Apesar de tudo, o samba continua

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 01/05/2012 17h15

Foto: Fernando InnechiPor quantas divisões e subdivisões já passou o samba paulistano? Muitas.

No passado já tivemos Associação, Coligação, Federação e finalmente a União das Escolas de Samba Paulistana, a Uesp.

Posteriormente, na Uesp, aconteceu um desmembramento, criando-se então a Liga e Super-Liga.

E agora mais uma subdivisão: surge a Associação Independente Carnaval
São Paulo, a Aicasp.

Será que essas uniões e desuniões dão certo? A raiz do samba paulista cresceu ou não? Tivemos experiências várias, até ser criada a União das Escolas de Samba Paulistanas, que na época uniu as escolas de samba, os cordões e os blocos. Tornou-se uma casa respeitada, cuja meta principal era manter sempre vivas as tradições do samba.

Todo conhecimento do samba era passado pelos sambistas mais antigos. Cada escola, cordão ou bloco que pleiteasse fazer parte dessa entidade, tinha que aprender e respeitar as regras estabelecidas.

Por muitos anos a Uesp foi o celeiro dos verdadeiros sambistas. Todas as agremiações que hoje são grandes, tiveram seu início na "casa do samba", como era chamada pelos sambistas.

Mas o tempo passou, as escolas foram crescendo, e aconteceu o primeiro desmembramento da Uesp: o grupo 1 se afastou e nasceu a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo.

Na época foi uma divisão necessária, e o samba cresceu a ponto de as escolas do grupo especial, antigo Grupo 1, se tornarem as "indústrias do Carnaval". Organizadores do maior e melhor espetáculo que São Paulo já teve.

Mesmo depois dessa divisão, a Uesp por muitos anos, se manteve firme nos seus propósitos, realizando simpósios, palestras e dando cursos para futuros jurados, repassando assim sempre as tradições e culturas do samba.

Deparamos agora novamente com mais uma divisão. Essa atitude é boa? Quais dessas organizadoras do samba preserva as raízes, tradições e cultura sambistica? Vai aí a pergunta.

Sentimos que, com essas divisões e subdivisões, a Uesp vai sendo fragilizada. Até aí, podemos admitir que isso é o sinal dos tempos, que tudo muda com o que concordamos.

Porém, cabe aí uma pergunta: com tantos desmembramentos e divisões, como ficam as tradições e cultura que embalaram até hoje os nossos sambistas?

Temos percebido que muitos presidentes de escolas de samba nem sequer sabem o que representa o símbolo do seu pavilhão, e nem conhecem a história das suas entidades. Como também muitos diretores desconhecem quem foram e quais os nomes dos antigos baluartes do samba.

Com o grande crescimento de componentes e com a massificação da mídia, se por um lado o Carnaval ganhou belíssimos espetáculos, por outro estamos vendo desaparecer as nossas raízes, tradições e cultura.

Para o samba paulistano, será que está valendo a pena essas divisões e subdivisões, esse crescimento de componentes, e a diluição das tradições e das raízes do samba?

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Relembrando personagens do samba paulista

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 23/04/2012 14h32

Foto: DivulgaçãoPara conhecer um pouco mais da história do samba paulista é sempre bom relembrar pessoas que muito contribuíram para que o samba pudesse criar raiz em nossa cidade e que auxiliaram para o desenvolvimento dos grupos de batuqueiros que surgiram em alguns bairros.

Em alguns textos de nossa próximas colunas, vamos exaltar alguns nomes importantes que enalteceram a cultura popular e que fazem parte dos bastidores da folia paulistana

Primeiramente vamos falar de Solano Trindade. Fomos pesquisar a sua vida numa conversa com sua filha Raquel na cidade de Embu das Artes.

Nascido em Pernambuco na cidade de São José, muito jovem foi para o Rio de Janeiro, onde morou por longos anos perto da escola de samba Cartolinha em Caxias. Essa agremiação se uniu com a escola de samba União do Centenário, passando a constituir-se a escola de samba Grande Rio.

Solano foi antes de tudo sambista. Foi também ator de teatro, teatrólogo, folclorista, pintor e poeta. No Rio de Janeiro, montou uma peça chamada "Balé Brasiliana", ajudado pelo seu amigo Miécio Askanasy.

