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Cláudio Francioni

Cláudio Francioni

Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

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02/06/2014 15h12

Superstar: considerações intermediárias
Cláudio Francioni

Demorei um pouco a retomar os comentários sobre o programa, admito. Não tive como não implicar com diversas questões que já havia levantado em outros posts e com outras que apareceram depois, como o esquisito cálculo matemático sobre o percentual de votos colocado na tela. Oras, se existe um "sim" e um "não" para serem votados, por que o percentual não desce nunca? Não deveria oscilar, variando conforme a quantidade das respostas?

Impliquei também com as mudanças nas regras, com a falta de função dos "treinadores", com a inutilidade do telão que sobe e desce nas fases avançadas e principalmente, sobretudo, fundamentalmente com a confirmação de que a execução das canções não era ao vivo. Playback? Por que, Globo? Dá trabalho trocar o palco e salvar todas as equalizações num programa ao vivo? Façam-me o favor! Vocês fazem coisas muito mais trabalhosas, dona Globo! Qual o sentido de um programa que avalia bandas sendo que as mesmas não estão tocando ao vivo? O que, afinal, está sendo avaliado, já que a obra também não é, haja visto que músicas autorais competem contra covers ou releituras. Pra banda, ótimo, não há o que contestar. A exposição é mais do que válida, independente de estarem tocando ou fingindo. Mas para quem produz, fica-se com a impressão de que o que está em jogo são apenas os rostinhos, as coreografias, os penteados, enfim, o potencial visual e comercial de cada banda.

Imagem: Reprodução de TV

Apesar de tudo continuei assistindo, às vezes em tempo real, outras pela internet no dia seguinte. E como não entendo lhufas de potencial comercial (e nem estou aqui pra isso), venho opinar que, após já ter visto cinco apresentações de cada banda, a única que mostrou condições de se sustentar artisticamente no cenário musical após o programa é a SURICATO. É a única que procura uma identidade sonora própria, que não tenta soar como ninguém. Lamento muito pela precoce eliminação da Fuzzcas, outra banda que parecia buscar um rumo particular.

Vejam bem, não confundam com qualidade. A Jamz é ótima, assim como a Melody (argh, que nome horroroso), mas pra permanecer no topo quando o programa acabar, acho que ainda falta apresentar algo com a sua cara.

A Cluster Sister é um capítulo a parte. É maravilhosa, porém acredito que lamentavelmente não haverá espaço para seu trabalho em nosso engessado e cego showbizz.

Quanto aos outros, a Yute Lions é uma boa banda e pode chegar a algum lugar no métier do reggae, mas soa igual às outras do gênero. Na mesma prateleira eu coloco o Bicho de Pé, dentro do nicho xote/xaxado/baião. Qualidade também tem a Move Over, principalmente sua cantora, mas a sonoridade de bandinha rebelde-sem-causa-de-seriados-da-Disney-Channel é chata de doer.

O resto não era nem pra estar ali. Luan e Forró Estilizado é apenas uma tentativa de promover mais um idolozinho efêmero. Nas suas cinco apresentações só tocou o essencial que qualquer banda de forró toca e da forma mais previsível possível. E o horroroso Grupo do Bola é uma piada de mau gosto. Só servem pra escrachar os playbacks do programa, uma vez que seus integrantes passam três minutos se preocupando mais com as ridículas coreografias do que em sequer fingir que estão tocando seus instrumentos. 

Mas infelizmente o programa me parece estar desenhado para a insossa Malta. Um som manjado, umas baladinhas que caberiam perfeitamente no repertório de qualquer cantorzinho romântico pegajoso. Um grande porre. Mas o público (se é que aquela votação existe mesmo) parece estar encantado com a voz rouca de seu cantor, que a mim não agrada em nada.

Fazer o quê? É o conhecido gosto do povo brasileiro, estimulado por veículos que estão mais interessados nos padrões comerciais do que na qualidade artística. Ou vice-versa. 


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14/04/2014 21h18

Afinal, o que é o 'Superstar'?
Cláudio Francioni

Conforme prometido, cá estou mais uma vez para cornetar o global "Superstar". Sim, sobrevivi ao segundo episódio mas confesso que não sei se suportarei por muito tempo, pois cada vez me incomoda mais a falta de uma proposta clara e definida. Qual é a do programa, afinal? O que está em jogo? O que é avaliado? Como pode um trabalho autoral competir contra covers? Baterei nesta tecla enquanto não houver uma resposta ou até que eu desista de acompanhar.

Foto: Reprodução de TV

Desta vez nove bandas passaram pelo palco do evento e nada menos do que oito se classificaram. Bizarro, não? No primeiro episódio classificaram-se apenas quatro das oito que se apresentaram. Ontem passou quase tudo. Deduz-se, então, que o nível desta segunda semana foi bem superior, certo? Erradíssimo. Foram aprovadas aberrações como o tal Grupo do Bola que adaptou pro falso pagode a canção "Papo Reto" do Charlie Brown Jr. ou o lamentável Trio Violada, com mais um lixo do tal sertanejo universitário.

Neste segundo caso, ocorreu pela primeira vez uma situação de saia justíssima, pois os três jurados empurraram um "não" para a banda mas o povo (sempre ele) me fez o favor de aprová-los. Na hora de escolher o padrinho, Ivete, que chegou a se esconder atrás da mesa e fazer sinal de negativo com a mão, acabou fazendo uma média e aceitou a sugestão dos próprios candidatos, coisa que a apresentadora Fernanda Lima havia acabado de dizer que não poderia acontecer. A baiana disse que não gostava muito das temáticas repetidas do estilo. Ah sim, o gênero que ela canta é recheado de temáticas variadas e interessantíssimas, não? Mas pelo menos o telespectador ficou sabendo que seu equipamento estava funcionando, pois foi a única vez que a cantora reprovou alguém em dezessete apresentações.

Apesar da fragilidade vocal da cantora Carol, a banda Fuzzcas foi, na minha opinião, o grande destaque da noite com a canção autoral "Deveras", um delicioso fox retrô com ares de modernidade. Outras ótimas apresentações foram protagonizadas pela Suricato (banda que já possui certo reconhecimento no cenário carioca) com uma releitura de "Come Together" dos Beatles e a curiosa Cluster Sisters que apresentou a canção "It Don't Mean a Thing" de Duke Ellington, um clássico da época das big bands. Artisticamente um primor, porém não sei se interessante comercialmente. 

As outras três classificadas me trouxeram algumas ressalvas e dúvidas. Vamos por partes. A Rádio Hits, conhecida banda de baile do Rio de Janeiro, apresentou "Treasure", um cover bombástico e atualíssimo de Bruno Mars. Amo esta canção, mas volto ao primeiro parágrafo: qual é a desse programa? A banda executou a canção respeitando fielmente uns 90% do arranjo original. Até a coreografia era copiada do clipe da canção. Em uma festa, nota um milhão pra eles. Ali não. Mas só o Dinho concordou comigo. A Instinto apresentou uma desinteressante versão de "Inútil" do Ultraje e não fez jus algum aos elogios rasgados do júri. Mas Fernanda Lima cantou a pedra antes da apresentação, alertando sobre a boa estampa dos rapazes. Eu, hein. E por fim a The Soul Session trouxe "Mandamentos Black", um funkão de Gerson King Combo bem arranjado, com um groove de baixo fantástico, porém uma letra tosca (eu te amo, brother??) e um péssimo cantor que brigou com a afinação durante toda a canção.

