Que venha o segundo turno

| Leandro Araújo | 28/08/2012 20h14

Do empate com os pequeninos alvinegros é difícil pescar algum lance que mereça ser comentado. A única nota fica por conta das últimas apresentações no dois times. Enquanto o Mengão dá um voto de confiança ao Imperador Adriano, 30 anos, para recomeçar a carreira, o Botafogo reapresenta Túlio Maravilha, 43 anos, em busca de um duvidoso milésimo gol. Meu Deus... nada pode ser menor.

Para nós, o primeiro turno acaba de maneira sonolenta. Transição é um saco, é preciso ter paciência e entender que é lento esse processo de passar de um time horroroso para um time razoável apenas mudando técnico e alguns bonecos. Mas dá nos nervos a estanque posição entre o nono e o décimo lugar. Embora tenha oscilado em fases ruins e boas, o Flamengo tem passado o campeonato inteiro estacionado ali na meiuca.

Mas agora o segundo turno tá aí, e tudo pode ser diferente. O Flamengo ainda tem meio campeonato para ocupar alguma posição que lhe seja digna. E o campeonato como um todo ainda tem muito que melhorar, para merecer a citação como terceiro campeonato nacional mais importante do mundo pela FourFourTwo.

SRN

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Brasileirão é uma terra de cegos

| Leandro Araújo | 20/08/2012 19h10

Só deu Mengão. Passeamos sobre o bacalhau tão solenemente que nos demos ao luxo de desperdiçar chances a rodo. A capada de Léo Moura foi bisonha a ponto de ninguém reparar na que Deivid fez logo depois. Não fossem as bobeiras da defesa, o passeio seria ainda mais indiscutível.

Ganhar do Vasco não quer dizer que o Flamengo tenha jogado bem. Não precisa jogar bem - se o jogo é contra os Vices, pode apostar alto que a vitória é certa. Se a cada derrota para o Fla o Vasco acumulasse pontos como num programa de milhas, a esta altura os lusos já teriam deixado de ser simples fregueses e teriam um cartão Platinum VIP Costumer exclusivo.

A questão é que, além do nosso sparring favorito, ganhamos do atual terceiro lugar da tabela. Isso só comprova o que já tenho dito: esse campeonato está nivelado por baixo. É triste um campeonato decente ser liderado pelos medíocres Atlético-MG, Fluminense e Vasco.

A meta atual são os 45 pontos, mas com trabalho, humildade e ousadia daqui a pouco a gente está aí brigando por uma vaguinha na Libertadores.

SRN

All you need is...

| Leandro Araújo | 13/08/2012 14h43

Confesso que não vi o match, só os melhores momentos no Fantástico. Me permiti essa folga de Flamengo - o jogo era sábado às 21 horas e contra o Náutico, uma vitória quase certa. Com todo respeito ao glorioso clube da terra de meus avós, ganhar do Náutico em casa é obrigação para o Fla. Portanto, teoricamente não posso comentar quase nada sobre o que rolou no jogo.

Não cheguei a ver se o time continua a melhorar como um todo, se começa apresentar um padrão tático minimo, nem posso avaliar sobre a atuação dos novatos Cáceres e Liédson. Mas posso falar de uma antiga dicotomia que salta aos olhos, principalmente se você só tiver visto os lances capitais: Vágner Love x Welinton. O sucesso ou fracasso do time está intimamente ligado à atuação desses dois jogadores (se Welinton puder ser chamado de tal).

Independentemente da maneira como o Flamengo vinha armando os ataques, deu para ver que os dois gols do Flamengo foram mérito quase exclusivo do Artilheiro do Amor. Recebendo na lateral ou roubando a bola na entrada da área, Vágner fez todo o trabalho e foi mais que fundamental na vitória. Pode-se dizer que o time vai bem quando Love vai bem - mas isso não é tão bom quanto parece. Menos mal que Liédson parece ter entrado bem e deve curar um pouco da Love-dependência.

Independentemente da maneira como o Flamengo vinha se portando na defesa, deu para ver que COM WELINTON NÃO DÁ. Ele pode até ter tido uma improvável boa atuação durante o jogo inteiro, mas a sua crônica tendência a entregar a paçoca sempre pode colocar tudo a perder. Welington Silva (que dizem ter jogado bem) quase foi afastado por insufiência técnica. E Welinton? Por que ainda veste a camisa do Fla?

Difícil entender qual é o mel desse cara. Entra professor sai professor, lá está ele como titular. Não quero ser leviano de apresentar motivos sem ter certeza, mas definitivamente sua escalação está envolta num contexto atípico. Ligue os pontos: Joel sai e logo em seguida Welinton volta a ser titular; Joel dá uma entrevista em que sugere um grave conflito de interesses na escalação dos jogagores.

Coincidência?

SRN

Voltou!

| Leandro Araújo | 10/08/2012 02h49

Três pontos fora de casa sempre são bem-vindos, mesmo que contra o lanterna do campeonato que não vencia há sete jogos. Mais que um alívio para o coração rubro-negro, a vitória sobre o Figueira permitiu tirar algumas conclusões:

Joel não treinava esse time. Em uma semana de folga, Dorival fez o que o Papai não conseguiu fazer em 28 dias de férias forçadas. O time ainda está ruim, mas já evoluiu absurdamente. Vágner Love, que ficava triste isolado na banheira, voltou a ter companhia. Eu não via o Flamengo com três atacantes desde... desde... já nem lembro mais. Agora pra ficar legal só falta barrar o Renato Canelada.

Vágner Love voltou. No início do campeonato eu tinha certeza de que, independente da campanha do Flamengo, Love seria o artilheiro da competição. Algo aconteceu e o artilheiro do amor parou. Deve ter tido alguma coisa a ver com o mau relacionamento com Joel, com a falta de treinamento do time ou com a (falta de) formação tática. Ou tudo isso. O que quer que seja, deve ter ficado no passado.

Nós implicamos com os caras errados. Negueba fez um partidaço, bagunçou os zagueiros e merecia ter saído com um golzinho. Isso prova que ele é bom jogador? NÂO! Mas prova que ele está querendo jogo. Galera, ele mal completou 20 anos e ainda tem bastante potencial a desenvolver, paremos de pegar no pé do rapaz. Ele pode não ser pereba que todos pensam que é. Só saberemos isso com o tempo. Deveríamos ter mais paciência com as pratas-da-casa e deixar a cobrança os medalhões de salários exorbitantes.

Por falar em medalhão, espero ansiosamente a estreia de Liédson. Ainda não dá para dizer se o Fla mandou bem em sua contratação. Só sei que ele terá de jogar muito para fazer valer o salário de R$ 300 mil. Em se tratando de Flamengo e seu histórico recente de péssimas contratações, a exigência sobre sua atuação cai vertiginosamente. Levando em conta a atual relação custo-benefício de nosso elenco, bastaria jogar mais que o Deivid (R$ 500 mil de salário) que sairíamos no lucro.

A ligeira melhora ainda diz pouco sobre o futuro desse time. Ainda tem muita água para rolar, Zinho ainda está garimpando bonecos dando bobeira na segundona, pode pintar Adriano (para o bem e para o mal)... Sem otimismos ou pessismos demais, sigamos o exemplo de Dorival, que trabalha no mais absoluto sapatinho. Uma coisa de cada vez. Foquemos primeiro na reorganização do time e ascensão da cármica décima posição. Quem sabe aos poucos o Fla engata uma sequência boa.

