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Hélio Rodrigues

Hélio Rodrigues

LUTAS. Jornalista, foi repórter de MMA do portal SRZD. Já cobriu diversos UFCs, além de importantes eventos do cenário nacional, como o Shooto e o Bitetti Combat.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



30/08/2016 12h28

Luciano Benício vence Matheus Malta e mantém cinturão dos galos do Shooto Brasil
Hélio Rodrigues

Foto: divulgação

O lutador baiano Luciano Benicio venceu Matheus Malta e manteve o cinturão peso-galo do Shooto Brasil. O evento aconteceu no último dia 28, no Clube Hebraica Rio, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na co-luta principal, Wanderson Marinho e Jiraya Pereira fizeram o combate mais movimentado, com reviravoltas e triunfo de Marinho por decisão dividida. O Shooto Brasil 66 ainda coroou outros quatro outros atletas.

O duelo principal da noite colocou frente a frente duas promessas do MMA nacional. Enquanto o baiano Luciano Benício fazia sua primeira defesa de título e buscava a 11ª vitória em um total de 12 lutas na carreira, o carioca Matheus Malta defendia uma invencibilidade de quatro duelos no cartel. E os dois fizeram jus às expectativas com um embate muito movimentado. Apesar do equilíbrio nos minutos iniciais da luta, Benício logo mostrou toda sua habilidade na luta agarrada e tomou as rédeas do duelo.

Com um show de quedas, o baiano conseguiu controlar o combate durantes os três rounds, ora trabalhando o ground and pound, ora buscando a finalização. Matheus chegou a igualar a luta no segundo round, mas uma nova queda de Luciano frustrou o carioca, que se limitou a se defender no round final. Ao fim dos 15 minutos, vitória clara de Benício na decisão unânime dos juízes laterais, garantindo assim sua primeira defesa de título bem-sucedida.

"Eu trabalhei durante muito tempo para defender esse título, era para ter lutado no último evento, mas um problema com meu adversário adiou a luta. Hoje consegui colocar em prática tudo o que vinha treinando e estou muito satisfeito. O Matheus é um cara forte, não à toa estava invicto e vendeu muito caro essa derrota. Queria dedicar essa vitória à minha equipe, meus parceiros de treino e todos que me apoiam. Essa conquista é mais deles do que minha", disse Benício, que agora soma 11 triunfos e apenas uma derrota na carreira.

Na co-luta principal do evento, Jiraya Pereira e Wanderson Marinho fizeram o duelo mais emocionante da noite. Com muita variedade de golpes tanto em pé quanto no chão, os dois atletas levantaram o público presente ao Clube Hebraica Rio. Ao final dos três rounds prevaleceu o bom condicionamento físico de Marinho, que levou a melhor na decisão dividida dos juízes laterais. Outro duelo que teve emoção de sobra foi entre Alexandre Cirne e Pedro Rocha. Depois de se impor no jogo de chão, Cirne, representante da Nova União, mostrou muita técnica para suportar o ímpeto do adversário nos rounds iniciais e vencer com tranquilidade por nocaute técnico, no terceiro round, após grande sequência de cotoveladas.

Outros dois companheiros de treinos da Nova União não deixaram a desejar na noite deste domingo. Enquanto o jovem Kaua Fernandes, de apenas 20 anos, teve trabalho para vencer o uruguaio Augustin Zas na decisão unânime dos juízes, Rafael Macapá teve menos dificuldades e finalizou Junior Afegão com uma linda chave de braço ainda no round inicial, frustrando a torcida de oponente, que compareceu em peso para apoiar Afegão. Na luta que abriu o Shooto Brasil 66, Silas Lima venceu Romualdo Lucas por decisão dividida dos juízes laterais.

Veja todos os resultados:

  • Luciano Benício venceu Matheus Malta por decisão unânime dos juízes
  • Wanderson Marinho venceu Jiraya Pereira por decisão dividida dos juízes
  • Alexandre Cirne venceu Pedro Rocha por nocaute técnico a 1min e 31seg do terceiro round
  • Kaua Fernandes venceu Augustin Zas por decisão unânime dos juízes
  • Rafael Macapá finalizou Junior Afegão com uma chave de braço aos 2min e 59seg do primeiro round 
  • Silas da Silva Lima venceu Romualdo Lucas por decisão dividida dos juízes



09/08/2016 23h05

O ouro de Rafaela Silva é um cala-boca aos críticos
Hélio Rodrigues

Muitos idiotas insistem em enxergar o lado violento das artes marciais. São isso: idiotas, que têm a vista limitada pela ignorância, o discernimento, bloqueado pela escuridão da estupidez. Rafaela Silva, brasileira, de origem humilde, é uma prova disso. Poderia ser apenas mais uma jovem de favela, sem oportunidades. Ou pior: se envolver com o que não se deve e até sequer estar no meio de nós. Mas não. Aos oito anos, a menina levada e briguenta da Cidade Deus, comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro, conheceu por meio do mestre Geraldo Bernardes, o judô, arte marcial japonesa criada por Jigoro Kano no século XIX.

