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Mônica Bernardes

Mônica Bernardes

Formada em Jornalismo pela UFRJ, fez estágio no Jornal dos Sports e trabalhou na Rádio Tupi antes de ingressar, em 1986, nas Organizações Globo. Depois de 9 anos como repórter de "O Globo", foi para a "TV Globo", na qual permanece até hoje. É uma das editoras do projeto "Parceiro do RJ", do "RJ TV Primeira Edição". Também é autora do livro "Sou Feliz, Acredite!", em parceria com Mauro Tertuliano. Livro conta histórias de superação e foi finalista do Prêmio Jabuti 2011 na categoria Reportagem.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



10/04/2014 07h54

Marília Pera: a criatividade não pode ser tolhida

Em entrevista reprisada pelo Canal Viva, a atriz Marília Pera fez uma curiosa observação que se aplica a diversos tipos de profissão na relação de empregados com chefes. Ela disse que adora obedecer, mas também tem necessidade de ter liberdade para algum grau de criação. E disse que na televisão, hoje, os atores apenas obedecem, obedecem, obedecem. Uma das maiores frustrações para qualquer profissional, em qualquer setor, é sentir-se como marionete. Pessoas que lidam com a comunicação com o público - envolvendo sensibilidade,empatia, paralelamente à formação de opinião -  têm na criatividade um dos suportes mais valiosos para a autorrealização. E é aí que entra a segurança de quem tem o poder sobre o profissional que executa a tarefa. Apenas as pessoas seguras de si dão espaço para que os subordinados criem, inventem, participem do processo de construção do trabalho. Ao se referir à sua atividade, especificamente, Marília tocou em um ponto nevrálgico para trabalhadores de vários segmentos, que se sentem tolhidos e que são tratados como máquinas treinadas apenas para cumprir funções sem emitir juízo de valor e sem ter direito a senso crítico. Nada mais desestimulante para o empregado. Nada mais tolo para o patrão. O resultado é sempre melhor quando há uma integração e um respeito mútuo por ideias e pontos de vista.


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14/03/2014 19h51

Histórias emocionantes de vida (longa ou curta). Ambas eternas e inspiradoras

 

Duas fotos divulgadas pela internet esta semana - uma mostrando trigêmeos ainda bebês e a outra, os mesmos irmãos aos 81 anos de idade - emocionaram não apenas pela preservação do laço familiar até a velhice, mas por lermos que, logo após nascerem, os trigêmeos haviam sido apontados por médicos como crianças com baixíssima chance de sobrevivência - por terem bem menos que o peso aconselhável. Imagino o quanto esse tipo de declaração deva ter causado sofrimento à família. Mas, certamente, quem cuidou dos bebês teve a persistência e a fé (humana, não necessariamente religiosa) suficientes para transmitir uma energia positiva e agraciar as crianças com uma maior probabilidade de superar as dificuldades. O resultado é a união dos irmãos, já na casa dos 80 anos.
O oposto aconteceu com o bebê Zion, caso também divulgado na internet recentemente. Ele morreu aos dez dias de vida. E o fato, por si só, já seria dramático o suficiente para limitar a sua existência a uma choradeira sem fim da família. Mas os pais Josh e Robbyn souberam inverter o jogo. Não o da vida, pois este não depende de ninguém.  Mas o jogo da forma como a vida é encarada, aí sim a cargo de cada um. A notícia de que o bebê tinha uma anomalia genética fatal foi dada ainda durante a gravidez. E o casal se preparou para o pior com a consciência de que, enquanto o bebê vivesse, deveria ser motivo de alegria. O resultado: fotos e mais fotos do bebê com os parentes sorridentes. Uma lembrança feliz dentro do cenário de tristeza. É o "infinito enquanto dure" do qual falou Vinícius de Moraes e no qual todos deveriam se inspirar para viver um dia de cada vez.


