SRZD | Luiz Fernando


Qual o motivo do sorteio?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 02/07/2009 16:02

Qualquer semelhança dessa matéria com a matéria publicada nesse mesmo período do ano passado não será mera coincidência. Será intencional. E não é por falta de assunto, apenas acredito de verdade nessa minha proposta. Como o mundo do samba reedita sambas-enredo, permito reeditar essa matéria fazendo as devidas correções.

Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.

Qual o motivo da sorte ser o orientador da ordem de desfiles? Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, porque a sorte deve influenciá-lo? Com certeza, ela acaba por influenciá-lo. 

Eu nunca vi uma escola de samba escolher seu mestre-sala ou sua porta-bandeira por sorteio. Nunca um carnavalesco escolhido com mão no saco. Também nunca vi um samba-enredo ser escolhido por sorteio. A escolha sempre leva em consideração o talento e o desempenho do profissional. E no caso do samba-enredo o que melhor se adaptar ao desfile da escola. E porque devemos sortear a ordem de nossos desfiles?

E porque não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados, escolherão suas ordens de desfiles.

Criei para o Grupo Especial um critério, que em nenhum momento se propõe a ser o correto, o verdadeiro ou o ideal, apenas o utilizarei para mostrar como os sorteios me parecem totalmente desnecessários. 

A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a campeã do Grupo Especial do ano anterior. Neste caso, seria a Acadêmicos do Salgueiro a primeira escola a escolher sua posição e seu dia de desfile. Imaginemos que a escola tijucana escolhesse a segunda-feira e sendo a quarta escola a desfilar.

A segunda escola a escolher sua posição seria a vice-campeã do ano anterior. E nesse ano seria a Beija-Flor a fazer a segunda escolha. Imaginemos que a escola de Nilópolis preferisse também a segunda-feira, mas não colada na campeã Salgueiro e optasse por ser a sexta escola a desfilar no último dia de carnaval.

E nesse momento entraria em cena uma regulamentação específica para esse tipo de escolha: A diferença entre a quantidade de escolas de um dia e de outro nunca poderá ser maior que dois. Com isso, a terceira colocada no ano anterior, em nosso exemplo, a Portela teria que, obrigatoriamente, escolher o domingo como seu dia de desfile. Isso faz com que haja um maior equilíbrio entre os dois dias de desfile. Vamos supor que a Portela escolhesse a quarta posição de domingo de carnaval.

A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Especial do ano anterior. E nesse caso seria a Unidos de Vila Isabel. Como a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro é agora de 1, a escola do bairro de Noel poderia escolher qualquer um dos dois dias de desfile. Se ela escolher desfilar na segunda, ele enfrentará num mesmo dia a campeã e a vice do ano anterior e isso pode não ser muito interessante. Se preferir o Domingo, lá estará a terceira colocada, Portela. E aí me parece uma situação bastante interessante: a escola determinará, independente da sorte, uma estratégia de desfile. Enfrentar as duas melhores colocadas no ano anterior num dia aparentemente melhor - a segunda-feira ou em um dia considerando mais fraco, mas enfrentando diretamente a terceira colocada no ano anterior. Considero essa escolha de estratégia muito salutar para o mundo do samba.

E assim continuaria nossa escolha, sempre respeitando que a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro nunca ultrapasse o valor 2, sempre seguindo a ordem de classificação do ano anterior.

A última escola a escolher seria, nesse caso, a Mocidade, penúltima colocada em 2009. Restando para a campeã do Grupo A, em 2009, a União da Ilha a derradeira vaga na ordem de desfile.

Aparentemente essa forma de escolha parece ser complicada, mas aos poucos o seu entendimento acontecerá e deixaremos de ter o sorteio também no Grupo Especial.

Mas uma coisa merece ser elogiada no critério de sorteio da LIESA, ela tenta equilibrar as escolas de uma maneira bastante eficiente e, de certa maneira, tem conseguido isso com os pares equilibrados de escolas. Outra novidade que merece nosso elogio no sorteio desse ano foi a determinação de que escolas de grandes torcidas fechassem os desfiles de domingo e segunda. Nada mais triste para um sambista que desfilar para um público pequeno.

Mas faço uma crítica para LIESA. E isso ficou bem claro nessa minha proposta de extinção dos sorteios. Lamentei muito o fato da campeã de 2009, o Salgueiro, não ter sido privilegiado com a escolha de seu dia e horário de desfile. Ela e toda escola campeã merece essa premiação extra.

Mas uma coisa continua me entristecendo. Essa festa não poderia ser fechada, ela poderia e deveria ser aberta ao público, não na Cidade do Samba, mas na Apoteose, por exemplo. E como encerramento da festa uma grande noite de samba para todos nós, pobres sambistas.

Um abraço reeditado
Luiz Fernando Reis



O que é um enredo?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 23/06/2009 18:48

Preferia estar falando um pouco sobre um quesito muito desvalorizado ultimamente - o quesito conjunto. Na minha opinião é esse, talvez, o mais importante dos quesitos em julgamento num desfile de escolas de samba. Mas, como o assunto do momento é enredo, vamos papear um pouco sobre ele. O quesito conjunto pode esperar algumas semanas a mais.

Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que não estarei ensinando o que é o enredo, até por que não sinto gabaritado para tal, mas como já coloquei quase quarenta enredos na avenida, posso dar esse pontapé inicial para um salutar debate sobre esse assunto fundamental numa escola de samba. 

Por isso, peço aos amigos que não vejam a verdade absoluta no que colocarei. Serão apenas minhas impressões sobre enredo, com um bom respaldo de experiência, mas nada que vá muito além disso. A participação dos amigos comentaristas será muito proveitosa para todos nós.

Os enredos podem seguir dois caminhos bastante distintos. Eles podem ser temas enredos ou simplesmente temas. Nos carnavais de outrora, os enredos eram quase sempre temas enredo, eram históricos, fielmente descritivos e cronologicamente montados. Nos carnavais atuais, os temas são bem mais frequentes. Os enredos deixaram de ser históricos nesse visão cronológica que eles tinham e passaram a ser bem mais interpretativos. Mas a coisa não é tão simples assim, muitas vezes não sabemos definir se um enredo é um tema enredo ou simplesmente um tema, por exemplo, em alguns enredos: O Domingo da talentosa Maria Augusta claramente foi um tema, O Descobrimento do Brasil do Mestre Arlindo Rodrigues foi um tema enredo. Chica da Silva do grande Fernando Pamplona foi um tema enredo, Tambor do grande campeão Renato Lage foi um tema. Ratos e Urubus do Mestre João Jorge Trinta foi um tema fantástico. E o inesquecível Fernando Pinto nos brindou com o maravilhoso tema,  Tupinicópolis. Mas tentem os amigos diferenciar outros enredos que a coisa complica um pouco.

Mas esqueçamos um pouco esse classificar de enredos e conversemos mais sobre ele. Todo enredo, é claro, nasce de uma idéia. E de preferência uma boa idéia e se for inédita, melhor ainda.

Estamos falando de carnaval e uma temática triste, pesada ou mórbida não combinará muito com ele. 

Desde que acompanho carnaval e nisso já se vão quase meio século, nem sempre uma boa idéia se transforma num bom enredo. Eu já vi idéias brilhantes se transformarem em enredos medíocres e já vi, também, idéias apenas razoáveis se transformarem em enredos inesquecíveis. Já vi ideias não inéditas se transformarem em enredos bem melhores que o original e vice-versa também.

O que faz uma boa idéia se transformar num belo enredo é o seu desenvolvimento, mas para isso é necessário que essa idéia permita a criação de belas, adequadas e diferentes fantasias e de bonitas, pertinentes e variadas alegorias, além, é claro, e fundamentalmente, de um belo samba-enredo. Com isso, entendo que uma idéia necessita de quatro fundamentos para se transformar num bom enredo:

1 - Desenvolvimento em alas e alegorias. 

Muitas vezes um tema é pequeno e limitado e para isso precisamos viajar um pouco na maionese, ou seja, acrescentar desvios que nos permitam uma melhor plástica para o desenvolvimento, e aí mora o perigo. Se exagerarmos na dose perderemos o rumo do tema e o retorno a ele nem sempre será natural. Sonhar demais pode deturpar por completo um enredo e ferir seu caminhar natural. A transição entre alas precisa ser sequencial, uma mudança brusca de estilos, época ou cores pode macular sem retorno um bom desenvolvimento. O mesmo conselho vai para a transição de alas e alegorias. Se uma ala não complementa uma alegoria e a alegoria não faz cenário para a ala que a precede a coisa desanda e muito. O grande problema de um tema não cronológico pode ser a falta de continuidade de um setor para outro.