Essa peça foi levada para a Europa com grande sucesso. Foi a maior companhia de arte negra do país. Muitos participantes deste espetáculo ainda estão no meio do samba até os dias de hoje, como Haroldo Costa, que também foi diretor dessa peça; como Marina, que forma com o marido Wilson um casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola de Samba Vai-Vai, que foi bailarina do grupo.

Solano veio para São Paulo por volta de 1958 ou 1959, trazendo grande bagagem artística e muito amor pelo samba e pelo folclore de todo o Brasil.

Quando foi morar na cidade de Embu, como era um bom sambista, a sua casa se tornou ponto de encontro dos sambistas principalmente os paulistanos como Pato N’agua, Geraldo Filme, Henricão, Seu Carlão, entre outros. Sua família também participava dos encontros de samba. Entre seus filhos vamos destacar Raquel Trindade, escritora e pintora de belíssimos quadros que ficaram conhecidos internacionalmente.

Em 1976 escreveu o enredo em homenagem ao seu pai "Solano Trindade Vento Forte/moleque do Recife", para a Vai-Vai. O enredo ficou muito bom. Raquel contou no enredo fatos do  folclore nacional e toda a história da vida de Solano do Recife até Embu. Concorreu com outros enredos e venceu. Em seguida desenhou as fantasias e as alegorias. Na época, o presidente era o Chiclé que recebeu com muito carinho a filha tão querida do seu grande amigo Solano.

Geraldo Filme era um grande compositor e, embora não participasse da ala dos compositores da Saracura, fez um samba para o enredo. Na apresentação de sua obra musical, a aceitação foi unânime.

Em 1977 escreveu o enredo "José Mauricio Nunes Garcia", também para a Vai-Vai. Foi um enredo de muitas pesquisas, recebendo ajuda da professora de música Neide Rodrigues Gomes, que conhecia todas as suas canções. Foi também um lindo enredo que deu o vice-campeonato a escola do Bixiga.

Raquel hoje faz o Carnaval em Embu com o Bloco Kambinda, dirige o Grupo do Teatro Solano Trindade e está sempre a disposição de pesquisadores e estudantes que querem saber da cultura negra, afro brasileira, sobre Solano Trindade, Zumbi dos Palmares e sobre o folclore brasileiro.

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Do que falam os enredos das escolas de samba nos dias de hoje?

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 10/04/2012 15h08

Foto: Jose Cordeiro - SPTurisGrandes enredos já fizeram escolas de samba campeãs de muitos Carnavais. São por meio de enredos que ficamos sabendo coisas e fatos muito interessantes.

Também nos dão a oportunidade de conhecermos muitas histórias que, se não fossem contadas pelos sambistas na avenida, certamente não seriam conhecidas pelo público.

Quantas homenagens já foram prestadas a personalidades do mundo da música, da arte, da ciência, da literatura e de tantas outras áreas, onde o samba contou as suas histórias. Se não fossem lembrados pelo mundo do samba, suas existências passariam despercebidas.

Ah! como é bom lembrar dos enredos feitos em homenagens a Noel Rosa, Jorge Amado, Paulo Vanzolini, aos palhaços Arrelia, Piolin, ao polêmico Plínio Marcos, a cantora Ângela Maria, ao poeta Solano Trindade, e tantos outros que nos fogem da memória nesse momento.

Quantos enredos tornaram-se documentários da nossa história, como os apresentados na passarela do samba no ano 2000, quando foi aberto o livro da história do Brasil, como páginas de um livro, relatando todos os acontecimentos vividos pelo povo brasileiro em diversas épocas.

Pode-se dizer que foi a maior homenagem que o Brasil recebeu no Carnaval, oferecida pelos sambistas de todas as agremiações, pois cada uma ficou encarregada de desenvolver um determinado período da história de uma forma alegre, vibrante e emocionante. E assim foi feito.

Esses fatos todos os anos são demonstrados na passarela do samba. São histórias de tribos indígenas que viveram e ainda vivem em nosso país, do nascimento de cidades, de costumes culturais de outros países cujos povos aqui chegaram para ficar e colonizar. São histórias das grandes descobertas científicas e industriais, graças as quais o nosso país cresceu.

Também temos enredos que contam acontecimentos do momento, às vezes até em forma de sátira. São enfocados artistas que estão fazendo sucesso no momento, como cantores e atores. Também políticos são criticados pelos seus atos, ou são focalizados momentos emotivos do futebol. 

A forma como os sambistas apresentam seus enredos, cantando, sambando, gesticulando, faz com que o público presente entenda de uma forma fácil aquilo a que ele está assistindo. É realmente um magnífico espetáculo.

