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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



23/08/2016 18h08

Usain Bolt é um dos atletas mais ricos do mundo

O escândalo sexual envolvendo Usain Bolt ganha ainda mais projeção depois de se saber que o jamaicano tem uma fortuna superior a US$ 71,4 milhões - ante US$ 44 milhões de Phelps.

Entre patrocínios e prêmios, incluindo um acordo de US$ 10 milhões por ano até 2025 com a Puma, Bolt ganha dinheiro que já chama a atenção do mundo esportivo mundial. 

Jady 'Bolt', sua musa brasileira, está de olho nesta conta bancária.



22/08/2016 20h23

Geneton Moraes Neto, seu nome é Jornalismo
Sidney Rezende

Sidney Rezende e Geneton Moraes Neto. Foto: SRZD

Morreu um dos caras que sempre tratou o Jornalismo com respeito. Repare que escrevi com "J" maiúsculo. E não é por acaso. Geneton não perfilava nesta vala comum de canalhas e traidores.

A primeira vez que nos encontramos foi em 1986. Eu acabara de escrever o livro "Ideário de Glauber Rocha", com a ajuda inestimável do meu amigo de faculdade Carlos Nobre.

Pernambucano, fiel às suas raízes nordestinas, Geneton viu ali uma oportunidade de valorizar o baiano e a cultura brasileira. Então, me convidou para uma entrevista para o "Jornal da Globo", onde era um dos editores.

Ele fez um cenário em croma bonito com a foto da capa do livro. Infelizmente, entre a realização da entrevista e a veiculação, surgiu uma greve da categoria e o trabalho nunca pôde ser visto. O material se perdeu no meio do caminho.

Nossos caminhos tomaram outros rumos, mas, anos mais tarde, nos reencontramos nos corredores da "TV Globo", até sermos colegas na "Globonews".

E sempre nos cumprimentávamos e conversávamos longamente sobre o Brasil. Tanto ele como eu lutávamos pelas mesmas coisas: liberdade, democracia, combate à pobreza, valorização da profissão. E sempre ríamos muito. Nossos "santos" sempre se deram bem.

Quando soube há um pouco mais de um mês que Geneton Moraes Neto estava internado e precisava de sangue, eu escrevi aqui e nas redes sociais que podíamos ajudá-lo. 

Sinceramente, eu acreditava na recuperação. Quando li aqui no SRZD que Geneton morreu hoje, aos 60 anos, o meu coração ficou muito triste.

Geneton, nordestino, honesto, dedicado aos livros, uma vida entregue ao saber, bom colega, só deixou coisas boas na sua caminhada. Uma folha de serviços extraordiária. Um amigo. 

Triste, mas orgulhoso por existir um profissional, como escrevi nas primeiras linhas, que não tem nada a ver com esta vala comum de canalhas e traidores.

Descanse em paz. É um clichê que Geneton não escreveria. Mas é um sentimento único que traduz o que sentimos.



22/08/2016 19h37

A cidade de Extrema, seus queijos e doces
Sidney Rezende

O cineasta Marcelo Spomberg me fez o gentil convite para prestigiar o 3º Festival Literário de Extrema, pacata cidade de Minas Gerais, bem pertinho de Bragança Paulista. Extrema é a terra do queijo, como disse o colega Roberto Cabrini. Mas também das cachoeiras. 

Foto: SRZDEstas viagens maravilhosas que faço pelo Brasil aquecem o meu coração pela oportunidade de conhecer lugares incríveis e pessoas abnegadas que realizam - num esforço muito grande - relevante papel cultural.

Há cidades onde não existe um cinema sequer, livraria ou programação para a população se divertir.

E a forma como me tratam é sempre um ponto alto. O motorista André Cardoso, sempre gentil, nos apresentou sua família. A mulher e três crianças. Educadíssimos, todos na escola, e pensando o futuro próximo com seriedade. Muito bacana.

O assessor do evento Márwio Câmara me contou que os dois últimos eventos foram realizados com muito esforço, mas que a ideia é manter sempre viva a chama da cultura. E, a cada ano, sensibilizar a população a ser ainda mais participante.

Destaque para as mediações das mesas conduzidas por Cadão Volpato.