2 - Possibilidade de criar fantasias adequadas, bonitas, de bom gosto e diferentes.

Uma idéia por si só não nos brindará com um bom enredo se não nos permitir sua transformação em fantasias identificáveis, pertinentes, de bom gosto e que sejam agradáveis de se ver. A repetição de indumentárias torna o enredo cansativo, chato e enfadonho. Uma boa idéia precisa possibilitar a criação de fantasias diversas e não a repetição de vestimentas diferenciadas por detalhes. Uma bom planejamento cromático tornará leve a transposição das diferentes fantasias. 

3 - Possibilidade de criar alegorias adequadas, bonitas, de bom gosto e diferentes.

Uma ideia se tornará um bom enredo se nos permitir a livre criação dos elementos alegóricos. Alegorias que sejam originais e de temática diferentes entre si sempre desenvolvem bem um enredo. A dosagem cromática e a possibilidade na criação de indispensáveis esculturas será um bom começo. Também é importante a adequação da alegoria para as alas que a precedem, e se possível, com a ala que a segue.

4 - Possibilitar aos compositores a criação de um belo samba-enredo.

E aqui precisamos diferenciar duas coisas bastante distintas. Uma é o texto do enredo que servirá de base para a análise do julgador de enredo. Esse texto deverá ser descritivo, com todo o enredo explicado e poderá ser monográfico, não precisará emocionar, ele precisa é não deixar dúvidas sobre as pretensões do enredo. A outra é a sinopse do enredo que é um resumo do que é fundamental na letra do samba-enredo. É a sinopse que será entregue aos compositores e esse texto precisa inspirar e emocionar a ala de compositores, ele precisa transmitir tesão (me perdoem o termo, mas não vejo palavra melhor) aos poetas da escola. Ela não pode ser um relato frio e enfadonho do enredo. Ela precisa ser poética, ter um jogo diferenciado de palavras, ser bastante adjetivada e mais rebuscada em poesia. Na verdade, ela é um texto intermediário entre o monográfico enredo e a letra do samba-enredo.

Tem um ditado que se aplica muito bem ao que acabei de escrever: 

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço ...

E digo isso por que em meus enredos não consegui colocar o que penso na prática. Na verdade, a realização de um carnaval e o desenvolvimento de um enredo é bem mais complexo que meia dúzia de palavras num site de carnaval. Mas o importante é ter dado esse pontapé inicial para um amplo debate sobre a mágica de um enredo.

No relato dos enredos, não citei três feras na arte de um bom enredo:

Paulo Barros, Oswaldo Jardim e propositadamente a artista Rosa Magalhães que soube transformar uma idéia maravilhosa numa outra idéia mais maravilhosa ainda. João das ruas do Rio, o enredo do Império Serrano, é para mim até agora, o enredo destaque deste ano.
 
Um abraço
Luiz Fernando Reis



Resposta ao desafio de harmonia

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 06/06/2009 17:45

Na minha última coluna, eu falei da direção de harmonia. No fim, eu questionei os amigos sobre uma situação desafio. Vamos relembrar: "Um grande espaço, digamos de 50 metros, entre uma alegoria e a ala seguinte deve ser penalizado em harmonia ou em evolução?"

Vou dar a minha resposta e deixo bem claro que essa pode não ser a resposta oficial. Alguns diretores de harmonia, com mais experiência, podem discordar. E até seria interessante, pois debateríamos um pouco esse desafio.

Com a abertura desse "buraco", a partir do início do desfile, que fica ali no setor 3, a escola deveria ser punida, a meu modo de ver, em três quesitos. No quesito Evolução, já que foi quebrada a coesão do desfile. Em Conjunto, pois deixou de haver uniformidade na apresentação da escola. E também no quesito Harmonia, já que por 50 metros deixou de existir o canto dos componentes.

Aproveito para esclarecer que fui convencido dessa penalização em harmonia pelo nosso colunista Eugênio Leal, após debatermos o assunto.

Reafirmo que essa é apenas a minha interpretação sobre o assunto e pode não ser a interpretação oficial das diferentes direções de harmonia.

Falando baixinho pra ninguém escutar. Que julgador de conjunto teria coragem de tirar décimos numa situação como essa? Que julgador de harmonia arriscaria descontar décimos nesse caso. E não raro até os julgadores de Evolução tentariam minimizar essa cratera em plena Sapucaí.

Na verdade, as escolas ditas favoritas deveriam perdem 1 ou 2 décimos em evolução e olhe lá. As escolas do segundo escalão deveriam perder décimos em evolução e conjunto, mas as escolas que disputam o rebaixamento perderiam preciosos décimos nos 3 quesitos e no embalo perderiam décimos em fantasia, em alegoria e até mesmo em comissão de frente. Quem está na rabeira perde sempre mais que merece e quem tá na dianteira perde sempre menos que merece. Mas isso é assunto para um próximo papo.

Um abraço
Luiz Fernando Reis



O que é um diretor de harmonia?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 21/05/2009 16:15

Antes de mais nada gostaria de deixar bem claro que não sou especialista na arte da harmonia. Diferente das funções de carnavalesco que já exerci em quase trinta carnavais e da função de diretor de carnaval que ocupei em quatro oportunidades. Mas como em desfile todos nós somos direção de harmonia me sinto em condições de passar alguma coisa.

Começo lembrando de uma reunião que tive como diretor de carnaval na Caprichosos de Pilares. Estávamos apresentando para a direção de harmonia as diretrizes e o planejamento de nosso carnaval. De repente um de nossos diretores de harmonia se levanta e começa a falar coisas e coisas, "issos" e "aquilos" do que seria harmonia. Algumas verdades, mas muitas inverdades e o companheiro falava e falava sem chegar a uma conclusão convincente. Foi aí que pedi a palavra e fiz uma colocação que parece bastante pertinente repetir:

- Concordo em boa parte com as colocações de nosso diretor, mas ele nos faz parecer que o conhecimento de harmonia de uma escola de samba é uma vasta enciclopédia de alguns volumes. Mas não é essa a minha impressão. A meu ver harmonia de uma escola de samba pode ser explicada numa simples folha de papel e com letras graúdas e que pode ser sintetizada em duas simples palavras: BOM SENSO. É claro que alguns diretores e para ser sincero a grande maioria não gostou muito desse meu conceito. Olharam-se e me olharam com aquele ar de quem pensa: Esses diretores de carnaval pensam que sabem tudo e que são os donos da cocada preta...  

Com sinceridade: A meu ver Harmonia é antes de tudo BOM SENSO.

Na primeira matéria de nosso colunista Walter Nicolau, ele colocou sua preocupação com essa confusão entre direção de harmonia e direção de evolução e inclusive propôs a separação das duas direções. Pessoalmente não vejo necessidade nesse aumento de funções numa escola de samba. Considero que todo diretor de harmonia precisa ser diretor de evolução e todo diretor de evolução precisa ser diretor de harmonia. Para mim, as duas funções convivem sem maiores preocupações.

Relembremos o que é pedido nos parâmetros do quesito harmonia.

1 - a perfeita igualdade do canto do Samba-Enredo, pelos componentes da Escola, em consonância com o "Puxador" (Cantor Intérprete do Samba) e a manutenção de sua tonalidade;

Com o volume de som da avenida sabemos que esse primeiro ítem tornou-se obsoleto, não há como acontecer o atravessamento do samba, como acontecia antigamente e ainda acontece frequentemente nos ensaios técnicos, onde o som não é uniformizado por toda a avenida. E quanto a tonalidade isso é um problema do carro de som e sua harmonia musical. Pode ser que um dos diretores de harmonia participe desse entrosamento, mas essa não é função principal do conjunto dos "harmonias" de uma escola.

2 - o canto do Samba-Enredo, pela totalidade da Escola

Aqui sim a direção de harmonia é fundamental. Cabe a ela exigir o canto de todos os componentes de uma agremiação. É esse canto da escola que ditará a excelência da harmonia, imaginando-se que a harmonia do carro de som esteja perfeita, pois é de lá e somente de lá que sai a qualidade do canto de uma escola de samba. E o que o diretor deve fazer é exigir o canto com alegria e descontração e passando para o componente esse seu cantar e sua alegria. Essa coisa de diretor de harmonia de cara amarrada e com jeitão de capataz de ala já se foi há muito tempo. Ele precisa transmitir a todo o corpo da escola alegria, descontração e externar sua felicidade de estar desfilando.