 



15/02/2014 13h22

Não cabe mais ingenuidade em nossa sociedade. Nem duas caras

No filme "As Duas Faces de um Crime", um advogado (Richard Gere) defende, sem cobrar honorários, um rapaz acusado de um crime. O objetivo é marketing pessoal com a ampla cobertura da mídia, já que o caso é rumoroso. A tese é de que o rapaz, com fisionomia angelical, se transformaria em alguém perigoso durante surtos de mudança de personalidade. O jovem (Edward Norton) convence o próprio advogado de que, em sã consciência, jamais cometeria tal crime. O público é levado a acreditar nessa versão. O réu é absolvido. Só então ele se revela, numa cena antológica pelo cinismo. O rostinho de infeliz era estratégia. Ele tinha plena consciência de seus atos. Numa sociedade em que advogados buscam notoriedade e jovens capazes de matar se fazem de vítimas manipuladas por poderosos, o filme dá um tapa na cara de quem cai nessa armadilha. Para muitos criminosos, não há nem necessidade de apelar para uma suposta dupla personalidade. Basta demonstrar uma aparente ingenuidade, que eximiria qualquer um de culpa. Tem muita gente com pena do Caio. Mas vejam as imagens em que ele, ainda sem ser acusado de nada, participa de manifestações. E pensem duas vezes. Não podemos afirmar categoricamente nada sobre ele. Mas podemos refletir com cautela e senso crítico. Em nossa sociedade atual,não cabe ingenuidade. Até as crianças já têm informação bem mais farta do que na geração anterior. Que dirá a juventude? Respeito, acima de tudo, pela vítima. Um homem incapaz de lançar um rojão numa multidão para, mais tarde, alegar inocência.



12/02/2014 09h44

Autoridades no Brasil sempre precisam de uma vítima-símbolo antes de tomar providências

Certa vez, vendo uma cobertura sobre "manifestações", meu pai demonstrou indignação com a falta de uma ação mais eficaz contra os vândalos, ou melhor, os bandidos. Para ele, todos que depredavam o patrimônio e que lançavam explosivos, expondo as pessoas ao risco, tinham que ser presos e processados. Tinham que ser retirados das ruas e mantidos em cadeias. Afinal, manifestação não é isso. Liberdade... de expressão não é isso. Na ocasião, comentei: "Estão esperando morrer alguém". Fiz um desabafo porque tudo neste país depende da existência de uma vítima-símbolo. Os criminosos que mataram o Santiago já tinham antecedentes por participação em badernas e atos truculentos. Estavam soltos porque as autoridades são omissas. E porque muitas instituições, que deveriam cobrar de maneira incisiva, têm receio de serem acusadas de não preservar os direitos dos "manifestantes". Direitos, sim. Mas com respeito, antes de mais nada, às vidas dos outros. Agora temos um morto. E vem o discurso: "Que a morte dele não seja em vão". Espero que não seja mesmo, mas é dolorosa a sensação de que a nossa cultura é a cultura do sacrifício. Alguém tem que sucumbir para que todos abram os olhos para a realidade. E decidam endurecer o jogo.


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08/02/2014 08h51

Sucesso das cangas ao alto de atrizes gordas expõe "tendência neste verão": o amor próprio


As fotos das atrizes Cacau Protásio, Fabiana Karla, Mariana Xavier e Simone Gutierrez na praia, de biquinis ou maiôs, está fazendo sucesso nas redes sociais. Todas são gordas e jogaram as cangas para o alto, numa espécie de manifesto contra a discriminação. Estão cansadas das propagandas que alardeiam a necessidade de um corpo perfeito no verão.  Fabiana deixou clara a mensagem do grupo: "Não é a gente que tem que ser gostosa pro verão, é o verão que tem que ser gostoso pra gente! Saúde sim, neurose não". A atitude das quatro atrizes atrai a simpatia não apenas das mulheres que são gordas como elas. Mas também daquelas que, embora não estejam tão acima do peso, não exibem o tal corpão sarado e enxuto que parece ser quase uma exigência na atualidade. O discurso de Fabiana dá uma dica, porém, de que elas mesmas têm consciência de que ser gordo não é bom nem recomendável. Fabiana citou a saúde e eis o principal ponto: ninguém deve defender a obesidade. Cacau Protásio, por exemplo, está fazendo dieta e já perdeu 13 quilos para ficar mais saudável. Portanto, o gesto das cangas ao alto é bem claro e emblemático: saúde sim, discriminação não. É importante tentar emagrecer para viver melhor, mas sem exagero e sem a escravidão da malhação a qualquer custo. Que tenhamos um verão com praias cheias de banhistas felizes, com autoestima em alta, gordos ou magros. Como bem disse a Fabiana, "A tendência da estação é o amor próprio!".



