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Hélio Ricardo Rainho

Hélio Ricardo Rainho

Carioca, publicitário, MBA em Marketing, ator, diretor teatral, escritor, pesquisador de escolas de samba, futebol e teatro. Escreveu a biografia do jogador Mauro Galvão e é colunista de futebol há 13 anos. Twitter: @hrainho

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



13/04/2014 18h37

O Castigo do Deputado
Hélio Ricardo Rainho

A última temporada do deputado na presidência do Vasco veio com um castigo que a torcida, mais uma vez, não merecia. Todo mundo sabe que sua gestão estúpida não era digna de sair por aí arrotando vitória no combalido campeonato carioca. Mas, ainda assim, o Vasco foi superior durante todo o jogo. E, mais uma vez, viu-se castigado pelo infortúnio e pela arbitragem. Merecia ter ganho e não ganhou.

Merecia ter ganho porque seus jogadores se esforçaram e superaram, inclusive, a burrice tática do treinador Adilson. Sem ter seus atacantes principais em campo, o treinador vascaíno escalou um jogador medíocre, atabalhoado e fora de forma na decisão. A escalação de Barbio nesse jogo decisivo, com Montoya mais uma vez no banco, lembrou a opção de outro grande asno histórico do clube, o Renato Gaúcho escalando o Valdir Papel. Barbio não jogou nada o jogo inteiro, errou jogadas inacreditáveis. Mas o treinador insistiu com ele até onde pode. Bem como com Felipe Bastos, que errou tudo e jogo inteiro e foi sacado justamente quando estava segurando a lateral após a expulsão de um lateral. Como se vê, Adilson estava vendo outro jogo.

A entrada de Bernardo falou tudo. Faltava vibração em campo. Até mesmo Reginaldo, com todas as críticas que recebe, consegue ter mais vitalidade do que Barbio. E fez a diferença em sua movimentação, quando entrou. No frigir dos ovos, nem vale a pena ficar analisando o que se passou daí pra frente. O gol foi um pênalti claríssimo, a arbitragem principal ia bem, mas o gol "do título" estava nas mãos dos auxiliares. A questão é que a bola precisava estar no ataque adversário, o adversário precisava estar dentro da área para tudo dar certo. E os lances perigosos aconteceram todos exatamente pelo lado que o treinador deixou descoberto ao sacar Felipe Bastos da única coisa que ele conseguiu fazer bem na referida partida.

Os burros não vencem.

Nem os incompetentes e arrogantes que estão enfurnados nas sociais de São Januário. O castigo divino se deu sobre culpados e inocentes, e mais uma vez, o torcedor vascaíno se sente enganado e traído.

A bem da verdade, seria vergonhoso um campeão carioca sair da segunda divisão. Vergonhoso para os outros todos, claro. Mais vergonhoso ainda é o carioquinha cumprir sua tradição de, aos olhos do mundo, ser decidido com erro de arbitragem. Por vários anos mantem-se o vexame. Que favorece única e exclusivamente um time. Nunca erra em favor de outro. Acreditar nisso como "coincidência" abre precedente pra se apostar em fadas, gnomos e papai noel!

Eu faria ressalvas a essa linha de defesa do Vasco, com zagueiros excelentes e laterais muito competentes. O garoto Thales hoje foi nada, mas é uma promessa do clube. O artilheiro Edmilson teve méritos na competição, Guiñazu foi um gigante e o goleiro do Vasco era tudo o que nós precisávamos ano passado e os estúpidos gestores do clube juravam não achar necessário. Não sei se isso pode ser considerado mérito do diretor de futebol, porque o considero um subproduto de marketing, inventado como bom sem ser. Se fosse, não estaria nessa diretoria.

Enfim, debaixo de todas as ironias e vexames de sempre, resta-nos a vingança de que essa diretoria - toda ela, do presidente até os bobos da corte que o bajulam - passa, mais que qualquer um de nós, a vergonha de ser derrotista, pé-frio e incapaz.

Vamos nos livrar deles daqui a pouco! Dependendo de quem vai entrar, teremos, então, um Vasco de verdade de volta. Não essa caricatura pálida de Almirante, apequenada numa bancada de deputados famintos e enxugadores de gelo derrotados por natureza.

Saudações aos vascaínos de verdade, à torcida sábia e prudente que conhece seu papel histórico e não está misturada a esses fakes de papelão.

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06/04/2014 19h04

Decisão entre Indecisos
Hélio Ricardo Rainho

Decisão de Campeonato Carioca, Vasco e Flamengo, 20 mil testemunhas. Não, isso não é uma piada. É a declaração funérea de uma administração espantosamente falida do futebol carioca. Que, para muitos, é culpa apenas da federação. Não é.

Não obstante a indigência mental de sua federação patife, os clubes esperneiam e fazem notinha de repúdio na imprensa, mas são incapazes de criarem um atrativo para seus torcedores que os mobilizem a encher uma arquibancada qualquer.

No clássico decisivo, um Vasco com mais cara de Vasco, com um ataque confiante, abriu o placar, encurralou os reservas do Flamengo, mostrou uma defesa muito bem postada e poderia ampliar muito o marcador no primeiro tempo.

Poderia.

Não ampliou porque, como é de costume há alguns anos, resolveu implodir. Everton, um dos melhores em campo, esbanjava vigor nas jogadas. Era uma ameaça constante. Até que o vigor excessivo e a "ameaça constante" o transformaram num perigo...para o próprio Vasco! Nervoso, irritado, sacudido. Contagiou todo o time com um nervosismo exacerbado e acabou expulso. Corre em paralelo uma versão de que o lance do primeiro cartão foi pênalti, não simulação. Claro que, se fosse para o Flamengo, a Fla-Cobraf marcaria. Mas, na verdade, não foi. Everton já tinha agadunhado um adversário antes desse lance e o juiz foi até tolerante, retardando sua expulsão. O time do Vasco andou até rasgando camisa do adversário (um fetiche, admitamos). Por que isso, se ganhávamos? Quem deveria conversar ou buscar a compreensão sobre essa desnecessária tensão de jogo?

Adilson, que nada enxerga, deixou Everton em campo até que fosse expulso. E foi. Veio o segundo tempo e o Vasco, além de ter um a menos, trouxe o meio campo atado na lentidão de Pedro Ken e na inoperância de Felipe Bastos, que só assustou numa cobrança de falta. Thalles entrou aos 35, quando Edmílson se contundiu, e seguiu o empate, que favorece o "bloco de sujos". Uma vantagem que o Vasco poderia ter nas mãos e não fez uso. 

Incrível como o time do Flamengo, com um a mais o segundo tempo todo, é acovardado. Fez seu gol numa arrancada e belo chute torto, confundindo o ótimo arqueiro vascaíno. A única coisa que tentou fazer depois, sem sucesso, foi aprontar alguma correria pra explorar a vantagem numérica. Seus jogadores, de uma pobreza técnica incrível, nunca arriscaram sequer uma jogada individual contra o Vasco. Com todos esses "ingredientes", o jogo teve algumas emoções para os mais empolgados e uma pobreza técnica sofrível para quem só queria assistir a uma partida de futebol.

Muito falamos desse Campeonato Carioca falido, mas vejam vocês que a pobreza técnica é latina: não há desculpa para o Flamengo, com um time e um treinador limitados desse jeito, estar na Libertadores com possibilidades de reação e classificação. É ruim lá como é aqui, enfrenta bagaços lá como os daqui. Entrou pela janela da Copa do Brasil e, assim, é penetra numa festa dos melhores. Isso se refletiu também na covardia tática e na pobreza técnica exibida hoje, quando teve um a mais o jogo todo e ficou paralítico lá atrás.