A única banda a ficar de fora foi a Medulla, que executou uma incompreensível mistura de "The Pretender" do Foo Fighters com "Aluga-se" de Raul. Não acertaram a mão e foram reprovados com justiça.

Quanto aos jurados, fica cada vez mais evidente a falta de conteúdo artístico em seus comentários e a ausência de apuro em suas avaliações. Confesso que está difícil, mas ainda prometo estar aqui para o terceiro episódio. Até lá!


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07/04/2014 23h30

Quem quer ser um 'Superstar'?
Cláudio Francioni

Após algum tempo sem encontrar nenhum programa que me motivasse a assistir à toda poderosa Globo, resolvi dar uma chance a "Superstar", nova aposta da emissora. O modelo segue a mesma linha de "The Voice": uma enorme superprodução sustentada por velhas manias que diminuem a credibilidade do evento. Portanto, ainda estou em busca da resposta do porquê resolvi me render à novidade, haja visto que ignorei por completo as duas versões de seu similar mais famoso.

Foto: Reprodução de TV

Os jurados escolhidos não poderiam fugir ao padrão fiel da busca pela audiência desqualificada maciça, aquela mais preocupada com a imagem do que com o conteúdo. Ivete, a onipresente, Fábio Júnior, o galã amassado, e Dinho Ouro Preto, o cinquentão de comportamento adolescentóide e sua enxurrada de "véio" e "tá ligado?". Definitivamente, está selada a impressão de que o tombo não fez bem ao cantor. 

A dinâmica da competição é interessante e acaba gerando apreensão, uma vez que o percentual de aceitação da banda vai subindo, rapidamente ou aos poucos, ao longo da canção executada e somente com 70% de aprovação se alcança a fase seguinte. Cada vez que um dos jurados aceitam os artistas o percentual sobe sete pontos.

A primeira coisa que me encucou foi a presença de Ivete. A baiana disse sim a todas as bandas. Havendo honestidade, conclui-se que seu gosto musical é tão raso quanto seu repertório. A partir de semana que vem podem substituí-la por um boneco e programar seu voto para o modo automático. Grande economia de cachê. Outra situação que me incomodou foi a indefinição sobre o quê os candidatos executariam, algo autoral ou versões de canções conhecidas. Algumas bandas escolheram não arriscar e foram no óbvio. 

Primeiro a subir ao palco, um trio denominado Villa Baggage, juntou "Minha Estrela Perdida" de João Paulo e Daniel, com "Dormi na Praça" de Bruno e Marrone e o primeiro cheiro de playback pairou no ar quando o violinista parou de tocar para cantar mas seu instrumento continuou soando! Quanto ao som, mais do mesmo. Me vi pela primeira vez na noite torcendo para que o termômetro não subisse, como se eu acreditasse na lisura destes programas. Não subiu.

Outros candidatos também ficaram pelo caminho. O fraquíssimo grupo de rap Freeside levou uma canção autoral chamada "Vem Com Noiz". Vou não. A Banda Batidão, que parece já ter um certo nome no Pará, me veio com mais uma praga da mídia regional chamada tecnomelody, que nada mais é que uma cópia de tudo que já foi vendido, surrado e desgastado, porém agora com outro nome novinho em folha, pronto pra ser empurrado goela abaixo dos devoradores de lixo. E fechando o grupo dos eliminados, a Fake Number executou (no sentido mais cruel da palavra) o clássico "O Portão", do Rei Roberto, com uma facada certeira desferida por uma cantora tenebrosa e um tiro de escopeta disparado por um deprimente arranjo emocore.

Agora chega de pesadelo. Falemos de coisas boas. Bem, fiquemos com menos piores porque boas é força de expressão. A primeira classificada não mostrou nada além de um cantor com uma curiosa voz grave e rouca, apesar de pouco técnica. A banda Malta adota um visual de rapazes malvados, porém interpretam uma musiquinha de amor xarope chamada "Memórias", versão da canção "Come Wake me Up" da banda americana Rascal Flatts (muito prazer, Cláudio).

Os segundos aprovados sim, me ganharam. Um ar de chutação de balde, um sopro de coisa diferente, arriscada. Quando Fernanda Lima anunciaou uma banda chamada Tarcísio Meira's Band, cheguei a sentar na cama. Pressenti que vinha algo no mínimo curioso. Musicalmente? Não. Esquece. Uma base simples de hard rock e um vocalista caricato vestido em um terno rosa cantando coisas como "sou do tempo do Getúlio/sou gay com muito orgulho" e "Rob Halford cantava/breaking the láaaaaaaaaau". Uma banana em forma de escracho pra indústria fonográfica e seus padrões mercadológicos. Se embalarem e derem certo, preencherão uma lacuna que já foi de Ultraje, João Penca e está aberta desde o desaparecimento dos Mamonas. Se é bom não sei. Ao menos não tenho a certeza de que é ruim como tenho dos outros.

A banda de reggae Yute Lions foi a terceira a alcançar os 70% de aprovação de público (votando através de um aplicativo) e jurados. Com uma execução impecável do clássico "Johnny B. Goode", a rapaziada ganhou rapidamente os votos da bancada e subiu com facilidade. Pela qualidade aparente da banda, acredito que alcançariam a segunda fase mesmo com uma canção autoral, mas não há dúvidas de que o apelo da música escolhida ajudou demais.

Encerrando o time dos classificados, o  pagode de boleiro Tô de Cara. Mais um grupelho de falso samba sustentado pela divulgação de jogadores de futebol, estas sumidades quando o assunto é música. Interpretando a canção "Sou o Cara pra Você", de Thiaguinho, a banda não dispensa nenhum dos batidos clichês do gênero. Péssimo e desnecessário, mas a Globo não perderia a chance, não é mesmo?

Assim caminhamos, pouco a pouco. É forte pra mim e não sei se conseguirei assistir a toda a disputa. Por enquanto, prometo apenas que semana que vem eu ainda estarei em frente à tv.


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02/04/2014 20h12

'Alô, alô, Terezinha!'. O Velho Guerreiro ainda é o cara.
Cláudio Francioni

"Eu voltei, agora pra ficar". Não. O post não tem nenhuma relação com o Rei ou suas opções gastronômicas/financeiras. É apenas uma saudação em forma de promessa após longo hiato, imposto pelas férias e por Momo.

Foto: Reprotução de TV

E meu retorno é pontuado por Abelardo e seu Cassino, cuja reprise está virando febre em pleno 2014. O programa vem sendo exibido há algum tempo pelo Canal Viva nas noites de segunda-feira (com reprise aos domingos) e impressiona pela aceitação medida no termômetro das redes sociais. Não vou me envolver em nenhum estudo sócio-antropológico para tentar entender o fenômeno, mas dois pontos podem fazer algum sentido. Primeiro, a fragilidade da programação televisiva atual. Não há muito de qualidade ao que assistir. E a segunda questão, aquela onde amarrarei meu texto, é o saudosismo e o choque estético que o programa impõe ao telespectador. Quando falo estética, me refiro ao sentido mais amplo da palavra, abrangendo visual, som e até a estrutura do programa.

