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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



23/09/2016 14h15

O risco da educação virar cabide de emprego
Sidney Rezende

De boas intenções o inferno está cheio. Este dito popular voltou a ser atual.

O ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho, liderou a reforma do ensino que pretendia ampliar vagas na universidade. Ele queria criar oportunidades. O resultado foi a queda da qualidade e a proliferação de faculdades "tamboretes" pelo país. Mal que convivemos até hoje.

O erro de avaliação do passado propiciou o surgimento de novos milionários no segmento. Enquanto surgiam magnatas, muitos alunos que os sustentavam com suas mensalidades se viram analfabetos funcionais.

Ensino integral parece ser o sonho de todos. Balela. Quando o então governador do Rio, Leonel Brizola, resolveu implementar os Cieps, o projeto foi execrado pelos grandes meios de comunicação e pela elite endinheirada da época. Os de sempre detonaram o programa de Darcy Ribeiro.

O Governo Temer botou para jogo a sua nova proposta educacional. Modernizar métodos de ensino e buscar novas estruturações devem ser bem-vindas. Aí tem jabuti. Tem caroço neste angu. Senão vejamos:

"Serão aceitos profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação". Tudo bem. Mas alguém tem dúvidas que os coronéis da política vão aproveitar para indicar cabos eleitorais? Alguém em sã consciência duvida que os políticos vão impor apaniguados jabutis para se passarem por tartarugas e mamarem no Estado, empoleirar nas escolas? 

Sem comprovação alguma de títulos, o vale-tudo passará a prevalecer.

"A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno". Voltou aquela prática condenável do professor dizer para os alunos: "Vocês querem ter aula hoje?". O grupo, em uníssono, gritará: "NÃOOOOOOO!!" 

Quantos alunos preguiçosos em 30 dirão que estão com vontade de comparecer à aula de educação física?

No currículo do ensino fundamental, será ofertada a língua inglesa a partir do sexto ano. "Ofertar" é sempre um verbo complicado.

Recomendo aos professores que entrem nesta discussão antes que seja tarde. Os falsos jabutis de Brasília já estão nos galhos da educação e não vai sobrar uma frutinha sequer para vocês.


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22/09/2016 14h33

O problema da omissão
Sidney Rezende

Estamos fragilizados. Ninguém aguenta mais política. O nosso saco estourou. O divórcio da sociedade com os caras que mandam em Brasília é inegável. Até porque eles só nos trazem aborrecimentos. Raramente, soluções.

Nas redes sociais, a postagem de fotos e vídeos de "cacetadas" já representam cinco vezes mais do que qualquer assunto relevante.

A baixa leitura de notícias de política e a veloz substituição por imagens humorísticas - de zoeira como diz a nova geração - não deixam de ser o reflexo da exaustão. O escapismo é um lugar mais quentinho do que a dureza da realidade.

Já existiu um tempo em que repórteres descobriam através de longas apurações alguma coisa encoberta que se transformava em notícia. Hoje, já há relatos e testemunhos de que certas autoridades acertam agenda com as TVs e equipes são deslocadas em comum acordo.

A execração pública virou bilhete para uma futura delação premiada, quem sabe. O respeito foi substituído pelo esculacho.

O homem trabalhador é levado a pensar que isso que é o certo. Assim é que se tem que agir com suspeitos de "corrupção". Até o dia em que ele próprio é "esculachado" pelo policial numa revista dita de rotina, destratado pelo atendente de uma repartição pública, agredido pelo guarda municipal, ou humilhado por uma "autoridade" que invade seu rosto com uma credencial, ironizado pelo síndico do prédio, debochado pelo chefe, demitido com escárnio pelo dono da empresa, vasculhado pelo promotor público, enquadrado por suspeitas de juiz qualquer. Aí, o homem de bem entenderá a razão de existir direitos humanos e fiel cumprimento das leis que regem a civilização que todos estamos inseridos.

Mesmo fragilizados, de saco cheio, distantes do que os malucos em Brasília andam fazendo em praticamente todas as esferas, precisamos separar o permanente do transitório.

Queremos democracia como um regime duradouro no nosso país? Estamos mesmo interessados em enfrentar o autoritarismo, o abuso dos poderosos de plantão e a ilegalidade?

