Durante o Campeonato Carioca escrevi por várias vezes neste mesmo espaço que o Audax era um time que tinha tudo para se fixar na 1ª Divisão do Rio por muito tempo.
Tinha uma ótima estrutura em São João de Meriti, tinha os recursos do grupo Pão de Açúcar/Extra e não tinha o hábito de atrasar salários, como muitos outros times fazem naturalmente (leia-se Bangu, Duque de Caxias e Quissamã).
Eis que nesta semana, fomos todos surpreendidos com o "fim do Audax". A situação é até explicável. O Grupo Pão de Açúcar aliou-se ao grupo francês Casino. Com isso, o empresário Abílio Diniz passou a ser "apenas" o presidente do Conselho de Administração da nova empresa formada pelo consórcio.
O grupo francês interessado apenas na rede de supermercados e numa série de produtos exclusivos da rede Pão de Açúcar/Extra, considerou o investimento no futebol profissional supérfluo e arriscado demais.
Para quem acompanhava de perto as ações do francês Jean Charles Naouri, presidente do Grupo Pão de Açúcar desde junho de 2012, a decisão pelo fim do futebol não era surpresa. Naouri já tinha acabado com um clube destinado ao lazer dos funcionários da rede de supermercados e cortado o jatinho e os seguranças de Abílio Diniz, que eram mantidos com o dinheiro da empresa.
O Audax começou sua trajetória em São Paulo, em 2004. No Rio, o Grupo Pão de Açúcar adquiriu o time do Sendas, depois que o empresário Arthur Sendas foi morto por um ex-segurança, o que ameaçava diretamente o fim do clube.
Para os franceses, "o ciclo do Audax está completo". Em menos de dez anos, os dois Audax conseguiram chegar à 1ª Divisão do Rio e de São Paulo, feito extremamente difícil, como se sabe.
O investimento anual que o Grupo Pão de Açúcar fez, em 2012, nos dois Audax foi de 20 milhões de reais. Em 2013, o orçamento subiu para 22 milhões.
Mesmo com a possibilidade de lucrar com o futebol profissional, os franceses preferiram não confundir supermercado com futebol.
O clube está à venda, embora ainda não se saiba por quanto. Agora, além da tristeza de Abílio Diniz, que divulgou uma nota dizendo que a decisão do francês ""descaracteriza os valores fundamentais do Grupo Pão de Açúcar, como o incentivo aos esportes e à inclusão social", o problema passará para as Federações do Rio e de São Paulo.
O que fazer se o Audax realmente acabar? Com quem ficará a vaga na 1ª Divisão em 2014?
No Rio, por exemplo, o Olaria, 15º colocado na 1ª Divisão, seria mantido na elite? Ou o fim do Audax abriria uma vaga para o 3º colocado da 2ª Divisão?
Se a última opção vingar, o Bonsucesso já estaria novamente na 1ª Divisão em 2014, pois, na pior das hipóteses, será o terceiro colocado da Segundona.
Por enquanto são só especulações... O certo é que o Audax, termo em latim que quer dizer audacioso, ousado, ficou pelo caminho.
No único Campeonato Carioca que disputou conseguiu a 7ª colocação entre 16 equipes, além de ter vencido o Flamengo por 2 x 1. Mas nada disso comoveu os franceses do grupo Casino.
Por falar nisso, alguém já comeu uma saladinha em lata que esse grupo Casino vende no supermercado Pão de Açúcar? Não? Sortudos vocês... Eu passei um dia inteiro com azia...
Feliz aniversário! O dia 23 de maio é uma data a ser comemorada pela imprensa brasileira.
Há sete anos, o SRZD está no ar. Um site que hoje é referência para o internauta do Rio de Janeiro, principalmente por ir a fundo no universo das escolas de samba, no dia a dia da cidade e também no futebol.
Fosse num casamento e eu estaria vivendo a crise dos sete anos... mas minha relação com o site SRZD começou agorinha mesmo, ao receber um convite do Sidney para comentar a campanha dos times "pequenos" do Rio.
É lógico que já acessava o SRZD antes disso, mas agora afinei o contato, aumentei minhas visitas e, confesso, estou em lua de mel com o site.
Parabéns pelos sete anos de informação, prestação de serviços e entretenimento.

A liderança do Barra da Tijuca no Grupo A chama a atenção de qualquer um que olhar a classificação da Segundona do Rio.
O Barra da Tijuca pode não ter tradição alguma (afinal, começou no futebol com o singelo nome de Yasmin, em 2010). O nome Yasmin não era por acaso. Era o nome da filha do presidente, o empresário da construção civil Adílson de Oliveira Coutinho Filho.
