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Hélio Ricardo Rainho

Hélio Ricardo Rainho

Carioca, publicitário, MBA em Marketing, ator, diretor teatral, escritor, pesquisador de escolas de samba, futebol e teatro. Escreveu a biografia do jogador Mauro Galvão e é colunista de futebol há 13 anos. Twitter: @hrainho

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



15/07/2014 14h26

Papa Essa, Brasil!!!
Hélio Ricardo Rainho

O futebol brasileiro segue juntando os caquinhos de sua vergonha histórica. A goleada em casa, a mancha definitiva na história de suas estatísticas. O pior: a perda total de rumo e a incerteza sobre seu futuro.

Anos atrás, ainda como colunista do Supervasco, publiquei uma sinistra profecia de que, caso fossemos eliminados de uma Copa do Mundo em casa e tivéssemos uma Argentina campeã no Maracanã, talvez pudéssemos repensar tudo - desde o nosso sentido de ser "brasileiro" (que a ditadura e a mídia poderosa, juntinhas, consolidaram basicamente como "vestir a camisa da seleção) até a moralidade de nosso futebol. A mídia e a sociedade brasileiras estavam absolvendo os piores exemplos de caráter e conduta (tipo Adriano e Ronaldo "Fenômeno") em prol do "futebol de resultados". O goleiro Bruno foi a pista de que nosso futebol estava formando monstros às ocultas, e não ressocializava mais nada nem ninguém. Não era uma "exceção", como muitos disseram: era apenas o ápice de um problema mais comum do que se queria admitir.

A tal "profecia tinha duas faces cruéis: a eliminação e o triunfo do maior adversário. Escaparam os brasileiros da tortura de verem sua maior rival no futebol ser campeã aqui dentro. Por pouco. Mas, em compensação, a eliminação com duas derrotas por goleada e com os adversários nitidamente nos poupando de um massacre ainda maior, colocou o difamado "Brasil ascendente do BRICS" em sua real condição: precário, rebaixado, humilhado...e digno de pena! Em nível internacional, pro mundo todo ver a cor da cueca arriada e a bunda com a marca do chute!

Sim. Ou alguém aí vai negar diante do espelho que Alemanha e Holanda, nobres seleções européias, demonstraram flagrante pena da miséria brasileira exposta ao mundo, em pleno território nacional???

Do outro lado, Felipão e Parreira. Símbolos da decadência moralista e subdesenvolvida do pobre metido a rico, do vaidoso arrogante, dos matemáticos da mentira, dos generais da ditadura que matam o povo mas cantam o hino nacional aos gritos, como se isso fosse sentimento patriótico. O "escrete de 70" foi montado por João Saldanha, que negou-se a atender as ordens da ditadura e largou a seleção pronta na mão de Zagallo; este deitou na fama do primeiro e fez sua cama. A frase "vão ter que me engolir" é um bardo hitleriano ou mussolínico que ainda se pode ouvir de um Felipão que manda antagonistas e críticos pro inferno em coletiva de imprensa ou de um Parreira manipulador que lê cartinha de dona de casa reiterando que eles continuam heróis sete gols depois da maior vergonha de nosso futebol. Ninguém sabe se essa dona de casa sequer existe, mas eu queria ver os dois fakes de treinador lendo as de muitos outros com opiniões desiguais. Assim como a nossa mídia, escolheram um fato, uma notícia, um ângulo... e imputaram como "verdade das verdades". São manipuladores por essência, sem vergonha nem constrangimento!

É isto: perdemos o jogo, a estatística, a dignidade...e a vergonha na cara!

Que diferença dessa gente para os políticos do Brasil?!

O chefe inglês da FIFA está preso em Bangu como criminoso, desmascarado e detido pela polícia carioca, tão difamada e criticada. Pois é. Rodou o mundo e quatro copas fazendo roubalheiras com uma quadrilha internacional e justamente aqui, onde dizem haver a "policia mais corrupta do mundo", se lascaram e estão todos encarcerados. O senhor Blatter nega-se a responder na coletiva sobre tais acusações. "Não sei de nada" - declarou, em tom petista. Provavelmente tirou 0,75 pontos da nota que nos atribuiu por causa da "falta de fair play" da nossa polícia, que tirou o brilhareco de sua instituição política. Sim, política: a FIFA não é esportiva nem cultural, é poder paralelo!

E os brasileiros começam a acreditar que a saída é "um técnico estrangeiro". A imprensa burra, a mesma que elogiava a seleção pra vender audiência, agora finge que tinha previsto tudo isso e atesta: "Precisamos de treinador de fora!"...

Não é disso que precisamos! Eles não,podem ou não querem falar a verdade! Se calam ou foram calados por alguém para dizer o que precisa dito! Precisamos mesmo é extinguir essa maldita Lei Pelé que bagaceou os clubes brasileiros, faliu os que ainda estão de pé, sucateou nossos jogadores, rebaixou os grandes, deu dinheiro para os pacotes de TV negociarem suas vendas de série B, exterminou a possibilidade de investimento nas divisões de base, abriu a porteira dos empresários vampiros para sugarem sangue e dinheiro de nossos clubes! Exterminar de nossa frente essa lei diabólica é a primeira coisa que deve ser feita se quiserem ter de volta um futebol que forme, que eduque, que sociabilize, que invista, que privilegie o talento, que fortaleça os clubes!

A partir disso, e somente com isso, precisamos escolher um técnico BRASILEIRO para SER FORMADO, não um desses medalhões que já chegam cheios de jogador de empresário pendurados nas mangas...precisamos mandar esse treinador modelado e sem vícios PRA EUROPA, para ESTUDAR LÁ e TREINAR LÁ a seleção que não tem mais jogadores aqui! Dedicado só a isso, trabalhando lá na Europa, estudando lá, trazendo a seleção DE LÁ.

Mas, ao que parece, os brasileiros e a mídia estão inebriados com o "fascínio brasileiro" causado nos estrangeiros. Nunca fomos tão diplomáticos...claro: um anfitrião que deixa o visitante fazer sete gols no meio de sua sala deve parecer, sem dúvida, um caso de diplomacia esdrúxula a ser estudado pelos bambas do Itamaraty. E, tão maravilhados pelo estangeiro, queremos tudo importado: até treinador de futebol! Haja babaquice e ressentimento! Acabou a paixão ufana?! Onde enfiaram a última bandeira verde-amarela com rabisco da Nike que ganharam de presente pra promover a falsa seleção?! Só falta indicarem o Blatter para as eleições presidenciais deste ano...

Se teve um jogador indo embora com camisa de clube brasileiro, tem também vídeo de jogador rejeitando camisa de clube brasileiro no estádio. É bom que se saiba que todo discurso alienante e ilusório acabará, e já acabou: cada um está entregue à sua dura realidade de dirigentes espúrios, relações escusas, clubes sem estádios, sem jogadores, sem estrutura, sem dinheiro e cheios de gente suja e hipócrita fazendo politiquinha pra saciar o ego doente!

Acho, sinceramente, que o pior está por vir nas eliminatórias. Principalmente porque estão todos perdidos, ninguém sabe o que vai fazer nem como fazer, e vão demorar muito pra resolver tudo isso...sabem por quê?

Porque, no jogo do "quem ganha mais", primeiro vão ter que calcular quantas regalias vão perder a partir de cada ato de reformulação. Sem calcularem seus interesses próprios, não vão mexer em nada. E qualquer uma dessas mexidas lógicas que todos estamos sugerindo acabariam com mazelas e privilégios conquistados há anos!

Brasileiros e brasileiras...xeque-mate! A Copa começou com gol contra e terminou com duas goleadas! Isto é seleção brasileira, agora!

Papa essa, Brasil!!!

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09/07/2014 09h35

Vaza, Brasil!
Hélio Ricardo Rainho

A Copa do Mundo é uma efeméride do futebol. Em seu rápido curso de ocorrência, todos - até mesmo os opositores do futebol - unem-se em torno da televisão para comentar, participar, torcer. O ranço de nacionalismo que envolve a Copa do Mundo é tão forte que, motivados pela execução do hino e pela bandeira do país, quase todos se acham na "obrigação" de torcer, de se emocionar, de se envolver. Ao contrário de nós, torcedores de futebol o ano inteiro, há uma predisposição fanática a não enxergar defeitos, a encobrir debilidades. Tudo em nome da festa. A mídia, a que mais fatura, é a que mais promove a mentira e o engano, dos quais é mestra. Mais ainda quando a festa ocorre na própria casa.

- Blog do Sidney Rezende: 'Perdemos. E agora?'

Assim aconteceu com a Copa do Mundo 2014 de futebol no Brasil. "Sua Majestade", a FIFA, chegou aqui em nosso país imbuída de seus estranhos poderes, sua autoridade escusa e exagerada. Enfrentou um corpo agressivo de manifestantes, um pesado slogan "Não Vai Ter Copa!" nas campanhas incisivas do povão irritado com o desgoverno e o caos urbano de um país que, para sediar a Copa, prometia organizar-se em todos os seus setores.

O Brasil precisou mudar. As autoridades precisaram encarar a fúria do francês da FIFA, Sr. Jerome Valcke, acusando-nos de tudo aquilo que sabemos que somos: lerdos, burocráticos, enroladores, incompetentes etc. E, para responder à altura, tudo acabou dando certo. Prepararam a estrutura, os meios de transporte, os sistemas de segurança, os serviços públicos e privados, o trânsito.

