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Opinião - Chegou a crise. E agora?

Paulo Alexandre Teixeira* | Opinião | 08/12/2008 12:35

Em 2009, F-1 pode ter o menor grid em 40 anos (Foto: Honda Racing F1)

"A Honda chegou à conclusão de que iremos cessar todas as atividades relativas à Fórmula 1, fazendo de 2008 nosso último ano como competidores. Esta difícil decisão foi tomada devido à forte quebra sentida nos nossos negócios, que tem como causa principal a crise financeira global, que como se sabe é motivada pelo grave problema económico que os EUA enfrentam".
 
"A empresa precisa garantir a sustentabilidade do seu core business, a construção e venda de automóveis. A recuperação deverá levar tempo e, por isso a Honda decidiu tomar medidas que sirvam para reagir face à crise. Entre elas, está o final da nossa participação na F-1."


Na última sexta-feira, um desolado Takeo Fukui, o CEO da Honda, anunciou desolado, na sua sede em Tóquio, que a Honda, face aos prejuízos que teve este ano, iria se retirar, com efeito imediato, da Formula 1. A Honda, como quase todas as marcas mundiais, dependia das vendas nos Estados Unidos para equilibrar o seu negócio, e este ano, teve uma queda nas vendas de 25 por cento. Prejuízos como este, aliado aos maus resultados, que não compensavam o pesado investimento que a marca japonesa estava a fazer, motivaram esta decisão. E os rumores apontam que a Toyota pode estar a caminho da retirada, eventualmente em 2010.
 
Fukui disse que, caso nada fosse feito, a marca japonesa tinha orçamento operacional para manter a equipa a correr no início de 2009. Só que devido à escalada dos custos no meio da presente crise financeira internacional, a Honda poderia ter de encerrar a equipe antes do final da temporada. Caso acontecesse, seria visto dentro da marca como uma suprema humilhação.

Ainda não se sabe o destino da estrutura de Brackley (sede da Honda F1), mas a sede em Tóquio deu vinte dias a Nick Fry e a Ross Brawn (ou seja até ao dia de Natal) para encontrar computador, caso contrário, fechará definitivamente as portas e colocará quase 800 pessoas no desemprego. Já se falam nos nomes de vários compradores, como David Richards, o patrão da Prodrive, que em meados de 2007 quis montar uma "McLaren B" na Formula 1, mas os seus planos foram abortados pela FIA, que não queria (e ainda não quer) chassis vindos de outras equipas.

Bom, chegamos agora ao centro da tempestade. Era algo que muitos previam. Na semana passada, em entrevista ao jornal português Test Drive, Adrian Campos, fundador da Campos Grand Prix, equipe da GP2 com aspirações na categoria máxima, disse a seguinte frase: "A ideia de ter uma equipa de Fórmula 1 continua sempre na minha cabeça, mas o fecho da Super Aguri mostra que agora não é a altura indicada. A Fórmula 1 chegou a um colapso e é certo que vai mudar muito, veremos o que se passa a partir de 2010." Vistas as coisas agora, era um aviso ao que vinha?

A 7 de maio deste ano, escrevi um pouco sobre a tempestade que vinha aí no meu blog. O pretexto fora do fim da Super Aguri, a amargura que sentia com o fim dos "garagistas", e o facto de esta Formula 1, dominada pelas montadoras, não teria muito futuro. Eis alguns desses extratos:

"Enquanto dizemos adeus a mais uma equipe de Formula 1, pensemos nisto: temos um grid reduzido perigosamente a 20 carros, num ano em que se prometia o acréscimo para 24. A Formula 1, o topo da carreira automobilística por excelência, está a ficar cada vez mais elitista. Para piorar as coisas, nos últimos cinco anos, são mais as equipes que se extinguem do que as que entram. Os custos são cada vez mais astronômicos, e tirando os construtores, os milionários com espírito garagista fogem cada vez mais de um desporto que apesar de ser cada vez mais rico, é um sorvedouro de custos."

(...)

"Bernie Ecclestone e Max Mosley têm apostado nos últimos anos numa fórmula que julgam ser vencedora: reunir o maior número de construtores, pois assim eles lucram com a exposição das suas marcas na maior montra do desporto automóvel. Lá conseguiram: BMW, Ferrari, Renault, Mercedes, Honda, Toyota, estão todos lá."

"(...) todas estas marcas querem ganhar. Ficar no meio da tabela não é algo que gramem muito, e mais cedo ou mais tarde, eles se irão embora. Estas equipes não têm paciência infinita, e se isto tem uma parcela muito pequena nos seus orçamentos, tem impacto nas suas vendas. E para piorar as coisas, temos uma crise mundial à porta, onde tudo aumenta: os alimentos, o petróleo... Estas multinacionais também sofrem, ou julgam que não?"

"(...) Esta formula não vai durar para sempre. Ao menosprezar os "garagistas" estão a enxotar os verdadeiros fãs da Formula 1. Alterações nos regulamentos, impedindo "equipes B", prejudicam a concorrência e afastam investidores, em vez de os atrair."

(...)

"A história do automobilismo teve ciclos destes: quando as marcas eram as únicas a participar, a competição acabava na primeira crise que aparecia. A Formula 1, desde o seu início, teve sempre equipas privadas, com pilotos privados. Alguns garagistas, como Ken Tyrrell e Frank Williams, começaram assim: comprando chassis de outras equipas, e depois montaram os seus próprios chassis."


O pretexto foram os garagistas, mas a crise que já avizinhava, teve outros motivos. Contudo o impacto é o mesmo, e este episódio mostrou que "o rei vai nu". Max Mosley, tão vilipendiado no início do ano por causa do seu escândalo sexual, tornou-se agora num herói inesperado. E o próprio Bernie Ecclestone, o maior fã das montadoras, e que desprezou a Super Aguri quando esta se foi embora, fez hoje à cadeia de TV britânica Sky News o seu discurso de "mea culpa", apelando ao corte de custos, algo que nem queria saber meses antes? 

Neste fim de semana mesmo, o presidente da FIA anunciou um acordo com a Cosworth para o fornecimento de motores "standard", bem como transmissões Ricardo para 2010, em valores próximos das seis milhões de libras. Contudo, tal valor só seria alcançado se pelo menos quatro equipas aderissem ao acordo. De uma certa forma, desapareceu o fantasma do fornecedor único de motores, mas a padronização dos motores vai mesmo para a frente. E Mosley está a mostrar, com o falhanço da Honda, que tem razão: o corte nos custos na Formula 1 tem de ser real, ou então, em vez de ter 18 carros em pista, a 29 de março de 2009, em Melbourne, (o numero mais baixo em 40 anos) poderemos ter muito menos? E a Associação das Equipes (Fota), que se reuniu em Genebra precisamente na quinta-feira, também pode ter chegado às mesmas conclusões. 

