Análise da Grande Rio e São Clemente
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 22/12/2008 16:11
São Clemente
Não sei se foi erro tático escolher essa data, nas vésperas do Natal, ou falta de responsabilidade dos desfilantes, mas a falta da maioria das alas acabou comprometendo o ensaio e decepcionando o público presente.
A comissão de frente com somente sete componentes, apenas brincou. O fato da escola estar reduzida (ocupando apenas três setores da passarela) não foi o motivo principal do fraco ensaio, mas sim o fato de somente o terço final cantar o samba e evoluir. Realmente uma pena, pois a escola poderia aproveitar o bom samba que tem, retratando o enredo de forma alegre e com energia.
Pontos a destacar: o samba-enredo
Pontos a melhorar: a presença e compromisso dos desfilantes para com a escola e com o público.
Grande Rio
Grata surpresa. Diferente da escola que a antecedeu, os componentes compareceram em maioria (a maior até então), fazendo um desfile harmonioso e cantado. O famoso espaço entre comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira foi perfeitamente preenchido pelos guardiões da dupla.
A excelente bateria na apresentação para a primeira cabine quase gerou um buraco na pista, mas foi imediatamente percebido e corrigido pelo diretor de harmonia.
O bom samba, mesmo com letra difícil, foi muito bem puxado e acompanhado até pelas últimas alas sem qualquer atravessamento.
Pontos a destacar: a harmonia e o canto da escola. Ficou muito interessante a ala que fazia coreografia com as bandeiras francesas. Deve causar bom efeito no desfile.
Pontos a melhorar: A comissão na primeira cabine nada fez. Acho que o público merecia alguma coisa, mesmo não sendo a coreografia oficial. A terceira ala, que diferente de todas as demais, trouxe fileiras com 15 e 16 componentes, prejudicando toda a evolução. Com fantasia, sem chance de evolução.
Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 21/12/2008 17:37
Salgueiro
Sem entrar no mérito de que deveria ser o samba escolhido ou não, avaliei pelo que foi apresentado na avenida, aliás, exatamente como será avaliado pelos jurados no desfile; e, na minha opinião, o samba serviu e se encaixou perfeitamente aos moldes de desfile do Salgueiro, mesmo não tendo toda a força das demais coirmãs. A comissão de frente deu um show à parte. Já apresentando uma pequena prévia de sua coreografia, percebemos que trará desenhos inovadores e, o melhor, muita alegria na sua apresentação. Todos empenhados em suas coreografias e a maioria das alas trazendo o samba na boca, até mesmo as coreografadas. Valeu, Salgueiro!
Pontos a destacar: a Bateria, o canto e a alegria dos desfilantes.
Pontos a melhorar: Algumas alas com excesso de componentes por fileira, atrapalhando a evolução.
Renascer de Jacarepaguá
Como primeira escola da Lesga a ensaiar na Sapucaí, a Renascer não ficou devendo nada para as escolas da Liesa. Em nenhum momento pareceu um ensaio de escola de grupo inferior, fazendo um desfile de "gente grande".
O famoso espaço entre a comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira pode causar perda de pontos, porque interfere e muito na concentração da dupla que, muito experiente, saiu de sua boa apresentação dançando de frente para cabine de jurados para esconder o espaço aberto.
Excetuando a ala das baianas que passaram andando e sem cantar, o que não maculou o restante do desfile, as demais alas passaram cantando muito e bastante alegres, sem os componentes presos em coreografias. Parabéns, Renascer.
Pontos a destacar: O puxador, Rogerinho, a comissão de frente e a coreógrafa Alice Arja e seus pupilos. Eles continuam lembrando a todos que são fortes concorrentes no quesito. Destaco também a alegria dos desfilantes.
Pontos a melhorar: O tal espaço entre a comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira.
Portela
Foi o ensaio onde melhor ilustra como a falta de alguém para coordenar entrada e saída do casal no júri interfere diretamente na apresentação. A dupla não teve culpa de nada do que ocorreu. Sabemos que foi um mero ensaio, mas não se pode interromper o casal no meio de sua apresentação.
A comissão também apresentou alguma coisa nova para o desfile e a grande maioria das alas cantou bastante o bom samba. Achei interessante que, mesmo as alas/composições de carro presos a coreografias, havia momentos livres para brincarem. Apesar de ter sido a escola de maior volume de componentes até agora, ela não deixou de apresentar um desfile harmonioso.
Pontos a destacar: a bateria, o samba, os passistas mirins e o canto dos desfilantes.
Pontos a melhorar: a ala que não tinha nem camisa, canto e dança.