Fiquei feliz de ter contribuído com minha participação. Aproveito para agradecer os maravilhosos queijos, a cachaça da terra e os doces deliciosos. Estou me deleitando. Muito obrigado. 



18/08/2016 16h23

Pedido de desculpas de nadadores americanos mentirosos é punição branda
Sidney Rezende

Está cada vez mais evidente que Ryan Lochte, Jack Conger, James Feigen e Gunnar Bentz mentiram. E mentiram feio ao contarem à polícia que foram assaltados na madrugada do último domingo (14) quando voltavam para a Vila Olímpica. Segundo os atletas, os supostos bandidos teriam roubado cerca de US$ 700. Lorota para esconder que foram para farra, beberam além da conta e curtiram uma noitada proibida para menores.

A versão rocambolesca dos americanos começou a cair por terra quando a polícia fez a investigação reversa. E, piorou muito, no momento em que o jornal inglês "Daily Mail" deu conhecimento ao público de um vídeo que mostra os atletas chegando felizes da vida à Vila Olímpica depois do falso "assalto". Ou seja, não apareciam nada aterrorizados diante do que disseram que teria ocorrido.

Mais tarde, funcionários de um posto de gasolina contaram que os atletas estavam alcoolizados, causaram confusão e chegaram a depredar parte do banheiro do estabelecimento. Com a identificação do taxista que os levaram para "casa", novos fatos vão complicar mais ainda os meninos do Tio Sam. É melhor eles contarem a verdade logo.

Em resumo, nas várias versões dos pinóquios, nada bate com nada. Ryan Lochte acaba de dizer a uma rede americana uma historinha totalmente diferente daquela propagada por ele próprio. A nova parece tão fantasiosa quanto a primeira.

A Justiça brasileira com elementos abundantes determinou, com total razão, o confisco dos passaportes. Um dos mentirosos já estava protegido nos Estados Unidos. Mas os demais ainda estão em terras brasileiras. Espera-se que a embaixada e consulado americanos não maculem suas credibilidades deixando de ajudar as autoridades brasileiras.

Sabemos que a tradição nestes casos é entrar a operação abafa e tudo termina em pizza. O próprio porta-voz dos Jogos Rio2016 já andou propondo "pedido de desculpas". Se for isso, é pouco.

Façamos como os Estados Unidos agem com brasileiros flagrados em ilegalidades, após investigação policial. Que a Justiça seja rápida e que os mentirosos paguem em dólares o prejuízo que causaram à imagem do Rio e do Brasil.

Desta vez, os bandidos tupiniquins não tinham nada a ver com a patuscada estrangeira.


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16/08/2016 09h12

Francês compara vaias a comportamento nazista
Sidney Rezende

O campeão olímpico em Londres e recordista mundial de salto com vara, Renaud Lavillenie, foi mais um atleta a reclamar do comportamento da torcida que grita, apupa, assovia e esbraveja contra adversários quando há brasileiros na disputa. Ele chegou a associar este estilo ao comum utilizado por "nazistas". Mais tarde, Lavillenie pediu desculpas.

Renaud Lavillenie. Foto: Reprodução/InstagramRenaud Lavillenie ficou profundamente decepcionado com sua derrota e não aceitou a vitória do nosso menino de Marília. Ele não teve o fair play de cumprimentar o brasileiro imediatamente à conquista incontestável.

Vejamos o outro lado. A cultura do futebol de torcer pela derrota alheia e com isso ganhar vantagem para o seu time não cabe para as demais modalidades disputadas nos Jogos Olímpicos. O que se ganhou desconcentrando um ginasta, por exemplo?

Um jornalista de rádio disse com todas as letras que "secou" um atleta japonês porque ele era um adversário a ser batido e com isso ajudaria um brasileiro a obter a medalha. Os demais integrantes da "mesa redonda" o elogiaram pelo comportamento e disseram que fariam o mesmo se estivessem lá no momento da competição.

Esta falta de cultura esportiva dos brasileiros pode mudar no momento em que nossas equipes melhorarem suas performances com marcas internacionais e a organização desportiva melhorar no país. O que vemos hoje é um certo amadorismo coletivo. Com exceções, é claro!

