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Cláudio Francioni

Cláudio Francioni

MÚSICA. Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

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25/08/2015 17h19

E se o Rock in Rio fosse seu?
Cláudio Francioni

O desafio foi lançado pelo colaborador Leonardo Jorge e aceitei de pronto. Se você pudesse escalar o Rock in Rio, quem você traria? Montei três noites, assim como Leonardo. Pedro de Freitas escolheu apenas uma noite, com palco principal e secundário. Confiram:

Leonardo Jorge

Sem a obrigatoriedade de agradar a ninguém a não ser a mim mesmo, resolvi despir-me de preocupações e expor toda a minha devoção e parcialidade. E já que é para soltar a imaginação, que seja então de maneira megalomaníaca, sem pensar em quem vai ser headliner ou abrir o evento. Aqui são todos Palco Mundo, em igualdade de condições. O lance é ser feliz!

Abrindo a festa, daria uma chance para Humberto Gessinger o direito de resposta através da música. A participação dos Engenheiros do Hawaii foi bastante criticada (injustamente) no Rock In Rio II e agora, mesmo solo, ele poderia provar que todos estavam errados. Considero-o um dos melhores compositores de sua geração, ao lado de Cazuza e Renato Russo. Mas é incrível como jamais teve o mesmo respeito ou reconhecimento que os demais. Ficaria muito feliz em entoar os clássicos e as canções não tão conhecidas (porém ótimas) do grande público. Em seguida, teríamos Slash. A parceria com Myles Kennedy and The Conspirators funcionou perfeitamente e os discos que ele tem lançado desde 2010 são excelentes, com pouquíssimos erros. Guardadas as devidas proporções, ouvir as músicas desta nova fase do guitarrista de cartola me deixa tão empolgado quanto nos áureos anos de Guns N’ Roses. Mas isso não o isentaria de tocar algumas de sua antiga e mais célebre banda. Seguindo em frente, seria a vez do Aerosmith subir ao palco. Este é um dos maiores grupos de todos os tempos e assistir Steven Tyler cantando é um privilégio que deve ser aproveitado até o fim dos tempos ou de sua voz, o que vier primeiro. Porque, aos 67 anos, ele ainda tem mais voz e disposição que muito cantor de 30. O repertório de hits da banda dá para um sem fim de horas de show que agradaria a gregos e troianos. Por fim, caberia à "banda mais quente do mundo" dar cabo desta noite gloriosa: O KISS está quase pendurando as máscaras e seria muito injusto com Paul Stanley, Gene Simmons Tommy Thayer e Eric Singer se eles não tivessem a oportunidade de escrever seus nomes na história do festival. Os discos recentes são bem mais ou menos. O fôlego, aparentemente, idem. Mas o legado de mais de 40 anos de rock ‘n roll os credenciam para, com muitos efeitos pirotécnicos, por um ponto final no primeiro dia.

Foto: Divulgação

Minha noite pop (porque eu também curto pop) traz em sua essência um aroma bem retrô. Mesmo que hoje não tenham a mesma visibilidade de outras bandas contemporâneas (como o Paralamas, por exemplo), O Biquíni Cavadão têm a capacidade de melhorar o astral. Mas, para subir ao meu palco, precisariam tocar de cabo a rabo meu álbum favorito: "Escuta Aqui", de 2000. Obviamente, não poderia impedi-los jamais de executar Tédio, Timidez, Impossível (linda), Zé Ninguém, Vento Ventania e seus outros sucessos. Depois, sobe o duo sueco Roxette. Ouvi muito quando era moleque, naquele "discreto" walkman amarelo da Sony, no caminho da escola. E aí, a nostalgia bate forte no peito quando ouço aquelas músicas até hoje. Certamente, verteria algumas breves lágrimas de alegria pelos bons tempos que não voltam mais. Chega então a vez do Duran Duran ganhar o Palco Mundo. Esta é uma banda que conhecia apenas de nome quando estavam em seu momento mais notório (trocadilho esperto!), mas só passei a admirar e respeitar o trabalho deles anos depois. Hoje, não têm mais nada a provar. Mas apesar de todo o êxito, acho que fama de "galãs" foi injusta com os rapazes de Birmingham. Seu pop/alternativo/synth/indie versátil e ímpar foi mais ofuscado do que deveria pelos rostinhos bonitos (é o que diziam) e roupinhas estilosas. Mas a prova de que a música boa sempre vence é que eles ainda estão na ativa e bem. Na sequência, viria o U2 e aqui serei econômico porque não há muito a se dizer. Seu currículo, incontestável, fala por si só e a segunda noite do meu sonho maluco (outro trocadilho malandro, já que estamos respirando anos 80) terminaria de forma histórica.

O terceiro dia voltaria à pegada Rock, mas aqui só com bandas/projetos que tive a oportunidade de conhecer mais recentemente. Exceção feita apenas à banda de abertura: Ultraje a Rigor. Apesar de serem constantemente lembrados pelas letras bem-humoradas, o que me atraía mais neles era a sonoridade, que passeava entre o som pesado e o rock mais clássico. Sempre foram uma referência para mim e sua escalação seria uma forma de homenageá-los. Seguindo o jogo, traria o primeiro de dois supergrupos da noite: Chickenfoot. Sempre que os ouço, penso em como o Van Halen teria sido ainda mais foda, se Eddie Van Halen não tivesse seus ataques de loucura. Digo isso porque a banda é capitaneada por Sammy Hagar, outro Highlander do rock, que não perde a pose (e nem o vozeirão) mesmo aos 67 anos (mesma idade de Steven Tyler!). Ao seu lado, Mike Anthony (ex-baixista do VH, ótimo), Joe Satriani, que cumpre seu papel de guitarrista de banda, sem deixar que seus riffs entrem no caminho, e Will Ferrell Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers, competente como de costume. De todos os sonhos, este talvez fosse o mais difícil de concretizar, pois, depois de dois ótimos discos, o projeto entrou em um "hiato indefinido" devido a conflitos de agenda. Já o outro supergrupo está ativo e bem, muito obrigado! The Winery Dogs é um powertrio (e põe "power" nisso) composto por Mike Portnoy (Ex-Dream Theater e Liquid Tension Experiment), Billy Sheehan (baixista do Mr. Big) e Richie Kotzen (guitarrista do Mr. Big e Poison). Ouvi o primeiro disco de maneira um tanto receosa, já que o nome do baterista me remete a linhas super-rápidas, num extremo que não me agrada. Mas aqui ele agradou, justamente por não há essa necessidade de sobressair. O primeiro disco é uma porrada com todos executando tudo à perfeição, mas sem exageros, com uma toada quase pop, com refrães marcantes, mas sem perder jamais o peso do Hard/Heavy. Grande adição ao meu festival. E para fechar os trabalhos, a banda que mais ouvi nesse ano de 2015: Muse! Fui devidamente apresentado ao trio britânico pelo Cláudio Francioni, titular deste blog, e espero poder retribuir ainda em vida. É quase que mágica a maneira que eles mesclam todos os elementos de alternativo, progressivo e hard, sendo agradável aos ouvidos e ao espírito, ora soando quase como uma banda dos anos 80, ora como uma coisa totalmente nova e incrível. Uma pena que não os tenha descoberto à época de sua passagem pelo Rock In Rio de 2013. Mas teria meu momento de redenção, colocando-os como o MainEvent, o CrèmedelaCrème desta noite.

Tantas outras bandas gostaria de ver e rever no Rock In Rio, mas tão pouco tempo e espaço para fazê-lo! Melhor parar por aqui, porque quando o sonho é muito bom, acordar e voltar para a realidade é mais difícil. Mas, como diria Steven Tyler, " dreamonanddreamuntilyourdreamcomestrue!".

 

Pedro de Freitas

Após me debruçar sobre as atrações do próximo Rock in Rio, sou chamado a divagar sobre a escalação ideal em uma noite de festival. O que eu gostaria de ouvir e ver, que transformasse uma noite no Rock in Rio na noite dos sonhos?

Refletindo e considerando o cenário atual, concluí que é muito mais fácil responder essa pergunta pensando primeiro em atrações para um palco secundário e depois para o palco principal do festival. Explico.

Apesar de apreciar todo o tipo de gênero musical, ainda me considero um roqueiro. Na última década temos visto a gradual transformação do Rock and Roll de gênero musical dominante em música de nicho, para aficcionados. Essa minha posição pode ser polêmica, e não tenho como aprofundá-la aqui, mas hoje em dia os nomes que chamam grandes audiências no cenário internacional ou estão ligadas ao R&B e rap, ou são músicos-celebridades que sacrificam a qualidade musical em prol do espetáculo, ou artistas que estão por aí há décadas. Cada vez é mais raro assistir a uma banda de rock criada recentemente chegar ao mega estrelato. E para ocupar o palco principal de um festival como o Rock in Rio, presume-se que esta atração tenha alcançado o status de grande estrela. Daí a dificuldade maior em montar um palco principal "dos sonhos", fugindo dos estereótipos que citei .

Então vou fazer o seguinte: vou montar um palco principal, com atrações consagradas e de grande público, que sofre das limitações referidas acima, e um palco secundário, Sunset, com atrações que podem não desfrutar o mesmo espaço de mídia, mas podem ser até melhores que as principais.

Neste palco secundário, eu colocaria as seguintes atrações: Wilco, uma banda que mistura rock alternativo com country e rock de raiz, e que há pouco mais de uma década deu as costas a um estrelato iminente para fazer o som que eles realmente queriam (e que é excepcional); Fleet Foxes, banda com apenas dois CDs lançados que mistura um som folk com vocalizações a la Beach Boys, com um resultado deslumbrante; a inquieta P J Harvey,que evoluiu de um som quase punk dos primeiros discos, para trabalhos mais ecléticos e elaborados, culminando com o álbum maravilhoso "Let England Shake", de 2011, que periga estar presente em todas as listas de melhores discos da década; e para fechar, Ben Harper, com seu incansável trabalho de resgate do Rock e Blues de raiz.

