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Sidney Rezende

Sidney Rezende

Diretor do SRZD, apresentador do "Brasil TV", da "Rede Globo", e âncora de telejornais da "GloboNews". Sidney foi um dos fundadores da "CBN".

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



23/01/2015 16h03

Chega de notícia ruim
Sidney Rezende

Os jornalistas - eu, inclusive! - estamos com dificuldades para entender a mensagem que a sociedade está há tempos nos enviando. É mais do que clara a sinalização de que o cidadão está sufocado com a exagerada divulgação de tantas notícias negativas. É como se só víssemos o lado ruim das coisas.

O que estão nos dizendo? O recado é que os meios de comunicação de massa estão se especializando em venenos quando poderiam oferecer perfumes, também. Não se quer inutilidades e baboseiras. Embora estejamos contaminando nosso olfato. E acostumando nossos olhos a só percebermos a perversidade. A delicadeza está nos tornando algo estranho.

A mais corriqueira e apressada das interpretações é aquela clássica: "tragédia é que vende jornal". Outra, também comum, é dizer que se publicar notícias boas ninguém vai se interessar. A minha impressão é, que se formos por aí, estamos embarcando numa tremenda furada. Porque estamos utilizando raciocínios velhos para problemas não tão novos.

O que precisamos é mudar o tratamento que estamos dando à notícia. Um incêndio de pequenas proporções é um incêndio de pequenas proporções. Por que transmitirmos 2 horas um infortúnio se 2 minutos seriam suficientes?

Uma cidade de 12 milhões de habitantes produz brigas de casal, desentendimentos que deságuam em agressão e até assaltos. Nem tudo é notícia. Simplesmente não merece a superestrutura de comunicação para um sujeito que teve a carteira furtada. Se alguém foi assaltado e recebeu um tiro na principal e calma avenida do seu bairro, sim, é notícia. Hoje, qualquer coisa está sendo confundida com notícia. Nem tudo é.

Crianças estão morrendo vítimas de "balas perdidas". Como "balas perdidas"? Não existem balas perdidas. O que está por aí é criminoso não identificado. O problema é a ineficácia da polícia em localizar os autores e a falta de diálogo com as comunidades para que elas sejam parceiras na localização do responsável. Tem é muito veículo compondo com os governos para não irmos a fundo e desnudar o que esta encoberto pelo poder da grana.

Se tem um Tribunal de Contas em cada estado para fiscalizar os gastos do Executivo, indagar quem fiscaliza o Tribunal de Contas não seria nada demais. Se são as assembleias legislativas que fiscalizam os TCEs, como seria isso possível? Afinal, são as casas dos vereadores e deputados que cuidam das contas dos tribunais. Quer a verdade? Ninguém fiscaliza ninguém. A sociedade fica desorientada na hora de saber quanto ganha cada "excelência".

Você sabia que tem muito servidor lotado numa unidade e quando é requisitado por outra recebe dos dois "empregadores"? Sai do "meu, do seu, da sociedade". Ele mantém o salário que recebia e também leva pra casa o salário do "novo empregador".

Existem empresas privadas que funcionam sem cumprir as leis trabalhistas e que "propinam" o fiscal e permanecem abertas. Simples assim.

O jornalismo bom é aquele que traz a boa notícia de que vigaristas destes naipes se deram mal e o erário foi protegido. O povo adora reportagens bem feitas e que ajudam a sociedade. Estressá-la com notícias horríveis não nos tranquilizam, nos entristecem. Ferem nossas almas. Notícias a serviço da convicção que não temos condições de superar os problemas: o absurdo que jornalistas deveriam se rebelar.

Temos que trabalhar para a sociedade e não enlouquecê-la.


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22/01/2015 09h57

Alberto Youssef se deu bem
Sidney Rezende

São muitos os crimes praticados pelo doleiro Alberto Youssef. O acordo assinado entre ele e a Justiça em troca de informações sobre o funcionamento do sistema de corrupção explicitado na Operação Lava Jato foi excelente... para o criminoso.

Alberto Youssef. Foto: Divulgação

Youssef é, segundo o Ministério Público Federal, o chefe de um esquema de pagamentos de propinas e lavagem de dinheiro
E por que o acordo foi "mamão com mel" para o doleiro? Simplesmente porque ele pegará de três a cinco anos de prisão, em regime fechado, em cela especial com o máximo conforto que o sistema prisional permite. E isto se for condenado em todas as ações que responde no âmbito da Lava Jato. Como ele está preso desde o início de 2014, o taxímetro já está contando. Ele se deu bem. Saiu barato. Foi uma pechincha depois de todas as tramoias e falcatruas em que se meteu nos últimos 20 anos.

Para dizer que ele não perdeu alguns anéis, - mesmo tendo salvo as mãos e corpo todo -, Alberto Youssef terá que devolver parte pequena do seu patrimônio amealhado em boa parte por conta do seu relacionamento com políticos e corruptos com trânsito em estatais. Veja abaixo os bens a serem devolvidos:

- Bens em nome da GFD que estejam administrados pela Web Hotéis Empreendimentos LTDA.
- Propriedade de 74 unidades autônomas integrantes do Condomínio Hotel Aparecida, bem como do empreendimento Web Hotel Aparecida nele instalado, localizado em Aparecida do Norte (SP)
- 37,23% do imóvel em que se situa o empreendimento Web Hotel Salvador
- Empreendimento Web Hotel Príncipe da Enseada e do respectivo imóvel, localizado em Porto Seguro (BA)
- Seis unidades autônomas componentes do Hotel Bluee Tree Premium, localizado em Londrina (PR)
- 34,88% das ações da empresa Hotel Jahu S.A. e de parcela ideal do imóvel em que o empreendimento se encontra instalado.
- 50% do terreno formado pelos Lotes 08 e 09, da Quadra F, do Loteamento Granjas Reunidas Ipiranga, situado no município de Lauro de Freitas (BA), com área de 4.800 m², avaliado em R$ 5.300.000,00, bem como do empreendimento que está sendo construído sobre ele, chamado "Dual Medical & Business - Empresarial Odonto Médico"
- Veículo Volvo XC60, blindado, ano 2011
- Veículo Mercedes Benz CLS 500, anos 2006
- Veículo VW Tiguan 2.0 TSI. Blindado, ano 2013/2014
- Imóvel localizado em Camaçari, com área aproximada de 3000 m², cujo contrato se encontra apreendido no bojo da Operação Lava Jato.