É um grande teatro com uma encenação maravilhosa, apresentando histórias fantásticas, nas quais os grandes artistas são os sambistas. São pessoas que passam o ano todo trabalhando em suas comunidades, dedicando-se num esforço comunitário, para atingir uma meta sonhada e esperada, que será exibida em sessenta e cinco minutos na passarela.

Com essa motivação, fecham-se as cortinas de mais uma peça teatral desenvolvida em diversos atos pelas escolas de samba, já pensando no próximo ano, quando voltarão a abrir as cortinas para mais um grande espetáculo.

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Livro Mães do Samba: Dona Cida faz agradecimentos especiais

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 20/03/2012 11h49

Foto: Raul Machado - SRZDVenho agradecer através do SRZD-Carnaval/SP a todos que colaboraram no lançamento de mais um livro de minha carreira, na qual procurei, como sempre, pesquisar as verdadeiras histórias da cultura do samba.

Em primeiro lugar quero agradecer ao amigo  Luiz Sales da SPTuris, que graciosamente cedeu o espaço do Auditório Elis Regina para a realização do evento, e ao vereador Celso Jatene, que colaborou pessoalmente para que o livro fosse concluído.

Agradeço a presença do Professor Eduardo de Oliveira, Presidente do CNAB e um dos prefaciadores do livro; Cândido de Souza Neto, Presidente da Abasp; Izaura Panfili, Presidente da Adesp e Carlos Alberto Caetano, Presidente da Associação das Velhas Guardas.

Infelizmente entre os presidentes convidados das entidades filiadas a Liga-SP e da Uesp, apenas dois compareceram. Geraldo Sampaio Neto, o "Borjão", Presidente da E.S. Barroca Zona Sul; Laurinete Nazaré da Silva Campos, a "Dona Guga", Presidente da E.S. Morro da Casa Verde.

Mas o brilho desse encontro ficou mesmo por conta da presença das baianas homenageadas: Beatriz Evangelista de Oliveira (Dona Bia), Maria Luiza Gonçalves (Malú), Irondina de Souza Medeiros, (Dona Danga), Ione da Silva, Neide de Jesus André, Nair de Aquino Ernesto Barbosa, Maria Célia Hilário, Maria de Lurdes Ferreira e o Grupo Tias Baianas Paulista.

Além dessas, também foram homenageadas Geraldina de Oliveira e Josefa Maria da Silva (Dona Zefa), in memoriam, bem como Pricilia Batista e Elza Elias, as quais, infelizmente, não puderam comparecer por serem senhoras com dificuldades de locomoção e não encontrarem ninguém das suas escolas para levá-las até o Anhembi. 

Os meus agradecimentos à imprensa que se fez presente: Américo Garcia, do Jornal QG do Samba, o jornal mais antigo no meio do samba, onde escrevo regularmente o seu Editorial. Também lembro e agradeço efusivamente Maria Yamasaki e Cris, que representaram a Rádio Jovem Pan, onde tenho feito comentários dos desfiles carnavalescos.

Faz-se ainda necessário um agradecimento especial ao outros representantes da mídia presentes: Brás Pereira, Senna, Alvarenga, Claudia Alexandre, Candinho, Mauricio Coutinho e Moisés da Rocha, tendo sido este também um dos que prefaciaram gentilmente o livro.

Quero ainda agradecer ao Raul Machado e todos da equipe do site SRZD-Carnaval/SP, cujo espaço tenho prestado colaboração. Deixo um abraço ao Sidney Rezende e parabenizo sua iniciativa em divulgar a folia paulistana em seu portal.

Espero ter alcançado a meta a que me propus: levar ao conhecimento de todos os sambistas as histórias de algumas baianas, fazendo com que todas elas de um modo geral sejam respeitadas, valorizadas e reconhecidas como Mães do Samba e que as Escolas de Samba lhes concedam o devido valor.

A exemplo do Rio de Janeiro, vamos escrever a história do samba paulista, enaltecendo o nome dessas mulheres e fazendo que cada uma, com seu modo de doação ao samba, seja como Tia Ciata, Dona Zica, Dona Neuma, entre outras tão queridas mães do samba.

