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Hélio Ricardo Rainho

Hélio Ricardo Rainho

VASCO. Carioca, publicitário, MBA em Marketing, ator, diretor teatral, escritor, pesquisador de escolas de samba, futebol e teatro. Escreveu a biografia do jogador Mauro Galvão e é colunista de futebol há 13 anos. Twitter: @hrainho

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



31/07/2015 14h31

O Vasco não pode fechar!
Hélio Ricardo Rainho

Amanheço com a triste notícia, publicada num site, revelando o poço de dívidas, problemas e pendências que poderiam ocasionar o fechamento das portas do nosso clube. Situação inadmissível, inimaginável, angustiante!

O futebol é cruel. Nossos adversários, torcedores de outros times que tripudiam de nós, não são nossos inimigos. Estão em nosso cotidiano. Muitas vezes são amigos, vizinhos, parentes. Tem pais que torcem por times rivais aos dos filhos, irmãos também. Unidos em laço familiar e consanguinidade, porém separados por ironias, depreciação, escárnio.

Estamos dilacerados no meio dos nossos próprios pares! 

Se o Vasco acaba, acaba a paixão! Se o Vasco fecha a porta, se para, se silencia sua voz que tão bem representa a conjugação da miscigenação brasileira, estamos no fim.

E, se não fecha a porta mas cai pela terceira vez, será preciso um terremoto para que se abra tamanha cova a sepultar um Gigante.

O que o Vasco precisa é de consenso, não de disputa. Ficamos vulneráveis à ingerência bestial de Roberto Dinamite, que arranhou sua imagem de ídolo numa gestão cercada de "estagiários na vida" (o único profissional relevante da gestão Dinamite foi o publicitário Fabio Fernandes). Mas essa vulnerabilidade veio da gestão anterior; do descrédito e do desvario insano da gestão anterior. Herdamos a esterilidade e a covardia de Roberto por culpa e por causa da bestialidade que agora se repete de Eurico Miranda.

Ganhamos lá uma Copa do Brasil, aqui um Estadual. A conquista da Copa do Brasil foi com uma derrota suada e sacrificada - a cara da covardia do então presidente. A conquista do Estadual foi num campeonato falido e retrógrado - a cara do atual presidente. Só! Comemoramos, tripudiamos, porque somos torcedores. Mas estava na cara que esses dois juntos acabariam com o futuro do Vasco.

A força histórica do Vasco sempre foi o consenso. Enquanto estivemos em consenso, encaramos o preconceito, vencemos o racismo, erguemos São Januário, fomos campeões pioneiros. Mas Eurico inventou a dissidência. Eurico inventou, dentro do Vasco, o repúdio interno, as birras, os confrontos. Desunidos, desarticulados, vivemos batendo cabeça, dividindo torcida, cheios de chapa política e nenhuma ação.

O que se esperaria de um momento árduo e horroroso como este de agora? A união de todos, a unicidade, uma ação conjunta pra reagir. Tá na cara que o Vasco precisa de uma gestão moderna, um nome fora dessa pachorra toda. Mas as portas de São Januário viraram portões de ferro: o clube está blindado, trancado como um forte.

Não sei mais o que dizer. Politicamente, era preciso expulsar todos os demônios que infestam há anos a Colina Histórica. Em campo, temos 10 dias para esquecermos a fúria de Roth no vestiário passado, pensarmos em treinamento ou alguma coisa que minimamente esboce reação para escapar do rebaixamento.

Atrevo-me a dizer que não temos mais o Vasco porque não temos mais país! A exemplo de Brasília, o clube é um covil dividido, cheio de vampiros sugadores de sangue que só querem engordar e aparecer, pouco se importando com os milhões que choram ou dependem simplesmente de um sentimento coletivo de pertencimento.

São 10 dias para mudar alguma coisa e uma sequência de cinco rodadas em jogos de seis pontos contra os companheiros de fim de tabela.

E seja o que Deus quiser...

 

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21/07/2015 14h36

O nome dele é Jhon Cley
Hélio Ricardo Rainho

O nome dele é Jhon Cley. Veio, na raça e na graça do menino, a glória do Gigante.

O nome dele é Jhon Cley. Entrou outra vez no Maraca, pisou outra vez no gramado. Desta vez não apenas como menino, mas como agente de um destino.

Era a sombra do campeonato de 50, a reedição da conquista territorial de um estádio. Envergava a camisa da faixa lateral com a cruz de malta reluzindo em vermelho sobre o apaixonado coração. Veio a campo não pra ganhar lado de estádio: seu destino seria ganhar o placar!

Foi na sanha aventureira de uma jogada de linha de fundo - jogada perdida, desacreditada. Com a fé da cruz de Cristo sobre o peito, acreditou que dava! Com a habilidade que Deus lhe deu, dominou a bola, preparou o cruzamento, deu a assistência que abriu o placar.

O nome dele é Jhon Cley.

Foto: Divulgação

Não haveria de ser um bonito gol de empate do adversário a calar, naquela tarde, o protagonismo de seu futebol. Tal qual uma caravela que enfrenta os mares graciosa e fortuita, rompeu a linha de meio campo, avançou contra os ventos, encontrou espaços além-mar e chutou com magia e encanto. A bola, envaidecida, fez no ar a curva das ondas de um mar furioso, ganhou beleza na força do chute, pintou em seu percurso uma obra de arte. Chute encantado e preciso que chacoalhou as redes. E a torcida vascaína repetiu, extasiada, o mesmo movimento da bola no ar...
O nome dele é Jhon Cley.

Entrou em campo como menino, saiu como herói.

Menino de ouro da nossa Colina, herança de São Januário. Joia que reluz em meio à escassez, mensagem de fé na adversidade, esperança de que outros chutes e outros passes em jogadas desacreditadas reacendam no coração vascaíno a convicção de grandes vitórias.

O nome dele é Jhon Cley. Domingo passado, o nome dele foi VASCO! Foi dele a vitória mais bonita contra toda opressão e escárnio dos perseguidores, dos usurpadores, dos que - com olhos de mediocridade - não enxergam a grandeza de um Gigante.

A Colina te agradece, a torcida te agradece.