É evidente que vaias com o mero intuito de confundir os participantes atrapalham e são parte de gestos subdesenvolvidos. Mas nem por isso se pode tirar o brilho extraordinário de Thiago Braz que, além de vencer com folga, estabeleceu novo recorde olímpico: 6,03 metros. 

Ao francês, o mérito de ser um grande atleta. Mas algo mais aconteceu na noite mágica do Rio. E, provavelmente, na disputa com Thiago Braz, o francês perderia mesmo que o silêncio fosse sepulcral. A medalha de ouro já tinha dono antes de começar a disputa, diria Nelson Rodrigues. São coisas do Sobrenatural de Almeida.

Aos brasileiros, fica a lição de que boa educação e civilidade são condutas que todos temos que ter sempre, e, em dobro, quando anfitriões. Vaiar os outros para tirar vantagem é feio e aético.


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13/08/2016 11h31

As meninas da seleção feminina e a esculhambação do futebol brasileiro
Sidney Rezende

Por que o torcedor está apaixonado pela seleção feminina de futebol?

O divórcio do brasileiro com a seleção masculina não é recente. Por isso, ele vê enviezado o que os jogadores metrosexuais apresentam no campo. Repare que enquanto as meninas usam roupas confortáveis para jogar, os rapazes, ao contrário, usam uniforme cada vez mais colados no corpo para, quem sabe, exibir seus "músculos"? São exibicionistas e arrogantes. 

O conselho para os garotos: caso vocês ainda não saibam, a torcida quer gols. Depois deles, vocês podem ressuscitar, caso prefiram, o uso de anáguas. A verdade crua é que os jogadores não estão cumprindo seu ofício. 

As meninas, ao contrário, estão sobrando em garra, determinação, foco, vontade, disposição, amor à camisa e mais um caminhão de boas intenções. Se perderem antes da final sairão aplaudidas em campo, podem escrever. Os rapazes, se ganharem, correm o risco de merecer aplausos comedidos.  

Essa batida escolhida pelos jogadores com fones importados, bolsa Louis Vuitton, sobrancelha aparada, cabelos com creme importado, cortes "da hora", malhas de griffe... anda confundindo a cabeça dos nossos atletas. Eles "se acham". 

Neymar anda empurrando adversários, xingando juízes, perdendo a cabeça. Do mesmo jeitinho meninos de 21, 22 anos, recém-chegados à seleção olímpica, já olham seus colegas de cima para baixo com uma arrogância inexplicável. 

Pelo visto, sapato alto não é um hábito dos mais velhos, mas já começa ser aprendizado obrigatório dos novatos desde o início da sua vida profissional.

Tudo isso passa...Tudo isso pode ser relevado...O que não pode é a convicção de que jogam uma bola redonda. Não jogam. Não estão jogando nada...Pernas de pau se comparados com seleções de outros tempos.

A paciência esgotou. O humilhante 7 a 1 contra a Alemanha na Copa poderia até estar no contexto natural de uma competição e de um jogo, cá pra nós, completamente atípico. Mas, não. Foi só o alerta máximo de que temos que mudar. E não mudamos. Viemos com o lixo no comando de sempre. A cartolagem não larga o osso. Temos que tirá-los de lá. 

Ocorre que o problema é mais profundo. A insatisfação do torcedor é extensiva ao que chamamos de extra-campo. E não são problemas solúveis facilmente.

As armações dos dirigentes, segundo analistas esportivos, são maracutaias que envolvem milhões de reais, as roubalheiras superfaturadas das obras da Copa do Mundo, a desordem dos campeonatos, o comando intocável da CBF mesmo com o seu líder maior preso, a permanência da direção que deveria dar explicações mas que não é cobrada porque qualquer questionamento poderá trazer problemas para a condução dos contratos sombrios e pouco transparentes, inclusive os de transmissão pela televisão.  

Enfim, amamos as meninas porque elas não têm campeonato decente no Brasil, e, mesmo assim, jogam como se não existissem problemas e dão o recado com talento, disposição, vontade...e gols. Parabéns! Tanto para as atletas como para a comissão técnica. O técnico Vadão trabalhou muito, e trabalhou bem. 

