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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



17/07/2015 09h07

Quatro anos na Segunda Divisão
Carlos Molinari

Depois que o América voltou à primeira divisão do Campeonato Carioca, passaram a me perguntar como foi a campanha americana, o que eu espero do clube em 2016, se estava feliz ou triste com o acesso dos rubros. Fiz questão de lembrar a todos que o América sofreu - tal como o Bangu entre 2005 e 2008 - quatro anos na Segundona, disputando sem sucesso os torneios de 2012, 2013 e 2014.

Darlan. Foto: Raffa Tamburini/America

Quantos jogos fez o América para subir? De 2012 até hoje, foram exatas 79 partidas. Das quais, os rubros venceram 34, empataram 20 e perderam 25. Os americanos anotaram 120 gols e levaram 90. Um bom saldo de 30 gols.

Abaixo, apresento para os torcedores americanos e para todos aqueles que não acompanharam, o drama do clube rubro na Segunda Divisão do Campeonato Carioca. Não incluo aqui as vitórias conquistadas por WO, como a que o América obteve este ano sobre o Mangaratibense.

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2012

04/02 - América 4 x 1 Juventus
08/02 - América 1 x 1 Sampaio Corrêa
11/02 - América 1 x 2 Audax
15/02 - América 2 x 1 Angra dos Reis
22/02 - América 1 x 2 Imperial
25/02 - América 2 x 1 Goytacaz
03/03 - América 3 x 3 Cabofriense
10/03 - América 0 x 1 Portuguesa
17/03 - América 0 x 1 São João da Barra
24/03 - América 1 x 1 Juventus
28/03 - América 2 x 3 Sampaio Corrêa
31/03 - América 1 x 2 Audax
04/04 - América 1 x 2 Angra dos Reis
07/04 - América 4 x 1 Imperial
14/04 - América 0 x 1 Goytacaz
21/04 - América 2 x 1 Cabofriense
28/04 - América 1 x 0 Portuguesa
02/05 - América 4 x 3 São João da Barra

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2013

02/03 - América 1 x 0 Mesquita
06/03 - América 1 x 0 Cabofriense
09/03 - América 2 x 2 América/TR
16/03 - América 1 x 1 Americano
23/03 - América 4 x 0 Barra Mansa
30/03 - América 3 x 1 Bonsucesso
03/04 - América 5 x 0 Barra da Tijuca
06/04 - América 2 x 1 Ceres
10/04 - América 8 x 1 Serra Macaense
13/04 - América 2 x 1 Tigres
20/04 - América 0 x 2 Cabofriense
01/05 - América 2 x 2 Sampaio Corrêa
08/05 - América 3 x 0 Artsul
11/05 - América 2 x 1 Portuguesa
25/05 - América 0 x 2 Paduano
01/06 - América 1 x 1 São João da Barra
05/06 - América 0 x 2 Goytacaz
08/06 - América 0 x 1 Angra dos Reis
25/08 - América 1 x 1 Cabofriense
28/08 - América 1 x 2 Bonsucesso
31/08 - América 1 x 0 Cabofriense
08/09 - América 0 x 0 Bonsucesso

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2014

15/02 - América 2 x 2 Tigres
22/02 - América 1 x 2 Ceres
26/02 - América 1 x 4 Barra Mansa
08/03 - América 2 x 1 Sampaio Corrêa
15/03 - América 1 x 0 Angra dos Reis
22/03 - América 1 x 0 Mangaratibense
26/03 - América 2 x 1 Olaria
29/03 - América 2 x 3 Olaria
12/04 - América 1 x 3 Portuguesa
16/04 - América 0 x 4 Americano
19/04 - América 1 x 2 Barra da Tijuca
26/04 - América 0 x 2 São João da Barra
30/04 - América 2 x 0 Queimados
10/05 - América 2 x 1 Paduano
14/05 - América 0 x 1 Goytacaz
17/05 - América 0 x 0 São Gonçalo

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2015

14/03 - América 2 x 2 Audax
18/03 - América 1 x 0 São João da Barra
22/03 - América 0 x 0 Americano
25/03 - América 3 x 0 Ceres
29/03 - América 3 x 0 São Cristóvão
04/04 - América 2 x 1 Portuguesa
11/04 - América 0 x 1 Gonçalense
15/04 - América 0 x 0 Sampaio Corrêa
18/04 - América 0 x 0 Goytacaz
22/04 - América 0 x 0 Americano
25/04 - América 2 x 3 Americano
13/05 - América 0 x 0 Duque de Caxias
16/05 - América 4 x 0 Barcelona
20/05 - América 3 x 2 Olaria
23/05 - América 2 x 1 Barra da Tijuca
30/05 - América 0 x 0 Angra dos Reis
10/06 - América 2 x 0 São Gonçalo
13/06 - América 0 x 1 Queimados
17/06 - América 2 x 2 Portuguesa
20/06 - América 0 x 1 Portuguesa
08/07 - América 2 x 0 Americano
12/07 - América 2 x 2 Portuguesa
15/07 - América 2 x 0 Americano


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16/07/2015 10h43

O América no lugar certo
Carlos Molinari

Acabou o drama de quatro anos do América. Desde que foi rebaixado em 2011, os americanos sonham com esta quarta-feira. Estiveram a ponto de subir em 2013, mas tiveram que ver outras equipes, menos tradicionais, ocuparem as duas vagas que o América tanto desejava. 

Em 2015, no papel, ninguém tinha uma equipe tão promissora quanto o América. Somália, Léo Rocha, Fábio Braz, Vágner Eugênio, Abedi. Na prática, o América penou mais do que deveria. Chegou a demitir o treinador Arturzinho na reta final do Campeonato. Ignorou todo o trabalho feito pelo ídolo Eduzinho. 

América volta à Série A do Campeonato Carioca. Foto: Sandro Vox/America Rio

Sem ganhar um turno sequer, o América pensou que este dia nunca ia chegar. Tinha sido eliminado pelo Americano e pela Portuguesa nas duas semifinais. Quando estava convencido de que poderia subir graças aos esforços da Portuguesa, eis que o Americano forçou um Triangular Final.

Muito se falava que a vaga da Portuguesa já era certa. Mas que o Americano - por entrar em conflito com a Federação pela taxa de transporte do Batalhão Policial que trabalha em estádios - jamais teria qualquer ajuda da FFERJ no Triangular. E o América, mesmo com o técnico interino Ricardo Cruz, fez três partidas memoráveis. Primeiro, ganhou lá em Campos. Depois, teve tudo para vencer a Portuguesa em Édson Passos. O empate acabou sendo bom para ambos. E, nesta quarta, venceu no 2º tempo, eliminou o alvinegro campista, exorcizou um fantasma e assumiu a liderança do Triangular com 7 pontos. 

Ainda não é o campeão de 2015, mas isso pouco importa. O América está de volta à 1ª Divisão do Campeonato Carioca. A Portuguesa também está na elite após nove anos de ausência. Os dois clubes brigarão pelo título nas duas rodadas que faltam. 

Para o América, tudo ficou mais bonito. Subir graças à Portuguesa, na "aba", seria algo falso. Subir graças aos próprios méritos, humilhando duas vezes o Americano, é bem melhor. Voltar à elite como bicampeão pode ser a glória final. 

E era importante para o América estar na 1ª Divisão em 2016, ano do centenário do segundo título do clube. Em 2013, os americanos sequer podiam se lembrar que, há cem anos, o time tinha sido campeão carioca. Agora em 2016, o América vai nos esfregar nos rostos que foi campeão também em 1916. 

Para o Campeonato Carioca é ótimo. Além de Bangu, Madureira e Bonsucesso, agora temos também Portuguesa e América. Falta, é claro, o Olaria, o São Cristóvão e o praticamente extinto Campo Grande. Aí seria alegria total. Mas eu fico feliz que cinco gigantes da história do nosso futebol participem da 1ª Divisão. 