Será que Max Mosley é o último a rir com isto tudo? Aparentemente sim. E a Formula 1, sobreviverá? Aposto que sim. Mas depois de uma refundação completa.

*Paulo Alexandre Teixeira, 32 anos, é jornalista de formação, e é o homem por detrás do blog Continental Circus, que existe desde Fevereiro de 2007. Para além disso, trabalha nos sites Supermotores.net e Motormais

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Nota: Os textos da seção "Opinião" são publicados sem periodicidade definida. Este espaço é reservado à manifestação livre dos leitores e/ou colaboradores do site, sendo os textos de opinião exclusiva dos autores


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Opinião - Título de Massa foi perdido pelos erros da Ferrari

Matheus Gagliano* | Opinião | 05/11/2008 16:43

Brasileiro ficou apenas um ponto atrás do campeão Lewis Hamilton (Foto: Ferrari Media Center)

Não. Felipe Massa não perdeu o título do Mundial de Fórmula 1 no Grande Prêmio do Brasil, no último domingo, naqueles 500 metros restantes de prova. O título foi perdido nos erros que a Ferrari cometeu ao longo do ano, principalmente naquela falha tosca do Grande Prêmio da Cingapura, sob o luar de Marina Bay. Ao deixar a mangueira enroscada no carro do brasileiro e deixar-lhe partir sem que o reabastecimento terminasse, a Ferrari entregou para Lewis Hamilton, da McLaren, o título de 2008 que, aliás, ficou em boas mãos. Não só das do inglês, mas também de toda a equipe McLaren que sempre deu uma verdadeira lição de organização, salvo é claro, o ano passado.

Historicamente, a F1 dificilmente viu um piloto ser campeão ao fim da temporada, após sua equipe cometer erros grotescos, como o que a Ferrari cometeu com Massa em Cingapura. Só para citar dois exemplos: em 1991, Nigel Mansell, então piloto da Williams, viu o título escapar de suas mãos quando a pneu traseiro esquerdo de seu carro soltou-se logo após o pit stop, no GP de Portugal. 

A mesma Williams cometeu um erro semelhante, ao não fixar adequadamente o pneu de Jacques Villeneuve durante o seu pit stop, no GP do Japão de 1996. Ao sair dos boxes, o canadense perdeu o pneu e o título. Só não foi tão trágico para a Williams, porque seu outro piloto, Damon Hill, foi o campeão daquele ano.

A Ferrari vem cometendo uma sucessão de erros, e já não é de hoje. No ano passado, o time de Maranello também falhou com Felipe Massa, de modo que ele saiu cedo da disputa do título de 2007. Uma coisa é certa: Jean Todt faz uma imensa falta na equipe, que se perdeu um pouco, depois que o trio Michael Schumcher-Ross Brawn-Jean Todt deixou o time. 

Pelo menos, o campeonato acabou e agora a equipe pode sentar e discutir os erros cometidos neste ano. Em 2009, será outro campeonato, assim como será uma outra Fórmula 1, que inicia uma nova era, com o retorno dos pneus slick, longe da categoria desde 1997. É preciso que a Ferrari se acerte para o próximo ano, e que possa começar 2009 com o pé direito. De preferência, com vitórias de Felipe Massa.

*Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor.

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Opinião - Dito e feito em Interlagos

Alexandre Tortoriello* | Opinião | 04/11/2008 16:30

Corrida de Interlagos terminou com título para Lewis Hamilton e vice-campeonato para Felipe Massa (Foto: Toyota F1 World)

A Fórmula 1 estaria voltando aos velhos tempos? A última corrida da temporada me fez lembrar o GP de Adelaide, em 1986, decidido de forma quase tão dramática quanto o campeonato deste ano.

''Aquele que faz mais pontos merece o título'', disse Felipe Massa.

''Até o fim da prova, eu nem sabia que o Lewis (Hamilton) tinha me passado. Fui ultrapassado por uns três ou quatro carros na última volta, não foi fácil acompanhar o que estava acontecendo'', do coadjuvante Timo Glock, da Toyota, que se tornou a peça fundamental para garantir o título a Hamilton.

''Foi ótimo brigar com Massa, Alonso e Hamilton. Muito divertido!'', do outro coadjuvante que quase definiu o campeonato, Sebastian Vettel, ao chegar em quarto.

''Mesmo tendo sido ultrapassado por Sebastian (Vettel), Lewis nunca desistiu, porque sabíamos que Timo (Glock) estava com pneus para pista seca'', Lewis Hamilton, o campeão, numa aparente síndrome de Pelé, ao falar de si mesmo na terceira pessoa.

Nem roteiro de cinema seria tão bom

Acho que nem o melhor roteirista de cinema poderia ter imaginado um final tão eletrizante e dramático para a temporada de Fórmula 1. Foi uma pena que não tenha dado para o Massa. Foi por tão pouco. Esse único ponto que o separou de Hamilton é certamente muito menor que o meio ponto que garantiu o campeonato de Niki Lauda contra Alain Prost em 1984 - tudo por causa daquele GP de Mônaco que não deixaram Ayrton Senna ganhar.

Quem poderia prever tantas mudanças em apenas duas voltas? O final me fez lembrar uma outra decisão empolgante, também no hemisfério sul, mas do outro lado do mundo. Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet disputavam o título de 1986 na última corrida do ano, em Adelaide na Austrália, um saudoso circuito de rua. Pouco depois de passar pela entrada dos boxes, o pneu traseiro esquerdo do inglês estourou, obrigando-o a abandonar a prova. A cena, que pode ser vista no vídeo abaixo é espetacular. O inglês liderava o campeonato e precisava apenas de um quarto lugar para garantir o título. Mas o campeão foi Alain Prost, que venceu a corrida com quatro segundos de vantagem sobre Piquet. O campeonato terminou com Prost (72 pontos), Mansell (70) e Piquet (69).

Voltando ao presente, é o segundo ano consecutivo que o campeonato é definido na última prova, com lances emocionantes. Espero que a situação se repita no ano que vem, talvez até com Fernando Alonso também na briga pelo título. Parece que a Fórmula 1 está voltando aos velhos tempos e desbancando todos que queiram arriscar previsões óbvias.