Clique aqui para conferir como foi o lançamento do livro

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Blogueira do SRZD-Carnaval/SP lança livro nesta noite em São Paulo

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 09/03/2012 11h16

Foto - Acervo Pessoal Maria Apparecida UrbanoNa noite desta sexta-feira, dia 9 de março, lançarei mais um livro, denominado Mães do Samba: Tias Baianas ou Tias Quituteiras.

O lançamento oficial acontecerá no Auditório Elis Regina, no Parque Anhembi às 19 horas.

Nesse livro, procurei relatar histórias das mulheres negras desde África, seu modo de vida, seus costumes, a gastronomia e suas religiões. Registra-se ainda o poder de algumas mulheres africanas que se tornaram famosas e dominadoras.

Relato a chegada dessas mulheres ao Brasil vindas como escravas, trazendo consigo uma imensa cultura que, com o passar dos tempos, se espalhou por todo país.

Foram destacadas também as mulheres que, depois de libertas, souberam se valorizar, muitas passando para a história e conseguindo lugar de destaque na sociedade.

Para ilustrar e poder valorizar as mães do samba, foram reproduzidos depoimentos de baianas de  escolas de samba, de intensa participação e vivência em suas comunidades. Com isso deixaram documentada muitas histórias sambísticas.

Continuo acreditando na valorização da nossa cultura, sendo este o meu quarto livro.

Na expectativa de que seja do agrado de todos os sambistas, ficarei esperando pela sua presença, para que, juntos, possamos compartilhar dessa homenagem às "baianas", que tantas alegrias nos trazem.     

Com entrada franca, o evento desta noite é aberto ao público. Contar com a sua participação será mais que um presente.

Maria Apparecida Urbano

Foto - Divulgação

 

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Triste momento do Carnaval de São Paulo

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 27/02/2012 01h22

Foto - Raul Machado - SRZDComo todo sambista paulistano, estou envergonhada pelas inexplicáveis, incompreensíveis e deprimentes cenas durante a apuração das notas dos jurados.

Um grande susto tomou conta de todos que estavam presentes ou mesmo assistindo pela televisão, com a atitude inesperada de um componente da escola de samba Império de Casa Verde.

No tumulto que tomou conta do local, vimos componentes da Gaviões da Fiel, Camisa Verde e Branco e Vai-Vai, transformarem o recinto numa baderna.

Eu, que venho há muitos anos lutando pela conservação e divulgação das histórias do Samba Paulista, fazendo pesquisas, escrevendo livros e artigos em jornais e revistas, procurando valorizar nossas raízes, nosso passado e  baluartes, vejo todo o meu trabalho jogado no chão, como aqueles envelopes, atirados, sem valor. Que tristeza!

Procurando analisar essa situação, percebe-se que muitas dessas pessoas não podem ser consideradas sambistas, pois não corre em suas veias aquele sangue que luta para o verdadeiro crescimento das escolas e o amor pelo seu pavilhão.

Para essas pessoas, esse amor e esse sentimento são coisas do passado, que valem apenas para a velha guarda; simplesmente acham que não devemos dar ouvidos às histórias. O que eles querem é somente o "Título de Campeão"; então "vamos guerrear, destruir, prejudicar, não interessa a quem".

Está nas mãos da diretoria da Liga-SP, tomar uma atitude drástica, porque, se não for assim, a cena que assistimos e que muito nos envergonhou poderá se repetir.

Também não vamos nos esquecer de que as imagens do Carnaval de São Paulo, que vêm crescendo a cada ano, são transmitidas para o mundo todo, e que em virtude dos fatos deste ano, deixará a imagem de nossa folia bastante denegrida.

E qual vai ser a cara dos dirigentes das escolas de samba ao procurar patrocínio?

Situação bastante delicada! 

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Carnaval 2012: Como é sufocante esse 'finalmente'

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 14/02/2012 11h41

Foto - SPturisFaltam poucos dias ou horas para se dar início a apresentação do grande espetáculo, o maior do mundo em dias e horas, simplesmente inigualável, preparado pelas escolas de samba.

Estamos na reta final. Dentro das escolas de samba, nota-se um clima de bastante ansiedade,vista principalmente nos olhos dos seus  dirigentes e dos carnavalescos. Embora todos afirmem que tudo está sob controle, que só faltam pequenos detalhes, a expectativa é muito grande.

A retirada dos carros alegóricos para a concentração todo ano é um grande drama. Os carros são muito grandes e a montagem se dá na própria  área de concentração, um lugar sem proteção, onde eles são expostos ao relento, e onde o medo de tempestades e ventanias é uma angústia para todos, tanto para dirigentes, como para o grande número de pessoas que trabalham na montagem.