Estamos em 1987 e não há dúvidas de que o mais gritante à nossa percepção é aquilo que os nossos olhos enxergam. Das roupas aos cabelos com cortes esquisitíssimos, dos cenários ao padrão de beleza feminino exposto em cada Chacrete, tudo chama a atenção. Na bancada do júri, nos assustam os figurões que a década nos empurrou goela abaixo: Alberto Brizola, Vanessa de Oliveira, Márcia Gabriele e inúmeros outros "quem?".

Outros detalhes também chamam a atenção do espectador mais atento, como o posicionamento político escancarado em cartazes de apoio ao governo ou um concurso do "negro mais bonito do Brasil" em uma época bem menos correta politicamente.

Mas vamos manter o foco (odeio este termo) sobre o tema principal do blog: as atrações musicais. Os famigerados playbacks ainda reinavam absolutos no fim dos oitenta, ganhando de goleada do solitário "Perdidos na Noite" do até então suportável Fausto Silva, o único que abria espaço para as bandas se apresentarem ao vivo. Porém, ainda pior do que as dublagens eram os efeitos que lançavam sobre as canções ou até mesmo as intervenções de Chacrinha com gemidos ou frases de efeito. Alguns artistas chegavam a debochar da situação, como Jorge Shy do Heróis da Resistência, que entrou no estúdio com uma guitarra inflável. 

O jabá das gravadoras proporcionava a alguns artistas um lugar cativo no programa. A cantora Kátia, por exemplo, cantou (?) "Qualquer Jeito" nas quatro últimas edições reapresentadas. O movimento axé engatinhava com Sarajane, Banda Reflexus, Banda Mel e Chiclete com Banana. Se tivessem parado por ali teriam causado menos danos à música nacional.

Léo Jaime, que no último programa reapresentado teve sua camisa retirada à força pelo apresentador e seu assistente Russo, apresentou um medley onde emendava oito de seus grandes sucessos. Também nesta edição, me alegrou a aparição de Tim Maia acompanhado de sua Vitória Régia. Os sucessos da época não podiam ficar de fora das tardes de sábado: Paralamas ("Será Que Vai Chover?"), Titãs ("Lugar Nenhum"), João Penca ("Banana Split"), Markinhos Moura ("Anjo Azul"), Fábio Júnior ("Desejos e Delírios") e vários outros se revezavam no estúdio. 

Porém, nem só de hits vivia o Cassino. Surpresas como o mega alternativo Arrigo Barnabé apresentando a bizarra "Uga Uga" ou a surreal aparição de Heitor TP tentando carreira solo de cantor (antes de se tornar guitarrista do Simply Red e mais tarde compositor de trilhas para cinema em Hollywood) eram comuns.

Por fim, antes de comemorar a bola dentro do Viva, é preciso lamentar que hoje em dia com todos os recursos imagináveis, ainda tenhamos inúmeros programas que perderiam de longe para a zona que Chacrinha fazia na TV brasileira. A verdade é que 26 anos após sua morte, o Velho Guerreiro ainda está com tudo e não está prosa. Alô alô, Terezinha! Vida longa ao Cassino!

Lobão - "Vida, Louca Vida" 


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05/12/2013 22h36

Tributo a Nelson Mandela
Cláudio Francioni

O mundo chora a perda de uma das figuras mais importantes da humanidade. Madiba dispensa apresentações. Sua existência inspirou não só revoluções políticas e sociais mas também o mundo da arte. Além de várias canções, o líder sul-africano ganhou um tributo com o objetivo de utilizar a classe artística para implorar por sua libertade, além de comemorar seu septuagésimo aniversário.

O concerto aconteceu em junho de 1988 no Estádio de Wembley, Londres, e contou com apresentações de George Michael, Sting, Eurythmics, Joe Cocker, Phil Collins, UB40, Eric Clapton, Stevie Wonder, Simple Minds, Peter Gabriel, Whitney Houston e Dire Straits, além de artistas africanos como Miriam Makeba, Youssou N'Dour e Salif Keita. Whoopi Goldberg e Richard Gere também participaram dos intervalos entre um número e outro.

Abaixo, alguns momentos do tributo:

 

 


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30/11/2013 13h06

Copa Musical: Costa Rica
Cláudio Francioni

Dando prosseguimento ao garimpo musical nos países classificados para a Copa de 2014, chegamos à bela Costa Rica.

Foto: Divulgação

O achado do dia é a banda Malpaís. Com pouco mais de dez anos de existência, o quinteto liderado por Fidel Gamboa encerrou suas atividades em 2011 após seis álbuns de estúdio e um ao vivo. Vestindo uma roupagem pop nas influências caribenhas e mexicanas que o país absorve, o Malpaís (cujo nome homenageia uma famosa praia da Costa Rica) foi a maior sensação no cenário musical costarriquenho da primeira década do século.

A linda canção "Mirá a tu Alrededor" foi o último grande sucesso da banda, lançada no último álbum, "Volver a Casa", de 2011.

Malpaís - "Mirá a tu Alrededor"



21/11/2013 11h17

Copa Musical: Argentina
Cláudio Francioni

Definidas as 32 seleções classificadas para a Copa do Mundo, começo hoje um desafio: homenagear os povos que estarão por aqui no ano que vem. Publicarei um vídeo e um pequeno texto sobre algum destaque musical de cada país.

Será um trabalho árduo de pesquisa e se alguém quiser colaborar com sugestões, agradeço.

Começando por nossos queridos hermanitos. Da terra de Messi e Higuaín vem o gênio Astor Piazzolla. O argentino compôs esta peça em Nova Iorque no final de 1959, pouco após perder seu pai, a quem chamava de nonino (avozinho). A homenagem resultou em uma de suas obras primas, aquela que o próprio compositor chamava de seu tango número um.

"Adiós Nonino"

 



18/10/2013 00h17

Todas as glórias ao imortal Black Sabbath
Cláudio Francioni

O mito em torno de um senhor de 64 anos arrastou uma pequena multidão à Praça da Apoteose para vê-lo comandar o não menos lendário Black Sabbath. Ozzy é um ser heteróclito. Caminha pelo palco a passos de Vovó Naná (sensacional personagem de Jô Soares), imita um relógio cuco entre as canções e brinca com o público, se autoproclamando um "fucking crazy".

Foto: Cláudio Francioni

A idade faz com que seja paradoxal ao ponto de cantar coisas como "meu nome é Lúcifer/por favor segure minha mão" e nos intervalos das canções disparar um "God bless you" para a galera. Contudo, é difícil tirar os olhos dele. Sequelado ou fruto de um personagem, o velhinho é um show à parte. Nem a sua fama de comedor de morcegos escapou das brincadeiras: no meio do show, apareceu mordendo um pequeno quiróptero de borracha.

Seu timbre de voz continua único, apesar de não ter o alcance de tempos atrás, o que é natural. Algumas canções tiveram seus tons abaixados, como "Iron Man" e "Paranoid", por exemplo.

O show começou pontualmente às 20h15min, conforme o anunciado. Já em "War Pigs", canção que abriu os trabalhos, o baterista Tommy Clufetos deixou claro que Bill Ward não faria tanta falta. Além de bom instrumentista, Clufetos (que também acompanha Ozzy em sua carreira solo) é daqueles que sentam a mão no instrumento, o que é ótimo para o gênero. 

