'O melhor de nossos Carnavais' - Parte 1 (O ano que não acabou)

Cláudio Russo | Claudio Russo | 13/05/2013 17h43

Foto: DivulgaçãoO domingo começou com muito samba, a coleção de discos do carnaval carioca tocava seus grandes sucessos e uma ideia arrebatou coração e mente, Qual ou quais seriam os grandes anos do disco de sambas enredo do carnaval desta cidade maravilhosa, aquele momento em que tivemos tantos sambas de alta qualidade que não poderíamos mensurar o seu valor ou aquele carnaval que seus sambas até hoje vivem na memória popular, Por onde estaria guardado o melhor de nossos carnavais?

Poderíamos escolher o ano de 1968? Ou quem sabe 1971? 1969 parece-me imbatível! 1970, o ano da Portela, é um grande momento como também é 1972, mas o coração bate mais forte quando a decisão se inclina para o ano de 1976, o carnaval que ainda não acabou...

Talvez não seja o melhor ano em quantidade, pode ser que até em qualidade não seja o mais agraciado, mas em nenhum ano, desde o começo das gravações, tivemos uma safra tão atípica positivamente quanto a do ano de 1976. Posso até, envolvido pela emoção, está errado, mas em qual ano tivemos entre os melhores sambas, quatro sambas de escolas conhecidas na época como "pequenas" ou de menor poder financeiro, lembro que no carnaval em questão eram consideradas grandes escolas: Portela, Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano e Acadêmicos do Salgueiro só e somente elas e neste seleto grupo, apesar de termos um ou outro samba interessante, não temos uma obra-prima. As grandes obras estavam, podemos dizer, no lado de baixo da tabela e vieram para eternizar suas escolas. 

Sem querer polemizar, mas na impossibilidade de negar o óbvio, podemos observar que dos cinco melhores sambas do ano apenas um conseguiu ajudar a sua escola a ficar nas primeiras posições, neste caso em terceiro lugar. O samba da Mocidade Independente, na época uma escola em ascensão mas não uma grande, é uma pérola e um dos melhores de seu rol de grandes sambas e não poderia ser diferente, composto por Toco, um dos maiores compositores da independente de Padre Miguel. A homenagem a mais conhecida mãe de santo da capital baiana resultou em um samba leve e com um tempero todo especial, um luxo só.

De volta aos quatro sambas que tornaram esta safra tão atípica, percebemos que destes apenas um não caiu com a sua escola, o hino da Unidos de São Carlos, hoje Estácio de Sá. A Arte negra na legendária Bahia é mais um dos sambas que fizeram da vermelho e branco do famoso bairro carioca uma das maiores neste quesito, por muito tempo samba de qualidade foi a regra por lá, quase sem exceção, a grandeza desta obra a colocaria como o melhor samba do ano em uma temporada considerada normal, porém 1976 não teve nada de normal e o grande samba cantado por Dominguinhos do Estácio e reeditado em 2005 fica com a terceira colocação no quadro dos melhores.
Antes de falar nos dois melhores sambas dessa safra, é bom salientar que a quinta força neste quesito foi a Lins Imperial, com um samba denso, melodicamente rico e um refrão final de muito bom gosto, e que neste mesmo ano uma revolução visual iniciava pelas mãos de um gênio e capitaneada no menor município da Baixada Fluminense.

O Galo de ouro da Leopoldina chegou com um enredo fascinante, o que possibilitou a criação de uma verdadeira obra prima: O Mar baiano em noite de gala. Uma pedra, uma concha/ pedra e concha tem areia/ quem mora no fundo do mar é sereia... é lindo, a Unidos de Lucas não se fez de rogada e reeditou este fora de serie em 2005, um clássico e só perde para Sublime pergaminho no rol de seus melhores sambas, seria o melhor se não fosse o improvável, o simples, que de tão simples permeia o perfeito: Os Sertões.

Quem conhece a fundo a obra de Euclides da Cunha sabe muito bem de sua complexidade onde conflitos, angustias e o determinismo racial estão presentes a cada momento. Os três tomos desta epopeia: o Homem, a Terra e a Luta surgem claros na letra de um dos três mais belos sambas de todos os tempos e que já fora tema deste colunista. O que é interessante deixar claro é que o enredo não é somente sobre a guerra de Canudos propriamente, somente a 2ª do samba e o refrão principal abordam claramente a luta dos jagunços do Arraial de Canudos, os fiéis de Antônio Conselheiro, e o poder vigente representado pelas expedições do Exército Brasileiro.

E como que por redenção o samba mais bonito da Em Cima da Hora volta para cumprir missão das mais difíceis, que é sustentar a sua escola na volta ao grupo de acesso. E para comprovar a qualidade da safra de 76 é só perceber que dos três melhores sambas somente um ainda não havia sido reeditado, ainda, é só esperar 2014 e poder ver e ouvir o ano que não acabou e o povo cantando, sorrindo e chorando: Marcados pela própria natureza...

10 Comentários | Clique aqui para comentar

E-Feito Formiga

Cláudio Russo | Claudio Russo | 22/04/2013 15h08

Que o desfile das escolas de samba está em profunda e ininterrupta mudança desde o primeiro momento oficial, no distante 1932, é inegável; Que a maioria dos quesitos, trazidos dos ranchos, precisa de uma perfeita integração para um desfile que beire a perfeição também parece ser ponto pacífico e mais, primeiro surgiu a batucada, depois o samba e posteriormente o enredo, quem sabe com Paulo da Portela enfim o samba enredo, quesito que necessita do apoio incondicional do enredo e da bateria. Estes três elementos, mais que quaisquer outros, precisam estar em perfeita sintonia, um casamento, ou melhor, um triângulo amoroso que requer de quem decide ou desfila muito trabalho, escolhas acertadas e amor ao samba.

E por falar em trabalho conjunto poderíamos citar o exemplo recente que parece se espalhar como pedras de dominó caindo em cascata, o exemplo do Império da Tijuca arrasta, é algo que precisa ser louvado, lembra o trabalho da Formiga na fábula, tão conhecida da infância, com a Cigarra. A diferença fundamental é que aqui não temos uma só formiga trabalhando para que no inverno possa ter provisões, aqui são varias formigas, um Morro da Formiga inteiro.

O primeiro Império, a escola de Sinval Silva, Marinho da Muda e Jorge Melodia vem se redescobrindo plenamente com suas raízes e por este processo de reencontro passam sambas e enredos, quem não se lembra de: Lua alta, sol constante/ ressoam os atabaques lembrando a África distante... E pra não ficar só neste grande exemplo de samba afro poderíamos cantar O Mundo de barro do Mestre Vitalino ou Os cantos, recantos e encantos da Tijuca, a estes singulares momentos da história imperiana podem ser somados as belas e recentes opções pelo Intrépido Santo Guerreiro ou a Suprema Jinga e o coroamento Campeoníssimo de Negra, Pérola, Mulher...

Sabemos que a vida nos questiona a cada dia ao nos apresentar mais de um só caminho, escolher o certo ou repensar e retornar ao rumo correto não é fácil, porém nos traz bons frutos e é isso que a verde e branca da Tijuca vem colhendo. E vem Batuque por aí... O que parece ser uma escolha muito feliz, mesmo sem saber o conteúdo da sinopse, já ouço os tambores ecoarem...

2014 promete! Oxalá pesquisarmos as opções de enredos a serem escolhidos pela Série A, quem sabe daqui a um mês, poderemos ver uma importância e um cuidado maior com as escolhas que há muito tempo não víamos, e ver renascer a África e seus temas e personagens, renascerem as homenagens e as descobertas de figuras até então esquecidos da história e da grande mídia, percebe-se pouco a pouco que boas escolhas fazem diferença no final e que de um enredo pífio não sairá um grande samba, o que pode comprometer seriamente o desenvolvimento da Bateria, Harmonia e evolução, entre outros.

Que a comunidade toda compre o projeto; Que mais e mais escolas entendam e reflitam que nem tudo é dinheiro e nem tudo vale o risco de escolher errado, já sendo conhecido o erro; não obstante aos patrocínios ridículos e anti-carnavalescos que tentam nos enfiar goela abaixo, não obstante a onda de reedições em moda a Império da Tijuca há de fazer escola sob o E-Feito Formiga.

Leia também:

- Carro de som do Império da Tijuca ganha reforços

5 Comentários | Clique aqui para comentar

No tempo da mudança: dançam as cadeiras! E as justificativas?

Claudio Russo | Claudio Russo | 07/04/2013 13h02

Foto: ReproduçãoQue o mundo passa por uma época de modificações no clima é quase que ponto pacífico, são tempestades, terremotos, vulcões em erupção e tsunamis trazendo o caos em vários pontos do planeta, é de se esperar também que cada evento ganhe proporções globais, principalmente pela evolução dos meios de comunicação. Mas há pouco mais de uma semana o mundo do carnaval foi arrebatado por um ciclone, não sei! Quem sabe um furacão avassalador, uma avalanche que abalou todas as estruturas, como nunca visto, na cidade maravilhosa. Que fenômeno é este? O que acontece neste ambiente tão conservador? Gostaria de procurar as justificativas, porem é ai que aumentam as dúvidas e a confusão... dançam as cadeiras...

Lembro do ano que a nossa grande festa foi sacudida por um triângulo amoroso entre Mocidade Independente, União da Ilha do Governador e Império Serrano, como foi bom ouvir Quinzinho do outro lado da Baia de Guanabara, insulano e tricolor, Riiiiiba... Aroldo foi um sucesso de ginga e melodia cantando Mamãe eu quero Manaus e Ney Viana subindo a Serrinha para cantar Foi Malandro É....

Muito antes tivemos a ida de Joãosinho Trinta para Nilópolis e a ascensão da Beija Flor, Arlindo Rodrigues pintando em verde e branco a Bahia e Lamartine Babo e Rosa Magalhães entregando um enredo sensacional para marcar o último título Imperiano: Bumbum Paticumbum Prugurundum....

Percebo que por muito tempo as trocas de escolas mantiveram-se veladas, quase que resumindo a carnavalescos e intérpretes, mas agora como diz o velho samba Clementiano: Virou hollywood isso aqui... não que isso seja uma crítica, posto que não é nada mais que uma constatação, não se pedia a profissionalização do carnaval, pois bem estamos em um caminho sem volta.

Campeã é campeã e o seu espolio nesta avalanche foi considerado de altíssimo valor, a onda passou forte em terras de Noel e levou cinco participantes da festa no arraiá, responsáveis por quesitos importantes, mas o que parecia impensado começa a acontecer, a diretoria da Vila Isabel reage rápido, melhor do que se poderia imaginar, ao golpe e parece repor muito bem as peças que lhe foram retiradas, jogo é jogo.

A Beija Flor, como que cirurgicamente, reforça o seu setor mais ferido pelas críticas nos últimos carnavais; a Grande Rio não deixou por menos e trouxe duas peças de real valor no xadrez do carnaval; E a Mocidade Independente tenta se reestruturar e parece ir em busca de um caminho acertado, vamos ver, mais é bom salientar que a volta de seu carnavalesco faz lembrar o melhor conjunto alegórico do ano de 2005.

Continua a grande onda varrendo todos os alicerces da folia e a União da Ilha mostra de vez que não quer ser somente a escola mais simpática nos corações apaixonados: Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás... e não perde em nada quando resolve se fortalecer e buscar galgar degraus mais altos

Mais se estamos em um jogo, uma dança das cadeiras, pergunto: Quem sai perdendo neste primeiro momento? Esta é a questão principal, as duas mais tradicionais escolas desta cidade começam em desvantagem para o próximo carnaval. Mangueira e Portela, por viverem em um ano eleitoral encontram-se em um momento de espera e como o tempo não para, uma perde o casal e um intérprete, a outra o seu cantor, as duas seus carnavalescos e quem fica, não sabe se fica! Sorte é que temos muitos profissionais de alta qualidade e campeões em condições de uma oportunidade, seja ela em verde e rosa, seja ela em azul e branco.

Na contramão da vertente das contratações, a moda de agora, duas escolas das cores verde e branco não mudam ou mudam muito pouco seus times, apostando bem mais na manutenção de seus valores, são elas a Imperatriz Leopoldinense e a Império da Tijuca; A São Clemente muda aparentemente só um setor, pois precisa repor com maestria seu carnavalesco; Os Acadêmicos do Salgueiro, com sua forte equipe, tem uma nova bailarina na defesa de sua bandeira, uma jovem, porém velha conhecida das bandas da Silva Teles.

Tá com medo de que? Deixei por fim a escola em que mais choveu na Horta, a Unidos da Tijuca que vem figurando como favorita aos primeiros lugares, a escola que mais evoluiu seus segmentos, se fortalece com novas importantes peças e conquista um velho sonho em seu carro de som, a escola do pavão no tabuleiro do carnaval joga xadrez como quem joga War...

Depois de tantas mudanças poderemos ter um 2014 extremamente interessante, sem falar que outras grandes trocas ainda vão surgir com certeza, é importante entender que velhos bastiões do carnaval caíram ou vão cair, setores jamais pensados estão sendo renovados, oxigenados e para o espetáculo isso é muito salutar, como também para competição, o que não quer dizer que seja para cultura do samba, isso não é! Ponto final, ganha a grande festa, perde a identificação cultural de cada agremiação.

Acho que devemos esperar e acreditar que boa parte destas mudanças podem dar muito certo, o que não pode e eu não consigo ainda entender é a semelhança quase que idêntica das justificativas de determinado membro do juri e as considerações de um crítico de carnaval na internet, algo que poderia até passar se não fosse o espaço temporal entre as duas situações, sim senhores! elas não são contemporâneas, há um hiato de pelo menos dois ou três meses e isso é gravíssimo, o que me preocupa muito mais que qualquer contratação bombástica, copiaram? Amigos as tempestades passam, as ondas arrebentam na areia, mas enquanto o desfecho não vem continua a dança das cadeiras... Um raio rasgando o céu...