Se a sua resposta foi "sim", então saiba que a cada minuto sua convicção está sendo submetida a uma prova de fogo. E você está perdendo fileiras velozmente. A ditadura está mais perto do que você imagina, e, desta vez, ela virá muito mais feroz do que qualquer outra que você tenha ouvido dizer que já tenha existido.

E sabe por que? Porque o problema da nossa omissão é a permissão para que algo que você não conhece se instale. E quando você souber direitinho o que é que se instalou, já era. Já foi.

O problema da omissão é que, por causa dela, poderão ocorrer atropelos ao estado de direito. E isso não é grave. É gravíssimo.


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06/09/2016 09h17

O que é preciso saber sobre a carne
Sidney Rezende

O Brasil é um dos maiores produtores, exportadores e consumidores de carnes do mundo. O curioso é que nós desconhecemos detalhes das cadeias produtivas, principais matérias-primas utilizadas e, até mesmo, como funciona a produção de rações para os animais.

Eu serei moderador de um evento que pretende, ao lançar o Atlas da Carne, discutir justamente estes pontos ainda pouco claros para o cidadão.

Veja aqui como será o evento e entenda a importância de se tratar do assunto com seriedade.



03/09/2016 13h04

Eleições Municipais: Para o mundo que eu quero descer
Sidney Rezende

A longa crise política que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff acabou com o moral do brasileiro. Foi desgastante demais. Encheu o saco de todos. Na economia, só para resumir, empurrou milhões para o desemprego. Antipatizou o desejo da população em fazer militância. Seja a favor ou contra.

O ódio que divide esquerda e direita ultrapassou todos os limites. O sentimento de caça às bruxas, de patrulha ideológica, rançou os ânimos. Estamos mais irritadiços e impacientes. O ar está contaminado. Não há espaço para imaginar esperança em meio a este pântano. Embora seja este engodo que os meios de comunicação vão criar agora, a de que estamos livres para voar rumo ao paraíso. Mentira.

O sentimento revanchista paira no ar. Os pré-julgamentos e preconceitos tomaram lugar da cordialidade. A tolerância e a ternura estão em baixa. Está faltando respeito entre nós.

Neste processo arrastado em que, surpreendentemente, o deputado Eduardo Cunha e políticos citados na Operação Lava-Jato como beneficiários de corrupção continuam soltos, cresce a sensação terrível de impunidade.

Quem pôde ir embora para o exterior já o fez. Quem ainda está por aqui se sente como alguém que está por um fio antes de explodir.

Neste rescaldo, vêm os Jogos Olímpicos e nos lava a alma. Luz, beleza, cores, atletas saudáveis e vitoriosos, policiamento nas ruas, serviços com melhor qualidade, mobilidade mais eficiente do que nos dias normais... Enfim, êxtase. Foi curto. Acabou.

Voltamos para nossas vidas modorrentas. No lugar de jovens atléticos, temos um processo político que definirá prefeitos e vereadores no dia 2 de outubro. Se tiver segundo turno, no dia 30.

Repare que os candidatos com possibilidade de vitória são pertencentes a agremiações com menor estrutura. O povo quer se libertar das velhas raposas, mas não consegue. Estamos trocando seis por meia dúzia.

O mais complicado é que podemos ter uma safra de prefeitos pior do que a atual. O quadro não é bom. A campanha política é de tiro curto: de 90 foi reduzida para 45 dias.

Quem for mais conhecido leva vantagem. Quem tem mais dinheiro, como sempre, também. Quem tiver máquina pública terá uma baita vantagem sobre oponentes.

Estamos diante do mais do mesmo, com viés de baixa. O eleitor tem um papel inestimável que é não permitir o prosseguimento deste processo dilacerante de elevar bandidos à condição de autoridade e eleger vereadores realmente capazes de não negociar o seu voto em troca de dinheiro no bolso. Quem acredita em duendes?


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02/09/2016 10h25

As 'misteriosas' viagens de Silvio Santos
Sidney Rezende

O apresentador Silvio Santos é, comprovadamente, uma das três personalidades brasileiras que podemos chamar de celebridade. As outras duas são Pelé e Roberto Carlos. Ninguém mais ocupa este panteão. Lula tropeçou. Neymar não se aproxima destes "gigantes".

