Ah, se Stanislaw fosse vivo!

PC Guimarães | PC Guimarães | 26/04/2011 16h57

Deu no Globo: "Ladrões capturados após postarem na rede social". Aconteceu em Houston, no Texas. Os caras assaltaram um banco e depois foram para o facebook comemorar o sucesso do crime.

Postaram frases como "Estou rico!", "Limpando os dentes com centenas" e outras baboseiras.

A polícia localizou os autores do post e prendeu quatro pessoas - duas delas trabalhavam no banco, uma é namorada de um dos asssaltantes, outra irmã do outro.

Ah, se Stanislaw Ponte Preta fosse vivo!

Stanislaw, para quem não sabe, era codinome do cronista Sérgio Porto, que tinha uma seção em sua coluna no jornal Última Hora chamada Febeapá (Festival de besteiras que assolam o país), em que contava causos hilários como esse dos assaltantes trapalhões texanos.

Stan com certeza iria comentar na sua coluna que os assaltantes até que foram cautelosos. Usaram máscaras para não serem flagrados pelo circuito interno de TV. Mas fizeram o assalto na mesma hora em que as duas cúmplices estavam no caixa.

É nisso que dá contar tudo no facebook!

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Samba do Google doido

PC Guimarães | PC Guimarães | 24/04/2011 13h32

Deu na primeira página do Globo: "No Google Maps, o Rio é só favela". Como subtítulo: "Ferramenta de localização dá destaque às comunidades e ignora até bairros". A matéria explica que "nos mapas usados pelo site, as comunidades pequenas e pouco conhecidas se destacam mais que os bairros".

Dia desses o site de vendas coletivas Groupon publicou uma promoção de uma pousada em Visconde de Mauá, na serra do Rio de Janeiro. O texto falava em "caminhar entre devaneios" e "delírios oníricos". O mapa mostrava a "favela Benjamin Constant" e o ... mar. Mar a mais de mil metros de altitude!

É o "samba do crioulo doido", como dizia o saudoso cronista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Ou a realização da profecia atribuída a Antônio Conselheiro, símbolo da insurreição de Canudos: "O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão".

Fui no Google pesquisar o significado de delírios oníricos e devaneio. A Wikipédia (madrasta dos burros) informa que "Onirismo (do grego oneiros que significa sonho) em medicina se refere a um estado mental que costuma ocorrer em síndromes confusionais e é constituído por um conjunto de alucinações visuais interagindo entre si e com o "sonhador" enquanto este está acordado". Já o Dicionário Informal explica que devaneio é o "estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens". E finaliza: "Passar as horas em devaneio. Sonhos, quimeras, fantasias, ficções: isto são devaneios".

Tudo a ver com Visconde de Mauá. Afinal foi para lá que os hippies brasileiros dos anos 60 correram em busca de contatos com fadas, duendes, gnomos e outros baratos mais. Muitos garantem que viram. Mas não há registros de que tenham visto o mar e muito menos favelas na região.

Pelo jeito o Google viu.

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Os garotos de Moça Bonita

PC Guimarães | PC Guimarães | 21/04/2011 15h21

A foto do "boss" com a camisa do Bangu saiu essa semana no site do globoesporte.com. Na matéria, Sidney Rezende falou sobre o seu jogo inesquecível: Bangu 3 x 0 Flamengo. E contou detalhes de sua paixão pelo time de Moça Bonita:

"As pessoas simplesmente não acreditam. Sempre me perguntam: ´Vem cá, qual é o seu time mesmo?` Para convencê-las, canto as músicas do Bangu. ´Carnaval aqui é bom. Sem luxo, sem fita, porque somos Bangu, garotos de Moça Bonita`".

Sidney é o segundo banguense que eu conheço. Até então só conhecia o seu Floriano, ex-vigia do meu prédio.

Que saudosa figura! Baixinho, gordinho, afrodescendente.

Apaixonado por futebol. Não perdia um jogo, não deixava de ouvir uma resenha no rádio. Além do Bangu, torcia pelo Paissandu, time de sua terra natal, o Pará.

Foram muitas as vezes em que ao chegar em casa de madrugada, após um dia de muita labuta, ouvi a pergunta célebre de seu Floriano:

"E aí, seu Paulo: gostou do Bangu?"

"O que houve com o Bangu?"

"Ué, não soube não? Ganhou de 1 a 0 do Madureira. O senhor não é jornalista? Precisa estar mais bem informado ".

Uma semana depois, seu Floriano voltava a me indagar na portaria:

"E aí, seu Paulo: gostou do Bangu?"

"O que houve com o Bangu, seu Floriano?"

"Ué, não soube não? Ganhou de 2 a 1 do Olaria. O senhor não é jornalista? Precisa estar mais bem informado".

Seu Floriano acompanhava todos os jogos de todos os times, mas era o Bangu que lhe orgulhava.

No Brasileirão, no qual o Bangu não participava (e há anos continua sem participar), seu Floriano voltava à velha paixão de infância:

"E aí, seu Paulo: gostou do Paissandu?"

"O que houve com o Paissandu, seu Floriano?"

"Ué, não soube não? Ganhou do Londrina. O senhor não é jornalista? Precisa estar mais bem informado".

A Copa do Mundo de 2002, na Coréia e no Japão, foi um grande barato para o seu Floriano. Como os jogos eram realizados de madrugada, seu Floriano não perdia um.

"E aí, seu Paulo: gostou da Bolívia?"

"O que houve com a Bolívia, seu Floriano?"

"Ué, não soube não? Ganhou da Bulgária. O senhor não é jornalista? Precisa estar mais bem informado".

Pena que seu Floriano não esteja mais aqui. Se estivesse, iria apresentá-lo para o Sidney Rezende. Os dois iriam ter gratas satisfações ao lembrar dos 3 a 0 do Bangu sobre o Flamengo. Poderiam falar da vitória do Bangu sobre o Nova Iguaçu e cantar juntos "Carnaval aqui é bom. Sem luxo, sem fita, porque somos Bangu, garotos de Moça Bonita".

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Google manda email para autor de texto para avisar que ele escreveu um texto

PC Guimarães | PC Guimarães | 10/04/2011 15h55

Parece loucura. E é. Publiquei ontem aqui no Blog um post sobre o sistema de alertas do Google (ver post abaixo). 

Pois bem, agora há pouco abri meu email e estava lá no "Alerta do Google" uma chamada que me pareceu familiar. E era.

O "Alerta do Google" me mandou um alerta sobre o meu texto sobre Joel Santana publicado aqui no Blog. 

Que faz sentido, faz; mas que é hilário, é.

 

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As mancadas da Internet: o Joel de Catanduva

PC Guimarães | PC Guimarães | 09/04/2011 14h52

Embora a antiga propaganda decretasse que incomodado ficava a nossa avó, muitas coisas me incomodam na vida. Duas delas revelo aqui: pesquisas do Google e corretor ortográfico. Tenho alunos na faculdade que acham que o Google sabe tudo e que o corretor ortográfico resolve todos os problemas de revisão gramatical. 

Pois bem: sobre o corretor ortográfico falo em outra ocasião, sobre o Google falo agora. Nem vou contar a história de um dos meus blogs censurados pelo poderoso Google. Fui  acusado de ser "pornográfico" por ter publicado três fotos da atriz Luana Piovani pesquisadas no próprio site de buscas da empresa. Ora bolas, o Blog fala de futebol; não tem nada a ver com pornografia. A não ser que meter o pau no Flamengo e nos flamenguistas seja uma coisa pornográfica.

Mas voltando às pesquisas do Google. Você já ouviu falar do Joel Santana de Catanduva? Explico: botei no meu gmail aquele "Alertas do Google" para monitorar uma pesquisa que estou fazendo sobre o ex-técnico do Botafogo. 

Agora há pouco abri meu email e lá estava o "alerta do Google" sobre Joel Santana. Uma notícia divulgava que "Léo Moura espera Botafogo mais ofensivo com Caio Júnior", outra que "Herrera exalta novo esquema mais ofensivo" e uma terceira que ... "Prefeitura de Catanduva é condenada a pagar indenização".