Menos mal para o Vasco. Que, embora tecnicamente consiga ser mais qualificado, vai pra final com a mídia, a arbitragem e a desvantagem do empate contra si.

A substituição natural para a vaga de Edmílson deveria ser Thalles. Mas o treinador deve consultar alguma "entidade" para saber, de fato, quem deve escalar. Sem "interferências" acho meio difícil.

Há dois lados para essa moeda. O time do Vasco tem postura tática e alguma qualidade técnica suficientes para vencer esse Flamengo que vimos hoje ou qualquer outro dia, Porque é fraco. Por outro lado, o Vasco ainda tropeça num "Feitiço de Áquila" que o faz, como num passe de mágica, transformar-se em outra coisa quando tudo parece caminhar bem.

Então temos, de um lado, um time que almeja outra competição; de outro, um que costuma jogar tudo pra cima quando está perto de conquistar outra. Dois indecisos num campeonato confuso. 

Eu torço. Confiar, não confio. Espero que seja, nesta final, como foi nas semifinais.

A esperança é a última que morre. Vamos lá, Vascão!!!

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30/03/2014 23h15

Vascão na Final!!!
Helio Ricardo Rainho

Vascão na Final!

Desdenhado, apequenado, num de seus anos mais inexpressivos, o Campeonato Carioca terá, ao menos, a chance de se redimir com a grande rivalidade dos dois clubes que farão a decisão de 2014.

Com a vitória simples por 1x0 sobre o Fluminense, o Vasco classificou-se para a grande decisão de um título que há muitos anos não conquista. Embora pouco reforçado e sem muita mudança na estrutura combalida do clube, segue sua marcha de superação com dois grandes méritos para essa empreitada: uma defesa vigorosa e um ataque funcional.

Falando da defesa, o que vem jogando esse Rodrigo é uma barbaridade! Muito bem acompanhado do jovem Luan, que há muito tempo era melhor do que os bondes de empresário que sufocavam sua escalação. Juntos, os dois compõem hoje uma das zagas mais firmes do país. Espera-se que os vendilhões do clube não balancem seus saquitéis de dinheiro para liquidarem os dois nesta temporada. Lidando com essa gestão exploratória que o Vasco hoje tem, não se duvida muito.

No ataque, já disse e volto a dizer que termos um artilheiro de campeonato é algo que aponta para nossas origens, nossas tradições, despertando o sentimento de que estamos vivos e de que o Vasco despertou de sua letargia. Sempre fomos um time de artilheiros, e o ataque do Vasco possui vários jogadores afinados para chutar em gol. Essa tem sido uma das virtudes da equipe no campeonato.

O artilheiro Edmilson tem mostrado boa técnica e senso de colocação. Além dele, a estrela do menino Thalles é uma "boa sombra" e também uma promessa de que o Vasco ainda pode ter futuro, com um menino talentoso e voluntarioso para comandar o ataque cruzmaltino.

O treinador do Vasco tem limitações. Não sou desses que muda de opinião tão somente por causa de resultados: Adílson é limitado tecnicamente e, por isso, "sobrou" no mercado, ficando à disposição do Vasco. Apesar disso, está lá fazendo o papel de "gritador" e levando motivação para um grupo que, ao menos, sabe o que quer e onde pode chegar. hoje, por exemplo, aprendemos a superar a desvantagem, revertendo o empate que favoreceria o adversário em uma nova vitória que nos classificou. Foi um bom ensaio: precisaremos do meso ímpero contra "as hordas do mal" nos dois proximos confrontos. 

Destaco ainda o meia Douglas, que tem o porte e a serenidade de um meia clássico, armando silenciosamente as jogadas para que virem gols, como aconteceu hoje na jogada decisiva que garantiu o Vasco na final da competição. E o gigante Guiñazu, que hoje foi um monstro na marcação e no combate! Raça pura!

Termos um goleiro fez e faz toda a diferença. Martin Silva é o que nos faltou ano passado, na omissão do departamento de futebol e na incompetência de Carlos Germano. Fomos rebaixados única e exclusivamente porque não tínhamos um goleiro, coisa que hoje, pelo menos, já temos. De minha parte, não há perdão para o que fizeram com o clube ano passado. Resta-nos, portanto, celebrar as defesas fortuitas de Martin e virar as costas para os dirigentes patéticos que não enxergaram essa necessidade quando havia tempo de evitar o que aconteceu.

Vamos lá, Vasco! Contra tudo, contra todos, contra a burrice e a indigência interna, contra a "corja de sopradores" que já deve estar se mexendo pra assegurar os dois empates da "horda do mal", contra a militância xiita da mídia em favor das "capas de diabo"...

Fazei, nosso Vasco, prevalecer a sua luz, a sua cruz, a sua fé, a Ordem Militar de Cristo, o fulgor de sua bandeira, a raça de seus artilheiros, a pujança de sua torcida!

Que venha um Vasco campeão, não para salvar a reputação destruída e vil dos abutres que carcomeram o clube nos últimos anos. Mas para honrar o pé descalço do torcedor pobre, do negro lutador, do suburbano aguerrido, dessa gente simples e apaixonada que não merece passar a vergonha que uma elite indigente tentou trazer à nossa Colina Histórica!

Contra tudo e contra todos...somos mais você, Vascão do nosso coração!!!

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24/03/2014 13h02

São Edmílson de São Januário!
Hélio Ricardo Rainho

Combalido, sem público, desinteressante. Voltado para sua fase conclusiva, o Campeonato Carioca mais uma vez provou que não há ascensão de clube pequeno no atual modelo federativo do Rio. A Cabofriense tem seus méritos respeitados por mera cordialidade: sabe-se que ela chegou lá por um esforço do Botafogo em manter-se vivo na Libertadores, esforço este que o eliminou precocemente e em péssima campanha durante o certame.

Mais uma vez o Estadual ficou entre os grandes. Em posição cômoda, muitos pontos à frente e jogando por dois empates, está o Flamengo, campeão de uma Taça Guanabara sem glamour e sem festejo, praticamente sem pôster também. Tristes tempos, não? A enfrentar os rubro-negros, o vitorioso do confronto entre Vasco e Fluminense. O Vasco, esse time com alguma vibração de seus jogadores medianos vendidos como "heróis" para qualquer "zebra" que nos favoreça. O Fluminense mais uma vez com seu elenco renomado tendo desempenho fraco e pobre numa competição. Os dois vieram de goleadas para se "pegarem no tapa" nesta fase decisiva de agora.

Foto: Site Vasco

A lógica do Campeonato Carioca é uma lógica de extinção. Aqui jazem uma federação, um poder administrativo constituído, quatro clubes grandes muito atordoados e um punhadinho de clubes pequenos que nunca conseguem chegar a lugar nenhum. Este ano ainda mais espremido por ser um couvert a anteceder uma Copa do Mundo, o Campeonato Carioca passou praticamente em branco e sem nenhum atrativo. O público é deprimente. Um retrocesso na tradição de outrora.

O Vasco enfrentou um time que parecia o seu na temporada passada. O Duque de Caxias não tem goleiro, tem um time muito fraco e parece sem nenhuma vida ou vibração. Ainda assim, o gol aos 8 segundos de jogo marcado por Reginaldo mostrou que há ânimo e coragem debaixo da camisa cruzmaltina. O Vasco 2014, ainda com suas limitações e com pouca afirmação de seu treinador mal sucedido em 2013, consegue mostrar seus valores justamente no brio com que têm defendido a equipe dentro do campeonato. No frigir dos ovos, teve Edmilson como artilheiro isolado, possui a defesa menos vazada, o melhor saldo de gols e a maior goleada da Taça Guanabara.