Silvio Santos. Foto: SBT

Tudo o que envolve o animador desperta curiosidade. E, Silvio, sejamos justos, consegue a cada domingo, durante seu programa, surpreender seus telespectadores com o que há de mais inusitado.

O amor do povo é tão grande que um fã escreveu numa rede social: "Silvio tinha que ser eterno". Para ele, Senor Abravanel (nome de nascença do dono do "SBT") é tão divertido que não deveria morrer nunca.

Até o fim do ano, Silvio deverá fazer outras viagens ao exterior. Para um senhor de 84 anos, ele está demonstrando uma saúde de ferro diante de percursos tão longos. Ele faz esteira diariamente, cuida da sua saúde, faz acompanhamento médico e trabalha com disposição durante a semana.

De acordo com um dos sites que acompanha o mundo dos famosos, "só neste ano, é a quarta vez que o dono do SBT viaja para fora do Brasil. Ele passou o Ano Novo nos Estados Unidos, voltou para lá depois do Carnaval. No meio do ano, foi curtir um cruzeiro pela Europa com a mulher e uma das filhas. Desta vez, Silvio deve voltar ao Brasil em 12 de setembro. A ideia é aproveitar o feriado da Independência do Brasil na próxima quarta-feira (07)."

Segundo o colunista Flávio Ricco, o dono do SBT viajou na noite desta quinta-feira (1°) para Orlando, nos Estados Unidos. O Homem do Baú será acompanhado pela esposa, a escritora de novelas Iris Abravanel.

Silvio gosta quando viaja, principalmente para os Estados Unidos, acompanhar o que as televisões locais estão exibindo. De lá, tira muitas das suas ideias para quadros em seu próprio programa ou séries e modelos para o resto da programação do "SBT".

No final do ano passado, pouco tempo depois de casar a sua filha mais nova, Renata, no Guarujá, no hotel Jequitimar, de sua propriedade, Silvio voou para a Europa. Ele retornou para apresentar o "Teleton", animado como sempre. E deu aquele espetáculo ao contar que tinha incontinência urinária e que adoraria experimentar as novidades do mercado que oferecem fraldas geriátricas. No dia seguinte, ganhou algumas coisas. Mesmo ano que também ganhou uma assinatura vitalícia do Netflix.

Apesar destas viagens sempre trazerem notícias de que Silvio está curtindo com a família, descansando, e aproveitando sua vida madura, muita gente suspeita que por trás delas possam existir negócios, contratações ou outros compromissos não revelados. Por isso, estas pessoas, sempre costumam especular que há algo misterioso no ar.

Teoria conspiratória de lado, no que tange a celebridades, nada pode ser descartado.

Numa outra ocasião, se desconfiou que o magnata teria ido para a Europa para um encontro reservado com o também animador Gugu Liberato, hoje na "Record", que estaria na Grécia com a família. A especulação ficou por aí.

Silvio Santos. Foto: ReproduçãoEmbora hoje o empresário, que gosta de Gugu, sinalize que preferiria trazer Rodrigo Faro para os domingos do "SBT". Está fresco na memória a cena, durante uma das edições do Troféu Imprensa, em que Silvio franqueou o púlpito para Faro. Fala-se nos corredores do canal que o sonho de Silvio, quando aposentar, seria ter o apresentador da emissora de Edir Macedo no seu lugar.

Se este ano as inúmeras férias de Silvio são particulares, como a usufruída por qualquer trabalhador, misteriosas ou não, elas são direito privado do empresário. Até porque Silvio não se importa de se deixar fotografar com roupas desconexas como fez em Miami; em cima de jegue, quando passou dias no Caribe... E logo saberemos.

O dono do Baú é um pouco Assis Chateaubriand, o Chatô. Ele desperta curiosidade por ser que famoso e rico. Mas também porque é íntimo, e é celebridade.

Silvio Santos é amado como Pelé e Roberto Carlos. E os fofoqueiros não dormem, não é mesmo?



01/09/2016 09h46

O alívio da direita e a missão da esquerda de derrotar o PMDB nas eleições
Sidney Rezende

Um dia depois do afastamento definitivo da presidente eleita Dilma Rousseff, o quadro político ganha um novo contorno.