 

 


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19/01/2015 22h21

Os passistas são de Deus
Sidney Rezende

Certa vez, o antropólogo Darcy Ribeiro passeava com sua sobrinha. De repente, ela parou e, com emoção nitidamente descontrolada, quase ofegante, soltou essa:

- Nossa, que homem gostoso!

O criador dos CIEPs olhou pra trás e não conseguiu ver quem era o felizardo escolhido pela jovem.

- Não vi. De quem você está falando?

A sobrinha, levemente impaciente, respondeu na lata:

- Ora, o pipoqueiro, tio!

A história me contada às gargalhadas pelo próprio Darcy me serve agora neste 19 de janeiro, data que deveria ser feriado particular em todas as quadras de escola de samba.

Hoje deveríamos parar o expediente e, em homenagem pelo conjunto de obra, introduzir o culto do lava pés destas moças e rapazes que parecem que usam pilhas de longa duração na ponta dos dedos.

Nós deveríamos pedir licença aos presidentes das Escolas de Samba e empurrar todas as cadeiras para os cantos do gradil, botar uma bacia bem grande com água fresquinha, sal grosso, perfume, gel de banho e acarinhar os pés dos passistas com uma espuma bem macia.

Os passistas, como bem me escreveu hoje Helio Rainho, são donos de "arte ímpar, um quilombo de resistência dentro das escolas". Ele tem toda a razão. Eles são a consciência do samba ao lado da velha guarda.

Sinto-me aliviado saber que ontem, na Marquês de Sapucaí, tivemos um belíssimo desfile abrindo os ensaios com mais de 500 passistas comandados por Valci Pelé. A minha alma foi lavada.

O passista é aquela maravilha elevada sobre o salto de seu sapato plataforma. A fantasia, muitas vezes minúscula, é um mero complemento. O passista masculino é aquele cara com largo sorriso no rosto e cabeça quase sempre protegida por um chapéu tradicional e os pés em compasso mágico. Sorte do chão que assiste a tudo de pertinho.

Amigo, sua professora pós-graduada pode ser uma passista ou a empregada doméstica da casa do vizinho. Não importa. Passistas não têm classe social. Têm classe.

O que interessa é que temos de reconhecê-los onde sua arte estiver e saber respeitá-los em todos os lugares. Tenho certeza que é possível tratar diferente o pipoqueiro que a gente discrimina e trata como invisível na nossa sociedade. Dá pra respeitarmos mais quem tem samba no pé não só quem tem dinheiro no bolso.

O passista faz parte do Brasil. Por isso, bastaria a gente massagear seus pés em agradecimento por tudo o que fazem pelo samba.

Feliz Dia dos Passistas.


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17/01/2015 14h48

E os enfermos?
Sidney Rezende

O calor no Rio de Janeiro - e em muitas outras cidades e capitais brasileiras - está no limite do início do insuportável. Enquanto tivermos saúde, sempre daremos nosso jeito. E os enfermos?

O Hemorio, instituição guerreira pela qual temos tanto respeito, pede desesperadamente por doação de sangue. Doe. Vá lá e colabore. Esta semana, o ar condicionado de algumas unidades não funcionaram. Meu Deus, quanto sofrimento para os que não conseguem sair da cama. Suados e sem amparo.

Em outros órgãos, muitas ambulâncias levam pacientes para hospitais públicos e o atendimento não consegue ser rápido.

Cobremos mais do governador e do prefeito. Prioridade máxima para a Saúde. Vamos pressionar os secretários da área para que sejam mais sérios, honestos e determinados. Vamos exigir das direções dos hospitais que cobrem presença dos médicos e demais profissionais de saúde que estejam faltando ao expediente. O que não é possível é continuarmos assistindo esse quadro de abandono.

Vamos exigir nominalmente do responsável do processo mais qualidade na saúde. A situação atual é terrível. Com o calor que aí está, torna-se ainda mais desumana.

Não espero mais nada dos Conselhos de Medicina. Estes são corporativistas, inoperantes e inúteis. Eles deveriam ser fechados. Mas confio no cidadão e sua capacidade de organização.

Se os governos quiserem, também darão jeito nisto que está aí. Não importa se for inverno rigoroso ou verão infernal. Quando se quer, se resolve.

Doe sangue e faça sua parte. Pressão neles!


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15/01/2015 15h39

De volta!
Sidney Rezende

Estou de volta aos jornais da Globonews de 13h, 16h e 17h. E um pouco mais tarde no Brasil TV, da TV Globo.

Sidney Rezende. Foto: Arquivo Pessoal 

Sidney Rezende. Foto: Arquivo Pessoal



14/01/2015 13h18

Os dias de 'Estúdio i'
Sidney Rezende

Nesta quarta-feira, foi o último dia a frente do "Estúdio i".  Muito obrigado pelo apoio de todos e a audiência sempre fiel!

