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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



26/06/2016 16h26

O Brasil está doente e não fazemos nada
Sidney Rezende

Neste mês, estive em Natal, São Paulo, Uberlândia (MG), Catalão (GO) e Teresópolis (RJ). Estarei esta semana em Boa Vista, capital de Roraima, Itaperuna, interior do Rio, e Recife, em Pernambuco. Por onde passo, digo o que penso e tenho consciência que gero, em alguns, desconforto. Mas também percebo o desejo de mudança de rumo por parte da maioria.

No Tribunal de Justiça do Rio, me detive na crítica à burocracia jurídica e comentei que não me parecia ponderado encontrarmos nas instalações do evento para qual fui convidado para palestrar elevadores privativos para juízes, onde um ascensorista ali permanecia em horário integral para fazer apenas três ou quatro viagens. Enquanto a fila para os demais mortais se esparramava além do saguão. E pedi justificativa para a existência de bar e restaurante exclusivos para desembargadores. Eles não gostaram.

Na ABI, Associação Brasileira de Imprensa, falei de empreendedorismo, da perseguição do Império ao Barão de Mauá, genial empresário brasileiro. Frisei a farsa de pensar que ser empreendedor é fácil num país oligárquico como o nosso. E comentei o quanto era importante o desenvolvimento não dependente do Estado. Os meus colegas jornalistas torceram os seus narizes. 

Numa gigante empresa pública, eu me opus ao modelo de concursados que podem mais que a própria direção. Era notório a existência de quebra de autoridade. Fui hostilizado. Uma moça escreveu para mim: "seja homem e seja concursado"(?!). A direção, dócil, aceita esta anomalia que confunde com direito adquirido, e, simplesmente, nada administra, e cada centavo do contribuinte vai, bovinamente, para o ralo.

Fui dizer que a mídia não pode disseminar a manipulação como prática natural e fui defenestrado. Para mim, informações "boas" ou "ruins" devem ser dadas, desde que... sejam notícia.

Poderia cansar o leitor com uma lista de outras verdades inconvenientes. Estamos anestesiados, simples assim. Dizemos uns aos outros que não suportamos ver os desmandos, roubos, monopólio, violência, o poder centralizador de poucos sobre muitos. Mas o que temos feito concretamente para mudar esta realidade? Pouco. Muito pouco. Aparentemente, a maioria está contente com o subdesenvolvimento, embora, em palavras, o repudiem.

O ácido escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, estava amargando seus últimos dias e o seu confessor tentou "salvá-lo" do que imaginava ser "calvário do porvir":

- Por que o senhor não abandona os seus demônios e o diabo?

Voltaire respondeu com humor e pragmatismo:

- Estou prestes a morrer e não é hora de arrumar mais inimigos.

Não pretendo arrumar mais inimigos dos que eu já tenho. Mas nossa letargia está levando o país ao abismo definitivo, pelo menos enquanto nossa geração existir.

Pelos puros e anjos que não nasceram, pensem comigo:

"No Brasil, há aproximadamente 14 milhões de analfabetos absolutos e um pouco mais de 35 milhões de analfabetos funcionais, conforme as estatísticas oficiais". A afirmação do economista da UnB Vicente Vuolo é cruel.

A enciclopédia conta que "analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender texto simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas. Também é definido como analfabeto funcional o indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos".

Um professor de uma turma de meninos e meninas entre 10 e 12 anos de uma escola da Baixada Fluminense me disse que a maioria não sabe ler e muito menos escrever. Uma outra também me contou que, na periferia de São Paulo, onde dirige uma escola, 35% dos alunos são criados pela avó, porque pais e mães seguiram seus caminhos pessoais. E os filhos que geraram não estavam nos seus planos.

É comum crianças apreendidas, confinadas em abrigos - e lá permanecem por um bom tempo - não receberem uma visita sequer. Nem dos jornalistas que vivem exigindo a redução da maioridade penal, mas não frequentam os infernos concernentes aos pobres. Onde está a responsabilidade dos "responsáveis"?

O Brasil perde R$ 197 bilhões por ano com violência no trânsito. Esse é o impacto econômico provocado pela morte de 43 mil pessoas e dos 525 mil casos de invalidez permanente resultantes de colisões e atropelamentos. O cálculo refere-se à interrupção da atividade produtiva como resultado da incapacidade de trabalho. Esses dados fazem parte do estudo Estatísticas da Dor e da Perda do Futuro: novas estimativas, do economista Claudio Contador, diretor do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros. E por que dirigimos como ogros?

Os jornalistas Victor Martins, Diego Amorim e Carolina Mansur fizeram uma reportagem que é para sentar na calçada e chorar. "Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento".

Em quatro anos, o número de processos movidos por erro médico que chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) cresceu 140%. Em 2014, 626 ações foram encaminhadas à corte sobre o tema. Em primeira instância, o número é muito maior.

No Brasil, quarto maior produtor mundial de alimentos, 50% do estoque se perde na cadeia de distribuição.

Levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) diz que a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros. Entre os que adotam essa prática, 32% têm o hábito de aumentar as doses de medicamentos prescritos por médicos com o objetivo de potencializar os efeitos terapêuticos.

Como posso, diante de tudo isso, ficar aqui no meu lugar de braços cruzados? Os caras lá em cima, em Brasília, não estão nem aí para o Brasil real. Eles sequer sabem a realidade do povo brasileiro.

E, você, o que está fazendo concretamente para melhorar o nosso país?


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22/06/2016 07h57

Saiba o que direi hoje sobre o Brasil na palestra da UFF
Sidney Rezende

Este texto é para ressaltar a importância da inteligência reunida em torno da Universidade Federal Fluminense. Antes, peço sua paciência para contextualizar.

A extinta Rádio Jornal do Brasil AM entrou para a história. Ela conseguiu reunir até meados dos anos 90 os melhores profissionais do segmento do país. O Grupo Jornal do Brasil erigiu uma estrutura de elegância editorial jamais superada por qualquer outro concorrente. Eu tive a honra de trabalhar lá.

A bem da verdade, somente me integrei à equipe da JB anos mais tarde quando ela já vivia um lento processo de decadência. Registre-se que meus antecessores eram gente do naipe de Eliakim Araújo, Majestade, Sergio Chapelin, Alberto Curi, Orlando de Souza. Profissionais brilhantes.

