SRZD


23/05/2013 00h00

Parabéns ao SRZD e Sidney Rezende
Maria Apparecida

Lendo uma reportagem de José Ramos Tinhorão, jornalista, crítico musical, pesquisador da história da música popular brasileira, participante das batucadas cariocas, convivendo com as mais altas personalidades do samba, e autor de vários livros, tomei conhecimento de um artigo seu, publicado na Revista "D.O. Leitura", de outubro de 1991, onde trata do jornalismo no século XVIII e XIX, cuja curiosa atividade era o Carnaval.

Num primeiro histórico feito, o autor se refere a jornais de diversos lugares do Brasil com publicações carnavalescas. Assim, menciona, entre outras, os jornais "O Carnaval" e o "O Eco dos Tagarelas", de Pernambuco, respectivamente de 1855 e 1875, anunciando-se o segundo como um "jornal crítico, literário e carnavalesco"; a publicação "O Fantasma", distribuída no Clube Democrático do Rio de Janeiro; o jornal "Zé Pereira", do Belém do Pará, de 1882; e o jornal "O Rabo", do Cordão da Bola Preta do Rio de Janeiro de 1960.

Nota-se por esse breve relato a grande importância que tem um jornal. Se não fosse por eles, como poderíamos contar histórias do Carnaval, dos desfiles, dos bailes e de todas as manifestações realizadas em épocas passadas? Foram e continuam sendo a melhor maneira de nos inteirarmos de todos os acontecimentos do dia a dia.

Hoje vivemos num mundo moderno e as informações são mais precisas: temos a televisão e a internet nos proporcionando a visão da imagem instantânea. Estamos na era dos computadores e dos celulares, cujas informações são imediatas; dos e-mails, que nos dão mensagens rápidas; do Facebook, uma das maravilhas da atualidade, que nos proporciona mensagens instantâneas e diárias.

Mesmo com todas as modernidades, os jornais e as revistas continuam nos chamando a atenção. No mundo das escolas de samba, o único jornal que está atravessando décadas é o QG do Samba, graças ao grande sambista Américo Garcia, que com muito custo vem mantendo essa publicação.

Mas não são os jornais e revistas que nos chamam a atenção no Carnaval, mas sim a televisão. Porém, nas redes normais de televisão, escola de samba é um assunto para ser mostrado e falado somente na época de Carnaval. Os meios de divulgação do mundo do samba são muito poucos.

Nestes últimos tempos, entretanto, o samba tem sido reconhecido durante o ano todo pelo trabalho dinâmico de uma pessoa digna e responsável, Sidney Rezende. Ele conseguiu implantar em seu portal na internet, um fabuloso jornal, que cobre todos os acontecimentos diários pelo Brasil e pelo mundo. Admirador do samba, cedeu espaço em suas editorias para noticiar o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo.

No aniversário do seu sétimo ano de vida, os sambistas comemoram a existência deste fabuloso canal que acompanha tudo o que acontece no mundo do samba, desde ensaios, desfiles, cobertura na avenida e todas as festividades durante o ano inteiro.

Os nossos profundos agradecimentos ao Sidney Rezende e sua equipe pelo trabalho realizado através do SRZD.

Que esse trabalho tão importante perdure por longos anos. Agora, diante desse bolo tão bem decorado com alegria, paz, muito carinho e rodeado por todos nós sambistas, elevemos a voz desejando PARABÉNS E MUITAS FELICIDADES!!!


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25/04/2013 16h24

'Precisamos de transparência na eleição da Liga-SP', diz comentarista do SRZD
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoAté o mês de maio, dentro do mundo do samba, é uma época de incertezas e acertos. Incertezas quanto à difícil tarefa da escolha dos enredos, se será ou não bom para a escola. Acertos nas questões de verbas e patrocínios, nos novos compromissos com carnavalescos, intérpretes, mestres-sala e porta-bandeiras. Na verdade, essa é uma das fases mais difíceis na organização das agremiações.

Porém, neste ano, há também outras escolhas realmente difíceis e preocupantes. É a eleição da nova diretoria executiva da Liga que dirige os grupos especial e de acesso de São Paulo. De outro lado, ocorre a eleição da diretoria da Uesp, representante dos Grupos 1, 2, 3, 4 e blocos especiais. Essas diretorias irão comandar o Carnaval paulistano nos próximos quatro anos, tanto no sambódromo como nos bairros da capital.

São escolhas que devem ser pensadas, não somente quanto aos nomes, mas também quanto ao que cada candidato representa no mundo do samba, sua integridade moral, sua habilidade administrativa, sua coerência com os assuntos sambísticos e suas atitudes políticas e culturais.

Isso é muito importante sobretudo nos dias de hoje, quando cada escola representa uma verdadeira industria comercial, que, para apresentar o grande show na passarela, tem de produzir e comercializar os seus produtos. Esse é o sinal dos tempos modernos.

Embora possuam estruturas bem definidas, é muito importante que todas as entidades mantenham sempre bem vivas as suas histórias culturais. É necessário, ou até mesmo obrigatório, preservar a memória dos seus fundadores, suas conquistas ou suas derrotas, a criação e o respeito pelos seus pavilhões. Qualquer grupo social, que não tiver um passado documentado, terá muita dificuldade de sobreviver no futuro. Isso é um fato verídico que temos visto ao longo dos anos.

Desde os primeiros sons dos tamborins até os sons das baterias dos dias atuais, presenciamos o incrível crescimento das entidades do samba. Como no futebol, o amor e as torcidas vêm num crescimento inacreditável.   
 
Todas as entidades dirigentes hoje em dia tem que ser absolutamente transparentes, pois as cobranças em cima de seus atos são muitas, e geralmente ficam sem respostas. Um exemplo foi a seguinte manchete colhida num jornal da capital, a propósito de uma carta de leitor: "Destino das verbas para escolas de samba":

"O prefeito Haddad disse querer opiniões sobre o Carnaval de São Paulo. Acho que ele, com o Ministério Público, deveriam controlar melhor a situação das verbas, pois as escolas de samba se sustentam com verba pública e não repassam isso às comunidades. A maioria das escolas carrega as palavras cultura e recreativo, mas isso a gente não vê. O que vemos são festas onde a comunidade é esquecida. Só é lembrada para fazer serviços gratuitos por "amor ao pavilhão".