Imperatriz
Grata surpresa. Se livrando do estigma de escola de desfile frio e "militar", a agremiação ensaiou maravilhosamente, usufruindo e cantando o samba. Nem mesmo no final, onde geralmente o desfile cai um pouco devido à distância do carro de som e da bateria, a escola deixou de fazer um desfile alegre e harmonioso. Os componentes pareciam muito felizes e orgulhosos em cantar o tributo ao bairro de Ramos.
Sobre a comissão de frente, achei a apresentação fora da cabine de jurados mais interessante, do que a apresentada na frente da cabine (não sei se será a mesma coreografia). Parabéns, Imperatriz!
Pontos a destacar: a bateria, adequação do samba ao desfile, a harmonia e o orgulho dos desfilantes.
Pontos a melhorar: a terceira ou quarta ala que acabava se destacando negativamente das demais por nem tentar cantar o samba, jogando o chiclete fora.
Análise do ensaio da Tijuca e Mocidade
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 15/12/2008 15:11
Fim de semana chuvoso. Algumas coisas em comum: pista molhada e escorregadia, muita capa transparente e guarda-chuva, e, felizmente, muito samba, garra e canto. Até agora, todas as escolas fizeram bons ensaios, com muito canto, vontade e cuidado para não cometer erros. Por ser ensaio e ainda em dezembro, muita gente presente no dia do desfile (ainda) não apareceu, principalmente os turistas; tanto os estrangeiros, como os daqui.
UNIDOS DA TIJUCA
Sem usar e abusar das famosas coreografias (devidamente guardadas para o desfile), a escola veio bem solta, alegre e também cantando muito o seu ótimo samba. Como as demais co-irmãs, a comissão já apresentou alguma coisa do desfile e parece ser bem movimentada. Mesmo com o ótimo cinderelo (Rogerinho) sem seus sapatos, o casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma bela apresentação, completa e já com coreografias novas.
Pontos a melhorar: Desta vez, eu vou ficar devendo, porque a falha da saída da bateria do 1º recuo não estava no meu campo de visão e a crítica ao excesso de componentes nas fileiras de uma ala perde totalmente o efeito por ser pessoas de composição de carro.
Pontos a destacar: Força do samba e a alegria com que os componentes passaram contagiando a todos. Destaque para ala dos gordinhos que, pelo chapéu e adereço, deram dicas que virão de bruxas.
MOCIDADE
Confesso que me surpreendi (positivamente) com o ensaio da Mocidade, por não possuir um samba tão forte quanto as que já desfilaram. Pensava erradamente que a escola não conseguiria manter o mesmo nível de canto e energia, devido ao fato de ter sido a escola cujos componentes mais sofreram com a chuva, tanto na concentração, quanto no desfile.
A combinação ótima entre intérprete e bateria só ajudou aos componentes a manutenção do canto e ritmo do desfile. Detalhe: Até agora, acho que devido ao sucesso do desfile, ao apresentar no esquenta o samba de 2008, a Mocidade foi a que mais realmente contagiou o público presente durante o esquenta da bateria.
Pontos a melhorar: O famoso espaço na frente da escola, se fosse à vera, perderia pontos. Entre a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira havia uma ala que se adiantou muito, não aguardando a apresentação do casal.
Pontos a destacar: Puxador. É impressão minha ou o Wander se encaixa perfeitamente ao samba? (ou seria a combinação perfeita com a Mocidade?).... A apresentação do 1º casal na 1ª cabine de jurados foi algo que beirou a perfeição. Há muito tempo não assistia a uma apresentação tão sublime. Sem tirar o olhar um do outro, com elegância e garbo, deram um show. Tanto que a primeira fila da ala das baianas que os seguia parou de evoluir, admirando o casal. Parabéns Marcella e Raphael.
Análise do ensaio da Vila Isabel
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 13/12/2008 13:10
A Vila Isabel, diferente das outras co-irmãs, não pode contar com torcida e público maciço nas arquibancadas. Engarrafamento da sexta-feira e chuva espantaram muita gente, mas não impediram que a Vila fizesse um bom ensaio. A excessiva demora no início, os demorados esquentas com axé music, de Tim maia, e nem a chuva fizeram com que o ensaio nem os componetes perdessem o ânimo.
O samba rendeu bem e foi muito cantado pela escola que soube aproveitá-lo. Mais uma comissão de frente que apresentou muita coisa do que será no desfile (percebi alguns componentes tocando instrumentos musicais). Muito legal. Casal de mestre-sala e porta-bandeira também bem entrosado e com bela apresentação. Mesmo sabendo do fato de não representar perda de pontos, a Vila não deixou espaço entre estes setores, fazendo um desfile bem conciso. Parabéns Vila.