Foto: Divulgação

Meu palco principal teria Bjork, a cantora e compositora islandesa, cujo trabalho sempre mutante parece ter saído de um canto do paraíso; o Nine Inch Nails, quase um oposto de Bjork, com seu som barulhento e sombrio, mas que atenuou a agressividade original com incursões recentes pela música eletrônica; O Radiohead, uma das poucas bandas relativamente recentes a alcançar o mega estrelato, que possui uma discografia impecável e sem pontos fracos; e encerrando a noite, o homem que para mim é a personificação de todo o espírito Rock and Roll, e que consegue a incrível façanha de permanecer atual há décadas sem ceder um milímetro na integridade do seu som: Neil Young, devidamente acompanhado de sua fiel banda Crazy Horse.

Acho que com uma escalação dessas, dormiria feliz.

 

Cláudio Francioni

Sem nenhuma preocupação com headliner ou com gêneros, meu único critério foi: dos artistas que não vi ao vivo, quem eu gostaria que viesse a um Rock in Rio? O resultado foi uma mescla de medalhões que jamais estiveram por aqui com outros que vieram, porém desperdicei a oportunidade de vê-los. Todos ainda na ativa, alguns ainda produzem coisas boas, outros vivem de seu passado.

Vamos aos dias.

Das bandas nacionais que chegaram ao topo, a única que jamais tive oportunidade de ver ao vivo é o Ultraje a Rigor. Coincidentemente, uma das poucas que não se apresentaram sozinhas no palco do Festival. Hora de corrigir isto? A noite seguiria com a energia do punk de boutique do Green Day. A atração seguinte seria de lavar minh’alma. O Van Halen, que voltou a se apresentar pela milionésima vez este ano, esteve aqui na turnê de lançamento do LP Diver Down, em 1983 (há um registro do show de São Paulo na íntegra no Youtube), e nunca mais. Com o vocalista Sammy Hagar, minha fase preferida, nem sombra deles por aqui. Não tem Sammy, não tem Michael Anthony, mas é Van Halen, então venham! Pra fechar a noite, o icônico, o amado, o mais do que esperado AC/DC com seu rock’n’roll puro e natural, como um fruto tirado do pé e consumido na hora. Me intrometendo uma única vez no Sunset, gostaria de ver o The Cult, reminiscência de minha puberdade, com uma pé no punk rock e outro no gótico característico da época.

Foto: DivulgaçãoNão encontrei outro brasileiro que eu ainda não tivesse visto para abrir a segunda noite, portanto vamos de Level 42, pop da melhor qualidade com a cereja do bolo, o mega-ultra-hiper-baixista Mark King. Em seguida, gostaria que Mark Knopfler pudesse me proporcionar uma noite recheada das pérolas e dos lados B de sua ex-banda, o Dire Straits. Em seguida, outro que me deve há anos: o senhor Phil Collins. Sua última turnê ocorreu em 2010 e de lá pra cá rolam boatos de problemas ligados à sua audição. Verdade ou não, tio Phil só tem se apresentado em ocasiões especiais nos últimos anos. Pra fechar a noite, Bruno Mars. O havaiano é o grande nome da música pop do mundo atual e já está mais do que na hora de reaparecer por aqui.

Na última noite, gostaria de curar algumas dores de corno por não ter ido a três shows que eu não deveria ter perdido de forma alguma. O primeiro é o Echo and the Bunnymen, outra forte lembrança de minha adolescência que em 1987 fez um aclamadíssimo show no Canecão. Onde eu estava? Não sei. O segundo é um arrependimento recente. Ver o Coldplay pela TV em 2011 doeu. Eu não era fã. Sentado no sofá da sala, dei de cara com um lindo show, com um frontman que impressiona pela entrega no palco e um coro de arrepiar no final de Viva La Vida. Misturando emoção com arrependimento, chorei vendo Chris Martin "pichando" a lateral do palco com um coração e a palavra Rio em meio a uma chuva de folhas coloridas ao som de In My Place. Mas tudo certo. Ano que vem eles estarão por aqui novamente. Antes de fechar com U2, outra banda que deixei de ver sabe-se lá o motivo, eu escalaria o The Strokes, impulsionados pela curiosidade que carrego em ver no palco uma banda com momentos tão distintos, com o rock cru e direto dos primeiros trabalhos e o flerte com o technopop do último álbum, Comedown Machine.

Mas como o Rock in Rio não é meu, me restam as palavras do grande filósofo russo, "ou aguarda, ou espera".


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21/08/2015 17h04

Rock in Rio. O que ver na segunda semana?
Cláudio Francioni

Chegamos à segunda semana. Vamos aos palpites de Ivan Souza, Leonardo Jorge, Pedro de Freitas e deste que vos escreve.

Ivan Souza

Três dias de descanso são mais que suficientes. Vamos a segunda semana do Rock in Rio.

O dia 24 é interessante. O CPM22 recebe uma oportunidade de ressurgimento justíssima. Não é minha banda ou estilo preferido, mas batalham há muito tempo e estamos precisando de bandas de rock, mesmo que seja o CPM22. O System of a Down não costuma repetir ao vivo toda a massa sonora interessantíssima que produz em estúdio, torçamos para que acertem a mão dessa vez. Teremos também o Queens of the Stone Age, banda que quase todo músico alternativo adora citar como influência e o Hollywood Vampires, projeto de Alice Cooper, Joe Perry (Aerosmith) e Johnny Depp O palco Sunset se mostra quase tão atraente quanto o palco Mundo. Deftones, Lamb of God, Hallestorm e Project 46 e John Wayne.

Foto: Divulgação

Mais peso no dia 25 quando o Slipknot sobe ao palco. Chamam bastante atenção o De la Tierra e o Mastodon. São o tipo de atração que o festival precisa. Queremos novidades, mas o Faith no More é o tipo de banda que não nos cansamos. Bola dentro do festival no Palco Mundo. O Sunset também não deixa barato. Steve Vai e Camerata Florianópolis, Nightwish e Tony Kakko, Moonspell e Derrick Green e Clássicos do Terror. Vale a pena passar na Rockstreet.

Dia 26 é tudo pop, mas nada temam! Rihanna, Sam Smith e Sheppard serão varridos solenemente pelo nosso rei do pop, Lulu Santos. Esse show promete! O Palco Sunset traz ainda Sergio Mendes e Carlinhos Brown, a ótima cantora beninense Angelique Kidjo, Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor e os Brothers of Brazil (mais uma tentativa dos irmãos Suplicy) com a participação de Glen Matlock. Na Rock Street George Israel e Rodrigo Santos reciclando e reutilizando o que foi produzido de rock nos anos 80 e o muito questionável Autoramas, que tem inexplicável carreira independente bem sucedida.

Fechando o festival, dia 27, uma chance muito bem dada ao Cidade Negra. A banda carioca merece esse destaque após alguns anos escondida da grande mídia. A-Ha será nostalgia pura, bom pra quem gosta de pop synth. Antes dos noruegueses subirem ao palco, veremos a sueca Robyn, muito bem linkada com os nórdicos fazendo um competente europop. O Palco Mundo é encerrado com a previsível e dispensável Katy Perry. O Sunset parece mais interessante com um dos shows que mais promete: Suricato e Raul Midón. Completam o palco o mago da voz Al Jarreau e Aurea com participação de Boss AC. A Rock Street tem Maria Luiza, Marcos Valle e Bossacucanova.

Esperava melhores atrações nesta edição do Rock in Rio. Não está ruim, mas está longe do esperado. Que os próximos possam nos brindar com mais novidades.

 

Leonardo Jorge

Entre atrações imperdíveis, esquecíveis e incompreensíveis, as resenhas anteriores nos mostraram que o balanço do primeiro fim de semana ainda é bastante positivo. Mas o que nos aguarda nesses últimos quatro dias de evento? Vamos a eles: 

Temo pela integridade física do CPM22, que abre o Palco Mundo no dia 24. Não por considerá-los ruins, mas acho que seu hardcore é um tanto "água com açúcar" e não combina com a porradaria frenética que Queens Of Stone Age e System of A Down, as grandes estrelas da noite, costumam trazer às suas performances. A banda paulista terá que se superar para agradar ao público presente. E já adianto: não será com sua versão bobinha de "Minha Fama de Mau", (que tem tocado à exaustão nas rádios) que eles atingirão esse objetivo. Ainda teremos nesta quinta-feira a Hollywood Vampires, um supergrupo que conta com Joe Perry (fenomenal guitarrista do Aerosmith), o icônico Alice Cooper, Jack Sparrow Johnny Depp (que já disseram por aí que é melhor guitarrista que ator), Duff McKagen e Matt Sorum (baixista e baterista do Guns N’ Roses e Velvet Revolver), tocando clássicos de lendas do rock. 

A conferir. Sobre o Palco Sunset, confesso que Deftones, Lamb of God, Halestorm e Project 46 + John Wayne não me despertam nada além de indiferença. Vou assistir por assistir, na esperança de ser surpreendido. 

E segue o rock pesado pelo dia 25, para alegria dos batedores de cabeça. De La Tierra, supergrupo latino americano de metal que conta com Andreas Kisser, do Sepultura, será a primeira atração do Palco Mundo. Depois, vem a pesada Mastodon (trocadilho involuntário, mas correto), com seus riffs marcantes e seu vocal gutural. Faith no More é o momento revival do dia. A banda esteve aqui no Rock In Rio II e volta para mostrar seu (elogiado) novo trabalho "Sol Invictus" e, provavelmente, seus hits dos anos 80 como Epic e Falling To Pieces. Se tocarem essas, mais From Out Of Nowhere e War Pigs, do Black Sabbath, me dou por satisfeito. Encerrando a noite de maneira explosiva, vem o Slipknot, agora promovido à atração principal (em 2011, a banda estava no Palco Mundo, mas a estrela daquele dia era o Metallica). Depois daquela performance inesquecível que agradou 11 em cada 10 presentes na Cidade do Rock em sua última passagem, o que esperar dos mascarados? O de sempre: a mesma energia, espetáculo e ferocidade musical. Vai ser épico. 

No Palco Sunset, destaco as participações de Steve Vai com a Camerata Florianópolis, fazendo um mix de guitarra virtuosa com instrumentos eruditos (uma combinação que costuma agradar, vide os projetos similares de Scorpions e Metallica) e os finlandeses do Nightwish e seu metal sinfônico, sem Tarja Turunen mas com Floor Jansen que, desde 2013, leva os vocais com bastante competência. 

