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Mônica Bernardes

Mônica Bernardes

Formada em Jornalismo pela UFRJ, fez estágio no Jornal dos Sports e trabalhou na Rádio Tupi antes de ingressar, em 1986, nas Organizações Globo. Depois de 9 anos como repórter de "O Globo", foi para a "TV Globo", na qual permanece até hoje. É uma das editoras do projeto "Parceiro do RJ", do "RJ TV Primeira Edição". Também é autora do livro "Sou Feliz, Acredite!", em parceria com Mauro Tertuliano. Livro conta histórias de superação e foi finalista do Prêmio Jabuti 2011 na categoria Reportagem.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



23/11/2014 17h39

Repercussão do caso Jandira salvou muitas vidas. Uma forma de atenuar a dor da perda


O encerramento do inquérito sobre a morte da auxiliar administrativa Jandira Cruz, durante um aborto na Zona Oeste do Rio, trouxe alívio para a família da jovem, que tinha 27 anos e arriscou a vida para interromper a gravidez. A mãe de Jandira declarou que estava "feliz", o que provocou uma certa estranheza para quem não havia compreendido o motivo da satisfação. A explicação veio logo em seguida. Além de ver os bandidos na cadeia, respondendo a processo por homicídio e formação de quadrilha, Maria Ângela se orgulhava de ter salvado algumas vidas, por causa da morte trágica da filha. É uma razão nobre. Muitas vezes, notícias de dramas familiares e crimes hediondos trazem à tona questões fundamentais para a prevenção de erros fatais. Foi isso que aconteceu. O caso Jandira - assim como, posteriormente, a morte de Elisângela Barbosa, em outro caso de aborto, em Niterói - serviu para que muitas grávidas repensassem planos já elaborados de interrupção da gestação. Imaginem a importância de fazer com que alguém desista de se submeter a um aborto! Se uma só vida fosse preservada, já haveria motivo para satisfação. Mas, de acordo com Maria Ângela, várias mulheres fizeram contato pelas redes sociais confessando que iriam abortar - em clínicas que reúnem criminosos bárbaros, como os que atenderam Jandira. Mas desistiram após a repercussão do crime na mídia.
Não se trata aqui, portanto, de discutir se o aborto deve ou não ser legalizado. Essa abordagem exige reflexão e discussão fundamentada. A alegria de Maria Ângela - apesar da dor - reflete a certeza de que a morte da filha representou vida para mulheres e bebês. Isso basta para ter uma sensação de utilidade numa sociedade muitas vezes egocêntrica e acomodada.Que Maria Ângela abrace essa causa e ainda salve muitas outras vidas. Será, certamente, uma maneira de atenuar a perda irreparável da filha.