Amamos nossa seleção porque a principal craque, Marta, é humilde, companheira, profissional e se empenha pela equipe. E não de olho na sua conta bancária. Enquanto Neymar coleciona arrogância e impaciência, Marta esbanja qualidade e seriedade. Neymar nunca ganhou um título mundial por sua seleção. Olhemos Pelé e vamos encerrar a conversa sobre esse item. 

Avante, seleção feminina, qualquer que seja o resultado. Ganhar medalhas neste momento será um mero detalhe. A missão já foi cumprida.

E quanto à seleção masculina, sempre dá tempo de corrigir. Mas tá difícil. Afinal,  tudo indica que este estilo marrento já está impregnado no DNA destes caras. Aí, é aquela coisa, elefante é elefante, cachorro é cachorro, bode é bode...fazer o quê?

 



06/08/2016 00h05

Cerimônia de abertura: Festa impactante e contemporânea
Sidney Rezende

A "gambiarra" brasileira esbanjou criatividade, luzes, cores e artes plásticas. Foi uma abertura olímpica emocionante.

Os espectadores deram show a parte acendendo seus celulares e prestigiando o espetáculo.

Os negros brasileiros foram dignificados na apresentação. O equilíbrio de tempo dado a cada música também foi um ponto positivo. A festa não foi chata, ao contrário.

O diretor de cinema Fernando Meirelles fez a diferença com o seu talento para a escolha das imagens televisivas, e, certamente, sua influência na edição.

A opção pelas cenas de ondas do mar emolduradas com a linda voz de Luiz Melodia foi incrível. E o hino na voz de Paulinho da Viola, inesquecível.

Nota para o trabalho sempre competente de Debora Colker.

A beleza estonteante de Gisele Bundchen foi perfeita no que faz de melhor: desfilar. Foi a mais longa passarela da sua brilhante carreira.

Jorge Benjor incendiou com sua eterna canção "País Tropical".

As mensagens em favor do meio ambiente, clamando por paz no mundo e demonstrando que o caminho a seguir é a sustentabilidade também foram pertinentes.

Enfim, festa bonita, alegre e simples, se comparada a de outras edições, mas funcionou. Quando as escolas de samba entraram foi a consagração.

Ah, fica o registro para as minissaias das chinesas. As mais tropicais da festa.

Como último comentário: a vaia que o presidente interino Michel Temer recebeu também foi olímpica.



03/08/2016 16h30

O que você aceita que seu filho faça?
Sidney Rezende

Jovens mulheres sentadas nos jardins da Lagoa Rodrigo de Freitas trocam impressões sobre o comportamento dos filhos na faixa de 13 a 15 anos. Por coincidência, no momento, elas estão separadas. Ou recém saídas do casamento.

Como já é comum, os seus rebentos não dizem exatamente a quantas andam suas vidas afetivas, apenas que estão abertos para se relacionar com "pessoas". O que gera o pensamento livre de serem "meninos" ou "meninas". As mães se entreolham e se consultam o que devem fazer? Afinal, elas se prepararam para surpresas desta ordem?

Não é algo fácil de lidar, realmente.

Para começar, as gerações estão fatiadas demais. São baby-boomers, X, Y, Z e, agora, acrescente-se novas repartições individuais.

Um adolescente de 15 anos voltou a se encontrar com a ex-namorada e a mãe, surpresa, quis saber:

- E aí, vocês estão namorando novamente?

E, ele, na maior sinceridade:

- Mãe, nem sei o que estamos agora...

Realmente eles não sabem. Será que precisam saber? Eles acham que não. Isso é pra "cabeção", dizem.

Pensamento demais, pra quê, né? Quem pensa muito hoje é outsider.

Quando era jovem, eu queria "derrubar o sistema". Hoje, os meninos com a idade que eu tinha rezam para o "sistema não cair". Afinal, ficar sem internet, ninguém merece!

Os nascidos nas décadas de 1950 e 1960 queriam requebrar como Elvis, incendiar o ambiente como Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, e deixar a guerra pra trás. Rock in roll, bebê. Mas os pais da época odiavam isso. Afinal, eles namoraram no drive in e sexo, só depois do casamento.