Não custa nada lembrar que a reação de 2009 começou exatamente nesta época do campeonato. Do jeito que está agora, não há a mínima ilusão de que briguemos pelo título de novo, mas basta conferir os ocupantes do topo da tabela para constatar que este campeonato está nivelado por baixo. Se o Flamengo voltar a jogar o que é minimamente digno de Flamengo, a vaga na Libertadores será um objetivo mais que possível.

SRN

Time sem vergonha

| Leandro Araújo | 27/07/2012 00h24

O poderoso Flamengo de Guarulhos de 1983

 

Hoje sim o Flamengo jogou como Flamengo... como o Flamengo de Guarulhos, clube que joga nas várzeas paulistas junto ao Votopuranguense, Jabotical e Fernandópolis. Eles constam na lista de times autorizados a empatar em casa com a temível Associação Portuguesa de Desportos. Caí na besteira de conferir a lista e, pasmem, vi que o nosso Flamengo carioca da gema não consta lá.

O negócio tá feio. O pior é que agora não tem muito o que fazer. Não sobrou ninguém para a Patrícia demitir.

Mentira, ainda tem uma cabeçada, mas ela não o fará. Primeiro, porque se for demitir quem merece não sobrará ninguém para apagar a luz. Segundo, porque a presidenta está curtindo London Town, a salvo de ser atingida por alguma bola que o Welinton tenha pixotado pra fora.

Falando no diabo, olha ele aí de volta. E você achando que tinha se livrado dele para sempre. Ainda tem que ouvir esse Jaime de Almeida, que era auxiliar do Luxa, dizer que Welinton é o melhor zagueiro do Flamengo. É ele o cara que tá apresentando o Flamengo ao novo técnico? Eu tenho pena do Dorival.

Eu tenho pena dos moleques, que estão correndo mais risco de serem queimados que álcool-gel em churrasco. Tenho pena da torcida que paga para se irritar.

Coitado do manto sagrado, que poucas vezes na história foi tão mal vestido. Seria mais digno escalar dez sacis na linha e o Paulo Victor no gol. Pode ser que o saci-pererê, chutando com uma perna só, caia menos que o Vágner Love.

SRN

Cortando a mão para salvar o braço

| Leandro Araújo | 23/07/2012 18h11

Chegou o momento que todos esperavam: Joel caiu.

O torcedor 100% emocional está abrindo uma cerveja e mandando o Joel pra casa do baralho, enquanto o racional lamenta mais uma demissão com multa rescisória. É um troço conflitante: como comemorar a saída de alguém que nem deveria ter chegado? 

Apesar dos sentimentos misturados, todo rubro-negro sabe que a troca de treinadores está longe de ser solução para os maus resultados do time. Esse é só um dos inúmeros desdobramentos de um problema muito mais enraizado. Vou ser repetitivo, mas esta é uma ótima oportunidade de recapitular alguns pontos que nos levaram até aqui. Vamos por partes:

- Joel não foi contratado para ser treinador do Flamengo, foi contratado para ser o treinador do Ronaldinho. A diretoria queria um treinador que botasse o dentuço na linha, mas sem bater de frente com ele - um paradoxo perfeito. Joel papaizão, carismático, estava dando sopa e caiu como uma luva.

- Joel foi chamado após Luxemburgo ter sido desautorizado publicamente na queda de braço com R10. O professor foi mandado embora única e exclusivamente pelos conflitos com Ronaldinho, aquele que depois viria a treinar bêbado e sair pela porta dos fundos.

- R10 foi só uma das contratação demagogas para esconder a falta de planejamento no futebol. Lembremos que em 2010, Zico chegou a assumir o departamento. Ostentando a condição de ídolo inquestionável, ele chegou como solução para agregar diferentes correntes do clube e de quebra fazer uma média com a torcida. Seu pedido de demissão, quatro meses depois, denunciou um Flamengo ingovernável.

- A principal barreira que Zico encontrou na sua passagem pelo clube foi a politicagem, o mesmo motivo que causou a crise no departamento de futebol em 2010, ano das confusões entre Andrade, Marcos Braz, Isaías Tinoco, e do sufoco no Brasileiro.

- A desordem e falta de comando se demonstraram um problema crônico no ambiente político no Flamengo. Para ser eleita, a atual diretoria formou uma coalizão reunindo diferentes correntes políticas no clube, com interesses invariavelmente discordantes. Essa briga de interesses impede que as decisões sejam baseadas em termos técnicos e profissionais.

- Por ter um base de sócios reduzida, o poder no Flamengo está distribuído em pouquíssimas mãos, o que torna o clube suscetível a tais manobras políticas. Um pequeno grupo de sócios tem o poder causar entraves que prejudicam seriamente um clube com 37 milhões de torcedores.

É sempre pertinente bater na tecla da associação em massa. Incrivelmente ainda tem gente que acha que a saída de Joel vai mudar alguma coisa. Enquanto o torcedor não se der conta de que as decisões de gabinete fazem a bola entrar, continuará a achar que seu papel é aplaudir ou vaiar as pirotecnias que a diretoria faz.

SRN

Pode comemorar?

| Leandro Araújo | 16/07/2012 17h37

Ao comentar a melhora que o time apresentou diante do Flor na rodada passada, sofri um mini apedrejamento virtual, fui tachado de Joelista e acusado de pensar como um perdedor. Agora que o time ganhou fora de casa, algo que não ocorria há meses, tem neguinho segurando a onda na comemoração porque foi uma vitória duvidosa. Nossa torcida tá chata pra cacete.

Será essa a mesma torcida que enchia a boca para dizer que o Mengão era o melhor do mundo após ganhar um Carioca? A magnética era conhecida pela marra (mesmo que às vezes injustificada), ufanismo fantástico e vibração incondicional. O pessimismo e o medo de ser feliz são características de uma outra torcida carioca, alvinegra, hoje rebaixada à categoria de várzea.

Sabemos que o Flamengo tem a obrigação vocacional de estar no mínimo entre os favoritos ao título, mas é preciso encarar os fatos: o time é limitado e o treinador não ajuda muito. A única boa contratação desde 2010 foi o Vágner Love, e olhe lá. Temos uma diretoria sem comando, mais preocupada com os próximos pleitos eleitorais (o municipal e o rubro-negro). Apesar de não fazer jus ao que o Flamengo merece, não dá para exigir que o Flamengo jogue o melhor futebol nessa situação. O último resultado merece sim ser comemorado.

Pode não parecer, mas aquele time que entra em campo vestindo vermelho e preto ainda é o Clube de Regatas do Flamengo. Não é o Joel Futebol Clube, muito menos o Sport Club Patrícia Amorim. Por mais que eu queira que essa galera que hoje comanda o clube exploda, torcer contra não vai adiantar nada. Só vai adiantar alguma coisa se eu coçar os bolsos e me associar ao Flamengo pra fazer a diferença de lá de dentro.

SRN

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Cancioneiro Rubro-Negro

Bezerra da Silva - Flamengo e Mangueira (2003)

Bezerra da Silva sempre mandou o papo reto: "Toda vez que o Flamengo vence / Tem sempre um nhém-nhém-nhém / O Flamengo é igual à Mangueira / Não pode ganhar de ninguém"

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Melhor impossível

| Leandro Araújo | 08/07/2012 22h50

O rubro-negro sofre de uma neurose típica de quem está acostumado com o bom e o melhor: é exigente pra caramba. Somos 36 milhões de Tim Maias reclamando: "Mais técnica, mais raça, mais tudo!". Não estranha que uma derrota como a de hoje possa irritar menos que uma vitória muquirana como a última contra o Santos.

