SRZD



Claudio Russo

Claudio Russo

Formação em História pela Uerj e pós em História da África. Há 22 anos compõe sambas-enredo, conseguindo algumas vitórias neste espaço de tempo. Desde 2009, faz sambas para Nenê da Vila Matilde, em São Paulo.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



04/08/2014 08h31

Grato...
Cláudio Russo

Cláudio Russo e Moacyr Luz. Foto: SRZDPor muitas vezes a vida nos leva a caminhos jamais imaginados e até nos surpreende com o desenrolar das coisas, acho que o destino embaralha as cartas e nos convida a jogar e este jogo não é brincadeira, jogamos à vera...

Há pouco mais de três anos estava eu sentado à mesma cadeira, que a agora me encontro, frente a frente com a mesma pessoa que me ouve, jornalista renomado, de carreira sólida e incólume me fazendo um convite após a indicação de Raphael Marinho, amigo em comum... É neste momento que o pensamento vagueia e me leva à reflexão em relação à parceria tão bem construída, a busca do novo, o desafio ao desconhecido, pois, como afirmou o britânico escritor Benjamin Disraeli: "A Vida é muito curta para ser pequena".

Quando aqui cheguei, a equipe de Carnaval passava por uma reestruturação e tenho certeza que a escolha do meu nome gerou, além de polêmica, uma incerteza pelo fato de um compositor tornar-se colunista do site, isto é normal, tanto que aprendi, desde cedo, a lidar com isso. E segui com o auxilio da direção do site que em nenhum momento deixou de me dar a liberdade de expressão que tanto necessita quem trabalha com formação de opinião.

Aqui conquistei amizades, trabalhei muito e aprendi, literalmente aprendi...

Aqui sentado, conversando com Sidney, expresso meu agradecimento e explico que diante dos novos desafios, que se abrirão como portas, não poderia deixar de lhe falar pessoalmente que, única e exclusivamente por falta de tempo, preciso seguir, não sou e não quero ser metade e por me ver envolvido por inteiro no projeto da Beija-Flor de Nilópolis preciso ir...

No meio do caminho de minha vida... Perdoe-me o gênio de Dante Alighieri, me encontrei aqui ao encontrar a possibilidade de dar voz aos meus pensamentos, discutir Carnaval e a sua memória e acima de tudo cultivar o respeito.

À toda família SRZD o meu muito obrigado, até breve, nos encontraremos no dia a dia, posto que somos amantes deste vicio chamado Carnaval; Sidney Rezende todo meu respeito; Luana, Vera, Sabrina, todos amigos colunistas, em especial à Rachel Valença, Helio Rainho, Cadu, Anthoni e Francioni meus sinceros agradecimentos.


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09/06/2014 11h18

Enredos e sinopses: prudência e caldo de galinha
Claudio Russo

A discussão do Carnaval na internet trouxe nos últimos anos uma aproximação maior dos torcedores com as escolas de samba, propagou informação, elevou o nível das rivalidades e semeou um universo de conjecturas, tudo muito pré maturo. E parece que neste ponto surge uma problemática danosa para o julgamento do carnaval, julga-se antes do desfile, eleva-se ou rebaixa-se um quesito ou uma escola sem qualquer conhecimento de causa, e se não há critério tudo parece uma grande fantasia elevada para o bem ou para o mal da própria fantasia.

E na berlinda dos enredos anunciados para o carnaval de 2015 começa a seção de especulações, cria-se um ambiente favorável ou desfavorável demais para um enredo anunciado, que nem sinopse tem ainda, e isto independe da escola de samba. É só o enredo ou o que se supõe ser o enredo não agradar a um punhado de críticos que começam a chover declarações bombásticas.

Sem querer ir muito longe e desencavar exemplos demasiadamente antigos, ficaremos somente com desfiles da década de 80 para cá. Rosa Magalhães pode ser chamada de expert em apresentar algo julgado sem qualquer possibilidade de carnavalização e fazer um grande desfile, todos devem lembrar que o famoso samba, reeditado em 2007, Que Ti Tí Tí é esse que vem dá Sapucaí... Foi originado de um enredo sobre a fruta Sapoti passeando pelo tuti-fruti e a goma de mascar e deu samba. Rosa foi tão bem na Estácio de Sá que o Feijão com arroz de cada dia e boi, isto mesmo, o boi fizeram muito bonito na avenida.

Paulo Barros quando se encontra com a Unidos da Tijuca em 2004 inaugura uma temática diferenciada e o quesito enredo sofre uma grande transformação, quem imaginaria que O Sonho da criação e a criação do sonho... iria dar tão certo, quem imaginaria um desfile tão inovador, quem poderia prever um carro alegórico revolucionário como o DNA, quem?

O que parece ser necessário entender é que tudo no carnaval ficou muito caro e as escolas precisam sim encontrar parcerias, o patrocínio é um caminho que deve ser levado em consideração, o importante é que a parte artística de cada escola encontre caminhos e soluções plausíveis, carnavalizáveis e descomprometidas com qualquer tipo de imposição daquele que patrocina. Ou será que o bloco daqueles que tanto exigiu o fim das alas comerciais, e que gritou aos quatro ventos que a maioria das escolas dava 100 por cento de suas fantasias acha que foi ou é tudo de graça, senhores custa muito caro colocar na avenida uma escola com todas as roupas custeadas pela agremiação.

Amigos acho que é mais prudente, neste momento esperar os enredos com suas sinopses e acima de tudo sua confecção no dia de carnaval. Para lembrar exemplos mais recentes vou ficar com os anos de 2012 e 2014 e não me tornar demasiadamente demorado em minha análise. A Beija Flor em 2012 escolheu o estado do Maranhão como enredo e de pronto recebeu inúmeras críticas e a pergunta fica: porque criticar um enredo sobre um dos estados mais ligados ao folclore, a cultura e a história de nosso país? Estado que proporcionou um desfile campeão ao Salgueiro na década de 70 com o Gênio João Trinta. Os Acadêmicos do Salgueiro ao anunciarem o patrocínio de uma empresa japonesa, montadora de veículos para 2014, receberam uma saraivada de reclamações, críticas e afins e o final de tudo já sabemos, vice campeonato, um desfile muito bom e um grande samba, parabéns a quem fez a criação vencer as mais desconfiadas previsões. Por isso é que prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém, e acima de tudo o inverso também deve ser considerado neste mundo do carnaval, afinal quantos ditos grandes enredos morreram na avenida, quantos senhoras e senhores.