8 Comentários | Clique aqui para comentar

A Libertação de Saigon

Claudio Russo | Claudio Russo | 21/03/2013 18h51

Foto: DivulgaçãoAnoiteceu! Olho no céu e vejo o Rio de Janeiro retrato de Saigon... No caos da grande cidade tudo parece tão diferente... O trânsito, os sons de buzinas, motores e pessoas parecem silenciosos, algo de triste, um Vietnã e como trabalhar o processo da perda se neste sangue tão Latino, como também tão Africano, corre o sentimento de posse. Pois bem amigos, nós somos possessivos, é da nossa natureza, não conseguimos lhe dar com as coisas mais naturais da vida e a perda é a maior delas.

Por Santiago, não o discípulo de Jesus Cristo, mas sim o apóstolo da música, por ele tantas vezes o mundo parou para que eu ouvisse o encantamento, a sua beleza ao cantar, interpretar, transcender ao lugar comum com maestria. Emílio foi único, ímpar, singular em sua voz mágica, suave, veludo...

A primeira vez que me surpreendeu tanta elegância foi no Festival dos festivais com a canção Elis, Elis... Onde foi eleito o melhor intérprete, cantava então a ausência de outro mito da Música Brasileira, a pimentinha gaucha, Elis Regina e passeava assim pela tristeza da perda em letra e melodia: O sol se escondeu mais cedo/ E o medo tomou conta do poeta/ Feriu o bandido, calou o profeta/ A cortina do palco não se abriu...

Anoiteceu... Depois que a manhã de 20 de março de 2013 nos trouxe o seu momento invariável: Vejo as estrelas na imensidão... E penso na libertação de Saigon, não o grande momento da guerra do Vietnã com a entrada das tropas Vietcongs na capital do sul, mas sim a libertação para eternidade deste poema em forma de canção na voz de Emílio Santiago.

Tantas palavras... Meias palavras... E um vazio infinito, agora só resta o nada absoluto, chora a música deste país, o surdo Um da Estação Primeira de Mangueira procura por seu grande amigo e a pergunta que não quer calar vem questionar como será amanhã sem aquele que foi gênio ao levar a gêneros tão distintos o mesmo talento. O Lp e a agulha cumprem seu papel, a voz encerra seu sacerdócio, ecoam as Aquarelas: Vai minha estrela/ Iluminando toda esta cidade/ Como um céu de luz neon/ Seu brilho
silencia todo som...

1 Comentários | Clique aqui para comentar

Maitê, Dona Beija, a Feiticeira...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 13/03/2013 19h38

Foto: Montagem Reprodução Dona beija se banha naturalmente nua na cachoeira, linda Maítê Proença parece ser, naquele momento, a musa dos sonhos de 9 a cada 10 brasileiros, enquanto isso da cozinha minha mãe pergunta: esta é a Dona Beija que foi enredo do Salgueiro? É sim, e começo ouvir a melodia de samba enredo que muito marcou a minha juventude: Certa jovem linda e divinal, seduziu com seus encantos de menina, o ouvidor geral...

Levada a mudar de roupagem, numa nova linhagem, ela foi debutar... e era levada essa Beija, Ana Jacinta de São José, seu nome de batismo, conquistou tudo que pode e todos que pudera conhecer nas cercânias de Araxá! A Beleza como arma fez desta cortesã, mulher de grande influência, um marco na histórica cidade, como também, por todo Triângulo Mineiro, Sertão da Farinha Podre, outrora goiano voltando ao seio de Minas, história marcada por intrigas, relações de poder, inveja, sequestro, romances e sexo.

Mais uma vez os Acadêmicos do Salgueiro resgataram do ostracismo personagem marcante da História Brasileira, cumpriu assim a escola tijucana sua missão de fazer samba e trazer cultura a seu povo. Observando a ficha técnica do desfile de 1968 percebemos a presença de ícones do carnaval carioca: o lendário Osmar Valença na presidência; A Criação nas mãos do revolucionário das artes carnavalescas, um gênio, Fernando Pamplona e de Maria Louise Néri contou também com o auxílio luxuoso de Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta e a direção de carnaval e harmonia muito bem conduzida por Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, reconhecido hoje em dia como um mestre do Carnaval. Isso é Salgueiro, haja história.

Na corte fascinou toda nobreza, com seu porte de princesa, com seu jeito singular... Nesta passagem confunde-se a história da Feiticeira de Araxá com a do Salgueiro, escola que veio abalar as grandes do carnaval carioca, naquele momento: Estação Primeira de Mangueira, Portela e Império Serrano, naquele momento a proposta artística da academia tinha um jeito inovador circulando entre o moderno e o tradicional, com seu jeito singular...

A seguir cenas do próximo capítulo... lembro da Rede Manchete que marcou a transmissão carnavalesca na televisão brasileira, um tempo de felicidade que vivi, tempo de Márcio Guedes e Paulo Stein e mais uma constelação de nomes sem qualquer mácula ou jaça no Pantheon do carnaval. Lembro da parte mais bonita da melodia: Era tão linda, tão meiga, tão bela, ninguem mais formosa que ela, no reino daquele ouvidor... Salve Aurinho da Ilha, compositor insulano, compositor salgueirense em um tempo em que o melhor era sempre o melhor, independente das bandeiras, somos todos do samba!

A novela chega ao fim, um clássico na teledramaturgia nacional, a canção de Wagner Tiso, trilha sonora, já toma conta de toda sala, com todo respeito, poderia ser o samba do Salgueiro! Minha mãe com sua voz terna continua: Até o fim da vida, Dona Beija ouviu falar, viu seu nome triunfar na história de Araxá... linda, ela parece me dar um até logo, só ela: Maitê, Dona Beija, a Feiticeira...

11 Comentários | Clique aqui para comentar

A feira é livre!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 06/03/2013 14h59

Foto: Reprodução de InternetAgora que o porre de felicidade encontra a consciência, a vida começa a amainar e as desculpas e decepções foram controladas... Agora que a festa no arraiá deixou a poeira sentar ao chão... Justo agora as cadeiras dançam e os times contratam e licenciam na mesma velocidade, parece tudo um grande balcão de negócios nos classificados do samba, que por aqui me faz lembrar a feira de Pilares e da Caprichosos que chegava com um tom de humor e irreverência ao campeonato do grupo 1-B em 1982 e consecutivamente ao grupo especial que naquele momento se chamava grupo 1-A.

A feira lotada, eu continuando um cerimonial que meu pai viveu nos meus anos de infância, uma tradição das mais felizes manhãs de domingo. O vendedor de laranja grita: Moça bonita aqui não paga... E aquele exemplar, digamos, que nos faz entender que a perfeição e a beleza são femininas, da mais pura morenice carioca, bela, brejeira e com um sorriso devastador aos corações, se aproxima da barraca e começa a negociação, Lili parece ter todas as armas para não entrar na lábia do ambulante e escutar o grand finale do refrão, pobre vendedor que: Pisa na casca de banana escorrega, aqui não paga, mas também não leva...

Vai seguindo seu caminho, mas seu semblante se modifica... E Lili a flor em meio aos espinhos, feirantes, enternecidos pela morena, pensa na inflação de cada dia na mesa das famílias brasileiras, quem viveu a década de 1980 como nós vivemos sabe muito bem o quanto foi difícil ver o aumento galopante dos preços, diariamente. Oh saudade de nós: eu e a Lili dos sonhos matinais de domingo.

E foi Ratinho, grande compositor de tantos e tantos outros sucessos, quem nos brindou com a singela poesia em forma de simplicidade, simples assim como é a feira livre. A melodia leve e envolvente já começa muito bem com a repetição da primeira frase o que traz um caráter de importância e a melodia da segunda entonação é um recado de preste atenção: Vamos homenagear... Vamos homenagear! A feira livre e o mercado popular... Lindo samba.
Luiz Fernando Reis o autor do tema Moça bonita não paga... Levou a escola azul e branca de Pilares, depois deste grande desfile, ao caminho da crítica social, tratada sempre com bom humor, foram anos de desfiles inesquecíveis, peculiares e pertinentes, marcados pela qualidade dos enredos deste grande carnavalesco, uma época que não pode ser esquecida.

Foto: Reprodução de InternetPor aqui a grande feira continua, dizem que na compra de um grande intérprete leva-se um carro de som completo por uma bagatela; diretor de carnaval, artigo em falta no mercado literalmente, não fica em promoção, será? Não sei! E Lili por onde andará a bela? Talvez estarrecida com a "extinção" das passistas e a aparição das rainhas de bateria de ocasião ou de oportunidade, deixou seu talento de cabrocha de lado e vive na memória de feirantes e sambistas apaixonados. O pregão permanece, mas é bom lembrar que a feira livre que começa: quando vem o amanhecer, um pouco antes do sol nascer... Já está por acabar, corram amigos enquanto algumas boas negociações ainda podem acontecer e como o grande samba diz: Já é meio dia de bolsa vazia não pode sair... Hora de xepa é final de feira...

Nota: Semana movimentada de tristeza e alegria...

A semana começou com os sessenta anos do maior ídolo do clube de regatas do Flamengo: Parabéns Zico, o mais querido do mais querido do Brasil;
A Academia do samba, a maior revolucionária do carnaval carioca também completou, nesta terça 06 de março, sessenta anos de glórias, história linda e singular: Parabéns Salgueiro;

Por fim e não menos importante, a América Latina perdeu um grande líder, outro revolucionário, Hugo Chaves, combatido pela grande mídia, amado por sua gente: Todo meu respeito ao povo venezuelano.

3 Comentários | Clique aqui para comentar

O decreto lei 2014 e a carta aberta

Cláudio Russo | Claudio Russo | 18/02/2013 19h25

O decreto lei 2014 do reinado da folia e que aguarda apenas deliberação de sua majestade, O Rei Momo, determina:

Art. 1o Somos, essencialmente, escola de samba e como tal precisamos de samba, definitivamente samba, nem mais, nem menos, apenas samba.
Art. 2o A regra é: de um enredo bom poderemos ter um grande samba, a exceção não entra em questão por infringir qualitativamente o Art. 1o.

Art. 3o Não teremos sempre sambas antológicos, mas precisamos sempre dos melhores, é necessário que todos entendam isto, independente de que seja o autor do melhor, melhor é melhor e ponto.

Art. 4o Samba enredo não é correria desenfreada, não é gritaria ou seus semelhantes, este ano alguns dos melhores sambas poderiam ter sido destruídos por esta falta de sensibilidade musical.

Art. 5o Emoção e interação com o público não são quesitos, precisamos e devemos repensar o julgamento, nem que seja para entender que esta fórmula atual é a que melhor se aproxima de um modelo justo e eficaz para 2014.

Art. 6o Salve Jorge! Salve Seu Zé! Salvem nossas comissões de frente, Alem de prejudicar imensamente o quesito evolução, a moda de tripés gigantescos impede uma boa visualização das escolas, principalmente do Abre alas.

Art. 7o Led é bacana, Led é tecnologia de ponta e não agüentamos mais ver painéis de Led no carnaval, Também se aplica este artigo para infláveis e outras figurinhas repetidas. Não queremos salientar que não são bonitos, impactantes ou de bom gosto, mas já deu, ou deram.
Art. 8o Renato Lage, Rosa Magalhães e Max Lopes merecem um tributo, todo respeito, oxalá um grande enredo com urgência.
Art. 9o Samba é canto e dança, é desfile áudio visual, não adianta investir tanto em alegorias e fantasias e o sistema de som continuar por décadas investido de muito agudo, pouco grave e muitos graves erros, contumazes:

§ 1o Senhores o maior espetáculo do mundo a céu aberto não pode ter um sistema de som tão precário e pior com problemas todos os anos, se todo ano tem carnaval porque as falhas se repetem?

Art. 10 Não adianta disfarçar, existem carros alegóricos que não agüentam mais passar pela Avenida Marques de Sapucaí, respeitem nossa memória que tentaremos respeitar qualquer mínima falta de criatividade ou de dinheiro, sob pena de esvaziarmos a Sapucaí e eventualmente a sala de estar;

§ 1o Para evitar possíveis constrangimentos vou citar um caso bem antigo: lembram-se do carro alegórico do menino jogando videogame que a Mocidade Independente eternizou no enredo Marraio, Ferido, Sou rei! Este carro sensacional desfilou muito, muito mesmo, ficou cansado de mais até ser aposentado.

Art. 11 Rainha que é rainha precisa ter graça, porte de nobreza e acima de tudo saber sambar assim como: Juliana Alves, Viviane Araujo e Cris Viana.

Art. 12 O quesito bateria tornou-se o mais equilibrado, pois: diminuíram as bossas, aumentou o ritmo e esqueceram ou pararam de falar em metrônomos, continuem assim.

Art. 13 Camisa de diretoria, camisa de apoio, camisa de força neles que não sabem nem mesmo ir a quadra da escola de samba que buscam representar, seja ela onde for, venera-se este objeto do vestuário e como doença venérea inflamam a escola.

Art. 14 A união de A com B daria em desnível claro, era o óbvio, e a constatação disto esta nos resultados, onde apenas uma escola entre as sete primeiras pertencia ao antigo grupo B e como uma placa que surgiu faz tempo na torcida do Grêmio de futebol Porto alegrense: Eu já sabia...

Carta aberta

Senhor presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), ao senhor que sempre se mostrou uma pessoa idônea, digna e de muito boas intenções, solicito repensar a situação do acesso e o descenso ao grupo especial, este ano parece que estamos em uma encruzilhada onde podemos ter a redenção do samba para o futuro ou a sua banalização total. Este ano não tivemos depois de muito tempo a transmissão de televisão do desfile das campeãs e isso é grave, porém mais grave é o protecionismo gerado pela queda e a subida de apenas uma escola no grupo especial, há quantos anos não tínhamos resultados tão justos nos dois grupos em questão, simultâneamente, e isso deve ser aproveitado como suporte para a credibilidade.