Não entendi nada! O que Joel Santana tem a ver com a Prefeitura de Catanduva? Pelo que sei, Joel nunca jogou nem treinou nenhum time de Catanduva, interior do São Paulo. Pensei que o irreverente e surpreendente treinador tivesse algum imóvel na cidade.

Fui conferir e descobri: esse Joel Santana nada tem a ver com o famoso boleiro. O Joel Santana que o Google "alertou" no meu email é o relator de um processo que condenou a prefeitura de Catanduva a pagar uma indenização a um morador da cidade por causa da inundação de um terreno durante uma enchente. Ou seja, um homônimo do treinador.

 

Já que falamos em coisas que incomodam e na cidade de Catanduva, uma das coisas que me irritam é o eterno choro dos torcedores do Santos por causa do gol de Túlio Maravilha que deu o título de campeão brasileiro ao Botafogo em 1995. Esquecem que o atacante santista Paulinho Catanduva fez um gol após ajeitar a bola com a mão.

Mas isso é para falar em outra ocasião quando comentar sobre o corretor ortográfico.

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Bastidores do Jornalismo: "Armando de onde?"

PC Guimarães | PC Guimarães | 07/04/2011 00h45

Aconteceu com uma dessas repórteres de celebridades na redação de um grande jornal.

Ao ouvir a notícia da morte de Armando Nogueira, aos 83 anos, um dos maiores jornalistas da história do Brasil, ex-diretor da TV Globo e comentarista esportivo, a "coleguinha" perguntou:

"Quem?".

Poucas horas depois, durante o fechamento do jornal, um dos editores estava com uma dúvida sobre a identificação de uma foto do velório de Armando.

"Quem é esse cara aqui que está ao lado do... ?"

A mesma "coleguinha" se ofereceu para ajudar e recebeu a seguinte resposta do editor:

"Nããããããão! Você nem sabe quem é o defunto. Como vai saber quem estava no enterro?".

 

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De quem é essa barriga?

PC Guimarães | PC Guimarães | 02/04/2011 23h35

A notícia saiu hoje, às 12h44 no Globo online, com antetítulo de "Segredo revelado": "Colecionador torna pública uma foto inédita de Elizabeth Taylor nua, aos 24 anos".

Junto uma foto em preto e branco de uma bela mulher nua com traços parecidos com o da atriz, morta no último dia 23, aos 79 anos. No texto a informação de que a foto foi um presente de noivado da atriz ao seu terceiro marido, o produtor Michael Todd, depois de ter sido pedida por ele em casamento, em 1959.

O site do Globo informa que o "furo" foi publicado no site do Daily Mail e que Lyz Taylor topou posar para o amigo Roddy McDowell, fotógrafo e ator. Todd, que viveu uma curta relação com a atriz, morreu 13 meses depois do casamento, depois que seu avião particular caiu durante uma tempestade no Novo México.

Ainda segundo o Daily Mail, no texto reproduzido no Globo, "acredita-se que a atriz, abalada com o que aconteceu, teria entregue a foto à sua assistente e maquiadora Penny Taylor". No final, a informação de que o retrato foi comprado pelo colecionador Jim Saudis, "que só agora decidiu compartilhar a imagem com os fãs da estrela".

Até aí tudo bem. Uma notícia interessante e uma foto inédita de uma bela e famosa mulher. Dois bons ingredientes para um bom post na Internet. Isso se não aparecesse, às 20h25, um internauta* que garantiu que a foto não é de Elizabeth Taylor, mas sim de Lee Evans, fotografada por Peter Gowland. O leitor ainda anexou o endereço de um site de Peter Gowland, com a mesma foto e uma legenda garantindo que a moça é realmente Lee Evans.


O Daily Mail errou? O Globo endossou o erro?

Em jornalismo chamamos esse tipo de coisa de "barriga" (notícia falsa). Se os editores do site estrangeiro erraram ao não checar a informação, o pessoal do Globo online pecou em não ler os comentários publicados no próprio site para, pelo menos, esclarecer os leitores sobre o questionamento do internauta. Ou mesmo retirar a informação do site para checar e confirmar a informação.

* Não divulguei o nome do internauta por não ter autorização para isso, mas a informação estava até às 23h07 no site do Globo, quando acabei de escrever este texto.

 

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Curtas e grossas: quando é que o Detran vai dar uma dura no Mengão?

PC Guimarães | PC Guimarães | 16/03/2011 10h17

Depois meus amigos flamenguistas choram e dizem que eu implico com o Flamengo. Mas há dias que estou para falar sobre isso aqui no Blog. Andar sem freio é contra as normas do trânsito. Por que será que o Mengão flerta sempre com a contravenção? Aposto que esse bonde também está com o extintor de incêndio vencido e o IPVA atrasado. Aliás, uma outra perguntinha que não quer calar: quem conduz esse bonde? O Djalma Beltrami ou o Marcelo de Lima Henrique? 

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Quem resiste a um paredão do BBB?

PC Guimarães | PC Guimarães | 08/03/2011 13h30

Aconteceu.

Cena 1:

Sala dos professores de uma grande faculdade do Rio de Janeiro. O assunto em pauta era Kant, Hegel e Schopenhauer. Futebol nem pensar. Programas de TV mais ainda. De repente, um dos mais graduados acadêmicos do grupo solta a pérola:

"E aquele menino, o Domini?! ...".

"Que Domini?", pergunta um dos "doutores".

"Ué, o Domini do Big Brother."

Silêncio total. Quase um clima de constrangimento.

Cena 2:

Mesmo local. Dois professores resolvem zoar alguns colegas "intelectuais" e um deles deixa cair uma caneta no chão.

"E aí? Você é do ´time` do Alemão ou do Cowboy?"

"Do Alemão", responde o outro.

"Do que vocês estão falando aí escondidos?", pergunta um dos "intelectuais".

"De Nietzsche", respondem os dois sacanas em uma só voz. 

Cena 3:

Sala de aula. O jornalista bem informado que também é professor dá uma espiadinha geral na turma e identifica entre os alunos um rosto que lhe é familiar.

"Ué, você não é aquele cara do Big Brother?".

"Sou eu sim. Você é o primeiro professor que me reconheceu. Já tive diversas aulas com professores diferentes e essa é a primeira vez que isso acontece".

Cena 4:

Terça-feira de Carnaval, numa pousada no meio do mato de uma cidade serrana do Rio de Janeiro. O professor pergunta pra mulher:

"E o Daniel? Fica, né?".

É claro que o professor TAMBÉM diz que não vê o Big Brother, como alguns acadêmicos, que entendem que a cultura televisiva popular é uma coisa menor. 

Mas quem resiste a um paredão do BBB?

FICAAAAAAA, DANIEEEEEEELLLLLL!".

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The Oscar goes to... MENGÃO!

PC Guimarães | PC Guimarães | 28/02/2011 20h01

Uma das maiores satisfações que a atividade de blogueiro tem me dado (desculpem o cacófato) é fazer novos amigos. Através dos comentários tenho conhecido pessoas supimpas, críticas, politizadas e antenadas, como o meu amigo Léo, brasileiro residente em Lisboa, que não sei se é branco, afrodescendente ou indígena; se é rico, se é pobre ou remediado. Só sei que escreve muito bem.

O texto abaixo, que você jamais iria ler na Grande Imprensa, por motivos que sabemos muito bem, ele deixou como comentário em um dos meus outros blogs. Pedi, ganhei a preferência, me desloquei e publico aqui. Para bom entendedor...

Diz aí, Léo:

The Oscar goes to... MENGÃO!

Ao contrário de muitos, acho que o final foi justo. O pessoal do Mengão Business conseguiu um bom roteiro. Combinaram o suspense da contratação com o drama dos treinamentos do ator principal sob o escaldante verão carioca, seguramente a parte mais real do filme. Afinal, incorporar um réles sambista da noite niteroiense não é difícil, mas um jogador de futebol de alto nível requer tempo de laboratório. 

Com uma maciça, massacrante e maçante campanha de lançamento, com uma infusão de vermelho e preto nunca antes vista na telinha do horário nobre, o quase falido estúdio, conseguiu garantir a presença do público-alvo no lançamento da película, com um truque ilusório ao gosto da clientela cega: transformaram um ator decadente em um mágico da arte. A beleza e o sorriso do ator principal encantaram a distinta, fichada e desdentada plateia.