O sábado é o dia para o qual mais torço o nariz. Tanto é que, de todos os artistas que pisarão no Palco Mundo nesta noite, aquele que mais estou animado para assistir é o Lulu Santos, e ainda assim mais pelo passado do que pelo presente. Não conheço o trabalho da australiana Sheppard e, que me perdoem os admiradores da banda, acredito que a banda não tem o apelo necessário para estar lá. Já por outro lado, sei que Sam Smith é um grande fenômeno internacional, talentoso e já faturou muitos prêmios com sua mescla de R&B e pop, mas sua voz simplesmente me irrita ao ponto de trocar de canal e estação. E todo esse mesmíssimo discurso vale para Rihanna. A cantora fez uma exibição não mais que morna em 2011, principalmente para quem se atrasou uma hora e quarenta e fez uma apresentação de uma hora e quinze. Mesmo que os fãs no fim, tenham curtido, eu achei abaixo da média. 

É por isso que pretendo lançar minha atenção mais para o Palco Sunset, onde teremos Sergio Mendes com Carlinhos Brown, num show que promete ser uma aula de música brasileira, e, de quebra, assistir a dois de meus favoritos do rock nacional de ontem e anteontem: Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor.  

Quem for ao domingo, terá à disposição nos dois palcos opções imperdíveis. Desta feita, falarei primeiro do Palco Sunset, o melhor desta edição, com atrações dignas de Palco Mundo. Temos a Suricato, uma das bandas mais criativas a pintar no cenário nacional, com a participação do guitarrista Raul Midon. Depois, vem a belíssima cantora portuguesa Aurea, dona de um vozeirão, junto com o rapper Boss AC. Al Jarreau é outro que testemunhou o nascimento do Rock In Rio, em 1985 e, 30 anos depois, continua sendo uma atração ímpar. Por fim, Maria Rita, Fernanda AbreuBuchecha, Alcione, Roberta Sá, Simoninha, Davi Moraes, Gabriel o Pensador e Léo Jaime se juntam para prestar homenagem aos 450 anos do Rio de Janeiro. Nada mal!

Foto: DivulgaçãoCidade Negra abre os trabalhos no Palco Mundo e qualquer elogio aqui é chover no molhado. Certeza de que vai agitar a massa. Depois, vem a cantora Robyn, dando sequência ao legado pop sueco imortalizado por ABBA, Roxette e Ace of Base e confirmando que o país é um grande celeiro do gênero. Os ares nórdicos seguem pairando sobre o Palco Mundo, agora para receber o A-ha, voltando de sua décima aposentadoria. Os noruegueses, que apinharam 198 mil pessoas no Maracanã no Rock In Rio II, retornam ao Brasil pela centésima vez e, apesar de prever com relativa facilidade quais músicas estarão no set list, vai ser difícil não se empolgar. Caberá então à Katy Perry a honra de fechar o festival. Não achei a escolha ruim. Ela foi outro caso de coadjuvante no Rock In Rio IV que fez um show muito bem recebido por público e crítica em 2011. E hoje ela é uma estrela muito maior, capaz de fazer jus à missão que lhe foi designada.  

Então é isso! Amplexos! 

 

Pedro de Freitas

Aos sobreviventes da primeira semana do Rock in Rio,  algumas palavras de alento: a segunda semana pode ser melhor que a primeira! 

Se eu tivesse que escolher um único dia para ir ao festival, talvez fosse o dia 24. As atrações começam com a presença de Carl Craig no espaço destinado à música eletrônica. Creio que seja a melhor atração de música eletrônica desta edição. Representante da cena de Detroit, Craig é um dos mais criativos músicos do gênero, e pouco divulgado por aqui. Boa oportunidade para as pessoas curtirem um som eletrônico de qualidade.  No Sunset teremos Deftones. Sempre achei que o rótulo de nu-metal que colaram na testa deles era impreciso. O som deles é uma mistura de metal, rap e do rock pós punk dos anos 80, e vale muito a pena ver.  No palco principal, eu alteraria a posição de System of a Down e Queens of the Stone Age, colocando o segundo para encerrar a noite. O System of a Down é uma boa banda, que faz uma mistura única entre rock pesado e alternativo, com pitadas das raízes musicais armênias compartilhadas pelos integrantes do grupo. No entanto há quase 10 anos o grupo não lança um trabalho novo. Por outro lado o Queens of the Stone Age vive o seu auge. Josh Homme, líder da banda, é um dos "guitar heros" do século 21. Seu estilo único foi desenvolvido em "raves-rock" que rolavam a noite inteira nos desertos da California (as hoje lendárias "desert sessions"), e ainda adolescente integrou a seminal banda independente Kyuss, de breve duração. Anos depois Homme fundou o Queens of the Stone Age. No terceiro Rock in Rio a banda, ainda jovem, pateticamente acabou o show na polícia depois que o baixista resolveu se apresentar do jeito que veio ao mundo. Não acredito que aprontem outra dessas. A banda amadureceu, tem uma discografia irrepreensível, com vários álbuns cinco estrelas, e lançou o melhor deles no ano retrasado, o sensacional "…Like Clockwork", que alcançou o primeiro lugar da parada norte americana. Uma faixa de "…Like Clockwork", "Fairweather Friends", tem participação especial de Elton John, que canta e esmurra seu piano com a energia de um garoto, junto à guitarra inconfundível de Josh Homme. Um sonzaço! Mas, espere…Elton John está neste Rock in Rio! Será que teremos uma canja do velho popstar no show das "Rainhas"? Rezemos…

Ufa! Chegamos no dia 25! Esqueçam o Slipknot e suas máscaras esquisitas. Sempre achei a banda superestimada. Muito melhor o que vem antes. O Mastodon é uma das grandes bandas da nova geração do metal. Conseguem aliar uma agressividade quase punk com virtuosismo instrumental. Não bastasse isso, seus discos são conceituais, e as músicas, longas, o que deve agradar muitos fãs do velho e bom rock progressivo. Promete.

Foto: Divulgação

Já o Faith No More é um caso a parte. A banda que não tomou conhecimento do Guns N’Roses  no segundo Rock in Rio protagonizou em seguida um dos maiores suicídios comerciais da historia da música popular quando lançou o estranhíssimo (embora ótimo) álbum "Angel Dust". Naufragou em mídia e público, mas os anos mostraram que o Faith No More era uma banda a frente do seu tempo. Agora, devidamente atualizada, volta ao Rock In Rio, desta vez para tratorizar o pobre Slipknot.

Rihanna, que se apresenta no dia 26, é tida como uma grande diva do R&B. Ok, pessoal, não é má vontade. Mas apenas escutem algumas músicas de Janelle Monáe, só para citar uma artista contemporânea e a gente volta a conversar. Enquanto isso, fico com Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, uma mistura de estilos musicais completamente diferentes, mas que pode dar certo, dado o ecletismo dos dois artistas.

Dia 27. Robyn? A-ha? Katy Perry? Hora de começar a sonhar com o próximo Rock In Rio…

 

Cláudio Francioni

Antes de entrarmos na semana final do Festival, gostaria de ressaltar meu elogio de dois anos atrás, quando a programação do Palco Mundo foi alterada de cinco para quatro atrações. É o ideal e me parece que a organização percebeu o mesmo.

Vamos à maratona de quatro dias:

A quinta-feira, 25, traz um belo palco principal e um insosso Sunset. Project46/John Wayne, Halestorm, Lamb of God e Deftones ganharão minha atenção somente para cumprir tabela, torcendo, claro, para queimar a língua em algum momento. Já o Mundo, tirando CPM22 que nunca me desceu (talvez por não aguentar ouvir a voz do péssimo vocalista Badauí), tudo me atrai. O headline System of a Down, apesar de nada de material novo, vale a pena por ser uma das bandas que, acredito, daqui a trinta anos ficará marcada como icônica em sua época. As outras duas, Queens of the Stone Age, que volta ao Rock in Rio (tomara que desta vez sem ninguém tirando a roupa) depois de 14 anos, e Hollywood Vampires, uma brincadeira de Alice Cooper, Joe Perry, Johnny Depp (sim, o mesmo) e os ex-Guns Duff McKagan e o limitado baterista Matt Sorum, prometem fazer a noite disputar pra valer o título de melhor da edição.

No dia seguinte, mais porrada. O Slipknot não faz o som dos meus sonhos. Uma barulheira um pouco além do que meus velhos ouvidos ainda aguentam. Mas é um show que eu quero muito ver de perto. O espetáculo visual aliado à massa sonora é fantástico. Pouco antes, nostalgia total. Faith no More, aquela mesma banda que surpreendeu este que vos escreve (um garoto de 21 anos na época) e a todos na segunda edição do Festival, está de volta. Da formação que veio ao Maracanã, apenas o cabeludo guitarrista Jim Martin não participa mais. Em seu lugar, um oposto: o careca Jon Hudson. Se apostarem nos sucessos do álbum "The Real Thing", além de alguns outros espalhados e seus covers arrebatadores, botam o Festival no bolso. E Mike Patton, convenhamos, tem carisma o suficiente para dar este empurrão. A segunda atração a entrar no palco, o Mastodon, é uma banda que pouco conheço, porém gosto deste pouco e me pergunto por que ainda não me aprofundei. Será um bom momento para começar. Quem abre a noite é o De La Tierra, mais um trabalho de Andreas Kisser. Desconheço o trabalho, mas bem escalado no line up, provavelmente agradará.

No Sunset, o grandioso destaque é Steve Vai/Camerata de Florianópolis. O cultuado guitarrista carrega uma legião de fãs no país e o espaço vai ficar pequeno pra tanta gente (e tanta nota). As outras atrações da noite não me seduzem.

Foto: DivulgaçãoNo sábado, que me perdoe Rihanna e toda a sua fama injustificável: Lulu tinha que encerrar esta noite. Seria uma justíssima homenagem ao maior hit maker deste país. O cara tem um repertório de sucessos pra tocar por umas cinco horas seguidas, mesmo assim acho que ainda ficará faltando muita coisa. Trata-se de um gênio. Rihanna, devolva a gentileza que Elton John fez deixando a senhora fechar o palco em 2011, e entregue a noite a Luís Maurício. Sam Smith e Sheppard? Darão sono depois de Lulu.