Teu nome é Jhon Cley, abençoado cruzmaltino de um domingo iluminado!

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17/07/2015 15h39

O Lado de Lá e o Lado de Cá
Helio Ricardo Rainho

Domingo tem Maracanã. Clássico carioca no Brasileirão. Um Vasco na luta pra sair do buraco contra um Flu até aqui na zona de classificação. Mas não é a bola que tem acirrado a rivalidade entre ambos. Um fator extracampo - o lado da torcida - é o divisor de águas.

É sabido que o Vasco, como primeiro campeão do maior estádio do mundo em 1950, teve o direto de escolher seu lado no Maracanã. O grande vice Flamengo ficou com a segunda opção, o esquerdo. E assim seguiu a vida toda.

O problema é que os tempos mudaram. O Fluminense assinou com o Maracanã um consórcio por 35 anos em 2013, passando a ter direito de escolher seu lado. Poderia ter respeitado o direito antes adquirido pelo Vasco e ficar com o do Flamengo, já que o lado do Vasco fora adquirido também por mérito. Mas quis o lado direito. E começou a bulha.

A discussão, a meu ver, não tem nenhum fundamento jurídico para o Vasco. Mudaram as leis, mudaram as normas. Com a assinatura do contrato, o novo pacto substitui o anterior. Legalmente, foi burro entrar na justiça pedindo liminar. Não havia caminho para isso porque o tricolor está exercendo seu direito. O fundamento da questão seria ético. Como já disse, eticamente seria possível manter-se ambos os direitos adquiridos - o histórico (conquistado pelo Vasco em 1950) e o de direito (adquirido pelo Flu em 2013).

A questão é que ética não existe nas Laranjeiras. Não estão preocupados com isso. Acham-se capazes de julgar os vascaínos (a quem chamam de "padeiros", como se ser padeiro fosse vergonha pra alguém), mas não têm nada de melhor nem mais moralizante do que o Eurico a quem eles tomam por padrão negativo. Vale lembrar que subiram vergonhosamente da Série C para a A sem passar pela B exatamente com a ajuda do mandatário vascaíno. Mas, ainda assim, não se pode deslegitimar o que estão fazendo.

Ao que parece, o intento da diretoria do Flu é desestabilizar o Vasco. Com a nova posição das torcidas, a flamengada e a tricolada estão com assentos assegurados. São os "padeiros" que terão de oscilar nas arquibancadas.

Há anos tem sido assim: o Flu assediando jogadores e dirigentes do Vasco. O que eles querem mesmo está lá naquela nossa sala de troféus vultosa e imponente de São Januário. Não dá pra comprar nem arrendar! São três títulos sul-americanos internacionais: troféu do primeiro Campeonato Sul-Americano de Campeões em 1948, a Copa Libertadores da América 1998 e a Copa Mercosul 2000. 

O Vasco - tricampeão continental e único campeão continental invicto - pode jogar de um lado, de outro. Nada mudará essa história! Esses três pãezinhos eles podem rebolar que não vão conseguir tão cedo!

Quanto a nós, torcedores, entrar na bulha entre cartolas e suas parlapatonices é o de menos. De minha parte, vejo tanta sem-vergonhice no futebol que nem me atenho a essa questão de lado no estádio. 

Só lamento que, em meio a tanta discussão política, duas coisas estejam sendo esquecidas: a ética e o futebol. 

 

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09/07/2015 01h12

Tango de Carrapicho
Helio Ricardo Rainho

Então tá combinado: instituiu-se o ridículo em São Januário! O "tango de carrapicho"- alegoria infantil da quadrinha que relaciona tudo o que vai para a lata do lixo - parece substituir o hino do Vasco na mente de seus fiéis torcedores.

Que palhaçada é essa?! Que sem-vergonhice, que hipocrisia, que mediocridade, que boçalidade é essa?!

Esse goleiro que parece dopado, esse elenco que parece pouco se importar com o destino da bola e as agruras da camisa que vestem...que estupidez é essa?!

O "sinhô dotô" que saiu do limbo de sua casa, do colinho quente de seus netinhos "vascaínos doentes", comprando sócios-fantasma numa tacada só pra vencer eleição e fazer prevalecer "na marra" sua "vascainidade"...será que não se enxerga, nem enxerga que está envenenando os "netinhos" junto com o próprio clube?!

É uma patifaria só! Cada um dando conta de seu papel de patife, moroso, sangue de barata! Fico imaginando a bananosa que o treinador Celso Roth tem pela frente. Ele, que um dia deu as costas para esse clube para pegar um outro em condição mais privilegiada, não tardará a fazê-lo quando perceber a ruína e o miserê mais próximos. Será que fará diferente desta vez? Será que alguém lá dentro de São Januário já pensou nessa possibilidade?

Então tá: não revelamos jogadores que façam a diferença, nem contratamos jogadores que entrem em campo e decidam. Nem reforçamos pontualmente cada setor do time, nem apostamos em nomes de consenso para municiarmos um setor só. Que deve estar pensando o meia Andrezinho, entrando nesse esculacho moral de 4x0, levando o Vasco a levar toba jogando para sua torcida fora do Rio, passando uma mensagem de que virou um "clube em vias de extinção", sendo acreditado ainda apenas em seu próprio território?!

Estamos ferrados: isto é o que estamos! Não admitir isso, não reconhecer isso, ficar olhando por cima dos óculos a vaca ir pro brejo e a banda passar, reunir imprensa pra inventar factóide, arrotar pelos cantos da Colina que "o Vasco não cai" enquanto a caravela despenca tabela abaixo...tudo isso é RIDÍCULO! Vai esperar o que, sinhô dotô?! Uma interdição por demência?! 

Diremos para esta atual diretoria bravateira do Vasco o que dissemos para a anterior, que era covarde: MEXAM-SE!!! Mas mexam-se de verdade e enquanto ainda há tempo! Esta ridículo, insuportável, insustentável a tese de que "o respeito voltou" com tanta contratação de meia-pataca, tanta entrevistinha fake.

Venham, senhores, a público revelar DE VERDADE por que esse elenco (que sendo medíocre não é pior que os de outros clubes do z4 até o meio da tabela) está parado em campo desse jeito! 