Foto: DivulgaçãoAqui vai um apelo às novas diretorias: que as atas de cada assembléia com prestação de conta e planos para novos projetos  sejam sintetizadas e publicadas em jornais da capital para que aqueles, que hoje só criticam, mas batem palmas durante os dias de folia, fiquem ao par do que acontece dentro do mundo do samba, ou seja, que as coisas fiquem totalmente transparentes.

Somente com diretorias trabalhando da forma como o povo de um modo geral quer ver o samba é que nós vamos criar credibilidade, tão maculada nestes últimos anos.



01/04/2013 00h42

'Fábricas de Samba': só o tempo nos dirá se o projeto sairá do papel
Maria Apparecida Urbano

Foto: Assessoria - Liga-SPDesde que o sambódromo foi inaugurado no começo, de forma precária, os sambistas sonham em ter um lugar seguro e adequado para fazer suas alegorias.

O grande sonho era que se construísse um grande galpão num imenso terreno existente ao lado do sambódromo. Acontece, porém, que a Aeronáutica tomou conta de boa parte desse terreno e a parte restante recebeu um projeto especial, no governo de Marta Suplicy, para ser construído mais um centro de exposições. Nada foi feito, todavia. Ainda bem, pois é nesse espaço que se abrigam até hoje os carros alegóricos logo após os desfiles.

Mas os sambistas continuavam sonhando com um dia ter um espaço próprio, adequado e seguro para a confecção das alegorias, fantasias e artesanatos usados na preparação de seus desfiles. Passaram então a denominar o tão sonhado espaço como a "Fábrica dos Sonhos", depois "Fábricas de Samba".

No entanto essa ideia permanece sendo apenas uma grande esperança, enquanto todas as escolas de samba continuam trabalhando o ano todo em cima de sonhos em locais inadequados. Sonhos de realizar a montagem de seus enredos, sonhos de apresentar esse trabalho tão fascinante numa única apresentação durante o Carnaval. É um sonho maravilhoso que une toda a comunidade, irmanando-a durante os ensaios numa dedicação única. Tudo para que esse sonho se torne realidade.

Por que Fábrica? Será que as agremiações já são consideradas indústrias? É certo que hoje temos funcionários assalariados e registrados, e , em alguns casos, terceirizados. Mas o que elas fabricam são sonhos imaginados, trabalhados e realizados em vista do enredo escolhido. Também não fabricam samba; os sambas nascem da criatividade dos compositores, verdadeiros poetas das comunidades, construídos sobre ilusões, fantasias e sonhos.

Parece que a situação continua como antigamente, quando todas as escolas trabalhavam no aperto, em más condições e ficavam felizes, quando conseguiam um lugar embaixo de viadutos, para depois, durante os dias do no Carnaval, mostrar ao mundo do que são capazes. 

Foto: Raul Machado - SRZD

Quantos anos esperamos para conseguir ter um espaço? Quantos prefeitos prometeram...prometeram...Entra prefeito, sai prefeito, e o sonho continua.

Sempre esperançosos, vamos convivendo com promessas, escolha de terrenos, previsões, início de construções... Enfim cá estamos nós, como já diziam os nossos sambistas do passado: "O sambista é um pedinte de chapéu na mão".

Salvem nossos mestres Inocêncio Tobias, Jangada, Pé Rachado, Plínio Marcos, Geraldo Filme, Zéca da Casa Verde, Seu Nenê e tantos outros que já nos deixaram, que também foram eternos sonhadores, que passaram a vida sempre na esperança de dias melhores para esse "samba", que eles souberam galhardamente defender. Um samba, que foi reprimido, ameaçado, censurado, mas que continua sua trajetória sem esmorecer até os dias de hoje, século XXI, na esperança de dias melhores.          

Se vamos um dia conseguir ter a "Fábrica dos Sonhos", ou a "Fábricas de Samba", só o tempo poderá nos responder!!!



19/03/2013 14h20

Dança das cadeiras: já começou tudo de novo!
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoÉ comum se ouvir falar que o Brasil só começa a trabalhar depois do Carnaval. Será isso verdade? Acho que não, ao menos em relação aos paulistanos, pois, assim que termina um feriado seja ele qual for, no dia seguinte já estão no trabalho. É bem verdadeira a frase que diz que São Paulo não pode parar.

Já para os sambistas, o Carnaval, de fato, só termina no sábado seguinte, pois ainda durante a semana temos a apuração e depois a apoteose, com o desfile das campeãs e das agremiações que receberam as melhores notas dos jurados. Só então é que retornamos para a casa com a sensação do dever comprido.

Para as escolas de samba e de suas diretorias, agora é época de reflexão, de acertos e entendimentos. Nem tudo dentro de uma escola sai de acordo com o planejado. Cada entidade procura dar o melhor de si, isso é a lógica. Mas aquela faixa amarela e aqueles sessenta e cinco minutos nos julgam. Se acertamos ou erramos, agora é a hora de refletirmos.

Por mais bem preparados que podem estar os harmonias, os chefes de alas, um pequeno deslize, um tropeço, uma pequena falha podem ser fatais.

Foto: DivulgaçãoCostuma-se dizer que mal termina um Carnaval outro já está sendo preparado. Essa frase tem muito de verdade. Agora é hora das mudanças, chamada pelos sambistas como a dança das cadeiras: quem fica, quem troca,
é mestre-sala, porta-bandeira, carnavalesco e até mestres de bateria. Isso é sinal de tempos modernos, onde o amor pela escola ou pelo pavilhão é considerado um mero detalhe, o que importa é o que se vai ganhar com a troca e pertencer as escolas que mais aparecem na mídia, dentro das quais, cada um em sua profissão poderá se destacar mais.

Quanto à preocupação pela escolha de um novo enredo, antigamente os carnavalescos, que por sinal permaneciam por anos nas mesmas entidades, se debruçavam sobre livros, procurando histórias e acontecimentos que poderiam valorizar o nome das agremiações.

Hoje o assunto é outro. A maior preocupação nesta época é a procura de quem irá patrocinar o desfile. Não importa muito sobre o que se vai ser o tema. O carnavalesco, que por sinal hoje é muito bem pago, com o patrocinador na mão, escolherá um nome bem sugestivo para a apresentação do enredo.     

E assim caminha a nova montagem das escolas. A contratação de novo mestre de bateria, de novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, de novos grupos de compositores, de intérpretes, mas, o importante é que o samba continua.