Dez anos depois, surgia a primeira geração "tudo é marketing, só Deus é poder". Altamente influenciados pela cultura de massa, é a geração em que as mães passaram a usar as roupas das filhas e vice-versa. Pílula, drogas, paz e amor. Avançamos muito.

Os nascidos nas décadas de 1980 e 1990 foram os primeiros a baixar o aplicativo "mãeeeeee", aquele em que basta ficar no quarto e gritar que a mãe traz sanduíche no quarto, liga a tv, oferece computador, cama e roupa lavada. Já que os serviços são "da hora", por que não transformar o quarto numa franquia de motel?

Eis que o ambiente está perfeitinho para a Geração Z chegar e logo querer ir para a janela. Afinal, eles são marrentos...

De acordo com o consultor Sidnei Oliveira, esta turma de 1980 para cá nasceu "em um cenário de crescentes facilidades pessoais, proporcionadas principalmente pelos avanços tecnológicos, desenvolveu grande intimidade com as novas ferramentas de comunicação. A dinâmica e competitividade exige maior flexibilidade e grande capacidade de inovação, por isso são visíveis os traços de constante questionamento e contestação. Os conectados e relacionais, nascidos em um mundo extremamente conectado e acessível, desenvolvem muitas habilidades com recursos tecnológicos e estabelecem uma nova forma de relacionamentos mais colaborativos".

Neste universo é que vemos hoje meninas de mãos dadas com outras do mesmo sexo. O crescimento dos grupamentos gays e "desajustados" dos padrões convencionais.

O que está acontecendo, portanto, é apenas a recolocação do "novo" no lugar do velho.

Compartilho da opinião de Oliveira de que os preconceitos de hoje não são muito diferentes dos normalmente observados entre as gerações. "Ocorre que os mais velhos estão incomodados diante das novas expectativas e comportamentos dos mais jovens, mas isso é muito comum e sempre aconteceu', diz ele.

Talvez as palavras "incredulidade" e "perplexidade" definam bem o sentimento dos mais veteranos. Normalmente o veterano oscila entre ficar incrédulo nas capacidades do jovem em utilizar tanta tecnologia, e ficar assustado quando observa que ele domina com muito mais destreza um equipamento moderno.

Isso ocorre porque o modelo mental que eles construíram durante toda vida foi analógico e linear, muito bem estruturado, com passos bem definidos e claros, baseados em dados concretos e mensuráveis.

Alguns estudos apontam que a Geração Y já representa mais de 35% da força de trabalho e que nos próximos 4 anos este volume estará acima de 50%. Dependendo do ramo de atividade, uma empresa pode ter números acima de 80%, como acontece em call centers e comércio de varejo.

Talvez as perplexas mães da Lagoa precisem relaxar um pouco e se informarem sobre um conceito chamado "mentoria reversa", que busca viabilizar a construção de um relacionamento mais produtivo entre o jovem e o veterano. Sem, obrigatoriamente, impor ao outro o estilo de vida e a sua forma de fazer as coisas. A vida, cada um vive a sua. Tolerância com o outro nunca é demais.



02/08/2016 14h24

O Brasil de Mc Biel não é o nosso
Sidney Rezende

A radicalização política no Brasil escancarou os sentimentos mais sórdidos que estavam aprisionados desde o processo de redemocratização. Hoje se diz em público o que o pudor continha escondido no cantinho do cérebro.

Um homem chama de "puta" a atriz Letícia Sabatella, porque ela estava no mesmo trajeto dele. Ela saía do seu edifício rumo ao restaurante onde iria almoçar. E nas redondezas havia uma manifestação a favor do impeachment.

Comentários nos sites de direita atacam pessoas públicas sem o mínimo filtro e ainda são incentivados pelos "jornalistas" titulares das colunas. 

Revistas, TV e jornais manipulam os fatos, formam opinião distorcida e ainda incentivam o ódio entre contrários. 

Músicas populares delimitam que "a boa" é pegar a mulher comprometida, "quebrar ela todinha" e usar a "eguinha" até não querer mais. 

O cantor Mc Biel, aquele que faltou com respeito com uma jornalista numa entrevista coletiva, ultrapassou todos os limites.  