O Estadual sem o América é mais sem graça. Qual a lógica de um Barra Mansa na vaga de um América? Eu prefiro o América, duelando com o Bangu, atrapalhando a vida dos grandes, tirando pontos dos times do interior. 

E vou além. Se o América conseguir manter este elenco para o segundo semestre, é desde já favorito ao título da Copa Rio. A equipe está entrosada. Jogadores outrora contestados agora viraram ídolos. Após quatro longos anos, o clima em Édson Passos voltou a ser bom. 

Parabéns ao América e à Portuguesa. Conseguir o acesso em um certame longo, cansativo, cheio de fases e turnos é sempre uma luta árdua. Só vence quem investe, quem raspa os cofres, quem leva a sério o futebol.

Madureira

Enquanto isso, na Série-C, o remodelado Madureira - que perdeu todos os seus destaques no Campeonato Carioca e se armou com ex-jogadores do Bangu - está na zona de rebaixamento, caminhando para a Série-D em 2016...


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01/07/2015 13h41

Parabéns ao Olaria Atlético Clube
Carlos Molinari

Lembro bem de um domingo em que peguei um ônibus e saltei na Avenida Brasil, na altura de algum supermercado que hoje já está desativado. Estava indo para a lendária Rua Bariri. Era 1999 e pela primeira vez iria ver um jogo no alçapão.

Andei alguns quarteirões e logo me deparei com o estádio do Olaria. Simpático, bem no meio do bairro, com uma ampla piscina, área de lazer para os sócios e um pagode rolando solto. O jogo entre Bangu e o time da casa parecia bem menos importante. Tinha mais gente no pagode.

Centenário do Olaria. Foto: ReproduçãoO Olaria me pareceu, eis a verdade, um grande clube social. O futebol profissional, que naquela época contava com o atacante Darci (sósia do Ronaldo), não despertava tanto interesse dos moradores do bairro.

Foi esse o Olaria que vi. Em 2000, voltei ao alçapão. O estádio estava mais vazio ainda. Nem aquele torcedor solitário do megafone, que gritava "Olaria, Olaria, Olaria" até a língua embolar, existia mais. Era dia de semana. Não tinha nem o pagode.

Eis que recebo um aviso: aquele clube lá da Zona Norte vai fazer 100 anos. Dia 1º de julho, o Olaria completa um século de vida. Às 7h da manhã houve uma estrondosa queima de fogos. Às 8 horas, uma missa no salão nobre. E às 9h da manhã,um café da manhã.

Segundo o presidente Augusto Pinto Monteiro, o Olaria tem hoje cinco mil sócios ativos (número que faz um Bangu e um América babar de inveja). Durante os finais de semana, mais de quatro mil pessoas passam pela sede social do clube, indo se refrescar na piscina, frequentar o bar ou escutar o famoso pagode.

O futebol, em baixa nos últimos anos - este ano o time ficou apenas em 7º lugar na Segundona -, parece uma prioridade distante. Mesmo assim, o presidente Pintinho me garante: tem mais de duas mil crianças nas escolinhas do clube. Ou seja, quem mora no bairro não necessariamente torce para o Olaria, muitas famílias das redondezas acreditam que ali na Bariri é possível formar um jogador para o futuro.

Nem sempre o centenário Olaria Atlético Clube esteve em baixa no futebol profissional. Já disputou 60 vezes o Campeonato Carioca da 1ª Divisão. Em 1971, impressionou ficando em terceiro lugar na disputa. Participou duas vezes do Brasileirão (Série A), em 1973 e 1974. Foi campeão da Segundona carioca em 1931 (deixando o Mackenzie como vice) e 1983 (deixando o Friburguense como vice). Foi campeão do Torneio Início em 1960, do Torneio da Integração (uma espécie de Copa Rio) em 1977 e da Taça de Bronze (o primeiro Campeonato Brasileiro da Série-C) em 1981.

Olaria. Foto: Reprodução

Recentemente, quando estava na 1ª divisão, ganhou a Taça Moisés de Andrade em 2010 (goleando o Boavista na final) e a Taça Washington Rodrigues em 2011 (batendo o Resende nos pênaltis).

Gosto do Olaria. Gosto do azul forte do clube. Gosto do estádio da Rua Bariri. E desejo que toda a diretoria, por mais problemas que tenha para administrá-lo, consiga dar a volta por cima. Aos poucos, estabelecendo metas, buscando patrocínios, é possível ver o Olaria novamente na 1ª Divisão do Campeonato Carioca e, quem sabe, na Série-D do Campeonato Brasileiro.

O futebol profissional, porém, é o grande "calo" nesses clubes de bairro, que ainda hoje insistem em sobreviver. Mas qual seria a lógica do futebol se, em vez desses times tradicionais, como o Olaria, só tivéssemos em campo equipes como Audax? O resultado imediato é que jamais ganharíamos um convite para uma festa de cem anos...

Parabéns, Olaria Atlético Clube!


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25/06/2015 20h21

A Portuguesa será campeã! O América sobe!
Carlos Molinari

Sábado será um dia importante. A Portuguesa será tetracampeã carioca da Segunda Divisão: 1996, 2000, 2003 e 2015. Nada mais merecido. Este ano, a equipe do técnico Luiz Antônio perdeu apenas duas vezes (uma para o América, por 2 a 1, e outra para o Americano, por 4 a 3). Fora isso, fez 40 pontos em 17 rodadas na fase de classificação, ganhou o 1º turno, tem Allan, com 19 gols, como artilheiro da competição e, agora, está a apenas um empate de ganhar também o 2º turno. Nunca houve isso.

Portuguesa x Americano. Foto: Reprodução/Site Americano

A Portuguesa sobrou na turma. Montou um time na medida para a Série-B e irá conquistar o título com a máxima justiça. Ao Americano, do técnico João Carlos, a situação ficou mais complicada. Deveria ter ganho a partida em Campos, colocou algumas bolas na trave, perdeu oportunidades e desperdiçou a chance de jogar no sábado com a vantagem do empate. Na Ilha do Governador, com as torcidas da Portuguesa e do América unidas, dificilmente o Americano conseguirá vencer.

Aí é que surge uma outra história engraçada. O Americano foi vice-campeão do 1º turno e, agora, pode ser também vice-campeão do 2º turno. Ou seja, à frente do time campista, apenas a Portuguesa. E quem será o vice-campeão carioca de 2015? O América.

Sim! O regulamento assinado pelos clubes e bolado pelo genial Marcelo Vianna prevê que, em caso de um time vencer os dois turnos e ser o maior pontuador na fase de classificação, o vice-campeão seria o segundo time que mais tivesse somado pontos na primeira fase. Desta forma, o América, com 33 pontos, bate o Americano, que teve 32 pontos.

É estranho e não deixa de ser uma situação ridícula. Mesmo sem nunca (eu disse nunca, americanos!) ter chegado a uma final de turno enquanto esteve na Segunda Divisão em quatro anos, o América tem agora a chance de ouro de voltar à primeira divisão, sem muito esforço. Basta que a Portuguesa empate o jogo de sábado. A Portuguesa erguerá a taça. O América, eliminado nas semifinais dos dois turnos, será o vice-campeão.

E, como o Campeonato Carioca de 2016 já foi todo alterado, o América não irá mais participar daquele Torneio Seletivo com Bonsucesso, Tigres, Boavista... Agora, todo mundo está diretamente na 1ª Divisão. Seja a Portuguesa ou o América.