03/02/2014 14h26

Delegada transsexual cuidará de atendimento às mulheres


O programa Mix Brasil, da rádio CBN, repercutiu no domingo 2/2 a notícia de que uma transsexual vai assumir uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, em Goiás. Motivo de comemoração para os que defendem a desejada igualdade de tratamento para todos, independentemente da opção sexual. Thiago de Castro Teixeira, responsável pela delegacia de Trindade (cidade a cerca de 20km de Goiânia), passou pela cirurgia de troca de sexo no fim do ano passado, na Tailândia, e volta ao trabalho como Laura. O trabalho de Thiago era avaliado como excelente na unidade e, claro, Laura deverá manter o mesmo nível de atuação. É a mesma pessoa, a mesma índole, a mesma determinação. Uma boa notícia em um momento oportuno, em que comenta-se a enorme repercussão do beijo de Niko e Félix na novela "Amor à Vida" e a forma positiva como os dois atores - Thiago Fragoso e Mateus Solano - ajudaram a construir os personagens criados por Walcyr Carrasco. Eles conseguiram, de certa forma, mudar o ponto de vista de pessoas que ainda eram afeitas ao preconceito e que viram os personagens com admiração, respeito e até carinho. É assim, a cada conquista, que devemos caminhar em direção a uma sociedade plural.



03/02/2014 13h50

Voluntários fazem sua parte na luta contra o analfabetismo de adultos

 


O Brasil está em oitavo lugar na lista dos países com maior número de adultos analfabetos no mundo. Triste e vergonhoso. Mas há iniciativas isoladas que tentam atenuar o problema e devem servir de inspiração para que outras pessoas ou instituições dediquem uma parte do tempo a esse tipo de atividade, tão importante para quem sonha com uma vida melhor. A Paróquia de Santa Mônica, na zona sul do Rio, tem uma equipe de 23 professoras voluntárias que ensinam adultos a ler e escrever. Um esforço admirável, cujos resultados certamente dão orgulho a todos os participantes. O método da Pastoral da Alfabetização de Adultos, sob direção do frei João José Ormazabal, é utilizado há mais de 40 anos.As aulas são ministradas todas as segundas, terças, quartas e quintas- feiras. Av. Ataulfo de Paiva, 527 - Leblon, Rio de Janeiro. 2512-8657



16/01/2014 18h59

Nada como juízes sensatos...até porque os outros são preocupantes

     Os recentes casos de juízes que dispensaram o uso de ternos por parte de advogados no estado do Rio de Janeiro lançam luz a uma discussão que nem deveria existir no meio jurídico. As roupas pesadas, inadequadas para o nosso clima, deveriam ser abolidas. E ponto. "A saúde é um direito de todos e isso deve ser preservado", disse o juiz João Batista Damasceno, da Comarca da Capital. É um argumento definitivo. "O traje não atrapalha o funcionamento da Justiça", completou. Em Mangaratiba, na Costa Verde, o juiz Marcelo Borges Barbosa fez o mesmo, para alívio dos advogados.

     No site da OAB, chama atenção a referência a "magistrados ritualistas" que não aprovam esse tipo de atitude e obrigam os advogados ao uso de terno sob pena de reprimenda. Em todos os meios há pessoas que agem de forma retrógrada e cabe aos profissionais de cada categoria unir a maioria em torno de reivindicações justas que atendam à qualidade de vida do grupo. Paletó e gravata, no Rio de Janeiro, soam como acinte em diversas circunstâncias. E a obrigatoriedade da vestimenta se deve, muitas vezes, ao antigo hábito de valorizar as pessoas pela aparência. Claro que um traje elegante faz diferença, por demonstrar o bom gosto e o cuidado da pessoa com si mesma - valores louváveis em qualquer carreira. Mas terno não é sinônimo de elegância. Dependendo da situação, o terno destoa tanto do ambiente e causa um desconforto tão grande e tão perceptível que acaba sendo até deselegante. O adequado, o conveniente, o coerente...podem ser bem mais atraentes do que uma roupa teoricamente refinada que, na verdade, deixa a pessoa suada, com aparência combalida e, ainda por cima, de mau humor (o que é inevitável quando o desconforto é grande).