Foto: Cláudio Francioni

Outro que possui uma técnica bastante peculiar é Geezer Butler. O baixista tem um pizzicato fortíssimo sem sujar o som de seu instrumento, fato bem incomum e de difícil execução. Ao vivo, Butler soou muito melhor do que nas gravações, o que foi uma grata surpresa para mim. 

Completando o quarteto, Tony Iommi era o que me despertava a maior expectativa. Como soaria ao vivo em 2013, um guitarrista que fez história há 40 anos com um timbre seco, cru, produzido por equipamentos que hoje em dia podem ser considerados pré-históricos? Tinha dúvidas se Tony buscaria ser fiel a sonoridade original da banda e se alcançaria sucesso nessa tentativa. Mas o guitarrista optou pela modernidade e, para mim, o grande barato da noite foi ouvir alguns clássicos que meus ouvidos se acostumaram a receber com aquela roupa velha (porém agradável), mas dessa vez com tudo que a tecnologia oferece em termos de qualidade sonora. 

Adam Wakeman, tecladista e filho do genial Rick Wakeman, que andou acompanhando o Sabbath em alguns shows da turnê, desta vez não apareceu. Mas em diversos momentos os sons de teclados pré-gravados rolavam no fundo, assim como efeitos sonoros e toques de sinos. 

Foto: Cláudio Francioni

O setlist, que privilegiou os quatro primeiros álbuns da banda, só pecou pela ausência de "Sabbath Bloody Sabbath", que teve apenas sua introdução executada no bis, antes de "Paranoid". Até as três boas canções do novo disco, "13", foram bem recebidas. Entre as 16 canções, Clufetos e Butler tiveram seus momentos de solo, mas optaram por jogar mais para a galera do que mostrar algo de original. 

Depois de duas horas, a multidão vai embora feliz da vida com a gravação de "Zetgeist", do novo álbum, ao fundo. Ave, Sabbath, te saúdam aqueles que morrerão. O Príncipe das Trevas e o rock'n'roll não morrerão jamais. 

Setlist

1-War Pigs
2-Into the Void
3-Under the Sun/Every Day Comes and Goes
4-Snowblind
5-Age of Reason 
6-Black Sabbath
7-Behind the Wall of Sleep
8-N.I.B.
9-End of the Beginning
10-Fairies Wear Boots
11-Rat Salad
12-Iron Maiden
13-God Is Dead?
14-Dirty Women
15-Children of the Grave

BIS 

16-Paranoid
Zetgeist



23/09/2013 17h37

RiR: Bruce Springsteen bota o festival no bolso
Cláudio Francioni

Não teve pra ninguém. Os dois Bruces colocaram o festival no bolso. Foram como a Kizomba da Vila Isabel em 88. Como o Bum Bum Paticumbum do Império em 82. Passaram e não deixaram dúvidas. Bruce Springsteen e Iron Maiden são os donos do Rock in Rio 2013. Vamos aos breves palpites sobre o que aconteceu neste penúltimos dia.

O melhor momento do palco secundário ficou por conta do encontro entre Pepeu, Moraes Moreira e Roberta Sá. Com exceção da combalida voz de Moraes, o show foi divertidíssimo. A cantora com uma postura incomum, fora de seu habitat natural, foi muito bem e o setlist foi um primor, com clássicos dos Novos Baianos e das carreiras solo dos dois dinossauros. 

Foto: Divulgação

No palco principal, ficou por conta do Skank abrir aquela que seria a melhor noite da edição 2013 do Rock in Rio. Repetindo 2011, emendaram um petardo no outro e não deixaram ninguém parado no relvado sintético. Nando Reis entrou para cantar "Resposta" e desta vez não agrediu tanto a afinação quanto na semana passada. Era o prenúncio de uma grande noite.

O segundo a pisar no Mundo, Phillip Phillips foi muito bem para quem veio como contrapeso de alguma outra grande atração. Quando pesquisei sobre sua carreira, esperava um grande cantor, já que sua origem era o American Idol. Longe disso. Phillip não é um grande cantor. Bate na trave com frequência e lhe falta fôlego constantemente. Mas trouxe uma baita banda consigo, com arranjos criativos que exploravam a qualidade de seus músicos e fez um show muito bem amarrado, além do que se esperava. Méritos também pela coragem de tirar do concurso que o revelou e colocar no palco do Rock in Rio a reconstrução de um clássico do nível de "Thriller", que tem sua versão definitiva na voz do gênio Michael.

Foto: Divulgação

Seguindo em frente, John Mayer elevou ainda mais o nível da noite. Das atrações que vi ao vivo, apresentou o melhor som do festival. Impecável. Se ouvia tudo com maior clareza e precisão. Mayer é (muito) melhor guitarrista do que cantor. Explora perfeitamente seu lado instrumentista, recheando suas canções de solos, riffs e frases soltas, dominando muito bem tanto a técnica de palhetada quando o pizzicato com três dedos. Fora do Brasil, há muita gente que o compara com Eric Clapton, mas por diversas vezes seu timbre lembra demais o de Mark Knopfler, do Dire Straits, pela semelhança ao tocar sem a palheta. Um belo show de um grande artista. Tomara que o frenesi pós-adolescente feminino não faça com que sua carreira descambe para outro lado.

Foto: Divulgação

Que imagem poderia descrever melhor a passagem de Bruce Springsteen pelo Rio do que esta acima? Um instante único, onde um grande artista mostra seu lado de homem simples e vai para o meio de um público atônito e em êxtase. Passava de 0h30min quando o chefe entrou no palco. Lá embaixo, muita gente havia ido embora. Gente que foi somente para ver Mayer perdeu mais do que um show, um momento histórico, épico. Arriscaria dizer que talvez tenha sido o espetáculo mais marcante de todo o festival desde o Queen em 1985. O americano confirmou a aposta de Roberto Medina, pois logo após a edição passada, o empresário declarou em entrevista que seu sonho era trazê-lo para ser a grande atração em 2013. Muitos torceram o nariz, inclusive eu. Desculpa, Medina. Não é à tôa que o cara é idolatrado há mais de 30 anos nos Estados Unidos. Por aqui, Bruce era apenas o cantor que surgiu para nós em "We Are the World" e despertou a nossa curiosidade a ponto da gravadora se mexer, promovendo o lançamento de "Born in the USA" em terras tupiniquins e gerando um sucesso efêmero. Mas só agora podemos dizer que o descobrimos de verdade. Bruce é um artista que valoriza cada centavo do contratante e cada segundo do espetáculo. Na madrugada de sábado pra domingo, deixou o país boquiaberto com uma energia incomum a um senhor de quase 64 anos. Correu, cantou, tocou, interagiu, sorriu, brincou, foi pra galera e a galera foi pra ele. Sua E-Street Band é um capítulo à parte. Não consegui contar, mas certamente havia mais de 15 músicos no palco, Tinha de tudo: violino, acordeon e até uma tuba. Música tocada de verdade por quem sabe fazer. Foram 2h40min memoráveis, começando pela simpática atitude de homenagear Raul Seixas, passando por todo o álbum "Born in the USA" e culminando em "This Hard Land", cuja letra sintetiza um pouco da obra do cantor, descrevendo as dificuldades do homem simples em busca de seu lugar ao sol. Em um certo momento, pediu desculpas por ignorar tanto tempo o público brasileiro. A recíproca é verdadeira, querido chefe. O senhor arrebentou e vai deixar saudades. Volte logo!