Esqueceram o futebol.

Aí apanhamos feio. Mais feio do que nunca. Mais uma vez o Brasil, em casa, faz história às avessas. Tomou uma surra histórica, melancólica, deprimente, humilhante, arrasadora, de 7x1 dentro de sua própria casa. Impávida plateia testemunhando a desgraça. Grande favorita, a Alemanha deu quase o dobro da coça que havia dado em Portugal em seu primeiro jogo.

O Brasil do Felipão era, se muito, um time, não era uma seleção. O conjunto era débil, o plano tático era esquálido e a motivação era apenas a presunção de jovens milionários numa excursãozinha de volta à sua terra hostil para tocarem pagode e funk e posarem de popstars. Muitos encheram em demasia a bola da maioria dos jogadores, mas quem, além de Neymar, seria, naquele time, capaz de desequilibrar uma partida? Pois quis o destino materializar-se num joelho colombiano de jogador perna de pau e, num lance de casual providência, impedir nosso único craque de passar em campo a vergonha que seus coadjuvantes passaram. Porque, com ele ou sem ele, teríamos tomado a mesma coça. Neymar não poderia reverter o quadro de uma seleção sem laterais, sem meias armadores, com atacantes improdutivos e um capitão chorão e medroso a exercer liderança zero nos gramados. Por detrás deles, um comandante ultrapassado, teimoso, perdido num time sem nenhum padrão tático, mal convocado, mal escalado, mal mexido...mal de tudo!

E por que nosso futebol retrocede tanto? Por que, nos últimos 10 anos, todos os clubes grandes que jamais foram rebaixados começaram a cair, começamos todos a perder jogadores das divisões de base muito cedo, começamos a sucatear nossos craques? Por que a CBF está cada vez mais milionária e os nossos clubes estão falidos, miseráveis, entrando em campo para morrerem?

Fred, Marcelo, Júlio e Felipão. Fotos: Reprodução de Internet

Devo concordar com o amigo e Dr. Jorge Veríssimo, conselheiro do Vasco da Gama e colunista de futebol (http://jolucave.wordpress.com/). A raiz dessa desgraça toda está na maldita Lei Pelé. Herança nefasta de um cara badalado como "Rei do Futebol" que, no entanto, mandou a maior bola fora no futebol brasileiro, outorgando ao empresariado o poder reinante sobre os passes, sobre os jogadores, falindo clubes, tornando o jogador de base um investimento sem retorno para quem o pariu. Hoje, a dura realidade dessa falsa carta de alforria para os atletas é que os clubes têm medo de investir na base, gastar dinheiro com jogadores bem formados, porque sabem que cedo eles sairão do clube e pouco lhes darão em troca. Por outro lado, dirigentes macabros fazem pactos satânicos com empresários lavadores de dinheiro desde cedo, quando começam as carreiras dos meninos, e todos eles se acham livres, mas se tornam escravos ou mercadorias nas mãos dessa gente.

Eis a "crônica de uma morte anunciada"! Acharam que a falência, a decadência e o rebaixamento dos clubes tão somente alimentaria a audiência da televisão na venda de pacotes dos campeonatos, levando torcidas gigantescas para torneios pouco vistos, e que isso não lesaria alguns clubes protegidos nem a boa imagem do nosso futebol nacional. "Azar da desgraça de alguns" - pensavam, achando-se imunes. Entorpecidos pela vaidade e pala jactância, tropeçaram na própria burrice, e mutilaram seus próprios recursos. A "grande seleção brasileira" não passou de uma Argélia (do craque Slimani) ou de uma Colômbia (do craque James Rodriguez): tínhamos um só jogador de desequilíbrio em campo!

Estamos pobres de talento no nosso futebol. Perdidos de nossos bons jogadores, sem treinadores com capacidade e empenho tático. Achamo-nos o "país do futebol", mas há anos a roda de treinadores do futebol brasileiro é a mesma; uma dança de cadeiras descaradamente política, não técnica. Jamais fizemos intercâmbio com grupos de fora, estudos com treinadores de outros pontos do mundo: nossos "professores" emburreceram e se acham "os tais". Malandros, mal preparados, muitos de nossos jogadores querem jogar como peladeiros, porque nunca estudaram nem se submeteram à inteligência tática. Faliu a bola do Brasil. Murchou. 7x1 em casa foi o "sapeca-iaiá" alemão para desmascarar a firula!

Enquanto isso, a imprensa segue procurando santos...ou demônios. Heróis ou vilões. Tem que admitir que foi vergonhoso o desfecho. Estava se autopromovendo estupidamente, colaborando com seus pares para propagar uma suposta "melhor copa de todos os tempos" antes da Copa acabar. E agora? Continuarão achando que uma Copa onde o dono da casa foi eliminado com uma surra de 7x1 é a "melhor de todos os tempos"? Como farão para retirar o que já disseram?

Estamos num xeque-mate. Estreamos na Copa com um gol contra e saímos dela com a pior goleada de nossa história. Esperamos 64 anos para uma revanche em casa e veio uma catástrofe: a derrota foi a pior da história, infinitamente mais vergonhosa e humilhante que o vice-campeonato de 50. Troquem as piadas do Brasil vice em 50: nada pode ser pior do que o Brasil do gol contra de Marcelo, do choro covarde do capitão Thiago Santos implorando para não bater pênalti (Bellini não viveu pra ver isso!), dos falsos atacantes-que-não-atacam Hulk&Fred e do goleiro Julio César como o mais varado de nossa história (falhou em várias defesas nesse jogo).

Nesta Copa a CBF pagou o preço de uma lei que, lá atrás, banditizou a relação dos clubes com os jogadores, criou a força dos atravessadores travestidos de empresários, quebrou muitos clubes...e o feitiço virou contra o feiticeiro.

Rei Pelé e seu compadre Zico, que muito difundiram essa lei, aparecerão na televisão dizendo que "no tempo deles era diferente", que tiveram mais orgulho que os atuais para vestirem a amarelinha. Mas nós sabemos que a lei tosca que ambos ajudaram a criar foi e está sendo o câncer dos clubes, do futebol brasileiro e, por fim, da seleção mais frouxa e incompetente que nos fez passar essa vergonha dentro de sua própria casa.

Vaza, Brasil!

Que sorte tiveram os que não foram convocados...


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02/07/2014 09h32

É Preciso Ficar de Olho!
Hélio Ricardo Rainho

Os Meninos da Colina começam a ganhar notoriedade. O lateral Andrey e os meias Alan e Evander, titulares da equipe juvenil, foram convocados para a Seleção Brasileira sub-17. O time mirim do Vasco venceu a série Prata (abaixo do título principal do campeonato, que é a Série Ouro) do torneio Ibercup Costa del Sol, na Espanha. A tradição do Vasco sempre foi essa, de revelar e promover gerações de futebol dentro do próprio clube.

No Vasco, acompanhar o andamento e o destino dos meninos é uma real necessidade. Diz-se isso porque, como temos visto, o clube perdeu completamente o ímpeto de revelar grandes jogadores para o time titular nesta gestão do deputado. Nomes expressivos, em tantos anos, somente Alex Teixeira e Phelipe Coutinho. Que foram imediatamente vendidos e sequer tiveram tempo de oferecer mais ao clube. Temos agora, no time titular, Thalles e Luan como principais destaques, com Jhon Cley correndo por fora. O grande craque em potencial, Marlone, foi vendido antes que pudesse também se firmar.

Difícil se imaginar uma ascensão do clube sem um trabalho que conjugue a pujança de um jogador forte, arrastando a pegada do time, e um bom trabalho de base revelando valores. O Vasco que se diz "pobre e em dificuldade" investiu pesado nos últimos anos em comissões técnicas caras e improdutivas. O que fizeram com Ricardo Gomes? O que ele faz no clube? Seus diretores bem pagos reclamam de falta de dinheiro para contratações, e a área de marketing ainda não alavancou o plano de sócios nem a venda de camisas de um ídolo para mudar o quadro atual. Espera-se que o Gladiador possa ser o ponta-de-lança não só do ataque, mas também da imagem institucional e comercial do clube.

Num clube, porém, que chora migalhas de pão dormido, é fundamental que essa diretoria chorona pare de se lamentar e comece a trabalhar um bom uso da fornalha da Colina com craques de potencial futuro, visando a uma identidade dos times futuros, como o Vasco sempre fez: bons jogadores, atletas com vínculo afetivo e raiz em São Januário.

Ao que nos parece - e isto ficou muito claro nos últimos anos - a balaiada de jogadores de empresários fez mais sucesso no clube e literalmente dinamitou a fé e a esperança dos jovens valores da casa, que viam-se desprestigiados e desmotivados a baterem sua bola redonda, porque sabiam que jamais seriam titulares diante dos "paus-mandados" enfiados goela abaixo na equipe titular.

Enquanto o Vasco for dirigido como se fosse uma assembleia de deputados, com inúmeros conluios políticos afetando o bom senso e a transparência, será difícil reverter esse quadro.

É importante, pra quem vota, observar minimamente o que prometem os candidatos em relação a essa gestão das categorias de base e seu devido aproveitamento no planejamento estratégico do clube. O horizonte não é bom. É preciso ficar de olho!

