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Mônica Bernardes

Mônica Bernardes

Formada em Jornalismo pela UFRJ, fez estágio no Jornal dos Sports e trabalhou na Rádio Tupi antes de ingressar, em 1986, nas Organizações Globo. Depois de 9 anos como repórter de "O Globo", foi para a "TV Globo", na qual permanece até hoje. É uma das editoras do projeto "Parceiro do RJ", do "RJ TV Primeira Edição". Também é autora do livro "Sou Feliz, Acredite!", em parceria com Mauro Tertuliano. Livro conta histórias de superação e foi finalista do Prêmio Jabuti 2011 na categoria Reportagem.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



20/07/2014 20h53

Não dá pra viver de história


Tradicionalmente, as pessoas diziam que o Brasil era o país do futebol e os Estados Unidos não tinham qualquer vocação para este esporte. Reportagem recente mostrou que, em Seattle, o estádio do Sounders atrai mais de 40 mil torcedores por jogo. No Brasil, o Corinthians, que está no topo da lista de público, não chega nem a 30 mil. E a média entre os clubes é de 14 mil. Isso é mais um item na lista de informações que mostram uma mudança no cenário. Ninguém deve viver de passado, de discurso engessado. É preciso sempre olhar pra frente,sem menosprezar os outros e se empenhando para evoluir. É uma lição também deixada pela Costa Rica nesta Copa do Mundo - a grande surpresa, desprezada por todos, e depois reconhecida. O Brasil ficou à frente dos Estados Unidos, ficou em melhor colocação que a Costa Rica. Portanto, não se trata do resultado em si. Mas o contexto em que tudo se passou...A Costa Rica sai como uma grata surpresa. Os Estados Unidos como melhores do que se poderia supor. E o Brasil abaixo de todas as expectativas. Sinal de que é fundamental observar o ambiente em que os fatos ocorrem, não simplesmente se apoiar no imediatismo de um ranking e muito menos na história de uma trajetória.  


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13/06/2014 15h43

O problema não é a crítica ponderada. Mas a baba...o veneno na boca, o prazer de falar mal dos outros

Esta sexta-feira tem sido de muitas críticas à seleção brasileira - especialmente ao jogador Marcelo, por ter feito um gol contra - e à festa de abertura da Copa do Mundo, com farpas mais afiadas à cantora Cláudia Leitte, comparada nas redes sociais à Galinha Pintadinha. A imagem de Cláudia numa posição que facilita a associação à galinha é até divertida e creio que a cantora deveria encarar de forma esportiva esse tipo de gozação. O pior, nessas horas, seria fazer-se de vítima. Já Marcelo deixou claro que tentou manter a calma, apesar do erro, para não comprometer o seu desempenho no restante da partida. Ele até apareceu vestindo uma camisa croata depois do jogo. Todos são passíveis de erro e certas críticas ácidas que estão sendo disparadas contra o lateral brasileiro - algumas até ironicamente em forma de elogio - só demonstram a irritação das pessoas ao verem o sucesso alheio. Adoram apontar falhas, se realizam falando mal das pessoas. O problema não é a crítica bem fundamentada, feita de forma ponderada - que acaba sendo construtiva. O problema é o veneno na boca, é a baba. Tem muita gente que adora ver os defeitos dos outros por uma simples razão:  estão de mal com elas mesmas.  Marcelo pode ter errado, mas é excelente jogador e participa de uma seleção que atua em seu país, numa Copa que tem um significado especial.É um jogador prestigiado no exterior, onde atua de forma convincente. Cláudia Leitte pode ser criticada por uma parte do público, mas é aplaudida por outra. Tem uma carreira sólida, uma legião de fãs, uma boa voz e era ela - não outra pessoa - que dividia o palco com a estrela internacional Jennifer Lopez e o rapper Pitbull. Cláudia ocupou um espaço privilegiado - e isso incomoda... A festa pode não ter sido o que muitos imaginavam, mas levou nosso folclore, nossa dança, números ensaiados por milhares de pessoas que participaram da abertura com colorido e alegria. Em vez de destilar queixas e mais queixas contra tudo e todos, que tal uma dose de admiração por algo, por alguém, por uma fração que seja do espetáculo? Que tal ficar um dia sem falar mal de alguém com tanto prazer na alma? Que tal ver o lado bom, elogiar um detalhe, um aspecto de alguma coisa que tenha algum valor? Pode ser uma experiência enriquecedora. Quem sabe  vira um hábito?