 


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21/09/2013 14h08

RiR: um Bon Jovi sem essência nem identidade.
Cláudio Francioni

Enfim chegou o tal dia 20. Aquele cujos ingressos foram esgotados antes de qualquer outro dia em ambas as fases de venda. Em português claro, o dia que o enorme fã-clube brasileiro do Bon Jovi contou os segundos pra chegar. E depois de tanta espera, o panorama não foi nada animador.

Ainda não vi Matchbox Twenty, Nickelback e Ben Harper, portanto deixarei estas análises pra um outro dia.

A tarde foi aberta com o encontro entre The Gift e o Afrolata. A cantora portuguesa Sonia Tavares, visualmente uma espécie de Amy Winehouse que entrou para o Manowar, até tentou, mas o show deu sono. Ruim, mas nada comparado ao que viria a seguir.

Me pergunto quem foi o gênio que um dia olhou para Mallu Magalhães e disse: "tá aí! Essa menina tem futuro. Vou apostar nela". Quem deu espaço pra uma menina sem voz, sem afinação, sem carisma, sem nada? Mallu me parece uma afronta da galerinha descolada pra cima da grande mídia. Uma espécie de "quanto pior, melhor". Pra ficar mais trágico, a cantora se apresentou ao lado de um time dos sonhos da música instrumental brasileira. Jurim Moreira, Ricardo Silveira, Mário Adnet, Zé Nogueira e Marcos Nimrichter, este de uma nova geração mas não menos talentoso, formam uma seleção do que há de melhor em termos de instrumentistas nacionais. Quando Mallu saiu do palco e deixou a Ouro Negro sozinha tocando três canções, foi um deleite. Dez minutos de alívio total. Ao retornar, mandou um "voltei" muito sem graça. Juro que ouvi no fundo alguém gritando "aaaaaaah". Botar a Ouro Negro pra acompanhar Mallu Magalhães seria o mesmo que dar uma Ferrari nas mãos do Felipe Massa. Oh, wait!

Foto: Divulgação

Já a atração seguinte foi uma agradável surpresa. A parceria entre Grace Potter e Donavon Frankenreiter foi tiro certo. A loirinha é uma gigante no palco. Canta muito, toca e não para um segundo para dar energia e sustentar o peso de sua "the Nocturnals". A mescla com o soft rock tipicamente californiano de Donavon ficou muito legal.

Foto: Divulgação

No palco principal do evento, a noite começou promissora. Aos 51 anos de idade, Frejat parece ter encontrado o ponto certo entre a rebeldia roquenrôu do passado e o amolecimento gerado pelo tempo. Assim como em 2011, soube seu lugar e fez um showzaço. Nada de lado B, nada de exagerar em novos trabalhos. Apenas hits e versões super bem arranjadas para clássicos da música brasileira, apoiado por uma banda fantástica. Um contraponto perfeito à fanfarronice adolescente e à quantidade de baboseiras derramadas por Dinho Ouro Preto na semana passada.

Foto: Divulgação

Fechando a noite, todos os suspiros por Jon Bon Jovi. Ele merece. Mantém no topo, na base de seu carisma, uma banda que pouco de digno produziu de 1995 pra cá, Mas o show de ontem esteve longe de ser bom. Surgirão teorias conspiratórias de que o Bon Jovi não existe sem Ricthie Sambora e Tico Torres (internado novamente às pressas), mas acho que o problema é mais embaixo. Ontem vi um Bon Jovi sem alma, sem essência. Sim, fazem falta os dois músicos originais. Os substitutos erraram uma coisinha aqui, outra ali, porém mais do que isso, a imagem dos dois no palco é insubstituível. Apesar disso, acho que tudo seria minimizado se não houvesse tanta falha no setlist. Em um festival, deixar de fora clássicos como "Born To Be My Baby", "Never Say Goodbye", "I'll Be There For You" e, vá lá, "These Days" pra tocar dez músicas dos obscuros quatro últimos álbuns é de doer. A plateia se dispersou totalmente. Muita gente ignorando o show e até indo embora mais cedo. Jon parece ter percebido e tentou cobrar um pouco mais de ânimo do povão.

O show teve algumas bolas dentro, como os lado B "Raise Your Hands" e "I'll Sleep When I'm Dead", esta com uma citação à "Start Me Up" dos Stones, com direito a imitação de Mick Jagger. "Shout", dos Isley Brothers, também foi bacana e inesperado. Outra crítica que faço é a absoluta ausência de recursos visuais. Burocracia total. Nada além do telão mostrando imagens das câmeras. Vale lembrar que a banda é remanescente do boom do glam rock nos anos 80, onde o impacto visual e a pirotecnia eram tão importantes quanto o som. Nada. Uma explosãozinha, um foguinho. Não dá pra dissociar o tipo de som do Bon Jovi deste tipo de recursos. É farofa! Nasceu farofa e vai morrer farofa, então assume! Chegaram onde estão por ser assim e 80 mil pessoas correram pra comprar ingressos pra ver isso. Ouvir "shot through the heart and you're to blame, you give love a bad name" e não esperar uma explosão depois é impossível.

Portanto, acredito que com alguns acertos no roteiro e um pouco mais de ovo mexido e bacon na farofa, a identidade da banda não seria tão abalada e os danos seriam bem menores.



20/09/2013 15h37

RIR: Alice in Chains e Metallica fazem bons shows em noite recheada de erros
Cláudio Francioni

Chega ao fim a primeira noite dedicada ao metal e o saldo não é dos melhores. Dos cinco shows que vi, apenas Metallica e Alice in Chains ultrapassaram a barreira do aceitável. O resto foi um festival de bolas fora e um teste de paciência para um espectador normal. Não para o fã. Este aceita tudo.

No Sunset, Não vi os primeiros shows, tampouco Rob Zombie. Por indicação de um amigo, vi em vídeo o final do encontro entre Almah e Hibria tocando uma tosca versão para "Rock'n Roll" do Led Zeppelin. Fiquei com a impressão de que não perdi nada. 

Foto: Divulgação

Sebastian Bach foi de dar pena. Passou uma hora brigando com os tons das canções e não acertava uma. Clássicos do início dos anos 90 como "Monkey Business" e "18 and Life" acabaram em melancolia total. O objetivo do público era aproveitar o momento para recordar os primórdios da MTV Brasil, mas não deu pra relaxar. Tudo era tenso. Em "I Remember You", momento de maior apreensão, deixou o povo cantar o refrão. A situação era tão crítica que acredito que baixar dois tons de todo o set list ainda não seria a solução. Sebastian, quando era bom, já era ruim. No Hollywood Rock de 92, o cantor já mostrava que sua voz ao vivo não era aquilo tudo que as gravações nos faziam acreditar. Como se nada pudesse ser pior, Bach atendeu aos pedidos da galera e puxou "Wasted Time" a capella. E pra coroar a apresentação desastrosa, aquela que é, para mim, a melhor música de sua ex-banda, "Youth Gone Wild", foi completamente abafada pelo som do Palco Mundo, onde o Sepultura começava seu show. 

Foto: Divulgação

No palco maior, a banda mineira reeditou o encontro com os franceses do Tambours du Bronx, sucesso da edição passada no Sunset. Talvez aquele seja o melhor local para esta parceria. Tirando os clássicos "Roots Bloody Roots" e "Territory", o show foi arrastado, com enormes interlúdios para explorar a força percussiva da mistura. Bacana até certo ponto. Do meio pro fim, cansou.