Dizem que somos saudosistas, porém, quem não se lembra dos bons tempos em que tanto o mestre-sala como a porta-bandeira eram criados nas quadras, desde garotinhos, geralmente filhos de sambistas, assim como a rainha da bateria. Daqueles compositores que, geralmente sozinhos em mesas de bar, compunham sambas que eram verdadeiras poesias, que ficavam gravados em nossas memórias para sempre, e que muitas vezes ele próprio com sua belíssima voz interpretava o próprio hino na avenida.

O tempo passou, todos os grandes sambistas do passado foram deixando suas escolas crescerem, e elas se tornaram grandes empresas, não havendo mais necessidade de "pedirem  auxílio com o chapéu na mão". Hoje temos funcionários do samba, registrados e remunerados. Os presidentes das agremiações são grandes empresários, competentes, capacitados em dirigir suas comunidades, durante todo o ano, e principalmente no período de Carnaval.
 
Foto: DivulgaçãoAs escolas hoje já não apresentam desfiles, e sim magníficos espetáculos, grandiosos shows, dignos de serem assistidos por todo o mundo. Para os sambistas paulistas é motivo de orgulho ter atingido esse patamar de destaque.

São Paulo ganhou com isso? Sim, não resta a menor dúvida. O que representa o Carnaval com os desfiles das escolas de samba para a indústria do turismo é inacreditável. As escolas também ganharam. Hoje a maior parte delas tem suas quadras, onde recebem um imenso publico durante todo o ano. Ganharam respeito das autoridades e de toda mídia, quer pelas televisões, jornais, revistas, rádios e internet.

E você sambista que não aparece na televisão, que pagou bem caro a sua fantasia, que ensaiou debaixo de chuva, que ajudou a transportar material da quadra para o barracão, que ajuda em tudo o que pode a sua escola do coração, que não pertence à diretoria, mas tem o maior respeito pelo seu pavilhão, você se sente feliz com tanta mudança?


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21/02/2013 14h59

Carnaval 2013: divulgação, tragédia em Santos e justificativas das notas
Maria Apparecida Urbano

Foto: Jefferson Pancieri - SPTurisLogo após o Carnaval acontecem naturalmente os comentários sobre as escolas de samba, em particular, as do grupo especial. São referidas suas apresentações, destacando-se  os pontos positivos e negativos, e o mais importante: o julgamento dos quesitos impostos pelo regulamento dos desfiles.

Nem sempre as justificativas dadas pelos jurados são bem aceitas. Quem perde sempre contesta, não concordando com os resultados.

As musas, madrinhas e rainhas ganham grades destaques, em suas carreiras depois de desfilarem nas agremiações. Para as escolas, a presença dessas atrizes e modelos são destaques na frente de alas ou da baterias, e naturalmente chamam a atenção do público que retribui com aplausos. Reconhece-se também que as escolas apareceram com certa frequência nos jornais mais por causa delas.

Com as agremiações dos outros grupos isso já não acontece,  pois essas mulheres famosas normalmente só desfilam no grupo de elite buscando visibilidade e, quando muito, no participam de alguns desfiles do grupo de acesso.

Embora a mídia em geral se preocupe em focar em grandes atrações, que no Carnaval são as escolas de elite, não se pode esquecer das entidades que integram os grupos menores. Mesmo não tendo divulgação, são elas que desfilaram pelos bairros, levando alegria para uma boa parte dos moradores da cidade.

Esses grupos pertencem à União das Escolas de Samba Paulistanas, Uesp, a casa, por onde todas as grandes escolas já passaram, e onde se formam os verdadeiros sambistas, que aprendem a respeitar os pavilhões e a ter amor às  suas entidades.

Esses grupos deveriam ser mais prestigiados, porque é neles que encontramos aqueles sambistas que pagam pelas próprias fantasias, dando tudo de si para defender as cores das escolas. Esse esforço foi visto no Carnaval deste ano. Escolas sem nenhum recurso levaram seus carros de um bairro a outro, com grandes dificuldades e debaixo de chuva.

Nem tudo, porém, é alegria no Carnaval. Este ano aconteceu um grave acidente na folia santista. Um carro alegórico bateu num fio da rede elétrica e pegou fogo. A alegoria já estava na dispersão do sambódromo da cidade quando aconteceu o acidente. Quatro pessoas morreram, inclusive uma jovem que estava na calçada. Outras cinco foram internadas. O carro alegórico pertencia a escola de samba Sangue Jovem, ligada a torcida do Santos Futebol Clube, e fazia uma homenagem ao Pelé.

Que esse ocorrido seja um alerta, principalmente para os desfiles de Carnavais de bairros, cujas escolas, terminados os desfiles, não encontram lugares apropriados para colocar suas alegorias.

Embora devemos felicitar as escolas de samba campeãs pelos belíssimos desfiles apresentados, também vamos nós confraternizar sensibilizados pelo acidente ocorrido na baixada santista.

Mas o Carnaval passou, fim de festa. Agora nos resta o sabor do dever comprido.


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11/01/2013 02h11

Jurados, eis a questão
Maria Apparecida Urbano

Foto: Walber SilvaDesde que foram oficializados em 1967 os desfiles carnavalescos em São Paulo, tornou-se uma preocupação constante a forma de julgamento das escolas de samba.

Um dos grandes sambistas do passado que se deparou com  esse assunto tão controvertido foi Osmar Cesar de Carvalho, que presidiu a União das Escolas de Samba Paulistanas, Uesp, de 1981 a 1983. Ele criou, de pleno acordo com a sua diretoria e sambistas mais experientes, o primeiro curso para jurados. Foram elaborados os critérios básicos para julgamento, subdivididos em itens, que permitiam à pessoa que se propusera a julgar uma visão especial no item com que ela mais se identificava.

Saber olhar, ouvir, sentir e julgar uma agremiação nunca foi fácil. Vou lembrar um comentário feito pelo Dr. Hiran Araujo, no início dos dos anos 80:

"O julgamento das escolas de samba é uma questão não resolvida". Por caminhar também no subjetivo e nos conceitos de belo de cada um, não tem a certeza de uma ciência matemática. Por ter na paixão um ingrediente muito significativo quase sempre resulta em polêmica e dúvidas. A imponderabilidade é um fator bastante presente. Por tudo isso o ideal seria que as escolas não fossem julgadas. E se apresentassem livres, sem concurso. Mas isso é uma utopia. Não existe e, creio, jamais existirá. A competição é como um veneno necessário. Nesse germe é bem possível que esteja o hormônio do crescimento das escolas de samba. A disputa existe desde o nascimento das entidades carnavalescas. Nasceu praticamente com elas."