*Alexandre Tortoriello foi chefe de reportagem do portal SRZD e permanece como colaborador do site. Integrante da equipe que fez a primeira transmissão de Fórmula 1 em tempo real na internet brasileira, trabalha atualmente como repórter da TV Bandeirantes

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Opinião - Uma nova era para o automobilismo português

Paulo Alexandre Teixeira* | Opinião | 01/11/2008 06:54

Foto: Divulgação

No mesmo fim de semana em que a Formula 1 terá o seu momento decisivo, no circuito brasileiro de Interlagos, é inaugurado nos arredores de Portimão, no sul de Portugal, o mais moderno autódromo da Europa, também com uma etapa de encerramento, mas do Mundial de Superbikes.

Há mais de dez anos que se fala na ideia de haver uma pista de automóveis no sul do país, e sabia-se do projeto de Portimão desde 2002. Porém, em fins de 2005 é que o projecto avançou, na zona da Mexilhoeira Grande, a meio caminho entre Portimão e Lagos. Foi um investimento enorme - mais de cem milhões de Euros - e durou quase um ano a ser construído. O Autódromo é a primeira fase do projeto, que vai ter mais tarde um kartódromo, um hotel de cinco estrelas, um conjunto habitacional de luxo e um parque tecnológico, no qual se fala que poderá acolher a sede da A1GP.

Já agora, um conjunto de dados estatísticos sobre o Autódromo, para quem aprecia este tipo de números: 4692 metros (para a Formula 1), com uma largura de 14 metros, a pista pode albergar 64 versões, quer para motos, quer para carros, uma bancada principal de 16 mil espectadores, com Cafetaria, Museu, Camarotes, Área VIP, 84 boxes de 67,5 metros quadrados cada um, o que dá no total de 5670 metros quadrados, e um Paddock de 72 mil metros quadrados, o maior da Europa! O Media Center tem capacidade para 750 lugares, com 450 televisores? e até tem piscina! A Torre VIP, localizada bem no centro do autódromo, é um ponto privilegiado para assistir a corrida., e tem 48 camarotes de luxo. Para além disso, existem mais 55 mil noutras zonas do circuito, e estarão em zonas estratégicas do circuito quatro telões gigantes, com 25 metros quadrados cada um.

A escolha de Portimão não é inocente: o Algarve é a zona turística mais procurada pelos estrangeiros, sobretudo ingleses, holandeses e alemães. Para além disso, está a pouco mais de 120 km da fronteira espanhola, e a sua capital, Faro, é servido por um aeroporto internacional. O turismo de massas, no Algarve, é rei. Foi por isso que dos cem mil bilhetes vendidos, a grande maioria foi vendida em Espanha e Inglaterra.

Desde que o circuito começou a ser construído, o seu promotor, Paulo Pinheiro, investiu o seu tempo na concretização do projeto, para que nada ficasse ao acaso. E valeu a pena: apesar de ser relativamente parecido com Barcelona, o circuito é desafiador, pois aproveitou o relevo natural do terreno para construir o traçado, e as curvas e retas sucedem-se a um ritmo alucinante, com diferenças acentuadas. E dos pilotos que já o experimentaram, a avaliação é unânime: não vai ser um circuito para meninos.

No passado dia 13 de Outubro, a FIA e a FIM aprovaram o traçado português com Grau 1, o que significa que pode receber a Formula 1. E os anúncios não demoraram: à data de hoje, a Le Mans Séries, a FIA GT, a Euro 3000, a A1GP, e agora a GP2, confirmaram a sua presença nos seus calendários de 2009. É o regresso em força das competições internacionais a Portugal.

Com isto tudo, chegamos à pergunta sacramental: então, e a Formula 1? Sabe-se que irá haver um teste em dezembro, com a presença da McLaren e da Honda, e a Ferrari prestes a confirmar. Aliás, representantes de todas as marcas estarão neste domingo em Portimão para verificar as condições do traçado e das instalações, para ver se marcam algum teste no defeso, agora que a quilometragem dos carros vai ser limitada. E também nesse fim-de-semana, o Toro Rosso conduzido pelo espanhol Jaime Alguessauri, irá fazer umas voltas de demonstração no circuito?

E quanto ao regresso do Grande Prémio de Portugal, prova que foi retirada do calendário em 1997 para não mais voltar? Isso não depende dos promotores do Autódromo, mas sim da vontade governamental. "É uma decisão política", disse Pinheiro, há cerca de três semanas. 
 
Ora, vai ser provavelmente o obstáculo mais difícil. Estamos em época de crise, e para agravar as coisas, em Portugal, estamos a pouco mais de seis meses de eleições para o Parlamento. Garantir um acordo com Bernie Ecclestone, que não pede menos do que vinte milhões de dólares por ano, com um aumento de dez por cento anuais, pode ser considerado como insultuoso para muita gente. Neste país, ainda não foi esquecido o escândalo que foi o apoio governamental de dois milhões de Euros, através do Instituto de Comércio Externo Português (ICEP) para Tiago Monteiro, na sua primeira época de Formula 1, em 2005. E fazer tal coisa em 2009 é meio caminho andado para um suicídio político. Por muito lucrativos que sejam as receitas turísticas naquela zona do país?

Mas, independentemente dos maiores ou menores obstáculos que existam, este domingo irá acontecer uma nova era no automobilismo nacional e internacional.

*Paulo Alexandre Teixeira, 32 anos, é jornalista de formação, e é o homem por detrás do blog Continental Circus, que existe desde Fevereiro de 2007. Para além disso, trabalha nos sites Supermotores.net e Motormais

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Opinião - GP Brasil 2008: um dia para a história

Matheus Gagliano* | Opinião | 28/10/2008 14:24

Foto: Toyota F1 World

Antes da decisão do título mundial da Fórmula 1, no próximo domingo, o Grande Prêmio do Brasil já entrou para a história. Tanto para a F-1, quanto para nosso próprio país e para Felipe Massa, que terá a primazia de ser o protagonista deste dia histórico. Massa tem a chance que Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet ou Ayrton Senna jamais tiveram: ser campeão em casa.

Infelizmente, nada isso é suficiente para que mais investimentos sejam feitos no automobilismo nacional. A grande maioria dos autódromos está em petição de miséria e hoje existem muito menos categorias do que há cerca de 15 anos. A Fórmula Ford, que já revelou muitos talentos, hoje é apenas história. Além disso, falta apoio financeiro para que muito mais pilotos nacionais tentem a sorte no exterior.

O circuito de Interlagos mesmo, a cada ano sofreu com a reclamação dos pilotos com o asfalto ondulado. Hoje o asfalto está em melhores condições e o circuito é disparado o que está em melhor estado que os de outras cidades. Outros países sem expressão alguma no automobilismo estão investindo pesado em circuitos moderníssimos como Cingapura, Japão (Monte Fuji) e Emirados Árabes, com seu futurista circuito de rua de Abu Dhabi.

