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Carlos Molinari

Carlos Molinari



* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...



01/03/2015 13h38

O Madureira está maduro!
Carlos Molinari

Perdoem o trocadilho infame do título. Queria destacar que no sábado ocorreu mais um passeio do Madureira. Fez 4 a 0 no Nova Iguaçu, como poderia ter feito 5 ou 6. A cada dia eu vejo no Tricolor Suburbano um potencial semifinalista. Nenhum dos 12 clubes "médios" da 1ª Divisão pode se gabar de ter um elenco recheado de craques do meio para a frente.

Aliás, nem mesmo o Vasco ou o Fluminense possuem, atualmente, a força ofensiva que tem o Madureira. Vejam bem: Thiago Galhardo, Rodrigo Pinho, João Carlos, Camacho, Rodrigo Lindoso são todos habilidosíssimos. Toninho Andrade tem apenas o trabalho de fazer tantos destaques atuarem na mesma partida.

Thiago Galhardo. Foto: Reprodução

Contra o Nova Iguaçu não foi sequer necessário que João Carlos, artilheiro do Duque de Caxias e do Macaé, entrasse em campo. O time jogou com apenas um homem oficialmente na frente: Rodrigo Pinho, um gênio nas bolas aéreas. Um jogador que foi de mão beijada do Bangu para o Madureira e agora está mostrando todo seu potencial.

Já falei aqui neste espaço. Enquanto muita gente está achando que o Volta Redonda é o "papão" dos pequenos, eu olho com extrema atenção esse time do Madureira. Por mais que a parte defensiva ainda não seja a ideal - na partida contra o Vasco, por exemplo, o goleiro Jonathan foi um fracasso -, sobra meias habilidosos na equipe de Toninho Andrade.

Anos e anos disputando a Série-C do Campeonato Brasileiro fizeram bem ao Madureira. O clube está apto não só para disputar as semifinais do Carioca, como também para o acesso à Série-B.

Macaé

Outra prova de que disputar campeonatos nacionais faz bem para o crescimento do clube é o caso do Macaé. Nem precisaria fazer muitos esforços neste Estadual, poderia guardar seus recursos para a disputa da Série-B no segundo semestre, mas é tamanha a diferença que o separa dos outros times que, bem ou mal, já possui 12 pontos e perdeu apenas um jogo, para o Vasco.

Neste sábado, mesmo tendo que cumprir a ilógica punição do TJD-RJ, que obrigou o Macaé a perder o mando de campo na partida contra o Tigres, a equipe de Josué Teixeira venceu. Joga atualmente um futebol menos exuberante que o Madureira, porém, é bastante eficaz.

Barra Mansa

E quem diria que Manoel Neto, o popular "Rei do Acesso" daria jeito no Barra Mansa? Mesmo extremamente depende de seu "único" jogador - Vitinho - o time azul e branca vem se mantendo invicto com o novo treinador. São três empates em três partidas. Mais que os pontinhos acumulados, a certeza de que o Barra Mansa melhorou sensivelmente.

Dava pena ver o time jogar nas primeiras rodadas sob o comando do técnico Wilson Leite. Havia também a problemática falta de pagamento, fato grave que não sei se foi sanado.

Bem ou mal, mesmo com um elenco limitado, em que se sobressaem apenas o goleiro Thiago Leal e o próprio Vitinho, o Barra Mansa vai se afastando do rebaixamento e deixando a parte inferior da tabela nas mãos de Nova Iguaçu e Boavista, o que não deixa de ser surpreendente.

Olaria

Pronto para estrear na Segunda Divisão do Campeonato Carioca, o Olaria mudou de uma só vez o seu treinador - passou o Ronald para auxiliar técnico e trouxe Antônio Carlos Roy (recém demitido do Boavista) - e praticamente todo seu elenco.

Roy trouxe com ele uma gama de jogadores, surpreendente a rapaziada que estava dando duro nos treinos durante todo o verão.

Se a mudança em cima da hora irá dar certo? Eu creio que não.

Contra o Gonçalense, sábado que vem, é que vamos ver se a decisão de trocar treinador e trocar quase todo o elenco vai vingar.

Coisa de maluco na Bariri...

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27/02/2015 07h11

Azul é a cor mais quente
Carlos Molinari

Neste sábado, Vasco e Bangu vão se enfrentar em São Januário, às 16 horas. Provavelmente sob um calor intenso. O Vasco, esperto, vai jogar com a camisa branca. O Bangu, otário, vai com seu uniforme azul escuro. Mais calor ainda.

Originalmente, todo mundo sabe, o Bangu possui as cores vermelha e branca. Contrariando os próprios estatutos, a diretoria banguense inventou uma camisa azul escura, com golas amarelas. Parece uma homenagem ao Madureira. Não é.

Bangu em ação contra o Fluminense. Foto: Reprodução

O presidente Jorge Varela (no cargo desde 2007) acha que está homenageando o Southampton, da Inglaterra. Clube cuja terceira camisa também é azul. Esquece que o clima na Inglaterra é outro. E jogar de azul escuro não compromete o desempenho dos atletas. Varela, mesmo estando há tanto tempo no cargo, desconhece a história do próprio clube que comanda.

As ligações do Bangu com o Southampton são nulas. Nenhum dos britânicos que fundaram o Bangu em 1904 vieram de Southampton, jogaram no Southampton ou torciam pelo Southampton. Os irmãos Andrew e William Procter eram escoceses de Dundee. O pioneiro Thomas Donohoe também era escocês, do vilarejo de Busby. Clarence Hibbs era inglês de Derbyshire. Thomas Hellowell veio de Yorkshire e William French veio de Liverpool.

Enfim, no máximo, pode-se dizer que a camisa do Bangu atualmente é azul escura para homenagear a seleção escocesa. Mas, na verdade, o interesse é outro.

A camisa com listras na vertical - como os fundadores ideaizaram - é péssima para destacar o nome dos anunciantes. O Bangu conseguiu, para esta temporada, uma série de patrocinadores de ocasião - como a Útil, Elite, Charme, Net - que pagam para colocar suas marcas na camisa do time por partida transmitida pela TV. Fora essas marcas, a camisa ainda ostenta logos de antigos parceiros do clube: Frangochic, Fibrolar e Fly Remoções e do fornecedor de material esportivo: WA Sport. No total, são 8 patrocinadores estampados na blusa azul escura.

Em outros anos, sempre que havia um confronto com os "grandes", o Bangu optava por jogar de branco. Evitava a camisa listrada, tão tradicional, e valorizava seus patrocinadores, que chegavam a pagar 35 mil reais por partida (casos de Subway e Lalita).

No entanto, a opção por descaracterizar as cores originais do clube - tirando o branco e colocando o azul escuro - tem fundamento numa retaliação. Para que não está por dentro da politicagem do Bangu, é bom explicar que a diretoria não gosta dos torcedores e os torcedores tem ojeriza à diretoria. O que os dirigentes podem fazer para sabotar os torcedores, eles fazem. Inclusive, com ameaças de violência, como já ocorreu nos tempos em que o time estava na 2ª Divisão carioca.

Mesmo sem qualquer apoio à torcida, sem implantar um programa de sócio-torcedor (o presidente Varela diz que essa categoria de sócio não está prevista nos estatutos, assim como também não está o fardamento azul e amarelo...), os adeptos das cores vermelha e branca foram aumentando nos últimos tempos. Talvez seja algo retrô, meio cult torcer para um time de tantas tradições, comprar a camisa alvirrubra do título de 66, levar faixas e bandeiras para os estádios e se orgulhar de morar no bairro mais quente do Rio.