É dinheiro? É feitiço? É trauma psicológico? É fissura anal???

"Tango tarango tango

Tango de carrapicho

Joguem essa sem-vergonhice na lata do lixo"!!!

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22/06/2015 14h50

Virada Radical
Hélio Ricardo Rainho

Reviravolta, furacão e tormenta. O Vasco campeão carioca agoniza na lanterna do campeonato e sua "raposa velha", escolada e sagaz, começa a armar o bote. Num apanhado só, mudou treinador, contratou três jogadores com bola para serem titulares (Leo Moura, Herrera e Andrezinho) e mudou o comando técnico da equipe (sai Doriva, entra Celso Roth). E ainda afirma que tem "90% de Ronaldinho Gaucho" em São Januário.

Não é pra se pensar, neste momento, nas possibilidades do que um ou outro vai render ou vai acontecer no Vasco. Isso, o tempo e o trabalho dirão. Começo pontuando a coragem e a velocidade com que essas mudanças todas foram feitas. Porque estávamos acostumados com a inoperância e a lerdeza mental então reinantes nos últimos anos, e agora, pelo menos, as viradas são rápidas e as mexidas são intensas. Posso tripudiar e desdenhar deste ou daquele contratado se meu senso de humor ou revolta estiverem oscilando. Mas não posso desdenhar da coragem e da rapidez com que tudo está acontecendo. Somando-se a isso as dispensas das últimas semanas. É um Vasco que se mexe.

O Vasco tinha até melhorado seu futebol nas duas últimas partidas. É fato também que as medidas e esforços de Doriva, embora sem resultados práticos em termos de placar, deram uma melhorada no padrão de jogo da equipe. Mas os resultados não vieram, e a saída do treinador - embora para muitos seja um tabu a ser quebrado - ainda é a melhor saída para casos assim, eu acho. 

Nominalmente, Celso Roth é um treinador que conhece o Vasco e sabe armar um time para disputa. Herrera é um atacante impetuoso e com presença de área (o Vasco hoje tem um ataque raquítico, precisa de um valente forte na área). Andrezinho é rápido e inteligente, habilidoso, da caldo e pode "ressuscitar" Dagoberto. 

Vamos aos mais polêmicos. Léo Moura, em idade mais avançada, tinha pele vascaína antes de vestir a rubro-negra. Esqueceram?! É um jogador técnico, conhece bem a posição e minimamente pode fazer a diferença num sistema com forte cobertura defensiva - o que, certamente, um time de Roth terá (ele chega a ser quase "retranqueiro").

E Ronaldinho Gaúcho?! A polêmica, os prognósticos, as acusações de boemia, a noite carioca, "tá velho" etc. Cada um diz uma coisa. A verdade é que nós, vascaínos, sabemos que o sonho do (complicado) empresário de R10, Assis (também vascaíno roxo), era ver o irmão com a cruz de Malta no peito. Se já deu bolos em outros clubes (o mico naquela festa preparada pelo Grêmio em que o craque apareceu na Gávea foi vergonhoso), pode até dar no Vasco, mas acho muito mais difícil. Não é otimismo, é fato: na média de nível técnico rasteiro em que aí estamos, Ronaldinho ainda é melhor bêbado do que meio elenco sóbrio! Não temos ninguém de seu nível à disposição hoje. Ou temos? Fora a possibilidade de se trabalhar imagem, investimentos e publicidade com sua marca pessoal.

Enfim, certamente o melhor de toda essa fase terrível é a coragem de se repaginar. Isso é uma virtude que o Vasco precisa.

A nós, torcedores, resta-nos acreditar que o sofrimento precisa ter um fim, a vergonha precisa ter um fim! A verdade é que o Vasco ano passado subiu miseravelmente da Série B, e ainda reflete, com síndrome de vira-latas, o "medinho" e o derrotismo de quem quase não se livrou do atol de lama. 

Que tudo dê certo e que já não seja tarde para recorrer ao velho bordão de que o Vasco é "o time da virada".

Esperar é o que nos resta. Deus seja por nós!

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14/06/2015 01h52

O Dono do Vasco
Hélio Ricardo Rainho

A história se repete. Saímos da fila. Ganhamos o combalido estadual deste ano tal como, anos atrás, ganhamos a Copa do Brasil. Vai aí um monte de vascaínos espernear: "que comparação". Não vou discutir a diferença entre um título regional e um título nacional que surgiu pra ser "atalho". O que estou dizendo aqui é que a mentira foi igual. Quebramos o tabu, parecia que tudo voltaria a ser como antes.

Não foi.

O Vasco covarde que está instituído desde a primeira queda parece ter voltado à tona, com força, este ano. Montaram uma equipe às pressas, dispensando uma cambada deixada pela diretoria anterior. De herança maldita em herança maldita, cá estamos nós, de volta ao destino cruel dos elencos apáticos, derrotas acachapantes e flertes com o rebaixamento.

Hoje li uma coluna falando sobre o arcaísmo da gestão vascaína. É isso mesmo: o Vasco precisa parar de se pensar como se pensou a vida inteira, porque o hoje chegou, o amanhã virá e ainda estamos pensando como se pensava ontem.

Estava assistindo a uma reprise da novela "O Dono do Mundo" num canal de TV fechada e o último capítulo me lembrou um pouco esse Vasco que a gente vê aí. O protagonista Felipe Barreto (Antonio Fagundes) foi um poço de monstruosidade na primeira fase da novela, ensaiou uma "regeneração" do meio até o final. Mas, no último capítulo, caiu a máscara e voltou a ser o vilão frio e calculista de sempre. Assim parece ser, mais uma vez, o Vasco campeão carioca que, em menos de dois meses, virou a vergonha extrema do Brasileirão 2015. Caminha convicto para a lanterna da competição, não esboça nenhuma reação sequer nos jogos em casa. Jogadores como Luan, Mádson e Gilberto parecem acometidos de retardamento mental: estão desesperados, burros, falhos o tempo todo, abestalhados. Garotos como Thalles e Yago são risíveis - e mais ainda a insistência do técnico em apostar alguma coisa neles. Em meio a tantos equívocos, inventar outros trastes de segunda acochambrados no elenco (Caucaia e Biancucchi) não poderia mesmo safar a onça.