O Brasil merecia melhor. Muitos não sabem, mas o país é o segundo em número de títulos na Fórmula 1, atrás apenas da Grã-Bretanha. Foram oito conquistas. Se Felipe Massa vencer Lewis Hamilton, no domingo, serão nove campeonatos do mundo, além de dezenas de vitórias com Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Rubens Barrichello e o próprio Massa.

Mas antes vem domingo e a corrida em Interlagos. Que Felipe Massa consiga o título e que possa voltar a colocar o país em posição de destaque e traga de volta a alegria de termos um campeão do mundo. Afinal, não é todo ano que o Brasil se torna centro do mundo das quatro rodas.

*Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor.

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Opinião - Dito e feito na China

Alexandre Tortoriello* | Opinião | 20/10/2008 21:38

Foto: Honda Racing F1

Se a esperança é a última que morre, principalmente quando falamos de torcedores fanáticos, o resultado de uma enquete na edição eletrônica do jornal italiano "La Gazzetta dello Sport" é preocupante. Na tarde desta segunda-feira, apenas 26,3% dos 19 mil votantes acreditavam que Felipe Massa ainda pode ser campeão em Interlagos.

"Hamilton à beira do glorioso título depois do passeio de domingo na China", manchete do tablóide britânico The Sun.

"Tenho sete pontos de vantagem, mas não posso cantar vitória antes da hora. Fiz uma das melhores largadas da minha carreira. Nosso carro estava simplesmente fenomenal", do vencedor Lewis Hamilton, sobre a corrida em Xangai e as perspectivas par a decisão no Brasil.

"Foi um grande resultado para a equipe, mas nem tanto para mim. Perder dois pontos não significa perder a esperança. Vou lutar até o fim e estou ansioso por correr em Interlagos, diante da torcida. Não tinha nada específico que não funcionou bem no carro, mas foi impossível vencer. Eu me sinto como numa disputa de pênaltis na final da Copa do Mundo. Errei os dois primeiros chutes, enquanto o outro time acertou. Por isso, não podemos cometer mais erros. Vai ser difícil, mas não impossível", do esperançoso Felipe Massa, após o segundo lugar na China.

"Tinha um carro muito bom, mas não o bastante para bater nosso principal adversário. Sobre a ultrapassagem de Felipe? Sou parte da equipe e estou ciente do que eles esperam de mim. Estou fora da luta pelo título, então tenho que dar o máximo para que a Ferrari conquiste os dois campeonatos", do resignado Kimi Räikkönen, que cedeu a segunda posição para Massa e completou o pódio em terceiro.

"O quarto lugar é o melhor resultado que poderíamos esperar para hoje, então estou muito satisfeito", Fernando Alonso, o piloto que mais marcou pontos nas últimas corridas.

"A corrida foi difícil, mas estou satisfeito com o meu desempenho. É lógico que gostaria de ter terminado mais à frente, mas marquei um ponto importante, que garantiu o quarto lugar para a equipe no Mundial de Construtores", Nelsinho Piquet, o oitavo, ainda tentando garantir um lugar para continuar na Renault no ano que vem.

"A corrida foi melhor do que as últimas. Tive uma ótima largada e ultrapassei três carros na primeira volta. Mas o 11º lugar é um reflexo da capacidade do carro. Apesar de estar decepcionado por não pontuar, estou satisfeito por ter tirado o melhor que o carro tem a oferecer", Rubens Barrichello, que também tenta se manter na equipe - no caso dele, a Honda - para o ano que vem.

*Alexandre Tortoriello foi chefe de reportagem do portal SRZD e permanece como colaborador do site. Integrante da equipe que fez a primeira transmissão de Fórmula 1 em tempo real na internet brasileira, trabalha atualmente como repórter da TV Bandeirantes

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Opinião - Dito e feito no Japão

*Alexandre Mata Tortoriello | Opinião | 14/10/2008 14:44

Foto: Honda Racing F1

Pelo Rádio

''Bravo!'', Flavio Briatore, chefão da Renault, parecia que ia repetir a saudação feita a Fernando Alonso pela vitória em Cingapura, quando acrescentou: ''Piquet, quarto. Bravissimi!'' dando parabéns também ao brasileiro.

Será que a bela atuação garantiu-lhe um lugar na equipe no ano que vem?

''Esse é o novo Alonso, essa é a nova equipe Renault'', Reginaldo Leme, comentarista da TV Globo.

''Não podia imaginar vencer duas corridas seguidas. O carro está melhor. Hoje, só estamos atrás de Ferrari e McLaren. Tive uma corrida estupenda. Aqui não teve carro de segurança. Por isso, tem um sabor muito melhor (do que a vitória de Cingapura). Inacreditável'', dom Fernando comemorando a vitória.

''Não temos nada a perder, mas tudo é possível'', Robert Kubica, franco atirador na luta pelo título, que chegou a 72 pontos com o segundo lugar no Japão, 12 a menos do que o líder Lewis Hamilton.

''Estou decepcionado porque hoje tínhamos condições de vencer'', Kimi Räikkönen, terceiro lugar no Japão e quarto no campeonato, agora matematicamente fora da disputa pelo título.

''Estou muito feliz com esse grande resultado da equipe, que está muito bem neste fim de temporada. Espero que continue assim'', Nelsinho Piquet, quarto na prova e 12º no campeonato.

''Foi uma corrida estranha, com tudo que aconteceu na pista. Mas o sétimo lugar não é um desastre, já que meu adversário mais próximo não conseguiu marcar pontos. Na segunda parte da corrida, o carro estava voando com os pneus duros, o que é muito animador para as próximas corridas. No duelo com Weber, vi um espaço na parte de dentro e fui. Ele veio para cima de mim, na direção do muro. Pode ter parecido meio assustador, mas, dentro do cockpit  não foi tanto assim. Temos muito potencial e devemos explorá-lo'', Felipe Massa, comentando o sétimo lugar.

''Obviamente, não estou satisfeito com o resultado, mas já estou me recuperando e amanhã vai ser outro dia. Na primeira curva, freei um pouco em cima demais. Mas todo mundo fez a mesma coisa. Muitos carros perderam a (tomada da) curva. Mas não podemos desfazer a punição nem mudar o resultado de hoje. Eu perdi apenas dois pontos para Felipe. Ainda faltam duas coridas e meu objetivo é vencê-las'', Hamilton, 12º na prova, mas ainda em posição confortável no campeonato.

Frases que ninguém agüenta mais ouvir

''Chegar é uma coisa, passar é outra'', Galvão Bueno na transmissão da TV Globo. 
 