Algo impensável para a diretoria que fez, ao longo das duas últimas décadas esforços inauditos para afastar do clube todo e qualquer tipo de torcedor (seres chatos que cobram, dão pitacos e reclamam de tudo, na visão dos dirigentes). Descaracterizar as cores originais do Bangu, nos jogos transmitidos pela TV, romper com a tradição, implantar à força o azul e amarelo é ir contra os próprios estatutos do clube e virar as costas para um bairro inteiro que se veste de vermelho e branco ao longo dos 365 dias do ano.

Basta ler os artigos 94 e 95 dos Estatutos do Bangu Atlético Clube, publicados em 2002 e redigidos pelo mesmo homem que hoje é o presidente da Federação do Rio, Rubens Lopes.

Art. 94 - As cores oficiais do Bangu serão branco e vermelho.
Art. 95 - O pavilhão, a flâmula e o emblema permanecem os mesmos já registrados, ficando os uniformes de competição desportiva à critério da Diretoria Executiva, DESDE QUE RESPEITADAS AS TRADIÇÕES E AS CORES OFICIAIS.

Enfim, se o clube tiver ainda algum sócio, ele pode muito bem representar contra a diretoria executiva por romper com os estatutos. Este sábado, atuando de azul escuro sob um sol de 40 graus, o Bangu já entrará em campo perdendo de 1 a 0 para o Vasco. Ainda assim, os anunciantes agradecem...

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24/02/2015 08h02

É claro que não foi gol!
Carlos Molinari

Chega a ser desgastante falar mais uma vez que as arbitragens do Campeonato Carioca estão adulterando os resultados dos jogos na maior "cara de pau". Toda rodada, pelo menos, uma partida importante tem o seu vencedor alterado por um erro capital dos juízes do quadro da COAF.

Foto: Reprodução

Neste domingo quem sofreu foi o Madureira. O gol do zagueiro Bressan, claramente, não ocorreu. Apesar da farsa da TV Bandeirantes, afirmando que a bola realmente vazara o gol de Jonathan e da rádio CBN que, mesmo após o final da partida, ainda dizia não saber se a bola entrara ou não, os recursos tecnológicos da Rede Globo já mostravam que o gol não existiu. A bola não entrou totalmente na meta do Madureira.

Julgar se isso ocorreu, com 100% de certeza, em um lance rápido, de cerca de um segundo, com vários jogadores a sua frente, é humanamente impossível. Wagner Nascimento Magalhães, o juiz da partida, validou o gol por razões óbvias. O Flamengo estava em desvantagem no placar, precisava de sua ajuda. Independentemente da bola ter entrado ou não, ele correria para o meio-campo, autorizaria a fraude.

Vamos imaginar o contrário. Que o Flamengo estivesse vencendo por 1 a 0 e a bola duvidosa favorecesse ao Madureira. Imaginemos que o goleiro Paulo Vitor tenha feito o mesmo esforço para tirar uma bola que já estava entrando na sua meta. A decisão do árbitro seria outra. Jamais ele validaria um gol assim do Madureira. Na dúvida, por que prejudicar o Flamengo?

Wagner Nascimento Magalhães já vinha "ajudando" o Flamengo nos minutos anteriores. No 1º tempo, por exemplo, naquela simulação de pênalti de Marcelo Cirino, o juiz sequer deu cartão amarelo para o farsante. Volto a perguntar: e se fosse um jogador do Madureira que tentasse cavar um pênalti? Corria o risco até de ser expulso.

Outro dia um amigo me perguntou, qual a solução para tantos erros de arbitragem? Por que, em apenas seis rodadas, já tivemos tantos resultados polêmicos e tantos erros boçais?

A solução todo mundo sabe e os dirigentes de todos os outros esportes já entenderam. No Taekwondo, no tênis, no vôlei, em qualquer esporte, o recurso do vídeo é utilizado com sucesso. No taekwondo o sistema é interessantíssimo. O treinador do lutador pode pedir para revisar um lance no vídeo, mas se estiver errado no seu ponto de vista, e paralisar a luta à toa, seu pupilo é quem perde ponto. E pode usar o recurso do replay apenas uma vez.

No futebol mantém-se aquele mito de que "a polêmica faz parte do jogo". Ora, todos sabemos que a resistência das instituições em utilizar o replay para solucionar dúvidas capitais é a tônica para manter no futebol os larápios e a manipulação de resultados. O futebol com o auxílio tecnológico do replay não vai beneficiar os "grandes" clubes ao redor do mundo. Irá beneficiar, sempre, aquele que é a maior vítima dos erros dos apitadores: os times menores, que sempre "pagam o pato".

Na Copa do Mundo, a Fifa já agiu e autorizou o chip na bola e nas traves. A tecnologia, porém, é cara. Não há como imaginar nossos estádios com este recurso. Porém, o replay, em um simples monitor de vídeo, é algo bem mais simples.

Sem o uso do replay, a máfia das arbitragens vai continuar. Erros são comuns, qualquer um pode errar. Eu mesmo já apitei uma partida de futebol amador e vi o quanto a função do árbitro é difícil. Mas errar sempre contra as mesmas equipes, favorecendo os mesmos times ano após ano, aí já é um caso grave de roubo reiterado. E isso, ao meu ver, não tem solução.


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19/02/2015 13h47

Um time que incomoda
Carlos Molinari

Após cinco rodadas, o Volta Redonda aparece assustando a crônica esportiva carioca. A grande imprensa, principalmente os comentaristas de TV, não entendem como pode uma equipe "pequena" (e chamam o Voltaço de "pequeno" às claras e até mesmo de equipe "tricolor", para o pasmo de todos nós) ter tirado pontos do Botafogo e vencido o Fluminense.

Fluminense x Volta Redonda. Foto: Divulgação/Fluminense FC

A campanha da equipe em 2015 é até melhor que a da fortíssima equipe de 2005, quando tinha o goleiro Magrão e o atacante Túlio. Na época, o time do técnico Dario Lourenço, em cinco jogos, tinha 3 vitórias, um empate e uma derrota. O Voltaço atual está indo além.

Pelo que vi, a força do Volta Redonda encontra-se na velocidade dos seus homens de frente. Todo mundo conhece o Hugo, que joga como um ponta-esquerda. Já passou pelo Americano, pelo América, pelo Bangu e sempre se destacou pelos dribles e rapidez. Não era um artilheiro. Agora, em 2015, é capaz até de concluir com perfeição. O Niltinho, na ponta-direita, é outro destaque. Assim como o Magnum, um meia que dificilmente não fechará um bom contrato após o Campeonato. Além desses três craques, o reserva Adeílson entrou para definir a partida. Fez um gol e perdeu outra chance de ouro, chutando nos pés de Cavallieri. Há um outro destaque. No gol, Douglas esteve perfeito, parando as perigosas cabeçadas de Fred.

A boa campanha também é fruto do fator "casa". Das cinco partidas até agora, três foram no Raulino de Oliveira: contra o Barra Mansa, Botafogo e Fluminense. Isso ajuda e muito. Mesmo assim, quando teve que atuar em outras cidades, o Voltaço derrubou a Cabofriense e o Nova Iguaçu.

O próximo adversário é o Bangu. Evidente que o time do técnico Marcelo Cabo é o favorito. Até porque, mais uma vez, jogará no Raulino de Oliveira. Fato curioso é que o treinador Marcelo Cabo já teve uma melancólica passagem pelo Bangu, em 2004, rebaixando o time no Campeonato Carioca.