Estamos conscientes de que o Flamengo passa por um período tumultuado, e, num tumulto, o instinto natural é procurar pela primeira saída. Por isso o torcedor encarou o jogo de hoje olhando para frente, vislumbrando o futuro. Mais que uma vitória, queríamos ver alguma melhora no time. Para nosso alívio, o Mengão apresentou evolução significativa, jogou direitinho e dominou a posse de bola - só não conseguiu converter a supremacia em gols.

Os fatores que determinaram o resultado foram de ordem estritamente rubro-negra: nossa defesa facinha, especializada em dar moles; e a falta de alguém responsável pelo último passe. Ambos os problemas foram bastante amenizados após as substituições. Adryan e Mattheus entraram comendo a bola e quase resolveram a parada, e a zaga ficou mais segura com a entrada de Arthur Sanches. Nem deu para ficar estressado. Perdemos, mas perdemos bem. E o melhor: talvez com essa derrota a batata de Joel asse mais rápido. 

Ah sim, era o Fla-Flu do centenário, mas quem liga? É sabido que a rivalidade é maior do lado de lá, e o simbolismo da data redonda vale muito mais para os sofridos torcedores das três cores. Nas Laranjeiras comemora-se como final de campeonato, com festa regada a glitter e pó-de-arroz. Para nós, a vitória seria apenas o cumprimento de protocolo de manutenção de nossa monstruosa hegemonia em Fla-Flus, construída ao longo desses 100 anos.

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SRN

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O resgate do Fla-Flu

| Leandro Araújo | 06/07/2012 14h33

Esta é uma semana histórica para o esporte. Final de Libertadores, final de Copa do Brasil, Seedorf chegando no Chororô, Silva x Sonnen... Para o rubro-negro a expectativa fica para o domingo, no Fla-Flu do centenário. A comemoração dos 100 anos do clássico resgata bastante do charme de um confronto cuja importância foi sendo perdida nos últimos anos.

Maior parte da decadência do Fla-Flu se deve ao simpático clube das Laranjeiras e às suas incursões órficas aos estratos subterrâneos do futebol. Uma geração inteira se acostumou a enxergar no Flamengo x Vasco o maior e mais importante do Rio. Até o Botafogo se aventurou como maior rival temporário do Mengão, à época do tri-vice do Chororô. Agora o endinheirado Flu, recém-rebatizado à boca miúda de Unimed FC, tenta readquirir o posto de maior rival do Flamengo.

O rubro-negro realista (e, por consequência, pessimista) temerá pelo pior. O histórico recente indica que o êxito terá três cores. Para o bem do Flamengo, o Fla-Flu é um fenômeno que independe de contextos socio-político-econômicos. Não há favorito nos 90 minutos de clássico.

Tomemos como exemplo o Fla-Flu cujo centenário comemoramos hoje. O contexto é conhecido: o franco favorito escrete rubro-negro derrotado pelo vingativo grupo tricolor. Diz Nelson Rodrigues que, por conta do resultado ilógico do primeiro encontro, perdura um eterno clima revanchista, e cada novo Fla-Flu é jogado como se fosse o primeiro.

Por ironia, o primeiro confronto é o menos importante de todos. Poucos jornais da época noticiaram o match. Em 1912 o football era visto com um esporte bruto e gozava de popularidade quase nula. Foi graças a um certo clube de regatas, esporte mais popular da época, que o violento esporte bretão se tornou a unanimidade que é hoje. Mas essa já é outra história...

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As lentes subjetivas

| Leandro Araújo | 02/07/2012 13h32

É algo mais que uma fase ruim. A crescente apatia da torcida é sintoma claro da crise de identidade por qual passa o Mais Querido. Mesmo em um jogo teoricamente fácil contra o lanterna do campeonato, vi amigos que eram presença certa no estádio se recusando a pagar o ingresso do Engenhão. Natural, eles iam pro estádio ver o Mengão, não isso que está jogando.

Para evitar perpetuar essa improdutiva onda de descrença, decidi trocar as lentes objetivas pelas lentes subjetivas. Através da antítese, tentei olhar para esse anti-Flamengo e enxergar o Mengão que queremos.

Eu vi um time de raça, que não faz corpo mole para prejudicar treinador. Vi um grupo formado em sua maioria por pratas-da-casa que subiram pro profissional sem se queimar e sem se mascarar. Vi um time que treina, pra valer. Vi a magnética aterradora engolfando o Maraca. Vi um clube que não precisa de Joéis ou Caneladas reivindicando glórias de salvador. Vi um clube que não precisa ser salvo. 

Vi um camisa 10 clássico, da mais pura linhagem flamenga.

Até o intervalo do jogo estava certo de que a visão, apesar de totalmente possível, não passava de imaginação. Após os primeiros 11 minutos do segundo tempo comecei a suspeitar de que tal visão poderia ser, na verdade, o amanhã.

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Cancioneiro Rubro Negro

Já que se falou em amanhã, fica a profecia de Carlinhos Vergueiro: "Naturalmente que outros Zicos virão".

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Sampaoli, Dunga, Guardiola, Zé das Couves... faz diferença?

| Leandro Araújo | 29/06/2012 14h58

As especulações em torno do novo comandante rubro-negro tomou de vez as páginas de fofoca esportiva. O nome mais forte é Dunga, mas se fala também em Jorge Sampaoli, por causa da rejeição que a torcida demonstrou com o primeiro. O torcedor, sedento por mudanças, analisa os prós e contras de cada opção. Odeio ser o chato da mesa, mas tô achando que técnico novo não vai mudar muita coisa, não.

Entre os dois, a preferência é pelo gringo Sampaoli, mas se o Dunga vier, tanto fez como tanto faz. O sucesso do trabalho de um treinador não depende só de suas capacidades técnicas, depende também das condições de trabalho dentro do clube. Esse é um ponto fundamental principalmente em se tratando de Flamengo, assolado pelo profissionalismo moreno de seus dirigentes.

Treinador nenhum tem tranquilidade para fazer seu trabalho num lugar onde há vazamento de informações, disse-me-disse e falta de ética. Um exemplo flagrante é que a informação sobre o interesse em Dunga foi vazada de propósito para testar sua aprovação com a torcida. E tudo isso corre escancaradamente enquanto ainda há um técnico em plena atividade. Infelizmente o processo covarde e desleal da "fritura" é uma prática comum na Gávea.

Além disso, ninguém consegue trabalhar direito num ambiente em que todo mundo quer mandar. Não adianta trazer um técnico disciplinador se ele não tiver aval para exercer seu comando sobre as nossas prima-donas. Não adianta trazer técnico com forte senso de formação tática se o time é escalado pelos empresários e por quem mais tiver interesse em valorização de pa$$e de jogador.

É duro ser taxativo neste momento, mas, sabendo como tem funcionado as coisas lá na Gávea, posso afirmar que não tem jeito: podem até abrir os cofres pra trazer o Pep Guardiola, mas em algum momento a coisa vai degringolar feio (de novo).

