Quem foi São Cristóvão ?
Raymundo Quadros* | São Cristovão | 21/08/2008 00:42
Nascido em algum ano do século III da nossa era, na Palestina original, hoje Israel, tinha o nome de Óferus. Relatos da época o descrevem como cidadão de elevada estatura, possuidor de uma força descomunal e de realçado porte atlético.
Dele dizia-se que tinha um ideal, que era colocar-se a serviço do rei mais poderoso do mundo, e após muito caminhar e cheio de decepções co seus senhores, veio a estabelecer-se às margens de um rio no Vale de Xantos (na época era a Região da Lícia, hoje situado na Turquia) e sobrevivia de transportar, nas costas, as pessoas de uma margem a outra desse rio. Aí é que entra e lenda, (ou terá sido verdade?) um elo dia apareceu um menino para ser carregado. A tarefa cotidiana que parecia ser fácil, a medida que ele ia avançando pelas correntezas, o peso se tornava cada vez maior e a criança já era de tamanho fardo que ele exclamou:
- O que é isso menino? Você pesa tanto que parece que carrego o mundo em meus ombros...
O garoto respondeu:
- Tu carregas não só o mundo como o seu autor. Eu sou Jesus, o Rei que tanto procuravas. Vem e me siga...
E coerentemente com seus pensamentos passou a servir a religião cristã, e no batismo, se chamou Cristóvão, ou seja, ?aquele que transporta o Cristo?. Seu apostolado foi na própria Lícia e converteu inúmeras pessoas, inclusive soldados romanos das Legiões do Imperador Caio Décio, que pessoalmente guerreava naquela região. Veio a perecer pelas mãos daquele imperador por volta do ano 250, como um verdadeiro mártir. Foi canonizado no início do século IV.
São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, tem seu dia comemorado em 25 de Julho no Brasil e a 10 de Julho na Espanha. Isso, é claro, para a Igreja Católica. No Rio de Janeiro tem sua Igreja Matriz situada no bairro de mesmo nome na Praça Padre Séve, 10.
* - Raymundo Quadros é pesquisador de futebol. Texto extraido de "Chuva de Glórias - A Trajetória do São Cristóvão de Futebol e Regatas", p.13, Pontes Livros, 2004.
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Branco, com as honras de São Cristóvão
Redação SRZD | São Cristovão | 14/08/2008 23:48
Cores e camisas criam a identidade de um clube. O torcedor em geral nutre uma saudável preferência por um ou outro uniforme e, não raro, seu uso está impregnado por superstições e fé. O Botafogo tem evitado utilizar o conjunto alvinegro em clássicos, já que a camisa branca tem trazido sorte. Na decisão do Campeonato Paulista, veio à tona a camisa da sorte da Ponte Preta, toda negra, que a fez quebrar o jejum de 15 anos sem vencer o seu rival citadino, o Guarani, mas não foi suficiente para evitar a vitória do Palmeiras. No sul, o Internacional iria a campo de vermelho para a final do Gauchão mas, na hora decisiva, ninguém ousou contradizer a lógica: em time que ganha tudo de branco, não se mexe. Resultado: vitória por incacreditáveis 8 a 1 sobre o Juventude.
Mas, e quando o clube tem apenas um uniforme? Se existem mecanismos internacionais da Fifa que obrigam todos os clubes a terem pelo menos dois deles, esta exigência não pode abraçar ao São Cristóvão de Futebol e Regatas, da Segunda Divisão profissional do Rio de Janeiro. Conhecido como clube cadete pela grande quantidade de quartéis que cerca seu estádio e pelo grande número de militares que freqüentavam suas dependências no passado, o São Cristóvão joga completamente alvo: o uniforme é branco por inteiro: meiões, calção e camisa. Apenas os detalhes fundamentais são em preto, como o número de cada atleta. Assim, os adversários são sempre obrigados a trocar de uniforme.
O mecanismo de proteção que já obrigou até mesmo ao Santos a jogar com a camisa dois, listrada em branco e preto, em plena Vila Belmiro, se encontra no artigo 132 do regulamento de futebol do estado do Rio de Janeiro e é um dos poucos do documento que ainda tem valor. Originalmente, o texto também não permitia que clubes fundadores da entidade fossem rebaixados, mas isto mudaria anos depois.