Marcelo Cabo era, há dez anos, um técnico inexperiente. Depois de derrubar o Bangu, foi comandar o pequeno São Bento, do Maranhão. Sua carreira mudou muito. Passou pelo mundo árabe, foi auxiliar do técnico Marcos Paquetá; foi "espião" na seleção brasileira (graças à amizade que tem com Jorginho) e agora, voltou ao Rio de Janeiro para causar surpresas.

Até onde o Voltaço pode ir ninguém sabe. O fato é que, sábado, diante de um Bangu ainda instável, o Volta Redonda tem tudo para pular para 16 pontos.

Madureira

Porém, apesar da força inicial do Volta Redonda, nenhum time alegra tanto os meus olhos quanto o Madureira. A facilidade com que a equipe de Toninho Andrade passa pelos adversários é espantosa. Nesta quarta-feira, foi a vez do Tigres cair, em Xerém, por 3 a 0. Os gols foram feitos pelos principais destaques da equipe: Rodrigo Pinho, Rodrigo Lindoso e Camacho. O outro craque do "tricolor suburbano", Thiago Galhardo, conseguiu a proeza de ser expulso numa partida relativamente fácil.

Barra Mansa

E o Barra Mansa, hein? Com técnico novo - o "rei do acesso" Manoel Neto -, o Barra Mansa quase venceu o Vasco, em São Januário. Um resultado mais que surpreendente, afinal todos esperavam uma goleada vascaína. O bandeirinha errou ao anular o gol do Vasco no último minuto. Mas é outro fato inimaginável. Em outros tempos, para ajudar o time da Colina, valia estender a partida até os 59 minutos, valia gol de mão, valia inventar pênalti. Agora, a arbitragem erra a favor de um "pequeno". Outros tempos... outros tempos...

O destaque do empate em 1 a 1 foi, obviamente, o atacante Vitinho - autor do gol do Barra Mansa - e o goleiro Thiago Leal que suportou bem a pressão.

Nova Iguaçu

O Nova Iguaçu perdeu (outra vez) em casa. Desta vez para o Bangu. O time do técnico Mário Marques, realmente, teve as melhores chances, apesar de contar um goleiro dos juniores na meta e ainda perder um pênalti. O Nova Iguaçu, com Jânio Moraes à beira do campo, protestou muito após o apito final. Reclamavam não só da expulsão de Yan (quando a partida já estava 3 a 2), como de uma falta de ataque no último lance do jogo. O que o Nova Iguaçu não percebeu ainda é que a fragilidade desse time é enorme. Fora o goleiro Jéferson, quem é capaz de dar algum ânimo à Laranja da Baixada?


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09/02/2015 14h46

Resende e Bangu vergonhosamente roubados
Redação SRZD

Quem tem a santa paciência de acompanhar o Campeonato Carioca dia a dia assistiu a dois jogos manipulados neste final de semana. Primeiro, no sábado, o Resende - que equilibrou a partida o tempo todo contra o Flamengo - foi vergonhosamente "garfado" pelo árbitro Grazianni Maciel Rocha. 

O Flamengo já vencia por 1 a 0, embora a equipe do técnico Édson Souza estivesse bem na partida e poderia empatar a qualquer momento. O que fez o árbitro? Achou a solução mais básica. Numa bola lançada dentro da área, a disputa normal entre Admílton e Marcelo Cirino virou, claro, um pênalti para o Flamengo. 

Lance do jogo. Foto: reprodução de vídeo

Jamais, repito, jamais, se um lance semelhante ocorresse na área rubro-negra, Grazianni Maciel Rocha marcaria pênalti para o Resende. A Federação pode estar em guerra com o Fla, mas a COAF-RJ sempre irá ajudar o clube da Gávea. Seus árbitros são treinados e incentivados a manipular resultados a favor dos chamados "grandes" do Rio. Vou além. No Rio de Janeiro, um árbitro só cresce dentro da carreira se der provas de que não tem pudor algum. 

Dessa forma, Alecsandro conseguiu fazer o segundo gol do Flamengo e decretou uma injusta derrota do Resende. 

No domingo, ocorreu algo semelhante. Desta vez, a desonestidade pesou para o bandeirinha (esse papo de auxiliar é pura balela) Daniel de Oliveira Alves Pereira. O Fluminense vencia o Bangu por 1 a 0, até que, numa cobrança de falta, Almir lançou a bola para a área e Luís Felipe cabeceou para as redes de Cavalieri. Gol normal. Pois o bandeirinha inventou de anular o tento banguense. O motivo? Quer crescer na profissão. 

O rapaz, de 25 anos, é bombeiro no Rio de Janeiro. Está nos quadros da FFERJ desde 2009, sendo que desde 2012 é assistente das partidas dos times profissionais. O lance era muito simples. Bola parada, levantada na área. Só erra quem quer, quem realmente quer "assaltar" os clubes menores. 

Daniel de Oliveira Alves Pereira não cometeu um erro. Assinalou o impedimento inexistente do Luís Felipe por pura má intenção, por saber que ao ajudar um "grande", logo, deixará de ser assistente e virar árbitro. Seu crescimento dentro da COAF-RJ será rápido, podem escrever. 

O rapaz, que ganha mensalmente R$ 2.903,87 como soldado do Corpo de Bombeiros, certamente viu na possibilidade de integrar o quadro de arbitragem da FFERJ uma oportunidade de ganhar um dinheiro a mais. Por ter trabalhado neste domingo num "clássico" no Maracanã e influenciado diretamente no resultado, Daniel ganhou um valor maior do que seu salário mensal na corporação. Ser árbitro ou bandeirinha no Rio de Janeiro é recompensador. 

É provável que na rodada de quarta-feira, tanto Grazziani Maciel Rocha quanto Daniel de Oliveira Alves Pereira voltem a trabalhar normalmente. Resende e Bangu não possuem força suficiente para colocar os dois manipuladores de resultados na geladeira. O Botafogo e seu eterno chororô conseguiu isso. Rodrigo Nunes de Sá (o árbitro) e Luiz Cláudio Regazone (o assistente), que anularam um gol alvinegro na partida contra o Volta Redonda, estão suspensos temporariamente. 

Jorga Rabello - presidente da COAF-RJ - diz que eles vão passar por uma "reciclagem". Afinal, prejudicar um dos "grandes" não é algo que a cartilha da COAF-RJ ensina. Não se anula gol do Botafogo diante do Volta Redonda. Acompanho o Campeonato Carioca há mais de 25 anos e as manipulações são as mesmas do tempo de Eduardo Vianna. Isso nunca vai mudar. Quando saírem da "geladeira", podem escrever, Rodrigo Nunes de Sá e Luiz Cláudio Regazone irão aprontar. Azar do "pequeno" que cruzar o seu caminho.

No Rio de Janeiro, o crime sempre vai compensar.

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06/02/2015 08h27

O que eu vi (ou ouvi) da rodada
Carlos Molinari

Foi triste ver o Barra Mansa jogar no Maracanã. Triste porque mostrou claramente, para todo o país, o seu favoritismo absoluto ao descenso. Uma equipe desorganizada, sem um meia que pense as jogadas, sem uma zaga confiável - Thiagão e Paulão é de doer, e dependendo dos milagres do goleiro Thiago Leal, que é ótimo, mas não é imbatível.

O Barra Mansa demonstrou claramente que, em 2015, será igual ao Quissamã de 2013. Pode ganhar de alguém, mas eu duvido muito que qualquer time aceite perder dois pontos que seja para a equipe do técnico Wilson Leite.