28/10/2014 17h56

Redes sociais revelaram personalidades no processo eleitoral


As discussões acaloradas sobre política durante o último processo eleitoral levaram muitas pessoas a excluírem contatos das redes sociais e a desfazerem relacionamentos que duravam anos. A princípio, pode parecer bobagem se afastar de alguém por questões de preferência política. Mas não se pode generalizar. Houve casos em que o rompimento foi, sim, por pura intransigência, por falta de capacidade de ser tolerante com opiniões divergentes. Mas também aconteceram episódios em que, em vez de aversão gratuita, as pessoas se afastaram de contatos anteriores porque, de repente, perceberam quem eles de fato representavam. Posts carregados de preconceitos e desvios de caráter ficaram explícitos na rede, escancarando personalidades que até então não haviam sido corretamente percebidas ou avaliadas. Nestes casos, a exclusão, o afastamento, a desistência de uma relação amistosa...tudo passa a ser aceitável, com fortes argumentos, e até aconselhável. Portanto, não se pode colocar todos os casos em um só balaio. As redes sociais, apesar de todos os defeitos, têm essa qualidade. Quando menos se espera, alguém se revela e cabe aos outros manter ou não a "amizade". Elas também deixam claro que, embora queiram dar opinião sobre tudo, são poucas as pessoas que demonstram algum conteúdo,  alguma informação ou uma análise ponderada e crítica sobre o que veem e ouvem. Na sexta dia 24, por exemplo, quando os dois candidatos a presidência estavam no Rio de Janeiro para um debate, uma colega recebeu - e divulgou para várias pessoas - por uma rede social que um dos candidatos estaria em outro estado, em um encontro mais do que suspeito. Já havia até fofoca sobre o que estava sendo discutido na tal reunião. Tudo, claro, para denegrir a imagem de um dos candidatos. Mas ambos não estavam no Rio? Nas redes sociais, as pessoas enviam mensagens e publicam posts repetidamente sem zelar pelo mínimo de coerência. Entopem a rede com lixo e mancham o potencial desse tipo de comunicação. A maioria embarca apenas no vício da difusão viral, repetindo conceitos - muitas vezes equivocados - apenas por hábito, por achar que isso é moderno ou por não ter mais o que fazer mesmo... Ou, pensando bem, por esses três motivos juntos...Com relação a esse tipo de pessoa, a melhor saída pode ser um clique simples, rápido e oportuno: exclusão e tchau. 



26/10/2014 17h50

Saudades de Ariano. O povo citado por ele está por aí. Cabe a nós valorizá-lo

 

Nas aulas-espetáculo que realizou em diversos pontos do país, Ariano Suassuna, já idoso, exaltava nosso país, fazendo questão de enfatizar que temos uma cultura DO Brasil e não uma cultura NO Brasil , como muitos argumentam. Assistir aos vídeos das apresentações traz um sentimento de orgulho nacional que, infelizmente, pode durar pouco - até virarmos a primeira esquina. Se não conseguirmos um caminho de redenção, todo o esforço do grande mestre poderá estar perdido. Temos a sensação de que é cada vez maior o número de pessoas que se dedicam a atividades medíocres, leitura de baixo nível, música de péssima qualidade, comportamento vulgar. Um exemplo simples pode ser citado, pois repete-se com alguma frequência no Rio de Janeiro. No sábado à tarde, um carro parado à beira do calçadão do Leme, na zona sul do Rio, estava com o sistema de som ligado - em volume alto - tocando uma música - ou melhor, um barulho incômodo - com letra chula. Para qualquer um ouvir. Além da falta de educação - de manter um som elevado ao qual as pessoas não deveriam ser obrigadas a se sujeitar -, os donos do veículo usavam drogas. Havia policiamento na praia e bombeiros salva-vidas também circulavam nas proximidades. Mas o carro ficou muito tempo ali. Ao mesmo tempo, tem gente fazendo sucesso com produtos de quinta categoria. Ariano distinguia sucesso de êxito. Os "artistas" que só podem ser citados entre aspas podem até fazer sucesso, mas não obtêm o êxito. Êxito é para os talentosos. Há uma sensação de que o povo citado por Ariano, o povo da alegria, da espontaneidade, da criatividade, está em algum lugar da memória e perde espaço para gente que precisa, acima de tudo, de educação. Mas, se procurarmos, acharemos gente talentosa e vibrante - que, talvez, não faça tanto alarde, mas que cria com competência e brilho. Cabe a nós procurá-las e exaltá-las. Valorizá-las. As aulas-espetáculo de Ariano deveriam ser usadas nas escolas, para a formação de crianças e jovens que, quem sabe, poderão interromper esse processo de degradação ao qual estamos sendo submetidos. Educação é o único caminho. E o testemunho de professores que veem o valor do Brasil é essencial na tentativa de pôr fim à pobreza de espírito que toma conta de tanta gente. Saudades de Ariano. Morreu aos 87 anos. Mas morreu jovem. Por tudo que representou e representa. E por tudo que poderia nos oferecer na luta desgastante contra a mediocridade.