O papel secundário ficou de bom tamanho para o Tamborim, que também foi responsável pela pobre direção musical, ponto baixo do filme. Um investimento tão alto para a conquista do sonhado prêmio merecia uma trilha sonora à altura. No entanto, neste set de filmagens, mencionar a palavra "trilha" pode deixar certos narizes nervosos e acarretar a associação com outros filmes, notadamente, o Massacre da Serra Elétrica.

Com tantos elogios e recomendações da TV, dos jornais e da mídia em geral, era de se esperar que a pressão sobre o júri fosse grande. Para afastar qualquer problema, nomearam um quadro de jurados conhecidos pela sua total isenção e incessante busca pela "independência". Mr. Lima Henrique era o nome certo para assegurar a lisura do resultado. 

Com o patrocínio da maior rede de TV nacional e da maior empresa de marketing esportivo do país, o filme tinha que vencer, o protagonista tinha que estampar os jornais com o prêmio. E assim foi. 

Nem Spielberg e George Lucas conseguiriam chegar tão longe na ficção. Acho que deveriam inventar o prêmio de figuração também. Foi notável e verdadeiramente interessante ver a massa de figurantes tão magnetizada. Parecia que acreditavam mesmo naquilo tudo.

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A Revolução dos Urubus

PC Guimarães | PC Guimarães | 23/02/2011 11h28

Quem me contou foi o Eric, um antigo amigo meu que vivia na pior em Paris e Londres, mas sempre tinha uma boa história pra contar.

Diz que o senhor Urubulino, proprietário do Ninho do Urubu, fechou o seu estabelecimento à noite, mas estava bêbado demais para lembrar-se de fechar também as vigias. Com o facho de luz de sua lanterna balançando de um lado para o outro, atravessou cambaleante o pátio, tirou as botas na porta dos fundos, tomou o último copo de cerveja do barril que havia na copa, e foi para a cama, onde sua mulher já ressonava.

Tão logo apagou-se a luz do quarto, houve um grande alvoroço em todos os galpões do Ninho. Correra, durante o dia, o boato de que o velho Porcolino, um porco que já se sagrara grande campeão em muitas exposições, tivera um sonho muito estranho na noite anterior e desejava contar aos outros animais.

"Camaradas, vocês já ouviram a respeito do sonho que tive na noite passada. Sonhei que o time dos urubus será o campeão esse ano".

"Mas como? Quase caímos para a Segundona no ano passado e não temos dinheiro nem pra lavar os uniformes", questionou um dos dirigentes do time.

"Dinheiro não é problema. O dono do zoológico prometeu investir no nosso time. Disse que o Foca está voltando de outras paradas, saudoso das noitadas e das batucadas. É só arrancar o couro de um gato e lhe presentear com um tamborim".

"Mas o Foca não é mais o mesmo. Lá fora tiraram o couro do tamborim dele. Não sei se o que sobrou será suficiente para ajudar o nosso time a ser campeão".

"Não esquenta. O Gavião não deu certo na Lusitânia e pode ser contratado para pegar no gol. Tem um estilo parecido com aquele outro que um caçador pegou. E se adianta nos pênaltis, se adianta nos pênaltis. E tem ainda aquele canhotinho que jogava no time dos bambis. Com os três...".

"Espera aí, você está falando daquele que deu um créu no nosso time?"

"Esse mesmo. Mas torcedor esquece. É só ele beijar a camisa e dizer que se arrependeu e tal. Essas coisas convencem".

"Taí, estou gostando dessa conversa. Mas e se o cara não jogar nada?".

"Não tem problema. Contatamos o pessoal da TV Animal. Eles vão dizer que o cara ainda joga o fino, que desequilibra, coisa e tal. Tem ainda o pessoal do Diário de Patópolis. Os colunistas são amestrados e adestrados e todos têm uma queda pelos urubus. Vai ser pimba na gorduchinha".

E assim foi. Aos trancos e barrancos - mais trancos do que barrancos - o time dos urubus chegou lá. Mas tinha um problema: como conquistar o campeonato se os bambis tinham um time de mais qualidade e os cachorros um time mais aguerrido?

"Nem me fale desses cachorros. São uns chatos. Não entendem o espírito da coisa. Estão sempre querendo atrapalhar. Gostava mais dos bacalhaus. Aqueles sim. Não tinham cabeça e não reclamavam. Mas a gente dá um jeito".

Os bambis enfrentaram um time de peixes fora d´água, mas foram vencidos pela vaidade. Além disso, na hora das penalidades máximas, o peixe que agarrava no gol saiu duas vezes fora do aquário e segurou a bola antes que os atacantes dos bambis chutassem.

Mas ainda tinha a cachorrada. E o jogo seria no canil.

"E agora? O que a gente vai inventar? Já está pegando mal. Em 2007 criamos aquele impedimento no último minuto na hora em que o centroavante deles ia fazer o gol. Em 2008 teve aquele pênalti no nosso beque na hora em que eles ganhavam e dominavam o jogo. E em 2009 aquele nosso lateral baixinho mordeu o melhor jogador deles e o juiz fingiu que não viu. Resultado: levamos o tri".

"É. Mas em 2010 eles conseguiram ganhar. A gente não contava com aquele cachorro paraguaio que..."

"Uruguaio!".

"Paraguaio, uruguaio, boliviano... É tudo a mesma coisa".

"Sei não, mas estou achando que eles vão ganhar de novo. Os caras que a gente contratou não estão jogando nada".

"Não esquenta, não esquenta. Nada que uns dois ou três pênaltis ignorados durante o jogo não resolvam".

"Mas eles vão latir. Eles latem sempre".

"Não esquenta, não esquenta. Cachorro que ladra não morde. A gente pede ao pessoal da TV Animal para não mostrar os lances e depois chamamos eles de chorões, como fizemos em 2007, 2008 e 2009. Conosco ninguém podemos".

"Tá bom. Mas ainda tem mais um jogo. E os peixes fora d´água podem querer fritar a gente".

"Não esquenta, não esquenta. O esquema já está todo montado. O dono do Zoológico investiu muito no nosso time, conta com o apoio da TV Animal, do Diário de Patópolis e nada vai impedir a nossa vitória. Mas mesmo assim, se tiver algum probleminha, fique frio. Dá uma espiadinha nos jornais e veja quem apita o jogo".

E assim se fez.

"Senhores - concluiu Urubulino, levantarei o mesmo brinde, mas sob forma diferente. Encham até a borda seus copos. Senhores, eis o meu brinde. À prosperidade do Ninho do Urubu".

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Não entra nessa, Tiririca!

PC Guimarães | PC Guimarães | 10/02/2011 10h41

A imagem publicada hoje no mundo inteiro mostrando um deputado americano que renunciou após mandar uma foto sem camisa para um site de relacionamento prova mais uma vez a máxima do "Nessa vida nada se cria, tudo se copia".

Mudam os tempos, mudam os hábitos, mudam os métodos, mudam as razões, mudam os cabelos, mudam até as vozes, mas...

Muitos ainda se lembram que o folclórico senador Eduardo Suplicy que quase foi punido por decoro parlamentar por aceitar posar de cueca vermelha para um programa de TV.

Mas não é de hoje que isso acontece. No final dos anos 40, o deputado Barreto Pinto apareceu numa reportagem da revista "O Cruzeiro", a mais famosa da época, posando bem à vontade para fotos, apenas de cuecas e fraque. O nome da reportagem¿ "Barreto Pinto sem máscaras", do repórter David Nasser e do fotógrafo Jean Manzon.

Só espero que o Tiririca não resolva copiar os colegas. Já aquela deputada comunista!!!

O blog do professor taradão

PC Guimarães | PC Guimarães | 05/02/2011 15h25

Amigos, amigas e tricolores: recebi uma notificação do google em meu outro blog (Blog do PC Guima - é só clicar no google que vocês encontram o link). A acusação? Pornografia. A razão? Fotos "picantes" da atriz Luana Piovani, retiradas do próprio site de buscas do Google, num post sobre o lançamento de uma peça da atriz em 2008. A história está toda contada lá no próprio Blog. 

