Memórias do Carnaval Carioca III
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 14/05/2012 20h19
UNIDOS DA TIJUCA
A antiga fábrica de rapé e tabaco chamada Borel e Cia foi a responsável por trazer moradores a Tijuca em meados do século 19, trabalhadores que se instalavam ali para trabalharem - em sua maioria negros livres e forros . Em pouco tempo, essas habitações se transformaram no hoje conhecido Morro do Borel.
Trabalhadores da fábrica de cigarros Souza Cruz, da fábrica de tecidos Maracanã, do lanifício Alto da Boa Vista, da fábrica de tecidos Covilhã, e de outras manufaturas existentes nas proximidades, foram responsáveis pela explosão habitacional daquela área.
E foi exatamente pelas mãos de trabalhadores das fábricas do bairro que, em 31 de dezembro de 1931 nascia uma escola de samba chamada Unidos da Tijuca.
Uma das mais antigas e tradicionais agremiações do carnaval, a Unidos da Tijuca apresentou ao longo de sua história muitos carnavais e sambas de qualidade superior, posso citar como exemplo, 1975 "Magia Africana no Brasil e seus Mistérios", "O Dono da Terra" em 1999, e "Agudás" em 2003. Vale destacar ainda como fundamentais para a construção do carnaval deste país, "Casa-Grande Senzala" em 1961 e "Mundo Encantado dos deuses Afro-Brasileiros" em 1976.
A escola do Borel vive hoje uma nova concepção inovadora e revolucionária da arte de se fazer carnaval, com o carnavalesco Paulo Barros, marcando seu nome na história da Sapucaí em 2010 com o inesquecível "É Segredo", onde a escola não apenas faturou o campeonato mas como também emocionou, e impressionou o público presente numa das mais completas e marcantes passagens dos desfiles das escolas de samba nesses 80 anos.
UNIDOS DO CABUÇU
No Morro do Amor, bairro do Lins de Vasconcelos, numa região conhecida como Grande Méier, um time de futebol chamado Nacional Futebol Clube aos dias de carnaval deixava a bola de lado, esquentava os tamborins, e se transformava em bloco carnavalesco. E foi em 1945, que esse bloco se fundiu a outros da região para fundar a Sociedade Esportiva e Recreativa Escola de Samba Unidos do Cabuçu.
Em se falando de samba de enredo a escola se destacou especialmente nos carnavais das décadas de 70 e 80. Destaque para o carnaval de 1977 com "Sete Povos das Missões", 1981 com o enredo "De Daomé a São Luís, a Pureza Mina-Jeje", e em 1983, com um samba que virou clássico "A Visita do Oni de Ifé ao Obá de Oió", certamente um dos maiores sambas e carnavais de temática afro-brasileira.
A partir de meados dos anos 80, a Cabuçu - escola com poucos recursos financeiros - passou a desenvolver enredos de apelo fácil, homenageando algumas personalidades absolutamente alheias ao mundo do samba, como a apresentadora Xuxa, o cantor Roberto Carlos, o compositor Milton Gonçalves e o grupo humorístico Os Trapalhões, os sambas mostrados nesses carnavais, é claro, são irrelevantes.
PARAÍSO DO TUIUTI
No bairro de São Cristóvão, o Morro do Tuiuti, foi um dos primeiros da região a ser ocupados, ainda nos tempos do Império. Lá também nasceu uma das primeiras escolas de samba do Rio de Janeiro, a Unidos do Tuiuti, em 1934.
A Unidos do Tuiuti em decadência deixou de existir. Em 1954, por iniciativa de integrantes do Bloco Carnavalesco dos Brotinhos e da escola de samba Paraíso das Baianas, existentes à época na região, surgiu a escola de samba Paraíso do Tuiuti.
A nova agremiação adotou as cores azul-pavão - da antiga Unidos do Tuiuti - e amarelo-ouro - da Paraíso das Baianas. O símbolo da escola, a coroa imperial, faz referência a São Cristóvão, bairro marcado pela forte herança histórica do período em que ali moraram os personagens mais importantes dos tempos em que o Brasil viveu sob o regime da monarquia.
Dentre os nomes ilustres da escola quero destacar o compositor e sambista Noca, que antes de se consagrar na Portela fez sambas para a agremiação. Seus carnavais mais representativos poderiam ser muito bem representados por "Carnaval e Batucada" de 1971, "Os Imortais da Música Brasileira" 1973 e" Vida e Obra de Cecília Meirelles em 1975.
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A Viradouro que quer ser campeã
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 10/05/2012 19h46
A Viradouro é uma dessas escolas que nos tempos modernos do carnaval carioca teve uma ascensão meteórica, chegando rapidamente ao Grupo Especial e realizando grandes apresentações, pois é, a má administração faz o trabalho de toda uma vida se destruir, e foi exatamente isso que aconteceu com a escola de Niterói, quando ao ano de 2010 fez talvez sua pior apresentação em toda sua história, comprometendo assim sua permanência ao lado das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro. Mas tudo isso são águas passadas, a escola vive um novo momento, e é exatamente esse momento que faz agente acreditar na vermelha e branca.
Algumas escolas quando descem ao Grupo de Acesso sentem uma mudança drástica, quer seja na estrutura, nos poucos recursos, na força e confiança da comunidade, ou mesmo no interesse da administração em reverter o quadro, mas nada disso aconteceu com a Viradouro, ela permaneceu grande. Sob a administração de Gusttavo Clarão, a escola permanece com o sonho bem vivo de voltar ao Grupo Especial, e não sonha apenas, como muitas fazem hoje, ela investe em seu carnaval.
Para se ganhar carnaval não existe fórmula mágica, nem secreta, é só investir na escola, ter seriedade, e compromisso com seus profissionais, um belo exemplo disso são escolas como Salgueiro, Beija-Flor e Unidos da Tijuca, que se tornaram super potências, sempre investindo na qualidade de seus espetáculos, a Viradouro, mesmo em outro grupo, segue esse exemplo.
Penso que a Viradouro é uma dessas escolas que estão no Grupo de Acesso por acaso, esperando o bonde da vitória passar, e não demora muito, ela conseguirá pegar este bonde que remete ao Maior Espetáculo da Terra. A contratação do carnavalesco Max Lopes, só faz esta tese ganhar força.
O novo carnavalesco da Viradouro terá a missão de trazer a escola ao Grupo Especial, e já está trabalhando no desenvolvimento do enredo que será apresentado em breve, segundo fontes ligadas a Max. Não tenho dúvidas que Max fará uma grande apresentação nos quesitos que lhe são confiados, tanto por sua experiência, talento indiscutível, ou mesmo pela vontade de mostrar que o "Mago das Cores" está mais vivo do que nunca.
É muito bom ter um Presidente como o Gusttavo, um homem que tem visão do futuro, entende de carnaval, e não quer aparecer mais do que a escola, como muitos presidentes fazem hoje em dia por aí. Levar o Max para a Viradouro é uma esperança redobrada de que em breve vamos ter o povo de Niterói mostrando seu samba na elite de nosso carnaval.
Ao Max, toda sorte do mundo, que os Orixás o protejam, nós, os amantes dessa festa mágica só esperamos uma coisa: que a Viradouro brilhe sob as mãos de um dos maiores nomes da arte e da cultura deste país.
Axé!
Memórias do Carnaval Carioca II
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 04/05/2012 13h27
IMPÉRIO SERRANO
A Serra da Misericórdia começou a ganhar vida, quando negros libertos, após a Abolição dos Escravos, começaram a ocupar a região que passou a se chamar simplesmente de Serrinha.
No início dos anos 40, a escola que representava o morro era a Prazer da Serrinha, entretanto, em 1946 devido a divergências com o presidente Alfredo Costa, marcado por seu autoritarismo na condução da agremiação, uma rebelião surgiu no seio da escola, liderados por Sebastião Molequinho. Foi na casa da Tia Eulália que a nova escola começou a dar seus primeiros passos, baseada no princípio da democracia no samba. O grupo escolheu as cores verde e branco, como tributo à sua escola madrinha, a Império da Tijuca.
Surgia o Império Serrano, uma das escolas de samba que produziu o maior número de sambas antológicos ao longo de sua história, e deu ao gênero o seu maior compositor - Silas de Oliveira.
O que dizer afinal de uma escola que marcou época com carnavais que vivem na mente do sambista como o de 1964 "Aquarela Brasileira", Os cincos Bailes da História do Rio" em 1965, "Exaltação à Bahia" 1966, "São Paulo, Chapadão de Glórias" 1967, "Pernambuco, Leão do Norte" 1968, e "Heróis da Liberdade" em 1969, época de ouro do samba e do carnaval carioca.
Silas de Oliveira é uma das maiores referências do Império Serrano, mas se mesmo assim, por um momento optássemos por deixa-lo de fora, ainda assim a escola teria uma seleta galeria de bambas, entre eles, Mano Décio, Wilson Diabo, Roberto Ribeiro, Aluízio Machado, Molequinho, Beto Sem-Braço e, mais recentemente o talento incontestável de Arlindo Cruz, mantendo a escola da Serrinha no topo do universo do samba e do carnaval deste país.
UNIDOS DA PONTE
O primeiro registro de uma mulher presidindo uma escola de samba no Rio de Janeiro, vem de São João de Meriti, com a Unidos da Ponte, na pessoa de Carmelita Brasil. Mulher esta, que teve a iniciativa de filiar a agremiação à Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, até então os componentes participavam do concurso local, onde conquistaram o tricampeonato em 1956.
É interessante notar que entre 1959 e 1964, todos os enredo e sambas da Ponte são de autoria de Carmelita, a presidente assinou ainda os enredos entre 1965 e 1969.
Uma escola de pequeno porte, com poucos recursos financeiros, sempre enfrentou dificuldades pra construir seu carnaval. Seus melhores carnavais, segundo a crítica especializada constam dos anos entre 1982 e 1984, respectivamente, "O Casamento da Dona Baratinha", "E Eles Verão a Deus" e "Oferendas".
ACADÊMICOS DO GRANDE RIO
A escola de samba Acadêmicos de Duque de Caxias foi fundada no início de 1988, a partir de um bloco carnavalesco chamado Lambe Copo. A nova escola de samba se filiou à Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, e deveria desfilar no quinto Grupo de Acesso em sua estreia.
Foi neste momento que surgiu a possibilidade da escola desfilar no segundo grupo, pois a ele pertencia o GRES Grande Rio. A Acadêmicos de Duque de Caxias, então incorporou a antiga escola, adotou o nome de Acadêmicos do Grande Rio, e estreou no carnaval diretamente no segundo grupo, numa armação clara que beneficiou a escola.
Esse fato gera uma certa confusão - algumas pessoas acham que a Acadêmicos do Grande Rio foi fruto de uma fusão entre antigas escolas de samba tradicionais da cidade - União do Centenário, Cartolinhas de Caxias, Capricho do Centenário e Unidos da Vila São Luís. A fusão dessas escolas de fato ocorreu, em 1972. Mas dessa fusão resultou o GRES Grande Rio, esta fora incorporada anos depois pela Acadêmicos de Duque de Caxias, dando origem, a hoje conhecida Acadêmicos do Grande Rio.
Seus carnavais foram meteóricos, conquistando rapidamente o público e a crítica, carnavais como o de 1993 "No Mundo da Lua" que teve em seu samba participação na autoria do saudoso Dicró, 1994 com "Os Santos que a África Não Viu", "Na Era dos Felipes o Brasil era Espanhol" de 1996. A escola que produziu carnavais assinados por Joãosinho Trinta e Max Lopes, impressionou diversas vezes a Sapucaí trazendo um misto de inovação com tradição.
Hoje a Grande Rio se destaca menos pela qualidade dos seus sambas e mais pela estratégia adotada pela direção da agremiação, em desfilar com um número impressionante de artistas de TV e celebridades duvidosas, sem qualquer ligação especial com o universo das escolas de samba, e pela apresentação de enredos patrocinados, o que a impulsionou a ser considerada uma escola luxuosa e muito próspera.
TRADIÇÃO
O GRES Tradição surgiu de uma dissidência da Portela, sob a liderança de Nésio Nascimento, filho do ex-presidente Natal. A escola fora criada inicialmente com o nome de Portela Tradição, a Justiça, entretanto, vetou a referência à Portela.
Em sua primeira apresentação, a comissão de carnaval liderada pela carnavalesca Maria Augusta, desenvolveu o enredo "Xingu, o Pássaro Guerreiro" em 1985. O samba de João Nogueira e Paulo César Pinheiro se eternizou como um clássico instantâneo, e é, sem dúvida, a maior referência da escola em samba de enredo.
Depois de um bom início e uma passagem pelo Grupo Especial, a Tradição passou a enfrentar diversos problemas financeiros e não conseguiu se firmar como uma das grandes do nosso carnaval.
Em 2004, a escola reeditou o enredo "Contos de Areia" da Portela de 1984, em homenagem à escola da qual se originou. Em 2007 talvez tenha feito seu último bom carnaval, com o enredo "Sonhos de Natal", conquistando inclusive, um Estandarte de Ouro de melhor samba de enredo no Grupo de Acesso.
Axé!