26/10/2014 17h12

É cansativo conviver com pessoas de comportamento bizarro

Como se não bastassem os abusos das tentativas de boca de urna, eis que surge, em Sorocaba (SP), um eleitor que se sentiu no direito de levar uma cobra enrolada no pescoço até o local de votação. Claro que foi barrado. E o bom senso recomenda que os responsáveis pelo veto não sejam recriminados. O eleitor, de 31 anos, deveria - até pela idade -  saber definir os próprios limites. Para vivermos em sociedade, além de cumprirmos as leis, precisamos ter a iniciativa de observar com sensibilidade e inteligência o que nos cerca. E devemos, especialmente, respeitar as pessoas ao nosso redor. Ninguém precisa ser muito esperto para compreender que uma jiboia de 1,75 metro não é um animal bem-vindo no ambiente urbano, em locais de grande concentração. As pessoas têm o direito de sentir medo ou repulsa. O dono da cobra de estimação pode até gostar de levá-la a todos os lugares, mas deveria saber que, com isso, desrespeita quem ocupa o mesmo espaço. É, no mínimo, antissocial. Esse tipo de comportamento bizarro entristece. Mas, certamente, ele terá quem o defenda, quem ache engraçada tal atitude, quem imagine que a liberdade pressupõe, inclusive, o direito de incomodar terceiros. Mas uma rápida olhada na internet é suficiente para perceber que é muito fácil encontrar comentários absurdos sobre todos os assuntos, falsas bandeiras de igualdade, tudo resultado de distorções no processo de educação e na forma de ver o mundo. Tudo muito cansativo para quem tem senso crítico e o desejo de viver em ambiente civilizado e cortês.



05/09/2014 19h53

Aluno perverso de um lado; uma bela homenagem do outro...

 

Enquanto muitos professores são agredidos por alunos bandidos, que se apoiam na menoridade penal para extravasar instintos bestiais,  dá orgulho a atitude de estudantes da escola Carolina Patrício, no Rio, que cortaram os cabelos em homenagem à professora Norma do Carmo, que descobriu estar com câncer. A alegria de Norma contrasta, infelizmente, com o drama vivido pela professora Ana Paula Marino,  esfaqueada por um adolescente numa escola em Curitiba. Uma pesquisa mostra que, em São Paulo,40% dos professores de escolas estaduais já sofreram algum tipo de violência, a maioria praticada por alunos. Isso é resultado da falta de educação, da índole perversa e, muitas vezes, da ausência de pulso firme na família - com pais defendendo filhos inescrupulosos apenas pelo fato de serem....seus filhos. Mas a violência dos estudantes é resultado, principalmente, da falta de punição, consequência de uma legislação caduca que trata os menores como inocentes incapazes de assumir responsabilidades. Eles aproveitam.... e muito! Parabéns, portanto, aos jovens que deram uma demonstração de carinho e de gratidão pela professora no Rio. Uma imagem que marcou positivamente a semana e que nos trouxe um pouco de alento em meio a tantas notícias ruins que lotam o noticiário.



25/08/2014 20h31

Só quem se aceita tem a nobreza de aplaudir um competidor

O que é mais importante? Vencer a qualquer preço ou vencer com mérito? O "Café Filosófico" da TV Cultura relembrou esta semana o caso do corredor espanhol Ivan Fernandez Anaya, cujo gesto de honestidade e retidão repercutiu mundialmente em dezembro de 2012. Fernandez era o segundo colocado em uma corrida cross country, em Navarra, na Espanha, quando percebeu que o queniano Abel Mutai diminuiu o ritmo a menos de 20 metros da vitória. Mutai liderava a corrida com folga, mas reduziu as passadas porque pensou que já tinha cruzado a linha de chegada. Em vez de aproveitar a situação para vencer a disputa, Fernandez também diminuiu o ritmo e alertou o rival.

  "Eu não merecia vencer", disse Fernandez na ocasião. "Eu fiz o que era certo. Ele era o verdadeiro vencedor e eu não conseguiria alcançá-lo".