Ique e eu

Sidney Rezende e Ique. Foto: Arquivo Pessoal

Kadu Moliterno e eu

Kadu Moliterno e Sidney Rezende.

Rosa Magalhães e eu

Sidney Rezende e Rosa Magalhães. Foto: Arquivo Pessoal

Sidney Rezende e Rosa Magalhães. Foto: Arquivo Pessoal

Claudia Ohana e eu

Sidney Rezende e Claudia Ohana.

George Sauma e eu

George Sauma e Sidney Rezende

Ziraldo, Tom Leão e eu

Sidney Rezende, Ziraldo e Tom Leão. Foto: Arquivo Pessoal

Sidney Rezende, Ziraldo e Tom Leão. Foto: Arquivo Pessoal

Nicette Bruno e eu

Sidney Rezende e Nicette Bruno. Foto: Arquivo Pessoal

Nicette Bruno, Sidney Rezende e equipe do Estúdio i. Foto: Arquivo Pessoal

Guilherme Bryan e eu

Sidney Rezende e Guilherme Bryan. Foto: Arquivo Pessoal 

Tiê e eu

Tiê e Sidney Rezende. Foto: Arquivo Pessoal

Pitty e eu

Sidney Rezende e Pitty. Foto: Arquivo Pessoal 

 



09/01/2015 09h52

Os muçulmanos do Brasil
Sidney Rezende

A tragédia no "Charlie Hebdo" nos é próxima pela brutalidade dos criminosos. A violência por aqui é ainda mais cruel. Muitas famílias pobres sabem na pele o que é perder parentes em confrontos com traficantes ou policiais.

A tragédia de Paris também nos toca pela ligação dos artistas assassinados com os chargistas brasileiros. O sentido histórico que une Brasil e França está nos livros de estudo das nossas crianças. A cultura francesa está em cada esquina do Rio de Janeiro, por exemplo. Nas ideias, na arquitetura de nossas construções, na nossa música e costumes cotidianos. Inclusive, no idioma. Os princípios de liberdade, fraternidade e igualdade sempre foram inspiração para os humanistas que vivem em qualquer lugar do mundo. E por aqui não é diferente.

A boa convivência do Brasil com árabes e judeus também confirma nosso traço de aceitação de todos que respeitem o entrosamento dos intencionados em construir uma pátria acolhedora. Há contradições, sobressaltos, obstáculos a serem superados, mas o Brasil tem conseguido demonstrar elevação social neste aspecto. A exemplo dos Estados Unidos, o Brasil também é o país dos imigrantes.

Nos últimos anos, os judeus conseguiram se expor mais do que os árabes. Eles ocuparam espaços significativos.

Sabemos pouco dos muçulmanos e quase nada do significado do Islã. Seria bom que fosse diferente. Estima-se que existam 1,5 milhão de fiéis do Islã no país.

O Brasil cresceu, é verdade. O número de 115 mesquitas no país ainda é proporcionalmente pequeno. Mas já notamos a força dos muçulmanos brasileiros em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. São descendentes de imigrantes sírios e libaneses, que fixaram residência no país durante a Primeira Guerra Mundial. Mas também muçulmanos de origem palestina, marroquina, egípcia e de africana.

Após a Guerra do Líbano de 1982 e dos recentes conflitos no Iraque, abriremos portas para refugiados israelenses e palestinos.

A cidade de Foz do Iguaçu já é conhecida na América do Sul pela grande presença de muçulmanos na América Latina. Proporcionalmente, a cidade possui a maior comunidade islâmica do Brasil. Passou da hora de conhecê-los melhor. E separar radicais criminosos destes brasileiros que somam na construção do país ideal que lutamos diariamente para se tornar realidade.


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05/12/2014 09h03

Brasil: é o que temos para hoje
Sidney Rezende

Amo o Brasil. Não sei se conseguiria viver em outro lugar no planeta. Sinto que aqui é meu lar. E é aqui que quero ficar, mesmo que chova canivetes. Mas a cada dia desconheço o lugar que nasci, cresci e cultivei sonhos de um país melhor. Fortificou uma outra coisa. Um monstro estranho, feio, apavorante.

A desonestidade virou moeda corrente e isto me assusta. Não me choca os engravatados da Petrobras e os corruptores encastelados nas empreiteiras saquearem nossa principal estatal desde a década de 90. Alguém aí desconhecia roubalheiras na máquina pública desde o início da República? O mais provável é que desse no que deu. Pior é ficar com a sensação que não dará em nada.

No entanto, me constrange a corrupção costumeira cravada nas demais relações do dia a dia. Um fiscal estadual há poucos anos entrou numa pequena farmácia de Bonsucesso, vasculhou as contas e não achou nenhuma irregularidade.

O agente voltou-se para o dono do estabelecimento e disse:

- Eu não vi nada de errado...

O proprietário sexagenário respirou aliviado:

- Graças a Deus!

O fiscal não se conteve e desenrolou uma conversa surreal:
-...E eu, como é que eu fico?

Depois de um tempo, suficiente para cair a ficha, o velhinho retrucou com a voz embargada:

- Não entendi, respondeu o dono da Farmácia.

E o fiscal do alto da sua "autoridade":

- Sim, porque não vimos nada de errado, mas se eu mandar vasculhar suas contas nos últimos 5 anos eu vou achar alguma coisa!

O fiscal ameaçou com mais veemência, achacou e o pequeno empresário deu a propina. Pronto. Corrupto e corruptor se casaram para sempre.