Essa energia toda deve ser canalizada, pensava e dizia Bernardes. Disciplina, fundamentos técnicos e dedicação, tríade das artes marciais, seriam as ferramentas. O talento estava sendo lapidado pouco a pouco.

Em 2008, Rafaela conquistou o Mundial sub-20, além de uma das etapas da Copa do Mundo. Com 16 anos apenas.

Três anos depois, a carioca foi prata nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara na categoria até 57 kg e chegou ao vice-campeonato mundial em Paris.

Dois mil e doze foi um ano desastroso para Rafaela - na primeira Olimpíada que disputava, segurou a perna da húngara Hedvig Karakas antes do desequilíbrio. Resultado: a brasileira foi desclassificada e voltou para casa. O golpe motivou uma série de ofensas débeis, baixas, grosseiras e infames contra Rafaela, que prometeu: em 2016 teria uma nova chance, em casa, no Rio. Em dezembro, ela foi medalhista de bronze no Grand Slam de Tóquio (categoria até 63kg).

Se o anterior não foi como imaginava, 2013 guardou boas surpresas a Rafaela: a conquista da medalha de ouro no Pan-americano de Judô foi uma prévia para o que aconteceria em agosto do mesmo ano, se consagrou como a primeira a se sagrar campeã Mundial de Judô, vencendo na final a americana Marti Malloy.

Em fevereiro de 2015, Rafaela venceu o Grand Prix de Dusseldorf, na Alemanha, ganhando cinco lutas, quatro por ippon.

A consagração veio com as cinco vitórias nos Jogos Olímpicos Rio 2016, sobre a alemã Myriam Roper (primeira fase), a sul-coreana Jandi Kim (oitavas), a húngara Hedvig Karakas (quartas) e a romena Corina Caprioriu (semifinais). Na final, a brasileira derrotou a líder do ranking mundial, Sumiya Dorjsuren, e levou merecidamente o ouro para casa.

Se as artes marciais são violentas, que seja essa violência que afaste os jovens do crime, da vagabundagem, do ócio não criativo.



19/07/2016 08h55

Eu não gosto de Anderson Silva
Hélio Rodrigues

Bem, eu não gosto de Anderson Silva. Isso talvez não seja segredo para ninguém: nem para meus amigos, nem para meus leitores. Uma série de fatores me fez desgostá-lo, desgastar a admiração que, acreditem, já tive. Confesso: a história de vida dele é bonita, digna de um grande campeão. Mas não falemos disso aqui. O meu objetivo é, pasmem, reverenciá-lo. Não por ser o Anderson Silva, que está na lista dos maiores lutadores de MMA da história - embora eu não o considere o maior. A postura do brasileiro diante de Daniel Cormier foi louvável: o antigo campeão dos médios do UFC aceitou o desafio de enfrentar o americano a dois dias da luta e pouco menos de dois meses de uma cirurgia na vesicular biliar.

Mais: ele demonstrou, diferentemente de algumas oportunidades infelizes, hombridade e coragem para enfrentar um lutador mais pesado, exímio wrestler e detentor com méritos do título dos meio-pesados.

As diferenças eram notórias em alguns momentos: a facilidade de Cormier em colocar Anderson para baixo era algo esperado. Ainda assim, Silva demonstrou técnica, raça: para contra-atacar. Para tentar dar show à plateia - sem as firulas desrespeitosas de outrora. Para até tentar surpreender.

Embora infeliz na missão fica aqui registrado: seria eu um fã dele caso lutasse sempre assim: concentrado, sem arrogância.



07/07/2016 08h55

Três eventos, três disputas de cinturão: semana agitada no UFC
Hélio Rodrigues

Três eventos seguidos e uma disputa de cinturão numa quinta-feira. Ainda comemorando as festas de 4 de julho, o feriado da independência norte-americana, o UFC preparou aos fãs da entidade uma semana com promessa de ótimas lutas. A começar pelo UFC Fight Night: Dos Anjos x Alvarez, que terá o brasileiro Rafael dos Anjos defendendo pela segunda vez o cinturão conquistado em março de 2015 diante do anfitrião Eddie Alvarez.