12/06/2014 15h28

A hora é de ser cordial, educado, festivo...protestos ficam para depois


A Copa do Mundo finalmente começou e nada mais inoportuno do que manifestações em defesa de causas particulares que prejudicam a imagem da festa e contrastam com a boa acolhida dos brasileiros a estrangeiros em nosso país. Ainda pior quando vemos que profissionais da imprensa se feriram nos protestos, como as jornalistas da CNN. A dimensão das manifestações está bem menor do que se temia - e assim deve ser , diante da esmagadora maioria que se veste de verde e amarelo e oferece à seleção brasileira o respeito pela instituição cultural, social e histórica que ela representa. A hora de reclamar de governo, de corrupção e de falta de investimentos em setores essenciais da sociedade não é agora, quando milhares de visitantes estão em nosso país e merecem a nossa cordialidade e a nossa boa educação. Não brigamos com parentes quando recebemos visita em nossa casa. Aliás, um bom momento para demonstrar insatisfação e tentar mudar a realidade é nas eleições de outubro. De nada adianta fazer cena agora, durante uma festa que tem tudo para ser historicamente bela, e depois eleger gente desonesta para funções de poder em nosso país. A hora agora é de usufruir da festa e mostrar aos estrangeiros que podemos, sim, fazer uma bela celebração - e, detalhe, isso independe do resultado dos jogos. Brasil ganhando ou não, temos o dever de acolher bem os visitantes, valorizar o turismo em nosso território e demonstrar competência para um evento de tamanho porte. 



14/05/2014 21h45

O oportunismo das greves às vésperas da Copa só não é pior do que a truculência dos grevistas

 

A imagem caricata do motorista de ônibus disfarçado com óculos de brinquedo e uma barba postiça - divulgada pela imprensa em reportagens sobre a greve dos rodoviários no Rio - é reflexo do ponto a que chegamos numa sociedade em que as pessoas têm medo de agir com liberdade. O motorista queria trabalhar, não concordava com a paralisação. Mas precisou se esconder por medo de ser reconhecido - e sofrer retaliação por parte dos piqueteiros. A enorme quantidade de ônibus depredados é um retrato fiel da falência moral desse tipo de movimento. Deveria haver uma reação mais incisiva das autoridades contra vândalos, independentemente da bandeira que eles defendam. O direito à greve é garantido por lei, mas dentro de normas específicas (um percentual máximo de adesão, nos casos de serviços essenciais) e, obviamente, sem violência.

A proximidade da Copa está levando diversas categorias a aproveitarem o momento para interromper as atividades. Poderiam até protestar contra a realização do Mundial no Brasil, mas deveriam torcer - e agir - para que, pelo menos, tudo se realize de maneira tranquila e eficaz - já que não tem volta. A hora de reagir contra a escolha do Brasil como sede da Copa já passou há muito tempo. Quem só se manifesta agora - mais do que agir com oportunismo - faz uma espécie de chantagem. E das piores. É gente que diz nas entrelinhas: "Ou você me dá o que quero ou esse Mundial vai ser um fiasco". O momento, porém, é de fazer bonito diante de tantos visitantes que virão para cá. Trata-se da imagem do país perante o mundo. E todos nós fazemos parte desse Brasil. Devemos ser cordiais e tratar os turistas com respeito e acolhimento. Devemos transformar a Copa num sucesso. Do contrário, além da imagem de incompetência (flagrante no atraso das obras...) e de corrupção (também já tristemente difundida) passaremos a impressão de que somos mal educados e rudes. Ou será que, no fundo, é assim mesmo?



