Quitéria Chagas e o Império Serrano e outras historinhas da Serrinha

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 18/10/2012 15h31

A Serrinha anuncia, cheia de euforia, a volta da estonteante Quitéria Chagas como sua rainha de bateria. Legal. A QC pela beleza que irradia , simpatia e samba nos pés jamais deveria ter deixado o trono. É o grande reforço para a ES Império Serrano, que está metida numa espécie de "camisa de onze varas" para disputar o carnaval do próximo ano.

Era esse gancho que o JCN queria para mergulhar um pouco em histórias dessa escola, que no passado ditou cátedra no samba brasileiro. Umas histórias não muito alegres outras hilárias que fizeram da escola de samba da Madureira verdadeira campeã do carnaval.

Lá pelos idos de 1958, a ES Império Serrano tinha sua quadra lá nas grimpas da Serrinha. Mais precisamente na Rua Balaiada, casa da Tia Eulália, fundadora nata da escola. Num noite de samba na escola justamente resolveu desabar na cidade um temporal daqueles de fazer "cachorro beber água em pé".

A força da água era tão forte que tudo levava de roldão. Para ter uma Ideia da tragédia que o dilúvio provocou tudo que existia na acanhada quadra foi levado morro á abaixo. Nem um tamborim ficou para contar história. A então Rua Marechal Rangel, hoje, Edgar Romero ficou apinhada das coisas da escola. Foi um horror. A enxurrada levou tudo. Foi um baque muito grande nos componentes da verde-e-branca porque naquele mesmo ano de 58 havia abiscoitado o caneco com o enredo "Paes Leme - O Caçador de Esmeraldas" com o samba de autoria do saudoso Silas de Oliveira. O samba, por sinal, é um lamento puro a odisseia do famoso homem que desbravava as matas virgens em busca de pedras preciosas.

Dali pra frente começou uma "via - crucis" para o samba da Serrinha. Primeiro foi ensaiar na quadra de um bloco carnavalesco chamado Bloco do Limão, que ficava em Vaz Lobo. Anos ocupou uma quadra na Avenida Monsenhor Felix, ainda em Vaz Lobo. Até no extinto Imperial Basquete Clube, que ficava na Estrada da Portela a escola foi parar.
Diziam que a Império Serrano só seria campeão novamente quando voltasse para a Serrinha. Isso era impossível, pois no local onde era a sua sede, transformou-se num autêntico precipício que dava até medo para que visse.

Esse drama durou uns anos. Até que o então prefeito da cidade, o Dr. Francisco Negrão de Lima cedeu o espaço do antigo Mercadão de Madureira para a escola ali realizasse seu samba e suas festas. Madureira então chorou de alegria. A ES Império Serrano está lá até hoje, pois um novo Mercadão foi construído em Madureira. Ma,s outra tragédia fez o imperiano chorar de dor na década de 70. Foi quando um trem de passageiros o ramal da antiga Linha Auxiliar descarrilou numa curva os seus vagões descontrolados, invadiram a quadra da escola.

Felizmente não aconteceu ninguém teve a vida ceifada, mas houve um montão de gente ferida, além do prejuízo material que escola. Dizem que até hoje tem gente brigando na Justiça para receber indenizações por parte da antiga Rede Ferroviária Federal tendo vista os ferimentos que foram vítimas. Correm boatos na escola que nem mesmo a Império Serrano recebeu por parte da RFF o que teria direito pelos prejuízos que sofreu. Recentemente aconteceu até um incêndio no barracão da escola que fica ali nas bocadinhas da Leopoldina. Que está atrasando em muito a montagem para o desfile de 2013.

Como tem histórias tristes no Império Serrano, também existem coisas hilárias. Na, minha humilde opinião essa que narro em seguida é mais cômica de todas.
Aconteceu no Carnaval de 1974 quando a escola apresentou no desfile o belo enredo "Dona Santa - Rainha do Maracatu". Não posso confirmar, mas dizem que foi a Dona Ivone Lara a cabrocha escolhida pela para representar a Rainha do Maracatu e, por conseguinte desfilar em cima do último carro alegórico. O desfile esse ano foi realizado na Avenida Presidente Antônio Carlos no Castelo, sentido Rua Primeiro de Março. A Império Serrano até que realizou uma bela apresentação cantando o samba enredo de autoria dos compositores Wilson Diabo, Malaquias e Carlinhos.

O problema foi o desfecho do desfile. Com o tudo atrasado a escola foi uma das ultimas desfilar e sua apresentação acabou já ao amanhecer do dia. E maioria dos diretores se mandou para comemorar o bom desfile deixando a os carros ao "Deus dará" ao longo da Rua Primeiro de Março. O carro que trazia a Dona Santa ficou na Rua do Rosário. Por volta 15 horas alguém avisou na quadra da escola que havia um carro alegórico abandonado na Rua do Rosário com uma velhota aos prantos em cima dele.
Foi ai que desceu de Madureira uma equipe de diretores para regastar Dona Santa e levar o carro alegórico de volta para Madureira.

Esse acontecimento provocou frouxos de risos em quem o assistiu, mas também, um grande constrangimento, mas em outras, pois a Dona Santa estava em estado deplorável depois de passara tantas horas presa num carro alegórico. Dizem até que suas necessidades ela fez lá em cima. Não deixou de ser hilário. Mas que houve esta tristeza isso houve. Muita gente do Império de hoje não sabe disso.
Outra história do folclore imperial, essa no final mais hilária bem mais humano aconteceu com o grande seu Antônio dos Santos, o popular Mestre Fuleiro. Irritado com tanta disse - me - disse que o barracão da Império Serrano estava ruim e atrasado, Mestre Fuleiro resolveu, num belo dia, dar uma incerta por lá.

Rigoroso ao mesmo tempo muito zeloso em suas opiniões, Mestre Fuleiro ia de alegoria á alegoria fazendo suas observações. Até que chegou diante da famosa coroa imperial. Mestre Fuleiro não poupou suas críticas diante do que viu. Chegou ameaçar destruir o carro alegórico diante do ele considerou uma porcaria e feito de puro mau gosto.

- Isso é lá coroa da Império que se apresente. Tratem de melhorar esse carro, pois na próxima vez, que voltar aqui se esse ainda estiver assim vou quebrar tudo, - esbravejou o Mestre.

No ano seguinte Mestre Fuleiro, juntamente com outros sambistas de renome da época foi convidado para julgar o desfile das escolas de samba de pequeno porte. E já nessa época as escolas de samba chamadas grande, quando acabava, o Carnaval vendiam suas alegorias para as pequenas as chamadas escolinhas. Assim fez também a Império Serrano, faz que passou nos cobres aquela tão criticada alegoria pelo Mestre Fuleiro. Só que se esqueceram de avisar ao Mestre Fuleiro. Que estava todo empolgado compondo o corpo de julgadores da RIOTUR.

Eis que adentra a passarela a tal escola que havia compra do a coroa imperial. A reação do Mestre Fuleiro foi de total euforia. Começou tecendo os mais rasgados, principalmente para a alegoria que trazia a coroa Imperial.

Isso sim que é uma coroa imperial. Não aquela que a minha apresentou o ano passado. No auge da sua euforia, Mestre Fuleiro lascou uma nota dez no quesito que estava julgando, que não era alegoria & adereços.

Passado o Carnaval e num bate-papo em Madureira, Mestre Fuleiro ainda tecia enormes elogios á coroa imperial que aquela apresentou no desfile em que ele julgou. Não quis nem saber. Lasquei uma nota fez só por causa da coroa imperial que a escola apresentou, contou Mestre Fuleiro. Porém, alguém que acompanhara tudo de perto tentou explicar ao grande sambista. Seu Fuleiro aquela coroa que o senhor ficou todo empolgado foi à mesma que a Império Serrano levou para o seu desfile ano passado e depois do Carnaval vendeu para tal escola por um preço camarada. Não precisa dizer que seu Fuleiro morreu teimando que com desejasse que uma coroa era uma e a outra era outra.

A que eu julguei era simplesmente uma obra de arte. Ao passo a que a Império Serrano apresentou nunca vi coisa tão feia e mal feita. E discutir com Mestre Fuleiro naquela época era pura bobagem, pois ele sempre tinha razão. Mestre Fuleiro de saudosa memória. Espero que essas historinhas possam pelo menos animar e revigorar o ânimo do imperiano de verdade, pois a parada do desfile do agora chamado Grupo de Ouro será tão cômica como as contadas aqui.

Será pura dureza. Que a cabrocha Quitéria Chagas volte ocupar o seu trono com galhardia e isso dê a escola o ânimo e a força moral que tanto precisa para emplacar a sua dança do "Caxambu" num desfile que será autêntico pau com formiga.

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Bancada evangélica do samba aumenta a cada dia

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 01/10/2012 18h18

Sempre ouvi os mais velhos dizerem que todas as religiões levam a Deus. Ouço isso desde tempos de Ubá. Minha saudosa vovozinha, por quem fui criado, foi uma católica juramentada e sacramentada que não abria mão de suas orações sempre para os santos, principalmente São Sebastião, da Santa Igreja Católica Apostólica. Isso veio comigo desde então.

O leitor deve estar imaginando o que vai sair dessa coluna. Apenas uma tentativa de minha parte de entender o porquê alguns sambistas resolveram aderir á religião evangélica. Agora volta e meia é anunciado que este ou aquele sambista entrou para igreja tal.

O mais estranho que ao deixar o samba eles saem falando cobras e lagartos, e que agora estavam indo encontrar Jesus, como se o Nazareno não estivesse em todos os lugares.

Eu bem sei que no mundo do samba existem os mais descarados sujeitos, falsos, invejosos, gananciosos e mentirosos, que fazem de tudo para levar sempre vantagem em tudo. Mas o samba, ritmo, em si, não é nada disso. Com o seu ritmo quente, o samba é gostoso e só faz bem á alma para quem o abraça cantando e sambando. Por isso não entendo esse estado de coisas.
Mas isso não é de agora, não. Já na década 70. (Foi um alarido geral tomou conta no meio quando o então famoso Bené da Cuíca que era grande atração da Unidos da Tijuca) anunciou que estava trocando o samba pela igreja evangélica.

O mundo quase foi abaixo. Logo o negão Bené da Cuíca que brilhava de forma sensacional nos desfiles? Mas, segundo ele na ocasião Deus estava o chamando. E lá se foi o Bené da Cuíca e até hoje ninguém mais teve mais notícias dele. Tomara que tenha se dado bem em sua nova religião.
Na mesma ocasião, na Portela, existia um passista extraordinário que atendia pelo carinhoso apelido de Bibiu. Era tão sambando que chegou ser a principal atração da escola, além de chefiar a Ala de Passistas portelense. Um dia Bibiu anunciou para o espanto de uns e desespero do Carlinhos Maracanã, que estava deixando o samba em definitivo.

Motivo: estava ingressando em uma igreja evangélica onde, além de praticar o seu culto, iria fazer um curso de Teologia para se tornar um Pastor. Do Bibiu nunca mais também se teve notícias. Se hoje ele é pastor mestre ninguém do samba, pois sumiu na poeira.

Houve uma época em que alguns presidentes de escolas de pequeno porte se queixavam no plenário da antiga AESCRJ, que estavam em dificuldade para formar suas Ala e Baianas. O motivo era simples: estavam suas componentes sendo arrebanhadas pelas igrejas. evangélicas das redondezas e Isso aconteciam com mais frequência com as escolas de fraldas de morro. Os presidentes, em desespero, achegaram propor o fim da obrigatoriade em apresentar Ala de Baianas, com exige o regulamento de desfile.

Quero deixar claro um fato: tenho o maior respeito por essa ou aquela religião. Só estranho é o fato de certas igrejas evangélicas não aceitarem que seus adeptos e seguidores continuem sambando. Que mal o faz samba? Como disse o samba puro e cristalino faz bem em toda em sua essência, tanto ao corpo como também para à alma.

Mais recentemente o cantante Anderson Paz, dono de uma voz, que lhe prometia um futuro promissor no samba, "jogou a toalha" e foi embora virar adepto do evangelho. Para que todos acreditassem em sua mudança de hábito, passaram pregar aqui faceboock todos os dias sua nova doutrinação e o fazia cheio de fé e ardor. Em algumas ocasiões conclamava até seus amigos do samba o seguirem. O que comprova fico sem saber, porém sei que o Anderson Paz hoje é um fiel seguidor da igreja que abraçou e do samba não que saber mais. É uma pena, pois o Anderson Paz canta e canta muito. Se for fazer parte do coral de sua nova igreja vai ser o destaque, com certeza.

Soube ainda que o grande sambista Mauro Diniz, primogênito do grande Monarco da Portela, para usar uma gíria popular, "bolou no santo" e foi ele e parte da família integrar uma igreja, cuja sede fica em Osvaldo Cruz. O mais interessante de tudo isso que a igreja que o Mauro Diniz abraçou não proibiu que ele continuasse sambista. Tanto é verdade que ele continua fazendo shows e o que é mais importante frequentando o samba da Portela onde consta até samba enredo defende tocando o seu fenomenal cavaquinho.

Outro exemplo de igreja fica por conta do Diretor de Bateria, Aílton Nunes, que apesar de fazer suas rezas, orações e cânticos, quando está na igreja que frequenta, não deixam em momento algum de dirigir bateria Surdo Um da Estação Primeira de Mangueira, tudo dentro do maior respeito, é claro.

Finalmente a grande surpresa: Vânia Love, cabrocha de mil quilates, que brilhou na passarela como Rainha de Bateria da Império Serrano e também como musa da Portela, anunciou que está largando o samba para se integrar em uma igreja evangélica.

Bato palmas para as igrejas evangélicas que não proíbem seus adeptos de curtir o nosso bom, acalentador e envolvente samba. Porque o mais importante é que o ritmo nunca vira cabeça para nada de ruim da vida.

Pelo contrário: o samba é acima de tudo uma coisa que só traz paz de espírito e muita das vezes felicidade. Cantar e sambar é uma arte que a todos envolve. Deveria ser também considerado uma religião, pois só assim ajudaria afastar as ervas daninha e estaria mais perto de Deus. Podem acreditar.

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Natal está morando no infinitivo. Deixem o velho maneta em paz

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 21/09/2012 17h02

De repente, não mais do que de repente, eis que surge uma grande celeuma no samba. A nossa querida Portela deve ou não trocar o nome do cidadão Natalino José Nascimento pelo o do atual presidente Nilo Figueiredo como "PRESIDENTE DE HONRA" da escola?

Para uns, portelenses ou não, isso não deveria nem entrar em discussão. Mas o fato é que Conselho Deliberativo da escola já decidiu (ou vai decidir) que entra Nilo e sai velho Maneta como presidente de honra da escola.

Bem da verdade que o próprio Nilo já deu declaração afirmando que não pediu nada e que o nome da quadra da escola continuará sendo Portelão e que não partiu dele tal iniciativa. De quem então teria partido essa malfadada ideia?

Acredito, sim, nas declarações do Nilo. Sendo ele um militar que teve uma brilhante carreira na nossa Marinha de Guerra não iria jogar tudo fora agora no fim de carreira e armar uma picuinha dessas, sem pé, sem cabeça por simples questão de vaidade.

O posto de PRESIDENTE de HONRA em qualquer agremiação é outorgado para quem de fato o mereceu ou estar por merecer. Talvez o Nilo já o faça por merecer. É claro que existe a vacância do cargo. No caso do Natal da Portela esse título lhe foi outorgado quando ele ainda estava em vida é claro. Por se tratar de quem, era alguém propôs que fosse ele, Natal, um PERSIDENTE DE HONRA PERPÉRTUO. O que foi aceito na horta nessa mesma reunião.

Isso constava nos livros da escola. Se sumiu é um mistério.

Perpétuo é perpétuo. Don Pedro que o diga. No caso da Portela está se vendo que o lance é inteiramente diferente e político. Tirando o Nilo da jogada lhe dando um título honorífico de tamanha envergadura, o caminho estará aberto para os possíveis aspirantes ao posto máximo administrativo da escola.

Natal já foi morar no infinito e não pode fazer mais nada na Portela nem pela Portela. Talvez só o seu nome ainda possa significar algo dentro e fora da escola. A vida é assim mesmo.

É claro uma pergunta fica no ar. Por que remexer no nome de um homem que fez da sua vida a Portela?

Natal fez de tudo pela Portela. Só não bebeu e não fumou e não cheirou. Deu tapa em muito vagabundo, pilantra e expulsava da escola os ladrões. Hoje, somente alguns presidentes tem coragem de expulsar ladrões de suas escolas de samba.

Até matar ele matou. Como o caso Davi, em quem ele deu vários tiros em cima do Viaduto de Madureira. Brigou com todo mundo. Com o prefeito, diretor de certames, coirmãs. Tudo só pensando na Portela. Por que agora vão remexer o túmulo do "homem de um braço só"?

Não existe e não existiu no mundo do samba uma figura tão portenta como o senhor Natalino José do Nascimento, o grande Natal da Portela. Criador de casos por excelência, Natal apresenta um rosário de fatos e lendas, mas Portela era sempre campeã.

O interesse político não pode agora sobrepujar um nome como o do Natal. Se quiserem concorrer e temem a sombra do Nilo Figueiredo consiga outro o método para chegar ao topo. Aliás, já vi muito "gato mestre" chegar ao alto na Portela, e como num passe de mágica ser varrido até do próprio samba. Não essa organização ou grupo vai devolver títulos à Portela. E nem de tal maneira.

A Portela só será outra vez campeã quando levar para o desfile enredo sério e moderno. O enredo do próximo ano pode proporcionar uma grande apresentação. O tema totalmente popularesco exalta Madureira, localidade onde a Portela tem fincando várias suas raízes.

Para finalizar uma historinha do velho Natal: corria uma disputa samba enredo e o Natal, por pura picuinha, resolveu cortar o samba do Valter Rosa, sob alegação que, como de hábito, continha muitas palavras difíceis e complicadas. Babadando de indignação, Valter Rosa, outro encrenqueiro sem igual, não deixou por menos. Na primeira vez que avistou o Natal na quadra mandou de prima: "você é um hipócrita".

O Natal fingiu que não escutou, mas desandou a perguntar para todo que queria dizer aquela palavra. "Como ninguém também sabia". Ele próprio Natal, contra atacou o Valter Rosa em cima do laço "hipopótamo é a sua mãe, seu F.D. P".
Por tudo isso que se viu, fala e escreve do seu Natal o seu deveria sim é ser realmente perpetuado como o defensor perpetuo da Portela. Tentar fazer que o portelense o esqueça de através de uma jogatinha política não é coisa de verdadeiro portelense. Só querem mesmos são os cargos. Lamentável.

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Roberto Silva

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 12/09/2012 14h49

Ainda meninote ouvia o meu velho babar por um cantor que a todos denominavam com o "Príncipe do Samba". Bem, se havia um príncipe deveria haver um rei. Este rei era Francisco Alves, que arrebenta multidões com seu vozeirão pelas possantes ondas da Rádio Nacional, então a maior emissora da América Latina.

Roberto Silva, que domingo lascou para infinitivo, não fazia esse gênero que arrepiava nossos ouvidos. Era um cantor mais suave. Um cantor de cantava de tudo, mas considerava o samba com a sua nobreza. Não tinha condições vocais para se igualar a Orlando Silva, o cantor das multidões, mas gravou todos os compositores de samba de sua época. Era um sucesso após o outro.

Roberto Silva representou o que de melhor existiu numa época que os compositores compunham coisas maravilhosas. Geraldo Pereira, o bam-bam de todos, lhe entre entregou o "Escurinho", que atravessou o Brasil com a sua voz sincopado num suingado sem igual.

Cantou Claudionor Cruz, Ataulfo Alves Haroldo Lobo Bidi & Marçal e tantos outros. Até mesmo em marchinhas e sambas carnavalescas fez sucesso. Esse cantor tipicamente carioca, suburbano por convicção, Roberto Silva ainda tinha o dom da humildade e simpatia e morava em Inhaúma, apesar de ter nascido no Morro do Cantagalo.

Calou-se mais uma voz do samba. Daquele samba autêntico, espontâneo e vigoroso. Choramos todos nós, pois não apareceu ninguém para na pior das hipóteses entoar sambas como fazia Roberto Silva.

Sempre afirmo que a natureza é muito ingrata com o nosso samba. Nunca nascem substitutos para essa gente boa que vai embora. Os que nascem como Thiaguinho, Rodriguinho, Alexandre Pires, são apenas arremedos de cantores de samba e nunca chegarão empolgar cantando samba.

Apenas surgiram boas promessas como Reinaldo, já chamado de o "Príncipe do Pagode" e Diogo Nogueira, filho do saudoso João Nogueira. É muito pouco para o mundo do samba, que já teve legiões de grandes cantores.

No mundo do samba esse fato também é notório. Onde estão os substitutos de Roberto Ribeiro, Silas de Oliveira, Valter Rosa, Xangô da Mangueira, Cartola, Jamelão e tantos e tantos outros. O jeito é esperar pela vida e ver se surge alguém para devolver ao samba uma alegria e dignidade que aos poucos começou ir embora.

É com rasgada tristeza que risco isso. Agora se foi o Roberto Silva abrindo uma lacuna sem mais tamanho no samba autêntico. Fico triste. Mas espero que as gerações futuras possam ter outros cantores do quilate dessa plêiade de grandes vultos que natureza que quando nos rouba.

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Babadinhos do samba VII: Gatos mestres

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 04/09/2012 18h16

Volto a minha época, meu tempo de colunista da centenária Gazetinha de Notícias, para matar saudade do tempo e relembrar coisas do samba que hoje já não acontecem mais.

Lembro que era obrigatória toda e qualquer escola de samba ou bloco carnavalesco fazer uma minuciosa prestação de contas das despesas do carnaval recém-findo junto à RIOTUR e essa toda a papelada era enviada para o Tribunal de Contas. E tinham contas que "batiam na trave" no TCE.

Tinha presidente que ficava louco porque aquilo era coisa nova e nunca sabia como fazer. Certa ocasião, o saudoso presidente Mário Silva, da Federação dos Blocos do RJ, teve que levar uma calcinha para comprovar que o presidente de determinado bloco tinha comprado a citada lingerie para uso de sua porta/estandarte do bloco.

É que no TCE um dos ministros achou estranho encontrar no meio da papelada uma nota da compra de uma calcinha vermelha. Na época isso foi um hilário só pelos quatros cantos do samba.

Existe aquela história envolvendo o saudoso Titio Mira da Verdun Garcia. O MVG estava preso em determinado presídio em Bangu. O presidente do Acadêmicos do Salgueiro era o cidadão Paulo Cásar Mangano, que me convidou para visitá-lo. Lá chegando, a primeira pergunta feita pelo Titio Miro foi a seguinte:
- Mangano, trouxe o que te pedi?
- Trouxe, seu Miro, está tudo dentro da Kombi.
- Kombi? Estranhou o Miro. É que o Miro havia solicitado ao Mangano uma prestação de contas dos seus vintes anos no comando do Salgueiro.

O fato é que o Miro mandou o Mangano levar de volta tudo aquilo, pois, segundo o próprio, não tinha para ler tantos papéis.

Tinha presidente zeloso pela sua reputação. Fazia prestação de contas em papel de enrolar pão levando tudo para as famigeradas reuniões dos Conselhos Deliberativos onde por certo ocorriam brigas, tumultos, correrias e até tiros.

O fato é que tempo passou e isso caiu no esquecimento. Alguns espertinhos inventaram prestação de contas com o carnaval já apresentado. Em algumas escolas de samba, como Império Serrano, uma prestação de contas era um acontecimento e chegava a ter polícia na porta.

Aconteceu que determinado presidente chegou a ser condenado na Justiça por causa de sua prestação que estava toda irregular e fora recusada pelo Conselho Deliberativo da escola. Foi um sufoco para livrar o moço do xilindró.

Na verdade, tudo mudou de postura diante da mistura samba/política/poder público. Antigamente samba, política e poder público caminhavam lado a lado, mas não faziam negócios em comum. Hoje, a intimidade é tão grande que um compra e outro paga a e vice-versa. O dinheiro rola aos quatros ventos com as escolas esperando o que vem do poder público. No caso a Riotur segue a procissão.

As escolas de samba, sem qualquer tipo de planejamento, vão gastando, mas em sua maioria terminam o carnaval devendo a Deus e a todo mundo também. Em algumas escolas de samba tais dividas vão desde sapateiro ao próprio carnavalesco isso sem falar MS/PB, cantores, diretor disso ou daquilo outro. Por isso não é crime pedir, exigir uma prestação de contas clara, objetiva e transparente.

Até parece que sou um verdugo das escolas de samba. Mas não sou. Sou um velho cronista que gostaria que tudo fosse diferente. Só que, com o advento do Sambódromo, o Poder Público descobriu o fio da pólvora ao oferecer certas regalias, mas exigiu entrar como sócio na parada.

Entende-se que numa sociedade ambos os lados colocam algum dinheiro.
Nessa sociedade não houve nada disso. A Liesa continuou administrando o dinheiro das escolas de samba, pagando as despesas, como foi o caso dos barracões incendiados que foram reconstruídos em tempo recorde, graças ao apoio de determinada empresa que hoje, não é bem quista e bem vista em vários estados desse Brasil afora.

Na verdade, não fosse o dinheiro dessa empresa, os citados barracões ainda estavam lá no chão, como estão até hoje as obras do Sambódromo e do Terreirão do Samba.
É certo que alguns presidentes fazem sim aquelas prestações de contas que se costuma dizer "prestações de contas" de gaveta. Ou seja, aquela que é feita com ajuda do computador e da impressora sem a necessidade de se juntar comprovantes.

Dessa época havia os mesmos" gatos mestres" como hoje. Só que as escolas não tinham que dividir nada com ninguém. Nem com a Riotur, prefeitura e agora também com a TV Globo. Assim é totalmente impossível fazer inteiramente Carnaval cultural. Pelo menos na grana do patrocínio ninguém mete o bedelho.