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Olé

| Leandro Araújo | 25/06/2012 16h13

Domingo sentei no sofá e liguei a TV já com poucas esperanças. O histórico do Mengão em terras gremistas não era dos melhores - só obtivemos êxito no Olímpico em 4 míseras vezes, sendo uma delas na final do Brasileiro de 1982. Se Zico, Júnior, Leandro e cia. suaram pra lograr um 1 x 0 naquela terra de insanidade futebolística, não seria dessa vez que eu daria crédito ao grupo que ganhou no sufoco do Santos C em casa.

Porém o time de Joel conseguiu proporciornar um espetáculo abaixo das mais baixas expectativas. Mais triste que a já esperada derrota foi a forma como ela se deu. Ontem, no Olímpico, os papéis históricos de Flamengo e Grêmio foram toscamente desvirtuados.

Você leitor, principalmente o mais velho, tente puxar na memória a recordação de um time gremista que jogasse um futebol bom de se ver. Se não lembrou de nenhum, fique tranquilo. Sua memória está OK e não será preciso recorrer à ginkgo biloba. Mesmo nas fases campeãs, o tricolor sulista sempre foi adepto do futebol feio, covarde e porradeiro.

Já o Mengão fulgura historicamente como o clube síntese, aquele que melhor dosa a raça espartana com a inteligência ateniense. Ontem eu vi com tristeza o auge da nossa crise de identidade. Nem raça, nem inteligência - o Flamengo de hoje é um time sem sangue e sem neurônios.

Tive de apelar aos óculos escuros para evitar danificar meus olhos diante de tal barbaridade. Nem o radinho nos salvaria da apresentação macabra. A performance flamenga nos afetou em visão, som e fúria. Como se não bastasse ter de ver as grosserias protagonizadas, tivemos de ouvir a torcida gremista gritando "Olé", numa inversão grotesca de papéis.

Em meio ao horror, um fio de esperança de retomada da linhagem rubro-negra. Mattheus-filho-do-Bebeto entrou e em segundos escancarou a miopia da comissão técnica, que, apesar do clamor popular, insiste em poupar a garotada.

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SRN

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No radinho é bem melhor

| Leandro Araújo | 18/06/2012 13h03

A opinião pública não perdoa na sentença: o match de ontem foi lamentável. Eu acompanhei um jogo totalmente diferente, que foi até legalzinho - eu ouvi o jogo pelo rádio.

Estava viajando e não pude ver o Mengão pela TV, por isso apelei para o radinho. Pelo que fiquei sabendo nos comentários da transmissão e das resenhas esportivas, essa foi a decisão mais acertada, pois poderia comprometer meu bom-humor naquele restinho de viagem.

Enquanto os pagantes no Engenhão e os telespectadores viam um timinho batedor de cabeça, eu imaginava um Mengão sufocador. Minha geração desacostumou quase totalmente do rádio, por isso a desproporcional animação do locutor me fazia acreditar que o jogo estava corrido e que o Flamengo estava sempre à beira da grande área.

Embora a magia do rádio me transportasse para um mundo ideal sem caneladas, a declaração pós-jogo de Renato (O Canelada) me jogou de volta para a dura realidade. Quem é esse Renato Abreu para meter a marra que meteu e usar as palavras que usou? Mesmo que fosse um craque da estirpe de Zico, ele não teria o direito de me chamar de otário (também estaria vaiando se estivesse no Engenhão). Ah sim, ele disse que era jogador de crise e que não fugia da raia. Que grande favor! Como se não fosse pago para tal.

Peço desculpas ao leitor, que deve estar revoltado com a atuação do Flamengo. Tirando essa declaração do Renato, não tive motivos para revolta. Se estivesse soltando os bichos, citando nomes e comentando jogadas, correria o risco de soar falso. Mas fica a dica: se o jogo estiver te dando nos nervos e você não quiser estragar o resto do final de semana, desligue a TV e ouça o jogo pelo rádio. É bem melhor.

SRN

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Rousseau deu o papo

| Leandro Araújo | 14/06/2012 17h15

Os torcedores arco-íris insistem em repetir, em tom pejorativo, que se uma pessoa não torce por nenhum time específico, diz logo que é Flamengo. Acontece que ser rubro-negro é um instinto natural, uma condição congênita. Torcer para o Mais Querido não é uma opção - a única opção a se escolher é torcer outros times. É como já disse o filósofo Jean-Jacques Rousseau: "O homem nasce rubro-negro e a sociedade o corrompe".

A ciência explica tal fenômeno: foi comprovado que o homem nasce enxergando todas as cores, mas dentre todas, é o vermelho e o preto que mais estimulam um recém-nascido. Não à toa, essas cores são amplamente usadas em brinquedos para bebês. Jack White, do duo de rock White Stripes, já declarou ser essa a razão deles se vestirem de rubro-negro.

Ter consciência do destino manifesto rubro-negro e das explicações filosófico-científicas são fundamentais para extinguir qualquer possibilidade de chororô argumentativo, mas não tão necessárias para se perceber que ser rubro-negro é muito mais recompensador que torcer para outros times. Não se trata somente de vitórias, mas de se sentir parte de uma Nação que se extende por todos os cantos do planeta.

Por isso tenho profundo respeito por torcedores de outros times. É admirável a força de vontade de um indivíduo que resiste à força da natureza chamada Flamengo. É preciso muita fibra para suportar uma vida de deslocamento social e zoações, isso sem contar as passagens por divisões subalternas...

Freud já disse que todo homem adulto guarda rancor da mãe por tê-lo expulsado de seu ventre. Da mesma forma, todo torcedor arco-íris carrega consigo um mal-estar de, mesmo sendo rubro-negro por natureza, ter escolhido apoiar cores mais genéricas ao longo da vida. Por isso, rubro-negro, se você encontrar um arco-íris raivoso pelo caminho, perdoe o infeliz traumatizado. Ele não sabe o que faz.


Cancioneiro Rubro-Negro
Jorge Veiga - Sou Flamengo

Esse chorinho de 1954 resume a teoria acima nos versos: "Eu sou Flamengo e não desfaço de ninguém / Mas em cinco brasileiros, seis fãs o Flamengo tem".


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SRN

Três pontos

| Leandro Araújo | 10/06/2012 13h48

Mesmo aos trancos e barrancos, mesmo contra um timinho sem-vergonha, vitória é vitória. Os três pontos de ontem foram providenciais para acalmar os ânimos da Nação, ultimamente bastante maltratada por derrotas patéticas, empates muquiranas e fofocas de bastidores. Serviu também como uma sobrevida a Joel, que ainda balança perigosamente no cargo.

Apesar de fazer coro com os que clamam a saída do treineiro, não há como negar que houve melhoras no time. Joel fez mudanças significantes na escalação, e colocar Diego Maurício junto de Vágner Love foi a maior delas. Individualmente, Diego não é o melhor das opções que Joel tem, mas é o melhor cara pra jogar junto de Love, pois dá mais rapidez e movimentação na subida ao ataque. Ele é forte, veloz, vai pra cima e está apurando o passe de bola.

Hernane chegou chegando, mas terá de comer muita farofa para provar que não é só um novo Jael. Apesar do gol, não deixou "aquela" primeira impressão - parece ser um cara oportunista, mas que não sabe muito o que fazer com a bola nos pés. Tem pouca utilidade neste Flamengo que não tem jogador de criação no meio, em que os atacantes têm de ter vir buscar jogo, mas é uma boa opção para entrar no segundo tempo e tentar achar uma bola livre pra empurrar pra dentro.