12/05/2014 12h50

Profissionais de educação: ida ao encontro no STF é necessária

 

Vivemos numa sociedade em que muitos profissionais não obtêm o reconhecimento merecido e recebem salários bem inferiores ao que deveriam. É o caso dos professores. Mas o apoio à classe não deve ser irrestrito e indiscutível. É necessário ter equilíbrio na defesa - ou não - de uma categoria responsável pela formação de nossos jovens. Quando o sindicato dos profissionais de educação se recusa a participar de uma reunião com o Supremo Tribunal Federal para discussão da crise, é preciso que o motivo seja muito forte e aceitável. Não é o caso. O sindicato se recusa a ir ao encontro amanhã porque supostamente não teve tempo de avaliar a pauta de reivindicações. No entanto, houve tempo suficiente para que essas mesmas solicitações fossem avaliadas para a decisão de que a greve começaria hoje. Ou seja, o sindicato sabe exatamente o que quer na hora de decretar a paralisação. Para já! Nem pestanejou. Mas precisa de mais "tempo" para se preparar para o encontro com o STF! Por que? A pauta que definiu a greve não é a mesma que vai nortear a conversa com o Judiciário? Fica uma péssima impressão. Com certeza, a maioria dos professores, que têm noção do seu papel na educação de uma geração inteira, não concorda com esse tipo de postura. E fica envergonhada.


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05/05/2014 12h37

Os alemães levaram surra em casa e se comportaram bem. Quanta diferença!

Depois de dez dias na Europa, acompanhando meu marido na cobertura das semifinais da Liga dos Campeões, sem que houvesse um só episódio de violência, chego ao Brasil com a notícia do torcedor morto ao ser atingido por um vaso sanitário. Uma morte estúpida e que beira uma caricatura, pelos detalhes sórdidos.  Mais uma vez, tenho a triste sensação de que a nossa aparência coletiva de povo simpático e festivo tende a cair por terra, com o passar do tempo, a partir de sucessivos casos de crueldade - que acabam repercutindo no exterior. A diferença é gritante. Mesmo perdendo em casa por 4 a 0, os torcedores do Bayern de Munique não causaram depredação nem agrediram rivais nas ruas. Isso numa Liga que movimenta interesses gigantescos e que conta com uma relevância fenomenal no futebol da atualidade. Aqui, um mero jogo entre dois times simplórios é capaz de culminar num episódio trágico e vergonhoso. E não é somente no futebol. Mal botei os pés no Rio de Janeiro - cidade em que nasci e cuja degradação vejo diariamente com tristeza no coração - enfrentei um enorme engarrafamento porque um policial havia sido morto na Linha Amarela. O rádio do táxi estava ligado e as notícias... um retrato da nossa decadência. A constatação era inevitável. Eu havia voltado ao faroeste, à cidade sem lei, repleta de bandidos e corruptos que infestam a nossa sociedade, incapaz de mudar a própria realidade. É de doer. Somente quem tem a oportunidade de sair do Brasil e visitar países desenvolvidos pode ter a noção do nosso atraso e da nossa calamidade. Todas as vezes em que viajo para países em que a lei e a ordem prevalecem - onde os serviços funcionam, onde as pessoas têm educação e onde atos perversos são exceção e não a regra - volto com uma sensação frustrante de que é muito difícil alimentar um orgulho de fazer parte desta nação. Com o tempo, convivendo com brasileiros de bem, que felizmente são muitos por aqui, a decepção vai diminuindo e o sentimento positivo aflora. Até que chega a próxima notícia terrível, que acontece logo ali na esquina. Tá difícil. Para as pessoas que defendem o Brasil a qualquer custo e não admitem críticas, apenas uma ressalva: reconhecer as próprias fragilidades é o primeiro passo para mudar - e exigir mudança. O Brasil precisa de uma transformação, sim. E de nada adianta apenas elogiar as qualidades do país, fazendo vista grossa para nossas graves falhas - que incluem uma medonha falta de valor moral em diversos níveis. A educação deveria ser o passo principal. Mas...quantas gerações serão necessárias para termos uma sociedade melhor?  Uma questão para pensar: na Alemanha, as catracas do metrô são abertas. Eventualmente pode haver um fiscal dentro dos vagões, mas, em geral, as pessoas pagam as passagens por consciência da importância de agir corretamente. Um país rico, que oferece ótimos serviços, onde a população reage com respeito à ordem. Quantas pessoas pagariam a passagem no Brasil se não houvesse controle nas catracas? Quantas gastariam dinheiro espontaneamente pelo transporte se tivessem a chance de viajar de graça? Isso é o valor moral ao qual me refiro. As autoridades e as instituições que prestam serviço no Brasil estão longe de funcionar bem. Mas a contrapartida do povo também é triste de ver: o hábito da esperteza, da malandragem, de tirar vantagem a qualquer preço.  A corrupção prevalece porque, além dos corruptos, há os corruptores. O tráfico prospera porque, além dos vendedores, há compradores. Temos autoridades que dão nojo porque, no dia a dia, muita gente que não preza pela cidadania age exatamente como elas. É aquele ditado... Deus nos deu uma bela natureza, lindas paisagens, clima privilegiado, mas...É, nada é perfeito.