Foto: Divulgação

O próximo adversário é o Friburguense, no Raulino de Oliveira. Sem medo de errar, não duvido que o Frizão vença o jogo.

Mas, o que podemos esperar de um clube que, desde o mês de novembro, não paga seus atletas?

No mesmo nível do Barra Mansa está o Bonsucesso. O clube da Leopoldina começou tarde sua preparação para o Carioca deste ano e está pagando seus pecados. Fora o fato de estar impedido de atuar na Teixeira de Castro, o Bonsuça foi dominado pelo Bangu durante os 90 minutos da partida de quarta-feira, em Conselheiro Galvão.

Um time ser dominado os 90 minutos pelo Flamengo, tudo bem. Mas ser dominado 90 minutos por um Bangu que, já sabemos por antecipação, ficará numa posição intermediária na tabela, é demais.

O Bangu, em boa fase neste início de ano, revelou ontem um menino chamado Marcus Vinícius. Garoto de apenas 19 anos e que, quando entrou no 2º tempo, colocou fogo no jogo. Até que, aos 35 minutos, fez o seu gol. Um gol logo na estreia. Era demais para a cabecinha dele. "Marcudinho", como é chamado, ajoelhou, chorou, ergueu as mãos aos céus e voltou a chorar. Imagino a emoção do rapazola.

Não preciso conhecê-lo para saber o quanto aposta viver dias melhores graças ao futebol que tem. Um gol logo na estreia entre os profissionais é um ótimo sinal para mostrar que está no caminho certo, que tem tudo para seguir uma carreira vertiginosa. "Marcudinho" deve estar, neste momento, sonhando em marcar um gol no Fluminense, no Maracanã, neste domingo. Pode até conseguir... aí sim, seria a glória total.

Se o "meu" Bangu vai bem. O Volta Redonda também está com 4 pontos e conseguiu frustrar o Botafogo, com um gol de Magnum aos 48 minutos do 2º tempo. O Botafogo de Renê Simões não pode ser visto como um "grande" atualmente. Tem um ótimo goleiro, repatriou o Rodrigo Pimpão para o futebol carioca, mas não é time para assustar ninguém. O Voltaço, em casa, tinha a obrigação de tirar pontos do Bota. E tirou.

Para terminar: não colocava muita fé no Nova Iguaçu diante do Fluminense. Resistiu bravamente durante todo o 1º tempo, mas acabou cedendo a virada. Uma pena para o time da baixada que, este ano, vai ter que suar muito para fugir da repescagem de 2016. Eu acho que não conseguirá ficar entre os dez primeiros...

Por outro lado, esperava e confiava muito no Resende do técnico Édson Souza. E, em pleno Estádio do Trabalhador, o time empacou diante do Tigres: o 1 a 1 foi uma decepção para os campeões da Copa Rio. Mesmo assim, nada impedirá uma outra grande campanha dos alvinegros este ano.

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30/01/2015 08h06

Melhor e pior
Carlos Molinari

Excluindo o Barra Mansa que, apesar de ser um clube bem antigo, mas que nunca tinha disputado a 1ª Divisão do futebol carioca, resolvi pesquisar um pouco e publicar qual foi o ano em que cada um dos times se saiu melhor e pior na história do Campeonato, a começar pelo meu Bangu...

Bangu Atlético Clube
Melhores campanhas: Campeão em 1933 e 1966
Pior campanha: 15º lugar em 1976 (último colocado. Na época não havia rebaixamento).
Total de participações: 99

Boavista Sport Club
Melhor campanha: 4º lugar em 2011 (quando foi vice-campeão da Taça Guanabara)
Piores campanhas: 12º lugar em 1996 e 1997 (quando ainda se chamava Barreira)
Total de participações: 11

Bonsucesso Futebol Clube
Melhor campanha: 4º lugar em 1933 (entre 6 participantes)
Pior campanha: 15º lugar em 2012 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 56

Associação Desportiva Cabofriense
Melhores campanhas: 4º lugar em 2006 e 2014
Piores campanhas: 15º lugar em 2009 e 2011 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 15

Friburguense Atlético Clube
Melhores campanhas: 4º lugar em 1999 e 2002
Pior campanha: 15º lugar em 2010 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 20

Macaé Esporte Futebol Clube
Melhor campanha: 5º lugar em 2009
Pior campanha: 14º lugar em 2011
Total de participações: 7

Madureira Esporte Clube
Melhores campanhas: Vice-campeão em 1936 e 2006
Pior campanha: 15º lugar em 1979
Total de participações: 68

Nova Iguaçu Futebol Clube
Melhor campanha: 8º lugar em 2014
Pior campanha: 14º lugar em 2013
Total de participações: 6

Resende Futebol Clube
Melhores campanhas: 5º lugar em 2012 e 2013
Piores campanhas: 14º lugar em 2010 e 2014
Total de participações: 7

Esporte Clube Tigres do Brasil
Melhor campanha: 11º lugar em 2009
Pior campanha: 16º lugar em 2010 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 2

Volta Redonda Futebol Clube
Melhor campanha: Vice-campeão em 2005
Piores campanhas: 14º lugar em 1979 e 2009
Total de participações: 32



29/01/2015 17h16

Você já foi a Xerém?
Redação SRZD

Revolta. Essa é a palavra que eu mais li essa semana nas redes sociais. O descaso dos clubes com os prazos para requerer laudos técnicos, o descaso da Federação com seu próprio Campeonato, o descaso dos dirigentes com seus torcedores.

Estádio Los Larios. Foto: Reprodução

Se a competição é tida hoje como um fracasso de público - segundo estimativas do Correio Braziliense, a média do Campeonato Carioca de 2010 pra cá é de 4.112 pessoas por jogo, pior que o Campeonato Chinês da 2ª Divisão e que o Campeonato Inglês da 4ª Divisão -, os erros somados da Federação e dos dirigentes dos clubes são primordiais para que o torcedor fique em casa durante a competição.

Na semana que antecede o pontapé inicial, quase todos os jogos tiveram seus estádios modificados. Daí, o Fluminense protesta, publica uma nota cheia de ironias e passa a ser alvo da ira da Federação.

Vejamos o que temos pela frente:

Botafogo x Boavista, seria no Engenhão, mas foi transferido para São Januário.

Resende x Bonsucesso, seria em Resende, mas foi transferido para Édson Passos.

Barra Mansa x Volta Redonda, seria em Barra Mansa, mas foi transferido para o Raulino de Oliveira.

Bangu x Madureira, seria em Moça Bonita, mas foi transferido para Xerém.

Fluminense x Friburguense, seria no Maracanã, mas foi transferido para o Raulino de Oliveira.

Quem em sã consciência sairá de Resende ou de Bonsucesso e irá até Mesquita, no campo do América, ver esta partida? A torcida dos dois clubes é pequena. Está concentrada na bela cidade do interior fluminense e no tradicional bairro da Zona Norte do Rio. E a Federação, aliada à incompetência dos clubes para conseguir laudos de bombeiros e de defesa civil, manda a partida para um terceiro município, distante de tudo. Não teremos nem 80 pagantes, afirmo isso aqui sem medo de errar. As gratuidades obrigatórias por lei é que vão inchar o público oficial desta partida.