No Sunset, expectativa total para o deboche de Ultraje/Erasmo e para a mistura Carlinhos Brown/Sergio Mendes. Fechando a noite, num horário (e numa época) onde o clima é mais fresco do que em 2001, acredito que o baiano não pedirá água desta vez.

Finalmente, a noite derradeira. Assim como Lulu, uma hora será pouquíssimo para enfileirar os hits do Cidade Negra. Belíssima escolha. Robyn? Prazer. Surpreenda-me. Logo após, uma outra boa aposta e mais um clima de nostalgia. Estive presente no Maracanã naquela noite do dia 26 de janeiro de 1991, quando Debbie Gibson me fez dormir, Information Society me fez gargalhar (de raiva) e a chuva trazida pelo RPM me deixou encharcado. Os noruegueses, que parecem não se decidir se param ou continuam (parece que pararam no mundo, mas continuam aqui no Brasil), levarão muito público nesta noite. Se Morten e seus companheiros deixarem de lado a frieza (frio, Noruega...pescaram?) com que vinham se apresentando no país nos últimos dez anos, será um grande momento. Fechando a edição, um nome que surpreendeu em 2011. Não. Não gosto da música, mas Katy Perry trouxe um belo espetáculo em matéria de produção e pode ser um bom encerramento se levarmos em questão apenas o entretenimento. Musicalmente, esquece.

No Sunset, Suricato e Al Jarreau, outro veterano de Rock in Rio, serão os grandes momentos na minha opinião. O americano merecia um palco maior, assim como George Benson merecia em 2013. Era só trocar por um destes famosos "quem?" e ficava tudo lindo.

Fechamos? Então, até 2017! Brincadeira. Semana que vem tem mais!


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18/08/2015 16h32

Rock in Rio - Falta um mês
Cláudio Francioni

Estamos de volta, rapaziada. E hoje é um dia especial, pois estamos a exatamente um mês para o início da sexta edição do Rock in Rio em solo brasileiro e, como sempre, nosso blog acompanhará de perto tudo que for rolar nos palcos Mundo e Sunset. A novidade, já anunciada sexta-feira passada, fica por conta dos colaboradores. E pra começar com o pé direito, a expectativa de cada um para o primeiro fim de semana do festival, dias 18, 19 e 20 de setembro.

Foto: Reprodução de internet

Pedro de Freitas

Quem diria, o Rock in Rio virou um balzaquiano! Não é pouca coisa, dada a falta de continuidade no país de projetos envolvendo música, entretenimento e cultura. Acho que após a primeira edição, ninguém devia acreditar seriamente que haveria uma segunda. E aqui estamos nós…

Reprodução de internetNa primeira semana, estão programados dois concertos/ tributos: um ao Queen e outro à Cassia Eller. Se você viu os inesquecíveis concertos originais ( meu caso), é quase impossível não sentir uma certa melancolia ao ver um show do Queen sem Freddie Mercury, ou ainda um show da Cássia Eller sem a Cassia Eller!

Há quem goste do clima de revival, mas nesta noite prefiro me concentrar no show do (no meu entender) melhor artista brasileiro da atualidade, um dos poucos que ainda conseguem agregar grande apelo popular e excelência artística. Falo, é claro, de Lenine, que acompanhado da também excelente Nação Zumbi divulgará seu mais novo trabalho, "Carbono". Promete ser o melhor da noite.

No segundo dia de Rock in Rio, teremos uma situação curiosa. O Mötley Crüe, ícone do heavy metal nos anos 80, e o Metallica, provavelmente a mais bem sucedida banda do gênero, estarão no palco principal. No Sunset, tocarão o Ministry, Burton C. Bell (vocalista do Fear Factory) e Korn, que em meados dos anos 90 foram considerados "o futuro do rock pesado". O futuro chegou, e o que vemos? Que Ministry, Fear Factory e Korn fizeram alguns ótimos discos ("Psalm 69", "Obsolete", e "Follow the Leader", respectivamente), mas resiliência e consistência é o nome do jogo, e isso o Metallica tem de sobra. Por isso, passará o carro sobre as ex "bandas do futuro" no palco principal, mesmo não tendo repertório novo para mostrar.

O terceiro dia receberá Elton John, dono de uma respeitabilíssima trinca de discos nos anos setenta que o transformou em ícone do pop ("Madman Across the Water", "Honky Chateau" e "Goodbye Yellow Brick Road"). Sinceramente não gosto do que ele fez depois disso. Se o show for baseado no repertório dos anos 70, será interessante. Se não, bom pretexto para um pulo até a lanchonete. A noite também é reservada a Seal, um artista que talvez mereça mais cartaz do que o que tem atualmente. Vamos ver como se sai o dono de uma das melhores vozes do soul/rythm'n'Blues moderno. Por falar em cartaz, espero que o show de Alice Caymmi com Eumir Deodato no palco Sunset sirva para divulgar junto aos mais jovens o trabalho de Deodato, um dos maiores artistas da época da bossa nova. os anos de ouro da Música Popular Brasileira.

 

Leonardo Jorge

30 anos! Quem poderia apostar que teríamos aqui, em pleno país tropical, terra de samba e carnaval, um festival tão próspero e longevo? Talvez a resposta esteja na capacidade adequação de seus idealizadores e realizadores. Por mais que leve o Rock no nome, este tem sido cada vez menos o protagonista, abrindo espaço para outros estilos e, garantindo assim, uma grande procura por um público cada vez mais diversificado. E isso se reflete no line up desta edição 2015. Vamos ver então o que nos reserva o primeiro fim de semana: 

O primeiro dia é pautado pela nostalgia. Teremos, abrindo o Palco Mundo, uma homenagem às três décadas do Rock in Rio, com Dinho Ouro Preto e outros artistas e bandas nacionais de todas as edições do evento para um grande show/celebração. 

No Palco Sunset, rola o tributo à Cassia Eller, uma das cantoras mais emblemáticas do Brasil e que fez um show singular na edição 2001, ano de sua prematura morte. Será que alguém repetirá o gesto de mostrar os peitos e a língua para a plateia? Se sim, que seja a Emanuelle Araujo e não a Mart’nália. 

Reprodução de internetDe volta ao Palco Mundo, para fechar com chave de ouro, vem o Queen. E para esse momento, Brian May e Roger Taylor trazem o talentoso Adam Lambert nos vocais para tentar emular aquelas épicas noites de 1985, quando a banda liderada por Freddie Mercury promoveu um dos shows mais marcantes da história do festival. Ansioso para ver como o vice-campeão do American Idol, que tem um registro vocal bastante extenso, tal que Mercury, se saíra nessa tarefa. 

Peixes fora d’água, One Republic e The Script completam a lista de atrações principais, comigo ainda tentando entender o que eles estão fazendo ali. 

No segundo dia, o rock pesado dará o tom, tendo bandas de diversos estilos representados: o death metal do Gojira, o heavy metal do Motley Crue e o thrash metal do Metallica. Sobre a trupe de Hetfield e companhia, não espero nada menor que 2013. Se conseguirem repetir a última apresentação, ótimo. Se forem além, têm tudo para entrar para o rol de grandes performances do evento. Tem ainda a Royal Blood, uma banda inglesa de garage rock com apenas dois integrantes: um baixista e um baterista. Vi alguns vídeos deles no Youtube e, apesar de um som honesto, correm o sério risco de tocarem para uma plateia esvaziada. É o tipo de coisa que não consigo entender! Como é possível que esta banda esteja no Palco Mundo e outras de maior expressão como Korn e Angra (com Dee Snider e Doro Pesch!!) estejam no Palco Sunset? 

Chamo a atenção de todos para a outra banda brasileira, a Nocturnal, que terá a participação mais que luxuosa do mito Michael Kiske, ex-vocalista do Helloween e atual frontman da boa Unisonic. Deve ser um bom sábado para os headbangers

O dia 20 apresenta o line-up mais coerente e equilibrado do Palco Mundo e é notoriamente voltado para um público mais old school e casual. Abrem os trabalhos Os Paralamas do Sucesso, uma verdadeira referência nacional. Sem lançar um disco novo desde 2009, espera-se um show com menos músicas de trabalho e muitos clássicos. Depois, vem o Seal, uma das mais poderosas vozes do R&B/Soul, numa performance que tem tudo para agradar, já que se trata de um monstro sagrado (Modo Faustão ativado) do gênero. Na sequência, Elton John regressa ao Palco Mundo. Embora eu o tenha achado burocrático na sua última passagem em 2011, seu repertório, cheio de hits para lá de previsíveis, deve garantir o bom andamento da noite.  

Então, uma nova viagem de volta ao ano de 1985 (sem DeLorean), com Rod Stewart e sua voz rouca peculiar. Torço para que ele, que tem se dedicado na última década e meia a regravar clássicos americanos dos anos 30 e 40, cante suas velhas canções, como I Don’t Wanna Talk About It (uma de minhas favoritas e perfeita para "o ato"), Baby Jane e Taj Mahal D’ya Think I’m Sexy (embora eu ache que essa não deva rolar. Mas quem sabe não sejamos todos surpreendidos?) 

No Palco Sunset, vale a pena conferir o John Legend (outro que poderia estar também no Palco Mundo) e a reedição da dupla Pepeu Gomes (toca muito!) e Baby Consuelo do Brasil, que juntos também foram atração do primeiro Rock In Rio.

 

Ivan Souza

Rock in Rio 30 anos, o brasileiro deveria se sentir orgulhoso desta marca. Há 30 anos conseguimos conquistar o mundo sem sair do Brasil. Desde 1985, passamos a receber a visita dos maiores artistas do mundo e essas portas estão abertas até hoje, porém, nem sempre por essa porta entram os artistas mais interessantes. A edição de 2015 do Rock in Rio (in Rio) tem pontos altíssimos e baixíssimos, o primeiro fim de semana mostra isso claramente. Vamos conferir.