No ano seguinte, como o clube começou a se aventurar no cenário do futebol profissional e o nome Yasmin soava amador demais, o time foi rebatizado como Clube Atlético da Barra da Tijuca.
Este ano, o time chamou, pela primeira vez, a atenção da imprensa ao contratar dois veteranos da bola: os atacantes Dodô e Tuta. Além disso, também é assunto de algumas matérias por outro fato peculiar: o presidente Adílson, aos 43 anos (nasceu em 14/5/1970) é o reserva do ataque.
Nesta quarta-feira contra o Bonsucesso, foi o presidente Adílson quem fez o gol da vitória por 2 a 1, aos 47 minutos do 2º tempo. Algo quase inacreditável.
O Barra da Tijuca é um clube realmente atípico. Manda suas partidas no estádio do Olaria e, normalmente, compra toda a pequena cota de ingressos que coloca à disposição, já que ainda não tem torcedores. Na última partida que fez no Mourão Filho, contra o Bonsucesso, o clube pagou por 210 ingressos e "distribuiu" 100 gratuidades.
O técnico da equipe é o ex-zagueiro Rogério, do Corinthians, mais famoso por cometer um pênalti na final do Campeonato Brasileiro de 2002, após assistir de perto as pedaladas do Robinho.
Outro fato que chama a atenção é que, diferente da penúria a que estão condenados vários clubes da Segundona do Rio, o Barra da Tijuca não aparenta ter problemas financeiros. Mas qual é a fonte do tricolor?
Adílson de Oliveira Coutinho Filho é um homem ligado não só à construção civil, mas também às máquinas caça-níqueis. Em 2009, suas ligações telefônicas foram rastreadas pela "Operação Furacão" da Polícia Federal. Na época, Adílson era apontado como sendo o braço direito do bicheiro Jaime Garcia Dias.
Em 2011, a "Operação Dedo de Deus" da Polícia Civil bateu na casa de Adílson, na Barra da Tijuca. Tinham informação que ali eram guardados os lucros de uma quadrilha do jogo do bicho, chefiada por seu tio, o presidente da Escola de Samba Grande Rio, Hélio de Oliveira, o Helinho.
Para resumir a história: a polícia apreendeu no apartamento de Adílson o valor total de R$ 3 milhões e 974 mil reais, que estava escondido em paredes falsas e até mesmo no sistema de esgoto do prédio.
A Justiça Federal da 2ª Região condenou Adílson, em 18 de dezembro de 2012, a 3 anos e seis meses de reclusão.
No entanto, beneficiado pelo artigo 44 do código penal, Adílson nem precisou se preocupar. Não iria ficar trancafiado. Era réu primário e não tinha antecedentes. Pagou multa de cinco salários mínimos. Ou seja, está livre para presidir seu time, vestir a camisa do Barra da Tijuca e marcar seus golzinhos no último minuto das partidas.
Não fosse o fato de realmente calçar as chuteiras e entrar em campo, Adílson não estaria fazendo nada de diferente. Estaria apenas seguindo as pegadas de Castor de Andrade (no Bangu), Carlinhos Maracanã (no Madureira), Luisinho Drummond (no Bonsucesso) e Emil Pinheiro (no Botafogo), que por anos, misturaram o dinheiro da contravenção com o futebol profissional.

Neste sábado, mais uma sede da Copa do Mundo foi aberta ao público. O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília - uma obra faraônica que custou mais de 1 bilhão de reais -, teve seu primeiro dia de teste.
Com capacidade para 71 mil torcedores, o estádio teve apenas o anel inferior liberado para o público no dia da final do Campeonato Candango entre Brasiliense e Brasília, o que significou a confecção de apenas 22 mil ingressos.
Destes, 6 mil eram para os operários, outros 6 mil para seus acompanhantes, cada clube ficou com 3 mil entradas, enquanto que o governo federal e a administração do Distrito Federal ficaram com os 4 mil ingressos restantes para distribuir entre os vips da cidade.
Mas a tarde festiva, que contou até com Elza Soares cantando o Hino Nacional, teve inúmeros problemas. Primeiro, uma área de 3 quilômetros de raio ao redor do estádio foi bloqueada aos carros.
O Detran local espalhou cones impedindo o acesso em várias partes do Plano Piloto de Brasília. Resumindo: o trânsito ficou um caos. E muitas pessoas que sequer queriam ir para o jogo foram prejudicadas no direito básico de ir e vir.