No duelo dos números, 25 vitórias e sete derrotas para Dos Anjos e 27 vitórias e quatro derrotas para o americano, que deve ser páreo duro. Numa comparação rápida, Alvarez se mostra mais agressivo que o campeão, com mais golpes dados por minuto (3.29 contra 3.06) e maior precisão em golpes singificativos (41,72% diante de 41,14%). No grappling, a média de quedas do desafiante fica em 3.9 e a do lutador brasileiro em 2.64. Dos Anjos leva vantagem em precisão de quedas (

 

Roteiro de lutas
7 de julho, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (a partir de 23h de Brasília)
Peso-leve (até 70,3kg): Rafael dos Anjos (70,3kg) x Eddie Alvarez (70,3kg)
Peso-pesado (até 120,7kg*): Roy Nelson (119,3kg) x Derrick Lewis (120,4kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Alan Jouban (77,1kg) x Belal Muhammad (77,1kg)
Peso-leve (até 70,8kg*): Joseph Duffy (70,5kg) x Mitch Clarke (70,5kg)
CARD PRELIMINAR (a partir de 19h30 de Brasília)
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Mike Pyle (77,1kg) x Alberto Miná (77,6kg)
Peso-leve (até 70,8kg*): John Makdessi (70,3kg) x Mehdi Baghdad (70,5kg)
Peso-galo (até 61,7kg*): Anthony Birchak (61,5kg) x Dileno Lopes (61,2kg)
Peso-galo (até 61,7kg*): Russell Doane (61,5kg) x Pedro Munhoz (61,2kg)
Peso-galo (até 61,7kg*): Felipe Sertanejo (61,7kg) x Jerrod Sanders (61,7kg)
Peso-leve (até 70,8kg*): Gilbert Durinho (70,3kg) x Lukasz Sajewski (70,8kg)
Peso-galo (até 61,7kg*): Marco Beltran (61,7kg) x Reginaldo Vieira (61kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Vicente Luque (77,1kg) x Álvaro Herrera (77,6kg)

 

Roteiro de lutas

Peso-palha: Joanna Jedrzejczyk x Cláudia Gadelha
Peso-meio-pesado: Final do TUF 23
Peso-palha: Final do TUF 23
Peso-leve: Ross Pearson x Will Brooks
Peso-pena: Doo Ho Choi x Thiago Tavares
Peso-leve: Joaquim Netto BJJ x Andrew Holbrook
Peso-pena: Gray Maynard x Fernando Açougueiro
Peso-médio: Cezar Mutante x Anthony Smith
Peso-leve: Jake Matthews x Kevin Lee
Peso-meio-médio: Li Jingliang x Anton Zafir
Peso-mosca: John Moraga x Matheus Nicolau

UFC 200

Sábado é a vez de um dos grandes eventos da história do UFC, a edição 200. Recheada de lutas de tirar o fôlego, como o rematch entre Jon Jones e Daniel Cormier, a volta de Brock Lesnar, a chance de José Aldo dar a volta por cima. É muita coisa boa para um evento só, que também terá lutas como, Cain Velasquez e Travis Brownie e Johnny Hendricks contra Kelvin Gastelum.

Mas sobre esse evento eu falo mais na sexta... Fica ligado!



06/07/2016 23h09

José Aldo encara Frankie Edgar por cinturão interino e promete conquistar título linear
Hélio Rodrigues

Sete meses após a última luta, José Aldo volta a subir no octógono. Neste sábado, dia 9 de julho, em Las Vegas, no UFC 200, um dos grandes eventos da história da entidade, o brasileiro disputa o cinturão interino dos penas contra o norte-americano Frankie Edgar, rival que já derrotou anteriormente, no UFC 156, em 2013. Esta será a chance do "Campeão do Povo" voltar a disputar o título linear, que foi dele por cerca de cinco anos e acabou nas mãos do irlandês Conor McGregor em uma luta de 13 segundos.

"Não é certo não receber a revanche e me darem a disputa interina", lamenta José Aldo. "Não vejo como não lutar pelo cinturão, mas já que eles colocaram esse interino, tenho e vou vencer o Frankie Edgar. Depois volto pensar em vencer o título linear porque sei que é meu. Quem estiver na minha frente pode ter certeza que vai cair, porque quero ser campeão, quero me aposentar sendo campeão", reitera o número 8 do ranking do UFC peso por peso e com impressionante cartel de 25 vitórias e somente duas derrotas.