''Na cabeça do piloto, deve demorar uma semana para passar'', ele de novo, comentando a punição de Massa, quando o brasileiro foi obrigado a passar pelos boxes.

*Alexandre Tortoriello foi chefe de reportagem do portal SRZD e permanece como colaborador do site. Integrante da equipe que fez a primeira transmissão de Fórmula 1 em tempo real na internet brasileira, trabalha atualmente como repórter da TV Bandeirantes

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Opinião - O risco que Hamilton corre


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Opinião - O risco que Hamilton corre

*Matheus Gagliano | Opinião | 13/10/2008 20:56

Foto: McLaren Media Center

O inglês Lewis Hamilton é um excelente piloto. Todos sabem disso e é um dos melhores que apareceram na Fórmula 1 nos últimos anos. Na chuva, então, nem se fala. Em piso molhado, o inglês supera os adversários com facilidade, consolidando-se ainda mais. Mas Lewis enfrenta um problema crônico: ainda não consegue suportar com tranqüilidade uma pressão por disputa de título mundial e precisa trabalhar muito o seu ímpeto de querer decidir tudo na primeira curva. Foi por causa disso que ele promoveu aquela lambança da largada do Grande Prêmio do Japão. Quem poderá lucrar com tudo isso é Felipe Massa.

Hamilton que abra o olho. Se não conseguir segurar esta afobação, ele poderá perder o título mundial por uma questão boba de novo, a exemplo do que aconteceu no ano passado. Em 2007, Hamilton tinha nada menos que 17 pontos de vantagem para Kimi Raikkonen, da Ferrari. Pois o inglês jogou tudo isso pela janela em apenas duas corridas e o finlandês levou o título de bandeja. Hoje, a diferença dele para Massa, o vice-líder, é de apenas cinco pontos. 

Isso mostra também que o time de Ron Dennis ainda se ressente muito da falta de um piloto como Fernando Alonso. Com sua experiência de dois títulos mundiais, Alonso teria vencido o ano passado tranqüilamente e poderia até mesmo estar na disputa do título deste ano. Mas a euforia que tomou conta da equipe inglesa com os desempenhos excepcionais de Hamilton fez com que o time deixasse o asturiano na mão. 

Se Hamilton pudesse contar com a experiência de um companheiro do quilate de Alonso, muito provavelmente não sofreria destes problemas e lidaria melhor com a pressão e o ímpeto de vencer a todo custo. Ayrton Senna também tinha este ímpeto, mas soube dosá-lo e por isso mesmo só foi para uma equipe vencedora em seu segundo ano de Fórmula 1. O fato de Hamilton já estar em um time vencedor, querendo vencer, sem experiência em times menores poderá trazer prejuízos à sua carreira. Principalmente se não levar o título neste ano. 

Se Felipe Massa perceber estes problemas, poderá tirar partido deles, exercendo pressão maior sobre Hamilton pata vencer o campeonato mundial deste ano. Afinal, o que são cinco pontos a duas provas do fim do Mundial? Além disso, Massa tem muito mais experiência. Já está no ramo há seis anos, passou por Sauber, teve Michael Schumacher como companheiro, já foi piloto de testes. Basta ter calma e tranqüilidade. E saber aproveitar a afobação de Hamilton. Por tudo isso, Massa tem chances concretas de ser campeão neste ano.

*Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor.

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Opinião - Japão: vinte anos depois

Matheus Gagliano* | Opinião | 08/10/2008 21:02

Largada do GP do Japão de 1988. Repare que Senna está apenas no meio do pelotão após ter problemas para arrancar (Foto: F1-Facts.com / sem crédito divulgado)

Desde que a Fórmula 1 passou a ter corridas na Ásia e Oceania, nos acostumamos a ver decisões de títulos mundiais em terras nipônicas. Senão, no mínimo uma corrida decisiva. E neste ano, a exemplo de 2007 e dos anos anteriores, não será exceção, ainda que o cenário tenha mudado um pouco - passou do inesquecível circuito de Suzuka, para o inóspito Monte Fuji.


Mas este ano de 2008 tem um sabor especial: completam-se 20 anos do primeiro título mundial de Ayrton Senna, conquistado sob condições extremamente desfavoráveis na pista de Suzuka. Por essas e outras é que Suzuka é inesquecível. 

Naquele ano de 1988, a Fórmula 1 era completamente diferente da atual. Ainda existiam os carros com motores turbocomprimidos, que precisavam de um equipamento chamado ''válvula pop-off'', importada da Fórmula Indy e que coibia qualquer excesso de força que o motor pudesse ter. Tinham estes motores as equipes de ponta, como a McLaren, enquanto os times menores tinham de se contentar com os seus aspirados. No ano seguinte, o turbo foi abolido e os aspirados tomaram conta do circo. 

Aquele ano também foi marcado por um domínio incrível da McLaren que, equipada com os motores Honda V12, construíram um time praticamente invencível. E ainda havia os pilotos: o então bicampeão do mundo, o francês Alain Prost, e o brasileiro Ayrton Senna, então um dos pilotos mais rápidos e promissores. Ao fim da temporada, o time de Ron Dennis venceu nada menos do que 15 das 16 corridas do ano, perdendo apenas no Grande Prêmio da Itália, vencida por Gerhard Berger, aquele mesmo que hoje é chefe de equipe da Toro Rosso.

Mas o GP do Japão, que iria decidir o título de 88, foi o ápice daquele ano incrível. Senna era o pole, com Prost em segundo. Para o brasileiro bastava vencer a corrida e o campeonato estava ganho. Na largada, eis que o McLaren-Honda de Senna fica parado, enquanto é ultrapassado por quase todos os outros carros. Até que afinal, o motor dá a arrancada. Senna completa a primeira volta em 19º lugar. 

A partir de então, dá-se uma recuperação incrível. Senna passa um a um e não dá chances a qualquer adversário. Pouco antes da metade da prova ele já está em 2º e à caça de Prost. No fim da reta dos boxes, na freada, Senna passa e ganha a primeira posição. Primeiro lugar. Posição, que ele não perde mais até a bandeirada final. Ayrton Senna campeão mundial de Fórmula 1.

Vinte anos depois, muita coisa mudou. A tecnologia chegou de vez e os custos de manutenção de uma equipe de Fórmula 1 se tornaram extremamente estratosféricos. A indústria do tabaco, que bancava boa parte das equipes, hoje está praticamente banida do esporte. As ultrapassagens, grandes atrativos da época - quem diria - viraram momentos raros. E hoje em dia, é cada vez mais difícil um piloto empreender uma recuperação ao estilo Senna-88.