Além da equipe qualificada, havia uma postura de dignidade rara na imprensa brasileira. Em 1982, no clima de retorno dos exilados pela ditadura e no respiro dos ares da anistia, a JB, como a chamávamos, tornou-se cidadela contra a tentativa de manipulação eleitoral no Rio de Janeiro denominada "Caso Proconsult".

Era uma manobra que visava anunciar inicialmente o resultado das urnas favoráveis ao candidato ao governo do estado Moreira Franco em detrimento à apuração das zonas eleitorais que tendiam ao candidato do PDT Leonel Brizola. Se na zona sul tinham mais votos pró-Moreira, era nesta região que o eleitor tomava conhecimento primeiro. Com isso, Moreira largou na frente e com larga vantagem contra os adversários. Era uma empulhação. Um crime eleitoral.

Na concepção dos golpistas da época, à medida que Moreira aparecesse na frente, os trabalhistas iriam admitir a derrota mais facilmente. E, aos poucos, deixariam de fiscalizar as demais urnas. E como o processo não era eletrônico abria-se margem para a eventualidade dos votos de Brizola - em papel - serem subtraídos. O desaparecimento de urnas era uma realidade. Não deu certo. E, entre outras coisas, porque a Rádio JB fazia uma apuração paralela e constatou que havia caroço debaixo daquele angu. Os números não fechavam com que o TRE anunciava e a mídia transmitia. Só restou à JB informar a verdade. E denunciou.

Ao término do primeiro Governo Brizola, em 1986, egresso da Rádio Roquette Pinto, onde os denunciantes do Proconsult se abrigaram depois de serem demitidos da Rádio Jornal do Brasil, sou convidado para ser repórter de política da Rádio JB, colaborador, e depois apresentador titular do programa de entrevistas "Encontro com a Imprensa".

Graças ao brilhante trabalho de Clarisse Abdala, para nosso infortúnio falecida precocemente, fizemos daquele espaço uma referência de espaço plural e democrático. Quem de importante não deu entrevista para nós?

Cinco anos depois, sentindo-me numa zona de conforto, decido buscar novos desafios e tentei introduzir jornalismo all news numa rádio chamada Alvorada, ligada na época aos donos do extinto Banco Real. Não deu certo. Permaneci na JB. E, já determinado a sepultar definitivamente a ideia de levar notícias para FM, conheço Wellington David, da rádio Panorama, emissora que funcionava na frequência da atual Rádio MPB FM e, fisicamente, no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Uma rádio de excelente potência, com programação musical contemporânea de primeira. Pequenina, mas tudo de qualidade.

David foi corajoso e aceitou que eu levasse nosso pessoal e comandasse os trabalhos ao lado de craques do jornalismo como Ricardo Bueno, Marco Antonio Monteiro, Nicolau Maranini, Patrícia Maurício e os jovens Elisa Mendes de Almeida, Adriana Pavlova, Paula Muller e Weden Alves. Não posso esquecer o brilhante trabalho feito por Marcos de Oliveira de madrugada. Vivemos ali a primeira experiência de jornalismo em FM da História do Brasil. Foi um retumbante sucesso. Desde o primeiro mês, batemos os poderosos de sempre: Globo e Tupi. Incomodou a concorrência.

Um pouco antes da estreia, aí que entra a UFF na história, fui convidado para dar uma palestra onde a plateia ficava num círculo, ao estilo Roda Viva. Eu fiquei em pé, fiz minha preleção e, em seguida, respondi perguntas diretas. Não era um clima amigável, pois existia uma certa hostilidade no ar. Os estudantes altamente politizados - o que a direita chamara de esquerdistas radicais (!?) - não aceitavam que eu tivesse deixado a briosa emissora Jornal do Brasil e fosse montar numa rádio pequena e que, segundo eles, pertenceria a bicheiros, um projeto "sem consequência".

Uma nota de esclarecimento: Wellington David - dono da rádio - é filho de um dos irmãos do presidente de honra da Beija Flor, Anisio Abraão David, já famoso na época. Isto era um fato. E, por isso, havia elementos que justificavam, em parte, a ira dos estudantes. Embora, em respeito à história, Wellington tivesse à frente desta rádio completamente independente das atividades da família. Era um projeto pessoal, e jamais confundiu, interferiu, boicotou, influiu ou o que fosse na condução editorial que impusemos lá. Nós trabalhamos com independência.

"Panorama Brasil", o primeiro jornalistico do rádio brasileiro, era democrático, plural, aberto para todas as visões da época e com craques do jornalismo brasileiro. Sempre acreditei neste modelo de jornalismo.

Só para se ter ideia do nível da nossa equipe, colaboraram conosco regularmente: Hermeto Paschoal, Jânio de Freitas, Dalmo Dallari, Maria Lucia Dahl, Ricardo Noblat e outros.

Depois do bate bola com os estudantes da UFF, após explicar minhas intenções, ser apertado mais do que bagaço de laranja, eu fui aplaudido de pé. Uma das maiores emoções da minha vida. Essa medalha, os antigos alunos da UFF me deram.

Eis que o destino, precisamente hoje à noite (22/6), às 19h, me reconduz à mesma UFF para debater as perspectivas do país no cenário atual. O que dizem os organizadores é que há um "novo" governo que começa com os vícios, pecados e pessoas representantes do que existe de mais arcaico e nocivo em nossa tumultuada história republicana. Diante desta moldura é que me encontrarei lá ao lado de outros jornalistas e cientistas sociais. A minha impressão é que o ambiente será bem mais ameno, por mais tensa que possa ser, se comparado com aquela pós-ditadura que narrei aqui. Embora o país esteja numa crise muito pior do que a do primeiro governo civil eleito diretamente, o do Collor.

Para debater e analisar este tema, o encontro contará com as presenças do cientista político Bernardo Kocher, da historiadora Gizlene Neder, do superintendente de comunicação social da Universidade Federal Fluminense (UFF), professor Afonso Albuquerque, como mediador.

O debate terá transmissão ao vivo, em tempo real, e as perguntas poderão ser enviadas para o e-mail [email protected]

Mas o que eu falarei desta vez? Eu pretendo reforçar o nosso papel social neste momento delicado da vida brasileira. Principalmente de que forma e caminhos seguir. E discutir como deslocar o eixo da responsabilidade do destino do país do governo central, interino, para outro credenciado nas urnas a fazer as mudanças reais que o Brasil necessita. E jogar luz sobre o que nos cabe fazer em meio a este imenso latifúndio.