Reencontro com Edgar

Para recuperar o cinturão linear, José Aldo terá de superar primeiro um velho conhecido. Em fevereiro de 2013, Aldo teve Frankie Edgar, ex-campeão dos leves, em seu caminho na terceira defesa de título e venceu na decisão unânime dos juízes laterais. Naquela luta, o brasileiro dominou os quatro primeiros rounds e apenas administrou o último assalto, que teve ligeira vantagem para Edgar. A vitória foi conquistada com sua marca registrada, os chutes baixos na parte interna da coxa, e também ficou marcada por um elástico "super man punch" de contra-ataque, após apoiar na grade com os pés.

O reencontro contra The Answer não assusta o atleta da Nova União. Aldo não vê grandes mudanças no jogo do rival nesses anos, mesmo com Edgar vindo de uma sequência de cinco vitórias na divisão, todas após o revés para Aldo, sobre nomes de respeito, como Charles do Bronx, Cub Swanson, BJ Penn, Urijah Faber e Chad Mendes.

"Já assisti vários vídeos dele e continua da mesma maneira. A única diferença que pode existir é a adaptação na categoria e a confiança, mas, tecnicamente, continua o mesmo", confirma, sem usar o antigo confronto como inspiração para vencer: "Agora é uma nova história, mudei bastante. Aquela luta serve como um ponto, porque já o enfrentei e sei as movimentações que já fez, mas lógico, procuro olhar as lutas mais recentes e montar uma estratégia em cima disso", diz.

Foco para voltar a ser o melhor dos penas

Para José Aldo, a derrota para Conor McGregor não significa quem é o melhor lutador. O brasileiro acredita que naquele dia, um erro acabou decidindo o confronto tão rapidamente e por isso ele espera, em pouco tempo, voltar a ser o melhor da divisão e até liderar o ranking peso por peso, posto que já foi dele quando era o detentor do título.

"O que aconteceu foi azar. Não teve luta. Estou pensando em chegar agora e fazer um excelente combate. Quero vencer e vencer bem, porque acho que estou devendo isso. Quero o Conor depois novamente, para mostrar que sou melhor. Sei da minha capacidade de me tornar campeão. Estou bem tranquilo, que sei que o cinturão é meu e não saiu de mim até agora. Prometo aos brasileiros que tornarei a ser o melhor", garante. 



07/06/2016 11h27

Lutador do Bellator, Kimbo Slice morre nos Estados Unidos
Hélio Rodrigues

O americano Kimbo Slice, que lutava pelo Bellator e já foi atleta do UFC, morreu nesta terça-feira, de causas ainda desconhecidas. O lutador de 42 anos tinha uma luta marcada para o dia 16 de julho na Inglaterra, contra James Thompson.

Kimbo, que em fevereiro havia lutado contra "Dada 5000" Harris, em duelo sem resultado, virou sensação quando foi filmado em lutas de rua. Em 2007, ele foi contratado pelo EliteXC, no qual ganhou três adversários em sequência: Bo Cantrell, por finalização, Tank Abbott, nocaute, e James Thompson, por nocaute técnico.

Na quarta luta, Slice foi derrotado por Seth Petruzelli. A sensação da internet voltou a vencer, dessa vez Houston Alexander, mas conheceu novamente a derrota ao enfrentar Matt Mitrione. Na sequência, Kimbo derrotou o veterano Ken Shamrock.

No cartel do lutador, foram cinco vitórias, duas derrotas e um no contest, um aproveitamento de 62%.



04/06/2016 02h28

Um homem que vai, a lenda que fica: Muhammad Ali morre aos 74 anos
Hélio Rodrigues

Uma notícia triste para o mundo do esporte. Muhamad Ali, de 74 anos, morreu na manhã deste sábado, nos Estados Unidos. O ex-atleta lutava contra o Mal de Parkinson há 22 anos.

Considerado um dos maiores lutadores de boxe de todos os tempos e inspiração para feras como Anderson Silva, o americano teve uma carreira marcada por 57 vitórias (37 por nocaute), e apenas cinco derrotas, além das reconhecidas atuações política, religiosa e social.



18/05/2016 10h30

Vitor Belfort não foi Vitor Belfort contra Jacaré
Hélio Rodrigues

Vitor Belfort é um dos meus lutadores preferidos desde sempre. Além de pioneiro, foi um dos principais expoentes na divulgação e popularização do MMA no Brasil junto a outros atletas como Wanderlei Silva, Mauricio Shogun, Minotauro e Pedro Rizzo. Sempre explosivo, marcou época no Pride e no próprio UFC, onde foi campeão dos meio pesados.