Como é sufocante esse "finalmente". Quantas alegorias se perderam em anos anteriores com as chuvas torrenciais que caem nesse período do ano em que antecede ao desfile. Portanto, a ansiedade.

Vamos esperar que neste ano as coisas mudem e que daqui em diante, não aconteçam esses temporais. Vamos torcer para que as noites dos desfiles sejam acompanhadas pelo clarão da lua a iluminar a passarela. 

Visitando os barracões, fiquei deslumbrada pela grandiosidade das esculturas, pelo aperfeiçoamento das mãos dos funcionários, pela tecnologia que vem sendo empregada na maioria dos carros alegóricos.

Tudo indica que vamos ver na passarela do samba um espetáculo maior e mais bem preparado do que do ano passado. A cada ano que passa, a evolução, a renovação e a criação de novos materiais vão fazendo do Carnaval brasileiro um evento único no mundo.

Estaremos lá para ver, admirar e aplaudir cada agremiação que passar por nós, lembrando a criação de todos os seus processos e desenvolvimento até essa chegada na avenida. E que vença a melhor escola, embora podemos considerar que todas são campeãs, pois o caminho até chegar ao desfile final não foi nada fácil.

Você sabe o que é Entrudo?

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 07/02/2012 11h29

Foto - Acervo Maria Apparecida UrbanoEmbora nos dias de hoje o Entrudo não seja tão conhecido ou lembrado, principalmente pela maioria dos jovens, vamos falar um pouco do que foi essa brincadeira que chegou ao Brasil por volta de 1560, com a vinda dos colonizadores portugueses e que aqui permaneceu por muito tempo.

Fala-se muito sobre o Carnaval e as escolas de samba nos últimos tempos e é até normal esquecermos o que ficou para trás. De 1560 até começo do século XIX, parece que ficou uma lacuna. A bem da verdade, porém, essa brincadeira do entrudo permaneceu bem viva e atuante em nosso país por alguns séculos, ou seja, da  época que aqui chegou até o início do século XIX, existindo ainda hoje alguns rescaldos do que ele foi.

O Entrudo era uma brincadeira carnavalesca que consistia em se jogar água muitas vezes não tão limpas, farinhas, ovos, ou até pó de mico nas pessoas. Brincava-se em família, dentro das casas, desde as mansões as casas mais humildes, entre vizinhos, em passeios públicos, pegando muitas vezes pessoas desavisadas ou distraídas.

Com o passar dos tempos surge o imão de cheiro, uma pequena esfera feita de cera e oca por dentro, onde era colocada água perfumada. Essa pequena esfera era atirada uns nos outros. Surgiram também as seringas, às vezes muito grandes que levavam muita água a ser usada na molhadeira do Entrudo.

Por muitas vezes o Entrudo foi proibido até com intervenção policial, mas continuava provocando as autoridades por décadas e décadas. Como se sabe ainda hoje muitas crianças brincam com seringas plásticas, espirrando água em quem passa. É uma prova de que o Entrudo não morreu totalmente.

No início do século XIX, deu-se a vinda da Família Real Portuguesa para o Rio de Janeiro, fato inédito na história mundial, de um monarca europeu estabelecer o centro do poder num país da América.

A cidade do Rio de Janeiro se transformou então com a chegada dos europeus, que trouxeram novidades principalmente da França, especialmente para o Carnaval onde surgiram fantasias, máscaras e os grandes bailes.

O Entrudo, que até então dominava o Carnaval, foi se afastando da sociedade de elite e do centro da cidade, porém permanecia no meio do povo.

Em 1851 são fundadas as primeiras sociedades carnavalescas de elite da cidade, denominadas "Grandes Sociedades". Para organizar os desfiles pelas ruas mais movimentadas do Rio de Janeiro, foi criado o Congresso das Sumidades Carnavalescas.

As primeiras sociedades que se destacaram foram: Tenentes do Diabo, Democráticos, Fenianos. É interessante notar que cada sociedade trazia em seus desfiles cerca de 20 ou mais carros alegóricos, confeccionados com esmero.  

Posteriormente começaram a aparecer sociedades menores, formadas por grupos, clubes, blocos, ranchos e cordões, contando com a participação de pessoas das camadas mais populares da cidade. Elas passaram a ser chamadas em conjunto "Pequenas Sociedades Carnavalescas", a exemplo das Grandes Sociedades, e ficaram responsáveis pelos próprios desfiles.