13/01/2014 09h22

Visão lúcida sobre futebol de Paul Breitner pode inspirar mudanças na conduta das pessoas no dia a dia. Foco e estudo sempre

 Graças à internet, pude assistir, semana passada, a uma entrevista que Paul Breitner deu ao programa "Bola da Vez", da ESPN, em abril do ano passado. Deu gosto observar a visão lúcida do ex-craque alemão sobre o futebol atual. E, o principal, a sua maneira focada e sensata de observar o mundo do futebol pode ser transportada para outros aspectos da vida. Em primeiro lugar, Breitner assumia a preponderância do Barcelona no cenário mundial e, em vez de invejar ou arrumar falhas no adversário espanhol, o elogiou e disse se espelhar nele. Ele disse que o Bayern de Munique - time que o consagrou e no qual ele atua nos bastidores - estava se empenhando para em seis, sete meses, alcançar ou até ultrapassar o nível do rival. Isso se chama foco. Isso se chama estudo. Estamos em 2014 e ninguém tem dúvida de que tal previsão se confirmou. O lado bom da competitividade - quando ela é sadia - é premiar o público com grandes atuações.

  Breitner falou da importância da velocidade no futebol moderno e de como é fundamental fazer um trabalho sério, com um grupo fixo, para a obtenção de resultados positivos e duráveis. Isso se chama seriedade. Ele também comentou sobre a mudança na forma como o futebol deve ser administrado hoje: à frente dos clubes, é necessário ter uma postura não apenas de quem conhece o esporte, mas de quem sabe conduzir uma empresa, equilibrar finanças. O Bayern tem saúde financeira, está livre da interferência de sheiks e de megamilionários russos, e atrai uma massa de torcedores em todos os jogos - algo que vem se refletindo em toda a Bundesliga, disse Breitner. Quarenta por cento dos torcedores nos estádios já são de mulheres - o que deixa claro o cuidado com segurança. Ah,ele também falou da admiração pelo futebol brasileiro...do passado. E lamentou que o Brasil não esteja fazendo as mudanças necessárias para encantar o mundo como já fez um dia. A começar pelo gramado adotado no país, que impede o futebol moderno, mais ágil. Isso é um detalhe? É de detalhes que se fazem um belo conjunto. A entrevista foi uma bela lição de visão do mundo e de como é preciso estar sempre antenado nas novas realidades. E ter capacidade de estudar novos modelos. E de mudar.



07/01/2014 08h42

Caso de jovem em coma há 16 anos por causa de ralo de piscina mostra inércia das autoridades

 

A morte de duas crianças depois de acidentes em ralos de piscinas expõe uma face cruel do nosso país: a inércia do poder público, geralmente incapaz de extrair lições de episódios trágicos, modificar leis e tomar medidas eficazes de prevenção. Imagino a reação de Odele Souza ao ler as notícias sobre mais dois casos de crianças presas pela forte sucção dos ralos. Ela é mãe de Flávia, que em 1998, aos 10 anos de idade, teve os cabelos presos em um ralo em circunstâncias semelhantes. Desde então, Flávia está em coma, crescendo sobre uma cama, sem chance de uma vida normal. Odele propôs um projeto de lei sobre segurança em piscinas, a partir da orientação obtida com especialistas, e apresentou a proposta em 2011, mas, até agora, nada... A cada caso similar, renovam-se a sensação de impotência e a revolta pela falta de interesse das autoridades em evitar futuros acidentes. Certamente, haverá novas vítimas. E ocorrerão as mesmas discussões e divagações de empresários e políticos acerca do tema, apenas para aparentar interesse enquanto a imprensa dá destaque ao fato. Depois, quando a atenção da mídia se volta para outros assuntos, todos apagam os ralos e as piscinas da memória. E a vida segue.  Até quando?