Dia 18 teremos o maravilhoso show do Queen, sem Freddie Mercury e John Deacon, mas ainda assim um show do Queen, Adam Lambert é um ótimo cantor e fico curioso para assistir a performance de toda a banda no Palco Mundo. Aliás, é a única coisa que me interessa no Palco Mundo. One Republic? The Script? Não, obrigado. Especial "Rock in Rio 30 anos" onde Dinho Ouro Preto convida os mesmos convidados de sempre, fazendo com que tudo vire um imenso encontro Criança Esperança/Altas Horas? Dispenso. Prefiro o Palco Sunset com o sempre ótimo Lenine e a Homenagem à Cassia Eller, organizada pelo Chicão, filho dela. Fico curioso pra saber o que apresentarão Ira!, Rappin Hood e Tony Tornado. E também Dônica e Arthur Verocai. Quem gostar de samba e bossa nova, pode passar na Rock Street que vai valer a pena.

Dia 19 a coisa pesa. A curadoria erra feio em chamar NOVAMENTE o Metallica, mas acerta no Motley Crue fazendo tour de despedida, os ótimos franceses do Gojira e os ingleses do Royal Blood que, se alguém ainda não conhece, corra pra conhecer. O palco Sunset é quase tão interessante quanto: Korn, Ministry com Burton C. Hell, Angra com Dee Snider e Doro Pesch e Noturnall com Michael Kiske. Tenho a impressão que algumas dessas atrações mereciam o palco principal. O peso se mantém na Rock Street e vale a pena dar uma passada pra conferir.

Dia 20 teremos uma viagem no tempo. Rod Stewart, Seal, Elton John e Paralamas do Sucesso são um acerto da curadoria. Mas apesar de adorar os 3 cantores ingleses, acho que o grande show será do Paralamas. O palco Sunset vem com o ótimo John Legend, os sempre surpreendentes Baby do Brasil e Pepeu Gomes, Alice Caymmi e Eumir Deodato e os novatos do Magic!. A Rock Street traz um pouco de eletrônico e samba rock.

Entre erros e acertos, é o Rock in Rio e sempre vale a pena conferir.

Reprodução de internet 

Cláudio Francioni

E vamos nós para a terceira edição do Rock in Rio desde o início do blog. Nas edições passadas foram muitas resenhas, críticas e debates acalorados em nossos comentários. Neste não será diferente. Vamos à primeira parte.

O primeiro fim de semana reserva bons momentos em ambos os palcos, incluindo aquele que para mim é o grande dia desta edição: o dia 20. Um line up homogêneo com Paralamas, Seal, Elton John e Rod Stewart no Mundo e John Legend, Baby/Pepeu e Alice Caymmi/Eumir Deodato no Sunset. Das quatro atrações do palco principal, a única que me traz dúvidas é Seal, que fez um show pra lá de morno no Hollywood Rock de 1992, numa noite em que o Cidade Negra (ainda com Ras Bernardo) e a dupla Paralamas e Titãs arrebentaram. Sir Elton deve render bem melhor do que em 2011, quando acabou ignorado pelo público de Rihanna, Claudia Leitte e Katy Perry. Mas minha maior expectativa paira sobre Rod Stewart. O ex-coveiro está numa temporada em Las Vegas e vem fazendo um set list misturando seus clássicos com canções de Sam Cooke, Van Morrison e Cat Stevens. Promete ser o grande momento da edição.

O dia de estreia me traz algumas dúvidas e outras certezas. Vamos às dúvidas. Nas últimas edições, os tributos alternaram bons momentos com outros pouco satisfatórios, principalmente pela falta de preparo (diria até de profissionalismo) de alguns convidados que subiram ao palco sem o mínimo de cuidado com o espetáculo, às vezes até sem decorar suas letras. Vou torcer para que os dois tributos da noite, à Cássia Eller no Sunset e a homenagem aos 30 anos do Festival na abertura do Mundo, sejam tratados com carinho por quem for escalado. A culpa não é da organização. A ideia é sempre boa, a execução nem tanto.

Quanto ao Queen, acredito que vai depender muito da expectativa do público. Quem quiser comparar vai sair chateado. Freddie é único. Fui ao Queen+Paul Rodgers em 2008 e adorei. Vale pelo repertório, vale por Roger Taylor, vale demais por Brian May e (por que não?) por Adam Lambert.

Quanto às certezas da noite, a garantia de satisfação com Lenine no Sunset e o risco que The Script e OneRepublic correm de tocar para um público reduzido, já que não são tão conhecidos por aqui e a grande massa pode preferir rodar pelo parque quando estes subirem ao palco.

Já no sábado, o primeiro dos três dias reservados ao peso, tenho minhas ressalvas à terceira vinda seguida do Metallica. Sim, dificilmente será um show ruim, mas três vezes seguidas dá uma esgotada. Quanto ao Mötley Crüe sim, guardo esperanças de um bom show, uma vez que a banda vem tocando todos os seus clássicos na FINAL TOUR, que no momento está rodando pelos EUA.

De Gojira e Royal Blood, apesar de pouco conhecidos por aqui, espero momentos bem melhores do que aqueles protagonizados pelo Ghost D.C. na abertura da noite metal em 2013, uma das piores coisas que já passaram pelo Rock in Rio. Já o Sunset promete alguns bons shows que poderiam estar no palco principal, com Korn, Ministry/Burton C. Bell e Angra/Dee Snider/Doro Pesch.


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14/08/2015 14h41

Senhoras e senhores, trago boas novas
Cláudio Francioni

Alô, rapaziada!

Tomei emprestado um verso de Cazuza para anunciar novidades neste espaço: a partir do dia 18 de agosto, nosso blog irá contar com mais três colaboradores. Três visões diferentes sobre música, três gostos distintos, mas sobretudo muita bagagem e bom papo para levarmos o melhor do assunto ao leitor.

Com prazer, apresento-lhes Pedro de Freitas, Ivan Souza e Leonardo Jorge.

Pedro estudou contrabaixo elétrico e música popular. Devotou incontáveis horas no estudo e acompanhamento dos principais gêneros de música popular, brasileira e estrangeira. Embora tenha acompanhado as mais diversas tendências ao longo de mais de trinta anos, faz coro com seu ídolo Paulinho da Viola: "Meu tempo é hoje".

Jornalista, publicitário e músico, Ivan gosta de ser surpreendido, mesmo que por um museu, desde que seja de grandes novidades. (Cazuza novamente)

Leonardo é jornalista e músico. Baixista nas horas vagas, crítico com convicção, roqueiro por opção, mas amante da boa música independente do estilo.

Críticas de discos, shows, recordações, lançamentos, novas tendências e tudo o que se referir à música passará por aqui. E logo na estreia, exatamente um mês antes do Rock in Rio, faremos uma prévia do primeiro fim de semana do festival.

Até lá!



08/06/2015 21h14

Superstar: a casa caiu?
Cláudio Francioni

Caiu a máscara. Deu ruim. Uma falha no playback do Superstar deixou a Globo de calças arriadas: todo mundo viu tudo. A banda Versalle foi pega de surpresa ao dar de cara com uma trilha que não era a canção que deveria ser "executada" por ela. Climão total. Alguns segundos depois, entra "Ando Meio Desligado", dos Mutantes, e o circo continua. Novidade?  Comentei sobre o assunto aqui mesmo no blog ainda no início da primeira edição, em 2014. Segundo informações, a própria banda grava todo o instrumental e somente o vocal é executado ao vivo. 

O recurso existe há muitos anos e pode ser utilizado com várias finalidades, entre elas evitar problemas na sonorização de palco e facilitar a questão técnica em eventos ao vivo. A inviabilidade de trocar os palcos em um curto espaço de tempo seria o principal motivo da opção pelo playback no programa, desculpa esta que não consigo engolir de forma alguma. Seria inviável para a Globo colocar vários palcos montados simultaneamente? Isso já não era utilizado na boa versão mais recente do Som Brasil? 

Foto: reprodução de internet

Logo após o ocorrido, uma avalanche de posts pipocou nas redes sociais: gente surpresa, gente admitindo o que não ainda havia enxergado, gente alertando para o "eu te disse", gente atacando, gente defendendo. Acho, sinceramente, que o playback é apenas mais um problema do programa, como eu também já havia publicado por aqui. Não estou acompanhando de perto a segunda edição, mas nada foi corrigido do ano passado pra cá. Continua a disputa de covers contra autorais, deixando a dúvida sobre exatamente o quê estariam procurando, continua a estranha votação onde as pessoas votam "sim" ou "não" sem que o tal percentual jamais desça e continua sem propósito a questão dos treinadores, mentores ou sei lá que nome utilizam. O uso do playback acaba por amplificar a grande questão do programa: o que eles querem avaliar, uma vez que o mecanismo mascara deficiências dos músicos e até eventuais erros causados por nervosismo na hora de executar a canção? Juro que ainda não consegui encontrar resposta, apesar de achar a ideia do programa (inspirada no israelense Rising Star) ótima. 

Porém, muito pior do que tudo isso é a mentira. Logo a Globo, que há algum tempo convive com acusações das naturezas mais variadas quando o assunto é farsa ou omissão, vide eventos de MMA transmitidos "ao vivo" duas horas após o mesmo ter ocorrido, filmes cortados exibidos como inteiros e muitas outras ocorrências. Não é feio assumir. O Chacrinha fazia isso há trinta anos e não perdia audiência. O playback sequer precisava ser estampado em legendas para alertar o telespectador, pois era escancarado em baterias simplórias com uma caixa e um prato, em instrumentos desplugados ou em cantores tirando o microfone da boca para serem devorados pelo auditório. A maioria dos artistas não gostava e acabava aceitando a participação em troca da visibilidade. Várias vezes chacoteavam em cima da artimanha, como o caso do guitarrista Jorge Shy, dos Heróis da Resistência, que certa vez apareceu no programa empunhando uma guitarra inflável. 

Era menos feio. Era mais digno. 



15/01/2015 19h45

Uma noite inesquecível
Cláudio Francioni

"Valeu! Que o dia nasça lindo pra todo mundo amanhã! Por um Brasil novo, com uma rapaziada esperta. Valeu!"

Com essa frase, Cazuza dava por encerrado o primeiro dos dois shows do Barão Vermelho no Rock in Rio '85, no mesmo dia em que um presidente civil foi eleito depois de 21 anos de ditadura militar no país. A frase resumia todo o sentimento de uma geração, esperançosa por dias melhores.