Recebi diversos comentários e um deles merece destaque. Tanto que republico aqui no site do Sidney Rezende. É assinado por Frederico, um dos frequentadores mais assíduos do Blog. 

Atenção Google adsense: é uma história fictícia.

Conta aí, Fredera:

Primeiro dia de aula na Faculdade. A sala lotada aguarda um dos mais prestigiados professores de comunicação do Brasil. Lá no fundo dois rapazes conversam enquanto aguardam o início da aula.

"Parece que o caso foi feio mesmo" diz um, "pornografia da braba!", arremata o interlocutor, enquanto isso nosso professor chega.

Entra na sala e dirige-se à mesa. Um dos moços do fundo é categórico: "Tem mesmo cara de tarado". Seu colega ao lado está meio nervoso: "Caramba! Vamos ter um ano de aulas com esse pornógrafo¿!". O outro responde: "Vamos quem cara pálida? Eu não estou matriculado. Só vim dar uma olhada na cara do tal taradão".

Pelo jeito muitos tiveram a mesma ideia porque o professor confere os papéis, olha a lista de presença e, mesmo sem ser muito bom na matemática, logo calcula que a sala lotada representa o dobro de nomes contidos na lista.

Os rapazes continuam a tagarelar. Uma bela moçoila olha para trás e pede silêncio com o dedo em frente à boca. Um deles diz: "É esse, o tarado do blog". Ela, com ar de expert, rebate: "Eu sei, eu sei; tarado pelo Botafogo, só pensa naquilo, naquela estrela solitária..." É interrompida: "Não, não, agora o caso é diferente. Teve uma parada aí com a Luana Piovani".

O rosto da jovem se transforma em um ponto de interrogação. Uma colega ao lado pergunta: "O que houve? Que falatório é esse?".  "É o professor aí. Disseram que ele pegou a Luana". A outra, com estilo de veterana, pergunta: "O PC pegou quem?". A turma grita em coro: "A Luana Piovani". A veterana responde com ar meio blasé: "Até ele?"

Um professor do recém-inaugurado curso de Direito vai até a sala para avaliar o "perigo potencial" para a instituição e relata para um colega de turma:

"Imagina se isso sai no (Ancelmo) Goes, imagina uma ação criminal. Percebes o perigo?". O outro, bem tranqüilo, desdenha: "Não tem problema, fica calmo. O blog do cara não apresenta perigo algum. Tem de vez em quando um peitinho, no máximo um pentelhinho... tranqüilo. Sacanagem mesmo é no blog de um amigo dele lá de Cruzeiro. Rola putaria braba!".

Rapidamente os fatos se espalham pelo ambiente acadêmico. Alguns alunos, já com o faro jornalístico apurado, mexem em seus celulares e divulgam o caso tenebroso. Em poucos minutos, o blog recebe uma carga de entradas nunca antes vista. O contador eletrônico entra em pane, a notícia se alastra pela grande rede e homens de negócio já estão ligando para o professor de olho em uma boa publicidade em blog tão popular. Tão popular que parece até coisa de flamenguista.

Enquanto isso, lá no Grajaú, um senhor bem idoso acessa o blog. Quer conferir as sacanagens "daquele garoto que outro dia estava aqui jogando uma bolinha". Alguns minutos depois o velhinho está desconsolado: "É, esse menino não ia fazer coisa que prestasse mesmo. Entro aqui esperando uma suruba daquelas e só vejo marmanjo falando de futebol e mal do Flamengo. É Fredera pra cá, Pablo pra lá, esses textos eruditos do Léo, esse catarina com nome de caneta, e também um Xexa ou Hexa ou Xhexha, um troço assim. O engraçado mesmo é um bando de anônimos perguntando se são todos retardados... devem ser!".

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Tragédia na Serra, uma visão crítica sobre a cobertura da imprensa e a ação do governo: mortos já passam de mil

PC Guimarães | PC Guimarães | 18/01/2011 16h53

Meu camarada Gustavo Barreto, jovem jornalista e ativista estudantil e político, esteve em Friburgo e escreveu em seu blog, Consciência.net, uma belíssima reportagem. Um dos questionamentos de Gustavo é sobre o número de mortos divulgado até agora. Segundo ele apurou: "São 1.000 só em Friburgo, no mínimo".

Para ler a reportagem, clique aqui.

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Para quem se interessa por bom Jornalismo

PC Guimarães | PC Guimarães | 16/01/2011 16h11

Como constatei que muitas pessoas que visitam o Blog são jornalistas ou se interessam por Jornalismo, sugiro três livros sobre Jornalismo que estou lendo no momento. São livros mais ou menos recentes. "Webjornalismo", da experiente jornalista e professora Magaly Prado, "A vida secreta da guerra", de Peter Beaumont, da coleção Jornalismo Literário e "A turma que não escrevia direito", de Marc Weingarten, que fala sobre o pessoal que criou o Novo Jornalismo.

Blog do PC Guimarães também é cultura.

E não tem jabá! São sugestões de livros que comprei com o meu dindim.

Bom humor é fundamental

PC Guimarães | PC Guimarães | 16/01/2011 15h35

Deu na coluna do Ancelmo, no Globo. Concordo com o motorista.

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Solidariedade!

PC Guimarães | PC Guimarães | 13/01/2011 21h05

Este Blog é solidário com as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. O site G1 divulga como ajudar os desabrigados.

Clique e saiba o que fazer para ajudar as vítimas

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E ninguém cala esse chororô!

PC Guimarães | PC Guimarães | 13/01/2011 17h25

(Imagem reproduzida do globoesporte.com)

Somália chora, Leandro Guerreiro chora. Mais Botafogo do que isso, impossível.

* Viram seus bobinhos sensíveis que ficaram chateadinhos porque eu zoei o Framengo, digo, Flamengo. Aqui tem pau pra todo mundo. Este blogueiro é imparcial como nenhum outro. Isso aqui não é a Globo e o resto da Grande Mídia que têm medo de zoar framenguistas, digo, flamenguistas.

Hoje eu não estou bom.

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PC NO BBB: só não vale dançar homem com mulher, o resto vale

PC Guimarães | PC Guimarães | 13/01/2011 11h17

A Bela e a Fera: Diogo dá bitoca na Ariadna (reprodução de tv)

Como diria o Pedro Bial: "Estamos de vooooltaaaa!".

Como já escrevi aqui no Blog, não vejo novelas, não vejo BBB, mas leio jornais, revistas, sites e sinais de fumaça.

Por isso, ao navegar agora há pouco no site do jornal Extra, vi algumas chamadas que provam que esse BBB 11 vai vir quente e fervendo. Vejam quatro delas:

"Lucival revela que é gay", "Cristiano tira a cueca para dormir com Natalia e sister manda ele colocar de volta", "Ariadna passa a língua em Rodrigão e imagina fazer sexo com ele e Rodrigo juntos", "'Lavar a perereca de biquíni é difícil', diz Ariadna".

Mais BBB do que isso, impossível.

Como sou curioso, decidi passar os olhos na matéria com o título:

"Sem revelar que é transex, Ariadna ganha beijo de Diogo e faz ‘upa, cavalinho’ no brother Rodrigo".

Diz o texto que a transex Ariadna recebeu uma "bitoca de Diogo" e que "a jovem foi a sensação da casa durante todo o dia, quando grudou em Rodrigo, de quem recebeu cafuné".

Sobrou até para a Hebe Camargo!

"Vamos dar o selinho da Hebe? Posso dar o selinho da Hebe?", perguntaram para a saliente Ariadna.

Cafunés, bitocas, selinhos... Sei não. O que será que vai acontecer quando descobrirem que "essa Coca é Fanta", como diz a maldade popular?

E tem mais, gente, tem mais.

"Mostrando que realmente se sente tão mulher quanto as demais, ela (Ariadna) soltou algumas pérolas. ´Lavar a perereca de biquíni é muito ruim!`, gritou".