Conto com a sua participação. Se não puder comparecer à UFF, em Niterói, que, pelo menos, prestigie à distância através das mídias digitais.

Palestra UFF. Foto: Divulgação


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19/06/2016 17h03

Jô Soares: o melhor
Sidney Rezende

Serei óbvio. Os dias de frio são bons para muita coisa: namorar, tomar vinho, comer fondue, ficar debaixo das cobertas, ver um filme ou ler um bom livro. E a lista não acaba. 

Em casa neste fim de semana, depois de dias entre um aeroporto e outro, ocupei meu tempo escrevendo sem parar. E, para descansar, naveguei pela internet para ver as novidades. Comecei pelos youtubers, como Chico Rezende. Depois, as atrações internacionais e as entrevistas do "The Noite", com Danilo Gentili - talento da nova geração do talk show nacional -, e passei mais tempo revendo as clássicas de Jô Soares, um dos artistas mais completos do Brasil. E é sobre este último que gostaria de dedicar as linhas de hoje.

Não existe uma alma na Terra que não saiba que o tempo encurta nossa caminhada. Um jovem, ao volante, no alto dos seus 18 anos, só pensa em acelerar o carro. Um ser maduro, aos 70 anos, sabe que não pode, não deve e que não é prudente correr. Ele cuida com carinho dos anos que lhe restam. Saber viver é regar cada segundo da existência que nos falta.

José Eugênio Soares nasceu assim com o nome mais comprido. Tornou-se Jô Soares por anos - e até atingiu o estrelato desta maneira. Mas foi no talk show que passou a ser corriqueiro chamá-lo simplesmente de Jô. Tudo o que fez na vida, fez bem. Humorista, comediante, apresentador de televisão, escritor, dramaturgo, diretor teatral, ator, músico e pintor. 

No "SBT", Jô abriu as portas para a consagração de um modelo - do qual Danilo Gentili hoje se sustenta - que, copiado da TV americana, com ele ganhou um molho pessoal e brasileiro.

O divertido Batoré disse ao Jô que um artista se realiza quando tem a oportunidade de ser entrevistado por ele. É verdade. E não só artistas. Sentei naquele sofá duas vezes. Da primeira, ele já me recebeu no ar com um agrado que soou paternal: "Você está bonitinho". Eu estava esportivo, diferente do âncora engravatado daqueles tempos. Fui com o Francisco, meu filho, e, ao invés de um bloco, saí de lá com dois. Foi uma sensação de alegria e felicidade. Para mim foi consagrador.

No ano passado, fui convidado novamente. E a minha participação foi um fracasso. Deu tudo errado. Eu não era um homem feliz por dentro, e tudo o que dizia não repercutia junto à plateia. Faltou química. E a responsabilidade foi minha. Assumo. Só minha. Afável, Jô, como sempre, fez a parte dele com a qualidade que lhe é peculiar. 

Há 10 anos, havia verdade, pureza e extraordinária alegria por contar que estava fundando o site (SRZD) e que nele pretendia levar aos leitores algo novo. Na segunda entrevista, o que seria motivo para falar do meu mais recente livro, eu fiquei perdido em querer agradar e, artificial, caí na vala comum. Mas o Jô, não. Ele era o mesmo grande artista de sempre. As gags certas e as tiradas inteligentes em que mesmo quando as coisas não estão bem para o entrevistado, ele salva.

Entre uma entrevista e outra, Jô Soares foi agredido por reacionários, lembra-se? Patrulhado pelos ignorantes que andam soltos por aí, aqueles que pregam a violência e a fúria contra os outros, Jô tirou de letra.

Tem uma cena do filme Z, de Costa Gavras, que gosto muito, em que o político democrata interpretado por Yves Montand, hostilizado por ativistas de direita, passa pela multidão enfurecida. E ele, altivo, caminha de cabeça erguida e as pessoas simplesmente abrem um clarão para ele passar. Isso chama-se autoridade. Jô tem autoridade e está na história da comunicação brasileira.

Só para atualizarmos o Brasil de hoje, quero registrar que andamos mais carrancudos e injustos. Atacar Jô Soares é atacar nosso patrimônio. É como atacar Chico Buarque, Paulinho da Viola ou a memória de Jorge Amado, Ariano Suassuna e Jamelão, por exemplo.

Jô tem classe, nível intelectual, cultura sólida e uma folha de serviços invejável para este país. E, graças à internet, está eternizado o que ele já realizou e que serve de manual de conduta para as novas gerações.

Este texto é para dizer ao Jô que é um privilégio compartilhar o mesmo tempo dele. E para que ele não nos deixe distantes da sua enorme sabedoria. Jô, continue na TV, escreva mais livros, dirija mais espetáculos, continue emitindo com liberdade suas opiniões e faça como os jovens: se reinvente. Saia de onde está e exercite a sua imaginação infinita.

Jô, talvez não escrevesse isso nos dias de calor tórrido, mas quando o frio cruel se aproxima, aquele que é cenário perfeito para gente namorar, tomar vinho, comer fondue, ficar debaixo das cobertas, ver um filme ou ler um bom livro, é hora de mandar um alô para quem a gente quer bem. 

Sidney Rezende e Jô Soares. Foto: Reprodução


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17/06/2016 22h37

A realidade tributária brasileira
Sidney Rezende

Estive hoje no evento Mapa do Comércio, realizado pela Fecomércio, em Teresópolis (RJ). Lá, falei sobre "A realidade tributária brasileira".

Nas fotos abaixo, eu com Rafael Lima, Cheryl Berno e uma das organizadoras do evento.  

Sidney Rezende em evento Mapa do Comércio, em Teresópolis (RJ). Fotos: Divulgação



12/06/2016 20h15

Osmar Prado: profissão, ator
Sidney Rezende

Há muito tempo que quero escrever sobre Osmar Prado. Chegou a hora. Antes, vamos contextualizar a razão de reverenciar este brilhante profissional. 

Osmar Prado. Foto: Divulgação

Os discretos, elegantes, reservados e avessos aos refletores estão em baixa no Brasil. Quem está no palco são ladrões, canalhas, egoístas e as subcelebridades. A empulhação grassa na Pátria. 