Falo assim, porque considero a Portuguesa como campeã por antecipação. Mas, se o Americano vencer a partida na Ilha, a coisa se complica. Aí teremos um Triangular Final com os três clubes. Seria um martírio para a Portuguesa ter que jogar mais quatro partidas, podendo arriscar um título que estava tão fácil. Para o América, seria uma tormenta. Nessa reta final, está claro que a situação dos times de Luiz Antônio e João Carlos é melhor do que os rubros de Ricardo Cruz. Ir para o Triangular, significaria ficar novamente em terceiro lugar, assim como ocorreu em 2013.

O único interessado neste Triangular, claro, é o Americano. É a única chance que o tradicional clube de Campos tem para voltar à elite. Sábado, por mais difícil que seja, por maior favoritismo que a Portuguesa leve, o Americano terá que se desdobrar. E dificilmente conseguirá.

Por mim, a fatura já está liquidada. No 1º Turno, a Portuguesa fez 5 a 1 no Americano na decisão. Creio que, no sábado, com o nervosismo típico das grandes decisões, a Lusa irá se contentar com um placar bem menor. Um 0 x 0 está de ótimo tamanho. E o América volta à Primeira Divisão "na aba"...


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17/06/2015 17h17

Ah... o América...
Carlos Molinari

Eis que chegamos na reta final do Campeonato Carioca da 2ª Divisão. Apenas a Portuguesa, o América, o Americano e o Duque de Caxias têm chances de estar entre os dois (segundo o novo regulamento da FFERJ para 2016) que subirão para a primeira divisão.

A Portuguesa, apesar de ter ganho o 1º Turno e ter sido o time que mais pontos fez em toda a competição, inacreditavelmente, ainda não tem vaga assegurada. Para conseguir o feito, a Lusa tem que vencer também o 2º Turno. Parece mentira, mas é o regulamento.

Foto: Raffa Tamburini/ America Rio

Na tarde desta quarta-feira, a Portuguesa conseguiu dar mais um passo nesse confuso Campeonato. Empatou com o América, em Édson Passos, por 2 a 2 e agora, pode empatar na Ilha do Governador que chegará à final do 2º Turno.

A situação do América, mesmo empatando este primeiro jogo e com Accioli perdendo um pênalti quando o jogo ainda estava 0 x 0, ainda é cômoda.

Caso a Portuguesa confirme o título dessa Taça Corcovado, o América passa à 1ª Divisão como vice-campeão estadual por ter feito a segunda melhor campanha nas 17 rodadas de classificação. Seria o fim de um martírio de quatro anos.

Mas no América nada é tão simples. Depois de disputar todo o Campeonato, com altos e baixos, o técnico Arturzinho foi demitido às vésperas de se iniciar as semifinais. Por mais que o "Rei" Artur não seja um gênio tático, ele é um treinador com um bom currículo, subiu o Joinville da Série-C para a Série-B e merecia, no mínimo, mais respeito.

A demissão de Arturzinho desagradou alguns atletas do elenco - como Léo Rocha (autor do gol de empate nesta quarta-feira) - e abriu espaço para que o ex-goleiro Ricardo Cruz assumisse interinamente o cargo. Na primeira experiência, contra a Portuguesa, o time errou muitos passes, empatou e mantém suas esperanças numa vaga na final. Especula-se que, se houver mesmo o Triangular Final, com Portuguesa, América e mais um time, o clube rubro irá contar com os serviços de Cleimar Rocha.

Tem torcedor americano achando melhor perder a vaga na final para a Portuguesa e depois torcer para que a Lusa derrote ou Americano ou Duque de Caxias na final da Taça Corcovado. As opinião são de que, participando de um Triangular Final com esse time e entrando com um ponto a menos que os dois vencedores de turno, as chances do América voltar à 1ª Divisão são bem reduzidas. Em confrontos diretos, o time perderia para a própria Portuguesa e até para o Americano.

Eu concordo com eles. Com o time sem um comandante, em má fase, perdendo até mesmo para o Queimados (só não comprometendo sua classificação porque o Olaria caiu na última rodada para o Angra dos Reis), o América teria forças para um Triangular Final.

Merecidamente, esse título deverá ficar com a Portuguesa, futura tetracampeã da Segunda Divisão: 1996, 2000, 2003 e 2015. Ao América, resta torcer pela Lusa para se classificar automaticamente.

Paciência, torcedores americanos, o acesso vai chegar...

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15/05/2015 19h35

Spray de pimenta x pó de mico
Carlos Molinari

O polêmico ataque da torcida do Boca Juniors com spray de pimenta aos jogadores do River Plate, pela Libertadores da América, trouxe-me à lembrança um fato ocorrido no ano de 1979, em Moça Bonita.

- La Bombonera é interditado pela Justiça após violência em partida da Libertadores

La Bombonera. Foto: Divulgação

Bangu x Vasco jogavam pela 3ª rodada do Campeonato Carioca, o estadinho do subúrbio estava cheio: 7.954 pessoas pagaram ingresso, fora os muitos penetras. Na época, spray de pimenta era novidade. Para irritar o adversário, nada melhor que jogar o hoje quase extinto, pó de mico.

A descrição da cena é feita pelo também extinto Jornal do Brasil:

"Estádio lotado. As torcidas festejavam a entrada dos times em campo. A do Bangu, expressiva, afinal a equipe estava invicta há seis jogos. Eis que, durante a saudação dos jogadores do Vasco à sua torcida, o goleiro Leão apressou-se a correr para o vestiário, tentando desesperadamente livrar-se das luvas, logo seguido por Abel e Marco Antônio, porque começaram a sentir uma coceira súbita.

Consultado, o massagista Santana garantiu tratar-se de pó de mico, pois ele também passara a sentir as coceiras. Convocada a segurança do clube, logo descobriu-se que partira do vestiário do Bangu, ao lado, mas a essa altura Santana tentava resolver o problema a seu modo. Partiu para cima do técnico Duque, do Bangu, tentando agredi-lo.

Constatado o fato, o médico Nicolau Simão ainda tentou cancelar a partida, mas persuadido pelo juiz fez com que os jogadores tomassem banho com sabão de coco e álcool. Serenados os ânimos, o discotecário do Bangu, Édson Isidoro, foi detido com uma caixa de papelão contendo o insólito produto, que tantos contratempos causou ao Vasco. Foi levado para a 34ª DP, mas o Delegado Tito não encontrou no código penal um artigo em que pudesse enquadrá-lo".

A história, prosaica, faz parte do folclore do futebol carioca. O Bangu não perdeu o mando de campo - afinal foi um fato isolado de um único homem. A partida foi realizada com um grande atraso e o Vasco acabou vencendo por 3 a 0.

Édson Isidoro, o discotecário que não foi preso em 1979, acabaria voltando às manchetes vinte anos depois, em 1999. Trabalhando como enfermeiro do Hospital Salgado Filho, no Méier, ele foi novamente detido (e desta vez preso) por cometer eutanásia em alguns pacientes internados.

Eram outros tempos. A violência generalizada de hoje nem se compara com a de 1979. Outro dia, na Ilha do Governador, torcedores da Portuguesa da Ilha e do Goytacaz entraram em guerra durante o intervalo. Numa partida do Campeonato Carioca da 2ª Divisão que levou apenas 518 pessoas ao Luso-Brasileiro. Mesmo assim, houve conflito. Os sete policiais que estavam no estádio não deram conta de tamanho público. Um dirigente do time de Campos foi além e disse que havia apenas dois homens da PM acompanhando o jogo.

Na súmula, o árbitro Paulo Renato Moreira da Silva deu poucos detalhes sobre a confusão que tomou conta do jogo. Disse que o atraso para o início do 2º tempo foi de apenas 8 minutos e informou que o tumulto começou do lado da torcida do Goytacaz. Bastante sucinto.

Ocultar a verdade não é a forma mais correta para que a violência nos estádios diminua...