E mais:

"Ariadna está mesmo conseguindo enganar todo mundo na casa do ´Big Brother Brasil 11´. Na tarde desta quarta-feira, Rodrigo Carvalho, que está cheio de carinhos com a moradora de Realengo, soltou a pérola:´Amigo meu sempre disse que mulher que não tem celulite é traveco. Está aí a Ariadna para provar o contrário´. A moça, claro, ficou quietinha, mantendo a ideia de não contar para ninguém que é transexual" .

Mulheres do meu Brasil varonil: é verdade isso?

Todo maneira de amar vale a pena

O texto do Extra conta ainda que a gorduchinha Paula Leite ganhou o primeiro apelido de sua vida: Jabulani (a bola oficial da última Copa do Mundo).

"O sobrepeso de Paula, que se define como "trissexual" (ela fica com homens, mulheres e diz que "vale todo tipo de amor"), já rendeu algumas histórias na casa. Na noite de estreia, a roraimense quebrou a cama de Talula, no acampamento, quando sentou na beirada; na manhã de ontem, o bumbum dela serviu de instrumento de percussão para Diogo; e Jaqueline, sentada na borda da piscina, usava a loura, que estava dentro d’água, como peso para exercitar as pernas".

Para quem pensa que acabou o trelelê no BBB ainda teve a grande revelação da noite.

"O brother Lucival afirmou que é gay na noite desta quarta-feira. A declaração aconteceu enquanto os participantes falavam que faltava um homossexual na casa".

"Paula ficou chocada: ´sério? Que legal!`"

E o grande final:

"Depois, a sister disse que suspeitava por causa dos óculos do participante, e foi repreendida por Diogo:

"Olha o que você fala, como é que um óculos é de gay? Não existem óculos héteros ou homossexuais".

São tantas emoções! Mas, como uso óculos que nem o Herbert Vianna, confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha com esse papo de óculos de homossexual. Por via da dúvida, vou dar um pulinho na minha oculista. Já fico imaginando o diálogo:

"Olá, PC: veio conferir o grau? Houve algum problema com a armação? Vai finalmente comprar um óculos escuros para a sua mulher?".

"Nada disso. Só queria tirar uma dúvida: essa armação que estou usando é de gay?".

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Flamengo é Flamengo

PC Guimarães | PC Guimarães | 13/01/2011 09h32

O Blog saúda e pede passagem aos flamenguistas pela grande festa realizada na apresentação de Ronaldinho Gaúcho. Teve funk, pagode, belas mulheres, portões quebrados pela volúpia rubronegra, torcedores pulando a cerca (literalmente e não no sentido figurado) etc. E bota etc nisso. A única coisa que engarrafou na apresentação foi o trânsito. Os moradores e os motoristas que estacionaram seus carros próximos ao "estádio" da Gávea também poderiam dar um depoimento sobre a grande festa. Agora vai. Os melhores dirigentes das Américas do melhor time do mundo, que tem a maior torcida do mundo, e que já teve o melhor goleiro do Brasil (hoje atrás das grades), esperam não repetir o fracasso daquele que foi chamado o maior ataque do mundo, Sávio, Romário e Edmundo.

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É Mengão, porra!

PC Guimarães | PC Guimarães | 11/01/2011 19h30

Como alguns framenguistas, digo, flamenguistas ficaram um pouco magoados com as minhas provocações aqui no Blog, vou reproduzir uma historinha contada por um amigo e ex-aluno freqüentador de um outro Blog meu.

Fábio Médici (eita sobrenomezinho,né!?) garante que é real e que aconteceu com ele.

Ele conta que em 2001, depois de o Vasco, seu time, conseguir "vários títulos" entre 97 e 2000 (2 brasileiros, Libertadores, Rio/SP e Mercosul), faltava ao "Gigante da Colina" encerrar a "cavalgada" do Flamengo. Esse "cavalgada" é dele, meus amigos. Não tem culpa eu.

Diz aí, Fábio:

"O Vasco, com times melhores, tinha sucumbido ao Rodrigo Mendes (com a ajuda do Nasa, artilheiro negativo das decisões, com gols-contra no jogo do Real Madri e do Flamengo) e levado gol de cabeça do Beto ´Cachaça`.

Eis que tínhamos a chance de iniciar a década com o pé direito. Se o Vasco tinha Élton, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Romário e Euler, o Flamengo tinha Edilson e... Pet.

Antes de o jogo começar, disse que iria embora, pois não queria tumultuar a casa do meu concunhado flamenguista.

Seu Rafael, muito educado, crente que não fala nem mesmo ´bosta` (troca por ´fezes`) ficou contrariado.

´Ora, meu filho, estamos em família. Por favor, seria muito bom vermos o jogo juntos`.

´Não dá, seu Rafael. Falo muito palavrão vendo futebol. Quase deu confusão com o síndico do prédio no ano passado. Não dá. O senhor vai perder a calma comigo...´

´Imagina, meu filho. Será um prazer...'.

Rodrigão, meu concunhado, conhecendo a mim e seu pai, já começou a rir, prevendo a merda... ops... a confusão.

Começa o jogo.

A cada gol perdido do Vasco, um palavrão. Olhava pelo canto do olho esquerdo e Seu Rafael ficava ruborizado a cada filho da putfsfsfs que eu soltava.

1 a 0 Vasco... imaginem as rimas com Urubu...

1 a 1... mais xingamentos... o resultado era do Vasco...

2 a 1 Flamengo...

Capetinha me deixava louco de um lado e Juninho perdendo um gol incrível me fez gritar tão alto que Nova Iguaçu inteira veio na casa do Rodrigão para saber o que estava acontecendo.

Rodrigão comia as unhas nervosamente. Do alto de seus 160 quilos, pulava como um grilo a cada gol perdido do Vasco.

E ofensas mútuas eram trocadas, sempre com seu Rafael repreendendo o filho:

´Ora, Rodrigão, por favor... não há necessidade...".

E o velho ficava cada vez mais revoltado comigo. Seu olhar destilava ódio, mas suas palavras soavam doces.

43 minutos. Falta. Enquanto Pet ajeitava a bola, estendi a camisa do Vasco na TV dizendo que era para dar sorte.

Seu Rafael se levantou. Pet correu pra bola. Rodrigão coçou a enorme pança. Minha sogra soltou um pum. Eu prendi a respiração (de nervoso, não pelo pum da véia). Um cachorro latiu.

A bola voava, devagar, girando, girando, girando, girando. Elton se esticaaaaaava. Vai tirar... vai tirar... vai tirar... não tirou...

Baixei os olhos. Minha sogra sorriu sem graça pelo pum.

Rodrigão pulou.

E seu Rafael?

Seu Rafael pulou, olhou-me com olhos esbugalhados e gritou:

´VAI PRA PUTA QUE TE PARIU! CARALHO!!! MENGÃO, PORRA!!!!!!!!!!`.

Todos olhavam para aquele homem obeso, mas doce. De voz grave, mas tranquila.

´S-E-U- R-A-F-A-E-L!!!!!!!!!!!` Falamos todos juntos, surpresos.

´É ISSO MESMO! Pra Puta que o pariu! É Tri!!!`.

Olhou envergonhado para todos e se foi...

Nenhuma palavra a mais. Virou-se envergonhado, mas satisfeito em meio a gargalhadas gerais e o olhar triste para o infinito deste vascaíno".

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Socorro, meu porteiro é flamenguista!

PC Guimarães | PC Guimarães | 10/01/2011 18h07

Já estava pensando em escrever sobre os botafoguenses e flamenguistas do meu prédio. Só faltava o "gancho" (expressão jornalística que significa o "motivo" da publicação da matéria).

E a belíssima ilustração do cartunista André Mello, publicada domingo no caderno "Morar bem" do Globo, na matéria "Vai uma xícara de açúcar", me deu a justificativa que eu queria. Ao descer o elevador para pegar os jornais na portaria, essa motivação aumentou ainda mais.

Ninguém segura o Renato, o porteiro gente boa, mas flamenguista do meu prédio. O cara está mais insuportável ainda com as 99,99% de chances de o Flamengo contratar o veterano Ronaldinho Gaúcho.

Ai meu Deus! Já não se fazem mais porteiros como antigamente!