O time melhorou, mas está longe de ser considerado bom. Ainda há muito que melhorar, principalmente a zaga. O Flamengo só não tomou mais gols por incompetência do Coritiba, pois Welinton estava lá fazendo a sua parte, deixando a zaga exposta. O gol do Coritiba, para variar, foi em cima dele. A boa surpresa foi o garoto Marllon, que não se destacou em momentou algum - o que é ótimo para um zagueiro. Se o bem do Flamengo estivesse acima do lobby de empresário (doce ilusão?), a zaga poderia ser formada na boa por Marllon e Gonzalez, até a chegada de um zagueiro mais seguro.

Não quero ser aquele que prefere ver o time se ferrar só para dizer que estava certo. Continuo achando que Joel no comando não é o melhor dos mundos, mas se o time realmente melhorar, estou disposto a rever a minha posição. O importante é o Mengão vencer, mesmo que jogando Joelbol, esse variação do futebol inventada pelo Papai.

SRN

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De que adianta Vágner Love se existe Welinton?

| Leandro Araújo | 07/06/2012 13h59

Durante toda a semana a discussão futebolística se concentrou na incógnita do meio rubro-negro após R10 ter optado por se aposentar dos grandes clubes. O jogo de ontem comprovou a importância do tema, visto que o meio-campo flamengo apresentou a desenvoltura de um time de petelecobol.

Para ser sincero, acredito que essa questão não se resolverá tão cedo - não com Joel, aquele mesmo técnico que deu a camisa 10 para Fahel. Enquanto o Natalino estiver no comando, será mais fácil ver Muralha jogando com a 10 do que ver os promissores Adryan e Thomás tendo uma chance.

Enquanto as coisas na meiuca não se resolvem, prefiro destacar uma triste dicotomia do Flamengo 2012: Vágner Love e Welinton. Que me perdoem a comparação infeliz com o Botafogo (pé-de-pato mangalô três vez), mas Love está sofrendo a sina Heleno de Freitas. Se você viu o filme, deve se lembrar da cena em que o fanfarrão atacante se queixa: "eu faço dois gols e eles tomam três". Por "eles", no caso do Mengão, entenda-se Welinton.

Welinton é uma coisa difícil de entender. Os motivos de sua escalação são explicados por duas palavras: Eduardo Duram. Já os motivos da paciência que a torcida tem com ele são desconhecidos. Mesmo tendo Welinton como titular durante tanto tempo, a torcida tem se ocupado de crucificar mais (justamente ou não) Deivid e Negueba. Há sim cobranças com o jogador, mas nada que faça jus a sua ultrajante perebice.

De que adianta termos Vágner Love com a média de 0,7 gols por jogo se temos Welinton com a média de 1,7 gols entregues por jogo? Até quando teremos empates como o de ontem, em que o Artilheiro do Amor vai livrar sozinho um time inteiro da vergonha e do linchamento público?

Neste momento admito um segundo sentimento anti-rubro-negro (o primeiro foi a comparação com o Chororô): preferia que Vágner não tivesse feito aquele gol. É muito melhor perder três seguidas no início e demitir Joel logo do que aguardar a situação complicar no meio do campeonato. A diretoria tem que pagar logo a rescisória pro Natalino e deixar ele se tratar dessa dor no quadril que deve estar atrapalhando a sua já comprometida capacidade de raciocínio.

Enquanto o milionário retranqueiro Joel não sai para dar lugar ao barato estrategista Jorge Sampaoli, nos resta ficar na expectativa e acompanhar religiosamente o site "Joel Caiu?" - joelcaiu.com

SRN

Várzea FC

| Leandro Araújo | 01/06/2012 16h33

Ronaldinho não vai simplesmente sair do Flamengo, ele levará R$ 40 milhões consigo. Não o culpo.


É certo que durante este ano e meio foi constatado pouco suor na camisa do Dentuço. Isso explica o porquê dele entrar e sair dos treinos vestido com a roupa de treino sem ao menos tomar banho. Concordamos que seu rendimento dentro das quatro linhas ficou muito aquém do seu potencial. Já não podemos dizer o mesmo de seu rendimento dentro dos camarotes VIP - esse sim superou bastante as já altas expectativas.

Até aí pouca novidade e nenhum estresse, pois não se poderia esperar muita coisa de um ex-jogador. Mesmo com R10 não rendendo nada em campo, já seria maravilhoso se o clube estivesse ganhando os rios de dinheiro com as vendas de camisa, patrocínios e produtos licenciados previstos no frágil plano de marketing feito à época de sua contratação.

Também não foi novidade alguma o comportamento de Assis. Ele já havia demonstrado sua habilidade de dar balão em clubes logo no leilão do início de 2011. Todos sabíamos com que tipo de raposa se estava negociando.

Apesar da lamentável atitude dos irmãos Assis Moreira durante o período de Flamengo, é ingênuo culpá-los por exigir os R$ 40 milhões. Eles têm o direito de receber esse dinheiro - está previsto no indecoroso contrato firmado com o clube, uma das piores negociações da história do futebol.

A ira da torcida deve recair sobre a atuação dessa diretoria, um espetáculo circense grotesco, uma ode ao equívoco. O clube se portou como uma agremiação de várzea e fez questão de tratar as coisas da pior forma possível. Não se via ato oficial algum, somente ações obscuras e descoordenadas, sendo a mambembe declaração de PC Coutinho o clímax do enredo.

O Flamengo teve todas as oportunidades do mundo para demitir Ronaldinho, baseando-se nas faltas e indisciplinas. Esperaram a situação ficar incontrolável, e agora o poste está mijando no cachorro. É o funcionário desleixado dando esporro no patrão.

Enquanto o foco das manchetes está nas raposas do lado de lá (R10 e Assis), as raposas do lado de cá estão tranquilas. Não há expectativa alguma de mudança, não enquanto 900 sócios continuarem a decidir pelo futuro do clube. Amanhã elas podem sair da diretoria ou até do Flamengo, mas nenhuma delas será responsabilizada. Nenhum centavo dos R$ 40 milhões sairá de seus bolsos.

SRN


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O que é maior?

| Leandro Araújo | 31/05/2012 19h50

O mau-caratismo da família Assis...
 

...ou a bagunça no Flamengo?

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Desconfiança

| Leandro Araújo | 27/05/2012 15h20

Dá para confiar num time que, mesmo não jogando mal, empata levando três gols idiotas?

Dá para confiar num zagueiro que é escalado pelo empresário e cuja meta é fazer um gol-contra por jogo?

Dá para confiar num craque cachaceiro que pede sonsamente uma falta inexistente enquanto o time adversário faz gol?

Dá para confiar num técnico que, se pudesse, jogaria com um goleiro e dez volantes?

Dá para confiar numa diretoria que despede um gerente de futebol após três meses de trabalho, sem salários e muito menos contrato assinado?

Dá para confiar num clube em cuja loja se leva 60 itens sem pagar?

Dá para confiar numa instituição sem transparência nas suas negociações?

Dá para confiar num Flamengo de 38 milhões de torcedores e somente 900 sócios com poder de eleger a presidência?

Dá para confiar num Flamengo que não é sério?

A cada dia que passa nos dão mais motivos para não confiar. A torcida continua a acreditar porque é apaixonada, e esse negócio de paixão cega mesmo. Mas chega uma hora em que cansamos de dar crédito, e esse Flamengo que está aí não merece o mínimo.

Esse Flamengo é o Flamengo da sacanagem, da falta de compromisso, dos empresários, dos políticos, das tetas dadivosas para quem queira (e possa) mamar.