O Vasco precisa voltar a ser Vasco. Precisa fazer como aquele Corinthians que caiu e subiu: destruir os cartéis de conservadorismo e burrice retrógrada da gestão covarde como a anterior e da gestão mão-de-ferro de agora, que muito berra e pouco reage.

Como na novela, o Vasco tem um personagem que se acha e se proclama "Dono do Mundo". Quando a única esperança do clube é que o Dono do Vasco faça alguma coisa, perguntarmo-nos todos nós, vascaínos convictos e apaixonados: quando será o dia do fim da bravata, em que "o respeito" também "voltará" ao campeonato mais duro mais humilhante, como está sendo este atual Brasileiro?

Mexa-se, pois, o mandatário atual! Monte um time, cace um elenco! Já que o Vasco terá de admitir uma gestão retrógrada e nada moderna como sucessão de uma outra herança maldita de covardia e burrice, resta-nos pensar que o berro do dono vai fazer alguma coisa funcionar daqui pra diante.

Faça-nos acreditar nisso, "dotô"! 

Tá duro aturar tanta vergonha debaixo da fumaça dos charutos...

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08/06/2015 16h49

O Respeito Versus o Medo
Hélio Ricardo Rainho

A torcida do Vasco está apreensiva. Talvez não devesse. Talvez devesse estar acostumada com altos e baixos, sobretudo os "baixos" do rebaixamento que sofreu amargamente nos últimos anos. Os dez últimos anos da história do Vasco são os mais dolorosos e os mais desafiadores de sua tão vultosa e grandiloquente trajetória dentro do futebol. Assolado por gestões esdrúxulas e covardes, o clube foi duas vezes ao vão ao qual não pertence. E este ano, até agora, caminha despencando na tabela rumo a essa mesma realidade.

Não é um elenco de renome esse do Vasco. Conquistou o Campeonato Carioca com autoridade, vencendo jogos decisivos com galhardia e pujança dignos da camisa cruzmaltina. Ficamos orgulhoso, esperançosos, com o moral novamente elevado ao vermos o Vasco voltar a vencer uma competição que há muito não vencia. Mas já sabíamos, era visível, que a disputa para o Campeonato Brasileiro seria muito mais árdua e requereria reforços consideráveis. A crise, porém, nos impossibilitou isso. E então...como ficamos?! No buraco, é claro! Amargando derrotas e empates, já na vice-penúltima colocação.

Está certo: o campeonato está apenas começando. Está certo: muita coisa ainda vai acontecer e o fôlego de muita equipe menor, hoje mais descansada, ainda vai despencar frente aos grandes. Mas, se olharmos para esses líderes atuais, que também não têm nenhum fora de série em seus elencos para fazer tanta diferença, por que estamos tão mal assim?

O grande mérito de Doriva no Estadual foi mobilizar a equipe e fazer a diferença, na competição, com uma característica: arrumar o sistema defensivo. De todas as equipes que disputaram as finais do Estadual, o único time que tinha uma defesa bem arrumada era o Vasco. Doriva explorou a boa qualidade técnica de Luan, a inteligência de Rodrigo e o apoio ao ataque de Mádson (nem vou falar de Cristiano, que vivia apenas uma boa fase) para tornar o sistema defensivo do Vasco a pedra de diferença e equilíbrio, e ganhar a competição. Enquanto os adversários tinham bons ataques, nossa defesa os neutralizava. E assim vencemos todos os grandes e todos os jogos decisivos do certame.

Mas deixamos de olhar para nosso ataque. É ciscador, mas esquálido e inoperante. As boas estocadas de Mádson, em bons passes de Rafael Silva, eram a única jogada. Dagoberto não pintou como goleador, Thales nos parece uma promessa engavetada que só pode dar certo em outro lugar, Gilberto é o mais produtivo mas joga sozinho e anda mal. A meia não é ofensiva nem esbanja criatividade: era Luan quem vinha lá da zaga para dar passes ou lançamentos em profundidade nos lances de ataque. Como agora nem Luan está se safando na zaga...imaginem o que tem sido o time todo…?!

Ainda é tempo de pensar. Claro. Não precisa esperar outubro para se tomar alguma atitude. Já que ainda há pouco alardearam - e nós, vascaínos, reafirmamos - que "o respeito voltou", é bom que volte mesmo! Que os jogadores respeitem a camisa do Vasco como respeitaram no Estadual. Que Doriva respeite as limitações e tire partido delas (porque é possível, ainda) como fez no Estadual. E que o "Doutor Eurico", que fez apologia da "volta do respeito" com tanta propriedade, esqueça as bazófias e procure entender que esta torcida não está mais disposta a aturar chacotas, gracejos e pedradas adversárias. Que mude esse quadro, que reforcem o time com alguma estratégia sei-lá-qual (para isso foram eleitos: colocarem em prática um modelo de gestão...não têm?!?!).

Esperamos, sinceramente, que o Respeito fale mais alto do que o Medo. Porque esse último, sendo bem sincero, já começa a falar grosso na tabela do campeonato e nos corações da torcida vascaína.

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01/06/2015 00h31

As Lições da Piaba
Helio Ricardo Rainho

Bom não foi. É claro que não. Uma piaba de 3x0 não faz cosquinha em ninguém. Mas é preciso relativizar os fatos.

O Atlético joga, hoje, o melhor futebol do país. O mais afinado, o mais ofensivo. Jogar contra ele em sua casa num domingo seria lenha para qualquer adversário.

Do outro lado estava o Vasco. Que ganhou o Campeonato Carioca numa arrancada vultosa na reta final, vencendo todos os seus rivais com gols providenciais e homeopáticos. O clube da Colina tem um bom atacante (Gilberto), mas não tem um bom ataque. Não tem força nenhuma para atacar. Venho dizendo que seu melhor armador é o zagueiro Luan, com os lançamentos em profundidade que seus armadores não sabem fazer. Dagoberto vai se intimidando e Rafael Silva não sabe se aproximar da área. O ataque do Vasco não tem nível para disputar o Campeonato Brasileiro. Que é duro, difícil. E não pode ter time grande sem força de chute, sem poder ofensivo, apenas baseado em uma defesa consistente.