Memórias do Carnaval Carioca I
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 02/05/2012 13h58
PORTELA
O bairro de Oswaldo Cruz, foi nos tempos coloniais, uma região marcada pela economia agrícola, entretanto, entrou em declínio com o fim da escravidão, quando propriedades começaram a ser loteadas e ocupadas por uma população que, deixava o Centro da cidade em virtude das reformas urbanas do início da República.
A localidade começou a se integrar com a cidade a partir da inauguração da estação de trens Dona Clara, em 1890. Em 1917, quando o médico sanitarista Oswaldo Cruz morreu, a estação de trens passou a homenagear o cientista e nomeou também o bairro que ali surgia.
Foi na década de 20 que começaram a surgir as primeiras manifestações carnavalescas, blocos como o de marcha-ranho Ouro Sobre Azul (de Paulo da Portela); o Baianinhas de Oswaldo Cruz; o bloco Quem Fala de Nós Come Mosca (da festeira Dona Ester) e o Conjunto de Oswaldo Cruz. Este último citado, mudou de nome para Quem Nos Faz É O Capricho e, logo depois para Vai Como Pode.
Nos anos 30, sob as tentativas do Estado varguista de disciplinar as manifestações populares, as agremiações carnavalescas tinham que obter o licenciamento junto à delegacia de costumes para poderem desfilar.
Dulcídio Gonçalves, delegado da região à época, argumentou que o nome Vai Como Pode, era demasiado impróprio para uma agremiação séria. Segundo relatos de vários fundadores da escola, o nome Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela (em referência à Estrada do Portela) teria sido sugestão do próprio policial.
A Portela marcou a história das escolas de samba de forma decisiva. Dentre muitas outras contribuições, foi a primeira agremiação a desfilar com alegorias, uniformizou a comissão de frente e introduziu a caixa surdo e o apito na bateria. Não se contentando com isso, foi a pioneira a introduzir, na figura do presidente Natal, a ligação entre escolas de samba com o jogo do bicho.
Apesar de já ter mostrado inúmeras obras de referência ao samba, a escola se destaca muito mais pela impressionante tradição na composição de grandes sambas de terreiro do que propriamente pela excelência nos sambas de desfile.
Seus grandes carnavais podem ser referenciados por: "Seis Cartas Magnas" 1953, "Riquezas do Brasil" 1956, o histórico "Lendas e Mistérios da Amazônia" 1970, "Lapa em Três Tempos" 1971, "Ilu Ayê, Terra da Vida" 1972, "Macunaíma" 1975 samba e apresentação marcantes, "Das Maravilhas do Mar fez-se o Esplendor de Uma Noite" 1981 e "Contos de Areia" 1984, além é claro de um samba antológico apresentado este ano na Sapucaí.
Sua ala de compositores é uma das mais ricas do samba deste país, gente como Candeia, Althair Prego, Valdir 59, Colombo, Catoni, Jabolô, Cabana, Norival Reis, Ary do Cavaco, Dedé, Davi Corrêa e Noca, se destacam como os mais significativos autores de samba de enredo, que se imortalizaram na história e ajudaram a fazer da Portela, a reconhecida Águia Guerreira, de Oswaldo Cruz e Madureira, que hoje conhecemos.
IMPÉRIO DA TIJUCA
A região da Tijuca era um vasto pântano à época da colonização, posteriormente ocupada por chácaras e grandes plantações de café. Dom Pedro II, determinou que toda a área fosse reflorestada, para minorar o problema de escassez de água da capital do Império.
No início do século 20 os morros da Tijuca foram ocupados, formando diversas favelas. Um nos morros mais antigos em se falando de povoação, foi o Morro da Formiga, onde funcionava uma escola de alfabetização para as crianças, e foi exatamente neste contexto que surgiu em dezembro de 1940, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Educativa Império da Tijuca - a primeira agremiação a usar o termo Império em seu nome, e a única a ter no nome a expressão Educativa, em referência ao projeto que era desenvolvido naquela comunidade para a formação de crianças e jovens.
Entre os carnavais que marcaram história no Morro da Formiga, pelas mãos da Império da Tijuca, estão o de 1971 "Misticismo da África para o Brasil", "Exaltação a Candido Portinari" 1969, "As Minas de Prata" 1974, "O Mundo de Barro de Mestre Vitalino" em 1977, "As três Mulheres do Rei" 1979, "De Sacristão a Barão do Ouro" 1980, "Cataratas do Iguaçú" 1981, "Tijuca: cantos, recantos e encantos" 1986, e mais recentemente a valentia de um carnaval com poucos recursos, num tempo onde a indústria da folia dita com mão de ferro as normas do bom, e caro espetáculo, "O intrépido Santo Guerreiro" em 2007, vale lembrar que com este samba a escola conquistou seu único Estandarte de Ouro no quesito.
UNIDOS DO VIRADOURO
Foi entre os jogadores do time de futebol Unido, que surgiu o sonho de criar uma escola de samba em Niterói, mais precisamente no bairro de Santa Rosa, bem próximo onde o bonde fazia a volta - área que por isso era conhecida como Viradouro.
Sob o comando de Nelson Jangada e Nelson Santos, os amigos daquela localidade decidiram fundar, no dia de São João, padroeiro de Niterói, no ano de 1946, uma escola samba.
Interessante é que a escola até 1970 desfilava com as cores azul e rosa, os tecidos para a produção do seu carnaval eram fornecidos pela Fábrica Matarazzo, de São Paulo, mas com o fechamento da fábrica, houve muita dificuldade de se encontrar tecidos com a mesma tonalidade, foi então que a escola resolveu modificar as suas cores oficiais para vermelho e branco.
Em 1949, com o enredo "Arariboia" a escola conquistou seu primeiro campeonato no carnaval de Niterói, ao todo foram 18 títulos na cidade.
No ano de 1986, por decisão da maioria dos componentes, a Viradouro se filiou à
Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e desfilou hors-concours, no carnacal carioca, garantindo o direito no ano seguinte de concorrer oficialmente e disputar títulos. A Unidos do Viradouro fez uma carreira meteórica, chegando ao Grupo Especial em 1991 e já ganhando o carnaval do Rio em 1997, com o enredo de Joãosinho Trinta "Trevas! Luz! A Explosão do Universo", seus melhores sambas recordados até hoje com grande euforia por seus torcedores continuam sendo "Mutu, Muido Kitoko" no carnaval de 1982 e "O Sonho de Ilê Ifé" em 1984. Atualmente a Viradouro disputa o carnaval do Grupo de Acesso, lutando honrosamente para voltar à elite do carnaval carioca.
Axé!
'Mutreta' no título da Beija-Flor de 2011
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 30/04/2012 13h48
O desfile foi emocionante, afinal levar o Rei Roberto Carlos para a Sapucaí em uma alegoria, num enredo que fez uma bela homenagem ao cantor era mesmo de fazer qualquer um se contagiar e vibrar com aquele momento. O 2011 que a Beija-Flor levou para a avenida foi um carnaval muito diferente do que nos acostumamos a ver a escola de Nilópolis realizar, vimos uma escola leve, sem teatralização, com fantasias aparentemente leves sem perder o luxo, e alegorias até um pouco simples, em comparação com outros carnavais. Certamente a escola apostou na emoção e na força de sua comunidade.
Não quero de forma alguma ser leviano neste espaço, nem entendam estas linhas como escritas por alguém que não gosta de determinada agremiação. Alguns torcedores à época da divulgação das justificativas dos julgadores para o carnaval 2011, onde alguns declararam que a direção da Liesa pedira que não fossem tão rigorosos com a escola de Nilópolis, por conta de óleo deixado pela escola anterior ao seu desfile na avenida, criticaram minha opinião pelo ocorrido, realmente eu fiz duras críticas, afinal já vi muitas escolas sendo prejudicadas nos desfiles e nunca tinha visto a Liga pedir qualquer tipo de privilégio para escola A, B ou C... O fato realmente me chamou bastante atenção, alguns torcedores me acusaram de não gostar da Beija-Flor, ou mesmo de persegui-la, naquela época eu postava meus trabalhos em outro Blog. Quero dizer que sempre admirei esta escola, não fosse por isso, nunca teria desfilado por lá, fato que ocorreu nos anos de 2005, 2007 e 2010, sou um amante do samba acima de tudo.
A polêmica sobre o contestável título da azul e branca da Baixada ganhou força com a CPI do Cachoeira, instalada pelo Congresso Nacional, para apurar um forte esquema de contravenção, que supostamente beneficia políticos, empresários e entidades em todo o Brasil. Pois é, neste último domingo o Jornal O Dia, no seu caderno País, página 32, traz uma matéria sobre o caso, onde Carlinhos Cachoeira diz ter "negócios" com a Beija-Flor de Nilópolis, e que o título conquistado em 2011 teve "mutreta", segundo escuta feita pela Polícia Federal para a Operação Monte Carlo. A escuta teria sido de 9 de março de 2011 e ocorreu às 18h29, quarta-feira de cinzas.
No site Brasil 247, na página 15, volume 1, o Departamento de Polícia Federal divulgou nota confirmando um tipo de "negócio" do bicheiro com a escola de samba. A reprodução foi autorizada pelo Ministério da Justiça.
Vale lembrar que Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor de 75 anos, patrono da escola, cumpre prisão domiciliar. Ele foi condenado pela Justiça Federal a 48 anos de prisão por formação de quadrilha, corrupção e envolvimento com o jogo do bicho, bingo e caça-níqueis.
É lamentável que a beleza de nosso carnaval, que revela a forma mais intensa da cultura deste país, esteja envolvida neste momento com uma CPI que trata de um forte esquema de contravenção, de crime organizado e da corrupção no Brasil. Não quero parecer demagogo, ou mesmo como disse no início do texto leviano, o fato é que as denúncias apontam para uma sabotagem no resultado do carnaval de 2011. Tenho defendido que o jogo do bicho, ilegal em nosso país, não é um caminho sensato e prudente para as escolas de samba trilharem, e nem aceito o argumento de que neste país todo mundo rouba, existe muita gente séria, lutando para que a corrupção tenha fim, e para que homens que cometam crimes sejam punidos pelo rigor da lei.
Tenho a mais absoluta certeza de que uma agremiação como a Beija-Flor de Nilópolis não precisa manipular resultados para ser campeã, mas as denúncias estão aí, a Polícia Federal está apurando, e esperamos que os culpados sejam punidos, quer seja bicheiro, político, empresário, ou mesmo uma escola de samba.
Axé!
Dos Arengueiros à Estação Primeira de Mangueira
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 28/04/2012 14h31

Pelos idos de 1920, um dos morros mais conhecidos do país, o Morro da Mangueira já produzia uma seleção classe "a" de bambas do samba. Zé Espinguela, Artur, Rubens, Carlos Cachaça, Cartola, Antonico e Saturnino Gonçalves eram muito jovens ainda, cheios de enregia, vigor e um espírito farrista aguçado, até mesmo brigões em muitas ocasiões. Esse grupo de jovens, bebiam, faziam arruaça, eram verdadeiros "malandros" do Morro, e por isso não participavam dos blocos da Mangueira, todos à época muito familiares.
Acontece que eles eram do samba, e aí já viu né... Queriam sair no carnaval! Quem é do samba sabe bem do que estou falando, essa vontade apaixonada que mora dentro da gente, impossível de contar ou explicar. Então eles acabaram encontrando uma maneira de brincar o carnaval, criaram pela iniciativa de Zé Espinguela o Bloco dos Arengueiros em 1927, a eles se juntaram Chico Porrão, Maçu e Fiúca, saíam do morro e iam até a Praça Onze, se divertir, brigar, bater, apanhar e, até acabar a noite no xadrez, era o início do samba, ainda marginalizado.
Mas toda essa confusão durou apenas um carnaval, afinal eles entenderam que samba era coisa séria, e foi aí que nasceu a Estação Primeira de Mangueira, em 28 de abril de 1928. Naquele dia decidiram deixar de lado a vida sem compromissos e criar uma Escola de Samba de verdade para reuniar sua gente. Gente simples e humilde, de poucos recuros financeiros, mas com muita dignidade e princípios, foram mostrar para o carnaval que no Morro de Mangueira também se fazia samba e carnaval. Vale lembrar que o Bloco dos Arengueiros ainda seguiu muitas vezes representando sua gente.
Ao longo desses 84 anos de vida, a Estação Primeira de Mangueira, conquistou um patamar de reconhecimento internacional, e se construiu ali a escola de samba mais querida do planeta. Talvez seus fundadores não pudessem imaginar o tamanho daquele ato realizado em 28 de abril de 1928.
Tenho a certeza de que todos aqueles que se entregaram à essa obra, em qualquer lugar onde estejam, estão não apenas surpresos, mas felizes. E é isso que nos dá a certeza de que podemos sempre, com união e dedicação total à nossa Mangueira chegarmos sempre a um porto seguro, por mais que tenhamos caminhos difícies a trilhar, e os obstáculos, por vezes nos façam rolar lágrimas, lágrimas de amor por essa paixão inexplicável, que só quem é mangueirense pode entender perfeitamente.