O exemplo de Fernandez pode reverberar por muito tempo se for lembrado, em momentos oportunos, como fez o Café Filosófico. Ele pode não ter ganhado a medalha de ouro, mas, certamente, conquistou a admiração de milhões de pessoas e, o mais importante, dele mesmo. Gente que age com correção e conhece a dimensão de sua boa postura tende a se elevar aos mais altos níveis de amor próprio - o que permite avanço e crescimento.

Só é capaz de aplaudir um competidor e até favorecê-lo quem tem segurança suficiente para se afirmar dentro dos próprios limites... e ser feliz no conforto dessa autoaceitação. Isso pode servir de espelho para todos nós, em qualquer situação na qual temos a oportunidade de olhar para dentro de nós mesmos com a franqueza e o desprendimento que merecemos. E olhar para o próximo com a capacidade de admirar e de estender a mão para um cumprimento - imagem que, por sinal, ficou marcada ao fim da corrida de Fernandez e Mutai. Um aperto de mãos histórico, que não pode ter ficado em vão.  

 



20/08/2014 01h09

Quer algo, tenta, tenta e nada acontece? Que tal parar de pensar?

 

No dia a dia agitado, em meio a compromissos inadiáveis, atividades inevitáveis e tarefas obrigatórias, tentamos a todo custo momentos de sossego. É no intervalo entre um dever e outro que buscamos a paz necessária para criar algo que, de fato, nos realize. E é aí que surge uma armadilha: o risco de não conseguirmos nos desvencilhar do pensamento nas obrigações diárias, na agenda lotada de marcações.Uma saída é parar tudo, reorganizar o caderninho e verificar se, realmente, o que desejamos não pode se elevar à categoria de prioridade em alguma parte do dia. Talvez estejamos dedicando atenção demais a algo que já não seja tão relevante. E, nesse caso, poderíamos abrir espaço para uma novidade.

Mas existe, também, uma outra solução: deixar pra lá. Pode parecer contraditório, mas, muitas vezes, ao abrirmos mão de algo, temporariamente, o caminho para conquistá-lo acaba sendo abreviado, como se o "deixar de pensar" exercesse uma atração irresistível sobre nosso objeto de desejo. É comum ouvirmos esse tipo de conselho para mulheres que há anos querem engravidar: "não pense mais nisso e você consegue". E, muitas vezes, consegue mesmo. Esse tipo de ironia do destino também acontece em diversas outras circunstâncias. O grande poeta português Fernando Pessoa disse que, ao tentar incorporar um poeta bucólico, nada acontecia. Os dias se passavam e ele não conseguia. Disse Pessoa: "Num dia em que finalmente desistira acerquei-me de uma cômoda alta e, tomando um papel, comecei a escrever , de pé, como escrevo sempre que posso". Surgia ali Alberto Caeiro, um dos heterônimos do escritor. No fundo, Pessoa não tinha desistido da ideia. Mas havia relaxado, abandonado a autocobrança, eliminado a pressão.

Por isso, pode valer a pena - e muito - exercer a arte de parar, desligar o motor, puxar a tomada da parede. E, como Zeca Pagodinho, deixar a vida levar. De repente (desde que, claro, a semente tenha sido preservada), a árvore floresce.



18/08/2014 21h49

O exemplo de Philipp Lahm

 

