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Maria Apparecida

Maria Apparecida

Historiadora, escritora e decoradora, é considerada uma das mais respeitadas autoridades do Carnaval de São Paulo. Há 35 anos começou a se interessar pelo samba, em que desenvolveu vários projetos. Entrou para a história ao se tornar a primeira carnavalesca da folia paulistana.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



21/07/2014 01h19

José Luiz de Oliveira, o Zelão
Maria Apparecida Urbano

José Luiz de Oliveira, o Zelão, começou sua trajetória de sambista ainda criança, brincando nas escolas de samba, sendo um dos mais antigos conhecedores do Carnaval de São Paulo nas últimas cinco décadas, desde a avenida São João, passando pela Tiradentes até a construção do Sambódromo.

Zelão. Foto: Divulgação

Pertencia ao Camisa Verde e Branco, onde foi diretor de harmonia na época de ouro da agremiação, tendo conquistado vários títulos e feito muitas inovações, melhorando o desempenho da escola.

O Carnaval exige também muita engenharia para a montagem dos desfiles. Esse trabalho, em grande parte, era realizado pelo engenheiro Zelão, que devido a sua capacidade, chegou a ser diretor de infra estrutura da Liga das Escolas de Samba.

Era dono de várias manias curiosas, entre elas, não passar em catracas. Também era avesso ao uso de camisetas e crachás de identificação, dizia "eu só visto camisa, mas não a uso" e assim circulava pelo sambódromo nos desfiles. Utilizava muitas tiradas e jargões próprios, como chamar certos carros alegóricos de carros cenográficos, o que na realidade pode-se classificar de muito certo.

Sambódromo do Anhembi. Foto: Ilustração

Profundo conhecedor de toda estrutura e dos bastidores, tinha o sambódromo mapeado na cabeça e o conhecia como a palma da sua mão. Era dedicado à causa de todos os pavilhões e trabalhava nos bastidores com afinco para tudo dar certo.

Zelão nos deixou no dia 21 de novembro de 2012, ficando o seu legado de amor e dedicação ao Carnaval. Foi um excelente sambista, um grande amigo, que vai ficar na memória de todas as agremiações nos desfiles no Sambódromo.

Se o Carnaval paulistano chegou a essa magnitude, uma boa parcela se deve ao empenho do engenheiro Zelão.

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20/05/2014 00h10

A escolha de um bom enredo
Maria Apparecida Urbano

É muito interessante analisarmos o procedimento das escolas de samba a cada ano. Logo após o Carnaval, encontramos todas com o gosto de missão cumprida com a suas comunidades, algumas felizes com a sua colocação, outras nem tanto, e ainda outras muito tristes pela classificação.

Descrição de Enredo. Foto: DivulgaçãoComo tudo já passou, continuamos vendo o comportamento de todas nesses últimos meses. Há uma renovação espantosa, cheia de esperanças, sem a preocupação com o que passou, deixando tudo no passado e, com pleno vapor, vão se renovando. Dá a impressão de que foi injetado em todas elas sangue novo e que a vontade e a ansiedade brilham nos olhos dos dirigentes à procura de um melhor enredo para a sua comunidade.

Com esse comportamento de renovação as agremiações a cada ano dão um grande exemplo para todos os brasileiros, que, quando alguma coisa vai mal, se lamentam durante meses. Elas não. Espelhando-se na vida das águias, se levantam, se renovam e seguem em frente com otimismo.

É aí que surge o principal. O enredo. Aquele que motiva e vai dirigir a escola durante o ano. É quando se deve prestar muito a atenção, pois é dessa escolha, e desse novo enredo, que a escola vai depender para construir sua jornada e se dar bem no próximo Carnaval.

O enredo é a peça mais importante para que tudo dê certo. É por um bom tema que se inicia o trabalho, a luta, empenho e vibração de toda comunidade.

Nos últimos Carnavais, notamos que a maioria das escolas ficam presas a determinados enredos por causa de patrocínio. Isso é bom em alguns aspectos.

A escola ter um patrocinador ou apoiador lhe proporciona a oportunidade de trabalhar sem muita preocupação. Para o carnavalesco isso é ótimo, pois ele pode criar sem o risco de sua criação não poder ser executada. Mas tem um porém. Muitas vezes o tema patrocinado é de difícil entendimento para a própria comunidade.

Livro aberto. Foto: DivulgaçãoUma comunidade acostumada com enredos afros passando a desfilar com tema histórico, narrando episódios de outros países ou políticos não tão conhecidos pode encontrar dificuldades pois a comunidade pode não aceitar e o desempenho da escola pode ser comprometido durante o desfile.
    
Também há enredos muito interessantes e que dão verdadeiras aulas de cultura para o publico. E isso abrange diversas categorias. Dependendo da aceitação da comunidade e o bom desenvolvimento do carnavalesco, acontecem enredos muito bem estruturados e lindos para o público, tornando-se muitas vezes trunfos de desfiles campeões.

A escolha de um bom enredo é o carro chefe para que a escola de samba se renove, cresça e faça também com que o Carnaval de São Paulo se torne cada vez mais competitivo.

Mais uma coisa curiosa. Nem sempre o enredo é do carnavalesco. Mmuitas vezes pertence a pessoas da comunidade, terceiros ou então a grandes admiradores do Carnaval.

O que chama a atenção é que nunca é colocado o nome do enredista nas chamadas das escolas de samba. Isso chama a atenção pois o enredo é o ponto principal de um processo que só será finalizado no dia de sua apresentação.


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11/04/2014 00h37

E foi assim...
Maria Apparecida Urbano

Assim terminou mais um Carnaval que ficou na história da cidade de São Paulo.

Carnaval SP 2014. Foto: Claudio Lira

Luzes, fantasias, brilhos, ilusão...tudo foi ficando para trás, envolto em saudades, lembranças, aplausos mas também decepções.

Pensamos como tudo passou tão depressa. Foi um ano de trabalho, de muita luta e de muitas expectativas para todas as escolas, desde as do Grupo Especial da Liga até as dos Grupos da Uesp.

Entendemos, porém, que foi um Carnaval transcorrido com muita paz, mesmo debaixo da chuva de granizo, o que não tirou o brilho dos desfiles nem por um momento. Tivemos a oportunidade de avaliar a garra de cada comunidade. Foi um belo exemplo de amor e fidelidade aos pavilhões. Portanto, devemos parabenizar todos os sambistas que participaram dos desfiles de 2014.