Ter um artilheiro no campeonato também é uma celebração da legítima tradição vascaína de artilheiros. Edmilson pode entrar para a história do clube e também recolocá-lo nesse patamar histórico caso confirme sua vocação para gols na temporada. Individualmente os atacantes do Vasco têm aparecido bem, além do meia Douglas, eficiente nos passes. Mas são todos elogios de meia boca. Talvez se tivéssemos um treinador mais capaz, pudéssemos confiar num desempenho melhor. Mas, convenhamos, nenhum dos quatro grandes do Rio têm treinadores confiáveis. Flamengo e Botafogo estão na "conta do chá" com improvisos que supostamente estão "segurando a onda". Adílson Batista não convence, e Renato Gaúcho é uma piada em clubes cariocas.

Se o Vasco tiver minimamente uma preleção motivadora, pode alavancar seus fortuitos guerreiros a quebrarem o jejum. Não está difícil. Passando pelo Fluminense, a decisão contra o arquirrival terá certamente contra nós o mau grado dos sopradores de apito, que sempre beneficiam o seu "queridinho". Será duro reverter dois jogos com vantagem a um adversário que, desde o fim de carreira do mandatário anterior e durante toda a carreira estulta do atual, vence psicologicamente o time cruzmaltino. Este ano, porém, não vejo do lado de lá comando nem envergadura para isso. Se formos mesmo imbuídos desse espírito do "gol aos 8 segundos", temos tudo para fazer diferente a história de 2014.

Seria bom, muito bom, o Vasco começar este ano triste de rebaixamento vencendo um Estadual. Que está combalido, desqualificado e sem status. Mas é, afinal de contas, uma competição com a cara do arremedo de clube que ainda restou desse fim de mandato do atual presidente-deputado.

E mais uma vez, contra os fatos e sem argumentos, vamos nós, vascaínos, acreditar na essência do Almirante, na glória da camisa, no triunfo da cruz-de-malta. E torcer por um milagre. E pelos gols do nosso artilheiro da hora - este nosso "São Edmílson de São Januário"!

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11/03/2014 10h33

Das Cinzas do Carnaval...
Hélio Ricardo Rainho

Acabou o carnaval, mas, pelo jeito, a "gandaia' segue solta num certo "sambódromo" de São Januário. Os caminhos do Vasco para esta temporada, como se vê e se lê por aí, são políticos. Em campo, o time empata com o Bonsucesso em meio à ressaca de carnaval e sai "satisfeito com o rendimento na partida" (?). Começam as agendas de articulação política dos candidatos à eleição.

Ao que parece, candidatar-se a uma ressurreição do combalido clube neste momento é um grande mote. Os candidatos que se apresentarem com mais pose de "salvadores da pátria" rapidamente alcançarão os louros da fama e obterão o favor dos eleitores. Temos algumas campanhas lançadas e duas situações políticas, ainda não confirmadas, que em particular mereceram as observações deste colunista. Trabalhando com hipóteses, mas dentro de cenários possivelmente capazes de se concretizarem. Daí a tentativa de pré-analisar os casos.

Em primeiro lugar, a possibilidade de uma chapa combinando os candidatos Fernando Horta, Pedro Valente e Jorge Salgado. Sobre Fernando Horta, estamos todos mais do que conscientes - sendo carnavalescos (como é o meu caso) ou não - do trabalho quase mágico realizado na escola de samba Unidos da Tijuca, uma instituição histórica de imensa relevância no cenário cultural do país (entre as três mais antigas, junto com Portela e Mangueira). A escola do Borel acaba de sagrar-se campeã de 2014. Após uma trajetória curricular de inexpressividade e pouco poder competitivo, tornou-se uma máquina azeitada nos últimos 15 anos (sim, antes mesmo de ser campeã por três vezes neste século, já havia crescido muito). Horta fez um trabalho irrepreensível de reestruturação da escola. Mais que isso: é inédito, no panteão do samba, uma escola se reinventar e se "reposicionar" como a Unidos da Tijuca fez. Temos escolas que nasceram, cresceram e se consagraram. A Tijuca foi diferente: tinha um vasto caminho percorrido, um título muito antigo (1936), estava consolidada como "mediana" e tomou porte de grandeza para disputar e ganhar três títulos. Diz-se que samba e futebol não combinam. Pois quem olha para o Vasco bi-rebaixado, pobre, com estádio depenado, acovardado diante de federações...vai lá se prender nesses argumentos filosóficos? Não. Todo mundo quer um presidente valente, arrojado, com pinta de campeão. FErnando Horta sugerirá isso certamente. E o nome de Jorge Salgado, também nessa chapa, é grande dentro da história do Vasco. Parece uma chapa de respeito.

Aí vem um augúrio de que o atual mandatário pode (ninguém confirma ainda) estar se aliançando com seu suposto desafeto Eurico Miranda, apoiando sua candidatura (pasmem!) para, com isso, salvaguardar seu posto como deputado estadual. Prefiro acreditar que isso tudo é apenas uma vingança de alguém que, como eu, esteja profundamente decepcionado e tenha asco dessa diretoria que dilapidou o Vasco. Não pode ser verdade. Porque, muito embora eu tenha esse sentimento de repulsa, não acreditaria que alguém pudesse criar uma história dessas sem fundamento. E tremo da cabeça aos pés diante da possibilidade disso ser verdade. Caso venha a ser, então estarei definitivamente enojado e descrente de que haja caráter, hombridade e mesmo a tal "vergonha na cara" no mundo da política! Que absurda desfaçatez justificaria uma aliança confessa (porque a inconfessa, a meu ver, sempre existiu) entre o atual e o ex-mandatário vascaínos em troca de favores políticos? Deus nos livre, como vascaínos e como cidadãos.

Enfim, vamos nos arrastando pelo Campeonato Carioca, assim como vamos de modo rasteiro nos colocando para o pleito que pode decidir o futuro do Gigante da Colina. Hoje um clube nada gigante; infelizmente apequenado e boçalizado por mentes cauterizadas.

Empatamos com o Bonsucesso.

Tá bom, gente. Pelo menos fizemos um pontinho...

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17/02/2014 09h14

Garfada!
Hélio Ricardo Rainho

O Campeonato Carioca deve ser, dentre todos os regionais, o de pior fama. Não obstante a sua histórica vocação para grandes públicos (afinal de contas tem, em seus quadros, duas das maiores torcidas do país), tem também a pior mácula de escândalo de arbitragens, uma das páginas mais constrangedoras do futebol brasileiro. Trata-se do famoso caso das "papeletas amarelas", assunto que nunca mais deu o que falar devido ao fato do grande favorecido ter sido o Flamengo. Um time das elites normalmente beneficiado pelo poder vigente e pela mídia reinante, que acredita numa audiência maior de suas transmissões quando promove - direta ou indiretamente - o clube rubro-negro em alguma competição.

Foto: ReproduçãoOntem, porém, ficou difícil até mesmo para a grande mídia promover seu queridinho. Normalmente deslavados na parcialidade, tiveram todos de admitir: o Vasco foi roubado mesmo! Na cara grande, na tela grande, na frente de todo mundo. O ultramedíocre árbitro Eduardo Guimarães, desde o início do jogo muito nervoso e dado a faniquitos indignos de sua profissão, fez vista grossa para o erro tosco e injustificável do auxiliar Rodrigo Castanheira, que deixou de dar um gol de falta de Douglas após a bola bater no travessão, quicar quase dois metros dentro do gol e rechaçar pra fora.