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28/04/2015 09h46

O mal do América
Carlos Molinari

A torcida do América tem toda razão em reclamar. Alguns, reclamam do técnico Arturzinho que recuou o time após o empate em 2 a 2. Outros, reclamam de mim, como se eu fosse o pé-frio, o seca-pimenteira que atrapalhou o título do 1º turno.

A derrota, em casa, com um gol aos 44 minutos do 2º tempo foi algo de cortar o coração. O América não merecia tamanho castigo. Porém, é bom lembrar a fragilidade emocional e o azar que clubes como o América e o Bangu têm na hora das decisões.

Esse ano, os dois só precisavam empatar para conseguirem algo maior. O Bangu perdeu para o Resende. O América caiu para o Americano, sempre em Édson Passos.

Foto: Reprodução

Fora isso, eu lembro de uma história que o Chico Anísio contava. Torcia para o América, até que num daqueles Campeonatos Brasileiros cheios de fase, o América precisava apenas empatar com o Náutico, em São Januário, para seguir na competição. Acabou perdendo para o time pernambucano. Chico Anísio se irritou e virou a casaca. Passou a torcer para o Vasco - o que não quer dizer obrigatoriamente que ele parou de sofrer.

O fato é que o América, apesar dos bons nomes no elenco, perdeu fôlego nessa reta final. Há quantos jogos o time não vence? Já são cinco partidas sem vitória. Nos últimos cinco jogos, o América marcou apenas dois gols - justamente esses dois diante do Americano. De 11 de abril para cá, o time perdeu para o Gonçalense (0 x 1), empatou com o Sampaio Corrêa (0 x 0), empatou com o Goytacaz (0 x 0), empatou com o Americano (0 x 0) e, por fim, acabou sendo eliminado pelo time de Campos no finalzinho.

Pelo menos, com a eliminação, o time terá um longo tempo de inatividade para tentar se reestruturar. A próxima partida, novamente em Édson Passos, será no dia 13 de maio, contra o Duque de Caxias, que está flertando com o rebaixamento.

O desânimo pela terceira eliminação consecutiva em casa - anteriormente, o América já tinha perdido para a Cabofriense e para o Olaria - já vai ter passado. Mas há algo errado. Sempre quando precisa apenas de um empate, jogando em Édson Passos, o time perde.

Eu tenho minha teoria. O América é um time tijucano. Atuar em Édson Passos é, para o clube, uma situação estranha. O estádio, inaugurado no ano 2000, trouxe algumas alegrias, é verdade, como aquela vitória por 3 a 2 sobre o Flamengo, em 2003. Mas, fora isso, e é bom que seja feita uma estatística, creio que o América tenha mais derrotas do que vitórias em seu próprio campo.

Vejamos o exemplo das partidas contra o Bangu em Édson Passos desde o ano 2000. No campo do América, o Bangu venceu 11 vezes, empatou três e perdeu apenas duas (uma em 2001 e outra em 2004). É absurdo que o América não consiga se impor em Édson Passos!

Seja como for, fica minha dica à Comissão Técnica dos rubros para o 2º Turno da Série-B: em caso de classificação para as semifinais, joguem em outro campo! Livrem os jogadores desse trauma de sempre perder em casa (inclusive para o Ceres por 3 a 1, lembram-se?)

Pronto, americanos, podem discordar, podem me xingar. Mas eu acho que diagnostiquei o principal problema...

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21/04/2015 12h04

Em cima do muro? Jamais! O América vencerá o 1º Turno
Carlos Molinari

Angra dos Reis x Portuguesa; Americano x América. Essas são as partidas das semifinais do Campeonato Carioca da 2ª Divisão (1º Turno). Entre quarta-feira e sábado iremos conhecer os dois finalistas da Taça Santos Dumont.

Dentre os 18 times da nossa "Série-B" ninguém tem melhor campanha que a Portuguesa da Ilha. O time fez 20 pontos em 9 jogos, ganhou seis vezes e aparece como favorito para o confronto da semifinal. Treinado por Luiz Antônio, o mesmo técnico que rebaixou o Olaria em 2013, a Portuguesa tem uma equipe sem grandes nomes. Belarmino, ex-Nova Iguaçu, Silvano, ex-Cabofriense, e o artilheiro Alan, ex-América, são os jogadores mais conhecidos do elenco.

Foto: Raffa Tamburini/ America Rio

Pode parecer pouco, mas é suficiente para conseguir passar por cima dos demais adversários desta Série-B e, creio eu, passar também pelo Angra dos Reis. Até porque o time dirigido por Carlos Alberto Santos não poderá mandar jogos em seu estádio. A primeira partida das semifinais será em Moça Bonita, campo neutro, portanto. Ao menos, o goleiro da equipe angrense é o Fernando Cunha, ex-Bangu, que conhece bem o gramado alvirrubro. Fora isso, tudo leva a crer que a Portuguesa irá se classificar. Afinal, o Angra dos Reis - que ficou em segundo lugar na chave do América - fez apenas 14 pontos em 9 jogos e marcou meros sete gols em toda a competição. Se estivesse na Chave A - grupo onde estava a Portuguesa - teria ficado em sexto lugar.

O segundo confronto, entre América e Americano, possui um prognóstico bem mais difícil. Pese o fato de que são dois "gigantes" desta Série-B e dois times ávidos por retornar à elite. O Americano fez mais pontos que o América nesta primeira fase (18 a 16), porém enfrentou adversários mais fáceis.

O Americano do técnico João Carlos Ângelo tem a obrigação de conseguir a vitória no primeiro jogo, disputado no estádio Ari de Oliveira e Souza. Um empate atuando em Campos seria desastroso para o time alvinegro, que tem como destaques o meia Abuda e o atacante Léo Guerreiro, ex-Boavista.

Equipe mais cotada em qualquer bolsa de apostas, o América do técnico Arturzinho tem tudo para se classificar para a decisão do 1º Turno. Tem um elenco mais experiente, possui bons nomes como Abedi, Somália, ex-Duque de Caxias e Léo Rocha e, apesar de ter decaído nas últimas partidas - o time não marca gols há três jogos - possui um conjunto melhor que o Americano e até mesmo que a Portuguesa.

Falta ao América se livrar de uma estranha sina de perder jogos decisivos em Édson Passos, que já impediram ao clube rubro chegar ao título de alguns turnos. Está bem viva na memória dos torcedores tropeços para a Cabofriense e para o Olaria, que foram cruciais para deixar o América na "Série-B" até os dias de hoje.

Este ano, creio eu, ninguém irá impedir o sucesso dos rubros. Nem mesmo o bom time da Portuguesa.

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17/04/2015 11h50

Não é pra qualquer um: 111 anos de Bangu
Carlos Molinari

Hoje, dia 17 de abril, o segundo clube de futebol mais antigo do Rio de Janeiro, completa 111 anos. Fundado num domingo numa casa  vila operária anexa à Fábrica de Tecidos, o Bangu representa, por mais de um século, uma curiosa resistência: ser o único clube originalmente fabril que se mantém participando de campeonatos profissionais, mesmo com a extinção da Companhia que lhe deu origem.

Para  comemorar a data, reunimos 15 ex-atletas do clube, que teceram uma pequena homenagem e nos dizem o que o simpático time da Zona Oeste representa na vida de cada um.

Parabéns, Bangu!

Foto: Reprodução

Bimba, lateral-direito entre 1988 e 1994

O Bangu pra mim pra mim, depois das minhas filhas, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Devo tudo que sou hoje a esse clube maravilhoso, que arrebatou e encheu o meu coração de amor. Bangu se resume em uma simples palavra na minha vida: amor.