Presidente será que se justifica a alegação de que não temos escolas preparadas, será que não temos ao menos duas escolas em condições de subir e fazer muito bem o seu papel. Veja bem entre as dezenove escolas que desfilaram sexta e sábado de carnaval havia: 14 agremiações com passagem pelo especial, dentre estas, três campeãs: Império Serrano, Viradouro e Estácio de Sá, em contra partida temos algumas escolas se sustentando no especial em virtude de seu nome e sua bandeira e isto não é carnaval, não é justo e compele o esvaziamento de nosso espetáculo, posso citar o exemplo do futebol onde cai qualquer um, independente do nome do clube, e mais! Geralmente quem caiu no futebol conseguiu se levantar e até ficar melhor, pois se procura uma reestruturação administrativa. Presidente, eu acredito muito na excelência de sua gestão e se temos o maior espetáculo do planeta, eu como sambista que sou, percebo que alguns ajustes são uma forma necessária de torna melhor ainda o nosso carnaval e perpetuá-lo como maior expressão cultural de nosso povo.

Senhores: Governador do Estado Rio de Janeiro e Prefeito do Município do Rio de Janeiro, samba enredo é patrimônio cultural de sua gente e como tal deve ser tratado, auxiliem este decreto e, por favor, encontrem, como maiores autoridades do executivo em nossa grande festa, alguma forma de aumentarmos a execução nas rádios difusoras, captarmos melhor os direitos autorais e porque não aventar a criação do dia do samba enredo, e se por acaso já exista que seja divulgado como um marco de culto a história do ritmo e preservação de nossa memória para que este estilo musical tão carioca não desapareça. É necessário algo emergencial como a Bahia fez com o seu Axé Music e nossa cidade fizera com os Blocos carnavalescos.

Desde já agradeço a compreensão, Claudio Russo.

36 Comentários | Clique aqui para comentar

O Sorriso da Sapucaí

Cláudio Russo | Claudio Russo | 31/01/2013 20h02

Vai e conduz o orgulho de uma cidade, sua maior riqueza, a força de seu povo. Vai com toda pompa e circunstância que as verdadeiras soberanas merecem e depois desfralda a bandeira do samba, pinga, jorra rios de suor para unção de seu talento. Vai ao lado de seu par, bailarino das ruas do velho Estácio, paladino a defender seu pavilhão, sua honra, seu amor como quem rabisca nas incongruências do asfalto a bíblia do samba no pé.

Até parece que foi ontem... O destino de passista foi deixado para traz e a honra de formar o casal mais importante durante o desfile, aquele casal que representa o valor de todos nós, aquele que defende cores, formas, uma comunidade, um estandarte, o pavilhão do amor.

Naquele março de 1991 quem imaginaria tanto brilho, tanta majestade? quem profetizaria que no primeiro carnaval juntos em vermelho e branco, seguindo o trem do caipira, haveria um título para guardar para sempre no mais infinito de cada torcedor estaciano, título desvairado como a pauliceia de 1922, um desfile moderno à semana de arte.

Estava escrito que mais títulos viriam em outras cores, outros amores e o mesmo samba fiel companheiro. A bandeira mudou, mas a bandeira destes dois permanece a mesma em comprometimento, amizade e trabalho, é nessa hora que o interesse do conjunto prevalece ante as aspirações pessoais, num meio em que a vaidade não é exceção, conciliar talentos seria quase impossível, não foi, não é e não será surpresa para mim se, mais do que eu, todo povo carnavalesco afirmar que estes grandes artistas fazem parte do rol dos maiores de todos os tempos.

A sua alma é um sorriso e depois de tantos anos defendendo o pavilhão da deusa da passarela este sorriso continua o mesmo, o mesmo brilho, a mesma vontade, como se hoje fosse o seu primeiro carnaval. O seu jeito, caro amigo, é de deixar qualquer um descrente ao primeiro momento, tranquilo, fala pausada e sem presa e em segundos ao ouvir os naipes de sua bateria ecoar torna-se um turbilhão de passos, elegância, malandragem em dança, mestre sala em desfile.

Foi numa quinta-feira, a quinta em que a falta de luz elétrica mostrou o quanto há de luz própria em quem porta nossa bandeira, estava eu em nossa quadra na Pracinha Wallace Paes Leme participando de mais um ensaio quando me vi amorfinado com a coreografia do casal de Nilópolis, estava tudo ali, a dança cigana, a marcha, a arte da dança, tantos outros detalhes e mais o sorriso, a alma, o cortejo do cavalheiro e a sutileza da dama. A partir daquele momento vislumbrado percebi os tópicos mais importantes do enredo da Beija Flor abordados na letra de nosso samba enredo, depois disso comecei a pensar como o carnaval está competitivo e especializado, o quanto um profissional precisar estudar a sua área para não se tornar ultrapassado e o quanto é gratificante ver o casal a mais tempo ininterrupto no carnaval mantendo vivo o entusiasmo e acesa a chama do amor ao samba em suas veias.

Porém, a maior emoção estava reservada para o dia 19 de janeiro, a pista estava cheia, repleta de samba, sambistas, torcedores e água, muita água... a Beija Flor como que acostumada, posto que as lágrimas do céu parecem nos acompanhar para lavar a alma, fazia um ensaio daqueles e Selminha e Claudinho brilhantes desfilavam beleza, eram acenos, salvas, salves, aplausos... Naquele momento, bem aventurado por está no local e na hora certa, vi uma porta bandeira que marcou o seu tempo; porta bandeira que seu filho deve ter dito em vários carnavais: Mãe você está linda...

A mesma senhora porta bandeira que com orgulho eu havia acabado de cumprimentar foi reverenciada por Claudinho e Selminha Sorriso e beijou a bandeira nilopolitana. A emoção estava ali, cresci vendo aquele simbolo do carnaval sendo esperado ano após ano, em um tempo que sua escola de coração brilhava com Domiguinhos do Estácio e depois Preto Joia, Fabio de Mello, Max Lopes, antes e depois Rosa Magalhães, nesse tempo de glórias leopoldinenses era ela a personificação da Imperatriz. Ver um casal tão iluminado respeitando quem antes por aqui brilhou é único, afeto digno dos grandes e acima de tudo humildade. Maria Helena sempre honrou a sua verde e branco e me fez feliz ao vê-la ali tão perto, tão radiante, rosto molhado e sorrindo para Selminha, Selminha o sorriso da Sapucaí.

Leia também, no blog do Cláudio Russo:

- Alô povão, agora é sério!

20 Comentários | Clique aqui para comentar

Alô, povão! Agora é Sério!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 18/01/2013 15h45

Os cavaleiros do apocalipse de plantão a cada dia fazem ressoar as suas trombetas trazendo o anuncio de maus agouros ao carnaval, e o grande vilão desta história parece ser a escassez de recursos ou em alguns casos a má gestão deles e por último quando a falta de recursos não é o problema e sim a sua liberação tardia demais para organização de um barracão em condições de brigar por título, Quem vai à cidade do samba comenta que teremos um carnaval fraco e pobre, que tudo indica para um desfile sem brilho, e eu pergunto isso aqui é o que? Qual é a razão disso tudo? Pelo que me consta ainda que metralhada por invenções e reinvenções sem propósito a razão de tudo é a Escola de Samba!

Todo ano é assim, alguns mais outros menos, e aumentou muito após o advento da cidade do samba. Prenúncios, projeções e previsões estouram a cada momento fazendo aumentar as expectativas que na maioria das vezes caem por terra. O reflexo disto é o surgimento de mais e mais comentários nos fóruns especializados e nas redes sociais. Quem nunca sonhou comentar ou criar um tópico de que a sua escola de coração está com um barracão imbatível.

O problema é que os quesitos ligados integralmente ao visual são apenas dois: Alegorias-adereços e fantasias, com reflexo direto em mais dois: Comissão de frente e conjunto, mais as previsões levam em conta substancialmente estes quesitos visuais, esquecendo-se por completamente o chão da escola, Quem decide ou pelo menos deveria decidir.

Outro fator relevante a ser analisado é a possibilidade da volta à normalidade financeira. Nos últimos anos os custos na produção das escolas de samba aumentaram vertiginosamente, estima-se que este ano chegue à dezena de milhões e com isso a chance das contas não fecharem é mais do que real.
Acho que as avaliações e os comentários do período pré-carnavalesco devem ser levados em consideração, mas nem tanto ao céu, nem tanto a terra... Pode ser sim neste ano um carnaval mais difícil, porém não acredito que seja um carnaval tão pobre e sem brilho a ponto de ser esquecido, além do mais a preparação das escolas levando-se em conta a qualidade de acabamento, pode acabar a um mês do carnaval ou no dia do desfile.

Quem sabe teremos o melhor carnaval dos últimos anos, com maior equilíbrio de forças e fundamentalmente com a redenção do samba e o resgate do sambista de verdade, menos modeletes, musas ou projetos de estrelas sob as luzes da televisão e mais passistas, mais comunidade e acima de tudo como diz o grande samba da terra de Noel, esperar a consagração, pois de noite vai ter cantoria que está chegando o povo do samba...

O samba vai levantar poeira... E honrar o legado deixado pela turma do Estacio capitaneada por Ismael; fazer valer a luta de quem enfrentou a policia a fim de desfilar sua expressão cultural como a gente humilde da estrada do Portela, de Paulo e Natal, tão bem representada até hoje pela velha guarda e poetizar como os herdeiros do Bloco dos Arengueiros que tantos frutos deram na Estação Primeira de Mangueira, mas não tire o seu sorriso do caminho... E se o começo da revolução visual no carnaval se deu pelos Acadêmicos no Salgueiro e ganhou força em Nilópolis encabeçada pelo gênio de Joãosinho Trinta e anos depois se engrandeceu valorizando-se a comunidade da Beija Flor tão bem direcionada por Laila, está na hora de uma reviravolta para privilegiarmos o batuque que Ginga iô iô, ginga ia iá.

Habemus Carnavale... E que todo sambista saiba que a sua escola quando lhe entrega a fantasia não está sendo de graça, nem doada, ela está sendo trocada por sua alegria, seu suor e sua vontade de cantar alto e em bom som o samba enredo, não é caro, mas cabe comprometimento do puro sangue Azul e Branco... Verde, Rosa, Vermelho, Preto e Amarelo... Pois como bem diz o grande interprete Nêgo: Alô, povão! Agora é sério!

Leia também:

- São Clemente e Fábio Ricardo

18 Comentários | Clique aqui para comentar

São Águas de Oxalá!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 08/01/2013 13h32

A estação mais quente do ano chega ao Rio de Janeiro, invariavelmente ligada a praia e sol, samba e a proximidade do carnaval e água, muita água. Entra ano sai ano e o período de chuvas de verão deixa cicatrizes profundas em nosso estado, processo potencializado pelo menosprezo dado a este fenômeno tão carioca pelas autoridades em seus diversos escalões e o que resta ao nosso povo é pedir a proteção do céu e que as águas não tragam a destruição, Epa Babá... Axé...

Um dia, Oxalufã, resolveu viajar ao reino de Xangô, o Alafim de Oyó, e mesmo sendo aconselhado pelo Babalaô para que desistisse da viagem, em virtudes de maus presságios, decidiu que não iria abandonar o seu projeto e partiu em direção ao reino amigo, sem no entanto deixar de ouvir as recomendações do Babalaô. Este parágrafo poderia ser um simples e breve resumo do início da lenda das Águas de Oxalá, depois vieram sete anos de dor e sofrimento, o perdão e o uso de roupas brancas para saudar e da água para lavar, como bem descreveu a Mocidade Alegre em 2003: É água amor fundamental, é água pra vencer o mal...

Os Acadêmicos da Grande Rio em um dos seus melhores momentos no quesito samba enredo reforça o coro e os pedidos de paz: Há de vir um negro, para purificar nossa libertação com as águas de Oxalá... E o nosso xirê continua sem seguir ordem cronológica, pois entendemos ser atemporal a história e as lendas dos orixás Afro-brasileiros, mas escutando os cantos que tocam o coração: Ofereceu o trono em troca do perdão, Oxalá quer água em troca da humilhação, Ofilalaê hoje é festa pra você... Era o ano de 1983 e a escola da Rua Araujo Leitão mostrava a qualidade de sua ala de compositores, Salve! Unidos do Cabuçu...

A dupla campeonissima, Flavinho Machado e Heraldo Faria, acompanhada pelo compositor Jair viajou pela lenda e perguntou na grandiosidade de um dos mais bonitos sambas dos Acadêmicos do Cubango porque Oxalá usa Ekodidé: E nessa manhã em Ilê Ifé, o povo começou a adorar, numa procissão de fé, o culto das águas de Oxalá...

O Paxorô do Rei maior Yorubá também traçou os caminhos de outras tantas agremiações, quase todas, no Império da Tijuca, escola intimamente ligada a cultura africana no Brasil, foi A Coroa do perdão no reino de Oyó; No Boi da Ilha do Governador As águas de Oxalá; em Nilópolis A Criação do mundo na tradição Nagô e a África, o baobá da vida, Ilê Ifé. Do Yoruba à luz, a aurora Dos deuses em vermelho e branco salgueirense; em azul e amarelo a Unidos da Tijuca cantou: Obatalá mandou chamar seus filhos... Oxalá surgir a cada ano um dirigente consciente ao lado de um carnavalesco inspirado para que possamos ser banhados pela beleza deste tema.

A lavagem do Bonfim varre o mal que há de ser, sentimento fluir, gratidão faz aprender... Meus amigos! Na Bahia de São Salvador a cada mês de janeiro o sincretismo religioso leva as yaôs dos terreiros de candomblé a lavarem o adro da igreja do Bonfim, esta cerimônia faz parte das águas de Oxalá na capital baiana. Neste ano de 2013 surge um dos mais belos sambas de nosso carnaval cantando o Axé na proteção do rei maior, e uma escola que vem tentando se firmar no grupo de acesso, série ouro, aposta em uma receita que dificilmente leva ao erro. A Unidos da Vila Santa Teresa, escola antiga, porém, com poucas passagens por grupos com maior visibilidade se veste com o branco de Oxalá e como os filhos do orixá maior pretende marcar naturalmente sua presença com sua aura de autoridade e seu brilho incessante e como todo filho seja de Guiã ou Lufã tem o dom da palavra brindemos a palavra da azul e branco da Coelho Neto: Nas águas da escravidão, o povo africano sem paz, a barca da maldição aporta em novo cais, raça que se fez brotar, forja com dor neste chão... Parabéns pelo caminho acertado das Águas Sagradas que a presidência, o carnavalesco, seus compositores e toda comunidade vão seguir.