As imagens são extremamente comprometedoras: o sujeito, que ganha para trabalhar ali naquele ponto do gramado, está sozinho, de frente, sem ninguém a encobri-lo, e deliberadamente resolve anular o gol feito. É praticamente uma escolha pessoal: "eu não gosto desse clube e simplesmente as autoridades do futebol me concedem o direito de lesar quem eu quiser". Ninguém interfere, ninguém expulsa o palhaço de campo. Ele segue trabalhando, de forma burra, cega, incompetente e quiçá (eu acho que foi, me parece indefensável a versão do erro sem intenção) mal intencionado.

Pois é da soma desses Guimarães&Castanheiras que se faz um Campeonato Carioca sob medida para a flamengada! Que estava caindo numa crise e precisava da vitória ontem, no clássico, para enxugar as mágoas de sua coça na Libertadores, por onde entrou via "campeonato de atalho".

O Vasco começou bem a partida. Com Douglas inspiradíssimo no meio campo e jogando contra um adversário totalmente perdido e sem noção tática, o cruzmaltino demonstrava disposição para o jogo, uma defesa bem postada e boas subidas pelas laterais. Guiñazu e Felipe Bastos (pasmem!) se destacavam na marcação e na saída rápida de bola para municiar o ataque. Tanto nas trocas de passe quanto nas jogadas individuais, o Vasco sempre prevalecia diante de um Flamengo que mal conseguia concluir uma tabela de dois passes entre seus jogadores.

O gol de falta marcado em bela cobrança de Douglas, ao ser tão impunemente anulado, acabou com a moral e a paciência do jogo. Dali pra frente, os mesmos erros do senhor Adilson "Pavor" Batista, que fez questão de estragar todo o time no segundo tempo. Até culminar com a defesa perdida, numa faixa de seis jogadores, permitindo um gol do adversário em jogada tramada com apenas dois deles. Enfim, o que já se sabe.

A mim, nenhuma surpresa. Foi a décima vitória da flamengada sobre o Vasco do deputado frouxo. E muitos comedores de canapé das festinhas das sociais vão perguntar se é culpa do presidente um clube ser garfado pelo árbitro dentro das quatro linhas. Pois no caso do deputado, eu diria sem medo: É!!! Seu lastro de incompetência, lerdeza, covardia e um derrotismo inexplicável que parece emanar de toda a sua corriola impedem qualquer torcedor mais esperançoso de acreditar em conquistas dessa gestão! Semana passada foi um empate tosco que nos tirou a liderança; ontem foi uma derrota improvável com direito a gol roubado na cara do planeta inteiro: os cinco anos de mandato foram só derrotas, vergonhas, rebaixamentos e nenhuma capacidade de reação! Esse clone de Vasco, essa "cópia não autenticada" que circula por aí, é total culpa do presidente de araque que hoje lá está.

Montoya, destaque nas partidas iniciais da temporada, mais uma vez sumiu. Alguma coisa o impede de ser escalado. Alguém deve estar com a mensalidade em dia; a dele, não. Tivemos de assistir ao soporífero Pedro Ken nos gramados, e o jogo afeito para o argentino ficou a esperá-lo em campo. Adilson segue emburrecido e chamando as derrotas.

Mas não esqueçamos os nomes dos quadrúpedes do jogo de ontem para entendermos o resultado pré-fabricado: o soprador de apito Eduardo Guimarães e o auxiliar parlapatão Rodrigo Castanheira. Um mais ridículo do que o outro. Ambos impunes e reinando sobre a situação.

Continuo não acreditando no Vasco, não acreditando em mais nada enquanto esses falsos dirigentes estiverem lá!

E, agora, começo a desconfiar que existe um circo armado para maquiar a provável desclassificação da flamengada na Libertadores com um "carioquinha de consolo" devidamente assegurado no apito amigo.

Que vergonha para uma republiqueta imoral que quer ser vista como "país" e até sediar uma Copa do Mundo daqui a quatro meses...

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11/02/2014 11h08

Ainda Desconfiado...
Hélio Ricardo Rainho

Minha opinião todos já conhecem. Não existe paixão pelo Vasco que me convença de que, com essa diretoria e seus cupinchas, alguma coisa vai andar. Podem até conquistar o Campeonato Carioca deste ano, mas só acreditarei vendo. E , pesando na balança da destruição que causaram e de todos os malefícios que geraram em torno de suas vaidades nestes cinco anos de mandato infeliz do deputado, nem essa conquista equilibraria o saldo. Eles são ruins, inoperantes e fracassados. Com ou sem essa conquista.

Mas, ainda assim, tenho plena convicção de que conquistas só virão quando esse enxame de insetos for embora definitivamente de São Januário. Me considero um vascaíno com saudades do Vasco: o que temos lá é um fake. É gente derrotista, fracassada, brincando de ser Gigante. Não é. São nanicos. E isso se reflete dentro dos gramados.

O Vasco - o grande Vasco da Gama - precisava de uma vitória simples sobre o valente Nova Iguaçu para assumir a liderança do Campeonato. E o que aconteceu?! "Tava sol", "a viagem a Volta Redonda é desgastante", "nosso elenco é fraco", "sentimos a falta de Juninho". As desculpas arrotadas aqui e acolá beiram o surreal!

Poderíamos ter o pior elenco da história do Vasco. Modéstia à parte, isso não nos impediria de alcançar o intento, visto que dificilmente o Nova Iguaçu teria um elenco "bom" ao ponto de suplantar o nosso, a nossa estrutura, a nossa preparação física. Isso no tempo em que tínhamos estrutura e preparação física, é claro...

Quando o comentarista de televisão começa a destacar o clube pequeno, elogiando suas peças, dizendo que o time é bom, que fulano é craque etc, é porque o grande está deixando de cumprir seu trabalho. E a emissora está querendo valorizar a competição. Cujo nível sabidamente é baixo demais.

Analisar esquema tático ou disposição dos jogadores no Vasco ainda é uma missão tensa. O treinador repete a síndrome de seus antecessores: a lógica de escalação parece muito mais afeita a critérios não técnicos do que efetivamente técnicos. O que fazia, por exemplo, um jogador de características criativas como Montoya caindo como um ponta-esquerda, domingo passado, deixando o time à revelia das oscilações de Pedro Ken como "armador" da equipe? Ali, isolado, Montoya acabou substituído por William Barbio. Jogadores juniores que se destacam (caso de Thales) não são reescalados. Parece que o mérito da escalação está nas mãos ou no bolso de alguém. E a equipe não possui boa condução ou comando no sentido de buscar um resultado.

O que eu vi, particularmente, no domingo passado, lembrou-me do trauma recente do rebaixamento. Do presidente ao capitão em campo, o Vasco é representado indignamente por uma linha de comando que não o inflama, não o ajuda a alcançar um objetivo. Administrativamente, o time é incapaz de alcançar uma meta. Ainda que tivesse ganho o jogo de domingo, dificilmente alçaria voo para um título caso disputasse com um grande, depois, a empreitada final.

Não quero aqui deslegitimar o empenho dos jogadores nem a fé da torcida. Só acho que, pelo menos até esse jogo de domingo passado, o Vasco ainda não me provou que sua aparente melhoria técnica (é o único invicto da competição e ainda segue bem na tabela) represente, de fato, um levante na mediocridade pela qual prezou na temporada passada. Ainda lhe falta capacidade de começar e ir até o fim em uma jornada.