Esse Flamengo não é o nosso Flamengo. Nós queremos o nosso Flamengo de volta.

SRN 


Cancioneiro Rubro-Negro
Jamelão - Oração de um rubro-negro

O Flamengo é tão transcendental que arrebata até aqueles gênios que, por uma infelicidade do destino, escolheram torcer por outras cores menos nobres. Assim como o tricolor Nelson Rodrigues, que escreveu algumas das linhas mais belas sobre o Mengão, o vascaíno Jamelão também já prestou homenagens ao Mais Querido.

Essa canção do flamenguista Billy Blanco cai como uma luva para esses momentos difíceis em que se fala de falta de fé: "Quem for Flamengo me acompanhe / eu vou fazer minha oração/ um rubro-negro / ganhe ou não ganhe / deve manter a devoção".

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Se preparem, 2012 será longo

| Leandro Araújo | 19/05/2012 23h25

Welinton faz gesto que define o que ele é: uma negação

A gente até tenta se enganar um pouco no otimismo clubista, mas o Flamengo conseguiu a proeza de esgotar qualquer reserva de paciência logo na primeira rodada. Se a espera de 28 dias foi para isso, era melhor ter continuado de férias. Melhor que ver esse time sem sangue nas veias.

Assistir ao Mengão tomando calor de um Sport em crise e pré-rebaixado foi uma experiência que fugiu às raias da compreensão. Os caras têm um jogador chamado Tobi, pelamordedeus! E não mete essa de "o importante é empatar fora de casa". Esse time é para ser goleado em qualquer estádio.

Se a atitude não mudar, 2012 será um ano longo e arrastado para o torcedor rubro-negro. A maior conquista no Brasileirão será os 45 pontos, e olhe lá.

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Se não tem tu, vai tu mesmo

| Leandro Araújo | 18/05/2012 13h57

Torcida do Flamengo pede respeito de R10

O time que temos é esse aí mesmo: duzentos volantes, zaga entregue a Deus e ataque insular, além do novo sócio da Barra Music. Apesar de todos problemas, essa é a hora do apoio indicional, não de ficar pensando no que poderia ser. Já vi time pior fazendo coisas inacreditáveis.

Você, rubro-negro, sabe que não basta ser bom de bola pra mandar bem no Mengão. Até porque contratação no Flamengo é igual a lei brasileira: pode até ser boa na teoria, mas só Deus sabe se vai vingar. É grande a lista de craques que passaram por aqui e não se destacaram, assim como  é grande a lista de perebas que assumiram a máxima "vestiu rubro-negro, não tem pra ninguém".

Mais que qualquer jogadorzinho balado, nós temos duas coisas que provocam incontinência urinária aos adversários: a camisa e a torcida. É a isso que devemos nos apegar a partir de amanhã, quando começar o campeonato mais cascudo do mundo.

A camisa já estará lá, expondo à vergonha a rubro-negrice de araque do Ixpó. Já a torcida, essa depende da gente. E não basta comparecer de corpo, tem que comparecer em espírito e voz. Se eles lá não fazem nada, faremos todos daqui.

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Zinho na fogueira

| Leandro Araújo | 10/05/2012 17h01

Acaba de ser confirmada a contratação de Zinho como novo diretor-executivo de futebol do Flamengo. Ao aceitar o cargo, o ídolo rubro-negro entra na mesma fogueira de onde Zico já saiu queimado. Será que a história vai se repetir?

Teoricamente, Zinho é o nome perfeito para o posto. Diretor-executivo é o responsável por fazer a ponte entre o campo e a diretoria. Zinho está dentro desse perfil: além de ter bastante experiência de bola e alguma de gestão, foi capitão em todos os clubes em que jogou, é um líder nato. É respeitado pela competência e caráter demonstrados ao longo da carreira - e pode ser exatamente aí que mora o problema.

Em 2010 Zico tinha um perfil semelhante ao de Zinho - sendo até mais gabaritado - e foi engolido pelo sistema. Suas principais reclamações eram a falta de autonomia e poder de decisão. A vontade de fazer as coisas profissionalmente causou desgaste dentro do clube e resultou em um pedido de demissão após a mal-explicada acusação de irregularidades em transações envolvendo o CFZ.

Zinho vai encontrar pela frente uma flagrante falta de ordem e comando. Como dito no post anterior, na Gávea todos respondem pelo futebol, do jardineiro ao vice-presidente. Os VPs de Finanças e de Relações Exteriores dão mais declarações sobre o time que o VP de Futebol, Paulo Cesar Coutinho. Onde todos mandam, ninguém obedece - e Zinho definitivamente não está entrando no Flamengo para mandar.

Para se ter um ideia da burocracia kafkiana do Dep. de Futebol, em entrevista Zico chegou a declarar que não podia "comprar uma lâmpada" sem consultar o VP de Finanças Michel Levy, e que o mesmo só era encontrado no clube de 19h às 22hs, horário morto para o mercado. Este é só um exemplo pequeno de como a atual estrutura impede qualquer tentativa de profissionalismo ou mesmo um amadorismo eficiente.

Só nos resta torcer e aguardar os próximos capítulos. As comparações com a experiência Zico levam a crer que Zinho entrou na fogueira e vai queimar em pouco tempo. Porém, há sim uma possibilidade remota de que Zinho tenha uma passagem duradoura no Flamengo. Para isso, ele terá de abrir mão de qualquer pretensão de fazer algo diferente do que aí está. Terá de abrir mão também de um pouco de caráter, talvez.

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Fofocas flamengas

| Leandro Araújo | 09/05/2012 18h49

Era de se esperar que durante essas férias forçadas as notícias sobre o Flamengo virassem a coluna de fofocas mais lida do Brasil. Nas últimas semanas o bastidores do clube foram mais devassados que a intimidade da Carolina Dieckmann. 

Não há assessoria de imprensa que segure. Quer saber da última bomba? Vai na Gávea e pergunta ao primeiro que estiver passando: jardineiro, assistente de auxiliar administrativo, diretor, preparador, faxineira,massagista, ou qualquer vice-presidente de num sei o quê. Com certeza todos têm algum segredinho pra contar e vão ficar muito contentes em ver seus nomes citados nas matérias. 

Embora fosse grande a produção de notícias de horóscopo, até agora só foram confirmadas três delas: 

1 A saída de Willians, que passou por grandes fases, mas vinha se destacando mais pela indisciplina, displiscência e contusões. A Udinese caiu no agá do DVD vendedor e o Fla desembolsou uma mixaria pra pagar a rescisória do Luxemburgo.

2 A chegada de Wellington Silva do Resende, uma tradicional contratação vinda de time pequeno após o Estadual. O moleque marca direitinho e é rubro-negro. A torcida deseja toda a sorte e torce para que aprenda bastante com o Léo Moura.

3 A permanência do El Pollo Botinelli. Seu futebol não justifica nenhuma campanha #ficabotti, mas a firmeza ao declarar a vontade de continuar no Mengão fez com que ele ganhasse uns pontos a mais com a torcida.

Sobre a possível chegada do Ibson e do Zinho... prefiro não comentar sobre isso agora. Muitos dão as contratações como certas, mas nada garante. Enquanto os dirigentes e agentes continuarem jogando pôquer com as fichas do Flamengo, suas palavras valerão menos que um blefe.