Em 1984 é fundada a Federação das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas do Estado de São Paulo, Fesec, sendo um dos seus undadores o próprio Osmar Cesar de Carvalho, que foi  eleito seu primeiro presidente.

A Fesec é uma entidade cujo objetivo é valorizar o folclore, isto é, a cultura popular de um povo, o samba e as escolas de samba, prestando-lhes assistência e orientação perante os poderes públicos. Com esse propósito foi criado o Curso para jurados de entidades carnavalescas.

Para esse curso foi produzido um pequeno livro cujo titulo é: "O Samba em Evolução - Fesec". Foi a primeira obra de orientação para jurados e para todos os sambistas interessados em saber como as escolas eram julgadas.

Esse curso esclarecedor e pioneiro fez com que fossem preparadas pessoas com visão de todos os itens a serem julgados, conhecendo-os profundamente, a saber: as escolas de Samba, seus ensaios, suas dificuldades, o andamento dos barracões, quem trabalha neles, como se compõe um enredo, um samba-enredo, quem é o carnavalesco, conhecendo melhor o seu trabalho, os materiais usados tanto nas alegorias como nas fantasias.

Todo esse conhecimento é muito importante para saber o que se vai julgar. Hoje a teoria é considerada de grande importância.

A procura de erros sem a criteriosa análise para fazer sua avaliação, sem ter a preocupação com a arte popular, ou ao menos com a de guardar as proporções dessa arte é simplesmente lamentável.

A grandiosidade dos desfiles dos dias de hoje representam a maior expressão de cultura popular do Brasil, que é transmitida para quase todo o mundo.

Portanto a responsabilidade de ser jurado é muito grande. Saber conhecer os históricos dos enredos que são verdadeiras aulas de saber, na linguagem popular do nosso povo; ser imparcial nas suas decisões, não julgando as escolas pelo seu glamour, e sim pela realização do trabalho de cada uma.

Assim como não é fácil ser jurado, também não é fácil preparar jurados para julgarem os desfiles carnavalescos. É uma responsabilidade muito grande por parte dos monitores que ministram o curso, procurando se empenhar ao máximo.

Por 14 anos pertenci à diretoria da Fesec, e durante esses anos fui monitora do curso de jurados nos quesitos enredo, fantasia e alegoria.

No final de cada curso, analisando as provas, sentíamos que o que conseguimos transmitir aos alunos tinha sido de grande valia. Mas após o Carnaval, quando vinha a avaliação dos jurados de determinados lugares, aconteciam fatos lamentáveis. Geralmente eram de alunos que se julgavam "doutores em conhecimento de samba".

Portanto o jurado deve ter o mais absoluto conhecimento do quesito que se propõe julgar, não conservando consigo nenhum sentimento de regionalismo ou paternalismo. Ao dar a nota, o jurado deve ter consciência e honestidade do seu ato, ou seja o de ser "jurado".



20/12/2012 00h42

Dezembro é mês de festas: natal e fim de ano
Maria Apparecida Urbano

DivulgaçãoDezembro é o mês mais tumultuado do ano, fim do período letivo, envolvendo provas, mais estudos e muito sufoco. Há a preocupação com o orçamento mensal, pois as festas natalinas requerem gastos maiores, em busca dos presentes para os amigos e parentes.

Fim de ano. Momento de fazermos um balanço em nossas vidas, procurando afastar de nós tudo o que foi ruim e ficarmos com os momentos gratificantes, aqueles que nos deram muitas alegrias, guardando-os bem no fundo dos nossos corações.

Também é o momento de idealizarmos um ano novo melhor do que este que está terminando, fazendo projetos de vida e de trabalho, para os meses do próximo ano.

Mas dezembro não é feito só de correria e preocupação; é também um mês muito prazeroso, um mês de religiosidade, de voltarmos o pensamento ao nascimento do Menino Deus, de trazermos para nossas casas esse espírito de amor que "Ele" tão bem soube nos passar.

É o mês de emoções, de abraçarmos um amigo ou um parente para o qual, por questões da correria do dia a dia, deixamos de lhe passar notícias durante meses.

É época de olharmos para as crianças e percebermos como elas são bonitas, delicadas e, de alguma forma, precisam de nós, merecendo, portanto, nosso carinho. Mas para nós sambistas as emoções deste mês são duplicadas, pois, além do nosso trajeto normal de vida, temos a nossa grande paixão, a nossa escola de samba do coração, que já está a todo vapor nos preparativos para o Carnaval que se aproxima e muito rapidamente. Prendem a nossa atenção os ensaios, a memorização do samba enredo, a escolha da fantasia, e a participação assídua dos eventos realizados na quadra.

Ufa, que mês... Mas vamos pensar pelo lado positivo. Vamos pensar na nossa escola de samba: como ela está muito bem, o samba enredo é muito bom, souberam escolher o intérprete, que está motivando a comunidade durante os ensaios. Os pilotos já foram apresentados, e ficamos deslumbrados com os figurinos.

No barracão, os trabalhos das alegorias sob o comando do carnavalesco vão sendo bem desenvolvidos e os carros alegóricos estão ficando deslumbrantes. Nos ensaios, tanto na quadra como no Sambódromo, estamos vendo a participação frequente de toda a comunidade, que está ansiosa para ver a agremiação brilhar na passarela.

Em nosso lar o aconchego com a família, os abraços dos amigos nos tornam emotivos e felizes. Apesar de toda correria, o mês de dezembro é um mês de muito amor, de paz e harmonia, em que sentimos a benção de Deus nas pessoas que nele acreditam e o respeitam.

Termino essa matéria nesses últimos dias de 2012, desejando a todos os amigos e sambistas um FELIZ E ABENÇOADO NATAL e um ano novo, repleto de grandes surpresas e oportunidades!!!

E um feliz Carnaval!

Foto: Divulgação



29/11/2012 00h41

Novas esperanças para o Carnaval de São Paulo
Maria Apparecida Urbano


Foto: DivulgaçãoSe há uma coisa que o sambista nunca perde é a esperança. Foi assim desde que o samba nasceu em São Paulo, mantendo sempre a esperança de que um dia ele seria reconhecido e teria o seu lugar de destaque perante a sociedade e a mídia. Essa esperança de tempo em tempo se renova, pois ainda não conseguimos tudo o quanto o samba necessita.

Agora que as eleições municipais terminaram, um novo comando entra em cena na prefeitura. Uma grande esperança continua para os sambistas, que sonham tanto em ver suas agremiações, principalmente as menores, recebendo o amparo e compreensão dos nossos governantes.