E este é o ambiente propício para zika, aedes aegypti e os reacionários de cepa violenta. O pulo do gato é que os discretos e reservados, quando competentes, são as luzes que iluminam o ambiente. E, como em toda a sociedade, referências indispensáveis. É com eles que aprendemos a respirar melhor.

Osmar Prado. Foto: DivulgaçãoHá um ano foi ao ar no Canal Viva - reprisado neste domingo - o programa "Grandes Atores", com Osmar Prado. Mas somente hoje, por acaso, me foi possível assistir a metade da edição, mas o suficiente para reconhecer a extraordinária dimensão deste artista discreto, elegante, reservado e totalmente apaixonado por seu ofício.

Osmar Prado raramente está - como mereceria - nos espaços jornalísticos dedicados aos astros das telenovelas, embora seja um dos gigantes da sua área de atuação. E não é por sua culpa, em absoluto. Pedro Paulo Rangel, Laura Cardoso e José Dumont também têm mídia menor do que seus talentos. 

A imprensa dedicada ao entretenimento é que precisa mudar seus conceitos. E rápido.

Osmar Prado prestou um depoimento profundo, denso e que deveria ser exibido em todas as escolas de formação de atores do Brasil. Foi emocionante sua lembrança do período em que se desentendeu com um executivo da Globo e pediu para sair da novela "Renascer" e, então, seu personagem precisou morrer na trama. Não era o que estava programado pelo autor. Foi uma das narrações mais comoventes que já assisti. 

Ao atribuir uma passagem vivida por Mario Lago durante a ditadura Vargas, Prado lembrou que uma das maiores humilhações de um homem íntegro é quando alguém bate no seu rosto. "Não se bate na cara de um homem digno", diz o ator. Ele lembrou esta passagem, porque por sua sugestão é que seu personagem na novela, quando está injustamente numa cela, recebe um desses tapas, o que o leva ao suicídio. 

Osmar Prado. Foto: DivulgaçãoEm 2013, o entrevistado descobriu um câncer na garganta, e, por isso, um ano depois, sobressaiu aquela cicatriz do lado esquerdo do seu rosto e que ficou tão marcante nas cenas de "Amores Roubados".  

"Quando o [José Luiz] Villamarim me convidou, eu estava com a gaze da primeira cirurgia", disse. E sobre a doença, ele confessa que pensou no que poderia acontecer com sua vida: "É bom viver, mas tem o momento de morrer. Tenho certeza que eu encararia legal, procuraria fazer da minha vida a melhor possível. Isso tudo me deu muita força... Para entender a importância e a desimportância da nossa trajetória. O que vale e o que não vale. O que é fútil e o que não é. E o privilégio que tenho de estar nessa profissão desde criança, em que posso trabalhar e atuar com todos esses sentimentos: o da morte, o da vida". 

Este texto singelo é para tentar de alguma forma estimular os discretos e competentes a entenderem que eles sempre serão nossas bússolas, mesmo que aproveitadores façam a sua festa com a ajuda de desmiolados. Um dia isso acaba.


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08/06/2016 09h11

Princípios e Ética
Sidney Rezende

Serei direto e sincero. Como sempre. Depois de divulgado pelo Palácio do Planalto para a imprensa de Brasília, no início da noite desta terça-feira, nos chegou o documento oficial da Caixa Econômica Federal cancelando a publicidade destinada ao SRZD, aprovada para o ano de 2016. Este relacionamento comercial existe de forma contínua desde 2012. Entre as empresas públicas, e não são muitas, a Caixa era o nosso principal patrocinador. 

Como, até ontem, não tínhamos recebido a oficialização de outros rompimentos, preferimos nos silenciar para que nosso eventual pronunciamento fosse fundamentado em fatos.

Já nos chegaram rumores que o Governo Federal ordenou que todos os outros anúncios vindos de empresas públicas sejam proibidos de veiculação no nosso portal, que no último dia 23 de maio completou 10 anos.

À Caixa, gostaríamos de agradecer o profissionalismo e a seriedade no trato da coisa pública. Sempre republicana, a empresa jamais insinuou ou sinalizou com qualquer pedido que maculasse a ética no cuidado com o centavo do contribuinte.

Austera, a Caixa sempre exigiu resultados. Tínhamos metas de audiência. A cobrança sempre foi rigorosa. Após a prestação de contas mensal dos milhões de visualizações, tanto as agências de publicidade representantes da Caixa quanto a própria instituição sempre foram severas no cumprimento dos acordos comerciais. Nunca houve "moleza" e nem gostaríamos que fosse diferente. Foi uma honra lidar com gente honesta deste quilate.

É importante para nós esclarecermos os nossos princípios aos que não nos conhecem. E, também, nossa visão para o Brasil nesta área de comunicação tão preciosa para a democracia no país.

O ideário de boa prática jornalística que defendemos há mais de 30 anos não mudará por mais cruéis que sejam as pressões. Não negociamos nossas convicções. E, para o país, é bom que existam meios de comunicação com pensamento plural que represente todos os setores da vida brasileira. É um exercício que vemos com alegria quando compartilhado pelas autoridades, empresários, trabalhadores, militares e profissionais liberais. 

O pensamento único e o investimento centrado nos mesmos grupos não são bons, nem para eles, além de ser um risco para a democracia.

A nossa forma de trabalhar é tudo sobre a mesa, às claras, franca, leal e de alto nível. E, se não bastasse, rigorosamente honesta. 

Aqui no SRZD ninguém "mama das tetas do Estado", "subtrai dinheiro público", "participa de fraude para auferir ganhos pecuniários" e muito menos caminhamos na estrada que dissemina a vingança, o ódio ou o rancor. Não achamos digno. Simples assim.

Aqui também não somos partidários ou "simpáticos" a "A" ou "B", não privilegiamos alguns em detrimento de outros. 

SRZD faz Jornalismo. Assim mesmo, com "J" maiúsculo. Nos orgulhamos muito dos nossos repórteres, colunistas, colaboradores e prestadores de serviço.

A quem ainda duvidar, reafirmamos que cada centavo dos nossos patrocinadores é investido no site para o pagamento de salários dos funcionários e funcionamento da nossa estrutura. Ela é complexa. Dos anúncios, tiramos o nosso sustento.

Praticamos jornalismo isento, plural, que respeita a forma do outro pensar, ouvindo todos os segmentos. Sempre fomos assim...