Vamos pinçar o mosaico para que você reflita sobre o todo:

Os empresários estão empenhados no discurso de que é preciso esquecer a agenda política e focar na economia. E, como tal, ativar os investimentos e estancar o desemprego. O tom é que tudo deverá ser feito para turbinar a máquina do setor produtivo no intuito de devolver a sensação de desenvolvimento e a prosperidade.

Os meios de comunicação ajudarão nesta tarefa. Qualquer pequena notícia boa será elevada à condição de manchete principal. Sem publicidade, a mídia não se mantém em pé.

As Forças Armadas continuam sabiamente equidistantes, afinal são guardiãs da Constituição, mas os militares, em sua maioria, respiraram aliviados após a destituição de Dilma e o enfraquecimento real do PT e dos chamados "comunistas que poderiam levar o Brasil a tornar-se uma Venezuela". Uma das mais importantes instituições do Brasil é, historicamente, conservadora.

A bancada religiosa integrada por católicos e evangélicos também se sente mais bem representada por Michel Temer e seu grupo do que por Dilma e Lula. Os pastores trabalharam ativamente pela viabilidade do governo atual.

A esquerda está discutindo duas propostas. Uma, lançada por Lula, a criação de uma Frente Ampla de Esquerda. Outra ação, esta anunciada ontem à noite pelo candidato do Psol à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, que é intensificar "a luta contra o PMDB e derrotar o partido nas eleições municipais em todo o Brasil". É preciso humilhar eleitoralmente os "golpistas", vamos dizer assim.

O que querem Lula, Freixo e Dilma - reafirmado pela presidente deposta no seu primeiro discurso após a derrota no Senado - é manter ataque constante ao Governo Temer e aos "golpistas". Dia e noite.

O presidente Temer, agora oficialmente empossado, deixou claro que o seu movimento não será rumo à "união" ou à "pacificação" - embora em palavras isso tem sido dito com todas as letras - mas de guerra aos opositores.

E, curiosamente, o "fogo amigo" chegou no pedaço, quando Temer propagou aquele recado dominador ao parlamento de que não tolerará atitudes independentes de deputados e senadores.

O recado duro também foi para dentro do Governo. Ao dar início à primeira reunião com sua equipe, Temer afirmou que será "inadmissível" qualquer tipo de divisão em sua base parlamentar e determinou que "se é governo, tem de ser governo".

Já a imprensa, esta se divide em dois grupos. O hegemônico, composto por proprietários de rádio, TV e jornais impressos - de apoio irrestrito a Michel Temer. O que leva a crer que será difícil prosperar na Justiça qualquer leve ameaça que aparente risco de desestabilização do estabilishment.

É duro reconhecer, mas nesta empreitada, patrões e empregados estão juntos. Jornalistas chegaram a estampar bandeiras do Brasil nas páginas dos seus veículos quando o resultado da saída de Dilma foi anunciado.

Colegas também publicaram em redes sociais textos, vídeos e fotos expressando felicidade diante do ocorrido.

E, num outro grupo, este mais presente na internet, profissionais se equilibram entre os que acham que a democracia sofreu um golpe; e aqueles, mais conservadores, que optaram por memes e galhofas. Por isso, a associação da imagem de Lula à cachaça; Dilma à imbecilidade; PT a Chávez; e a esquerda às bandeiras comunistas.

Os novos tempos serão sombrios.

Manifestação após impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Claudia Villas Boas


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01/09/2016 09h29

Vida de aposentada
Sidney Rezende

Somos cinco irmãos. Fui alfabetizado pela minha irmã mais velha, Nair Rezende. E, agora, tenho a alegria de ler o seu blog. Compartilho com vocês: vidadeaposentada-nair.blogspot.com.br


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31/08/2016 14h33

Dilma, fora. E agora?
Sidney Rezende

O grande "acordo" por cima que uniu maioria do Congresso, Mídia, parte da Justiça, Ministério Público e a elite conservadora selou o destino de Dilma Rousseff e, com o impeachment, encerra o ciclo do PT conquistado no voto, e que só poderá voltar a existir numa próxima oportunidade. Não se sabe quando. E nem se haverá eleições em 2018.

Como em 1964, boa parte do povo apoiou o processo e reedita-se o modelo conservador, centralizador e autoritário do passado.