Vejam o caso ridículo de Bangu x Madureira. Em dezembro, o homem que responde pela presidência do Bangu, Jorge Varela, garantia aos quatro ventos que "o gramado de Moça Bonita estava isento de problemas". Inclusive, o time não jogou as últimas partidas da Copa Rio por lá, justamente para iniciar a necessária manutenção. E agora, na semana que antecede o clássico suburbano com o Madureira, a Federação vem informar que o jogo será no Estádio Los Lários, em Xerém, porque uma comissão da própria FFERJ não aprovou o estado do "tapete verde" dos banguenses.

Na verdade, não é só isso, o estádio de Moça Bonita aparece ainda devendo o laudo técnico pedido pela Polícia Militar.

Dessa forma, quem quiser ir ao jogo terá que se deslocar uma hora e meia pela BR-101 até chegar a Xerém. O que a Federação quer dizer quando remarca a partida entre os co-irmãos suburbanos para a Baixada Fluminense?

Vocês querem mesmo ver o "timinhos" de vocês... então vão ver lá, bem longe! Nada de Moça Bonita, nada de Conselheiro Galvão!

Vai ser outro espetáculo deprimente. Pouquíssimos ingressos colocados à venda, bilheteria às moscas. No máximo, um ônibus de cada torcida alugado, com muito esforço por alguns abnegados, para ir até Xerém.

Não adianta o Eurico Miranda entrar em guerra contra o Flamengo e o Fluminense, colocando os ingressos a preços módicos. Não adianta a Federação lançar publicações dizendo que este é o "campeonato mais charmoso do país". A desorganização dos clubes e os sucessivos erros na organização do Campeonato, pela própria Federação, condenaram, de antemão, a disputa de 2015 a ser mais um fracasso.

Por essas mudanças em cima da hora do local de vários jogos, pela baixíssima qualidade das equipes, pela falta de apoio da mídia aos clubes "médios", pelo excessivo número de jogos, o Campeonato Carioca vai continuar assim, com uma média de público pior que o Campeonato Nacional do Uzbequistão ou da Malásia.

Estatísticas

Desde 1934 quando começaram a se enfrentar, Bangu e Madureira já atuaram em Conselheiro Galvão (55 vezes), em Moça Bonita (54 vezes), na Rua Ferrer (antigo estádio do Bangu), na Rua Domingos Lopes (antigo estádio do Madureira), na Teixeira de Castro, no Maracanã, na Rua Bariri, em General Severiano (antigo estádio do Botafogo), em São Januário, na Gávea, nas Laranjeiras, na Figueira de Melo, em Campos Sales e no Andaraí (antigos estádios do nômade América), em Ítalo Del Cima, em São Gonçalo, em Édson Passos e em Nova Iguaçu. Em Xerém vai ser a primeira vez.

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27/01/2015 16h55

Bem-vindos ao Campeonato Carioca de 2015!
Redação SRZD

Tudo muito confuso, muito desorganizado. É assim que eu vejo o Campeonato Carioca deste ano. Faltam alguns dias para que a bola comece a rolar e as polêmicas estão aí. Primeiro, o preço dos ingressos. Depois, vários estádios sem laudo, mudanças de locais das partidas. Tudo a ser resolvido em cima da hora. Tal como manda a desorganização de uma Federação que não consegue promover seu principal produto.

É verdade que a fórmula do Campeonato Carioca esgotou. Uma mesma disputa, que vem desde 1906 e irá completar agora sua 110ª edição, realmente passa pelo desgaste do tempo. Só que, até pelo menos 1995, o público ainda achava bacana ir ao Maracanã, prestigiar os clubes e ver decisões emocionantes, tais quais o Fla x Flu daquele ano, o Botafogo x Fla de 1989, o próprio Flu x Bangu de 1985.

Jogo entre Bangu e Madureira, em Moça Bonita. Foto: DivulgaçãoHoje, ninguém acha interessante ir a um Campeonato cuja final entre Botafogo x Fluminense é lá em Volta Redonda, como foi em 2013. Ser campeão carioca é uma vitória de Pirro, só os tolos acreditam que aquela taça significa que o time está preparado para o Brasileirão logo em seguida. Ganhar do Nova Iguaçu, do Bangu, do Boavista não é mérito algum. Se os "grandes" decaíram muito, os "médios" e "pequenos", então, têm que se virar com o que conseguem: reforços de qualidade duvidosa e uma cota de TV que alcança o máximo de 1 milhão e 300 mil reais por ano (embora alguns presidentes digam que recebem entre 700 e 800 mil...)

A ideia da Federação para atrair público a um Campeonato sem prestígio e que, em 2014, levou, em média, 2.800 pessoas aos estádios, é baixar os preços. O tabelamento da Federação é até interessante. Mesmo que o expectador não torça para um Volta Redonda ou para uma Cabofriense, ele pode muito bem ir ao estádio e ver uma partida desses clubes por 10 reais. É um preço quase simbólico. Não vai desfalcar o orçamento de ninguém.

E, por mais que eu tenha a ideia clara de que os dirigentes da FFERJ gostam mais de dinheiro do que de futebol, eles também estão cortando na própria carne. Afinal, a Federação embolsa 10% da renda de cada jogo. Embora, tenham a esperança de que mais gente passe pelas bilheterias.

O desespero do Flamengo e do Fluminense é essa limitação ao teto de uma meia-entrada por 50 reais. Acham que por possuírem elenco milionários, seus clubes só podem entrar em campo para enfrentar um Barra Mansa ao preço de 100 reais, no mínimo. É ridículo isso. Por isso, a estreia do Flu já não vai mais ser no Maracanã, e sim no Raulino de Oliveira.

Na minha opinião, a Federação é a dona do Campeonato e pode muito bem tabelar o preço dos ingressos. Volto a dizer, jamais vi em qualquer ação de Rubens Lopes, desde que o conheci em 1999, algo positivo. Mas desta vez, creio que ele acertou. Estamos em um ano em que tudo aumenta: conta de luz, IPTU, IPVA, alíquota do Imposto de Renda, material escolar. A única coisa que baixou foram os ingressos do Campeonato Carioca. Que bom, né? E aí vem o Flamengo e o Fluminense e começam a entrar na Justiça contra isso?

Mas a Federação também tem seus problemas. Há um sem-número de estádios sem laudos. Bangu e Madureira, no sábado, por exemplo, iria ser em Moça Bonita. Não vai mais. O Bangu não tem laudo. Poderia se pensar em inverter o mando de campo, levar o jogo para Conselheiro Galvão. Mas o estádio do Madureira também não tem o laudo de proteção contra incêndio. Qual foi a solução? Mandar o jogo entre as duas equipes suburbanas para Xerém, no campo do Tigres. Resumindo: as torcida do Bangu e do Madureira dificilmente irão se deslocar até lá. Com isso, um jogo que poderia ter 500 pessoas, irá ter, no máximo, 80 pagantes.

Enfim, sábado começa esse paradoxal Campeonato. Não vai ser bom como já foi. Mas é o que temos. No final das contas, todos sabemos o que vamos encontrar pela frente.

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23/01/2015 08h37

O tempo dá voltas sobre si mesmo
Carlos Molinari

Quem se atrever a pegar o seu próprio carro e rumar até Juiz de Fora neste final de semana irá adotar a mesma postura que outros banguenses distintos já tiveram alguns anos atrás.

Faz um certo tempo. Foi em 1915 - exatos cem anos - que o Bangu se preparou para seu primeiro jogo interestadual contra o Tupi, o mesmo adversário deste sábado. Até então, com onze anos de existência, o clube alvirrubro jamais tinha ido além de Niterói.

Foto: Reprodução

A diretoria aceitou o convite de Juiz de Fora e embarcou no trem noturno de sábado, 4 de dezembro de 1915, com apenas 13 jogadores, três dirigentes e vários sócios que foram ver como o Bangu ia se sair.