A agente da Lei Seca enquadrou o juiz "Deus" por estar sem carteira de habilitação e carro sem placa. O magistrado não gostou do tratamento a ele dispensado, a mandou prender, entrou com ação e a moça foi punida pela... Justiça. O silêncio da magistratura diante do juiz com uma folha recheada de práticas irregulares é assustador. A OAB do Rio ainda se pronunciou. E mais nada. O corporativismo falou mais alto. E o bom exemplo a ser seguido, nós colocamos onde?

O mensalão tucano na gestão do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, até hoje está impune, e em instância inicial. É um escárnio. A Lei vale "contra" alguns, os "inimigos" de preferência?

Já virou rotina carros em cima da calçada, de preferência bem embaixo de placas de proibido; ultrapassar sinal de trânsito quando vermelho para os motoristas diante do guarda é um esporte nacional; molhar a mão do guarda para se safar de encrenca é jardim da infância diante do que encontramos por aí; não pagar impostos, falsificar recibos, adulterar números em documentos, mentir nas repartições para tirar alguma vantagem; traficar drogas para "uso próprio e de amigos", importar armas com a conivência da polícia, pagar taxa para ter segurança de milícias, puxar fiação de luz para não pagar energia, tudo isso acontece debaixo do nariz da sociedade.

Este Brasil bandido está sufocando nossa sociedade.

Outro dia, um jovem estagiário trocou a empresa que iria contratá-lo com carteira assinada para trabalhar em outra que burla todas as leis trabalhistas mas que daria R$ 120,00 a mais em dinheiro para ele. Trabalhar irregular é melhor negócio no Brasil do que ser "certinho". Ser honesto é ser otário!

Num outro caso, um anunciante optou em colocar propaganda num site que prometera fazer tudo "por fora", sem nota fiscal. Ser aético no Brasil é o must, o ideal, o preferível, é "o negócio perfeito".

É assim que funciona por aqui.

Seja corrupto e serás aceito por esta nova sociedade.

É isto mesmo que queremos para nós?


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13/11/2014 14h22

Mais um dia de príncipe
Sidney Rezende

Outro dia publiquei aqui o meu agradecimento aos profissionais da maquiagem, camareiras, estilistas e demais integrantes da Editoria de Moda da "Globonews" que, diariamente, atendem aos apresentadores e repórteres.

Marion Gomes. Foto: Acervo pessoalEu dizia naquele post o quanto sou bem tratado por eles. E essa é a mais pura verdade. Essa turma merece o sucesso comprovado na longa fila de gente que os procura para ouvir uma consulta, uma dica novíssima ou um atendimento personalizado.

Na ocasião, eu não lembrei de homenagear uma colega estimada que nos acompanha há anos, Marion Gomes. Entre tantas qualidades - pé de valsa - é mais uma apaixonada pelo Carnaval. Marion sempre prepara a roupa previamente escolhida pela equipe de craques liderada pela competente Patrícia Veiga. E o faz com tanto capricho que nos serve de exemplo.

Hoje, com fotos de Roberta Cerqueira, volto ao capítulo do reconhecimento aos colegas mais próximos. A alegria de ser atendido por Flávio Barrozo, de boné e óculos; e Marcelo Rafael, de camisa preta, me surpreendeu. E seguem aí algumas fotos do meu dia de príncipe. Abraços e a minha admiração, galera!

Sidney Rezende e maquiadores. Foto: Acervo pessoal

 


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26/10/2014 23h25

Para que serviu esta eleição?
Sidney Rezende

Para nós, brasileiros, nos conhecermos mais profundamente. Atualizarmos nosso download.

Foi uma disputa incrível. Emocionante. Histórica. O país não rachou, concordo com a presidente reeleita, Dilma Rousseff, e sim se fortaleceu. Os mais jovens foram se empolgando gradativamente com a política conforme a campanha se desenrolava.

Não venceu o melhor orador. Não ganhou o candidato com sorriso mais bonito. Aécio não só tem dentes expressivos, herança extensiva à sua simpática filha, como forma um belo casal ao lado da sua linda esposa. Tudo certo, neste quesito. Só que estávamos discutindo os destinos do Brasil.

Os aplausos deselegantes dos assessores do tucano durante os debates quando Aécio encurralava a oponente serviram para trazer à tona um comportamento infantil. Os políticos mais bem posicionados na hierarquia social precisam percorrer mais o Brasil e conhecer melhor os conterrâneos.

A vencedora é uma senhora, já avó, que se veste com uns terninhos curtos de gosto duvidoso, gagueja praticamente a todo instante, não completa frases, e que se apresenta corriqueiramente com cara amarrada. Dilma não é simpática. E daí? Ela venceu a eleição. Democracia é assim. Quem vence, leva.

Por mais que derrotados que não saibam perder batam na porta dos quartéis, as Forças Armadas brasileiras merecem todos os aplausos, porque os militares não têm faltado com suas responsabilidades e são garantidoras das instituições. O Brasil saiu melhor da disputa do que entrou. Fosse Aécio ou Dilma. Tanto faz. Esqueçam o golpismo. Vamos cobrar as mudanças que a Nação precisa.

O derrotado ligou para a vencedora e teve altivez de vir a público reconhecer a grandeza do momento. No discurso de Aécio faltou um afago ao seu estado. Está bem que Aécio não ganhou na sua terra, mas e os que votaram nele? Eles não merecem o seu carinho?? Vamos dar desconto pela emoção do momento. Não é fácil para quem chegou muito longe e poderia ter vencido.

A presidente fez um discurso pós-vitória maduro, sincero, propositivo. Muito bom. Além dela se abrir para o entendimento, o diálogo com todos, foi sábia em eleger a reforma política como sua prioridade. A estrutura atual da política brasileira é um lixo.