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13/05/2014 11h32

Rosa em preto e amarelo
Claudio Russo

A chegada de Rosa Magalhães pode ser a prova definitiva do amadurecimento da São Clemente e a possibilidade de conquistar um posicionamento melhor no Grupo Especial, a escola mostra que não está parada no tempo e procura dar qualidade a sua criação artística. O sinal de alerta parece ter acendido com a vitória da Unidos do Viradouro no Grupo de acesso A e a diretoria parece ter dado um passo muito importante com a contratação da renomada artista, e nós amantes da grande festa o que podemos esperar da Rosa em preto e amarelo?

Rosa Magalhães sempre teve como alicerce a temática Histórica - Cultural e um bom gosto quase que exacerbado, até mesmo quando por necessidade viu-se obrigada a desenvolver enredos patrocinados não deixou de seguir a sua linha de pensamento e criação, enriquecendo de cultura, enredos que poderiam parecer, em uma primeira análise, extremamente áridos e pouco inspirados.

- Rosa Magalhães confirmada na São Clemente para 2015

Foto: SRZD

Como será a Rosa Clementiana? Será bom ver a escola de Botafogo ganhando um bom "banho de loja de talento e qualidade", sim! De certo que a mestra carnavalesca jamais se notabilizou pela grandeza de suas alegorias, a sua grandiosidade não está ligada ao tamanho ou a medidas exponenciais e sim a excelência dos detalhes, na pesquisa e na perfeição em reproduzir alegoricamente cenários dos mais singelos, na técnica de acabamento incomparável. É só lembrar a infinidade de serviços prestados, em momentos marcantes, ao nosso carnaval. Viva o Barroco.

Teríamos, desculpe-me se a memória falhar, Bum Bum Paticumbum do Império, o Tí Tí Tí da Estácio, a Rua do Ouvidor em vermelho e branco, A Rosa Leopoldinense com a Imperatriz da Austria, O Jegue que venceu o Camelo, A Cana Caiana e Hans Christian Andersen e Monteiro Lobato, sem falar em dois recentes desfiles pela azul e branco do bairro de Noel, onde um mereceu e o outro venceu merecido.

Por essas ou por esse currículo invejável podemos dizer que a São Clemente se reforça no setor artístico com um dos maiores ícones de nosso carnaval, a obra de Rosa é atemporal, incólume e imortal. Talvez seja a última remanescente (ao lado de Max Lopes) da idade de ouro do carnaval que começou há muito tempo com a Revolução Salgueirense. E Como diz o samba de exaltação Clementino: A São Clemente vem aí...


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30/03/2014 20h37

Justificativas: questionamentos justificáveis!
Cláudio Russo

Como o ditado diz errar é humano!  Julgar será divino?

Saíram as justificativas do mais polêmico dos julgamentos carnavalescos dos últimos anos e muito já se falou com imensa propriedade por toda rede, roda de amigos, bares e escolas de samba, já deu! Não dá mais... Só pra ficar em nosso território temos excelentes análises, como a do Amigo Rainho, neste espaço de debates carnavalescos.

O que é necessário, premente e inadiável é entender que o modelo chegou este ano a um estado de saturação e urge por sensíveis modificações e não quero aqui falar de resultados e nomes, de má vontade e má intenção (vejo que não há!), quero falar de conhecimento básico e preparo, simples assim!

Vejamos, pede-se aos jurados que levem em conta a criatividade (outros anos até esteve mais em voga) e não se define o que é ou o que seria criatividade para o nosso carnaval. Vocês podem até dizer: o Claudio está querendo definir criatividade, ou melhor, que seja definido para os jurados este fator, algo que deveria está intrínseco no âmago do corpo de jurados. E eu respondo! Há alguns anos começou-se a cobrar isto das baterias: Criatividade e as baterias começaram o grande movimento dos caçadores da bossa perdida e também iniciava neste momento a inquisição dos "puristas", aqueles que priorizavam única e exclusivamente o ritmo, nada de bossa, paradinha ou "olé da bateria", aqueles que ou fizeram o movimento inverso ou desapareceram! Agora como uma bossa pode ser considerada um ato criativo se o mesmo está banalizado, com todo respeito 99 por cento dos casos não são originais, e isto é evidente.

- Justificativas do Grupo Especial: Bateria - parte 1

- Quesito enredo: como os jurados não conseguem justificar suas notas

- Justificativas não justificadas

- Quanto vale um décimo?

- Carnaval 2014: Liesa divulga justificativas dos julgadores

Foto: Reprodução de Internet

Mestre André criou há muito tempo lá nas bandas de Padre Miguel, Mestre Paulão popularizou a bateria da União da Ilha fazendo bossa, Mestre Cosme brincava na bateria dos Acadêmicos do Engenho da Rainha, Odilon, o Mestre, levou ao requinte da perfeição e como isto pode ser criativo logo agora tanto tempo depois. O problema é que há literalmente uma confusão entre ousadia e criatividade.

Fazer paradinhas continua muito difícil, ousado e temeroso, mas ao processo criativo pouco vai acrescentar, a não ser que surjam e vão surgir! Alguns movimentos rítmicos de fato inéditos.

Para finalizar minha posição neste assunto, somos escola de samba, devemos sim inovar, mas essencialmente somos do samba, então porque uma bateria não pode mais passar pela Marques de Sapucaí fazendo ritmo? Tocando o fino do samba, por que não? Agora acho que a exceção é o que há de mais criativo, posto que todas as baterias estejam fazendo bossa, eu disse todas!

Falta de empolgação e interação com o público, alas coreografadas e teatrais deixaram de cantar o samba, estes são alguns dos motivos que saltam aos olhos nas justificativas e que me deixam alguns questionamentos. Em primeiro lugar empolgação e interação não são quesitos, então em qual quesito incluí-las? Um samba em tom menor tende a ser menos empolgante que os sambas em tom maior (tende! Não quer dizer que é sempre assim), mas pode ser muito bem cantado e possibilitar uma unidade harmônica de canto na escola mesmo sem empolgar, co mo se julgar esta falta de empolgação e este canto uníssono?