Mesmo durante esses grandiosos desfiles, nos intervalos entre a passagem de uma sociedade a outra, o público presente não deixava de jogar o Entrudo.

Com o passar dos anos as Grandes Sociedades foram deixando de participar da folia de rua, passando a comemorar o Carnaval em seus salões.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro o Carnaval de rua a cada ano foi crescendo mais. Desfilavam os blocos, os ranchos, os cordões, até chegarmos às primeiras décadas do século XX quando, começou a ocorrer a fundação das escolas de samba.

Aos poucos foram sendo determinados lugares mais apropriados para a realização dos desfiles, tendo chegando o século XXI com magníficos desfiles, com espaço próprio para as suas apresentações.

Portanto, enquanto o Entrudo atravessou séculos, as escolas de samba ainda não completaram um século. O tempo passou sem se perceber o que o Entrudo representou para a história do Carnaval em nosso país.

Foram bem mais de trezentos anos de brincadeiras por todo o território brasileiro, onde ricos, nobres, pobres e escravos se divertiam.
 
Essa época infelizmente ficou esquecida principalmente pelos que se dizem divulgadores do Carnaval. Também foram esquecidos os gigantescos desfiles das "Grandes Sociedades" das quais as escolas de samba, que talvez nem sabem, herdaram as apresentações dos carros alegóricos e dos destaques, além dos próprios princípios de organização que eram exemplares na época.

E o sambista continua sonhando...

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 18/01/2012 20h20

Foto - SPTurisVoltamos a falar de samba, de suas alegrias e tristezas neste espaço que nos cedeu o amigo jornalista Sidney Rezende.

Desta vez, vamos lamentar fatos que ocorrem dentro do mundo do samba paulistano.

Pensamos no grandioso espetáculo, que a maioria das escolas de samba e seus sambistas estão preparando, a duras penas, para o Carnaval de 2012.

Como se explica que um trabalho, realizado praticamente o ano todo por comunidades de recursos modestos, que ainda assim, oferecem empregos a um número muito grande de pessoas, valorizando juntos o Carnaval da capital paulista e enriquecendo o comércio, a indústria, o turismo e tantos outros setores, que veem nesse período uma forma de aumentar os seus lucros?

Como se explica que essas escolas, que realizam tais trabalhos, de visuais tão lindos, jamais sejam valorizadas pelas autoridades governamentais?

É muito triste ver barracões de escolas de samba tradicionais, que há muito tempo vem colaborando para o engrandecimento da folia paulistana, não conseguirem um espaço digno para executarem suas alegorias.

Algumas trabalham debaixo de pontes, sem nenhum conforto. São locais perigosos, sujeitos a assaltos, enchentes, ou mesmo até mesmo incêndio, como ocorreu recentemente nos barracões da Unidos da Vila Maria e da Mocidade Alegre. 

Pelo trabalho que oferecem, elas deveriam ter grandes espaços cedidos pelas autoridades, porque, afinal, quem sai lucrando com o visual das agremiações são elas mesmas. Esses espaços tão esperados, devidamente equipados de toda segurança possível, são necessários e urgentes.

Todos os materiais usados na confecção das alegorias e fantasias são inflamáveis, sujeitos a incêndios, e os tecidos delicados das fantasias e acabamento dos carros são facilmente perdidos por enchentes.

Foto - Raul Machado - SRZDMas os sambistas também são otimistas e sonhadores, e continuam sonhando... sonhando... com a tão esperada "Fábrica do Samba Paulistana", prometida há mais de dez anos, como também esperam o "Museu do Carnaval", que deveria ser construído nas imediações do Anhembi, na gestão do então prefeito Celso Pitta, e que até hoje não aconteceu. Entra ano e passa ano, entra prefeito sai prefeito, e até agora nada.
     
Mesmo assim somos sambistas, defendemos as nossas entidades e por elas lutamos e trabalhamos intensamente. Também vibramos ao ver a entrada triunfal de cada escola na passarela do samba com todos os seus trabalhos realizados. Na hora certa e no momento certo, lá estão elas prontas na concentração: impecáveis e felizes. Nesse momento são esquecidos todos os dissabores, todas as preocupações, angústias e aflições, procurando-se viver intensamente um momento mágico de absoluta alegria.
 