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18/06/2014 10h40

Gladiador no Vasco!
Hélio Ricardo Rainho

Na calada da noite, durante essa fase de ausência dos clubes em virtude da Copa do Mundo, o Vasco foi lá no sul e conseguiu, a meu ver, dois feitos relevantes.

O primeiro: livrou-se de Felipe "Bostas", uma estranha pedra de tropeço do time nesses anos, jogador de nível mediano para baixo que, curiosamente, teve costas quentes com todos os treinadores vascaínos. Sugeria ter um empresário forte. Agora foi pros Pampas!

O segundo - que, ademais, nos interessa - foi a contratação de Kléber, o "Gladiador".

Foto: DivulgaçãoAtacante, goleador, impulsivo, polêmico. Enfim, um jogador de personalidade. A rigor, o que nos faltava. Coisa que esse elenco inteiro não tem, de jeito nenhum. Conforme havia pontuado em minha última coluna, o clube precisava com urgência de um ídolo. Kleber tem a envergadura para isso e, a julgar pela imagem divulgada antes do atleta chegar e vestir a camisa do clube numa coletiva, pretende-se trabalhar uma imagem de marketing do clube a partir da chegada do jogador.

Difícil é supor que haja vida inteligente (e bem intencionada) nessa gestão do clube para aproveitar devidamente a chegada do jogador e alavancar tudo - vendas de camisas, incremento do programa de torcedores etc. Essa diretoria do Vasco vem evidenciando sua estultice aguda para ações estratégicas inteligentes. O modelo de gestão do clube é de velhos senhores feudais - empresários de açougue, padaria, sacaria e mercado. Só antiquados, misturados a principiantes vaidosos e improdutivos, que vivem de bazófia. Desde a saída de Marcos Blanco, que já atuava no marketing de mãos atadas pela idiotice reinante, o marketing parou. Vejamos como se sairá agora, com o apelo de Kleber. Se é que vai tentar algo além da imagem de divulgação com escudo e espada do gladiador em versão cruzmaltina.

Dentro das quatro linhas, Kléber é um jogador ofensivo, goleador, centroavante de ofício, com bom toque de bola e dado a voltar um pouco para buscar o jogo, quando não lhe chega. Tem boa movimentação e, de cara, impõe-se com autoridade em campo. O que pode ser importante para uma necessária virada desse Vasco apático e sonolento de moscas mortas em campo, já que a tabela denuncia uma letargia e um conformismo com o mundo dos rebaixados.

Mundo que, aliás, é a cara do deputado presidente e de seu comboio de acéfalos instalados!

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08/06/2014 12h25

O Vasco caído e a perda da referência
Hélio Ricardo Rainho

O Vasco que entra em campo é um amealhado de mortos-vivos, um "walking dead group" que ousa vestir as cores e a cruz de malta daquele que, outrora Gigante, hoje apenas apresenta-se como mediano, medíocre, raquítico diante de seus parcos adversários de Série B.

Já começo minha análise lembrando que o mesmo presidente passou por uma Série B em 2009 sob as alegações de ter "herdado" uma "maldição" e, ainda assim, no mesmo mandato, conseguiu retornar ao abismo anterior. A maldição agora é dele, autoral, assinada. E sabemos que ele tornou-se anti-ídolo e maldito mesmo; decaído e assumidamente incapaz. Esse é um ponto que ninguém questiona: a incompetência e a frouxidão do atual mandatário do Vasco. Como gestor, ele é pior ainda que seu antecessor. Juntos, são a ruína.

E onde estaria, a princípio, o erro fundamental de estratégia dessa campanha pífia do Vasco na Série B 2014? E onde estaria a diferença deste Vasco 2014 para, pelo menos, aquele de 2009 que conseguiu escapar do buraco em que caiu?

A diferença estava na referência. O Vasco pensava em ter um ídolo. Investiu primeiro em Léo Lima, que acabou não correspondendo, e então apostou suas fichas na ideia de contratar uma figura forte, consagrada, com muitos títulos na bagagem, que tivesse envergadura para impor respeito aos adversários de Série B. O líder puxa tudo: o time, a torcida, a publicidade, o faturamento.

Convidou Juninho. E todo mundo deve se lembrar que ele recusou, dizendo que o Rio de Janeiro era "muito violento" para seus filhos. Depois que o Vasco subiu, provavelmente alguém disse pro Juninho que o Rio virou a Suíça...e só aí ele voltou! Respeito quem veja de forma diferente, mas, pra mim, ali e no "migué" de tirar o pezinho fora no rebaixamento do ano passado, Juninho perdeu a coroa de rei. Mais um ídolo decaído no meu panteão!
Mas, voltando ao buraco da Série B 2009 o mesmo presidente e o mesmo diretor de futebol vindo da churrascada tiveram um foco: fortalecer a imagem de um ídolo, não apenas como estratégia de marketing para venda de produtos, mas também para se impor como líder e fazer prevalecer a moral do Vasco dentro de campo. Tenho por certo que essa ideia era de alguém que não está mais no clube, porque deu certo e não foi repetida para 2014. Veio do Marketing, talvez.

Louco ou não, foi Carlos Alberto que, topou o desafio que nem Juninho foi "reizinho" suficiente pra aceitar! CA19 encarou a missão do seu jeito: com desvarios, extravagâncias, mas com alguma seriedade e competência técnica capazes de alavancar o retorno do Gigante. Ele era a referência, mesclada a talentos da base como Phelippe Coutinho e Alex Teixeira.

Carlos Alberto. Foto: Reprodução

Pois bem, veio a queda para 2014 e o que fizeram o deputado e o churrasqueiro juntos? Primeiro mantiveram no elenco os dois principais responsáveis pelo tombo: um treinador até então encostado e "saco de entulho" pra qualquer clube e o pior goleiro da historia do Vasco. De quebra, o churrasqueirinho dos pampas chegou com seu velho discurso de "pé no chão" e "contenção de despesas" (quanto será que ele ganha?!?!), contratando meia dúzia de gatos mortos que, juntos, não jogam nem representam nada, e equivaleriam a um salário se um jogador de verdade para ser ídolo.

Admitamos: Pedro Ken não vai jogar mais do que isso aí que vem jogando nunca! Douglas, que também tem boa técnica, não serviu pros gambás, então não é jogador pro Vasco! São lentos, desinteressados, apáticos, tímidos, sem liderança.

O Vasco 2014 não tem referência dentro de campo! A cruz de malta, hoje, corre sozinha os gramados, amontoada sobre 11 peitos, sem destino, sem plano tático, sem sangue nem suor. Em 2009, tínhamos um ídolo para gritar com a equipe e para se impor como gladiador dentro de campo. Em 2014, os coelhos assustados fogem da raia com qualquer estampido de torcida de time pequeno.

Melhor seria ter um só jogador de envergadura dentro de campo - um só ídolo que fosse! - e dez meninos correndo a seu redor. Porque essas tubaínas de empresário que são contratadas como "baratas" acabam, somadas, representando dinheiro jogado fora. Melhor seria investir na prata da casa, coisa que o atual presidente abomina e despreza.

O deputado não gosta de ídolos! Queimou todos, inclusive a si mesmo, depauperando em cinco anos uma história construída com imenso empenho numa galeria histórica de um clube extraordinário!

Sozinho, sem presidente e sem diretor de futebol de verdade, sem treinador e sem um ídolo dentro de campo, o Vasco virou apenas o grito ensandecido de uma torcida apaixonada. Um berro que ecoa nostálgico nos estádios enquanto uma manada de energúmenos tropeça nas próprias pernas e se diverte, envaidecida, vendo o Gigante sucumbir!


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21/05/2014 00h18

Os Miseráveis
Hélio Ricardo Rainho

Fosse esta uma coluna literária, certamente nos orgulharia abri-la com esse título, mencionando a obra clássica do escritor Victor Hugo. No entanto, por ser uma coluna de futebol, já se sabe o que ela abordará.

É incrível a miserabilidade mental da indigesta diretoria do Vasco. Eles conseguem, quanto mais passa o tempo, chafurdar o clube na mesma lama da estultícia onde cada um deles parece ter nascido.

O Vasco caiu para a segunda divisão como se isso fosse uma meta. Sim: é clara a impressão de que o time foi jogado no buraco em que está quase propositadamente. Por que afirmo isso? Porque sua diretoria acéfala - e isto inclui esse fake de diretor chamado Caetano - prestigiou, para toda a temporada 2014, os dois principais débeis do fracasso do ano passado. Refiro-me ao esdrúxulo goleiro Douglas Silva (um horroroso irrecuperável) e ao treineiro de araque Adilson Batista (absurdamente incapaz). Ninguém, em sã consciência, manteria, na temporada seguinte, dois recursos tão parcos em uma equipe de futebol. Do alto de sua sandice, o deputado-presidente não enxerga mais nada. Sua corriola lambe-botas já não consegue mais defender a imagem do "mandOTário" incompetente e frouxo que ele é. E, como estão todos preocupados com poder, eleição e dinheiro, o time segue cambaleando miseravelmente num campeonato de segunda divisão.

É o fim da picada! Mas a maldade e a bestialidade desses loucos não se esgota!

Com toda a sua pose de executivo de futebol, o "fake dos pampas" andou anunciando sua balaiada de contratações a meia boca, fazendo a festa dos empresários de gente que nada resolverá em campo. Enquanto isso, o bizarro Felipe "Bostas" continua 100% titular absoluto, engrossando o caldo dos cabeças de área (de bagre) que se amontoam no time que joga em linha, armado estupidamente por esse treinador de quinta.