Outro questionamento: coreografias e teatralização estão cada vez mais presentes em nossos desfiles, será que durante a execução de um movimento coreográfico se uma determinada ala deixar de cantar parte do samba enredo para manter a atenção na execução do movimento pode-se retirar pontos de harmonia ou conjunto? Será que pode?

Amigos! Acho que é necessário um maior preparo de quem julga, é difícil e sabemos que a LIESA está atenta a cada ano em encontrar um modelo correto e coerente de julgamento das escolas, mas precisamos evoluir para evitar as discrepâncias atuais como: o júri por deveras vezes tem a mão pesada ao extremo com a escola que acabou de subir, esta já enfrenta dificuldades de estrutura de carnaval ao mudar de grupo, recebe a pior posição para o desfile e ainda é julgada com rigor excessivo.

A espera de boas novas deixo aqui um último questionamento: o Império Serrano em 2012 apresentou um desfile extremamente emocionante, muito pela história de sua homenageada e seu samba, os jornais da época noticiaram: Império sonha com grupo especial em desfile que se resume em Emoção. Mesmo sabendo que este desfile foi no grupo de acesso fica a pergunta: Se temos dez quesitos que em nenhum momento do manual fala-se em emoção, como julgar um desfile capitaneado pela emoção que não é quesito?


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10/03/2014 16h01

Carnaval: contrastes e constatações
Cláudio Russo

Foto: Reprodução de internet

O carro alegórico rasga o asfalto da Presidente Vargas e no outro lado da grande Avenida vendedores ambulantes e moradores de rua dividem o espaço da calçada com o povo do samba que vai desfilar, por um momento penso em contrastes e diferenças, até escutar a voz do vendedor de guaraná natural perguntar: - "Amigo quanto custa um carro desses?" Respondo: "150 mil, quem sabe, 170 mil reais". E ele surpreso diz: -"É isso mesmo? Mas dá para comprar uma casa na minha terra natal!"

Cifras astronômicas, um museu de grandes novidades... Carnaval caro e equilibrado, caros amigos como manter o equilíbrio se a hora é de entender que pra grandeza da folia, o samba não foi convidado.

Acabaram os desfiles, as campeãs se apresentaram com uma grande falta e algumas verdades se mostraram claras, quase o óbvio, carnaval...

? A Unidos da Tijuca tem uma grande equipe e não é necessário, no modelo de avaliação atual, que algum quesito ou setor esteja ou seja muito melhor do que o outro, todos formam um grupo de muita qualidade e de pouquíssimos erros;

Foto: Divulgação

? A transmissão dos desfiles começa agora do meio da passarela, não ouvimos o grito de guerra, nem vemos o começo do desfile pela tela da TV;

? Enredo, hoje, é o quesito mais importante do carnaval e se vier aliado à possibilidade de um grande samba tende a contaminar positivamente os outros quesitos;

? Tal fato não se aplica a escola recém-egressa do grupo de acesso;

? Há uma tendência dos jurados e do público em geral a se deixarem contaminar por um quesito que se destaque, seja positiva ou negativamente, o ideal é o equilíbrio.

? Algumas notas de alegorias e fantasia são de uma discrepância surreal, onde uma escola de samba sem algumas alas, alegorias e fantasias ou com alguma parte destas faltando pode ser mais bem avaliada que aquela que se veste e desfila por completo?

? A Beija Flor foi deveras punida.

? Como é bom ver a Portela e a União da Ilha do Governador mostrarem a possibilidade de adequação as modernidades sem saírem de suas características e desfilando com fluidez, beleza e samba no pé;

? As alegorias da Grande Rio formaram o mais belo conjunto alegórico deste carnaval, o casamento de Fabio Ricardo e a escola de Caxias foi de total comunhão;

? Zico deu samba, o Renato Lage tradicional é tão bom quanto o High Tech e os trambolhos das comissões estão diminuindo;

? O Império da Tijuca fez a melhor apresentação de uma escola que abre os desfiles nos últimos 10 anos, seu samba fez a Sapucaí tremer e mesmo assim foi penalizado, subjugado e ninguém fala nada;

? É necessário, urgente e imperativo incentivar e seguir a leitura de: Escola de Samba - a árvore que esqueceu a raiz de Candeia e Isnard, como questão de política pública e afim de evitar que o show visual acabe de vez com o maior patrimônio musical deste país, tudo está cada vez mais bonito e o samba sambou!

Acabou! Os carros alegóricos retornaram aos barracões; e o morador de rua sem um barraco e o ambulante em sua barraca continuam... dividindo a calçada.


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23/12/2013 08h51

O presente dos meus sonhos?
Claudio Russo

O natal chega com ruas e corredores lotados, lojas fazendo de tudo para esvaziar os estoques e o povo, equilibrista natural na crise do dia a dia, se apertando para viver o presente. E por falar em presente, acho que pode e vai muito além do capitalismo selvagem, do consumo desenfreado e da satisfação pessoal por um produto. Neste momento amigo leitor qual seria o presente dos seus desejos ou o desejo do seu presente, como pode o bom velhinho trazer o que cada um necessita? Em nossas casas sem chaminé...

Seria um presente...

Em Madureira: vitória...

Para o bom samba: cadência...

Para nossa resistência: raiz...

Aos tricolores: a segunda chance...

Ás escolas de samba: evolução...

Para os jurados: Bom senso...

Aos de guerra: a paz...

Ao Grupo A: especial...

Para os passistas: espaço...

E a que a fome se alimente honrando mais uma grande safra...

Para juventude: futuro

À educação: respeito

Para o janeiro do sambista: o primeiro ensaio técnico...

Para o Rio de Janeiro: respeito, menos violência, mais amor...

E que acabe logo a obra deste canteiro...

E que a política nos presenteie com dignidade...

E que as crianças tenham infância...

Há alguns anos somente um disco rivalizava com o LP de Roberto Carlos nos dezembros deste Brasil, o disco das Escolas de Samba, que era o mais pedido nas brincadeiras de amigo secreto ou oculto nas famílias, empresas e grupos de amigos, isso foi dos anos 70 até meados da década de 90. Em conversa esta semana com amigos da diretoria da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música) recebo a feliz notícia que o CD das escolas do grupo A chegou as 30 mil cópias vendidas. Glória! Feliz Natal!

Aos compositores: inspiração...