Quem ganha com isso? Ah, nós os sambistas, o público presente tanto das arquibancadas como os que pagam altíssimos preços para assistir a esse deslumbrante espetáculo, a Prefeitura e o Estado, que oferecem aos turistas em visita a São Paulo, essa grande atração que são os "desfiles das escolas de samba". Ganham o comércio, os hotéis, os centros gastronômicos e a mídia, que faz do evento a sua matéria durante o Carnaval.

Mas, independentemente do "sonho tão sonhado e da realização tão esperada", assistiremos em 2012 certamente ao melhor e maior desfile de todos os tempos. 

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É fim de ano. Tempo de festa! Vem aí o Carnaval 2012

Maria Apparecida Urbano | Maria Apparecida | 27/12/2011 01h48

Foto - DivulgaçãoConvidada pelo jornalista Raul Machado, a participar da conceituada página do portal SRZD-Carnaval/SP, vi uma grande oportunidade em poder relatar alguns assuntos relacionados a fatos, histórias e curiosidades da cultura sambística.

São poucas as oportunidades de levar ao conhecimento público,fatos que relatam a história do samba paulista.

Na realidade não vamos estar aqui, para somente contar histórias, mas sim divulgar notícias e assuntos que ocorrem dentro das escolas e que são ignorados pela maior parte dos sambistas.

Parabenizo toda a equipe do SRZD, em especial ao Sidney Rezende, por este grande empreendimento cultural. Todos nós paulistanos estamos muito gratos pela oportunidade de poder, por meio deste já tão querido espaço, propagar todos os acontecimentos de cada entidade carnavalesca durante o ano inteiro.

Para começar esse editorial, quero agradecer a todos meus amigos do mundo do samba, que me deram o maior apoio e carinho durante minha enfermidade. Seja por telefone, celular ou e-mail, recebi diversas mensagens de sabedoria e apoio. Graças a Deus o susto já passou e hoje estou aqui agradecendo, pois são nestes momentos de dificuldade que descobrimos que não estamos sozinhos e existem muitos amigos orando e torcendo por nós.

Mas vamos falar de alegria, de festas e eventos, pois o mês de dezembro chega ao seu final para fechar com chave de ouro um ano muito festivo.

Começando pelo dia 2 de dezembro com a comemoração do "Dia do Samba", um dia muito especial para todos os sambistas. Data de reconhecimento pelo muito que os nossos antepassados fizeram e nos deixaram de história, de composições, música e muitos exemplos de amor e dignidade.

É pena que nem todas as comunidades se preparam para prestigiar e comemorar essa data. Infelizmente existem escolas de samba que até desconhecem essa data. Não é verdade?

Mas também prestando uma homenagem a esse dia, foi lançado pela Liga, o CD com todos os sambas das agremiações e a tão esperada revista para o Carnaval de 2012.

Neste mês, todas as escolas aumentaram o ritmo de suas atividades nos barracões, ensaios de quadra, evoluções de rua e no sambódromo. Enfim há um imenso trabalho sendo feito para mais uma vez, oferecermos a São Paulo e ao Brasil, um imenso e magnífico espetáculo.

Tivemos também a alegria da nova Corte, com o Rei Momo, o Rei do Carnaval, iniciando o seu reinado com sua Rainha e princesas, juntamente com os "Reis do Samba", denominados Cidadão Samba e a Cidadã Samba.
 
É uma pena que o que acontece nas entidades carnavalescas nesses meses que antecedem ao Carnaval não é conhecido pelo povo em geral. Muitas pessoas criticam o Carnaval sem saber o que de bom essa grande festa oferece. Aliás, criticar sempre foi muito fácil, o difícil é conhecer e participar para poder descobrir a grandiosidade dessa preparação.

Assim como numa grande empresa há diferentes setores, e cada setor possui o seu dirigente, tudo tem que funcionar automaticamente em uma escola de samba. Embora quem visite um barracão ou o atelier de costura tenha a impressão de que tudo pareça uma grande bagunça, o projeto é planejado e trabalhado para que no dia marcado para o desfile esteja pronto, em ordem e na hora certa.

Aproveito a oportunidade parar deixar aos leitores do SRZD-Carnaval/SP, uma mensagem especial de Feliz Ano Novo.

Que 2012 seja um ano de muito amor, fé, amizade e repleto de esperanças e realizações.

E que no próximo ano estejamos sempre juntos, unidos pelo mesmo ideal: o samba paulista.       

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