Enredo cultural: a briga toda é por causa da eleição

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 26/08/2012 12h00

Quando no dia 27/06, o deputado Marcelo Freixo lançou o seu movimento em defesa do nosso Carnaval, certos figurões do samba torceram o nariz e o mínimo que disseram sobre seu projeto que era coisa de maluco, e o Freixo não é do Rio e não conhece nada da folia carioca.

Com mais calma mais li e reli o seu projeto. Nele o ponto crucial é a Cultural Nacional. O Freixo diz apenas se uma escola de samba que já recebe de um patrocinador uma pesada polpuda para apresentar determinado enredo, que nada diz respeito á Cultura Nacional, nada mais justo que também não receba nenhum tostão de verba pública, seja municipal, estadual ou federal. Não existe nenhum absurdo nisso. O dinheiro, por lei, só deve usado para exaltar as coisas nossas.

Agora bastou Marcelo Freixo ir para um telejornal falar o seu projeto para os "donos do samba" levantar barricadas contra o candidato do PSOL. Na verdade, os que manifestaram contrariedade falaram em censura do tempo ditadura, liberdade de expressão e outras coisas mais. E foi não nada disso que o candidato falou ou escreveu.

A história do Brasil é incomensurável em fatos e lendas que ainda hoje são desconhecidos da maioria dos brasileiros. Lembro que na minha época de estudo primário (hoje fundamental) nunca tinha ouvido nenhuma professora falar de Zumbi, Chica da Silva ou Chico Rei. Precisou anos depois, já mais crescidinho, verem o Mestre Fernando Pamplona contar a saga desses três heróis da história do Brasil na avenida.

É fato que houve censura e bem forte no Brasil. Foi na época quando o Dr. Getúlio Vargas governava o país com mão de ferro. O popular GG fez do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) um órgão repressor em tudo em e por tudo. As escolas de samba só podiam apresentar enredos com motivos nacionais e ainda assim, antes submetidos antes ao crivo austero do Dr. Fullento Muller. Foi assim que foram feitos os primeiros regulamentos de escolas de samba no Brasil. E nem por isso nessa época deixaram de ser riscadas
belas páginas e as escolas apresentarem estupendos enredos.

Já na quartelada de 64, o único exemplo que temos que tenho notícia ocorreu justamente com a nossa ES Império Serrano que teve explicar na Polícia Central determinado trecho da obra prima que é o samba enredo "Heróis da Liberdade" de autoria de Silas de Oliveira. Mano Décio e Manoel Ferreira.

Agora o debate está na mesa em função do pleito de 07 de outubro. Como os presidentes são em prol da candidatura do atual prefeito é natural a chiadeira. Falam até em manifestos e passeatas contra a "censura" do Freixo. Coitados nem sabem o que é censura de fato e nenhum deles sofreu com regimes de opressão dos generais das décadas 60/70/80.

A criação e apresentação de enredos nas escolas de samba começaram ganhar novo ângulo quando os presidentes perderam a força em escolher eles própria esse ou aquele tema. Os carnavalescos, por vez, brincam e escolhem os mais esquisitos e complicados enredos com uma única finalidade: assegurar, pelo menos por ou dois no máximo, seus empregos.

Por isso, que Mestre Fernando Pamplona, num rasgo de coragem e sinceridade mandou assim: "as escolas de samba se vendem muito barato para os patrocinares. Entrega tudo a Liesa. Que faz o que bem entende. A coisa entrou numa comercialização tão que há cinco ou seis anos eu não vejo mais carnaval. Quem faça enredos de cunho cultural para resgatar o carnaval".

O fato que a grande luta está armada. De um lado só abanando esta pequena guerrilha dos presidentes, está o atual alcaide Eduardo Paes, que ver é mais ver o "circo pegar fogo" entre os dirigentes e carnavalescos contra o candidato Marcelo Freixo e suas ideias. É lógico que nessa briga entre o rochedo e o mar a própria história do samba está em jogo.

No fundo não suportamos mais determinados tipos de enredos. São repetitivos, sem criatividade e as fantasias e os carros alegóricos são iguais anos após anos e de cultura nada apresentam. Mas certos presidentes vêem tudo como bonito e acham que vão ganhar o carnaval e então deixam tudo por conta do desvairado carnavalesco, que usam e abusam, além de gastar todo o dinheiro da escola em coisas mais absurdas possíveis.

Para encerrar o assunto apenas um detalhe: Meses passados sua Excelência o atual prefeito, deu declaração afirmando categoricamente que as atuais administrações das escolas de samba eram frágeis, deficitárias e mais alguma coisa de negativo. Na ocasião nenhum presidente apareceu para rebater o nosso Eduardo Paes.

Eleição se ganha e se perde. No caso dessa eleição agora no Rio só o carioca vai perder. Por conhecimento o próprio, risco que sambista nunca elege ninguém Nem ele mesmo. O Adelson Alves, que o diga. O Chiquinho da Mangueira foi menos votado do que o Domingos Brazão em zonas que tido como imbatível com a própria Mangueira, Benfica, São Cristovão Pedregulho, Jacaré e outras.

Por isso digo sem medo de errar: política e samba jamais deveriam se misturar, pois o resultado é isso que estamos vendo por ai de quadra em quadra.

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Fala Meu Louro e Vizinha Faladeira

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 17/08/2012 13h17

Apenas por mera curiosidade gostaria de saber por que na Zona Portuária não existe uma grande escola de samba? Ou melhor, já existiu. Mas acabou e sumiu na poeira desfilando hoje no grupo do desespero lá na Intendente Magalhães.

A pergunta surgiu a propósito de um movimento que tomei conhecimento do ressurgimento do Bloco Carnavalesco Fala Meu Louro. Essa agremiação foi desde dezembro de 1938, baluarte do carnaval de rua no Rio.

Carnaval de rua, não igual ao da atualidade que precisa de verbas públicas, banheiros químicos, policiamento ostensivo e apoio dos chamados órgãos públicos. Enfim era mais alegre, espontâneo e comunitário.

Era pura brincadeira mesmo. O Fala Meu Louro reunia mais três mil componentes e saía do Largo do Santo Cristo, embalado pelos seus próprios sambas riscados por sua Ala de Compositores, cujo alguns deles chegaram fazer sucesso em algumas escolas. Vinha gente de todo lugar só para pular, cantar e sambar no BC Fala Meu Louro.

O Fala Meu Louro é talvez o único bloco carnavalesco a ter uma sede - quadra, que fica ali bem no Largo do Santo Cristo, dela já não faz uso há tempos. Lá agora só acontecem festas familiares (aniversário, batizado, casamento e etc.).

O seu apogeu dessa quadra aconteceu justamente quando o movimento do pagode começava engatilhar na cidade.

Aos domingos, sempre por volta faz 20 horas, um pagodeiro se apresentava por lá. Era comum se encontrar na quadra da Praça do Santo Cristo gente como Almir Guineto, Jovelina Pérola Negra, Dicró, Darcy da Mangueira, Zeca Pagodinho, Jorginho do Império, Elaine Machado, Arlindinho Cruz e até Jorge Aragão e outros.

As famílias (o bloco era formado pelas famílias do local) vibravam. Tudo era organizado por um cidadão, que ainda está vivo hoje. É ele o Sílvio Tesoura, na ocasião também era diretor de ponta da ES Estácio de Sá. Esse período de euforia durou tão somente até o Estácio de Sá conquistar o titulo de 1992.

Não sabe o motivo, mas o Fala Meu Louro de repente suspendeu suas atividades e a sua bela e confortável quadra ficou entregue às baratas e invadida e ocupada indevidamente. Hoje prefeitura e governo estadual lutam em si para tomar o lugar para ali construir algo. Mas os moradores resistem e vão sempre à Justiça provando que a quadra lhes pertence.

Dizem que foi a bandidagem da época do Morro da Providência que mandou o bloco encerrar suas atividades. Isso ninguém confirma.

A derrocada do Fala Meu Louro deu-se com o afastamento do Sílvio Tesoura, que de uma hora para outra sumiu na poeira e largando tudo de mão. Essa história, aliás, apresenta várias explicações, mas nenhuma delas apresenta uma igual á outra. O fato é que a quadra do Fala Meu Louro continua no mesmo alugar, agora mais limpa e mais cuidada do que nunca.

O movimento que ressurgimento do bloco chega muito boa hora, pois só temos os tradicionais blocos comerciais, que na verdade arrastam multidões, mas jamais representam o aquele sentimento carnavalesco que representou o Fala Meu Louro.

Como foi também foi o Bloco Do Jará do Rio Comprido ou o Bloco Ninguém é Ninguém, que só em São Cristovão conseguia colocar na rua mais 4 mil foliões, além do BC Magnatas da Penha e o Bloco do China de Botafogo.

A volta do Fala Meu Louro está fixada para o dia 02 de setembro próximo na mesma quadra onde fez sucesso no passado (Rua Waldemar Dutra 19. Para o folião que só gosta de brincar, pular e cantar isso será um deleite. Quem venha novamente o Fala Meu Louro. O verdadeiro folião agradece.

No início da matéria citei a existência de uma escola de samba nos bairros que circundam a Zona Portuária (Gamboa, Santo Cristo, Morro do Pinto, Saúde, Providência, Morro da Conceição, Favela e até Pedra Lisa). Essa Escola de Samba é a Vizinha Faladeira.

Fundada em dezembro de 1932, a Vizinha Faladeira sempre era pioneira em apresentar seus enredos, que nem sempre seguiam o que determinava as ordens da Ditadura Vargas, que exigia enredos com motivos nacionais.

Sempre apresentando inovações em seus desfiles a Vizinha Faladeira, dizem foi a primeira escola de samba em apresentar a figura de um carnavalesco; também alterou os estandartes transformando-os nas atuais bandeiras, além de trazer carros alegóricos iluminados. Sendo assim então pergunta - se: Como pode uma escola assim acabar?

Acabou por causa do amor próprio ferido e por causa de uma denuncia feita pela Portela. A agremiação de Osvaldo de Cruz simplesmente comunicou ao famigerado DIP, que a Vizinha Faladeira apresentaria um enredo cujo tema era estrangeiro. Foi o bastante. A mesma foi desclassificada, pois o enredo era "Branca de Neve e os Sete Anões", uma história infantil, mas vinda lá do estrangeiro.

Isso rolou no Carnaval de 1939. De lá pra cá a Vizinha Faladeira ficou 50 anos sem desfilar. Voltou no Carnaval de 1889, mas sem o mesmo glamour e vigor de outrora. Voltou por uma questão moral dos parentes daqueles fundadores (filhos, netos e sobrinhos) que através dos comentários que ouviam de tudo fizeram para resgatar o nome dos parentes, muitos já falecidos e a memória carnavalesca do próprio bairro.

Pasmem os internautas que depois da sua volta já passaram lá pela Vizinha Faladeira hoje, renomados carnavalescos com o campeoníssimo Paulo Barros. Também passou pela escola o finado Sérgio Murilo, um carnavalesco que montou um desfile como os dos tempos idos, Sílvio Cunha, o popular Silvinho e até Lilian Rabelo também estiveram à frente do carnaval da Vizinha Faladeira.

Hoje, por incrível que pareça, a Vizinha Faladeira desfila no Grupo E da AESCRJ na Estrada Intendente Magalhães, sem muita chance de subir para os grupos superiores. A pergunta volt ao ar: por que uma localidade que fica nas fraldas da Estácio de Sá e Mangueira não voltou ao samba coma aquela categoria de outrora?

É o caso de também se indagar o porquê não existe uma grande escola de samba na Pavuna ou na Penha. São bairros, que pelo meu conhecimento, concentram o maior número de sambistas (moradores) e nem por isso existem por lá escolas de samba.

Enquanto isso, bairros como a Tijuca e Madureira concentram três grandes escolas de samba. E Padre Miguel com duas agremiações. E Parada de Lucas, não fosse a desastrada fusão entre Aprendizes e Unidos da Capela, teria duas das maiores escolas da cidade. Acadêmicos do Grande Rio de Duque de Caxias se conseguisse unificar 0s blocos carnavalescos filiados na ABCDC teria de desfilar na Avenida Brasil.

Nessa história toda, bairros como Jacarepaguá apresentam várias agremiações, sem, contudo obter uma igualdade com as demais. A ES Renascer chegou Grupo Especial, mas essa escola é oriunda de uma transformação do antigo BC Bafo do Bode na agremiação atual.

Só isso seria motivo para esses sociólogos de plantão montar essas pesquisas que eles tanto gostam de fazer. Talvez pudéssemos encontrar uma explicação para essas curiosidades que o samba nos oferece. Ou pelo menos explicar onde residem milhares de moradores que nem sequer dão bola para a escola de samba do local preferindo os outros bairros ao invés de criar uma na própria localidade.

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O bom velhinho não faz pipi na cama

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 09/08/2012 17h01

Turco, sírio ou libanês, não sei bem de que parte do mundo ele era. Sei apenas que aqui no Brasil ele fez por merecer uma glorificação, até hoje não consumada. Primeiro por parte da Acadêmicos do Salgueiro (sua escola de samba de origem) onde passou ser obstado por causa de idéias altamente progressistas em favor do sambista, principalmente daquele que em função do peso idade já não podia mais sambar como fez na juventude.

José Dib exigia no Salgueiro um tratamento melhor para o verdadeiro sambista e, notadamente os veteranos. Isso acabou por incompatibiliza- lo com a diretoria a ponto, se não estou enganado, ser afastado da escola.

José Dib tinha idéias realmente brilhantes. Certa ocasião juntou-se com a um grupo de velhos sambistas com ele, (Armando Santos, José Vieira, Joel (Portela), Jose Ferreira Leite (Vila Isabel). Claudionor Belizário, Jurandir Cândido (Padre Miguel), Ed Miranda Rosa (Mangueira), e no dia 07 de setembro de 1983 fundou a AVGESRJ (Associação da Velha Guarda das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Dib pretendia que a AVGESRJ fosse uma entidade destinada para acolher e proteger o veterano sambista, que já não tinha a mesma habilidade para seguir em frente.

Ainda saiu em campanha pelo samba afora incentivando a fundação em cada escola de samba, grande ou pequena de uma Galeria do Samba, e de imediato se filiar na AVGESRJ. Deu certa a sua cruzada. Num piscar de olhos já tínhamos mais de oitenta Galerias do Samba filiadas na entidade pagando um preço módico a titulo de mensalidade, coisa que muitas delas nem e primeira mensalidade pagou até hoje. Devem a primeira até hoje.

Pensava ele numa sede grandiosa onde, o que chamou logo de velha guarda, numa clara alusão a Galeria da Velha Guarda do Samba, fundada em Mangueira por Cartola e os baluartes da verde- e - rosa no final década de 50. A primeira Galeria da Velha Guarda do Samba.

Nessa sede seriam tratados velhotes quando são acometidos por doenças das articulações como artrose, artrite reumatismo, hipertensão, diabete e outras. É claro que a preocupação do JD já era grande na época diante da inércia dos nosocômios públicos no atendimento ao idoso. Na verdade existem também sambistas idosos

Nessa luta surgiram outros abnegados como o velho Armando Santos, campeoníssimo pela Portela, e Ed Miranda da Rosa, o homem que comprou e pagou o atual terreno onde hoje fica a quadra da Mangueira. Na verdade só faltava o local para instalar a nova sede.

Ai surgiu um cidadão o muito criticado até hoje, mas que na verdade apresenta uma boa folha de serviço prestado ao samba. Carlos Teixeira Martins, o popular Carlinhos Maracanã.

Foi o CTM quem cedeu o local para a instalação da primeira sede da AVGESRJ. Esse local é a famosa Portelinha, (Estrada da Portela 446- Osvaldo Cruz), também a primeira sede da Portela de antão.

Com o velho Armando Santos na presidência e o Ed Miranda Rosa na vice a AVGESRJ seguia caminhando com dificuldade para se instalar num próprio e começar desenvolver os planos sonhados do velho José Dib.

Nessa época, ninguém até hoje não sabe o motivo, que antiga Cia Cervejaria Brahma começou repassar para a AVGESRJ uma polpuda quantia em dinheiro. O dinheiro era repassado religiosamente mensalmente sem nenhum tipo de explicação da Brahma e muito da AVGESRJ, que recebia a verbinha.

Nessa altura dos fatos, o velho Armando Santos adoece gravemente e deixa o cargo. Assume então o seu vice-presidente Ed Miranda Rosa. Existe aí uma história até hoje não muito bem contada, pois uns dizem uma coisa e outros outra totalmente.

Uns dizem que para adquirir a atual sede, que fica na Avenida Dom Hélder Câmara, 8144, o presidente Ed Miranda Rosa teria repassado para á compra da casa, o dinheiro recebido da Brahma. A velha casa que passou servir de sede para AVGESRJ.

Outros dizem que o presidente sublocou o grande camarote que a AVGESRJ tinha direito na Avenida Marquês Sapucaí para um grupo de turistas de uma empresa paulista e com esse dinheiro comprou a casa da Avenida Suburbana.

A doação do Camarote para AVGSERJ foi aprovada na Câmara de Vereadores pela então vereadora Lícia Maria Caniné, (PCB), a popular Russa, do Martinho da Vila. Esse belo camarote fica ou ficava defronte ao camarote oficial do estado e município.

Esse ato trouxe enormes aborrecimentos ao presidente Ed Miranda Rosa, que ameaçou até renunciar ao cargo diante de tantas acusações.
O negócio foi tão sério que houve uma grande cisão política dentro da AVGESRJ, que acabou sendo fundada outra entidade com o nome de Veneranda da Velha da Guarda.

Para tentar contornar a crise, o presidente antecipou a eleição, mas foi logo dizendo que seria o candidato da situação. O resultado do pleito foi inédito e o mais esdrúxulo possível. Depois de duas rodadas de votação no período de noventa dias ocorreu um empate em 11 votos para a situação e também 11 votos para a oposição.

Aquilo não podia continuar. Duas entidades antagônicas funcionando na mesma sede e realizando festas pelo samba afora. Foi ai que um dos integrantes da chapa da oposição foi chamado para uma reunião na grande fortaleza da Pavuna do cidadão Carlos Teixeira Martins. Lá, depois ouvir as ponderações do CTM voltou com nova idéia do seu voto. Foi então realizada uma nova eleição e mangueirense Ed Miranda Rosa ganhou o pleito e ficou no cargo até mês de maio de 2012.
Por alguns tempos AVGESRJ e Veneranda andaram as turras realizando festas e eventos simultâneos com a finalidade de uma tirar adeptos da outra. Mas prevaleceu a lógica e Veneranda desapareceu ficando apenas a AVGESRJ com única entidade representativa dos velhotes do samba.

Aumentaram então problemas do presidente Ed Miranda Rosa. Sem dinheiro e sem o apoio dos presidentes das escolas de samba, como construir uma sede que pudesse atender os seus velhotes e ainda concretizar os sonhos do velho José Dib?

Em verdade, Dib além de sonhar em acolher e proteger os velhotes sonhava com uma sede onde haveria consultórios médicos e dentários, salas de fisioterapia, joguinhos de totó (dama, dominó, xadrez, bingo social, buraco. dança de salão e outro entretimento para a Velha Guarda desejava que a diretoria das escolas de samba os tratasse com respeito e dignidade, coisa que nenhuma escola de samba faz.

O tempo rolou e a AVGESRJ continuou com as suas festinhas tipo "enche lingüiça". Ao partir para a construção de sua sede o sonho de toda velha guarda, começava acontecer. Dois políticos ajudaram com verbinhas e alguma chegou ser feita algum coisa na velha casa.

Ultimamente rolou uma obra de proporções maiores. Dizem que a obra teve o dedo do Dr. Eduardo Orelinha, que sendo funcionário do supermercado Cristal conseguiu uma verbinha. E no comando da obra ficou com saudoso Manoel Bustilho, velha guarda de boa cepa da Unidos de Vila Isabel.

O paradoxal nessa história é que atualmente na cidade existe velha guarda de samba ou não em, quase todos os bairros. É Velha Guarda na Vila Valqueire, Méier, Vaz Lobo, Ramos, Pavuna, Bonsucesso Penha Ilha do Governador. Até os velhotes bacanas de Copacabana têm sua associação de VG. Lá os velhotes se exercitam em mordemos de aparelhos de ginástica e até e médicos de plantão dão ajuda no local.

Isso por não falar nos Grupos de Velha Guarda que foram se formando com o tempo. Tais grupos passam o ano inteiro promovendo festas, eventos, excursões, bingos sociais tudo usando o nome da AVGESRJ, em tais festas e eventos. Mas não se tocam que precisam pagar suas mensalidades.

A pergunta é a seguinte: a velha guarda do samba é só pra sambar?Mas está mais do que provado que velha guarda do samba é tal qual um velhote comum e precisa, senão uma sede parta ser protegido e amparado como também de assistência do Poder Público.

Por fim uma pequena historinha: o deputado Chiquinho da Mangueira, (confesso que não sei que qual partido ele pertence na Assembleia e tampouco na Mangueira), apesar conhecer o JCN da Estação Primeira de "priscas eras" jamais me dirigiu palavra.

No entanto durante os preparativos para Carnaval de 2010, me chamou que queria fazer uma comunicação: Educado, que sou dei-lhe todos ouvidos. Ele mandou de prima:" Zé Carlos, o prefeito Eduardo Paes vai construir uma grande sede para Associação da Velha Guarda e as obras já começam de imediato.

Como sou um crédulo e temente a Deus estou no aguardo dessa bendita obra até hoje, Nesse caso deve haver duas enormes mentiras: ou do prefeito Eduardo Paes e do próprio Chiquinho da Mangueira. Acho que ambos continuam blefando, pois passaram mais de dois anos e essa bendita obra nem papel saiu se é que algum dia entrou.

Isso tudo demonstra a idéia de como o PODER PÚBLICO lida com o idosos sejam sambistas ou não. O governo municipal e o estadual apresentam orgaões especializados em atendimentos a idosos e distribui polpudas verbas para várias ONGs. Só que estas ONGS nada fazem e ninguém sabe para onde parar essa dinheirama toda.

No caso da AVGESRJ, essa entidade, jamais viu um centavo ou teve atendimento sequer da pomposa Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável Qualidade de Vida ou de outro órgão do poder municipal. Do poder estadual e federal idem.

Chegou o momento de lembrar e cobrar da Prefeitura; do governo estadual e federal que as velhas guardas do samba também são velhas e velhas de verdade. Precisam de uma sede digna. O JCN fala assim porque é um dos velhotes de lá.

Durma com um barulho desse...

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 26/07/2012 15h45

Vaticinei aqui na coluna do dia 21/06, que no final o nosso bom alcaide Eduardo Paes daria o dito pelo não dito (é que sua Excelência havia bradado alta e em bom tom que jamais homologaria a vitória da ES Inocentes de Belford Roxo Grupo de Acesso, sem o qual agremiação jamais poderia galgar a elite do samba). Agora já está sacramentado que a escola da Baixada desfilará no Grupo Especial no próximo tríduo momesco. Vai até abrir o desfile.

O nosso alcaide não homologou e nem vetou e a Inocentes que já está lá é assunto encerrado. O grande problema é que para confirmar a Inocentes no Grupo Especial foi costurado um acordo sendo criado o que estão sendo chamando de Grupo de Ouro contanto com 19 escolas de samba mesclando o Grupo A e B do Acesso.

Tudo isso foi nas barbas dos sambistas lá na Cidade do Samba e ninguém chiou ou reclamou quando um cidadão que se anunciou como preposto do senhor prefeito deu a boa nova para todos.

Disse a cobra - mandada do palácio: "doravante caberá a RIOTUR a escolha e a nomeação dos membros do júri para o desfile de sexta-feira e sábado, pois o desfile das 17 escolas - mirins foi deslocado para a terça-feira gorda da folia". Mas tudo isso não foi o senhor prefeito quem disse. Faltou-lhe coragem. O a bendita lei eleitoral também impede isso?

Uma opinião do JCN: das 19 escolas de samba sacramentadas para o desfile de sexta - feira e sábado poucos terão condições de fazê-lo beleza Vou mais além: risco que somente, no máximo seis ou sete agremiações vão fazer um desfile a contento na altura do Sambódromo. Quem viver verá.

Duas observações: todos nós nos lembramos das coisas erradas que a RIOTUR produziu num passado não muito distante a nesse mister com julgadores. A ponto de ser um dos motivos da criação da LIESA.

A outra que é temeroso por demais realizar um desfile com 17 escolas de sambas mirins numa terça-feira de Carnaval com o trânsito aberto e outros empecilhos que o referido que aquele referido local da cidade oferece naquele trecho, levando em conta que o dia seguinte é um dia normal de trabalho.

Qual a mãe ou responsável por uma criança terá condições físicas para leva o seu pequerrucho para um desfile que pode acabar lá pelas tantas? Lembro que titular do Juizado de Menores o hoje Desembargador Siro Darlan comandava praticamente sozinho a apresentação dos miúdos e o encerramento do desfile jamais ultrapassou a hora grande.

E tem mais? Soube numa boa fonte lá mesmo na Cidade do Samba, que a TV Globo participou de todas as negociações e vão entrar com uma verbinha, por sinal polpudo, para ajudar as escolas de samba inclusive as mirins.

Só devemos ficar esperando é a transmissão, pois é sabido que a TV Globo já transmite os desfiles de sexta e sábado das escolas de samba de São Paulo. Será que um ou outro será transmitido pelos canais pagos como a emissora vai fazer com nas Olimpíadas?

Com relação ao lance da RIOTUR nomear os julgadores a coisa fica mais complicada ainda levando-se em conta que essa empresa, a título de economia andou reduzindo em muito o seu corpo de funcionários efetivos e mais antigos. A escolha desses julgadores vai recair no lugar comum por onde foi á antiga LESGA e muitas das vezes a própria LIESA.