Tornamo-nos, não por acaso, uma das vozes respeitadas pelo público. Veja o exemplo da cobertura do Carnaval do Rio, São Paulo e todo o Brasil todos os dias do ano. O SRZD é reconhecido até pelos seus concorrentes pelo trabalho que realiza. E nós também sabemos respeitá-los. 

Quando um site como o nosso consegue atrair grandes patrocinadores, abre portas para outros do mesmo porte. Faz sentido não termos compromisso com partido político algum.

Jornalismo não existe para destruir reputações e, por isso, a indignação quando da existência de perseguições políticas ou ideológicas. Perversidade não faz parte do nosso manual de conduta.

Aqui não mentimos para envenenar a cabeça de desinformados que, de boa fé, leem algo e acreditam que aquilo seja real.

O nosso modus operandi é mais modesto. É realizar nosso ofício com dignidade. 

Por isso, leitor, contamos com você, que compartilha da nossa essência e da nossa ética na crença de que dias melhores virão. E nunca, jamais, em tempo algum, o mal vencerá o bem. E nem a mentira vencerá a verdade.


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04/06/2016 13h23

Muhammad Ali vira lenda
Sidney Rezende

Pessoas incríveis - acima da média - tornam-se referências em vida e lendas após a sua morte. Muhammad Ali é uma destas. E isto acontece por dois motivos únicos: são excelentes no que fazem e deixam sua marca corajosa na história.

Meu irmão Renato me despertou para o boxe ainda menino. Ele era fã - e o é até hoje - de Éder Jofre, nosso maior pugilista. E eu também.

Renato ressaltava a importância do pai e técnico de Éder, Kid Jofre, na brilhante carreira do atleta brasileiro. Ele repetia uma história que levei para a vida.

Numa determinada luta, Éder, exausto, prestes a pedir para o pai jogar a toalha e assumir a derrota, parecia não ter mais forças para retornar. Kid Jofre olhou nos olhos trôpegos do filho e, imperativo, vaticinou: "Você vai lá, acaba com ele e vença essa luta."

Éder se levantou do corner, buscou suas últimas forças e nocauteou o adversário.

Foi assim quase sempre, menos em dois confrontos contra o japonês Masahiko Fighting Harada. Esta foi a maior frustração de nosso brilhante pugilista.

Não faz muito tempo, Lyoto Machida, campeão do UFC na sua categoria, ainda invicto, foi nocauteado pela primeira vez e perdeu o título mundial. No hospital para onde foi levado, machucado e magoado com a derrota, teve força interior para nos oferecer uma lição de vida: "agora sou um lutador completo, pois conheço a derrota".

Voltando a Muhammad Ali. Ele venceu muitas lutas e também foi derrotado como Éder e Lyoto. Foi um dos mais brilhantes campeões da história do boxe. Fora do ringue povoou a cabeça de jovens como eu que sempre admiraram pessoas com coragem de enfrentar poderosos.

Muhammad Ali. Foto: Divulgação

Renato e eu ficávamos hipnotizados diante da TV para assistir às lutas de Muhammad Ali. Foi assim contra Joe Frazier, em 1971, quando nosso herói perdeu. Cada um levou para casa a bolsa de US$ 2,5 milhões.

Torcemos muito para Ali recuperar o cinturão que lhe foi arrancado, porque ele havia se recusado a lutar no Vietnã. Mas Frazier foi melhor.

Em duas lutas incríveis, que também assistimos, em 1974 e 1975, nosso ídolo botou as coisas no lugar e venceu convincentemente.

Outra luta incrível foi contra o George Foreman em 30 de outubro de 1974 pelo título dos pesados, em Kinshasa, Zaire. Muhammad Ali venceu por nocaute. Numa luta que Foreman era tido como favorito.

Foreman, sete anos mais novo, havia conquistado o cinturão na temporada anterior, derrubando Joe Frazier seis vezes em dois rounds. Ali, que "bailava" nos ringues para achar o adversário e não ser encontrado, contra Foreman fingiu estar apanhando, e mais tarde aproveitou-se da exaustão do oponente o nocauteou com soco certeiro.

Nada venceu Ali, nem as derrotas na sua área de trabalho, nem o enfrentamento de peito aberto aos racistas, muito menos as autoridades que jogaram os Estados Unidos numa guerra insana, muito menos a doença de Parkinson que o perseguiu por anos a fio.

Ali foi maior do que tudo isso e por isso começa hoje sua nova trilha: a de lenda.

Se tudo o que escrevi nas linhas acima não se confirmar, pelo menos ele fez feliz dois brasileirinhos que saíram de um mesmo ventre, do mesmo sangue. E que dormiram muito tarde para assistir à arte de um homem corajoso que no seu ofício - e turbinado por seu talento - tornou-se instrumento contra a opressão que até hoje parece bicho solto por aí.

E ainda nos ensinou que é possível vencer o que nos aparenta impossível.


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02/06/2016 11h47

O principal erro de Michel Temer e por que Dilma pode voltar
Sidney Rezende

Uma parcela da sociedade não quer o PT no poder, Lula e nem a volta de Dilma. O interessante é que, entre estes, há um contingente em crescimento que também não quer Michel Temer e o PMDB no Planalto. A paciência destes brasileiros está se esgotando. Mas onde está o problema central com o atual Governo?

Há uma exaustão com a corrupção "generalizada", má administração e desgaste dos chamados políticos "tradicionais" que mandam no país há mais de 30 anos. O anseio por mudança não morreu.

Volta a ser real a possibilidade de grandes manifestações públicas também no período dos Jogos Olímpicos. O povo certamente dará um recado nítido de insatisfação para que tenha ressonância internacional. A imprensa mundial estará em peso no Rio de Janeiro. E a antiga capital do Brasil será, mais uma vez, o palco central da irritação do cidadão.

Boa parte dos brasileiros não reconhece Michel Temer como presidente legítimo. De nada adiantará grandes meios de comunicação forjarem a falácia do "governo eficiente" X "governo perdulário". O risco da perda da credibilidade de quem fizer isso é real.

A lentidão do Supremo Tribunal Federal no julgamento de questões cruciais e as constantes citações em gravações de políticos dizendo que têm "trânsito" com ministros do STF contaminam a isenção indispensável deste poder da República. O comportamento do ministro Gilmar Mendes, sem reprimendas dos seus pares, pode agravar a forma pura como vemos a atuação dos juízes da mais alta corte. O cultivo do status de pop star de alguns ministros não convém com o perfil low profile que se espera de magistrados.