A F1 ficou ainda mais rica e mais elitista do que nunca. As grandes montadoras transnacionais invadiram espaços deixados por equipes ''garagistas'' como Lotus, Tyrrell, Dallara, Minardi, Brabham, Rial, Eurobrun, entre outras. Até mesmo o número de equipes e pilotos se reduziu. Dos 26 carros no grid, sendo que 39 brigavam por um espaço, chegamos aos 20. As equipes passaram de quase 20 para apenas 10. 

Vinte anos depois, chegamos a mais um GP do Japão importante - ainda que não seja definitivo para decidir o campeonato - e Felipe Massa poderá ser campeão neste ano, todos nós torcemos por isso. Mas às vezes dá uma saudade daquele capacete amarelo... 

Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor.

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Nota: Os textos da seção "Opinião" são publicados sem periodicidade definida. Este espaço é reservado à manifestação livre dos leitores e/ou colaboradores do site, sendo os textos de opinião exclusiva dos autores


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Opinião - Dito e feito em Cingapura

Alexandre Tortoriello* | Opinião | 30/09/2008 16:58

Foto: Toyota F1 World

Pelo Rádio

"Bravo! Bravo! Vai! Vai! Vai!", Flavio Briatore, chefão da Renault, cumprimentando o vencedor Fernando Alonso pelo rádio.

"Tivemos um super carro durante todo o fim de semana. Parabéns e obrigado!", respondeu o empolgado Alonso.

"Desculpa, pessoal. Perdi o controle", Nelsinho Piquet, ainda dentro do carro, explicando para a equipe o motivo da escapada que provocou bandeira amarela em todo o circuito e culminou com a trapalhada da Ferrari no reabastecimento de Massa.

Sem explicação

"Perder uma oportunidade desta no pit stop é difícil de aceitar", Felipe Massa, 13º colocado, comentando o erro da equipe, que o liberou para a pista ainda com a mangueira de combustível no tanque.

"Eu não sei o que aconteceu. Tinha 32 voltas de gasolina. Consegui parar bem, sem problema de safety car. Foi uma pena. Estaríamos em terceiro agora. De repente, o motor morreu. É só isso que posso falar. Eu não vou nem falar, senão, vou xingar todo mundo da equipe e eles não merecem", Rubens Barrichello, comentando o abandono.

"A gente arriscou uma corrida com um stint (trecho) bem longo para tentar lucrar com algum safety car. Infelizmente toquei um pouquinho no muro e perdi o controle", Nelsinho Piquet, já do lado de fora do carro.

Um pódio inesperado

"Foi muito bom. Um desafio muito grande pelo desempenho que tivemos em toda a temporada. Entramos para a história com esta vitória na primeira corrida noturna. Fantástico! Não tenho mais nada a dizer", Alonso, durante entrevista coletiva após a prova.

"Quando vi o safety car entrando e o rádio me chamando para o box, fiquei muito chateado. Pensei que era o fim da corrida para mim", Nico Rosberg, que levou a Williams ao segundo lugar.

"De uma forma geral, tivemos um ritmo muito bom. O importante é que conseguimos marcar pontos", Lewis Hamilton, em terceiro, quem mais lucrou com o resultado final.

Jogando a toalha

"Não sou de desistir fácil e darei o máximo para ajudar a equipe a atingir seus objetivos", Kimi Räikkönen, admitindo finalmente que não tem mais chance de ser campeão.

Os feitos da corrida

Fernando Alonso não chegou a dar um show. Mas ganhar 14 posições em uma prova e manter a liderança com a tranqüilidade que ele teve - mesmo sem um excelente carro na mão - não é para qualquer um. Nico Rosberg também fez um grande trabalho. Deu tudo antes da pagar a punição no box, abriu grande vantagem sobre os adversários e, só por isso, conseguiu o segundo lugar.

*Alexandre Tortoriello foi chefe de reportagem do portal SRZD e permanece como colaborador do site. Integrante da equipe que fez a primeira transmissão de Fórmula 1 em tempo real de na internet brasileira, trabalha atualmente como repórter da TV Bandeirantes

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Opinião - Noitadas em Cingapura

Matheus Gagliano* | Opinião | 29/09/2008 20:07

Foto: Honda Racing F1

Veio para ficar. A experiência noturna da Fórmula 1, em Cingapura, mostrou que a categoria está preparada para ter mais provas à noite, principalmente em países asiáticos que pretendem receber a categoria daqui para a frente. Palmas para Bernie Ecclestone, que provou saber organizar como ninguém uma categoria como a F-1.

Mas há alguém que prefere esquecer essa experiência: Felipe Massa. O brasileiro da Ferrari sofreu com a incompetência incrível da equipe durante o pit stop desastroso e pode ter ido ver o campeonato voar pela janela e ir parar na McLaren, mais precisamente no colo do inglês Lewis Hamilton. Daqui para frente, a diferença é de sete pontos, faltando três provas para o fim da temporada.

Hamilton tem a faca e o queijo na mão, mas a McLaren terá de fazer um trabalho especial para que ele fique completamente focado na decisão deste se ano. Todos se lembram de 2007: lambanças nos grandes prêmios da China e do Brasil e o campeonato ficando com Kimi Raikkonen, o azarão da turma que disputava o título de 2007.

A Felipe Massa resta apenas chorar a vitória perdida e lutar para recuperar o terreno perdido. A diferença não é tão grande, principalmente se levar em conta de que ainda faltam três provas. Mas uma vitória perdida em um pit stop mal feito deixa qualquer um de ânimo baixo. "Corridas são corridas e essas coisas acontecem. Somos todos humanos e erros como esse nos boxes fazem parte. Não sou o tipo do cara que vai brigar com o mecânico que me liberou antes da hora. Vou falar com ele e dar uma força porque precisamos ter a equipe unida neste fim de temporada", declarou Massa ao fim da prova.

No fim, as noitadas em Cingapura deram uma terrível ressaca em Massa. Mas foram boas para Fernando Alonso e, claro, extremamente rentáveis para Hamilton, que não tem do que reclamar.

*Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor

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Opinião - Alonso: distante do tri

Felipe Maciel* | Opinião | 17/09/2008 20:49

Espanhol ainda não decidiu por qual equipe corre em 2009 (Fonte: Sala de Prensa/fernandoalonso.com)

Garantido para 2009, Kimi Raikkonen dava pinta de que iria encerrar sua participação na Fórmula 1 muito em breve, deixando em aberto uma das vagas mais cobiçadas do grid. Levou tempo para o finlandês assinar contrato por mais um ano com a equipe Ferrari, mas finalmente veio o anúncio oficial. Para o desespero da Alonsomania.