A aposentadoria anunciada pelo capitão da seleção de futebol alemã, Philipp Lahm, dá gosto de ver. Por uma simples razão: ele teve ousadia de abrir mão de um posto que muitos gostariam de ocupar,  ainda com uma idade e um desempenho que o permitiriam seguir em frente por bom tempo na equipe. Nem todas as pessoas conseguem "largar o osso", como se diz popularmente. Não abrem mão de ganhar cada vez mais dinheiro - que nem têm como gastar -, impõem sua presença ao público de forma insistente e não percebem nem mesmo quando a fase áurea já ficou para trás e a tendência passa a ser de decadência. Mesmo com fortunas acumuladas, muitos tentam de todas as maneiras preservar cargos, funções, a imagem em evidência, ainda que paguem o preço de serem vistos como defasados, ultrapassados, fora do contexto. Lahm demonstrou inteligência ao anunciar o ponto final na seleção. A imagem que fica para sempre é a da vitória, da taça na mão, do sorriso aberto ao comemorar o tetra germânico. Uma atitude que pode servir de exemplo para pessoas em quaisquer atividades profissionais. Para muita gente, se não houver a razão imperiosa da necessidade financeira, é recomendável um esforço - principalmente psicológico, com suporte de especialista se necessário - para aprender a mudar de fase na vida. Reconhecer que certos momentos ficaram na memória e que a vida exige renovação.  Espero que Lahm tenha a coragem de se aposentar do futebol como um todo também no momento adequado - enquanto ainda tiver energia e vigor. E que não fique se arrastando pelos campos, com performances abaixo do nível que ele próprio merece. Todos deveriam parar a atividade no momento em que estão sob aplausos, para que o novo período - de aposentadoria - seja de lembranças positivas. É melancólico ver o que acontece com pessoas que , depois de importantes conquistas, começam a descer a ladeira. O ideal seria iniciar um novo ciclo, com diferentes interesses e projetos, para que se criasse uma meta a ser alcançada em nova área. Assim a vida pulsa e todos ganham com isso.



12/08/2014 22h09

Robin Williams não conseguiu ouvir a voz de seus grandes personagens

 

A morte do ator Robin Williams, pelas circunstâncias trágicas, surpreende quem se acostumou a vê-lo em papéis que ora divertiam ora mostravam um lado sensível do ser humano, com interpretações tocantes. A depressão vivida pelo ator mostra que os personagens que encarnamos (seja no palco ou, eventualmente, na vida real, quando nos esforçamos para parecer mais equilibrados e mais sensatos do que somos) nem sempre conseguem provocar mudanças verdadeiras na nossa própria personalidade e na nossa maneira de encarar o mundo. Um ator que interpretou"Patch Adams" jamais poderia se matar se levasse em consideração uma mera fração da experiência contagiante do médico-palhaço. Aliás, o subtítulo do filme é "O Amor é contagioso". Um ator que subiu na mesa de um colégio na pele de John  Keating, professor que incentivava os alunos a verem a realidade por um novo ângulo - em "Sociedade dos Poetas Mortos" - não poderia se matar se levasse em conta o próprio discurso do personagem. Aliás, no filme, um dos alunos se suicida, o que provoca sentimento de culpa e imensa tristeza no personagem de Williams. Quem agora imagina a cena da morte do ator, sozinho, deprimido, sem perspectiva de salvação, pode cair na armadilha da pena, sentimento que machuca a alma. Mas, para os amigos e parentes, provavelmente, também surge a culpa. As pessoas sempre acham que poderiam ter feito algo, dito algo, oferecido algo... E se...? E se...? Para os fãs, ficam os filmes que marcaram a história de Williams no cinema - ainda que, agora, prevaleça a sensação de que o ator não conseguiu "escutar" as palavras dos personagens mais iluminados que ele interpretou.

 



20/07/2014 20h53

Não dá pra viver de história


Tradicionalmente, as pessoas diziam que o Brasil era o país do futebol e os Estados Unidos não tinham qualquer vocação para este esporte. Reportagem recente mostrou que, em Seattle, o estádio do Sounders atrai mais de 40 mil torcedores por jogo. No Brasil, o Corinthians, que está no topo da lista de público, não chega nem a 30 mil. E a média entre os clubes é de 14 mil. Isso é mais um item na lista de informações que mostram uma mudança no cenário. Ninguém deve viver de passado, de discurso engessado. É preciso sempre olhar pra frente,sem menosprezar os outros e se empenhando para evoluir. É uma lição também deixada pela Costa Rica nesta Copa do Mundo - a grande surpresa, desprezada por todos, e depois reconhecida. O Brasil ficou à frente dos Estados Unidos, ficou em melhor colocação que a Costa Rica. Portanto, não se trata do resultado em si. Mas o contexto em que tudo se passou...A Costa Rica sai como uma grata surpresa. Os Estados Unidos como melhores do que se poderia supor. E o Brasil abaixo de todas as expectativas. Sinal de que é fundamental observar o ambiente em que os fatos ocorrem, não simplesmente se apoiar no imediatismo de um ranking e muito menos na história de uma trajetória.  