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10/04/2014 07h54

Marília Pera: a criatividade não pode ser tolhida

Em entrevista reprisada pelo Canal Viva, a atriz Marília Pera fez uma curiosa observação que se aplica a diversos tipos de profissão na relação de empregados com chefes. Ela disse que adora obedecer, mas também tem necessidade de ter liberdade para algum grau de criação. E disse que na televisão, hoje, os atores apenas obedecem, obedecem, obedecem. Uma das maiores frustrações para qualquer profissional, em qualquer setor, é sentir-se como marionete. Pessoas que lidam com a comunicação com o público - envolvendo sensibilidade,empatia, paralelamente à formação de opinião -  têm na criatividade um dos suportes mais valiosos para a autorrealização. E é aí que entra a segurança de quem tem o poder sobre o profissional que executa a tarefa. Apenas as pessoas seguras de si dão espaço para que os subordinados criem, inventem, participem do processo de construção do trabalho. Ao se referir à sua atividade, especificamente, Marília tocou em um ponto nevrálgico para trabalhadores de vários segmentos, que se sentem tolhidos e que são tratados como máquinas treinadas apenas para cumprir funções sem emitir juízo de valor e sem ter direito a senso crítico. Nada mais desestimulante para o empregado. Nada mais tolo para o patrão. O resultado é sempre melhor quando há uma integração e um respeito mútuo por ideias e pontos de vista.


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14/03/2014 19h51

Histórias emocionantes de vida (longa ou curta). Ambas eternas e inspiradoras

 

Duas fotos divulgadas pela internet esta semana - uma mostrando trigêmeos ainda bebês e a outra, os mesmos irmãos aos 81 anos de idade - emocionaram não apenas pela preservação do laço familiar até a velhice, mas por lermos que, logo após nascerem, os trigêmeos haviam sido apontados por médicos como crianças com baixíssima chance de sobrevivência - por terem bem menos que o peso aconselhável. Imagino o quanto esse tipo de declaração deva ter causado sofrimento à família. Mas, certamente, quem cuidou dos bebês teve a persistência e a fé (humana, não necessariamente religiosa) suficientes para transmitir uma energia positiva e agraciar as crianças com uma maior probabilidade de superar as dificuldades. O resultado é a união dos irmãos, já na casa dos 80 anos.
O oposto aconteceu com o bebê Zion, caso também divulgado na internet recentemente. Ele morreu aos dez dias de vida. E o fato, por si só, já seria dramático o suficiente para limitar a sua existência a uma choradeira sem fim da família. Mas os pais Josh e Robbyn souberam inverter o jogo. Não o da vida, pois este não depende de ninguém.  Mas o jogo da forma como a vida é encarada, aí sim a cargo de cada um. A notícia de que o bebê tinha uma anomalia genética fatal foi dada ainda durante a gravidez. E o casal se preparou para o pior com a consciência de que, enquanto o bebê vivesse, deveria ser motivo de alegria. O resultado: fotos e mais fotos do bebê com os parentes sorridentes. Uma lembrança feliz dentro do cenário de tristeza. É o "infinito enquanto dure" do qual falou Vinícius de Moraes e no qual todos deveriam se inspirar para viver um dia de cada vez.