?O regulamento diz que o São Cristóvão terá sempre a preferência de atuar com o uniforme branco. Isso não significa que o clube não possa ter outro uniforme. Hoje ele não tem, mas também o estatuto não proíbe, e diz que, na falta da camisa branca, o São Cristóvão deve atuar de rosa. Hoje, não há camisa dois. Ficou a camisa branca como tradição e nunca houve problemas?, explica o pesquisador e diretor de patrimônio do clube cadete, Raymundo Quadros, autor de dois livros que contam a história do clube.
No entanto, o pesquisador lembra que o São Cristóvão já utilizou um uniforme alvinegro: ?No final dos anos dez, havia uma camisa com listras verticais. Mas desde os anos trinta o clube não joga partidas oficiais sem a camisa branca. Utilizamos outras camisas em jogos festivos e amistosos, mas nunca em competições?, garante o pesquisador, remontando ao tempo que o nome era São Cristóvão Atlético Clube, anterior à fusão ao Clube de Regatas São Cristóvão.
Condenado às disputas domésticas que, desde 1994, terminam por não reconduzi-lo à Primeira Divisão, o São Cristóvão teve a primeira prova de fogo em 2000, na Copa João Havelange, o primeiro e, até hoje, único campeonato brasileiro disputado pelos alvos. Do ponto de vista da tradição e do apelo histórico, foi um sucesso. Os cadetes caíram no grupo G do módulo branco, ao lado de Friburguense, Ipatinga, Matonense, Mogi Mirim, Olímpia e União Barbarense. O saldo não chega a ser positivo: 4 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, em 12 jogos. O resultado foi o quarto lugar da chave que classificaria três clubes para a fase seguinte.
A campanha não foi brilhante, mas não por falta de respeito às tradições. ?Na época eu era diretor e levei cópia deste documento à CBF, que ficava na Rua da Alfândega, e expliquei a situação. Além disto, enviamos um fax com a cópia do regulamento para todos os clubes do grupo e a CBF publicou no regulamento da competição que o São Cristóvão só jogaria de branco?, afirma Quadros. Os adversários respeitaram a medida e o São Cristóvão jogou todas as partidas de branco. Imaculadamente alvo, da cabeça aos pés.
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São Cristóvão quer acesso para consolidar novo tempo
| São Cristovão | 13/08/2008 01:22

O São Cristóvão vive o segundo ano da parceria com a Expert, empresa de segurança de valores que arrendou o departamento de futebol. A medida saneou as contas Campeão Carioca de 1926, que não fecha mais o ano no vermelho e terá direito a uma porcentagem em todas as vendas de atletas e ainda ganhou investimentos estruturais, como a reforma do gramado do estádio da Rua Figueira de Melo, a construção de cabines de imprensa e um campo de futebol soçaite, que o clube aluga para fazer caixa.
Em campo o investimento foi semelhante ao do ano passado, mas o elenco começa mais entrosado e com um treinador experiente: é de Gilson Paulino a tarefa de conduzir o clube alvo à Primeira Divisão. O veterano zagueiro Márcio Costa dá o toque de experiência a um time sem estrelas, mas que brigará pelo acesso.
A principal novidade da temporada está nas arquibancadas: para atrair o público, a diretoria contratou animadoras de torcida que farão danças e coreografias e são presença garantida em todos os jogos disputados na Rua Figueira de Melo. A irreverente torcida cadete já escolheu o apelido das musas arquibaldas: são as Cristovetes.
Time base
São Cristóvão: Fernando; Tiaguinho, China, Márcio Costa e Souza; Rodrigo, Júnior Maranhão, Daniel e Luiz Carlos; Marcos Paraíba e Moisés.
Técnico
Nome: Gilson Paulino de Oliveira
Data de nascimento: 16/11/1953 (54 anos)
Gilson Paulino teve bastante tempo para encontrar e selecionar a equipe ideal: chegou ao clube no início do ano e, desde então, trabalha a equipe ininterruptamente.
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