Neste domingo a defesa do Vasco ruiu. É preciso repensar muito a forma de jogar e de escalar o Vasco para que esse ataque reaja. Esperar, por exemplo, que Marcinho renda alguma coisa sem exigir dele atitude e posicionamento em campo diferentes desses que, até aqui, ele mostrou em reiterada inoperância, é ilusão. Ou Marcinho é reorientado ou não vai render absolutamente nada!

E não é só com Marcinho que o Vasco precisa andar. O time precisa resolver essa deficiência que é ficar de passo a passo pelas laterais do campo esperando uma fuga louca de um lateral para conseguir penetração.

O que se deve fazer, então? Cabe à direção de futebol do clube pensar em como estruturar sua equipe sem ter dinheiro para reforços e com base naquilo que o atual elenco já tem de bom.

A posição do Vasco é delicada. Jogou mal todos os seus jogos até aqui, não ganhou seus jogos em casa e, assim que saiu para um confronto mais duro, tomou essa coça de hoje.

É preciso atenção. O certame está apenas começando. Mas é melhor esboçar reação e estratégia agora do que só pensar no pior quando a vaca estiver perto de ir pro brejo.


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20/05/2015 13h23

O recado de Eurico Miranda
Hélio Ricardo Rainho

A bola da vez, agora, é a declaração de Eurico Miranda sobre atletas e profissionais do Vasco não poderem dar entrevista falando sobre o clube coisas diferentes do que ele mesmo, como presidente, tenha declarado.

Tava demorando muito. Para as duas coisas: para Eurico polemizar com suas declarações de impacto e para a imprensa fazer o seu sensacionalismo alardeando um "ditador" em São Januário.

Eurico Miranda e Dagoberto. Fotos: Reprodução de InternetComeço falando sobre a declaração de Eurico. Não surpreende a ninguém que o mandatário vascaíno fale o que pensa, do jeito que pensa, a seu estilo retórico de não medir palavras para ser interpretado. É o jeito dele, tá na biografia dele, fez a fama dele. Estão surpresos com o quê? Por outro lado, estando o Vasco na segunda rodada do Campeonato Brasileiro, não haveria de ser um jogador recém-contratado, com histórico de nomadismo e nenhuma raiz clubística como Dagoberto, o mais adequado para preconizar um fracasso da equipe no certame. Por que Dagoberto abriu a boca antes da hora? A diferença é que, em vez de um banana engravatado cercado por blindadores, o Vasco hoje tem um presidente que não é omisso. Fala com força, mas não deixa a instituição virar chacota de gaiato. É por isso que ele diz que "o respeito voltou". Tem gente que ainda não entendeu. Se ouvirmos atentamente e sem edições tendenciosas a declaração de Eurico, ele está falando sobre a visão do clube.

Sobre a imprensa, chega a ser engraçado vê-la falar de liberdade de expressão. Porque essa gente que hoje escreve, comenta, irradia, empresaria etc não tem nada a ver com aqueles mártires do ofício jornalístico que foram torturados ou exilados no passado, a quem eles parecem "se igualar" quando fazem esses apelos em nome da liberdade de expressão. Essa geração que aí está pertence a imensos cartéis empresariais brigando por monopólios e direitos milionários, silencia muitas verdades, jamais investigou máfias de apito e conluios administrativos que ameaçassem seus privilégios. A grande maioria faz o gênero "bom mocinho" e guarda a roupa suja sem lavar, pra ajudar a sustentar privilégios e dominações. Sem querer generalizar, salvo raras exceções, em sua grande maioria está, a meu ver, desacreditada e desmoralizada para se insurgir contra o que julgam ser "censura". Porque praticam censura e manipulação de informação o tempo todo. Só aprovam pautas que sustentem seus impérios ou agradem seus reis. No seu dia a dia, abanam rabinho para quem eles julgariam "euricos" dentro de suas redações. Ou seja, vivem de pose. Mais nada!

Ouvi atentamente as declarações do Dagoberto e do Eurico. É preciso traduzir o que Eurico disse. Não foi "cala-boca" nem censura. O que ele quis dizer foi o seguinte: a visão do clube é brigar, disputar, combater. Um jogador que afirma o contrário na segunda rodada, ou estava sob o estresse de final de partida ou estava pensando muito pequeno para quem veste a camisa de um Gigante.

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03/05/2015 18h29

Vasco Campeão! Com respeito é mais gostoso!
Helio Ricardo Rainho

Hoje é domingo de Vasco!!!

Domingo de gente aguerrida!

Domingo dos caixeiros, mulatos, suburbanos, padeiros, portugueses, favelados da Barreira, gente rica, gente pobre enfileirarem a rampa do Maior do Mundo, hastearem bandeiras, levantarem seus gritos, arregimentarem seu canto...

"Vasco, Vasco, Vasco!"

Foto: Paulo Fernandes/Vasco

Hoje é domingo de Vasco!!!

Domingo de gente conhecida!

Domingo de Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Eri Johnson, Luís Melodia, Fernanda Abreu, Bruno Mazzeo, Sérgio Loroza, Nélson Sargento, Toninho Nascimento, Teresa Cristina, Mart'nália, Nei Lopes, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Paulinho Mocidade...Dicró e Chico Anysio lá do céu...envergarem o peito, erguerem a cabeça e cantarem o hino...

"Vamos todos cantar de coração, a cruz de Malta é o meu pendão..."

Estavam pensando que estávamos apenas disputando uma taça! Uma dessas, que se amontoam em nossa galeria histórica de São Januário! 

Estavam falando que é um título pequeno, de um campeonato pequeno, de um momento pequeno.

Tolos, ingênuos sempre serão! Eles não sabem que esse clube nasceu não por causa das taças, dos campeonatos inéditos e pioneiros que sempre conquistou...do primeiro maior estádio das Américas, do primeiro título de clube brasileiro fora do país, do primeiro título internacional invicto, dos três títulos sul-americanos e da última Libertadores que o Rio de Janeiro viu!

