile é inaceitável.

Como Felipão introduziu este modelo infantilóide de "família Scolari", "papai Scolari" ou algo do gênero, paternalista, o treinador ficou sem condições de fazer o óbvio: tirar a braçadeira de Tiago e refazer o moral da equipe.

Tiago não é capitão moral da seleção, não tem condições emocionais, embora seja um baita jogador. Ele faz com David Luiz uma dupla incrível.

O Felipão chamar jornalistas amigos para conversar não teria nada de mau, a não ser para saber o que eles fariam no lugar dele. Ora, quem é o técnico? O técnico não sabe o que precisa fazer?

Essa história do hino já deu. Perdeu verdade, espontaneidade, e está abalando ainda mais os jogadores. Lembre-se que nossos jogadores jogam na Europa, são ricos, experientes em competições internacionais, conhecem pessoalmente os adversários e não faz o menor sentido dizer que "está pesado demais" ter que representar a seleção. 

Quem não tem capacidade emocional de vestir a camisa da seleção pede para sair. Porque na hora de fechar propaganda para engordar o cofrinho, todos sabem.

Basta. Refaça-se o "emocional" dos jogadores, e vamos partir para cima da Colômbia e depois Alemanha, França, quem vier. Podemos ser campeões.

O DNA da Seleção Brasileira é de vitória. Somos penta. E só faltam três passos para sermos Hexa. Por favor, acabem com essa história de "meu pai pai", "família disso, família daquilo", ou "herói do jogo". Isso é papo para tonto.


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28/06/2014 19h26

Jorge Sampaoli derrotou Felipão
Sidney Rezende

A minha confiança na vitória da Seleção Brasileira sobre o Chile era total antes do jogo. Sabia do brilhante treinador argentino que comanda o adversário, o bom momento de Sanchez e as qualidades de Vidal e Vargas. Eu sabia de tudo isso. Mas cravei Brasil no bolão.

O que eu não poderia supor era que o técnico Luis Felipe Scolari fosse tão primário na estruturação tática do nosso time. Até porque ele tem ao seu lado uma bela estrutura e a inteligência futebolística atualizada do Carlos Alberto Parreira.

Mas a seleção foi um desastre tático. O técnico do Chile, Jorge Sampaoli, é simplesmente a revelação da competição. E com toda a razão. Ele fez 3 mudanças táticas matadoras e ainda anulou Neymar no segundo tempo.

Felipão foi lento, pouco criativo, antigo e desatualizado. A manutenção deste modelo de um centroavante parado - eu me refiro a Fred - é um absurdo. O atacante tricolor está lá porque "tem a confiança do treinador". Não dá.

O Daniel Alves tentou sair jogando da intermediária várias vezes e ninguém o repreendeu. Neymar tem dificuldades em passar a bola para o companheiro, embora não esqueça de amarrar o cadarço da nova chuteira de uma grande marca de material esportivo ou levantar a camisa para se ver a marca da cueca. Um absurdo.

Esta é a seleção do condicionador de cabelos, dos cabeleireiros e seus cortes inusitados e as colorações mais modernas para os fios sedosos de talentos duvidosos.

A seleção não jogou bem. E ganhou por "milagre". De agora em diante, seja o que Deus quiser!


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