 



15/02/2014 13h22

Não cabe mais ingenuidade em nossa sociedade. Nem duas caras

No filme "As Duas Faces de um Crime", um advogado (Richard Gere) defende, sem cobrar honorários, um rapaz acusado de um crime. O objetivo é marketing pessoal com a ampla cobertura da mídia, já que o caso é rumoroso. A tese é de que o rapaz, com fisionomia angelical, se transformaria em alguém perigoso durante surtos de mudança de personalidade. O jovem (Edward Norton) convence o próprio advogado de que, em sã consciência, jamais cometeria tal crime. O público é levado a acreditar nessa versão. O réu é absolvido. Só então ele se revela, numa cena antológica pelo cinismo. O rostinho de infeliz era estratégia. Ele tinha plena consciência de seus atos. Numa sociedade em que advogados buscam notoriedade e jovens capazes de matar se fazem de vítimas manipuladas por poderosos, o filme dá um tapa na cara de quem cai nessa armadilha. Para muitos criminosos, não há nem necessidade de apelar para uma suposta dupla personalidade. Basta demonstrar uma aparente ingenuidade, que eximiria qualquer um de culpa. Tem muita gente com pena do Caio. Mas vejam as imagens em que ele, ainda sem ser acusado de nada, participa de manifestações. E pensem duas vezes. Não podemos afirmar categoricamente nada sobre ele. Mas podemos refletir com cautela e senso crítico. Em nossa sociedade atual,não cabe ingenuidade. Até as crianças já têm informação bem mais farta do que na geração anterior. Que dirá a juventude? Respeito, acima de tudo, pela vítima. Um homem incapaz de lançar um rojão numa multidão para, mais tarde, alegar inocência.



12/02/2014 09h44

Autoridades no Brasil sempre precisam de uma vítima-símbolo antes de tomar providências

Certa vez, vendo uma cobertura sobre "manifestações", meu pai demonstrou indignação com a falta de uma ação mais eficaz contra os vândalos, ou melhor, os bandidos. Para ele, todos que depredavam o patrimônio e que lançavam explosivos, expondo as pessoas ao risco, tinham que ser presos e processados. Tinham que ser retirados das ruas e mantidos em cadeias. Afinal, manifestação não é isso. Liberdade... de expressão não é isso. Na ocasião, comentei: "Estão esperando morrer alguém". Fiz um desabafo porque tudo neste país depende da existência de uma vítima-símbolo. Os criminosos que mataram o Santiago já tinham antecedentes por participação em badernas e atos truculentos. Estavam soltos porque as autoridades são omissas. E porque muitas instituições, que deveriam cobrar de maneira incisiva, têm receio de serem acusadas de não preservar os direitos dos "manifestantes". Direitos, sim. Mas com respeito, antes de mais nada, às vidas dos outros. Agora temos um morto. E vem o discurso: "Que a morte dele não seja em vão". Espero que não seja mesmo, mas é dolorosa a sensação de que a nossa cultura é a cultura do sacrifício. Alguém tem que sucumbir para que todos abram os olhos para a realidade. E decidam endurecer o jogo.