Outra pedreira. O deputado Eduardo Cunha dá as cartas às claras. É outro problema que parece insolúvel e está cutucando com vara curta o cidadão brasileiro. A persistir este escárnio de impunidade, anote aí, enfrentaremos desfechos imprevisíveis.

Mas voltemos ao tema deste artigo: o que há de errado com Temer?

O presidente interino prometeu ministério de notáveis e ofereceu à nação o que temos aí. O prometido é muito diferente do oferecido. Em política, o eleitor detesta quando não se entrega o que foi combinado.

O time de Temer parece refúgio de suspeitos da Lava-Jato. Só citados, sete. E, para complicar, o líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), é réu em três ações penais. E envolvido numa tentativa de homicídio, além de suspeito de desvios do petrolão. E, em 21 dias, dois ministros já deixaram o governo que prega no seu slogan "ordem e progresso". O que se diz não é o que se faz.

Os ministros não têm sido felizes em suas aparições públicas. E, para piorar, são obrigados a assistir aliados serem hostilizados nas ruas, aeroportos, praia e outros ambientes de convivência pública.

A comunicação do Governo precisa se ajustar. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, é visto enviesado pelo Ministério Público depois que defendeu mudanças nas regras para escolha do procurador-geral da República.

O mesmo acontece entre educadores depois que o ministro Mendonça Filho escolheu como interlocutor para sua pasta o ator pornô Alexandre Frota, que lhe foi oferecer sugestões para "melhorar" o ensino no país.

O atropelo em acabar e depois retornar com o Ministério da Cultura. A possível desmontagem do Iphan, a forma de trato dado à EBC, a escolha equivocada do presidente do IPEA e a desmontagem de áreas ditas como "aparelhadas" só somam contra o Governo e não a favor. A flecha se voltará, como bumerangue, contra o peito dos que os petistas chamam de "golpistas".

O enfrentamento às causas históricas defendidas por mulheres, índios, negros e trabalhadores é um outro problema. A forma arrogante como o ministro José Serra trata a política externa também não ajuda a apaziguar os ânimos. O desprestígio internacional do Governo é algo sério.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), já chegou ao posto dizendo que o tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS) deveria ser reduzido no futuro dado à falta de dinheiro. O destino incerto de programas indispensáveis como o Samu e a Farmácia Popular assustam usuários e servidores que prestam serviços a eles.

Os religiosos, especialmente católicos, estão aborrecidos com a defesa do ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) pela legalização de "todos os tipos de jogos de azar".

Por tudo isso e pelo que não foi listado, a volta da presidente Dilma Rousseff não é mais uma miragem. Ela foi afastada por 55 votos favoráveis e 24 contra. Foram três ausências e 1 abstenção. Para que o impeachment se consuma e se homologue a cassação, serão necessários 54 votos.

Embora a política pareça canalizar para novas eleições sem Dilma e sem Temer.

Mas a pergunta central deste texto não foi respondida. E será agora. O maior erro de Michel Temer é não ter feito um governo de conciliação nacional. Uma condução que unisse o que todos os brasileiros mais querem: seriedade, honestidade, probidade e compromisso com o país. Ao botar para dentro de casa uma chibarrada, ele está ficando sem espaço para andar. Temer e seus aliados flertam com a vingança e o ódio. Temer esquece que não pode dizer que tudo o que foi feito até hoje por Lula e Dilma está errado se ele próprio estava lá como vice-presidente. Por que não pediu para sair antes?

E quando for a hora de se anunciar novas fases da operação Lava-Jato, os caciques do PMDB sabem que não terão muito para onde ir. O Palácio ficará pequeno. E o Legislativo ouriçado. A hora do povo está chegando.


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02/06/2016 08h12

Minha participação na MPB FM no Dia da Imprensa
Sidney Rezende

 

 



01/06/2016 20h32

A mídia não é mais o quarto poder
Sidney Rezende

Fui entrevistado por Raquel Maia, da TV UVA, para falar sobre jornalismo. 

Assista na íntegra: 

 



01/06/2016 09h17

Dia da Imprensa
Sidney Rezende

Hoje, 1º de junho, é o Dia da Imprensa!
E para comemorar esta data, tem minha participação no programa "Você na MPB" (MPB FM 90,3). 
Vai ser meia-noite. 
Fique ligado, o programa foi bem legal! 
Com apresentações de Manoela Mayrink e Yke Leon. 

 



29/05/2016 17h28

Fotos do evento Mapa Estratégico do Comércio
Sidney Rezende

Recentemente, estive em mais no evento Mapa Estratégico do Comércio, realizado pela Fecomércio. Desta vez foi em Barra do Piraí.

Sidney Rezende em evento da Fecomercio. Foto: JPaim Foto

fotos: JPaim Foto



25/05/2016 11h47

Mídia repercute saída de Sidney Rezende da EBC

Coluna de Mônica Bergamo:

O jornalista Sidney Rezende, que foi dispensado da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) após as mudanças na direção da estatal feitas pelo presidente interino Michel Temer, diz que agora vai se dedicar a seu portal e a outros projetos. Ele, que deixou a GloboNews em novembro, fez na EBC só 13 edições de seu programa de rádio.

A SEGUIR 2
E Sidney diz querer "corrigir a injustiça" dos comentários de que ganharia R$ 1 milhão por ano. "É mentira." O valor publicado no "Diário Oficial" foi de R$ 507.400. "Até hoje não recebi um centavo pertinente ao contrato." O documento que suspendeu o acerto prevê o pagamento do valor proporcional, sem multa.

UOL:

A passagem do jornalista Sidney Rezende pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), gerida pelo governo federal, durou apenas um mês. O ex-âncora da GloboNews foi demitido na última sexta-feira (20), mesmo dia em que Laerte Rímoli foi nomeado diretor-presidente da instituição pelo presidente interino Michel Temer.

Procurado pelo UOL, Sidney Rezende revela ter ficado surpreso com a suspensão repentina de seu contrato. O profissional de 57 anos foi chamado para trabalhar na rádio Nacional, uma das mais antigas do país. Estreou no dia 4 o programa "Nacional Brasil", das 7h às 10h, e cuidou da programação matinal da estação. Após duas semanas, saiu do ar.