Agora vem a flamengada aí. Seja o que Deus quiser...

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30/01/2014 16h25

Montoya: boa aposta em 2014
Hélio Ricardo Rainho

Com dez gols em dois jogos, o time do Vasco começa a respirar dentro do campeonato e minimamente se equilibra para não ficar em desvantagem tão gritante em relação a seus adversários. Era o mínimo que se podia esperar após a decepção de 2013 e um início nebuloso de temporada. Enfim, gols para levantar o astral!

A caminhada não é fácil. Não se trata de um time que tenha contratado reforços capazes de, por si sós, mudarem muita coisa. Será preciso trabalho, armação de equipe, um padrão de jogo onde o melhor de cada um possa suprir a deficiência de outro. Via de regra, é o que acontece em todos os elencos. Mas, no caso do Vasco, o desafio fala mais alto . E este campeonato regional pode ser um bom ensaio para a real necessidade do clube na temporada, que é ressuscitar novamente do Calvário da Série B.

Montoya começa a jogar bem e ganhar espaço na mídia e na torcida do Vasco. Tomara que essa contusão não interrompa sua ascensão. Os leitores mais frequentes devem lembrar de minha coluna sobre o "crepúsculo dos ídolos". Justifico meu olhar desconfiado sobre ídolos do clube a partir do mau exemplo de seu presidente, mas reitero minha preocupação não com ídolos novos, sim com as múmias ressurretas, jogadores antigos que floreiam em declarações e tropeçam em testemunhos e em produtividade real. Enfim, caso Montoya confirme sua vocação para ídolo, é importante que essa gestão - até onde dure - aprenda a lidar com bons jogadores, aprenda a lidar com ídolo, aprenda a lidar com jogadores que se destacam na equipe, sem antes desgastá-los ou vende-los a preço de banana.

Foto: Divulgação

Pelo futebol demonstrado e pela mítica de ser estrangeiro, Montoya pode vir a ser um alento para a temporada. Carecemos de ídolos. A prova disso é que o simples fato de termos um goleiro, coisa que nos faltou a temporada passada inteira, já deixou a torcida encantada ao ponto de aplaudir sempre as intervenções de Martin Silva, de fato um bom arqueiro. Sobretudo confirmando-se a aposentadoria do longevo Juninho Pernambucano, faz-se mais que necessária a ascensão e um novo nome para capitanear a torcida, mais do que o próprio time. Acredita-se que Montoya, neste início de temporada, possa ser o nome a ser trabalhado para isso.

No mais, é esperar que o Vasco mantenha os bons resultados e possa ganhar autoconfiança. Porque pior do que uma equipe com limitações e uma gestão sem planejamento e caótica é ter uma equipe que, à mercê de tudo isso, perca sua estima e entregue os pontos antes da hora. Provavelmente o sangue estrangeiro injetado nas veias vascaínas para esta temporada deva ajudar a superar os traumas e maus desempenhos recentes.

É o que todos esperamos. Até que nos venha um dos cartolas atrapalhados do Vasco melar tudo e nos jogar pra baixo de novo...Deus queira que isso não aconteça, mas já sabemos que tudo se pode esperar...

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23/01/2014 09h10

A Lambança Continua...
Hélio Ricardo Rainho

Nem bem começou a nova temporada vascaína e já ficou suficientemente claro que nada mudou nem vai mudar enquanto a gestão infrutífera do deputado permanecer no Vasco. Antes, quando ainda tinha pretensão de se perpetuar no poder, o deputado costumava reforçar o time às vésperas de eleições. Agora, já desistindo de tudo e dando-se por satisfeito com dois rebaixamentos e duas piores campanhas em estaduais da história do clube, o dirigente derrotista e sua cambada de aduladores estão trabalhando na base do "esforço mínimo", praticamente entregando as próximas eleições no colinho do "ex" que lhe deixou a chamada "herança maldita".

Parece vingança pessoal: devolver, assim como recebeu das mãos do outro, um Vasco "ferrado e mal pago". E na briguinha de egos e vaidades dos dois, o Vasco é tratado como traste, jogado de um lado para o outro. Uma abominação!

O empate com o Macaé serviu para descortinar o que todo mundo vê há alguns anos, senão em toda a extensão do mandato do deputado como presidente. A divisão de base do Vasco tem algum problema sério na cabeça deles! Dizendo não terem dinheiro para contratações expressivas, jogam dinheiro fora contratando gatos em sacos, e nem se atrevem a reforçar a equipe usando jogadores de boa qualidade da base.

O que acontece? Será que precisa ter empresário e fazer algum tipo de pacto contratual para ser titular do Vasco?

Voltamos para 2014 piores do que em 2013. Ano passado, Marlone passou o ano todo na reserva. Era jogador da base, não "podia" ser titular, porque tinha um fila de jogadores de empresários maltratando a bola, mas com vaga certa. Quando efetivado, não obstante a sabotagem de goleiros feita no clube quase que propositadamente para rebaixá-lo, tornou-se o único camisa 10 possível da equipe. Foi vendido pela porta dos fundos. E, agora, levaremos no mínimo oito meses para que algum outro jogador da base - certamente melhor do que todas as contratações feitas por essa trupe de dirigentes amadores - tenha portas abertas para acontecer no time principal.

O Vasco do senhor deputado Dinamite atravanca o caminho de todos os valores da base! É quase um calvário ser jogador de base do Vasco e ter oportunidade no time principal. Por que será?

Juntos, o deputado e o dirigente Caetano tiveram as duas piores campanhas da história do Vasco em um estadual. Aliás, em dois. A pior Taça Guanabara de 2011 e a pior Taça Rio de 2012. As duas piores da HISTÓRIA!!! Foi preciso mais de 110 anos para que alguém tivesse esse "talento"! Pois os dois estão aí, juntos, de novo, "somando forças" (o deputado também conseguiu rebaixar o Vasco duas vezes, já o dirigente Caetano rebaixou o Fluminense ano passado). São dois caras capazes de feitos incríveis! O pior é que tem gente acreditando que o Caetano é Veloso, que vai fazer alguma coisa genial...tirar uma nota musical do bolso...sei lá.

Não tem jeito. Empatar com times pequenos, nas duas primeiras rodadas, pode não querer dizer nada. Sei lá se pode ou não. O problema é que esse Vasco que aí está, acossado por politicagem imunda e gentinha medíocre querendo aparecer mais que a caravela e a cruz de malta da bandeira, não impõe respeito nem representa a integridade que caracteriza o clube! É difícil - um saco! - a gente não conseguir analisar uma partida sequer do clube sem ter que espinafrar a politicália interna de São Januário! Mas seria leviano da minha parte, acredito eu, ficar aqui criticando o lateral, o goleiro, o atacante...discutindo sistema tático...gente, nada disso existe no Vasco! Porque, de verdade, o que entra em campo com a camisa e a chuteira são as bestas-fera que assolam o clube! Fruto do descaso, do desmando, da incompetência dessa gente que já nos rebaixou duas vezes e, se puder, ainda nos rebaixa até neste Estadual!

Não tenho medo de dizerem que sou maluco ou apocalíptico. Tudo o que eu critiquei há dois anos atrás, ainda na era Cristóvão, aconteceu em 2013. Inegavelmente porque estava na cara. A paixão do torcedor cega, mas a realidade é nua e crua.