O Vasco do deputado cata-migalha, arrasado em fim de carreira política em todo lugar, perde pros Luverdenses, empata com Sampaios Correas da vida sem nenhum constrangimento moral por isso. O auge da miserabilidade é começar, pouco a pouco, a se acostumar com a lama da segundona. Nosso padrão de jogo, nossa atitude em campo, nosso poderio de fogo na Série B não impõe nenhum respeito, não faz nenhuma diferença. Jogamos de igual para igual com todo mundo: olhando assim, parece até que o Vasco é da mesma natureza daqueles adversários que enfrenta.

Meu Deus do céu: o que foi que aconteceu? Por que essas pessoas não desistem, não somem do Vasco, não deixam o clube para quem sabe trabalhar? Que estranha motivação os faz sonhar com a perpetuação dentro de São Januário?

São doentes, obstinados pela vaidade tola, querendo aparecer a qualquer preço, ostentando posições que julgam honrosas, quando a decaída inédita do clube insiste em comprovar a incompetência e o pé-frio absurdo desses derrotistas em manada!

O jogo é todo errado: mal ensaiado, mal treinado, mal escalado, elenco fraco, treinador nulo, diretor de futebol presepeiro e enganador.

Não há nada que explique esse goleiro e esse treinador no clube. A jabazeira está evidente e, em vez de o Vasco ressuscitar dessa penúria e desse local ao qual ele não pertence, está tomando a forma de seus pares por lá.

Olhar para o time na nona colocação e ouvir uma meia dúzia de camundongos da história dizer que "ninguém é bobo", "todo campeonato hoje é difícil" etc, só retrata o estado de pobreza mental e deterioração conceitual dessa gente sórdida que hoje conduz, a peso de considerável incompetência e lamentável vaidade gananciosa, o Gigante da Colina.

Que não merece, de forma alguma, mendigar o pão dos gramados por conta dos pobres de espírito que afundaram a caravela vascaína.

Miseráveis de enojar!!!

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08/05/2014 08h36

Insipidez!
Hélio Ricardo Rainho

Venceu. Classificou-se. Passou.

Num campeonato a meia boca, feito para os pequenos sonharem com o lugar dos grandes, o Vasco teve sérias dificuldades e jogou de forma muito decepcionante para sua torcida presente, enfrentando o "glorioso" Treze da Paraíba, da Série C em casa, com um a mais em campo. Classificou-se no aperto, por 1x1. Esse é o retrato do Vasco deixado como herança pelo atual presidente e por seus diretores iguais.

Não faltou nem erro de bandeirinha anulando um gol legal do Vasco. Talvez pra nos mostrar que efetivamente não temos representação em lugar nenhum, e não haveria de ser diferente nem mesmo nas rebarbas das sociais do clube. Perdemos a moral e o respeito mesmo dentro de nossa casa. Tudo bem, foi mais por falha do que por outra coisa. Mas repete-se dia após dia, como convém acontecer para um time que navega perdido no oceano do nada.

Para não nos atermos a esse maldito viés político que, queiramos ou não, é o que domina qualquer roda de discussão sobre o clube, falemos um pouco das quatro linhas. Horrível! A cada jogo que passa, percebemos a inconsistência tática e a incapacidade do treinador Adilson Batista de dar um padrão ou definir uma organização ao time do Vasco. Ontem, por exemplo, tivemos aquele início de "dono de casa", afoitos e com "pressão no jogo", mas aos poucos perdemos a capacidade de trocar sequer dois passes em sequencia para alguma jogada. A marcação do time adversário parecia tão efetiva que só conseguíamos exercer domínio de bola quando eles, muito limitados tecnicamente, erravam seus passes ou tropeçavam na bola. As poucas "tabelas" criadas eram assim: a bola batia num deles e, sem querer, acabava encontrando um jogador vascaíno.

O time é previsível, sem nenhuma mudança de nada. O treinador berra como um insano o jogo todo, sai dos gramados mais suado que alguns de seus jogadores. Mas é esforço vão, ouro de tolo: tivesse mais inteligência prática, não precisaria desse esguelar desnecessário. Douglas, contratado como "grande reforço da temporada", tem boa técnica, mas é lento, irritantemente apático! Figuraria bem como personagem da série "The Walking Dead".  Trocam-se peças por outras peças, mas tão somente para cumprirem as mesmas funções. Felipe Bastos continua sendo o maior mistério do clube nos últimos três anos: por que será que nenhum treinador consegue enxergar nele o jogador fraco que a torcida detesta? Ontem, pra se ter uma ideia, a saída de Bastos para a entrada de Montoya causou um alarido nas arquibancadas que, ao que parecia, era mais a felicidade pelo que estava saindo do que pelo que estava entrando.

Uma boa base de meninos, com seus talentos individuais, precisa de condução e assertividade. De nada adianta colocar os meninos desarvorados como bêbados de hospício, por serem jovens, e deixa-los correndo no meio de um bando de parasitas ou dentro de uma equipe sem esquema. Não é assim que vai dar resultado, embora funcione vez ou outra, como nas partidas anteriores. Esse uso burro e inepto dos talentos da divisão de base vem tão somente desperdiçando talentos e, talvez por algum interesse nesse sentido, causando a sensação de que os meninos que a torcida elogia nem são tão bons assim; porque, de fato, não conseguem manter uma regularidade atuando dentro de uma bagunça.

O próximo adversário é a Ponte Preta. Vejamos se, com o tempo e a volta dos jogadores machucados, a equipe consegue mostrar algo melhor do que a insipidez do jogo de ontem à noite.

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02/05/2014 07h07

Meninos da Colina: Fagulha de Esperança
Hélio Ricardo Rainho

Comecei a ver o jogo do Vasco de anteontem, contra o Treze da Paraíba, e preparei mais uma daquelas de minhas colunas. Indignada, envergonhada, revoltada. A gente não quer perder a linha, ser deselegante, nem descortês. Mas cada vez que olho para o Vasco e vejo pessoas capazes de sustentar em sua equipe um jogador esdrúxulo como esse goleiro Douglas Silva ou um técnico como esse treinador de pelada, dá nojo.

Sim, nojo.

Fomos rebaixados ano passado praticamente em 80% de culpa desse e dos outros goleiros medíocres que o clube, sob garantias de empresários e burrice de seus dirigentes todos, sustentou como "suficientes". E agora, insistem em escalar esse troncho com a camisa 1 que já foi de um Barbosa...

Ok, sabemos que, para os Dinamites, Adilsons, Caetanos & Corriola Ltda da vida, a tradição do Vasco inexiste. Eles querem mesmo é seguir assim, aleijando o clube com sua burrice. Mas dói, e dói muito, a gente se ver vulnerável diante dos Luverdenses, Trezes, Paranaenses e sopradores de apito da vida.

Alguma coisa, porém, aconteceu para que, ao menos, eu visse um sopro de esperança e uma fagulha de Vasco em campo no jogo de ontem à noite.

Meninos do Vasco! Meninos da Colina! Alma e verdade que esse covil desalmado e frio, calculista e metalizado, não tem!

Thalles. Foto: Divulgação

Foi pouco, foi um jogo insignificante. Mas ver um pouco da vibração de Thalles, Marquinho e Yago no segundo tempo de jogo fez a gente lembrar que um gol do Vasco pode ser felicidade e comemoração para alguém. No meio daquele bololô de "profissionais de empresário", atiradores de elite insensíveis, a verve festiva dos meninos, o entusiasmo do grito de gol, a vontade de correr e acenar para a torcida fizeram muita diferença.

Não só nos trouxeram a virada de placar como recuperaram momentaneamente a estima do torcedor: não precisamos de pacotes de contratados, de lotes de jogadores inexpressivos...não nos enche os olhos ir ali na esquina e voltar cim uma sacola cheia de tomates esborrachados de feira, porque o Vasco não é pensão de esquina: é restaurante de luxo! Mas como não temos chefs, hoje, em nossa cozinha, os fritadores de linguiça que lá estão compram qualquer coisa na xepa e acham que fazem grande coisa.

Não temos mais um treinador corajoso e independente como Jair Pereira, que montou um time quase inteiro de garotos da casa e conquistou um inédito tricampeonato carioca (92/93/94). Para isso, não se pode ser dirigido por deputados, asnos nem espertalhões!!!

Até que entram em campo, em sua simplicidade, os Meninos da Colina. Jovens que sonham, que comem e dormem em São Januário. Que conhecem os atalhos do estádio, a capela, o entorno da piscina histórica, o busto do Almirante. Os meninos que traduzem a nossa alma, a nossa paixão, o nosso encanto, a nossa insistência em acreditar que o Vasco é Gigante, apesar dos frouxos e capengas metidos a competentes que insistem em querer governá-lo.

Yago e Marquinhos começaram a "conversar" com Thalles na mesma linguagem dele. E o futebol apareceu, e a reação apareceu, e a chama reacendeu naqueles momentos.

Sabemos que isso não vai além. Até porque os maus dirigentes precisam justificar as contratações de seus contrapesos de empresário deixando todos eles em campo. Senão vejamos: há quantos anos o traste de chuteiras Felipe Bastos é titular de treinadores do clube?! O que é que todos os treineiros do Vasco veem nele que nenhum torcedor jamais conseguiu enxergar? Precisam de vitrine, mesmo que se arrastem como serpentes cegas no gramado.