Mas por que esta eleição foi útil para nos conhecermos? Porque é bom que saibamos de uma vez por todas que o voto de um não vale mais que o do outro. Tenho asco dos que odeiam os nordestinos em qualquer situação. Mais ainda quando alguns se sentem superiores no julgamento do voto. Aécio perdeu no Rio e Minas Gerais. Mas venceu em outros estados igualmente importantes. Faz parte do jogo.

Querer impor o mantra de que pobre vota no PT e o rico vota no PSDB também não é fiel ao que vimos vindo das urnas. O escore apertado após a conclusão da contagem de votos mostra um país desejoso de mudanças que nos coloque em sintonia com a contemporaneidade.

Tornar irrelevantes temas como homofobia, violência contra a mulher e descriminalização do uso de algumas drogas não se justifica. O pequeno grande Uruguai está aí a nos dar lições. Mujica foi votar de Fusquinha e ainda pediu ajuda para empurrá-lo. Eu sei como é isso, pois já tive 4 Fuscas na vida.

O brasileiro não quer só inflação baixa e crescimento econômico. Queremos liberdade e uma sociedade mais justa e menos mesquinha.

O jovem brasileiro de hoje não difere muito do jovem da década de 80. Se a canção dos Titãs não existisse, ela poderia ser composta hoje do mesmo jeito:

"A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida

A gente quer a vida

Como a vida quer".

Abaixo o pensamento monolítico e viva a diversidade. Saber aceitar os outros é um princípio básico. Se o povo escolheu Dilma, a escolha do brasileiro está feita e agora é trabalhar para que o Governo mais acerte do que erre. Boa sorte, presidente!


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02/10/2014 11h47

Vida de Rei
Sidney Rezende

A minha admiração pelos meus colegas da Maquiagem e editoria de Moda da Globo é total. São aplicados, sorridentes, dedicados e fazem um trabalho de primeira. São profissionais que sempre buscam aperfeiçoamento e muito ligados no que existe de mais atual no seu universo de atuação.

Ontem, as queridas Margareth Vaz e Claudimara Assis Braz, que a gente chama de Mara, fizeram uma graça comigo. As duas me maquiaram ao mesmo tempo. Foi alto astral. E o resultado ficou ótimo. Claro que, após a brincadeira, uma só deu o arremate.... Afinal, TV é coisa séria, né?

Mas para curtir, eu pedi licença para fotografar este "momento histórico". Não posso deixar de registrar que, diariamente, sou muito bem atendido pelo Flávio Barroso, companheiro e completo no que faz. E, quando o horário coincide, pelo Marcelo Rafael, que nunca deixa de dar um sorriso de boas vindas.

A fotógrafa que registrou meu "dia de Rei" é a Roberta Cerqueira, camareira, que faz questão de deixar as roupas que usarei sempre muto bem passadas...

Sidney Rezende e maquiadoras. Foto: Roberta Cerqueira

A empresária, empreendedora, pós-graduada maquiadora Silvana Rufino não está na foto, porque deve estar de férias em Paris. Gente chique é outra coisa.

Aproveito para mandar meu beijo caloroso para Katyn Miranda, Ronald Chagas (o mestre de todos!), Cadigina, Marcinha Alves, Ana Lucas, Natividade Moye e Thaylane Neves.

Galera, respeito demais o trabalho de vocês! Saibam que aqui tem alguém que valoriza e muito tudo o que vocês fazem. E muito obrigado em meu nome e de meus colegas pelo trabalho de primeira que vocês oferecem para nossos espectadores e assinantes. No que concerne ao meu caso, o modelo não ajuda muito, mas aí que vocês entram e fazem milagre.


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12/09/2014 20h27

Não vamos desistir da polícia
Sidney Rezende

A insegurança pública no Brasil tornou-se um problema de política e não só de polícia.  

A sociedade virou as costas para a sua polícia. E isto é inaceitável. Sem segurança, não temos como avançar na construção de um projeto de nação.

O brutal assassinato do comandante de uma das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Complexo do Alemão, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, capitão Uanderson Manoel da Silva, de apenas 34 anos, é a mais atual tragédia. 

Um policial é assassinado a cada 32 horas no Brasil. Não é possível que achemos que este não é um problema nosso. A omissão da sociedade é criminosa. Não basta gritar que é preciso mais polícia na rua, baixar a idade penal, tascar fogo nos pobres e meter a porrada no bandido.  

É preciso impedir que o menino e a menina se transformem nos monstros que colecionam crimes em seus currículos. Hoje, uma boa parte dos nossos jovens já se familiarizou com a impiedade no cartão de visitas.

O nosso problema é anterior ao momento da decisão do camarada em pegar uma "máquina" e sair por aí tocando o terror. E não é só dever da escola. É da família, da igreja e do vendedor de frutas da esquina.

No ano passado, 229 policiais civis e militares foram mortos, 183 estavam de folga. 

Com esta estatística, torna-se irrelevante se o policial estava ou não com colete a prova de balas, com arma na cintura ou no banco do carona no carro. O bandido identifica o policial como inimigo e o confronta. O policial é a autoridade visível. Nós e os governantes estamos aqui no ar condicionado. É mais fácil fingirmos que isto não é com a gente. Estamos completamente equivocados.

A Polícia precisa de socorro. 190 para ela, já.

Quem já não ouviu algo como "tira a velharia da ativa e bota a garotada para oxigenar a polícia". Nem sempre isso funciona. Muitos jovens entram cheios de sonhos e não demora e os novatos já estão repetindo os vícios dos antigos. Isto aconteceu também na saudável ideia das UPPs. O modelo de renovação deve ser feito com o ímpeto dos jovens misturados aos cabelos brancos da experiência. Policial flagrado em desvio de conduta pede para sair.