Ok, sei que nem tudo melhorou por aqui e essa rapaziada nova nem era tão esperta assim. Ou até era, porém em outro sentido da palavra. Mas esse dia é emblemático na vida de milhões de jovens que tinham seus anseios representados em cada letra do rock nacional da época.

Tremei, quartentões, cinquentões e sessentões. Nesta noite, comemoramos 30 anos deste momento.

Na mesma noite, apresentaram-se Eduardo Dusek (ainda com um "s"), Kid Abelha (ainda com os Abóboras Selvagens), AC/DC e Scorpions.


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13/11/2014 22h34

O incansável Sir Paul McCartney
Cláudio Francioni

Salve!

Após cinco meses de hibernação por motivos de força maior, o blog está de volta. E o retorno não poderia ser por motivo melhor: a volta de Sir Paul ao purgatório da beleza e do caos. Sim. Não dá pra dissociar o evento em si daquilo que cercou as quase três horas de show do ex-beatle. O antes e o depois foram um tormento para quem se aventurou a encarar uma ida a um HSBC Arena ilhado nas obras para os Jogos Olímpicos de 2016. O local já é de difícil acesso naturalmente, mas hoje em dia é uma missão semi-hercúlea chegar e sair do ginásio, pois além do tumulto promovido pelos estreitamentos de pista, adicione o despreparo dos tais agentes da CET-Rio que não sabem dar a mais simples informação ao pobre motorista. Na saída, novo teste de paciência causado pelo excesso de carros no estacionamento. Uma dureza!

Marcos Hermes/Divulgação 

Mas a organização, conscientemente, adiou o início do espetáculo e, britanicamente meia hora atrasado, Paul subiu ao palco para apresentar seu Out There Tour, ainda a turnê que passou pelo Brasil em 2013. Aliás, este é o quinto ano seguido que o inglês vem ao país. Virou figurinha fácil. O show é praticamente o mesmo apresentado em Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza ano passado, apenas incluindo quatro (boas) canções de "NEW", seu novo (ui) álbum e "I've Just Seen a Face", faixa do clássico "Help!". A boa forma do cantor, aos 72 anos, é invejável. Se alterna entre baixo, guitarra e dois pianos, dança, brinca com a platéia em português usando termos locais ("isso aqui tá bombando" entre outras) e não me recordo de nenhum tom abaixado para facilitar sua garganta.

Por mais que se queira fugir do clichê, um show de Paul McCartney é, e sempre será, uma grande viagem pelo tempo. Qualquer que seja a idade do fã, em algum momento da vida sua obra se fez presente. Na noite de ontem embarquei nas lembranças do distante 1990, ano em que Paul pisou pela primeira vez em um palco brasileiro. Lá estava eu no Maracanã, um moleque de 21 anos (completados no dia do primeiro dos dois shows), deslumbrado por debutar em uma encarada com um beatle. Não há como escapar da emoção ao relembrar das transformações pelas quais passou minha vida nos 24 anos que separam a primeira da quinta vez "com ele". Não ouço as batidíssimas "Let it Be" ou "Hey Jude" em casa há décadas, mas me diga, caro leitor, como evitar as lágrimas quando se está de frente para o cara, cantando alguns dos maiores clássicos da música pop mundial? Impossível.

Difícil também apontar um, cinco ou dez bons momentos da noite. Talvez a sequência das lindíssimas "The Long and Winding Road" e "Maybe I'm Amazed". Ou "Something" introduzida somente em voz e ukulele, com a banda entrando antes do solo. "Let me Roll It" com citação de "Foxy Lady" de Hendrix? Quem sabe a pirotecnia de "Live and Let Die" ou "Blackbird", momento em que Paul é elevado por uma plataforma envolta em projeções? Enfim, não dá pra definir. É pessoal. Eu, por exemplo, adoro "Listen to What the Man Said", canção dos Wings executada no início do show e recebida com frieza por grande parte do público. Aliás, isso merece um parágrafo à parte.

Me impressiona a forma como o carioca (ou o brasileiro?) vem se comportando em grandes shows. Já não é de hoje, percebo em minha volta que, para muita gente, o palco é o de menos naquela noite. O social, o bate-papo ou as irritantes selfies são mais importantes do que tudo. O espetáculo é um mero detalhe. O principal é estar lá, dizer que foi. Pobre do fã que paga caro e é incomodado e desrespeitado por esse tipo de gente.

Voltando ao que importa (ao menos para mim), o baterista Abe Laboriel Jr. consegue se destacar numa banda que beira a perfeição, tanto pela execução em seu instrumento e backing vocals quanto por suas engraçadíssimas caretas, exploradas à exaustão pelos telões. O tecladista Paul "Wix" Wickens é único remanescente da turnê de 1990. Os arranjos das 39 canções são, na medida do possível, os mais próximos dos originais possível, com (quase) todos os efeitos e vocais de "Ob-la-di Ob-la-da" ou "All Together Now", por exemplo. Cenicamente, o palco conta com telões laterais e um central, além de umas espécies de dormentes de trem pendurados que abaixam esporadicamente para servir como efeito de iluminação.

Como de costume, depois de dois retornos ao palco, a noite foi encerrada com a suíte "Golden Slumbers/Carry That Weight/The End", do antológico "Abbey Road". A lamentar, apenas para um fã chato como eu, a ausência de clássicos que Paul insiste em não fazer ao vivo, como "No More Lonely Night", "Silly Love Songs" ou "Once Upon a Long Ago". Pelo andar da carruagem, ano que vem Sir estará de volta. Só espero que a passagem esteja barata.

SET LIST

Eight Days a Week 
Save Us 
All My Loving
Listen to What the Man Said 
Let Me Roll It 
Paperback Writer 
My Valentine
Nineteen Hundred and Eighty-Five 
The Long and Winding Road 
Maybe I'm Amazed 
I've Just Seen a Face 
We Can Work It Out 
Another Day 
And I Love Her 
Blackbird 
Here Today 
New 
Queenie Eye 
Lady Madonna 
All Together Now 
Lovely Rita 
Everybody Out There 
Eleanor Rigby 
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Something 
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Band on the Run 
Back in the U.S.S.R. 
Let It Be 
Live and Let Die 
Hey Jude 

BIS 1
Day Tripper 
Hi, Hi, Hi 
I Saw Her Standing There 

BIS 2
Yesterday 
Helter Skelter 
Golden Slumbers
Carry That Weight 
The End

"Something"

 

"Maybe I'm Amazed"



02/06/2014 15h12

Superstar: considerações intermediárias
Cláudio Francioni

Demorei um pouco a retomar os comentários sobre o programa, admito. Não tive como não implicar com diversas questões que já havia levantado em outros posts e com outras que apareceram depois, como o esquisito cálculo matemático sobre o percentual de votos colocado na tela. Oras, se existe um "sim" e um "não" para serem votados, por que o percentual não desce nunca? Não deveria oscilar, variando conforme a quantidade das respostas?

Impliquei também com as mudanças nas regras, com a falta de função dos "treinadores", com a inutilidade do telão que sobe e desce nas fases avançadas e principalmente, sobretudo, fundamentalmente com a confirmação de que a execução das canções não era ao vivo. Playback? Por que, Globo? Dá trabalho trocar o palco e salvar todas as equalizações num programa ao vivo? Façam-me o favor! Vocês fazem coisas muito mais trabalhosas, dona Globo! Qual o sentido de um programa que avalia bandas sendo que as mesmas não estão tocando ao vivo? O que, afinal, está sendo avaliado, já que a obra também não é, haja visto que músicas autorais competem contra covers ou releituras. Pra banda, ótimo, não há o que contestar. A exposição é mais do que válida, independente de estarem tocando ou fingindo. Mas para quem produz, fica-se com a impressão de que o que está em jogo são apenas os rostinhos, as coreografias, os penteados, enfim, o potencial visual e comercial de cada banda.

Imagem: Reprodução de TV

Apesar de tudo continuei assistindo, às vezes em tempo real, outras pela internet no dia seguinte. E como não entendo lhufas de potencial comercial (e nem estou aqui pra isso), venho opinar que, após já ter visto cinco apresentações de cada banda, a única que mostrou condições de se sustentar artisticamente no cenário musical após o programa é a SURICATO. É a única que procura uma identidade sonora própria, que não tenta soar como ninguém. Lamento muito pela precoce eliminação da Fuzzcas, outra banda que parecia buscar um rumo particular.

Vejam bem, não confundam com qualidade. A Jamz é ótima, assim como a Melody (argh, que nome horroroso), mas pra permanecer no topo quando o programa acabar, acho que ainda falta apresentar algo com a sua cara.

A Cluster Sister é um capítulo a parte. É maravilhosa, porém acredito que lamentavelmente não haverá espaço para seu trabalho em nosso engessado e cego showbizz.

Quanto aos outros, a Yute Lions é uma boa banda e pode chegar a algum lugar no métier do reggae, mas soa igual às outras do gênero. Na mesma prateleira eu coloco o Bicho de Pé, dentro do nicho xote/xaxado/baião. Qualidade também tem a Move Over, principalmente sua cantora, mas a sonoridade de bandinha rebelde-sem-causa-de-seriados-da-Disney-Channel é chata de doer.

O resto não era nem pra estar ali. Luan e Forró Estilizado é apenas uma tentativa de promover mais um idolozinho efêmero. Nas suas cinco apresentações só tocou o essencial que qualquer banda de forró toca e da forma mais previsível possível. E o horroroso Grupo do Bola é uma piada de mau gosto. Só servem pra escrachar os playbacks do programa, uma vez que seus integrantes passam três minutos se preocupando mais com as ridículas coreografias do que em sequer fingir que estão tocando seus instrumentos. 

Mas infelizmente o programa me parece estar desenhado para a insossa Malta. Um som manjado, umas baladinhas que caberiam perfeitamente no repertório de qualquer cantorzinho romântico pegajoso. Um grande porre. Mas o público (se é que aquela votação existe mesmo) parece estar encantado com a voz rouca de seu cantor, que a mim não agrada em nada.

Fazer o quê? É o conhecido gosto do povo brasileiro, estimulado por veículos que estão mais interessados nos padrões comerciais do que na qualidade artística. Ou vice-versa. 