Mesmo cientes de todo esse contexto, por um breve momento, olhar a alegria e a vibração dos Meninos da Colina na noite de ontem serviu para um repente de nostalgia. Um momento de lembrar que, um dia, o Vasco teve meninos com espaço pra jogar pelo clube, meninos com um coração debaixo da cruz de malta. E que eles eram respeitados, prestigiados e disputavam posição em campo, em vez de servirem de tapa-buraco ou recurso de treinador decadente pra não tomar vaia nem grito de "olé" de sua própria torcida.

A vergonha continua. Somos time de Série B, fregueses de apito, rebaixaram o Vasco até onde puderam. Se derem mais um tempinho, eles apagam o clube do cenário nacional! É mole para tão generosa estultícia!

Mas há que se agradecer aos Meninos da Colina - Thalles, Yago e Marquinhos - pelo "coração no bico da chuteira" no jogo de ontem à noite. E pela bofetada com luva de pelica na cara dos boçais covardes de dentro do clube, que não sabem o que é Vasco, que não sabem o que é amar de verdade um clube dessa grandeza, e querem aparecer às custas da desgraça do clube.

Vamos agradecer aos meninos! Porque bem sabemos que, na sala maldita onde as mentes poluídas maquinam o mal, deve haver vampiros ávidos por negociar por bagatela para algum outro clube os talentos desses garotos. Se pudessem, vendiam todos eles hoje. Pra depois apresentarem as novas contratações do "centro empresarial" mais próximo...

Foto: Divulgação

Façamos, portanto, ainda hoje, a eles - aos Meninos da Colina, mentores da vitória de ontem - a nossa sincera homenagem!

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16/04/2014 16h20

Os Nanicos e o Gigante
Hélio Ricardo Rainho

Os fatos ocorridos na decisão do campeonato carioca, no domingo passado, são dignos de análise e reflexão. Muito embora emoldurada em reconhecido desgaste, a discussão sobre o lance escuso em que um gol em franco impedimento foi validado, mudando a história do jogo naquela tarde, submete-nos forçosamente a um encontro com o espelho.

Ou com "os espelhos", eu diria. Porque são muitas as possibilidades de se raciocinar. Isto, é claro, quando se é dotado da faculdade do raciocínio. Permanecêssemos imersos na bolha da imbecilidade, nenhuma lição teríamos de uma simples partida de futebol.

É mentira dizer que o jogo termina com o apito. Mentira. Mentira mesmo. Como também é mentira dizer que o futebol e a as relações sociais (inclusive a moral) de um povo estão dissociados. Não estão! O grande antropólogo Roberto DaMatta já fizera essa associação, o escritor Nélson Rodrigues cunhou o termo "pátria de chuteiras" para estreitar essa relação, recentemente aprofundada na obra "Sociologia do Futebol: Dimensões Históricas e Socioculturais do Esporte das Multidões", de Richard Giulianotti. Não dá pra fugir dessa correlação.

Numa sociedade midiática como a nossa, em que os canais de televisão e todos os demais veículos, abastam as casas dos espectadores com mensagens incessantes, sabe-se que a educação desse povo será irremediavelmente afetada pelos exemplos e referencias que a mídia nos traz. Lamentavelmente os atores desse espetáculo insistem em negar suas responsabilidades, acreditando que mero "entretenimento" não pode ser socialmente atrelado a valores morais. O futebol é perigoso porque, estando cada vez mais evidente na mídia dado o seu ímpeto de 'profissionalização', expõe indivíduos despreparados a se tornarem referência numa sociedade.

Somos o país que sediará uma Copa do Mundo, a mais importante competição do futebol. Neste momento, somos palco e vitrine do futebol para todo o planeta. Nos estádios de futebol de todo o mundo, inúmeras manifestações de racismo vêm sendo realizadas, bem como combatidas com frequentes campanhas, inclusive de atletas e clubes engajados. No Brasil, em particular, tivemos um momento de depredação social nas ruas, com saques e crimes de violência multiplicados. Na política, há uma evidente ânsia de "caça aos culpados", que já se desvirtuou em destruição pública, tamanha a insatisfação de muitos com os desmandos da corrupção de nossos governantes. Pois bem, neste mar de racismo, violência urbana, caos social e turbulência, um atleta negro aparece na mídia dizendo que "roubado é mais gostoso". Lamentavelmente o despreparo intelectual e moral desse rapaz faz uma apologia de crime e de discriminação num só pacote. Sua atitude, como goleiro do clube frequentemente apontado pela mídia como "o mais popular do Brasil", expõe a nossa sociedade a um ridículo inominável. Paralelo a isso, expõe seus colegas negros de ofício a uma situação humilhante diante dos preconceituosos, ávidos por rotularem os afrodescendentes como "macacos" ou como "ladrões".

Lamentavelmente essas coisas só ocorrem porque o futebol, como todas as demais esferas sociais do nosso país, está inerte na impunidade. "Roubar no futebol é diferente da política". Roubar tem "diferenças"? Se quem rouba é ladrão, quem rouba o jogo não é "ladrão" no jogo? Se é "ladrão", por se tratar de um jogo esse termo se torna elogioso?!

O atleta não será punido pelo clube, nem por federação, nem terá suspensão alguma por ter dado uma declaração tão infeliz num momento como este. Sua irresponsabilidade parece ter acabado quando ele, num ato mecânico, senta-se na sala de imprensa diante das logomarcas de patrocinadores e "pede desculpas", tornando-se uma vítima, não um algoz. O (mau)marketing vence a moral! O mau atleta apenas repete o ato insípido do órgão oficial de arbitragem, que manifestou-se como ente estúpido ao defender o erro crasso que decidiu o jogo.

Mas não é só o adversário o vilão da história. Não copiemos a arrogância chucra dos rivais: nossos erros são coadjuvantes de toda essa decadência que nosos time vem sofrendo. Temos muita culpa disso tudo. Do lado do Vasco, o clube teoricamente lesado, também há o que se falar. Os cavalheiros do apocalipse que assentam seus traseiros robustos nas cadeiras da Colina engordam como gado bêbado improdutivo, acumulando incompetência e desprestigiando publicamente uma instituição do tamanho daquela que supostamente presidem ou dirigem. São todos um alvo fácil de chacotas, derrotistas empedernidos, fracassados inveterados travestidos de discurso vitorioso de "empreendedores". Pois bem: todos eles juntos "empreenderam", em menos de cinco anos, o fim de um clube! Eles acabaram com o nossos Vasco, amigos vascaínos! Não temos nenhuma representação em lugar nenhum: sequer um jurídico que impeça nossa torcida de ser espancada numa despedida de campeonato brasileiro ou que nos recupere os pontos que perdemos para um clube pequeno, proibido de jogar em sua casa, que transfere a barbárie para outro estado e, lá, nos cerca e ameaça impunemente.

Dentro de campo, os fatos se repetem. São Januário é um paraíso dos atletas de empresário. A cena em que o zagueiro Rodrigo, aos 43 minutos do segundo tempo, rola pelo chão de "dor"(?) e pede urgentemente pra sair, revela muita coisa. Poderia um Bellini, um Mauro Galvão, um Fernando, um Jorge Luiz, um Alexandre Torres, um Dedé ou um Luan abandonar o Vasco em campo, num jogo de marcação 10 contra 10, na última cobrança de córner que decidiria um campeonato?! Ficasse ali em cima de um deles que fosse, qualquer escorregão que sofresse e o juiz daria a falta em favor do Vasco, visto que o atleta já estava no sacrifício.

Mas não.

A mentalidade do jogador de empresário é essa: "Doeu? Sai fora!". Lei do menor esforço. Vá pra ducha, pro chuveiro, pro vestiário. Vá receber o bicho pelos três milhões e meio do prêmio do campeonato. Os mesmos milhões que, agora, os dirigentes lamentam não terem ganho, porque são vampiros que não se importam com nada mais do que sangue! O castigo para todos eles veio a cavalo. O descaso desse zagueiro provavelmente será ofuscado pela lambança do apito. Brilhante partida, lamentável desfecho! O apito tendencioso e sujo só pode funcionar por força da incompetência reinante dos falsos vascaínos que, hoje, nos representam dentro e fora de campo.

Não me iludo. Não temos Vasco. Aquele Vasco, o nosso Vasco, acabou. Até o maior ídolo tornou-se o pior detrator, a mais débil e esquálida figura da história do clube. Essa corriola não é Vasco. Não temos presidente, não temos diretores, não temos departamento jurídico, não temos elenco, não temos treinador. Não temos mais nada! Tem que reconstruir tudo de novo. Parabéns, dilapidadores malditos!!!

Fomos enganados! Anunciaram as "melhores instalações de um estádio no Brasil" e nosso estádio está horroroso, os ginásios destruídos, o gramado é de várzea: eles estão acabando com tudo! Anunciaram um "grande projeto de sócios" e acabaram até com a participação de quem já participava. Anunciaram "o maior staff de dirigentes do futebol brasileiro' e nos rebaixaram pela segunda vez. Ridículos, deploráveis, vexatórios, toscos! Seus filhos devem morrer de vergonha de carregarem seus sobrenomes!