A segunda atração da noite foi a pitada de bizarrice desta edição. O Ghost não tem nenhuma razão de ser. Um som enfadonho e previsível, um cantor terrível e uma caracterização pueril que me remeteu às maravilhosas tardes de minha infância passadas no finado Tivoli Park e seu arcaico trem fantasma. A atração (?) provavelmente foi escalada como contrapeso de alguma grande atração. Uma venda casada de gravadora ou agente. Assim como Nina Hagen, Coheed and Cambria e Papa Roach, vieram, tocaram e ninguém mais ouvirá falar. Pra ser péssimo, ainda precisaria melhorar muito. Agora entendo as máscaras. Se eu participasse de algo tão ruim como o Ghost, também teria vergonha de mostrar minha cara. Saudades da época em que a Suécia nos dava o ABBA, por mais "brega" que a crítica da época achasse.

Foto: Divulgação

O Alice in Chains, juntamente com o Pearl Jam as únicas remanescentes do movimento grunge que permaneceram no topo, veio em seguida para aliviar os ouvidos da multidão. Com um som coeso e uma banda extremamente competente, fez um show corretíssimo. O público brasileiro foi apresentado ao ótimo cantor William DuVall, substituto de Layne Stalay, falecido em 2002. Tive a oportunidade de ver o Alice em 1993, ainda com Stalay e confesso que gostei mais de DuVall. Possui melhor domínio de palco e uma voz menos angustiada do que o cantor original. O setlist, muito bem feito, privilegiou os dois primeiros discos, "Facelift" e "Dirt", com oito das treze canções da noite. Um bom show e enfim um momento agradável na noite.

Foto: Divulgação

Por fim, o lendário Metallica surge para lavar a alma dos pobres ouvidos um pouco mais implicantes. Acho impressionante como o individual se encaixa perfeitamente nessa banda. Ninguém ali é monstro em seu instrumento. Lars Ulrich e Kirk Hammett são instrumentistas absolutamente medianos se colocados em frente a dezenas de bateristas e guitarristas do gênero. James Hetfield é um excelente guitarra base e Robert Trujillo caiu como uma luva depois da saída de Jason Newsted. Quando se juntam, tudo se ajeita e fica perfeito. O som ajudou demais. Se ouvia tudo com a maior clareza e coesão. O setlist praticamente ignorou a carreira da banda de 1991 para cá. Das 18 canções, apenas uma do disco "Reload" de 1997 e outra de "Death Magnetic" de 2008. Mesmo com o cansaço, foi um alívio ouvir "One", "Sad But True", "Blackened" ou "Seek and Destroy". Os momentos fanfarronice ficaram por conta dos fracos solos de Hammett, citando os temas de Star Wars (o principal e a marcha imperial) e de Trujillo, explorando em demasia os efeitos em seu contrabaixo. James Hetfield esteve à vontade e conversou bastante com o público. Em uma das pausas, o cantor chegou a brincar com o público, perguntando se haviam gostado das atrações anteriores. Quando indagou sobre o Ghost, recebeu um sonoro "não". Hetfiled retrucou dizendo que eles devem ter assustado o público. Sim, James, me assustaram. Porém mais pelo som do que pelas máscaras.

Enfim, uma noite pra lá de mediana, quando sequer um grande show conseguiu minimizar os estragos. 



16/09/2013 21h06

Rock in Rio: terceira noite tem momentos inesquecíveis e espetáculos de altíssimo nível.
Cláudio Francioni

Os arautos do apocalipse estavam muito errados. Tem sido comum ouvir pelas ruas ou redes sociais comentários como "Rock in Rio acabou" e bogagens do tipo. Não! Não acabou, pra infelicidade deles. É muito difícil admitir qualidade nos estilos que diferem do nosso gosto pessoal, mas certas situações extrapolam as preferências.

Na noite de ontem, dois artistas que eram por mim deixados de lado, ganharam meu total respeito. Alicia Keys e Justin Timberlake. Mas antes, vamos dar uma passada no Sunset, como fizemos nos dois dias anteriores. 

Tirando o encontro Kimbra/Olodum, que foi chatinho de doer (exceto em "They Don't Care About Us") os shows beiraram o sublime. A portuguesa Aurea e seus conterrâneos do Black Mamba pegaram todo mundo de surpresa com uma baita apresentação. Abriram com o clássico "Proud Mary" e daí pra frente foi pura soulzeira durante uma hora. A parceria do ótimo Pedro Tatanka com a incrível loirinha funcionou maravilhosamente bem. Outro grande momento foi o dueto Nando Reis/Samuel Rosa. Uma banda ultra bem ensaiada e belíssimos arranjos pra canções como "All Star", "Marvin" e "O Segundo Sol". Pena Nando Reis ter tanto problema com afinação. Como compositor pop é top atualmente. Fechando o Sunset, o espetacular encontro de Mestre George Benson com Ivan Lins. Tenho restrições ao brasileiro, muito por causa de sua voz. Mas é um monstro como compositor e pianista. Quanto ao americano, faltam adjetivos, tal e qual Stevie Wonder dois anos atrás. Apesar do canal que transmite o festival ter cortado as três primeiras canções e me privado de ouvir "In Your Eyes" pra mostrar a filha do Rogério Flausino (obrigado, Multishow!), o show foi perfeito do início ao fim. "Novo Tempo", tão antiga e tão arejada, deveria servir de hino para o momento que vivemos. Final apoteótico com "Give me the Night" e "On Broadway" e aquela que será lembrada para sempre como a grande imagem do festival: Benson abraçando Ivan aos prantos, tamanha sua emoção. Desculpa, Mestre. Teu lugar era no palco principal. Antológico.

Foto: Divulgação

Andemos um pouquinho na direção leste para iniciarmos os trabalhos do Palco Mundo.

O Jota Quest é uma banda bacana até a página três. Possui algumas ótimas canções e outras absolutamente enfadonhas. Contam com uma dupla baterista/baixista (PJ e Paulinho Fonseca) que nasceram um pro outro e fazem um show quase sempre bacana, com energia e ótima aceitação do público. O problema talvez seja a superexposição. Acaba cansando. É como aquele namoro adolescente em que um vive grudado no outro 24 horas por dia e acaba porque um não consegue sentir saudade do outro. O efeito surpresa ficou por conta da aparição do genial Lulu Santos para cantar o hino "Tempos Modernos". Lulu relegado a convidado do Jota Quest é o rabo balançando o cachorro. É a banana comendo o macaco. 

A inglesa Jessie J. é uma gigante cantando. Timbre, afinação, potência e alcance perfeitos. Sua música não ajuda muito, mas fez um show correto e muito melhor do que se esperava. Acredito que acabou um pouco ofuscada pela monstruosidade, perfeccionismo e profissionalismo dos dois que vieram a seguir.