A irregularidade, porém, tem marcado a carreira do brasileiro - que alterna vitórias fantásticas, com nocautes avassaladores, a derrotas previsíveis, quando o ground and pound lhe é aplicado. Foi assim, novamente, contra Ronaldo Jacaré, de quem também sou fã.

O início da luta dos dois, pelo UFC 198: Werdum vs. Miocic, foi de Jacaré dominando o centro do octógono e fazendo Belfort girar para não ser prensado contra a grade. Logo o Fenômeno recuando em uma atuação em pé? Esperar-se-ia o contrário. Acuado, Belfort não deu um soco sequer, e foi levado para o chão. Jacaré, então, estava com a faca e o queijo na mão - sabia da deficiência do oponente nos golpes de cima para baixo e assim o fez, aplicando socos no rival e contando com a destreza de fazê-lo sangrar intensamente.

Belfort até tentou se defender, mas, após um pequeno tempo, desistiu de qualquer tentativa de mostrar ao juiz que ainda tinha condições.

Jacaré foi avassalador! E Belfort... Bem, ele não foi o Vitor Belfort. 



18/05/2016 10h17

Derrota de Werdum foi um soco no estômago
Hélio Rodrigues

Confesso que, baixada a poeira, me entristeci com a derrota de Fabricio Werdum contra Stipe Miocic. Não que o croata-americano não fosse capaz de fazer o que fez, mas pela esperança que sempre depositei no brasileiro, mais completo que o rival.

A derrota, com menos de três minutos, foi mais que um nocaute em Werdum; foi um soco no estômago de aproximadamente 45 mil espectadores que acompanharam na Arena da Baixada, em Curitiba, e outros milhões, pelo mundo inteiro, via TV e internet.

O resultado final se derivou de displicência. Werdum é sabidamente um atleta de jiu jítsu, especialidade dele. Mas ousou trocar contra um exímio boxeador, Miocic. Um tiro no escuro!

Além disso, Werdum talvez contava com uma vitória relativamente tranquila por fatores que vão da confiança por lutar em casa, participar de um evento histórico e as últimas atuações - nove vitórias em 10 lutas. Só não esperava que um contragolpe fosse limitar, momentaneamente, os próprios objetivos.

Agora, o brasileiro terá que correr atrás do prejuízo - além da derrota, Vai Cavalo despencou 11 posições no ranking peso por peso do UFC. 

Pela maneira que foi e pelo tradicional rodízio de desafiantes nos pesados, Werdum não deverá voltar imediatamente a disputar cinturão.

 



06/05/2016 18h45

Destaque brasileiro, Thomas Almeida vibra com luta principal do UFC e promete corresponder
Hélio Rodrigues

Nem nos melhores sonhos de menino, o lutador Thomas Almeida imaginava, aos 24 anos, encabeçar um card principal do UFC em Las Vegas. O atleta está a pouco menos de um mês de fazer o primeiro main-event do Ultimate em um ano e meio que está na organização. Com uma sequência de quatro vitórias na franquia, com bônus conquistados em todas elas, e invicto na carreira, o brasileiro chega com moral para encarar o norte-americano Cody Garbrandt na luta principal do card do UFC Fight Night 88, dia 29 de maio, nos Estados Unidos. 

"Estou muito feliz pelo reconhecimento do UFC e por me dar essa oportunidade, é um sonho de criança encabeçar um card do Ultimate. Acredito que fazer um main event é um grande voto de confiança da parte deles e nem penso em decepcioná-los. Tenho certeza também que vencendo esse desafio eu dou um passo enorme em busca do meu sonho que é conquistar o cinturão", afirma o lutador, que ocupa a sétima posição no ranking do galos.

Por outro lado, Thominhas enfrentará uma das maiores promessas norte-americanas na divisão dos galos. O striker Cody Garbrandt sustenta uma invencibilidade menor que a do brasileiro - foram oito vitórias em oito lutas contra 21 em 21 do brasileiro.

"Meu adversário é bem duro, é um striker também e já fez muitas lutas de boxe antes do MMA. Sei das suas qualidades. Uma luta principal entre invictos oriundos da trocação acredito que é o que o público quer ver. Será uma verdadeira guerra e com certeza foi uma luta super bem casada. Ele vem da trocação, mas é um cara completo, tem um ótimo wrestling e se movimenta muito bem no chão. Vai ser uma luta onde não poderei cometer erros e vou entrar para nocautear ou finalizar. O segredo é entrar atento, pilhado desde o começo, sem dar chance para ele", projeta.