03/01/2014 17h09

Quem daria uma parte de um prêmio a um colega?

Os funcionários do Hospital Municipal Waldemar Ferreira, em Teofilândia (BA), têm a chance de praticar um gesto nobre logo no começo do ano - após serem laureados com uma parte do prêmio da mega-sena. O bolão teve 22 vencedores, mas o 23º - que participaria do rateio - não entrou no grupo porque viajou.  Dos 22 apostadores, quatro pagaram R$ 10 e devem ficar com R$ 4,3 milhões cada; e os outros 18 contribuíram com R$ 5 e ficarão com R$ 2,160 milhões. Se cada vencedor do grupo mais rico der R$ 100 mil e os outros contribuírem com R$ 50 mil cada, o colega que viajou receberá R$ 1,3 milhão.Uma boa bolada para quem vive a amargura de ter perdido tamanha chance. Bem que todos poderiam bater o martelo no sentido de oferecer a contribuição. Diante de quantias tão polpudas, não faria falta. E a gratidão seria eterna. Nada como o sentimento de altruísmo e as boas vibrações para um início de ano promissor.



01/01/2014 15h01

Qualquer dia é dia, qualquer hora é hora... para ser feliz


O começo de um novo ano traz sempre a expectativa de mudanças relevantes que possam tornar a vida mais leve, produtiva, com resultados positivos para todos. Por isso, é triste ver que muitas pessoas estão passando esse período envolvidas em dramas e tragédias que impossibilitam qualquer planejamento. Não que as melhorias não possam ser feitas em outros momentos. Claro que podem. E devem. O nosso calendário é um marco arbitrário que, inclusive, surgiu da vaidade de um imperador romano: Júlio César, de onde temos o nome do mês de "julho". Mas, na prática, a virada de um ano pode surtir um bom efeito psicológico para a tomada de iniciativas que estavam adormecidas. O calendário, nesse aspecto, pode ser um forte aliado. E é uma pena quando fatalidades ocorrem justamente na época em que tanta gente vive a perspectiva de encerrar uma etapa e dar início à outra, com mais segurança e serenidade. Torço para que todos que hoje vivem momentos de angústia - por acidentes, doenças, perdas - possam, em breve, recomeçar suas trajetórias como se um outro dia qualquer do ano fosse primeiro de janeiro. É só lembrar que, para ser feliz, qualquer dia é dia, qualquer hora é hora.



31/12/2013 15h11

As mensagens do Natal e do Papai Noel se mantêm na era da internet

 

O Natal acabou, a expectativa agora é pela chegada de 2014, mas as árvores natalinas continuam montadas e acesas até 6 de janeiro. Trazem uma mensagem de paz e união que extrapola qualquer sentido religioso e que deveria ser festejada - e muitas vezes é - até mesmo por pessoas de outras crenças. Nada mais antipático do que uma pessoa que nega o Natal, com cara de má vontade, por seguir outra doutrina. E em meio à tradição sobrevive a figura folclórica de Papai Noel - que não é da nossa cultura original, mas que foi abraçado com fervor por crianças e até adultos. Apenas os mais radicais fazem alarde contra papai noel por ser um estrangeiro que usa roupas inadequadas para nosso clima. Papai Noel está acima disso. Tem uma beleza própria, preservada por quem é apaixonado por esse tipo de personagem. É o caso de Hélio Araújo, assessor de uma escolinha de papai noel, que forma gratuitamente os bons velhinhos que distraem as crianças por toda parte. Ele acaba de lançar um livro - "Histórias do Papai Noel" - e acredita que, mesmo na era da internet, o mito sobreviverá.