Não contratamos ninguém expressivo, não conseguimos inscrever os contratados, não promovemos juniores, temos um treinador que veio como "pé-de-coelho" e não trouxe sorte alguma. É assim que se fazem as coisas no Vasco.

Vamos esperar a terceira rodada. É o que nos resta. Emoção zero, revolta total!

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19/01/2014 18h11

Um Começo Tacanho
Hélio Ricardo Rainho

O Vasco começou 2014 como terminou 2013. Engabelando sua torcida com uma atuação pouco animadora e tendo um resultado pífio, ao empatar com o modesto Boavista, mesmo jogando em São Januário. Ao que parece, começou o certames sugerindo mais uma temporada de vacas magras. E olha que é o ano eleitoral do deputado!

Continuamos sem competência para montarmos um elenco, quiçá um time. A colcha de retalhos que é o atual Vasco sequer consegue superar a incapacidade de inscrever jogadores contratados. São burocracias intermináveis, muito discurso e pouca solução.
Rodrigo Caetano seguirá posando de "best director" sem justificar o salário alto que deve ganhar num clube quebrado financeiramente. Dificilmente deve se lembrar de que já alcançou as duas piores marcas históricas deste clube justamente neste campeonato (pior Taça Guanabara 2011 e pior Taça Rio 2012 da história do Vasco).

Ainda que também soasse enganosa, uma vitória na abertura da temporada seria o melhor estímulo para provocar o ânimo da torcida e fazê-la crer que, de fato, o Gigante havia despertado. O empate em casa com um time modesto foi o melhor indicador da mesmice em que o clube se encontra, deixando mil interrogações quanto a esse despertar do Vasco.

Não faltarão macacas de auditório promovendo o oba-oba da lotação de estádio. Isso apenas reiterará que nada se faz internamente e a saída é sempre apelar pada a conivência do torcedor com os erros de gestão sempre repetidos dessa vil diretoria.
O time ainda terá outros jogadores em posições fundamentais. Ok, entendemos tudo. Assim como entendemos que, desfalcado de uns três jogadores mais qualificados (e longe de serem jogadores para desequilibrar um jogo), o Vasco 2014 é um time limitado que mal tem pernas pra vencer um pequeno Boavista, mesmo dentro de casa. Se for para esperar vitória num clássico, nossa medida de fé deverá ser bem maior.

Enfim, sigamos apreensivos quanto ao que nos espera este Cariocão.

Rendamo-nos ao otimismo doentio dos que afundaram o Vasco: eles devem estar comemorando o empate de ontem!

Para eles, pior seria se fosse uma derrota...

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12/01/2014 20h15

À Meia Bomba
Hélio Ricardo Rainho

Cauterizados. Assim estamos nós, vascaínos. Se o primeiro rebaixamento do clube articulou um senso inefável de paixão incontida e mobilização em massa em favor do Vasco, o mesmo não se pode dizer agora. Nem adiantam os discursos de embusteiros metidos a otimistas: a indignação agora é infinitamente maior. O que acaba freiando os ânimos de uma torcida outrora aquecida e apaixonada como a do Vasco.


Enquanto os parlapatões de ofício seguem sua via crucis de tentar provar pro mundo a mentira de que essa diretoria é séria, a cartolada "baixo clero" vascaína caminha lentamente.

Contrataram um bom goleiro. Não exatamente cedo para a temporada 2014, mas estupidamente tardio para o fracasso de 2013. Veio um bom volante, e o resto são todos aqueles nomes que nunca darão qualquer matéria importante além da coletiva de "convocação". É bem provável que nenhum contratado jogue na estreia, porque registrar jogador e por em condição de estrear é uma ciência que nenhum dos carreiristas de ocasião escalados pelo presidente fake consegue dominar.

Enquanto isso, três diretores do departamento de futebol seguem acumulando suas "não-funções" no Vasco. Na gestão do deputado, os nulos ganham bem e são dignos de renovação de contrato. São "encostados ativos". Nada mudou...

Considerando a fragilidade desse campeonato carioca que se inicia, lá vem o Vasco, de novo, juntando forças para quebrar um tabu de 10 anos sem conquistar tal título. É um apagão considerável, mas mal sabemos que reação terá a torcida: se recolherá suas bandeiras a espiar o certame com olhar desconfiado ou se investirá empenho e dedicação a cada partida.

A torcida parece anestesiada. O time sugere uma morosidade e a diretoria nada inspira para que se possa sair desse estado de "meia bomba" em que está o Vasco.

Vejamos o que se dará até que comece o campeonato. Por enquanto, o noticiário é frio e sem paladar. Um prato indigesto que todos esperávamos, e só uma grande notícia poderia modificar.

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03/01/2014 14h52

O Tamanho do Buraco em que o Vasco Está
Hélio Ricardo Rainho

Começamos 2014. Adentramos o ano novo expostos ao flagelo derrotista que nos fora imposto pelos incompetentes regentes de nosso amado Vasco da Gama. Se até aqui restavam-nos o desespero, o engano e a miséria política envenenando as artérias do clube, vemo-nos, agora, na obrigação de retomarmos a esperança, o empenho, a fé.

Mas, como diria o rubro-negro Herbert Vianna...é "A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê". Mais uma vez, com um atraso inominável para resolver problemas óbvios ululantes, a direção do clube começa uma temporada sem nenhuma preparação, recorrendo a dois agentes frequentes nessa gestão desdentada do deputado que amendigou o Vasco: o "passadismo" e o retardo.

No passadismo, temos a volta de Rodrigo Caetano. Com ele no clube, tivemos as duas piores temporadas em estaduais de nossa história: a pior Taça Guanabara e a pior Taça Rio. No ano de 2013, Rodrigo esteve à frente do Fluminense, que também foi rebaixado e só se manteve na primeira divisão por uma questão judicial que todos conhecem. Dizem que o Vasco ganhou aquela Copa do Brasil por causa dele. Ninguém admite que foi no susto e no desespero. Na pressa, também. Rodrigo sustentou o tempo todo o discurso de "não faremos loucura" nos preparativos para 2011, até que fez a pior campanha da história do clube naquela taça GB e, para ganhar eleição de novo, o falso deputado contatou um time inteiro. Quase ganhamos a taça Rio e, depois, veio a tal Copa do Brasil. Um subtítulo, cujos dois últimos campeões foram um rebaixado Palmeiras e um quase rebaixado urubu. Ou seja: a fama do sr. Rodrigo é envolta em mística, muito mais que qualquer outra coisa. Pior: seu salário é altíssimo para um clube endividado. Com ele, sobra bem menos para reforços. Mas, afinal de contas, reforço no Vasco é algo que hoje não se entende.

No retardo, temos a (possível) contratação de um goleiro de verdade. Isso oito meses depois do Brasil inteiro dizer que o Vasco não tinha goleiro e de nitidamente o Vasco ser rebaixado exatamente por isso. Agora anunciarão esse goleiro com pompa e circunstância, quando, na verdade, é uma vergonha fazer isso depois de toda teimosia, burrice e maldade com que sustentaram outros três que não valem nenhum!