Podemos também dizer que realmente as agremiações se superaram este ano, em beleza, comunicação e organização. Não só as campeãs, mas todas elas procuraram se sobressair em relação ao desfile de 2013. Temos a impressão de que os ensaios técnicosrealizados no sambódromo valeram muito para que toda essa organização se concretizasse.

Mas, na qualidade de comentarista sempre muito interessada no sucesso dos festejos carnavalescos, procuramos fazer uma análise construtiva, expondo nossa opinião sobre as mudanças que observamos durante a montagem dos desfiles.

Entendemos que, para quem assiste aos desfiles, a presença do presidente da Escola na abertura do desfile deveria ser obrigatória. O público deve tomar conhecimento de quem é o presidente, já que não temos mais a comissão de frente que era representada pelos diretores da entidade. Assim como um diretor de teatro ou de novelas é sempre apresentado ao público, é muito importante que todos também conheçam quem é o dirigente da nação que vai se apresentar.

Carnaval SP 2014. Foto: Claudio LiraTambém sentimos muito a falta da ala das baianas, que sempre foi uma presença obrigatória e histórica. Foram pouquíssimas Escolas que apresentaram as baianas com trajes que lembram as tradições. A ala que hoje se diz "Ala das Baianas" não passa de senhoras com saias volumosas e "empetecadas", e de costeiros e chapéus grandes demais para o tamanho dessas mulheres.

Não criticamos as escolas, por terem crescido o visual, o que deu certo charme aos desfiles, mas, essas alas então poderiam ter outra denominação, como, por exemplo, Ala das Mães do Samba; até que seria interessante. Porém, que as escolas, durante os desfiles, trouxessem também uma ala ainda que menor, mas com os trajes típicos das tradicionais baianas, com saias rodadas, pano da costa, turbante e balangandãs, para que a tradição e respeito a essas senhoras permanecessem como exemplo para os mais jovens.

As alas que vemos agora em nada lembram as baianas que foram tradição nos Carnavais de outrora, tendo sido impostas, na época, como alas obrigatórias e não julgadas. Tudo muda e evolui, mas a história é raiz e não pode mudar.

Terminados os desfiles, foi a hora das premiações da Liga, logo após o resultado oficial das notas dadas pelos jurados, cobertas de emoção, transmitidas pela televisão. Em seguida, o Troféu Nota 10 ofertado pelo jornal Diário de São Paulo, e por último o "Prêmio SRZD-Carnaval/SP", realizado por Sidney Rezende e sua equipe, entregue durante uma grande recepção.

Assim deixamos para trás mais um grandioso Carnaval, onde todos os sambistas, dentro de suas comunidades, trabalharam intensamente, numa dedicação sem igual, tanto a diretoria quanto o carnavalesco, os chefes de alas, a harmonia, o mestre de bateria, a bateria, o mestre-sala e porta-bandeira, o chefe de ala, os compositores, o intérprete, enfim, todos unidos
fizeram o grande espetáculo que tivemos a oportunidade de presenciar.

E assim se foi...

Agora é pensar no próximo.

Primeiro os acertos: a troca de diretores, de presidente, os contratos com os carnavalescos, a afirmação com os mestres de bateria, e depois é "mão na massa".

Vamos procurar escolher mais um enredo que será o ponto chave de todo o processo de trabalho.

Boa Sorte para todos!



14/02/2014 12h44

Vídeo: vem aí o livro "Quem é quem no samba paulista"
Maria Apparecida Urbano



29/01/2014 00h05

Uma nação sem registro do seu passado tem seu futuro incerto
Maria Apparecida Urbano

Livro. Foto: Divulgação

Há muitos anos venho insistindo com as escolas de samba de São Paulo, para que se organizem, criando seus departamentos culturais com o intuito de resgatar as memórias de suas entidades, desde sua ata de fundação, que é na verdade o início de tudo, aos primeiros enredos e sambas, compondo uma documentação preciosa dos longos anos de existência.

É importante memorizar todas as pessoas que deram vida e continuidade a essas entidades, documentando, por meio de fotos, revistas, jornais e discos, as pessoas que se destacaram, seja ocupando cargos importantes, seja simplesmente ajudando com seus trabalhos, pelo que se  tornaram queridos por todos.

São bem poucas as escolas que se interessam por essa preservação cultural, que na realidade é uma tarefa muito trabalhosa, e como sempre não dá lucro. Então, logo torna-se esquecida ou adiada para se pensar futuramente.

É comum dizer que São Paulo costuma copiar muitas coisas que o Rio faz, não é mesmo? Pois é, vamos ver se dessa vez esse dito popular vai valer a pena.

Na revista Ensaio Geral, informativo Oficial da LIESA, nº 31, encontrei o seguinte artigo:

"Publicações da LIESA vão para a Biblioteca Nacional", onde se lê:

"Parte da memória do samba carioca, registrada em publicações da LIESA, agora está integrada ao acervo da Fundação Biblioteca Nacional. Coleções dos informativos Ensaio Geral, Liesa News e Cante Com a Gente; e outras de Regulamento do Desfile, Manual do Julgador, Livros de Enredos e Abre-Alas; além de folders dos espetáculos realizados na Cidade do Samba e CDs de sambas-enredo do Grupo Especial foram entregues no mês de outubro à FBN. Em breve, esse material estará à disposição  de pesquisadores e estudiosos - que também podem consultá-los no Centro de Memória do Carnaval LIESA, na Av. Rio Branco nº 4, 2º andar."

Que grande exemplo a Cidade Maravilhosa nos dá, cultuando as memórias do samba, de uma forma que quem se interessar pelo assunto, seja sambista ou não, pode consultar e assim ficar a par do que são as verdadeiras histórias de cada escola de samba.

Livro. Foto: DivulgaçãoAqui em São Paulo, são bem poucas as agremiações que têm sua documentação em dia, que dirá as suas histórias.

Muitos dos dirigentes atuais nem se lembram do nome dos fundadores das suas entidades; por outro lado a LIGA também bem pouco material em seus arquivos.

Nunca foi pensado com firmeza na organização de um grande arquivo, pois geralmente as próprias escolas não colaboram.

Está mais do que na hora de nos reunirmos, seja em congresso ou simpósio, para que todos os sambistas, juntos, possam prestar mais a atenção à história do samba paulista.

Uma nação sem registro do seu passado tem seu futuro muito incerto. Passado temos; hoje, porém, vivemos incertezas sobre o ele. Podemos, entretanto, construir um belíssimo futuro.

O que precisamos é ter força de vontade para documentá-lo.

No momento sabemos que ninguém quer saber de história, porque estamos em véspera de carnaval.

E depois do Carnaval?

Será que a Copa do Mundo é mais importante?

E depois?