A sugestão está no livro do Dr. Hiram da Costa Araújo " Cartilha Escolas de Samba" onde o famoso médico-pesquisador diz textualmente que a solução seria a criação de um curso inteiro, reunindo o profissional para que a pessoa, antes de sentar para julgar, tivesse anteriormente uma noção daquilo que vai fazer. Como, aliás, o próprio Hiram Araújo já o fizera em 1987 quando a LIESA tinha apenas dois anos de existência.

Se a escolha for realmente feita pela RIORUR seria como se trocar seis por meia dizia, como se diz no popular. Conheço um pouco da história das RIOTUR. Essa empresa foi criada na gestão do então governador Antônio de Pádua Chagas Freitas e por anos teve o comando político do jovem e impetuoso deputado federal Miro Teixeira. Mirinho, como era conhecido, fazia o que bem entendia na RIOTUR.

Escola de samba ou bloco carnavalesco que chegavam às últimas colocações, mas eram de sua simpatia nunca eram rebaixados de grupos. Pequenos blocos, que mal tinham contingentes para um desfile no bairro, de repetente viravam escolas de samba.

E tem mais: o sábado era simplesmente intocável. Todo mundo desejava tirar os blocos de desfilar no sábado. Mas, bastava o então presidente Federação dos Blocos, o finado Mário Silva se queixar ao Miro e os blocos continuavam desfilando, como fazem até hoje, na Rio Branco e no sábado gordo da folia.

Por fim risco que rolou um novo pleito na AESCRJ. José Eduardo, o Zé Orelhinha levou uma "calça arriada" e acabou perdendo o trono na entidade. Em seu lugar entra o cidadão Moisés Fernandes e como seu vice o Sandro Avelar. Não conheço ambos por isso é impossível opinar.


Sei apenas que esse troca-troca constante de presidentes na AESCRJ só faz desacreditar mais ainda politicamente uma entidade que já virou sessentona. Hoje a AESCRJ não consegue nenhum tipo de diálogo com a RIOTUR e com ninguém. O que é pior que todos os presidentes são apeados dos cargos sob alguma acusação. Isso vem lá atrás com o Amaury Jório, Ney Roryz, Nilton Costa, Gordo, e por fim o Dr. Walter Teixeira, que até hoje não foram apuradas para confirmação das acusações que pesam sobre eles.

Agora foi a vez o Zé Orelhinha. O acusam de vários delitos, mas até o momento não apareceu ninguém comprovando nada. O interessante é derrubaram o presidente (desta vez foi através de eleição), mas todos os demais diretores da AESCRJ continuam firmes em seus cargos na diretoria da entidade.

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Jacarezinho, de Zé Dedão a Monarco, sempre no meu coração

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 06/07/2012 13h02

Existem certas escolas de samba, que por essa ou aquela razão, marcam o seu coração. É isso que acontece entre este JCN e a ES Unidos do Jacarezinho emplacando agora 46 anos de feliz existência.

Inicialmente foi fundada pela senhora Dona Andrezza, uma antiga moradora da favela, com o nome ES Unidos do Morro Azul. ( localidade existente lá dentro da favela). O samba como escola de samba surgiu Jacaré em 28/03 1946. Mais tarde fundaram a ES Unidos do Jacaré para em 16 de junho de 1966 com a fusão nascer a ES Unidos do Jacarezinho.

Tudo começou entre o JCN e essa bendita escola de samba lá pelos idos do final da década 60. Jovem ainda e também não menos impetuoso estava eu dirigindo um ensaio da Mangueira - na ausência do seu Xangô que havia viajado para realizar um show - quando vejo adentrar pela quadra o finado Luís Carlos Tondato, um radiologista de mão cheia e figura de proa da diretoria no Jacarezinho.

Pedi um tempo, pois estavam no meio da disputa de samba enredo e logo após fui estar com ao amigo. Foi então que soube do real motivo de sua ida à Mangueira. O Tondato tinha uma quase ordem do então presidente Neyde Gaspar Gonçalves (meu amigo particular e policial cana dura na época) para me levar, naquela noite, nem que fosse amarrado, até o samba do Jacarezinho.

Ponderei que não podia largar o ensaio da Mangueira assim sem mais nem menos. Só que ele insistia afirmando que de ser naquele momento. Caso contrário, ele, o LCT, é teria problemas com o presidente Neyde Gaspar Gonçalves.

Como aos amigos, até mesmo a honra se pode oferecer, deixei o comando do samba em Mangueira nas mãos dos saudosos Afonso e Genésio, e lá fui direto para a quadra do Jacarezinho que ficava á Rua José Maria Belo, número, 16, nas fraldas da famosa favela.

A recepção foi calorosa. O hoje, veteraníssimo Fausto do Carmo me entregou o comando da Harmonia tirando do peito o seu apito e solenemente fui consagrado o novo ‘’rei da cocada" do pedaço. Só então fiquei sabendo o motivo de tamanho estardalhaço: Nonô Biquinho, então todo poderoso Diretor de Harmonia da escola, havia sofrido um acidente de carro e estava se locomovendo em cadeira de rodas.

Aquilo abalou o meu já sofrido coração e acabei assumindo o comando da Harmonia, que desfilou no então Grupo Dois (Rio Branco) na AESCRJ. Com o enredo "Vila Rica do Pilar" e o samba de autoria do grande Monarco da Portela. Logramos obter a segunda colocação no desfile e galgamos de imediato o Grupo Um que era o da elite do samba carioca.

Para explicar o samba de autoria do grande Monarco da Portela é simples: na época o nosso poeta estava enrabichado por uma bela cabrocha moradora no Jacaré onde o compositor foi até morar. Dali para freqüentar o samba da Unidos do Jacarezinho foi apenas um salto.

Monarco fez tanto nome na escola que chegou até ser o presidente do grêmio numa ocasião que bandidagem só a ele respeitava. Risco então sobre primeiro desfile da escola. Foi em 1967, com o enredo "A Exaltação ou Execução de Frei Caneca".

Até hoje pouca gente sabe ao certo o título desse enredo. Nessa época não havia tanta gavionagem no samba. Tanto assim, que a escola julgou que a execução de um vulto como frei Joaquim do Amor Divino pudesse virar um bom enredo.

Tanto podia que virou. O Monarco compôs um dos mais belos samba enredo de todas as épocas, e o Jacarezinho passou de passagem de um grupo para outro de cima.

 

Mesmo tendo sido um episódio sombrio e sangrento na História do Brasil, a execução de Frei Caneca proporcionou um lindo samba com melodia penetrante e uma letra que brotou na alma do compositor em lamento, mas cheio ufanismo ao mesmo tempo sem igual.

Diz assim principal refrão desse samba: "Numa linda manhã de sol/ clareando esse céu azul anil/ era fuzilado sem clemência/esse vulto inesquecível do Brasil/...

Fica apenas uma perguntinha no ar: Como é que Monarco descobriu que naquele dia 07 de abril de mil oitocentos e lá vai fumaça fez "uma linda manhã de sol"?

Isso é aquilo que chamo de inventiva poética que só os poetas grandes de samba enredo, não o que conhecemos na atualidade, possuem tal cabedal qual Beto- Sem- Braço e Aluísio Machado que descobriram em l987, que "os olhos de Oxalá são graciosos".

Ou então um cidadão Silas Assumpção de Oliveira que forjou uma amizade com Orfheus (O Deus da música na mitologia grega) só para compor um samba enredo. (Os Cinco Bailes na História do Rio)

Por causa do samba do Monarco chegou ocorrer um pequeno entrevero no interior do famoso Café Haia em Madureira entre o poderoso Natal da Portela e o compositor. É que após cantar o a samba para o Natal, Monarco ouviu dele a seguinte expressão: "para a Jacarezinho você faz um sambão desse, na Portela só faz tudo merda".

Contrariado com azeda crítica, Monarco apenas comentou baixinho: Todo ano faço o meu samba enredo. E ele (Natal) não toma nem conhecimento e manda cortar sem ouvir aminha obra. Para ele é tudo uma merda".

Rolei toda essa história só para dizer que acabo de saber que os Unidos do Jacarezinho, através do produtor Chico Frota, com a iniciativa do presidente José Roberto Hilário, estão lançando os seus sambas enredo em disco no formato CD MP3, desde fundação em março de 1966.

Do Jacarezinho guardo como uma das principais lembranças na figura do negão conhecido apenas por Zé Dedão. Nem eu até sei o seu nome próprio dessa figura que me apeguei primeiro na quadra, depois pelo samba afora. (no final da matéria explico o porquê do apelido Zé Dedão)

Zé Dedão era a simpatia em pessoa. Tudo para ele sim sinhô, sim senhora, boa dia, boa noite como está passando e outros chavões usados uma por pessoa que exalava educação de berço. Apesar de ser parrudo e dono se um vozeirão sem igual, jamais o vi alterado ou gritando com alguém.

Zé Dedão compôs um samba de quadra que era obrigatório, anos após anos, cantar por exigência das próprias pastoras. O samba cujo título e " Sobrancelhas De Veludo", e quando cantado na quadra deixava as boas cabrochas em total estado de euforia.
Grande Zé Dedão, que Deus o tenha.

Certamente que no disco apresentará algumas belas obras dessa agremiação que especializada em homenagear os grandes vultos do samba (MPB). E sempre ficar bem colocada no desfile.

Foi assim em 1981 quando apresentou enredo "Paulo da Portela-Majestade do Samba" e ficou com o segundo lugar no desfile do Grupo 2 B da AESCRJ.

No ano seguinte foi de exaltar Geraldo Pereira com o enredo "Geraldo Pereira- Eterna Glória do Samba". Não bateu no bico e a escola logrou abiscoitar o primeiro lugar no desfile do Grupo 2 A - ainda sob o comando da ASESCRJ.

Já no ano de 1986 a escola levou para o desfile uma bela homenagem ao saudoso poeta popular Antônio Candeia Filho com o enredo "Candeia, Luz da Inspiração". Nova conquista. A escola ganhou o desfile do Grupo 1B e subiu novamente.

No seguinte não foi tão feliz assim. Mesmo apresentando o enredo "Lupicínio, Dor de Cotovelo" ficou em décimo primeiro lugar no Grupo Um.

"A ES Unidos do Jacarezinho voltaria aos mitos do samba em 2005, com tema enredo em homenagem ao próprio Monarco com o título" Monarco, Voz e Memória do Samba, Um Passado de Glória". Porém, ficou apenas na décima posição no desfile do Grupo B.

 

"No desfile no ano em curso a escola levou para a Intendente Magalhães o enredo "O Samba Agoniza Mas |Não Morre"". "Nélson Sargento da Mangueira e Também do Jacaré". Outra vez não bateu no bico. Jacarzinho campeã com direito voltar o no próximo ano desfilar na Marquês de Sapucaí.


E já para o Carnaval de 2013 a escola já começou aprontar o tema enredo "Puxador, Não Intérprete" homenagem das mais justas ao saudoso José Bispo Clementino dos Santos, o popular Jamelão da Mangueira.

O curioso sobre esse enredo é que Jamelão se ainda vivo fosse estaria emplacando 100 anos de vida, caberia a Mangueira homenageado com um enredo. Porém a verde - e - rosa preferiu exaltar o estado do Mato Grosso do Sul em troca de um polpudo patrocínio.

Todavia, como se diz no popular, " Quem não chora não mama", a ES Unidos do Jacarezinho já recebeu a promessa do presidente Ivo Meirelles da Mangueira de que parte do patrocínio que a Estação Primeira vai receber da prefeitura Cuiabá será repassada ao Jacarezinho para ajudar na montagem do enredo sobre as peripécias da vida do finado "Preto Velho". Melhor assim.

Apenas mais uma curiosidade: No desfile de 1970 a ES Unidos do Jacarezinho incendiou o desfile na Avenida Presidente Vargas com o enredo "O Fabuloso Mundo do Circo" de autoria do finado jornalista Mário Barcellos. E o refrão realmente que diz assim: "Sorria, meu povo, sorria/ Com Fred, Carequinha e Arrelia"... Este sofrido JCN. Então diretor de Geral de Harmonia e Carnaval montou em plena avenida até um globo da morte, que só os fortes resistiam.

Do Jacarezinho é isso ai. Uma escola de samba de porte menor, mas com talentos sem tamanho. Talvez, por causa das diferenças sociais de existam, no seio da imensa favela, a torne pequena. Mas, uma coisa é certa: nenhuma outra escola de samba possui tantos e tantos valores e talentos com a imbatível Uns idos do Jacarezinho.

Na minha época em sua Ala de Compositores despontavam gente com o popular Zé Dedão ( ganhou esse apelido porque vendia mate e refresco de limão na Praia de Ipanema deixando á mostra seus imensos pés onde o destaque eram os enormes dedões), Monarco da Portela, Nonô Biquinho, Nonô Crioulo, Marcos, Sarabanda, Rodi, Zelino, Fausto do Carmo, Escoteiro dentre outros.

Para se ter ideia da fortaleza que é a ES Unidos do Jacarezinho basta informar que a bandidagem por várias interrompeu as atividades do na quadra da escola. Mas, o samba quente e gostoso, sempre voltava com mais força.

Ave, Jacarezinho. 46 anos de luta em prol do verdadeiro samba.

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Freixo quer mudar tudo no Carnaval. Quem não arrisca, não petisca!

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 28/06/2012 19h30

Estava o JCN tentando concluir uma matéria sobre uma escola de samba que muito me toca o coração, a Unidos do Jacarezinho. De repente, não mais do que de repente, adentra ao email um convite para uma reunião de movimento com ativistas da cultura em defesa do Carnaval.

Surpreso, pois a reunião é um chamamento de um dos candidatos à Prefeitura da cidade na próxima a eleição. Não gosto de política, tenho horror a políticos, mas fui dar apenas uma olhadela no que propõe o dito candidato em favor naquilo que ele denomina "resgate da cultura brasileira.

De fato, se eleitor for, e conseguir tirar do papel de suas ideias e propostas haverá uma autêntica revolução nos folguedos carnavalescos na mui leal e histórica Cidade São Sebastião do Rio.

De cara, ele propõe criar a tão falada e esperada Secretaria de Cultura Especial, órgão que assumirá o controle da organização do Desfile das Escolas de Samba do RJ. Serão valorizados os valores, o julgamento coerente e uma correta gestão dos recursos públicos destinados às agremiações.

Bela ideia, senhor candidato. Só que no passado tínhamos a RIOTUR que era encarregada desse trabalho. Só que sua Excelência, o então prefeito César Maia, mão beijada, entregou todo o trabalho para as entidades diante dos inúmeros escândalos protagonizados dentro da própria empresa municipal. Escândalos esses que respingaram até no Terreirão do Samba.

O certo é o Carnaval ser organizado pelo governo, não pelas entidades, apesar do grande acerto por parte da LIESA. Que a prefeitura coloque funcionários, além de competentes, mas também imunes às tentações dos cargos. Ou seja: gente honesta.

A ideia desse candidato é pela preservação total da cultura. Por isso, seu projeto com relação ao pagamento de subvenção está ligado à relevância cultural dos enredos.

Diz ainda que caso uma agremiação opte em retratar uma marca, não receberá verba pública. Segundo a ideia, essa proposta não se trata de forma alguma de uma tentativa de "dirigismo temático", e sim, da busca pela gestão criteriosa de recursos para que as escolas não se tornem canais de propaganda.

Bem, nesse caso já existe no regulamento do desfile, regulamento esse produzido, pela própria LIESA, dispositivo proibitivo impedindo qualquer tipo de propaganda por parte das agremiações. De quando em vez essa ou aquela escola tenta ou burla tal dispositivo. Nesse caso é punida apenas com a perda de pontos.

Agora, deseja o senhor candidato que a escola não receba a sua fatia do bolo, que é grande, do dinheiro do Poder Público. A ideia não é de toda ruim, já que acima de tudo visa um grande apoio à nossa própria cultura. O problema será a escolha dos funcionários que vão decidir sobre os enredos.

O Projeto é longo e apresenta fatos interessantes. Um deles, por exemplo, é o retorno do projeto original do Sambódromo. Como se sabe ali naquele local onde hoje ficam as cadeiras e frisas, o professor Oscar Niemeyer havia desenhado um espaço para o povão, uma espécie de geral para o público de menor poder aquisitivo assistir o desfile. Mas, alguns espertinhos transformaram no que é hoje.

O candidato quer de volta o espaço como era no original, se não os dois lados da Avenida, pelo menos um dos lados. Para essa ideia bato palmas, pois até hoje não entendi porque e como um projeto do inspirado Niemeyer foi mexido de tal maneira. Que se dê ao povo o que de direito, pois aquele local é bem mais humano do que ficar sobre o Canal do Mangue ou em cima do viaduto e levaria calor humano ao desfile.

Outra proposta que vai dar do que falar diz respeito ao televisamento e a participação em igual condição da nossa TV Educativa nas transmissões, notadamente no desfile dos miúdos e das escolas de menor porte.

O candidato acha que de imediato deve haver o fim da exclusividade da transmissão televisiva condicionando diferentes formas de narração aumentando assim as possibilidades de apresentação do espetáculo para o público espectador de casa. Outra boa ideia.

Depois de ler e reler todo o projeto, considerei algumas coisas interessantes a ponto de riscar estancar o que estava fazendo. Seria também salutar se os demais candidatos tomassem conhecimento, pois

Quem sabe o vencedor copie algo para a sua política de Carnaval?

Que tenha boa sorte o candidato, mas considero difícil suas ideias serem aceitas num todo.

Mas, como dizia minha saudosa vovózinha: "Quem não arrisca não petisca". Tenho dito.

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Liesa e Lierj agora estão unidas para salvar o espetáculo

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 21/06/2012 17h45

Aqui mesmo no SRZD.com (coluna de 25/05) antecipei que a poderosa LIESA e a novata LIERJ deveriam selar um pacto de ajuda mútua com relação á organização dos desfiles das escolas de samba dos Grupos Especial e de Acesso no tríduo momesco do próximo ano.

Não bateu no bico. Na terça- feira (19/06) rolou o início desse pacto para salvar e realizar grande espetáculo. Jorge Castanheira, o popular Jorginho da Liga, pintou na reunião da LIERJ onde foi muito bem recebido pelo presidente da entidade, Déo Pessoa.

Apesar de nada ter ficado acertado entre os dois dirigentes, ficou claro que a presença do Jorginho no plenário da LIERJ, e diante das agremiações dos Grupos de Acesso A e B, foi para começar clarear algo.

O fato é que o impasse ainda permanece diante da decisão do nosso alcaide - mor Eduardo Paes em não reconhecer oficialmente a ES Inocentes de Belford Roxo como a campeã do desfile do Grupo de Acesso no Carnaval do ano em curso.

E tem mais: sem esse reconhecimento ou não por parte da Prefeitura será impossível qualquer tentativa começar organizar os desfiles de 2013. Já risquei e volto a riscar: na hora H sua Excelência dará o dito pelo não dito e a escola da Baixada vai mesmo desfilar na elite do samba.

Todavia, surge um grande problema para o senhor Prefeito: fazendo isso apenas secamente sua credibilidade vai pro brejo com seus eleitores. Como estamos na boca da eleição e o senhor Eduardo Paes é candidatíssimo à reeleição isso seria um autêntico "tiro no pé"

E para não ficar numa "saia justa" com os eleitores, pois apregoou abertamente que não reconheceria o resultado, que os julgadores apontaram o senhor mandatário da cidade fica na moita.

Para as escolas de samba, principalmente a Inocentes de Belford Roxo, foi uma maravilha a presença do Jorginho na reunião da LIERJ. Ele disse diante ali estava para somar e aplaudiu entusiasticamente o empenho das agremiações em busca de uma melhoria do espetáculo.

Jorginho ainda acrescentou que a poderosa LIESA está á disposição da LIERJ para funcionar como interlocutora junto ao Poder Municipal em busca uma solução rápida do impasse, pois o Carnaval já está na rua.

Esse encontro do Jorginho com o presidente Déo Pessoa somente aconteceu por causa da demora de uma decisão do senhor Prefeito. Insisto que o senhor Eduardo Paes tomou diante das lambanças que rolaram no julgamento do Grupo de Acesso como um capricho ou de interesse político. Se quando anunciou que não reconhecia a vitória da escola da Baixada, tivesse deveria ter de imediato apresentado a opção da Prefeitura, nada desse qüiproquó estaria acontecendo.

Por tudo, isso o Jorginho, observando que os dias estão se passando e nada de surgir uma solução, resolveu entrar em ação com o apoio de todas as escolas de samba do Grupo Especial. Alguém até já criou um site destinado em apoiar o desfile do Especial com 14 escolas de samba. Para ser sincero hoje, nem seu sei quantas escolas estão relacionadas para o desfile de domingo e segunda-feira gorda e tampouco sei o total delas nos Grupos de Acesso A e B.

Faço sim, coro com o cidadão Rômulo Ramos, Diretor Geral de Harmonia do ES Unidos do Porto da Pedra, que é favorável a criação de uma Secretaria Especial de Carnaval com poderes para criar e colocar em prática uma política carnavalesca no que diz respeito a tudo, principalmente os desfiles das escolas de samba. Sem distinção de grupos.

Não basta reformar ou construir quadras. É preciso que o sambista volte ter confiança e apoio do Poder Público, aqui no caso municipal e estadual. Lembro o surgimento da LIESA foi pelo fato das coisas erradas feitas pela RIOTUR da época.

Hoje, a LIESA é sem sombra de duvida a grande organizadora e realizadora do Carnaval do Marquês de Sapucaí. Recentemente mostrou sua competência ao reconstruir, em tempo recorde, os barracões de Portela, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha d Governador incendiados. Enquanto isso a Secretaria de Obras ainda não terminou com a obra do Sambódromo e as quadras continuam esperando pelo bom e necessário acabamento.

É claro que também se exige competência, seriedade e transparência em todos os sentidos por parte dos dirigentes tanto das escolas de samba como das entidades. Não pode também é existir um órgão da envergadura da RIOTUR para acompanhar e somente participar dos eventos como mero "bicão" só agindo bem quando participa dos convescotes sejam na LIESA ou das próprias agremiações. Ou seja: só vão para comer e beber. Isso sem falar nas trapalhadas que sempre acontecem quando da distribuição das credenciais da imprensa.

Salutar a presença do Jorginho na reunião da LIERJ. Que venham outras reuniões. Vamos tentar salvar o espetáculo. Se não possível, pelo menos melhorar o seu nível. 

Tenho dito.

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Império Serrano: trinca promete escola grande novamente. Jorginho está fora de tudo.

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 19/06/2012 12h16

Mesmo ainda meio alquebrado reuni forças e fui conhecer a nova quadra do Império Serrano, recém- inaugurada sob o rufar dos tambores imperiais e das trombretas do senhor alcaide Eduardo Paes.

Na verdade, as obras estão como quase obras da atual prefeitura são inauguradas nessa corrida eleitoreira do senhor prefeito inacabadas. Foi assim com a quadra da Portela, Imperatriz Leopoldinense, Viaduto de Madureira. E na até badalada Transoeste está assim mesmo. Tudo para acabar depois.

No Império Serrano não poderia ser diferente, pois nem a obra da portaria principal foi concluída. O que levou a diretoria improvisar uma entrada onde antes da "obra" existia a portaria de saída do público. E em outros locais na quadra é notória a falta do bom, esperado e imprescindível acabamento. Aliás, qualquer incauto está cansado de saber que o acabamento é tão importante quanto à própria obra executada.

Mas o imperiano não enverga e foi á luta organizando dentro de tais condições a sua famosa feijoada. Procurei por lá a famosa Trinca de Ouro anunciada presidente da escala só que não os encontrei. (falo disso abaixo).

Sobre a parte musical e os artistas - Arlindo Netto e Alex Ribeiro - que agora estão comando da parada não têm nada para comentar já que prestei pouca atenção no palco.

O presidente Átila Gomes, (conversamos rapidamente) a que tudo indica quer porque quer trazer a ES Império Serrano á realidade do samba atual. Tanto isso é verdade que já colocou em pratica uma série de medidas visando o aproveitamento integral da nova quadra - recém reinaugurada - o AG voltou suas vistas para uma coisa de há muito se ressentia o samba da Serrinha.

Ao se decidir ouvir quem por direito dentro da escola, o mandatário imperiano põe água na grande fogueira política que o Império Serrano sempre viveu; bem como também resgata e traz de volta uma era de ouro da escola. Átila elevou a consultores técnicos da agremiação três feras de um passado que o imperiano de verdade jamais esquece.

Arandi Cardoso dos Santos, o popular Careca, Sérgio Amaro Gomes, que não é outro senão o grande Jamelão, outrora emérito passista e depois mestre-sala e Valdir Sampaio dos Santos, o Carola. O trio é remanescente da época de ouro quando o Império Serrano tirava onda na avenida. Época da famosa Ala Sente o Drama e dos "endiabrados " Peles do Samba".

Agora a participação do trio nessa nova fase imperiana será do projeto "Comportamento Imperial Carnaval 2013" cuja finalidade maior será levar a escola de volta para o seu verdadeiro lugar no samba. Ao que consta haverá uma verdadeira revolução em tudo na forma imperiana de ensaiar, cantar e sambar na quadra, ensaios técnicos e no próprio desfile oficial.

Finalmente aparece alguém que pensa como foi o Império Serrano desde quarenta e sete. Um Império colecionador de títulos e com desfile memoráveis que fazia até o turista chorar. Até um tetra campeonato essa escola conquistou.

Sempre considerei a ES Império Serrano verdadeiro uma verdadeira essência e celeiro de bambas. Em sua quadra surgiam a todos instantes renomados passistas, MS, PB, ritmistas e compositores de raro talento e valor. De repente essa escola vira um saco de pancadas e perde toda sua banca de inovadora e campeã.