Até pouco tempo era batata. Você chegava em qualquer prédio e o porteiro, com certeza, era nordestino e botafoguense.

Fui confirmar minha "tese" no Google e está lá naquele site Desciclopédia, que sacaneia todo mundo, inclusive o Botafogo.

Informa que o clube sempre teve popularidade entre os porteiros.

Um dos verbetes diz assim:

"Paralelamente, em 1904, um grupo de porteiros nordestinos com nome de mulher resolveu fundar um clube que atendesse à comunidade dos cabeçudos retirantes no Rio de Janeiro. Surgia então o Botafogo Pebolim Clube. O nome foi escolhido porquê os paraíbas viviam de fogo, e as cores escolhidas foram o preto e branco, pois por serem desnutridos (gastavam o salário só com bebida), a paraibada era também daltônica".

Gozações à parte, o fato é que durante muitos anos, antes da ditadura militar e da Globo oficializar o Flamengo como o "time da massa", "mais popular do Brasil" e outras baboseiras, era muito comum você chegar num prédio e encontrar um porteiro botafoguense grudado num radinho de pilha com um adesivo (antigamente se chamava decalque) do Glorioso. Hoje não. A Globo conseguiu influenciar e fazer a cabeça até mesmo de porteiros de prédios e condomínios.

Mas uma coisa me consola: o Renato é flamenguista, mas não é nordestino. Foge a regra dos porteiros. Nossos queridos porteiros nordestinos ainda têm salvação.

(Publicado hoje na coluna "PC Guimarães comenta" no site do Correio do Brasil).

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A vingança da lagartixa

PC Guimarães | PC Guimarães | 09/01/2011 15h28

Amigos e amigas: estive em Visconde de Mauá e encontrei o amigo de um amigo meu que me contou uma história incrível sobre uma família de gambás que habita uma pousada conceituada da região. Conto em breve para vocês. Como a história me lembrou um "caso" que tive há algum tempo com um casal de lagartixas, reproduzo aqui no blog.

Vocês podem pensar que endoidei de vez, mas estou sendo vítima de uma conspiração. Acho que estão querendo cometer algum tipo de atentado contra mim. Chego a pensar até que é coisa do Eurico Miranda, pois, há anos, sou assumidamente avesso às suas bizarras atitudes. O mestre Fernando Sabino também já foi vítima, quando escreveu uma crônica sobre atentado semelhante que sofreu.

Quem está me perseguindo? Duas eublepharis macularius, nome científico das lagartixas. Poderia ser uma lagartixa e um lagartixo, casados, ou talvez amantes. Quem sabe um casal homossexual. Mas unidos contra mim, com certeza.

E tudo por quê? Vingança. Há dois ou três dias, uma lagartixinha tentou entrar diversas vezes na minha casa. Travei um jogo de gato e rato, ou melhor de gente e lagartixa, com ela. Fiz cara feia, ameacei, gritei. Tentei entrar num acordo. Disse-lhe que poderia ficar do lado de fora, na varanda, mas entrar na sala jamais. Para quê? Como uma lagartixa adolescente, aí mesmo é que não me respeitou.

Decidi então ameaçar: "se você tentar entrar na minha casa, chamo o Júnior Baiano para te dar uma tesoura voadora". Juro que cheguei a ouvir aplausos dos mosquitos, que, de longe, acompanhavam toda aquela discussão. Indiferente, ela deu um sorriso debochado e abocanhou o mosquito que parecia ser o líder dos rebeldes.

Fiquei revoltado. Peguei um desses sprays de matar baratas e besuntei-a todinha. A infeliz correu e escondeu-se atrás de uma fresta da porta. Já totalmente equipado, com vassoura, rodo e espanador, ameacei cantar um pagode se ela não saísse do esconderijo. Enfim, rendeu-se. Cheguei a ficar com pena da bichinha, mas poderia ficar mal com aquele bando de mosquitos que aguardava o final do combate. Dei-lhe uma vassourada. Como sempre acontece nessas situações, o rabo foi para um lado e o resto do corpo para outro. Num ato de fúria, saí "martelando" as duas partes e gritando alucinadamente, para espanto dos meus vizinhos de condomínio, que, a essa altura, se acotovelavam diante da minha varanda, dividindo opiniões sobre a cena que presenciavam. Uns me chamavam de criminoso, outros torciam por mim. A bichinha estrebuchou, derrotada. Foi um "oh" geral.

Esgotado, suando em bicas, recostei-me num banco, sem condições de comemorar minha vitória. De longe, observei duas lagartixas adultas com ar ameaçador, como que jurando vingança. Desde então, o casal vem me vigiando. Já conhecem até meus horários. Tenho conseguido despistar a dupla, mas temo um ataque fatal ao meu domicílio.

Agora há pouco mesmo, elas tentaram me enganar, usando uma estratégia de guerra. Atacaram por baixo, simultaneamente. Dei uma cassetada em uma delas, que se fingiu de morta, caindo de barriga para cima, enquanto a outra me dava um drible por debaixo das pernas, como se eu fosse um João Qualquer tentando marcar o Garrincha. Virei-me para buscar o spray que escondi no meio do vaso de samambaias da minha mulher, e as duas lagartixas sumiram.

São quase quatro horas da manhã, e não consigo dormir. Após uma pesquisada na Internet, descobri que as lagartixas vivem em média oito anos e que põem um ou dois ovos por "postura" (?), que eclodem após 42 a 84 dias de incubação. Acordei minha filha de 16 anos e mostrei-lhe este texto, pensando em transformá-lo num manifesto contra as lagartixas de todo o mundo. Ela desdenhou: "para quê? Qual o objetivo?".

Olhar fixo na janela do meu quarto, aguardo, a qualquer momento, um ataque em massa de milhares de lagartixas, como na cena daqueles pássaros do filme de Alfred Hitchcock.

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Bruschetta agora só no ano que vem

PC Guimarães | PC Guimarães | 31/12/2010 19h37

Adoro uma bruschetta! Calma gente. Embora seja 31 de dezembro, véspera de Ano Novo, ainda não bebi e nem pirei. Não sou tarado e jamais usaria o site do meu amigo Sidney Rezende para escrever crônicas eróticas ou pornografia. Estou falando de bruschetta mesmo; e não da rima.

E mais uma vez uso a simplicidade das definições da Wikipédia para definir o significado de uma palavra.

Bruschetta é "um antepasto italiano feito à base de pão, que é tostado em grelha com azeite e depois esfregado com alho. Há diversas variações, sendo bastante conhecida a bruschetta de tomate, que leva, por cima da fatia de pão, tomates e manjericão".

Por que estou falando de bruschetta aqui no blog? É que sou muito guloso e comilão e adoro uma novidade. E quem mora no Rio e conhece, sabe. Novidade é o que mais tem no supermercados Zona Sul. E a que eu vi estava numa embalagem branca, vermelha e laranja (a receita ideal dos especialistas para aguçar o desejo e o apetite). No centro, a foto de duas bruschettinhas lindas acompanhadas de tomatinhos e salsinhas. De dar água na boca.

Claro que não resisti e comprei.


E hoje foi o grande dia. Como o prato do dia em casa era lasanha, achei que as "fragranti bruschette al gusto di pizza" (como está escrito na embalagem) seriam o antepasto ideal para degustar com um vinho tinto. Eu mesmo fiz questão de abrir o saquinho e ainda dei uma de "Waldir Amaral" (antigo e saudoso locutor esportivo) ao gritar pra minha mulher:

"Deixa comigo!".

E ela deixou. Pra quê? Como diria outro locutor esportivo, meu amigo e ex-aluno João Guilherme, do SporTV:

"Que desagradável!".

É nisso que dá eu me meter na seara do meu colega de site, Chico Júnior, que é o cara que realmente entende de gastronomia.

O que era doce se acabou, o príncipe virou um sapo. É como se você marcasse encontro na internet com a Branca de Neve e aparecessem a bruxa e os sete anões. As tais bruschettinhas que pareciam lindas na embalagem, na verdade eram mais feias do que pão dormido de padaria de subúrbio ou omelete de boteco da praça Mauá. Ainda pensei que se botasse no forninho quente alguma poção mágica transformaria aquele troço numa delícia da Ana Maria Braga. Que nada! Foi pior ainda.