A delegação ficou hospedada no confortável Hotel Familiar (vide foto) e a partida, disputada na tarde de domingo, ocorreu sob forte chuva no Largo do Riachuelo (atualmente uma bela praça no centro de Juiz de Fora). A banda de música "Euterpe Mineira" que tocaria durante todo o tempo, nem pode se apresentar devido ao aguaceiro.

O Tupi entrou em campo com:
Bombeck, Manoelzinho e Othelo; Adhemar, Ernani e Phelippe; Timponi, Boque, Aguiar, Hugo e Carvalho.

O Bangu jogou com:
Américo Pastor, Othelo Medeiros e Emílio Framback; Patrick Donohoe, Francisco Gomes e Luiz Antônio; Augusto Alves, Herbert Collinge, Archibald French, Benedicto Dantas e Estácio Alves.

O juiz foi o sr. Guilherme Pastor, do próprio Bangu, irmão mais velho do goleiro Américo.

No campo encharcado, o Bangu fez dois gols, não sofreu nenhum e venceu o seu primeiro desafio interestadual na história. Jogadores, dirigentes e o "grande número de sócios" regressaram no trem rápido de segunda-feira.

"O match realizou-se antes da hora determinada, devido às condições atmosféricas prenunciadoras de chuva que, infelizmente, não se fez esperar, prejudicando bastante o jogo, que foi disputado em campo sem grama e escorregadio" - registrou a Gazeta de Notícias. "Apesar disso, porém, o Bangu conseguiu sair vitorioso pelo score de 2 a 0" - completou.

A vitória, no entanto, acabou ficando em segundo plano. Na volta ao Rio, Durval Reis, jogador reserva de apenas 19 anos, faleceu repentinamente, sendo espalhado no bairro o boato de que tinha sido vítima de um "mal que lá em Juiz de Fora contraíra".

Na verdade, Durval Reis morreu de apendicite, dezoito dias depois de voltar de Juiz de Fora, isentando, evidentemente, a cidade mineira de qualquer culpa.

Regressar a Juiz de Fora neste sábado, voltar a enfrentar o Tupi é, na minha opinião, uma forma de homenagear o feito dos banguenses de cem anos atrás, mesmo que a atual diretoria só agora, por esta crônica, venha a saber de tal coincidência.

Neste sábado, as chances de o Bangu reprisar a cômoda vitória de 2 a 0 são mais reduzidas. O Tupi fez um ótimo Campeonato da Série-C em 2014 e só não subiu porque topou, nas quartas-de-final, com um Paysandu, impulsionado pela fanática torcida paraense.

Na última quarta-feira, dia 21, o Tupi veio até Xerém e empatou em 0 a 0 com o Tigres, num resultado pouco animador para os dois lados. No mesmo dia, o Bangu conseguiu uma impressionante goleada por 5 a 2 sobre os chineses do Shandong Luneng, na Gávea.

Sábado o tempo dará voltas sobre si mesmo. Irei acompanhar o jogo pelo rádio, imaginando que em vez de Almir, um encharcado Patrick Donohoe estará em campo defendendo as cores do pavilhão alvirrubro, com camisa de manga comprida, bermudão e suas pesadas botinas de couro. 


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24/11/2014 08h06

Macaé: É festa! É tudo nosso!
Carlos Molinari

Não há como não ficar feliz com o gigantesco feito do Macaé. Até porque ninguém no início da Série-C poderia imaginar que o time alcançaria a taça. Poderia estar entre os quatro que chegariam ao acesso. Mas parecia que não era um time pronto para ser campeão.

No entanto, a equipe de Josué Teixeira mostrou uma frieza impressionante quando a Série-C realmente pegou fogo: nos mata-mata. Primeiro, fez o impossível, que foi eliminar o Fortaleza, dentro do Castelão, diante de 62 mil pessoas. Depois, brincou com o CRB, garantindo a classificação para a final logo no primeiro jogo, com um inesquecível 4 a 0. E, por fim, superou o Paysandu no Mangueirão, em uma partida em que esteve, nada menos, que três vezes atrás no placar.

Macaé. Foto: Divulgação

Que time é esse? É, ao meu ver, o maior exemplo de superação, de garra e merece não só o acesso, a taça, a festa que terá em Macaé, merece ser visto como um clube em ascensão. O Macaé hoje é, sem dúvida, melhor que esse time do Botafogo e esse time do Vasco que estão aí.

Ainda não é um clube de massa, mas a partir de agora, na Série-B é provável que os moradores da cidade - que são mais de 200 mil - comecem a acompanhar de perto os destinos da equipe.

Não espero que o Macaé venha forte no Campeonato Carioca. Creio que o Mirinho irá privilegiar o segundo semestre. Afinal, é mais fácil ficar entre os quatro primeiros da Série-B do que tirar a taça dos quatro "grandes" falidos do Rio.

Seja como for, o Macaé de Josué Teixeira, de Gedeil, do fabuloso João Carlos, do Marquinho, de Diego, de Juba, do azarado Filipe superou todas as expectativas. Temi pela sorte do clube quando o Paysandu fez 3 a 2. Achei que a falha do Filipe iria baixar o moral da rapaziada. Sorte que do outro lado, o goleiro do Papão resolveu colaborar.

Imitando o exemplo do Olaria, em 1981, o Macaé conseguiu o título do Campeonato Brasileiro da 3ª Divisão. Só que diferentemente do Olaria, o Macaé tem tudo para ir muito mais longe no cenário nacional.

Mirinho, que pese o fato de ser Secretário de Esporte e Lazer da prefeitura de Macaé, já pode dar palestras, aulas, cursos para todos os demais dirigentes do futebol carioca. Mesmo contando com o apoio público, nem todos os times do interior beneficiados com a abençoada verba governamental, conseguem o mesmo êxito.

Agora, com licença, eu também vou comemorar o título do mais novo grande do futebol do Rio de Janeiro.

Copa Rio

Ah, sim. Enquanto mais de 37 mil paraenses foram ver a final da Série-C e involuntariamente abrilhantaram ainda mais o título do Macaé, exatos 149 pagantes foram ver a final da Copa Rio da Federação.
O evento quase clandestino terminou com a vitória do Madureira por 1 a 0 sobre o Resende, em Conselheiro Galvão.
Sábado que vem, em Resende, umas 200 pessoas, no máximo, irão descobrir quem é o campeãozinho.


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27/10/2014 12h01

Um clube que cresce
Carlos Molinari

Foi em 1999 que vi pela primeira vez uma partida do Macaé Esporte. Era o jogo final do Campeonato Carioca da 2ª Divisão, em Moça Bonita. Estava cobrindo a partida para a Rádio Brasil 940 AM. O Macaé perdeu para o Serrano por 2 a 0 e o time, que contava até mesmo com o veterano Fernando Macaé, não conseguiu subir.

Devo ter pensado: "coitados, nunca vão conseguir nada no futebol". Ou ainda, "nunca vão conseguir chegar a ser um Bangu, pelo menos".

Foto: Tiago Perreira

Pois no sábado, esse mesmo clube conseguiu um tamanho feito: o acesso à 2ª Divisão do Campeonato Brasileiro. Vejam bem o que é isso. Desde que ascendeu à 1ª Divisão do Campeonato Carioca, em 2008, o Macaé só vem crescendo.