Oni Saurê aul axé Babá... Senhor faça com que tenhamos boa sorte... A Estação mais quente do ano chegou ao Rio de Janeiro trazendo dor através da águas é por isso que pedimos perdão ao pai maior, é por isso que cantamos como a cantiga que inicia este parágrafo, é por isso que nos iluminam atitudes como as de Zeca Pagodinho e é acima de tudo por isso que precisamos entender a nossa pequenêz diante de tudo que há entre o céu e a terra e não sabemos explicar: São Águas de Oxalá!

8 Comentários | Clique aqui para comentar

Em busca do refrão perdido e as vítimas do próprio veneno

Claudio Russo | Claudio Russo | 22/12/2012 21h11

No começo de tudo... Quando tudo não passava de manifestação de classes menos favorecidas em busca do espaço público, quando o bloco reunia um mosaico de indivíduos marginalizados, unidos na dor, na discriminação e na resistência, surgiu um ritmo com a cara do Brasil recém republicano, querendo se modernizar e escondendo as cicatrizes de quase quatro séculos de escravidão: O samba, que mais tarde fez escola, transformou-se, graças a Paulo da Portela, em samba de enredo.

Os primeiros sambas que as escolas desfilaram não eram propriamente integrados ao tema proposto por cada escola, se é que este tema existia, posto que não fosse uma obrigatoriedade. No regulamento do histórico desfile de 1932 promovido pelo jornal "O Mundo Esportivo", do jornalista Mario Filho, havia a possibilidade de apresentação de até três sambas por agremiação.

Estes sambas eram, quase como uma regra, divididos em duas partes: a primeira cantada pelo coro da escola e a segunda que pertencia ao solista ou improvisador e assim permaneceu por muito tempo o carnaval da Praça Onze, até que em 1939 dois quesitos começaram a atuar em comunhão: Enredo e Samba, com o Teste do Samba portelense surgia uma tendência e a partir disto os sambas começaram a ser um por cada escola e ligados inteiramente ao enredo da agremiação. Daí surgiram sambas muito extensos e extremamente descritivos, lençóis, nota-se que nesta época não haviam repetições de frases no corpo dos sambas, os estribilhos.

Silas de Oliveira não compunha sambas com refrão, Antonio Candeia Filho no começo também não, Martinho da Vila, que era da Boca do Mato, aumentava este coro, mas também pode-se dizer que reinventou, em sua época, o gênero, por torná-lo mais leve e inovador ao "bizar" os versos do fecho de ouro. Agora surge a interrogação, quando então o refrão passou a ser utilizado com freqüência? Precisar está além do meu conhecimento, porém é de certo que o início da década de 1970 traz luz ao assunto e popularidade. O Skindô lá lá Skindô lê lê de Catoni, Jabolo e Valtenir foi campeão, porém, coube ao salgueirense Zuzuca ter papel de suma importância em refrões como: Pega no Ganzê e Tengo Tengo.... A revolução vinha a galope com um modelo de samba mais curto e com apelo popular, por isso nenhuma escola passou incólume a este processo.

Foto: Diego Mendes
David Correia

E assim ano após ano os refrões tornaram-se sensação do long play das escolas de samba, que em três décadas rivalizou com o disco de Roberto Carlos nos pedidos de amigo oculto ou papai Noel, e fez ecoar pelo quatro cantos deste país o "carro chefe dos
sambas". David Correia obteve grandes vitórias capitaneadas por refrões imbatíveis; Helio Turco e Jurandir marcaram época com o Balancê, Balancê... A Mocidade fez bonito: Quero ser a pioneira... Mas ninguém conseguia chegar perto da alegria da União da Ilha do Governador de Didi, Franco e Robertinho Devagar entre tantos outros grandes nomes e os Acadêmicos do Salgueiro de Bala, Celso Trindade, Dema Chagas e seus parceiros. Festa profana desnudou a censura, a Beija Flor proclamou Sou da vida um mendigo, da folia eu sou rei... Liberdade, liberdade... Foi lindo; Explode Coração... Um rolo compressor e Pedras preciosas... A essência maior da poesia das escolas de samba.

Foto: Diego Mendes
Claudio Russo, Zé Luiz, Katia Paz e Mauricio Mattar

Na última segunda-feira durante a festa de lançamento do CD das escolas de samba da Série A percebi o que parece ser o óbvio: o compositor não pode, não deve se permitir ser refém desta procura desenfreada pelo refrão dos sonhos, como se isto fosse a sua galinha dos ovos de ouro. O samba enredo não sobrevivera por muito tempo se nós não procurarmos soluções às receitas pré moldadas de cabeça, refrão, segunda e refrão. Temos que ver um samba como uma obra de arte em seu todo, sem que tenha uma ou outra parte com mais importância que as demais. Sou parte do processo e assumo minha culpa, de forma alguma me vejo como vítima e tenho o dever de procurar a mudança. Foi nesta festa que tive a satisfação de agradecer a presidente Katia Paz por reeditar na União do Parque Curicica o enredo da Portela 1994, para mim é um orgulho ter 23 anos de samba e já ver e ouvir uma obra minha passar pela segunda vez na avenida de desfiles. Esta reedição só aumenta a minha responsabilidade em continuar tentando fugir dos padrões.

Foto: Diego Mendes
Diego Nicolau e David do Pandeiro

Na última segunda-feira a Unidos do Viradouro de Gustavo Clarão, que muito antes de ser presidente já era Músico e um dos maiores compositores de minha geração, me fez acreditar no diferente, o que foge do lugar comum, o inesperado. O samba da vermelho e branco de Niterói tem um estribilho e nenhum refrão, traz um novo olhar sob nossa arte de compor e ouvir, é acima de tudo autentico! Chega! O caminho a Portela vem trilhando desde a subida ao Pelô, na Vila André ensaia novos voos, em Nilópolis tradicionalmente inclinada a sambas densos em tom menor parece que o processo de ruptura e a busca de um outro estilo caminha a passos largos, amigos há tantos compositores que podem nos mostrar um novo acorde, uma nova construção...

Me bateu uma vontade de escutar o Laia, Laia e o Ô Ô Ô dos grandes sambas sem refrão, mas antes venho desejar um feliz natal e um 2013 de saúde, paz e realizações para todos os leitores, lembrar que só falta um pouco mais de um mês para o carnaval e mais uma vez o coração vai descompassar quando o Neguinho cantar: Olha a Beija Flor aí gente... Enquanto houver esta emoção, enquanto existir este amor ao dom de compor que Deus me deu: vou preservar e manter a chama da inspiração focada em nossos primeiros sambistas, pioneiros compositores de samba enredo.

12 Comentários | Clique aqui para comentar

Obrigado, poeta!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 05/12/2012 13h45

Em alguns dias a memória insiste em trazer a trilha sonora da nossa infância na forma de um presente do tempo. Nestes momentos lembro-me de meu pai, imperiano de fé, daqueles que não valia questionar em argumentos a majestade imperial, principalmente em relação ao quesito samba enredo. Certa vez a vitrola, daquelas de madeira, tocava um LP de samba quando o fascínio e a beleza melódica invadiram-me a alma e eu na inocência da minha ignorância perguntei: Pai de quem este samba? A resposta acompanhada de firmeza e orgulho veio rápida - é do Império Serrano, quer sabe quem fez? Foi o maior compositor de samba enredo de todos os tempos! Naquele momento entorpecido pelos acordes achei a resposta a mais lógica possível, o que parecia repetitivo, mais certo do que 2 + 2 são quatro e falei: Pai isso é lindo! E comecei a cantar: Oh como é tão sublime falar de suas glórias e dos seus costumes lendária Bahia...
Samba quando vem aos meus ouvidos, embriaga os meus sentidos...

E a roda de samba toda canta com o partideiro: traz em mim inspiração... E o mesmo compositor daquele samba enredo de Glórias e Graças da Bahia continua a desfilar a sua singularidade: Sinto abalada a minha calma, embriagada minha alma, efeito da sua sedução... meu senhores, Meu Drama mal acabou e se aproxima um outro Amor Aventureiro - Lá, laia, laia, laia...

Poeta em sua acepção maior, Silas de Oliveira, contemporâneo de tantos outros nomes marcantes no domínio da arte de compor, foi o maior no tempo dos maiores. Com certeza podemos afirmar que grandes compositores criam obras antológicas, mas ninguém compôs tantas obras singulares como o mestre de Cinco Bailes da História do Rio, Aquarela Brasileira, Heróis da Liberdade, O Império Tocou Reunir, São Paulo - Chapadão de Glória, Pernambuco Leão do Norte, Calamidade... Eis a Apoteose do Samba... Que me perdoe o grande dramaturgo Nelson Rodrigues para quem toda unanimidade é burra, é com inteligência que podemos constatar que em matéria de samba enredo Silas de Oliveira Assumpção sempre será a unanimidade.

É madrugada de domingo, a quadra lotada, o samba para, o presidente Gaspar discursa e por fim delibera um rufo da bateria em homenagem a todos nós, já é dia 02 de dezembro, o dia nacional do samba, a festa parece sem hora para terminar na X-9 paulistana, em um clima de congraçamento impar, tive a felicidade de ser homenageado pela querida Escola da Parada Inglesa, ao lado de tantos talentos me senti orgulhoso, ao lado de André Dinis, José Rifai, Royce do Cavaco entendi mais uma vez que nem as melhores previsões daquele menino que sonhava ser compositor chegariam a tanto e resolvi escrever em memória do mestre.

Parece que ainda vejo meu pai ao meu lado e mais uma vez pergunto: Pai é do mesmo compositor que escreveu: Ao longe soldados e tambores, alunos e professores acompanhados de clarim cantavam assim... Obrigado Pai por me apresentar a poesia de Silas de Oliveira, Obrigado X-9 por lembrar a este compositor que o menino de 30 anos atrás precisa continuar sonhando, Obrigado Silas, a viga mestre da serrinha, por me fazer admirar os limites do impossível, Obrigado samba que me dá muito mais do que imaginara um dia...

ADEUS DE UM POETA

Silas...
Por nós tu não terias ido agora.
É doloroso todo samba chora.
Tão cedo por que nos deixou?
Tu foste em passo firme, em linha reta,
Um dos mais perfeitos poetas,
Orgulho de um compositor...
(Tião Pelado)

11 Comentários | Clique aqui para comentar

Valeu Zumbi!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 21/11/2012 12h58

Dia da Consciência Negra, dia de ter a consciência de ser descendente da luta, do sangue, suor e lágrimas daqueles que sucumbiram ante a opressão, como também daqueles que resistiram e construíram os alicerces do que hoje chamamos Brasil. Dia de Zumbi dos Palmares e quantos senhores e senhoras de lares que enfrentam os trens, ônibus e a bronca do patrão... Em busca do pão. Hoje também é seu dia, em suas casas, seus quilombos, nas escolas de samba que deveriam entender e exaltar com mais vigor este dia, é necessário cantar: Eis que a nação quilombola cresceu e evoluiu muito mais...

É preciso de uma vez por todos fazer valer o orgulho de sua raça, abominar e extirpar de nossa sociedade os nomes que por muito tempo depreciarão a todos aqueles que fugiam do estereótipo ariano de ser humano, a partir de agora esquecer os pejorativos: o moreninho, a mulatinha, o preto de alma branca, ele é preto mais é tão limpinho! Adeus de uma vez por todas, meu Deus do céu, que é um só, seja por qual nome você o chama. É hora de enegrecer e admitir a nossa Raça Brasileira: Eu sou barro, eu sou chão, eu só pó, eu sou poeira, sou filho desse torrão...

A trilha sonora que me embala, parece ecoar muito mais forte neste dia de folia: filha de Oxum pra nos ajudar, vem nos dar axé, Mãe Menininha do Gantois; continuamos na Bahia de todos os santos e no grande ano de 1976 quando as ondas se agitaram para o Mar baiano em noite de gala desfilar africanidade brasileira: Zamburei, atotô, aiê ieo, agoiê... Lembro da excelente noticia que correu a semana passada e me leva a Unidos de Bangu ao ano 1981: Pega na barra da saia baiana e roda que eu quero ver, levantando a poeira até o dia amanhecer...

A viagem é longa e a lista extensa... Paro no Lins de Vasconcelos, terra de sambistas, e me vejo saudando Oxalá: Ofilalaê, hoje é festa pra você... Na indecisão entre ficar na 28 de setembro e beber um chopp ou ir direto pra Conde Bonfim reflito: Brasileiros irmanados sem senhores, sem senzala... Podem entender que: A união é bonita e a gente acreditar na força do irmão.
Cem anos de realidade ou ilusão? Passaram mas o samba não passa, pergunte ao criador? E a Academia do samba do morro do Salgueiro que foi a primeira a trazer os heróis e deuses do Pantheon Africano, nossos heróis, me faz adentrar ao templo negro em tempo de consciência Negra: Salgueiro é maiongolê, marangolá... Os frutos das árvores tijucanas parecem ser de uma grande safra: Eu venho de Angola, sou rei da magia, minha terra é muito longe, meu gongá é na Bahia, tem areia, tem areia...

O anjo invasor me deu a cor, mas cor não tenho, eu tenho raça... Salve Nelson Mandela, salve Porto da Pedra, mas em Niterói e São Gonçalo, celeiros de bambas, samba não é privilégio de uma só escola: Afoxé lorin, é lorin, Afoxé loriô, é loriô e Hoje, e para sempre a humanidade jamais esquecerá o sonho de liberdade...