O mundo caminhou a passou largos daquele 1928 até os nossos dias, o carnaval se transformou muitas vezes, mas o samba sobreviveu sempre. A vida nos mostrou que as grandes instituições e mesmo a sociedade avançaram muito, mesmo com todas as dificuldades impostas pelo destino, o que nos permite dizer que a Estação Primeira de Mangueira, por toda sua história, pelos seus carnavais, pelo desenvolvimento de seus projetos de altíssimo nível no campo social e esportivo beneficiando milhares de pessoas, meninos e meninas,e formando gerações de cidadãos, cumpriu muito além do que se propôs. Tornou-se referência da cultura deste país.
Tenho a certeza de que assim continuará a verde e rosa, seguindo com determinação, tradição, inovação sempre que o tempo exigir, humildade e samba no pé, pra mostrar a essa gente que o samba é lá em Mangueira.
Salve a Estação Primeira de Mangueira!
Axé!
A Kizomba Mirim de Vila Isabel
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 27/04/2012 04h14
Alguns momentos no carnaval carioca ainda me emocionam como a primeira vez que pisei na Sapucaí, e o desfile das escolas de samba mirins é um deles, sempre passa um filme pela minha mente, que me faz viajar àquela ala das crianças em 1996 na Mangueira, quando senti de perto o que era uma escola de samba de verdade na Sapucaí. Reitero aqui o convite para quem nunca assistiu, que possa participar deste momento no próximo ano, inteiramente grátis você vai poder se emocionar também com os nossos pequeninos sambistas, futuro do samba, e vai poder constatar que no que depender dessa rapaziada nossa folia estará entregue em boas mãos.
Foi com muita felicidade que recebi a notícia de que a escola mirim da Vila Isabel, os Herdeiros da Vila vai reeditar o histórico enredo "Kizomba, a Festa da Raça". Aquela Vila de 1988 que os pequenos não puderam ver será apresentada por eles mesmos, relembrando o maior desfile da escola de Noel. A idéia de aproveitar parte do material utilizado este ano pela Vila na Sapucaí, conforme divulgou o SRZD-Carnaval, também me parece muito apropriada num ano em que a sustentabilidade será discutida de forma veemente em nosso país, e uma vez que precisamos encaminhar nossas crianças para a consciência ambiental, o carnaval dos Herdeiros da Vila certamente marcará nossa festa em 2013, como mais um momento histórico.
A Herdeiros da Vila, ao resgatar este enredo em comemoração aos seus 25 anos, prestará um grande serviço à memória do samba. Eu ainda era bem pequeno em 1988, mas posso, através de vídeos e depoimentos de quem viveu aquele momento na Sapucaí, ter certeza de que vale a pena relembrar. Particularmente, sou contra reedição de enredos por escolas de samba, mas acho que esta prática funciona muito bem entre as escolas mirins, que tem entre muitas funções, a de preservar e contar a história do carnaval carioca para quem ainda não conhece.
E o carnaval das crianças já começa com tudo, boa sorte aos meninos e meninas da Vila, que possam incorporar Kizomba, como fizeram há 25 anos seus pais, avós, tios e tias, gente que defendeu a "escola mãe", com garra, e samba no pé, coroando este carnaval como o campeão de 1988.
Axé!
Opções de enredo para a Inocentes de Belford Roxo
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 24/04/2012 14h23
O carnavalesco Wágner Gonçalves em entrevista ao SRZD-Carnaval afirmou que a escola de Belford Roxo tem algumas boas opções de enredo, um dos temas deu a enteder, que seja o que ele já está trabalhando, seria pelo desenvolvimento de um tema criativo, inusitado e antenado, que segundo o carnavalesco iria discutir algumas questões do mundo, o outro seria uma proposta de enredo patrocinado.
A grande verdade é que escolas de samba que ascendem ao Grupo Especial, precisam de forma inteligente captar recursos financeiros, o que não é fácil, principalmente para quem vai estrear na elite do carnaval carioca. Estas escolas vem trazendo consigo já uma expectativa grande do público, além de dívidas e uma necessidade urgente de ampliar seu carnaval, quer seja na estrutura de alegorias, no formato de suas fantasias, e no aperfeiçoamento de seus quesitos, e isso tudo em pouco menos de um ano, reorganizar um barracão e ter em seu elenco profissionais de classe "a" também não é muito fácil no carnaval atual.
Por todos esses motivos e ainda outros, a escola certamente vai precisar de muito apoio financeiro, a subvenção certamente não será suficiente, então apostar num enredo patrocinado, caso haja a oportunidade, seria uma boa saída, para não ter de apresentar um carnaval medíocre na Sapucaí em 2013, mas aí é necessário se tomar muito cuidado, para não se resolver um problema e criar outro, o "quesito emoção" é fundamental nos dias atuais de nossa folia, e se a escolha do enredo for baseada apenas no fator econômico, será um desastre, está para todos nós o exemplo da Porto da Pedra, que ousou um enredo vendido de forma aberta e que trouxe de presente seu rebaixamento.
Entendemos muito bem que as escolas necessitam de dinheiro nesta indústria que se tornou o carnaval carioca, indústria milionária vale lembrar, mas perder a essência do samba, o princípio do carnaval carioca, é de toda forma lamentável também.
O Presidente Reginaldo Gomes já fez promessas firmes de que a Inocentes de Belford Roxo fará um grande desfile, e a escolha do enredo, que será divulgado em breve, é o princípio disso tudo que se espera da "Caçulinha da Baixada". Por sua vez, o carnavalesco terá a grande oportunidade de mostrar que não é apenas um profissional do Grupo de Acesso, e pode sim, realizar um grande espetáculo.
Vamos aguardar, com uma certa ansiedade, afinal a decisão da escolha do enredo nos dará uma luz, ainda que distante, sobre o futuro da Inocentes. Patrocínio ou emoção será uma escolha difícil, mas quem sabe com ajuda dos deuses protetores do carnaval carioca, esta aliança aconteça, e possamos ver passar na avenida uma escola cativante, emocionante, trazendo um enredo que acrescente à cultura da nossa festa, com patrocínio. Vamos torcer.
Axé!
Salve Jorge, nosso Pai Ogum!
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 22/04/2012 13h52
São Jorge para os católicos, Ogum para os seguidores de religiões afro-brasileiras, tanto faz o nome, a energia é o que realmente importa, neste país de miscigenação, que caminha a passos largos contra todo tipo de preconceito e intolerância, a favor dos direitos humanos. Este, quer seja São Jorge ou Ogum, que tantas vezes passou pelo carnaval carioca, recebendo as mais lindas e emocionantes homenagens, nos serve como exemplo de confiança em dias melhores, e a fé de que sempre que persistimos em nosso objetivos, alcançamos a vitória.
No mundo do samba quais escolas poderia melhor representar este Santo Guerreiro do que Império Serrano, Beija-Flor de Nilópolis e Império da Tijuca? Essas escolas podem muito bem representar tudo que já vimos o carnaval fazer em memória de Jorge, o Santo Guerreiro, Ogum nosso Pai da Guerra.
Ogum é o Senhor dos metais, dono dos caminhos da vida, ele mesmo foi quem ensinou os homens a usarem o aço, e por suas próprias mãos forjava suas ferramentas, tanto para a guerra quanto para agricultura. Pessoas filhas D’Ogum geralmente não desistem de seus sonhos, são fortes, guerreiras, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar ofensas das quais foram vítimas, segundo contam as tradições afro-descendentes.
Seja pela força, ou pelas guerras, a verdade é que este Santo tem protegido nosso carnaval com toda sua força e poder. Carnavais como o do aço apresentado pela Unidos de Padre Miguel em 2010, ou mesmo o belo enredo que a Império da Tijuca apresentou em 2007, e neste tive o grande prazer de participar de perto e ver uma grande espetáculo na Sapucaí, não saem da minha mente, e sempre que penso neste Santo, envolvido com o Maior Espetáculo da Terra, não posso deixar de me lembrar da bela imagem que a Beija-Flor de Nilópolis tem em sua quadra, onde faz seus pedidos ao Santo padroeiro, talvez o mais popular de todos, principalmente entre cariocas e fluminenses.
Quem sabe com um pouco de sorte, o carnaval carioca vai poder ver mais uma vez São Jorge sendo homenageado pelo Império Serrano em 2013, seria uma grata alegria para todos nós. Mas segue de qualquer forma nossa homenagem, para este Santo, e para todos os seus seguidores.
"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar..."
Que nosso Pai, Santo Guerreiro, nos dê vida, saúde e caminhos abertos, para que o carnaval carioca possa, sempre ter a capacidade de apresentar belas e ricas homenagens a toda história que tanto o povo africano nos ensinou, quanto os grandes estudiosos deste tema.
Axé!
Mais do mesmo na Imperatriz Leopoldinense
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 21/04/2012 18h02
Processo eleitoral encerrado na Imperatriz Leopoldinense, e em chapa única Luizinho Drumond está reeleito, para os torcedores e admiradores da verde e branca de Ramos que esperavam por uma mudança real e de fato, vão ter que esperar mais um pouco, e aguardar para que a nova diretoria, que me parece mais do mesmo, atenda ao clamor dessa gente que vem amargando carnavais sofridos nos últimos anos.
A saída da carnavalesca Rosa Magalhães pareceu à época uma alternativa para que esta tão esperada mudança acontecesse, o que vimos foi a contratação de um exemplar carnavalesco, Max Lopes, que nem assim conseguiu dar fim a este período de declínio na escola, e Rosa por sua vez, só fez brilhar seu talento ainda mais, tanto na União da Ilha e no Império Serrano em 2010, quanto na Vila Isabel nos últimos carnavais. Isto faz agente entender que talvez o problema central na Imperatriz não seja de fato um carnavalesco.
A escola que nos últimos anos perdeu o requinte e perfeição das mãos de Rosa, e a sabedoria e criatividade de Max, aposta agora no carnavalesco Cahê Rodriguês e no cenógrafo Mário Monteiro para comandarem seu carnaval, é uma aposta considerável, mas se a diretoria quer de fato uma mudança nos resultados que a escola vem obtendo nos tempos mais próximos, vai ter que mudar muita coisa por lá, afinal carnavalesco ainda não virou santo milagreiro.
Vejam que a saída da Rainha Luiza Brunet só reforça esta vontade de mudança dos que amam defendem a Imperatriz. Talvez as denúncias sobre o esquema do jogo do bicho envolvendo a escola tenha piorado ainda mais esta situação, mas tem gente que não se importa com isso, é só olhar para Nilópolis, por exemplo, que vemos uma escola apaixonada pelo contraventor Anísio, e pouco se importando com as investigações que ele vem sofrendo, o discurso fácil para todos é bem simples: neste país todo mundo é corrupto. Opa, todo mundo não, tem muita gente séria por aqui.
Meu desejo sincero, é que o presidente consiga superar toda esta crise e com todo talento administrativo possa trazer a Imperatriz de volta à briga por títulos no carnaval carioca, pois certamente o espetáculo que nos acostumamos a ver na Sapucaí, quando a Imperatriz em seus tempos áureos pisava na avenida, está fazendo falta.
Muito sucesso à Imperatriz Leopoldinense.
Axé!
Rita de Cássia e a nova geração de coreógrafos do carnaval carioca
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 20/04/2012 15h12
A era Paulo Barros introduziu em nosso carnaval um novo estilo de se produzir os desfilas das escolas de samba, quer seja pelas magníficas alegorias vivas, ou pela teatralização inserida nas composições, sem falar, é claro de alguns efeitos do tipo bateria em carro alegórico, componentes atravessando a bateria, comissões de frente incríveis, e um grupo de componentes apaixonados e dedicados pelo que fazem na Sapucaí. E daí é claro, surgem ao estilo do talento de Paulo um série de mudanças consideráveis, e até que criticava agora já aposta na criatividade e novo estilo de se fazer carnaval, com isso alguns coreógrafos ganharam muito espaço, e puderam apresentar seus trabalhos ao mundo do samba.
Eu que sempre fui um incentivador das inovações do carnaval, quando conheci a coreógrafa Rita de Cássia vi em meu primeiro encontro com esta maravilhosa profissional, sambista acima de tudo, que esta nova fase que atravessa nossa folia, de fato, está em boas mãos, e que os próximos anos seriam de muitos momentos agradáveis aos olhos de quem quer ser emocionado no Maior Espetáculo da Terra.
Quando se fala do trabalho executado por alguns coreógrafos, geralmente grande parte das pessoas não conseguem "ligar o nome ao trabalho", isso porque o carnavalesco ainda é visto como o único responsável pelo sucesso das apresentações que as escolas de samba realizam, mas basta começar a mostrar algumas imagens que passamos a ver que grande parte daquilo que mais nos chamou atenção tem uma parte fundamental da mão talentosa de um coreógrafo, como Rita de Cássia.


Carnaval, suor e paixão... Construtores de um sonho
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 18/04/2012 12h24
É nos desfiles das escolas de samba que essa gente apaixonada mostra seu valor. Uma gente tão apaixonada por samba, que respira e transpira carnaval doze meses por ano - quem foi que disse que a festa de momo só acontece entre fevereiro e março? Uma gente que é capaz de "abandonar" lar, marido/mulher e filhos e formar uma nova família dentro de um bairro chamado "barracão", numa Cidade conhecida como a "do Samba". E descansa em colchonetes ao lado de quem mal conhece. E vira noites acordada desenhando, confeccionando, escrevendo, colando lantejolas, cortando plásticos, costurando tecidos, soldando e pregando estruturas de vários metros de altura e largura. E come qualquer coisinha para não perder tempo, entre uma empreitada e outra, sob os olhares atentos do carnavalesco e do diretor de barracão, para não perder tempo, porque tudo tem que sair perfeito, como o imaginado.