As baterias: ritmo...

A Querida Renascer de Jacarepaguá: uma quadra de ensaios.

E a todos os amigos que nos acompanham: muito samba, carnaval e um 2014 de prosperidade...


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02/12/2013 16h12

O Sonhou não se acabou...
Claudio Russo

Candeia. Foto: Reprodução de InternetÉ muito bom, para todo mundo do samba, ver Portela e Mangueira em caminhos de mudança e reconstrução, o que parece está acontecendo, a Mangueira entregue a pessoas das mais competentes e com condições de levar a Verde e Rosa aos mais altos postos, e a Portela? Portela que eu nunca vi coisa mais bela... Materializando a mudança que surgiu conforme apelo e contestação nas grandes redes sociais, organizou-se o protesto e as torcidas organizadas exigiram Portela com cara de estrada do Portela de Oswaldo Cruz a Madureira. E no início de novembro recebi a notícia que a direção da Azul e Branco, através de seu departamento cultural, acabou de lança uma camisa em homenagem a Antonio Candeia Filho, Candeia que está para Portela assim como Cartola está para Estação Primeira, Candeia a estrela mais brilhante de uma constelação de estrelas sem fim, incalculável, imensurável, inquestionavelmente és: Sol como és belo no arrebol, Candeia! Eu também sempre luto pelas coisas que acredito...

Se eu for falar da Portela, hoje não vou terminar! Ainda mais quando falar da Portela é falar de Candeia. Por muito tempo evitei escrever. Não! Não basta ter inspiração... Não basta...

Eu demorei pra escutar você e acho que a devoção é diretamente proporcional a este tempo. Você que é filho de um momento de luta, onde as rodas de samba eram no terreiro, um tempo que confundia fé e cultura musical, e por isso colocavam as duas 

manifestações em um mesmo balaio, tempo de repressão, luta bonita, samba de berço, santo no gongá, chorinho, flautas e violões, casa de bamba para forjar um guerreiro. E veio a primeira inspiração, o primeiro samba enredo e a nota máxima em Seis Datas Magnas... Surgiram parceiros e as parcerias semeavam o solo fértil do samba portelense.

Da tragédia a consciência ganha teor; intimista, o compositor se redescobre, e chora em acordes... Nasce um novo dialogo e a Pintura sem Arte se enche de som: Me sinto igual a uma folha caída; Sou o adeus de quem parte; Pra quem a vida é pintura sem arte...

Sim, me disseram que o céu é harmonia e paz... Mas ainda há muito que compor antes de encontrar o Anjo Moreno, há o samba e a ginga da morena, quem quiser pode ir que eu darei meu lugar, a calma do céu apavora a alma do poeta... E assim em seu caminho incessante com a música, irrequieto, o líder se lança mais uma vez ao oficio da arte, em seu mais nobre significado: De qualquer maneira meu amor, eu canto... 

Reencontra a vida que uma cadeira de rodas não pôde deter.

Em trono de rei torna o discurso mais áspero, sonha o Dia de Graça alem do desfile principal... Filosofa com a inversão do carnaval e proclama subverter a ordem: 

E deixa de ser rei só na folia e faça da sua Maria uma rainha todos os dias; e cante o samba na universidade e verás que seu filho será príncipe de verdade... A educação liberta e Candeia sonhou esta liberdade.

Canta Partido em 5 e deseja a Nova Escola; O Testamento do partideiro é escrito a quatro mãos com o parceiro Isnard: Escola de Samba, Árvore que Perdeu a Raiz, em 

Lilás e Amarelo desfila o Quilombo do samba e profetiza: A arte é livre e aberta; a 

imagem do ser criador; samba é verdade do povo; Ninguém vai deturpar seu valor...

Axé! A Luz do Vencedor brilha em nós; Axé! A chama não se apagou, nem se apagará; Axé! Portela; Axé! Profecia; Axé! Mil Réis... Os primeiros versos destas duas canções invadem a alma e primam por ser imperioso o seu desfecho.

Mais cedo ou mais tarde você vai voltar!

No ano de 2015 completam 80 anos de nascimento do genioso e genial mestre da música brasileira.

Em sonho seria um desfile que se tornaria uma grande festa, uma festa de 

partideiros, batuqueiros, versadores; encontro de baianas, yaôs, mães de santos; A lua cheia virá, o pescador e a sereia também, ao ver chegar a velha guarda, os compositores, todo povo da Portela seria um carnaval pra cantar: O tempo que o samba viver, o sonho não vai se acabar e ninguém irá esquecer Candeia... 

Hoje tu voltas aqui, com semblante a sorrir...

 

 

 

 

 

 


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20/11/2013 13h07

O samba que toca a minha consciência...
Claudio Russo

Foto: Reprodução de InternetO samba que toca a minha consciência é naturalmente cantado em Sol menor ou seria em Ré maior, mas poderia ser em Lá menor, Si bemol ou qualquer outro tom para dar o tom da consciência que aspiro e almejo cantar. Sol menor que tornou se estrela de maior grandeza de um desfile iluminado. O samba que toca a minha consciência tem os pés descalços e é cantado a plenos pulmões, não tinha brilho artificial, mas brilhou intensamente na palha, palhoça, a flor da pele e a lua, que iluminava a rua, testemunha consciente do mais humilde dos grandes desfiles me ouviu cantar: Valeu Zumbi...

No Dia da Consciência Negra seria oportuno, mas que imediato, clamar pela consciência do samba, a busca da identidade perdida ou o reencontro com as raízes que te fizeram: Samba!

Depois que o visual virou quesito, como bem diz Beth Carvalho, o samba curvou-se a circunstância imposta pelo dinheiro e ai subjugado pelas leis da selva capitalista resolveu esconder os verdadeiros sambistas atrás de alegorias imensas, tripés, destaques de chão e musas emplumadas, mas a crise chegou, chegou em 90 por cento das escolas na procura desenfreada por patrocínios ilusórios para que se mantenha a maquiagem.

Quanto custa um carnaval? Quanto deste custo é gasto com plumas de faisão, pedrarias, acabamento de carros suntuosos? Quanto vale o show? E a velha baiana que vende churrasquinho na porta da escola querida se queixa da quadra vazia antes de janeiro chegar...