Se não nos unirmos com absoluta vontade de realizar esse trabalho, nunca São Paulo poderá ter e contar as suas histórias vividas nesses longos anos, que foram tão difíceis para todos os sambistas.

Parabenizo a LIESA pela sua iniciativa, e também a Fundação Biblioteca Nacional, pela grande oportunidade de aceitar esse acervo e preservá-lo como Memória da Cultura Sambística.  



23/12/2013 01h16

Estamos chegando ao fim do ano...
Maria Apparecida Urbano

Enfeite natal. Foto: Divulgação

Pois é, o ano está terminando e o Natal chegando: é tempo de reflexão sobre todos os acontecimentos que passaram por nós durante o ano de 2013.

Muitas coisas boas aconteceram em nossas vidas, e no meio em que vivemos, mas também tivemos momentos que nos fizeram sofrer, nos angustiaram e ficaram marcados em nossos caminhos.

Todos esses momentos também se passaram no meio do samba. Perdemos alguns sambistas, que ficaram somente na lembrança dos amigos de suas comunidades.

Lamentável foi o grande incêndio que destruiu a parte mais importante do escritório da Mocidade Alegre. Também lembramos a tristeza dos compositores concorrentes, que não chegaram até a final dos concursos de escolhas de samba-enredo.

No entanto, podemos analisar, por outro lado, que muitas coisas boas aconteceram. Uma delas é ver o amigo Raul Machado e o SRZD com diversas novidades para os sambistas, algo muito bom, pois as matérias estão cada vez mais vistas. Também é o único meio de comunicação durante o ano todo sobre Carnaval. Devo dar os parabéns a ele e a toda a sua fiel equipe.

Assim como Raul Machado, que é um batalhador do samba paulista pela internet, vamos encontrar as vozes incansáveis de Moisés da Rocha e Evaristo de Carvalho, que nos deliciam com os seus programas de rádio, e o jornal "QG do Samba", do sambista Américo Garcia, que há muitos anos o distribui gratuitamente pelo mundo do samba, vencendo muitas dificuldades, para levar as notícias, não só de São Paulo como de outros estados.

A todos esses comunicadores desejamos os mais sinceros votos de um feliz natal e um ano novo com muitas esperanças de dias melhores.

A todas as entidades que dirigem o samba em nossa cidade, desejamos que sejam iluminadas para prosseguir a sua caminhada no ano que vai se iniciar, sempre na procura da valorização da nossa cultura, não deixando que a evolução e a renovação os afastem das raízes deixadas pelos nossos antepassados.

Que todas as escolas de samba, tanto as grandes como as iniciantes, procurem crescer em conhecimento sobre a história que deu inicio a todas as comunidades.

Que os jovens sambistas procurem saber como foi o começo de suas entidades, como são os costumes, os rituais e os procedimentos que eles veem e assistem dentro de suas escolas. Somente com esse conhecimento é que se pode ter no coração o amor pelo seu pavilhão.

Para o próximo ano desejamos que todos os dirigentes em geral tenham consciência de que realmente é uma grande luta manter acesa a luz da cultura sambística, mas que vale muito a pena, pois sem história ninguém consegue manter seus impérios. Para tanto, que no próximo ano tenhamos muitos encontros, seminários, simpósios e por que não, um grande congresso.

Também esperamos para o próximo ano lançar mais um livro em prol do samba de São Paulo, resgatando memórias dos antigos sambistas que muito fizeram para que o samba chegasse onde está agora.

O livro terá o título "Quem é Quem no Samba Paulista", onde levantaremos memórias de oitenta sambistas. Será um início para que outros pesquisadores dêem continuidade, pois ainda existem, em nosso meio, muitos sambistas do passado, que infelizmente não pudemos entrevistar.

Desejamos a todo mundo do samba um feliz e abençoado natal, e que 2014 traga muitas novidades boas, muitas esperanças de um mundo melhor, e que cada vez mais haja uma grande união entre todos os sambistas.

Boas Festas!

Feliz Natal!

Feliz Ano Novo !

Maria Apparecida Urbano



14/10/2013 01h03

Ala das baianas ganha dia oficial no calendário do Estado de São Paulo
Maria Apparecida Urbano

Ala das baianas. Foto: DivulgaçãoLEI Nº 15.148, DE 2 DE OUTUBRO DE 2013
(Projeto de lei nº 66/13, da Deputada Leci Brandão - PC do B)

Institui o "Dia Estadual das Tias Baianas das Escolas de Samba de São Paulo"

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:

Artigo 1º - Fica instituído o "Dia Estadual das Tias Baianas das Escolas de Samba de São Paulo", a ser comemorado, anualmente, em 25 de novembro, passando essa data a integrar o Calendário Oficial do Estado.

Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data da sua publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 2 de outubro de 2013.

GERALDO ALCKMIN

Marcelo Mattos Araújo
Secretário da Cultura

Edson Aparecido dos Santos
Secretário-Chefe da Casa Civil

Publicada na Assessoria Técnico-Legislativo, aos 2 de outubro de 2013.

Para nós que somos defensores dessas mulheres "Mães do Samba", nossas "Tias Baianas", foi uma grande vitória, uma glória.

Parabéns Jadir Xavier pelo esforço, que não foi em vão. Está aí a recompensa.

Parabéns Deputada Leci Brandão pela sua atitude; a cultura do samba agradece por esse feito.

Parabéns ao Grupo das Baianas Paulistas, que há anos vem lutando para que o Grupo seja reconhecido.

Ala das baianas. Foto: Divulgação

Parabéns a todas as mulheres de todas as Escolas de Samba, que, no Carnaval, dão o grande brilho para as suas Escolas na passarela do Samba, vestidas com suas saias rodadas representando as baianas, fazendo parte da nossa cultura do Samba e relembrando as mulheres negras vindas da África, paramentadas com roupas coloridas.

Parabéns a todas Tias Baianas que trabalham arduamente nas quadras, dando sempre o melhor de si no que fazem, quer nas grandes feijoadas, quer nas recepções com seus salgadinhos e bolos, quer ainda na ajuda à costura das fantasias e ajuda nos barracões.

São elas as guardiãs das Escolas. Geralmente começam a frequentar as rodas de samba ainda crianças ou muito jovens; aprendem a ter amor e respeito ao pavilhão e a sua Escola.

Ala das baianas. Foto: Divulgação

O tempo passa, vêm o casamento e os filhos, e são elas que encaminham essas crianças para a quadra, ensinando o que também aprenderam com seus antepassados.