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14/04/2014 21h18

Afinal, o que é o 'Superstar'?
Cláudio Francioni

Conforme prometido, cá estou mais uma vez para cornetar o global "Superstar". Sim, sobrevivi ao segundo episódio mas confesso que não sei se suportarei por muito tempo, pois cada vez me incomoda mais a falta de uma proposta clara e definida. Qual é a do programa, afinal? O que está em jogo? O que é avaliado? Como pode um trabalho autoral competir contra covers? Baterei nesta tecla enquanto não houver uma resposta ou até que eu desista de acompanhar.

Foto: Reprodução de TV

Desta vez nove bandas passaram pelo palco do evento e nada menos do que oito se classificaram. Bizarro, não? No primeiro episódio classificaram-se apenas quatro das oito que se apresentaram. Ontem passou quase tudo. Deduz-se, então, que o nível desta segunda semana foi bem superior, certo? Erradíssimo. Foram aprovadas aberrações como o tal Grupo do Bola que adaptou pro falso pagode a canção "Papo Reto" do Charlie Brown Jr. ou o lamentável Trio Violada, com mais um lixo do tal sertanejo universitário.

Neste segundo caso, ocorreu pela primeira vez uma situação de saia justíssima, pois os três jurados empurraram um "não" para a banda mas o povo (sempre ele) me fez o favor de aprová-los. Na hora de escolher o padrinho, Ivete, que chegou a se esconder atrás da mesa e fazer sinal de negativo com a mão, acabou fazendo uma média e aceitou a sugestão dos próprios candidatos, coisa que a apresentadora Fernanda Lima havia acabado de dizer que não poderia acontecer. A baiana disse que não gostava muito das temáticas repetidas do estilo. Ah sim, o gênero que ela canta é recheado de temáticas variadas e interessantíssimas, não? Mas pelo menos o telespectador ficou sabendo que seu equipamento estava funcionando, pois foi a única vez que a cantora reprovou alguém em dezessete apresentações.

Apesar da fragilidade vocal da cantora Carol, a banda Fuzzcas foi, na minha opinião, o grande destaque da noite com a canção autoral "Deveras", um delicioso fox retrô com ares de modernidade. Outras ótimas apresentações foram protagonizadas pela Suricato (banda que já possui certo reconhecimento no cenário carioca) com uma releitura de "Come Together" dos Beatles e a curiosa Cluster Sisters que apresentou a canção "It Don't Mean a Thing" de Duke Ellington, um clássico da época das big bands. Artisticamente um primor, porém não sei se interessante comercialmente. 

As outras três classificadas me trouxeram algumas ressalvas e dúvidas. Vamos por partes. A Rádio Hits, conhecida banda de baile do Rio de Janeiro, apresentou "Treasure", um cover bombástico e atualíssimo de Bruno Mars. Amo esta canção, mas volto ao primeiro parágrafo: qual é a desse programa? A banda executou a canção respeitando fielmente uns 90% do arranjo original. Até a coreografia era copiada do clipe da canção. Em uma festa, nota um milhão pra eles. Ali não. Mas só o Dinho concordou comigo. A Instinto apresentou uma desinteressante versão de "Inútil" do Ultraje e não fez jus algum aos elogios rasgados do júri. Mas Fernanda Lima cantou a pedra antes da apresentação, alertando sobre a boa estampa dos rapazes. Eu, hein. E por fim a The Soul Session trouxe "Mandamentos Black", um funkão de Gerson King Combo bem arranjado, com um groove de baixo fantástico, porém uma letra tosca (eu te amo, brother??) e um péssimo cantor que brigou com a afinação durante toda a canção.

A única banda a ficar de fora foi a Medulla, que executou uma incompreensível mistura de "The Pretender" do Foo Fighters com "Aluga-se" de Raul. Não acertaram a mão e foram reprovados com justiça.

Quanto aos jurados, fica cada vez mais evidente a falta de conteúdo artístico em seus comentários e a ausência de apuro em suas avaliações. Confesso que está difícil, mas ainda prometo estar aqui para o terceiro episódio. Até lá!


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07/04/2014 23h30

Quem quer ser um 'Superstar'?
Cláudio Francioni

Após algum tempo sem encontrar nenhum programa que me motivasse a assistir à toda poderosa Globo, resolvi dar uma chance a "Superstar", nova aposta da emissora. O modelo segue a mesma linha de "The Voice": uma enorme superprodução sustentada por velhas manias que diminuem a credibilidade do evento. Portanto, ainda estou em busca da resposta do porquê resolvi me render à novidade, haja visto que ignorei por completo as duas versões de seu similar mais famoso.

Foto: Reprodução de TV

Os jurados escolhidos não poderiam fugir ao padrão fiel da busca pela audiência desqualificada maciça, aquela mais preocupada com a imagem do que com o conteúdo. Ivete, a onipresente, Fábio Júnior, o galã amassado, e Dinho Ouro Preto, o cinquentão de comportamento adolescentóide e sua enxurrada de "véio" e "tá ligado?". Definitivamente, está selada a impressão de que o tombo não fez bem ao cantor. 

A dinâmica da competição é interessante e acaba gerando apreensão, uma vez que o percentual de aceitação da banda vai subindo, rapidamente ou aos poucos, ao longo da canção executada e somente com 70% de aprovação se alcança a fase seguinte. Cada vez que um dos jurados aceitam os artistas o percentual sobe sete pontos.

A primeira coisa que me encucou foi a presença de Ivete. A baiana disse sim a todas as bandas. Havendo honestidade, conclui-se que seu gosto musical é tão raso quanto seu repertório. A partir de semana que vem podem substituí-la por um boneco e programar seu voto para o modo automático. Grande economia de cachê. Outra situação que me incomodou foi a indefinição sobre o quê os candidatos executariam, algo autoral ou versões de canções conhecidas. Algumas bandas escolheram não arriscar e foram no óbvio. 

Primeiro a subir ao palco, um trio denominado Villa Baggage, juntou "Minha Estrela Perdida" de João Paulo e Daniel, com "Dormi na Praça" de Bruno e Marrone e o primeiro cheiro de playback pairou no ar quando o violinista parou de tocar para cantar mas seu instrumento continuou soando! Quanto ao som, mais do mesmo. Me vi pela primeira vez na noite torcendo para que o termômetro não subisse, como se eu acreditasse na lisura destes programas. Não subiu.

Outros candidatos também ficaram pelo caminho. O fraquíssimo grupo de rap Freeside levou uma canção autoral chamada "Vem Com Noiz". Vou não. A Banda Batidão, que parece já ter um certo nome no Pará, me veio com mais uma praga da mídia regional chamada tecnomelody, que nada mais é que uma cópia de tudo que já foi vendido, surrado e desgastado, porém agora com outro nome novinho em folha, pronto pra ser empurrado goela abaixo dos devoradores de lixo. E fechando o grupo dos eliminados, a Fake Number executou (no sentido mais cruel da palavra) o clássico "O Portão", do Rei Roberto, com uma facada certeira desferida por uma cantora tenebrosa e um tiro de escopeta disparado por um deprimente arranjo emocore.

Agora chega de pesadelo. Falemos de coisas boas. Bem, fiquemos com menos piores porque boas é força de expressão. A primeira classificada não mostrou nada além de um cantor com uma curiosa voz grave e rouca, apesar de pouco técnica. A banda Malta adota um visual de rapazes malvados, porém interpretam uma musiquinha de amor xarope chamada "Memórias", versão da canção "Come Wake me Up" da banda americana Rascal Flatts (muito prazer, Cláudio).

Os segundos aprovados sim, me ganharam. Um ar de chutação de balde, um sopro de coisa diferente, arriscada. Quando Fernanda Lima anunciaou uma banda chamada Tarcísio Meira's Band, cheguei a sentar na cama. Pressenti que vinha algo no mínimo curioso. Musicalmente? Não. Esquece. Uma base simples de hard rock e um vocalista caricato vestido em um terno rosa cantando coisas como "sou do tempo do Getúlio/sou gay com muito orgulho" e "Rob Halford cantava/breaking the láaaaaaaaaau". Uma banana em forma de escracho pra indústria fonográfica e seus padrões mercadológicos. Se embalarem e derem certo, preencherão uma lacuna que já foi de Ultraje, João Penca e está aberta desde o desaparecimento dos Mamonas. Se é bom não sei. Ao menos não tenho a certeza de que é ruim como tenho dos outros.

A banda de reggae Yute Lions foi a terceira a alcançar os 70% de aprovação de público (votando através de um aplicativo) e jurados. Com uma execução impecável do clássico "Johnny B. Goode", a rapaziada ganhou rapidamente os votos da bancada e subiu com facilidade. Pela qualidade aparente da banda, acredito que alcançariam a segunda fase mesmo com uma canção autoral, mas não há dúvidas de que o apelo da música escolhida ajudou demais.

Encerrando o time dos classificados, o  pagode de boleiro Tô de Cara. Mais um grupelho de falso samba sustentado pela divulgação de jogadores de futebol, estas sumidades quando o assunto é música. Interpretando a canção "Sou o Cara pra Você", de Thiaguinho, a banda não dispensa nenhum dos batidos clichês do gênero. Péssimo e desnecessário, mas a Globo não perderia a chance, não é mesmo?

Assim caminhamos, pouco a pouco. É forte pra mim e não sei se conseguirei assistir a toda a disputa. Por enquanto, prometo apenas que semana que vem eu ainda estarei em frente à tv.


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02/04/2014 20h12

'Alô, alô, Terezinha!'. O Velho Guerreiro ainda é o cara.
Cláudio Francioni

"Eu voltei, agora pra ficar". Não. O post não tem nenhuma relação com o Rei ou suas opções gastronômicas/financeiras. É apenas uma saudação em forma de promessa após longo hiato, imposto pelas férias e por Momo.