3 - a harmonia do samba.

E novamente temos a harmonia musical gerada no carro de som como fundamental nesse sub-ítem.

Relembremos o que é pedido nos parâmetros do quesito evolução.

Evolução, em desfile de Escola de Samba, é a progressão da dança de acordo com o ritmo do Samba que está sendo executado e com a cadência da Bateria.

1 - a fluência da apresentação penalizando, portanto, a ocorrência de correrias e de retrocesso e/ou retorno de Alas, Destaques e/ou Alegorias;

2 - a espontaneidade, a criatividade, a empolgação e a vibração dos desfilantes;

3 - a coesão do desfile, isto é, a manutenção de espaçamento o mais uniforme possível entre Alas e Alegorias, penalizando, portanto, a abertura de claros (buracos) e a embolação de Alas e/ou Grupos (ex: uma Ala penetrando na outra).

E agora nossa direção de harmonia se fantasiará de direção de evolução e irá evitar um maior espaçamento entre alas e alegorias. E aí as direções de harmonia são fundamentais. O comando de carnaval e ou harmonia não pode estar em todos os locais da avenida e cabe ao diretor de harmonia setorizado preservar um correto distanciamento entre as partes de um desfile. As alas não podem vir muito juntas pois representam momentos distintos do enredo, mas não podem estar muito separadas quebrando o conjunto da escola e é aí que entra o BOM SENSO de se dar um espaçamento exato. 

Um erro que ainda percebemos é de diretores de harmonia desfilando à frente da ala e voltados de costas para a ala seguinte. Ele segura a ala e permite o distanciamento da ala seguinte. O melhor local para o desfile de um diretor de harmonia é na lateral direita das alas, no lado dos setores pares da Sapucaí, assim, ele não atrapalha os assistentes das frisas que pagaram caro por aquela localização.

O segundo item do quesito evolução fala da espontaneidade, da criatividade, da empolgação e da vibração dos desfilantes. Será espontâneo e criativo um componente desfilar preso a uma fila e uma coluna? Será espontâneo e criativo um componente estar preso a uma predeterminada coreografia?

E normalmente são coreografias simplórias, parecendo apresentação de alunos do ensino fundamental. E aí deve entrar o BOM SENSO das direções de harmonia evitando os componentes enfileirados como numa parada militar. O BOM SENSO de não ficar nas laterais de uma ala coordenando filas e colunas certinhas. O que as direções de harmonia-evolução precisam entender é que a grande função deles é exigir o canto alegre, criativo e espontâneo de seus componentes. É evitar uma maior espaçamento entre as partes de um desfile. É desfilar com alegria transmitindo a cada um dos componentes de uma escola o prazer de estar ali cantando e evoluindo alegremente. 

E sem querer me alongar mais, reafirmo: Harmonia é antes de tudo BOM SENSO.

Procurei dar uma visão mais geral do que me parece ser direção de harmonia, mas deixo claro que alguns setores da escola, como bateria, casais de mestre-sala e porta-bandeira, comissões de frente, ala de crianças e baianas, e ala de passistas têm vida e harmonia própria e diferem um pouco do que aqui coloquei.

E para finalizar deixo aos amigos um desafio: Um grande espaço, digamos de 50 metros, entre uma alegoria e a ala seguinte deve ser penalizado em harmonia ou em evolução? 

Um abraço
Luiz Fernando Reis



Parte II - Diretor de Carnaval

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 30/04/2009 16:34

Compreendo o desfile de uma escola de samba como a conclusão de um amplo projeto de carnaval. Esse projeto será tocado por várias mãos, mas seis delas são fundamentais em seu desenvolvimento. O presidente da Escola, que é o homem do dinheiro, o carnavalesco, que o responsável plástico pelo projeto, e o gestor ou coordenador desse projeto que é o diretor de carnaval". 

Na coluna passada, estávamos no momento de criação do carnaval e deixamos bem claro que não deveria haver influência da direção de carnaval no processo criativo do carnavalesco. Apenas uma suave supervisão para evitar exageros que possam comprometer o bom andamento de um desfile. Citemos, como exemplo, uma situação comprometedora num desfile: O artista carnavalesco decide que a quarta alegoria deverá ser formada por dois tripés acoplados a uma grande alegoria. A coisa é gigantesca, bonita e grandiosa, mas a sua montagem com a escola em desfile pode ser catastrófica. Um atraso nessa montagem pode abrir um buraco que acabe penalizando a escola, no mínimo, em três quesitos: Evolução, Harmonia e Conjunto. Essa preocupação deve existir na direção de carnaval.

Deixemos o carnavalesco criar a plástica do carnaval e vamos partir para o processo mais importante no pré-desfile de uma escola de samba e, também, da função do diretor de carnaval - Vem aí, a escolha do samba enredo. É claro, que essa escolha não passa apenas pela direção de carnaval. São fundamentais na comissão de escolha do samba, pelo menos, quatro nomes:
O presidente por ser o cargo majoritário da entidade, e é nele que recairá a maior culpa de uma escolha errônea. O diretor de carnaval que é o gestor do projeto e o conhece em sua amplitude. O carnavalesco que é, naquela oportunidade, o único a conhecer detalhadamente sua proposta plástica de desfile e reconhecer numa palavra, num verso ou estrofe de um dos sambas um ponto fundamental para a compreensão de seu trabalho e a direção de harmonia-evolução, que conhecendo a forma de desfile da escola pode optar por essa ou aquela obra. 

Com certeza outros nomes podem e devem figurar nessa comissão de escolha do samba-enredo, mas uma coisa, no meu modo de ver, é fundamental. Esse colegiado precisa ser uma equipe, um time e estar unida com a difícil missão de escolher a melhor obra que será levada à avenida. E não tem essa de voto secreto, não pode ter o samba do amigo ou o do inimigo e eu não conto pra ninguém minha opinião. Toda eliminatória precisa ser encerrada com uma reunião fechada onde essa comissão discutirá abertamente cada uma das obras apresentadas. 

Nessa fase a seriedade e a discrição são fundamentais. O que acontece numa dessas reuniões precisa ficar em sigilo até a próxima eliminatória. E como toda unanimidade é burra, alguns perderão, mas a maioria terá feito sua vontade e preferencialmente a vontade do corpo da escola, por isso, nesse processo eles precisam ser ouvidos. Você como julgador não pode e nem deve externar sua opinião fora do colegiado de escolha, mas deve, obrigatoriamente, ouvir as opiniões do maior número possível de componentes. A voz que cantará o samba na avenida precisa ser ouvida desde esse momento.

A escola já tem seu samba escolhido, o carnavalesco já deve estar com os protótipos das fantasias executados e as alegorias projetadas e já em execução. Cabe ao diretor de carnaval numa parceria com a direção de harmonia-evolução e com a benção do presidente dar inicio ao planejamento do desfile da escola. E aí vem as reuniões com cada um dos segmentos da escola e nessas reuniões, direção de carnaval e direção de harmonia devem esclarecer como será o desenvolvimento da escola na avenida.

Uma releitura e uma análise dos regulamentos de desfile será excelente numa reunião como todo o departamento de carnaval e harmonia-evolução. A escolha do nome que puxará ( não confudir com o puxador ou intérprete) , na verdade, é uma missão técnica importantíssima. É ele que controlará o tempo de desfile. Então quando você avistar um cara sério e com jeito de metidão a frente da escola e com uma parafernália de fones de ouvido, microfone e rádio na mão, não se espante. Ele até parece mais um presepeiro, mas é o fundamental cronometrista da escola. Desculpem o termo presepeiro, mas com ele, me autodenomino, pois fiz esse trabalho nos últimos cinco anos da Caprichosos de Pilares, com exceção de 2009, pois estava, como carnavalesco na Império da Zona Norte, em Porto Alegre e por lá fiz a mesma coisa, mas sem a parafernália dos rádios, que não são usados por lá.

Outra escolha muito importante num desfile é a designação do diretor de joelho, ou seja, a passagem da escola da concentração da Avenida Presidente Vargas para a Marques de Sapucaí. Muita escola já ganhou e já perdeu carnaval ali. A função dele é coordenar a curva das alegorias e das alas. Uma manobra perfeita é quando a alegoria entra direta e sem manobras, nesse joelho, não permitindo o tão indesejado espaçamento carros-alas. Ele também tem um rádio e comunica ao cabeça da escola, se alguma alegoria teve problemas de entrar em desfile e se é necessário parar a escola.