E por falar em janeiro quando mesmo deve sair a verba para as escolas do Grupo A? Ah tá, "A" até quando esperar?
No grito forte dos Palmares cada escola de samba se faz Quilombo da resistência, ou ao menos deveria ser assim. E como Martinho, faz tempo, proclamou: Vamos Renascer das Cinzas... E quebrar de vez a corrente do luxo gratuito e sem propósito, reinventar o valor das coisas no dia da consciência do samba para não ser eterno refém de oportunidades...

É hoje! Diminua-se a quantidade, o comprimento e a largura para que se aumente a liberdade... Recicle ideias, matérias, misture para que não se perca na mesmice; a ordem unida na festa profana poderia ser menor também; abrace o amigo ao lado e cante, mas cante muito o samba que toca a consciência, pois você é o que há de melhor, e sempre será em nosso desfile e sambe porque isso não tem dinheiro que compre, não tem preço saber que Zumbi Valeu... Em meio à beleza de ser simples, a magia de ser palha e o valor de ser suor, Valeu...


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09/10/2013 12h50

Pamplona: mais um gole, palavras, lágrimas e admiração
Cláudio Russo

Foto: Ricardo Almeida

Como lidar com a dor da perda se por toda a vida exercitamos a cruel experiência do sentimento de posse; como entender que agora desfilas por outras folias, apontas o dedo para outros erros e conversas com as estrelas que também partiram... Tu es o que há de mais verdadeiro na ilusão do carnaval; tu que foste único, singular e mestre, tu es saudade em nossos corações...

O ano de 2004 começou apoteótico para mim: André nasceu lindo, cheio de saúde conquistando a família, a Beija Flor sagrou-se bicampeã com nosso samba, considerado o melhor dos inéditos daquele ano e a monografia de final do curso de graduação em História ganhou nota máxima. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas estava na hora de agradecer. E foi durante este processo de reconhecimento daqueles que me ajudaram tanto para o sucesso em 2004 que rumei à Gomes Freire 474, mas precisamente na antiga TV Educativa - Rio de Janeiro.

Foi a segunda vez que encontrei Fernando Pamplona, mas dessa vez não conversamos muito ali nos corredores da rede de televisão, a conversa ganhou emoção e admiração em um pequeno e reservado bar logo ali em frente, com algumas doses de um bom e velho 12 anos. Ah que devo a visita garoto! Vim agradecer a ajuda que o amigo me deu na entrevista para a monografia... E ai ficou bom! Ficou sim, o resultado foi dez! Então vamos beber uma dose! Eu queria agradecer também a avaliação feita ao samba da Beija Flor deste ano (Até aquele momento não o avisará que eu era um dos compositores do samba da Beija Flor) foi nesta hora que a resposta me mostrou quem estava ao meu lado: Não precisa me agradecer pelo que falei de seu samba não! Sabe por que! Por que não faço, por favor, nem para agradar a ninguém, se fosse ruim eu falaria como falo destas machinhas que estão fazendo agora, seu samba é muito bom e não me agradeça por isso! Agradeci...

Palavras, lágrimas, um gole e admiração ao ser humano genial que ali estava...

Da traição do enredo a reação tardia... É um estudo que busca motivos para o esquecimento, ou a não utilização de ícones da raça negra ou das classes menos favorecidas nos primeiros enredos, no começo de tudo a escola de samba utilizou-se de motivos do pantheon dominante, história oficial e hegemônica. Por que pobres, negros e marginalizados esqueceram o caráter de resistência de sua manifestação e adotaram um discurso consoante à direção do poder público e finalmente por que um grupo de acadêmicos percebeu esta lacuna e capitaneado por Fernando Pamplona trouxe ao grande público personagens esquecidos não obstantes aos seus valores históricos.

Sem este regaste provavelmente Zezé e Taís não seriam Xica da Silva; Maitê nunca encenaria Ana Jacinta, a grandeza de Antonio Francisco Lisboa e a inteligência de Chico Rei não encontrariam a aclamação popular; o Brasil se conheceu melhor, sem este resgate o Salgueiro não teria uma história tão atípica, marcante e coroada, nem melhor nem pior, apenas diferente como tem!

Lembro de suas falas na Rede Manchete, o melhor de todos os times de comentaristas de carnaval, sem se importar com o peso da crítica direta e correta a quem quer que fosse; lembro também da crítica homérica a Rede Globo, a retratação e a eventual despedida.
Mais um gole, palavras, lágrimas e admiração...

Ao acadêmico, homem de personalidade, artista, carnavalesco, cenógrafo... Ao pai de todos carnavalescos... Professor de todos nós... Ao salgueirense como poucos... A quem revolucionou o meio em que viveu, a quem transformou a festa, até então provinciana, em uma grande manifestação cultural pra eternidade todo o meu respeito, ao mestre com carinho...


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11/09/2013 18h26

A Inspiração é Luz, Moacyr!
Claudio Russo

Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, zona oeste-zona sul, a distância de 35 Km, quem sabe 40 Km de Jacarepaguá à Gloria não é nada, procuro um estacionamento, isto sim é algo difícil ahahahah e chego ao endereço de destino: Portaria, elevador, 5º andar... Toco a Campanhia, a porta se abre e um sonho começa a se realizar, estar ali à frente de alguém que tenho como um mestre me fez pensar em como tudo começou...
Logo que acabou o carnaval 2013, acho que uma ou duas semanas, o presidente Antonio Carlos Salomão me ligou e disse: Claudio estou pensando em mudar tudo, um projeto novo para escola, precisamos trazer cultura para dentro desta quadra e fazer cultura para o carnaval, quero você comigo neste projeto? Eu sei o quanto de responsabilidade havia e há naquele breve relato, como também sei que a Renascer de Jacarepaguá, mesmo tendo passado pelo grupo especial e mais que isso, mesmo tendo feito grandes desfiles no grupo A, precisava adquirir uma identidade sua, algo que somasse no universo do carnaval para não ser mais uma, algo novo. Aceitei.

Claudio Russo, Moacyr Luz e Mauricio. Foto: Acervo Pessoal

Em nossa primeira conversa foi tocado em um ponto crucial: Enredo, não se muda a característica de uma escola sem mudar a linha de seus enredos. Senhores foi de consenso que precisávamos de um grande enredo, um só não, grandes enredos, sempre! A vinda do Marcus Ferreira foi providencial neste sentido e a proposta de desfilar com: Olhar Caricato. Simplesmente, Lan! Aceita com louvor.