Essa gente que pouco aparece, que os olhares da mídia não conseguem captar, é exatamente essa gente que constrói nossos sonhos de contar incrívies histórias na Sapucaí todos os anos. Deste grupo de pessoas já surgiram gente de peso, como os carnavalescos Max Lopes, começando sua vida no carnaval carioca no barracão do Salgueiro de Fernando Pamplona, e revelando com o passar do tempo artistas como Roberto Szaniecki, Fábio Ricardo, Mauro Quintaes. Até o grande gênio Joãosinho Trinta, também surgiu como auxiliar, gente anônima que com trabalho, talento e muita dedicação ajudou a construir nos barracões das escolas de samba.
Na atualidade, pessoas como Vladimir Morellembaumm ao lado do carnavalesco Max Lopes, Paulo Brasil na Portela, Júnior Barata ao lado do carnavalesco Alexandre Louzada, Delfim Rodrigues, Annik Salmon e Marcos Oliveira com Paulo Barros e tantos outros assistentes aderecistas, costureiros, artesãos de toda espécie merecem nossa homenagem, o nosso muito obrigado, afinal, sem bastidores não haveria folia, glamour, flashes. O Maior Espetáculo da Terra não seria tão espetacular assim. Por isso em cada uma das agremiações existentes em todo o país, e não são poucas, existem histórias de vida incríveis e admiráveis de um célebre anônimo apaixonado pela arquitetura de nossos sonhos de carnaval.
Me recordo muito facilmente daquele 7 de fevereiro de 2011, um incêndio que destruiu os barracões da Grande Rio, da Portela e da União da Ilha. Eu chegava na Cidade do Sambas já por volta das 10h da manhã, e a cena era uma das mais tristes e comoventes que eu já vi em meus poucos anos de vida, ali, gente de todo o tipo chorando, desesperados, porque seus sonhos pareciam ter sido incendiados também, fui aquele local por conta de amigos e trabalhos que desenvolvia à época na Cidade do Samba, e ver toda aquela cena me fez refletir de quem realmente faz o carnaval. O fogo destruiu centenas de expectativas de levar o campeonato, mas só fez aflorar a solidariedade entre as doze agremiações. E internamente uniu ainda mais os componentes de cada escola de samba.
Aplausos para essa turma que quase não aparece, e ainda não tem seu valor devidamente reconhecido, nós sambistas, admiradores do carnaval, só poderíamos dizer uma coisa: vocês são os melhores, e a nossa festa só tem todo este brilho que costumeiramente vimos na Passarela do Samba, pelo talento de todos vocês.
Axé!
Levanta Mangueira II
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 16/04/2012 12h52
E depois de algumas páginas policiais, inquéritos instaurados, e muita repercussão sobre as eleições na Estação Primeira de Mangueira, parece que o pleito seguirá seu curso democrático, como deve ser sempre. Todas estas más notícias que a imprensa divulgou sobre a situação política na escola, nos últimos dias, tocam muito na imagem de uma escola de samba que não merecia passar por isso.
A democracia existe justamente para dizer o que a maioria deseja, e no caso das eleições, os eleitores aptos ao voto tem a oportunidade de dizer o que querem, e assim será em 28 de abril, o mangueirense vai poder dizer para o mundo a Mangueira que deseja para os próximos três anos, e a matemática é bem simples, quem está satisfeito com os projetos sociais, com os resultados, com as apresentações, com a gestão administrativa que aí está, vota no candidato da situação, agora quem enxerga uma nova opção, mais inteligente administrativamente, mais comprometida com as tradições e o futuro da verde e rosa, vai votar em um cadidato de oposição. Num país democrático como o nosso, a intimidação não pode ganhar nenhum tipo de eleição, muito menos no mundo do samba, que sempre esteve ao lado da liberdade.
Dentro deste contexto, a liberdade de opinião deve ser respeitada, e ambos os lados devem saber que algo está acima de tudo o que está acontecendo neste pleito: a Estação Primeira de Mangueira, ela sim, deve ser preservada, sua imagem precisa ser protegida e respeitada. Para quem faz parte de uma escola do tamanho da Mangueira, o vale tudo eleitoral não pode fazer parte da disputa, e a turma do quanto pior melhor, tem que aprender a respeitar toda esta história.
E qual é a Mangueira que queremos? Esta é uma pergunta de múltiplas respostas, porque cada apaixonado por esta agremiação tem na veia a vontade de ter uma Mangueira mais forte e mais competitiva, e daí surgem inúmeras opiniões de como consolidar esta busca por dias melhores.
Eu não estou aqui para avaliar a atual gestão, muito menos para fazer comparações com as gestões passadas, o que realmente eu desejo para a Velha Manga é que juntos, e todos juntos mesmo, possamos construir uma escola de samba, que mesmo desenvolvendo enredos culturais, tradicionais e de interesse do samba, seja competitiva, com alegorias e fantasias bem produzidas, um barracão que seja modelo de profissionalismo, e que todos os outros quesitos, com muita dedicação, sejam melhor trabalhados para ver a verde e rosa conquistar notas mais apropriadas a sua importância no carnaval deste país.
A Mangueira que queremos é aquela mesma de 1984, de Chico Buarque em 1998, de Max Lopes invandindo o Nordeste em 2002, e de tantos memoráveis carnavais que mostramos para o mundo, o que fez desta, a escola de samba mais querida do planeta, aquela escola mesmo que não se pode deixar o sambódromo sem ve-la passar, aquela mesma escola que Dona Neuma tanto defendeu, que Cartola cantou, que Chininha se emociona todos os anos na Sapucaí, aquela mesma que Júnior, ídodo do Flamengo descreveu em entrevista ao SRZD-Carnaval esta semana, esta é a Mangueira que queremos, uma escola possível para todos. Que ao término destas eleições o verdadeiro mangueirense, seja humilde o bastante para reconhecer que precisamos de todos, se queremos uma escola de samba campeã para os próximos anos.
E que o samba de Mangueira nunca saia da boca do apaixonado mangueirense...
Mangueira teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou, ô...ô...
O morro com seus barracões de zinco,
Quando amanhece, que esplendor,
Todo o mundo te conhece ao longe,
Pelo som de teus tamborins
E o rufar do seu tambor
Chegou, ô... ô...
A mangueira chegou, ô... ô...
Ó Mangueira, teu passado de glória,
Ficou gravado na história,
É verde-rosa a cor da tua bandeira,
Pra mostrar a essa gente,
Que o samba, é lá em Mangueira !
Axé em verde e rosa pela Mangueira que queremos!
A eterna Majestade do Samba mora em Madureira
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 12/04/2012 09h00
Os 89 anos de Portela não poderiam vir acompanhados de melhor notícia do que um enredo sobre Madureira para o carnaval de 2013. Num tema que propõe contar a sua própria história a Águia Guerreira vai ter a oportunidade de emocionar mais uma vez o amante do carnaval carioca, e o torcedor portelense certamente está explodindo de emoção. Há algum tempo que o povo de Portela vem reinvindicando a chance de falar de tudo o que fez pelo samba durante sua trajetória até os dias de hoje, e tem muita coisa boa para contar e para aprender com a azul de branca.
Madureira é um típico bairro do subúrbio do Rio, tem a cara do povo simples, trabalhador, feliz e sambista da nossa cidade, que fez construir não apenas escolas de samba, mas um bom lugar para se viver, já imagino as múltiplas opções em que o carnavalesco Paulo Menezes poderá trilhar, quer seja ao falar dessa gente, ou por seu rico comércio, pelas escolas de samba que lá nasceram, pelo tão conhecido Mercadão de Madureira, pelos ricos terreiros de matriz afro-brasileira que existem no bairro, e mesmo pela Portela, com sua torcida amante e admirável que atravesssou todos estes anos construindo o samba que queremos para nossos filhos e netos.
Certamente as figuras mais importantes da escola estarão nesta doce homenagem, mas será muito ver também o torcedor anônimo, aquele mesmo que frequenta a quadra, que participa das feijoadas, que desfila, que defende sua escola, e que nunca perdeu a esperança de ve-la conquistar o tão sonhado, e esperado título mais uma vez, e neste contexto todo já posso vislumbrar os Guerreiros da Águia, a torcida Portelamor, porque de tudo que sempre vejo nos carnavais, o que mais me chama a atenção sempre é a presença do torcedor apaixonado, e esta é uma escola feita de corações apaixonados. O espetáculo, qualquer que seja a via que a direção de carnaval decisa executar em 2013, será um grande momento em nossa história, que certamente nos colocará no limite da emoção.
Passei o dia em que a Portela completou seus 89 anos parabenizando, e querendo saber da emoção de amigos portelenses que trago no peito, e as definições sobre esta escola foram as mais vibrantes, não dá para notar que a Portela está tanto tempo sem conquistar um título, e que vem passando por um momento se certa cautela nos seus últimos resultados, a paixão parece ser a mesma de uma escola que acabou de subir no lugar mais alto do pódio, e tudo isto se explica, é claro, pelo fato de ser uma escola de samba de verdade. Plumas, paetês, mídia colaboradora, caneta amiga de julgador, patrocínios grandiosos, nada disso são capazes de construir uma escola como se fez a Portela.
Ela é do portelense, do sambista, do carnaval carioca, é um verdadeiro patrimônio cultural, uma força que será, no que depender de sua gente, a eterna Majestade do Samba.
Obrigado Paulo Benjamin de Oliveira, Antônio Caetano, Antônio Rufino, Manuel Bam Bam Bam, Alcides, João da Gente, Chico Santana, Natal, Dona Ester Maria de Jesus, Dona Martinha, e tantos outros nomes que deram a todos nós a honra, o prazer e a oportunidade de conhecer a Portela. Nosso muito obrigado!
Axé!
O samba do público SRZD-Carnaval é verde e rosa
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 11/04/2012 10h13
O SRZD-Carnaval divulgou o resultado da enquete que apurava a opinião do internauta sambista sobre o melhor samba enredo de 2012 na Sapucaí, e o hino da Estação Primeira de Mangueira foi o escolhido com uma ampla votação, conforme divulgou este site. A parceria de Júnior Fionda, Lequinho, Igor Leal e Paulinho Carvalho contou exatamente o que a verde e rosa queria dizer ao festejar os 50 anos do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, um samba ousado, pra cima, que trouxe um misto da história do Cacique com a própria história da Mangueira, e isso sem dúvidas sempre mexe muito com o mangueirense.
Lequinho e Júnior Fionda sem dúvidas há algum tempo encontraram o caminho do sucesso e o gosto do mangueirense, que se identifica muito com suas composições. Me recordo muito facilmente deste samba quando ainda na disputa no Palácio do Samba, confesso que torcia para outra composição, mas sempre comentei com amigos e profissionais do gênero que este era um samba que tinha a cara da Mangueira, e tudo indicava que seria escolhido, quem pôde acompanhar aqueles dias percebeu como este samba chegou forte na disputa, e o quanto ele cresceu durante a competição, encantando e apaixonando a comunidade. A escolha acertada deste samba trouxe mais uma vez um momento de pura emoção em nosso carnaval, que contagiou toda a Sapucaí.
É claro que a força, a garra, a atitude, e a presença do torcedor de Mangueira sempre traz algo de especial em tudo que a agremiação faz, mas este foi um grande presente, e uma motivação maior para que acreditássemos que a Velha Manga nunca perdeu o que sempre soube fazer de melhor: samba.
A Estação Primeira tem uma ala de compositores privilegiada, não me recordo de ter visto a escola passar por problemas com samba enredo nestes quase 84 anos de existência, na verdade a questão da nota do jurado é outro ponto que não estou abordando, estou simplesmente afirmando que a Mangueira soube muito bem preservar, e criar frutos em sua casa de samba.
O melhor disso tudo é saber que ganhamos mais uma memorável obra para o carnaval deste país, e que poderemos daqui a dez, vinte, trinta anos ou mais estar numa quadra de escola de samba ouvindo uma obra que se eterniza nos braços do povo brasileiro, o verdadeiro apaixonado pelo samba de qualidade.
É bom lembrar que este samba enredo recebeu notas 10, 10, 9.8 e 9.8, alguns jurados entenderam que faltou criatividade na letra, algumas rimas comprometeram a obra, e houve até quem justificasse sua nota dizendo que o ritmo acelerado, muitas paradas e variações melódicas que não se harmonizaram vulgarizaram a melodia. Estas notas baixas para uma obra consagrada pelo sambista, certamente não serão lembradas, o tempo vai passar e o nome deste jurados ficará na sombra do esquecimento, porém estes ricos compositores de alma iluminada viverão para sempre, enquanto existir um sambista para cantar e fazer carnaval.
Aos compositores, e aos que interpretaram tão magicamente este samba na avenida, fazendo o coração verde e rosa explodir de emoção, o nosso muito obrigado!
Axé!
Brilha, Estrela Guia de Padre Miguel!