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08/02/2014 08h51

Sucesso das cangas ao alto de atrizes gordas expõe "tendência neste verão": o amor próprio


As fotos das atrizes Cacau Protásio, Fabiana Karla, Mariana Xavier e Simone Gutierrez na praia, de biquinis ou maiôs, está fazendo sucesso nas redes sociais. Todas são gordas e jogaram as cangas para o alto, numa espécie de manifesto contra a discriminação. Estão cansadas das propagandas que alardeiam a necessidade de um corpo perfeito no verão.  Fabiana deixou clara a mensagem do grupo: "Não é a gente que tem que ser gostosa pro verão, é o verão que tem que ser gostoso pra gente! Saúde sim, neurose não". A atitude das quatro atrizes atrai a simpatia não apenas das mulheres que são gordas como elas. Mas também daquelas que, embora não estejam tão acima do peso, não exibem o tal corpão sarado e enxuto que parece ser quase uma exigência na atualidade. O discurso de Fabiana dá uma dica, porém, de que elas mesmas têm consciência de que ser gordo não é bom nem recomendável. Fabiana citou a saúde e eis o principal ponto: ninguém deve defender a obesidade. Cacau Protásio, por exemplo, está fazendo dieta e já perdeu 13 quilos para ficar mais saudável. Portanto, o gesto das cangas ao alto é bem claro e emblemático: saúde sim, discriminação não. É importante tentar emagrecer para viver melhor, mas sem exagero e sem a escravidão da malhação a qualquer custo. Que tenhamos um verão com praias cheias de banhistas felizes, com autoestima em alta, gordos ou magros. Como bem disse a Fabiana, "A tendência da estação é o amor próprio!".



03/02/2014 14h26

Delegada transsexual cuidará de atendimento às mulheres


O programa Mix Brasil, da rádio CBN, repercutiu no domingo 2/2 a notícia de que uma transsexual vai assumir uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, em Goiás. Motivo de comemoração para os que defendem a desejada igualdade de tratamento para todos, independentemente da opção sexual. Thiago de Castro Teixeira, responsável pela delegacia de Trindade (cidade a cerca de 20km de Goiânia), passou pela cirurgia de troca de sexo no fim do ano passado, na Tailândia, e volta ao trabalho como Laura. O trabalho de Thiago era avaliado como excelente na unidade e, claro, Laura deverá manter o mesmo nível de atuação. É a mesma pessoa, a mesma índole, a mesma determinação. Uma boa notícia em um momento oportuno, em que comenta-se a enorme repercussão do beijo de Niko e Félix na novela "Amor à Vida" e a forma positiva como os dois atores - Thiago Fragoso e Mateus Solano - ajudaram a construir os personagens criados por Walcyr Carrasco. Eles conseguiram, de certa forma, mudar o ponto de vista de pessoas que ainda eram afeitas ao preconceito e que viram os personagens com admiração, respeito e até carinho. É assim, a cada conquista, que devemos caminhar em direção a uma sociedade plural.



03/02/2014 13h50

Voluntários fazem sua parte na luta contra o analfabetismo de adultos

 


O Brasil está em oitavo lugar na lista dos países com maior número de adultos analfabetos no mundo. Triste e vergonhoso. Mas há iniciativas isoladas que tentam atenuar o problema e devem servir de inspiração para que outras pessoas ou instituições dediquem uma parte do tempo a esse tipo de atividade, tão importante para quem sonha com uma vida melhor. A Paróquia de Santa Mônica, na zona sul do Rio, tem uma equipe de 23 professoras voluntárias que ensinam adultos a ler e escrever. Um esforço admirável, cujos resultados certamente dão orgulho a todos os participantes. O método da Pastoral da Alfabetização de Adultos, sob direção do frei João José Ormazabal, é utilizado há mais de 40 anos.As aulas são ministradas todas as segundas, terças, quartas e quintas- feiras. Av. Ataulfo de Paiva, 527 - Leblon, Rio de Janeiro. 2512-8657



16/01/2014 18h59

Nada como juízes sensatos...até porque os outros são preocupantes

     Os recentes casos de juízes que dispensaram o uso de ternos por parte de advogados no estado do Rio de Janeiro lançam luz a uma discussão que nem deveria existir no meio jurídico. As roupas pesadas, inadequadas para o nosso clima, deveriam ser abolidas. E ponto. "A saúde é um direito de todos e isso deve ser preservado", disse o juiz João Batista Damasceno, da Comarca da Capital. É um argumento definitivo. "O traje não atrapalha o funcionamento da Justiça", completou. Em Mangaratiba, na Costa Verde, o juiz Marcelo Borges Barbosa fez o mesmo, para alívio dos advogados.