A separação na cobertura de ação entre as polícias, guarda municipal, rodoviária e florestal criou um emaranhado ineficaz e de difícil gerenciamento. Tenta convencer um policial na viatura a perseguir um louco que acabou de ultrapassar o sinal vermelho em frente a uma escola repleta de criancinhas. Certamente ele vai dizer: "isto não é conosco, senhor. Esta área não nos pertence. Nós estamos em operação. A PM no Rio não multa". A ordem pública não é de ninguém, é isso?

Você já ouviu algo assim como "mude os instrutores e uma nova filosofia de respeito aos direitos humanos brotará como flores no jardim"? Balela. A capacitação só funciona com remuneração justa, acompanhamento sistemático dos inscritos na missão e reciclagem constante. Mas constante, mesmo.

O que a "política" pode fazer em benefício do trabalho do secretário José Mariano Beltrame, por exemplo?

Planejamento de segurança é algo tão sério que deve ser feito e comandado por especialistas, mas com a anuência da sociedade. Trazer para dentro das nossas casas o "barulho" do Beltrame já ajudaria bastante.

Nas favelas do Rio hoje há um divórcio entre a polícia que nos representa e os verdadeiros líderes dos moradores. Um vizinho preso é um atentado ao tecido comunitário. O morador não aceita. Prefere se manifestar contra a Polícia, incendiar ônibus, queimar o lixo, obstruir as ruas com concreto e xingar o povo do asfalto.

Está faltando diálogo entre a autoridade e cidadão, papo reto, obras e ações com nome, responsáveis pelos processos e datas definidas de entrega. Chega de botar material de quinta, preço Fifa e o secretário e o governador que jamais voltam para fiscalizar cada centavo investido. Basta.

Precisamos ser adultos e abrir negociação com o povão. Não tem a menor importância quem possa estar do outro lado do balcão, desde que a Lei prevaleça. Polícia para quem precisa de polícia. Dê microfone e palanque para o morador, discuta com ele que a luz virá. Recupera-se credibilidade indo ao lugar, sentindo as pessoas e olhando no fundo dos seus olhos. Com verdade e não com teatralização de que "eu finjo que governo e você finge que está achando legal a minha administração".

Matou, roubou, contrabandeou armas, sequestrou ou praticou qualquer outra violação ao Código Penal, mão pesada da Lei em cima dos criminosos. Jamais brutalizar o trabalhador. Um jovem me contou uma história que jamais gostaria de ver repetida. Um policial entrou no seu barraco e vasculhou todos os pertences da casa em busca de drogas. Como elas não existiam naquele lar, o soldado abriu todas as latas que guardavam arroz, feijão, milho, sal e açúcar e jogou o conteúdo sobre a mesa.  

Os homens da lei foram embora e deixaram para trás um tsunami naquela casa simples, de uma família pobre. A mãe do rapaz ficou horas separando os alimentos, em silêncio, e sem pingar uma lágrima. É aquilo!!!! É assim que a banda toca quando viramos as costas para a PM e para o povo sofrido. A desigualdade está matando até comandante. 

Eu defendo um pacto separando o joio do trigo. O Estado traz para si a responsabilidade que é só sua e a sociedade entra com a sua parte. Se a gente não conversar, sabe o que vai acontecer? Primeiro matam o recruta, o soldado e o cabo. Depois trucidam o sargento e o tenente. Não demora e o comandante da UPP também toma um tiro de fuzil no peito...

Você que está lendo este texto agora acredita que em quanto tempo estes caras levarão para chegar até a gente?

 


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13/08/2014 18h16

Morte de Eduardo Campos embaralha tudo
Sidney Rezende

Estava em São Paulo me preparando para o debate sobre economia global no Congresso Brasileiro do Aço quando, quase ao mesmo tempo, o ex-ministro Delfim Netto e o empresário Jorge Gerdau Johannpeter me pegaram pelo braço e me perguntaram: "Sidney, me confirma se é verdade que o Eduardo Campos estava no avião que caiu em Santos?". Pensei comigo, é "boato", "não é possível".

Eduardo Campos. Foto: Agência Brasil

Fiz algumas ligações. Eu não tinha elementos para confirmar. Minhas fontes diziam que era possível, mas ninguém queria cravar o desfecho da tragédia. E, até aquele primeiro momento, tínhamos apenas a notícia da queda de um jato em Santos. E a possibilidade de que, de fato, a morte de Eduardo não estaria descartada.

A equipe do SRZD foi rápida, competente e demos a notícia completa muito cedo. Nos ajudou a entender o que estava acontecendo.

Quando vi Eduardo Giannetti correndo para fora do salão em que estávamos, pressenti o pior. Alguns minutos antes da agência Reuters dar a notícia, recebi a confirmação. Relutei em passar uma informação não totalmente clara.

Com a tragédia escancarada, ainda numa reflexão imediata, sem ignorar a dor verdadeira da família, amigos sinceros, possíveis eleitores, simpatizantes e pernambucanos que, de fato, gostavam do ex-governador, a morte de Eduardo Campos vai muito além disso. É péssima para o Brasil.

A minha suspeita é que Marina Silva aceitará ser candidata e sua performance poderá ficar presa ao espírito emocional, religioso, como se a morte estivesse ligada pelo fio espiritual no campo do inexplicável por humanos. Fé misturada à política é nitroglicerina pura. Se isso acontecer, será muito ruim para nosso processo democrático.

Você já imaginou alguém vencer uma eleição fincada no aspecto sentimental?