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 09/04/2012 12h19
Ela é da Vila Vintém, no bairro de Padre Miguel, verde e branco são suas cores, a sua força vem de uma comunidade guerreira que não se cansa nunca de acreditar na Mocidade Independente de Padre Miguel.
A Mocidade é uma dessas escolas que se você desfilar uma vez, ela vai colar no seu coração para sempre, digo isso por experiência própria. E quando vejo a atual situação da agremiação fico muito triste, afinal ela não merece, construiu uma história de prestígio e glórias, sempre lutando pelo samba de qualidade.
Foi na era Castor de Andrade que a escola se firmou como uma grande potência de nosso Carnaval, trazendo sempre inovações em seus desfiles, a escola se sagrou campeã por seis vezes, sendo uma delas no grupo de acesso, com 48 estandartes de ouro, sendo de melhor escola em 1983, 1991 e 1999, ela mostra que não é de brincadeira, e merece respeito, ainda que no presente passe por dias difícies.
Uma escola de samba que já teve como carnavalesco profissionais da competência de Clóvis Bornay, Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto, Chico Spinoza, Renato Lage e agora o campeoníssimo Alexandre Louzada, só poderia ser uma agremiação séria e campeã. A crise em que se encontra a escola , pode até ser administrativa, mas num momento em que o mundo do samba se transformou tanto, escolas que não acompanharam esta evolução ficaram para trás.
A reestruturação da Mocidade se faz urgente, o talento de Louzada no comando do enredo, alegorias e adereços, e fantasias, não pode ser desperdiçado pela direção da escola. Daqui, mato a saudade com meus arquivos de fotos, dvd's e cd's, e fico torcendo muito para que a Estrela Guia de Padre Miguel volte a brilhar, e nos traga muitas alegrias, e quem sabe em breve possamos ouvir o tão gostoso som do torcedor gritando: "é campeã!"
Axé!
Cabeça de julgador no quesito Comissão de Frente
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 07/04/2012 16h02
Mais uma vez a campeoníssima Unidos da Tijuca, pela mente brilhante de Paulo Barros e executada pela talentosa equipe de Rodrigo Neri e Priscila Mota, arrebatou a Sapucaí, com sua comissão de frente premiada, conquistando nota máxima na concepção de todos os julgadores, e ainda conquistando o experimental bônus de um décimo dos julgadores Paulo César Morato e Fabiana Valor. É claro que o impacto para o público dificilmente será como foi em 2010, mas a cada ano a Tijuca vem trazendo uma nova surpresa para delírio de todos nós. A Vila Isabel perdeu um décimo, mas conquistou o bônus de um décimo do julgador Rafael Davi, o coreógrafo Marcelo Misailidis tem se tornado um grande nome das comissões, realizando sempre bons trabalhos por onde tem passado, o único décimo perdido, parece não ter sentido, afinal o julgador Paulo César Morato achou que os integrantes da comissão deveriam ficar mais tempo dentro do elemento alegórico (a savana) que a Vila Isabel levou para a avenida, mas gosto é gosto.
Grande Rio vem em seguida como a terceira melhor comissão de frente que o grupo especial apresentou no carnaval 2012, segundo o julgador do módulo 4, houve um excesso de teatrialização, o que dificultou o entendimento do público, particularmente acho que a comissão apresentada pelo coreógrafo Jorge Teixeira, foi uma das poucas emoções que a tricolor de Caxias me causou este ano, sendo de fácil e total compreensão.
Estou até agora tentanto enteder o que os julgadores dos módulo 3 e 4 queriam dizer em suas justificativas que não justificam nada, referente a apresentação do Salgueiro. Um dos julgadores disse que houveram pontos excessivos de clímax na coreografia, dificultando assim o ponto principal. O que ficou difícil de enteder para o salgueirense, certamente foram as justificativas.
Como quarta melhor comissão que passou na Sapucaí, vem a União da Ilha e Portela (esta por ter conquistado o bônus de um décimo, do julgador Marcus Nery Magalhães). A comissão Estandarte de Ouro da União da Ilha pecou bastante segundo os julgadores no acabamento do elemento alegórico, na coreografia simples demais, indumentária confusa, e na capacidade de impactar que o tema propunha, me pareceu muito justas e estou ainda tentando enteder como esta comissão recebeu o prêmio do Jornal O Globo, talvez por causa da presença de Maria Augusta... A Portela parece ter perdido décimos importante devido a erros de integrantes da comissão, um chapéu caiu em frente a um dos módulos de julgador, faltou ousadia, problemas de acabamento do elemento alegórico, e um pouco de confusão na apresentação.
A caneta amiga ainda continua a beneficiar os erros da Beija-Flor de Nilópolis, mesmo não tendo realizado a apresentação em frente à terceira cabine de jurados, e sendo penalizada por isso, a julgadora Fabiana Valor deu uma surpreendente nota 9.8, aí vem a pergunta que não quer calar, se a comissão não conseguiu se apresentar, como ela deu uma nota razoavelmente alta... E lá vai mais uma vez a caneta amiga para Nilópolis. A comissão como um todo perdeu muitos décimos por dificuldade na execução da coreografia e problemas significativos com o elemento alegórico.
A comissão que foi comentada pelo carnavalesco Max Lopes da Imperatriz, antes da apresentação como um grande trunfo da escola, parece não ter agradado muito os julgadores, problemas na plasticidade do elemento alegórico foram questionados, assim como a indumetária dos integrantes da comissão, a falta de criatividade nos movimentos, e ainda segundo a julgadora Fabiana Valor faltou "vida", luz e cor na apresentação. Em suma, uma apresentação sem impacto, com movimentos simples e muito discreta.
Jaime Arôxa apresentou pela Estação Primeira de Mangueira uma comissão cheia de emoção, que contou com a majestosa presença de Beth Carvalho, Jorge Aragão e Bira, porém os julgadores entenderam que todo aquele espetáculo já havia sido apresentado anteriormente no carnaval, trazendo uma idéia de congelamento de idéias. A escola seguiu perdendo nota por conta de clichês coreográficos na apresentação dos bailarinos de Arôxa, mau acabamento no elemento alegórico também foi percebido. Fabiana Valor justificou que a comissão não apresentou coreografia e sim a simulação de um ritual religioso, o mesmo não veio com a forma dramática necessária para impactar. No meio de todas estas idéias e conceitos, o julgador do quarto módulo achou a perfeição na verde e rosa, e com a nota máxima, Marcus Nery Magalhães saudou o belo trabalho com um honroso 10.
Em seguida aparece a Mocidade Independente de Padre Miguel, bastante criticada pelos julgadores do primeiro e do segundo módulo, que viram uma comissão sem impacto, problemas no acabamento do elemento alegórico, coreografia confusa e falta de criatividade, nos outros módulos as notas foram um pouco melhores dois 9.9, e uma contradição de gostos, Fabiana Valor elogiou bastante a comissão e justificou a perda de um décimo devido à escala comparativa com outras escolas, no quarto módulo o julgador justificou que o tempo de exibição em frente a sua cabine foi curto demais.
Os julgadores viram passar pela Porto da Pedra uma comissão que causou pouco impacto, confusa, uma coreografia pouco consistente, sem emoção, também faltou um melhor acabamento no elemento alegórico, a indumentária foi analisada como simples e de pouca criatividade. A maior nota que a escola recebeu foi de Fabiana Valor um 9.9, para uma comissão eleogiada pela julgadora que mais uma vez só descontou um décimo devido à sua escala comparativa com outras escolas.
Por fim, a São Clemente da coreógrafa Cláudia Motta, e a Renascer de Jacarepaguá de Alice Arja foram as comissões que mais perderam notas em suas exibições. Na São Clemente, a estréia da coreógrafa no grupo especial foi registrada como um momento de coragem, entretanto o mau acabamento no elemento alegórico, a simplicidade das indumentárias também foram questionadas, faltou ousadia na coreografia, em suma faltou criatividade e ousadia no projeto final. Na Renascer, as principais críticas giraram em torno da falta de criatividade da comissão, problemas na coreografia, falta de um ponto de clímax e impacto, indumentária pouco criativa, e apresentação confusa do grupo.
A grande verdade é que as comissões estão se tornando um show à parte, a cada ano que passa tanto o público quanto os julgadores esperam serem surpreendidos de forma comparativa ao ano anterior. Enquanto escrevia esta matéria lembrei-me da comissão que a Mangueira apresentou no ano de 1988, no enredo "Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão?" aquela tão esperada comissão de frente que trazia personalidades como Milton Gonçalves, João do Pulo, Andrade (ex-jogador do Flamengo), Djavan, Ademar Ferreira da Silva, Glória Maria, e outros negros que se destacavam em suas profissões, marcava um momento especial para a história de nosso carnaval. E de lá para cá, quanta coisa mudou, quanto se profissionalizou este quesito que abre o desfile das escolas de samba, quanto investimento, e criatividade, fico a me perguntar aonde vamos chegar, me parece que o céu é o limite... E que seja!
Axé!
Segura a Vila que eu quero ver
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 05/04/2012 16h44
É na Boulevard 28 de Setembro, que a Unidos de Vila Isabel faz seu samba com muita perfeição e qualidade, com uma quadra luxuosa e moderna, a maior entre todas as escolas do Rio de Janeiro, contendo capacidade para 11.000 pessoas, o mundo do samba tem vivido ali seus grandes momentos. Seu barracão na Cidade do samba se tornou nos últimos anos um dos mais admirados e organizados, sendo sempre um berço de surpresas e bom gosto. Mas toda essa estrutura nem sempre fizeram parte da história da Vila.
Em 4 de abril de 1946, China, seu primeiro presidente registrava a agremiação na extinta União das Escolas de Samba, sua casa permaneceu como sede administrativa da escola até o ano de 1958, e foi com muito esforço, sacrifício e amor ao samba que a escola foi se construindo. A chegada de Martinho de Vila em 1965 trouxe um novo ar à ala dos compositores, emplacando quatro sambas consecutivos, sendo em 1967 "Carnaval de Ilusões", 1968 "Quatro Séculos de Modas e Costumes", 1969 "Iaiá do Cais Dourado", e em 1970 "Glórias Gaúchas", e foi com uma história que dura até os dias de hoje que este grande artista se consagrou um dos maiores nomes da escola de Noel.
Somente em 1988 a Vila conquistou seu primeiro título no grupo especial do carnaval carioca, com o lendário "Kizomba a Festa da Raça", arrebatando apoteoticamente o povo, não apenas na Sapucaí, mas nas ruas de todo país. Na comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil a escola sofreu sua maior derrota, sendo rebaixada ao grupo de acesso, passando quatro anos por lá, mas sem perder a vontade e força de uma grande escola. Em 2005 vimos a Vila Isabel entre as mais tradicionais escolas de samba outra vez, e já no ano seguinte sob o comando do genial carnavalesco Alexandre Louzada se consagrou mais uma vez campeã, com o enredo "Soy Loco Po Tí América: A Vila Canta a Latinidade". No ano seguinte Louzada foi para outra agremiação e a escola apostou no carnavalesco Cid Carvalho que iniciava sua carreira solo, depois de alguns anos fazendo parte da comissão de carnaval da Beija-Flor, num desfile confuso sobre metaformoses, a Vila cometeu muitos erros e conquistou apenas o 6º lugar, Cid seria dispensado no mesmo ano.
Em 2008 a Vila receberia o talentoso carnavalesco Alex de Souza, que no seguinte dividiria o carnaval com Paulo Barros numa belíssima homenagem ao centenário do Theatro Municipal, mas foi em 2010 que a Vila pôde homenagear o grande mestre Noel Rosa no ano de seu centenário, o resultado não foi o esperado e o 4º lugar não convenceu.
A chegada de Rosa Magalhães para realizar o carnaval de 2011 foi a grande sensação da Sapucaí, a carnavalesca permanece na escola até hoje, sendo muito bem avaliada pela crítica, e vivendo um grande momento na avenida em seu último carnaval, este ano a escola arrebatou diversos prêmios, e foi aplaudida em pé pelo público presente nos desfiles.
Com seus 66 anos de história a Vila Isabel se tornou um referencial do samba, e nosso carnaval só tem a agradecer a comunidade do Morro dos Macacos, todo povo de Vila Isabel, Grande Tijuca, e todos que fazem da Vila, a escola que é.
Parabéns!
Axé!
Cabeça de julgador no quesito Mestre Sala e Porta Bandeira
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 04/04/2012 12h13
A Portela se destacou com seu casal de mestre sala e porta bandeira, recebendo até o experimental bônus de um décimo pela belíssima apresentação, Lucinha Nobre merece realmente nosso respeito e admiração ao lado de seu sempre fiel Rogerinho, a dupla encantou não apenas a Sapucaí mas como todos os jurados. Seguiu com nota máxima Selminha Sorriso e Claudinho, pela Beija-Flor de Nilópolis, Ruth e Julinho, pela Vila Isabel e ainda representando a grande campeã de nosso carnaval, o casal Marquinhos e Giovanna, com belíssimas apresentações. Nada a discutir, os jurados estavam atentos e souberam muito bem reconhecer os melhores que passaram na Sapucaí.