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13/06/2014 15h43

O problema não é a crítica ponderada. Mas a baba...o veneno na boca, o prazer de falar mal dos outros

Esta sexta-feira tem sido de muitas críticas à seleção brasileira - especialmente ao jogador Marcelo, por ter feito um gol contra - e à festa de abertura da Copa do Mundo, com farpas mais afiadas à cantora Cláudia Leitte, comparada nas redes sociais à Galinha Pintadinha. A imagem de Cláudia numa posição que facilita a associação à galinha é até divertida e creio que a cantora deveria encarar de forma esportiva esse tipo de gozação. O pior, nessas horas, seria fazer-se de vítima. Já Marcelo deixou claro que tentou manter a calma, apesar do erro, para não comprometer o seu desempenho no restante da partida. Ele até apareceu vestindo uma camisa croata depois do jogo. Todos são passíveis de erro e certas críticas ácidas que estão sendo disparadas contra o lateral brasileiro - algumas até ironicamente em forma de elogio - só demonstram a irritação das pessoas ao verem o sucesso alheio. Adoram apontar falhas, se realizam falando mal das pessoas. O problema não é a crítica bem fundamentada, feita de forma ponderada - que acaba sendo construtiva. O problema é o veneno na boca, é a baba. Tem muita gente que adora ver os defeitos dos outros por uma simples razão:  estão de mal com elas mesmas.  Marcelo pode ter errado, mas é excelente jogador e participa de uma seleção que atua em seu país, numa Copa que tem um significado especial.É um jogador prestigiado no exterior, onde atua de forma convincente. Cláudia Leitte pode ser criticada por uma parte do público, mas é aplaudida por outra. Tem uma carreira sólida, uma legião de fãs, uma boa voz e era ela - não outra pessoa - que dividia o palco com a estrela internacional Jennifer Lopez e o rapper Pitbull. Cláudia ocupou um espaço privilegiado - e isso incomoda... A festa pode não ter sido o que muitos imaginavam, mas levou nosso folclore, nossa dança, números ensaiados por milhares de pessoas que participaram da abertura com colorido e alegria. Em vez de destilar queixas e mais queixas contra tudo e todos, que tal uma dose de admiração por algo, por alguém, por uma fração que seja do espetáculo? Que tal ficar um dia sem falar mal de alguém com tanto prazer na alma? Que tal ver o lado bom, elogiar um detalhe, um aspecto de alguma coisa que tenha algum valor? Pode ser uma experiência enriquecedora. Quem sabe  vira um hábito?



12/06/2014 15h28

A hora é de ser cordial, educado, festivo...protestos ficam para depois


A Copa do Mundo finalmente começou e nada mais inoportuno do que manifestações em defesa de causas particulares que prejudicam a imagem da festa e contrastam com a boa acolhida dos brasileiros a estrangeiros em nosso país. Ainda pior quando vemos que profissionais da imprensa se feriram nos protestos, como as jornalistas da CNN. A dimensão das manifestações está bem menor do que se temia - e assim deve ser , diante da esmagadora maioria que se veste de verde e amarelo e oferece à seleção brasileira o respeito pela instituição cultural, social e histórica que ela representa. A hora de reclamar de governo, de corrupção e de falta de investimentos em setores essenciais da sociedade não é agora, quando milhares de visitantes estão em nosso país e merecem a nossa cordialidade e a nossa boa educação. Não brigamos com parentes quando recebemos visita em nossa casa. Aliás, um bom momento para demonstrar insatisfação e tentar mudar a realidade é nas eleições de outubro. De nada adianta fazer cena agora, durante uma festa que tem tudo para ser historicamente bela, e depois eleger gente desonesta para funções de poder em nosso país. A hora agora é de usufruir da festa e mostrar aos estrangeiros que podemos, sim, fazer uma bela celebração - e, detalhe, isso independe do resultado dos jogos. Brasil ganhando ou não, temos o dever de acolher bem os visitantes, valorizar o turismo em nosso território e demonstrar competência para um evento de tamanho porte. 