Reconheço o empenho de alguns jogadores desse elenco. Guiñazu é um atleta consagrado, Thalles e Luan são nossos meninos da Colina. Mereciam o título. Aliás, o ganharam em campo, embora lhes tenha sido tirado por uma máfia instituída não agora, mas desde os primórdios do futebol. Aquele time não é chamado "time de ladrão" por racismo ou preconceito ao seu apelo popular, como muitos tentam fingir. Até porque preconceito e apelo popular tem o Vasco: enfrentou a elite racista na sua origem, enquanto a história encarregou-se de mostrar "papeletas amarelas", a vergonha do caminho pra Libertadores de 1980 (o Galo Mineiro eliminado com cinco expulsões pra perder o jogo), a final do Brasileiro 82 contra o Grêmio, o "título Viúva Porcina" ("que era sem nunca ter sido") de 1987, a final do Brasileiro 2009 com a "dança do entrega-entrega" e todos os últimos títulos cariocas. Assim: na CARA de todo mundo!

Infelizmente, como não temos representação, não acredito em mais nada. O Vasco é minha camisa e minha bandeira: não vejo mais um clube nem um time. Sequer acredito que, este ano, possamos voltar à primeira divisão. Quem está lá é amador, vive de bazófia, sugere interesses terceiros, não vai safar o clube. Não vai mesmo!

É o segundo jogo, dentro de um mesmo campeonato e diante do mesmo rival, em que a mão grande prevalece. É a segunda despedida consecutiva de campeonato em que a instituição Vasco da Gama é afrontada sem consequências.

Lamentavelmente, somos roubados em praça pública porque estamos desassistidos por uma cambada que, sendo nanica, não tem pernas nem cérebro para conduzir um Gigante. E isto não é apenas Vasco da Gama. Isto também é Brasil!

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13/04/2014 18h37

O Castigo do Deputado
Hélio Ricardo Rainho

A última temporada do deputado na presidência do Vasco veio com um castigo que a torcida, mais uma vez, não merecia. Todo mundo sabe que sua gestão estúpida não era digna de sair por aí arrotando vitória no combalido campeonato carioca. Mas, ainda assim, o Vasco foi superior durante todo o jogo. E, mais uma vez, viu-se castigado pelo infortúnio e pela arbitragem. Merecia ter ganho e não ganhou.

Merecia ter ganho porque seus jogadores se esforçaram e superaram, inclusive, a burrice tática do treinador Adilson. Sem ter seus atacantes principais em campo, o treinador vascaíno escalou um jogador medíocre, atabalhoado e fora de forma na decisão. A escalação de Barbio nesse jogo decisivo, com Montoya mais uma vez no banco, lembrou a opção de outro grande asno histórico do clube, o Renato Gaúcho escalando o Valdir Papel. Barbio não jogou nada o jogo inteiro, errou jogadas inacreditáveis. Mas o treinador insistiu com ele até onde pode. Bem como com Felipe Bastos, que errou tudo e jogo inteiro e foi sacado justamente quando estava segurando a lateral após a expulsão de um lateral. Como se vê, Adilson estava vendo outro jogo.

A entrada de Bernardo falou tudo. Faltava vibração em campo. Até mesmo Reginaldo, com todas as críticas que recebe, consegue ter mais vitalidade do que Barbio. E fez a diferença em sua movimentação, quando entrou. No frigir dos ovos, nem vale a pena ficar analisando o que se passou daí pra frente. O gol foi um pênalti claríssimo, a arbitragem principal ia bem, mas o gol "do título" estava nas mãos dos auxiliares. A questão é que a bola precisava estar no ataque adversário, o adversário precisava estar dentro da área para tudo dar certo. E os lances perigosos aconteceram todos exatamente pelo lado que o treinador deixou descoberto ao sacar Felipe Bastos da única coisa que ele conseguiu fazer bem na referida partida.

Os burros não vencem.

Nem os incompetentes e arrogantes que estão enfurnados nas sociais de São Januário. O castigo divino se deu sobre culpados e inocentes, e mais uma vez, o torcedor vascaíno se sente enganado e traído.

A bem da verdade, seria vergonhoso um campeão carioca sair da segunda divisão. Vergonhoso para os outros todos, claro. Mais vergonhoso ainda é o carioquinha cumprir sua tradição de, aos olhos do mundo, ser decidido com erro de arbitragem. Por vários anos mantem-se o vexame. Que favorece única e exclusivamente um time. Nunca erra em favor de outro. Acreditar nisso como "coincidência" abre precedente pra se apostar em fadas, gnomos e papai noel!

Eu faria ressalvas a essa linha de defesa do Vasco, com zagueiros excelentes e laterais muito competentes. O garoto Thales hoje foi nada, mas é uma promessa do clube. O artilheiro Edmilson teve méritos na competição, Guiñazu foi um gigante e o goleiro do Vasco era tudo o que nós precisávamos ano passado e os estúpidos gestores do clube juravam não achar necessário. Não sei se isso pode ser considerado mérito do diretor de futebol, porque o considero um subproduto de marketing, inventado como bom sem ser. Se fosse, não estaria nessa diretoria.

Enfim, debaixo de todas as ironias e vexames de sempre, resta-nos a vingança de que essa diretoria - toda ela, do presidente até os bobos da corte que o bajulam - passa, mais que qualquer um de nós, a vergonha de ser derrotista, pé-frio e incapaz.

Vamos nos livrar deles daqui a pouco! Dependendo de quem vai entrar, teremos, então, um Vasco de verdade de volta. Não essa caricatura pálida de Almirante, apequenada numa bancada de deputados famintos e enxugadores de gelo derrotados por natureza.

Saudações aos vascaínos de verdade, à torcida sábia e prudente que conhece seu papel histórico e não está misturada a esses fakes de papelão.

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06/04/2014 19h04

Decisão entre Indecisos
Hélio Ricardo Rainho

Decisão de Campeonato Carioca, Vasco e Flamengo, 20 mil testemunhas. Não, isso não é uma piada. É a declaração funérea de uma administração espantosamente falida do futebol carioca. Que, para muitos, é culpa apenas da federação. Não é.

Não obstante a indigência mental de sua federação patife, os clubes esperneiam e fazem notinha de repúdio na imprensa, mas são incapazes de criarem um atrativo para seus torcedores que os mobilizem a encher uma arquibancada qualquer.

No clássico decisivo, um Vasco com mais cara de Vasco, com um ataque confiante, abriu o placar, encurralou os reservas do Flamengo, mostrou uma defesa muito bem postada e poderia ampliar muito o marcador no primeiro tempo.

Poderia.

Não ampliou porque, como é de costume há alguns anos, resolveu implodir. Everton, um dos melhores em campo, esbanjava vigor nas jogadas. Era uma ameaça constante. Até que o vigor excessivo e a "ameaça constante" o transformaram num perigo...para o próprio Vasco! Nervoso, irritado, sacudido. Contagiou todo o time com um nervosismo exacerbado e acabou expulso. Corre em paralelo uma versão de que o lance do primeiro cartão foi pênalti, não simulação. Claro que, se fosse para o Flamengo, a Fla-Cobraf marcaria. Mas, na verdade, não foi. Everton já tinha agadunhado um adversário antes desse lance e o juiz foi até tolerante, retardando sua expulsão. O time do Vasco andou até rasgando camisa do adversário (um fetiche, admitamos). Por que isso, se ganhávamos? Quem deveria conversar ou buscar a compreensão sobre essa desnecessária tensão de jogo?

Adilson, que nada enxerga, deixou Everton em campo até que fosse expulso. E foi. Veio o segundo tempo e o Vasco, além de ter um a menos, trouxe o meio campo atado na lentidão de Pedro Ken e na inoperância de Felipe Bastos, que só assustou numa cobrança de falta. Thalles entrou aos 35, quando Edmílson se contundiu, e seguiu o empate, que favorece o "bloco de sujos". Uma vantagem que o Vasco poderia ter nas mãos e não fez uso. 

Incrível como o time do Flamengo, com um a mais o segundo tempo todo, é acovardado. Fez seu gol numa arrancada e belo chute torto, confundindo o ótimo arqueiro vascaíno. A única coisa que tentou fazer depois, sem sucesso, foi aprontar alguma correria pra explorar a vantagem numérica. Seus jogadores, de uma pobreza técnica incrível, nunca arriscaram sequer uma jogada individual contra o Vasco. Com todos esses "ingredientes", o jogo teve algumas emoções para os mais empolgados e uma pobreza técnica sofrível para quem só queria assistir a uma partida de futebol.

Muito falamos desse Campeonato Carioca falido, mas vejam vocês que a pobreza técnica é latina: não há desculpa para o Flamengo, com um time e um treinador limitados desse jeito, estar na Libertadores com possibilidades de reação e classificação. É ruim lá como é aqui, enfrenta bagaços lá como os daqui. Entrou pela janela da Copa do Brasil e, assim, é penetra numa festa dos melhores. Isso se refletiu também na covardia tática e na pobreza técnica exibida hoje, quando teve um a mais o jogo todo e ficou paralítico lá atrás.

Menos mal para o Vasco. Que, embora tecnicamente consiga ser mais qualificado, vai pra final com a mídia, a arbitragem e a desvantagem do empate contra si.

A substituição natural para a vaga de Edmílson deveria ser Thalles. Mas o treinador deve consultar alguma "entidade" para saber, de fato, quem deve escalar. Sem "interferências" acho meio difícil.