Ao Partido dos Trabalhadores, só resta uma única chance, e ela seria com Lula, o seu principal líder. Mas o que acontecerá com ele?

Ao agora presidente da República, Michel Temer, caberá definir o ritmo: se o da "pacificação", visando a permitir que a democracia volte aos trilhos, ou a "caçada" a Lula, para tirá-lo de vez do caminho.

A julgar pelos atos durante a interinidade, podemos prever o prosseguimento da "higienização" de qualquer vestígio de pensamento divergente.

Perdem importância Eduardo Cunha ou mesmo a Lava-Jato, de Sergio Moro. A inocência de Cunha, por exemplo, não será surpresa. Ou mesmo uma saída negociada. O deputado fluminense fez muito para o "fora Dilma". Não é nem justo com ele que se exija que cumpra a lei.

A história brasileira está repleta de "aos amigos, tudo, e aos inimigos, a Lei". Cunha é amigo.

Confirmado o afastamento da presidente Dilma Rousseff, o governo Temer terá até dezembro de 2018 para executar seu programa.

O TSE poderá reprovar as contas de campanha da chapa Dilma-Temer antes de 31 de dezembro deste ano e o presidente teria, neste caso, o mandato cassado. No seu lugar, assumiria o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, e, em 90 dias, haveria nova eleição presidencial.

Se a condenação do TSE acontecer após 31 de dezembro próximo, mesma situação, mas, em eleição indireta, o Congresso elege outro presidente.


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30/08/2016 08h23

Políticos profissionais e você
Sidney Rezende

Existem momentos cruciais em que precisamos escolher um lado. Este é um deles.

Quantos de nós detestam políticos? Por que o nosso desamor? Eles mentem, roubam, são egoístas e especialistas na arte de enganar e trair princípios. Esta é a explicação mais comum que ouço por aí.

Este artigo não é para defendê-los, e muito menos para protegê-los. É para tornar separáveis na nossa cabeça "políticos" de "política". Por entender políticos como inaceitáveis, nos divorciamos da política. Deste processo nasce o subdesenvolvimento e cria os espaços livres para os larápios da política.

Nós é que estamos errados. Os políticos agem confirme seu DNA. Elefante é elefante. Cachorro é cachorro. Inseto é inseto. Não espere de nenhum deles conduta integral de seres humanos.

Os políticos brasileiros são aqueles que vimos na Câmara no dia da votação da admissibilidade do processo de impeachment da desajeitada presidente Dilma Rousseff. Os mesmos que no Senado se pronunciaram, dando sequência ao afastamento da chefe da nação eleita por 54 milhões de votos.

São políticos profissionais Romero Jucá, Moreira Franco, Jair Bolsonaro, Pastor Feliciano, Michel Temer, Agripino Maia, Cássio Cunha Lima, Ronaldo Caiado, José Sarney, Renan Calheiros. Estes são os vencedores. Não de agora, mas de sempre. Eles representam a "elite" da política brasileira.

Aos que entendem a prática da política como ação real de transformação, devemos destemor aos protagonistas, mas escolher o lado que se empenha em resgatar os pobres. O nosso lado, a meu juízo, é o da prioridade máxima para educação, reciclagem urgente para professores e profissionais da área.

O nosso lado é o da inclusão. O nosso princípio precisa ser o de "amar o próximo como a ti mesmo". Se o nosso lado não coincidir com o dos "vencedores", não tem importância. Estamos onde estamos por causa deles.

O apelo central aqui é... não abandone a arte da política. Mas escolha um lado. O mais fácil é o dos vencedores. É isto que você quer para nós e para o país?


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23/08/2016 18h08

Usain Bolt é um dos atletas mais ricos do mundo

O escândalo sexual envolvendo Usain Bolt ganha ainda mais projeção depois de se saber que o jamaicano tem uma fortuna superior a US$ 71,4 milhões - ante US$ 44 milhões de Phelps.

Entre patrocínios e prêmios, incluindo um acordo de US$ 10 milhões por ano até 2025 com a Puma, Bolt ganha dinheiro que já chama a atenção do mundo esportivo mundial. 

Jady 'Bolt', sua musa brasileira, está de olho nesta conta bancária.