Sempre os acompanhando com o olhar sereno, veem os filhos crescerem e se tornarem pessoas dignas e respeitadas dentro das Escolas para as quais se dedicam até hoje. E já com mais idade, passam a ala das baianas.

Nas minhas entrevistas com essas mulheres maravilhosas, com suas histórias de vida, senti a emoção de muitas quando diziam que os filhos eram compositores, eram da bateria, e até mesmo o orgulho em dizer que os filhos faziam parte das Diretorias de suas Escolas.

Portanto, e pela sua dedicação e seu comportamento, e por tudo que representam na nossa cultura, são elas merecedoras desse dia 25 de novembro, Dia Estadual das Tias Baianas, as "Mães do Samba" das Escolas de Samba de São Paulo.

Ala das baianas. Foto: Divulgação

É uma grande vitória, mas creio eu que poderá ainda, no futuro, ser maior: o dia em que for oficialmente reconhecida essa data em todo território brasileiro, porque Tias Baianas nós temos em todos os Estados, e todas deveriam ser homenageadas.

Por meio desse Projeto, galgamos mais um degrau, na conquista do crescimento da nossa cultura sambística.

Maria Apparecida Urbano



20/08/2013 13h58

Eterna pergunta: como era?
Maria Apparecida Urbano

Ampulheta. Foto: DiuvlgaçãoHá um interesse muito grande dos mais jovens em querer saber como eram as escolas de samba paulistanas nos anos 70 e 80. É uma pergunta até mesmo normal, pois praticamente não temos históricos fáceis e disponíveis para que possam ser pesquisados.

Existem, sim, alguns grupos que trabalham no resgate da história do samba, porém, praticamente sem condições ou espaços apropriados para que esses trabalhos sejam colocados à disposição dos interessados poderem ver e consultar.

Hoje é praticamente impossível achar os jornais e as revistas da época para se localizar algum detalhe que nos é importante. Temos que nos limitar a bibliotecas e centros culturais. Mesmo assim não é fácil.

O que nos resta é ouvirmos dos antigos sambistas narrações sobre o que se passava em suas escolas nos anos dourados do samba paulista.

Existem muitas informações para serem levadas ao conhecimento de quem pesquisa. São detalhes, usos de materiais, acabamentos. É muito vago falar ou escrever. Para se conhecer, é importante demonstrar.

Damos aqui um exemplo: os carros alegóricos eram construídos inteiramente de madeira. A sua base ou o seu monobloco era feito de caibro de madeira usado em construção. Eram alegoriass muito pesadas e eram usadas rodas de rolimã para poderem deslizar.

Será que dá para entender que hoje as armações e estrutura interna dos carros são feitas de ferro, montadas por serralheiros, e transportados com rodas de pneus?

Será que dá para entender que na decoração dos carros se usavam capim tingido, bambu, pratinhos de festa, copinhos de café, embalagem de marmitex, embalagens usadas do avesso e pó de serragem, entre outros materiais?

Será que dá para entender que as fantasias eram feitas de cetim ou de chita, enfeitadas com ráfia, recortes de plástico colados e com acabamentos de brocal? Será que dá para entender que as fantasias de um ano para outro eram reformadas, que os costeiros eram feitos com tubos de conduítes e vergalhões de ferro usados em construções?

Máquina de escrever. Foto: DivulgaçãoPesquisa é um trabalho muito gratificante. Podemos afirmar isso com certeza, porque, agora elaborando o livro "Quem é quem no Samba Paulista", quantas histórias estou ouvindo de diversos sambistas entrevistados.

São relatos não só da vida de cada um, como dos procedimentos interiores de cada escola, da vivência da escola, e da ajuda que ela prestou ao bairro.

Com este trabalho percebemos o quanto são importantes esses depoimentos. Sempre dizemos que o que se escreve fica e ninguém apaga. E o livro tem esse poder. Quem quiser consultar a respeito de quem foi determinado sambista, provavelmente vai encontrar resposta nessas páginas.

Podemos dizer que tudo evoluiu. Por exemplo, muitos dos quesitos melhoraram, outros, acompanhando o sistema de evolução, foram perdendo o seu conteúdo histórico natural, entrando em espaços modernos e de constante atualização. O que ontem era natural hoje é ultrapassado. Pouca coisa ficou desse passado.

Mais um exemplo: a Comissão de Frente. No início dos desfiles ou logo após o regulamento de 1968, era um orgulho a escola trazer em sua Comissão o presidente e sua diretoria, cuja função era cumprimentar o publico presente e apresentar a agremiação. Depois passou a ser uma Comissão de Elite. E hoje, é uma Comissão Show.

Outro exemplo: os sambas enredos eram realizados por concurso entre os compositores pertencentes a cada entidade. Para participarem, os compositores teriam que ter elaborado durante o ano um samba exaltação. Geralmente as composições eram feitas por dois ou três compositores. Sem falar que os sambas eram lindos, verdadeiros poemas, e muitos ficaram gravados na memória dos paulistanos.

Há uma diferença muito grande nas composições atuais, das quais participam até dez ou mais compositores em praticamente todas as escolas.

Mas a realidade atual é outra: estamos sempre em evolução, nos modernizando; o que hoje é o "máximo" amanhã já será ultrapassado; as informações são momentâneas, nada fica, tudo evolui. Infelizmente não há mais lugar para o passado.     

É muito gratificante encontrarmos jovens pesquisando, interessados em saber "como era".

Isso demonstra que tudo o que foi realizado deixou marcas que podem ainda contar histórias.

Vamos viver intensamente o presente, curtir os sambas que estão sendo escolhidos pelas escolas, esperando que entre eles vai haver algum que passará a pertencer à galeria dos grandes sambas que marcaram o Carnaval paulistano...

Mas não vamos esquecer o passado.


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24/07/2013 14h18

Os tempos modernos do nosso Carnaval
Maria Apparecida Urnano

Maria Apparecida Urbano. Foto: Liga-SPEm primeiro lugar devemos agradecer aos sambistas que estão acreditando em nosso trabalho, dando os seus depoimentos para o livro "Quem é quem no Samba Paulista". É dessa forma que são conhecidas as verdadeiras histórias do samba paulista. Esperamos contar com mais depoimentos.

Tempos modernos. Hoje estamos vivendo intensamente cada momento, cada segundo e cada dia. Muitas vezes não conseguimos absorver tudo o que se passa em nossa volta. A televisão, a grande dominadora e modificadora dos costumes, da cultura, da moral e da política, enfim, praticamente de tudo em nosso país, hoje concorre com outros tipos de comunicações instantâneas, que nos deixam automaticamente muito mais bem informados.