"Soube pela imprensa na sexta e começaram a me ligar. Entrei em contato e mandei telegrama, mas não responderam no fim de semana. Na segunda, a EBC me comunica a 'suspensão temporária de contrato', assinada pelo Laerte Rímoli. Preciso de uma definição para me empregar em outro lugar. Tiraram o programa do ar sem que eu soubesse", reclama.

A suspensão do contrato com Rezende foi o primeiro documento assinado por Rímoli na função de diretor-presidente da EBC, como mostra a carta, o que surpreendeu ainda mais o jornalista: "Fui pego de surpresa completamente. Não esperava porque o Laerte foi meu chefe na CBN. Imaginava que ele assumiria e se apresentasse, mas não houve nenhum contato".

Contratação controversa

Com 31 anos de profissão, Sidney Rezende implantou a CBN (Central Brasileira de Notícias), primeira rádio "all news" do Brasil, e integrou a equipe inaugural da GloboNews, primeiro canal de TV exclusivamente jornalístico.

Apesar da experiência, a ida de Rezende para EBC passou longe de ser uma unanimidade. Parte dos funcionários e membros do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal reprovaram a contratação por ser considerada "cara" e porque ele ingressou mediante convite, e não concurso público.

O jornalista esclarece quanto ganhou da empresa pública. Sua empresa, SR Ideias Assessoria de Comunicação, foi contratada por R$ 480 mil anuais, divididos em 12 parcelas mensais, mais R$ 27 mil de custos eventuais com viagens e hotelaria, totalizando R$ 507 mil, valor publicado no Diário Oficial da União. Após o cancelamento, deverá receber R$ 40 mil pelo único mês trabalhado.

"Todo mundo falou que ganhei R$ 1 milhão por mês. Achei injusta a cobertura da imprensa. Cadê a apuração? Se o governo não me quiser, tudo bem, é direito dele. Falei assim quando saí da Globo. Mas criar uma imagem inverídica me agride pessoalmente", critica.

Intolerância na internet

A falsa informação sobre o contrato com a EBC fez aumentar a intolerância e a quantidade de ofensas contra Rezende eu seu site e nas redes sociais, a maioria "denunciando" que ele conseguiu entrar na empresa pública porque defendia o PT e o governo de Dilma Rousseff.

As críticas ao suposto "petismo" de Rezende começaram em novembro de 2015, quando ele foi demitido pela GloboNews após 18 anos. Na época, a dispensa foi atribuída a um texto publicado em seu blog em que criticava a cobertura jornalística de um possível impeachment da presidente.

"Não fui trabalhar no governo, não sou filiado ao PT. Sempre defendo isenção, pluraridade, democracia, liberdade de expressão, valores que acreditava antes, durante e acreditarei depois da EBC", afirma o jornalista, que apresentou somente 13 programas na rádio Nacional. "Azar o meu, 13 é PT", brinca.

Após a experiência ruim na EBC, Rezende, que começou a carreira em uma rádio pública (Roquette-Pinto), descarta voltar a trabalhar em empresas geridas pelo governo: "Nunca mais. Minha experiência e força de trabalho foram dados, eles me convidaram e aceitei. Acho que não tenho mais nada para contribuir. Fui rejeitado por patrões e parte dos empregados. Paciência".

Jornal Folha do Estado:

O jornalista da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) foi dispensado do cargo quando o presidente interino Michel Temer assumiu o poder. Temer decidiu demitir o jornalista após promover mudanças na direção da estatal.

No entanto, Rezende desmentiu o boato de que ganharia R$ 1 milhão por ano. O jornalista quer "corrigir a injustiça" dos comentários. "É mentira. O valor publicado no "Diário Oficial" foi de R$ 507.400. Até hoje não recebi um centavo pertinente ao contrato. O documento que suspendeu o acerto prevê o pagamento do valor proporcional, sem multa".

A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, refere que o ex-global pretende agora se dedicar a um portal próprio e a outros projetos. Rezende deixou a GloboNews em novembro e fez na EBC apenas 13 edições de seu programa de rádio.

Rádio de Verdade:

O jornalista Sidney Rezende, que foi anunciado como apresentador da Rádio Nacional há poucos dias atrás. Em reportagem veiculada no último fim de semana, O Globo anunciou que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), decidiu romper o contrato com o comunicador, que apresentava desde o último dia 4 de maio o programa "Nacional Brasil". A última edição do noticiário foi transmitida na sexta-feira, dia 20 de maio. Foram apenas 16 dias de programa no ar. 

Em contato feito pelo jornalista Anderson Scardoelli, a EBC explicou que o presidente interino Michel Temer influenciou diretamente na decisão. "A suspensão do contrato com o apresentador Sidney Rezende se deve tão somente à contenção de gastos determinada pelo presidente da República Michel Temer a todo Governo Federal. A Diretoria da EBC vai rever os contratos a fim de atender a essa determinação".

A EBC mantém programas com linguagem absolutamente envelhecida, plástica das emissoras nas mais variadas praças do Brasil é sofrível, mantém uma TV Brasil que já consumiu MILHÕES de reais para elaborar uma programação que deixa muito a desejar.

É no mínimo estranho que a empresa desligue pouco tempo depois de contratar um jornalista renomado como Sidney Rezende.

Diga-se que os colegas do grupo "Trabalhadores do Radiojornalismo da Empresa Brasil de Comunicação das praças de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo" se posicionou contra a contratação de Sidney Rezende "em um período de recessão e enxugamento da máquina pública", pois o contrato do apresentador somaria mais de R$ 1 milhão em 12 meses.

Laerte Rímoli, então assessor na Câmara dos Deputados(aquela que era presidida por Eduardo Cunha), foi nomeado por Temer como o mais novo diretor-presidente da EBC. É de conhecimento público que Ricardo Mello, ao ser exonerado,  recorreu ao STF para se manter no cargo na EBC.

Demissão de Rezende consumada,  enxergo um desrespeito ao público, sem contar que o interesse público não é levado em conta. Finalmente havia um programa de qualidade nas manhãs da Nacional com uma linguagem moderna e a EBC surpreende negativamente, demonstrando que aquele é mais um campo de pura politicagem.

O que temos hoje nas emissoras públicas são  espasmos de qualidade, uma audiência absolutamente envelhecida. Jogam dinheiro público pelo ralo como se desse em árvore.

Na própria EBC há quem defenda que emissoras como a MEC FM não mais sejam voltadas para a música clássica, como se cultura representasse gasto e não investimento.