Foto: Divulgação 

"Alicia, não se esqueça do nosso amor. Será que eu tenho sempre que te lembrar? Todo dia, toda hora, eu te imploro, por favor". Mil perdões pela ridícula citação da canção do Kid Abelha, mas não deu pra não lembrar. Alicia Keys foi um tornado que passou não só pela Zona Oeste do Rio de Janeiro, mas talvez por todo o país. Chegou sem alarde, sem pompa de superstar e transcendeu a barreira do preconceito e do já citado gosto pessoal. Nas redes sociais, sambistas, metaleiros e funkeiros se rendiam ao talento da americana. Sim, ela é linda, com todas as letras maiúsculas, mas não é só isso. Os elogios eram direcionados também ao grande espetáculo protagonizado por ela. Sem afetação, exploração visual na medida certa e uma música deliciosa, mesclando soul, R&B e jazz. Talvez um pouco calma demais pro gigantismo do Rock in Rio, mas isso é o de menos. Foi tudo tão lindo e tão elegante, que nem uma meia dúzia de notas não alcançadas conseguiu tirar seu brilho. Perdão, mas Beyoncé sai de fininho pela porta dos fundos do festival (alô Tabet, me deve essa!).

Por fim, Justin foi Alicia na versão masculina. Showzaço, aço, aço. Banda estupenda, carisma lá em cima e um grande artista. Me ganhou, sr. Timberlake. Já esqueci teu passado no N'Sync. Os homens foram dormir e a mulherada tomou conta das redes sociais. Justin é um cara bonito, mas assim como Alicia, explora sua estampa e sensualidade na conta exata. É o algo a mais a serviço da música e não o contrário, mal comum hoje em dia. O show da turnê "The 20/20 Experience" mostra um artista em claro estado de amadurecimento, apostando também no avançar da idade de seu imenso fã-clube. Os arranjos eram assombrosos e muita coisa que eu achava desinteressante se tornou fantástico. A versão de "I Need You Tonight" encaixou perfeitamente em seu repertório. "Shake Your Body", do Jackson Five, homenageia justamente (ou seria justinmente?) aquele que Timberlake trilha o caminho pra tentar substituir: de principal astro da música pop mundial. Ainda falta muito, mas pegou a estrada certa.

Na noite passada, muitas mulheres e homens sonharam com Justin e Alicia. E não respectivamente, com todo o respeito às opções de cada um.

Três dias de descanso e que venha a segunda semana.


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15/09/2013 15h42

Rock in Rio: quatro grandes shows na segunda noite.
Cláudio Francioni

Depois de recuperado da maratona e de ter visto em vídeo o que perdi ao vivo, concluo que tivemos ontem um forte candidato a melhor dia desta edição do festival.

Mais uma vez, o Sunset teve papel de destaque. Primeiro Marky Ramone/Michale Graves e depois Offspring levaram o povo ao delírio com um banho de punk rock. Os primeiros, com a essência do gênero e os últimos com o produto final estourado nas rádios 20 anos após seu surgimento. Delícia ouvir "Teenage Lobotomy", "Rock n Roll Highschool", "I Wanna be Sedated", "All I Want", "Pretty fly" e "Why Don't You Get a Job", a "Ob-la-di-Ob-la-da" dos anos 90 (ouçam ambas e tirem suas conclusões). Fantástico. De quebra, Dexter Holland impecável. Aula.

A homenagem a Raul Seixas também vingou. Arrisco dizer que talvez tenha sido a melhor deste formato, de todas as que vieram desde 2011 (Legião, Simonal e Cazuza). Repertório perfeito e quase tudo muito bem ensaiado.

No Palco Mundo, o Capital abriu a noite sem o mesmo brilho de 2011. Dinho, que foi muito elogiado por mim na edição passada, desta vez abusou da minha boa vontade. Não dá pra um senhor de quase 50 anos se comportar como um menino de 17 sem ser over. Síndrome de Peter Pan, senhor Fernando? Na primeira metade do show, assisti a um festival de "tá ligado?", "velho" e "do caralho". Bem esquisito. "Fátima" e "Leve Desespero", do primeiro disco, foram executadas com arranjos do acústico. Prefiro as originais. Aliás, nesta primeira, Dinho desceu do palco e perdeu totalmente o retorno. Resultado, cantou as duas primeiras estrofes completamente atravessado com a banda. O som apresentou problemas, apitando diversas vezes enquanto o baixo de Flávio Lemos gritava. Do meio pro fim, a coisa melhorou quando o cantor resolveu calar a boca e emendar uma música na outra. "Veraneio Vascaína", "Independência" e "Mulher de Fases" esquentaram bastante o show.

O Thirty Seconds to Mars fez um showzaço. Jared Leto, totalmente à vontade, comandou o coro do povão o tempo todo. Na plateia, meninos e meninas de 20 e poucos anos pulavam, se abraçavam, choravam. Como é legal ver a juventude gostando de coisa boa. Leto entrou pra lista dos prováveis grandes momentos da edição ao cantar "Hurricane" e "The Kill" do alto da torre da tirolesa momentos antes de se jogar cabo abaixo. "Up in the Air" fechando o show foi lindo! 

Florence Welch e sua máquina tinha tudo pra deixar a peteca cair entre os enérgicos Thirty Seconds e Muse. Mas não o fez. É certo que os fãs da ruiva ajudaram bastante. Aliás, as fãs. Perto de mim, muitas meninas, inclusive com roupas e cabelos no melhor estilo quero-ser-florence, cantaram e vibraram demais durante toda a apresentação. A inglesa é dona de uma belíssima voz, que lembra de longe Suzanne Vega ("Luka"). O som tem uma onda meio Eurythmics, mas chega a um certo ponto que tudo fica meio igual. As levadas de bateria nos levam a acreditar durante vários momentos que esqueceram de levar a caixa pro palco, tamanho o abuso da utilização de surdos e tons. Mas confesso que esperava menos desse show. 

Por fim, minha maior expectativa pra esse festival. Muse foi, pra mim, uma descoberta e aceitação recente. E fui correspondido. Show lindo, emocionante, técnico e intenso, como tem que ser, pois exatamente assim é a música que eles nos oferecem. Matthew Bellamy, Dominic Howard e Cristopher Wolstenholme formam a banda que melhor sabe aliar elementos do rock com tudo o que a modernidade tecnológica tem a lhes oferecer, sem abusar pra nenhum dos dois lados. Difícil destacar momentos, mas "Panic Station", do novo disco, a minha preferida "Unnatural Selection" e "Time is Running Out" foram espetaculares. Quando comprei este ingresso, pensei na dor de corno de só ter visto o Coldplay pela TV em 2011. E fiz muito bem. Thirdy Seconds e Muse: eu estava lá.  

Vamos ao terceiro dia. Aposto minhas fichas num bom show de Justin Timberlake.


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14/09/2013 01h56

Rock in Rio: Palco Sunset salva primeiro dia.
Cláudio Francioni

Foi-se a primeira noite. Depois de meses de espera, algumas expectativas se confirmaram, tanto pro bem quanto pro mal.

O grande destaque musical do dia, como previsto, estava no palco secundário. Vintage Trouble e Living Colour arrebentaram, bombaram, estouraram. Me faltam adjetivos pegajosos. Os primeiros, capitaneados pelo incrível vocalista Ty Taylor, esbanjaram energia e bom gosto para o ainda vazio gramado do festival. Soul, rockabilly, blues e funk na veia. Taylor parece ser uma espécie de adaptação moderna do mestre James Brown. Jesuton, excelente cantora, pareceu meio fora de contexto, mas não chegou a atrapalhar. Até a apelativa versão de "Mais que Nada" foi aprovada.