Há dois lados para essa moeda. O time do Vasco tem postura tática e alguma qualidade técnica suficientes para vencer esse Flamengo que vimos hoje ou qualquer outro dia, Porque é fraco. Por outro lado, o Vasco ainda tropeça num "Feitiço de Áquila" que o faz, como num passe de mágica, transformar-se em outra coisa quando tudo parece caminhar bem.

Então temos, de um lado, um time que almeja outra competição; de outro, um que costuma jogar tudo pra cima quando está perto de conquistar outra. Dois indecisos num campeonato confuso. 

Eu torço. Confiar, não confio. Espero que seja, nesta final, como foi nas semifinais.

A esperança é a última que morre. Vamos lá, Vascão!!!

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30/03/2014 23h15

Vascão na Final!!!
Helio Ricardo Rainho

Vascão na Final!

Desdenhado, apequenado, num de seus anos mais inexpressivos, o Campeonato Carioca terá, ao menos, a chance de se redimir com a grande rivalidade dos dois clubes que farão a decisão de 2014.

Com a vitória simples por 1x0 sobre o Fluminense, o Vasco classificou-se para a grande decisão de um título que há muitos anos não conquista. Embora pouco reforçado e sem muita mudança na estrutura combalida do clube, segue sua marcha de superação com dois grandes méritos para essa empreitada: uma defesa vigorosa e um ataque funcional.

Falando da defesa, o que vem jogando esse Rodrigo é uma barbaridade! Muito bem acompanhado do jovem Luan, que há muito tempo era melhor do que os bondes de empresário que sufocavam sua escalação. Juntos, os dois compõem hoje uma das zagas mais firmes do país. Espera-se que os vendilhões do clube não balancem seus saquitéis de dinheiro para liquidarem os dois nesta temporada. Lidando com essa gestão exploratória que o Vasco hoje tem, não se duvida muito.

No ataque, já disse e volto a dizer que termos um artilheiro de campeonato é algo que aponta para nossas origens, nossas tradições, despertando o sentimento de que estamos vivos e de que o Vasco despertou de sua letargia. Sempre fomos um time de artilheiros, e o ataque do Vasco possui vários jogadores afinados para chutar em gol. Essa tem sido uma das virtudes da equipe no campeonato.

O artilheiro Edmilson tem mostrado boa técnica e senso de colocação. Além dele, a estrela do menino Thalles é uma "boa sombra" e também uma promessa de que o Vasco ainda pode ter futuro, com um menino talentoso e voluntarioso para comandar o ataque cruzmaltino.

O treinador do Vasco tem limitações. Não sou desses que muda de opinião tão somente por causa de resultados: Adílson é limitado tecnicamente e, por isso, "sobrou" no mercado, ficando à disposição do Vasco. Apesar disso, está lá fazendo o papel de "gritador" e levando motivação para um grupo que, ao menos, sabe o que quer e onde pode chegar. hoje, por exemplo, aprendemos a superar a desvantagem, revertendo o empate que favoreceria o adversário em uma nova vitória que nos classificou. Foi um bom ensaio: precisaremos do meso ímpero contra "as hordas do mal" nos dois proximos confrontos. 

Destaco ainda o meia Douglas, que tem o porte e a serenidade de um meia clássico, armando silenciosamente as jogadas para que virem gols, como aconteceu hoje na jogada decisiva que garantiu o Vasco na final da competição. E o gigante Guiñazu, que hoje foi um monstro na marcação e no combate! Raça pura!

Termos um goleiro fez e faz toda a diferença. Martin Silva é o que nos faltou ano passado, na omissão do departamento de futebol e na incompetência de Carlos Germano. Fomos rebaixados única e exclusivamente porque não tínhamos um goleiro, coisa que hoje, pelo menos, já temos. De minha parte, não há perdão para o que fizeram com o clube ano passado. Resta-nos, portanto, celebrar as defesas fortuitas de Martin e virar as costas para os dirigentes patéticos que não enxergaram essa necessidade quando havia tempo de evitar o que aconteceu.

Vamos lá, Vasco! Contra tudo, contra todos, contra a burrice e a indigência interna, contra a "corja de sopradores" que já deve estar se mexendo pra assegurar os dois empates da "horda do mal", contra a militância xiita da mídia em favor das "capas de diabo"...

Fazei, nosso Vasco, prevalecer a sua luz, a sua cruz, a sua fé, a Ordem Militar de Cristo, o fulgor de sua bandeira, a raça de seus artilheiros, a pujança de sua torcida!

Que venha um Vasco campeão, não para salvar a reputação destruída e vil dos abutres que carcomeram o clube nos últimos anos. Mas para honrar o pé descalço do torcedor pobre, do negro lutador, do suburbano aguerrido, dessa gente simples e apaixonada que não merece passar a vergonha que uma elite indigente tentou trazer à nossa Colina Histórica!

Contra tudo e contra todos...somos mais você, Vascão do nosso coração!!!

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24/03/2014 13h02

São Edmílson de São Januário!
Hélio Ricardo Rainho

Combalido, sem público, desinteressante. Voltado para sua fase conclusiva, o Campeonato Carioca mais uma vez provou que não há ascensão de clube pequeno no atual modelo federativo do Rio. A Cabofriense tem seus méritos respeitados por mera cordialidade: sabe-se que ela chegou lá por um esforço do Botafogo em manter-se vivo na Libertadores, esforço este que o eliminou precocemente e em péssima campanha durante o certame.

Mais uma vez o Estadual ficou entre os grandes. Em posição cômoda, muitos pontos à frente e jogando por dois empates, está o Flamengo, campeão de uma Taça Guanabara sem glamour e sem festejo, praticamente sem pôster também. Tristes tempos, não? A enfrentar os rubro-negros, o vitorioso do confronto entre Vasco e Fluminense. O Vasco, esse time com alguma vibração de seus jogadores medianos vendidos como "heróis" para qualquer "zebra" que nos favoreça. O Fluminense mais uma vez com seu elenco renomado tendo desempenho fraco e pobre numa competição. Os dois vieram de goleadas para se "pegarem no tapa" nesta fase decisiva de agora.

Foto: Site Vasco

A lógica do Campeonato Carioca é uma lógica de extinção. Aqui jazem uma federação, um poder administrativo constituído, quatro clubes grandes muito atordoados e um punhadinho de clubes pequenos que nunca conseguem chegar a lugar nenhum. Este ano ainda mais espremido por ser um couvert a anteceder uma Copa do Mundo, o Campeonato Carioca passou praticamente em branco e sem nenhum atrativo. O público é deprimente. Um retrocesso na tradição de outrora.

O Vasco enfrentou um time que parecia o seu na temporada passada. O Duque de Caxias não tem goleiro, tem um time muito fraco e parece sem nenhuma vida ou vibração. Ainda assim, o gol aos 8 segundos de jogo marcado por Reginaldo mostrou que há ânimo e coragem debaixo da camisa cruzmaltina. O Vasco 2014, ainda com suas limitações e com pouca afirmação de seu treinador mal sucedido em 2013, consegue mostrar seus valores justamente no brio com que têm defendido a equipe dentro do campeonato. No frigir dos ovos, teve Edmilson como artilheiro isolado, possui a defesa menos vazada, o melhor saldo de gols e a maior goleada da Taça Guanabara.

Ter um artilheiro no campeonato também é uma celebração da legítima tradição vascaína de artilheiros. Edmilson pode entrar para a história do clube e também recolocá-lo nesse patamar histórico caso confirme sua vocação para gols na temporada. Individualmente os atacantes do Vasco têm aparecido bem, além do meia Douglas, eficiente nos passes. Mas são todos elogios de meia boca. Talvez se tivéssemos um treinador mais capaz, pudéssemos confiar num desempenho melhor. Mas, convenhamos, nenhum dos quatro grandes do Rio têm treinadores confiáveis. Flamengo e Botafogo estão na "conta do chá" com improvisos que supostamente estão "segurando a onda". Adílson Batista não convence, e Renato Gaúcho é uma piada em clubes cariocas.

Se o Vasco tiver minimamente uma preleção motivadora, pode alavancar seus fortuitos guerreiros a quebrarem o jejum. Não está difícil. Passando pelo Fluminense, a decisão contra o arquirrival terá certamente contra nós o mau grado dos sopradores de apito, que sempre beneficiam o seu "queridinho". Será duro reverter dois jogos com vantagem a um adversário que, desde o fim de carreira do mandatário anterior e durante toda a carreira estulta do atual, vence psicologicamente o time cruzmaltino. Este ano, porém, não vejo do lado de lá comando nem envergadura para isso. Se formos mesmo imbuídos desse espírito do "gol aos 8 segundos", temos tudo para fazer diferente a história de 2014.

Seria bom, muito bom, o Vasco começar este ano triste de rebaixamento vencendo um Estadual. Que está combalido, desqualificado e sem status. Mas é, afinal de contas, uma competição com a cara do arremedo de clube que ainda restou desse fim de mandato do atual presidente-deputado.

E mais uma vez, contra os fatos e sem argumentos, vamos nós, vascaínos, acreditar na essência do Almirante, na glória da camisa, no triunfo da cruz-de-malta. E torcer por um milagre. E pelos gols do nosso artilheiro da hora - este nosso "São Edmílson de São Januário"!