O terceiro ponto chave de uma escola é o diretor que acompanhará a bateria em suas manobras de saída e entrada nos recuos. Ele também tem um rádio e se comunica com os demais rádios, especialmente ao cabeça da escola, informando o momento da escola parar para o ingresso da bateria no segundo recuo.

Se o casal de mestre-sala e porta-bandeira não vier à frente da escola, como atualmente acontece na maioria das agremiações, um quarto rádio se faz necessário para possibilitar, com a parada de escola, a apresentação do casal à frente dos módulos de julgadores.

Como os amigos podem perceber, é bastante árdua a tarefa de um diretor de carnaval. Esse cargo não nasceu do nada e nem para agradar ninguém. Ele, com a grandiosidade dos desfiles de hoje, é, sem dúvida, fundamental.

Esse pequeno relato é uma homenagem aos grandes diretores de carnaval de nossa festa maior. Apesar da truculência e da cara feia de sempre nossa homenagem ao grande mestre Laíla, esse sabe tudo e um pouco mais de carnaval. Mesmo com a aparente arrogância, não podemos esquecer do outro monstro em dirigir um carnaval, Wagner Araújo, sabe muito de carnaval. Um de seus discípulos também segue uma linha de muito conhecimento de carnaval, Ricardo Fernandes.

Três outros nomes que me merecem respeito, apesar de não mais atuando na área, Jorginho Harmonia, Chiquinho Pastel, o Chiquinho do Babado da Folia e os falecidos amigos do peito Roberto Costa e Jorginho Moreira. Com cada um deles eu aprendi um pouco do pouco que sei de carnaval. Quem sabe um dia consiga desempenhar essa função com tanto talento quanto eles.

Um Abraço
Luiz Fernando Reis (por quatro vezes diretor de carnaval da Caprichosos de Pilares e por uma vez do Paraíso do Tuiuti)



O que é um diretor de carnaval?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 21/04/2009 03:41

Na coluna passada comentei sobre a figura do profissional carnavalesco. E darei continuidade a essa série profissionais falando da figura do diretor de carnaval. Antes, eu gostaria de agradecer ao amigo e jornalista Vinicius Brito pela reprodução da matéria no Samblog do grupo RBS, espaço obrigatório de leitura dos carnavalescos de Porto Alegre (em Porto Alegre, o sambista e o amante de carnaval recebem a denominação de carnavalesco). E antes que o Alberto João fique preocupado, a fonte SRZD-Carnavalesco não deixou de ser registrada.

Eu compreendo o desfile de uma escola de samba como a conclusão de um amplo projeto de carnaval. Esse projeto será tocado por várias mãos, mas seis delas são fundamentais em seu desenvolvimento. O presidente da escola, que é o homem do dinheiro, o carnavalesco que é o responsável plástico pelo projeto e o gestor ou coordenador que é o diretor de carnaval. 

Inicialmente, o cargo diretor de carnaval nasceu como um elo de ligação entre a diretoria de uma escola e o seu carnavalesco. A coisa acontecia mais ou menos dessa forma: Cabia ao diretor de carnaval convencer à diretoria e mais especificamente ao presidente que as idéias do carnavalesco eram viáveis e que trariam um bom resultado no desfile e em contra-partida era ele mesmo quem trazia do presidente o recado de que financeiramente muitas das idéias propostas não teriam recursos disponíveis. 

E pra que esse intermediário, se o próprio presidente poderia negociar diretamente como o carnavalesco? É que nem sempre, ou quase sempre, o cargo de presidente, que apresenta uma forte conotação política, de uma liderança comunitária, é um homem de carnaval. O pouco que entende de carnaval não é bastante para coordenar e debater de igual para igual com o seu carnavalesco, um projeto amplo para o desfile. É por isso que surge o diretor de carnaval. Com isso compreendemos que direção de carnaval não é um cargo político e sim um cargo técnico a ser ocupado por alguém que conheça, com propriedade, todo o processo de realização de um carnaval.

O diretor de carnaval era quase um moleque de recados e uma ponte entre carnavalesco e presidente e/ou sua diretoria. Porém, o carnaval evoluiu e deixou de ser aquela manifestação folclórica, romântica, simplória e passou a ser o maior show, o maior espetáculo a céu aberto do mundo.

A função de diretor de carnaval ganhou novas atribuições e responsabilidades. As escolas compreenderam que a era de ditadura dos carnavalescos já não tinha mais razão de ser. O espetáculo crescera muito para ficar restrito a uma única cabeça.

Dias atrás li de alguns de nossos comentaristas algumas pérolas assustadoras. "Qualquer um pode ser diretor de carnaval". "Qualquer presidente de ala pode levar um desfile até seu final". "Um compositor pode coordenar um desfile" e outras coisas do tipo. Que os amigos me perdoem, mas a coisa vai muito, mas muito além disso. Seria insano de minha parte se colocasse o diretor de carnaval como o cargo mais importante de uma escola de samba, mas não hesito em afirmar que em desfile o diretor de carnaval é, sem pensar duas vezes, a figura mais importante.

Todo o planejamento de um desfile passa pelo controle da direção de carnaval e um desfile de escola de samba não é apenas colocar alas entre os carros, cantar o samba e esperar o resultado. A coisa é muito mais complicada. Voltemos ao nosso projeto de carnaval lá no seu inicio.

A coisa toda começa na preparação da sinopse que pode ser feita pelo carnavalesco ou por pessoa de sua confiança e aí o diretor de carnaval não precisa participar, mas o segundo passo que é o desenvolvimento do carnaval em alas e alegorias ou o cronograma da escola, a participação do diretor de carnaval é fundamental. Não cabe a ele determinar se as baianas serão brancas ou azuis, isso é função do carnavalesco, mas se a roda das baianas tiver 5 metros, isso influenciará no desfile, pois em sua montagem teremos apenas quatro ou cinco baianas por fila o que levará a ala de baianas a ter mais de 150 metros de comprimento. E isso prejudicará a harmonia da escola. As baianas pelo peso de suas fantasias e de sua idade cantam pouco normalmente. 

Não deve o diretor de carnaval interferir em que parte do enredo as baianas desfilarão, mas é sua competência mostrar ao carnavalesco que, tecnicamente, as baianas vindo à frente da escola causarão menos problemas caso uma pane numa das alegorias as obrigue a passar por ela, o que em desfile, pela tamanho e morosidade das senhoras desfilantes será praticamente impossível.

O cronograma de desfile é uma parte do projeto-carnaval que deverá ser executado a quatro mãos. Que o carnavalesco a faça, mas a supervisão do diretor de carnaval é muito importante. 

O trabalho de criação do carnavalesco não precisa e nem deve ser supervisionado pelo diretor de carnaval, mas o artista precisa compreender que alguns de seus exageros podem comprometer o desempenho da escola na avenida.

Encerro essa primeira parte para não tornar muito enfadonha essa coluna. Que os críticos peguem leve, ainda tem mais sobre o diretor de carnaval em nossa segunda parte.

Um abraço
Luiz Fernando Reis



O que é um carnavalesco?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 31/03/2009 15:16

Com o troca-troca de profissionais quase terminando já podemos conversar um pouco sobre o próximo carnaval, mas antes vou dar algumas colocações muito pessoais sobre algumas funções profissionais de nosso carnaval.

Começo por uma das funções mais importantes em nossa festa maior, tão importante que dá nome a esse site, o Carnavalesco. O que é um carnavalesco? Vou tentar desmistificar esse conceito de carnavalesco. Ele não precisa ser obrigatoriamente homossexual, afinal, talento nunca teve sexualidade. Um carnavalesco não precisa, obrigatoriamente, saber desenhar, mas, com certeza, ele precisa ter criatividade, bom gosto e um bom conhecimento geral de arte. Max Lopes e João Jorge Trinta nunca desenharam, mas cada fantasia e cada elemento alegórico que desfilou em cada um de seus carnavais foi por eles criado, desenvolvido e aprovado. 

Um carnavalesco não precisa ser aderecista, pintor, estilista ou escultor, mas ele precisa de ter a visão geral de todo o processo de confecção de um carnaval. Um carnavalesco não precisa ser letrado e formado nisso ou naquilo, mas ele precisa para que seu trabalho tenha êxito de uma visão cultural abrangente. Não basta apenas uma pesquisa no Google da vida e nas enciclopédias escolares para se desenvolver um carnaval. É preciso bem mais que isso. É necessário muito embasamento cultural, que sabemos nem sempre se aprende nas salas de aula. Além disso, é importante gostar muito de carnaval. 