Entrando na era da computação, há o celular, que já se tornou um companheiro inseparável de todas as idades; a criação da internet e do facebook, onde se fala e também onde se veem imagens de qualquer lugar do mundo. Além disso, há outras tantas formas de comunicação instantânea. Quanto mais rápidos somos, mais mudanças acontecem.

O samba não é exceção. Acompanhamos todas essas mudanças tão rápidas que, quando paramos para pensar se certo assunto está correto, ele já está sendo executado. Ah! tempos modernos!

Todo esse modernismo é bom? Sim, é muito bom. Entretanto vem aí uma pergunta: onde foram parar o respeito e a obediência que eram dados aos regulamentos de todas as escolas de samba e seguidos na mais perfeita harmonia? Por que foram ficando esquecidos? Os presidentes mais novos dizem que precisamos seguir os tempos modernos. Mas o respeito e obediência são coisas do passado?

Acompanhamos, sim, o modernismo, porém há coisas que chegam a nos magoar, quando ouvimos, por exemplo, de um presidente que seu casal de mestre-sala e porta-bandeira são pagos para dar show, e não para ficar dançando, lembrando que, nas mãos desse casal, está o símbolo máximo da sua agremiação: o pavilhão.

Outra aberração, ao nosso ver, é alguém que se diz sambista dizer o porquê dar tanto valor a esse "pedaço de pano", o que interessa é o casal, com quem se gasta muito dinheiro.

Representação Raiz. Foto: DivulgaçãoOuvimos certa vez um presidente comentar não saber por que tanto se fala em "nossa raiz", pois a raiz que ele conhecia era a raiz de árvore, que só cresce para baixo. Na ocasião escrevemos um artigo, afirmando que, se não tivesse raiz, nenhuma árvore se sustentaria em pé, não iria florescer e nem dar frutos.

Se não passarmos as raízes da história do samba paulista aos nossos filhos e netos, como será o futuro? Somente um show, onde qualquer um pode participar, talvez até sendo pago para isso?

Tempos modernos, até aceitamos, mas transformar o casal de mestre-sala e porta-bandeira em artistas, contratados apenas para apresentar shows, é demais. Implantar na bateria instrumentos estranhos à tradição, é modernismo? Será? Já não bastam as roupas e costeiros pesadíssimos usados pelas nossas baianas, senhoras idosas, que, por amor às escolas, suportam essa imposição há tantos anos?

Já que há tanta preocupação com a modernidade, pode-se perguntar então: uma vez que tudo é tão moderno, por que não modernizar os sambas que se mantêm há muitos anos numa mesmice?

De um modo geral, as escolas de samba dizem que são obrigadas a crescer, a ter um número muito grande de componentes para se destacar na televisão e também para o patrocinador, à espera de ver o seu capital muito bem empregado, numa escola grande, luxuosa, com muitos artistas, e dando um magnífico show.

Já que o caso é de beleza, por que não valorizar mais os destaques que geralmente são da casa e que gastam fortunas para embelezar os carros alegóricos. Se eles também fazem parte do grande show, por que nem os seus nomes aparecem nas legendas da televisão?

E pensar que a maioria dos verdadeiros sambistas dessas escolas está em casa assistindo aos desfiles pela TV, ou nas arquibancadas, porque não tem dinheiro suficiente para pagar o alto preço de uma fantasia, muitas vezes custando quase o seu salário.

Quem participa dos desfiles na sua maioria são pessoas, que muitas vezes nunca entraram em uma quadra, mas gostam de Carnaval, e a sua grande vontade e atração é sair em uma escola de samba. Muitos turistas, estrangeiros ou de outros estados, se sentem orgulhosos em dizer que são sambistas porque saem no Carnaval.

Os amigos sambistas compreenderão esse desabafo: é que esses "tempos modernos" nos tiram da nossa meta que é resgatar a história do samba e dos sambistas da capital.

Se hoje só se vive o presente e o que menos tem importância é o passado com suas histórias e vivências, às vezes nos perguntamos por que continuar fazer todo esse trabalho. Por amor ao samba, suas raízes e sua história...


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17/06/2013 12h20

Quem é você no mundo do samba?
Maria Apparecida Urbano

Ilustração deum sambista. Foto: DivulgaçãoDocumentar as memórias dos antigos sambistas, dos que já nos deixaram ou dos que ainda estão entre nós, que vivenciaram o inicio do samba paulista, vem a ser um fato muito importante para a nossa história.

Documentar também as memórias dos seus descendentes, que podem nos relatar fatos dos seus antepassados e as suas vivências culturais herdadas de seus familiares, e o mais importante, o que fizeram ou fazem pelo crescimento do samba. Esse é o nosso objetivo no momento.

No decorrer desses trinta e oito anos vividos no mundo do samba, aprendemos muito, principalmente com os sambistas mais antigos, aqueles que nas décadas de quarenta até sessenta, muito sofreram para valorizar o samba. Foram vítimas de perseguições políticas e policiais e dos preconceitos raciais. Por serem negros e sambistas, eram apontados como malandros, marginais, sem caráter; e as oportunidades de emprego eram mínimas. Apesar de serem tão discriminados, souberam manter o mais importante: o amor pelo samba. A duras penas conseguiram conquistar a sociedade, divulgar a cultura sambística e fazer o samba crescer e chegar no patamar em que se encontra.

Nada mais justo do que resgatar as memórias, tanto daqueles que já se foram e deixaram seus nomes gravados por onde passaram como os que estão ainda entre nós prestando suas colaborações as suas agremiações e seus pavilhões. Portanto são pesquisas importantíssimas para a história do samba paulista e para a construção do próximo livro em elaboração.

Esse livro não vai depender só do nosso trabalho de pesquisa. Vai depender principalmente do depoimento de cada um de vocês. Da colaboração e boa vontade de cada sambista que se propuser a dar seu depoimento, que ficará registrado para a posterioridade.

Arte quem é você e máscara. Foto: DivulgaçãoCada sambista terá no livro uma página de depoimento e uma  foto. Será uma obra de grande valia futuramente, para que seja mostrado, como um documento, às novas gerações, quem foram os sambistas que souberam com dignidade não deixar o samba morrer.

No nosso primeiro livro, em 1987, procuramos esclarecer o que se passa numa escola de samba durante o ano, levando ao conhecimento do público de um modo geral o processo e desenvolvimento de todo trabalho feito nos bastidores das agremiações até a sua apresentação nos desfiles na passarela.

Enfocamos todos os trabalhos de bastidores, quadra, escolha do samba enredo, costura, barracão e carnavalescos, que, naquela época, eram praticamente desconhecidos, pois a mídia não tinha tanto interesse para que fossem divulgados. Relatamos o nosso conhecimento e experiência, vivenciados no dia a dia, como a primeira mulher carnavalesca a dirigir todo esse trabalho na capital paulista.   