Carlos Renan, zagueiro entre 2010 e 2014

O Bangu representa muito para mim. Lá vivi momentos muito especiais na minha vida e que guardo com muito carinho.  Foi uma honra poder ter vestido essa camisa como atleta, poder dar meus primeiros passos nessa minha nova fase dentro do futebol. Quando nascemos temos o clube que normalmente recebemos de nossos pais, e o Bangu é o clube que eu me apaixonei e que escolhi amar. Gostaria poder estar comemorando essa data com o presente que seria a volta ao Campeonato Brasileiro, mas tenho certeza que irá se concretizar em breve. Parabéns ao nosso querido Bangu e que continuemos grem busca do crescimento do nosso clube e de sua história.

Eduardo Melo, goleiro entre 1989 e 1997

Parabéns ao Bangu! Venho por meio desta mensagem expressar minha gratidão ao Bangu Atlético Clube por minha visibilidade no âmbito nacional. Obrigado, Bangu!

Édson Souza, meio-campo entre 1989 e 2000

Parabéns Bangu pelos seus 111 anos de existência na história do futebol brasileiro. Clube pelo qual tenho respeito e admiração, me sinto privilegiado de fazer parte de sua história como jogador.

Ernesto, meio-campo entre 1976 e 1978

Com certeza eu tenho o nosso Bangu no meu coração, tenho a camisa e faixa de campeão. Quando vesti a camisa do Bangu pela primeira vez fiquei emocionado. Eu tive muito orgulho de fazer parte desta história.

João Cláudio, atacante entre 1983 e 1988

Esse clube me deu tudo na minha vida, me ensinou a ser homem de bem e como encarar a vida, me deu fama na vida profissional e uma boa família que eu conservo até hoje. Esse clube foi minha vida. Hoje as pessoas perguntam que time eu sou. Sem duvida, eu falo: sou Bangu!

Joãozinho, meio-campo entre 1988 e 1992

Falar do Bangu é sempre um prazer, eu vivi 9 anos da minha vida ali dentro e se hoje sou um professor formado, ex-atleta profissional e pai de 4 filhos, eu credito muito disso ao meu crescimento como atleta e como homem, principalmente com o aprendizado que tive com incontáveis treinadores que tive no desenrolar desses 9 anos.

Mantenho a amizade de muitos, afinal chegamos a conviver mais de cinco anos numa rotina diária, obtivemos títulos, como o de juvenil em 1986 com um gol de pênalti meu sobre o Vasco; nosso ano de 1983 com Calazans: 33 partidas, 32 vitórias e uma única derrota para o Botafogo; o 1° torneio Pelé no qual fomos campeões em 1987 e também o Carioca de Juniores em 1987, com Xerém.

O momento da chegada ao profissional em seguida com Zagalo, Rogério Melo, Didi, Moisés, João Francisco e outros...

Enfim, uma vida dentro de um clube que hoje poderia e pode ser uma fábrica de jogadores, se tivesse uma base levada a sério, porque nossa Zona Oeste é privilegiada nesse quesito. Lamento muito por isso, mas carrego o Bangu Atlético Clube com muito carinho dentro de mim.

Macula, meio-campo entre 1986 e 1996

Falar do Bangu pra mim é um prazer. Minha carreira como jogador de futebol agradeço muito ao Bangu. Lá que tive a minha infância, meus sonhos, minhas alegrias. Fui criado praticamente dentro do Bangu. Muita gente me ajudou a ser hoje o Macula. Muito obrigado por tudo meu querido Bangu! Parabéns pelos seus 111 anos!

Marcelo, ponta-esquerda entre 1980 e 1984

Aprendi a gostar do Bangu ainda na adolescência jogando pelo juvenil, gostei do seu uniforme alvirrubro, de sua história, de seu estádio com o bonito nome de Moça Bonita e ao entrar em campo pela primeira vez com aquela camisa linda e ouvir os gritos daquela torcida apaixonada, pensei "vou ser Bangu por toda minha vida"!

Marcelo Araújo, lateral-direito entre 1986 e 1987

Dia 17 de abril! O clube que mais me marcou entre todos que joguei durante minha carreira, faz 111 anos!! Parabéns ao querido Bangu Atlético Clube!! Cheguei aos 17 anos ao clube, seguindo meu saudoso irmão Alexandre, para a categoria juvenil, e depois de mais três anos nos Juniores e dois nos profissionais, só tenho excelentes lembranças, grande amigos e muitas estórias. Tudo naquele clube, naquele tempo, entre 83 até 87, foi muito especial!! Parabéns grande alvirrubro de Bangu!!

Marcelo Cardoso, meio-campo entre 1993 e 2000

Alô Bangu Atlético Clube! Primeiramente, quero parabenizá-lo pelos 111 anos de vida. É com muita alegria que menciono o nome do Bangu. Porque foi exatamente ali que, em 1991, começou minha trajetória. Se hoje consegui ter um nome no futebol carioca é graças ao Bangu. Devo tudo a esse clube. Só não consegui o que eu mais queria: encerrar minha carreira onde tudo começou. Eternamente Bangu!

Marcelo Pires, goleiro entre 1999 e 2000

O Bangu Atlético Clube foi o clube que me promoveu profissionalmente. Hoje tudo que tenho foi do futebol e devo muito ao nosso querido Bangu, e se possível quero um dia voltar ao clube para pode ajudar da melhor forma. Parabéns !!!

Marcelo Rodrigues, meio-campo entre 1992 e 1993

O Bangu para mim foi tudo. Minha escola realmente de futebol e de vida também. Sou muito grato ao Bangu Atlético Clube e sou eternamente apaixonado por esse clube!

Palmieri, goleiro entre 1987 e 1990

Palavras não conseguiriam expressar minha gratidão por esse clube. Moldou minha vida, me encheu de esperança e me fez viver dias de alegrias e grandes conquistas. Por certo, faz o mesmo na vida de muitos outros jovens.  De uma fábrica de tecidos à uma Fábrica de Sonhos.  O tempo segue seu caminho e a "Moça" segue "Bonita", porque a sua beleza não está naquilo que o tempo e a traça podem destruir! Obrigado Bangu Atlético Clube, por fazer parte da minha história, da minha vida! Saudações Alvirrubras!

Paulo Campos, zagueiro entre 1993 e 1999

O Bangu representa grande parte da minha carreira, foram aproximadamente 8 anos defendendo a camisa do querido alvirubro e tenho grandes lembranças desse tempo que estive por lá. É um prazer imenso fazer parte da história de um clube centenário. Parabens Bangu pelos seus 111 anos de glórias e vitórias.

Sérgio Júnior, atacante entre 2012 e 2013

O que escrever do Bangu? Apenas dizer que um dos clubes mais importante da minha carreira, que mora no meu coração, com uma torcida apaixonante e com toda a certeza um dia voltará ao lugar que jamais deveria ter saído. Grande abraço! Saudações alvirrubras, parabéns, parabéns e parabéns!

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27/03/2015 08h56

Na reta final do Campeonato Carioca, bateu o desespero
Carlos Molinari

Essa rodada do Campeonato Carioca foi surpreendente. A começar pelo empate do Madureira com o Bonsucesso, em Conselheiro Galvão. Quem pensaria que isso pudesse acontecer. O time de Toninho Andrade pressionante, colocando bola na trave e quando vê, leva um gol do Bonsuça.

Madureira x Bonsucesso. Foto: ReproduçãoO empate só saiu aos 44 minutos do 2º tempo, com um gol de Rodrigo Pinho, o nono do garoto no Campeonato. Para quem não sabe, Rodrigo Pinho não é artilheiro à toa. Filho de Nando, um ex-atacante do Bangu, do Flamengo, do Internacional e do Hamburgo (Alemanha), Pinho já foi artilheiro do Campeonato Carioca de Juniores de 2011, com 20 gols.

Na época, Pinho atuava pelo Bangu. Hoje é artilheiro isolado, destaque absoluto deste Campeonato. Não sei se o Madureira terá fôlego financeiro para mantê-lo para o Brasileiro da Série-C no segundo semestre...