De quem é o Flamengo, afinal? - entrevista com Sérgio Chiapetta

Leandro Araujo | Leandro Araújo | 30/04/2012 14h29

Para responder a pergunta acima, é preciso entender que atualmente existem dois Flamengos.

Um é o Flamengo Nação, aquele pelo qual nos apaixonamos. Vitorioso, democrático, popular, gigante, anárquico, universal, intangível. É, acima de tudo, um sentimento. Para nossa alegria, esse Flamengo não tem dono, é do mundo inteiro - pois já disse o filósofo Jean-Jacques Rosseau: todo homem é rubro-negro por natureza, a sociedade que o corrompe.

O outro é o Flamengo Instituição. Há umas boas décadas, este tem sido elitista, conservador, arcaico, restrito, obscuro. Infelizmente, há alguns poucos que se acham donos desse Flamengo - gente com ideias e interesses que pouco condizem com que se pensa ser o melhor para o Flamengo Nação.

Para acabar de vez com essa crise de identidade, é preciso eliminar essa divisão entre Nação e Instituição. Sérgio Chiapetta pensa da mesma forma, por isso organizou a campanha "Associe-se para Mudar". Esse estudante de engenharia elétrica de 24 anos acredita que, associando-se ao clube, o torcedor pode provocar uma mudança de fora para dentro. O objetivo da campanha é informar e incentivar o torcedor comum a se associar ao clube, e também pressionar a diretoria atual para que se discuta um programa de sócio-torcedor.

Por que incentivar o torcedor comum a se associar? Como a associação em massa poderia contribuir para o futuro do clube?

Porque, atualmente, o torcedor comum é muito pouco representado dentro da política do Flamengo. Enquanto somos a esmagadora maioria dentre todas as torcidas de futebol, somos minoria dentro da política do nosso próprio clube: é um paradoxo!

Sabemos que existem certos figurões dentro da política do clube que são ditos "torcedores ilustres", mas é de conhecimento público e notório que são pessoas com interesses obscuros e que já estão usando do Flamengo para benefício próprio.

A associação em massa representaria inverter esse quadro, tornaria justo o cenário político do clube e engrossaria o coro daqueles que arduamente já tentam dar um Flamengo correto para o torcedor, mas têm suas vozes abafadas por politiqueiros influentes e sócios centenários vizinhos do clube que pouco se importam com o torcedor.

O Flamengo não tem programa de sócio-torcedor, ao contrário dos três outros grandes do Rio que já têm projetos em diferentes níveis de implementação. Por que voce acha que essa pauta não vai pra frente na Gávea?

Acredito que não vá pra frente porque os que lá estão tem medo. Nossa torcida é imensa em todas as classes sociais e certamente se interessaria demais por um projeto que desse direito a voto nas eleições do clube.

Isso representaria o fim dessa política feudal e elitista que impera no clube já há algum tempo, portanto imagino que aqueles cujos títulos de sócio já passam de geração em geração desde a fundação do clube não acham justo que uma pessoa, pagando módicos 20 ou 30 reais, tenha o mesmo direito a voto. E aqueles que usam o Flamengo como fonte de renda, obviamente, se escondem atrás desse argumento.


Você defende que o torcedor deve se associar ao clube mesmo nos moldes atuais, mesmo sem programa de sócio-torcedor?

Sim, e isso é de fundamental importância. Por mais que façamos pressão aqui de fora, precisamos de gente lá dentro que dê representatividade às vontades da torcida. Somente participando das assembléias e conselhos com superioridade numérica que teremos importância política.

Certamente há rubro-negros que podem ser tornar sócios mesmo nos moldes atuais e não o fazem por descrença. O objetivo fundamental do nosso movimento é convencer esse tipo de torcedor que ele pode desempenhar um papel fundamental na história do Flamengo sem comprometer suas finanças.

Como surgiu a iniciativa? Quem mais está organizando a campanha com você? Há um grupo definido?

A iniciativa surgiu espontaneamente, num dia em que eu estava refletindo sobre os rumos do clube vem tomando nos últimos anos. Percebi que protestar pela saída de treinador, pedir contratação de A ou B e xingar dirigente na arquibancada não resolvem o problema real do clube que é o rodízio dos mesmos nomes na diretoria e conselhos.
Por enquanto, infelizmente, a única forma de realmente fazer algo significativo pelo Flamengo é podendo participar dele lá de dentro.

Um amigo chamado Yuri, cujo apelido é "Cabritz", também teve mais ou menos a mesma idéia que eu, ao mesmo tempo, e desde então temos tentado divulgar ao máximo, com a ajuda dos, até agora, 850 flamenguistas que concordam com a gente e estão na nossa página do Facebook www.facebook.com/sociosparamudar.

Sendo assim, não temos grupo algum. Não somos de torcida organizada alguma e nem temos vínculo com nenhuma chapa que concorrerá às eleições do clube. Nosso único vínculo é com a real Torcida do Flamengo: aquela sem rótulo, sem fardamento e palavras de ordem.

Qual o seu nível de envolvimento com o Clube de Regatas do Flamengo? Você é sócio?

Sou meramente mais um entre milhões de torcedores apaixonados que pega ônibus para ir ao jogo, fila pra comprar ingresso e não perde sequer um jogo do Mengão. Ainda não sou sócio, mas estou prestes a fazer isso. Pretendo me associar no dia 5 de maio, às 14 horas, quando faremos uma manifestação 100% pacífica que terá um ato simbólico de associação em massa e pediremos formalmente à diretoria um programa de sócio-torcedor.

Aproveito o espaço a convocar todo e qualquer rubro-negro a participar da manifestação, ainda que não tenha condições financeiras para se tornar sócio no dia. Precisamos mostrar a força da nação. 

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Temporada de caça à mão amarela

| Leandro Araújo | 25/04/2012 21h44

Depois da tempestade, a cobrança. Está a aberta a temporada de caça aos responsáveis pela fedentina na Gávea. A cornetagem se reúne nas mesas de bar e redes sociais para julgar e condenar sumariamente os culpados. A chapa está fervendo para os réus Ronaldinho, Joel e Patrícia, pois a sentença já foi proferida: "queremos cabeças".

No meio de tanto xingamento no Twitter, fica difícil pescar alguma coisa que tenha o mínimo de lucidez. Por isso me dei o trabalho de reunir aqui alguns argumentos interessantes que venho colhendo, tanto para defesa como para acusação:

RONALDINHO

Defesa: Craque é craque. O talento de Ronaldinho continua, como pudemos ver em vários jogos. Para ele jogar bem é só questão de cobrança. Se for embora, R10 será o caso clássico do jogador que não dá certo no Flamengo mas arrebenta em outros clubes, porque há quem cobre. Ainda tem a questão do marketing: Ronaldinho pode gerar receita através de sua imagem, que vale milhões. A incompetência é da diretoria, que não está sabendo aproveitar.

Acusação: Ronaldinho é caro demais para o futebol que está apresentando. Está sempre atrasado nas bolas, vai pra night após eliminação, exerce uma liderança de araque, é mau exemplo para os jogadores da base e faz o que quer no Flamengo. É omisso em campo e não se esforça tanto quanto alguns companheiros. Acima de tudo, não honra o apoio que recebeu da torcida e a responsabilidade que é vestir o manto.