14/05/2014 21h45

O oportunismo das greves às vésperas da Copa só não é pior do que a truculência dos grevistas

 

A imagem caricata do motorista de ônibus disfarçado com óculos de brinquedo e uma barba postiça - divulgada pela imprensa em reportagens sobre a greve dos rodoviários no Rio - é reflexo do ponto a que chegamos numa sociedade em que as pessoas têm medo de agir com liberdade. O motorista queria trabalhar, não concordava com a paralisação. Mas precisou se esconder por medo de ser reconhecido - e sofrer retaliação por parte dos piqueteiros. A enorme quantidade de ônibus depredados é um retrato fiel da falência moral desse tipo de movimento. Deveria haver uma reação mais incisiva das autoridades contra vândalos, independentemente da bandeira que eles defendam. O direito à greve é garantido por lei, mas dentro de normas específicas (um percentual máximo de adesão, nos casos de serviços essenciais) e, obviamente, sem violência.

A proximidade da Copa está levando diversas categorias a aproveitarem o momento para interromper as atividades. Poderiam até protestar contra a realização do Mundial no Brasil, mas deveriam torcer - e agir - para que, pelo menos, tudo se realize de maneira tranquila e eficaz - já que não tem volta. A hora de reagir contra a escolha do Brasil como sede da Copa já passou há muito tempo. Quem só se manifesta agora - mais do que agir com oportunismo - faz uma espécie de chantagem. E das piores. É gente que diz nas entrelinhas: "Ou você me dá o que quero ou esse Mundial vai ser um fiasco". O momento, porém, é de fazer bonito diante de tantos visitantes que virão para cá. Trata-se da imagem do país perante o mundo. E todos nós fazemos parte desse Brasil. Devemos ser cordiais e tratar os turistas com respeito e acolhimento. Devemos transformar a Copa num sucesso. Do contrário, além da imagem de incompetência (flagrante no atraso das obras...) e de corrupção (também já tristemente difundida) passaremos a impressão de que somos mal educados e rudes. Ou será que, no fundo, é assim mesmo?



12/05/2014 12h50

Profissionais de educação: ida ao encontro no STF é necessária

 

Vivemos numa sociedade em que muitos profissionais não obtêm o reconhecimento merecido e recebem salários bem inferiores ao que deveriam. É o caso dos professores. Mas o apoio à classe não deve ser irrestrito e indiscutível. É necessário ter equilíbrio na defesa - ou não - de uma categoria responsável pela formação de nossos jovens. Quando o sindicato dos profissionais de educação se recusa a participar de uma reunião com o Supremo Tribunal Federal para discussão da crise, é preciso que o motivo seja muito forte e aceitável. Não é o caso. O sindicato se recusa a ir ao encontro amanhã porque supostamente não teve tempo de avaliar a pauta de reivindicações. No entanto, houve tempo suficiente para que essas mesmas solicitações fossem avaliadas para a decisão de que a greve começaria hoje. Ou seja, o sindicato sabe exatamente o que quer na hora de decretar a paralisação. Para já! Nem pestanejou. Mas precisa de mais "tempo" para se preparar para o encontro com o STF! Por que? A pauta que definiu a greve não é a mesma que vai nortear a conversa com o Judiciário? Fica uma péssima impressão. Com certeza, a maioria dos professores, que têm noção do seu papel na educação de uma geração inteira, não concorda com esse tipo de postura. E fica envergonhada.