Estou em Madureira e daqui para Nilópolis é um pulo, já ouvi Reluzente como a luz de um dia e a Festa da Yabás, o dia chuvoso é um sinal de que É cheiro de mato, é terra molhada, é Clara guerreira, lá vem trovoada... Ah meus heróis da liberdade, brasileiros como Silas de Oliveira cantando: Esta brisa que a juventude afaga, esta chama que o ódio não apaga... Hoje bem mais do que ontem sei que Ogum yê, o Onirê, ele é odara com as Áfricas da Beija Flor.
Hoje é dia da consciência de nosso valor, fomos nós, que recebemos mais de 10 milhões de africanos privados de sua liberdade, feitos escravos pela força de armas de fogo, chicotes, correntes e grilhões; somos nós que devemos orgulhar a cultura de nossos antepassados, a cultura que sobreviveu... Pois o samba, como maior expressão cultural de nossa música, viaja por todos estados deste país, morei Sampa e ouvi tanto samba lindo como: Achei uma bola de ferro, presa nela uma corrente, tinha um osso de canela, deu tristeza em minha mente, esse osso de canela veio de outro continente... E é por isso que Anastácia não se deixou escravizar... Valeu Zumbi...

Nota: Meu respeito a toda nação mangueirense e tudo que significou Mestre Delegado em vida e o que significa, para a história do samba, agora como Luz.

3 Comentários | Clique aqui para comentar

Simples assim...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 06/11/2012 12h12

"O samba é um pedaço de nós, inspirado, feito com amor, caiu, vou consolar o parceiro..."

A temporada mais importante das quadras das escolas de samba do grupo especial e da série A chegou ao fim. Sambas escolhidos começam os ensaios técnicos, a preparação das baterias em sintonia com as melodias dos sambas e o aprimoramento do canto, tanto do carro de som quanto de cada comunidade, e a maior pergunta a correr o mundo do carnaval carioca gira em torno da qualidade da safra para 2013, quem é quem neste mosaico de sons, quem é quem? Para você, folião, amante do bom samba.

Quando fui convidado em maio de 2011 a fazer parte deste espaço, deixei claro que não me sentiria confortável em comentar, criticar e até mesmo julgar sambas escolhidos, acho que ética, moral e dignidade devem nortear meu caminho e por isso devo respeitar à todas as obras, principalmente por fazer parte do processo. Mas percebo que em relação ao próximo carnaval podemos fazer algumas boas considerações...

Primeiramente, sem querer chover no molhado, fica mais do que claro que temas de origem africana, da mitologia yorubá ou afrodescendentes rimam com bons sambas e isso ano que vem virá multiplicado por 04, sim senhores! Quatro sambas e são eles: modéstia á parte União do Parque Curicica, com a reedição de Portela 1994, Unidos de Padre Miguel com um samba muito bom, Unidos da Vila Santa Teresa excelente letra e uma melodia diferenciada e por último o samba da Império da Tijuca, construção forte e coesa, um dos melhores inéditos do ano.

Também sabemos que Rio de Janeiro sempre dá bons sambas; Portela e Vila continuam como no ano passado em igualdade de condições, colocando o "sarrafo" lá em cima e a Deusa Nilopolitana tem um samba com características que há muito tempo não aparecem pelas bandas da rua Pracinha Wallace Paes Leme, seja ele um samba muito bom ou não, vamos aguardar o páreo!
Outro fator importante é que temos uma safra bem nivelada, não temos, graças a Deus e a consciência dos dirigentes que começam a perceber a importância de um samba de qualidade, aquelas aberrações que por algum tempo poluíram nossos ouvidos, senhores não teremos aquele samba pula a faixa e com certeza o carnaval agradece, salve a safra de 2013.

Uma situação que aconteceu em duas escolas, Valeu Mangueira, Valeu Beija Flor, e que pode se tornar uma tendência é o sambão nas tardes e início das noites de sábado. Vejo que tornar a disputa de sambas enredo grandes festivais às tardes de sábados e domingos com portões abertos, pode trazer mais ainda a comunidade para o seio da escola, criando um ambiente mais familiar, inclusive barateando o concurso que já passou dos limites em termos de gastos, está na hora de abolir fogos, alegorias, parafernálias pirotécnicas e seus afins, afinal o importante é o canto do samba, o resto é engodo.

Por fim seria bastante salutar que todos ouvissem a linda canção de Wanderley Monteiro e Álvaro Maciel: Vida de compositor e entendessem que as rivalidades, se é que devam existir, precisam terminar ao anuncio do samba campeão. todos... todos podemos ficar chateados é natural e humano, não podemos perder o controle, agredir, até que seja com palavras, diretores, compositores como nós, em alguns casos pais de família que já foram nossos parceiros.

Senhores tenho 23 anos de samba e perdi muito mesmo, só na Portela foram cinco finais seguidas e por formação nunca, nunca mesmo saí por ai blasfemando, praguejando ou agredindo a alguém. Ouçam a canção amigos! E reflitam que nem sempre o nosso é o melhor, isto é fato, e o melhor seja ele de quem for deve ganhar sempre. Linda melodia, linda poesia, não achei defeito algum, mas samba enredo só ganha um... simples assim...

19 Comentários | Clique aqui para comentar

O Preço da Traição

Cláudio Russo | Claudio Russo | 23/10/2012 14h28

Ela estava errada e eu também... Eu não, de certo não! E vi que a tristeza pode ser bonita, uma beleza diferente, algo que beira o drama, comovente e afiada como a lâmina de um punhal... Daquele momento em diante a música ganhou forma apoteótica e eu... eu senti bastante ódio de mim mesmo... E cheguei a conclusão que estava pagando com a mesma moeda o preço da traição...

Você sabe qual é o preço da traição? Quanto custa... quanto vale? Posso dizer que meu coração por diversas vezes me traiu, em alguns momentos parece que não chegamos ao acordo e é só ouvir acordes dolentes, geralmente em tom menor, que o meu amigo do lado esquerdo do peito se envolve sem me dizer nada.

Digna dos maiores casos passionais a canção "O Preço da Traição", de Silvestre David da Silva, envolve não pela separação como motivo, e sim, pelas consequências dos deslizes mútuos de um casal. Como seria ver seu amor com a outra ou o outro e você pobre coitado, ou não, nos braços de outro ou outra também. Eu não tinha o direito de lhe chamar atenção...

Ah Cabana!!! tanto ouvi falar ao seu respeito, tanta coisa que nem sei... ao som de Martinho, Clara, Beth e muita gente bamba, a nossa gente do samba, ouvi seu talento. Garçom põe a bebida na mesa, eu pago toda despesa, não cobre nada a ninguém... Um dia li que figuras como um dos fundadores de nossa escola e li também que a ida de Neguinho para Nilópolis foi indicação sua. Longe, muito cedo, você escutou o talento daquele que se tornou um dos maiores cantores de samba deste País: Olha a Beija Flor aí gente...

apesar de não ter tido o prazer de conhecê-lo, posto que nos deixaste muito antes de me ver como um compositor, acho que guardando as devidas proporções e evitando comparações o que não é minha pretensão, visto que o prejuízo será meu e a balança tenderia muito a seu favor, temos pelo menos alguma coisa em comum meu poeta. Nós dois habitamos o mesmo espaço, em épocas diferentes sim, mais empunhamos as mesmas bandeiras.

Ilu Ayê, Terra da vida, parceria sua com outro grande compositor: Norival Reis, talvez seja seu maior sucesso, o grande samba da Portela de forma alguma tira o brilho de um pequeno pássaro e a sua cumplicidade com a princesa nilopolitana. Á esta gente que tão bem conheceu, a este povo sambista da maravilhosa e soberana digo: Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico... ao seu lado para sempre ao som desta bateria, ao som desta comunidade que impõe respeito...

Deve fazer quase trinta anos que a ouvi pela primeira vez, foi um tio, muito próximo, em um desses pagodes da vida que puxou O Preço da Traição e depois povoaram a minha memória gravações do Zé Ferreira, O Negro rei da Vila, a mais bonita versão, Bezerra da Silva, Zuzuca e agora há bem pouco tempo, uma gravação fresquinha com o excelente grupo de samba do amigo Leleco, o Samba pra gente.

A pergunta continua... e parece muito intrigante, original, pra não dizer genial terminar a música com um questionamento ao invés de um tradicional desfecho. Salve Cabana, um dos maiores compositores do samba verdadeiro, poeta da Beija Flor, campeão na Portela, que nos deixou quase que profeticamente um ensinamento: Aqui na terra se faz, aqui mesmo se paga, Aqui a gente pragueja e sofre também os efeitos da praga, estou confuso sem saber qual atitude vou tomar: o que faria você em meu lugar?

5 Comentários | Clique aqui para comentar

O Cisne e o Conde

Cláudio Russo | Claudio Russo | 10/10/2012 13h12

Encontrei hoje cedo no meu barracão... Meu olhar perdido em seus passos, que eram traços mais belos que a obra mais bela de um grande pintor: Surreal. E segui as imagens formadas na tela, vi você, mas não vi a Portela, me bateu uma ponta de dor, qual o cisne que encanta o solitário lago você seguiu em seu bailado, vi poesia, me deu vontade de chorar e o diga espelho meu... ecoando: O mundo inteiro espera, é dia do riso... Lágrimas...

Cresci ouvindo coisas da Portela, minha mãe cantava os sambas, contava histórias e em muitos momentos falava da porta bandeira mais elegante que já havia pisado na passarela. Numa época marcada por grandes nomes na arte da dança do samba me apaixonei pelo desfile das grandes escolas. Posso dizer que vi Delegado e Mocinha, Elcio PV e Juju Maravilha, depois o mesmo Elcio com Doris e vi também Bagdá, Roxinho, Benício e Irene. A linda bailarina Rita, Chiquinho e Maria Helena, e se a memória falhar o pedido de perdão espero que seja aceito. Vi também num momento mágico Bicho Novo na Estácio de Sá desfilando não mas como Mestre Sala, mas o vi sim, homenageado e conheci Dodô no quartel General do samba na Clara Nunes. Ao menos duas lendas no porte de um pavilhão eu não vi conduzindo a bandeira de suas escolas: Vilma Nascimento e Neide da Mangueira. Vilma tive pelo menos o prazer de vê-la dançando pela União da Ilha e a Tradição e Neide, jamais a vi em desfile.

No inicio de tudo o casal de Mestre Sala e Porta Bandeira possuía funções diversas às atuais, contam que a origem do casal vem da influencia do par Baliza e Porta Estandarte dos antigos Ranchos e deviam: ela conduzir o estandarte e ele defender do possível ataque de grupos rivais. Hoje a luta continua... porém, com objetivos distintos algo como alcançar todas as notas dez possíveis, o casal virou quesito e decide carnaval.

O telefone toca e a música de Jair Amorim e Evaldo Gouveia ecoa: E além do mais sambista até morrer eu sou e onde a minha escola for eu vou, amor a gente perde a gente tem, amor que vem...resolvo não atender o telefone, depois eu ligo, prefiro ouvir, mais uma vez, a música que coloquei como toque do meu celular, música que colocou o nome de uma Porta Bandeira na eternidade dos clássicos da MPB: Como é que eu posso por ela trocar a emoção de ver Vilma dançar com o seu estandarte na mão...

O Conde, como tantas outras grandes canções, retrata a desilusão de um fim de relacionamento, adotando, os compositores, como pano de fundo motivos carnavalescos e o amor á escola de samba do coração que originou o triste rompimento. Regravada por varias estrelas de nossa música tem em Jair Rodrigues e Miltinho, duas grandes interpretações, algo divino, que transcende qualquer mensura. Que num futuro, oxalá, próximo, os compositores, e eu não me excluo desta missão, voltem as suas inspirações para as Porta Bandeiras, estrelas de nosso carnaval, como: Selminha Sorriso, Lucinha Nobre, Rute, Marcela, Giovanna, Verônica, Squel, Ana Paula, Rafaela, Cristiane, Gleice, Denadir e tantas outras bailarinas do samba, fieis defensoras de seus Pavilhões, lindas, cada uma com seu porte de princesa.

Acho que quem sedimentou o alicerce, do que hoje chamamos de maior espetáculo da terra, deve ser sempre enaltecido, respeitado e homenageado, assim como o Cisne da passarela que tem como cria outra grande Porta Bandeira: Daniele Nascimento. O telefonema não atendi, depois eu ligo ainda penso e volto ao mundo real, a canção chega ao seu fim, me avisando que a viagem pela melodia acabara: Bem melhor do que ela, é sair na Portela, e um samba de enredo no asfalto cantar, laia, laia, la laia, laia, laia...

16 Comentários | Clique aqui para comentar

Setor Um

Cláudio Russo | Claudio Russo | 02/10/2012 16h29

Faz tempo, muito tempo que tudo começou, lembro de um desfile sensacional dos Acadêmicos de Santa Cruz em homenagem ao Boca do Inferno... Ouvi o Engenho da Rainha cantando o nordeste: É festa na praça, colheita farta no Juazeiro... Na ausência de conforto havia raça, amor ao samba e vontade de ver a beleza. Nestes anos de dedicação ao carnaval e principalmente de realização de sonhos, já vi o desfile das escolas de samba de vários lugares: da sala de casa a frente da TV ao universo dos camarotes da Sapucaí; dos setores 11 e 13 aos mais procurados 3, 5, 7 passando pela pista com credencial; mas se alguém me perguntar onde vivi as maiores emoções, não haverá dúvida em meu coração: foi no Setor Um...

Um dia conversando com amigos em um famoso barzinho do Grajaú, Evandro Bocão me disse: Claudio sabe o Cachorro Louco? Sei sim o Peixotão! É sabe o que ele já fez no Setor Um? Não! Um determinado ano pouco antes da Portela entrar na avenida, Cachorro Louco não agüentou as brincadeiras de um companheiro da Raça Rubro-Negra e por muito pouco não o fez rolar do último degrau; mas que brincadeiras eram essas, Bocão? O amigo só falou que a Vila estava muito melhor que a Portela... É Evandro graças a deus vocês seguraram o Peixoto, e olha que para segurar aquele corpanzil de "Zangief do Street Fighter" é preciso muita força! Voltamos aos comes e bebes e o riso tomou conta do lugar.
Ah Setor Um, Foi lá que chorei ao som dos Sertões com a Em Cima da Hora... lá ouvi e vi o melhor samba de 2003, estandarte de ouro, passar muito mal na avenida... Não vi o sacode salgueirense do Explode Coração, nem o Me dê, me dá da Estácio de Sá, mas vi Os Caruanas de Nilópolis e o Chico Buarque da Mangueira...