Em 2009, a quinta colocação no Campeonato Carioca permitiu ao clube ir para a Série-D. Lá, foi vice-campeão - perdendo a decisão para o São Raimundo/PA - e subiu para a Série-C. Hoje, ninguém sabe mais onde está o São Raimundo. Mas, todo mundo já sabe que o Macaé é a quinta força do Rio de Janeiro.

Na Série-C, de 2010 até hoje, fez sempre campanhas dignas e só não subiu antes porque na hora H, nas quartas-de-final, enfrentava um adversário com torcida fervorosa, amedrontava-se e entregava a vaga.

Foi assim em 2010, quando ficou em quinto lugar, perdendo para o Criciúma. Foi assim em 2012, quando ficou em sétimo lugar, perdendo para o Paysandu. E foi assim em 2013, quando terminou em sexto lugar, perdendo a vaga para o Sampaio Corrêa.

Desta vez, o filme parecia se repetir. O Fortaleza tinha sido o primeiro colocado do Grupo A, era mais forte, decidiria no Castelão. Ninguém imaginava que o Macaé pudesse, após um morno empate de 0 a 0 na primeira partida, surpreendeu o "Leão" no jogo da volta.

Eis que um gol de Juba, no finalzinho do 1º tempo, alterou todo o panorama da partida. O Fortaleza teria 45 minutos apenas para marcar dois gols. Chegou a empatar, colocou umas 400 bolas na trave. Mas perdeu pelo estranho regulamento que prevê a classificação para quem tivesse marcado mais gols na casa do adversário.

Assim, o Macaé, finalmente, conseguiu chegar à 2ª Divisão Nacional. Mesmo que venha fazendo uma campanha bem mediana (até agora foram 7 vitórias, 7 empates e 6 derrotas). O time, inclusive, tem saldo negativo de 2 gols até então.

Mas, pouco importa. Jogar com o regulamento embaixo do braço. Jogar pelo resultado que lhe favorecesse. É assim que o técnico Josué Teixeira, o capitão Gedeil, o artilheiro João Carlos, o salvador Juba levaram o Macaé ao seu maior ápice.

Agora é se concentrar de novo, esperar pelo CRB e continuar a batalha pelo primeiro grande título da história do simpático clube macaense.

Ano que vem, nós já sabemos: no primeiro semestre, o time vai investir o mínimo possível no Campeonato Carioca e guardar as finanças para realizar uma boa Série-B. Afinal, o clube estará totalmente voltado para a grande competição nacional, onde provavelmente, se encontrará com o Botafogo.

Meus parabéns, Macaé Esporte! Você deu uma lição a todos os outros clubes do Rio que pararam no tempo.


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29/09/2014 16h20

Um final de semana excelente
Carlos Molinari

Muita gente me pergunta: você só torce para o Bangu? Não tem um segundo time, não? Às vezes eu penso um pouco e falo: "Sim. Tenho. Gosto também do São Cristóvão".

São Cristóvão. Foto: Divulgação/FERJGosto, obviamente, pela tradição, pelo respeito que tenho ao pesquisador Raymundo Quadros. Fora isso, fui a pouquíssimos jogos do São Cristóvão na vida.

Mas, como todo bom carioca, fiquei feliz em ver que o time conseguiu ascender. Saiu, enfim, da 3ª Divisão do Campeonato Carioca e pulou para a 2ª Divisão, ao bater o Itaboraí por 1 a 0, gol de Raí, ontem à tarde, em Volta Redonda.

O São Cristóvão não foi sequer o campeão da Série-C do Rio. Ficou em terceiro lugar, o suficiente para obter uma das quatro vagas (as outras ficaram com o Gonçalense, São Gonçalo e Barcelona). No entanto, foi o time alvo que obteve maior destaque na imprensa pelo feito obtido.

O técnico do acesso foi o incrível Antônio Carlos Roy, um especialista em divisões inferiores do futebol. Foi ele quem subiu o Resende em 2007, o Bangu em 2008, a Cabofriense em 2010 e fez o Madureira sair da Série-D do Campeonato Brasileiro para a Série-C. Em suma: um vencedor.

Para 2015, o São Cristóvão aparece como um azarão na Série-B. Por mais que o presidente Emmanuel França tente mostrar que o seu clube seja um ótimo retorno para investimento, dificilmente o São Cristóvão entrará para ganhar a Segundona do Rio já no ano que vem.

- Olha, é uma satisfação, uma alegria, mas nem esse é o nosso lugar. São Cristóvão é time de Série-A. Mas para início de jornada, dentro do projeto que eu tracei, estamos no caminho certo - afirmou o presidente.

Madureira

Outro presidente que pode se orgulhar do seu planejamento é Elias Duba, do Madureira. Pela primeira vez, o clube se classificou para as quartas-de-final da Série-C e está a apenas três jogos do acesso à Série-B do Campeonato Nacional. Não canso de elogiar o trabalho feito no Tricolor Suburbano desde a década de 90 por este que é um dos melhores dirigentes do futebol carioca.

Este ano, Elias Duba montou uma verdadeira seleção suburbana para a Série-C. Nomes como Victor Bolt, Carlinhos, Rodrigo Lindoso e Rodrigo Pinho (este último, emprestado pelo Bangu) transformaram o Madureira num dos times mais cotados ao acesso.

No próximo final de semana, enfrentará o Guaratinguetá sem a pressão de estar disputando uma vaga nas quartas-de-final. Para isso, foi providencial que o rival direto perdesse para o São Caetano por 3 a 2. Depois, é esperar pelo Salgueiro, pelo ASA e tentar fugir de um confronto com o Fortaleza, que me parece ser o maior favorito ao título da Série-C este ano.

América

Também não tenho como deixar de falar no América. A goleada por 5 a 0 sobre o Volta Redonda no sábado foi demais para todos os americanos. Agora, basta uma simples vitória sobre o Audax, na quarta-feira, para o time terminar na liderança do Grupo A da Copa Rio. O técnico Aílton Ferraz está conseguindo transformar os rubros - que foram mal na Segundona - em uma equipe perigosa. Ao meu ver, o América só não ganha o título da Copa Rio este ano se Madureira e Macaé resolverem colocar todos os seus titulares na reta final da competição.

Fora isso, não vejo nem Bangu, nem Resende, nem Volta Redonda com chances de parar o Mecão 2014.

Duque de Caxias

E o Duque, hein? Foi o último colocado no Campeonato Carioca (com 2 vitórias, 3 empates e 10 derrotas). Agora é o último colocado do Campeonato Brasileiro da Série-C (com 1 vitória, 4 empates e 12 derrotas). Fora isso, já foi eliminado antecipadamente da Copa Rio, aparecendo em último no Grupo D, com 3 empates e 2 derrotas.

O saldo do ano? 3 vitórias, 10 empates e 24 derrotas. Nem o Íbis conseguiu tantos fracassos sucessivos.


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11/09/2014 17h11

Futebol é jogo pra homem! Meninos fiquem do lado de fora!
Carlos Molinari

Semana passada tive a oportunidade de conversar longamente com o ex-zagueiro Carlos Renan, que hoje faz parte da Comissão Técnica do Bangu. A identificação da torcida banguense com ele é imensa. No entanto, Carlos Renan está com uma "batata quente" nas mãos. Tem a missão de explicar porque o time de 2014 é tão fraco.

Bangu. Foto: Divulgação

Uma olhada rápida no elenco e é fácil compreender isso. Entre os titulares, o volante Tiago Conceição, é o mais veterano. Tem 29 anos e quase nenhuma experiência no futebol. Antes do Bangu, jogava no Mesquita. Os demais sequer têm barba. Uma garotada que busca um lugar ao sol. Muitos ali sonham com o eldorado. Eu mesmo já recebi e-mail de familiares do meia Daniel Rozen. Os familiares o apontam como um jogador de futuro.