22/08/2016 20h23

Geneton Moraes Neto, seu nome é Jornalismo
Sidney Rezende

Sidney Rezende e Geneton Moraes Neto. Foto: SRZD

Morreu um dos caras que sempre tratou o Jornalismo com respeito. Repare que escrevi com "J" maiúsculo. E não é por acaso. Geneton não perfilava nesta vala comum de canalhas e traidores.

A primeira vez que nos encontramos foi em 1986. Eu acabara de escrever o livro "Ideário de Glauber Rocha", com a ajuda inestimável do meu amigo de faculdade Carlos Nobre.

Pernambucano, fiel às suas raízes nordestinas, Geneton viu ali uma oportunidade de valorizar o baiano e a cultura brasileira. Então, me convidou para uma entrevista para o "Jornal da Globo", onde era um dos editores.

Ele fez um cenário em croma bonito com a foto da capa do livro. Infelizmente, entre a realização da entrevista e a veiculação, surgiu uma greve da categoria e o trabalho nunca pôde ser visto. O material se perdeu no meio do caminho.

Nossos caminhos tomaram outros rumos, mas, anos mais tarde, nos reencontramos nos corredores da "TV Globo", até sermos colegas na "Globonews".

E sempre nos cumprimentávamos e conversávamos longamente sobre o Brasil. Tanto ele como eu lutávamos pelas mesmas coisas: liberdade, democracia, combate à pobreza, valorização da profissão. E sempre ríamos muito. Nossos "santos" sempre se deram bem.

Quando soube há um pouco mais de um mês que Geneton Moraes Neto estava internado e precisava de sangue, eu escrevi aqui e nas redes sociais que podíamos ajudá-lo. 

Sinceramente, eu acreditava na recuperação. Quando li aqui no SRZD que Geneton morreu hoje, aos 60 anos, o meu coração ficou muito triste.

Geneton, nordestino, honesto, dedicado aos livros, uma vida entregue ao saber, bom colega, só deixou coisas boas na sua caminhada. Uma folha de serviços extraordiária. Um amigo. 

Triste, mas orgulhoso por existir um profissional, como escrevi nas primeiras linhas, que não tem nada a ver com esta vala comum de canalhas e traidores.

Descanse em paz. É um clichê que Geneton não escreveria. Mas é um sentimento único que traduz o que sentimos.



22/08/2016 19h37

A cidade de Extrema, seus queijos e doces
Sidney Rezende

O cineasta Marcelo Spomberg me fez o gentil convite para prestigiar o 3º Festival Literário de Extrema, pacata cidade de Minas Gerais, bem pertinho de Bragança Paulista. Extrema é a terra do queijo, como disse o colega Roberto Cabrini. Mas também das cachoeiras. 

Foto: SRZDEstas viagens maravilhosas que faço pelo Brasil aquecem o meu coração pela oportunidade de conhecer lugares incríveis e pessoas abnegadas que realizam - num esforço muito grande - relevante papel cultural.

Há cidades onde não existe um cinema sequer, livraria ou programação para a população se divertir.

E a forma como me tratam é sempre um ponto alto. O motorista André Cardoso, sempre gentil, nos apresentou sua família. A mulher e três crianças. Educadíssimos, todos na escola, e pensando o futuro próximo com seriedade. Muito bacana.

O assessor do evento Márwio Câmara me contou que os dois últimos eventos foram realizados com muito esforço, mas que a ideia é manter sempre viva a chama da cultura. E, a cada ano, sensibilizar a população a ser ainda mais participante.

Destaque para as mediações das mesas conduzidas por Cadão Volpato.

Fiquei feliz de ter contribuído com minha participação. Aproveito para agradecer os maravilhosos queijos, a cachaça da terra e os doces deliciosos. Estou me deleitando. Muito obrigado. 



18/08/2016 16h23

Pedido de desculpas de nadadores americanos mentirosos é punição branda
Sidney Rezende

Está cada vez mais evidente que Ryan Lochte, Jack Conger, James Feigen e Gunnar Bentz mentiram. E mentiram feio ao contarem à polícia que foram assaltados na madrugada do último domingo (14) quando voltavam para a Vila Olímpica. Segundo os atletas, os supostos bandidos teriam roubado cerca de US$ 700. Lorota para esconder que foram para farra, beberam além da conta e curtiram uma noitada proibida para menores.