Eles não sabem que nascemos para amar o nosso pavilhão, morrer e se doar por ele, "abraçar o Vasco com as asas de todos os pássaros" - parafraseando Guimarães Rosa. 

E que esse domingo será importante pra nós - só pra nós, não pra eles, para o que eles acham nos seus bordéis de taças, de torcidas meretrizes que só querem saber de times campeões. 

E vem o Vasco

E vence o jogo

E ergue a taça

E mostra a raça

E acende a massa

Somos outra vez campeões!

A família reunida

A volta olímpica

A lágrima correndo no sorriso do rosto

Uma a uma derrubadas as vantagens

Um a um derrubados os adversários

Desta vez não foi só o campeão que voltou!

O que mais dói, o que mais incomoda a todos é saber: o respeito voltou também!

Vasco! Vasco! Vasco!

É muito amor em nosso coração! 

Menino Rafael Silva, paredão Martin Silva, guerreiríssimo Guiñazu, artilheiro Gilberto!

Luan e Rodrigo, gladiadores! Bernardo: xodó passional da torcida!

Maestro Doriva...este caneco é seu!

Torcida...divina torcida vascaína...iluminada, abençoada, a mais linda do planeta!

Avisa pro capeta, lá no quinto dos infernos, que roubado nunca foi gostoso! Gostoso é ser campeão na raça, na justiça, com a cruz de Cristo no peito, vencendo tudo que vem pela frente!

Parabéns, Vasco...meu Vasco!

Com respeito é mais gostoso!!!

 

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26/04/2015 22h12

O Gigante Mostrando a Cara
Hélio Ricardo Rainho

...e deu Vasco outra vez!

Disputando novamente um clássico do Estadual 2015 em desvantagem, o Vasco reverteu a situação e vai levar para a decisão a vantagem do empate. "Não tem nada ganho"...mas tem quase!

Na tarde deste domingo, o jogo disputado pela dupla Vasco e Botafogo teve lances emocionantes e até de boa técnica. Sim, você leu e ouviu coisas muito diferentes disso da maioria dos enfadados comentaristas televisivos, principalmente. Parece que eles, enfim, se cansaram de tanto ver jogo, de tanto ver craques internacionais...e de tanto fazerem o que fazem! Agora, para eles, tá tudo muito ruim, raros são os bons jogos etc. Claro, isso também vai depender muito dos clubes a que se referem. Qualquer outro time que tivesse uma zaga com Rodrigo e Luan seria chamado de "a melhor defesa do Brasil". Madson, no Corínthians, seria lateral direito de seleção. Se forem seus queridinhos de midia e de conluio político, tudo parecerá perfeito. Se for um desses "Vascos" da vida, nada de bom terão visto.

Valem para nós o gostinho da vitória e a nítida sensação de que o Vasco tem um time maduro, equilibrado emocionalmente, valente. Parece emocionalmente pronto para quebrar os tabus da vez. Já disse no Twitter e repito aqui: não se trata de nenhum Expresso da Vitória ou Trem Bala da Colina. Nem poderia. Esse time, minha gente, foi montado agora mesmo, durante um campeonato que virou pré-temporada, saído de um ato de extrema coragem da nova diretoria, que assumiu as rédeas de uma mudança radical e um começo estaca zero.

O que quero dizer é que, sem ser brilhante mesmo, o Vasco hoje jogou bem, teve presença em campo, não se afobou nem se amedrontou com a desvantagem. Diga-se de passagem, o Botafogo também mostrou bom futebol e a partida teve bom toque de bola de ambos os lados. Faltou mesmo foi botar o pé na forma! As oportunidades surgidas de ambos os lados teriam um placar mais elástico se fossem melhor aproveitadas. Duas bolas na trave pelo Botafogo poderiam sinalizar que os alvinegros foram melhores que o cruzmaltino. Mas, no geral, Doriva fez prevalecer o dominio do jogo pelos vascaínos. No segundo tempo, precisando do resultado, Doriva tornou o time mais ofensivo, com Gilberto, Thalles, Rafael Silva e Bernardo. Aparentemente isso desarticulou o nosso meio campo, mas era o ato corajoso do treinador para buscar seu resultado. Perdemos meio-campo, o Botafogo administrou melhor o setor, mas - sem trocadilhos - brilhou a estrela, só que a vascaína. Rafael Silva, que muitos questionavam, fez o gol da vitória.

Não há muito mais a dizer. Vamos esperar o jogo decisivo, que vale a Taça. Porque, para o Vasco, não se trata apenas de ganhar o campeonato. Mas de sepultar um estigma, expulsar uma praga, afastar um agouro.

Vencemos o Flamengo, revertemos duas vantagens, desta vez fomos nós - não o adversário - quem fez o gol dos minutos finais. É hora, de fato, do Gigante mostrar sua cara!

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19/04/2015 20h42

Isto aqui é Vasco! O respeito voltou!
Hélio Ricardo Rainho

E o Vasco venceu!
E o Vasco se classificou!
E o Vasco eliminou o Flamengo!

E o Vasco, do time que teve que ser completamente reconstruído e reestruturado, após a saída pela porta dos fundos da sinistra ex-presidência e sua corja de acéfalos arrotadores de caviar, está na final do Campeonato Carioca!

E parece que o Vasco, finalmente, voltou a ter um treinador de verdade. Os confusos idiossincráticos de outrora, com suas exegeses e invencionices de araque, nem aos pés desse jovem Doriva podem ser comparados. Juntando cacos, Doriva pegou o que sobrou de um Vasco que nem campeão de Série B conseguiu ser, montou uma equipe voluntariosa em poucos meses. Desenvolveu um esquema tático cuja simplicidade não comprometesse a insuficiência do elenco e não menosprezasse o talento que tem em mãos. E aí está o que vimos.