Neste ínterim fomos a Pedro do Rio pra conhecer o homenageado, momento único ante a genialidade de Lan, fiquei encarregado de auxiliar na confecção da sinopse e por fim perdemos, não sei 60, 70 por cento de nossa quadra para as obras da via expressa Trans Carioca, neste momento mudam algumas coisas no projeto e o presidente Salomão depois de muito tentar encontrar um espaço, mesmo que provisório, percebeu que não havia condição para realizar as eliminatórias de samba enredo.

Cartunista Lan. Foto: Reprodução de InternetEm meio a dificuldades que surgiam o presidente decidiu que não faria o concurso de sambas e nosso homenageado comentou que se não haveria a disputa o presidente poderia convidar Moacyr luz para compor a obra de 2014 da Renascer de Jacarepaguá, afinal o grande compositor era seu amigo por longos anos e até já havia feito uma música em sua homenagem: O Elan do Lan... Confesso que não havia previsto tal ideia, mas quando o presidente me falou que queria que eu composse com Moacyr fiquei empolgado, nervoso, preocupado, não sei dizer... Seria a realização de um sonho que se iniciava... Mesmo que diante de uma grande dificuldade e por que não uma exceção na história da escola.

Amigos a música suprime a distância, aproxima e nos faz melhor, à porta do apartamento aberta conheci um Moacyr alem do mestre do samba de raiz, alem do grande compositor, conheci um ser humano generoso, sem melindres ou vaidades e acima de tudo extremamente talentoso, inspirado, gênio. E compor foi o ápice deste encontro, compor foi único, muito obrigado,

Amigos sinto-me honrado de fazer parte de cenário, decerto que a falta das eliminatórias não estava prevista, mas não havia escolha para direção da escola, como também é certo que a escola enfrenta problemas com a falta de sua quadra, mas o nome de nossa agremiação já diz Renascer! Renascer de Jacarepaguá rumo ao carnaval 2014, a inspiração é Luz, Moacyr.



19/08/2013 13h22

Que vença o melhor, sempre! Velhos sambistas, novos compositores...
Cláudio Russo

Que vença o melhor, sempre! Velhos sambistas, novos compositores...

Foto: DivulgaçãoEscutando meus velhos Lps perco-me na melodia e na voz que invadem todo o ambiente: Oh musa dos heróis, oh brisa do Brasil, nesta passarela a Portela, faz você melhor mulher que já se viu... É a inconfundível interpretação de Agepê a um dos seus sambas enredos que não foram aproveitados no desfile oficial, mas não deixaram de desfilar na discografia deste grande sambista. Este é somente um dos vários exemplos de sambistas que habitaram e passearam pelo samba enredo e a música "de meio de ano", tarefas das mais difíceis e que ganha novo fôlego nas eliminatórias para o carnaval de 2014.

Quando cheguei à Portela havia inúmeros valores que transitavam por este universo: David Correa, Neném, Noca da Portela, Ari do Cavaco, Carlito Cavalcante, Jair do Cavaquinho, Monarco, Norival Reís e Luis Ayrão entre outros, antes disso Evaldo Gouveia e Jair Amorim protagonizaram disputas polêmicas na Águia de Madureira e depois muito depois disso Mauro Diniz e Diogo Nogueira marcaram seus nomes no rol dos campeões portelenses, mas que posso dizer de Antonio Candeia Filho, não posso: Não! Não basta ter inspiração, não basta fazer uma linda, pra fazer samba é preciso muito mais...

Na Tradição, João, pai do Diogo, e Paulo Cesar Pinheiro deram o tom talentoso de tantos carnavais: Um grito de guerra ecoou, calando o uirapuru lá no alto da serra, a nação Xingu retumbou mostrando que ainda é o índio o dono da terra...

Continuando em Madureira, o Império Serrano mostra sua nobreza neste aspecto Silas de Oliveira, Roberto Ribeiro, Dona Ivone Lara e Jorginho do Império, filho do Mano Décio, formam uma constelação de valores do samba verdadeiro. Beto sem braço e Aluisio Machado vão de Bum Bum Paticumbum Prugurundun a Irene ou quem sabe a melhor filosofia de Água demais Mata Planta... Sem perde a inquestionável qualidade.

Na Beija Flor de Cabana, o gênio do Preço da Traição, Neguinho marca seu nome no rol dos grandes com a Deusa da Passarela, Angela e Campeão, Marcelo Guimarães também viaja pelas duas vertentes; Dominguinhos do Estácio brinca de cantar e fazer samba e por muito tempo Leopoldinense, também marcante naquela safra de sambistas que ecoaram desde meados dos anos 80 na Radio Tropical, se não me engano 104,5 FM.

Que saudades de Romildo, Toco, Franco e Guará... Oh Saudade!

Na Estação Primeira do samba parece covardia: O Mestre Cartola, Nelson Sargento, Padeirinho, Zagaia e As Rosas Não Falam... O que seria se falassem... E dizer que em 1998 tivemos uma final de samba na velha manga colocando de um lado Leci Brandão e de outro Paulinho Tapajós e Moacyr Luz, e não foram os lados campeões, porém marcaram feito tatuagem esta disputa.
Pelas bandas da Vila, Luis Carlos fez nome; Claudio Jorge, Tião Grande, Paulo Brasão e Martinália passado e presente de uma grande ala, Mas o ícone da terra de Noel é chamado por Martinho tão bem chegado no samba enredo, samba de roda, partido alto, no miudinho Devagar, Devagarinho... Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado...

Foto: DivulgaçãoArlindo é Arlindo e se estabelece com muita inspiração, faz tempo, neste universo; Warderley Monteiro, Toninho Nascimento e Luis Carlos Máximo trazem a modernidade de um samba da antiga, o próprio presidente da Águia de Madureira Serginho Procópio visita com propriedade os dois estilos; Xande de Pilares compõe à Academia com a Revelação de seu estilo, o mesmo palco que Toninho Geraes, o gênio de Mulheres, bem se aventurou.