Participando da Fesec, como conselheira, pudemos ter contato com diversos sambistas, que, após as reuniões, em conversas informais relembravam fatos curiosos e históricos do samba vividos por eles. Aguçando a curiosidade nos propusemos pesquisar todo esse processo carnavalesco. Num trabalho de anos, fomos levantando as origens e costumes do Carnaval pelo mundo, o surgimento do samba no Brasil, a criação das escolas de samba e suas trilhas até chegar ao século XXI. Assim aconteceu o segundo livro, em 2006.

Entretanto percebíamos que havia muitos sambistas importantes, sem que seus feitos tivessem sido documentados. Fizemos então um novo trabalho para trazer a público esse lado do samba ainda não divulgado. Dentre tantos bons sambistas era difícil enfocar um entre eles: um que fosse profundo conhecedor da história do samba, tivesse convivido com ela, fosse compositor, cantor, músico e tivesse levado o ritmo do samba por todos os estados brasileiros e por diversos países. Assim aconteceu o terceiro livro, em 2004.

Assim como falamos dos sambistas, que tanto fizeram para manter o samba paulista por todos esses anos, também nos lembramos das baianas, das velhas senhoras, das mães do samba, que  muito nos ensinaram ao longo dos anos, desde o tempo da escravidão até os dias atuais, juntamente com histórias das mulheres negras tanto na África como no Brasil. Esse foi o nosso quarto livro, publicado em 2012.   

Máscaras de Carnaval. Foto: DivulgaçãoO convite para participar do novo livro está sendo feito a todos os sambistas com mais de trinta anos de contribuição no mundo do samba para o engrandecimento do samba paulista e que souberam de alguma forma valorizar sua vida, suas famílias e suas escolas.  Seu depoimento para as memórias do samba paulista é, pois, muito importante.

Afinal, esperamos por seu depoimento para a composição do livro "Quem é quem no samba paulista".


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23/05/2013 00h00

Parabéns ao SRZD e Sidney Rezende
Maria Apparecida

Lendo uma reportagem de José Ramos Tinhorão, jornalista, crítico musical, pesquisador da história da música popular brasileira, participante das batucadas cariocas, convivendo com as mais altas personalidades do samba, e autor de vários livros, tomei conhecimento de um artigo seu, publicado na Revista "D.O. Leitura", de outubro de 1991, onde trata do jornalismo no século XVIII e XIX, cuja curiosa atividade era o Carnaval.

Num primeiro histórico feito, o autor se refere a jornais de diversos lugares do Brasil com publicações carnavalescas. Assim, menciona, entre outras, os jornais "O Carnaval" e o "O Eco dos Tagarelas", de Pernambuco, respectivamente de 1855 e 1875, anunciando-se o segundo como um "jornal crítico, literário e carnavalesco"; a publicação "O Fantasma", distribuída no Clube Democrático do Rio de Janeiro; o jornal "Zé Pereira", do Belém do Pará, de 1882; e o jornal "O Rabo", do Cordão da Bola Preta do Rio de Janeiro de 1960.

Nota-se por esse breve relato a grande importância que tem um jornal. Se não fosse por eles, como poderíamos contar histórias do Carnaval, dos desfiles, dos bailes e de todas as manifestações realizadas em épocas passadas? Foram e continuam sendo a melhor maneira de nos inteirarmos de todos os acontecimentos do dia a dia.

Hoje vivemos num mundo moderno e as informações são mais precisas: temos a televisão e a internet nos proporcionando a visão da imagem instantânea. Estamos na era dos computadores e dos celulares, cujas informações são imediatas; dos e-mails, que nos dão mensagens rápidas; do Facebook, uma das maravilhas da atualidade, que nos proporciona mensagens instantâneas e diárias.

Mesmo com todas as modernidades, os jornais e as revistas continuam nos chamando a atenção. No mundo das escolas de samba, o único jornal que está atravessando décadas é o QG do Samba, graças ao grande sambista Américo Garcia, que com muito custo vem mantendo essa publicação.

Mas não são os jornais e revistas que nos chamam a atenção no Carnaval, mas sim a televisão. Porém, nas redes normais de televisão, escola de samba é um assunto para ser mostrado e falado somente na época de Carnaval. Os meios de divulgação do mundo do samba são muito poucos.

Nestes últimos tempos, entretanto, o samba tem sido reconhecido durante o ano todo pelo trabalho dinâmico de uma pessoa digna e responsável, Sidney Rezende. Ele conseguiu implantar em seu portal na internet, um fabuloso jornal, que cobre todos os acontecimentos diários pelo Brasil e pelo mundo. Admirador do samba, cedeu espaço em suas editorias para noticiar o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo.

No aniversário do seu sétimo ano de vida, os sambistas comemoram a existência deste fabuloso canal que acompanha tudo o que acontece no mundo do samba, desde ensaios, desfiles, cobertura na avenida e todas as festividades durante o ano inteiro.

Os nossos profundos agradecimentos ao Sidney Rezende e sua equipe pelo trabalho realizado através do SRZD.

Que esse trabalho tão importante perdure por longos anos. Agora, diante desse bolo tão bem decorado com alegria, paz, muito carinho e rodeado por todos nós sambistas, elevemos a voz desejando PARABÉNS E MUITAS FELICIDADES!!!


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25/04/2013 16h24

'Precisamos de transparência na eleição da Liga-SP', diz comentarista do SRZD
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoAté o mês de maio, dentro do mundo do samba, é uma época de incertezas e acertos. Incertezas quanto à difícil tarefa da escolha dos enredos, se será ou não bom para a escola. Acertos nas questões de verbas e patrocínios, nos novos compromissos com carnavalescos, intérpretes, mestres-sala e porta-bandeiras. Na verdade, essa é uma das fases mais difíceis na organização das agremiações.

Porém, neste ano, há também outras escolhas realmente difíceis e preocupantes. É a eleição da nova diretoria executiva da Liga que dirige os grupos especial e de acesso de São Paulo. De outro lado, ocorre a eleição da diretoria da Uesp, representante dos Grupos 1, 2, 3, 4 e blocos especiais. Essas diretorias irão comandar o Carnaval paulistano nos próximos quatro anos, tanto no sambódromo como nos bairros da capital.

São escolhas que devem ser pensadas, não somente quanto aos nomes, mas também quanto ao que cada candidato representa no mundo do samba, sua integridade moral, sua habilidade administrativa, sua coerência com os assuntos sambísticos e suas atitudes políticas e culturais.