Nem coloco a questão da cultura pensando na confecção das sinopses, já que muitas escolas contam com profissionais para essa função. Penso na cultura geral como desenvolvedora de um enredo, do que dele se aproveitar plasticamente, o que será ala e fantasia, o que será escultura, adereço e alegoria, o que do enredo podemos projetar para um samba-enredo que seja abrangente, melódico, poético e que possa acrescentar a uma bela obra musical.

E falo essas coisas, pois tenho percebido em alguns de nossos dirigentes muito pouco conhecimento do que é a figura do carnavalesco. Não basta dar pinta para ser carnavalesco. Não basta apenas saber desenhar para ser um carnavalesco. Não basta ser um aderecista e conhecer tudo de barracão e já se considerar apto a ocupar a função de carnavalesco. A Mocidade errou ao considerar o excelente aderecista Cláudio Cebola apto a tocar um projeto para uma escola do tamanho da Mocidade Independente. Tenho receio se dois homens de barracão, excelentes profissionais em suas áreas, não se assustem com a responsabilidade de colocar a Unidos do Viradouro em 2010 na Sapucaí. O mesmo receio sinto ao ver meu amigo e Rei Momo eterno, mas ainda inexperiente Alex de Oliveira e o talentoso projetista Amauri Santos com a missão de conduzir os destinos plásticos da gigantesca Portela para o desfile de 2010.  

O aprendizado de um carnavalesco acontece quase sempre nos grupos de acesso. É por lá que o profissional-carnavalesco conhece as dificuldades de se colocar um carnaval na avenida e nesse processo ele vai aprendendo e crescendo profissionalmente e um dia, numa processo quase natural, os dirigentes das escolas do Grupo Especial percebem talento e qualidade naquele artista e o convocam para fazer parte do seleto quadro de carnavalesco Especial. Assim foi como o Alex de Souza que começou como desenhista do Renato Lage e procurou nas escolas de baixo seu espaço e ralou muito até ser um carnavalesco especial. 

Paulo Barros e Paulo Menezes seguiram esse mesmo caminho de dificuldades e aprendizado até chegarem ao reconhecimento especial. Vou citar um nome que já desponta como uma grata revelação e vem seguindo o mesmo caminho. Fábio Ricardo, carnavalesco da Rocinha, e por muitos anos assistente do Max Lopes está batalhando numa escola do Acesso e já tem o seu talento lembrado por escolas do Especial. 

Mas o carnavalesco, apesar de sua fundamental participação não é o único profissional de um carnaval. Ele precisa estar bem assessorado, com assistentes e compreender que um projeto de carnaval tem em sua figura o grande responsável plástico, mas não é apenas ele o grande nome de um desfile. Um carnaval não é, nunca foi e nunca será um projeto pessoal de um artista. Em torno dele existem vários outros profissionais com o mesma intenção de fazer um grande carnaval.

Na próxima matéria falo do profissional diretor de carnaval, que é tão importante como o carnavalesco numa escola de samba.

Um abraço
Luiz Fernando Reis



Profissionalismo no carnaval

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 19/03/2009 11:18

Na matéria que noticiava a ida do Mestra Átila para a Vila Isabel pude ler alguns comentários que me indignaram. Até quando nós imaginaremos um evento da magnitude do carnaval carioca sendo feito de forma amadora? É muita inocência imaginarmos um mestre de bateria de uma escola do Grupo Especial ou mesmo em algumas do Grupo de Acesso não ter um comprometimento de seriedade e trabalho que implica num compromisso profissional. 

Um mestre de bateria, assim como um casal de mestre-sala e porta-bandeira e um primeiro intérprete de samba-enredo ensaia, pelo menos, três ou quatro noites por semana. Esses ensaios normalmente começam às 21h e se estendem no mínimo até a 1 da madrugada. O abnegado integrante da escola espera um ônibus, se ainda estiver circulando, e chega em casa por volta das 3 da manhã, dorme até às 5h, levanta e vai para o batente de verdade. 

Ele consegue seus R$ 800 mensais... Esse relato ainda acontece em escolas dos grupos de acesso B, C, D e E. Claro numa rotina bem menos exagerada, mas não há dinheiro e ele vai na empolgação mesmo, mas espera que um dia essa experiência o leve ao sonho "Especial" e de onde seu talento possa lhe valer o tão sonhado profissionalismo.

Um carnaval merece seriedade e responsabilidade de quem ocupa uma função, seja ela qual for, e isso merece ter um preço. A esse preço chamamos profissionalismo. Quem paga pode cobrar e quem recebe sabe que precisa justificar seu ganho. Só com o profissionalismo o nosso carnaval deu o necessário salto de qualidade. E esse salto será tão maior quanto maior for a profissionalização de nosso carnaval. 

E numa boa; imaginar amadorismo de um evento que rende em torno de 4 milhões-ano por escola de samba é muito romantismo pro meu gosto.

Indignação

Sempre acompanho todos os comentários aqui postados e confesso que alguns me deixam bastante indignado. Seja pela falta de conhecimento de causa e até mesmo pela falta de sensibilidade de compreender o que rola de verdade no mundo do samba. 

Inveja de Uruguaiana

Bastou o Eugênio Leal colocar da inveja que sentira ao assistir, como julgador, ao carnaval de Uruguaiana e presenciar, assim como eu, a alegria e paixão com que as arquibancadas recebiam suas escolas de coração. Os aplausos entusiasmados quando da apresentação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira e a receptiva alegria ao perceberem um notável do carnaval carioca, ou mesmo de Porto Alegre, desfilando em suas escolas. A proximidade das arquibancadas da pista de desfile nos deu inveja. Inveja da fantástica interação público - componentes. O samba era cantado e público respondia cantando ainda mais alto. Mas não sentimos inveja do carnaval de Uruguaiana, percebemos, apenas, que o nosso carnaval carioca tem problemas e o maior deles é o afastamento do público assistente dos componentes de nossas escolas, e isso, em Uruguaiana é simplesmente emocionante.

Um abraço
Luiz Fernando Reis



Só hoje, 30 anos depois, a história do "Z" me fez chorar...

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 12/03/2009 11:36

A primeira vez que desfilei numa escola de samba foi no ano de 1980. O desfile foi na Avenida Rio Branco, onde na época desfilavam as escolas dos grupos 2A e 2B, que formavam o que hoje chamaríamos de 3º e 4º grupo. Em meu primeiro desfile numa escola de samba fui campeão ajudando a Santa Cruz a subir para o que conhecemos como Grupo de Acesso A e de onde ela nunca mais saiu a não ser para desfilar no Grupo Especial.

Me vesti com as cores da Acadêmicos de Santa Cruz, da qual era diretor cultural e dei meus primeiros passos numa avenida de desfile. Essa foi a minha primeira sinopse e foi feita para o enredo de autoria do então presidente, já falecido, José Lima Galvão - Um Domingo na Quinta da Boa Vista. 

O barracão era lá em Santa Cruz, no antigo matadouro e algumas vezes, apesar da distância, estive por lá acompanhando os trabalhos de execução das alegorias. 

Assim que cheguei na avenida percebi que o "Z" de Santa Cruz estava colocado no carro de maneira incorreta e o coloquei da maneira correta. Ele era de isopor cru sem pintura sob um fundo de tecido verde e o apoio eram pregos sem cabeça. Fui ver o restante da escola e quando retornei ao abre-alas lá estava o Z, novamente colocado de forma incorreta. Insisti em consertar o Z, quando fui impedido por um diretor que eu não conhecia, e era mesmo diretor, pois estava vestido com um terno branco e uma blusa verde como a minha. E acerta o Z não acerta o Z, eu e esse diretor quase saímos na "porrada", que só não se consolidou quando eu percebi que a maioria dos demais integrantes da escola conheciam o diretor e não a mim.

Coloquei o rabinho entre as pernas e deixei o Z como estava e fui para o final da escola. Quando a escola terminou o seu desfile percebi que o Z estava colocado corretamente, da forma que eu avisara na concentração. E na comemoração pelo belo desfile que fizemos aquele diretor teimoso me cumprimentou sorrindo e me disse:

- Você estava certo, o Z era mesmo ao contrário e num abraço nos desculpamos. 

Esse diretor passou a ser meu grande amigo em terras de Santa Cruz. Fui por duas vezes carnavalesco de Santa Cruz e sempre pude contar com ele apoiando e ajudando meu trabalho. E sempre fiz questão de abraçá-lo e desejar-lhe boa sorte no pré-desfile de sua querida Acadêmicos de Santa Cruz, fosse qual fosse o ano.