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05/05/2014 12h37

Os alemães levaram surra em casa e se comportaram bem. Quanta diferença!

Depois de dez dias na Europa, acompanhando meu marido na cobertura das semifinais da Liga dos Campeões, sem que houvesse um só episódio de violência, chego ao Brasil com a notícia do torcedor morto ao ser atingido por um vaso sanitário. Uma morte estúpida e que beira uma caricatura, pelos detalhes sórdidos.  Mais uma vez, tenho a triste sensação de que a nossa aparência coletiva de povo simpático e festivo tende a cair por terra, com o passar do tempo, a partir de sucessivos casos de crueldade - que acabam repercutindo no exterior. A diferença é gritante. Mesmo perdendo em casa por 4 a 0, os torcedores do Bayern de Munique não causaram depredação nem agrediram rivais nas ruas. Isso numa Liga que movimenta interesses gigantescos e que conta com uma relevância fenomenal no futebol da atualidade. Aqui, um mero jogo entre dois times simplórios é capaz de culminar num episódio trágico e vergonhoso. E não é somente no futebol. Mal botei os pés no Rio de Janeiro - cidade em que nasci e cuja degradação vejo diariamente com tristeza no coração - enfrentei um enorme engarrafamento porque um policial havia sido morto na Linha Amarela. O rádio do táxi estava ligado e as notícias... um retrato da nossa decadência. A constatação era inevitável. Eu havia voltado ao faroeste, à cidade sem lei, repleta de bandidos e corruptos que infestam a nossa sociedade, incapaz de mudar a própria realidade. É de doer. Somente quem tem a oportunidade de sair do Brasil e visitar países desenvolvidos pode ter a noção do nosso atraso e da nossa calamidade. Todas as vezes em que viajo para países em que a lei e a ordem prevalecem - onde os serviços funcionam, onde as pessoas têm educação e onde atos perversos são exceção e não a regra - volto com uma sensação frustrante de que é muito difícil alimentar um orgulho de fazer parte desta nação. Com o tempo, convivendo com brasileiros de bem, que felizmente são muitos por aqui, a decepção vai diminuindo e o sentimento positivo aflora. Até que chega a próxima notícia terrível, que acontece logo ali na esquina. Tá difícil. Para as pessoas que defendem o Brasil a qualquer custo e não admitem críticas, apenas uma ressalva: reconhecer as próprias fragilidades é o primeiro passo para mudar - e exigir mudança. O Brasil precisa de uma transformação, sim. E de nada adianta apenas elogiar as qualidades do país, fazendo vista grossa para nossas graves falhas - que incluem uma medonha falta de valor moral em diversos níveis. A educação deveria ser o passo principal. Mas...quantas gerações serão necessárias para termos uma sociedade melhor?  Uma questão para pensar: na Alemanha, as catracas do metrô são abertas. Eventualmente pode haver um fiscal dentro dos vagões, mas, em geral, as pessoas pagam as passagens por consciência da importância de agir corretamente. Um país rico, que oferece ótimos serviços, onde a população reage com respeito à ordem. Quantas pessoas pagariam a passagem no Brasil se não houvesse controle nas catracas? Quantas gastariam dinheiro espontaneamente pelo transporte se tivessem a chance de viajar de graça? Isso é o valor moral ao qual me refiro. As autoridades e as instituições que prestam serviço no Brasil estão longe de funcionar bem. Mas a contrapartida do povo também é triste de ver: o hábito da esperteza, da malandragem, de tirar vantagem a qualquer preço.  A corrupção prevalece porque, além dos corruptos, há os corruptores. O tráfico prospera porque, além dos vendedores, há compradores. Temos autoridades que dão nojo porque, no dia a dia, muita gente que não preza pela cidadania age exatamente como elas. É aquele ditado... Deus nos deu uma bela natureza, lindas paisagens, clima privilegiado, mas...É, nada é perfeito.


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