     No site da OAB, chama atenção a referência a "magistrados ritualistas" que não aprovam esse tipo de atitude e obrigam os advogados ao uso de terno sob pena de reprimenda. Em todos os meios há pessoas que agem de forma retrógrada e cabe aos profissionais de cada categoria unir a maioria em torno de reivindicações justas que atendam à qualidade de vida do grupo. Paletó e gravata, no Rio de Janeiro, soam como acinte em diversas circunstâncias. E a obrigatoriedade da vestimenta se deve, muitas vezes, ao antigo hábito de valorizar as pessoas pela aparência. Claro que um traje elegante faz diferença, por demonstrar o bom gosto e o cuidado da pessoa com si mesma - valores louváveis em qualquer carreira. Mas terno não é sinônimo de elegância. Dependendo da situação, o terno destoa tanto do ambiente e causa um desconforto tão grande e tão perceptível que acaba sendo até deselegante. O adequado, o conveniente, o coerente...podem ser bem mais atraentes do que uma roupa teoricamente refinada que, na verdade, deixa a pessoa suada, com aparência combalida e, ainda por cima, de mau humor (o que é inevitável quando o desconforto é grande).



13/01/2014 09h22

Visão lúcida sobre futebol de Paul Breitner pode inspirar mudanças na conduta das pessoas no dia a dia. Foco e estudo sempre

 Graças à internet, pude assistir, semana passada, a uma entrevista que Paul Breitner deu ao programa "Bola da Vez", da ESPN, em abril do ano passado. Deu gosto observar a visão lúcida do ex-craque alemão sobre o futebol atual. E, o principal, a sua maneira focada e sensata de observar o mundo do futebol pode ser transportada para outros aspectos da vida. Em primeiro lugar, Breitner assumia a preponderância do Barcelona no cenário mundial e, em vez de invejar ou arrumar falhas no adversário espanhol, o elogiou e disse se espelhar nele. Ele disse que o Bayern de Munique - time que o consagrou e no qual ele atua nos bastidores - estava se empenhando para em seis, sete meses, alcançar ou até ultrapassar o nível do rival. Isso se chama foco. Isso se chama estudo. Estamos em 2014 e ninguém tem dúvida de que tal previsão se confirmou. O lado bom da competitividade - quando ela é sadia - é premiar o público com grandes atuações.

  Breitner falou da importância da velocidade no futebol moderno e de como é fundamental fazer um trabalho sério, com um grupo fixo, para a obtenção de resultados positivos e duráveis. Isso se chama seriedade. Ele também comentou sobre a mudança na forma como o futebol deve ser administrado hoje: à frente dos clubes, é necessário ter uma postura não apenas de quem conhece o esporte, mas de quem sabe conduzir uma empresa, equilibrar finanças. O Bayern tem saúde financeira, está livre da interferência de sheiks e de megamilionários russos, e atrai uma massa de torcedores em todos os jogos - algo que vem se refletindo em toda a Bundesliga, disse Breitner. Quarenta por cento dos torcedores nos estádios já são de mulheres - o que deixa claro o cuidado com segurança. Ah,ele também falou da admiração pelo futebol brasileiro...do passado. E lamentou que o Brasil não esteja fazendo as mudanças necessárias para encantar o mundo como já fez um dia. A começar pelo gramado adotado no país, que impede o futebol moderno, mais ágil. Isso é um detalhe? É de detalhes que se fazem um belo conjunto. A entrevista foi uma bela lição de visão do mundo e de como é preciso estar sempre antenado nas novas realidades. E ter capacidade de estudar novos modelos. E de mudar.