O nome desse diretor era Mario José de Siqueira Campos, o Zeca, há muito anos diretor de carnaval da Santa Cruz e que nos deixou nessa quarta-feira.

Descanse em paz meu bom amigo e junte-se a nossa amiga Rosele, apaixonada como você pela Acadêmicos de Santa Cruz. Um dia, que espero demore um pouco ainda, nos reencontraremos e relembraremos, como tantas vezes fizemos, essa confusão do Z.

Um abraço e dessa vez muito triste pela perda de um grande amigo que o samba me presenteou.

Luiz Fernando Reis



Análise dos desfiles do Carnaval 2009

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 25/02/2009 08:01

O ano de 2009 não foi dos melhores anos para o carnaval carioca. Eu sempre considero que um carnaval deve ser inferior ao do ano seguinte e superior ao ano anterior. O carnaval de 2008 foi muito acima do carnaval de 2009 e o carnaval de 2007 foi melhor que ambos. Fica a esperança de que o carnaval 2010 seja bem melhor que esse fraco carnaval de 2009, o que não será difícil de acontecer. Não tivemos desfiles exuberantes, nem alegorias fantásticas, nem fantasias que nos impressionassem. Tivemos um carnaval morno, de enredos sem pé, corpo e cabeça. Um ano de sambas abaixo de nossa média. Vou comentar os desfiles.

No domingo duas escolas se destacaram - Vila Isabel e Beija-Flor e ambas podem levar o carnaval 2009.

O Império Serrano foi uma grata surpresa ao abrir os desfiles. Uma excelente bateria, um samba reeditado e muito bem levado pelos componentes e pelo público. Fantasias e alegorias leves, simples, mas adequadas e que contaram com o bom gosto de Márcia Lage e passaram muito bem o enredo proposto. O Império que poderia disputar as últimas colocações desponta muito bem no bloco intermediário. Não acredito que esteja entre as campeãs, mas ficou bem longe da Lesga.

A Grande Rio novamente perde para ela mesma. As fantasias e alegorias, requintadas contaram bem o enredo. O carnavalesco Cahe Rodrigues vem crescendo a cada ano. Os erros nos quesitos de chão evolução, conjunto e harmonia tiram a Grande Rio da disputa pelo campeonato, mas ainda coloco no sábado das campeãs.

A Vila Isabel concretizou o casamento da noite: a criatividade de Paulo Barros e o requinte de Alex de Souza fizeram das alegorias da Vila um ponto muito positivo. O samba foi muito bem cantado e o chão da Vila foi impecável. A Vila Isabel é uma das favoritas e só pode perder para a Beija-Flor e o Salgueiro.

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi uma grande decepção e nem de longe lembrava a escola impecável de anos atrás. Um enredo confuso, fantasias e alegorias muito fracas. A bateria sofrível e a mais fraca comissão de frente da noite devem levar a Mocidade para a rabeira da pista. Uma pena, mas a Mocidade pode estar na Lesga em 2010.

A Beija-Flor veio firme para o tricampeonato. Em fantasias e alegorias foi insuperável. Fez um desfile muito bom nos seus quesito mais fortes evolução, harmonia e conjunto. Apesar de não apresentar o mesmo desempenho dos dois últimos carnavais é forte candidata ao título. Só pode perder para a Vila Isabel e o Salgueiro.

A Unidos da Tijuca entrou numa pista exageradamente e desnecessariamente molhada pela Beija-Flor e escorregou literalmente na avenida. O enredo, as fantasias e alegorias estavam muito fraquinhas e o forte da Tijuca, a criatividade, passou longe do Borel esse ano. Não estará no sábado das campeãs e estará com o Império Serrano disputando o bloco intermediário.

Na segunda-feira, o grande destaque foi a Acadêmicos do Salgueiro forte candidata ao título do carnaval 2009.

O Porto da Pedra não esteve numa noite feliz. O enredo não era muito claro e repetia soluções já vistas tantas vezes na Sapucaí. As alegorias eram corretas, mas com falhas de requinte e acabamento. Gostei das fantasias mas nada que a tire de uma colocação ruim. Disputa com Mocidade e Unidos da Tijuca a rabeira da tabela de classificação. Não acredito em rebaixamento, mas não vejo o Tigre de São Gonçalo acima do décimo lugar.

O Acadêmicos do Salgueiro pisou forte e bonito na Sapucaí. O enredo, as fantasias e alegorias estavam com a tradicional marca de qualidade do gênio Renato Lage. O chão, a bateria e o samba foram muito bem. É a grande campeã de 2009. Se perder só poderá ser para a Beija-Flor ou para a Vila Isabel. Um tambor que não para de ressoar me avisa: Salgueiro Campeão 2009.

A Imperatriz Leopoldinense veio solta, alegre e descontraída e bem diferente da certinha que nos acostumamos a ver há alguns anos atrás. Mas o talento de Rosa Magalhães passou muito discreto esse ano. Pode até estar nas campeãs, mas longe do campeonato.

A Portela chegou bonita e preparada para disputar o carnaval. Não foi impecável, mas claramente nos mostra um Portela em crescimento e de volta à elite do carnaval carioca. Não disputa o título, mas certamente estará numa boa colocação e no desfile das campeãs.

A Mangueira foi, como era esperado pelos problemas no pré carnaval, uma caricatura da Mangueira que aprendemos e respeitar. O samba passou muito bem na voz de Luizito, a bateria foi correta e o chão mangueirense cumpriu o seu papel. Mas as alegorias, bem inferiores às fantasias e um enredo batido e confuso tiram a tradicional Manga do sábado das campeães. Disputa um posição intermediaria entre o sétimo e décimo lugar.

A Viradouro me decepcionou muito. A começar por um enredo pífio, confuso e sem sentido algum. A Bahia e os orixás merecem mais carinho e respeito. Alegorias e fantasias muito aquém do que poderíamos esperar. O samba fluiu bem, a bateria de Mestre Ciça deu show e ficou só nisso. A exemplo da Mangueira está longe das campeãs e pode disputar as três últimas colocações.

É muito complicado fazer prognóstico da classificação desse ano. Mas vou sair de cima do muro e arriscar um palpite, muito pessoal e intransferível. Eu não sou adivinho e não tenho bola de cristal. Esse é apenas o meu palpite. Mas as três primeiras serão essas, não necessariamente nessa ordem, apesar do tambor que insiste em me apontar - Salgueiro campeão do carnaval.  

Campeã - Acadêmicos do Salgueiro
Vice Campeã - Beija Flor
3ª colocada - Vila Isabel
4ª colocada - Grande Rio
5ª colocada - Portela
6ª Colocada - Imperatriz Leopoldinense
7ª Colocada - Império Serrano
8ª Colocada - Mangueira
9ª Colocada - Unidos da Tijuca
10ª Colocada - Unidos do Porto da Pedra
11ª Colocada - Acadêmicos do Viradouro
12ª Colocada - Mocidade Independente
 
Um abraço de um orgulhoso carnavalesco vice-campeão do Carnaval de Porto Alegre
Luiz Fernando Reis



Boa sorte para os carnavalescos

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 20/02/2009 01:51

Estamos na semana mais esperada do ano. Na verdade, nós já estamos, há um bom tempo, com olhos e mente totalmente focados nele. E para nós que abraçamos a carreira de carnavalesco, essa semana é tensa, nervosa, preocupante e a cada minuto que passa alternamos tensão com o que ainda temos por fazer e alivio e tranqüilidade com as coisas que estão sendo resolvidas. 

Seria bom que os amigos estivessem na pele de cada um de nós carnavalescos nesse pré carnaval e sentissem a forte carga emocional a que estamos sujeitos. 

Aquele tecido que chegaria na segunda feira ainda não chegou e a alegoria 4 ainda depende dele para o acabamento final. 

O ferreiro que conseguiu uma empreitada em outra escola, viajou para São Paulo e me prometeu que voltaria no domingo, a coisa atrasou e ele ainda está por lá e preciso dele para o encaixe dos esplendores dos destaques do carro 5 e só ele tem as medidas da ferragem.

E o nosso escultor ainda está concluindo aquela escultura numa escola do Acesso A e já era para ter terminado alguns adereços de nosso carro abre-alas. E o pintor de arte já está me pressionando, pois ele precisa pintar, ainda, todas as esculturas de uma escola do Grupo B.

Como se eu estivesse tranqüilo, chega o destaque principal do carro 7 reclamando que a grande escultura que vai estar na sua frente cobre sua bota importada e cravejada de strass tchecos.