O zagueiro Rafael Sales, na minha opinião, ainda muito ingênuo para a posição, já tem contrato assinado com o empresário Anselmo Paiva, que sonha em negociá-lo. Todos vivem de sonhos. Em campo, quando se juntam, é uma negação. Qualquer escanteio para a área significa, obrigatoriamente, gol do adversário. O goleiro Fernando Cunha, tão jovem quanto os demais, para seu próprio azar, não cresceu o quanto deveria. É baixo demais para a posição.

Carlos Renan, sob o sol de Bangu, tenta orientar a defesa, passar a raça que tinha aos meninotes de hoje. Inútil. A marcação é totalmente falha. Sua obrigação é dar apoio, fazer com que eles acreditem que têm potencial:

"Os meninos estão tendo a oportunidade que sempre quiseram e nunca houve. O Mário [treinador] já frisou que agora só depende deles. Eles precisam mostrar que o Bangu não precisa trazer vinte jogadores para o Carioca. Não podem ficar como eternas esperanças. Mas lógico que com isso vem a inexperiência, às vezes falta aquela malandragem, mas estamos conversando para ajustar isso. A chance que o Mário está dando não é qualquer um que faria. Eles têm que agarrar com unhas e dentes".

O ex-zagueiro olha desolado. Nesta quinta, o time de meninos perdeu para o Queimados por 1 a 0. É bom explicar que o Queimados é uma equipe amadora, não recebe salários há meses, um empresário deu o "cano" na rapaziada após o Campeonato Carioca da 2ª Divisão. Jogam porque também acreditam que um dia irão aparecer para a vitrine do futebol. Uma equipe que vive como pode. E o Bangu, que acredita possuir uma estrutura um pouco melhor, foi até Nova Iguaçu e perdeu. Os meninos não agarraram nada com unhas e dentes.

Mário Marques, o técnico, não é um "São Francisco de Assis", não deu uma oportunidade a esses garotos de atuarem num campeonato de profissionais por pura bondade. Perguntou à diretoria do Bangu por reforços, jogadores mais experientes. O presidente disse não ter dinheiro. O discurso é o mesmo todo ano.

O Bangu é um clube que não demonstra claramente o que faz com o dinheiro. Foge da responsabilidade de publicar os balanços anuais em um jornal de grande circulação durante o mês de abril, que é uma exigência da Lei Pelé. Daí, alega sempre o caixa vazio, que a cota de 1 milhão de reais (ganha para participar do Campeonato Carioca) já acabou. E coloca em campo uns meninos que são, ainda, garototes. Muitos ali ainda nem possuem massa muscular. Mário Marques os coloca em campo. Não tem outros.

O Bangu perdeu do Queimados, assim como poderá perder para o Ceres e fatalmente perderá para o Boavista. Os meninos são fracos. Não conseguiram sequer se sobressair na Copa Rio. As categorias de base do Bangu já não revelam ninguém. O investimento é inexistente. Carlos Renan vai ter que achar 20 nomes novos para o Campeonato Carioca, jogadores de empresários, ex-atletas em atividade, chamar o Almir de volta, acreditar no Alecsandro, contratar um grande goleiro, porque sabe que irá precisar de suas defesas.

O time apesar de ser fraquíssimo não é a prioridade em Moça Bonita. O presidente do Bangu passou a semana preocupado em saber se um shopping da região iria utilizar o hino do clube em uma festividade sem pagar direitos autorais ao clube. Parecia um fiscal do ECAD.



10/09/2014 15h27

A bola vai rolar no tapete verde
Carlos Molinari

Hoje tem mais uma rodada da Copa Rio. Para quem acha que a competição da FFERJ é uma verdadeira pelada, nada pode ser pior do que ver a Seleção Brasileira, no dia anterior, jogando num gramado bem pior do que o estadinho do Ceres, na Rua da Chita.

Foto: Vitor Moniz

Lá em Nova Jersey, o gramado artificial do futebol americano foi coberto com placas de grama natural na véspera, as placas não se fixaram bem e o piso ficou fofo. A bola não ganhava velocidade, nem quicava. Qualquer chute ou carrinho tirava pedaços do gramado. Pelo menos, na Rua da Chita não é assim.

Não haverá público pagante no estadinho do Ceres, porque o campo não apresenta laudos técnicos. Porém, quem já viu um jogo por lá sabe que nada disso impede a presença de muita gente em volta do campo, assistindo o jogo tranquilamente. A FFERJ não esboça qualquer punição. Hoje, o Boavista, de Márcio Bittencourt vai até lá. O treinador anuncia que vai de time misto e escancara uma realidade: está desprezando o Ceres.

Contra o Bangu, na semana anterior, fez questão de dizer que colocaria em campo o time principal, sem poupar um único titular. E foi para Moça Bonita com sua força máxima. Estava ganhando por 3 a 1, com um jogador a mais. Poderia golear o inexperiente time banguense. Mas conseguiu sofrer dois gols e retornou à Bacaxá com um improvável empate.

Não há lógica em poupar titulares nesta quarta-feira. O Boavista já está mais do que eliminado da Série-D do Campeonato Brasileiro. É o último colocado do seu grupo e após seis rodadas, não conseguiu vencer ninguém. Tem mais é que pensar na Copa Rio, em que o baixo nível técnico está mais compatível com o futebol apresentado até agora.

Na minha opinião, Ceres e Boavista ficam no empate hoje na Rua da Chita e Márcio Bittencourt dificilmente fica no cargo até o Estadual.

No Grupo C, Madureira e Macaé também devem ir de times mistos no confronto da rua Conselheiro Galvão. Os dois clubes devem conquistar a vaga na próxima fase - até porque os rivais desta chave (Barra da Tijuca e Campo Grande) não assustam. E como os dois têm compromissos já no sábado pelo Campeonato Brasileiro da 3ª Divisão, ninguém vai arriscar perder seus melhores valores em uma partida que não vale quase nada.

Outro jogo interessante, pela expectativa de uma goleada, é o confronto entre Nova Iguaçu e Duquecaxiense, no Laranjão. O Duquecaxiense não conseguiu ir bem sequer no Carioca da Série-C e deu um passo maior que as pernas ao aceitar participar da Copa Rio. Está pagando o preço. Em três jogos neste Grupo A, perdeu os três: fez um gol, levou nove. Não há outro palpite para este jogo: goleada do Nova Iguaçu.

Por fim, pelo Grupo D, Resende e Bonsucesso jogam no estadinho do SESI que, com certeza, possui um gramado muito melhor do que o de Nova Jersey. Lá, onde a arquibancada é só de um lado, o empate é o mais provável. O Resende, do técnico Édson Souza, se já não foi bem no Estadual, enfraqueceu ainda mais para a Copa Rio. De destaque, cito apenas o Geovane Maranhão. Por isso, creio que o Bonsucesso volta de lá com um empate.

Além desses jogos citados, o América enfrenta o Audax, em Édson Passos e tem totais possibilidades de vencer, até porque acreditou mais na competição do que o rival. E o Friburguense joga à noite (é o único clube que acende os refletores para a Copa Rio) contra o Duque de Caxias. No Eduardo Guinle também deve vencer, até porque 2014 não é o ano do Duque, em qualquer competição.

Depois do "peladão" que a televisão transmitiu ontem à noite, qualquer jogo da Copa Rio parece ser muito mais interessante.


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