Na ocasião, o cantor se dirigiu à jovenzinha. "Se te pego, te quebro no meio" e a xingou de "cuzona". 

Há muito, ele escreve no seu Twitter o que pensa de negros, mulheres e a cultura do estupro. Ele pensa?

Coitado dos aposentados. Sobrou até para eles.

Leia abaixo e tire suas conclusões.

Em tempo, este Brasil de Mc Biel, de portadores da bandeira do ódio e parlamentares travestidos de falsos religiosos pode não ser o seu ou o meu, mas é o de muita gente. Essa turma está se multiplicando. Pare, reflita e veja se é esse tipo de pensamento que queremos para o nosso país. É isso que você defende?

Twitter. Foto: Reprodução


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01/08/2016 19h19

Câncer, não. Obrigado.
Sidney Rezende

Não. Não foi a "dentuça". Foi o presidente interino Michel Temer. E como foi ele, e não ela, o assunto já é de anteontem e não merece tanta repercussão. Mas, na minha idade, a memória fixa melhor quando o assunto é "antigo". Se tivesse ocorrido hoje, talvez, assim como a grande imprensa, eu também não lembraria direito como aconteceu...

Como sabem, o governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, apareceu careca na inauguração da Linha 4 do Metrô carioca por conta dos efeitos colaterais da sistemática quimioterapia a que é submetido às segundas-feiras, no tratamento de um linfoma não-Hodgkin, um tipo comum de câncer.

Ao encontrá-lo e buscando demonstrar o quanto é afetuoso, Temer se superou: "Quero registrar a alegria de reencontrar o Pezão. Até dizia a ele que existem coisas que parecem maléficas que vêm para o bem. Vou tomar a liberdade de fazer um comentário pessoal: Pezão, você está até mais bonito. Acabou sendo uma coisa útil para o Pezão".

Diríamos, no mínimo, que são daquelas "vantagens" que, a exceção de Michel Temer, todos os demais "declinam". Os mais educados talvez sejam ainda polidos: "não, muito obrigado, câncer, não! Agradeço. Passo". 

De acordo com o Inca, o câncer é a segunda maior causa de morte por doença no país (atrás apenas das cardiovasculares).

A estimativa de novos casos de câncer para o Brasil, em 2016 (válida também para 2017), aponta a ocorrência de 596.070 casos novos de câncer. 

Excetuando-se o câncer de pele não melanoma (aproximadamente 180 mil casos novos), ocorrerão cerca de 420 mil casos novos de câncer (214.350 em homens e 205.960 em mulheres). 

O perfil epidemiológico observado assemelha-se ao da América Latina e do Caribe, onde os cânceres de próstata (61.200), em homens, e mama (57.960), em mulheres, serão os mais frequentes. 

O número de óbitos por câncer nos últimos 10 anos, de 2005 a 2014 (ano mais recente disponível), de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade, aumentou de 142.659 para 194.998 casos. 

A possibilidade de cura ou sobrevida do paciente depende de uma série de fatores, tais como o tipo e extensão do tumor, se há ou não metástase e o estado geral do paciente, assim como as doenças preexistentes. 

Cerca de 50% dos casos, nos países desenvolvidos, são curados. No Brasil, estima-se que este número seja menor, pelo fato de os diagnósticos serem feitos mais tardiamente. 

Em tempo, a Fundação do Câncer tem como um dos seus grandes desafios pensar um projeto para melhorar a assistência aos pacientes com câncer no Rio de Janeiro, que inclua desde o diagnóstico precoce até a cura ou os cuidados paliativos. Já sobre a brilhante folha de serviços do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva - Inca, de tão longa, não dá nem para listar aqui.

Talvez antes de ir até a novíssima plataforma do Metrô, o vice-presidente que caiu de paraquedas na cadeira de titular no Palácio do Planalto devesse ir mais vezes visitar aqueles que, no leito, lutam bravamente contra esta doença demoníaca. De preferência, em silêncio. Até em respeito aos parentes dos pacientes e aos seus compatriotas. 