Pontos a melhorar: todas as alas foram montadas com muitas pessoas em cada fileira. Com as fantasias seria praticamente impossível evoluir.
Pontos a destacar: O canto de toda escola, a garra e o rendimento do samba.
Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 08/12/2008 16:49
A segunda noite de ensaios foi regida pela emoção e raça. O Império Serrano abriu o primeiro desfile da noite com emoção do samba de 2008, dando continuidade ao quente e molhado desfile, então no Grupo A.
Sabemos do quanto é difícil, vindo do grupo inferior, fazer um desfile (ou ensaio técnico) de igual para igual com as demais escolas, já estruturadas no Especial. Mesmo assim a Império Serrano, a meu ver, não deixou nada a desejar ao público presente, fazendo um desfile correto, impulsionado pelo belo samba reeditado de 1976. A comissão de frente, diferente da Beija-Flor, já apresentou bastante movimentos que irá fazer no seu desfile principal. Percebi, inclusive, o momento em que a sereia seduzia os demais componentes.
Cena da noite: o momento em que o mestre Átila pedia sorriso aos componentes da bateria, mostrando toda alegria de participar daquele momento.
Pontos a melhorar para o Império: Harmonia, principalmente no deslocamento da comissão de frente, deixando um claro entre ela e o casal de mestre-sala e porta-bandeira; e a famosa ala em que garotões com chiclete que insistiam em não cantar o samba.
Pontos a destacar no Império: a garra imperiana, a força do samba e, claro, a bateria.
A Mangueira, ao contrário do Império Serrano, fez um ensaio que nada fez lembrar seu fraco desfile deste ano. Também tendo um bom samba como trunfo, os componentes estavam energizados, cantando a plenos pulmões. Achei incrível a maneira com que o samba encaixa perfeitamente no molde de desfile dos mangueirenses.
Pontos a melhorar na Mangueira: Talvez, por motivos diferentes do Império Serrano (os postes luminosos teimavam em piscar azul, ao invés de vermelho), a Mangueira, na primeira cabine de jurados, também falhou no deslocamento da comissão de frente. Só não foi tão flagrante quanto no Império Serrano devido à presença do grupo de guardiões que rodeavam o casal.
Pontos a destacar na Mangueira: Também a força do samba e harmonia de desfile.
Jorge Mendes, da "cabine de jurados" entre os setores 3 e 5.
Opinião: Beija-Flor cumpre o seu papel
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 06/12/2008 02:35
Anoitecer meio cinzento de uma sexta-feira de dezembro. Na Avenida Presidente Vargas, o mesmo vai e vem de veículos apressados. Só uma diferença no ambiente chama a atenção: grupinhos de pessoas com camisas ou uniformes coloridos com o azul predominando... começaram os ensaios técnicos para o Carnaval 2009. Por se tratar de uma mera sexta-feira, teríamos pouco público e poucos componentes, certo? Errado. Todo aquele ambiente já remetia aquela multidão de janeiro, principalmente com aquele burburinho e o cheiro de pizza na praça de alimentação.
Aliás, nem parecia ser um ensaio sem sal de estréia. A Beija-Flor cumpriu exatamente o que se esperava dela, com a diferença de, como o enredo pede, mais alegre e, conseqüentemente, mais solta; mesmo nas alas presas a coreografias, como a primeira com leques, que representará as águas do Nilo. Jogada de mestre do Laíla em colocar o último setor/ala (aquela polêmica com fantasias enormes de tamanho e de beleza) com homens de porte da comunidade que não cantavam, mas "berravam" o samba-enredo, mantendo assim o canto no final do desfile, onde geralmente arrasta e atravessa por estar longe do carro de som.
Pontos a melhorar: Devido aos contínuos ensaios na quadra às quintas, era gritante a diferença entre as alas (talvez as comerciais), onde pessoas se interessavam mais nos seus chicletes. Isso, é claro, foi pontual, não tirando o brilho do volume de desfile da maioria.
Pontos a destacar: Pode até parecer incoerência minha, mas destaco o canto da escola "na boca" mesmo ou no "gogó", como vocês preferirem. Mesmo sem a força do samba de 2008. Notei até componente (e não diretor) pedindo a um colega distraído para continuar cantando. Parabéns Beija-Flor!
Jorge Mendes, da "cabine de jurados" entre os setores 3 e 5
Reedicão x revisão - 2ª parte
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 30/11/2008 13:24
Primeiramente, eu agradeço a correção do internauta "folião anônimo". A correção foi exata: sou péssimo com datas. Quanto ao internauta Rixxah Jr., muito bem lembrada a fusão de enredos da Imperatriz-83, do Arlindo Rodrigues. No entanto, quanto a outra mencionada por você do próprio Arlindo/Pamplona - Bahia, considero revisão (ou releitura). Já pensou se considerarmos reedição cada enredo afro, amazônia ou teatro?