Risco porque freqüentei e muito a famosa Serrinha. Desci subi as suas muitas ruas, vielas e becos. Tudo levado pelas mãos do notável Washington da Penha. Foi na época em que o JCN ainda não havia bebericado famoso leite de onça sob o frondoso jequitibá do samba em Mangueira. Mais precisamente no final da década de 50.

Está certo o nosso bom Sérgio Jamelão quando diz que a escola apanhou muito e nenhuma outra diretoria reconheceu a experiência de imperianos veteranos. Agora chegou o momento de resgatar essa responsabilidade e buscar valores dentro da própria escola

O JCN só lamenta que esse trio bem que poderia ser um quarteto. Bastaria apenas que o Jorginho Sempre do Império se juntasse ao grupo. Mas pelo que sei isso é quase que impossível de acontecer face á incompatibilidade reinante entre o JAC e o Careca. Conheço ambos desde bebezinhos. Sempre amigos e quase irmãos. De repente, não sei o motivo, deixaram de se falar e hoje são totalmente antagônicos dentro e f ora da escola.

Aliás, dentro da escola não, pois da feijoada que ajudou criar e até bem pouco tempo era o show principal, me disse o presidente Átila, o Jorginho Sempre do Império está fora. O samba-show da feijoada agora é capitaneado pelos jovens cantantes Alex Ribeiro (primogênio do saudoso Roberto Ribeiro e Arlindinho Neto.

Sou do tempo que ambos - Careca e Jorginho - eram amigos de fato e juntos inovaram, principalmente criando o passo marcado no samba através da imorredoura Ala Sente o Drama. Essa ala fazia tanto sucesso que até para exterior viajou. Sua coreografia, sempre original, foi copiada por todas as demais escolas de samba da cidade, numa autêntica "febre mania". O pior de tudo é que ambos não dão chance para ninguém tocar no assunto saber o motivo de tamanha rusga.

Nem mesmo, como espalharam dentro da escola, a suspeita da participação do Careca no triste episódio das camisas negadas ao Jorginho para o desfile da escola, fizeram ambos se manifestar sobre o fato nada vezes nada.

No Império Serrano, segundo o Mestre Careca, brotam os talentos e as outras levam. "Por isso, vamos inovar sobre o comprometimento, peça chave para a redenção futura. O presidente Átila nos deu essa grande oportunidade e vamos passar o conhecimento que aprendemos durante todos esses anos para dirigentes e componentes imperianos", enfatizou Careca.

Já no seu livro "CONSTITUI - SAMBA", escrito nos idos dos anos 90, (livro esse que este JCN teve a honra de riscar o texto de apresentação), Arandi Careca dá um verdadeiro show de conhecimento de samba ao analisar quesito por quesito com extremo conhecimento de causa.

Para ter um a ideia da qualidade do livro basta informar que o Centro Cultural da LIESA, depois de todos esses anos, resolveu assumi-lo. O Dr. Hiram da Costa Araújo, titular do CCL vai riscar um livro totalmente didático em cima daquele escrito pelo Careca há mais de vinte anos.

Diz o Careca no seu livro: " Escola de samba deve caracterizar na verdadeira acepção da palavra " escola" - estabelecimento de ensino e, na escola de samba, não deve ser apenas um local de utilidade pública de divertimento, mas também, de transmitir os ensinamentos dos segmentos necessários a formação de uma escola de samba, sua estrutura, as mais variadas funções dos dirigentes e componentes. até o papel que desempenharão na Avenida".

Pelas declarações e informações do Trio de Ouro, o Império Serrano voltará ser uma escola de samba tocada e com a participação de quem realmente goste ou venha gostar da verde - e- branca da Serrinha. Desfilar só desfilar, doravante não vai representar mais nada. Tem é que amar a escola.

Agora só falta começar praticar tudo isso dentro do próprio Império Serrano. Se a Trinca de Ouro conseguir colocar pelo menos parte de tudo isso em prática de imediato, teremos um Império renovado e brigando para voltar ser grande novamente. Pelo visto

Ave, Império Serrano.

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Pilares: fanatismo como enredo é coragem, ousadia e desafio

Redação SRZD | José Carlos Netto | 11/06/2012 11h44

Ainda criançola lá na minha pequena Ubá (MG), ouvia muito os mais velhos dizer que o sentimento de FANATISMO (Ilusão, erro ou tenacidade de fanático; facciosismo partidário; excessivo zelo em matéria de religião; adesão incondicional uma doutrina; paixão cega e ardente por uma pessoa ou coisa; dedicação exagerada), é coisa ruim para gente.
Por anos a fio fiquei com isso intocado na minha mente. Os anos se passaram e o JCN foi aos poucos entendendo que as cabeças pensantes da cidade estavam cheios de razões.

Realmente o FANATISMO é radicalismo puro que mais parece uma doença crônica ou degenerativa, tal são as coisas más e ruins que produz. Ser fanático é pensar em nada a não ser no objeto do seu desejo imediato.

Risco tudo isso em função de acabo de ler aqui no nosso www.srzd.com, a boa sinopse do enredo da ES Caprichosos de Pilares, que justamente vai exaltar o fanatismo através da história da humanidade.

Através da fala do seu presidente César Thadeu essa agremiação apresentará no seu desfile de 2013, no Grupo de Acesso, o enredo intitulado "FANATISMOS - ENIGMA DA MENTE HUMANA".

Então a pergunta fica no ar: por que exaltar, cantar e sambar o FANATISMO se tal coisa é tão nociva para a humanidade? É uma indagação que somente o primeiro mandatário da CP poderá responder.

Não deixa de ser uma ousadia e um ato de coragem apresentar um enredo tão negativo assim, na expressão da palavra fanatismo. Na sua interpretação, fanatismo e só negatividade.

Pilares garante o presidente César Thadeu só apresentará o lado bom do FANATISMO. "Trata- se de um tema divertido e atual, e de fácil compreensão e que nos abrirá um leque de possibilidades", mandou o presidente.

Li com a devida atenção o texto da boa sinopse. E acabei ficando com uma ligeira impressão que deve ter sido escrito por um psiquiatra ou alguém conhecedor demais da matéria. Não sei é esse o caso do excelente pesquisador de enredo Marcos Roza, para quem rendo tributo pela qualidade do texto e informações nele contidas.

Na verdade, a sinopse está escrita não em condições coloquial, mas em mais para científico, pois cita vários aspectos da mente humana. Tudo numa linguagem altamente científica e até histórica, pois traz a tona Deuses da Grécia antiga, astecas e divindade indiana, melhor riscando.

Sinceramente, apesar do tema enredo, ter agradado de montão na comunidade da escola, acredito que haverá dificuldade para alguns compositores riscarem o samba. Será um grande desafio, crê o JCN.

Cita lá na sinopse: no avanço da mente humana o objeto desejo é sempre notório na vida. É assim que foi obsessivo amor de Cleópatra e Marco Antonio e a saga amorosa que ligou a rainha de Sabá ao Rei Salomão. Visto assim o enredo diz que tudo isso foi fanatismo provando mesmo que por amor se morre ou quando não se mata.

A sinopse mistura ainda uma gostosa "estória" de Cornélio, o cara que tirou a traição de letra ao destacar que o "amor é cego" mostrando que ser "corno" não é motivo para tragédia.

Mas trágico mesmo é a história ou lenda de Medéia que envenenou seus próprios pirralhos em ou sem razão de um amor não correspondido por Jasão. Na literatura e em peças teatrais isso foi sucesso absoluto. Como também é o caso do amor de Tristão por Isolda,

Das histórias, que todos nós conhecemos, Marcos Roza vai fundo citando exemplos do temível Conde Drácula, que se revoltando contra Deus vira um amaldiçoado e acabou gerando todas as lendas em torno do seu nome que nos fazia tremer de medo em nossa infância. Também o trágico caso de amor de Romeu e Julieta ganha destaque no enredo da CP, pois foi gerado em função de uma fanática rivalidade entre duas famílias

Na verdade, para a ES Caprichosos de Pilares, o fanatismo, embora seja uma coisa mais para lado negativo, apresenta coisas que poderão render um bom enredo.

No Brasil tupiniquim temos vários fatos e exemplos, que bem poderiam sem encaixar no enredo da escola. Quem, por exemplo, da minha faixa etária não foi fanático por um passe do grande Mestre Zizinho no meio-gramado; um drible de Garrincha ou um sem-pulo de Pelé ou defesas de Moacir Barbosa e Carlos Castilho.

Não existe coisa mais fanática nesta cidade do que um torcedor de futebol. Seja ele flamenguista, vascaíno, tricolor ou botafoguense. E ainda existe gente curte um fanatismo sem tamanho pelo América, e até pelo São Cristovão.

Quem não lembra o fanatismo que envolvia a rixa em entre os fãs de Emilinha Borba e Marlene. Isso só para citar alguns tipos de fanatismo dos quais o brasileiro é bem chegado.

Pode-se citar fanatismo por escolas de samba. Sou de uma época havia fanaticos que existiam por essa ou aquela escola de samba. Mas, desde que saudoso Nelson de Andrade trocou á presidência da ES Acadêmicos do Salgueiro para ser o presidente da nossa Portela e depois Mestre Laíla trocou este mesmo Salgueiro pela Beija-Flor de Nilópolis o samba passou ser totalmente mercantilizado praticamente acabou o fanatismo no meio.

Existiu sim, um fanático: Seu Natalino José do Nascimento, o Seu da Natal era tão fanático pela Portela que consta jamais ter visitado outra co-irmã. Para o Natal escola de samba só existia a Portela e tudo de melhor que existia nas outras agremiações ele conseguia levar para a azul - e - branca de Osvaldo Cruz.

Hoje o sambista troca de escola como troca de camisa e para todas as escolas que vai declara amor eterno. Ainda parodiando o poeta popular "fanatismo vou pô-lo no colégio interno" (Acertei no milhar - Wilson Batista e Geraldo Pereira)

Ainda temos o chamado fanatismo religioso. Do lado mundial tal fanatismo é mais do que terrível, basta lembrar o fanatismo islâmico que em nome de uma religião comete uma série de atrocidades pelo mundo afora.

O fanatismo político representando por Adolf Hitler e seus seguidores que pregavam e matavam em nome daquilo que julgavam ser a supremacia da raça ariana.

Aqui no Brasil esse fanatismo se resume em uns poucos seguidores e praticantes da Umbanda e do Candomblé e pastores e freqüentadores das muitas igrejas evangélicas ou talvez até nas igrejas católicas.

É bom o JCN riscar que conhece religiosos que de fato amam, no bom sentido, a sua religião seja ela umbanda, candomblé, igreja católica ou evangélica. Amar uma religião não chega ser fanatismo e sim, achar que esse amor faz bem dentro de si.

Um exemplo vivo do fanatismo religioso é a mística que se criou pelo Nordeste afora em torno do " Padim "Pade Ciço". Numa região castigada pelas intempéries da natureza e abandonada pelo Poder Público, Padre Cícero Romão virou Deus que a todos acudia e protegia.

O fanatismo em forma de violência também impera de montão por aqui, principalmente em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo. Lembro o famoso caso policial da "Fera da Penha", que matou e queimou o corpo de uma garotinha só para saciar seu fanatismo por uma paixão proibida. E ao longo do noticiário da chamada imprensa sensacionalista todos os dias fatos semelhantes chegam ao nosso conhecimento.

Só discordo do pesquisador Marcos Roza quando ele afirma que fanatismo é uma doutrina da raça humana ou uma febre fanática de alguns. Na minha humilde opinião, o fanatismo não é nenhuma fraqueza de nós humanos, é sim, uma coisa que se apodera das pessoas que já nascem com índole ruim.

O importante em tudo isso é que CP está com disposição de transformar uma coisa que é considerada nefanda que é o FANATISMO, em um carnaval alegre e divertido. Faço votos que o carnavalesco Amauri Santos tenha bastante inspiração para criar lindas fantasias e alegorias e os compositores da escola possam chegar juntos com um belo e descritivo e melodioso samba enredo.

Afinal a Caprichosos de Pilares tornou-se querida e popular através de temas enredos curiosos e até então nunca mostrados como foi o caso de "Moça Bonita não paga", o popular "A Feira" em 1982. Depois veio o enredo "A visita da nobreza do riso a Chico Rei num palco nem sempre iluminado", em 1984 e finalmente "E por falar em saudade" no ano de 1985.

Todos esses enredos são de autoria do consagrado carnavalesco Luís Fernando Reis e fizeram dos Caprichosos de Pilares uma escola de ponta, embora nunca tenha abocanhado nenhum caneco.

Por tudo isso minha curiosidade é tamanha. Carnaval é um momento de cantar e sambar com alegria redobrada. Exaltar o fanatismo é desafio, ousadia e vai precisar de coragem e muita criatividade.

Boa sorte, Pilares.

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Wantuir: sem lenço, sem documento, não pode!

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 31/05/2012 14h01

Foto: Reprodução de InternetConheço o cantante Wantuir há uma pá de anos. Acho vai nisso uns 30 anos ou mais. O  conheci no extinto "Pagode do Leão", uma balada, samba de alta qualidade que o grande José Petrus, o popular Zinho da Paulistinha, comandava na também extinta quadra da ES Estácio de Sá,  que ficava ali encostadinha na famosa Vila Mimosa (antiga Zona).

Já naquela época Wantuir despontava como um baita "canário". Cantava com ninguém todos os gêneros musicais, mas o samba, principalmente os sambas enredo, era o seu forte.

Negro na cor da pele, porém um cidadão altamente decente, digno, honesto e honrado, Wantuir subiu ligeirinho no samba. Primeiro como coral para o nosso Dominguinhos do Estácio virar a estrela virou. Se não estou enganado, Wantuir cantou, como segunda voz do Dominguinhos do Estácio na própria ES Acadêmicos do Grande Rio.

Dizem mesmo no mundo do samba a estrela do Dominguinhos do Estácio reluziu de fato graças ao vozeirão do Wantuir que estava frente por trás. A dupla ainda esteve junta na ES Imperatriz Lepoldinense onde foi brilho foi total. 

De tanto ser segundo Wantuir um belo dia foi ser o primeiro e único. Outra vez, se não estou pirado, foi ES Unidos do Porto da Pedra. No samba de São Gonçalo brilhou tanto que abocanhou várias premiações. Dentre outros troféus, abiscoitados está o cobiçado "Babadinho do Samba", que lhe foi entregue em 1998, na quadra da ES Caprichosos de Pilares, a pedido deste JCN, pelo saudoso Dr. Fernando Leandro, então o presidente da agremiação.

Conto também um episódio infelizmente constrangedor para o Wantuir. Foi na quadra da Capr0ichosos de Pilares, com o seu vozeirão de "quebrar lâmpadas",  o nosso Wantuir "de um banho", deixando os outros competidores no chinelo,  num concurso ali realizado para a escolha do novo "puxador "da escola. 

Mas componentes da escola, aliciados e insuflados por um dos concorrentes influenciaram e ameaçando corpo de julgadores  obrigou na desclassificação do grande vitorioso que foi o Wantuir. A pompa de "puxador" ficou então com cantante Luizito (hoje ainda na Mangueira), O mesmo Luizito passou o tempo todo do concurso agitou as massas na quadra em seu favor.

Os mais antigos costumam dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Isso é uma grandiosa verdade. Longe abater pela humilhação por que passou Wantuir logo, logo ingressou na ES Unidos da Tijuca, então a escola da moda, por causa das peripécias do carnavalesco Paulo Barros. Na Tijuca, Wantuir foi rei e reinou com absoluta humildade consolidando-se Borel na sua arte de cantar sambas.

 

Um belo dia Wantuir é seduzido por proposta astronômica da ES Acadêmicos do Grande. Na época falou - se num emprego altamente remunerado na Prefeitura de Duque de Caxias e shows e diversos pontos da cidade com cachês á aparte e uma remuneração alta da própria escola.

Durante quatro anos Wantuir cantou Caxias com a alma e o coração. Se a Grande Rio não ganhou a culpa não foi do Wantuir. Em compensação em suas brilhantes atuações a escola logrou conquistar um vice-campeonato.

Agora, para surpresa geral, a escola anunciou que mandou o Wantuir embora. Deu-lhe um bilhete azul, sob alegação que ele faz muitos shows e deseja seguir a sua carreira de cantor de samba. Palavras do novo o presidente da Grande Rio, o cidadão Edson Alexandre. Pelo menos foi isso que li no nosso site www.srzd.com.  Na vaga do Wantuir fica o garotão Émerson  Dias, que por sinal também canta o fino e bacana.

Trocando em miúdos: até o momento que este JCN entregava essa coluna o Wantuir estava desempregado, lenço e sem documento. Pela categoria que apresenta como homem e profissional não deve fica desempregado por muito tempo. Com minha experiência de tantos anos de estrada deve rolado algo mais contundente para que o Wantuir fosse dispensado assim. Aliás, a escola de Caxias parece que se desfazendo aos poucos. Ano passado foi Dudu Azevedo que foi mandado embora sem nenhuma explicação.

Mês passado a grande porta-bandeira Squel Jorgea trocou Caxias por Padre Miguel em qualquer tipo de explicação. E notem que bem que tanto Wantuir com Squel são filhos da cidade que tanto amam. Chegou aos meus combalidos ouvidos, que Mestre Ciça seria o próximo deixar o comando da bateria da escola. Se verdade ou apenas boato só tempo dirá. E tem mais: dizem também que o grande Milton Perácio também poderá o seu cargo de Diretor de Carnaval.

Sei muito bem que Caxias sempre foi um celeiro de sambista. Mas não se desarruma uma escola de uma hora pra outra sem um motivo plausível.  O que mais existe por lá são sambista e dos bons. Isso é do tempo da Cartolinhas de Caxias, Unidos de Vila São Luís estendendo-se pelos muitos blocos carnavalescos filiados oficialmente na entidade da cidade.

Cabe ao novo mandatário Édson Alexandre pensar no que está fazendo. Caso me preocupa muito com ficará a escola sem seus principais valores. Mesmo que isso seja numa velha aspiração dos sambistas caxienses que sempre exigiam mais espaços para os verdadeiros sambistas da cidade.  Como gostaria de ver o Wantuir no boca de ferro da minha Mangueira. Seria juntar o útil agradável.

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Lierj e Liesa: Ficar de atalaia nunca é demais

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 25/05/2012 19h25

O intrépido jovem sambista Déo Pessoa assumiu por unanimidade o pomposo cargo de mandatário da já então despedaçada LESGA. De imediato, e com apoio geral das escolas de samba dos grupos A e B, trocou o nome da entidade, que passou chamar- se LIERJ.

Não sei se uma simples troca de letras no nome de uma em entidade é a solução para tantas e tantas lambanças que rolaram por lá, no seu pouco tempo de existência tendo na gestão do edil Reginaldo Gomes. Sei sim, que o Déo Pessoa assumiu e garantiu seriedade e competência no exercício do cargo de presidente da LIERJ.

É claro que isso é o mínimo que se espera dele. Déo Pessoa foi presidente da ES Acadêmicos da Rocinha. Ele teve a difícil missão em substituir o empresário portelense, Maurício Mattos como presidente da Rocinha numa época muito conturbada, por várias ocorrências policiais, acontecendo na comunidade de São Conrado e adjacências.

É bom lembrar que ele está pegando, como diria o pessoal da antiga, uma espécie de "rabo de foguete", diante de recentes decisões de sua Excelência, o alcaide Eduardo Paes face ao vergonhoso resultado do desfile do Grupo A de Acesso no último tríduo momesco.

Eduardo Paes, como uma grande maioria dos sambistas não engoliram, e ainda e não aceitaram o nefando resultado, que acabou "consagrando" a ES Inocentes de Belford Roxo como campeã. O fato é que houve lambanças demais na entidade presidida, justamente pelo ex- presidente da então LESGA, também presidente
da Inocentes de Belford Roxo.

O fato do novo mandatário da nova LIERJ ainda não ter conversado oficialmente com a cúpula da Riotur, e tampouco não ser recebido em audiência pelo prefeito, não invalida suas boas intenções e disposição de colocar a casa em ordem.

O senhor prefeito Eduardo Paes vai recebê-lo quando a eleição tiver mais próxima. Ele vai bancar o "gato mestre", dando o dito pelo não dito. Afinal esse é um ano político. Basta se listar o número as obras inacabadas que a cada dia são inauguradas na cidade.

É lógico que o senhor prefeito não vai querer fiquem contra ele (candidatura á reeleição) as escolas de samba da LIERJ. Seria uma burrice sem tamanho. Só o mais tolo político cometeria tal desatino.

Não tenho poder de aconselhar a ninguém. Como não sou pago também para apresentar sugestões ao presidente da LIERJ, mas a sua primeira providência, tão logo sentou no trono, seria destituir toda á antiga diretoria por "enes" motivos.

O principal deles foi à concordância de quase todos com tudo que rolou no resultado do desfile e maneira como se portou o então presidente Reginaldo Gomes.

Uma informação: o portelense Marquinhos Fernandes já foi apeado cargo de Diretor de Carnaval da entidade e agora está desempregado. Entra para os quadros da nova LIERJ, o garotão Ralph Guichard. Este escriba, com passagem pela Rádio Tupy, vai para a entidade montar uma verdadeira equipe de Comunicação e Imprensa. Coisa  que lamentavelmente o radialista Miro Ribeiro da Rádio Manchete, não soube fazer ou faltou competência para tal. Pelo se vê a limpeza na LIERJ já começou e ainda vai pegar muita gente.

Só o presidente do Olivier Pelé da ES Acadêmicos do Cubango de Niterói, foi contra a lambança. Os demais presidentes colocaram os rabinhos entre as pernas, e ainda por cima deram apoio aos desmandos praticados pelos julgadores escolhidos pelo cidadão Reginaldo Gomes.

Outra decisão mais do que acertada seria o Déo Pessoa se livrar das escolas do Grupo B de Acesso. Que elas voltem para a sua entidade de origem, no caso a 

sua entidade de origem, no caso a Associação das Escolas de Samba (AESCRJ), onde segundo consta já existe até um processo cassação do presidente José Eduardo, o popular Zé Orelhinha. Que a nova entidade fique apenas com as escolas de samba ali filiadas. Isso seria meio caminho aberto quando ele for falar com o senhor alcaide.

Por fim lembro que na década de 90 foi fundada também uma entidade paralela á poderosa LIESA. Foi a LIESGA, presidida pelo então deputado federal Paulo de Almeida, também na ocasião presidente da LIESA. A escriba Teresinha Monte era a vice-presidência da entidade. Mas teve vida curta essa bendita entidade porque surgiram os mesmos escândalos no que diz respeito ao julgamento tal aconteceu agora na LESGA.

Portanto, Déo Pessoa abra bem o teu olho, pois ai mesmo nos quadros da LIESRJ, já existe gente começando querer jogar contra. Fique também de atalaia, pois o douto prefeito já prometeu anteriormente "mundos e fundos" para as escolas de porte menor e até agora "neris".

Por outro lado, li e reli com atenção redobrada atenção a excelente entrevista (publicada aqui no www.srzd) do nosso sempre Jorginho da Liga sobre o futuro da entidade que terá eleição agora. Jorge Luís Castanheira disse que está precisando descansar um pouco, mas se preciso for continuará no batente. Contudo deixou escapar que poderá aparecer até minutos antes da votação uma chapa pleiteando o posto.

Mais uma vez vou riscar: todos nós sabemos da situação do Jorginho dentro da LIESA. Ele está por lá desde primeiro presidente da entidade que foi o finado Dr. Castor de Andrade. Ora, meus bons e fieis Internautas, sabemos também que é impossível se encontrar um nome atualmente no samba em condições reais para ser o presidente da LIESA.

Por medida de ética não cito esse ou aquele futuro pretendente. Mas os nomes que andei ouvindo pelo samba afora são certos que não vejo em nenhum deles um cidadão (ã) á altura para o espinhoso cargo.

A grande verdade é que a LIESA vive um momento difícil em sua trajetória. Sem os bicheiros, que num passado não muito distante, fizeram da entidade um órgão de real valor financeiro e até politicamente falando, elevando espetáculo da Marquês de Sapucaí ao mega- show que é hoje, a coisa fica um tanto que complicada.

Jorginho lembrou ainda que a LIESA recronstruiu em tempo recorde os barracões na Cidade do Samba da Portela, União da Ilha e Acadêmicos do Grande Rio, que haviam sido incendiados em novembro do ano passado.

Então cabe uma perguntinha para o amigo Jorginho da Liga: por que então a LIESA não assume também a conclusão das obras no Sambódromo, já que a prefeitura deixou tudo estacionado no meio do caminho? Se a LIESA teve condições para começar e terminar com as obras na Cidade do Samba, pode perfeitamente acabar com aquilo que o senhor prefeito começou e nunca demonstra capacidade para terminar no Sambódromo.

Daqui do meu cantinho, acredito que Jorginho e o Déo Pessoa deveriam selar uma espécie de pacto pro samba para evitar futuramente situações constrangedoras como foi a "vitória" da ES Inocentes de Belford Roxo no último Carnaval.

E podem anotar: o senhor alcaide da mui leal e abençoada cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no último minuto do jogo vai inocentar, sem paródia, a escola da Baixada mantendo a validade do estranho "resultado" do desfile.

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Harmonia para principiantes ou não..

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 18/05/2012 18h54

Um certo compositor da nossa MPB num dos seus muitos momentos de pura inspiração, certa ocasião riscou com muita propriedade: "É impossível escrever sem cultura ou algo sentimental". Ao receber de presente do escritor e professor Julio Cesar Farias o livro " HARMONIA DE ESCOLA DE SAMBA - TEORIA E PRÁTICA"  ainda estou até agora com essa assertiva deste o velho autor na cabeça.