Se Marina não substituir Eduardo no comando da campanha, teremos explosão da sua base de sustentação e alguns vão optar por Aécio e outros por Dilma. Assim mesmo, sem unidade.

A tragédia obriga a candidata Dilma Rousseff a jogar, mais do que nunca, todas as suas energias para ganhar a eleição no primeiro turno. Um segundo turno para a presidente tem o risco do pleito ganhar um caráter plebiscitário. E isto não é bom para Dilma. 

A candidata do PT precisa do esforço absoluto para somar mais votos que todos os seus adversários logo, imediatamente, caso Marina não decole. Eduardo Campos era a garantia de um eventual segundo turno. Mas e se Marina crescer?

O candidato Aécio Neves terá que adiar seus próximos passos. Esperar, como ensinam os chineses. O maior prejuízo da disputa é dele. A morte de Eduardo é ruim para o PSDB. No primeiro momento, ele vai restringir seus movimentos a acompanhar a dor da perda. Quem entra no jogo e é player importantíssimo é o brasileiro das ruas. Como o eleitor vai agir? 

Não esqueçamos que havia a dúvida, ainda com Eduardo vivo, se, num eventual segundo turno, com quem ele ficaria: Dilma ou Aécio? Lula, por exemplo, não tinha dúvidas que, no momento-chave, tanto Eduardo como Marina não ficariam com o tucano. Será que isto muda quando os programas populares começarem a explicar o que está em jogo?

Detalhe, o jogo mudou. 

Tudo está em aberto.


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03/08/2014 17h13

Muito surpreso
Sidney Rezende

Muito surpreso. Para ser sincero, estou passado... O que está havendo? Será que tem explicação racional? Tem que ter.

Há 8 anos, meu filho, Francisco Rezende, e eu estreamos o site www.sidneyrezende.com. E tudo começou pela singela razão de que todos aos quais pedi uma oportunidade para me permitir escrever um blog me disseram "não". Eu entendo que também viviam lá suas limitações. Tudo bem.

Criamos um site para abrigar o blog. Olhando aqui de onde estamos parece até engraçado. Ousado e maluco ao mesmo tempo.

O deputado Alessandro Molon tirou uma foto minha e do meu filho e ele disse que guardaria para a história tal a certeza de que iria dar certo. Agradeço a ele pela gentileza em incentivar aqueles principiantes. Alfredo Lopes, da Abih, e Olavo Rufino, da CEG Gás Natural, os primeiros patrocinadores que nos acompanham até hoje, também foram fundamentais.

Nunca vimos o registro feito por Molon. Só sei que Francisco estava com um boné pra trás, típico dos adolescentes da sua época, e um casaco surrado. Depois das minhas cobranças, Molon procurou a foto em todos os lugares, e não achou. Deve ter ido junto com a poeira do tempo. Ficou na minha mente como uma imagem terna do começo.

O site foi andando. Alfredo e eu comemorávamos que o site atingia 30, 34, 40 entradas por dia. Nossa, como ficávamos felizes. Hoje, são milhões de leitores. Estamos entre os 500 maiores portais do Brasil.

Mais adiante, não muito tempo depois, passamos a difundir quatro letras de difícil memorização: SRZD. Que nada mais são do que algumas consoantes do meu nome.

Já nos chamaram de tudo: SRDV, SRZT, SRDZ, ZRZS... A gente não fica triste. A gente entende que é um nome difícil, mesmo.

Um brilhante publicitário nos desaconselhou seguir com o nome e propôs a alternativa de usar só 3 letras: SRZ. Talvez ele esteja certo. Mas não seguimos seu conselho.

O nome SRZD foi sugestão dada quase ao mesmo tempo por Nadja Nagib, hoje cidadã americana depois de obter o greencard, e pelo jornalista Marcelo Lins, prodígio da nossa profissão.

E também porque queríamos dissociar o produto, o site, de um dos seus fundadores. Silvio Santos havia feito algo semelhante. Para quem não sabe, o hoje "SBT", Sistema Brasileiro de Televisão, chamava-se no início "TVS", TV Studios Silvio Santos.

Depois dos milhões de leitores que nos acompanham, estou perplexo porque sinto que fomos descobertos. Sei que muita gente não sabe que SRZD e Sidney Rezende são a mesma coisa, ou que SRZD são consoantes retiradas de um nome, mas porque sinto a curiosidade do público pelo que estamos fazendo.

Estou surpreso, perplexo, porque tudo o que fazemos está atraindo multidões. Agora há pouco, participamos de uma feira de Carnaval e o nosso stand foi parada obrigatória para os mais importantes compositores e intérpretes do samba. Veja ao término deste texto.

Eu abri um perfil pessoal no Facebook e 5 mil pessoas acorreram até lá. Abri outro, e, novamente, mais 5 mil pessoas me fizeram abrir um terceiro. E, em 10 dias, 2.700 pessoas já me procuraram. Se seguir assim, terei que abrir um quarto perfil.

Não quero abrir uma fan page minha agora, porque gosto deste contato humano. Recebo afeto, carinho, críticas, sugestões, pauladas duras, afagos... É isso que o SRZD está construindo. E isto que acredito ser a razão do nosso trabalho. O SRZD, sim, tem uma fan page para você acompanhar nossas notícias. Você pode ver nossa página clicando aqui.

Jornalismo para mim não é teatrinho, fingir que se está a favor do povo, mas na verdade, tudo não passa de trapaça. Jornalismo para mim é olho no olho, papo reto, e convicção de tentar fazer a coisa certa. Se a gente errar, tudo bem, fé em Deus e pé na tábua.