Seguindo o conceito dos jurados vem o casal que representou o Salgueiro, Gleice Simpatia e Sidclei tiveram as notas 9.8, 9.9, 10 e 10, décimos preciosos foram tirados pelo volume da saia da porta bandeira, e um desencontro na dança, visto por Tito Canha que julgava no módulo 2. Detalhes que Renato Lage certamente tentará corrigir para 2013.
O quarto melhor casal foi a dupla Cristiane Caldas e Fabrício da Porto da Pedra, e Squel e Luiz Felipe apresentando o pavilhão da tricolor de Caxias. Seguem os casais da Imperatriz, São Clemente e União da Ilha, perdendo notas importantes, para escolas que pretendiam voltar no sábado das campeãs.
A Mangueira que se propôs a inovar com seu casal Marcella Alves e Raphael, foi bastante criticada pelo julgadores, que entenderam que um quesito tão tradicional em nossa festa, não pode sofrer mudanças de estilo, quer seja pela dança, que pareceu em alguns momento uma disputa entre a porta bandeira que representava o bloco Bafo da Onça, e o mestre sala representando o bloco Cacique de Ramos, ou mesmo por tentar transformar o quesito num acessório da bateria, em uma performance de natureza duvidosa como bem explicou Tito Canha, para justificar sua nota 9.6. Para o próximo carnaval, vai ser preciso rever este quesito com muita seriedade, afinal o talentoso casal não pode ser prejudicado por tentativas frustradas.
A Mocidade com seu casal Ana Paula e Robson passou um grande sufoco perante os julgadores, com notas 9.7, 9.8, 9.8 e 9.8 a escola perdeu nove décimos, saia volumosa da porta bandeira, desencontros na dança, falta de harmonia, foram as justificativas para tantas notas baixas, vai ter muito trabalho em Padre Miguel neste quesito se a Estrela Guia quiser voltar a brilhar.
Renascer de Jacarepaguá decidiu não arriscar muito, e foi o pior casal que passou pela Sapucaí no grupo especial, segundo os julgadores, perdendo pontos por apresentar uma coreografia simples, sem grandes inovações, e bastante tímida. Arriscar não era a proposta da agremiação que tentou ser apenas correta no quesito, o que não aconteceu, embora na humilde opinião deste blogueiro, Jéssica e Fábio Júnior sejam um casal gracioso e muito simpático.
Este é um quesito que deve ser tratado sempre com muita tradição, e cuidado na escolha da indumentária e coreografias, o peso que leva a porta bandeira com um pavilhão tradicional, nem sempre é considerado pelos julgadores, o que acho de muito bom tom. O casal deve sempre ser julgado pela performance, e não pela história. De tudo que vi deste carnaval achei bastente justas todas as justificativas, embora as notas, por vezes, me pareceram bastante rigorosas. Mas como disse Rosa Magalhães ao site SRZD-Carnaval, cabeça de jurado é mesmo um mistério.
Axé!
O 1º de abril da Inocentes de Belford Roxo
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 03/04/2012 12h13
Neste último domingo aconteceu na quadra da Inocentes de Belford Roxo a feijoada da vitória, em comemoração ao título de campeã do grupo de acesso A, no carnaval carioca. E é claro, que eu tendo sido convidado para o evento, não poderia deixar de registrar minha presença e comprovar que a Inocentes é especial.
A festa esteve muito animada, quadra lotada, o povo muito feliz e satisfeito, com samba no pé e sorriso no rosto, componentes, admiradores, colaboradores, o povo belforrofense, estavam todos lá para confirmar a legítima vitória de uma gente que só quer mostrar que agora o samba também é em B.Roxo.
O Presidente da agremiação, Reginaldo Gomes, em seu discurso de agradecimento enalteceu a significativa colaboração da Prefeitura Municipal de B.Roxo citando o Prefeito Dr. Alcides Rolim pela doação de R$ 500 mil para a realização do carnaval 2012, o maior investimento do poder municipal na história da escola, também agradeceu seu intérprete o talentoso Thiago Britto, o carnavalesco Wágner Gonçalves e por aí foi, elogiando toda sua equipe que fez desse desfile o mais completo da escola. Reginaldo disse ainda que a Inocentes irá surpreender na Sapucaí em 2013, e que o carnavalesco já trabalha na elaboração do enredo, "vamos brigar para permanecer no grupo especial" foram as palavras do presidente.
A Caçulinha da Baixada fez bonito em sua primeira feijoada do ano. O 1º de abril da Inocentes, foi na verdade a comemoração de uma verdade irrefutável: aquela comunidade merece chegar onde chegou. Essa gente só quer respeito com sua escola de samba, e a oportunidade de mostrar seu carnaval no maior espetáculo da terra.
E eu saí da festa com a certeza de que B.Roxo é especial!
Axé!
Salvem a Mangueira!
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 03/04/2012 12h01
Para quem esteve nesta última quarta-feira, 28 de março no Palácio do Samba, acompanhando as inscrições de chapas que irão disputar as eleições na Estação Primeira de Mangueira, fica muito difícil acreditar nesta suposta invasão de bandidos fortemente armados, denunciada por Paulo Frederico (presidente da comissão eleitoral da Mangueira) pessoa muito próxima a Ivo Meirelles, e confirmada por Ivo.
Primeiro ponto a ser analisado é que eles precisam chegar a um acordo se foram quatro como diziam no início, ou mais de dez homens fortemente armados como estão falando agora. Vale lembrar que existe uma cabine da Polícia Militar exatamente em frente a quadra da escola, a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi instalada na comunidade em 2011, e se as versões de Ivo Meirelles forem verdade estará se colocando a eficiência das UPPs em questionamento.
Vejam nota divulgada pelo comando de Polícia Pacificadora, sobre a suposta invasão:
1. Qualquer demanda da comunidade da Mangueira é prontamente atendida pelos policiais daquela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)
2. Não houve, por parte de nenhum morador ou integrante da escola de samba, solicitação de segurança para as reuniões nas quais teria sido relatada a presença de homens armados.
3. O comando da Polícia Pacificadora garante a segurança de qualquer manifestação pacífica, ordeira e democrática - como se espera de uma eleição.
4. A PM está na comunidade para garantir o direito à vida e à liberdade de todos.
5. A PM confia na apuração rigorosa da Polícia Civil, conforme já foi iniciado pela delegada Monique Vidal, delegada titular da 17ªDP (São Cristóvão) e o comando da UPP está à disposição para auxiliar no que for necessário.
De acordo com publicação do jornal "Extra", o coordenador das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel Rogério Seabra Martins, questionou as declarações do presidente da verde e rosa. Vejam:
"O Ivo está perdendo a eleição. Ele está usando a imprensa para poder, em algum momento, justificar a perda de legitimidade. E isso, como a gente vai comprovar? Só com as investigações. Ivo tem meu contato pessoal e não falou comigo até agora. Se havia uma insegurança, por que ele não buscou a segurança?"
O mangueirense espera que as investigações prossigam, e que os fatos sejam apurados pelas autoridades competentes. Que venham as eleições, e vença quem for o candidato que tenha um projeto para a Mangueira voltar a ocupar o lugar mais alto do pódio, afinal essa nação merece voltar a sorrir outra vez. O que não se pode admitir é que uma Instituição Cultural da importância da Estação Primeira de Mangueira, esteja mais uma vez nas páginas policiais.
É bom mencionar que Jeferson Carlos, ex-diretor de carnaval da Mangueira, e candidato a vice presidente na chapa Mangueira Acima de Tudo, braço direito do presidente Ivo Meirelles já declarou sua saída da escola pelo facebook, conforme nota que segue abaixo:
"Agradecimentos e despedida!
Venho por meio desta, agradecer a todos os mangueirenses, por esses 3 anos de muita luta, por nossa escola, essa minha passagem pela Mangueira, foi muito importante para minha carreira e para minha vida aprendi muito com a escola do meu coração, vou seguir minha vida de cabeça erguida, pois eu sei que sempre tenrei fazer o melhor pela escola.
Aos amigos muito obrigado pelo apoio, carinho, conselho e companheirismo que foram fundamental para meu trabalho.
Aos inimigos, desculpas infelizmente não se faz omellete sem quebrar os ovos, nada pessoal e sim profissional, por tanto que os números comprovam.
Ao meu presidente Ivo Meirelles - sem palavras, as oportunidades que vc me deu, nada nesse mundo vai apagar. Tamos juntos sempre, pois sabe que eu sou "o filho fiel".
A nova administração - boa sorte e sucesso!
No mais beijo verde e rosa no coração de todos
Até um dia...
Por tua bandeira vou sempre lutar...
Jeferson Carlos."
E a Estação Primeira de Mangueira segue como a escola de samba mais querida do planeta!
Axé!
Fábio Ricardo, o carnavalesco do futuro
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 30/03/2012 14h48
O carnavalesco Fábio Ricardo confirmou que permanece na São Clemente pelo terceiro ano consecutivo, e que já começou a trabalhar na produção do enredo 2013, conforme divulgou o SRZD-Carnaval. A preta e amarela da Zona Sul aposta na criatividade e inovação que o Fabinho trouxe para a escola, conhecida por sua alegria e irreverência.
Em seus vinte anos de carreira, já trabalhou com os consagrados Max Lopes e Joãosinho Trinta, mas foi no carnaval de 2008 que estreou como carnavalesco na Acadêmicos da Rocinha, com o enredo "Rocinha é Minha Vida...Nordeste é Minha Festa", conquistando o vice campeonato, era a estréia de um carnavalesco inovador que iria arrancar muitos aplausos do público e elogios da crítica especializada, e depois de três carnavais na Rocinha estreou no grupo especial com o enredo "O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito Por Natureza", em 2011, num desfile surpreendente confirmando todo seu talento, este ano "Uma Aventura Musical na Sapucaí", trouxe um desfile de muito bom gosto.
Em setembro de 2011 a revista "Veja Rio" divulgou uma lista de vinte profissionais consagrados, que deveriam apontar vinte novos talentos como o futuro das suas profissões, entre eles estava Rosa Magalhães, a premiada carnavalesca indicou Fábio Ricardo como o carnavalesco do futuro.
Os clementianos certamente estão felizes da vida com a certeza de que no próximo carnaval seu enredo será muito bem desenvolvido, suas alegorias, adereços e fantasias estarão em boas mãos, e que a mente deste brilhante expoente estará mais uma vez a serviço da alegria e dos sonhos mais intensos do torcedor da São Clemente.
Que bom que o Presidente da agremiação está apostando no talento de quem está explodindo de idéias, com a vontade de fazer carnaval de verdade, e vejo com bons olhos essa parceria, São Clemente e Fábio Ricardo, desejo que 2013 seja de muitas boas surpresas para nosso carnaval, e mais uma vez a Sapucaí esteja em pé para assistir o grande espetáculo que Fabinho irá nos apresentar em forma de carnaval.
Axé!
A nova Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 29/03/2012 11h36
Eleito o novo presidente da Liga das escolas de samba do grupo de acesso, um dos maiores opositores ao ex-presidente Reginaldo Gomes, o atual presidente da Rocinha, Déo Pessoa, promete direito de igualdade para todas as agremiações em votações, novo nome para a Liga, nova logomarca, e até que a Riotur ou outro órgão indicado pela Prefeitura do Rio de Janeiro seja responsável pelo julgamento de 2013.
E a Liga das escolas de samba do grupo de acesso fica nas mãos dos sambistas, isso já é um grande avanço à idéia inicial de entregrar o total controle da entidade nas mãos da Riotur. O novo presidente é um homem sério, cheio de virtudes, pensa grande, tem um histórico que o representa muito bem, e parece que se as mudanças não ficarem apenas na política das votações, na troca de nome e logomarca, a Liga ganha um grande representante, Déo também se comprometeu em renunciar ao cargo que ocupa hoje de presidente da Rocinha, acho de bom tom, e muito coerente para uma gestão que deseja ser transparente. Quanto ao julgamento ser coordenado pela Riotur, será um retrocesso, não deu certo no passado e acho difícil que dará certo agora, vale lembrar que esse é um governo que responde a denuncias de fraudes em licitações, é a capital com pior avaliação no Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (IDSUS) segundo dados do Ministério da Saúde, e tantos outras debilidades que a Prefeitura do Rio não conseguiu resolver, entegrar o julgamento de nosso carnaval nas mãos da Riotur é um erro, certamente.
O desafio está lançado, um carnaval com nível melhor do que os realizados na gestão anterior, e a unanimidade nos resultados dos próximos carnavais. Lutar por condições dignas nos barracões dessas escolas será um grande desafio a ser alcançado, e ter em 2013 um carnaval a altura das escolas que fazem parte da Liga é nosso sonho como sambista.
Muita sorte e sucesso a gestão do presidente Déo Pessoa, seu vice Renato Thor e toda sua diretoria, para que o espírito do bom sambista seja a única referência para realizar mudanças de verdade, e aprimorar todo o trabalho que já foi realizado até aqui.
Axé!
O caminho de volta ao Grupo de Acesso
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 28/03/2012 12h38
O temido caminho que conduz ao grupo de acesso, certamente é algo que escola de samba alguma quer passar, do fim da apuração das notas ao dia em que se deve entregar as chaves do barracão na Cidade do Samba, um filme de acertos, e escolhas erradas deve dominar a mente de quem vai voltar ao grupo de acesso, e quem já viveu essa história garante que a sensação é das piores.