E para 2014 novos e velhos amigos do samba enredo engrossam a legião de compositores. A primeira audição parece trazer uma safra muito equilibrada, escuto surgir novos acordes, a busca por fórmulas, as mais diversificadas, longe das receitas mágicas da mesmice. Agora é a vez de Dudu Nobre se enveredar por um caminho, que poucos sabem ser coroado pelas vitórias que obteve na Estrelinha da Mocidade, Herdeiros da Vila, Alegria da Passarela, Aprendizes do Salgueiro e no Império do Futuro. É grata surpresa a vinda de Fred Camacho para este seleto grupo, compositor da nova geração, revelado por gravações com Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Maria Rita, Beth Carvalho e Alcione entre outros, o jovem compositor que fez um dia o poeta Nei Lopes afirmar: Considero o Fred o maior expoente do Salgueiro depois do Almir Guineto, ainda lembra de seus tempos na bateria furiosa ou no carro de som de tantos desfiles e como mais um destes compositores aqui citados ou de tantos outros que a memória falha e estas poucas linha não podem caber, sonha com a vitória do samba.

Zico, o Galinho de Quintino, que algumas más línguas vociferavam não dar samba parece ter presenteado a Imperatriz Leopoldinense como a melhor safra de 2014 e Elimar Santos chega a emocionar na introdução de seu samba concorrente, show! Em Caxias a novidade é a dupla estreante de veteranos Jorge Aragão e Péricles.

Passa o samba enredo por uma fase de transformação, se é boa ou não só o tempo vai dizer, mas para aqueles que reclamavam da sonolência das melodias e a falta de inspiração das letras posso afirmar que temos algumas excelentes opções de mudança, nomes famosos, ilustres desconhecidos, nova geração, velhos sambistas, humildes compositores, na esperança que o talento e o dom sejam as melhores opções de escolha e na certeza que compor samba enredo não é apenas mais uma vertente na arte de compor, é sim a arte de compor entre a liberdade da imaginação e as obrigações que a sinopse e o enredo nos oferecem, Que vença o melhor sempre!

Foto: Divulgação

Mestre Thiago Diogo (primeiro da direita para a esquerda) e Fred Camacho (terceiro ritmista)


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22/07/2013 16h08

Começaram as eliminatórias!
Claudio Russo

Sapucaí. Foto: Divulgação

A época mais cansativa, estressante e trabalhosa do ano segue a pleno vapor, na verdade são pouco mais de dois meses de dedicação incessante, criação a flor da pele e samba, muito samba. E por falar no ritmo das coisas, ou melhor, no ritmo que nos faz sambar, a cada ano recebo presentes em forma de parcerias, velhos amigos e novas amizades se alternam, por vezes erramos, em outras acertamos mais alguém é mais feliz e mesmo certos não conseguimos alcançar o objetivo, e por fim algumas vezes conseguimos transformar em letra e melodia a proposta do enredo criado e a vontade de toda direção da escola. Amigos as eliminatórias de samba enredo chegaram.

Saio de Jacarepaguá, vou a Nilópolis, depois a Glória, volto e o dia perde espaço para a noite e continuo em casa trabalhando, é senhores a minha rotina é de trabalho, dormir pra que ah! Ah! Ah! Ah! Só um pouco, amanhã preciso visitar a terra de Araribóia, cidade sorriso, Niterói.

A cada ano continua a procura por novas melodias, acordes dissonantes, maior, menor, relativo e por vezes nos deparamos com a verdade absoluta que é: fazer o simples é que é difícil, não tem jeito, e algumas escolas vem nos mostrando isso nos últimos anos.

Foi na gravação de nosso samba para Beija Flor de Nilópolis que resolvemos inovar, mas como inovar se não é inédito, então troca-se inovar por recordar e gravamos a primeira passada do samba sem peso de bateria, sim senhores como foi feito quando o disco das escolas era gravado no circo de lona na Barra da Tijuca, uma época que as melodias eram apresentadas somente com o acompanhamento de Cavaco, Violão, Marcação e Pandeiro tudo em maiúsculo e algumas inserções de pandeiro e cuíca para apimentar o molho, algo mais acústico, ouve-se assim o arranjo das cordas e pode-se percebe o caminho melódico que a parceria decidiu seguir, acho que ficou muito bom.

A temporada de busca ao grande samba começa agora, inúmeros são os talentos, muita gente boa, beleza por todos os lados, compositores criando. A única coisa que pode ser considerada um senão nesta fase fica por conta dos altos gastos nas eliminatórias, quem paga a conta? Se a conta não fecha! É preciso fazer algo, o tempo urge! E se a evolução da nossa grande festa passa pelo profissionalismo está na hora de procurar novas possibilidades para a disputa de sambas enredo, samba não é circo.

Faz duas semanas que recebi um e-mail muito bem escrito por um pessoal da terra da garoa, cheios de idéias e propostas, algumas delas extremamente consonantes com a realidade que se encontra o carnaval, pertinentes e porque não dizer em caráter de urgência. Estas idéias estão materializadas há um ano no SINDSAMBA e quem quiser conhecer é só acessar o site www.sindsamba.com.br vale muito a pena. Por ora fico na expectativa de uma grande safra para 2014, ouvindo muito, falando pouco e compondo quando é possível, afinal: Chegou a hora!!!


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05/07/2013 18h00

O Melhor de nossos Carnavais - Parte 2 (Quando B = A)
Cláudio Russo

Era uma noite fria de setembro de 1989 e aquele jovem inexperiente e cheio de sonhos iniciava a sua primeira participação em uma eliminatória de sambas enredo, a quadra vazia não me incomodava, a bateria com alguns bravos resistentes também não e logo depois do esquenta ouvi um samba que me remeteu ao arquivo da memória: Longe da terra, sem sua aldeia, corre nas veias do negro sangue de rei... Mizinho cantava, antes de começar a disputa, o samba do desfile de 1982 do Império do Marangá, lá na Rua Maricá 226, que me fez lembrar um tempo inesquecível ao lado de meu Pai, Serginho Taquara, Joacy, Valtinho da Ladeira, Marcos Glorioso e Wanderley que anos depois tornou-se um dos sustentáculos da Renascer de Jacarepaguá, mas naquele instante o que estava muito vivo era a excelência da safra do sambas do grupo 1-B. O Melhor de nossos carnavais - Parte 2 (Quando B = A).