Ex-campeão na co-luta principal vira motivação a mais

O card do UFC Fight Night 88 terá também um retorno muito aguardado. O ex-campeão dos galos, Renan Barão, volta após os duelos pelo título da divisão diante de TJ Dillashaw e sobe de categoria para encarar o experiente Jeremy Stephens, na co-luta principal da noite. A presença de Barão é festejada por Thominhas, que enxerga a situação como mais um fator motivacional para o duelo diante de Garbrandt.

"Sou muito fã do Barão e da história que ele tem no UFC, são poucos que se mantiveram tanto tempo invicto na organização, e é uma honra lutar no mesmo card que ele. Estou muito feliz em ver como o UFC está apostando em mim me colocando para lutar na frente de lendas como o Barão. Estou treinando muito para não desapontar eles e muito menos todos que torcem por mim."

Card UFC Fight Night 88 

(Galos) Thomas Almeida x Cody Garbrandt    

(Penas) Renan Barão x Jeremy Stephens    

(Meio-médios) Tarec Saffiedine x Rick Story    

(Médios) Chris Camozzi x Vitor Miranda    

(Meio-médios) Jorge Masvidal x Lorenz Larkin    

(Leves) Josh Burkman x Paul Felder    

(Galos) Feminino Sara McMann x Jessica Eye    

(Leves) Abel Trujillo x Diego Ferreira    

(Médios) Jake Collier x Alberto Uda    

(Leves) Erik Koch x Shane Campbell    

(Galos) Aljamain Sterling x Bryan Caraway    

(Pesados) Chris De La Rocha x Adam Milstead



25/04/2016 08h30

Jon Jones vence, mas não convence
Hélio Rodrigues

Quem estava com saudade de Jon Jones, se decepcionou. Em luta morna contra o haitiano Ovince St. Preux, Bones não correspondeu às expectativas de quem esteve um ano e três meses com saudades do americano.

Dominante, o agora campeão interino dos meio-pesados teve uma atuação cautelosa, de muito estudo contra St. Preux, evitando se expor a uma derrota diante do rival.

Essa atitude passiva de Bones em muitos momentos levantou a ira dos presentes, que o vaiaram.

Por fim, o futuro oponente de Daniel Cormier venceu, mas sem brilhar, por decisão unânime dos juízes.



19/04/2016 21h50

Com três disputas de cinturão, WGP anuncia edição especial
Hélio Rodrigues

O WGP Kickboxing anunciou mais um evento especial para os fãs da luta em pé. A edição de número 30 acontece no dia 7 de maio, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Na luta principal do evento, o campeão Alex "Poatan" Pereira encara Junior Alpha pelo cinturão da divisão dos cruzadores (até 85kg) da organização e Thiago Michel defende o título da divisão super-médio (até 78kg) diante de Diego ?Gaúcho?. Além disso, Tadeu San Martino e o argentino Nicolas Ryske disputam o cinturão pan-americano da WAKO pela categoria dos médios (até 75kg).

Atual campeão dos cruzadores, Alex Pereira é considerado um dos melhores kickboxers do país, acumulando os títulos de campeão pan-americano pela WAKO e campeão brasileiro pela CBKB. Aos 28 anos, o atleta possui 12 lutas pelo WGP Kickboxing e vem em uma fase espetacular, acumulando quatro vitórias consecutivas, sendo a última delas a conquista do cinturão da categoria diante de Cesinha Almeida, na edição 25, por decisão unânime. Cesinha, inclusive, havia sido o último algoz de Alex, em uma luta disputadíssima em que derrotou o atual campeão por decisão unânime no WGP #17. Oponente de "Poatan", Junior Alpha se credenciou à disputa após vencer o Challenger GP da categoria, na edição 26, superando Ariel Machado e Rafael ?Kratos?, ambos por decisão. Aos 27 anos, Junior volta a suas origens na trocação, após passagem recente pelo UFC. No kickboxing, o baiano soma sete vitórias e apenas uma derrota na carreira profissional.

Na co-luta principal, o mineiro Thiago Michel defende seu cinturão pela segunda vez. Aos 31 anos, o atleta é um dos mais experientes do card, com um total de 44 lutas na carreira, sendo 41 vitórias e apenas três derrotas. Atual campeão pan-americano pela WAKO e uma referência na modalidade, Thiago vem de vitória na luta principal do WGP #27, quando bateu Fernando Nonato por decisão unânime dos juízes. Seu adversário é o atleta de Bragança Paulista Diego ?Gaúcho?, que venceu o Challenger GP da categoria também na edição 27, ao bater Jorge Daniel e Ruan Ferreira, ambos por nocaute, se credenciando assim à disputa de cinturão. Aos 29 anos, o lutador também possui extenso cartel, com 46 vitórias e oito derrotas, sendo 27 por nocaute ou nocaute técnico.