O gol foi um alívio, mas o resultado foi péssimo, desastroso mesmo em termos de classificação. Tanto que, a Taça Rio (disputada entre os 12 "pequenos"), foi entregue com os jogadores do tricolor extremamente abatidos e receosos. A obrigação de ganhar transformou um time excelente em um grupo nervoso e desesperado para marcar os gols rapidamente. O empate reavivou as chances do Fluminense na competição e pôs em risco a classificação do Madureira para as semifinais.

Outra zebra foi a vitória do Nova Iguaçu sobre o Friburguense: 1 a 0, gol de Elias aos 42 minutos do 2º tempo. Curioso que o Nova Iguaçu atuava com um jogador expulso (o Paulo Henrique) e ainda encontrou forças para ganhar a partida. O Friburguense, nas mãos de Gérson Andreotti, enfrenta uma de suas piores fases. São oito jogos sem ganhar de ninguém. A palavra rebaixamento já pode ser ouvida no Eduardo Guinle. O time realmente não rende mais.

Ninguém mais aceita perder (ou até empatar) com o time dos veteranos Cadão, Bidu e Ziquinha. Os tempos são outros.

A surpresa mais grata veio com o Barra Mansa, que é outro time desde que Manoel Neto assumiu. Vejam bem: já empatou com Vasco e Botafogo. Nesta quarta, todos esperavam uma vitória confortável do líder e o que se viu foi o atacante Bill perder um pênalti aos 43 minutos do 2º tempo, defendido pelo ótimo goleiro Thiago Leal.

Ponto a ponto, tijolinho por tijolinho, o Barra Mansa vai escapando do seu destino. Para qualquer especialista, o rebaixamento este ano estava destinado ao simpático clube azul e branco. Em 14º lugar, correndo tantos riscos quanto o Bonsucesso (outro favoritíssimo ao descenso), o Barra Mansa vai respirando.

Do jeito que as coisas estão lá embaixo - com oito equipes brigando contra o rebaixamento - creio que o Campeonato ainda irá reservar muitas emoções aos torcedores desses clubes. Em mais três rodadas tudo pode acontecer: a precariedade está unindo estes clubes. Nenhum deles empolgou durante toda a competição e agora, terão que correr atrás do tempo perdido (além de torcerem um contra os outros).


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25/03/2015 15h15

Maracanã, 25 de março: Bangu 4 x 3 Flamengo
Carlos Molinari

Hoje é dia de Bangu x Flamengo, no gramado do Maracanã. Há 48 anos, os dois times se encontraram no mesmo estádio para uma partida repleta de lances inesquecíveis. Impossível pensar que tudo se repetirá em 2015. Aquele Bangu, de Paulo Borges, era uma verdadeira máquina de jogar futebol e ainda contava com a sorte...

Ubirajara estava numa tarde infeliz em 25 de março de 1967. Falhou duas vezes contra o Flamengo, numa partida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Mas não foi crucificado.

Para sorte do Bangu, o goleiro rubro-negro Marco Aurélio, estava tão mal, que engoliu quatro bolas defensáveis - três delas de autoria de Paulo Borges. Era, para o jornalista Aparício Pires, do jornal Última Hora, o "Dia Nacional dos Frangos".

O jogo foi disputado num sábado, no Maracanã, e prometia muito. O Bangu assumiria a liderança do campeonato nacional se vencesse. Estava com 7 pontos, um a menos que o ponteiro Santos. O Fla tinha 4 pontos, era o sexto colocado.
O Bangu acabou vencendo por 4 x 3, tornou-se líder, deixando outras 14 equipes para trás. Tinha um ponto de vantagem em relação a Santos e Palmeiras. Graças a Paulo Borges, ou ao goleiro Marco Aurélio, Ubirajara poderia receber seu "bicho" pela vitória. Ninguém se lembraria de suas falhas. 

Bangu 4 x 3 Flamengo. Foto: Reprodução

Por outro lado, o goleiro Marco Aurélio, do Flamengo, deixou o campo chorando. Com os olhos vermelhos, foi lacônico com os repórteres que o esperavam: "Sou o único culpado", sintetizou.

A partida começou à feição do rubro-negro. Com menos de 30 segundos, o Fla abriu o placar, surpreendendo o Bangu ainda frio. Américo chutou e o goleiro Ubirajara fez o que não podia fazer: soltou a bola para frente. Ademar, na corrida, emendou sem dificuldades. Para amenizar sua falha, Ubirajara passou alguns segundos reclamando dos colegas da defesa, que sequer tinham tocado na bola.

O Bangu reagiu com a mesma rapidez. Aos 8 minutos, Aladim cobrou uma falta na meia-lua da grande área. O goleiro Marco Aurélio voou e tocou na bola, mas foi com a chamada "mão mole", sem forças para espalmá-la. Desta forma, os alvirrubros chegavam ao empate em 1 a 1.

Quatro minutos depois, foi a vez de Paulo Borges se aproveitar da tarde negra do goleiro do Fla. Ele recebeu em profundidade e atirou de pé esquerdo, Marco Aurélio deixou a bola passar sob seu corpo, caindo de joelhos na grama. Era a virada do Bangu: 2 a 1.

Bangu 4 x 3 Flamengo. Foto: ReproduçãoPara quem achava que já tinha visto "frangos" demais, Ubirajara voltou a aprontar aos 19 minutos. Ademar cobrou uma falta para a área, "Bira" deu um tapa bisonho na bola, que caiu nos pés de Carlinhos. Estava decretado o empate: 2 a 2.

No 2º tempo, os gols também saíram logo nos minutos iniciais. Aos 5, Paulo Borges recebeu um passe na entrada da área e soube se aproveitar da saída precipitada de Marco Aurélio. O ponta-direita atirou mansamente, com a meta abandonada e marcou o terceiro gol do Bangu.

O duelo voltaria a ficar empatado aos 10 minutos, no único gol em que não houve falha dos goleiros. Rodrigues chutou cruzado e Jair Pereira apareceu de carrinho: 3 a 3.

Precisando da vitória para assumir a liderança do Robertão 67, o Bangu continuou apostando em Paulo Borges. Aos 18 minutos, o craque recebeu de calcanhar de Fernando e chutou de primeira. Para sua sorte, Marco Aurélio voltou a falhar, pulando atrasado: era o quarto gol do melhor time do país naquele momento!

A vitória, porém, só foi consolidada nos minutos finais, quando Ubirajara se redimiu das duas falhas, desviando para escanteio um chute de Ademar, de curta distância. No último minuto, Paulo Borges ainda foi derrubado dentro da área rubro-negra pelo zagueiro Murilo, mas o juiz Armando Marques preferiu ignorar o lance e evitar que o Bangu chegasse ao quinto gol.

Terminava desta forma o chamado "Dia Nacional dos Frangos", para decepção do técnico rubro-negro Armando Renganeschi:
"É a tal coisa, goleiro é o único jogador que não pode falhar..." - resumiu o treinador derrotado.

A frase

"A gente contra o Flamengo tem que correr mesmo, senão é fogo. Foi o que eu fiz. Corri muito e dei sorte".
Paulo Borges, autor de três gols na partida


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23/03/2015 10h52

Eles jogam o melhor futebol do Rio
Carlos Molinari

No início da competição, quando a grande imprensa enchia a bola do Volta Redonda, eu falava que o bom mesmo entre os chamados "pequenos" era o Madureira. E espera ansioso pelo confronto entre essas duas equipes. 

O que o time do técnico Toninho Andrade fez no Raulino de Oliveira foi até covardia. O jogo já estava definido no 1º tempo, graças aos dois gols do genial Rodrigo Pinho. 