2008
Lembrei que há casos mais curiosos ainda: Em 2008, o Império Serrano repetiu seu tema de 1972 com outro samba, a União da Ilha no grupo reeditou seu samba de 1982, porém com leitura totalmente diferente. O mais interessante foi assistir o carro alegórico do navio negreiro com os escravos cantando: "A minha alegria atravessou o mar..."
2009
Assim como Estácio e Grande Rio em 93, quando o tema "Lua" foi colocado na avenida com dois desfiles inteiramente distintos, em 2009, tudo leva a crer que veremos coisa semelhante no Grupo A. Renascer de Jacarepaguá e Caprichosos de Pilares apresentarão temas iguais (transportes) sob óticas distintas. Na primeira assistiremos a alas referentes à Rota 66 norte-americana e na segunda teremos insetos tranportando suas "cargas". É ou não é instigante essa dualidade de formas de apresentação?
Reedição ou revisão?
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 20/11/2008 02:46
Na segunda-feira, na Cidade do Samba, ao ouvir as belas apresentações do Império Serrano e da Vila Isabel, me ocorreu o seguinte pensamento: "Existem reedições de samba, no entanto, será que há reedições de enredo? Confesso, amigo internauta, que, a princípio, fiquei na dúvida. Porém, pensando bem, constatei que reedição, reexibição ou reapresentação do enredo não existem.
Comecem comparando as reedições, tanto as de sambas, quanto as de temas. Vocês perceberão que em nenhuma ocasião os desfiles foram iguais, nem parecidos. A causa? Não sei. Poderiam me ajudar? Já imaginei que fosse diferença de época, de material utilizado, de agremiação... até de grupo. Mas tudo cai por terra no momento em que lembro que houve repetição de temas/enredos no mesmo ano (Império Serrano e Imperatriz: Brasil na França; Estácio e Grande Rio: Lua); e até de mesmo carnavalesco e escola (Eduardo Gonçalves, no Jacarezinho, Maria Clara Machado 1992/2008).
Acho que a resposta está na palavra ENFOQUE ou ABORDAGEM. Devem estar perguntando o motivo de ter falado na Vila no início. É porque o Theatro Municipal era o enredo do Império Serrano, em 1978, então no Grupo de Acesso. Continuarei com o assunto na próxima edição.
Vocês acham que existe reedição de enredo ou somente de samba?
Sobre as fantasias da Rocinha
Jorge Mendes | Jorge Mendes | 10/11/2008 15:23
Tivemos no sábado uma prévia do que será apresentado pela Rocinha no desfile de sábado de carnaval. Como um aquecimento para o que seria exposto, houve uma breve exposição do enredo, a mesma magnificamente apresentada na quadra da Estácio, na apresentação dos enredos do Grupo A.
Rainha de bateria, passistas, casal de mestre-sala e porta-bandeira, os novos coreógrafos da comissão de frente, Márcio Moura e Celeste, assim começou a apresentação. Uma pequena falha no som e na luz não desfocou a beleza dos dois primeiros figurinos que fazem parte do primeiro setor, que é todo em tons rosa... Só dois figurinos no primeiro setor?
O segundo setor já em tons do lilás ao azul retratava o bota-abaixo e caricaturas da época. Tentei adivinhar que o próximo setor seria verde... e acertei (um pouco mais escuro que o ideal, mas isso é questão de gosto pessoal).
Percebi que o carnavalesco Fábio Ricardo, o Fabinho, fazia a gama do arco-íris, através do desenvolvimento do seu enredo. E por aí foi retratando com maestria todas as fases que da vida carioca sob a ótica do cartunista J Carlos.
Bateria (em amarelo) representando o termo surgido na época "A cobra vai fumar". A arte cômica muito bem referendada em vermelho e laranja, finalizando com o carnaval da época em preto e branco e colorido.
Como no último setor do desfile de 2008, cada figurino apresentado parecia sair diretamente de um desenho animado, em tela de "alta definição".
No final, como de praxe, foi anunciada a ala das baianas. Como dama de época, em tons do lilás ao roxo, matei a charada do motivo da existência de apenas dois figurinos no primeiro setor: era lá que viriam as damas roxas.
Percebi que todos os figurinos tinham acabamento esmerado e das mais variadas formas e materiais. Parabenizo o Fabinho e sua equipe. Ele confirmou ser o autêntico "mago da cor"; aliás, ele sempre foi... sem nunca ter sido.





