Foto: Reprodução de Internet

Um Vasco que disputou vaga nas semifinais em desvantagem, com o arquirrival tendo a vantagem de dois empates. E o que fez o Vasco de Doriva? Saiu corajosamente para o jogo, tomou a iniciativa e soube segurar a pressão mesmo quando teve lá o seu momento na partida em que perdeu o fôlego (na etapa final do primeiro tempo). Mas a estratégia do técnico foi decisiva: voltar para o segundo tempo com dois jogadores de refinado toque e técnica diferenciada - Dagoberto e Bernardo - para acertarem o passe final, cadenciarem o jogo, articularem contra-ataques fatais. Num deles, a tabelinha deixou Rafael Silva em condições de dar um passe primoroso para Serginho. Derrubado pelo estressado Wallace na área, com um deslocamento sutil que permitiria duas interpretações: "ombro a ombro" ou pênalti. Considerando que o jogador estava em chance real de gol e era último homem, o juiz marcou pênalti. Interpretação possível e sem muita contestação. O artilheiro vascaíno bateu com imensa categoria - bola de um lado, goleiro do outro - e botou o Vasco na posição revertida de ter a vantagem no confronto.

Aí então prevaleceu uma supremacia esmagadora do fator psicológico e da liderança de equipe pelo Vasco. Enquanto Doriva mantinha a bola no ataque e distribuía o jogo cada vez mais e melhor com os passes e arrancadas de Dagoberto e Bernardo, o Flamengo perdia-se errando passes e cobranças de laterais. Era um Flamengo inteiramente desesperado contra um Vasco sereno e confiante.

Venceu o Vasco, contra tudo e contra todos. Porque o vascaíno sabe que, quando o Vasco vence, não vence só dentro de campo. Precisa calar, inclusive, a triste imprensa e sua doentia parcialidade, motivada por interesses econômicos de um lado e corporativistas de outro. Uma perseguição que ficou clara quando o Vasco, com a torcida sob ameaça num estádio sem segurança e omissão total dos organizadores - não ganhou os pontos do jogo contra o Atlético Paranaense jogando em Santa Catarina (proibido de jogar em sua casa por atos violentos) e ainda foi rebaixado. A elite - a mesma elite racista do triste episódio da década de 20 que baniu o clube de negros, pobres e suburbanos - até hoje tenta fomentar razões paralelas para crucificar aquele que mudou a forma de se ver e amar futebol. Não calaram São Januário, não apequenaram a Colina, mas vivem vestindo o Vasco de coadjuvante e estrela menor. Um argumento que, lamentavelmente, os recentes rebaixamentos e a covardia espúria dos ex-dirigentes municiaram impiedosamente contra nós.

Não adiantou. Contra o esperneio de seus dirigentes, treinadores e jogadores, os dois maiores bastiões da elite racista carioca - Flamengo (beneficiado mormente pelas arbitragens nos últimos dez cariocas e brasileiros que disputou) e o Fluminense (das viradas de mesa vergonhosas da Série C pra A e da fuga do rebaixamento recente) - estão fora da decisão do Carioca.

Parabéns, vascaínos! Parabéns Martin Silva, gigante na partida fundamental! Parabéns, Rodrigo, zagueirão que ganhou todas as dividas o tempo todo! Guiñazu, Madson...Bernardo e Dagoberto, os homens que mudaram o jogo!
Parabéns, Gilberto, pela categoria no gol decisivo. Parabéns, Doriva, treinador jovem, inteligente e moderno de verdade para um Vasco forte!

A elite racista terá de assistir, pela televisão, à decisão entre um time de segunda divisão e um time de negros suburbanos! E ainda terão de ouvir um falastrão Eurico roncar grosso que, nesta tarde, venceu seu "campeonato à parte"...

Fazer o quê...
Isto aqui é Vasco! O respeito voltou!

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12/04/2015 11h30

Treino Secreto ou Invasão de Privacidade?
Helio Ricardo Rainho

Vascaínos irmãos,

Não se impressionem com essa tentativa de alguns setores imbecilizados e tendenciosos da imprensa de transformar os treinos secretos do Vasco em "negação de informação"!

A imprensa brasileira é obscura, tem "fontes" obscuras, assina contratos obscuros, faz tudo na obscuridade...e se irrita com direito alheio.

Vocês já viram matéria investigativa sobre CBF? Sobre FIFA? Sobre máfia do apito? Daquelas com repórter disfarçado, microfone escondido, câmera secreta...já viram?

Ja viram matéria investigativa sobre máfia de dirigentes e treinadores em conluio com empresários escusos fazendo triagem e bagatela de jogadores de divisões de base ou entubando falsos craques pra lavar dinheiro? Que TV ou jornal já fez isso? E por que só fazem de outros assuntos?

O que a imprensa não aceita é não poder COMPRAR tudo o que bem entende. Incluindo o ambiente interno do clube. E quem tá falando aqui não é apenas um torcedor do Vasco. É um profissional de Comunicação há 25 anos nesse mercado, 21 deles na televisão e mais de dez na imprensa e meio digital. Eu conheço bem esse eleitorado...

 Lembram desse evento: "Árbitro denuncia corrupção na arbitragem do futebol brasileiro e favorecimento ao Corinthians" [ http://t.co/fhYg1oO44o ]?

Pergunto eu: quantas matérias "investigativas" oa grandes veículos fizeram para aprofundar esse assunto?!?!

Resposta: não fizeram, nunca farão e jamais fariam! Porque compram uma laranja podre pra vender na TV e fazem vista grossa pra lucrar!

Então, se em seus "treinos secretos" essa imprensa desmoralizada e conivente castra a informação e acoberta a sujeira...que se cale e deixe o Vasco apenas treinar futebol!!!

Como faz há mais de 100 anos, pra desespero da elite imunda e racista que sempre envolveu esse esporte!

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06/04/2015 16h29

A Hora de Bater um Papo
Helio Ricardo Rainho

"Há dias em que nada dá certo". Seria essa a retórica para justificar o vareio de cinco gols tomado pelo Vasco num jogo só, contra o modesto Friburguense, após ser alardeada sua fama da defesa menos vazada do campeonato? Muito estranho esse caso, acredito. 

O Vasco entrou o ano com um equipe que teve de ser totalmente montada e reestruturada, sem tempo hábil para reconstrução, dada a necessidade de se expurgar a a virose deixada pela gestão anterior. Tempo escasso, veio a mentalidade jovem e reflexiva do treinador Doriva, que até vem conduzindo bem o seu rebanho. Mas, vamos admitir, os tombos do Vasco desde a derrota burra para a flamengada - dois gols dados de presente ao adversário - começam a acenar algumas coisas.