É o momento exato para nos prepararmos e apresentarmos ao novo prefeito, certamente disposto a ouvir e procurar atender a todos que a ele se dirigirem. Para tanto, devemos nos munir de projetos, com objetivos e justificativas dos anseios que há tanto tempo vem acalentando os dirigentes de todas as escolas de samba.

A maioria das entidades tem necessidade de possuir um terreno, um espaço, para com segurança poder organizar as suas quadras devidamente regulamentadas, sem a preocupação e os riscos constantes de poder vir a perder o seu espaço.

Outra grande esperança é a dos tão sonhados barracões pertos do sambódromo para as escolas poderem sair debaixo de pontilhões, sem a menor condição geral e obter um lugar seguro para desenvolverem todos os seus trabalhos de arte, que tanto encantam durante os desfiles.

Que haja barracões não só para as escolas do grupo especial, como estão sendo construídas as "Fábricas de Samba", como também para as do grupo de acesso e grupo 1, que são normalmente entidades de bairros mais distantes.

A hora é agora, quando a prefeitura começa a se organizar, rever as necessidades da cidade e das periferias. È hora de mostrar para os nossos dirigentes a importância de uma escola de samba principalmente nos bairros onde a única fonte de encontro da comunidade é a escola.

É hora de mostrar que, além dos encontros do samba, elas oferecem aos participantes algo mais, como, por exemplo, cursos de alfabetização, manicure, cabeleireiro, corte e costura e culinária, entre outros.

Também é hora de mostrar que as crianças do bairro têm a oportunidade de fazer, dentro da escola de samba, reforço escolar para todas as disciplinas, aulas de balé, de música, e, o mais importante, de ter respeito e amor pelo pavilhão de suas entidades.

Tudo o que uma escola de samba representa para a cidade de São Paulo deverá ser levado, por meio de projetos, ao conhecimento da nova prefeitura e de seus departamentos, que talvez até desconheçam toda essa programação.

Sempre esperançosos, esperamos conseguir o apoio do novo prefeito, que vem com muita vontade de renovação e de ajuda a toda a população.


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02/11/2012 14h28

Carnaval e samba sempre em evolução
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoSempre digo que o Carnaval e o samba estão constantemente em evolução.

É só pensar que as brincadeiras carnavalescas chegaram ao Brasil por volta de 1600, com características européias. Muito tempo depois o batuque, que tinha nascido em senzalas, aos poucos foi conseguindo participar também dessa festa chamada Carnaval, se entrosando, se modificando e, juntos, foram evoluindo, até surgir um ritmo gostoso chamado samba.

Do batuque, na sua evolução pelos tempos, foram surgindo os grêmios recreativos culturais chamados escolas de samba, aliadas às datas carnavalescas. E assim continuaram evoluindo. Do simples batuque, tocado e dançado pelos negros nas senzalas, ou nos terreiros de chão batido, acompanhamos sua evolução até os dias atuais.

Falamos sempre em Carnaval, por ser essa a data sempre marcada no calendário, e  reservada para ser comemorada, nos mais diversos lugares do mundo. Também no Brasil, nos estados ele é festejado na mesma data, mas de maneiras diferenciadas, a exemplo da Bahia e Recife.

Em São Paulo e Rio de Janeiro, são as escolas de samba, com os seus enredos e hinos falando e levando cultura, em forma de arte visual, é que festejamos o Carnaval.  Hoje os enredos e sambas são considerados verdadeiras peças teatrais. Suas baterias transmitem um som incrível, remanescente do batuque, seus enredos e cenários lembram as antigas óperas européias, o bailar dos seus componentes. Mais do nunca podemos afirmar que o Carnaval e o samba estão completamente integrados e sempre em evolução.

Para que todo esse contexto aconteça, entra em cena, nas escolas de samba, a figura do carnavalesco, como nos teatros onde ele é chamado de diretor. É da sua inspiração e criação que dependerá o sucesso ou não da sua agremiação.

Para colocar em prática toda a sua criação, existe um contingente muito grande de pessoas que se dedicam, trabalhando nas mais diversas áreas, como, por exemplo, as costureiras. O carnavalesco começa a criar os desenhos dos figurinos das alas que irão representar e contar o enredo na passarela do samba. Com os desenhos aprovados pela diretoria e comissão de Carnaval, são escolhidos todos os materiais que serão usados e entram em cena as costureiras.

No andamento da confecção de cada figurino o carnavalesco sempre deve estar presente, pois às vezes, nos desenhos, os modelos estão muito bons, mas, na montagem, podem ocorrer alguns acertos. Esse espaço de tempo entre a criação e a confecção dura meses antes do Carnaval, é um período trabalhoso e preocupante até que se chegue ao resultado final.              

A escolha do samba-enredo também deve ser acompanhada pelo carnavalesco, pois é nesse samba escolhido que estará sendo contado o tema de acordo com sua proposta. Na fase seguinte entra em cena a apresentação dos pilotos, ou seja, os modelos das fantasias, das alas, em uma noite muito festiva para a escola. A curiosidade envolve todos os sambistas da comunidade em busca das fantasias de suas alas. As apresentações dos pilotos constituem normalmente grandes shows, e esse ano pudemos apreciar algumas agremiações, e sentir o trabalho concluído e com êxito dos carnavalescos e comunidade.

Foto: DivulgaçãoO interessante é pensar que cada fantasia apresentada vai ser multiplicada para preencher uma ala. E o total dessas alas só poderá ser visto durante os desfiles na passarela do samba.

Dos anos 60 ou 70 aos dias atuais, houve uma grande evolução dentro do mundo do samba, principalmente nas fantasias. O que hoje são fantasias de alas, antigamente eram consideradas grandes destaques, que normalmente desfilavam no chão. Apesar dos figurinos naquela época serem muito simples, todos os sambistas se orgulhavam em se vestir de lamê e veludo, e guardavam suas fantasias com muito carinho para usarem durante o ano, ou no ano seguinte.

Apesar de toda a evolução e crescimento que as escolas de samba tiveram, sente-se que o que não evoluiu foi o amor que os sambistas tinham ao usar suas fantasias. Infelizmente hoje, no final dos desfiles, encontramos lindas fantasias jogadas pelas imediações do sambódromo.         

Terminadas essas apresentações, os carnavalescos entregam a missão da confecção aos chefes de alas que irão acompanhar o trabalho das costureiras e bordadeiras. Mas o seu trabalho continua, agora se transportando para os barracões, dando início aos carros alegóricos, ou seja, à montagem de fundo de palco para cada ato, que será apresentado durante o desfile, a fim de proporcionar uma melhor compreensão ao público presente.