Duro agora é ter que jogar o bagulho, que é importado e custou uma boa grana, fora. Ainda pensei em dar para o porteiro flamenguista do meu prédio, que enche o meu saco quando o Botafogo perde ou o Flamengo ganha, mas a minha mulher achou que seria muita sacanagem.

 Ainda bem que na ceia do reveillon vou me empanturrar de bolinhos de bacalhau, presunto com abacaxi, pêssego, fios de ovos e cereja, passas, ameixa e castanha assada.

 Bruschetta agora só no ano que vem!

E por falar nisso, um Glorioso 2011 para todos vocês. Muito obrigado pela presença aqui no Blog.

 

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Totó não morreu!

PC Guimarães | PC Guimarães | 30/12/2010 10h57

Como a minha legião de amigos sabe, eu sou que nem aquele colunista do Globo Arthur Xexéo e como 101% dos machões brasileiros: também não vejo novelas.

Por isso fiquei intrigado nos últimos dias quando constatei que meu post sobre a "contratação" de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves pelo Framengo, digo, Flamengo, foi um dos mais lidos aqui no site do Sidney e que só perdeu para o Totó. Li que uma tal de Clara atirou no Totó e que Totó foi sepultado. 

Como há muitos anos não tenho cachorro, pois não sou adepto de criar bichinhos em apartamentos, imaginei uma mulher chamada Clara atirando numa mesa de Totó, após perder uma partida. Não aconselho ninguém a fazer o mesmo pois pode danificar o brinquedo.

Eu também costumo apelar para o Google quando tenho alguma dúvida. Por isso fui pesquisar e encontrei na Wikipédia:

"Totó - um jogo de mesa, conhecido em Portugal como matraquilhos, em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, sul de Minas Gerais como pebolim e no Rio Grande do Sul como fla-flu".

"Matraquilhos" em Portugal e "fla-flu" no Rio Grande do Sul! Hum, sei não.

Nada sobre a morte do jogo.

Descobri também que, em Portugal, Totó é uma espécie de penteado, onde o cabelo é dividido ao meio, formando duas madeixas laterais (Maria-chiquinha). Pode ser também parvo ou tolo. Ou uma pessoa fofa.

"Pessoa fofa"! Esses patrícios!

A palavra, que vem do francês toutou, também define no Brasil o chute fraco, sem vontade. Alguns chamam também de "totozinho". Jean, aquele atacante que jogou no Framengo, desculpe, Flamengo, Vasco e Fluminense era especialista nesse tipo de jogada. Na Paraíba, a exemplo da "terrinha", é um tipo de penteado, enrodilhado no alto da cabeça. Totó é também um bairro do Recife, em Pernambuco.

Mas foi na última linha do verbete do wiki que descobri qual foi o Totó que morreu:

"Um personagem da telenovela Passione, cujo nome é uma homenagem ao ator italiano (Antonio de Curtis)".

Não vejo novelas, como minha legião de amigos sabe, mas compro jornais e revistas em bancas. Por isso, acabei ficando sem entender patavinas, quando saí agora há pouco para comprar os jornais e li numa dessas revistas de celebridades:

"Totó não morreu!".

Afinal: esse Totó morreu ou não morreu?

Como vou comemorar o reveillon com essa dúvida na cabeça?

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Flamengo contrata Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. E o Ponto Frio compra a Petrobras, o McDonalds, o Banco do Brasil, a Sony, a Coca-Cola...

PC Guimarães | PC Guimarães | 28/12/2010 19h21

A "notícia" foi manchete hoje durante quase todo o dia no site do jornal carioca Extra:

FLA FAZ MEGAOPERAÇÃO PARA TRAZER GAÚCHO E AUMENTA NEGOCIAÇÃO POR THIAGO NEVES".

No texto, o autor do "FURO" lembra que:

"Apesar de já ter anunciado o argentino Dario Botinelli, o Flamengo concentra todas as suas energias na vinda de um camisa 10 de peso. O clube monta um megaprojeto para trazer Ronaldinho Gaúcho e intensificou as negociações para ganhar a disputa com o Fluminense por Thiago Neves. As duas propostas já apresentadas agradaram os procuradores dos jogadores e, em caso de liberação de seus clubes, Milan e Al-Hilal, respectivamente, a chance de jogarem pelo Fla em 2011 é grande. Por enquanto, a realidade é o meia Vander, do Bahia, contratado ontem".

O início diz tudo, o final também. Sonhar com Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves não custa nada e serve para iludir a torcida. Mas a realidade mesmo são os desconhecidos Botinelli, contratado por causa dos gols de faltas no vídeo mostrado para o clube, e Vander, conhecido por suas estripulias fora de campo.

O "anúncio" da contratação de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves pelo Flamengo, me lembrou um anúncio (sem aspas) do Ponto Frio no final dos anos 90. 

O jornal Estado de S. Paulo publicou uma matéria na coluna "Negócios" informando que a Casas Bahia queria comprar o Ponto Frio. Alguns dias depois o próprio Ponto Frio divulgou no Globo um dos anúncios de "oportunidade" (como se diz na linguagem publicitária) que é considerado um dos mais criativos feitos até hoje. 

Reproduzia no alto o título da matéria publicada no jornal paulista. A seguir, a frase:

"E O PONTO FRIO GOSTARIA DE COMPRAR A VALE DO RIO DOCE, A PETROBRÁS, O McDONALDS, O BANCO DO BRASIL, A SONY, A IBM, A WHIRPOOL, A MOTOROLA, A PHILIPS, A COCA-COLA, A BRAHMA, A SOUZA CRUZ, A SHELL e A TELEBRÁS"

O anúncio era finalizado com a logomarca do Ponto Frio e o slogan:

"Todo mundo sonha em comprar um bom negócio. Pena, nem todo sonho é possível".

Posso até queimar a língua se a notícia da compra de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves pelo Flamengo se tornar realidade.

Mas acredito muito mais que Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves é que podem comprar o Flamengo.

Afinal, o Ponto Frio é que acabou comprando a Casas Bahia.

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Na suíte com o Rei

PC Guimarães | PC Guimarães | 27/12/2010 11h19

Confesso: também sou fã do Rei. Não perco um especial de fim-de-ano, assisti a diversos shows no Canecão. Sei que ele vai abrir com "Emoções", fechar com "Jesus Cristo" e dizer "Que prazer rever vocês". Mas Rei é Rei. Pode tudo.

Há alguns anos quase peguei uma daquelas rosas que ele joga na plateia. Foi num show no Canecão. Fui com minha mulher, minha sogra e minha filha (na época com uns 18 ou 20 anos de idade, mas que foi ao show para nos agradar). 

Na hora em que o Rei começou a jogar as rosas, me posicionei que nem o Jefferson, goleiro do Botafogo. Não peguei uma. Já estava quase desistindo após não "ter defendido" uma rosa que passou a poucos metros de mim, quando vi minha filha rindo, com a rosa na mão. "É isso que você quer?". Tenho guardada até hoje na minha geladeira.

No sábado passado lá estava eu e minha mulher, na frente da telinha do plimplim. Um dos grandes momentos do especial foi a "canja" (se é que se pode chamar de "canja" cantar junto com o Rei!) da cantora "sertaneja" Paula Fernandes. Que voz! O Rei também viu outras virtudes além da voz, como mostra a imagem que ilustra este post.

Já escrevi algumas coisas para o Rei. Uma delas reproduzo aqui. É a história verdadeira de Silvio Marinho, amigo meu do Jornal do Brasil, que resolveu comemorar aniversário de casamento na suíte de um motel. Com a mulher, com o Rei (motel sem música de Roberto Carlos não é motel) e com...

Leiam a crônica:

Tadinho do Silvio Marinho. Oito anos de casamento, quatro filhos para criar, não via a hora de passar um dia inteiro sozinho com a mulher. E esse dia chegou: seu aniversário. 

"Mulher: vamos passar a tarde num motel".