Disputa de cinturão pan-americano e retorno de Micheletti também são destaques

Se não bastassem os dois combates pelo cinturão do WGP Kickboxing, a organização também promove uma terceira disputa, valendo o título pan-americano da WAKO entre o brasileiro Tadeu San Martino e o argentino Nicolas Ryske.

Aos 40 anos, o veterano San Martino vai para seu nono duelo no WGP e soma vitórias sobre nomes importantes como Wallace Lopes e David Silveira, que se enfrentaram na última edição do evento. Com um total de 36 vitórias na carreira, San Martino vem de dois triunfos por nocaute no WGP, sobre Albaro Gonzalez e Iote Tiberiu. Seu adversário é o argentino Nicolas Ryske que faz sua estreia na organização, mas é dono de uma vasta carreira no kickboxing, com 43 vitórias e títulos mundiais conquistados. Aos 35 anos, Nicolas faz um duelo repleto de experiência com Tadeu.

O card do WGP #30 conta ainda com outros atletas de renome. Das lutas já confirmadas pela organização, o destaque vai para o sorocabano Felipe Micheletti, que enfrenta Haime Morais, e para Bruno Gazani que retorna para enfrentar o argentino Emanuel Ramponi pela divisão dos meio-médios (até 71,8kg). Gazani vem de derrota para o campeão Ravy Brunow por decisão unânime no WGP #28, interrompendo uma sequência de sete vitórias consecutivas na organização. 



28/03/2016 21h28

Curtinha: finalmente Cris Cyborg é confirmada no UFC
Hélio Rodrigues

Finalmente o UFC deu uma chance à brasileira Cris Cyborg. Nesta segunda-feira, a entidade confirmou a estreia da brasileira na organização de Leslie Smith, em Curitiba, no dia 14 de maio. O duelo será disputado em peso casado (63,5 kg), já que o Ultimate ainda não tem a categoria de Cyborg, peso pena, disponível.

Até que enfim, Dana! Pena não ter sido antes de Holly Holm destronar Ronda Rousey...



01/03/2016 09h00

Arrogância de Anderson Silva supera brilhantismo
Hélio Rodrigues

Anderson Silva tem muitas qualidades como lutador. Ele seria, se quisesse, imbatível. É um dos maiores de todos os tempos. Mas perde para a própria arrogância. Para a prepotência de quem se considera acima do bem e do mal e que despreza os conceitos das artes marciais. Que prefere menosprezar o adversário com uma petulância justificada como "parte do show". Foi assim que mais uma vez o brasileiro sucumbiu - foi derrotado, por pontos, para Michael Bisping, que, diferentemente do rival, atuou como um atleta, um guerreiro. Compenetrado, o inglês não se deixou levar pelo jogo psicológico e desrespeitoso do oponente. Apanhou, é bem verdade, mas tirou forças de onde não tinha para honrar a torcida que o apoiou.

Algumas dúvidas pairavam sobre o retorno de Anderson Silva. Há quem achava que ele fugiria ao estilo que o é peculiar e voltaria mais sério, sem firulas. Obviamente, a farsa mental criada por aqueles que ainda tinham esperança num Anderson humilde não duraria, sobretudo quando as provocações de Bisping - parte da promoção de quase toda luta - começaram. Era óbvio que o "Spider" honraria o time dele: ele próprio. A exemplo do que fez com Chael Sonnen, que o perturbou até não poder mais, Anderson teria que mostrar supremacia diante do rival - na casa dele. Fazer o inglês se arrepender de tudo que havia dito. O problema era a maneira que - novamente - iria fazer isso.

A luta começou. Anderson brincava com o oponente: abaixava a guarda, oferecia o próprio rosto, ficava parado, como se lutasse contra um incapacitado - situação similar à primeira luta que fez contra um ainda "desconhecido" Chris Weidman. O brasileiro bateu em Bisping - menos do que o provocou. O resultado não foi agradável: o ex-campeão dos médios tomou dois knock downs, um no primeiro e outro no segundo round.

No terceiro, talvez o mais emblemático dos golpes: Bisping deixou o protetor bucal cair da boca, avisou a Herb Dean e ao próprio Anderson, que, indiferente, desferiu uma joelhada voadora no inglês - que não teve uma atitude sensata ao abrir mão da defesa para avisar do problema que se passava. Acreditando ter vencido, o brasileiro subiu a grade para comemorar. Errou e pagou pela arrogância.