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10/10/2012 13h37

Comunidade sem passado e com um presente vago. Qual futuro terá?
Maria Apparecida Urbano

Foto: SPTuris

Será que vocês sabem como começou o samba paulista? Estou perguntando porque existem pessoas que, por falta de conhecimento ou de pesquisas, cometem erros catastróficos, misturando informações sobre Rio de Janeiro e São Paulo, como se tudo fosse certo?

Admito que existam poucas informações sobre o surgimento do samba em nossa cidade. O que sabemos na realidade são as que nos foram passadas através dos tempos por aqueles que, ainda escravos, presenciaram e participaram dos batuques feitos em terreiros de senzalas, com instrumentos bem rudimentares, como, por exemplo, o tambu.

Os primeiros relatos sobre o surgimento do samba paulista, segundo as pesquisas de Mário de Andrade quando percorreu o interior do Estado de São Paulo, são que, em diferentes cidades, depois da libertação dos escravos, os negros se reuniam em terreiros e faziam batuques. Sabemos, portanto, que o samba paulista teve seu início nos redutos negros. E que seu fortalecimento se deu na cidade de Pirapora do Bom Jesus, onde as comunidades negras saíam em romaria juntamente com os brancos vindos das diversas cidades, como São Paulo, Campinas, Capivari, Araraquara, Tietê, Piracicaba e se reuniam nos barracões cedidos pela Igreja para o descanso, na festa comemorativa ao Bom Jesus.

Nesses barracões, depois das obrigações com a Igreja, eram realizados os batuques, ao  som da zambumba, caxeta e bumbo de couro. Os jongueiros faziam seus versos, dançando a umbigada, samba de roda e samba de bumbo. O batuque tinha como característica principal a umbigada - dança praticada pelos casais - que consistia numa batida forte do ventre um no outro. O "samba de roda" ou "samba paulista" é um batuque com ritmo apressado, contando com uma grande zambumba, marcando o compasso. As mulheres dançavam, sacudindo o corpo num gingado próprio e rítmico, enquanto os homens cantavam versos improvisados alusivos à festa, às pessoas e aos santos. 

Essas manifestações, assistidas e documentadas por Mário de Andrade, às quais ele denominava também de "Samba rural", por ter sido encontrado em cidades do interior, com  acompanhamento da viola caipira, tocada pelos homens do campo, foram o início do nosso samba paulista.

Os redutos negros da capital de São Paulo se encontravam no Bixiga, Liberdade, Barra Funda e Jabaquara, onde eram feitos os batuques com a umbigada, samba de roda e samba de lenço.

Quem quiser ficar por dentro da história do samba em São Paulo, hoje já podem consultar livros como o de Wilson Rodrigues de Moraes que fez entrevistas com quem realmente conhecia e vivia o samba paulista. São sambistas do passado sobre os quais todos deveriam conhecer quem foram e o que fizeram, como por exemplo: Inocêncio Tobias, Pé Rachado, Chico Pinga, Elpídio Faria, Dona Eunice, Dona Olímpia, Dona Sinhá, entre tantos outros que ainda estão  entre nós, e junto aos poderíamos colher ainda mais informações.

Esta é a diferença entre Rio de Janeiro e São Paulo: todos os grandes sambistas do Rio foram valorizados pela população por suas composições, que eram vendidas muitas vezes para artistas de rádio que faziam sucesso ou para a criação das primeiras escolas de samba.

Com a divulgação do turismo pela Prefeitura que viu nos negros e em suas composições uma forma de valorização do Rio de Janeiro, o Carnaval se tornou uma grande atração, e a comunidade negra começou a ter e receber o seu devido valor.
           
Por outro lado, em São Paulo, quando a comunidade se reunia para fazer uma batucada, a polícia sempre estava alerta para quebrar os instrumentos e prender os que se alteravam. Ainda encontramos entre os sambistas mais antigos, aqueles que passaram por momentos difíceis. Convém mencionar o nosso grande compositor Osvaldinho da Cuíca, que pode confirmar esses ocorridos, entre outros tantos sambistas da época.

A maioria das agremiações tem hoje o seu departamento cultural e, ou departamento jovem. Seria interessante que fossem realizados encontros com sambistas da velha guarda, para  palestras ou bate papo informal para que os velhos sambistas transmitissem aos mais jovens os seus conhecimentos e experiências. Assim não aconteceria mais que "sambistas" falassem em público, com base em dados tirados da internet com informações nem sempre muito confiáveis.

Outra coisa de suma importância seria fazer o histórico de cada escola, procurando-se saber se ainda há sambistas da época da fundação, como e por que do emblema do seu pavilhão, consultar a ata de fundação, saber quem foi o primeiro presidente, quem estava presente e assinou a ata, qual foi o primeiro enredo, quem foi o compositor ou compositores do samba-enredo, quem interpretou o samba na avenida; saber se a escola teve carnavalesco, qual foi a sua classificação, e nos anos subsequentes. Isto é história de uma escola de samba. E uma comunidade sem passado, o presente é muito vago e o futuro como será?


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27/09/2012 00h11

Cultura e harmonia dão samba
Maria Apparecida Urbano

Foto: Judson SalesO mundo do samba cresceu muito nos últimos anos, em todos os sentidos.

Cresceu em número de componentes, na qualidade das quadras, na apresentação de eventos durante o ano, sem contar na sua meta primordial que são os desfiles carnavalescos, hoje considerados o maior espetáculo do mundo, tanto em número de componentes, em visual, quanto em tempo de apresentação, mantida em quatro dias seguidos.

Com todo esse crescimento, a atenção deve ser redobrada para que as escolas não percam suas raízes, a cultura e as tradições, que por tantos anos souberam salvaguardar. A maior atenção de cada agremiação hoje deve ser voltada para a nossa geração, a juventude, que está entrando e participando nas escolas, ou porque gosta do samba, ou porque gosta das escolas que muitas vezes estão em seus bairros; e acaba gostando do ambiente.    

É obrigação das escolas transmitirem todo o seu conhecimento a esses jovens participantes para que eles, além do atrativo que é o samba, permaneçam nas quadras, sabendo pelo menos o porquê a escola existe, e o porquê do seu pavilhão.