Chega um diretor nervoso questionando o motivo de sua filha ter sido posicionada no lado esquerdo do carro, quando ele havia me pedido que sua composição desfilasse do lado dos camarotes, onde estará toda a sua família.

O carpinteiro, o cara da fibra, e o aderecista do carro 2 me cobrando ingressos para o desfile. Como se eu tivesse. Não tenho nem para mim.

A costureira reclama dos forros que chegaram atrasados e de alguns aviamentos erradamente comprados. O servente me pede emprestado um qualquer, que sei que nunca receberei de volta.

E quando penso que vou poder almoçar um desses sanduíches da vida, chega o presidente com seus "aspones" (assessores de por... caria nenhuma) e me pede para explicar todo o carnaval para a sua nova conquista amorosa.

Parece brincadeira, mas essa é a rotina de um carnavalesco, que tem seus momentos de glória, de luzes e foco, mas precisa passar por tudo isso. É dura a vida de um carnavalesco.

E aí vem meu querido e preferido editor-chefe, Alberto João, e me pede pra qualificar as escolas e apresentar minhas expectativas para o desfile que se aproxima, quem pode ganhar, quem pode descer, quem pode supreender.

Me perdoe Alberto, mas dessa não poderei atender seu pedido. Esse carnavalesco travestido de colunista, travestido não caiu legal (rsrsrs). Esse carnavalesco fantasiado de colunista prefere tirar a fantasia e ser, se você permitir, apenas carnavalesco nesse momento.

Serei corporativista e me colocarei ao lado de cada um de meus companheiros carnavalescos. Dessa vez ficarei em cima do muro aplaudindo e desejando boa sorte a todos os carnavalescos de nosso carnaval.

Boa Sorte Márcia Lage e suas sereias no Império Serrano.
Boa Sorte Cahê Rodrigues e sua França na Grande Rio.
Boa Sorte Alex de Souza, Boa Sorte Paulo Barros no Municipal da Vila Isabel.
Boa Sorte Cláudio Cebola contando Machado e Guimarães na Mocidade Independente.
Boa Sorte Alexandre Louzada e sua Comissão de Carnaval banhando-se na Beija Flor. 
Boa Sorte Luiz Carlos Bruno e sua Odisséia  Espacial na Unidos da Tijuca.  Boa Sorte Max Lopes curiando no Porto da Pedra. 
Boa Sorte Renato Lage nos tambores do Salgueiro. 
Boa Sorte Rosa Magalhães fazendo samba e arte na Imperatriz Leopoldinense. 
Boa Sorte Lane Santana, Boa Sorte Jorge Caribé falando de amor na Portela. 
Boa Sorte Roberto Szaniecki falando de Brasis na Mangueira. 
Boa Sorte Milton Cunha falando Vira-Bahia na Viradouro. 

E já que estou em estado de boa sorte, vou fugir um pouco do Especial e desejar a todos os carnavalescos dos Grupos A e dos Grupos Rio de Janeiro 1, 2, 3 e 4 muito boa sorte.

E puxando a brasa pra família. Boa sorte Fernanda Reis, minha filha, como coreógrafa da Comissão de Frente do Unidos do Cabral. Papai te ama e te deseja toda sorte nesse carnaval. E se teu irmão não coreografar direito pode dar uns cascudos no moleque por mim (até parece que eles precisam de minha autorização para trocarem socos, xingamentos e pontapés... rsrs).

Fiz questão de desejar esse boa sorte coletivo, pois sei que cada um de meus amigos carnavalescos me desejará o mesmo e entrarei na avenida, nesse sábado, como carnavalesco do Império da Zona Norte, no Rio Grande do Sul, com boa sorte de muita gente talentosa.

Me desculpem se não dei meu prognóstico sobre os desfiles, mas nesse momento o corporativismo carnavalesco falou mais alto.

Boa sorte para todos nós que amamos esse troço chamado carnaval.

Um abraço
Luiz Fernando Reis



Seriedade e simplicidade fazem bem

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 06/02/2009 15:07

De modo geral nossos amigos acertaram, quase por completo, a nossa primeira história-desafio. Até que o amigo e jornalista Jose Carlos Netto chegou e contou em maiores detalhes nossa história.

Eis as respostas:

Quem é a escola de samba A? Caprichosos de Pilares

Quem é a escola de samba G? Estácio de Sá

Quem é o presidente B da escola de samba A? Fernando Leandro

Quem foi o intérprete C da escola de samba A, em 1993? Márcio Souto

Quem era o intérprete F da escola de samba G, em 1993/1994? Dominguinhos do Estácio

Quem é o intérprete D que ganhou, mas não levou? Wantuir

Quem é o intérprete E que perdeu, mas acabou sendo o intérprete da escola de samba A, em 1994? Luizito

Eu não perguntei, mas responderei. O carnavalesco da Caprichosos era essa pseudo-escriba Luiz Fernando Reis

Amigo não tem defeito ...

Tem um ditado que eu gosto muito. Ele diz: Amigo não tem defeito. E inimigo quando não tem, a gente inventa um e coloca nele. O meu amigo Eugênio Leal, que conheço há mais de uma dúzia de anos e como eu é colunista deste site, até pode ter seus defeitos, mas dentre eles não figura a parcialidade. Ele sempre me passou imparcialidade em suas colunas e em seus comentários. Discordei de muitos deles e espero continuar discordando de outros tantos. Afinal somos pessoas distintas e portanto, com pontos de vista diferentes. E tem mais: Não acredito que uma conceituada empresa radiofônica da capital do samba, a Rádio Tupi, a ele confiasse a coordenação de seu carnaval se ele não fosse conceituado para tal.

O problema é que algumas de nossas escolas de samba, e talvez deva colocar, todas as nossas escolas, de todos os grupos, não sabem conviver com a crítica, por mais leve e branda que possa ser. O nosso samba merece ganhar maturidade e encarar cada crítica como algo positivo, não que sejamos donos da verdade. Já é tempo de nossas escolas de samba e de nossos dirigentes compreenderem que a mídia é um termômetro de suas ações e atitudes. Parem de sempre nos encarar como se fôssemos inimigos, compreendam vez por todas que estamos num mesmo barco e queremos a mesma coisa; o melhor para o nosso samba e o desfile de nossas escolas de samba.

Estou contigo Eugênio e se decidires colocar receitas de bolo por aqui, deixa que eu coloco as receitas de salgadinhos.

E mais Paulo Barros ...

Eu tenho a mania de ler todos os comentários por aqui postados, percebemos claramente a seriedade com que muitos dos companheiros comentaristas postam as suas opiniões. Evidentemente concordo com muitos e discordo de outros comentários, mas gosto de lê-los todos e confesso que aprendo um pouco com cada um deles. E é uma pena quando deparamos que nicks exdrúxulos, infantis e bossais são aqui postados. Vai só um recadinho para vocês. Nós colunistas e comentaristas levamos esse espaço muito a sério. Isso aqui não é uma brincadeira. Desculpem o desabafo, mas Tomás Turbando e Piro Cadura é o cacete. Procurem sua turma, aqui não é lugar pra bobeiras.

E vou reproduzir um comentário que se parece muito com o meu

Postado por: Baby da Glória | 05/02/2009 19:12:00
"Tbm acho que os desfiles ficam muito parecidos, daí a chatice! É tão legal quando uma escola vem com uma proposta diferente do luxo, da riqueza, do brilho e isso o Paulo Barros sabe fazer muito bem, ele botou a Tijuca lá em cima, a Tuiuti e a Estácio tbm deram o seu recado. Como exemplo vou citar um carnaval da Vila inesquecível e ousado: ZUMBI ! Talvez seja disso que ele esteja falando, com Zumbi a Vila causou um impacto tão forte sem medo de apostar na contra-mão do luxo, resultado: foi campeã daquele ano! Viva a ousadia, abaixo a mesmice!"

Eu faço mais ou menos a mesma interpretação da Baby e a reforço com três perguntinhas:

1) Quem não sente saudade de irreverência gaiata, satírica, politicamente incorreta e descontraída dos carnavais da Caprichosos de Pilares? (desculpem se puxei a brasa pra minha sardinha)

2) Quem não sente saudades da irreverente crítica social realizada com tanto humor e propriedade pela São Clemente?

3) Quem não sente saudades da irreverente, solta, despojada e alegre União da Ilha do Governador?