Aquilo deu forças para Bisping, que, mesmo bastante machucado, voltou à luta ainda mais obcecado por resistir e, quem sabe, vencer Anderson. No quarto e quinto rounds, o brasileiro continuou atacando, enquanto o "Conde" resistia bravamente.

Resultado: 48 a 47, de modo unânime, para Michael Bisping.

Anderson Silva perdeu para ele mesmo. Para a arrogância que o marca desde que se tornou um campeão do principal evento de MMA do mundo. O sucesso subiu à cabeça dele. O Aranha acha que pode vencer quando quiser. Que qualquer luta que faça é apenas cumprimento de protocolo. Que o espetáculo antecede qualquer forma de respeito.

Seriedade sempre marcou os campeões. E, mesmo que o estilo de luta de Anderson o tenha deixado sete anos como detentor de um cinturão e com vários recordes, falta a ele a nobreza de um artista marcial.


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27/02/2016 09h00

#TEAMBISPING
Hélio Rodrigues

Não parecia ser um duelo entre desafetos. Mas a luta entre Anderson Silva e Michael Bisping se tornou um combate de velhos rivais, surgidos após provocações mútuas do brasileiro e do inglês. Os dois se enfrentam neste sábado, em Londres, pelo UFC Fight Night. O evento marca o retorno do brasileiro, um ano afastado das lutas devido ao uso de metabólitos de drostanolona e androsterona: ambas as substâncias são vetadas pela Comissão Atlética de Nevada.

Quem espera por um Anderson mais sério, após duas derrotas seguidas para Chris Weidman e um no contest diante de Nick Diaz - quando lutou como um atleta profissional -, esta pode não ser uma boa oportunidade. As provocações de Michael Bisping, que se referiu ao rival como um usuário de estimulante sexual, não caíram bem aos ouvidos do "Aranha". Bom, já sabemos que quando o brasileiro é instigado, fará o que sabe fazer de melhor: desrespeitar o oponente no octógono. Dar um "show" (leia-se: humilhá-lo e fazer aquela palhaçada toda - baixar a guarda, oferecer o rosto etc. Essa discussão dá pano para manga: há quem defenda, existe quem discorde.)

Ponto um: Anderson Silva não é Muhammad Ali - está longe de sê-lo. Ponto dois: caso tente ser o lutador de sempre e não obter êxito, verá que o tempo dele no esporte já está mais perto do fim do que parece.

Michael Bisping é azarão, indiscutivelmente. É inferior a Anderson em pé e no chão. Deve ter uns 10% de chance na luta. Eu odeio admitir isso. Mas é o que me ocorre, baseado em fatos, dizer. Anderson manteve o cinturão dos médios por sete anos. Vale dizer que é uma categoria concorrida, com grandes lutadores despontando ano a ano. O brasileiro enfrentou nomes como Vitor Belfort, Dan Henderson, Forrest Griffin, Demian Maia, e se saiu bem em todas as lutas - vencendo com ampla vantagem.

No retrospecto, o inglês, também chamado de "Conde", tem 27 vitórias e sete derrotas - que consiga a 28ª! Anderson, por outro lado, aparece com 33 vitórias, seis derrotas e um no contest.

(Ah, de qualquer maneira, se você perguntar para quem eu estou torcendo, direi até dormindo: Michael Bisping.)

CARD PRINCIPAL
Anderson Silva (84,4kg) x Michael Bisping (83,9kg)
Gegard Mousasi (83,9kg) x Thales Leites (84,4kg)
Tom Breese (77,6kg) x Keita Nakamura (77,1kg)
Francisco Rivera (61,7kg) x Brad Pickett (61,7kg)

CARD PRELIMINAR
Mike Wilkinson (65,8kg) x Makwan Amirkhani (65,8kg)
Davey Grant (61,7kg) x Marlon Vera (61,2kg)
Scott Askham (83,9kg) x Chris Dempsey (83,9kg)
Arnold Allen (65,8kg) x Yaotzin Meza (65,3kg)
Brad Scott (84,4kg) x Krzysztof Jotko (83,5kg)
Norman Parke (70,3kg) x Rustam Khabilov (70,3kg)
Daniel Omielanczuk (115,2kg) x Jarjis Danho (118,4kg)
Teemu Packalen (70,8kg) x Thibault Gouti (70,3kg)
David Teymur (70,3kg) x Martin Svensson (69,9kg)