Foto: ReproduçãoO Madureira não é o vice-líder com 26 pontos à toa. Possui um elenco muito melhor que o do Botafogo, que o do Fluminense e quem sabe até mesmo que o Vasco (que equilibrou um pouco as coisas com a chegada de Gilberto e Dagoberto). 

Não canso de enaltecer o Tricolor Suburbano porque possui, do meio pra frente, cinco jogadores que hoje são fundamentais no êxito do time este ano: Rodrigo Lindoso, Thiago Galhardo, Rodrigo Pinho, Camacho e João Carlos (este na reserva). São nomes que os grandes clubes ainda não atentaram, mas que possuem uma qualidade única no futebol carioca atual.

Basta comparar os resultados do Madureira diante dos mesmos adversários que também complicaram a vida dos "grandes". O Volta Redonda tinha tirado pontos de Botafogo e Fluminense e dificultado o jogo contra o Flamengo. E o que fez contra o Madureira? Levou um chocolate de 3 a 0. 

A Cabofriense que bloqueou o Botafogo na partida de domingo em Macaé e perdeu por apenas 1 a 0, tinha sido derrotada, em Cabo Frio, por 3 a 0 para o Madureira. É algo a se pensar. 

E se formos analisar friamente, o Madureira fez seus últimos quatro jogos fora de Conselheiro Galvão, passando por cima de Barra Mansa, Friburguense, Cabofriense e Volta Redonda, com tal desenvoltura que eu creio cegamente que é o virtual campeão da Taça Rio (disputada apenas pela pontuação entre os "pequenos") e por que não também da Taça Guanabara.

Tudo depende de como as arbitragens vão se comportar. O Madureira tem, nas duas últimas rodadas, confrontos diretos contra Botafogo e Fluminense. Ali é que vamos ver se o empreendimento de Elias Duba levará mais uma taça para o subúrbio.

Eu estou na maior torcida pelo Madureira. Será um belo tapa no rosto desses clubes que ainda se acham grande. 

Rebaixamento

Com as vitórias de Barra Mansa sobre o Nova Iguaçu (2 x 1) e de Bonsucesso sobre o Boavista (4 x 0), dois confrontos diretíssimos pela degola, acho que está cada vez mais resolvido o assunto. Este ano, dois clubes com relativa estrutura e poucos torcedores serão os rebaixados da vez. E acho que pouca gente irá chorar a queda do Nova Iguaçu e do Boavista.


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09/03/2015 10h48

Erro é uma coisa. Má fé é outra
Carlos Molinari

Em 2013, após denunciar uma armação para beneficiar a Cabofriense no acesso à 1ª Divisão do Campeonato Carioca, recebi um aviso do pessoal do site SRZD.

- Molinari, tem um tal de Daniel de Sousa Macedo querendo teus contatos, querendo falar com você. Você o conhece?

Pelo nome, eu não conhecia nenhum Daniel de Sousa Macedo. Depois, o próprio pessoal da redação do SRZD me alertou.

- Molinari, esse Daniel é o árbitro da partida entre Cabofriense e Bonsucesso, que você citou na sua crônica.

Foto: Reprodução

Só aí eu me lembrei. O professor de Educação Física Daniel de Sousa Macedo, árbitro nas horas vagas, transformou uma vitória do Bonsucesso por 2 a 1, em um empate em 2 a 2, com um pênalti inexistente no minuto final a favor da Cabofriense. Esse pênalti transformou o resultado da Série-B de 2013. Caso não existisse, a Cabofriense não seria a campeã e o América subiria.

Enfim, o pessoal do SRZD nunca passou meus contatos para o sr. Daniel e nunca conversamos. Se a conversa existisse, certamente não seria amistosa. Daniel não aceitou as críticas que fiz em relação à sua péssima e tendenciosa arbitragem na partida de 2013.

Zeca Simões, presidente do Bonsucesso, também chiou horrores na época. No entanto, por não ter força política dentro da Federação, aceitou que o mesmo árbitro apitasse o jogo de domingo contra o Vasco, no Engenhão.

Daniel sabe para quem apita. Não deu um pênalti a favor da Cabofriense em 2013 à toa. Assim como não beneficiou o Vasco em rede nacional de televisão de graça. Foi tendencioso. Apitar a favor dos times que interessam à Federação é sempre mais proveitoso para ascender na carreira de árbitro. Em 2013, estava soprando seu apito na Segunda Divisão. Agora, está fazendo suas lambanças na Primeira Divisão.

Outro dia reclamei aqui do erro de Wagner Nascimento Magalhães na partida Madureira 1 x 1 Flamengo. Se o Madureira vencesse aquele jogo, estaria hoje entre os quatro melhores e o Fla estaria fora. Prova mais do que concreta de que a manipulação afeta diretamente o Campeonato e traz benefícios aos mesmos quatro times de sempre.

O pênalti do Vasco aos 49 minutos do 2º tempo, pra mim, não foi um simples erro do sr. Daniel. Foi a oportunidade que o árbitro precisava para dar os 3 pontos ao Vasco. Erro é quando eu entro numa rua na contra-mão quando estou perdido; erro é quando marco a letra A e a resposta certa é a letra D numa prova de concurso; erro é quando ligo para um número de telefone equivocadamente ou quando aperto a campainha do apartamento ao lado.

Quando um árbitro, formado desde 2004 (portanto há 11 anos) e que apita jogos da Primeira Divisão do Rio desde o ano passado, vê pênalti num lance desses, é porque claramente tem algum interesse. Tudo que aprendeu na carreira o desautorizaria a marcar essa infração.

Os vascaínos que acessarem esta coluna irão protestar. Irão dizer, como já faziam ontem nas redes sociais, que o Vasco já foi muito "roubado" e que poderia ganhar "roubado" uma vez. Uma armação não justifica a outra. Se o Vasco já foi "roubado" mil vezes, então, o Bonsucesso já foi "assaltado" umas 2 mil vezes em sua história.

Disseram até que o Fernando nem reclamou. Ora, o jogador já tinha levado um cartão amarelo bem estranho num lance no meio-campo que o coloca fora da próxima partida do Bonsucesso contra o Fluminense. Iria reclamar para levar também um cartão vermelho?

A atuação de Daniel de Sousa Macedo foi desastrosa. Na outra área, o Rodrigo colocou a palma da mão na bola de forma acintosa. Sua senhoria disse que ele sofreu falta... Eu não vi.

Dessa vez, pelo menos, eu não estou sozinho a criticá-lo. Toda a imprensa fala abertamente sobre sua má arbitragem. Agora, se quiser, o sr. Daniel Macedo terá que ligar de redação em redação atrás de cada colunista, jornalista, articulista. Afinal, o rapaz de 32 anos parece não saber lidar bem com as críticas...

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01/03/2015 13h38

O Madureira está maduro!
Carlos Molinari

Perdoem o trocadilho infame do título. Queria destacar que no sábado ocorreu mais um passeio do Madureira. Fez 4 a 0 no Nova Iguaçu, como poderia ter feito 5 ou 6. A cada dia eu vejo no Tricolor Suburbano um potencial semifinalista. Nenhum dos 12 clubes "médios" da 1ª Divisão pode se gabar de ter um elenco recheado de craques do meio para a frente.

Aliás, nem mesmo o Vasco ou o Fluminense possuem, atualmente, a força ofensiva que tem o Madureira. Vejam bem: Thiago Galhardo, Rodrigo Pinho, João Carlos, Camacho, Rodrigo Lindoso são todos habilidosíssimos. Toninho Andrade tem apenas o trabalho de fazer tantos destaques atuarem na mesma partida.

Thiago Galhardo. Foto: Reprodução

Contra o Nova Iguaçu não foi sequer necessário que João Carlos, artilheiro do Duque de Caxias e do Macaé, entrasse em campo. O time jogou com apenas um homem oficialmente na frente: Rodrigo Pinho, um gênio nas bolas aéreas. Um jogador que foi de mão beijada do Bangu para o Madureira e agora está mostrando todo seu potencial.