25/07/2016 17h51

Antes canguru do que 'mico'
Sidney Rezende

Quem costuma assistir às minhas palestras já enjoou com a repetição do conceito de qualidade que ouvi de Carlos Salles, ex-presidente da Xerox Brasil: "fazer certo, rápido e da primeira vez". Bingo.

Nós, brasileiros, movidos pela crença de que no finalzinho as coisas se ajeitam, não estamos nem aí para qualidade e muito menos para inovação. Em tempo: "inovar não é exatamente ter ideias novas, mas abandonar as velhas".

Por aqui, a Polícia senta o porrete em estudante e professor. A Guarda Nacional é barrada por milicianos e chama a PM local para dar-lhe proteção. E o ministro da Justiça bate no peito orgulhoso que mandou prender um criador de galinhas e um empacotador de supermercado como possíveis terroristas.

Eu ligo para o laboratório para marcar consulta e, a pedido da atendente, começo a listar cada exame que pretendia fazer. Em dada altura, sem entender direito a letra da médica, soletro e digo o que me parece. A moça diz seca: "desconheço. Próximo!". Eu peço ajuda e ela altera a voz e me destrata. Sem que eu dissesse absolutamente nada mais.

Viajo por uma companhia aérea que não despacha minha mala. Chego ao destino com a roupa do corpo e tenho que me virar. O funcionário da empresa se julgou no direito de dizer: "o senhor não é o único. Não se aborreça, isso acontece constantemente". Hein?

A equipe da Austrália chega para se acomodar na Vila Olímpica do Rio, e encontra privadas entupidas, o assoalho similar a de um chiqueiro, a fiação exposta com direito a choques disponíveis aos interessados a qualquer hora do dia ou da noite. E o prefeito da cidade solta a pérola: "estou quase botando um canguru para pular na frente deles".

A chefe da delegação estrangeira foi quase britânica: "não precisamos de Canguru, precisamos de um encanador". Eu acrescentaria: de um pedreiro, um eletricista, um contador, um conselheiro do Tribunal de Contas, um juiz do Supremo e, em caso de superfaturamento, um presídio para enjaular os responsáveis por eventuais desvios de uma obra que custou R$ 2,9 bi hoje reduzida a um mico mundial.

Para um país combalido em sua educação, saúde e segurança, não é surpresa saber que respeito e qualidade não são mesmo nossa praia. Se ainda tivéssemos cangurus por aqui, a vida teria um pouco mais de charme. Por enquanto, nada disso tem graça nenhuma.


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18/07/2016 13h07

Eliakim Araújo, um brasileiro
Sidney Rezende

A morte prematura de Eliakim de Araújo é uma tristeza. Um homem que dedicou sua vida ao nosso ofício sem nunca deixar de olhar com afeto para o Brasil e os brasileiros. A fraternidade entre nós era reforçada por temos um amigo em comum, Dinoel Santana, que deve estar muito triste hoje. Como eu. E os fãs de Eliakim.

Eliakim Araújo. Foto: ReproduçãoCerta vez, escrevi aqui no blog sobre minha admiração por Sérgio Chapelin, outro colega nosso, e citei a brilhante equipe de profissionais que dignificaram a extinta Rádio Jornal do Brasil AM.

Fiz apenas uma singela lembrança aos colegas que me antecederam e que eu jamais consegui alcançá-los em competência. Muito menos em biografia a serviço do país.

Eliakim, elegante, me mandou uma mensagem em que incluía sugestões de correção. Todas elas perfeitas, precisas, concisas e justas. Eliakim era um profissional assim: correto e em busca da correção. E corajoso também. De qualidade.

Veja o que ele me enviou particularmente:

Sidney, obrigado pela referência ao meu nome da excelente matéria sobre o Chapelin. Realmente foi um privilégio pertencer àquela equipe. Peço apenas que corrija para Orlando de Souza, o profissional (já morto) que vc cita como Oswaldo de Souza. Outra coisa: Majestade era o apelido carinhoso dado ao Jorge da Silva, pela maneira polida como tratava a todos. O Jorge morreu quando já estava na TV Globo e apresentava o telejornal do fim de noite. Aliás,morreu a caminho da emissora, depois de passar mal no Túnel Rebouças.
Abs e sucesso cada vez maior,
Eliakim

Relendo este e outros textos do seu universo fica nosso reconhecimento e condolências à família que com ele compartilhou sua inteligência e brasilidade patriótica.