A versão rocambolesca dos americanos começou a cair por terra quando a polícia fez a investigação reversa. E, piorou muito, no momento em que o jornal inglês "Daily Mail" deu conhecimento ao público de um vídeo que mostra os atletas chegando felizes da vida à Vila Olímpica depois do falso "assalto". Ou seja, não apareciam nada aterrorizados diante do que disseram que teria ocorrido.

Mais tarde, funcionários de um posto de gasolina contaram que os atletas estavam alcoolizados, causaram confusão e chegaram a depredar parte do banheiro do estabelecimento. Com a identificação do taxista que os levaram para "casa", novos fatos vão complicar mais ainda os meninos do Tio Sam. É melhor eles contarem a verdade logo.

Em resumo, nas várias versões dos pinóquios, nada bate com nada. Ryan Lochte acaba de dizer a uma rede americana uma historinha totalmente diferente daquela propagada por ele próprio. A nova parece tão fantasiosa quanto a primeira.

A Justiça brasileira com elementos abundantes determinou, com total razão, o confisco dos passaportes. Um dos mentirosos já estava protegido nos Estados Unidos. Mas os demais ainda estão em terras brasileiras. Espera-se que a embaixada e consulado americanos não maculem suas credibilidades deixando de ajudar as autoridades brasileiras.

Sabemos que a tradição nestes casos é entrar a operação abafa e tudo termina em pizza. O próprio porta-voz dos Jogos Rio2016 já andou propondo "pedido de desculpas". Se for isso, é pouco.

Façamos como os Estados Unidos agem com brasileiros flagrados em ilegalidades, após investigação policial. Que a Justiça seja rápida e que os mentirosos paguem em dólares o prejuízo que causaram à imagem do Rio e do Brasil.

Desta vez, os bandidos tupiniquins não tinham nada a ver com a patuscada estrangeira.


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16/08/2016 09h12

Francês compara vaias a comportamento nazista
Sidney Rezende

O campeão olímpico em Londres e recordista mundial de salto com vara, Renaud Lavillenie, foi mais um atleta a reclamar do comportamento da torcida que grita, apupa, assovia e esbraveja contra adversários quando há brasileiros na disputa. Ele chegou a associar este estilo ao comum utilizado por "nazistas". Mais tarde, Lavillenie pediu desculpas.

Renaud Lavillenie. Foto: Reprodução/InstagramRenaud Lavillenie ficou profundamente decepcionado com sua derrota e não aceitou a vitória do nosso menino de Marília. Ele não teve o fair play de cumprimentar o brasileiro imediatamente à conquista incontestável.

Vejamos o outro lado. A cultura do futebol de torcer pela derrota alheia e com isso ganhar vantagem para o seu time não cabe para as demais modalidades disputadas nos Jogos Olímpicos. O que se ganhou desconcentrando um ginasta, por exemplo?

Um jornalista de rádio disse com todas as letras que "secou" um atleta japonês porque ele era um adversário a ser batido e com isso ajudaria um brasileiro a obter a medalha. Os demais integrantes da "mesa redonda" o elogiaram pelo comportamento e disseram que fariam o mesmo se estivessem lá no momento da competição.

Esta falta de cultura esportiva dos brasileiros pode mudar no momento em que nossas equipes melhorarem suas performances com marcas internacionais e a organização desportiva melhorar no país. O que vemos hoje é um certo amadorismo coletivo. Com exceções, é claro!

É evidente que vaias com o mero intuito de confundir os participantes atrapalham e são parte de gestos subdesenvolvidos. Mas nem por isso se pode tirar o brilho extraordinário de Thiago Braz que, além de vencer com folga, estabeleceu novo recorde olímpico: 6,03 metros. 

Ao francês, o mérito de ser um grande atleta. Mas algo mais aconteceu na noite mágica do Rio. E, provavelmente, na disputa com Thiago Braz, o francês perderia mesmo que o silêncio fosse sepulcral. A medalha de ouro já tinha dono antes de começar a disputa, diria Nelson Rodrigues. São coisas do Sobrenatural de Almeida.