O Grupo Especial realmente tá muito igual e não é apenas em fantasias e alegorias, os sambas são formatados da mesma forma, as baterias pouco diferem umas das outras, excetuando-se a original Mangueira com seu surdo um. As alas de passistas são cópias uma das outras, as baianas desfilam enfileiradas como soldados. As alas preocupam-se mais com seu local de desfile do que evoluir e cantar. Está faltando originalidade em nosso carnaval e um  profissional que tem tentado mexer nessa coisa é o Paulo Barros.

Só um senão amigo Paulo Barros. Não deixa que a arrogância e a prepotência tirem o brilho de seu talento.

Batam de leve que estou recém chegado de terras gaúchas

Um abraço
Luiz Fernando Reis



Uma história-desafio para os amigos

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 27/01/2009 02:18

Um dia desses lembrei de um fato que gostaria de dividir com os amigos. Farei um relato-desafio para resolvermos.

Estamos numa escola A do Grupo Especial, o ano é 1993, e, portanto, nos preparativos para o carnaval de 1994. O presidente administrativo (B) na época não gostou muito da apresentação de seu puxador (C) no carnaval anterior e resolveu promover um concurso para a escolha do novo intérprete de sua escola.

E assim foi realizado o concurso com quadra bastante movimentada. O vencedor obteve uma votação até certo ponto apertada, intérprete D 5 x intérprete E 3. 

Esse resultado foi apresentado ao presidente B, que fez a seguinte colocação: - Uma diretora me procurou e relatou que ouviu do intérprete oficial F da co-irmã G, também do Grupo Especial, presente no evento, que se o vencedor for o intérprete D, ele poderá puxar o samba aqui, mas continuará com o segundo puxador da escola G.

Um dos julgadores muda o seu voto, que mais tarde soubemos ter sido pressionado pelo presidente, e dessa forma, acontece um empate de 4 x 4 entre os dois concorrentes.

Então o nosso presidente, detentor do voto de minerva, decide o concurso. O intérprete E foi o puxador oficial da escola A no carnaval 1994.

E ficam aos amigos as perguntas:
Quem é a escola de samba A?
Quem é a escola de samba G?
Quem é o presidente B da escola de samba A?
Quem foi o intérprete C da escola de samba A em 1993?
Quem era o intérprete F da escola de samba G em 1993/1994?
Quem é o intérprete D que ganhou, mas não levou?
Quem é o intérprete E que perdeu, mas acabou sendo o intérprete da escola de samba A, em 1994?
 
Duas dicas para os amigos:  

Dica 1 - Os intérpretes que acabaram empatados no concurso são ambos primeiros intérpretes de escolas do Grupo Especial.

Dica 2 - O primeiro intérprete que provocou o empate, ainda é primeiro intérprete, mas não está mais no Grupo Especial.

Aguardo as respostas dos amigos.

Diretamente do "exílio", em terras de Porto Alegre, no barracão da Império da Zona Norte. Eles pensam que estou projetando o Carro 5, mas estou voando e papeando com os amigos.

Carnavalesco sofre, mas nem tanto (risos).

Um abraço
 Luiz Fernando Reis



Não estamos exigindo dos ensaios?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 05/01/2009 17:00

O assunto do momento são os ensaios técnicos. As escolas se movimentam e se preparam, a cidade se agita como se já estivéssemos no carnaval. As arquibancadas ficam apinhadas de gente na expectativa de assistirem os ensaios de suas escolas preferidas. E o momento é de encontrarmos, na pista de desfiles, velhos amigos de samba. Tempo de reencontro e abraços afetuosos. Tempo de ouvirmos os sambas e baterias em desfile. Sem dúvida alguma, os ensaios técnicos foram um achado para o mundo do samba.

Mas confesso apreensivo e preocupado com eles. Não estaremos valorizando por demais esses ensaios? Cá entre nós, os ensaios já não tem nada. São na verdade pré-desfiles sem fantasias e alegorias. São apresentações de cada uma de nossas escolas.

Reconheço ser inegável que cada uma dessas apresentações serve, e muito, para a melhoria dos desfiles de cada uma das escolas. As falhas que ali ocorrem podem ser corrigidas e certamente vão ser. O entrosamento samba, bateria, intérprete e harmonia do carro de som melhoram a cada apresentação, portanto, nenhum de nós pode negar a importância dos ensaios técnicos.

O que me preocupa é a demasiada ansiedade com que esses ensaios têm sido aguardados e a crescente cobrança que estamos fazendo deles. A mídia de carnaval vem, cada vez mais, exigindo qualidade na apresentação e quantidade de componentes e ritmistas. 

Não me espantarei se daqui a alguns poucos anos, das 150 baianas de uma escola só aparecerem 145 delas no ensaio técnico e exigirmos explicações por essas 5 baianas faltantes. Se dos 320 ritmistas só aparecerem 307 e perguntarmos ao mestre de bateria pelos outros 13. Se as camisetas do segundo ensaio forem iguais ao do primeiro ensaio acharemos inadmissível a repetição das camisetas e por aí vai.

Uma outra coisa me preocupa: Não podemos equiparar uma escola do Grupo de Acesso A com as escolas da Liga. As primeiras desfilam com um número bem menor de componentes e recebem 20% do que é recebido por uma escola do Especial. Para as escolas do Especial, 2 mil camisetas e 20 ônibus não pesam tanto no orçamento, mas no Acesso isso tem um peso razoável. 

Vamos debater esse assunto?  Seria muito bom ouvirmos a opinião dos amigos comentaristas.

Um abraço
Luiz Fernando Reis



Recado para os diretores de harmonia

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 16/12/2008 17:22

Uma das coisas mais gratificantes da vida é a conquista de um amigo. E nas minhas andanças pelo mundo do samba consegui fazer vários. Por cada escola que eu tenha passado eu sempre mantive um ótimo relacionamento com todos os seus segmentos. Por isso, tenho amigos ritmistas, compositores, dirigentes, passistas, baianas e muitos amigos diretores de harmonia, e que não são poucos. 

Eu era apenas um entusiasta pelas coisas do samba e mais um garoto curioso com tudo o que o samba nos oferecia. Era daqueles meninos que acordava cedinho para poder comprar, se fosse possível, o primeiro LP dos sambas-enredo das escolas daquele ano e aquela bolacha tocava, sem parar, numa vitrola de minha casa por todo o dia e toda a noite. E imaginava enredo, fantasias e alegorias a partir dos sambas que ouvia. Me via desfilando em cada uma das escolas. Amava e ainda amo muito essa coisa carnaval.

Um dia, um diretor de harmonia, ainda hoje um grande amigo, me deu a oportunidade de apresentar um enredo numa escola de samba. E foi aí que tudo isso começou. 1982 - Caprichosos de Pilares. De lá para cá aprendi muito e confesso ainda estou aprendendo samba a cada dia que passa.

Me entristeço muito quando algum comentário, alguma frase ou algumas palavras não são muito bem compreendidas por alguns de meus amigos. E esse amigos ficam tristes e magoados comigo. Mas tenham a certeza que nunca foi essa a minha intenção. Quem me conhece sabe que sou puro, desprovido de ódio ou maldade, até ingênuo em muitas situações. Polêmico, às vezes, mas longe de querer ferir ou magoar pessoas, especialmente pessoas amigas.

Alguns diretores de harmonia me procuraram, indignados, pela matéria anterior. Em nenhum momento eu tentei denegrir a figura e a importância das direções de harmonia. Concordo que falhei em não ter dado o valor que a grande maioria dos diretores de harmonia merece. Errei em não citar o quanto meus carnavais, como carnavalesco, como diretor de carnaval ou como comissário de carnaval, foram engrandecidos pelo trabalho da harmonia. Em nenhum momento, eu generalizei e não personalizei em ninguém o personagem criado na matéria anterior.

Meus amigos Chope, Dudu Azevedo, Jorginho Harmonia, Almir Fortunato, Jaiminho, Jandyr Antunes, Jorginho Moreira, José Carlos, Paulinho Careca, Lamosa, Rony e tantos outros, me perdoem se não me fiz entender, me perdoem se magoei, se no afã de polemizar exagerei nas palavras e denegri, sem querer, a figura das direções de harmonia. Vocês, que me conhecem, sabem que não trago comigo o rancor que, inadvertidamente, acabei passando na matéria.

De coração me desculpem. Pois se reclamei da truculência de alguns, acabei, em letras e palavras, fazendo o mesmo, sem perceber, com toda uma categoria. Não, era essa, de verdade, a minha vontade. Foi tão difícil conquistar a amizade de vocês e não posso aceitar que meia dúzia de palavras possa ferir o carinho e a amizade que tenho por todos vocês.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


Galeria do Carnavalesco