Trocando em miúdos: o compositor quis dizer é que ninguém pode escrever algo sem conhecimento de causa ou sem algo de muito sentimento no coração. O professor Julio, que num texto saboroso e primoroso que nos coloca dentro e fora da passarela de desfile afirmando textualmente que o quesito Harmonia representa mais do oitenta por cento do sucesso ou não de uma escola de samba na apresentação na avenida.   Isso é uma verdade cristalina.

O livro em si é portentoso ao narrar detalhes míninos e máximos do que é uma boa Harmonia de escola de samba. O JCN diria que o livro está mais para didático do que para uma obra de literatura. Não fosse o cidadão Julio Cesar Farias um emérito escritor.   

Eu disse escritor, não emérito Mestre de Harmonia. Por isso a frase deste velho compositor citada lá em cima agora é outra vez lembrada e serve como parâmetro, embora paradoxalmente.

O professor ainda teve a gentileza de autografar o livro para este JCN com os seguintes audaciosos dizeres: "Para o amigo mangueirense José Carlos Netto, esperando que goste deste exame feito no quesito fundamental para o sucesso de nossas escolas de samba, arte exercida por poucos especialistas e da qual o amigo é mestre. Saudações sambisticas’".  

Professor, o conceito MESTRE não cabe o para uso próprio deste sofrido JCN.  Fui apenas um fiel discípulo dos ensinamentos, durante mais de quarenta (40) anos, do saudoso Mestre Xangô, desde velha quadra do EC Cerâmica ao Palácio do Samba em Mangueira. 

Ainda não encontrei tempo suficiente pra ler o citado livro num todo. Mas ás página que li já me dão conta antecipada da dimensão do seu conteúdo final. São soberbos os detalhes citados no livro. Todo mundo no samba sabe a perfeita Harmonia é aquela e que sincroniza, sem erros ou falhas. canto e ritmo. Isso é o trivial, é claro.

Só que o JCF mostra uma Harmonia muito mais além. E rende homenagens para velhos mestres percussores da velha Harmonia do samba. São citados com destaque Mestre Xangô da Mangueira, Casemiro Calça Larga( Salgueiro), Mestre Antonio Fuleiro dos Santos (Império Serrano) e Valdir 59 (Portela), dentre outros  

Até um bom glossário sobre Harmonia é inserido no livro para que, esses pobres moços aventureiros de hoje aprendam o que ainda não sabem.. O jovem escritor risca textualmente que,  Harmonia como está no Manual dos Julgadores da LIESA é bastante simplista e totalmente ultrapassado. 

"A Harmonia de hoje é aquela arte de saber onde e quando algo não se harmoniza em qualquer segmento da agremiação. É também saber distribuir, ordenar e, acima de tudo saber comandar com humildade. Em ensaios, reuniões ou desfiles, pois o trabalho de Harmonia é um dom divino".  Depoimento do Diretor de Harmonia, Rômulo Ramos Araújo (hoje na ES Unidos do Porto da Pedra).

Uma Harmonia hoje é tudo na montagem de um carnaval de escola de samba.  Conceituando Harmonia no Carnaval, o professor descreve com rara perfeição as várias acepções da palavra nos vários dicionários da língua portuguesa.

E tem ainda apresenta depoimentos importantes com o do Mestre Laíla da Beija-Flor e citações sobre os antigos seminários de Harmonia promovidos pela nossa SORDHESRJ. 

Enfim o livro é um deleite para conhece ou não de Harmonia. O nosso JCF teve o cuidado em separar o joio do trigo ao explicar como funciona uma Harmonia de hoje tanto nos ensaios técnicos na Sapucaí como na própria quadra e desfiles, e como força decisiva na organização do carnaval.  

Existem "diretores" de Harmonia que não sabe que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. São "compradores ou ganhadores de camisas ‘‘ ou aqueles que costumam dizer  " vou sair na Harmonia de lá para dar uma força".

Sei que o professor Julio não teve a intenção de se arvorar com grande expert em Harmonia. É aí que novamente entra o verso do grande LR. Como pode uma pessoa, mesmo sendo um emérito escritor de uma matéria que nada tem a ver com Harmonia de samba pode escrever uma obra prima de tamanha envergadura?

Aliás, antes desse livro, o grande carnavalesco e também professor Luís Fernando Reis riscou uma matéria sobre Harmonia. O LFR é citado no livro do JCF por causa de desse belíssimo trabalho publicado no antigo site Carnavalesco. " O que é um Diretor de Harmonia" é título da matéria do LFR, que no final considera Harmonia antes de tudo é BOM SENSO.

O quesito Harmonia, na expressão da palavra, é responsável por MS e PB, Evolução, Conjunto, Comissão de Frente, Bateria, e Samba Enredo, tendo ainda de supervisionar se as fantasias e as alegorias estão nos trinques.  Para bom um bom entendedor isso deveria bastar na definição do quesito Harmonia. Só que temos entendedores de araque, que se misturam na escola somente no momento me que a boa jibóia é esticada na Avenida. 

Considero ambos os professores estão cheios de razões no que tange ao quesito Harmonia. Vou um pouco mais além riscando que é realmente muito difícil ser uma boa Harmonia na atualidade do samba. Na verdade temos uns poucos bons Harmonias. 

Por isso sou favorável uma revisão nos conceitos de julgamento de Harmonia em todos os grupos,  pois na verdade Harmonia é tudo num desfile de escola de samba. 

Além do bom senso, muito bem colocado pelo professor Luís Fernando Reis, um Harmonia deveria somente se apresentar como tal após ser comprovado sua competência para exercer o cargo.

Mas lamentavelmente os presidentes da maioria das escolas,  só contratam  " gregos e troianos"  para tão espinhoso cargo.  Gente que chega á escola com marra e cheio de banca. Logo, logo se observa trata-se de um "pé de chinelo" que nada entende do conceito Harmonia,  memoravelmente dissecado no brilhante livro do professor Julio.   

Os resultados de tais contratações todos nós vemos ano após ano. Primeiro nos chamados ensaios técnicos. Depois numa dimensão maior, nos próprios desfiles oficiais.  

Para fechar a coluna: quem desejar uma boa leitura ou quem o assim desejar fazer um cursinho de Harmonia é só fazer contato direto com, o professor Julio Cesar Faria através do email: profjcfarias@gmail.com.  Garanto que se o fiel leitor fizer contato ele simplesmente vai babar.  

Avisando aos Internautas Zappa e o Fábio O. Santos  que ainda estou com a caneta cheia de tinta nas mãos. Não sou xerife de coisa alguma, pois se assim fosse procederia a uma cruzada em regra cem cima dos falsos "Harmonias" que conheço e que pululam pelo samba pra afora.                         

O site SRZD.com é referência sim no noticiário de samba, pois preza muito pelo lado restritamente profissional, diferente de alguns outros sites ou programas de rádios que divulgam o que bem entendem e a interesse próprio.

Será que o bom fiel leitor e blogueiro do nosso site SRZD.com sabe que é o quesito Harmonia hoje representa tudo, responsável pelo sucesso ou não num desfile de escola de samba? Se souber, opine. Se não sabe apenas saboreia a leitura do livro do professor Julio.

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Troca-troca

Redação SRZD | José Carlos Netto | 07/05/2012 17h11

O notável escritor Aníbal Machado riscou com muita categoria o conto "A Morte da Porta - Estandarte", que em 1975, acabou virando enredo da ES Imperatriz Lepoldinense, se não estou enganado. É mais do que lógico do que vou riscar agora não tem nada a ver com o conto do saudoso AM. A menção do seu conto serve e apenas de parâmetro para que este velho e sofrido cronista deslanche o início dessa matéria.

No mencionado conto, o imortal escritor mineiro descreve uma história triste e ainda chamando atenção para a situação do negro naquele Rio de antão e lamenta a morte da figura graciosa e lépida de uma Porta-Estandarte (nome inicial dado as portas - bandeira nos primórdios do samba)

A parada é seguinte: tenho acompanhado aqui mesmo pelo www.srzd.com a dança das cadeiras de mestres-salas e porta-bandeiras. Eles ficam num tal de pula-pula de uma escola de samba para outra sem menor cerimônia com essa ou aquela agremiação.

Agora mesmo acabo de ler que a grande Squel Jorgea assinou contrato com a ES Mocidade Independente onde já declarou amor eterno, jurando solenemente defender o pavilhão verde - e - branco com unhas e dente até com próprio sangue, se assim for necessário.

A título de curiosidade é necessário lembrar que a nossa Squel (que na vida real é neta do saudoso Xangô da Mangueira) passou catorze (14 anos) defendo o pavilhão da ES Acadêmicos da Grande Rio, onde segundo tenho informações era tratada como uma autêntica lady inglesa do próprio de Palácio de Buckingham. 

Squel não foi porta-bandeira apenas de uma escola de samba, no caso Acadêmico do Grande Rio. Squel Jorgea foi porta- bandeira da cidade inteira de Duque de Caxias. Era assim que este JCN via essa moça que traz a força e a tradição do samba nas veias. 

E mais, dizem que na Grande Rio ela tinha tudo do bom e do melhor.  Nessa escola também havia jurado amor eterno. O que levou então ela lascar de mala e cuia para Padre Miguel?  Só posso acreditar que os recentes acontecimentos policiais, que culminaram com a troca no comando administrativo da Acadêmicos Grande Rio, tenham colaborado para tal.

O caso da Squel não é o único. Várias outras portas - bandeiras e mestres-salas fazem o mesmo. Uns pela eterna luta pela sobrevivência da vida. 0utros por simples desentendimentos ou por não terem alcançado a bendita nota máxima, que é o único propósito para uma escola de samba ainda ter um casal dentro do desfile.

Uma coisa é certa: o casal de mestre-sala e porta-bandeira ideal é aquele que bate a nota máxima em todos os julgadores. Não bateu o sonhado e cobiçado 10 em pelo menos em dois anos de desfiles, é trocado de imediato.

A atuação do casal é uma questão de dever de casa. Isto quer dizer que a escola chega à avenida com a grande certeza que o ponto máximo está garantido. É claro que existem os casos de injustiça, quando certos julgadores pecam e erram descaradamente com aquele ou esse casal.

Ultimamente temos assistido no samba carioca esse nefando troca-troca de mestre-sala e porta-bandeiras. sem que os trocados ou novos conquistem a nota máxima. Mas certos presidentes insistem nessa pratica. O resultado pode ser visto no mapa dos julgadores do último Carnaval bem como nas suas justificativas.

Num universo de 13 escolas de samba desfilando no Marquês de Sapucaí (Grupo Especial), somente três ou quatro casais obtiveram o galardão máximo. É muito pouco diante do custo que fica para se colocar mestre-sala e porta-bandeira na avenida. É uma pequena grande fortuna. Acho que por isso acontecem tantas exigências e cobranças para cima do casal.

Em algumas escolas de samba esse custo quase chega ao valor de toas às fantasias de uma ala de baianas. crianças ou até mesmo da bateria. O fato é que pseudos estilistas, que não passam de meros costureiros, sapateiros e até lojas fornecedoras de tecidos especiais para as fantasias de um casal de MS e PB, costumam fazer aquilo que no popular se chama esfolar as escolas sem dó nem piedade. E mais plumas, paetês e miçangas. Isso sem falar na tradicional e boa verbinha que muitos recebem das escolas.

Na década de 70, depois de uma rusga séria com então presidente da Portela, o popular Carlinhos Maracanã, a grande Vilma Nascimento lascou da escola. O CTM artimanhoso como ainda o é, tratou de se garantir.  Rapidinho foi para Associação de Escolas de Samba e lá conseguiu aprovar que á partir daquele ano o quesito MS e PB não mais contaria pontos. 

O temor do Carlinhos Maracanã era que Vilma Nascimento fosse contratada por uma escola rival e lá batesse como sempre o fez, a nota máxima. Isso. no entender do CTM, poderia tirar a Portela da disputa do primeiro lugar.

Todo mundo no samba caiu de pau em cima do Carlinhos Maracanã. Este JCN riscou então na centenária Gazeta de Notícias, que aquilo era um mais duro golpe que samba levava. Hoje confesso: não ficaria contra se uma medida idêntica fosse aprovada pela LIESA. 

E explico: por que será que a cada ano as escolas gastam horrores com o casal e quando não abiscoitam a nota máxima são colocados no olho da rua? E o que mais estranho: alguns desses casais são de imediato contratados por uma agremiação do mesmo grupo com autênticos "salva pátria".

E pensar que existe em pleno funcionamento, aqui no Rio,  uma escola especializada na formatura de MS e PB; A Escola de Mestre-. Sala e Porta Bandeiras, sob o comando do negão Manoel Dionísio. Funciona há vinte anos, todos os sábados, ali nas bocadinhas do Sambódromo 

Sinceramente fica difícil de se entender uma situação tão paradoxal como essa. Um casal tira nota baixa em uma escola, mas semana depois é contratado a peso de ouro por outra escola. Uma coisa é certa: ou certos presidentes não apresentam nenhum tipo de noção de administração ou gostam do pior para sua escola.

Nada contra a nossa Squel Jorgea trocar Caxias por Padre Miguel. Afinal das contas na escola da Zona Oeste ela vai ocupar o posto que um dia foi de Babi, Lucinha Nobre, Soninha e Janaína, lídimas detentoras da arte dos rodopios no samba da popular DP.  

Querida Squel Jorgea, este JCN continua na sua torcida. Sucesso e boa sorte, como dizia sempre o seu saudoso vovô.

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Ed Miranda: baluarte e realizador

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 02/05/2012 16h40

Baluarte, realizador, honesto, humano, amigo fiel, cana- dura, quando de sua época de policial, um pai extremoso e acima de tudo um mangueirense mais do que fiel. Um apaixonado pela Estação Primeira de Mangueira. Esse é perfil do cidadão Ed Miranda Rosa, que acaba de lascar para tristeza de familiares e amigos dentre os quais este JCN se inclui com muita honra.

Como policial Ed Miranda Rosa não teve macula. Ele foi da antiga Guarda Civil criada ainda por Getúlio Dorneles Vargas, o chamado "pai dos pobres"

Este JCN é suspeito para riscar sobre a vida de um homem cujo caráter não tinha jaça e sua palavra valia mais do qualquer documento assinado em cartório. 

Ed Miranda Rosa viveu todas as fases do samba carioca. Já década de 30 estava em Mangueira lado a lado de bambas como Cartola, Geraldo Pereira, Carlos Cachaça, José Ramos e tantos outros.

Em Mangueira fez parte do grupo que fundou a famosa ALA DOS PERIQUITOS, que até os dias de hoje continua firme com os seus ideais e tradições defendendo sempre o pavilhão verde - e - rosa.

Quando o presidente JK levou a nossa capital para Brasília, EDM foi transferido para a boa Polícia Federal, mas continuando lotado no Rio de Janeiro. 

Na qualidade de meganha federal participou da fundação da CASA DO POLICIAL, entidade cujos quadros ele chegou por várias vezes a ser o presidente, inclusive atualmente estava no cargo.

Mas a grande paixão do papai Ed (era assim que o JCN o chamava) era mesmo a Mangueira, quadra que freqüentava sempre. Dizem mesmo os mais antigos que no carnaval ele se arriscava em desfilar de passista protegido por uma grande peruca para evitar problemas na sua corporação. 

Por ter sido um samango da pesada, Ed Miranda Rosa passou ser requisitado para "leão- de- chácara" dos muitos eventos da ocasião. Foi justamente quando o conheci e comecei conviver com ele.

Foi no clube de baile Estudantina Musical, que fica ali na boa e velha Praça Tiradentes. Por ser menor de idade eu não podia entrar para bailar alegremente, conforme minha vontade.

Ed Miranda Rosa era o principal da casa "leão - de - chácara" e sempre estava pronto para ajudar seu amigo Manoel dos Santos, o proprietário da Estudantina. Acho que a única vez que vi o seu Ed transgredir foi mandou eu subir e sentar em sua mesa, mas não bebericar nenhum tipo de bebida alcoólica.     

Quis o destino que anos depois este JCN, na qualidade de presidente de uma Assembléia Geral de uma eleição para presidente da Mangueira, dessa posse ao senhor Ed Miranda Rosa como primeiro mandatário da Estação Primeira.

Logo após virei seu principal assessor e junto de sua diretoria conseguimos construir a antiga quadra que acabou dando origem ao atual Palácio do Samba. Lembro que a obra foi financiada pelo Banco de Campina Grande sendo seu principal acionista o ex-jogador Pelé, que inclusive esteve em Mangueira por ocasião do lançamento da pedra fundamental da obra.  

EDM não ganhou nenhum desfile como presidente, mas dois anos depois de deixar o cargo passou ser o presidente da Ala da Velha Guarda da Mangueira, cargo que ocupava cumulativamente como de primeiro mandatário da Associação das Velhas Guardas Das Escolas De Samba do Rio de Janeiro.

Cumprindo o seu lema de realizador, Ed Miranda Rosa também deu uma sede par AVGESRJ. Foi após assumir o cargo de presidente diante do falecimento do seu Armando Santos da Portela. Ed simplesmente trocou todos os ingressos que tinha direito no camarote na Sapucaí. Com esse dinheiro comprou uma casa caindo aos pedaços no eixo Piedade/ Abolição e hoje aquilo que era uma casa velha é hoje a sede da entidade.

Por catorze anos Ed Miranda Rosa presidiu a AVGESRJ. Inclusive, apesar dos seus 95 anos de idade, acabara de ser reeleito presidente. Não tenho mais palavras para falar desse homem que em vida foi um grande exemplo para muitos dirigentes atuais do samba carioca. Se a metade desses dirigentes tivessem o carisma e o talento como tinha Ed Miranda Rosa o samba não estava na pindaíba que está

Descanse em paz, Ed.

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Bebê de 47

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 28/04/2012 14h45

Foi com um grande desagrado que tomei conhecimento do afastamento do grande Jorginho Sempre do Império da sua escola de samba. E o motivo foi o mais bobo possível.

Átila Gomes, o atual mandatário do Império Serrano, teria negado para o filho do Mano Décio da Viola camisas para que ele e alguns familiares e amigos desfilassem na escola. 

Ora, meus amigos, Jorginho Sempre do Império era um bom apresentador e um cantor impar na feijoada imperiana. Ele ainda representa hoje, já quase beirando mais de sessenta e lá vai fumaça, um Império Serrano que não volta mais. Um Império Serrano de tantas e tantas conquistas e glórias sem igual. O Império Serrano da verdadeira coroa imperial.

Para que o Internauta entenda, até mesmo da tradicional feijoada, que ajudou á fundar e manter no auge, ele se sentiu afastado. Jorginho Sempre do Império, como qualquer ser humano apresenta carradas de erros e defeitos. Qualquer imperiano de verdade, não o de fé, sabe e conhecem muito todos eles e muito bem.

Mas ninguém das comunidades da Serrinha, Cajueiro, Juramento, São José, Fazedinha, Vaz Lobo, Madureira e adjacências, podem negar um fato líquido e certo: Se existem OS MENINOS DE 47, Jorginho do Sempre do Império pode e deve ser considerado como o BEBÊ DE 47.

A explicação é simples: quando tinha apenas poucos anos de vida, Jorginho Sempre do Império foi levado, ainda de calça curta e um chupetão na boca pelas mãos do seu velho pai. Mano Décio da Viola, e assistiu em lugar privilegiado á reunião na Rua Balaíada, casa de Dona Eulália, a reunião de fundação do glorioso Império Serrano. Portanto, além do mais é também fundador da escola. Só por esse motivo está por merecer um ato pro Jorginho dentro do Império.

Dentro do Império Serrano, escola que conheço como á palma de minha mão, rolaram em outras épocas certos episódios visando macular o nome deste imperiano de verdade.

Em uma ocasião, Jorginho Sempre do Império, se juntou ao finado Joãosinho Trinta e juntos com os outros abnegados do samba fundaram a ES Acadêmicos da Rocinha. Que hoje é uma realidade no samba carioca,

Isso foi motivo de mil e uma fofocas dentro da escola de samba de Madureira. O mínimo falado que se Jorginho Sempre do Império ele era "um " vira casaca", "um mercenário" e outros "elogios" próprios de sambistas invejosos.

Depois veio o episódio de sua passagem pela ES União as Ilha do Governador, Jorginho Sempre do Império foi parar por vários uma delas motivos, inclusive sentimentais. Mas nunca esqueceu ou tirou o Império Serrano do coração.

Finalmente foi novamente tenazmente criticado pelo fato de usado o seu prestígio para filiar a ES Unidos do Porto da Pedra na AESCRJ quando o presidente desta entidade era o saudoso Jorge Gordo. Na verdade, Jorginho Sempre do Império prestou sim, um grande serviço ao município de maior população do Rio de Janeiro. 

Os milhão e pouco habitantes de São Gonçalo até hoje agradecem ao JAC por essa interferência favorável na ascensão "sãogonçalalense" á elite do samba no Rio de Janeiro. Não fosse ele o Unidos do Porto da Pedra estaria até hoje desfilando na Praça Zé Garoto, mais popular de São Gonçalo.

O estranho nesses episódios do Jorginho que não apareceu ninguém para sair a seu favor. Nem mesmo o seu antigo companheiro da famosa Ala Sente o Drama falaram nada. A Ala Sente o Drama, para quem não manja, foi uma ala de passo marcado (270 componentes) que encantou multidões e fazia turista chorar nas décadas de 60/70. 

Essa bendita ala foi fundada pelo Jorginho Sempre do Império juntamente com o Arandir Careca. Mais tarde se juntou aos dois o notável passista e depois MS Sérgio Jamelão para a criação do Trio Os Peles do Samba. Esse trio não só era atração máxima em shows, ensaios, apresentações como também no próprio desfile imperiano.

Cito ainda que no Carnaval de 1996, Jorginho Sempre do Império foi o "puxador "  do samba enredo" Verás Que Um Filho Teu Não Foge Á Luta". E por incrível que pareça, o Império Serrano conquistou um honroso sexto lugar, melhor colocação da escola nos últimos anos. Depois só levou porradas. Sem O JCA no boca de ferro, até para o grupo da poeira já foi rebaixado diversas vezes e ainda lá está até hoje.

Risquei todo esse babadinho para mostrar ao fiel leitor os dois lados da moeda do samba, onde erros e defeitos são vistos como crimes hediondos. Já os feitos ninguém aparece para lembrar. Mas no momento da negação de uma simples camisa ao JAC, os possíveis erros e defeitos deste imperiano de verdade pesam na balança. Julguem vocês mesmos, Internautas e fieis leitores.

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Mangueira: a arte de cantar, sambar e chorar

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 20/04/2012 16h23

Foto: DivulgaçãoNão era minha intenção de riscar nada sobre Mangueira. Ocorre que esse é o mês justamente que ela emplaca mais um tempo. Manda então a boa ética profissional, que nenhum cronista de samba que se preza pode ignorar a data da fundação de uma das maiores academias de samba deste planeta chamado Brasil.

A Mangueira está emplacando oito ponto quatro de uma existência, onde foram tantos títulos e glória que chega ser difícil para este velho e sofrido mangueirense enumerá-los corretamente e cronologicamente falando.

Deixo para outra oportunidade riscar algo sobre o lado político. Isso porque em Mangueira rola uma "guerra" pelo poder, que em nada vai ajudar á chegada da escola ao cobiçado caneco. A coisa está mais do que nebulosa por lá. O certo seria compor - se uma grande união, para que a velha Manga possa voltar aos píncaros da glória.

É claro, que em caso de acontecer mesmo á eleição no dia 28/04 (data do aniversário da escola), o JCN já tem o seu candidato. E como não sou dado a rodeios, maquiagens ou subterfúgios, pretendo declarar pessoalmente, o meu voto para o meu preferido e sufragado na urna.

Abrindo o meu velho baú descobri que Mangueira é a escola de samba mais cantada pelos muitos cancioneiros da nossa MPB, de fora e dentro da escola. Foram tantos que assim o fizeram, que escolher esse ou aquele foi uma tarefa complicada. Músicas de todos os estilos, e todos e variados gostos. Todas ligadas na rica história mangueirense, que hoje, só nos traz infinitas e saudosas recordações.
As histórias roladas em Mangueira são tantas, que somente um livro com várias e várias paginas poderia abrigar suas lendas, fatos, verdades e mentiras onde o samba, quente e gostoso, é sempre a marca registrada durante todos esses anos.

Houve também tempo em que a escola viveu épocas de pindaíbas. Numa delas chegou ser ridicularizada pelas demais escolas, sob alegação de que a verde-rosa usava fantasias do ano anterior nos desfiles dos anos corrente.

Só conhecendo bem sua história posso eu lembrar que essa acusação, na verdade, era um tremendo debique e de mau gosto, e provocação por parte das chamadas co-irmãs.

Compositores populares entraram nessa pendenga. Herivelto Martins, (mangueirense confesso), nos momentos em que deixava de lado as brigas com a grande Dalva de Oliveira, compôs antológico "Lá em Mangueira’’, cuja letra e a melodia, livre e espontânea, são primores da MPB, e até hoje deixa os mangueirenses extasiados.

Essa música diz no exato aquilo que Paulinho da Viola e Hermínio Belo de Carvalho riscaram anos mais tarde no samba. "Sei Lá Mangueira", que seguiu a mesma trilha daquilo que Herivelto Martins riscou em 1947.E Herivelto riscou: "Lá em Mangueira/aprendi a sapatear/Lá Mangueira/ Aprendi a sambar/É aprendi que o samba tem o seu lugar/ Foi lá no Morro/ Com luar e um barracão/ Lá eu gostei de alguém/ Que me tratou bem/ Eu dei meu coração/ No morro à gente/ Leva a vida que quer/ No morro gente, gostei de uma alguém/ Quando a gente/Deixa o Morro e vai embora/ Quase sempre chora".