Quem queria ir ao jogo, então, teve que estacionar o carro a distâncias longínquas e caminhar até chegar ao estádio. Quem conhece as imediações do Mané Garrincha sabe que não foram feitas calçadas ou obras de infra-estrutura. O torcedor tinha que andar pela grama e pelo barro, sob sol forte, para ver o jogo.
Ao chegar ao estádio, outras surpresas. Ninguém estava preparado para prestar informações. Encontrei com pessoas que tinham dado uma volta inteira ao redor do "gigantesco coliseu" e ainda assim não sabiam por onde poderiam entrar.
O resultado foi filas tão grandiosas quanto as colunas do novo estádio. Ao final do 1º tempo ainda tinha muita gente esperando para entrar na maior novidade da cidade.
Dentro do estádio, as emissoras de rádio não tinham onde ficar. Foram mal alojadas na primeira fileira de cadeiras, acima do banco de reservas. Um local sem isolamento acústico, impossível de se trabalhar com a altíssima música que os DJs colocavam para empolgar o público.
Só as cabines das emissoras de TV estavam prontas. A ala para a imprensa escrita (jornais e sites de internet) ainda não foi concluída. Para completar, não havia rede elétrica nesse local improvisado para os jornalistas, o que fez com que muitas rádios locais não conseguissem transmitir a partida ou apelassem por transmitir o jogo inteiro utilizando o telefone celular.
Trata-se de um estádio moderno, realmente lindo (afinal com 1 bilhão de reais não poderia se imaginar outra coisa), que impressiona pelas dimensões e lembra muito o Estádio Olímpico de Berlim, das Olimpíadas de 1936. Como nessas arenas ultra-novas, não há alambrado separando o público do gramado.
Por isso, quando a torcida do Brasiliense ameaçou pular para dentro do campo para comemorar o título, foi necessário o Bope aparecer pelo setor para evitar o ato, que escandalizaria os chatíssimos dirigentes da FIFA.
Enfim, se foi um teste, Brasília ficou reprovada. Semana que vem tem mais. Santos x Flamengo jogarão pela 1ª rodada do Campeonato Brasileiro. Agora, com carga máxima de ingressos: 70 mil pessoas. Imaginem o que o Detran-DF não vai aprontar dessa vez?

Confesso que fico triste ao ver que São Cristóvão e Campo Grande disputam um mal organizado Campeonato Carioca da 3ª Divisão. A competição da FFERJ começou neste final de semana e é uma verdadeira vergonha.
Inicialmente, seriam 36 times brigando por quatro vagas na 2ª Divisão em 2014. Só que, ao término da 1ª rodada, seis equipes já pularam fora, perdendo seus jogos por WO.
Nessa condição estão o Rio das Ostras, o Everest, o Atlético Rio, o Carapebus, o La Corunã e o Bela Vista.
A Federação insiste que cada um desses clubes deve pagar a seus cofres a quantia de 30 mil reais pela desistência após a tabela já confeccionada. Dificilmente irá receber 180 mil reais dessas agremiações falidas, sem perspectivas e vítimas do descaso da própria Federação.
Os dirigentes acham que estão indo no caminho certo ao impor regras tão rígidas ao Campeonato da 3ª Divisão. Primeiro, inventaram que os time não podem contar com mais de cinco jogadores acima dos 23 anos, o que nivela a competição por baixo. Depois, de acordo com o Estatuto do Torcedor (que quando foi escrito só pensou em clubes grandes), exige sempre uma ambulância (com um médico e dois enfermeiros) em cada estádio e também vários laudos técnicos que liberem os campinhos para a presença ou não de público.
Às vezes é até melhor não liberar o estádio para o público. A Federação exige que se uma equipe quiser vender ingressos, tem que pedir uma carga mínima de 200 entradas. Já se sabe por antecipação que não serão todos vendidos. E aí, a diretoria do mandante é que tem que arcar com o prejuízo.
Aliás, o Campeonato todo é só prejuízo. O time mandante tem que pagar tantas obrigações que é sempre melhor atuar como visitante, mesmo tendo despesas com transporte de atletas e comissão técnica.
Mas a mesma Federação que cobra tanto, dará um alento a quem conseguir o acesso à Segunda Divisão. O campeão ganhará 24 bolas oficiais e ficará com 20 mil reais em crédito junto à entidade.
Ouro de tolo, claro. Ao final do Campeonato, o clube terá tantas taxas a pagar à FFERJ, que esses 20 mil reais não serão suficientes para todas elas.
O vice terá 10 mil reais de crédito e os 3º e 4º colocados terão 5.000 reais para debitar de suas dívidas já contraídas com a especuladora Federação do Rio, que funciona tal qual uma financeira.