Que lindo emoldurar-te em poesia, oh carnaval dos melhores dias, samba de verdade nas veias e a emoção não maculada pelas modernas frivolidades que escutamos e fazemos ou compomos e ouvimos, Sei lá... Oh inocência dos enredos verdadeiramente enredos, carnaval por brincadeira, séria, mas acima de tudo brincadeira.

Ô Cigana vem ler a minha mão, meu destino ignorado, quero a revelação... Bangu, daqueles dias sem fim, onde a noite se encontrava com a manhã e nos tinha como testemunhas, andávamos, esperávamos o primeiro ônibus passar, as vezes nem bateria havia no samba, mas cerveja não faltava e o abridor, na função de baqueta, tilintava na garrafa. Oh saudade... hoje você é carnaval... Mas esse é outro ano ou outro samba.

Sambas de 1982. Foto: Reprodução de Internet

Ouvi Luis, o Gonzaga, agradecendo a Lucas pela homenagem; Os anjos da paz e da guerra, orixás de outra terra viram Popó nascer; Clementina que mostra e que ensina a cultura negra e suas raízes... Hoje é rainha pra gente exaltar... E o Braguinha da Laura, de Copacabana e da Linda lourinha, muito antes da Estação Primeira, compôs a verde e branco de Santa Cruz.
Na feira livre, da Caprichosos de Pilares, Lili sambou feito cabrocha, seria uma mulata daquelas, quem sabe jambo, a morena, enquanto o Brasil sambava ao som de voa canarinho voa, faz lá na Espanha o que eu já sei... Para mais tarde ver a pátria de chuteiras sambar, chorei eu e meu pai, o Brasil inteiro também.

O maior barato que eu vou contar agora... É que a história da carochinha virou enredo, deu samba para sempre e Baila no dançar dos tempos... No tempo em que os bichos falavam em terras de São Mateus... De fino trato virou pintura, biscoito fino.

Antes de o carnaval chegar a Obra de Beto sem Braço e Aluisio Machado já havia consagrado "Bum Bum Paticunbum..." como um dos maiores sambas da escola com o maior e melhor rol de sambas enredo de todos os tempos e a Arrastão de Cascadura, escola que por muito tempo me acolheu, eternizava seu samba, sem alarde, porém com plena aceitação popular e eterno como devem ser as coisas feitas do coração, de cor. Jacy Inspiração, Amauri e Netinho marcaram época, deixaram grandes momentos marcantes, Zezé Mota é um poema, mas Brasil, Verde e Amarelo é lindo, quase divinal, Estandarte de Ouro. A passarada em forma de canção ecoou e deve ecoar em cada coração sambista para mostrar a grandeza dos sambas deste ano tão próximo e tão distante de nossa realidade e é por isso que foi assim nesse momento A = B ou pelos menos quase, Será?



18/06/2013 14h07

Manifesto: o que diz você, escola de samba?
Cláudio Russo

Está claro que vivíamos em uma pseudo situação de tranqüilidade, uma tranqüilidade maquiada, mascarada e ancorada pelos efusivos ecos de uma chegada, de nosso país, ao rol de nações desenvolvidas, mas ninguém ou nada muda em sua essência. E não podemos mudar enquanto o noticiário de escândalos e desvios de verbas multiplicam-se e o salário do trabalhador tão parco, encolhe e é subtraído.

Amigos vocês já fizeram as contas de quanto pagamos em tarifas (água e esgoto, luz), o quanto encarece os produtos a infinidades de impostos e como a indústria das multas sangra o bolso do trabalhador, quanto encareceu as compras do mês da algum tempo para cá? E o país do futebol ainda insiste em mostrar ao mundo a bem aventurança do seu milagre de economia, desvios e mais desvios e o emblemático caso do Engenhão é o melhor exemplo, quem foi responsável pela aprovação do projeto, claro, se o erro foi de projeto quem é o responsável por isso?
Sou contra qualquer tipo de violência, qualquer de tipo de baderna e vandalismo, mas inquestionavelmente a favor da manifestação, a turba estava muito controlada, omissa e resignada, isso acabou, está dito, não se contentará, o povo, com promessas, paliativos, Copa do mundo, Olimpíadas, chega de pão e circo? Por falar nisso quanto está custando o nosso pão de cada dia.

Protesto no Rio e desfile na Sapucaí. Foto: Montagem SRZD

E o samba que sempre foi resistência, samba que enfrentou a opressão do estado através do aparelho ideológico de repressão, a policial, Como se posiciona? Muitos apanharão, tantos foram presos por viverem como sambistas, quanta covardia foi feita ao povo do samba que era visto como vagabundo, vadio ou malandro. Qual é a sua posição escola de samba? Qual é a sua posição como parte da sociedade civil?

A Avenida Rio Branco, ontem foi palco de uma manifestação popular sem precedentes, desde as diretas já, manifestação que poderia ser parte ou todo de um enredo, uma discussão das condições de nossa população, afinal a questão é muito maior que a questão do transporte, é uma questão de reconstrução do poder de questionamentos da plebe em relação aos desmandos da corte. Mais uma vez quero salientar que sou contra ao vandalismo, ao quebra-quebra e a violência generalizada, mas é hora de uma solução, uma discussão aos problemas do povo. Vivemos em estado de democracia, digo sim a manifestação e o samba o que diz?


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03/06/2013 18h45

À Portela
Cláudio Russo

Foto: Reprodução de Internet

Portela, eu nunca vi coisa mais bela... Se eu for falar da Portela hoje não vou terminar... Se um dia meu coração for consultado para saber se andou errado será difícil negar... E vai por aí um desfile de apaixonadas dedicatórias, apaixonantes canções...

Não há no mundo do samba alguém que mais cante seu amor à escola como o portelense, eu falei não há!

É só visitarmos a história recente e veremos algumas vezes enredos sendo inseridos com o histórico portelense, em Tributo a Vaidade observamos e ouvimos um samba que deixou de ser samba enredo para ser hino e prova de amor, e o enredo? Ah o enredo literalmente esquecido. Gostaria de escrever páginas e mais páginas, gostaria muito de ver esta comoção deixa de ser exceção, em nossos últimos anos, e se tornar o hábito, como vejo agora neste instante. Agora na Clara Nunes não há ditado melhor do que: Á Cesar o que é de Cesar, ou melhor: O que é da Portela ao portelense...

Como disse Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro, nobres poetas, Eu nunca vi coisa mais bela... 


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