A verdade é que ninguém faz carnaval esperando o rebaixamento, mas ele acontece implacavelmente, ainda que se tenha história, bandeira, ou qualquer outro artifício, e a prova disso é termos hoje escolas como Império Serrano, Estácio de Sá, Viradouro, Caprichosos de Pilares, e agora Porto da Pedra, ditas grandes no mundo do samba amargando o sombrio grupo de acesso, Caprichosos, diga-se de passagem, ainda mais embaixo.
No grupo de acesso, a imprensa em sua grande maioria quase não aparece, os holofotes por lá bastante apagados, as subvenções mínimas, e quem não se endividou apresentou um desfile medíocre, essa é a dura e triste realidade.
Esse ano vimos Porto da Pedra e Renascer de Jacarepaguá voltarem ao grupo de acesso, a escola de São Gonçalo que estreou na elite do carnaval carioca em 1996, desceu em 1998, voltou no ano 2000 e no mesmo ano desceu outra vez, sagrou-se campeã do acesso em 2001, retornando ao grupo especial em 2002 onde ficou até agora, e hoje se prepara para deixar toda a estrutura da Cidade do Samba, para fazer seu carnaval sabe lá de que maneira. A Renascer não teve tempo nem de se acomodar, fez sua estréia esse ano, e já volta para o acesso, de certa forma com a sensação de que realizou um bom desfile, e fez o que pôde para tentar sobreviver a difícil, quase impossível missão de permanecer no grupo especial para quem vem do acesso.
Desfazer maquinário, encaixotar a mudança, e rezar muito, para que mesmo com poucos recursos se possa fazer um grande carnaval e voltar onde todas querem estar. E é das cinzas dessa tristeza toda, que tem de surgir o espírito guerreiro e carnavalesco, de que vale a pena, não apenas fazer carnaval, mas sonhar em voltar e trabalhar para que o sonho se torne real.
Sonhar é o que faz o mundo do samba girar, acreditar mesmo quando tudo indica que o caminho vai ser difícil, acreditar e acompanhar a sua escola de samba, seja onde for, isso é ser sambista.
Muita sorte e axé para Porto da Pedra e Renascer de Jacarepaguá, que em 2013 possamos assistir um belo espetáculo, neste que se torna a cada dia mais competitivo: o grupo de acesso.
Axé!
Baixada Fluminense, onde o samba faz morada
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 26/03/2012 18h10
É da discriminada região da Baixada Fluminense que se encontram escolas de samba que estão fazendo história no carnaval carioca, com talento e simpatia essa gente vem mostrando que só querem fazer samba também. Essa é uma região de quase 6 milhões de habitantes, com desigualdades sociais gritantes, e uma dívida histórica desse Estado, e da Federação, com esse povo digno, alegre, e criativo, mas o mundo do samba soube muito bem reconhecer o talento das agremiações vindas da Baixada.
Em 1954 a sorte sorriu para o carnaval carioca, trazendo uma das escolas de samba mais importantes do nosso espetáculo, a Beija-Flor de Nilópolis, um verdadeiro fenômeno da nossa festa, que longo de sua trajetória se consagrou pelo seu estilo refinado, bom gosto e por investir muito em seu carnaval, quer seja com profissionais competentes ou financeiramente, campeã por 12 vezes, é certamente o carro-chefe das escolas de samba da Baixada.
De Duque de Caxias, a Grande Rio com seu estilo glamuroso, ascendeu ao grupo especial e faz história entre as grandes do carnaval carioca, uma escola bem estruturada, com um barracão de muito bom gosto, uma quadra muito digna e uma comunidade que espera anciosamente o reconhecimento da direção da escola.
A "caçulinha da Baixada", Inocentes de Belford Roxo, estréia na elite do carnaval carioca, trazendo a gente trabalhadora e guerreira da cidade de Belford Roxo, é hoje a terceira potência em matéria de escola de samba da região. Vem ao longo do tempo investindo bastante em seus carnavais para chegar onde chegou.
A Unidos da Ponte, agremiação de São João de Meriti teve seus momentos registrados no grupo especial nas décadas de 80 e 90, mesmo amargando posições bem longe do esperado, sua torcida acreditava sempre em bons resultados vindouros, o que não acontecia, até que em 1996 deixou o grupo especial, sendo rebaixada outras diversas vezes, hoje se encontra no grupo de acesso C, sonhando em voltar à Sapucaí, o que diga-se de passagem está difícil de acontecer.
Independente da Praça da Bandeira, é mais uma escola de São João de Meriti, num vai e vem, entre ser escola de samba e bloco, trocando de nome, a escola de pouca estrutura está hoje no grupo D, desfila na Intendente Magalhães segunda-feira de carnaval.
Foi no ano de 1992 que o grupo especial conheceu a Leão de Nova Iguaçú, sua única participação entre as grandes do nosso carnaval. Da Leão surgiram nomes, hoje, consagrados do carnaval carioca como os intérpretes Neguinho da Beija-Flor, Pixulé e Nêgo.
Chatuba de Mesquita é uma agremiação da cidade de Mesquita, fundada em 2003 como Bloco Carnavalesco, porém só estreou no carnaval carioca em 2005 ainda como bloco, foi no ano de 2010 que pôde participar do carnaval na Intendente Magalhães, sem competir, ao fim do desfile foi considerada apta a disputar entre as escolas de samba. Em 2012 a agremiação foi vice-campeã do grupo de acesso E, mas o regulamente diz que apenas uma escola ascende ao grupo D, por isso em 2013 a escola permanece no mesmo grupo.
Fundada no ano de 2009, a Matriz de São João de Meriti, só foi habilitada a disputar entre as escolas de samba a partir de 2011, na sua estréia surpreendeu com um bom desfile conquistando o segundo lugar no grupo de acesso E, em 2012 mesmo com um desfile bem avaliado pela crítica, sendo apontada como uma das favoritas ao título, a escola terminou em quarto lugar.
Tradição Bairrense de Mesquita vai estrear pela primeira vez como escola de samba no carnaval carioca em 2013, campeã do grupo 1 dos blocos, num enredo sobre Noca da Portela, conquistou o direito de mostrar sua arte na Intendente Magalhães na terça-feira de carnaval.
É por ter uma gama de agremiações valentes, mesmo com todas os problemas financeiros que a grande maioria passa, que essa região merece nosso respeito e admiração. Vale mencionar que a Beija-Flor de Nilópolis tem contribuido de forma expressiva para ajudar essas escolas a se firmarem no carnaval carioca, lembrando sempre o lema: "a união faz a força".
Com três escolas de samba no grupo especial, a Baixada Fluminense, vive em 2013 seu melhor momento na história dos desfiles das escolas de samba desse país, não posso deixar de registrar a importância dos governos municipais investindo financeiramente nas agremiações que representam suas cidades, fazendo com que o sonho de mostrar a cultura e o talento da Baixada Fluminense seja realidade no carnaval carioca, mas é claro, elas ainda precisam de muita ajuda não só dos governos, mas principalmente de suas comunidades.
Axé!
65 anos de Império de Serrano!
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 24/03/2012 17h28
Frase memorável de Arlindo Cruz: "eu sou do tempo em que escola de samba era Portela, Mangueira, Salgueiro e Império Serrano", ele acrescenta dizendo que não está desmerecendo as outras agremiações, mas houve um tempo em que estas escolas citadas ditavam o carnaval e revelaram grandes nomes do samba. E na humilde opinião deste blogueiro, houve sim um tempo em que essas escolas reinaram, e mais ainda: reinam até nossos dias. Essas agremiações estão no coração do povo, e fazem escola com seus sambas memoráveis, seus enredos bem desenvolvidos e sua marca no carnaval, seja no agô agô do Império ou no surdo um da Mangueira.
Ah, o nosso Império! Império Serrano de grandes glórias, de uma vida apaixonada, uma nação de torcedores que fizeram história, mas que nos últimos anos, mesmo com grandes carnavais não obtiveram bons resultados, o Império precisa voltar ao grupo especial, faz falta por lá! Campeão em 1948, 1949, 1950, 1951, 1955, 1956, 1960, 1972 e 1982 no grupo especial, e em 1998, 2000 e 2008 pelo grupo de acesso, detentora de 59 prêmios do Estandarte de Ouro, atual campeã do Prêmio SRZD-Carnaval 2012 como melhor desfile do grupo de acesso, a nação imperiana tem muito do que se orgulhar desses 65 anos de glórias.
Da Serrinha ascenderam gênios do samba, como: Silas de Oliveira, Mano Décio, Aniceto do Império, Molequinho, Dona Ivone Lara (primeira mulher a fazer parte de uma ala de compositores de escola de samba), Beto sem Braço, Aluísio Machado, Arlindo Cruz e tantos outros, com a cara do Império, e o amor que essa escola merece.
E quem poderá esquecer o carnaval 2012, com "Dona Ivone Lara: o enredo do meu samba", num carnaval emocionante que contou não apenas a história da Dama do Samba, mas também a sua própria história de sucesso e glórias.
Mesmo sentindo muita falta da rainha Quitéria Chagas, a cara do Império Serrano à frente da bateria, vejo uma escola gigantesca, que não se acanha em estar no grupo de acesso, faz carnaval como sempre fez, e sabe fazer: alegria, estilo, talento e tradição. Tenho a impressão que 2013 será bem melhor para o torcedor imperiano, e para nós amantes do samba que tanto sentimos falta do nosso Império na elite do carnaval carioca.
Uma dica para conhecer mais detalhes da história dessa escola, é o livro de Rachel Valença (blogueira do SRZD-Carnaval) e Suetonio Valença, "Serra, Serrinha, Serrano: o Império do Samba".
Parabéns Império Serrano! Parabéns a Nação Imperiana!
Axé!
Chico Anysio no Carnaval carioca
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 23/03/2012 21h19
Um dos momentos que ficarão para sempre guardados em minhas lembranças, foi o dia em que tive o imenso prazer de sentar-me na mesma mesa que Chico Anysio, isso aconteceu no ano de 2008, aquele lugar estava repleto de monstros sagrados como Agildo Ribeiro, Lúcio Mauro, e amigos de Chico, para minha felicidade um amigo me convidou para o evento que aconteceu na Zona Sul do Rio, e quando percebi, eu estava acomodado na frente de um artista que sempre me encantou, um filme passou pela minha mente de tudo que já havia visto e admirado sobre o humorista. Descobri ali, um homem simpático, extremamente educado, de gostos muito puros, e pelas conversas que rolaram aquele dia, um ser humano muito sincero, puxava assunto com todos da mesa, me fazendo sentir um velho amigo, foi mágico aquele momento.
O 23 de março de 2012 nos deixará uma imensa saudade, mas vale lembrar que o mundo do samba prestou algumas homenagens a Chico Anysio, como na Caprichosos de Pilares em 1984, quando o carnavalesco Luiz Fernando Reis desenvolveu o enredo "A Visita da Nobreza do Riso à Chico Rei Num Palco Nem Sempre Iluminado", retratando a vida desse genial brasileiro, na ocasião a agremiação ficou em 3º lugar, participando assim do super campeonato. Pelas mãos de Nilson Ramam e Jorge Freitas, no ano de 2007 o Arranco de Engenho de Dentro levou para a Sapucaí o enredo "Chico Anysio, 50 anos de humor", a escola ficou em 8º lugar no grupo A, e em 2009 a Unidos do Anil no grupo D, fez carnaval com "Chico Total! Sou Anil e Faço Carnaval", do carnavalesco Sidney Rocha.
Por certo, ainda muitas outras homenagens virão do nosso carnaval a Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, nosso querido Chico Anysio, de Maranguape para o mundo, humorista, ator, dublador, escritor, compositor, cantor, pintor, e o melhor de tudo, um grande basileiro. Deixa saudades por todo seu talento, e quem teve o prazer de conhece-lo pessoalmente, a imensa satisfação de poder cumprimentar esse que ficará marcado na história desse país. Que bom que Chico pôde ver que o mundo do samba o ama, que nós sambistas o admiramos e fizemos carnaval com uma biografia que dá orgulho para qualquer agremiação, muitas outras ainda virão, e onde quer que ele esteja, verá que será impossível esquece-lo.
Caprichosos de Pilares - Letra do samba-enredo de 1984
"A Visita da Nobreza do Riso à Chico Rei Num Palco Nem Sempre Iluminado"
Compositores: Almir De Araújo, Balinha, Marquinho Lessa E Hércules
Sorria meu povo
Sorria, "Chico rei" chegou
Nesse palco todo iluminado
Que um dia, por pecado, se apagou
Ôôôôôôôô
E Popó mandou cair na folia
A festa é nossa no reinado da folia
É cascata, o pacotão
No combate, como bate o coração
Na agonia com a corda no pescoço
A piada rói o osso e alegra o meu povão
Salomé, Salomé
Bate um fio pro João
Que dureza não dá pé
Tantas loucuras
Dos ministros, "Os Trapalhões"
Brasil, "Brazil", brazuca
É Alice num país de ilusões
Meu sorriso brasileiro
Tempero nacional
Do Azambuja trambiqueiro
Do Turuna dando bronca Federal
Palmas pro velho guerreiro
Que o ano inteiro faz o carnaval
Pai, painho no abaitolá
Dando axé
Até o dia clarear
Paz e Axé!