Trata-se de um grande prejuízo financeiro, em que qualquer falha por parte dos clubes significa perda de pontos e multa que deve ser revertida aos cofres da Federação.
A Federação do Rio, que ostenta uma sede totalmente reformada pela Construtora Martinelli (empresa pertencente a um vice-presidente da própria entidade), é incapaz de auxiliar esses clubes (ou, ao menos, estipular taxas menores de participação), tornando inviável um Campeonato Carioca da 3ª Divisão.
O diretor de competições, Marcelo Vianna, na Federação desde 2005, é responsável pelo regulamento da Terceirona. Segundo suas próprias palavras, a quantidade de taxas e despesas é uma forma de fazer uma espécie de "seleção natural" no futebol carioca. Só quem "tem garrafa vazia para vender" (nas palavras do próprio dirigente) é que pode continuar no esporte.
"As pessoas, por amor ao esporte, acabam ficando endividadas. Colocam dinheiro do próprio bolso e, depois, não conseguem honrar seus compromissos. Trabalhamos para conscientizar essas pessoas de que futebol é profissional. Não tem mais brecha para amadorismo".
Ou seja... daqui a pouco a Terceirona vai declarar campeão quem conseguiu vencer mais partidas por WO.
A imprensa, de modo geral, fecha os olhos para tamanho descalabro. Afinal, quem se importa com a falência de tantos clubes ao mesmo tempo?
A rodada deste sábado da Segunda Divisão confirmou a vaga do América no Triangular Final. Matematicamente ainda não, mas ninguém aposta mais um níquel de que o antigo time de Campos Sales vá perder a vantagem de 8 pontos que carrega sobre Portuguesa e Goytacaz na classificação geral.
Até porque, a Portuguesa - rival direto - perdeu neste sábado para o inspirado Alan, sem oferecer uma grande resistência; e o Goytacaz, que escalou um jogador irregular (Talis) diante do Angra dos Reis, corre o risco de perder pontos - o que seria o fim de mais um sonho de acesso.
O América, além de exibir, ao longo do Campeonato um cartel de 10 vitórias, 3 empates e um total de 36 gols pró (17 deles marcados por Alan) mereceu esta classificação para a última etapa da Segundona.
Por enquanto, nesta Taça Corcovado, estariam passando, pelo Grupo A, Bonsucesso e Ceres, e no B, São João da Barra e América para as semifinais. Só que ainda há muitas rodadas para outros times se recuperarem, como a própria Cabofriense.
Uma dúvida ainda persiste: imaginem se o América chega à final da Taça Corcovado diante do Bonsucesso. Ganhar significará forçar o Triangular Final com o próprio Bonsucesso e a equipe que ficar com a segunda posição na classificação geral (atualmente seria a Portuguesa).
Pelo regulamento, seria mais interessante perder a final e o título para o Bonsucesso. Com isso, o Bonsuça seria o campeão direto por ter ganho os dois turnos e o América levaria a outra vaga do acesso por ser o time que mais pontos fez ao longo do Campeonato, sem a necessidade de se arriscar num Triangular Final.
É algo para o técnico Duílio pensar, até porque as chances de América x Bonsucesso serem finalistas é das grandes.
Se tudo anda bem para os lados de Édson Passos (o que prova que aquela parceria com a CHAP acabou sendo positiva) e da Teixeira de Castro, pelo lado de baixo da tabela um rebaixado (além de Juventus, Imperial e Rio Branco) já é conhecido: o Artsul assinou sua queda ao cair por 6 a 0 para o São João da Barra.
O clube que sempre fez boas campanhas nas categorias de juniores, agoniza nos profissionais: tem apenas 3 empates em 13 jogos. O outro rebaixado, por enquanto, é o Serra Macaense. Mas, o tradicional Mesquita ao perder, em casa, para o Tigres por 1 a 0, além de reavivar o time de Xerém, complicou totalmente sua situação. Os últimos cinco jogos serão dramáticos para o "Tubarão da Baixada", que tem o pior ataque de toda a competição: fez só 6 gols em 12 partidas.
A classificação geral, excluindo os jogos contra o Juventus, está assim:

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- E se o Campeonato Carioca tivesse um ranking?

Sim, amigos. Estou sem muito o que fazer como vocês poderão reparar ao ler essas linhas. Imaginei um ranking para o Campeonato Carioca nos moldes do que a revista Placar faz para o Campeonato Brasileiro.
O sistema é simples: o campeão ganha 10 pontos no ranking, o vice ganha 9, o terceiro colocado ganha 8... até o 10º lugar somar um ponto no ranking. Quem fica abaixo disso não ganha nada. Então, para este ranking, ser o 11º ou ser o último colocado dá no mesmo: não soma pontos naquele ano.