Isso é muito importante sobretudo nos dias de hoje, quando cada escola representa uma verdadeira industria comercial, que, para apresentar o grande show na passarela, tem de produzir e comercializar os seus produtos. Esse é o sinal dos tempos modernos.

Embora possuam estruturas bem definidas, é muito importante que todas as entidades mantenham sempre bem vivas as suas histórias culturais. É necessário, ou até mesmo obrigatório, preservar a memória dos seus fundadores, suas conquistas ou suas derrotas, a criação e o respeito pelos seus pavilhões. Qualquer grupo social, que não tiver um passado documentado, terá muita dificuldade de sobreviver no futuro. Isso é um fato verídico que temos visto ao longo dos anos.

Desde os primeiros sons dos tamborins até os sons das baterias dos dias atuais, presenciamos o incrível crescimento das entidades do samba. Como no futebol, o amor e as torcidas vêm num crescimento inacreditável.   
 
Todas as entidades dirigentes hoje em dia tem que ser absolutamente transparentes, pois as cobranças em cima de seus atos são muitas, e geralmente ficam sem respostas. Um exemplo foi a seguinte manchete colhida num jornal da capital, a propósito de uma carta de leitor: "Destino das verbas para escolas de samba":

"O prefeito Haddad disse querer opiniões sobre o Carnaval de São Paulo. Acho que ele, com o Ministério Público, deveriam controlar melhor a situação das verbas, pois as escolas de samba se sustentam com verba pública e não repassam isso às comunidades. A maioria das escolas carrega as palavras cultura e recreativo, mas isso a gente não vê. O que vemos são festas onde a comunidade é esquecida. Só é lembrada para fazer serviços gratuitos por "amor ao pavilhão".

Foto: DivulgaçãoAqui vai um apelo às novas diretorias: que as atas de cada assembléia com prestação de conta e planos para novos projetos  sejam sintetizadas e publicadas em jornais da capital para que aqueles, que hoje só criticam, mas batem palmas durante os dias de folia, fiquem ao par do que acontece dentro do mundo do samba, ou seja, que as coisas fiquem totalmente transparentes.

Somente com diretorias trabalhando da forma como o povo de um modo geral quer ver o samba é que nós vamos criar credibilidade, tão maculada nestes últimos anos.



01/04/2013 00h42

'Fábricas de Samba': só o tempo nos dirá se o projeto sairá do papel
Maria Apparecida Urbano

Foto: Assessoria - Liga-SPDesde que o sambódromo foi inaugurado no começo, de forma precária, os sambistas sonham em ter um lugar seguro e adequado para fazer suas alegorias.

O grande sonho era que se construísse um grande galpão num imenso terreno existente ao lado do sambódromo. Acontece, porém, que a Aeronáutica tomou conta de boa parte desse terreno e a parte restante recebeu um projeto especial, no governo de Marta Suplicy, para ser construído mais um centro de exposições. Nada foi feito, todavia. Ainda bem, pois é nesse espaço que se abrigam até hoje os carros alegóricos logo após os desfiles.

Mas os sambistas continuavam sonhando com um dia ter um espaço próprio, adequado e seguro para a confecção das alegorias, fantasias e artesanatos usados na preparação de seus desfiles. Passaram então a denominar o tão sonhado espaço como a "Fábrica dos Sonhos", depois "Fábricas de Samba".

No entanto essa ideia permanece sendo apenas uma grande esperança, enquanto todas as escolas de samba continuam trabalhando o ano todo em cima de sonhos em locais inadequados. Sonhos de realizar a montagem de seus enredos, sonhos de apresentar esse trabalho tão fascinante numa única apresentação durante o Carnaval. É um sonho maravilhoso que une toda a comunidade, irmanando-a durante os ensaios numa dedicação única. Tudo para que esse sonho se torne realidade.

Por que Fábrica? Será que as agremiações já são consideradas indústrias? É certo que hoje temos funcionários assalariados e registrados, e , em alguns casos, terceirizados. Mas o que elas fabricam são sonhos imaginados, trabalhados e realizados em vista do enredo escolhido. Também não fabricam samba; os sambas nascem da criatividade dos compositores, verdadeiros poetas das comunidades, construídos sobre ilusões, fantasias e sonhos.

Parece que a situação continua como antigamente, quando todas as escolas trabalhavam no aperto, em más condições e ficavam felizes, quando conseguiam um lugar embaixo de viadutos, para depois, durante os dias do no Carnaval, mostrar ao mundo do que são capazes. 

Foto: Raul Machado - SRZD

Quantos anos esperamos para conseguir ter um espaço? Quantos prefeitos prometeram...prometeram...Entra prefeito, sai prefeito, e o sonho continua.

Sempre esperançosos, vamos convivendo com promessas, escolha de terrenos, previsões, início de construções... Enfim cá estamos nós, como já diziam os nossos sambistas do passado: "O sambista é um pedinte de chapéu na mão".

Salvem nossos mestres Inocêncio Tobias, Jangada, Pé Rachado, Plínio Marcos, Geraldo Filme, Zéca da Casa Verde, Seu Nenê e tantos outros que já nos deixaram, que também foram eternos sonhadores, que passaram a vida sempre na esperança de dias melhores para esse "samba", que eles souberam galhardamente defender. Um samba, que foi reprimido, ameaçado, censurado, mas que continua sua trajetória sem esmorecer até os dias de hoje, século XXI, na esperança de dias melhores.          

Se vamos um dia conseguir ter a "Fábrica dos Sonhos", ou a "Fábricas de Samba", só o tempo poderá nos responder!!!



19/03/2013 14h20

Dança das cadeiras: já começou tudo de novo!
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoÉ comum se ouvir falar que o Brasil só começa a trabalhar depois do Carnaval. Será isso verdade? Acho que não, ao menos em relação aos paulistanos, pois, assim que termina um feriado seja ele qual for, no dia seguinte já estão no trabalho. É bem verdadeira a frase que diz que São Paulo não pode parar.

Já para os sambistas, o Carnaval, de fato, só termina no sábado seguinte, pois ainda durante a semana temos a apuração e depois a apoteose, com o desfile das campeãs e das agremiações que receberam as melhores notas dos jurados. Só então é que retornamos para a casa com a sensação do dever comprido.

Para as escolas de samba e de suas diretorias, agora é época de reflexão, de acertos e entendimentos. Nem tudo dentro de uma escola sai de acordo com o planejado. Cada entidade procura dar o melhor de si, isso é a lógica. Mas aquela faixa amarela e aqueles sessenta e cinco minutos nos julgam. Se acertamos ou erramos, agora é a hora de refletirmos.