"Para escrever o livro, fiz algumas pesquisas na internet e, ao digitar a palavra ‘Papai Noel’, encontrei a incrível marca de 1.950.000 resultados para minha busca. Ou seja, o Bom Velhinho também caiu na rede, o que me leva a crer que o mito, a magia e o encantamento do Papai Noel vão continuar preservados e disseminados por essa garotada", disse Hélio. Que a mensagem de paz seja a tônica de 2014 - até o próximo Natal. Aí será hora de vivenciar tudo isso de novo.

 



28/12/2013 19h18

É muito triste constatar acordos de associações de moradores com políticos oportunistas

Em recente visita a uma área de coleta de donativos para uma comunidade pobre do subúrbio do Rio de Janeiro, na qual muitos moradores perderam tudo com a enchente deste mês, tive a lamentável constatação de que representantes da associação de moradores já se uniram a um político visando às próximas eleições. A velha equação do clientelismo não foi nem disfarçada. "Já fizemos um acordo e, se ele resolver os nossos problemas aqui, a comunidade inteira vai votar nele",disse. Entenda-se por solução de problemas, neste caso, uma ou outra providência mais imediata que, com certeza, não resolverá as graves deficiências da área, onde casas construídas ilegalmente, sem projeto e à beira de um rio, não apenas põem em perigo os próprios moradores como degradam o ambiente, causando danos a toda a cidade - numa soma de obras irregulares que se espalham por todo o Rio de Janeiro.Ainda lancei dois ou três argumentos, mas não havia maneira de mudar seu ponto de vista.Ao redor do posto de coleta, crianças de todas as idades corriam, brincavam, andavam pelas ruas. E, mais uma vez, me veio à mente uma antiga inquietação: a falta de controle de natalidade em nosso país. Mulheres que não têm condições de cuidar de si mesmas têm cinco, seis, dez filhos. O velho pretexto da falta de orientação ainda é usado. Mas até mesmo as pessoas mais pobres têm, com frequência, acesso à informação. Nem que seja pela tv e pelo rádio. Algumas desculpas que vingavam em tempos antigos já não colam mais. O governo, por sua vez, não toma nenhuma medida para evitar que tanta gente nasça em ambientes miseráveis. Pobreza, moradias em áreas de risco, filhos e mais filhos, negociação com políticos oportunistas, falta de uma ação pensada de forma inteligente pelas autoridades, ambiente propício ao avanço da criminalidade - muitas vezes também associada à política. Eis uma soma explosiva que é o retrato da nossa tragédia.



23/12/2013 11h16

Uma dose de respeito ajudaria os parentes dos passageiros da Viação Penha

A notícia de um grave acidente de ônibus envolvendo parentes já é, por si só, motivo de desespero. Quando a isso se junta a falta de respeito da empresa responsável pela linha, a situação se torna insustentável. Foi o que aconteceu com as famílias dos passageiros do ônibus que saiu de Curitiba para o Rio de Janeiro e caiu numa ribanceira da rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo. Foram horas de espera por informações. As pessoas se queixaram de falta de atenção, de orientação, até de um espaço digno para aguardar as notícias. É nessas horas que vemos claramente a linha que separa fatalidade e frieza. A empresa pode alegar que o acidente foi uma fatalidade. Mas não há defesa contra a insensibilidade no trato de pessoas desesperadas com a possível perda de uma mãe, um pai, um irmão. Ainda que houvesse dúvidas sobre a identificação das vítimas, pois os passageiros certamente foram socorridos apenas com a roupa do corpo, a empresa deveria dar o maior número possível de informações, com clareza, expondo, inclusive, as dificuldades, para que os parentes percebessem que havia ali, pelo menos, o interesse em esclarecer os fatos. Mas, de acordo com entrevistas dadas pelas famílias, a empresa chegou ao disparate de fornecer números de telefone para que as próprias pessoas ligassem em busca de informações! Inadmissível. Com a expansão das redes sociais, a Viação Penha deveria perceber o risco que corre em agir de tal forma. Hoje em dia, repercussões negativas ganham dimensões estratosféricas. E um bom boicote pode ajudar a combater esse tipo de arrogância. Cada vez mais, é preciso saber conquistar os clientes - em vez de afastá-los com atitudes que oscilam entre a indiferença e o desprezo.


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