ACERP, EBC E O JOGUETE DA POLÍTICA

Em 2007, Lula criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ao fundir a Radiobrás e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que cuidava da Rádio MEC, Nacional e da antiga TVE.

Os colegas das emissoras públicas sabem que nunca se  tratou de meras mudanças de denominação e organograma. Do ponto de vista de Fernando Henrique Cardoso, inclusive dito em entrevistas dadas pelo ex-presidente, as emissoras seriam instrumento de propaganda institucional do governo, não de educação.

Sou daqueles jornalistas que enxergam a situação com muita preocupação. Já perdermos nas emissoras públicas bons profissionais e Sidney Rezende é apenas mais um dessa lista. Lembram de Lauro Gomes, apresentador do programa "Sala de concerto" na MEC FM? Talvez você não lembre nem saiba da existência desse senhor! Emissoras públicas não são tratadas com seriedade pelo poder público há anos. Não ocupam a lista de prioridades de políticos como Michel Temer ou qualquer outro. Seus asseclas costumam não saber sequer a frequência onde essas emissoras podem ser sintonizadas.

Pergunto a você que me lê: as rádios terão condições ? ou vontade política ? de conservar a linha e o alto padrão que se quer? Penso e noto que não.

Esta é uma história  horripilante em andamento, sustentada com o seu e o meu dinheiro. Onde as teias que mexem com os destinos alheios e com o próprio interesse público são orquestradas por sujeitos que parecem pouco preocupados em dar qualidade ao produto dessas emissoras.

Convém lembrar que com a absorção da Acerp pela EBC, os antigos funcionários se viram diante da proposta de ou se demitirem voluntariamente e se tornarem pessoas jurídicas (perdendo direitos trabalhistas) para talvez serem recontratados por projeto (talvez) ou simplesmente serem dispensados. Como resultado, estão sendo demitidos funcionários às dezenas, substituídos por concursados sem o devido preparo.

Chegamos naquela velha realidade: rádio feito por quem é preparado para o rádio. Alguém aí acha que um concursado da EBC ou de qualquer outra empresa que o governo venha a criar é realmente preparado para produzir bom conteúdo apenas por ter sido aprovado num concurso?

Apenas a vontade da sociedade pode fazer esse panorama mudar.

Qual foi a última vez que você ouviu a Rádio Nacional? Tem assistido a TV Brasil?

Emissora pública serve ao interesse público, ao jornalismo de qualidade ou a qualquer legenda partidária que ganhe o governo no voto ou tome por qualquer outro processo?

A sociedade não merece ter mais participação na formação da programação dessas emissoras? Até quando o jogo político vai dar as cartas?

Tempos sombrios envolvem o futuro da EBC.


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23/05/2016 00h00

SRZD 10 anos: testemunha de um país confuso
Sidney Rezende

Estamos de pé e de cabeça erguida. 

Pode parecer estranho começar um texto comemorativo com uma frase sem graça como essa. Reconhecemos que o título também é mais melancólico do que efusivo. Mas, sem dúvida, ambos são melhores do que dizer que "10 anos não são dez dias", embora isso em qualquer lugar do mundo devesse merecer respeito da sociedade. 

Num país marcado pela burocracia, corporativismo, corrupção, ignorância, atraso intelectual e governança, que prefere solucionar problemas olhando para o retrovisor, é motivo de orgulho para qualquer equipe manter-se ativo por mais de 3.650 dias. Quem sabe tudo não ficará mais claro depois da nossa explicação?

Atualizar notícias 24 horas por dia e abrir as portas do seu negócio toda a manhã sem hora para fechar é uma honra que merece atestado de sanidade mental. O "contra" no Brasil é sempre mais astuto do que o "a favor". Recebemos aplausos que aquecem nossos corações, e nos afligimos com inconformismos irremediáveis. Cadê o capital de giro para gerar riqueza para os trabalhadores do nosso site? E agora, para piorar, entrou no cardápio brasileiro um mal inaceitável: o ódio contra tudo e contra todos.

Mas, se estamos de pé, não fechamos as portas, e nos sentimos altivos, onde está o problema?

O que seria muito em qualquer outro lugar, no Brasil é júbilo de nada. E por que somos sócios da desgraça e nos sentimos tão inconformados com o sucesso alheio?

Apanhamos dos derrotistas de sempre. Desculpe-nos desapontá-los mais uma vez: o SRZD é um sucesso. O SRZD emprega brasileiros. O SRZD é o site independente que sobrevive do esforço de todos os seus repórteres e integrantes. E não só os de hoje, mas os de sempre.

Na nossa história, existem relatos de amigos que contribuíram gratuitamente incontáveis vezes. Trabalho voluntário, dedicação pelo carinho aos gestores, amor à equipe e paixão por estar fazendo jornalismo com "J" maiúsculo. 

Nossa inspiração nasce dos empreendedores brasileiros. Assim como eles, sabemos que lá na frente teremos obstáculos intransponíveis. Mas continuaremos tentando avançar. Nós somente venceremos se você, leitor, estiver conosco, caso contrário faliremos como os nossos heróis do passado. Trabalhamos para o leitor e somente para ele. A nossa deusa é a notícia e somente a ela devemos obediência.

Vamos dar um exemplo de inspiração.

No século XIX, Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, deixou um legado admirável para futuras gerações. Não esqueçamos que o Império atrapalhou um bocado. A monarquia encampou realizações luminosas de Mauá. Copiar por aqui sempre foi mais estimulado do que criar. No nosso país, os empreendedores são tratados aos pontapés, afinal, esconder-se na proteção de cartórios públicos e privados sempre foi mais confortável do que o risco de criar coisas novas. O SRZD criou segmentos jornalísticos inovadores. Fiquemos na cobertura diária do Carnaval, maior festa, onde negros, historicamente oprimidos, são capa todos os dias.

A criação do Banco do Brasil, a história pioneira da Rede Ferroviária, o impulso à navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas, a contribuição para a fundação da indústria nacional, a primeira estrada ladrilhada do país e o assentamento do cabo submarino são legados de Barão de Mauá. Que criança é capaz de citar a importância de Mauá? 

Para quê tudo isso? Para dizer que os 10 anos do SRZD são fruto do empreendedorismo em micro escala. Mas também pedacinho de noites maldormidas, lágrimas incontáveis, suor contundente de cada um que forjou-nos para olhar para frente e dizer: "Brasil, estamos aqui em pé e de cabeça erguida". 


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