A novela de Fernando Alonso não teve final feliz. Depois de várias declarações públicas de simpatia pela escuderia de Maranello, após árduas negociações de contrato - seja com a Renault, seja com outros times - pensando em usar macacão vermelho em 2010, bastou um curto comunicado para o sonho ruir. Esta é a realidade do bicampeão mundial: um piloto cheio de talento, ignorado pelas duas maiores equipes da categoria.

Sua reputação nunca foi exemplar, mas no intervalo de um ano piorou drasticamente. Arrogante e polêmico, tornou-se persona non grata na McLaren por uma série de aborrecimentos que causou no ambiente de Ron Dennis. Recusou-se a dividir o estrelato com o companheiro Lewis Hamilton, piloto estreante capaz de andar em ritmo de campeão mundial. Ao invés de aceitar a disputa limpa, Fernando exigiu tratamento diferenciado dentro da equipe, tentando tirar do inglês o direito de brigar pelo título, pedido evidentemente negado pelos dirigentes britânicos.

Participante ativo do episódio da espionagem, utilizou-se dos atos proibidos para encostar o chefão de Woking contra a parede. O que poderia ganhar em troca, se não a oposição de toda a escuderia? Tanto fez que a McLaren passou a jogar contra o próprio piloto no campeonato.

De volta à velha casa, pegou um carro ruim com motor problemático que obriga o piloto a tirar no braço o que a parte técnica não tem a oferecer. Sem papas na língua, critica o bólido em público com relativa freqüência, provocando a reação do patrão Briatore, que responde às críticas criticando o piloto crítico.

Por que razão será que a Ferrari coloca a dupla Raikkonen-Massa em primeiro plano em detrimento do único bicampeão em atividade?

Um foi campeão do mundo guiando pelo time. Tem um estilo agradável de quem chega, faz o que deve ser feito e vai embora. Jeitão retraído, frio, simples, que inspira confiança. O outro é prata da casa, aprendeu ali mesmo tudo aquilo que sabe. Apresenta um caráter mais latino, vibrante, trabalhador. Trabalha bem junto à equipe, incansável, gosta de trabalhar. Todos conhecem bem, viram crescer e agora querem presenciar suas conquistas.

Por que mudar? Por que arriscar a estabilidade do ambiente para trazer um sujeito com ego maior que o carro, que faz exigências, que quer se impor aos interesses do time, que pode ameaçar seus superiores e falar mal do equipamento quando este não corresponder às expectativas?

A Ferrari não precisa de um substituto para Michael Schumacher, e se precisasse não encontraria no Alonso. Jean Todt sempre teve razão quando dizia que o estilo do espanhol não condiz com o da escuderia. Uma atmosfera harmônica é o mínimo que os italianos precisam para trabalhar bem. Estabilidade é tudo.

Ainda assim, talvez Fernando mantenha alguma esperança de guiar por Maranello em 2011. Neste caso, precisará melhorar seu comportamento e também torcer para que duas vagas sejam abertas, pois já existe um candidato mais forte que ele, apoiado pelo heptacampeão mundial: chama-se Sebastian Vettel.

A única chance concreta de Alonso voltar à ponta do grid está na adoção da mesma tática de Michael: unir-se a um grupo com potencial e trabalhar para construir um modelo vencedor.

Na Renault parece difícil. O propulsor, além de fraco, é congelado pelo regulamento. Sem falar em Flavio Briatore, cada dia mais desanimado, cada dia mais aposentado. Na Honda encontrará o mago Ross Brawn, que pode repetir o próprio feito tornando real o novo desafio de um bicampeão. Por fim, tem a promissora BMW, que dispensa muitos comentários. Um dia ela chega lá.

Tudo o que o bicampeão deseja é colocar seu nome ao lado de ícones como Brabham, Stewart, Lauda, Piquet e Senna, gênios das pistas que ostentam o tricampeonato. Não se compara a nenhum deles, mas pode alcançar esta honraria trabalhando duro por um cockpit vencedor. Aos 27 anos, não há tempo a perder, já que logo se tornará um trintão batalhando contra os astros da nova geração. Pilotos jovens, talentosos, preparados, destemidos e vencedores. 

A Fórmula 1 não é mais de homem só. Alonso está se tornando mais um no meio dessa boa e nova multidão.

*Felipe Maciel é comentarista da Rádio Manchete do Rio de Janeiro, escreve o Blog F-1 e colabora com o Portal SRZD

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Opinião - Dito e Feito em Monza

Alexandre Tortoriello* | Opinião | 16/09/2008 21:21

Fonte: Andreas Reichart/GEPA pictures/Red Bull Media

Pelo rádio

"Você ganhou o Grande Prêmio da Itália! Estou orgulhoso! Bravissimo!", Giorgio Ascanelli, diretor técnico da Toro Rosso e ex-engenheiro de Ayrton Senna na McLaren, parabenizando Sebastian Vettel pela vitória.

"Não sei o que dizer. Muito obrigado! Perfetto!", foi a resposta de Vettel.

Aliás, "não sei o que dizer" e "estou sem palavras" foram as frases mais ouvidas do mais novo (em todos os sentidos) vencedor da F-1. A comemoração dele emocionou muita gente.

Quase todo mundo anda comparando Vettel a Michael Schumacher. O resultado não deixa dúvidas em relação ao brilhantismo do novato. Mas, pela transmissão da TV, não deu para perceber muito mais. Ele disparou na frente e as câmeras se concentraram nos que disputam o campeonato. Por isso, a semelhança que mais me chamou a atenção foi a execução do hino italiano (da Toro Rosso) logo após ao alemão no pódio. A diferença ficou por conta da simpatia de Vettel, algo que Schumacher não sabe muito bem o que é.

"Inacreditável! O carro estava perfeito. Com certeza, é o melhor dia da minha vida. Nunca vou esquecer a emoção. Ótimo! Fantástico! Às vezes, via que ainda estava '1º' na minha placa (ao passar pela reta dos boxes) e pensava: Como isso está acontecendo?", Vettel, o "sem-palavras", durante a entrevista coletiva.

"Foi o máximo que pudemos fazer hoje. Tivemos problemas com os freios. Foi uma surpresa. Geralmente acontece nas três primeiras voltas, mas depois melhora", Heikki Kovalainen, segundo colocado, explicando por que não conseguiu acompanhar o ritmo de Vettel.

"Montamos uma estratégia pensando na corrida. A idéia era permanecer o máximo de tempo possível na pista (antes da troca de pneus). Estou muito feliz por terminar no pódio", Robert Kubica, que conseguiu chegar em terceiro, mesmo tendo largado em 11º.