Já falei aqui neste espaço. Enquanto muita gente está achando que o Volta Redonda é o "papão" dos pequenos, eu olho com extrema atenção esse time do Madureira. Por mais que a parte defensiva ainda não seja a ideal - na partida contra o Vasco, por exemplo, o goleiro Jonathan foi um fracasso -, sobra meias habilidosos na equipe de Toninho Andrade.

Anos e anos disputando a Série-C do Campeonato Brasileiro fizeram bem ao Madureira. O clube está apto não só para disputar as semifinais do Carioca, como também para o acesso à Série-B.

Macaé

Outra prova de que disputar campeonatos nacionais faz bem para o crescimento do clube é o caso do Macaé. Nem precisaria fazer muitos esforços neste Estadual, poderia guardar seus recursos para a disputa da Série-B no segundo semestre, mas é tamanha a diferença que o separa dos outros times que, bem ou mal, já possui 12 pontos e perdeu apenas um jogo, para o Vasco.

Neste sábado, mesmo tendo que cumprir a ilógica punição do TJD-RJ, que obrigou o Macaé a perder o mando de campo na partida contra o Tigres, a equipe de Josué Teixeira venceu. Joga atualmente um futebol menos exuberante que o Madureira, porém, é bastante eficaz.

Barra Mansa

E quem diria que Manoel Neto, o popular "Rei do Acesso" daria jeito no Barra Mansa? Mesmo extremamente depende de seu "único" jogador - Vitinho - o time azul e branca vem se mantendo invicto com o novo treinador. São três empates em três partidas. Mais que os pontinhos acumulados, a certeza de que o Barra Mansa melhorou sensivelmente.

Dava pena ver o time jogar nas primeiras rodadas sob o comando do técnico Wilson Leite. Havia também a problemática falta de pagamento, fato grave que não sei se foi sanado.

Bem ou mal, mesmo com um elenco limitado, em que se sobressaem apenas o goleiro Thiago Leal e o próprio Vitinho, o Barra Mansa vai se afastando do rebaixamento e deixando a parte inferior da tabela nas mãos de Nova Iguaçu e Boavista, o que não deixa de ser surpreendente.

Olaria

Pronto para estrear na Segunda Divisão do Campeonato Carioca, o Olaria mudou de uma só vez o seu treinador - passou o Ronald para auxiliar técnico e trouxe Antônio Carlos Roy (recém demitido do Boavista) - e praticamente todo seu elenco.

Roy trouxe com ele uma gama de jogadores, surpreendente a rapaziada que estava dando duro nos treinos durante todo o verão.

Se a mudança em cima da hora irá dar certo? Eu creio que não.

Contra o Gonçalense, sábado que vem, é que vamos ver se a decisão de trocar treinador e trocar quase todo o elenco vai vingar.

Coisa de maluco na Bariri...

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27/02/2015 07h11

Azul é a cor mais quente
Carlos Molinari

Neste sábado, Vasco e Bangu vão se enfrentar em São Januário, às 16 horas. Provavelmente sob um calor intenso. O Vasco, esperto, vai jogar com a camisa branca. O Bangu, otário, vai com seu uniforme azul escuro. Mais calor ainda.

Originalmente, todo mundo sabe, o Bangu possui as cores vermelha e branca. Contrariando os próprios estatutos, a diretoria banguense inventou uma camisa azul escura, com golas amarelas. Parece uma homenagem ao Madureira. Não é.

Bangu em ação contra o Fluminense. Foto: Reprodução

O presidente Jorge Varela (no cargo desde 2007) acha que está homenageando o Southampton, da Inglaterra. Clube cuja terceira camisa também é azul. Esquece que o clima na Inglaterra é outro. E jogar de azul escuro não compromete o desempenho dos atletas. Varela, mesmo estando há tanto tempo no cargo, desconhece a história do próprio clube que comanda.

As ligações do Bangu com o Southampton são nulas. Nenhum dos britânicos que fundaram o Bangu em 1904 vieram de Southampton, jogaram no Southampton ou torciam pelo Southampton. Os irmãos Andrew e William Procter eram escoceses de Dundee. O pioneiro Thomas Donohoe também era escocês, do vilarejo de Busby. Clarence Hibbs era inglês de Derbyshire. Thomas Hellowell veio de Yorkshire e William French veio de Liverpool.

Enfim, no máximo, pode-se dizer que a camisa do Bangu atualmente é azul escura para homenagear a seleção escocesa. Mas, na verdade, o interesse é outro.

A camisa com listras na vertical - como os fundadores ideaizaram - é péssima para destacar o nome dos anunciantes. O Bangu conseguiu, para esta temporada, uma série de patrocinadores de ocasião - como a Útil, Elite, Charme, Net - que pagam para colocar suas marcas na camisa do time por partida transmitida pela TV. Fora essas marcas, a camisa ainda ostenta logos de antigos parceiros do clube: Frangochic, Fibrolar e Fly Remoções e do fornecedor de material esportivo: WA Sport. No total, são 8 patrocinadores estampados na blusa azul escura.

Em outros anos, sempre que havia um confronto com os "grandes", o Bangu optava por jogar de branco. Evitava a camisa listrada, tão tradicional, e valorizava seus patrocinadores, que chegavam a pagar 35 mil reais por partida (casos de Subway e Lalita).

No entanto, a opção por descaracterizar as cores originais do clube - tirando o branco e colocando o azul escuro - tem fundamento numa retaliação. Para que não está por dentro da politicagem do Bangu, é bom explicar que a diretoria não gosta dos torcedores e os torcedores tem ojeriza à diretoria. O que os dirigentes podem fazer para sabotar os torcedores, eles fazem. Inclusive, com ameaças de violência, como já ocorreu nos tempos em que o time estava na 2ª Divisão carioca.

Mesmo sem qualquer apoio à torcida, sem implantar um programa de sócio-torcedor (o presidente Varela diz que essa categoria de sócio não está prevista nos estatutos, assim como também não está o fardamento azul e amarelo...), os adeptos das cores vermelha e branca foram aumentando nos últimos tempos. Talvez seja algo retrô, meio cult torcer para um time de tantas tradições, comprar a camisa alvirrubra do título de 66, levar faixas e bandeiras para os estádios e se orgulhar de morar no bairro mais quente do Rio.

Algo impensável para a diretoria que fez, ao longo das duas últimas décadas esforços inauditos para afastar do clube todo e qualquer tipo de torcedor (seres chatos que cobram, dão pitacos e reclamam de tudo, na visão dos dirigentes). Descaracterizar as cores originais do Bangu, nos jogos transmitidos pela TV, romper com a tradição, implantar à força o azul e amarelo é ir contra os próprios estatutos do clube e virar as costas para um bairro inteiro que se veste de vermelho e branco ao longo dos 365 dias do ano.

Basta ler os artigos 94 e 95 dos Estatutos do Bangu Atlético Clube, publicados em 2002 e redigidos pelo mesmo homem que hoje é o presidente da Federação do Rio, Rubens Lopes.

Art. 94 - As cores oficiais do Bangu serão branco e vermelho.
Art. 95 - O pavilhão, a flâmula e o emblema permanecem os mesmos já registrados, ficando os uniformes de competição desportiva à critério da Diretoria Executiva, DESDE QUE RESPEITADAS AS TRADIÇÕES E AS CORES OFICIAIS.

Enfim, se o clube tiver ainda algum sócio, ele pode muito bem representar contra a diretoria executiva por romper com os estatutos. Este sábado, atuando de azul escuro sob um sol de 40 graus, o Bangu já entrará em campo perdendo de 1 a 0 para o Vasco. Ainda assim, os anunciantes agradecem...

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