Deixou as crianças na casa da sogra, pediu folga no jornal - onde trabalha até hoje como diagramador da editoria de Esportes -, pegou o carro emprestado da cunhada, e foram. Para bem longe, em Niterói. Num desses motéis que tocam todo o repertório do Roberto Carlos e servem drink para recepcionar os casais. A suíte, com nome de música do Rei, foi, digamos, escolhida a dedo:

"Recordações".

"Essas recordações me matam", entrou feliz da vida, cantarolando o refrão da música, meio desafinado.

Tinha reparado que a mulher carregava uma bolsa grande, pesada.

Não perguntou o conteúdo, mas imaginou que fossem roupas. Ou melhor, lingeries. Ao chegarem à suíte, telefonou para a copa e pediu cerveja para acompanhar o amendoim, com prazo vencido, que repousava há meses, sobre o freezer.

"Amor, você não vem?", indagou, ansioso, enquanto bulia no painel com jogo de luzes, interruptor de tv e rádio, ar condicionado etc. 

Há muito não frequentava um motel e se divertia como uma criança.

Apaixonado, excitado, aumentou o volume quando ouviu os primeiros acordes de "Café da manhã".

"Amanhã de manhã, vou pedir o café pra nós dois..."

"Amor, vem ver. Pra que serve isso aqui?"

"Já vou, benhê".

"O que você está fazendo?"

Levantou-se da cama, dirigiu-se àquele cantinho em que os motéis reservam para a mesa de refeições, e surpreendeu a mulher numa tarefa incomum ao local onde estavam.

"Um laptop? Pra que você trouxe esse laptop?"

"Ué, benhê, você sabe que estou preparando a minha tese para a faculdade. O prazo de entrega está quase chegando. Não posso perder tempo. Vai indo, que eu já vou".

Homem sabe muito bem que, nessas horas, é melhor não encrencar. Fingiu que estava tudo bem e decidiu dar uma caída na piscina.

"Amor, você não quer dar um mergulho?"

"Já vou, benhê".

Quase uma hora depois, já com os dedos das mãos murchos, devido ao contato excessivo com a água, saiu da piscina e foi fazer uma sauna. A caminho do banheiro, percebeu a mulher envolvida com livros, papéis e um gravador. Reparou que ela nem tinha tirado a roupa ainda.

"Meia taça, só os óculos", pensou, meio sacana, desolado.

Ao sair da sauna já era quase noite. Ligou a televisão. Primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Jogavam o Botafogo, seu time, e o Juventude, de Caxias do Sul. Ainda pensou:

"Que bom que estou de folga. A esta hora estaria na redação aguardando o fim do jogo. E estou aqui, numa boa", pensou. 

"Benhê, vou ver um pouco do jogo. Estou te esperando".

Foram as suas últimas palavras naquela noite. Recostou a cabeça no travesseiro e nem chegou a ver um dos dois gols alvinegros anulados pelo juiz. 

Dormiu.

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Um Feliz Natal e um Glorioso 2011

PC Guimarães | PC Guimarães | 23/12/2010 20h14

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Quem foi que disse que o Pimpão não iria longe?

PC Guimarães | PC Guimarães | 19/12/2010 22h05

Acabo de ler a notícia aqui no site: Pimpão vai pro Japão. Quebrou a cara quem achou que o rapaz não iria muito longe com esse nome.

Pimpão chegou a fazer alguns golzinhos pelo Vasco, mas não lembro de algum dia ter ouvido falar que a torcida saudava sua entrada em campo com os gritos de "Ê ô, ê ô, o Pimpão é um terror". "Ah, é Pimpão" não daria para gritar. E "Pimpãoão, guerreiro" não daria rima. Até que daria "Pimpão é seleção", mas aí seria forçar demais a barra.

Embora digam que Pimpão é o sobrenome do rapaz, não é apelido; sempre tive uma certa implicância com alguns apelidos de jogadores. Já vi de tudo.

O Flamengo sempre foi um "campeão" de nomes e apelidos estranhos: teve Onça, Radar, Berico, Merica, Buião, Fio, Michila e Caldeira. O Botafogo, que hoje tem o Maicosuel, não fica muito atrás. Eu mesmo vi jogar um ataque com Cremilson, Tuca, Puruca e Galdino. No Vasco, que teve um jogador que se chamava Óliude, mas tinha o apelido de Capitão, jogou um argentino que deu origem a uma função que mesmo quem não acompanha futebol já ouviu falar. 

Bernardo Gandula foi um meia-esquerda no final dos anos 30 e tinha como característica ir buscar a bola que havia saído de campo para entregá-la ao jogador encarregado de repô-la em jogo - mesmo que este fosse do time adversário. Virou função. Para falar do Fluminense não é necessário voltar tanto no tempo. É só lembrar de Gum, Diguinho e Digão.

A lista é grande e todo mundo que acompanha futebol é capaz de escalar vários times com nomes e apelidos muito estranhos.

Mas nada supera a história que ouvi do meu amigo Maurício Menezes, jornalista e humorista, em um de seus shows sobre as mancadas da imprensa. O jogador era chamado de Diran nas transmissões esportivas. Um dia, um repórter de rádio, intrigado pelo nome incomum, perguntou ao vivo se ele era descendente de franceses. Constrangido, o atleta respondeu que não. Na verdade Diran era um apelido. Derivado de outro: "Cu de Rã".

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Não contem pra ninguém. Só pra torcida do Flamengo

PC Guimarães | PC Guimarães | 17/12/2010 12h14

Tem pessoas que não largam o celular. No carro, em casa, na rua, na chuva, na fazenda. Se não é pra tagarelar, é pra jogar.

Uma vez, no metrô, numa viagem entre Copacabana e a Praça Saens Peña, vi uma moça que só pensava naquilo. No celular. Ela entrou, sentou-se ao meu lado e pegou o aparelhinho. Daqueles que fazem barulhinho quando a pessoa tecla. Pior do que isso só ruído de pipoca no cinema. Mas deixem a pipoca para uma próxima vez.

É sobre o celular que eu quero falar.

Primeiro ela deve ter conferido as mensagens. Guardou na bolsa. Olhou para um lado, olhou para o outro e pegou o treco de novo. Voltou a conferir as mensagens. Pensei que estava ansiosa, talvez esperando algum telefonema. Voltou a guardar o aparelho na bolsa. Segundos depois pegou o celular de novo. É claro que com aquele barulhinho pior do que o de raspar a unha em quadro negro (ou lousa, se preferirem) tive que interromper a leitura de um livro. A moça parecia até essas pessoas que roem unha. Dão uma roidinha, olham para as unhas, fazem cara de compenetrada, olham de novo para as unhas e voltam a roer. Depois, tentam fazer qualquer outro tipo de coisa, mas é a unha que elas querem roer. E o ritual recomeça.

Mas é sobre celular que eu quero falar.

Outro dia, um amigo me contou uma história de uma outra moça e um celular. Ele viajava de van da Barra para a Tijuca e teve que ouvir a conversa da moça no celular. Ele e os demais passageiros. Uns 15. E o celular era daqueles tipo rádio em que as pessoas ouvem o que a outra está falando.

"Amiga, preciso te contar uma coisa, mas você não pode contar pra ninguém", disse a moça do outro lado da linha.

"Conta", respondeu a moça da van.

"Ah, não sei se vou contar. Você é amiga de (fulana), você pode contar pra ela. Não quero que ninguém saiba".

"Ah, amiga, você já começou a falar. Agora continua. Conta".

As pessoas na van estavam em silêncio, ouvindo toda a conversa. Pairava no ar um clima de "Conta, conta, conta".

A moça da van insistiu:

"Conta logo".

E a moça do outro lado da linha se rendeu:

"Tá bom, amiga, mas não conta pra ninguém, tá? Outro dia peguei um cara lá no trabalho e dei uns beijinhos nele. O cara é tão gostosinho, tão tesudinho... Mas tão cretino também... Mas você promete que não conta pra ninguém, tá?".

Como a moça da van não pediu que os demais passageiros guardassem segredo, meu amigo me contou tudo. E eu agora estou contando pra vocês.

Mas, por favor, respeitem o pedido da moça. Não contem pra ninguém, tá?

 

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