Infelizmente vemos hoje até diretores ou chefes de alas, que não conhecem nem a história da sua entidade...e se julgam grandes sambistas. Mas, se analisarmos bem esse fato, vamos ver que as informações transmitidas aos mais jovens são muito poucas. Mesmo os departamentos culturais mantidos pelas entidades estão mais preocupados em pesquisar novos enredos e preparar o Carnaval do que em reunir os sambistas mais inexperientes e passar as tradições que sustentam cada entidade.   

Um exemplo de que os jovens sambistas buscam o saber foi o que aconteceu no dia 23 de setembro, na quadra da escola de samba Império da Casa Verde. Um pequeno grupo de harmonias, cada um pertencendo a uma determinada agremiação, teve a idéia de programar um encontro e convidar todos os harmonias das escolas paulistanas e imprensa, e organizar um Simpósio.

Para tanto foram convidados sambistas respeitados no meio do samba, pesquisadores e carnavalescos, cujo foco principal era "harmonia: ontem, hoje e sempre", para que cada um na sua palestra levasse informações precisas sobre o tema. No decorrer do evento, foram levantados pelos palestrantes procedimentos e fatos históricos que muito contribuíram para um bom resultado desse trabalho.

Percebemos claramente o quanto esse encontro foi útil, o quanto ele ajudou os  presentes. As horas passaram sem que os presentes sentissem vontade de ir embora, muito pelo ao contrário,  sentia-se aquele gostinho de "eu quero mais".    

A esse grupo organizador do Simpósio, devemos dar nossos parabéns. Que essa chama do saber se fortaleça, realizando novos encontros com novos assuntos, procurando divulgar cada vez mais a cultura sambística.

- Clique aqui para conferir como foi o simpósio

Foto: Judson Sales


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28/08/2012 14h38

A responsabilidade dos harmonias no Carnaval
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoEm todos os eventos ou festividades que são realizadas, há sempre uma grande equipe preparada e organizada para que tudo saia a contento. Isso acontece em todas as áreas em que a pontualidade e organização devem andar sempre juntas. Esses fatores fazem com que possamos assistir a determinadas apresentações de modo agradável ou lastimável.

Esse trabalho ocorre, por exemplo, nas apresentações esportivas, nas apresentações artísticas como nos grandes shows, e em todos os espetáculos que envolvem um contingente muito grande de público, tanto participante como assistente. Também notamos claramente isso na televisão. Nas novelas, por exemplo, esse trabalho de equipe acontece com o entrosamento entre diretor, produtor, cenógrafo, câmeras, iluminação e outros elementos.

Em todos os eventos há a necessidade de um diretor, que cria, desenvolve, organiza e designa as pessoas certas para que cumpram cada tarefa a ser desenvolvida. É a equipe que não se vê, pois trabalha nos bastidores.

Comparando esses grandes eventos e os respectivos trabalhos desenvolvidos nos bastidores para a realização das apresentações com o que acontece nas escolas de samba, verificamos também que nelas, há equipes que trabalham com dedicação para a realização da montagem do maior espetáculo produzido no Brasil que são os desfiles das agremiações em um grande e magnífico show.

Nas escolas de samba, o diretor desse espetáculo é o carnavalesco, responsável pela criação e desenvolvimento do enredo, dando vida aos personagens e ao tema proposto. Sob a sua orientação entram em cena as equipes que irão trabalhar, cada uma no seu campo. Equipes de barracão, de costura, de adereço e outras tantas quanto necessárias.

Para que tudo funcione no tempo certo, o carnavalesco conta com a participação do diretor de Carnaval, auxiliando-o em todos os momentos, quer na compra de materiais, na supervisão dos setores de trabalho, quer junto aos chefes de alas, dando a todos a sua assistência.

Cada ala tem um chefe, com a obrigação de convocar os participantes da comunidade para os ensaios nos dias marcados. É de grande importância essa convocação, pois esse chefe irá fazer com que a ala cante o samba-enredo e treine as evoluções preparadas de acordo com o enredo. Do bom desempenho desse trabalho vai depender uma boa apresentação da escola na avenida.

Mas para que tudo isso possa entrar em movimento sincronizado, perfeito e  organizado, há mais uma equipe, os harmonias. Na avenida, irão funcionar como a alma da escola, pois deles dependerá todo o desempenho dos componentes e o andamento progressivo das alas e das alegorias.

Como nos grandes eventos, deparamos com uma enorme equipe de iluminadores, de sonoplastas, de contra-regras e muitos outros. Para fazer com que cada elemento ocupe seu devido lugar, nas agremiações de samba contamos com o time dos harmonias.

Essa equipe realiza um trabalho que é de suma importância. Ela permanece presente em todos os ensaios, durante meses, junto com todos os chefes de alas e toda a comunidade, ajudando-os nos pequenos detalhes e sentindo todas as dificuldades da escola.

Muitas vezes a responsabilidade pela boa ou má apresentação da escola é dos harmonias. Esse grupo é realmente a alma da agremiação, estando sempre atenta para todos os detalhes, referentes aos quesitos de julgamento, como o canto, a dança, a evolução, o comportamento das alas, a quilometragem, ao som da avenida, a tudo enfim que se refere aos bastidores.

Só será considerada uma boa escola de samba aquela que conseguir ter uma boa equipe de harmonias. Não é fácil, pois os harmonias são em média um número muito pequeno em comparação com o grande número de componentes.

Se você é harmonia, parabéns! Cuide de sua escola com muito carinho como se ela fosse somente sua. 

A vocês que compõem este grupo, inegavelmente um dos setores mais atuantes da folia, decido esta coluna.

Maria Apparecida Urbano


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09/08/2012 17h00

Recordando grandes carnavalescos paulistanos
Maria Apparecida Urbano

Foto: DivulgaçãoJá que perguntamos em nosso penúltimo texto "onde estão os carnavalescos paulistanos", que tal recordarmos alguns artistas que souberam engrandecer o Carnaval de São Paulo? Afinal, dizem que recordar é viver, não é mesmo?

Quem foram eles que se dedicavam de corpo e alma as suas escolas e que a duras penas e com recursos mínimos conseguiam, a cada ano, se superar, fazendo com que o Carnaval paulistano se tornasse cada vez mais conhecido e reconhecido pela sociedade que até então não aceitava as agremiações carnavalescas?

Graças a esses abnegados carnavalescos, hoje podemos ver esses belíssimos desfiles que assistimos no Anhembi.