Estamos mal, muito mal. É ano de Copa do Mundo. Todos os olhares estão voltados para o futebol brasileiro. O escudo do Vasco não aparecerá no álbum de colecionadores do Brasileirão, nem figurará com destaque nos noticiários da elite do futebol. Turistas virão ao Brasil e conhecerão nosso clube como um sub-clube rebaixado, inferior a duas dezenas de outros. Nossa marca está desvalorizada. Somos quatro grandes cariocas: dois na Libertadores, um salvo pelo gongo na Série A...e nós, "os piores", inferiorizados, os únicos rebaixados. Em termos de exposição de imagem e marketing, o deputado estulto fez de nós uma tubaína, um refrigereco perto das Coca-Colas. O Campeonato Carioca será vazio com dois cariocas na Libertadores, e nem assim esse Vasco combalido e covarde do deputado conseguirá superar os reservas de Flamengo e Botafogo, muito provavelmente.

Alguém pode calcular o prejuízo de marca que significa ter o Vasco rebaixado no ano histórico em que uma Copa do Mundo acntecerá no Brasil? Pra se ter uma ideia, o Corínthians - rebaixado um ano antes de nossa queda e mentirosamente citado como nosso "modelo de ressurreição" naquela época - é hoje campeão mundial e terá um megaestádio sediando um dos jogos. Nosso plano de marketing foi uma vergonha!

Mas ninguém quer dizer isso, porque essa é a verdadeira conta a ser paga por toda essa cambada de mentecaptos arrogantes e burros que tomaram posse do clube com a democracia anêmica do deputado. Duas correntes surgirão: os "otimistas viciados", falsos motivadores movidos por cutucadas políticas da situação, ainda em busca de um restinho da mamata em sua fase terminal; e os "golpistas do acaso", radicais opositores forjando um golpe para entrarem no lugar do deputado e vampirizarem o clube em lugar dele.

Essa corja se merece. Estamos sucateados nas divisões de base, já hipotecamos Marlone, e teremos de apostar nossas fichas nos Barbios e Felipes da vida. Talvez até o "Felipe cadáver" (outro que também veio do sepulcro tricolete), já que o deputado apela sempre para o falso discurso de "preservar ídolos" no intuito de reeditar coisa gasta, barata e capaz de cegar a torcida.

Não sei. Queria muito escrever coisa melhor. Mas a única esperança que eu tenho é de que surja uma terceira força política no Vasco e enxote pra longe os agourentos derrotistas dessa chapa do deputado - todos eles! - e ainda seja capaz de expurgar o retorno da verminose que iniciou toda essa contaminação putrefata no clube.

Até lá, toda falsa notícia boa será apenas engodo e tapeação. O Vasco só será Vasco de novo quando vomitar essa podridão nojenta que, lá dentro dele, amplia a cada minuto o tamanho do buraco em que o Gigante está.

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24/12/2013 12h46

A Nós, Vascaínos...Feliz Natal!
Hélio Ricardo Rainho

Hrvasco

Sobrou-nos a não-esperança. O Vasco de hoje é uma terra desolada, um solo infértil, um jardim de ervas daninhas a povoar seu outrora garboso constitutivo de flores primaveris.
Roubaram-nos a honra, a moral, a decência, o orgulho, a competitividade. Com suas mentes tacanhas, medíocres, estúpidas; com suas mentes cauterizadas pela ambição, pela presunção e pela arrogância; com seu despreparo de vis amadores armadores de arapuca; com seus rompantes de fúria e trairagem, subverteram e macularam a imagem antes sacra.

Sobrou-nos a não-esperança!

Transformaram a verdade em mentira, apodreceram o que por tanto tempo foi conservado; destituíram de valor aquilo que outrora foi bem precioso; tomaram para si, como posseiros embriagados pelo vinho, a colheita que era comum, fazendo dela um medíocre capinar sozinho.

Desdobraram um peso de gloria sem igual num apequenado punhado de moedas sem valor de troca. Obsolesceram o amor, denegriram a reputação, apequenaram o Gigante.

Nós, os vascaínos, lembraremos neste Natal dAquele que também carregou a cruz, e transformou seu calvário em exemplo de vida, ressurreição e Reino Eterno.

Nós, os vascaínos, lembraremos deste Natal da vitória contra a morte, contra o inferno, contra a maldade dos traidores e o infortúnio dos anjos caídos que insistem em destruir aquilo que está de pé.

Nós, os vascaínos, olharemos para a camisa com lágrima nos olhos...não de tristeza pelo demérito numa competição, mas pelo desrespeito e pela descompostura dos homens maus que ousaram tomar o clube de assalto, manipulá-lo, explorá-lo.

Mas nós, os vascaínos, nos diferenciaremos dessa raça maldita de usurpadores porque, mesmo rebaixados, poderemos olhar nos olhos de nossos filhos, amigos e parentes da ceia dando nosso testemunho ilibado de não-corruptos, não-interesseiros, não-exploradores, não-vaidosos, não-derrotistas, não-arruinados como eles.

Nós, os vascaínos, nos distinguiremos dos falsos oportunistas por terem sido eles - todos eles! - envergonhados, desqualificados, rebaixados moral e espiritualmente, marcados pela história como "arautos da queda", "artífices da decadência", "cavalheiros da imoralidade".

Nós, os vascaínos, encheremos o peito a dizer: "eles são poucos...eles não são vascaínos...eles são mentirosos, enganadores que ali estão por sentimentos mesquinhos e compulsiva ambição!"

Um feliz Natal - em casa, na família, com os amigos - àqueles que realmente sentem a cruz de malta no peito como referência ao clube, à fé, ao Cristo, e à certeza de que toda maldade, toda ignonímia e toda pusilanimidade serão, um dia, derrubadas e desmascaradas, varrendo da Colina Histórica a arruaça e a desgraceira que essas almas em trevas ousaram levar para dentro do nosso Vasco.

Nós, os vascaínos, nos desejamos, como família...um lindo e Feliz Natal!!!

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17/12/2013 19h47

A Montadora de Carros e O Desmontador de Clubes
Hélio Ricardo Rainho

Se tivesse que criar uma torcida organizada para o Vasco, hoje, criaria a "Vascalvário". Submetida a toda sorte de estupidez e insanidade da parte do deputado incompetente que o preside, o clube morre à míngua e é depauperado a cada dia que passa.

O deputado seria digno de pena se fosse apenas um sujeito desqualificado em sua função, vítima de sua limitação mental já mais do que conhecida por todo mundo. Mas o fato de não enxergar um palmo além de seu nariz e seguir ostentando uma pose de guerreiro empedernido, coisa que ele não é desde os tempos em que uma mulher precisava bradar por ele, chega a ser patético. O deputado insiste em brincar de presidente de um Gigante, apupado (ou seria apalpado???) por uma corja bestial de animadores de torcida cujo maior sonho deve ser vestir minissaia e sacudir pomponzinho colorido quando seu "ídolo" passa. A vaidade pessoal misturada com uma burrice descomunal só afundam sua pretensão de ser rei. E o reinado de São Januário padece a golpes fatais!

Como nada pode ser tão ruim no Vasco ao ponto de não poder piorar, tivemos essa notícia da montadora de carros japonesa que resolveu posar de puritana e zarpar fora do contrato assinado com o clube. Pelo que se deduz, um contrato cujo rompimento não lhe causará nenhum transtorno. Assinou o contrato livre de qualquer cobrança em caso de desistência. Ou com alguma cláusula que facilmente expôs o clube ao argumento de que uma briga de torcida significa associação com valores que denigrem a imagem da empresa patrocinadora.

Não entendo de carro, mas já ouvi por aí que essa não é a melhor montadora de carros japonesa no país. Que está até longe disso. Está se mostrando, portanto, muito intransigente nessa quebra de contrato, impondo ao clube mais uma punição indevida, além da perda de pontos no jogo em que o adversário expôs sua torcida a um massacre num estádio sem segurança nenhuma e do desprezo da parte do palhaço do tribunal desportivo que negou recurso ao clube.