Alcione, a mangueirense!
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 23/03/2012 15h12
Alcione Dias Nazareth, a Marrom, de São Luís do Maranhão para o mundo! Essa mangueirense apaixonada se viu no ano de 2011 na quase obrigação de desfilar pela Beija- Flor de Nilópolis, que homenageou o Rei Roberto Carlos, porque a Marrom já gravou algumas músicas de RC e na justa homenagem da Beija ao Rei, havia uma alegoria de mulheres que cantaram as belas obras do Rei; era simpático e carnavalesco que Alcione estivesse no desfile, porque na verdade o que esta mulher faz não é uma disputa a todo preço por títulos para a Estação Primeira de Mangueira, sua escola de coração, e sim a festa do povo, chamada carnaval, mas é claro que ela um dia antes brilhou na Sapucaí com a Mangueira.
Alcione se identificou com a Mangueira desde que veio morar no Rio de Janeiro, e por esta escola já demonstrou todo seu amor, com músicas e homenagens que estão guardadas na memória do samba e do carnaval carioca, fundadora, incentivadora e principal colaboradora da Mangueira do Amanhã (escola mirim da Estação Primeira de Mangueira), esta ilustre mangueirense jamais poderia ser confundida como torcedora de outra agremiação, ela é a cara da Mangueira, mesmo estando na sinopse, no samba enredo e no desfile da Beija-Flor em 2012 mais uma vez, numa grande homenagem à sua terra natal, o estado do Maranhão. Tem gente que anda por Nilópolis achando que Alcione poderia estar encantada pela Beija, na verdade o respeito pelo mundo do samba sempre foi marca de Alcione, mas daí a supor que o seu coração não seria verde e rosa, seria no mínimo um absurdo!
Ela é dessas mangueirenses que desfila, ensaia, canta, puxa samba enredo, frequenta o Palácio do Samba, e veste a camisa, orgulho da nação verde e rosa. Pessoalmente, eu jamais esquecerei o show da virada de 2010 nas areias de Copacabana, quando com minha camisa da Mangueira cheguei bem perto do palco e estendi uma bandeira da Estação Primeira de Mangueira, e a Marrom olhou para mim e fez um gesto simpático de reverência ao pavilhão, no final ainda exclamou: "Salve, a Estação Primeira!" Para o mangueirense isso é o que nos faz seguir em frente, orgulhosos de ter em nossas galerias essa grande mulher, artista, mangueirense de verde e rosa.
E nós seguimos em frente, juntos, torcendo não apenas pelo sucesso desta maravilhosa cantora brasileira, mas pela fraternidade das escolas de samba, da harmonia, que faz do carnaval uma grande família, que uma vez por ano disputa um título, e não uma guerra. Um desfile de paz, amor, que revela a cultura desse país, no maior espetáculo do planeta: os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.
SALVE A ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA!
Axé!
A renúncia de Reginaldo Gomes e o futuro da LESGA
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 22/03/2012 14h31
Esta semana Reginaldo Gomes anuncionou que deixa oficialmente a Presidência da LESGA, depois de muita pressão de parte da imprensa, de alguns presidentes de escolas do grupo de acesso A, e principalmente do Prefeito Eduardo Paes, que travou desde o resultado do carnaval 2012 uma guerra declarada à administração da Liga.
Reginaldo Gomes fez a seguinte declaração em 06 de março de 2012:
"No ano de 1998 assumi a Presidência da Lesga, e nos quatro últimos anos transformamos a realidade das escolas de samba do grupo de acesso, montamos uma equipe que organizou e dinamizou os desfiles, conseguimos aumentar a subvenção em mais de 400%, conseguimos levar a transmissão para o terceiro maior canal de tv aberta. Em 2008 cada escola recebia R$ 1.000 pela trasmissão, este ano cada escola já recebeu R$ 52.000, podendo chegar ainda a R$ 70.000, projetamos a chamada série ouro do carnaval com a possibilidade do desfiles das escolas de samba do acesso pela Rede Globo de Televisao, assumimos também a administração do grupo b de acesso. O que não conseguimos fazer foi acabar com a cultura das reclamações após o resultado dos desfiles, nos últimos 15 anos todos os resultados foram questionados, já estiveram sob a administração da LIESA, da Associação, da Secretaria Municipal das Culturas, e ninguém conseguiu, e no sitema atual imposto às escolas de samba do acesso talvez ninguém consiga, pois apenas uma agremição ascende ao grupo especial e duas tem que ser rebaixadas ao grupo de acesso b. Não exite desfile das campeãs, e nenhuma compensação é dada às principais colocadas nos desfiles.
Em 2009 o grupo de acesso recebia em média um público de aproximadamente 40.000 pessoas, em 2012 o público foi de quase 70.000 pessoas. Se isto é uma má gestão como alguns me acusam me mostrem o que é uma boa gestão. O que eu percebo é que a nossa gestão tem incomodado muita gente da Capital, nao deve ser fácil aturar um morador de Belford Roxo, administrando um dos maiores espetáculos da Terra, e ainda mais ter conseguido após muitas lutas colocar a nossa querida Inocentes na maior festa popular do mundo, que é o carnaval carioca, um preconceito contra a Baixada e seus moradores, um preconceito com a nossa gente, com a nossa cultura, com o nosso orgulho. Tenho muito orgulho de ser filho de Belford Roxo, esta cidade me deu tudo que um homem pode querer na vida, uma familia, educação, respeito, conceitos de cidadania, 4 mandatos de vereador, 2 mandatos de Presidente da Câmara, um grupo politico que é uma verdadeira familia, e o respeito de todos os cidadãos da minha cidade. Vou continuar lutando por Belford Roxo contra tudo e contra todos. Por que para mim Belford Roxo é mais que especial, um forte abraço a todos."
Se o merecimento da Inocentes de Belford Roxo em ascender ao grupo especial é legítimo ou não, pude perceber durante esses dias que não era a razão principal do Prefeito Eduardo Paes fazer declarações tão pesadas e duras à entidade. Permitam-me lembrar-lhes que contestação de resultado no carnaval carioca não começou com a chegada de Reginaldo Gomes à LESGA, e nem tão pouco se restringe ao grupo de acesso, a própria LIESA várias vezes foi questionada quanto a resultados que nos pareceram muito injustos, inclusive quando passaram por lá presidentes de agremiações que à época pareceram muito suspeitos. Existe muito a fazer para se ter uma LIESA integra e que seja modelo inspirador para outra entidade, e disso o Prefeito não questiona, ele simplesmente se cala.
Me pergunto o que realmente interessa a um Governo Municipal que deixou as escolas do grupo de acesso à mingua, vale lembrar que em 2011 a Alegria da Zona Sul sofreu um incêncio em seu barracão, e o Prefeito aos holofotes da imprensa como gosta de fazer, prometeu recursos para a construção de seu carnaval, o que não aconteceu, e infelizmente a escola foi rebaixada. Não estou aqui defendeno o ex-presidente Reginaldo Gomes, mas sim as escolas do grupo de acesso, a todas elas, não apenas as da Capital, onde me parece em ano de eleição ter um interesse impressionante por parte de Paes, prometendo reforma em quadras, e tantos outros objetos que de certa forma encantam os presidentes.
Vale lembrar que este mesmo Prefeito que agora promete uma LESGA transparente, passou esse tempo todo sem dar qualquer atenção ao desfile das escolas de samba do grupo de acesso, com barracões que são uma verdadeira vergonha essas agremiações produzem seus carnavais de forma indigna, muitas promessas foram feitas e nada de concreto se fez. É que na verdade essas escolas não dão mídia, não aparecem na imprensa com destaque na maior parte das vezes, mas em ano eleitoral vale tudo. O Rio hoje tem projeto para quase tudo, obras por todo lado, a cidade vive um verdadeiro canteiro de obras, mas para essas escolas nada aconteceu...
A LESGA é do sambista, do apaixonado que quer um carnaval legítimo de fato, com estrutura, dignidade e reconhecimento, e as escolas do grupo de acesso não podem ser instrumento de politicagem e campanhas eleitoreiras em época de eleição. É claro que para esse grupo politico que quer donimar nosso carnaval, seria muito mais interessante ter no grupo especial no próximo ano uma agremiação da Capital e não uma escola que representa a Baixada Fluminense, em especial a cidade de Belford Roxo.
Estive algumas vezes na Inocentes como visito todas as agremiações, sempre que sou convidado, e é impressionante ver o sorriso e a felicidade dessa gente, que quer mostrar em 2013 a sua cara, o seu jeito de fazer carnaval, a força de sua comunidade, e isto não tem nada haver com a LESGA.
Segue a renúncia de Reginaldo Gomes à presidência da LESGA:
"Na próxima sexta feira estarei entregando ao Conselho Deliberativo da LESGA, uma carta abrindo mão do meu madato de Presidente da LESGA, cargo este que por escolha dos presidentes exerci por quatro anos, e que por decisão destes mesmos presidentes exerceria até 2014, realizei o que ninguém conseguiu realizar, transformar o abandonado grupo de acesso em um verdadeiro produto comercial, e esse foi meu verdadeiro erro, despertar o interesse dos grandes empresários pelo grupo, deixar um contrato assinado com a Rede Globo de Televisão, deixar uma entidade com fé publica, desfiles harmonizados, subvenções elevadas em até 500%.
As autoridades do Rio de Janeiro, não aceitam que um humilde vereador, do humilde município de Belford Roxo possa comandar a segunda maior festa do Rio de Janeiro, mais comandei como ninguém comandou, com amor, com orgulho, e com sabedoria, deixo o cargo sabendo que fiz história e que em nenhum momento traí os meus companheiros ou deixei de cumprir minha palavra... Com relação ao não rebaixamento de 2 escolas, um dia todos saberão a verdade por mais cruel que ela possa parecer, mais repito não traí ninguém, agora estas autoridades estão oferencendo às escolas novos barracões, reformas em suas quadras, e uma infinidade de vantagens para que se voltem contra a minha administração, são poderesos, mais a justiça sempre prevalece.
Vamos continuar trabalhando e mantendo a nossa fé no fuituro, um grande abraço."
O que realmente importa é o futuro das escolas de samba do grupo de acesso, e espero que os Senhores Presidentes tenham o bom senso de preservar o samba, a arte, a cultura, e que experiências passadas e frustradas, não sejam repetidas do calor das negociações entre promessas que me parecem, jamais serão cumpridas.
O carnaval carioca livre da politicagem, e do oportunismo é o que realmente queremos para a LESGA.
Com todo respeito, muito axé!
E por falar em porta bandeira...
Raymondh Junior | Raymondh Junior | 21/03/2012 11h51
E por falar em porta bandeira, é claro que quando me refiro a Selminha Sorriso como o grande nome da atualidade, não quero com isso dizer que outras não sejam tão boas, diga-se de passagem, que em matéria de porta bandeira nosso carnaval está muito bem servido, e segue muito bem neste quesito, inovando, trazendo grandes produções e talentos de grande valor.
Tenho absoluta certeza que do carnaval das escolas mirins ainda vão surgir grandes estrelas, algumas pequenas porta bandeiras tem um talento impressionante, e o tempo certamente irá fazer justiça ao esforço dessa garotada, não quero citar nomes, mas para quem acompanha as agremiações da criançada sabe muito bem do que estou dizendo, ali está uma verdadeira fábrica de talentos.
E como referência, essas lindas meninas irão encontrar sempre pela frente o legado de Selminha Sorriso, mas também de grandes nomes como Maria Helena na Imperatriz Leopoldinense, Neide na Estação Primeira de Mangueira, Vilma na Portela, Soninha da Mocidade Independente de Padre Miguel, e algumas outras rainhas que passaram tão bem representando suas escolas ao longo desses 80 anos de desfiles.
Algumas pessoas que acompanham nossas publicações aqui no SRZD-Carnaval, me indagaram se eu gostava apenas de Selminha, e eu respondo aqui mesmo: é claro que não! Citei a porta bandeira da Beija-Flor como uma referência, por todo seu brilho, mas gosto muito de Lucinha Nobre na Portela, sempre um show à parte, Gleice Simpatia no Salgueiro, a talentosa neta de Xangô da Mangueira, Squel ex-Grande Rio, também gosto bastante de Marcella Alves da verde e rosa, e não poderia deixar de mencionar um orgulho do Morro de Mangueira, iniciada no mundo do samba pelas mãos da saudosa Dona Neuma, a atual porta bandeira da Campeã do Carnaval Carioca 2012, a Unidos da Tijuca, nossa querida Giovanna.
Me encanta muito a magia dessas mulheres, e rezo para que os deuses do samba me permitam ainda ver muitas outras surgirem, para que o pavilhão de cada escola de samba esteja entregue a quem de fato tem talento, e mais do que isto, que tenha paixão pelo mundo do samba, isto é o que realmente importa, afinal de contas, como costumo dizer, nota é para jurado, artista faz mesmo a festa acontecer e pronto.
Axé!
'Mutreta' no título da Beija-Flor de 2011
Raymondh Junior | 30/04/2012 13h48
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Raymondh Junior | 21/04/2012 18h02
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