Muitos sambistas ainda se lembram do Talismã, que, embora carioca, viveu a maior parte de sua vida em São Paulo. Suas alegorias eram perfeitas obras de arte. Izidoro Vasconcelos, cenógrafo da "TV Cultura", e seus filhos Luiz e Dorinho, que se dedicaram ao Vai-Vai por um longo tempo; Pedro Luiz Pinotti, cenógrafo do Teatro Municipal de São Paulo; José Zolezi, que executava alegorias muito bem feitas na base de tecidos; Tito Arantes Filho (foto/lado direito) que era muito criativo; Caio Minoro e Tina que introduziram alegorias a base de ferro.

A esta  lista podemos acrescentar Luiz Rossi e Fábio Brando, Osvaldo Arroche, Bispo, Raul Diniz (foto/lado esquerdo) que realizou seu trabalho em diversas escolas, e hoje se encontra na Espanha, escrevendo artigos para o SRZD-Carnaval/SP. Aqui também se inclui esta que escreve, por ter feito trabalhos em diversas escolas e por ser a primeira mulher carnavalesca de São Paulo.

Todos eles fizeram histórias, cada um com seu estilo, e realmente souberam marcar suas presenças dentro da nossa cultura sambística. Temos também outros grandes nomes de artistas que amam e desenvolvem com maestria o espetáculo do Carnaval paulistano. A todos, dedico o tema desta coluna que tem como principal objetivo, prestar menção honrosa ao empenho, garra, talento e dedicação dos nossos queridos magos da folia.


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23/07/2012 14h07

O Adeus a um grande homem
Maria Apparecida Urbano

Foto: Divulgação

A força da vida une e separa as pessoas, mas existe uma força tão grande que, por nenhum motivo, nos faz esquecer aqueles que um dia passaram pelas nossas vidas, e nos fizeram felizes.
 
No dia 12 de julho nos deixou um grande homem, o professor Eduardo Ferreira de Oliveira, escritor, poeta e jornalista, uma pessoa que dedicou toda a sua vida em prol das entidades e comunidades negras do Brasil.
 
Em todas as Instituições militantes da negritude e dos afros descendentes ele estava presente. Foi fundador Congresso Nacional Afro Brasileiro, CNAB , onde lutou muito contra o racismo em nosso país. Foi eleito vereador por São Paulo onde prestou muitos serviços a comunidade negra.
 
Foi escritor e organizador do livro "Quem é Quem na Negritude Brasileira", obra que já está em sua terceira edição.

Professor Eduardo foi orientador em meuu livro "Mães do Samba - Tias Baianas ou Tias Quituteiras", e também esteve presente no lançamento desta publicação em evento realizado no mês de março.
 
Um dos seus feitos, talvez mais importantes, foi a criação e a composição do "Hino à Negritude", adotado por vários municípios brasileiros, para ser cantado em todos os evento e encontros relacionados ass discussões sobre a participação dos negros enquanto cidadãos brasileiros.

Hino da Negritude

Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs

Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois, que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

Levantando no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Para o bem de nosso país

Ergue a tocha no alto da glória....
 
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos de eterna lição
Que nosso solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe África
Aruanda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que os mantém de pé
Vem da força dos Orixás

Ergue a tocha do alto da glória....

Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
Todos numa só voz
Viver é lutar com destemor
Para a frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir

Ergue a tocha no alto da glória...

É um hino contagiante. E foi com ele que todas as entidades representantes da negritude brasileira, na voz do Maestro Eduardo Expedito Casemiro, deu o último adeus ao tão querido Professor Eduardo de Oliveira.


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29/06/2012 10h38

O aniversário de 26 anos da Liga-SP
Maria Apparecida Urbano

Foto: Comunicação - Liga-SPUma data importante a ser lembrada neste mês de junho merece destaque em nossa coluna.

No dia 19 de junho de 1986, um grupo de sambistas e presidentes das maiores escolas de São Paulo se reuniram e fundaram a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Sob aplausos e críticas, assim ela nasceu, afirmando confiante, que só assim o Carnaval de São Paulo poderia evoluir.  

Criada para administrar o evento cultural mais popular da cidade, a associação teve como seu primeiro presidente Eduardo Basílio, comandante da Sociedade Rosas de Ouro, responsável por dar início a uma caminhada de mudanças totais nos Carnaval paulistano.

Muitos nomes de grandes sambistas passaram pela presidência da Entidade, uns com grandes realizações, outros nem tanto, mas todos defenderam e respeitaram o nome da Liga, fazendo desta casa um encontro de verdadeiros sambistas.

Além de Basílio, estiveram na presidência, prestando o seu trabalho:

Foto: Comunicação - Liga-SPWalter Guariglio;

Juarez da Cruz;

Leandro Alves Martins;

José Julio Teixeira;

Horácio Bailão de Mello;

Sólon Tadeu Pereira;

Laurentino Borges Marques;

Eumar Meireles Barbosa;

Alexandre Marcelino Ferreira

Róbson de Oliveira e

Sidnei Carrioulo Antônio.

Qualificada como Organização Sociedade Civil de Interesse Público junto ao Ministério da Justiça e congregando 22 agremiações e dois afoxés, hoje a Liga é presidida por Paulo Sérgio Ferreira, que também é presidente da Unidos de Vila Maria. Um bravo administrador, tendo já conseguido, unido com sua diretoria e os demais presidentes, a reforma do prédio sede da Liga, tornando a casa mais aconchegante e acolhedora.

Com todo o entusiasmo que lhe é peculiar, no dia 19 de junho, data da comemoração dos 26 anos da Liga em plena atividade, Paulo Sérgio promoveu a reinauguração da sede, por sinal muito bem decorada. Foi uma noite festiva, que contou com a presença dos presidentes, sambistas, convidados e imprensa. Ao som dos "parabéns a você", foram apagadas as velinhas de um gostoso bolo. Pudemos perceber quanto o samba está unido.

"Esta jovem", hoje com 26 anos, é considerada a maior referência na gestão do Carnaval paulistano. Tornou-se uma grande empresária, junto com todas as agremiações filiadas do grupo especial e acesso, movimentando o comércio, indústria e turismo, além de dar oportunidade e emprego a um número considerável e respeitável de funcionários nos mais diversos setores de trabalho. Considerada uma forte empresa, gera as mais diversas oportunidades, tanto de trabalho como de diversão.

Parabéns à Liga, parabéns ao presidente Serginho e diretoria. Parabéns a todos os sambistas que nesses 26 anos souberam juntos valorizar o nosso mundo do samba e a nossa cultura.

Foto: Comunicação - Liga-SP


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