Lembro de um determinado domingo, bem antes dos meus vinte anos, que resolvi ir a Caprichosos de Pilares assistir a final do concurso de intérpretes promovido pela escola, quando uma voz vinda de Caxias me chamou muito atenção. Lembro de um menino insistente em volta da roda de samba à espera de um instrumento vagar, e enquanto não o deixavam tocar ele não parava. Esse menino cresceu, passou a cantar e poucos sabem de sua habilidade com instrumentos de sopro e com um bom cavaco.

Em 1992 na entrega da sinopse do Arrastão de Cascadura para o carnaval do próximo ano, conheci um dos criadores do enredo Quem canta seus males espanta... Com sobrenome de alegria, exímio cavaquinista, depois um grande produtor e por fim, feliz a bessa como cantor. O grupo Fora de Série agitava as emissoras de rádio FM da cidade maravilhosa com o sucesso Bye Bye e um timbre diferente e bonito mostrava o prenuncio de uma carreira vitoriosa nas bandas de Madureira.

Em 2010 tive o prazer de trabalhar com um intérprete que se tornou parceiro e amigo, era o enredo Aquaticópolis da Renascer de Jacarepaguá e por felicidade tivemos nosso samba escolhido para representar a escola tão querida. Acho que deixei por último, nessas andanças da vida, o mais ranzinza, o mais perfeccionista e não menos talentoso alguém que já foi motorista, regente de coral e nasceu com o dom de cantar e há algum tempo posso chamar de amigo.

O Setor um é um lugar marcante, guarda histórias, momentos inesquecíveis, risos e lágrimas na memória do carnaval, é lá que as bandeiras tremulam primeiro, lá o esquenta tem mais calor. Escolher este nome é um grande começo, seis grandes intérpretes foram escolhidos ou se escolheram para uma nova caminhada, oxalá de sucesso.

Tenho certeza que o Luis Fernando, o Bruno Ribeiro que já foi Bruno Bocão, o Anderson, o Wantuir, o Leonardo e o Gilson hão de escrever mais um capítulo de engrandecimento de nossa música de raiz, samba de verdade, verdadeiro patrimônio deste povo defendido a cada carnaval por estas vozes possantes, Entra em Cena... Arrepiaaaa... Dá um show... Solta o Bicho... Tá bom a bessa... Vaiii na ginga... Muita sorte e vitória, pois, vocês merecem o Setor Um.

- Exclusivo: conheça 'Setor 1', novo grupo que reúne 6 vozes do Carnaval

Meninos, eu vi!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 18/09/2012 14h39

A imagem que se formava a minha frente parecia ter me deixado em choque, achei que não deveria estar ali ou ao menos não era este seu lugar, ou seu grupo, Cara feia, meu parceiro e irmão do Rogerinho Renascer, me cotovelou e exclamou: Claudio, o que é isso?

Continuava ali estático quando o melhor dos meus sentidos meu deu a noção do que acontecia, estava na concentração da Em Cima da Hora no carnaval de 1999 e a audição me levou ao encontro de Davi do Pandeiro: Pedras preciosas quero me enfeitar, encantar a índia com o meu olhar, só tupã sabia que eu não podia me apaixonar...

Historiadores estimam que de 3 a 4 milhões de indígenas viviam em terras tupiniquins no despertar de 1500. A força da opressão os dizimou, o etnocentrismo cultural os manteve marginalizados, o povo brasileiro os esqueceu e a Unidos da Tijuca pelas mãos de um dos mais inspirados carnavalescos, Oswaldo Jardim, os tornou arte, folia e canção, o gênio da espuma, senhor de grandes enredos, símbolo de cultura.

O Abre Alas começava a fazer o joelho na Marques de Sapucaí e a minha previsão começara a se materializar. Não, não era miragem, não era só um Abre Alas impactante, eram alas e mais alas muito bem vestidas, carros bem acabados, lindas índias, inspiração do artista... pensei em Como era verde o meu Xingu, lembrei Nesta avenida colorida... e o samba sem rima de Ovídio Bessa, Azo e Martinho da Vila: Raízes. Parecia um sonho de cores, Gonçalves Dias veio a memória: São rudos, severos, sedentos de glória, já prélios incitam, já cantam vitória, já meigos atendem a voz do cantor...

E a voz do cantor vibrava em seu melhor momento, voz única, saída da alma, valente como a melodia exigia, bravia, quase gutural. David estava ali, David como nunca havia sido. E as vozes da escola vibravam ansiando o resgate da sua bandeira, profetizei extasiado e incrédulo que nascia assim uma nova Tijuca, unida, Unidos...

Só tupã sabia que eu não podia me apaixonar... Me apaixonei pelo samba lindo, mas verdade seja dito o refrão é antológico, mágico, mágica melodia de Carlinhos, Vicente, Haroldo, Alexandre e Rono.

A escola chegou ao meio do desfile e um carro alegórico cheio de morenas bronzeadas deslizava pela pista ao som de: Me deixa com as guerreiras festejar... O cortejo em seu ápice não deixava dúvidas que estava passando a campeã, o estandarte de ouro de samba enredo do grupo A e a primeira escola a desfilar no sábado das campeãs, só não sabia eu que seria o último ano que a campeã do acesso desfilava com as primeiras do especial. Fiquei feliz, faltava pouco tempo para desfilar com a Em Cima da Hora, da até então promessa Alex de Sousa, promessa materializada pelo talento e bom gosto em realidade.

Tive a certeza em pouco mais de uma hora que acabara de assistir um desses momentos inesquecíveis, que não acontecem sempre, mais sempre ficam na memória, voltei a concentração, mais um segundo antes I-Juca Pirama voltara a dialogar comigo: Um velho Timbira, coberto de glória, guardou a memória do moço guerreiro, do velho Tupi! E à noite, nas tabas, se alguém duvidava do que ele contava, dizia prudente:- Meninos, eu vi!

Nota: Amigos estou inaugurando um canal no YouTube, quem quiser dar uma passadinha poderá ouvir alguns sambas da minha autoria e ver grandes desfiles, aos poucos vou acrescentar mais videos, alguns pequenos textos e curiosidades, grande abraço a todos.

Clique aqui e acesse o canal de Claudio Russo no Youtube, com vídeos e sambas.

13 Comentários | Clique aqui para comentar

Reencontro

Cláudio Russo | Claudio Russo | 05/09/2012 17h33

Eu aprendi a gostar de você desde muito cedo quando meus pais, entusiastas do samba verdadeiro, cantavam sambas enredo para mim, oh arte do carnaval. Eu aprendi a gostar de você no balancê, balancê que eu quero ver balançar, na liberdade que abriu as asas sobre nós e quando Dolores se foi eu também senti a dor no coração, Oh Mago das cores.

Ouvi a ausência de rimas e vi Raízes fincadas no âmago de um Brasil índio para um país que ignora a sua cultura e a criança que há em mim ainda canta comigo: Balão me de o ar e o céu pra eu brincar...

É preciso ter formação, coragem e muito talento para trazer, ao nosso dia de graça, a história de um dos mais antigos povos conhecidos, povo este marcado pelo sofrimento, a degradação, o preconceito e a deportação. Nômade por natureza, fiel aos seus princípios, cultura própria (crenças, leis, preceitos e tradições), com uma maneira sua de relacionar-se com a natureza e senhor da adivinhação: Cigano.

Quem seria mais cigano que o sambista das escolas, que a cada ano representa um personagem, ser um e ser tantos, correr o mundo da imaginação, uma vida sem fronteiras. A cada passo a poeira levanta do chão... E o sambista segue a sua marcha no desfile de sua vida. Sensações multiplicam-se: riso, choro, emoção... A fumaça embaça a visão enquanto o fogo consome a obra de arte. Era o mais lindo de tantos momentos lindos de um desfile até então perfeito, foi o mais triste dos meus carnavais até então vinte e um.

Depois deste momento, renascido das cinzas supera-se e traz o Cavaleiro da Esperança para avenida. Quem poderia imaginar a consagração de Luis Carlos Prestes, O grande comunista, dono de uma das mais significativas histórias de vida que este país conheceu. E veio outra vez a redenção, outra vez a vitória veio nos braços do povo verde e rosa: Brasil com Z é pra cabra da peste, Brasil com S é a nação do nordeste...

A Unidos de Viradouro reencontra Max Lopes e reencontra assim o melhor de sua história, a ascensão de grupo a grupo até a chegada triunfal ao especial, trabalho frutífero que mais tarde seria de grande importância, pois fundamentou sementes que germinaram no título de 1997. Acho que estes dois grandes do carnaval precisavam deste reencontro.

É hoje o dia da alegria... É hoje o encontro do artista que melhor sabe lidar com as cores e a escola que muitas e muitas vezes pintou em cores vivas nosso carnaval. Sorte, a Magia da sorte chegou... A vermelho e branco de Niterói presta um serviço a população carnavalesca. Neste cenário de aridez que marca a cena cultural do Rio de Janeiro, Amigo Max nós precisamos do seu talento, obrigado.

14 Comentários | Clique aqui para comentar

O Dragão do mar nas terras de Santa Cruz...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 22/08/2012 11h04

O mais novo de livro de Michael Moore me levava à página 60 quando resolvi dar um tempo no meu medo e me distrair, foi assim que ouvi meu filho dizer: "Pai até aqui em cima você está pensando em samba..."

É meus amigos, estava eu naquele momento a 11 mil metros do chão viajando na grandeza da história de Francisco José do Nascimento, Fortaleza ficará para trás há uma hora e meia e o canto da jandaia dos Acadêmicos de Santa Cruz me fazia acreditar que ainda podemos desfilar grandes histórias: O Dragão do Mar e a lenda do Ceará.

Quem conhece o litoral cearense não esquece as belezas de Iracema, Mucuripe, Cumbuco, Canoa Quebrada, Jericoacoara... Sabe bem que este estado tem muito para inspirar o carnaval carioca. Acho até que a luta de Chico da Matilde e o abolicionismo em seu ideal poderiam levar seis, sete ou oito setores tranquilamente para Sapucaí e falar no Dragão do Mar é trazer as luzes do carnaval a história desse homem que no Ceará é sempre lembrado como exemplo de valor, senso de justiça e honra.

Já faz tempo que grandes enredos tornaram-se exceções e para 2013 não é diferente, embora não tenhamos a presença daqueles temas alienígenas que vez por outra resolvem visitar nossa festa, o que já parece uma vitória. A verdade é que para não se tornar repetitivo, todo carnavalesco precisa se superar, pesquisar muito e ter um pouco de sorte e liberdade em suas escolhas.

A verde e branco de Santa Cruz tem todos os ingredientes para reviver seus melhores momentos e por que não fazer da determinação de Chico da Matilde um grande carnaval como foram as homenagens a Gregório de Mattos Guerra, Stanislaw Ponte Preta, Cazuza, o Exagerado, Braguinha e a História do teatro fazendo a alegria da zona oeste.

Esqueço por um segundo meus devaneios sambísticos e volto ao livro do contestador norte americano, meu filho ao lado dorme e o medo parece maior agora... Olho o relógio marcar duas horas e quarenta e cinco minutos até que uma voz me soa atenção: senhoras e senhores preparar para aterrissagem, chegamos meia hora adiantados, Rio de Janeiro com tempo nublado, apertem os cintos... Filho! Filho! Acorda dá a mão para o papai...

O petróleo é nosso!

Cláudio Russo | Claudio Russo | 06/08/2012 18h38

Assistindo um dos maiores símbolos da minha infância, como também, de grande parte daqueles nascidos na década de 1970, O Sítio do Pica Pau Amarelo, reprise em um desses canais da TV fechada, deixei que a lembrança me levasse ao mundo encantado de Monteiro Lobato, um grande samba surgiu em minha mente: Quando uma luz divinal iluminava a imaginação de um escritor genial...

Glória a este grande sonhador... Criador de personagens imortais, que divulgou em nosso país a obra de outro gênio da literatura: Hans Christian Andersen e outra melodia veio me visitar... Era uma vez... E um sorriso de criança faz a gente acreditar... Era uma vez um literato renomado, intelectual brasileiro, politizado lutando por seu país, fazendo valer seus ideais.

O ano de 1932 marcou uma nova vertente na história coroada de Bento Monteiro Lobato, sócio da companhia de petróleo nacional enfrentou políticos entreguistas, aliciados pelo capital estrangeiro. Surgi neste momento o embrião da campanha nacionalista: o Petróleo é nosso! Eliminando com a criação da Petróleo Brasileiro S.A a possibilidade de controle externo de nossas reservas.
Quando criança percebia, em minha inocência, que o maior tormento ao crescimento de nossa economia estava na inflação galopante, causada em grande parte pela dívida externa e a dependência à importação de petróleo.

Estes dois fantasmas parecem não assustar, como antes, a economia cresce não como sonhamos, porem mais do que pensávamos. A Petrobras se engrandeceu, ganhou o mundo e "retornando as suas raízes" acabou por encontrar o tesouro no fundo do mar Fluminense. Esta descoberta inicia uma grande polêmica, de quem é esse ouro negro?

Desde que as notícias chegaram a grande imprensa confirmando a reserva no pré-sal, discussões calorosas vem preenchendo o ambiente político, e os estados produtores como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo adotaram campanhas populares em virtude de seus interesses, e é por isso que me perco em alguns questionamentos: a quem devem ser pagos os royalties do petróleo? Por que após esta descoberta resolve-se mudar leis existentes e criar novas em detrimento do modelo de partilha até então sedimentado? E por fim se os royalties do petróleo devem ser redivididos para todas as unidades da federação, por que não redividir os royalties da exploração mineral em Carajás, a exploração hídrica em Itaipu e a redivisão dos dividendos provenientes do Triangulo Mineiro por exemplo.

O Salgueiro já explorou o petróleo, a Caprichosos com Mauro Quintães também, mas é a Grande Rio que tem a possibilidade de adotar uma leitura extremamente atual, política e polêmica. Quem sabe trazendo um grande samba enredo que possa reviver as suas melhores melodias da década de 90 e início dos anos 2000, a escola cresceu e vem conquistando excelentes posições, visitando constantemente o desfile das campeãs. Samba é cultura, carnaval é folia, porem mais do que isso, acho que as escolas têm o dever de conscientizar seu público.