Foto: Reprotução de TV

E meu retorno é pontuado por Abelardo e seu Cassino, cuja reprise está virando febre em pleno 2014. O programa vem sendo exibido há algum tempo pelo Canal Viva nas noites de segunda-feira (com reprise aos domingos) e impressiona pela aceitação medida no termômetro das redes sociais. Não vou me envolver em nenhum estudo sócio-antropológico para tentar entender o fenômeno, mas dois pontos podem fazer algum sentido. Primeiro, a fragilidade da programação televisiva atual. Não há muito de qualidade ao que assistir. E a segunda questão, aquela onde amarrarei meu texto, é o saudosismo e o choque estético que o programa impõe ao telespectador. Quando falo estética, me refiro ao sentido mais amplo da palavra, abrangendo visual, som e até a estrutura do programa.

Estamos em 1987 e não há dúvidas de que o mais gritante à nossa percepção é aquilo que os nossos olhos enxergam. Das roupas aos cabelos com cortes esquisitíssimos, dos cenários ao padrão de beleza feminino exposto em cada Chacrete, tudo chama a atenção. Na bancada do júri, nos assustam os figurões que a década nos empurrou goela abaixo: Alberto Brizola, Vanessa de Oliveira, Márcia Gabriele e inúmeros outros "quem?".

Outros detalhes também chamam a atenção do espectador mais atento, como o posicionamento político escancarado em cartazes de apoio ao governo ou um concurso do "negro mais bonito do Brasil" em uma época bem menos correta politicamente.

Mas vamos manter o foco (odeio este termo) sobre o tema principal do blog: as atrações musicais. Os famigerados playbacks ainda reinavam absolutos no fim dos oitenta, ganhando de goleada do solitário "Perdidos na Noite" do até então suportável Fausto Silva, o único que abria espaço para as bandas se apresentarem ao vivo. Porém, ainda pior do que as dublagens eram os efeitos que lançavam sobre as canções ou até mesmo as intervenções de Chacrinha com gemidos ou frases de efeito. Alguns artistas chegavam a debochar da situação, como Jorge Shy do Heróis da Resistência, que entrou no estúdio com uma guitarra inflável. 

O jabá das gravadoras proporcionava a alguns artistas um lugar cativo no programa. A cantora Kátia, por exemplo, cantou (?) "Qualquer Jeito" nas quatro últimas edições reapresentadas. O movimento axé engatinhava com Sarajane, Banda Reflexus, Banda Mel e Chiclete com Banana. Se tivessem parado por ali teriam causado menos danos à música nacional.

Léo Jaime, que no último programa reapresentado teve sua camisa retirada à força pelo apresentador e seu assistente Russo, apresentou um medley onde emendava oito de seus grandes sucessos. Também nesta edição, me alegrou a aparição de Tim Maia acompanhado de sua Vitória Régia. Os sucessos da época não podiam ficar de fora das tardes de sábado: Paralamas ("Será Que Vai Chover?"), Titãs ("Lugar Nenhum"), João Penca ("Banana Split"), Markinhos Moura ("Anjo Azul"), Fábio Júnior ("Desejos e Delírios") e vários outros se revezavam no estúdio. 

Porém, nem só de hits vivia o Cassino. Surpresas como o mega alternativo Arrigo Barnabé apresentando a bizarra "Uga Uga" ou a surreal aparição de Heitor TP tentando carreira solo de cantor (antes de se tornar guitarrista do Simply Red e mais tarde compositor de trilhas para cinema em Hollywood) eram comuns.

Por fim, antes de comemorar a bola dentro do Viva, é preciso lamentar que hoje em dia com todos os recursos imagináveis, ainda tenhamos inúmeros programas que perderiam de longe para a zona que Chacrinha fazia na TV brasileira. A verdade é que 26 anos após sua morte, o Velho Guerreiro ainda está com tudo e não está prosa. Alô alô, Terezinha! Vida longa ao Cassino!

Lobão - "Vida, Louca Vida" 


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05/12/2013 22h36

Tributo a Nelson Mandela
Cláudio Francioni

O mundo chora a perda de uma das figuras mais importantes da humanidade. Madiba dispensa apresentações. Sua existência inspirou não só revoluções políticas e sociais mas também o mundo da arte. Além de várias canções, o líder sul-africano ganhou um tributo com o objetivo de utilizar a classe artística para implorar por sua libertade, além de comemorar seu septuagésimo aniversário.

O concerto aconteceu em junho de 1988 no Estádio de Wembley, Londres, e contou com apresentações de George Michael, Sting, Eurythmics, Joe Cocker, Phil Collins, UB40, Eric Clapton, Stevie Wonder, Simple Minds, Peter Gabriel, Whitney Houston e Dire Straits, além de artistas africanos como Miriam Makeba, Youssou N'Dour e Salif Keita. Whoopi Goldberg e Richard Gere também participaram dos intervalos entre um número e outro.

Abaixo, alguns momentos do tributo:

 

 


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30/11/2013 13h06

Copa Musical: Costa Rica
Cláudio Francioni

Dando prosseguimento ao garimpo musical nos países classificados para a Copa de 2014, chegamos à bela Costa Rica.

Foto: Divulgação

O achado do dia é a banda Malpaís. Com pouco mais de dez anos de existência, o quinteto liderado por Fidel Gamboa encerrou suas atividades em 2011 após seis álbuns de estúdio e um ao vivo. Vestindo uma roupagem pop nas influências caribenhas e mexicanas que o país absorve, o Malpaís (cujo nome homenageia uma famosa praia da Costa Rica) foi a maior sensação no cenário musical costarriquenho da primeira década do século.

A linda canção "Mirá a tu Alrededor" foi o último grande sucesso da banda, lançada no último álbum, "Volver a Casa", de 2011.

Malpaís - "Mirá a tu Alrededor"



21/11/2013 11h17

Copa Musical: Argentina
Cláudio Francioni

Definidas as 32 seleções classificadas para a Copa do Mundo, começo hoje um desafio: homenagear os povos que estarão por aqui no ano que vem. Publicarei um vídeo e um pequeno texto sobre algum destaque musical de cada país.

Será um trabalho árduo de pesquisa e se alguém quiser colaborar com sugestões, agradeço.

Começando por nossos queridos hermanitos. Da terra de Messi e Higuaín vem o gênio Astor Piazzolla. O argentino compôs esta peça em Nova Iorque no final de 1959, pouco após perder seu pai, a quem chamava de nonino (avozinho). A homenagem resultou em uma de suas obras primas, aquela que o próprio compositor chamava de seu tango número um.

"Adiós Nonino"

 



18/10/2013 00h17

Todas as glórias ao imortal Black Sabbath
Cláudio Francioni

O mito em torno de um senhor de 64 anos arrastou uma pequena multidão à Praça da Apoteose para vê-lo comandar o não menos lendário Black Sabbath. Ozzy é um ser heteróclito. Caminha pelo palco a passos de Vovó Naná (sensacional personagem de Jô Soares), imita um relógio cuco entre as canções e brinca com o público, se autoproclamando um "fucking crazy".

Foto: Cláudio Francioni

A idade faz com que seja paradoxal ao ponto de cantar coisas como "meu nome é Lúcifer/por favor segure minha mão" e nos intervalos das canções disparar um "God bless you" para a galera. Contudo, é difícil tirar os olhos dele. Sequelado ou fruto de um personagem, o velhinho é um show à parte. Nem a sua fama de comedor de morcegos escapou das brincadeiras: no meio do show, apareceu mordendo um pequeno quiróptero de borracha.

Seu timbre de voz continua único, apesar de não ter o alcance de tempos atrás, o que é natural. Algumas canções tiveram seus tons abaixados, como "Iron Man" e "Paranoid", por exemplo.

O show começou pontualmente às 20h15min, conforme o anunciado. Já em "War Pigs", canção que abriu os trabalhos, o baterista Tommy Clufetos deixou claro que Bill Ward não faria tanta falta. Além de bom instrumentista, Clufetos (que também acompanha Ozzy em sua carreira solo) é daqueles que sentam a mão no instrumento, o que é ótimo para o gênero. 

Foto: Cláudio Francioni

Outro que possui uma técnica bastante peculiar é Geezer Butler. O baixista tem um pizzicato fortíssimo sem sujar o som de seu instrumento, fato bem incomum e de difícil execução. Ao vivo, Butler soou muito melhor do que nas gravações, o que foi uma grata surpresa para mim. 

Completando o quarteto, Tony Iommi era o que me despertava a maior expectativa. Como soaria ao vivo em 2013, um guitarrista que fez história há 40 anos com um timbre seco, cru, produzido por equipamentos que hoje em dia podem ser considerados pré-históricos? Tinha dúvidas se Tony buscaria ser fiel a sonoridade original da banda e se alcançaria sucesso nessa tentativa. Mas o guitarrista optou pela modernidade e, para mim, o grande barato da noite foi ouvir alguns clássicos que meus ouvidos se acostumaram a receber com aquela roupa velha (porém agradável), mas dessa vez com tudo que a tecnologia oferece em termos de qualidade sonora. 

Adam Wakeman, tecladista e filho do genial Rick Wakeman, que andou acompanhando o Sabbath em alguns shows da turnê, desta vez não apareceu. Mas em diversos momentos os sons de teclados pré-gravados rolavam no fundo, assim como efeitos sonoros e toques de sinos. 

Foto: Cláudio Francioni

O setlist, que privilegiou os quatro primeiros álbuns da banda, só pecou pela ausência de "Sabbath Bloody Sabbath", que teve apenas sua introdução executada no bis, antes de "Paranoid". Até as três boas canções do novo disco, "13", foram bem recebidas. Entre as 16 canções, Clufetos e Butler tiveram seus momentos de solo, mas optaram por jogar mais para a galera do que mostrar algo de original. 

Depois de duas horas, a multidão vai embora feliz da vida com a gravação de "Zetgeist", do novo álbum, ao fundo. Ave, Sabbath, te saúdam aqueles que morrerão. O Príncipe das Trevas e o rock'n'roll não morrerão jamais. 

Setlist

1-War Pigs
2-Into the Void
3-Under the Sun/Every Day Comes and Goes
4-Snowblind
5-Age of Reason 
6-Black Sabbath
7-Behind the Wall of Sleep
8-N.I.B.
9-End of the Beginning
10-Fairies Wear Boots
11-Rat Salad
12-Iron Maiden
13-God Is Dead?
14-Dirty Women
15-Children of the Grave

BIS 

16-Paranoid
Zetgeist