A paixão de Herivelto Martins pela Mangueira ou pela cabrocha, a quem lhe deu o coração, sem que a Dalva de Oliveira soubesse, fez com que ainda riscasse assim: "Tenho saudades da Mangueira/ Daquele tempo/ Em que batucava por lá/ Tenho saudade do terreiro da escola/ Eu sou do tempo do Cartola/ O que há?/ Eu sou do tempo em que malandro não descia/ Mas a polícia no morro também não subia..."

A Mangueira até hoje deve a Herivelto Martins um enredo - exaltação em sua homenagem. Somente por causa da sinceridade e clareza dessas simplórias, mas definitivas músicas.

Ainda ano de 1947, os compositores Aldo Cabral e Benedito Lacerda riscaram um samba, senão despretensioso, como também bastante sentimental e emotivo.Senão vejamos: " Em Mangueira na hora da minha despedida/ Todo mundo chorou, todo mundo chorou/ Foi pra mim à maior de minha emoção vida/ Porque em Mangueira o meu coração ficou/ Quis falar aos amigos que me abraçaram/ O soluço. porém. minha embargaram/ E os mesmos olhos na minha tristeza sem fim/ No meu silêncio falaram por mim/ A maior emoção que tem nesta vida/ É a dor que assinalava uma triste partida/E foi esta emoção que também já senti/ E nunca mais de Mangueira esqueci".

Talvez tenha sido por inspiração em tais poesias que fez aflorar na massa encefálica de Paulinho da Viola e Hermínio Belo de Carvalho uma luz divina para juntos comporem o antológico " Sei lá Mangueira: "Visto assim do alto/ Mas parece um céu no chão/ Sei lá.../ Em Mangueira a poesia fez um mar, se alastrou/ E a beleza do lugar, pra se entender/Tem que se achar/Que a vida não é só isso que vê/E um pouco mais/Que os olhos não conseguem perceber/ E as mãos não ousam tocar/ E os pés recusam pisar/ Sei lá não sei.../ Sei lá não sei.../ Não sei toda beleza de que lhes falo/Sai tão somente do meu coração/Em Mangueira poesia/ Num sobe e desce constante/Anda descalça ensinando?Um modo novo de a gente viver/Sei lá não sei, sei lá não sei não/ A Mangueira é tão grande/ Que nem cabe explicação".

Nos tempos da pindaíba, um compositor, dos melhores da nossa MPB, autor de um montão de sucessos de Carnaval e fora dele, chamado Pedro Caetano riscou um samba que em muito mexeu com os brios do mangueirense. Pedro Caetano, que era paulista da cidade de Bananal, compôs uma música afirmando que a Mangueira só vivia de cartaz: "Mangueira/ Onde é que estão os tamborins, ó nêga?/ Viver somente de cartaz não chega/Põe as pastoras na Avenida, Mangueira, querida/ Antigamente havia grande escola/Lindos sambas de Cartola/ Um sucesso de Mangueira/ Mas hoje o silêncio é profundo,/ E por nada deste mundo/ Eu consigo ouvir Mangueira".

O fato é que houve uma época que "cantar" Mangueira era garantia de sucesso certo. E, foi como se contra dizendo o grande Pedro Caetano, que os compositores Mirabeau e Milton de Oliveira dedicaram à Estação Primeira o lindo samba" Fala Mangueira, uma espécie de amor declarado: " Fala Mangueira, fala / Mostra a força de sua tradição/ Com licença da Portela/ Favela Mangueira mora no meu coração/ Suas cabrochas gingando/ seu tamborim repicando/ É monumental/ Estou falando da Mangueira/ A velha Mangueira tradicional".
Os compositores de Mangueira estavam quietos. Mas não adormecidos. Tanto que se armaram para fazer frente aos absurdos que diziam que a escola só vivia de cartaz ou aplaudir os sambas emotivos de exaltação que colocavam á velha Manga nos píncaros.

Mestre Cartola. como de hábito, saiu na frente e dedicou a todos coisas de real valor poético e lírico. Com uma simples frase em tom de humildade, Cartola perguntou lá do alto da colina com muita propriedade de um grande mestre: "Habitada por gente simples e tão pobre/ Que só tem o sol que a todos cobre/ Como podes Mangueira, cantar?/País então saiba que não desejamos mais nada/ A noite tem a lua prateada/ Silenciosa ouve as nossas canções/Tem lá no alto um cruzeiro/onde fazemos nossas orações/ e temos orgulho de ser os primeiros campeões/Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora/ E as escolas até choram/ invejando a tua posição/ Minha Mangueira essa sala de recepção/Aqui se abraça inimigo/ Como se fosse irmão’’.

Da humildade á contestação, Mestre Cartola colocou seu "carro da rua". Agora já sem a modéstia de antes, ele assim cantou " Mangueira é muito grande/ Dá galhos para todo lado/ E os frutos que dá/ Todos são aproveitados/ Vem gente de muito longe/ Para vê se é verdade o que ouvem dizer/ Em vêm artistas/ Do exterior, até turistas/ Só para ver o que a Mangueira/ Sambar como nossas cabrochas ninguém/ A Mangueira, minha gente, dá galhos para todo lado/ E oferece a semente". O fato é que Mestre Cartola quis mostrar ao mundo uma Mangueira forte, varonil e fomentadora do samba em sua essência. Não aquilo que o Pedro Caetano cantou.
Tocados pela magia da poesia do mestre, outros compositores da Mangueira também saíram em defesa do pavilhão verde- e- rosa. Jorge "Zagaia, dono de um incrível vozeirão, tratou de mostrar a sua glosa:" A Mangueira/ não morreu/Nem morrerá. Isso não acontecerá/ Tem o seu nome na história/ Mangueira tu és um cenário/Coberto de glória... "

No auge da euforia, Seu Zé Ramos chegou considerar a Mangueira como a capital samba, e assim cantou: " Chegou à capital do samba/ Dando boa noite com alegria/ Viemos apresentar/O que tem/ Mocidade, samba e alegria/Nossas baianas com seus colares/e guias..."

Este mesmo Seu Zé Ramos foi mais além ao lançar o seu "Jequitibá do Samba": "Mangueira que dá em doido é jequitibá/ Deixa a Mangueira passar/ Balança cabrocha/Embalança Mangueira/ Õ, ô, ô, ô, ô, ô, o jequitibá do samba chegou/ Mangueira é uma floresta de sambistas/ Onde o jequitibá nasceu/ Veio o fogo e queimou/ veio o vento e tombou/ o machado e jequitibá ficou..."

Quase todos os compositores cantaram Mangueira como amor e devoção, Uns mais outros menos. Um certo Osvaldo Vitalino de Oliveira, que não foi outro senão o notável Padeirinho, fez a sua parte cantando assim:" Sabem que eu sou? Eu sou a Mangueira/ Mais conhecida como Estação Primeira/ Na avenida sambo pra cidade/ Seja onde for/ Todos sabem que sou madeira/ Quando eu chego lá na avenida/ Sou aplaudida porque sou a maioral/ Entre Todas sou a mais querida/ E quem duvida venha ver meu carnaval"

Mestre Gato ( Eu agora sou feliz) não deixou por menos e assim se expressou: "Quem chegou foi a Mangueira/ A rainha do carnaval / Eu estou chegando agora/ Com meu povo tradicional/ Podem falar de mim a quem quiser/ Eu sou a Mangueira estou de pé..."

A dupla Comprido e Pelado não fez por menos mandando assim na antiga quadra do E. C. Cerâmica: "Estamos aí/ Mangueira tem fortes raízes/ E não pode cair..."

Até mesmo quando o inteiro teor de um samba era o amor, o compositor mangueirense encontrava um jeito para incluir Mangueira na sua inspiração. Foi isso que fez Jurandir, o popular Dante da Candelária, ao lançar ainda no início dos anos 60, o seu inesquecível Palácio Encantando: "Meu palácio encantando/Meu barracão de madeira em Mangueira/ E essa vida que tanto amo/Dedico a minha companheira/ Sempre com teus olhos tristonhos /A me esperar como em sonhos/Eu encontro em Mangueira/ Sou feliz onde vivo/ Em Mangueira/ a vida é assim..."

Mas um dia essa companheira tão declamada pelo Jurandir virou a cabeça e foi embora. Ele então, no auge de sua frustração amorosa e no mesmo ripe assim cantou: "Minha companheira foi embora/ A solidão veio comigo morar/Já não tenho mais os lindos sonhos/ Nem ninguém a me esperar/ Quando me lembro/ Dos seus olhos tristonhos/ Tenho até vontade de chorar/ Já não me dá mais prazer contemplar o luar/ Pelos buracos do teto meu barracão? Hoje estou magoado e ferido no coração/ E até essa vida que tanto amo, sinto que está chegando ao fim/ Meu barracão de madeira lá em Mangueira/ Sem ela não é nada para mim..."

O compositor Mauro Pereira era morador na antiga Favela do Esqueleto, depois transferida para hoje onde é a famosa Vila Kennedy. Mauro teve pouco tempo de Ala de Compositores, mas suficiente para nos legar uma das mais belas paginas do cancioneiro da escola. Mauro Pereira cantou assim, lá por volta também da década de 60: "Verde rosa pra mim/Vou sambar em Mangueira/ Verde rosa pra todos nós/Pedaço da nossa bandeira/ Ó Rosa/Venha ver teu samba/Em homenagem/ a Mangueira/Terra de gente bamba..."

O poeta mangueirense era tão genial que até na morte ele encontrava inspiração para compor coisas da mais alta expressão: Pelo menos foi o que fez o rabugento, mas competente Nélson Cavaquinho no seu "Pranto de Poeta". Observem a sua genialidade e sinceridade: " Em Mangueira/Quando morre/ Um poeta/ Todos choram/Vivo tranquilo/ Em Mangueira porque/Sei quem alguém/ Há de chorar/Quando eu morrer/ Mas o pranto em Mangueira/ É tão diferente/É um pranto sem lenço/Que alegra a gente/Hei de ter alguém/ Pra chorar por mim/ através de um pandeiro /Ou de uma tamborim".

No final dos anos 60 resolveram fazer um concurso em Mangueira para a escolha do samba-hino da escola. Várias foram as inscrições. Veio gente de todo o lugar. De Caxias surgiu um tal de Hélio Cabral, que alvoroçou a quadra com um samba simples, porém de um enorme conteúdo poético. Na sua simplicidade, Hélio Cabral oriundo da ES Cartolinhas de Caxias, onde acabara de emplacar o samba enredo" Benfeitores da Humanidade, (mais tarde gravado por Jamelão e Martinho Sempre da Vila) cantou e o morro ouviu, gostou e aplaudiu: "Mangueira tem um grande plantio de bambas/ Que dá o fruto/ Saboroso chamado samba/ Que é gostoso e faz bem/ Eis a razão porque de para ano a Estação Primeira evolui/ Sirva-se á vontade/ Quem faz o convite é a grande campeã/ Mangueira não pode parar/ Mangueira não pode falhar/ Mangueira faz hoje o sambista de amanhã..."

Só no que concurso estava a também a dupla Aloísio Augusto da Costa e Enéas Brites, dois compositores originalmente do morro. A Comissão julgadora não teve para onde correr. E sem pestanejar consagrou o samba da dupla do morro como samba hino da Mangueira: "Mangueira teu cenário é uma beleza / que a natureza criou/ O morro com seus barracões de zinco/ Quando amanhece que esplendor/ Todo mundo te conhece ao longe/ Pelo som de teus tamborins se o rufar de teus tambores/ Chegou oh, oh, a Mangueira chegou oh, oh/ Mangueira teu passado de glória/ Está gravado ma história/ É verde e rosa a cor da tua bandeira/ Pra mostrar a essa gente/ Que o samba é lá em Mangueira".

Depois de ser considerada como rainha, a mais querida, palácio encantando, capital do samba, jequitibá do samba, e tudo mais, Mangueira chorou quando Mestre Cartola assim se despediu da escola: "Todo o tempo que eu viver/ Só me fascina você,/ Mangueira/ Guerreei na juventude/ Fiz por você mo que pude,/ Mangueira/ Continuam nossas lutas/Podam-se os galhos/Colhem-se as frutas/ e Outra vez se semeia/ e no fim desse labor/Surge outro compositor/ Com o mesmo sangue na veia/Sonhava desde menino/ Tinha um desejo felino/ De contar toda a tua história/ Este sonho realizei/ Um dia a lira empunhei/ E cantei todas tuas glórias/ Perdoe-me a comparação/ Mas fiz uma transfusão/Eis que Jesus me premia/ Surge outro compositor/ Jovem de grande valor/ Com o mesmo sangue na veia".

Em Mangueira ainda é assim. Todos cantam, sambam e choram ao mesmo tempo. É isso que faço agora comemorando esses 84 anos dos quais vivi muito mais do que a metade.

Parabéns, Mangueira.

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Obra de igreja

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 04/04/2012 12h52

Quando o JCN era um bebezinho lá em Ubá (MG), costumava escutar do meu pai e também de familiares uma história espantosa. A história não tem nada tem a ver como a atual situação das obras em algumas nas quadras das escolas de samba. Mas conto-a para traçar um paralelo, meio paradoxal é claro, com a atual situação.

A história é a seguinte: Existe no centro da cidade de Ubá a Igreja de São Januário, (onde fui batizado) hoje remodelada e acolhendo féis a cada ato religioso que ali se realiza. Mas, houve uma época que não era assim, Os fiéis da igreja fugiam como daquele templo fosse um lugar profano.

Isso porque aconteceu dentro da igreja um fato senão inusitado (contavam meu pai e meus familiares) como profano. Um coroinha da igreja se encantou por uma filha de Maria da congregação. Esconde daqui, esconde dali, aquele amor e namoro pecaminoso, eis que num belo dia, o coroinha desvairado de paixão, consuma seus desejos com a inocente e virginal filha de Maria, atrás da sacristia da igreja.

Aquilo ecoou com um grande escândalo. Os protagonistas do acontecido eram familiares de gente importante e tradicional da pequena cidade.

A solução encontrada pela Arquidiocese da jurisdição, para apagar terrível aquela nódoa, foi demolir a velha igreja e em seu lugar construir um nova no mesmo local da que iria abaixo.

Para demolir foi mole. O problema foi á construção do novo templo. Durou essa construção, anos e mais anos. Fez jus literalmente o que se chama hoje em dia como "obra de igreja", pois atualmente ainda não está acabada de todo, apesar de terem se passado décadas.

É o caso das obras que a Prefeitura do Rio que executou, executa ou vai executar em algumas quadras como Portela, Imperatriz Lepoldinense, Mocidade Independente, Salgueiro, Caprichosos de Pilares, Império Serrano, Mangueira. As obras caminham a passos de tartaruga.

Aliás, não sei o motivo, que Em Cima da Hora, Arranco e Unidos de Lucas, cujos terrenos são próprios, não estão no listão do senhor alcaide para execução de obras. Na década de 70, o então prefeito Marcos Tito Tamoio da Silva ao cobrir várias quadras não fez nenhuma distinção entre grandes ou pequenas agremiações. Cobriu todas.

Até parece que estou implicando politicamente com sua Excelência. Mas não é esse o caso, levando- se conta que as obras no Sambódromo e no Terreirão do Samba estão longe de suas conclusões.

Exatamente quando faltavam pouco menos de quarenta dias para a boa jibóia ser esticada na Avenida, estive visitando a sede da LIESA. Lá, em conversa, com o presidente Jorge Castanheira lhe disse textualmente: "A obra do Sambódromo não ficará totalmente pronta para o desfile". Aquela minha assertiva caiu como uma bomba. O bom Jorginho ficou apavorado, e disse: "Como JCN? A LIESA já vendeu até os ingressos. Como eu vou ficar? Respondi de prima: "O jeito é você devolver o dinheiro ou então sumir na poeira, pois vai ter muita gente querendo lhe aplicar uns bons petelecos"

Na ocasião também vaticinei que a obra no Terreirão do Samba ficaria pela metade. Quem compareceu ao Sambódromo ou ao Terreirão do Samba pode constatar se o JCN errou ou acertou em seu prognóstico.

O que foi pior: nenhum presidente de escola de samba reclamou ou protestou pela demora da obra na Avenida. O mesmo não fez os barraqueiros, que até uma associação representativa tem lá dentro do Terreirão do Samba. E o mesmo não fazem agora os presidentes em cujas quadras as obras caminham com uma lentidão enervante.

Faço uma pergunta a quem de direito possa responder: Por que não agora a Secretaria de Obras não ataca as obras, em regime de mutirão, ser for o caso? As obras complementares na Passarela e no Terreirão do Samba estão literalmente estacionadas. Será que vão esperar o Carnaval vindouro ficar mais próximo para recomeçar as obras?

Apenas um pequeno detalhe: Quando governador do Rio de Janeiro, o saudoso e polêmico Leonel de Moura Brizola conseguiu construir todo o Sambódromo em  apenas escassos meses. Eu risquei todo o Sambódromo. Por que então será que a atual prefeitura não consegue construir dois módulos e dois camarotes nesse esmo prazo? Ou Brizola era um mágico?

Sobre as obras dadas pela Secretaria de Obras como concluídas devo riscar o seguinte: Nem na quadra da Imperatriz Leopoldinense; nem na quadra da Portela as citadas obras ficaram a contento dos componentes. Na Portela fizeram aquilo que se dizia antigamente: apenas um grande reboco. Já ouvi um montão de portelenses se queixando das referidas obras.

O caso é que a Secretaria de Obras, órgão da Prefeitura, encarregado das obras, precisa esperar acabar uma obra para iniciar a outra. Como se observa isso demanda tempo. O que é pior geralmente as obras que deveriam coincidir no período entre - safra do são efetuadas justamente no período que mais escolas precisam delas para ensaios, shows, reuniões e festas.

Alguém precisa observar isso. As escolas precisam é de faturar. Qualquer bate panela realizado na quadra para entrar algum carvão é lucro. Por outro lado, a maioria dos presidentes não se toca para tal detalhe. Uma quadra em pleno funcionamento a cada final de semana faz verbinha para aliviar ou pagar na sua totalidade as contas de luz, gás, telefone e até o pagamento dos empregados. Isso é fato.

Este ano é um ano político, como diz no popular, já que haverá eleição em outubro vindouro. Fico na esperança de que até e lá as obras mencionadas ganhem um sopro de rapidez. Lembro que o município Campos acaba de inaugurar o seu próprio Sambódromo, cuja obra foi executada em tempo mínimo. É claro que lá também haverá eleição e a Prefeitura local não fez por menos.

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De Mário Filho ao troféu SRZD-Carnaval - Parte 2

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 28/03/2012 13h32

Em 1974, este JCN ganhou o troféu como Carnavalesco Revelação pelo enredo que desenvolvido na ES União da Ilha do Governador, quando a escola subiu para o então o Grupo A. O guardo até hoje no casarão de Irajá na minha estante preferida.

Na poeira da Galeria do Samba, o negão Elso Macula Gomes criou o clássico "As Dez Mais Elegantes do Samba". A cada ano, dez mulheres do mundo do samba eram escolhidas e homenageadas em festas que marcaram época, pois reunia a nata de sambistas, bicheiros, políticos, artistas e o povão de um modo geral.

A primeira dessas festas rolou no ginásio do GREIP da Penha. Na apresentação da referida festa, lá estava este velho e sofrido José Carlos Netto, muito bem coadjuvado pela Vera Lúcia Correa, mais tarde a Verinha da Portela.

Com a rolança do tempo surgiram mais homenagens troféus para os sambistas..

Até o JCN criou o seu Troféu Babadinho do Samba, que inicialmente seria entregue no dia do meu aniversário (16/03) em uma feijoada que sempre faço em minha casa no bom bairro de Irajá. Todavia, por sugestão do empresário Chico Recary realizei a primeira festa nos refrigerados salões do Asa Branca da Lapa.

Confesso que fiquei espantado com a presença maciça do público e com o próprio sucesso da festa. Isso me deixou animado totalmente empolgado fui em frente, realizando a festa por dez anos consecutivos na Asa Branca e nas quadras do Salgueiro, Caprichosos de Pilares, Clube River da Piedade e casa de shows Choperia Tropical de Irajá.

Diante dos custos, sempre crescentes da festa, fui forçado interromper a sua realização. Como não tenho tino empresarial e tampouco sou publicitário ficou
impossível arrecadar verbinha para investir na festa.E também por causa do processo de escolha, Sempre fugi ao que diz respeito o júri oficial. Várias vezes fui criticado por repetir homenageados de um ano para o outro. O meu júri era minha família e alguns poucos amigos. Isso gerava alguma controvérsia, pois não se pode brigar com parentes e amigos. Para evitar maiores problemas eu respeitava solenemente á opinião de cada um.

Certa ocasião um diretor de redação, lá na A Notícia, (jornal extinto em 1998) jornal que o JCN trabalhava na ocasião, tentou em impor determinado nome para ser homenageado. Ai eu disse para ele o quanto faltava (verbinha) para eu realizar pagar
a festa. "Você ou jornal vão colaborar com quanto"? Foi bastante para ele desistir de incluir o seu apadrinhado como homenageado.

As festas do Babadinho do Samba, ou Mioleiros do Samba, como eu gostava de denominar, pararam porque o JCN perdeu o pique, e jamais teve patrocinador para bancar a mordomia que o acontecimento proporcionava para todos.

Hoje, o ambiente está entulhado de prêmios e mais prêmios para "os melhores do Carnaval". O mais antigo, sem sombra de dúvida, é o Estandarte de Ouro promovido pelo poderoso jornal O Globo.

Sobre o Estandarte de Ouro apenas uma rápida e pequena historinha: haviam acertado que uma das estatuetas seria do compositor Pelado da Mangueira. Esse acerto foi feito antes da Estação Primeira esticar a jibóia na Avenida. Veio o desfile e nada do Pelado aparecer na Avenida. Como já tinham tomado tal decisão ficou valendo o prêmio para o Pelado da Mangueira.

Como também a então a porta-bandeira Rita de Freitas ganhou esse bendito estandarte por seis ou sete anos seguidos. Não importava a escola pela qual ela desfilasse. Passou na avenida empunhando uma bandeira era ela aquinhoada com o prêmio.

Pelado, notável compositor de samba enredo, que tantas glórias deu a Mangueira, no momento do desfile estava internado em um nosocômio público e acabou lascando dias depois.

Isso mostra a dimensão de que como são feitas tais escolhas.

Temos o premio do jornal O Dia. O Tamborim de Ouro muita das vezes também comete suas gafes na distribuição de troféus, pois nenhuma escola samba que desfila na Avenida deixa de levar o seu.

Já o S@mba-Net prefere o sambista das escolas de samba de porte menor, no que faz muito bem. Também nenhuma agremiação fica sem troféu e ainda por cima distribui prêmios especiais para esse ou aquele sambista ou figurão que mais "destacou" no Carnaval. Isso agrada em cheio já que a festa da entrega dos troféus, realizadas
sempre na quadra da Unidos da Tijuca, recebe um enorme público a cada ano.

O prêmio Jorge Lanfond acontece todos os anos na quadra da E.S. Acadêmicos do Cubango, em Niterói. Esse prêmio leva esse nome em homenagem ao finado Jorge Lafond,
um negão que era uma simpatia pura e nos encantou com desfiles memoráveis, principalmente pela Beija-Flor de Nilópolis.

Existe ainda o prêmio Plumas e Paetês que visa os trabalhadores dos barracões e carnavalescos em sua maioria.

Relato ainda a AESM que criou os prêmios Corujito e Olhometro no sentido de incentivar o samba miúdo.Todos os anos as escolas mirins são agraciadas sem qualquer tipo de distinção. É uma maneira lógica de trazer os pirralhos para a realidade do samba graúdo.

Na verdade, hoje, todo mundo que têm um programinha de rádio ou coluna em jornal (hoje quase existem mais colunas de samba) e ou ainda site especializado em samba ao final de cada desfile apresenta o seu listão de premiados. Lista de premiados apresenta duas vertentes, é lógico, Muitas das vezes o premiado nem sabe o motivo porque foi premiado. O premiador, contudo, sabe muito bem o porquê do prêmio.

Tenho várias historinhas a esse respeito. A mais comum é o premiador pedir qualquer para ajudar na montagem da festa. Tenho conhecimento de gente que já trocou ingressos (para assistir o desfile e também para os ensaios), fantasias e camisas por troféus. É triste, mas é a pura verdade.

Por fim quero riscar sobre o prêmio SRZD-Carnaval. Antes explico o seguinte: ao longo da minha agitada vida pelo samba afora, sempre recusei esse lance de participar de júris. Fugia até de escolha de samba enredo, mesmo na Mangueira ou em outras escolas em que dirigi Carnaval.Na verdade evitava o máximo.

Certa ocasião, convidado pelo dirigente Haroldo do BC Império do Pavãozinho aceitei em participar da escolha do samba enredo da agremiação. Lá chegando, o bom Haroldo me entregou um prospecto de um samba dizendo o seguinte: "JCN esse é o samba que a diretoria quer que ganhe". Não prestou tal assertiva. Fiquei quieto até o momento do samba começar. Então pedi licença e fui ao microfone e disse textualmente: "Recebi da diretoria do bloco essa letra de samba com a recomendação para votar no mesmo. Faço então uma sugestão: Por que a diretoria não homologa logo esse samba me libera para apreciar as cabrochas?"

Numa outra ocasião aceitei fazer parte do júri que escolheria a rainha do Carnaval. Contudo ao chegar ao Terreirão do Samba, (local do concurso) senti um clima totalmente favorável a determinada candidata. Clima esse orquestrado por um próprio coordenador do concurso. E cheguei ser "cantado" para dirigir o meu voto para essa candidata.

Quando, essa pessoa, imaginou que eu votaria na candidata de carta marcada, conduzi o meu voto para a cabrocha Kíssia Galo, que acabou eleita rainha do Carnaval.

Eu sou assim. Nasci assim. Por isso somente aceitei o convite do escriba Sidney Rezende, porque de cara entendi a lisura do seu propósito. Fiz parte de uma equipe com gente de todas as camadas sociais da cidade, principalmente jovens. Todos profissionais do mais alto gabarito.