Senhoras e senhores esse estado que por muito tempo sediou a capital da republica, ficou entregue ao descaso de seus governantes e ao esquecimento de Brasília por quase três décadas, somente recebendo agora grandes investimentos do governo federal em virtude da Copa do mundo e das Olimpíadas. Será que estamos sendo onerados? Será que a redivisão dos valores é um caminho mais democrático. De certo que o samba através dos Acadêmicos da Grande Rio tem uma grande oportunidade de trazer o petróleo, sua exploração no pré-sal, e a grande discussão que o cerca ao entendimento popular. Afinal, O petróleo é nosso! Embora Lobato jamais tenha imaginado que o poço de Visconde estivesse no mar.

3 Comentários | Clique aqui para comentar

Para tudo se acabar na quarta-feira...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 25/07/2012 17h28

Estas são algumas das pessoas mais pobres do planeta e estão gastando aqui muito mais que dois milhões de reais para tudo acabar em apenas 90 minutos...

A imagem clara e tão conhecida destes olhos cansados, um desfile de escola de samba do grupo especial, me fez parar em determinado canal da televisão fechada e tentar refletir em virtude do comentário do locutor, uma mal feita tradução do original em inglês que parecia anunciar a descrença naquela festa estranha com gente esquisita, para eles é lógico, e o gasto exacerbado de tamanha monta em um país tão miserável, que país é este?

Essa gente humilde descrita como alienada pelo comentarista estrangeiro são carpinteiros, vidraceiros, costureiras, figurinista, desenhista e artesão gente empenhada em construir a ilusão... Que tem sonhos, tradições, raízes profundas estabelecidas desde tempos remotos a partir das relações socioculturais entre negros escravizados lutando por liberdade e brancos portugueses e brasileiros, senhores de uma sociedade desigual e cruel, alem de mestiços do encontro das duas raças citadas, mais os indígenas, verdadeiros donos da terra, o que me faz lembrar o samba mais bonito da década de 90:

Pedras preciosas quero me enfeitar, encantar a índia com o meu olhar...
De certo que o maior espetáculo a céu aberto do mundo ganhou em alguns anos cifras estratosféricas, a receita da festa chega à quantia inimaginável há poucas décadas e os números só tendem a aumentar. É neste ponto que poderia surgir uma luz no fim do túnel, quem sabe algo que indicasse mudança para conciliar o engrandecimento de valores no carnaval com a manutenção do caráter de expressão cultural fiel aos seus primórdios. Calma gente não sou tão inocente, sonhador ou utópico apenas acredito que ainda temos cultura de raiz neste mosaico chamado desfile das escolas de samba.

Carnaval doce ilusão, dê-me um pouco de magia de perfume e fantasia e também de sedução... Para tocar corações anglo-saxões por séculos forjados na razão, na frieza calculada e em alguns casos insensíveis as tormentas da emoção. Estes senhores, produtores do documentário que originou este texto, mal conhecem a cultura brasileira e provavelmente estereotipam nossa cidade maravilhosa e também todo Brasil como o lugar da sacanagem e da bunda de fora, muito por culpa de nosso país que vendeu esta imagem de paraíso sexual por longos anos.

Por que você gosta de carnaval? Qual foi o momento em que você, leitor, percebeu este amor às escolas de samba e que não cabe qualquer mensura?

Qual é a sua opinião em relação aos valores elevados em nossa grande festa e a função social das escolas de samba, ou melhor, a falta desta função na maioria dos casos. E falando daquele comentário etnocêntrico que me fez refletir, Pai, perdoai-os... Eles não sabem o que fazem... Ou seremos nós... Pra tudo se acabar na quarta feira...

9 Comentários | Clique aqui para comentar

E aí, qual é o seu tempo?

Cláudio Russo | Claudio Russo | 11/07/2012 19h39

Qual é o seu tempo? Agora ou ontem, quem sabe algum momento escondido na memória ou a vida que corre ao sabor do vento. Meu tempo é hoje! Ser saudosista ou contemporâneo? Será você alguém a frente do seu tempo! Viver de passado, de uma passagem marcante e criar o futuro a partir do presente, não sei... Indagações de como você leitor lida com o tempo, como você percebe e encara as inovações que surgem na velocidade de um raio, como conjugar passado e presente em nosso carnaval? E aí qual é o seu tempo?

Eu sou do tempo do Capitão Asa, Vila Sésamo e do Ultraman; do tempo da família reunida aos domingos, buraco fechado, a benção dos mais velhos; Flávio Cavalcante e seus calouros, Chacrinha e as Chacretes, Qual é a música? Lombardi. Sou do tempo de Andrade, Adílio e Zico; da Atlântica Boavista contra o Banespa, da Fórmula 1 de Piquet muito antes de Airton, Carioquinha e Ubiratan: é cesta!

Eu sou do tempo de Roberto Ribeiro, Agepê e João: Nogueira, Trinta e Saldanha... No meu tempo brilham Viriato, Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto; Pamplona, Paulo Stein e Marcio Guedes na Rede Manchete; Adele Fátima na sardinha, Deise Nunes na União, Vilma no mar azul e branco e Rita na academia. Jamelão no gogó, Monique Independente de Padre Miguel, Pinah ê ê ê Pinah e o Império Serrano do Bum Bum Paticum Bum.

Reluzente como a luz do dia meu tempo é verde e branco, é tão atual acreditar na luta de Mitavaí contra Macobeba Maldito, e por que não rimar amor sem dor como na Festa Profana de Franco; E o samba sambou São Clemente, Enoli ficou nua e a Estação Primeira foi e voltou; eu vi Camila Pitanga à frente da bateria da Estácio de Sá, Mestre Marçal à frente da Portela e Nei Lopes concorrendo nas eliminatórias de Sou Amigo do Rei de Rosa Magalhães; Vivi no Mundo da Lua com Caxias e vi o Sonho de um Sonho de Drumond ou de Martinho? Meninos eu vi!

Não sou do tempo de Don Don, mas nossas vidas eram mais simples de viver com carrinho de rolemã e bola de gude, triângulo ou búlica? E aquela bola dente de leite que sempre caia na casa da vizinha... Samba vinha de berço e hoje se aprende em Cia de dança. Baiana tinha tabuleiro, comissão de frente velha guarda, Beija Flor Jesus Henrique, Salgueiro Louro.
Bota, bota, Botafogo nisso... Em meu tempo vejo o videogame de Marraio, ferido, sou rei... O Chico Buarque da Mangueira por Alexandre Louzada e o DNA Humano decodificado na Sapucaí. Meu tempo será?

Barroco na magia dos ciganos de Max Lopes, Simples na grandeza da Kizomba ou high tech no Chuê Chuá de Renato Lage. Eu vi Laila na Unidos, Grande Rio e o vejo em Nilópolis... Felicidade foi ouvir Rixa cantando Abram Alas... Neguinho o Meu valor me faz Brilhar... Nego, em um momento singular, Vejam esta maravilha de cenário...

Vai meu ritmo! Ouvi parada, paradinha, paradona, o funk de Jorjão consagrar a Viradouro e vi vestidos caírem, cabeças rolarem... No começo de tudo leques, sombrinhas e máscaras. Meu Tempo é hoje! Sou feliz pelo que vivo, tento entender o processo evolutivo que desenha nossa grande festa e guardo com apreço e carinho momentos inesquecíveis. E você como percebe este tempo instantâneo das coisas, onde tudo é eterno por alguns minutos, pseudo celebridades, fama, samba... Será que vale a pena ter um mar de conhecimento com a profundidade de um palmo, será? Meu amigo, Qual é o seu tempo?

17 Comentários | Clique aqui para comentar

Os coelhos da cartola de Paulo Barros

Cláudio Russo | Claudio Russo | 04/07/2012 13h03

Algumas manchetes, no noticiário de nosso SRZD-Carnaval, na semana passada chamaram-me atenção por remeterem ao mesmo personagem, neste caso o nome mais falado dos últimos carnavais na cidade maravilhosa. A divulgação do enredo para 2013 da Renascer de Jacarepaguá, e logo após o comentário do presidente Antonio Carlos Salomão: Será com a cara do Paulo Barros... Como também o tão esperado anúncio do enredo da grande campeã do carnaval de 2012, deixam em foco a importância deste profissional revolucionário não obstante trazer novos questionamentos sobre seu estilo único e o que mais poderia trazer de inovador ao reinado de momo.

O Paraíso do Tuiutí preparava-se para o desfile de 2003, um tema bem escolhido, a escola armada, Clovis Pê com gogó afiado pronto para cantar: Brasil vai me deixar sonhar... Naquele momento que antecedia o início do show, tive meu primeiro contato visual com a proposta inovadora daquele que anos mais tarde seria consagrado por mudar regras e trazer novas oportunidades a quesitos engessados pelo tempo e o marasmo criativo que em algumas épocas distintas assolam nossa grande festa. As saias se é que posso assim dizer (fantasia não é o meu forte ah, ah, ah...) dos componentes da comissão de frente giravam em torno de um eixo, o próprio componente; carros alegóricos com soluções deveras interessantes e de baixo custo, lembro-me de dois deles como se fosse hoje, o carro dos espantalhos e o das latas de tinta, pura criatividade a serviço da escola de samba de São Cristovão em seu retrato a Portinari.

Depois desse grande desfile no grupo de acesso A, todos sabemos da chegada avassaladora de Paulo Barros a Azul e Amarelo do Borel, Unidos da Tijuca, e a sequencia de apresentações fantásticas, o carro do DNA por exemplo viajou o mundo. Meteoricamente seu nome foi içado ao patamar mais elevado da arte carnavalesca, um grande artista de estilo contemporâneo em meio a um universo tão tradicional, ficava claro que o título de campeão do carnaval seria questão de tempo, e foi... Justamente na escola que lhe deu projeção, parece que o casamento da Tijuca com Paulo é algo assim mágico, parafraseando o poetinha: Que seja eterno enquanto dure...

Chegamos ao X da questão, há um ano discutia-se como seria o rei do baião de Paulo Barros, alguns afirmavam categoricamente que não daria liga, algo como misturar a água e o óleo, a maioria via com desconfiança, eu tinha certeza que, mesmo não sendo um enredo com as características até então apresentadas por Paulo, o talento e a sensibilidade do artista fariam a diferença e fizeram: Bicampeão. E agora José... O que dirão os profetas do apocalipse no carnaval carioca, o que esperam os corneteiros de plantão em relação aos enredos para 2013 das duas escolas supracitadas, o Rio da Renascer que parece ser algo no ponto para PB brincar e desfilar suas loucuras sensatas ou seriam sensatas loucuras, e a Alemanha Tijucana, verdadeiro ponto de interrogação... O que será? Vamos esperar na certeza de que a cartola deste gênio ainda tenha muitos coelhos para serem libertos ao deleite dos foliões que antes, bem antes, das notas fazerem justiça, já haviam o consagrado.

Leia também:

- A importância de um enredo como o da Renascer de Jacarepaguá 2013

20 Comentários | Clique aqui para comentar

O Mestre voltou...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 20/06/2012 19h39

O Ano de 1997 marcou o início de uma grande inovação no carnaval das grandes escolas e revolucionou a cadência do quesito bateria, os ouvidos mais aguçados devem auxiliar a lembrança da peculiaridade inserida na faixa dos Acadêmicos de Santa Cruz no CD do grupo especial. O samba enredo Não se Vive Sem Bandeira grava a primeira vez que foi feita a bossa ou a paradinha na cabeça do samba, uma conversa intima entre os naipes da bateria, algo que naquela época ecoou desafio, talento e inovação o que pode ser resumido em um nome: Odilon Costa, ou melhor, Mestre Odilon.

A Manchete do SRZD-Carnaval no início do mês junho trouxe uma vitória a ser comemorada por todos os amantes do samba verdadeiro, cadenciado, samba sem correria... O povo sambista aguardava a hora de ver divulgada a grande notícia: Agora é Oficial - Mestre Odilon é da União da Ilha. O bom filho à casa torna e o mestre voltou...

Conheci Odilon nas eliminatórias de samba enredo para o carnaval de 2001 da Grande Rio. Gentileza, O Profeta saído do fogo... Marcou minha chegada à querida escola de Duque de Caxias e a felicidade de ouvir aquele povo aguerrido defendendo o samba a plenos pulmões. A cada dia de ensaio técnico eu sentia a ansiedade de escutar a cadência perfeita, a afinação grave, as bossas maravilhosas, ora no refrão do meio, ora na cabeça do samba, foi um ano sem igual, de muitas conquistas e realizações, experiência adquirida ao conhecer pessoas que sempre admiramos.

Certa vez conversando com Maurão amigo e mestre dos Acadêmicos da Rocinha fiquei sabendo da influência marcante, auxilio luxuoso e a participação do grande ídolo insulano no nascituro do Monobloco, grupo de sucesso que aliou a batida do samba aos outros ritmos nacionais e grande hits da Música Popular Brasileira, Odilon estendia assim a sua área de atuação, o multidisciplina diretor, autodidata por excelência, abraçou as letras e escreveu os por menores das baterias das escolas de samba, cada levada, tudo é ritmo, demonstrando a identidade de tantas agremiações, o livro Batuque Carioca em parceria com o baterista Guilherme Gonçalves é único em propósito e técnica.

Odilon a sua influência indiscutivelmente desperta nos mais jovens a vontade de inovar e buscar o inusitado, algo como foi feito no ano de 2002 na Grande Rio quando preparou uma bossa no contratempo para o refrão do meio do samba, coisa de gênio, um show a parte. Os desfiles não são completos quando pessoas do seu quilate estão de fora. Tenho certeza que esta "união" é das mais acertadas que a diretoria da Ilha tomou para o carnaval de 2013, Oxalá para sempre... Reunir a juventude e o talento de Riquinho com a Experiência e o virtuosismo de Odilon. Valeu Mestre, obrigado por sua volta e, por favor, continue nos impressionando com a sua sabedoria musical.