JOEL SANTANA

Defesa: Com a demissão tardia de Luxemburgo, Joel entrou no Flamengo jogado na fogueira. Ele não teve tempo nem tranquilidade para fazer seu trabalho. Seria um tiro no pé demiti-lo, pois há poucas opções disponíveis no mercado. Além disso, uma segunda multa rescisória é justamente o que o Flamengo não precisa. Para se ter uma ideia, a multa do contrato de Luxa girou em torno de R$ 2,5 milhões.

Acusação: É um técnico anacrônico, ultrapassado, retranqueiro, sem esquema tático definido. Está em péssima fase e há tempos não consegue fazer um bom trabalho. O Bahia, que ia mal das pernas com Joel, melhorou absurdamente após a contratação de Falcão. O Natalino abusa do rachão e não faz preleção. Suas últimas escalações e substituições têm sido inexplicáveis, para dizer o mínimo.


PATRÍCIA AMORIM

Defesa: Em sua gestão ocorreram inegáveis melhorias na sede social, nos imóveis de propriedade do clube e no CT Ninho do Urubu. Os esportes olímpicos estão mais fortes do que nunca, resultado de investimentos em estrutura. Fez contratações de peso para o futebol e segurou jogadores de destaque nas divisões de base.

Acusação: Para chegar ao poder, fez aliança com Deus e o Diabo, o que causou incontáveis sinucas de bico na política do clube. Apresenta bons resultados nos esportes olímpicos e nas melhorias para os sócios, mas quase nenhum no futebol e no marketing do clube. Apresentou atitude complacente com os jogadores durante as quedas de braço entre os mesmos e as comissões técnicas. Segundo Zico, não é uma pessoa confiável.

Para deixar claro: os argumentos acima não necessariamente reproduzem minha opinião. Se quiserem sabê-la, acho que problemática flamenga é complexa demais para que sua solução se reduza ao "Fora Fulano". Peço permissão para uma última metáfora: acho isso tão eficiente quanto retirar os mão-amarelas do recinto e continuar servindo repolho e batata-doce.

E você, o que acha?

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O folclore é o que nos resta

Leandro Araújo | Leandro Araújo | 23/04/2012 14h29

A partida de ontem foi algo que dificilmente se veria no mata-mata de outra competição que valesse mais que um saco de bananadas. Provavelmente veríamos um jogo feio, mais parecido com o que se pensa ser digno de um futebol profissional. Essa pelada sem-vergonha (mas muito boa de se ver) foi o resultado do encontro de dois times com bons jogadores ofensivos e setores defensivos nulos - a mesma fórmula que rendeu o antológico Santos x Flamengo de 2011. Coisas de um campeonato carente de importância, mas repleto de folclore.

É por isso que, efetivamente, o maior troféu dessa competição seja a vantagem argumentativa numa zoação de birosca. O Carioca é um placebo que mascara por curto período de tempo a pequenez de quem a ganha. Sorte que em nosso estado o 23 de abril seja consagrado ao santo guerreiro, o que poupa milhões de rubro-negros do fardo de perder horas de trabalho gastando saliva para relembrar a arco-íris festiva de seu devido lugar.

Só não façamos como a raposa que desdenha das uvas. Não caiamos na falácia infantil do "Eu nem queria". Sentiremos falta do desimportante Carioca durante esses 28 dias de marasmo. Sabemos que, mesmo de férias, é o Mengão que movimenta as redações esportivas, logo não faltará especulação, quem-sai, quem-fica... aquele rame-rame clássico dos interlúdios futebolísticos.

Por isso sugiro ao rubro-negro que durante esse período procure outras notícias esportivas que valham a pena. Feche o caderno de esportes, abra o caderno "Rio" e procure saber dos últimos acontecimentos envolvendo as obras no Maracanã. Se é pra ficar com raiva, que seja de alguma coisa que realmente importe.

SRN


Cancioneiro rubro-negro: Ser Flamengo - Geraldo Pereira (1954)

Esta canção é da época em que o Campeonato Carioca ainda era o último biscoito do pacote. Foi composta num período de jejum do Flamengo, que acabou com o glorioso Tri de 53/54/55. É uma declaração de fidelidade ao time, apesar da época de vacas magras. Cita figuras folclóricas à época, como o polêmico árbitro Mário Vianna, que cansou de garfar o Mengo em decisões. O tempo e a letra repleta de referências datadas trataram de empurrá-la para o ostracismo, mas hoje o humilde blogueiro a resgata para mostrar que o Carioca pode ter mudado, mas o sentimento rubro-negro não.

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Tudo azul no céu da Gávea

Leandro Araujo | Leandro Araújo | 17/04/2012 20h58

É momento de levantar a cabeça e seguir em frente. Com a saída da Libertadores, agora o Mengão pode focar na competição mais charmosa do mundo: o Campeonato Carioca. Nada de alçapões cucarachos, catimbas, arbitragens caseiras ou emoções fortes. Agora é hora de bater os fregueses de sempre para ganhar o mesmo título de sempre.

O rubro-negro pode se orgulhar de ter sido o único clube a levar o Carioca a sério, sempre escalando times titulares e atingindo a melhor pontuação geral. Ainda precisamos passar por duas finais para manter o título de Rei do Rio, mas se não fosse difícil não seria Flamengo. O obstáculo é o molho que deixa tudo mais gostoso, não é mesmo?

Já essa história de crise... isso é papo de politicagem, coisa da oposição. Tá tudo azul na Gávea: nosso craque Ronaldinho dá sinais de que voltará a jogar o futebol que encantou o mundo, e em breve teremos de volta o Império do Amor. Além disso, trocaram as portas do vestiário, ajeitaram a grama do soçáite e a piscina tá limpinha. Quer mais o quê?

Valei-me São Judas Tadeu

Leandro Araújo | Leandro Araújo | 13/04/2012 19h50

Bem que o humilde blogueiro gostaria de bancar o pé quente ao iniciar os trabalhos neste espaço, anunciando uma improvável e flamenga classificação na Libertadores. Mas como diria o ex-goleiro Bruno: "Não deu".

Definitivamente a sorte não esteve ao nosso favor na competição - o que, para efeitos práticos, não quer dizer nada. Ainda assim tinha gente achando que a sorte pudesse resolver alguma coisa. Antes do jogo, alguns sócios do clube distribuíram na entrada do Engenhão camisas com a inscrição "A espera de um milagre" (assim mesmo, sem acento grave). Sou pouco favorável a essa história de milagre, principalmente se acompanhada de erros de português. Isso serve mais
para certas agremiações de bairro pouco afeitas à rotina de títulos que jogam todas suas fichas no sobrenatural.

Estamos acostumados ao lema "Vencer, vencer, vencer" e o nosso instinto é ficar inconformado com qualquer tipo de derrota. Apesar disso, não pude deixar de achar esse resultado justíssimo e necessário. Uma classificação espírita mascararia a necessidade de fazer uma reformulação de planejamento, de atitude, de tudo. Caso o evocado sobrenatural estivesse ao nosso lado, seriam premiados aqueles que sabemos não demonstrar comprometimento intra e extracampo. Seria premiada uma administração equivocada.

Deve-se ensinar a alguns que a disposição e a entrega não podem ser motivadas pela corda no pescoço, mas pela honra à responsabilidade que é envergar o manto sagrado. É preciso parar de culpar o inexplicável e os "deuses do futebol", como fez o Natalino. Que não me venham mais com esse negócio de deixar a causa ficar impossível confiando que o santo vai resolver. Acho uma falta de sacanagem jogar a responsa pra S. Judas Tadeu, enquanto tem muito jogador por aí que não têm sido lá muito cristão.

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