"Foi uma corrida muito difícil. Esperava um resultado melhor, mas também tenho consciência de que poderia ter sido muito pior. Consegui tirar um ponto do meu rival mais próximo, então, não foi um resultado negativo. Em condições normais, no seco, eu poderia ter chegado ao pódio", Felipe Massa, sexto lugar.

"Se tivesse continuado a chover, tenho quase certeza que eu conseguiria vencer, mesmo largando da 15ª posição", Lewis Hamilton, sétimo colocado.

Será que a água embaçou a visão?

"Lewis Hamilton passa Nick Heidfeld...", Oscar Ulisses, locutor das rádios Globo e CBN, empolgadíssimo com o desempenho do piloto inglês sob a chuva.

"Oscar, nós também tivemos essa impressão, mas na realidade era o Raikkonen ultrapassando o Timo Glock e o Nico Rosberg", Livio Oricchio, comentarista e repórter, corrigindo polidamente o chefe.

Os feitos da corrida

Três pilotos foram os destaques: Vettel, Kubica e Hamilton. Do alemão, já falamos acima. O polonês, apesar de não ter aparecido tanto, conseguiu oito posições durante a prova: na pista e com a estratégia de uma parada só. O inglês deu show. Mostrou que hoje ninguém supera o conjunto Hamilton-McLaren na chuva. Mas exagerou e colocou a segurança em risco nas ultrapassagens sobre Fernando Alonso - quando fechou o espanhol e bateu em sua roda dianteira esquerda no fim da reta dos boxes - e Timo Glock - quando expulsou o alemão da pista, obrigando a andar, em alta velocidade, com duas rodas na grama encharcada. Um perigo! Hamilton, isso não se faz! Daqui a pouco, você nos fará lembrar o Schumacher pelo que ele tinha de pior, o jeito Dick Vigarista de ser.

*Alexandre Tortoriello foi chefe de reportagem do portal SRZD e permanece como colaborador do site. Integrante da equipe que fez a primeira transmissão de Fórmula 1 em tempo real de na internet brasileira, trabalha atualmente como repórter da TV Bandeirantes

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Opinião - Vettel: um futuro campeão?

Matheus Gagliano* | Opinião | 15/09/2008 20:28

Alemão conquistou primeiro triunfo no GP da Itália (Fonte: Franz Pammer/GEPA Pictures/Red Bull Media)

Após a inesperada vitória no Grande Prêmio da Itália do último domingo, o piloto alemão Sebastian Vettel está se firmando cada vez mais como um futuro grande campeão da categoria. Sua vitória em Monza foi histórica, pela sua pouca idade - o mais jovam a conquistar uma vitória na F1 - e de gente grande. Afinal, largou da pole position e nem de longe viu sua posição na prova ser ameaçada. Até parecia que quem estava com Ferrari era ele.

E ainda tem essa: Vettel venceu com um Toro Rosso, carro que não é nem de perto considerado vencedor. No máximo, uma equipe média. Poucos se lembram que o time italiano é o sucessor da antiga Minardi, aquela equipe que invariavelmente freqüentava o fundo do grid de largada da maioria das corridas. 

Vettel demonstrou a qualidade de um piloto iniciante que veio para ficar: frieza, consistência e capacidade para guiar na frente, essenciais para quem pretende se tornar campeão da categoria máxima do automobilismo. Assim foi com Ayrton Senna, por exemplo. Quem não se lembra daquele memorável Grande Prêmio de Mônaco de 1984? Não fosse pelo cancelamento da corrida, Senna teria vencido aquele GP e com o Toleman, que nem de longe era um carro vencedor. 

Dez anos depois, Rubens Barrichello fez uma façanha semelhante à de Vettel, ao colocar o Jordan-Hart na pole position para o GP da Bélgica de 94. Mas Rubinho não ganhou aquela corrida, assim como também ainda não chegou ao título. Mas venceu corridas e foi vice-campeão duas vezes, em 2002 e em 2004.

Sebastian Vettel cresceu e apareceu para a Fórmula 1. Resta saber como será o futuro dele daqui pela frente. Se mantiver o bom nível e a motivação para vencer, quase com certeza será um adversário duríssimo de bater nos próximos anos.

*Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor

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Opinião - E o futuro de Jacarepaguá?

Matheus Gagliano* | Opinião | 09/09/2008 17:18

Ford GT recebe bandeirada numa das etapas da GT3 do último domingo. Ao fundo, o Parque Aquático Maria Lenk ocupa uma parte desativada do autódromo de Jacarepaguá (Fonte: Miguel Costa Jr./Divulgação/Site oficial GT3)

Em meio à euforia da candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016, o automobilismo sofre com o abandono do único autódromo da cidade: o de Jacarepaguá. No último domingo, as supermáquinas da GT3 Brasil contrastavam com as condições do circuito, que um dia já recebeu a Fórmula 1 e que no domingo passado sediou a já famosa Corrida do Milhão da Stock Car.

A falta de estrutura do autódromo era opinião recorrente entre os pilotos que disputavam a nona e a décima etapas da GT3 Brasil e também entre os que corriam a Copa Clio. "Na realidade, os problemas que o Rio tem hoje, como as instalações abandonadas e algumas deficiências na área de escape, seriam facilmente corrigidos com um pequeno investimento. Mas acontece que a pista foi capada. Era um circuito de cinco quilômetros que foi reduzido para apenas três", contou Andreas Mattheis, chefe de equipe e piloto na GT3.

Mattheis se referia à parte do circuito que foi desativada para dar lugar às instalações dos Jogos Pan-Americanos, como o Parque Aquático Maria Lenk, o Velódromo e a Arena Multiuso. Com estas mudanças, o traçado perdeu praticamente metade de seu tamanho.

Outro que lamentou as condições de Jacarepaguá foi Emerson Fittipaldi, bicampeão da Fórmula 1 e que há 30 anos conseguiu um resultado memorável no GP do Brasil de 1978, então disputado naquela pista. Correndo de Copersucar, Emerson chegou num surpreendente segundo. Agora, ele conta que as condições do circuito são "lastimáveis". Já Ingo Hoffmann, durante a coletiva após uma das corridas da GT3, relatou que na semana da corrida da Stock houve até mesmo falta de água no autódromo.

No momento, o futuro de Jacarepaguá é um verdadeiro ponto de interrogação. E o Rio de Janeiro segue sem saber quando poderá voltar a sonhar em receber categorias como a Fórmula 1.

*Matheus Gagliano, 28 anos, é jornalista e mantém desde 2007 o blog Super GP, sobre esportes a motor.

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