13 Comentários | Clique aqui para comentar

Então Leva... Então Fica...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 05/06/2012 17h45

E o retrato daquela mulata que o Lan desenhou... Acabara de tocar no rádio de meu carro e não sairia mais da memória, era a primeira audição de CD "Uma prova de amor", do grande ídolo Zeca Pagodinho, e assim foram mais duas ou três vezes que Então Leva tocou e me tocou tanto que me pus a questionar como as coisas parecem ficar mais difíceis quando a mão do imponderável resolve nos levar um poeta, em lágrimas decidi cantar: Leva a sua grandeza que me fez feliz...

Então fica... O samba de roda estava quente naquela tarde de sábado na casa de Dona Nenêm, senhora do eterno compositor portelense Manaceia, o cardápio era frango com quiabo regado a muita cerveja e vários petiscos, mas por algum compromisso que a memória agora não me auxilia a lembrança eu precisava ir embora, comecei a me despedir de todos quando o amigo Ademir, genro da anfitriã, me chamou a atenção: Vai embora logo agora, você nem ouviu o Luis Carlos cantar... Então fiquei e como fã idolatrei aquele momento de beleza imaculada, exercício de humildade e entonação do verdadeiro samba por parte deste gênio que desde sempre aprendi admirar.

Certa vez ouvi Luis Carlos da Vila afirmar que o seu processo de composição, em alguns aspectos, era bastante diferente do que ocorria com outros compositores, principalmente no que tange a frequência e velocidade para compor, dizia ele que no seu caso as coisas eram bastante lentas e necessitava de muita parcimônia com a inspiração. Passei a ouvir muito mais a sua obra de sucessos.

Por te amar eu pintei um azul do céu se admirar... A música e o amor por vezes vão alem da razão, e de certo o amor ao samba e a sua negritude levou este carioca de Ramos, que passou grande parte da vida na Vila da Penha, juntamente com Rodolpho de Souza e Jonas, a compor o samba enredo mais bonito dos últimos vinte e cinco anos. Valeu Luiz e o grito forte dos Palmares que correu terras, céus e mares chegava a consagração, zumbi valeu.

O sonho não acabou... Bate outra vez mais um samba no meu coração... E o radio do carro agora toca unidos do Cabuçu -1984, Beth Carvalho, a enamorada do samba. Neste desfile, interminável, de nuances melódicas fica até bonito negar o coração e cantar: Chega pra lá novo amor vai procurar novo abrigo, meu coração se cansou e quer fugir do perigo...

É imprescindível que neste momento de reflexão eu peça ao grande arquiteto do universo, mediante a única certeza que há na vida, que nos deixe com a eternidade da melodia e a imortalidade do talento deste autor singular, único em cada uma das tantas canções. Então Leva tudo àquilo que demais se mostre aos nossos ouvidos carentes do Princípio do Infinito, pois então fica para todo e sempre a partir deste Dia de Graça tudo que há na Luz do Vencedor, afinal a Show tem que continuar... Atenciosamente deste compositor em processo de evolução. Cabô, Meu Pai...

10 Comentários | Clique aqui para comentar

Madureira...

Cláudio Russo | Claudio Russo | 24/05/2012 18h53

Foto: reproduçãoFaz algum tempo que venho me esforçando para escrever algumas linhas sobre o tema que agora me apego, acho que muito pela proximidade do objeto analisado, muito mesmo por fazer relação à escola que por tanto tempo me serviu de morada. Caros amigos foram dez anos frequentando assiduamente este bairro boêmio que respira samba e carnaval, dez anos de muitas amizades, grandes experiências, seis finais de samba e graças ao bom Deus dois sambas ganhos.

Lá conheci alguns das grandes personalidades que tenho por referência como compositor: David Correia, Neném, Mauro Silva, Wilson Cruz, Wanderley, Ari do Cavaco, Jair do Cavaquinho, Agepê, Norival Reis, Zé Luiz, Café, Noca e Dedé da Portela, Gelson... Se eu for falar da Portela hoje eu não vou terminar... Mas devido à responsabilidade e os mistérios do samba que só o coração sabe ouvir, venho contrariar a linda canção de Arlindo e Mauro, no meu caso difícil é saber começar: Madureira...

Portela querida só você para brindar o carnaval com enredo tão particular e tão universal, só você para decantar tantas vezes e tão bem as suas raízes, só você...
A Águia altaneira de Madureira que neste ano de 2012 nos brindou com uma pérola em forma de samba enredo tem tudo para exigir de sua ala de compositores o máximo e repetir mais um samba digno da excelente galeria portelense.

Percebe-se também o amadurecimento da escola com a manutenção da mesma equipe para 2013. Outro ponto a ser destacado é a sinergia do amigo e grande artista Paulo Meneses com a essência da Portela, casamento perfeito, oxalá duradouro, ficamos a espera da Madureira de Paulo.

Como vai ser bonito ver o desfile deste bairro e suas tradições, a história do samba, os grandes baluartes e presenciar o encontro do verde e branco do Império Serrano de Silas de Oliveira, Mano Décio e Dona Ivone com o manto azul e branco da Portela de Paulo Benjamim de Oliveira, Candeia e Clara Nunes. E a velha guarda portelense que merece um capítulo a parte representa o que há de mais imaculado para nós, o povo sambista, no carnaval.

A majestade do samba, que vê ano após ano sua enorme torcida crescer, daria um presente a todos os portelenses ao conjugar um grande desfile e a consagração do bairro onde fincou sua bandeira na apoteose do sambista: o tão esperado campeonato. Madureira pode e merece receber esta homenagem, afinal este lugar que é caminho de Ogum e Yansã e fica bem perto de Oswaldo Cruz, Cascadura e Irajá, é lugar da maior campeã do carnaval carioca: Madureira...

13 Comentários | Clique aqui para comentar

Cavalo de Batalha

Cláudio Russo | Claudio Russo | 10/05/2012 19h38

Assistindo ao bonito filme do premiado diretor Steven Spielberg, Cavalo de Guerra, lembrei uma passagem, guardada na poeira da memória e tão oportuna neste momento, a afirmação forte e clara da visão do francês Ephrem Houël: "Cercado pelos elementos que conspiram para sua ruína e por animais cuja velocidade e força superam as suas, o homem teria sido um escravo sobre a terra. O cavalo fez dele um rei".

E comecei a divagar sobre as oportunidades de desenvolvimento, caminhos a serem trilhados, origens, histórias, lendas e mistérios, a introdução em nosso país e a criação de uma raça puro sangue tupiniquim. Continuo a minha viagem nestes poucos dias que antecedem, talvez, a primeira das sinopses do grupo especial a pipocarem na grande midia, como se estivesse cortando as nuvens em um cavalo alado e fico a me perguntar qual será? Isso mesmo, qual será o cavalo de batalha da Beija-Flor?

Sutilmente podemos perceber a felicidade na escolha do Amigo Fiel, título simples, porém cercado de grande significado, concisso e porque não uma luz em direção a mudança em relação ao padrão de temas quilométricos utilizados como modismo no carnaval. Posso dizer que pelo menos para o compositor, títulos como: A Viagem de Dona Maria das Couves - do país das maravilhas ao reino do faz de conta - tudo acaba em samba até a quarta feira... não somam muita coisa, ou não somam nada.

No grande prêmio dos enredos, enquanto alguns críticos torcem o nariz para a escolha da Deusa da Passarela, tenho pensamento contrário, vejo que a partir de um grande desenvolvimento, este enredo pode ser um achado, alem de possibilitar o surgimento de muitos sambas de qualidade, como é de praxe pelas bandas de Nilópolis.

Fico por aqui a espera do dia 15 de maio próximo, na esperança de um texto arrebatador como um xeque mate de cavalo, com o famoso salto em L.

Nota: No periodo logo após este carnaval li em algumas matérias a entrevista de Laila informando a sua renovação com a Beija Flor para 2013, como tambem que o grande mestre havia pensado em parar definitivamente com o seu trabalho. Percebo que o carnaval, quanto arte, encontra-se em um recesso muito grande de talentos, e por isso parabenizo ao Luiz Fernando do Carmo pela sábia renovação. O carnaval não pode se dar ao luxo de ficar sem a sua sabedoria e sua experiência Laila!

28 Comentários | Clique aqui para comentar

A União mudou...

Claudio Russo | Claudio Russo | 27/04/2012 16h30

Em nosso último texto comentamos o fato de que verdades absolutas no carnaval podem ser desmitificadas e porque não contrariadas... Citamos o exemplo da São Clemente e o seu processo de evolução e sinto por bem a necessidade de comentar a grande fase que vive outra escola que veio negar a máxima: aquela que sobe é invariavelmente aquela que vai descer, União da Ilha do Governador, é a União mudou.

A escola da alegria, que sempre se saiu muito bem, leve e solta, amargurou momentos tristes nos eternos anos de visita ao grupo A e parece ter percebido, através de uma administração muito organizada, a  obrigatoriedade de agregar valores aos seus quadros para que o passado não se repita.

A escolha do poetinha Vinicius de Moraes soa com extremo bom gosto nesta política de mudanças adotadas pela diretoria da escola, apesar de não ser um enredo inédito podemos perceber varias possibilidades de desenvolvimento e caminhos a serem seguidos pela querida tricolor. Confesso que me tornei fã do talento do carnavalesco Alex de Sousa e o vejo em um processo criativo de amadurecimento e engrandecimento de sua carreira.

Será o Vinicius da União e de Alex? Aquele homem a frente do seu tempo, um multimídia muito antes deste termo ser utilizado pela grande imprensa, aquele que além de poeta foi compositor, cantor, escritor, embaixador, cronista diário, crítico de cinema, Bacharel em Letras e Direito; Ou quem sabe teremos um desfile norteado pela poesia de Vinicius e assim a transformação de frases como: De tudo, ao meu amor serei atento antes... Ou De repente do riso fez-se o pranto silencioso e branco como a bruma...Quiça ouvir: em seu louvor hei de espalhar meu canto, e rir meu riso e derramar meu pranto em um grande samba enredo cantado pela voz tão marcante de Ito Melodia e acompanhado pela cadência da bateria de mestre Riquinho, mais alguns trunfos da escola.

Por outro lado antes da sinopse ser divulgada porque não sonharmos com a consagração da União da Ilha através desse Boêmio, bon vivant, um dos pais da Bossa Nova, ao lado de João Gilberto e Tom Jobim, e compositor de algumas das mais lindas letras da Música Popular Brasileira, numa viagem pelo Rio antigo, seus tipos e sua tradições, perdoe-me pela licença poética, uma grande Arca de Noé...

Para viver um grande amor a escola resolveu mudar seus rumos e esta modificação deve passar pelo desafio de fazer um samba poético sem alterar suas características, tão próprias, tão insulanas. Alguns mais tradicionalistas podem dizer que a escola, de certa forma, macula princípios e alicerces que a fizeram União da Ilha do Governador. Da minha parte acho que a escola atualmente joga o bom jogo, entende bem o regulamento mesmo que para isso tenha que desagradar alguns setores mais conservadores.

O carnaval de 2013 promete muito pelas escolhas dos enredos, até agora anunciados, e a Ilha é uma das minhas apostas para que a festa seja cada vez mais bonita e disputada. Que seja infinito enquanto dure este momento. Ah a União mudou... Oxalá sem perder a ternura, a União mudou...

18 Comentários | Clique aqui para comentar

Horário Nobre

Cláudio Russo | Claudio Russo | 11/04/2012 10h08

Foto: Reprodução de InternetHá algum tempo o carnaval, ou melhor, o concurso das escolas de samba vem criando as suas verdades absolutas, sólidas, imutáveis, quase que intransponíveis, mas graças ao bom Deus algumas poucas escolas tentam contrariar tais verdades, quem sabe influenciadas pela máxima do Mestre Nelson Rodrigues de que toda unanimidade é burra.

Em questão temos o embaraçoso e talvez sem solução problema da queda de toda aquela que recém chega ao grupo especial, no meu entendimento imbróglio criado quando, como autodefesa, foi decidido o descenso de apenas uma agremiação.

Entre as escolas que nos últimos anos contrariaram a "lógica carnavalesca" temos a São Clemente como um bom exemplo da combinação de três fatores importantíssimos: organização, talento e um golpe do destino. O acaso de ter subido em um ano marcado pela tragédia do incêndio na cidade do samba e o eventual desfile sem queda; a organização de sua diretoria que transformou pouco a pouco a escola em uma agremiação moderna e competitiva e o talento de sua equipe (algumas das grandes revelações da atualidade são integrantes da escola da zona sul).

A televisão brasileira construiu com o passar do tempo um estilo único e marcante, criando produtos que alcançam telespectadores por uma infinidade de países, dentre estes produtos temos a telenovela como o principal, o carro chefe de público e patrocinadores, o que levou a criação da expressão: Horário Nobre.

Hoje podemos dizer que poucos são os eventos que conseguem "mexer", alterar, modificar este horário cobiçado: coberturas esportivas, horário político e o desfile das grandes escolas são raras exceções no universo televisivo.

E o carnaval, campeão de audiência, programa obrigatório na vida de tantas famílias pelos rincões mais distantes deste Brasil, numa jogada de inteligência e criatividade, receberá em seu horário nobre os personagens e as histórias da teledramaturgia que mais marcaram o povo Brasileiro. Palmas a São Clemente que entendeu que a continuação de seu processo de engrandecimento passa pela escolha de um grande enredo. Neste caso mais um achado de seu jovem e talentoso carnavalesco, pelo que parece uma continuação em sua trajetória pelas artes cênicas que provavelmente há de conjugar: bom gosto, leveza e humor. A escola da zona sul que por muito tempo se concentrou na irreverência de seus sambas e enredos, mas por alguma razão viu interrompido este processo, reencontra afinal um caminho de sucesso, menos irreverente do que já fora um dia, porém mais organizada e coerente como jamais foi visto pelas bandas da querida escola do preto e amarelo. Em 2013 parte para um voo mais ousado colhendo frutos por ter feito um grande carnaval em 2012, mesmo que os jurados não tenham assim entendido, aguardamos o próximo capítulo.

20 Comentários | Clique aqui para comentar