Aos brasileiros, fica a lição de que boa educação e civilidade são condutas que todos temos que ter sempre, e, em dobro, quando anfitriões. Vaiar os outros para tirar vantagem é feio e aético.


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13/08/2016 11h31

As meninas da seleção feminina e a esculhambação do futebol brasileiro
Sidney Rezende

Por que o torcedor está apaixonado pela seleção feminina de futebol?

O divórcio do brasileiro com a seleção masculina não é recente. Por isso, ele vê enviezado o que os jogadores metrosexuais apresentam no campo. Repare que enquanto as meninas usam roupas confortáveis para jogar, os rapazes, ao contrário, usam uniforme cada vez mais colados no corpo para, quem sabe, exibir seus "músculos"? São exibicionistas e arrogantes. 

O conselho para os garotos: caso vocês ainda não saibam, a torcida quer gols. Depois deles, vocês podem ressuscitar, caso prefiram, o uso de anáguas. A verdade crua é que os jogadores não estão cumprindo seu ofício. 

As meninas, ao contrário, estão sobrando em garra, determinação, foco, vontade, disposição, amor à camisa e mais um caminhão de boas intenções. Se perderem antes da final sairão aplaudidas em campo, podem escrever. Os rapazes, se ganharem, correm o risco de merecer aplausos comedidos.  

Essa batida escolhida pelos jogadores com fones importados, bolsa Louis Vuitton, sobrancelha aparada, cabelos com creme importado, cortes "da hora", malhas de griffe... anda confundindo a cabeça dos nossos atletas. Eles "se acham". 

Neymar anda empurrando adversários, xingando juízes, perdendo a cabeça. Do mesmo jeitinho meninos de 21, 22 anos, recém-chegados à seleção olímpica, já olham seus colegas de cima para baixo com uma arrogância inexplicável. 

Pelo visto, sapato alto não é um hábito dos mais velhos, mas já começa ser aprendizado obrigatório dos novatos desde o início da sua vida profissional.

Tudo isso passa...Tudo isso pode ser relevado...O que não pode é a convicção de que jogam uma bola redonda. Não jogam. Não estão jogando nada...Pernas de pau se comparados com seleções de outros tempos.

A paciência esgotou. O humilhante 7 a 1 contra a Alemanha na Copa poderia até estar no contexto natural de uma competição e de um jogo, cá pra nós, completamente atípico. Mas, não. Foi só o alerta máximo de que temos que mudar. E não mudamos. Viemos com o lixo no comando de sempre. A cartolagem não larga o osso. Temos que tirá-los de lá. 

Ocorre que o problema é mais profundo. A insatisfação do torcedor é extensiva ao que chamamos de extra-campo. E não são problemas solúveis facilmente.

As armações dos dirigentes, segundo analistas esportivos, são maracutaias que envolvem milhões de reais, as roubalheiras superfaturadas das obras da Copa do Mundo, a desordem dos campeonatos, o comando intocável da CBF mesmo com o seu líder maior preso, a permanência da direção que deveria dar explicações mas que não é cobrada porque qualquer questionamento poderá trazer problemas para a condução dos contratos sombrios e pouco transparentes, inclusive os de transmissão pela televisão.  

Enfim, amamos as meninas porque elas não têm campeonato decente no Brasil, e, mesmo assim, jogam como se não existissem problemas e dão o recado com talento, disposição, vontade...e gols. Parabéns! Tanto para as atletas como para a comissão técnica. O técnico Vadão trabalhou muito, e trabalhou bem. 

Amamos nossa seleção porque a principal craque, Marta, é humilde, companheira, profissional e se empenha pela equipe. E não de olho na sua conta bancária. Enquanto Neymar coleciona arrogância e impaciência, Marta esbanja qualidade e seriedade. Neymar nunca ganhou um título mundial por sua seleção. Olhemos Pelé e vamos encerrar a conversa sobre esse item. 

Avante, seleção feminina, qualquer que seja o resultado. Ganhar medalhas neste momento será um mero detalhe. A missão já foi cumprida.

E quanto à seleção masculina, sempre dá tempo de corrigir. Mas tá difícil. Afinal,  tudo indica que este estilo marrento já está impregnado no DNA destes caras. Aí, é aquela coisa, elefante é elefante, cachorro é cachorro, bode é bode...fazer o quê?