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18/07/2016 12h31

Sucesso nos talk shows de Itaperuna e Barra Mansa
Sidney Rezende

A mesa que discute tributação no Encontro Regional do Mapa Estratégico do Comércio, da Fecomércio, é uma das mais frequentadas e polêmicas do road show que percorre os principais polos de desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro.

Veja abaixo as fotos:

 



13/07/2016 09h21

Os empresários e a importância da comunicação
Sidney Rezende

Muito obrigado aos líderes e empresários do estado do Rio de Janeiro que me possibilitaram falar sobre a minha visão sobre a comunicação e a importância das empresas tratarem este setor como prioritário nas organizações.

Sidney Rezende. Fotos: Renata Mello 



11/07/2016 13h26

Não queremos patrulhas ideológicas
Sidney Rezende

No final dos anos 70, recém-chegado à universidade, a minha geração estava totalmente envolvida com a abertura política, a volta da democracia, do estado de direito e a recuperação da liberdade suprimida nos anos anteriores. Vivíamos a efervecência de um período de construção de um novo modelo para o país.

Eu me lembro como se fosse hoje o cineasta Cacá Diegues defendendo um ideário que a imprensa intitulou "combate às patrulhas ideológicas". O que era isso? Cacá se rebelava contra grupelhos ideológicos ou religiosos que tinham por objetivo impor seus ideais à sociedade, munindo-se de discursos, pressão através da mídia, protestos e reivindicações autoritárias. Como se todos tivessem que rezar por uma mesma cartilha. Uma vigilância constante contra aqueles que pensassem fora da caixa. O famoso enquadramento.

Como queríamos que o Brasil trilhasse o caminho da liberdade, não cabia aceitar imposições como aquelas. "Abaixo as patrulhas ideológicas!", gritávamos. A esquerda - que também era chegada a uma patrulha - teve que se aquietar e buscar outros caminhos. Ainda bem.

Eis que estamos em 2016, em pleno século XXI, e as patrulhas ideológicas e religiosas estão de volta. O presidente Michel Temer é questionado nas suas crenças ao ponto de ele ter que vir a público se explicar. Não deveria precisar fazer isso.

Turma da Mônica Jovem. Foto: ReproduçãoA quadrinista Petra Leão, umas das roteiristas da Turma da Mônica Jovem, sofreu ameaças pelas redes sociais por causa de uma frase dita por Mônica na edição 94 da revista. "Meu corpo, minhas regras! Podem discutir e debater até cansar...", disse nossa personagem mais querida eternizada pelo empreendedor Maurício de Sousa.

O quadrinho mexeu com os brios dos conservadores. O site "Comunique-se" reproduz parte da repercussão: "De acordo com o Nexo Jornal, a narrativa com a sentença em questão aborda se Mônica deveria ou não usar aparelho nos dentes. A protagonista usa as palavras no momento em que se mostrava irritada, contrária à intromissão dos amigos sobre sua decisão pessoal. Na internet, diversas mensagens acusam Petra e a publicação de fazerem parte de uma "doutrinação esquerdista", além de pedir a demissão da profissional do quadro da Maurício de Sousa Produções.

Leitores de blogs radicais de direita pedem pelotão de fuzilamento para quem pensa diferente; e banimento de jornalistas que eles "julgam" comunistas. Já chegaram ao desplante de exigir demissão de alguns para que fossem encontrados na sarjeta sem trabalho para o sustento das suas famílias. Uma verdadeira caça às bruxas.

As patrulhas de esquerda de 1978 têm tudo a ver com as patrulhas conservadoras de hoje. Ambas são autoritárias, descompensadas e atuam a serviço do atraso. Chegou a hora das pessoas sensatas do país darem um basta neste avanço do pensamento intolerante.

O grave é os jovens de hoje não perceberem que estão subtraindo seu futuro falseando o presente. Quando se retira a liberdade de pensamento e expressão, se está maculando o desenvolvimento das pessoas e da própria nação. Inovar não é só ter ideias novas, mas abandonar as velhas. Abandonemos o retrovisor.