Os jurados do SRZD/CARNAVAL, na realidade apenas apontavam aquilo que eles consideravam como destaques em cada escola de samba. A escolha final ficava mesmo por conta dos Internautas, que através site escolheram os seus preferidos. Por isso a dualidade ou triplicidade desses ou daquele carnavalesco, diretor de bateria ou puxadores premiados.

Ocorreu também unanimidade em certas opiniões de jurados e o público Internauta como para rainha de bateria, Viviane Araújo, bateria Mangueira e o mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso da Beija-Flor de Nilópolis, puxador Gilsinho, samba enredo, passistas Nilce Fran e Valcir da Portela.

Em suma entrei e sai do luxuoso Hotel Royal Tuilp em São Conrado, com uma grande certeza: participei de um evento sério e que, acima de tudo, respeita opinião. É lógico que em todo e qualquer tipo de julgamento sempre haverá os discordantes. No caso do SRZD - CARNAVAL isso foi o mínimo. O máximo foi á emoção e alegria de cada homenageado (sem exceção) ao receber o importante e cobiçado laurel.

Resumindo: o JCN viveu um dos grandes momentos de sua vida de samba. Parecia até que eu tinha o mundo aos meus pés.Ao anunciar então a Ala Boneco de Barro da Unidos da Tijuca, como a melhor ala (unanimidade de julgadores e Internautas), minha emoção
foi ás grimpas.

E repito aqui ao pé dessa matéria o que havia escrito para o chefe Sidney Rezende: ali eu fui feliz, ali eu fui um rei.

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De Mário Filho ao troféu SRZD-Carnaval - Parte 1

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 16/03/2012 20h22

Ainda a propósito da entrega dos troféus do SRZD-Carnaval, que comove e dignifica o sambista, risco mais uma coisinha.

Só para recordar que premiação em desfile de escola de samba existe desde, que o lendário escriba Mário Filho, em nome do famoso "Jornal dos Sports", entregou ao presidente da Mangueira, Saturno Gonçalves, o troféu de campeã. Isso rolou há 80 anos atrás em plena Praça 11 de Junho.

De lá para cá, foram criados, pela imprensa, vários e vários troféus para as escolas e sua gente do samba. Ao longo de todos esses anos os mais abalizados cronistas e até alguns bicões moldaram troféus para homenagear o sambista de um modo geral.

Ao final da década de 40, e depois pelos anos 50 afora, o saudoso escriba Irênio Delgado, na época um cronista de samba de mão cheia, criou no jornal em que trabalhava, o troféu "A Noite", jornal já extinto.Irênio Delgado era um imperiano roxo. Ou melhor: verde e branco. Corria na época um forte zum- zum dando conta que o Império Serrano conquistou o seu tetra campeonato (48/49/50/51) graças a substancial ajuda dele. Verdade ou não, o fato é que a maioria dos troféus A Noite iam sempre parar na Serrinha.

O grande público passou então tomar conhecimento de talentos como Noel Canelinha, Mestre Fuleiro, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Mestre Marçal, Calixto dos Pratos. Olegária dos Anjos, primeiro destaque surgido no samba, e outros até então desconhecidos do povão.

Para contrabalançar essa situação, o também saudoso Aroldo Bonifácio embora amigo e discípulo de Irênio Delgado, criou o troféu idêntico no jornal "Correio da Manhã", jornal também já hoje extinto. Torcedor na encolha da Portela, e amigo pessoal do seu Natal da Portela, Aroldo Bonifácio tinha o cuidado especial de reservar os troféus mais importantes para á escola de Osvaldo Cruz. O troféu do Correio da Manhã fez alegria de muito portelense. O grosso dos sambistas da Portela ainda não era conhecido do grande público. Bastou o Aroldo começar distribuir pencas de troféus para viessem à tona nomes como Manacéia. Valdir 59, Mestre Tijolo e Nívia (passistas), Odila Vieira (destaque e mulher do seu Natal), Candeia, Betinho (diretor de bateria), Zé Ketty. Chatim, Picolino, Walter Rosa, Monarco, Mijinha, e tantos outros.

De fato Império Serrano e Portela eram as escolas mais premiadas da época. Para as demais só sobravam prêmios insignificantes. Outra certeza: os citados mimos serviram para alavancar os novos ídolos no samba carioca. Tudo porque tais prêmios significavam o que é hoje receber o prêmio do SRZD-Carnaval.

O fato é que o mundo do samba era bem mais romântico e cheio de charme. Ser considerado como melhor era máximo na época.Outros órgãos da imprensa, nos anos seguintes, seguiram os passos do Irênio Delgado e do Aroldo Bonifácio. Assim surgiu no "Diário de Notícias" (jornal hoje extinto), "Os Melhores do Samba", sob a chancela do finado jornalista Paulo Francisco Magalhães. O popular PF era um apaixonado pelas escolas de samba de pequeno porte e blocos carnavalescos, embora fosse um ferrenho torcedor da Unidos de Vila Isabel.

Na época considerada uma agremiação de porte médio, que cada ano descia e subia de grupos Paulo Francisco distribua seus troféus, em sua maioria para os integrantes das escolas pequenas e blocos carnavalescos. Raramente gente de escolas grande era premiada. Lugar cativo nas premiações do PF era a grande destaque, Pildes Pereira da Unidos de Vila Isabel. Pildes chegou ganhar até a faixa e coroa de "Rainha do Recreativismo".

O samba vivia um momento de apogeu. Eram festas e mais festas a cada final de semana reunindo a nata do samba em convescotes de raro esplendor. Até a extinta Associação de Cronistas Carnavalescos (ACC) escolhia e homenageava os sambistas que mais se destacavam nos desfiles.

O centenário Jornal Gazeta de Notícias, coordenado pelo falecido cronista Antônio Lemos, criou o troféu "Os Magníficos do Samba". Lembro bem que dentre os vários homenageados estava o saudoso cantor Roberto Ribeiro, então recém chegado da cidade de Campos de Goytacaz de onde viera para ser ponta-direita do Botafogo. Só que Roberto Ribeiro tinha o dom de cantar. Ele foi parar na Serrinha e dali para a avenida onde cantou magnificamente o samba enredo do Império Serrano, tendo encantando a todos a ponto de merecer o belo troféu outorgado pela Gazetinha (como era conhecido o velho periódico).

No jornal O Dia, antes do Tamborim de Ouro de hoje, os cronistas Manoel Abrantes, Carlos Martins, Ednoel Tavares e Carlos Augusto Vinhaes e José Cortês, o popular Zé Grande, escolhiam os seus melhores do samba para a entrega de troféus do jornal.O Dr. Antônio de Pádua Chagas Freitas (proprietário do jornal) e por duas vezes da então Estado da Guanabara, e seu fiel escudeiro, o hoje deputado federal Miro Teixeira eram figurinhas carimbadas na festa de consagração dos sambistas homenageados. Outros jornais como Luta Democrática e Última Hora,jornais extintos, também faziam seus listões dos melhores ao término de cada Carnaval.

As rádios também escolhiam os seus melhores. Recordo que o comunicador José Carlos Machado, através do seu programa "Lá Vai Samba". que era transmitido pela Rádio Vera Cruz homenageava também uma pá de gente do samba.

A minha memória viaja e lembro que em certa ocasião a festa foi na quadra da ES União de Jacarepaguá. Até aí tudo bem, pois dentre os homenageados estavam figuras como o Seu Natal da Portela e o saudoso cantor e compositor João Nogueira, na ocasião arrebentando com o samba "O Homem De Um Braço Só", música dedicada justamente ao popular Maneta da Portela. Só que o José Carlos Machado mandou confeccionar os diplomas em uma gráfica da Polícia Militar, que ficava dentro do quartel na Avenida Mem de Sá. Trapalhão e treteiro como é conhecido até hoje no mundo do samba, o JCM conseguiu retirar diplomas com a promessa de pagar pelo serviço dias depois. Esse pagamento, no entanto, ficou no ora veja. E na segunda - feira seguinte após a festa, vi com esses olhos, certo capitão da nossa briosa PM, cercado por meia - dúzia de praças, invadir o acanhado estúdio da Rádio Vera Cruz. que ficava na Rua Buenos Aires, em busca do vil metal do pagamento da confecção dos citados diplomas. O xará, antes, lascou na poeira e, até hoje, não sei confirmar se os benditos diplomas foram pagos ou não. Mas em se tratando de José Carlos Machado, certamente a gráfica da PM levou um tremendo beiço

Contudo não existiu nada mais cobiçado do que os melhores do programa Galeria do Samba do comunicador Rubens Gerard, que era apresentado pela Rádio Metropolitana, todos os sábados pela manhã. O mundo do samba chegava se engalfinhar (no bom sentido) para receber troféu o RG.

E ainda tinha o Grupo das Elegantes da Galeria. Tal grupo era integrado pelos grandes destaques, damas, das escolas de samba como Isabel Valença (a famosa Chica da Silva do Salgueiro), Ivanói Ferreira (Mocidade Independente), Cecília Crespo Severino e Mariazinha ( Em Cima da Hora), Edith Lanusse e Zinha Mangueira), Odila de Assis (Portela ) Olegária dos Anjos (Império Serrano) Pildes Pereira (Unidos de Vila Isabel) e outras. O Grupo tinha madrinha e patronesse á famosa Neuma da Mangueira. Além disso, Rubens Gerard escolhia ao seu bel prazer, vários sambistas para homenagear e muitos deles chegaram ao estrelato graças ao empurrão recebido na Galeria do Samba.

Um deles foi o pranteado Xangô da Mangueira, que depois de receber um troféu na Galeria do Samba deslanchou e chegou fazer relativo sucesso no mundo do disco. De fato o programa Galeria do Samba marcou uma grande época no samba. Era gostoso aquele encontro de sambistas aos sábados pelas diversas quadras das escolas de samba.

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E o bicho não deu...

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 06/03/2012 17h51

Quando dei os primeiros passos nesse fabuloso mundo do samba, o ambiente era realmente pontilhado de valores e talentos mil.

E de bicheiros, também.

Talentos e valores brotavam de montão, e não era difícil encontrar esse ou aquele bamba em quaisquer segmentos.

Em qualquer escola de samba, grande ou pequena, existiam bons dirigentes, excelentes mestres e boas portas-bandeiras, exímios ritmistas, notáveis compositores e baianas de verdade e bons sambas-enredo.

Acompanhei tudo isso e, de repente, tenho uma triste constatação: esses talentos e valores estão se acabando ou já se acabaram no samba.

Hoje, de talento e valores só temos alguns poucos compositores, mestres-salas e portas-bandeiras, passistas, ritmistas. Baianas de real valor é coisa rara atualmente no samba.

Isso sem falar em dirigentes, setor do samba onde a renovação foi para o pior.

As escolas, em sua maioria, são dirigidas por pessoas que parecem dirigentes feitos de papel de pão, pois nem em suas próprias casas eles podem dão ordens ou comandar algo.

Mas comandam essa ou aquela escola de samba.

A Mãe Natureza lançou no mundo do samba dirigentes de real valor como Juvenal Lopes, Roberto Paulino, Ed Miranda Rosa, Seu Tinguinha (Mangueira), Natal, João Calça Curta e Expedito Silva (Portela) Elói Antero Diaz e Sebastião Molequinho, João Gradim, (Império Serrano), Casemiro Calça Larga (Salgueiro), Nélson de Andrade (Salgueiro e Portela). João Severino (Em Cima da Hora, José Leite (Unidos do Cabuçu), David Corrêa (Vila Isabel), Austeclínio Silva (Aprendizes de Lucas), Amaury Jório (AESCRJ) e tantos outros.

A Mãe Natureza premiou também o samba com talentos fora de série como Cartola, Delegado, Neide, Jamelão, Xangô, Darci, Jurandir e Jorge Zagaia (Mangueira), Candeia, Zé Ketty, Manacéia, Walter Rosa, Tijolo, Nega Pelé e Valdir 59 (Portela), Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira e Noel Canelinha, Mestre Fuleiro (Império Serrano), Anescarzinho, Djalma Sabiá e Geraldo Babão (Salgueiro), Martinho da Vila, Tião Graúna, Rodolfo de Souza (Unidos de Vila Isabel), Baianinho (Em Cima da Hora) Zeca Melodia (Lucas). Jorginho Peçanha (Unidos da Capela) Quirino. Gibi e Toco (Mocidade Independente), Roxinho (Aprendizes de Lucas e Unidos da Capela) para citar apenas alguns desses valores e talentos.

O mundo do samba era feliz e não sabia. A fartura era tanta que até exportava gente.

Mas a fartura foi tanta que de uma hora para outra tudo acabou.

E de tanto que acabou, que na atualidade não resta quase ninguém. A fonte da Mãe Natureza simplesmente secou.

Na verdade, o que temos hoje são arremedos, protótipos de dirigentes, e sambistas de matéria plástica que só fazem trejeitos de sambistas propriamente ditos.

Numa análise mais cuidadosa, pode-se observar que falta valores e gente de talento em nosso samba atual.

Muitas das pessoas que agora estão no comando de determinadas escolas não carregam carisma, nem tampouco
apresentam amor por sua agremiação.

O que é mais contundente: nas próprias escolas de samba não existe ninguém em condições exatas para substitui-los.

Enquanto isso, o alcaide Eduardo Paes, já em plena campanha de reeleição, apregoa aos sete ventos o fim do jogo-do-bicho no samba.

Diz textualmente o nosso Prefeito: "As escolas de samba precisam se livrar do jugo do jogo-do-bicho". Para tanto, a prefeitura vai investir pesado. Vamos afastar essa gente, envolvida em crimes e atividades ilegais do comando do samba. O bicho só faz esconder o verdadeiro sambista".

É... Agora o bicho é o grande culpado pelo marasmo de valores e talentos no samba.

Não. O bicho nada tem a ver com esse estado de coisas. O bicho entrou no samba e acabou com muitos vícios até então existentes.

O digníssimo prefeito deveria exigir também o afastamento dos políticos do samba. Os mais antigos não esquecem que os políticos faziam o queriam no samba.

Nunca os resultados apontados pelos julgadores eram respeitados, pois os políticos, principalmente os base de governo, faziam uma espécie de intervenção branca e nunca havia rebaixamentos.

Isso com o júri sendo escolhido pela, então já complicada, Riotur.

A coisa era tão vergonhosa que apuração era processada no Quartel Central da Polícia Militar, o que não impedia de ameaças, xingamentos e agressões no local.

Por conveniência política, anos mais tarde, a Prefeitura entregou de mão beijada a organização do desfile nas mãos da Liesa.

Agora surge o alcaide Eduardo Paes querendo o bicho fora do samba. Para sair o bicho, os políticos deveriam sair também.

Se o bicho é nocivo por um lado, nada também é mais do que nocivo que um político. O mundo samba sabe disso.

Recordo, ainda na década de 70, ter ouvido do saudoso Nelson Abrahão David uma frase que me faz matutar até os dias de hoje.

Entre um papo e outro, lá no Pavilhão de São Cristovão, disse-me o Nelsinho: "O bicho veio para o samba para acabar com as roubalheiras".

Na época, essa sua frase tinha conteúdo exato pelo  que se passava em certas administrações de algumas das escolas de samba.

Lembro que a cada prestação de contas em algumas escolas, bicho pegava sempre com acusações de roubo e falcatruas.

Hoje, na verdade, nem mais assembleias de prestação de contas têm.

Por tudo isso, não creio que o bicho seja culpado de tanto pela ausência de talentos e valores no samba.

O problema é que estamos em fase de modernização e avanços em todos os segmentos de nossas atividades.

Se o samba não tiver condições para acompanhar essa era de progresso, principalmente administrativamente falando, em nada adiantará se culpar os bicheiros.

Para o samba, antes de mais nada, é preciso que apresente gente de real competência e talento para gerir o seu próprio destino.

Isso está difícil diante das dinastias de diretorias em certas escolas de samba.

Os dirigentes gostam de se perpetuarem no poder e disso não abrem mão.

Presidente de escola de samba deveria ter o seu mandato tal qual o de técnico de futebol.

Ou seja: ganhou, tá dentro. Perdeu, tá fora.

Profissionalizar é a palavra da moda. Contudo, para que isso venha a acontecer no samba, é preciso acima da vontade própria.

Será preciso aparecer novos valores e novos talentos.

Se as escolas de samba chegaram ao apogeu, que muitos acreditam que elas estão agora, é bom que diga que tudo isso começou lá atrás.

Foram àqueles valores e talentos que fizeram o samba crescer de tal maneira. As gerações futuras só deitaram na sopa encontrada.

E o que é pior: perseveram pouca coisa de bom e acrescentaram coisas ruins.

E o nosso alcaide encontrou o culpado para tudo isso:
O jogo-do-bicho.

Ao finalizar, cito que escolas de samba como: Unidos do Cabuçu, Tradição, Unidos da Ponte, Unidos do Jacarezinho, Unidos de Lucas (chegou ser conhecida com a quinta potência do samba), Arranco do Engenho de Dentro, Unidos de Padre Miguel, Lins Imperial, Tupi de Braz de Pina (extinta) e União de Jacarepaguá Unidos da Villa Rica já foram da elite do samba.

Hoje, amargam ridículos desfiles na Intendente Magalhães ou na terça-magra da Sapucaí.

Isso sem falar na Caprichosos de Pilares, que esse ano, conseguiu ganhar no desfile da poeira, e mesmo algumas escolas do próprio Grupo A de Acesso.

A culpa por terem caído tanto deve ser do bicho. Disso o nosso honrado alcaide não tem dúvida.

Conheço tanta gente que não concorda com opinião de sua Excelência.

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Reflexões: chutando o balde

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 23/02/2012 20h16

Ainda alquebrado depois de adentrar três (03) noites e madrugadas, quase não encontro forças ou vontade para riscar algo sobre o que vi e ouvi na avenida. 

Isso acontece também diante de tantas e tantas "proezas" vistas e pelos resultados enfim.

Deslizes em resultados de desfiles de escola de samba sempre aconteceram no Rio de Janeiro ou em qualquer parte desse imenso Brasil poderoso.

Ocorre que o povo de uma maneira geral não dava muita bola para esse ou aquele "roubinho".

Lá atrás se ouvia apenas, antes e depois de cada apuração, que  "o carnaval fora roubado".

No Carnaval de 1960, a coisa foi tão longe que não restou ao Departamento de Certames (a RIOTUR da época) senão consagrar cinco (05) escolas como campeãs. 

Fato que repetiria em 1980, quando Beija-Flor, Imperatriz e Portela foram consideradas as vitoriosas

Mais recentemente, em 1988, conseguiram a proeza de empatarem na primeira colocação Mangueira e Beija-Flor, quando o desfile apontou a verde e rosa como absoluta na passarela.

Mas, hoje, além da cobrança do povo, a imprensa cobra, através dos jornais, rádios e TVs, seriedade e honestidade por parte dos dirigentes. 

Além do mais, agora existem, em franca ascensão, os sites especializados em samba, e, os não comprometidos ou envolvidos com essa ou aquela escola de samba, cobram, não somente os seus direitos, bem como exigem seriedade e transparência.

Sobre os direitos de uma mídia, que só tende a crescer, o escriba Sidney Rezende deixou uma excelente falação em seu blog.

Ele simplesmente cobra mais seriedade e competência de quem de fato dirige a organização do Carnaval carioca. No caso LIESA e RIOTUR.

Há tempos escrevi aqui mesmo, no nosso SRZD-Carnaval, que o enredo comemorativo aos 100 anos do nascimento de Luiz Lua Gonzaga seria um deleite para quem gosta do popular.

E acabou não dando outra coisa. O carnavalesco Paulo Barros revelou ao mundo, que de fato e direito, que o popular Lua foi o maior incentivador e divulgador da arte popular desse tão sofrido Nordeste.

Jamais um artista, em tempo algum, cantou e exaltou tão bem aquela parte do Brasil tão sofrida e sempre esquecida pelo Poder Público. 

Vibrei, vibramos todos nós que gostamos do popular. E vejam bem que havia no desfile outra escola de samba exaltando o Nordeste.

A diferença é que a Acadêmicos do Salgueiro trouxe um tema mais puxado pelos escritos na Literatura do Cordel, e a Unidos da Tijuca somente se fixou nas peripécias do saudoso Rei do Baião.

Paulo Barros, dando ênfase à sua imaginação, trouxe majestades de todas as épocas para a coroação do Rei do Baião. O popular da Unidos da Tijuca venceu, então, com sobras de imaginação e criatividade.

Para a Unidos de Vila Isabel restou o consolo de ter apresentado um enredo fraternal, mostrando as coisas do país irmão da mesma língua falada no Brasil, que é a Angola.

Faltou algo no enredo? Claro que faltou. Não vi nenhuma menção ao lado político onde Angola tem verdadeiros heróis da libertação do seu povo. 

Mesmo assim, a Vila abiscoitou quatro (04) notas máximas no quesito enredo. Coisa que a campeã, Tijuca, não conseguiu.

Já a Beija-Flor de Nilópolis cumpriu o seu papel. Sem poder contar com seu principal mecenas, desfilou pesada demais mesmo tendo apresentado um Maranhão negro, mestiçado e miscigenado que muita gente não conhecia.

Agora todos sabem: o Maranhão é, antes de tudo, uma mistura de raças, cores e ritmos.

Num desfile que só faltou chover canivete, fiquei pasmado ao assistir a uma disputa realmente sensacional entre Mangueira e Portela.

Na época em que a disputa era somente de samba, Mangueira e Portela disputavam sim, mas os primeiros lugares. Nunca uma sexta e sétima posição.

Em 2012, a Portela, que no passado já havia derrubado a monarquia imperial, desta vez desbancou a Mangueira. 

E graças ao seu bom samba enredo, vai voltar no Desfile das Campeãs.

Para a Mangueira, resta um desfile povão na Avenida Rio Branco, como conclamou e ensaiou o presidente Ivo Meirelles.

Seguindo a sua sina de escola de samba do povo; para o povo e com o povo, a Mangueira ousou ainda exaltar outra coisa do povo que é o Bloco Cacique de Ramos.

Os 50 anos dessa agremiação de Ramos foram mostrados na avenida, sem luxo, mas com muito garbo.

Não deu para competir com as alas de passos marcados, nem tampouco com os imensos e luxuosos carros de algumas outras escolas. 

Mas ficou uma grande certeza: a Mangueira, por suas fortes raízes, jamais negara a sua condição de a preferida do grande público. 

Pude sentir essa afeição popular, pois, como Baluarte, desfilei no topo do último carro alegórico. 

Foi gratificante constatar lá de cima como a Mangueira é querida do povo.

Já a Portela, misturando Clara Nunes com coisas da Bahia, mostrou que ainda possui o mesmo carisma de outrora. 

E sua comunidade, presente maciçamente no desfile da escola, provou isso no asfalto da Sapucaí.

Fica então uma pequena indagação: por que será que a diretoria da Portela não faz Carnavais, todos os anos, como esse que acabamos de aplaudir?

Não consigo entender também como é o que uma escola de samba como Mocidade Independente de Padre Miguel perdeu a sua importância dentro do desfile.

Há anos que nada muda nas colocações dessa escola que acaba ficando sempre lá na rabeira. Hoje é uma simples desfilante, sem nenhuma outra pretensão.

E vejam bem que a escola até que mostrou algo na avenida. O mesmo pode-se riscar sobre a Imperatriz Leopoldinense.

É duro se informar que Mocidade e a Imperatriz juntas obtiveram apenas cinco (05) notas máximas dentro de universo de 400 notas máximas

E ambas exaltaram dois grandes nomes da nossa cultura, que são Cândido Portinari e Jorge Amado. 

Para este JCN, os julgadores erraram feio com tais agremiações.

Nas demais colocações, aconteceu o esperado.

No entanto, urge uma providência com relação ao corpo de julgadores. É preciso mudar e reciclar alguns deles.

Eu pergunto: O que Beatriz Badejo, Tito Canha, Salete Lisboa, Carlos Pousa, Bruno Chateaubriand, Luiz Eduardo Rezende, Cláudio Luis Matheus e outros ainda fazem no júri?

Sou defensor da montagem de júri inédito para o desfile. Faço isso desde os tempos da antiga Associação das Escolas de Samba. Só não sei o motivo pelo qual até hoje isso não acontece.

Por não ser formado, cada ano, júri inédito, o resultado é facilmente encontrado.  

O fato inédito mesmo aconteceu no desfile do Grupo A de Acesso. 

Não é que pelo menos quatro (04) dos julgadores escolhidos pelo próprio presidente da LESGA, o edil Reginaldo Gomes, simplesmente deixaram de sapecar suas notas nos respectivos mapas.

Mas por um desses mistérios do samba, ficou valendo tudo e a escola de samba Inocentes de Belford Roxo acabou campeoníssima do desfile.

Detalhe: a Inocentes de Belford Roxo tem como presidente administrativo o cidadão Reginaldo Gomes, mesmo cidadão que escolheu o corpo de julgadores.

Aliás, com muita estranheza esse mesmo corpo de julgadores puniu com uma espécie de caneta de ferro escolas como Império Serrano, Estácio de Sá, Unidos do Viradouro e Cubango, prováveis postulantes ao caneco antes da abertura dos envelopes.

São episódios como esses que acabam com credibilidade de qualquer desfile. 

A coisa foi tão gritante que a RIOTUR, cumprindo ordens diretas do próprio alcaide Eduardo Paes, decidiu romper o contrato com a LESGA.

Daqui para frente tudo pode acontecer. E já se cogita nos bastidores que, inicialmente, todas as escolas do Grupo B de Acesso voltariam para a égide da boa e velha AESCRJ.

Mais tarde voltariam as agremiações do Grupo A de Acesso. 