- Clique aqui para ver o SRZD 'parando' o Carnavália-Sambacon com a presença de importantes compositores


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27/07/2014 12h12

Os jornalistas precisam aprender a ouvir
Sidney Rezende

A gigantesca massa humana que foi às ruas reivindicar mais qualidade de vida no ano passado obrigou-nos a refletir sobre o melhor modelo de como levar informação da luta social ao cidadão brasileiro. É como se nosso ofício diante daquela fratura exposta tomasse de 7 X 1. O impacto dos protestos repercutiu nas mídias local e global. 

Manifestante. Foto: Reprodução

Na ocasião, a imprensa foi duramente criticada. Talvez um pouco menos que governantes que não conseguiram melhorar os serviços de transporte, saúde, educação e segurança do país. O movimento popular entrou para a história e provavelmente demorará muito tempo a se repetir. 

O reflexo é sentido até hoje. Foi um bom momento para transformações. Mas ele foi desperdiçado. Esperava-se inovações nas práticas democráticas na nossa relação com a sociedade. É frustrante constatar que elas não vieram. Nem por parte da estrutura política e nem pelo modelo de gestão da Comunicação. 

Paralelamente, a "Mídia Ninja" e as ações dos black blocs partiram para o confronto e suas ações desencadearam mudanças na forma de cobertura de manifestações públicas. Principalmente da maneira como os repórteres sempre cobriram estes eventos. Ficou perigoso identificar o profissional com o veículo de comunicação a que ele pertence. 

Os repórteres foram descobrindo aos poucos, e de repente, que ocupar as ruas era muito perigoso. Alguns se intimidaram. Nosso dever é o oposto. Jornalistas têm a obrigação de estar justamente onde não se quer que eles estejam. Levar a notícia é parte inerente da vida de quem jurou se dedicar a este ofício. 

Neste momento, estamos mal parados. Nos últimos 15 meses, assistimos impassíveis a multiplicação do "Jornalismo Biquíni", aquele que "mostra coisas interessantes, mas esconde-se o essencial". O jornalismo tornou-se partido político e o jornalista torna-se notícia. E ainda pensa que isso é o certo. Não é. 

Antes de tudo isso, já se reclamava que a imprensa publicava a acusação sem devida apuração. Quantas vezes ouvimos que a denúncia ganha destaque na capa e o desmentido é publicado no rodapé da página interna. 

Não é de hoje que nos acusam de destruir reputações. Tom Wolfe, colega ilustre, já disse isso certa vez: "Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma". 

Um dia, um empresário me disse com toda a educação: "Por que quando realizo um evento importante no meu hotel vocês não citam o nome do estabelecimento? Mas se tiver um incêndio num quarto o nome do hotel é estampado na capa em letras garrafais?". 

Precisamos parar de apontar o dedo em riste para quem julgamos ser os culpados. Jornalista não prende, não realiza inquérito, não julga. Jornalista deve informar tudo o que é pertinente ao fato. Não existe neutralidade, e, sim, isenção. Notícia não tem somente dois lados, e, sim, vários. Em alguns casos, incontáveis. 

Jornalista está se achando mais importante do que ele é. E, com esta falsa convicção, estamos sendo conduzidos para o cadafalso. 

Esta longa introdução é para chegarmos até uma conclusão simples: nós, jornalistas, não gostamos de ouvir. Não sabemos ouvir. Não aceitamos críticas. Somos arrogantes mesmo que não pensemos isso de nós. Talvez porque sejamos tão ludibriados, enganados por fontes maldosas e presos a horários perversos, que já partamos do princípio que estamos certos.

Por não termos paciência com o outro, mesmo que este "outro" seja a fonte que alimenta nosso "produto", estamos multiplicando este "ebola da arrogância" para as novas gerações de profissionais. E o grave é que os meninos que estão chegando são filhos de uma escola deficiente, com má formação cultural, educacional e intelectual. 

E, o mais grave, essa turma diz detestar política. Arrisco dizer que a maioria sequer sabe a diferença do que faz um deputado para um senador. 

Nas redações, nossos templos de trabalho, os jornais de papel e as revistas raramente são abertos. Nada é lido. Os garotos dizem que esse hábito é para idoso. O aparelho de TV fica ligado num só canal. Por isso se tem uma visão única. Neymar disse que jogadores brasileiros têm preguiça de treinar. Jornalistas têm preguiça de ler. O rádio, veículo sempre atual, é algo alheio à "cultura" da nova geração.  

Mas será que os focas não se informam pela internet? Falso. A esmagadora maioria prefere trabalhar no ar condicionado, não circular onde está a notícia, não andar pelas ruas, não conversar pessoalmente com o povo. Se pudessem escolher a opção, seria navegar nas redes sociais. Os jovens curtem basicamente o que circula no Facebook. 

O compromisso primário da profissão: "Para quem trabalho? Para que serve meu ofício? Dedicação máxima para levar informação para quem não tem, ser útil aos pobres" são utopias. 

Na verdade, estamos caminhando para algo parecido com o que fez o mocinho de o "Planeta dos Macacos". Seu laboratório gerou uma nova espécie de símio. 

O problema de não sabermos ouvir as ruas está nos empurrando para o descrédito. A imprensa surtou. Ao mesmo tempo que se chama ativistas sociais de vândalos, também é permitido chamá-los de jovens. Depende da ocasião. O pêndulo vai para um lado ou para outro conforme interesse específico. 

As redações que outrora abrigavam o pluralismo da sociedade hoje são redutos da velha direita. Aqueles que fizeram 1964 podem se orgulhar. Seus filhotes cresceram, ganharam musculatura. A direita venceu.

 Vamos ouvir mais a opinião pública e menos a publicada, antes que seja tarde.


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