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11/03/2014 10h33

Das Cinzas do Carnaval...
Hélio Ricardo Rainho

Acabou o carnaval, mas, pelo jeito, a "gandaia' segue solta num certo "sambódromo" de São Januário. Os caminhos do Vasco para esta temporada, como se vê e se lê por aí, são políticos. Em campo, o time empata com o Bonsucesso em meio à ressaca de carnaval e sai "satisfeito com o rendimento na partida" (?). Começam as agendas de articulação política dos candidatos à eleição.

Ao que parece, candidatar-se a uma ressurreição do combalido clube neste momento é um grande mote. Os candidatos que se apresentarem com mais pose de "salvadores da pátria" rapidamente alcançarão os louros da fama e obterão o favor dos eleitores. Temos algumas campanhas lançadas e duas situações políticas, ainda não confirmadas, que em particular mereceram as observações deste colunista. Trabalhando com hipóteses, mas dentro de cenários possivelmente capazes de se concretizarem. Daí a tentativa de pré-analisar os casos.

Em primeiro lugar, a possibilidade de uma chapa combinando os candidatos Fernando Horta, Pedro Valente e Jorge Salgado. Sobre Fernando Horta, estamos todos mais do que conscientes - sendo carnavalescos (como é o meu caso) ou não - do trabalho quase mágico realizado na escola de samba Unidos da Tijuca, uma instituição histórica de imensa relevância no cenário cultural do país (entre as três mais antigas, junto com Portela e Mangueira). A escola do Borel acaba de sagrar-se campeã de 2014. Após uma trajetória curricular de inexpressividade e pouco poder competitivo, tornou-se uma máquina azeitada nos últimos 15 anos (sim, antes mesmo de ser campeã por três vezes neste século, já havia crescido muito). Horta fez um trabalho irrepreensível de reestruturação da escola. Mais que isso: é inédito, no panteão do samba, uma escola se reinventar e se "reposicionar" como a Unidos da Tijuca fez. Temos escolas que nasceram, cresceram e se consagraram. A Tijuca foi diferente: tinha um vasto caminho percorrido, um título muito antigo (1936), estava consolidada como "mediana" e tomou porte de grandeza para disputar e ganhar três títulos. Diz-se que samba e futebol não combinam. Pois quem olha para o Vasco bi-rebaixado, pobre, com estádio depenado, acovardado diante de federações...vai lá se prender nesses argumentos filosóficos? Não. Todo mundo quer um presidente valente, arrojado, com pinta de campeão. FErnando Horta sugerirá isso certamente. E o nome de Jorge Salgado, também nessa chapa, é grande dentro da história do Vasco. Parece uma chapa de respeito.

Aí vem um augúrio de que o atual mandatário pode (ninguém confirma ainda) estar se aliançando com seu suposto desafeto Eurico Miranda, apoiando sua candidatura (pasmem!) para, com isso, salvaguardar seu posto como deputado estadual. Prefiro acreditar que isso tudo é apenas uma vingança de alguém que, como eu, esteja profundamente decepcionado e tenha asco dessa diretoria que dilapidou o Vasco. Não pode ser verdade. Porque, muito embora eu tenha esse sentimento de repulsa, não acreditaria que alguém pudesse criar uma história dessas sem fundamento. E tremo da cabeça aos pés diante da possibilidade disso ser verdade. Caso venha a ser, então estarei definitivamente enojado e descrente de que haja caráter, hombridade e mesmo a tal "vergonha na cara" no mundo da política! Que absurda desfaçatez justificaria uma aliança confessa (porque a inconfessa, a meu ver, sempre existiu) entre o atual e o ex-mandatário vascaínos em troca de favores políticos? Deus nos livre, como vascaínos e como cidadãos.

Enfim, vamos nos arrastando pelo Campeonato Carioca, assim como vamos de modo rasteiro nos colocando para o pleito que pode decidir o futuro do Gigante da Colina. Hoje um clube nada gigante; infelizmente apequenado e boçalizado por mentes cauterizadas.

Empatamos com o Bonsucesso.

Tá bom, gente. Pelo menos fizemos um pontinho...

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17/02/2014 09h14

Garfada!
Hélio Ricardo Rainho

O Campeonato Carioca deve ser, dentre todos os regionais, o de pior fama. Não obstante a sua histórica vocação para grandes públicos (afinal de contas tem, em seus quadros, duas das maiores torcidas do país), tem também a pior mácula de escândalo de arbitragens, uma das páginas mais constrangedoras do futebol brasileiro. Trata-se do famoso caso das "papeletas amarelas", assunto que nunca mais deu o que falar devido ao fato do grande favorecido ter sido o Flamengo. Um time das elites normalmente beneficiado pelo poder vigente e pela mídia reinante, que acredita numa audiência maior de suas transmissões quando promove - direta ou indiretamente - o clube rubro-negro em alguma competição.

Foto: ReproduçãoOntem, porém, ficou difícil até mesmo para a grande mídia promover seu queridinho. Normalmente deslavados na parcialidade, tiveram todos de admitir: o Vasco foi roubado mesmo! Na cara grande, na tela grande, na frente de todo mundo. O ultramedíocre árbitro Eduardo Guimarães, desde o início do jogo muito nervoso e dado a faniquitos indignos de sua profissão, fez vista grossa para o erro tosco e injustificável do auxiliar Rodrigo Castanheira, que deixou de dar um gol de falta de Douglas após a bola bater no travessão, quicar quase dois metros dentro do gol e rechaçar pra fora.

As imagens são extremamente comprometedoras: o sujeito, que ganha para trabalhar ali naquele ponto do gramado, está sozinho, de frente, sem ninguém a encobri-lo, e deliberadamente resolve anular o gol feito. É praticamente uma escolha pessoal: "eu não gosto desse clube e simplesmente as autoridades do futebol me concedem o direito de lesar quem eu quiser". Ninguém interfere, ninguém expulsa o palhaço de campo. Ele segue trabalhando, de forma burra, cega, incompetente e quiçá (eu acho que foi, me parece indefensável a versão do erro sem intenção) mal intencionado.

Pois é da soma desses Guimarães&Castanheiras que se faz um Campeonato Carioca sob medida para a flamengada! Que estava caindo numa crise e precisava da vitória ontem, no clássico, para enxugar as mágoas de sua coça na Libertadores, por onde entrou via "campeonato de atalho".

O Vasco começou bem a partida. Com Douglas inspiradíssimo no meio campo e jogando contra um adversário totalmente perdido e sem noção tática, o cruzmaltino demonstrava disposição para o jogo, uma defesa bem postada e boas subidas pelas laterais. Guiñazu e Felipe Bastos (pasmem!) se destacavam na marcação e na saída rápida de bola para municiar o ataque. Tanto nas trocas de passe quanto nas jogadas individuais, o Vasco sempre prevalecia diante de um Flamengo que mal conseguia concluir uma tabela de dois passes entre seus jogadores.

O gol de falta marcado em bela cobrança de Douglas, ao ser tão impunemente anulado, acabou com a moral e a paciência do jogo. Dali pra frente, os mesmos erros do senhor Adilson "Pavor" Batista, que fez questão de estragar todo o time no segundo tempo. Até culminar com a defesa perdida, numa faixa de seis jogadores, permitindo um gol do adversário em jogada tramada com apenas dois deles. Enfim, o que já se sabe.

A mim, nenhuma surpresa. Foi a décima vitória da flamengada sobre o Vasco do deputado frouxo. E muitos comedores de canapé das festinhas das sociais vão perguntar se é culpa do presidente um clube ser garfado pelo árbitro dentro das quatro linhas. Pois no caso do deputado, eu diria sem medo: É!!! Seu lastro de incompetência, lerdeza, covardia e um derrotismo inexplicável que parece emanar de toda a sua corriola impedem qualquer torcedor mais esperançoso de acreditar em conquistas dessa gestão! Semana passada foi um empate tosco que nos tirou a liderança; ontem foi uma derrota improvável com direito a gol roubado na cara do planeta inteiro: os cinco anos de mandato foram só derrotas, vergonhas, rebaixamentos e nenhuma capacidade de reação! Esse clone de Vasco, essa "cópia não autenticada" que circula por aí, é total culpa do presidente de araque que hoje lá está.

Montoya, destaque nas partidas iniciais da temporada, mais uma vez sumiu. Alguma coisa o impede de ser escalado. Alguém deve estar com a mensalidade em dia; a dele, não. Tivemos de assistir ao soporífero Pedro Ken nos gramados, e o jogo afeito para o argentino ficou a esperá-lo em campo. Adilson segue emburrecido e chamando as derrotas.

Mas não esqueçamos os nomes dos quadrúpedes do jogo de ontem para entendermos o resultado pré-fabricado: o soprador de apito Eduardo Guimarães e o auxiliar parlapatão Rodrigo Castanheira. Um mais ridículo do que o outro. Ambos impunes e reinando sobre a situação.

Continuo não acreditando no Vasco, não acreditando em mais nada enquanto esses falsos dirigentes estiverem lá!

E, agora, começo a desconfiar que existe um circo armado para maquiar a provável desclassificação da flamengada na Libertadores com um "carioquinha de consolo" devidamente assegurado no apito amigo.

Que vergonha para uma republiqueta imoral que quer ser vista como "país" e até sediar uma Copa do Mundo daqui a quatro meses...

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