Como vai acabar toda essa fofocada, ainda não sei. Sei apenas que o presidente Reginaldo Gomes tentou um aplicar "salto sem mão" dando uma de "gato mestre" e acabou "quebrando a cara".

Como começou a dizer o vitorioso carnavalesco Paulo Barros, o negócio é "chutar o balde".

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Ensaio técnico ganha Carnaval?

Redação SRZD | José Carlos Netto | 16/02/2012 13h05

Perguntar não ofende, diz o conhecido dito popular. Então vamos lá:
Ensaio técnico, ganha Carnaval?

Para a maioria dos presidentes e carnavalescos, se não ganha pelo menos ajuda. Ocorre que muitas das vezes isso nem acontece.

Esse lance de ensaio técnico de tanto virar mania para determinadas escolas, acabou se estendendo para os casais de MS e PB, bateria, baianas e até manjadas rainhas de bateria.

É raro o dia ou á noite, como queiram que não se encontre gente ensaiando na Sapucaí.  

A concorrência é tanta que muitas das vezes pode-se observar de três quatro, ou mais, casais ensaiando ao longo da daquela sinuosa pista.

Mas, quando, por ocasião do desfile para o concurso oficial, essa ou aquela escola, bem como esse ou aquele casal de MP e PB, assim como também baterias, fracassam então a minha mente vagueia.  

Fico pensando na célebre máxima nos legada pelo saudoso craque de bola Didi Folha Seca (Valdir Pereira).

Treino é treino e jogo é jogo.

Aqui. No nosso caso, bem que poderia ser: "ensaio técnico é uma coisa e desfile é outra coisa".    

Risco tudo em função da zona que virou esse lance de ensaio técnico.

De princípio mais parecia que realmente as escolas iam para o Sambódromo com a finalidade de realizar um ensaio técnico.

Atualmente isso já não acontece mais. Os ensaios técnicos, em minha opinião, já não cumprem mais a finalidade para que fossem criados.

Na atualidade o que vemos em plena Sapucaí? Vemos apenas poucas algumas escolas preocupadas em acertar suas linhas para a grande parada de domingo e segunda - feira gorda da folia.

Umas e outras vão apenas para gastar dinheiro. Para encarar um desfile de ensaio técnico cada agremiação consome cerca de 40 a 60 mil contos de reais.

Além de gastar todo esse carvão, ainda existe a exibição de popozudas e certos figurões da escola.

As escolas, em sua maioria vão para a avenida simplesmente fazer uma espécie de turismo de samba.

E o mais estranho: a pista, que deveria apenas para o ensaio, fica tomada por bicões de todos os tipos e uma fauna de todas as espécies.

E as escolas exibem belas mulheres, todas seminuas ou apresenta bonitas camisas alusivas aos enredos.

De ensaio técnico, que seria o ideal para cada agremiação, pouca coisa ou quase nada se vê.

Se realmente fosse um ensaio-técnico, o Diretor de Bateria ousaria parar sua bateria no momento que notasse uma batida errada desse ou daquele ritmista.

O Diretor de Harmonia daria uma ordem e pararia o ensaio no momento que sentisse o samba atravessado.

Bem como o mestre-sala tentaria acertar aquele passo dado errado quando tentava uma pirueta mais ousada.

Ou ainda quando o cavaco puxasse um tom diferente daquele do ideal e combinado e ensaiado antes como os puxadores.

Tais deslizes são comuns nesses ensaios técnicos se e ninguém apresenta para estancá-los.

Que tipo de ensaio técnico então é esse?

O que se vê é todo mundo saindo da avenida achando que sua escola foi maravilhosa no ensaio técnico.

Quando na verdade mostrou falhas e erros homéricos e que ninguém, nem mesmo o presidente se apresentou com coragem para corrigir.

E o que pior: cada escola arrasta multidões gente encamisadas.

Na frente, no meio e atrás. É gente que não acaba nunca.  Gente, que em sua maioria, nem mesmo nem vai desfilar no "dia do pega pra capar"

Lembro que os atuais ensaios técnicos foram criados pelo Diretor de Carnaval da LIESA, o mangueirense Elmo José dos Santos, o filho do saudoso Seu Tinguinha da Mangueira.

Como o JCN é um saudosista sacramentado, peço licença e informo, principalmente, aos comunicadores de samba mais açodados, que ensaio técnico já se fazia no samba desde na década de 50.

E foi a Mangueira a pioneira. O saudoso Roberto Paulino, quando presidente da escola botou na cabeça no então Diretor de Harmonia, o também saudoso Mestre Xangô, que a verde - e - rosa deveria chegar melhor preparada no desfile.  

Na boa linguagem do samba com o seu dever de casa pronto.

Bolou então o Roberto Paulino um ensaio que começava lá dentro do famoso Buraco Quente (Travessa Saião Lobato) e terminava ao longo na Visconde de Niterói.

A coisa era tão a séria que eram colocados improvisados palanques nos quais o Roberto Paulino colocava gente de sua inteira confiança para julgar a escola.  

Já a nossa querida Portela fazia seus acertos técnicos no dia justamente do seu ensaio geral, que eram realizados em pleno gramado do campo do Madureira E. C. na Rua Conselheiro Galvão.

Num único ensaio, Manacéia e Valdir 59 - Diretores de Harmonia - pressionados pela mania de perfeição do velho Natal da Portela, faziam os acertos em todos os setores da escola de Osvaldo Cruz.

Também era essa a preocupação do saudoso Mestre Fuleiro quando formava o Império Serrano na então na quadra, que antes abrigava o Mercadão de Madureira.

E o mesmo fazia a dupla Calça Larga e Djalma Sabiá na acanhada quadra do Acadêmicos do Salgueiro ao final da Rua Junquilho, na subida do Morro do Salgueiro.

Era por demais gostosos assistir em cada uma dessas tais ensaios técnicos que não tinham hora para acabar tendo em vista os tantos acertos que iam sendo feitos.

Esse ano o JCN só teve oportunidade de assistir três dos muitos ensaios técnicos.

Em nenhum deles pude observar aquela preocupação de acertos de possíveis erros ou falhas.

Vi e ouvi e baterias apresentando muitos desafinos em suas peças, além puxadores "brigando" com o microfone e com o cavaco.

Vi também alas totalmente desarrumadas que mais pareciam esses benditos blocos que desfilam no pré - carnaval pelas ruas da cidade.  

Ora, os ensaios técnicos são para corrigir tais desatinos. Se uma escola faz o chamado dever de casa antes de a jibóia ser esticada na avenida, tudo fica mais cômodo no momento do grande desfile.

Se deixar passar simples falhas ocorridas num ensaio técnico certamente vai levar porrada nesse ou naquele julgador.

Na verdade os atuais ensaios técnicos mais me parecem com programa da Regina Casé da poderosa TV Globo, onde até o nosso festejado Arlindinho Cruz fica perdido diante de tanta baboseira que a RC pratica a cada domingo.

Sempre misturando alhos com bugalhos, ela consegue fazer com o samba uma grande galhofa. No final tudo acontece sem ninguém conseguir levar nada a sério.

Meus caros, honrados e ilustres leitores e blogueiros estamos prestes de um novo desfile.

Escrevam e guardem essa assertiva do JCN: tomara que essa ou aquela escola tenha tirado algo de bom do seu ensaio técnico.

Se não tirou esperem o resultado no grande momento em que a boa jibóia estiver sendo esticada na avenida.

Ao finalizar agradeço a paciência de todos vocês. Foi o ano mais difícil e complicado de minha vida.

Graças ao bom Deus consegui sobreviver.

E, no sábado gordo da folia, estarei no topo de um belo naval sendo homenageado pelo BC Oba - Oba do Recreio com o enredo "De Ubá ao Mundo do Samba".

O desfile será na Avenida Cardoso de Morais em Bonsucesso.

Estão todos convidados para o desfile.

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Babadinhos do Samba III

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 23/01/2012 16h17

Depois de mais de meia zero de samba, finalmente pude constatar o seguinte: de fato existe no samba muita falsidade e muitos crocodilos. De amizade sincera existe pouca coisa ou quase nada.  

Só que no dia 12 findo, pude constatar o outro lado do samba, que este velho cronista conhecia pouco ou quase nunca pode observar.

Falo de humildade, simplicidade e amizade e sinceridade. Tudo isso constatei junto aos integrantes do homogêneo grupo BALUARTES DA MANGUEIRA.

Basta citar que são senhores e senhoras que beiram dos 65 aos 95 anos de estrada, e nem por isso deixaram de amar a Mangueira.

Gente humilde mesmo. O encontro com essa gente deu-se na velha quadra do Visconde de Niterói , quando este velho e sofrido cronista , esteve por lá tirando as medidas da roupa para o desfile da escola.

Gente que no mínino passou mais de meio século servindo a Estação Primeira, como de resto ao samba em geral.

Foi um momento de puro saudosismo e pura emoção.  Reencontrar aquela gente me causou até um ligeiro descontrole do relógio. Logo me recuperei e pude então cumprimentá-los um a um.  

Estavam ali reunidas quase todas as gerações da verde-e-rosa em ambiente de saudade ao relembramos grandes momentos e grandes desfiles da nossa querida escola.

Juntos naquele momento: Ed Miranda Rosa (ex-presidente, hoje com 95 anos), Raymundo de Castro (o eterno tesoureiro 83 anos), Léa Porrão (filha do famoso Chico Porrão), Dilmo (ex-Harmonia), José Brogogério e Moacir (compositores) e Maria Helena (ex - diretora de Ala) e este JCN, dentre outros.

Embora, que rapidamente, pudemos então colocar em dia lembranças de uma Mangueira que não volta mais.

Foi ai que pude sentir o que é o calor humano do velho e verdadeiro sambista.

Aquele que jamais bajulou, mentiu, falseou ou fez trapaças no quando dirigente da escola.

Deixei a quadra da gloriosa com o coração banhado de euforia, pois várias histórias do samba de outrora foram contadas e ouvidas. Sendo que algumas eu já conhecia e em outras até personagem fui.  

O Carnaval de 1962 - Casa Grande & Senzala - foi sem dúvida para a maioria dos presentes o mais marcante.

E o desfile que mais emocionou foi na opinião de todos foi o Carnaval de 1984 (ano da inauguração do Sambódromo) quando a Mangueira foi e voltou cantando o nosso saudoso Braguinha.   

E todos foram unânimes: a Mangueira é mesmo muito grande, e hoje precisa de alguém para tomar conta de tudo dela num todo.

É por isso que minhas orações diárias sempre rogo ao Criador proteção sempre.  

Não somente para quem está dirigindo a Mangueira, (hoje é o intrépido Ivo Meirelles) mas de resto para todo o mundo do samba também.

Diante do narrado acima, chegará o dia que nós que fizemos do samba um sacerdócio, não teremos mais ninguém para conversar ou relembrar fatos e causos do passado.

Basta acompanhar o Carnaval que as emissoras de TVs e estão colocando no ar atualmente. E os jornais vão mesmo caminho.

Como a maioria dos produtores (alguns inclusive os da TV Globo) não tem nenhum tipo de intimidade com as coisas do samba e tampouco conhecem algo.

Temos assistido matérias até com o segurança do estacionamento das quadras.

Isso citando ainda matérias com soldadores (as), aderecistas, pintores, decoradores e também as manjadas rainhas de bateria ou então mulatas bundudas.

Não que essa gente não mereça. Eles merecem e muito.

Mas quando isso chega acontecer é porque existe de fato uma recueta por parte das produções das TVs em relação ao verdadeiro sambista em si. Isso é notório.

Até parece que se seguem a risca a letra um antigo samba enredo do nosso Martinho Sempre da Vila, se não estou enganado "Pra Tudo Se Acabar na Quarta-Feira"

E pensar que o grande compositor Vilani Silva, o popular Bombril, terá "morrer" numa merreca se desejar estar na Avenida desfilando na sua Unidos de Vila Isabel.

"Logo o Bombril, que já cantou na quadra e nos salões" Sou da Vila / Não tem jeito / Por isso exijo respeito.../

Se o Bombril tiver que pagar para desfilar será o fim da picada. Sacanagem pura mesmo.

Em tudo isso salva-se a presidente do Salgueiro, Regina Celi Duran. Tocada pelos Deuses do samba, a nossa RC fez de uma ilustre desconhecida, negra por sinal, a Cinderela do Salgueiro.   

A boa negrete Vânia Flor já era conhecida do JCN do samba da Unidos do Jacarezinho onde sempre se destacou como passista.

Bastou adentrar a boa quadra da escola tijucana para logo virar uma musa. A mandatária salgueirense só merece palmas por essa decisão.

Numa escola que freqüentada pelas mulheres mais atraentes e bonitas  da cidade, a principal musa salgueirense será uma negra, favelada do Jacarezinho e gorduchinha.

Pelo menos se salva alguma coisa, pois ainda existe gente com a senhora Regina Celi, que vê o samba sem qualquer tipo de descriminação.

Só que temo que essa consagração da nossa Vânia Flor, como musa Cinderela do Salgueiro, possa começar provocar ciumeiras nas outras beldades da escola. Tomara que isso não aconteça.

Ainda a propósito desse escanteio que o verdadeiro sambista anda levando da chamada grande mídia, eis outro lance:

O sempre competente e acreditado escriba Artur Xexéo abriu baterias contra o samba enredo da Unidos do Porto da Pedra indagando alto e em bom tom: "Iogurte dá samba" ?

De resto ele senta o cacete nos compositores Fernando Macaco, Tião   
Califórnia, Cici Maravilha, Bento e Oscar Bessa pelo fato dos mesmos terem escritos um montão besteiras em apenas poucas linhas.

Não, honrado Xexéo. Não foi esse quinteto o responsável direto pelas besteiras inseridas no samba da escola de São Gonçalo.

Os verdadeiros autores de tamanho besteirol são os intocáveis carnavalescos que fazem imposições mil na hora da entrega da boa sinopse.

O samba precisa falar nisso, naquilo outro, senão será cortado, costumam avisar , cheio de autoridade, os desvairados carnavalescos.

O que é pior: todos os presidentes aceitam de cabeça baixa tais imposições. Daí surge absurdos com as que estão na letra do samba enredo da Porto da Pedra.

Embora concordando com abalizada crítica, risco que não são os "crioulos sambistas que são doidos.

Doidos são os carnavalescos com suas absurdas exigências para cima dos compositores.

Na esperança a crônica do Artur Xexéo não tenha nenhuma influência para cima dos julgadores, repito: o AX só escreveu o fio e bacana.

Na coluna anterior citei o fato de fazer sempre minhas orações, pois por incrível que possa parecer, sou um fervoroso cristão.

Isso foi bastante para o blogueiro, que se diz assinar, Madson Nunes me sentar á mamona "mandando o JCN ficar cuidado somente de sua saúde"

Ora, ora, a doença na qual estou me livrando, graças a Deus, não costuma aparecer em postes, calçadas ou árvores.

Só que o "Madson Nunes" ainda não sabe disso. E oxalá nunca venha, a saber. 

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Ser ou não ser presidente? Eis a questão

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 11/01/2012 21h54

Perto de emplacar um galo e mais três de Estação Primeira, eis que me vejo brindado com o pomposo e honroso título de BALUARTE DA MANGUEIRA.

A iniciativa do presidente Ivo Meirelles não só me deixou com aquela alegria, que faltou - me na maior parte do ano findo, como também, acredito, faz coroar todo o meu trabalho desde idos do final da década de 50.

Ao agradecer indicação do presidente IM, o faço com o coração nas mãos.  

Em tempo algum, jamais outro mandatário da escola (talvez se vivo fosse o saudoso sue Juvenal Lopes o teria feito) soube reconhecer este velho e sofrido mangueirense como alguém que tenha serviços relevantes prestados ao grêmio.

Precisou vir o polêmico e sempre combatido (as vez injustamente), Ivo Meirelles para tal fato acontecer.

Forjado na grande escola de Harmonia do nosso saudoso Mestre Olivério Ferreira, o popular Xangô da Mangueira, consegui chegar aonde cheguei.

Foram os seus ensinamentos, conselhos e até algumas broncas que me moldaram assim.

Sob o comando do grande Mestre Xangô aprendi cedo amar a cada dia o glorioso pavilhão verde e rosa da nossa gloriosa Mangueira.

Nesse momento sublime para este filho de UBÁ, a ocasião é deveras oportuna para dizer ao presidente Ivo Meirelles que continuo nas minhas preces rogando a Deus que o proteja sempre.

Principalmente de alguns invejosos, falsos e vingativos, que infelizmente ainda existem na Mangueira.

Por tudo devo continuar lutando tenazmente para que a minha saúde, no momento, apesar da notória recuperação, está um tanto que combalida, volte á plenitude.

Afinal, quero ser campeão na gestão do presidente Ivo Meirelles.

A propósito dessas mal traçadas linhas já inscritas, risco também sobre outro tema que deve mexer muito com gente do mundo do samba.

São as chamadas administrações nas escolas de samba.

Reparei, depois de uma breve pesquisa, que nas agremiações onde as eleições correm os mandatários não apresentam melhores desempenhos nos cargos com relação aos seus antecessores.

O fato é que antigamente existia nas escolas a chamada oposição. Essa oposição só cobrava o melhor. Ou seja: melhor carnaval; melhor samba e por fim exigiam as temidas prestações de contas.

O próprio JCN assistiu em Mangueira, arengações homéricas envolvendo as figuras mais tradicionais da escola.

Eram intermináveis reuniões que quase sempre acabavam em brigas e discussões.

De tempos pra cá, as coisas mudaram. Não existe mais oposição nas escolas, mas nem assim seus presidentes apresentam desempenho a contento.

Existe ainda a chamada oposição burra. São aqueles que só querem criticar por criticar e sonham para dia estar no poder.

Em outras escolas o presidente, para se livrar da oposição faz farta distribuição de títulos de sócios beneméritos (com direito a voto) onde até bebezinhos são aquinhoados.

Com isso ele julga se livrar dos opositores e ainda granjear novos adeptos.

Só numa escola de samba, que tem apresentado carnavais ridículos, o presidente distribuiu a torto e direito cerca de 800 títulos de sócios beneméritos ou proprietários.  

No caso de sócios proprietários, que mal me pergunte: proprietário de que, se a escola só acumula dividas em suas finanças?

Até mesmo a construção, daquilo que no futuro poderia próprio, é a Prefeitura que está construindo.

Isso lhe garantiu uma reeleição tranqüila para o desespero da chamada oposição, que ele próprio presidente chama de burra.

Mas passados três carnavais essa escola nem sequer consegue voltar no desfile das campeãs.

Em outras escolas o poder circula em família, passando de pai para filho em eleição onde as cartas ou cédulas eleitorais são devidamente escolhidas a dedo.

Já em certas escolas onde a eleição é direta o problema é a burrice do eleitorado.

Em determinada agremiação rolou uma eleição livre com os sócios participando diretamente.

Notem bem: essa escola há anos está no maior bagaço em termos de desfile. Logo ela que já foi uma das rainhas da passarela desfilando no grupo de elite.

Pois bem. Duas chapas concorreram. Resultado do pleito: ocorreu um empate no número de votos e resultado foi proclamado pela famigerada "mão no saco".

No ano seguinte nova eleição desta vez com três chapas concorrendo. O resultado: ganhou um candidato em quem ninguém na escola fazia fé.

O certo seria a união das três chapas e juntas formassem uma boa diretoria para tirar a escola no sufoco.

Cito também como exemplo em administração de escola de samba uma eleição onde ex- marido e ex- mulher concorreram um contra o outro.

O resultado todos já sabe qual foi, mas o candidato perdedor continua mantendo uma ferrenha oposição contra a atual diretoria louco para voltar ao poder.

Quando falo tais citações é porque sou de uma época em que se fazia oposição nas escolas sempre visando o melhor para cada agremiação.

Hoje oposição é sinônimo de oportunismo e busca por cargos. Ninguém mais pensa em soerguer escola de samba.

Antes o discurso é um só: "vamos fazer um grande carnaval e pagar as dividas que essa diretoria está fazendo"

Isso é antes da eleição.  Dois ou três meses após tudo fica como estava. Os exemplos estão por ai afora. Em quase todas as escolas de samba cujo processo eleitoral é muito acirrado tal fato é notório.

Ficam aqui então perguntinhas: Ser presidente de escola de samba é um bom negócio? Traz algum lucro pessoal para quem ocupa tal cargo?  

Se não é bom negócio, então por que será que todo mundo quer ser presidente de escola de samba?

E que os estão nos cargos não querem largar o osso?

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Extrasamba: botando pra quebrar

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 23/12/2011 11h59

Aqui do meu cantinho, em Irajá, tomo conhecimento de coisas extra, que acontecem no mundo samba.

Sinceramente, coisas que me deixam estarrecido. Fico então a me perguntar por que será que o samba serve para tantas mazelas do nosso cotidiano?

São mulheres, que depois de largadas pelos então amados maridos, e usando o nome das escolas de samba, vão à Polícia falar mal dos ditos cujos e contar suas falcatruas á frente das agremiações.

São componentes que são espancados sem que ninguém saiba o propósito de tais espancamentos.

São caçadas policiais contra notórios dirigentes das escolas de samba, sempre envolvendo os nomes das agremiações em assuntos que deveria somente se ater exclusivamente na área policial / criminal.

Acho que por isso a Justiça, ao libertar um dos presos, garante que a Polícia do RJ está " brincando" com investigações malfeitas.

O próprio desembargador, que concedeu a liberdade ao preso, se disse temeroso, ele próprio de ser preso.

Sempre soube que o samba, jogo - do- bicho e o futebol sempre caminharam juntos desde primórdios desse nosso Brasil - República.

Jamais neguei o meu relacionamento, no mundo samba, com as pessoas ora acusadas agora pela Policia. Seria o JCN um hipócrita ou um cafajeste se assim procedesse.  

Ainda tenho na mente a atuação do seu Natal da Portela, que com um braço só, usando sempre o jogo - do - bicho fez a felicidade muita gente desvalida em Madureira e adjacências.

Enterros, óculos, muletas, contam de luz, de água, batizados, casamentos, festas de debutantes, colégios, comida, internações em hospitais públicos, (alguns deles bancados peço próprio Natal), remédios e tudo mais. Tudo isso seu Natal bancava sem se preocupar a quem atendia.

Muita gente do mundo do samba (ainda viva) construiu a vida graças ao beneplácito da mão generosa do velho maneta de Madureira / Osvaldo Cruz, pois até casas ou barracos ele comprava para quem precisasse e o fosse pedir.

Não muito diferente do que fazem os bicheiros de hoje.

Nem por isso ele deixou ser perseguido, humilhado e encarcerado pela Polícia da época. Afinal o seu ramo de negócio do seu Natal era fora lei.

Hoje, boa parte da população do Rio de Janeiro, reconhece e rende e tributo ao seu trabalho, que até pode ser chamado social, feito pelo seu Natal da Portela.

Isso não quer dizer que o JCN concorde com os métodos de violência e desonestidade colocados em prática por uns e outros.

A Polícia do Rio de Janeiro coloca sempre prática um método que não consigo entender: misturam as coisas das escolas de samba, com o que denominam, eles com lado negativo do jogo - do - bicho.   

É certo que ambos caminham juntos há anos na preferência do carioca, mas na hora das caçadas cinematográficas e quando mostram  carrinho de supermercados abarrotados de dinheiro, (coberto com a bandeira da escola de samba) deveria prevalecer o bom senso.

Nós, que fazemos do samba apenas uma válvula de escape para alegrar
o coração apenas deploramos tudo isso.

Longe deste JCN, desaprovar uma ação policial para deter quem está fora da lei.  Pelo contrário.  

O jugo da lei também deveria ser empregado com rigor contra os corruptos que pululam em cada parte desse imenso rincão brasileiro.

Também não estou aqui para bancar o advogado de quem quer que seja. Para tanto existem centenas de causídicos os defendendo nos Tribunais e junto as Varas Criminais.

O que exponho são essas caçadas faltando justamente tão pouco tempo para a boa jibóia ser esticada na avenida.  

Já se começa temer pelo desfile de determinada escola de samba diante da sanha policial em insistir em envolver a agremiação em suas investidas investigativas.

Alguns dos perseguidos já estão acostumados com essas benditas caçadas e apenas cumprem o seu papel.

O problema é que o samba é atingido de cheio. Que mal fez o samba para ser incluído nessas ações policialescas?

As escolas de samba foram fundadas para que o Zé Povinho pudesse ter um lugar onde pudesse cantar e sambar.

Com o passar dos anos o mundo do samba perdeu aquele glamour e ares da mais pura inocência. Todo mundo usa o samba para qualquer negócio, até mesmo os escusos.

Por tudo disso tudo a polícia, principalmente a do Rio de Janeiro, se especializou em misturar alhos com bugalhos.

Atualmente é mais do que arriscado se freqüentar, sem riscos, uma quadra de escola de samba.

Por essa e outras, que todos que mais pessoas bem estão se afastamento das quadras, preferindo só ir assistirem na avenida.

É coisa rara cada final de semana, que não ocorra uma ocorrência policial nos entorno das quadras das escolas.

São assaltos, agressões gratuitas, roubos de carros e motos e algumas das vezes até assassinatos.

A polícia, no caso, faz mais do que pode. Mas não suficiente a ponto de estancar essa onda de violência semanal.

Risco tudo isso em função da minha condição de homem do samba. As escolas de samba não podem ficar atreladas a esse estado de coisas.  

As agremiações precisam apenas cumprir somente o seu papel que é cantar e sambar.

Se estiverem sendo usadas para outros fins, cabe a nossa polícia investigar, apurando tudo direitinho para depois encaminhar o apurado ás barras da boa Justiça.

Nesse exato momento fico nunca preocupação só: como ficarão as escolas de samba citadas fartamente pela Polícia em noticiários sensacionalistas de jornais, rádios e TVs?

Espero que seus componentes não liguem para nada disso e que possam chegar à Sapucaí "botando pra quebrar".

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