A soma de todas essas situações, além da estupidez administrativa que redundou no rebaixamento, é prova cabal de que o Vasco é presidido por um zero à esquerda talhado ao erro, sob aplausos entusiásticos de uma manada que o circunda. Ninguém tripudia nem pisa tanto em um clube grande se houver um presidente digno, forte, coerente, determinado. Tudo o que esse triste personagem, que há anos é um homem público também na política, nunca foi e não quis ser. O deputado não tem força moral, nem voz ativa nem poder de decisão nenhuma para nada. Naquele jogo contra o Atlético do Paraná, o deputado e seu coadjuvante Peralta pareciam dois bêbados, tontos e perdidos a andar de um lado para o outro. Gente que não sabe tomar decisão, frouxa, covarde...não entende nada de nada! Quanto devem receber de salário (e a pergunta se estende aos diretores imbecis de futebol do clube) para fazerem tanta idiotice que nem de graça um inimigo faria?

Uma empresa patrocinadora que abandona discriminatoriamente um clube por ele ser rebaixado é uma empresa pequena, medíocre, com visão tacanha. Em vez de imaginar que estará presente em milhões de camisas de torcida, está preocupada com vaidades, com circunstâncias. E encontrou na patetice amadora dos gestores do clube a fragilidade mental suficiente para possibilitar o golpe, o chute na bunda, a deserção contratual.

Infelizmente, como disseram por aí, ser rebaixado ainda não era o fundo do poço para esse presidente e sua cambada! A burrice deles é infinita, e mais coisa ainda vem por aí. Sem diretoria, sem elenco, sem presidente com cérebro e sem patrocinador, o Vasco entra o ano cada vez mais assustador nas mãos desses vândalos da gestão do futebol.

De um lado, a tirania reacionária da montadora de carros. De outro, um deputado falso presidente em fim de carreira atuando como desmontador de clubes.

Pobre calvário dos vascaínos! É muita podridão para todos os lados!

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14/12/2013 11h20

Lei, Tapetão e Impunidade
Hélio Ricardo Rainho

Somos uma pátria estranha. Um povo passional. Mas não somos passionais necessariamente pela virtude que há na paixão. Na maioria das vezes, somos passionais porque desviamos toda e qualquer discussão de seu nível lógico e prático para uma conveniência ou interpretação pessoal. Não somos denotativos: gostamos do conotativo.

Senão vejamos: nossas leis são extensas, prolixas. O objetivo não é sancionar, é promover múltiplas interpretações. Ao fim dos julgamentos, dificilmente prevalece o que está escrito: há versões, entendimentos, leituras particulares dos juízes. A lei não parece existir, no Brasil, para ordenar, equilibrar ou punir: ela existe tão somente para nortear quem a aplica.

No futebol isso não é diferente. Lemos a lei, conhecemos a lei. Mas a aplicação delas é estranhamente subjetiva. Em alguns casos, ela é estupidamente ineficaz, não pune nem coíbe. Mas, no Brasil, a lei (volto a dizer) não é punidora nem coibitiva: ela é "pra inglês ver". Entra na estatística do "essa lei existe", e isso já basta aos senhores do colarinho branco. Usá-la ou deixá-la de aplicar com rigor é, para a grande maioria, "detalhe".

Na Inglaterra, por exemplo, os hooligans punidos com suspensão são obrigados, quando não presos, a irem a uma delegacia obrigatoriamente a cada jogo. Os que estão em liberdade ficam presos durante todos os jogos! Se não se apresentam, são considerados foragidos. Aqui isso daria piada. A delegacia não acharia a ficha, o sujeito não iria, o hooligan brasileiro mandaria um colega ser preso em seu lugar e iria pra briga, ou rolaria uma propina básica e, por uma cervejinha, qual o delegado que não toparia o favor???

A mesma mentalidade está na cabeça do torcedor. A lei está lá, é clara. Um jogador suspenso é alguém que não pode jogar porque já infrigiu alguma lei. Já é infrator, por isso cumpre pena. Escalar jogador irregularmente é passível de multa e perda de ponto? Pode-se fazer isso? Ser mandatário de um jogo, ter de jogar em outro estádio de outro estado já por suspensão devido a uma torcida truculenta, e ainda assim permitir uma matança dentro de um estádio sem segurança...é passível de culpa, punição, perda de pontos? Sim, é.

Mas esse jovenzinho burguês fashion com cara de modelinho de anúncio de perfume chamado Sveiter simplesmente bateu pezinho, ressoou a sola de seu loafer da Gucci num assoalho e, de biquinho, sequer quis ouvir o Vasco. Porque, no Brasil, quem reclama da injustiça e do roubo descarado é apelidado de "chorão". Porque, no Brasil, quem reclama de atos ilícitos e jogadas sorrateiras é chamado de "rei do tapetão".

Então, queridos leitores, a lição é que essa CBF ridícula e gorda, amamentada por milhões que o deputado Romário já denunciou e todo mundo sabe, vive a farsa de querer moralizar um futebol quando, na verdade, é ela a maior desmoralizada e estúpida instituição a regê-lo. Ainda que com toda a sua pompa e circunstância de anfitriã de uma Copa do Mundo. Estará recebendo delegações toda bonita e maquiada, mas todos saberemos que, por dentro, está a velha prostituta dos mocambos, uma maria mulambo disfarçada de santa, uma cortesã promovida a embaixatriz!

E, para 2014, ficarão os belos exemplos dos clubes envolvidos: a CBF está nos dizendo que é lícito escalar jogador suspenso, é lícito ser mandante de jogo em estádio sem segurança sem perder pontos do mando desse jogo!!! Irresponsabilidade criminal, então, nem pensar. Ninguém é cúmplice de nada! O assassino é o pobre, o preto, o gordo, a "torcida organizada", porque a federação, a confederação, o presidente do clube, o delegado, o ministério público, a empresa de segurança, o prefeito...ah, esses são todos inocentes! Depois vem a coletiva de imprensa dessa cambada toda distribuindo folhetos evangelísticos de solidariedade e indignação: todos moralistas, nunca moralizadores de nada! Falta um jornalista que seja para escrever o adjetivo que devidamente os qualifica: VERMES!!!

A CBF não tem órgãos fiscalizadores, porque gosta da zona! Antes de todo jogo, os treinadores têm que entregar ao juiz uma lista de escalação pré-liberada. O correto seria que esse juiz tivesse em mãos a relação de todos os suspensos, para evitar suas escalações indevidas. Mas essa entidade torpe não faz a mínima questão de checar se tem alguém ali que não deveria estar. Permite que jogue, só pune quando convém.

Mas adivinhem qual é a única sanção que, em todos esses casos, a CBF aplica?

Claro, a multa!

Porque prostituta gosta de dinheiro! Porque, depois de se esfregar na cama e fazer a sua parte, a meretriz levanta, pega o seu dinheiro e sai do quarto sorrindo..."quem é o próximo?"

E nós, torcedores, eivados de paixão, em vez de entendermos que a lei existe para ser cumprida, preferimos afundar no orgulho, numa moral que é pessoal e egoísta, e dizermos que "não queremos tapetão", silenciando o que é de direito, impedindo que se faça justiça, concordando com que permaneça tudo do jeitinho (brasileiro) que está.

Infelizmente, seja como torcedor ou como cidadão, muito falta ao brasileiro para entender a base de princípios morais e dignos que diferenciam um bando de um povo, uma cambada de uma nação.

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