Por mais bem preparados que podem estar os harmonias, os chefes de alas, um pequeno deslize, um tropeço, uma pequena falha podem ser fatais.

Foto: DivulgaçãoCostuma-se dizer que mal termina um Carnaval outro já está sendo preparado. Essa frase tem muito de verdade. Agora é hora das mudanças, chamada pelos sambistas como a dança das cadeiras: quem fica, quem troca,
é mestre-sala, porta-bandeira, carnavalesco e até mestres de bateria. Isso é sinal de tempos modernos, onde o amor pela escola ou pelo pavilhão é considerado um mero detalhe, o que importa é o que se vai ganhar com a troca e pertencer as escolas que mais aparecem na mídia, dentro das quais, cada um em sua profissão poderá se destacar mais.

Quanto à preocupação pela escolha de um novo enredo, antigamente os carnavalescos, que por sinal permaneciam por anos nas mesmas entidades, se debruçavam sobre livros, procurando histórias e acontecimentos que poderiam valorizar o nome das agremiações.

Hoje o assunto é outro. A maior preocupação nesta época é a procura de quem irá patrocinar o desfile. Não importa muito sobre o que se vai ser o tema. O carnavalesco, que por sinal hoje é muito bem pago, com o patrocinador na mão, escolherá um nome bem sugestivo para a apresentação do enredo.     

E assim caminha a nova montagem das escolas. A contratação de novo mestre de bateria, de novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, de novos grupos de compositores, de intérpretes, mas, o importante é que o samba continua.

Dizem que somos saudosistas, porém, quem não se lembra dos bons tempos em que tanto o mestre-sala como a porta-bandeira eram criados nas quadras, desde garotinhos, geralmente filhos de sambistas, assim como a rainha da bateria. Daqueles compositores que, geralmente sozinhos em mesas de bar, compunham sambas que eram verdadeiras poesias, que ficavam gravados em nossas memórias para sempre, e que muitas vezes ele próprio com sua belíssima voz interpretava o próprio hino na avenida.

O tempo passou, todos os grandes sambistas do passado foram deixando suas escolas crescerem, e elas se tornaram grandes empresas, não havendo mais necessidade de "pedirem  auxílio com o chapéu na mão". Hoje temos funcionários do samba, registrados e remunerados. Os presidentes das agremiações são grandes empresários, competentes, capacitados em dirigir suas comunidades, durante todo o ano, e principalmente no período de Carnaval.
 
Foto: DivulgaçãoAs escolas hoje já não apresentam desfiles, e sim magníficos espetáculos, grandiosos shows, dignos de serem assistidos por todo o mundo. Para os sambistas paulistas é motivo de orgulho ter atingido esse patamar de destaque.

São Paulo ganhou com isso? Sim, não resta a menor dúvida. O que representa o Carnaval com os desfiles das escolas de samba para a indústria do turismo é inacreditável. As escolas também ganharam. Hoje a maior parte delas tem suas quadras, onde recebem um imenso publico durante todo o ano. Ganharam respeito das autoridades e de toda mídia, quer pelas televisões, jornais, revistas, rádios e internet.

E você sambista que não aparece na televisão, que pagou bem caro a sua fantasia, que ensaiou debaixo de chuva, que ajudou a transportar material da quadra para o barracão, que ajuda em tudo o que pode a sua escola do coração, que não pertence à diretoria, mas tem o maior respeito pelo seu pavilhão, você se sente feliz com tanta mudança?


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21/02/2013 14h59

Carnaval 2013: divulgação, tragédia em Santos e justificativas das notas
Maria Apparecida Urbano

Foto: Jefferson Pancieri - SPTurisLogo após o Carnaval acontecem naturalmente os comentários sobre as escolas de samba, em particular, as do grupo especial. São referidas suas apresentações, destacando-se  os pontos positivos e negativos, e o mais importante: o julgamento dos quesitos impostos pelo regulamento dos desfiles.

Nem sempre as justificativas dadas pelos jurados são bem aceitas. Quem perde sempre contesta, não concordando com os resultados.

As musas, madrinhas e rainhas ganham grades destaques, em suas carreiras depois de desfilarem nas agremiações. Para as escolas, a presença dessas atrizes e modelos são destaques na frente de alas ou da baterias, e naturalmente chamam a atenção do público que retribui com aplausos. Reconhece-se também que as escolas apareceram com certa frequência nos jornais mais por causa delas.

Com as agremiações dos outros grupos isso já não acontece,  pois essas mulheres famosas normalmente só desfilam no grupo de elite buscando visibilidade e, quando muito, no participam de alguns desfiles do grupo de acesso.

Embora a mídia em geral se preocupe em focar em grandes atrações, que no Carnaval são as escolas de elite, não se pode esquecer das entidades que integram os grupos menores. Mesmo não tendo divulgação, são elas que desfilaram pelos bairros, levando alegria para uma boa parte dos moradores da cidade.

Esses grupos pertencem à União das Escolas de Samba Paulistanas, Uesp, a casa, por onde todas as grandes escolas já passaram, e onde se formam os verdadeiros sambistas, que aprendem a respeitar os pavilhões e a ter amor às  suas entidades.

Esses grupos deveriam ser mais prestigiados, porque é neles que encontramos aqueles sambistas que pagam pelas próprias fantasias, dando tudo de si para defender as cores das escolas. Esse esforço foi visto no Carnaval deste ano. Escolas sem nenhum recurso levaram seus carros de um bairro a outro, com grandes dificuldades e debaixo de chuva.

Nem tudo, porém, é alegria no Carnaval. Este ano aconteceu um grave acidente na folia santista. Um carro alegórico bateu num fio da rede elétrica e pegou fogo. A alegoria já estava na dispersão do sambódromo da cidade quando aconteceu o acidente. Quatro pessoas morreram, inclusive uma jovem que estava na calçada. Outras cinco foram internadas. O carro alegórico pertencia a escola de samba Sangue Jovem, ligada a torcida do Santos Futebol Clube, e fazia uma homenagem ao Pelé.

Que esse ocorrido seja um alerta, principalmente para os desfiles de Carnavais de bairros, cujas escolas, terminados os desfiles, não encontram lugares apropriados para colocar suas alegorias.

Embora devemos felicitar as escolas de samba campeãs pelos belíssimos desfiles apresentados, também vamos nós confraternizar sensibilizados pelo acidente ocorrido na baixada santista.

Mas o Carnaval passou, fim de festa. Agora nos resta o sabor do dever comprido.


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