A belga Selah Sue fez um show morno. Sim, acredito que foi prejudicada pelo clima de altíssimo astral deixado pela atração anterior. A loirinha tem uma bela voz e os duetos com Maria Rita ficaram dentro do aceitável. Mas quando a brasileira ficou sozinha no palco, foi extremamente atrapalhada por falhas no som. Além disso, a cantora parecia bastante desconfortável com os tons das canções, muito baixos pra sua voz.

Quanto ao Living Colour, foi uma lástima vê-los no Sunset. Uma bandaça formada por músicos espetaculares e um cantor que não tem a mesma potência de 20 anos atrás, mas tem carisma e energia de sobra. A junção com a africanidade de Angelique Kidjo ficou muito bacana, apesar de dar uma caída no pique do show. "Cult of Personality", "Middle Man", "Desperate People", "Open Letter" e a homenagem a Jimi Hendrix com "Voodoo Child" mereciam um palco maior.

Considero excelente a ideia do Tributo ao Cazuza para abrir o festival. Arranjos muito criativos e bem executados e repertório perfeito. O que é inadmissível é ver Paulo Miklos lendo as letras de "Vida, Louca Vida", "Down em Mim" e até "Exagerado". Um festival desse tamanho não comporta tal amadorismo. Lamentável também, novamente, foi a participação de Bebel Gilberto. Desafinada, perdida, over, sem noção. Uma espécie de Narcisa Tamborindeguy cover. Em 2011 ela havia feito a mesmíssima coisa no Sunset e agora foi promovida. Passou vergonha no palco principal. Jota Quest não chegou a comprometer, apesar de achar que ali não era o lugar deles. Ney Matogrosso, que foi muito bem apesar de falhar em algumas notas em "Brasil" e o Barão fechando a homenagem deixaram a impressão de um show melhor do que realmente foi.

Ivete repetiu o sucesso de 2011. Energia, carisma, banda excelente, arranjos maravilhosos, boa voz, autenticidade. Pena que a música, quase sempre, é desinteressante. Chega a ser um desperdício. Há dois anos, a baiana pegou um violão e fez "More Than Words", sucesso do Extreme. Desta vez, acompanhada do piano, cantou "Love of My Life", música eternizada na primeira versão do festival. Pena que a maior parte do povo desconhecia a letra e acabou deixando fria a proposta de Ivete. 

Sobre David Guetta, realmente não sei o que dizer. Assumo que não gosto deste tipo de música, mas respeito totalmente o trabalho do rapaz como compositor e produtor. É a praia dele e tem muita gente que gosta. Da mesma forma que aceito o DJ como membro de uma banda, somando na formação do som. O que não dá é pra tirá-lo das pistas, seu habitat natural, e colocá-lo em cima de um palco. Ali, amigos, é lugar de músico. Tento, maltrapilhamente, avaliar um músico, um cantor. Mas como posso avaliar sua performance, sua interpretação, sua técnica? David Guetta nas pistas pode ser "o cara", mas em um palco não é nem melhor, nem pior. É apenas inclassificável.

Fechando a programação do primeiro dia, Beyoncé foi exatamente o que se esperava. Uma superprodução hollywoodiana, com cenários, figurinos e efeitos visuais nababescos a serviço de uma música nem tão super assim. Nada muito original. Há pouco menos de 30 anos, Madonna lançou essa fórmula que vem sendo seguida à risca por suas diversas seguidoras. Como espetáculo pros olhos, Beyoncé é ótima. Pros ouvidos, uma coisa ou outra se salva. Sua excelente banda, formada só por mulheres, fica relegada a um segundo plano no palco para ter espaço pros bailarinos. No geral, um bom entretenimento, com destaque para a homenagem a Whitney Houston no encerramento com "I Will Always Love You/Halo" e a citação ao funk carioca na insuportável "Passinho do Volante" ou se preferirem, "Ah lelek, lek, lek".


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02/09/2013 17h46

O que esperar do Rock in Rio: quarta noite
Cláudio Francioni

Prosseguindo com os palpites sobre o Rock in Rio, hoje é a vez do dia 19, a primeira noite do metal. Vale lembrar que apenas na primeira edição, em 1985, o gênero ganhou mais do que uma noite no line up.

Palco Mundo

A reedição do encontro entre Sepultura e Tambours du Bronx, tão falado na edição 2011, abre a noite como um pedido de desculpas dos organizadores, que há dois anos os colocaram no Palco Sunset enquanto o desconhecido Glória se apresentava no Mundo. Tanto é que esta atração foi a primeira a ser anunciada, logo após a edição passada. No momento, a banda mineira está em turnê de divulgação do álbum "Kairos", mas provavelmente deixará as novas de lado e não devem faltar "Refuse/Resist", "Ratamahata", "Arise" e "Roots, Bloody Roots" no setlist. O Sepultura ainda voltará ao festival no último dia para encerrar a programação do Palco Sunset em um inusitado encontro com Zé Ramalho.

A bizarrice da vez fica por conta da segunda atração da noite. O Ghost B.C. é uma banda sueca formada por seis integrantes desconhecidos. Cinco deles, os chamados Nameless Ghouls, se vestem de preto e usam capuzes. O cantor leva a alcunha de Papa Emeritus II e se traveste de uma espécie de sacerdote maldito. Tá rindo, né? A banda tem apenas cinco anos de existência e faz um som pouco interessante e original. Palpite? Hora do lanche.

O Alice in Chains, uma das bandas mais bem sucedidas do movimento grunge do início dos anos 90, sobe ao palco logo após os suecos. Com William DuVall ocupando o lugar de Layne Staley, morto em 2002, o AIC lançou o álbum "Black Gives Way to Blue" em 2009, porém apenas duas faixas deste trabalho vem sendo executadas nos shows mais recentes. A base do repertório tem sido os dois primeiros discos, "Facelift" e "Dirt", incluindo o carro-chefe da banda, "Man in the Box".

Foto: Divulgação

Quem fecha a noite no palco principal é o Metallica. Desnecessárias as apresentações. Trata-se de uma das maiores bandas de metal de todos os tempos. Dificilmente deixará de ser um grande show. Lars, James, Kirk e Robert devem fazer o mesmo show que tem rodado o mundo desde fevereiro passado. Pra dar um gostinho, o setlist atual: "Hit the Lights", "Master of Puppets", "Fuel", "Ride the Lightning", "Fade to Black", "The Four Horseman", "Cyanide", "Welcome Home", "Sad But True", "Orion", "One", "For Whom the Bell Tolls", "Blackened", "Nothing Else Matters", "Enter Sandman", "Creeping Death", "Fight Fire with Fire" e "Seek and Destroy". Porrada total!

Palco Sunset

Que me perdoe Rob Zombie, que fechará a noite, mas o grande destaque do Sunset é Sebastian Bach. Como podemos ver no vídeo abaixo, já não há mais voz como outrora, mas será delicioso voltar 20 anos no tempo e curtir "I Remember You", "18 and Life", "Monkey Business" e outras da época em que a MTV gostava de música. Mesmo esquecido, o ex-cantor do Skid Row merecia o lugar do Ghost no palco principal. 

Completam a escalação os encontros do Almah de Edu Falaschi e os gaúchos do Hibria e o Dr. Sin com Roy Z (ex-produtor de Judas Priest e Bruce Dickinson) e Republica. 

Sebastian Bach - "I Remember You"