 

O goleiro Martin Silva deve estar com a alma e as mãos muito divididas entre a seleção de seu país e o clube que lhe paga. Parece alienado, dopado, sei lá. Tem soltado bolas bisonhas, errado muito a reposição de bola e se posicionado mal. O meia Guiñazu começa a dar sinais claros de que, à medida em que a idade for avançando, fará bom uso da famosa "caixa de ferramentas", colecionando cartões das duas cores e dificultando a vida do Vasco. E Bernardo? Será que, um dia, vai amadurecer, fazer a bola rolar redonda com o talento que tem? Eu não acredito...não acredito mesmo. Pra mim, ele é um Carlos Alberto II, irrecuperável de sua estranha alienação ao mundo em que vive. Ambos entram em campo, jogam bola e pensam o jogo somente para eles, sem se importar com mais nada. são dois autistas: estão imersos em seus mundos particulares e nem devem lembrar quem jogava boa com eles após uma partida.

 

Contratamos Dagoberto, uma esperança de melhoria, e ele já figura no departamento médico sem a gente saber quando volta. Temos Gilberto como um belo artilheiro e o lateral Mádson correspondendo bem em campo. Mas, desde os jogos contra Flamengo e Botafogo, o Vasco vem repetindo os mesmos erros de ontem, nesses cinco gols inadmissíveis contra a Friburguense. Por que estamos errando tanto? Por que tantos erros primários e infantis que nem peladeiro comete - atrasar bola em poça d'água, fazer pênalti desnecessário, gol contra, chutar bola no adversário pra enganar nosso goleiro...gente, o que está havendo?

 

O Vasco não pode se fazer cavalo paraguaio de uma competição. Começou bem, deu bom aceno à sua torcida, chegou a vencer um clássico. Mas há umas cinco rodadas não vem convencendo ninguém, com vitórias por "meio a zero", choradas e sofridas diante de adversários "ninguém".

 

Quem chama o elenco pra conversar? O treinador? O presidente? O diretor de futebol? A psicóloga? Se ninguém se mexe, daqui a pouco o cara de torcida organizada vai a campo, chama o grupo às responsabilidades intrínsecas ao peso da camisa...e aí começa a discussão improcedente sobre "invadir local de trabalho", "torcedor vagabundo" etc.

 

O Vasco tem que se aprumar. O Campeonato é fraco, os adversários são fracos e não se diferenciam em nada de nós. O atual líder passou boa parte do campeonato no sovaco da tabela, amealhou umas vitórias na empolgação e nos erros dos adversários e está com pose de uma sumidade que definitivamente não é. Se alguém disser isso ao nosso elenco, certamente nos nivelaremos e subiremos pro nível de disputa.

 

Fred tem razão quando diz que o Campeonato Carioca acabou. Só não devemos respeitar seu veredito porque ele resolveu afirmar isso pelo menos com uns dez anos de atraso. E justamente no momento em que a mamata do time dele acabou junto...

 

Ao Vasco, só esta ganhar a Taça Guanabara de cara, para recuperar a estima e superar os anos de impotência que tornam a equipe covarde quando precisa se superar. É bom que o Vasco se reintegre, se recomponha. Que Doriva não perca o pulso forte de sacar os medalhões que estiverem equivocados ou minimamente chamá-los a uma conversa de retomada de posição. A reta final se aproxima e a torcida não é marionete: estamos apoiando porque acreditamos na reação! Que venha, imediatamente, antes que não seja mais possível. 

 

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20/03/2015 09h06

Domingo tem flamengada!
Hélio Ricardo Rainho

A fase do Vasco é boa. O time está com moral, lidera a competição, tem jogadores como Luan, Mádson e Gilberto em excelente fase, apresentou uma contratação de peso- Dagoberto - que vem crescendo e dando moral à equipe. O garoto Jhon Cley está crescendo na equipe também, e sangue vascaíno da base, quando esquenta o time, faz a diferença.

Dorival parece ter o time na mão, saber o que fazer e a hora de escalar. E tem um mérito: essa equipe do Vasco está sendo formada em dois meses, dentro da competição, dada a necessidade de desmanche do elenco anterior para despachar os ebós da gestão passada - aquele bando de "songomongos" que tinham a cara da antiga diretoria e de seus baiacos correligionários.

É bom, porém, ficar de olho. No papel, os times todos do Rio estão ainda muito crus. Hoje não se tem como olhar para um ou outro e dizer: "está melhor", "é superior", "deve ganhar a partida". Flamengo e Vasco são equipes ainda irregulares e que inspiram pouca força ou confiança. No geral, ganharam de times pequenos e algumas vezes com preguiça ou dificuldade. Claro, aquilo tudo que destaquei acima ainda são pontos a mais que o Vasco tem, justificando que seu desempenho, mesmo com alguns momentos de oscilação, vem sendo o melhor da competição até aqui, traduzido nesses números.

Dagoberto trouxe o toque de classe e a personalidade que faltavam ao time na saída de bola da armação para o ataque. Coisa que se esperava de Marcinho, mas que dele propriamente ainda não aconteceu. Faço ressaltar que eu sempre vi essa contratação do Marcinho como "número 1" um pouco exagerada. É um bom jogador para compor elenco, mas não sei se carrega sozinho o piano. Com Dagoberto e Gilberto nessa fase, acho que ele pode afiar a sintonia e compor a orquestra.

Enfim, o jogo de domingo será um bom teste para as pretensões de ambos os times. Vai mostrar se existe equilíbrio no campeonato ou se, de fato, existe um time que saiu na frente e está melhor. Vai mostrar se a equipe vascaína tem maturidade para superar os traumas das roubalheiras em jogos passados. E vai mostrar, também, se a arbitragem tendenciosa e escusa dos últimos anos perderá seu poder com a volta de Eurico aos bastidores do futebol.

É esperar pra ver. Com fé no Vascão, partindo pra cima da flamengada!

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