O ranking leva em consideração o Campeonato Carioca desde a edição pioneira de 1906 até a última edição em 2013. É claro que, quem acumulou mais participações leva vantagem sobre quem começou sua trajetória esportiva recentemente, como é o caso de Nova Iguaçu, Macaé, Resende e Boavista.
Sem muitos floreios, ficou assim:
1º Fluminense 861 pts 106 participações
2º Flamengo 830 pts 100 participações
3º Botafogo 789 pts 104 participações
4º Vasco 716 pts 90 participações
5º América 572 pts 99 participações
6º Bangu 502 pts 98 participações
7º São Cristóvão 249 pts 70 participações
8º Madureira 169 pts 67 participações
9º Americano 138 pts 36 participações
10º Olaria 135 pts 60 participações
11º Bonsucesso 121 pts 55 participações
12º Andarahy 69 pts 17 participações
13º Volta Redonda 58 pts 31 participações
14º Paysandu 51 pts 7 participações
15º Friburguense 51 pts 19 participações
16º Campo Grande 51 pts 29 participações
A lista continua e, é bastante extensa, mas para servir como modelo ela já serve. Os flamenguistas podem estranhar não estarem à frente do Fluminense apesar de ter um título a mais. O problema é que o Fluminense disputou seis Campeonatos a mais que o Fla, justamente no período em que o rubro-negro ainda não tinha time de futebol, entre 1906 e 1911.
O Botafogo também fica à frente do Vasco, mesmo tendo menos títulos, porque os vascaínos só passaram a disputar a 1ª Divisão a partir de 1923, ou seja, 17 anos depois do alvinegro.
E, enfim, a tão polêmica briga que aqui se trava entre América e Bangu chegaria a uma solução. O América teria 70 pontos de vantagem sobre o Bangu e apenas uma única participação a mais.
No entanto, os dois clubes, outrora respeitáveis, já não conseguem figurar entre os 10 melhores da 1ª Divisão desde 2010. Para este ranking, são três anos sem pontuar.
Bom, a ideia está lançada... só não sei se os leitores irão aprovar...
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Quarta-feira é dia de jogão na Segunda Divisão do Rio de Janeiro. O Bonsucesso reedita a final do 1º Turno, recebendo a Cabofriense, na avenida Teixeira de Castro. Na decisão, o Bonsuça teve que atuar em Moça Bonita porque o seu estádio não estava liberado para receber público.
Agora não. Neste 2º Turno, o Bonsucesso conseguiu todos os laudos necessários e começou a vender ingressos. Tudo bem, o estádio Leônidas da Silva continua precário. Mas, pelo menos, a torcida do bairro pode acompanhar de perto a caminhada do time rumo ao acesso.
Contra o América de Três Rios, 230 pessoas apareceram por lá no feriado de 1º de maio. Nesta quarta, dia 8, não é feriado, o que pode prejudicar um pouco mais o comparecimento da torcida.
Porém, seja qual for o resultado de Bonsucesso x Cabofriense, já é quase certo que essas duas equipes serão as duas finalistas do Grupo A novamente. Não vejo nos demais oito clubes alguém que tenha chances de fazer uma pontuação maior do que as equipes de Ricardo Barreto e Antônio Carlos Roy.
Atualmente, na classificação, o Bonsucesso lidera com 6 pontos. A Cabofriense tem 4. E na sequência vemos: Tigres (3), Barra Mansa (3), Barra da Tijuca (3), América de Três Rios (3), Ceres (3), Serra Macaense (2), Americano (1) e Mesquita (0 ponto). Sejamos razoáveis: nenhum desses oito clubes possuem hoje o elenco que o líder e o co-líder do grupo possuem. Por mais que o Barra da Tijuca venha com Tuta e Dodô, o time tem atuações tão ruins que, em 10 jogos, venceu apenas duas vezes...
Se no Grupo A tudo parece resolvido com uma antecedência de sete rodadas, no Grupo B, atualmente, São João da Barra e Paduano estariam se classificando para as semifinais. Porém, América, Goytacaz e Portuguesa continuam sendo as grandes forças da chave.
Durante a semana teremos a Portuguesa, estreando no 2º Turno. O time de Manuel Neto deverá bater o Paduano na Ilha do Governador; o América ganhará do Artsul fora de casa e, enfim, em Saquarema, Sampaio Corrêa e Goytacaz devem caminhar para um empate. São os meus palpites para o Grupo B.
Falando sobre o rebaixamento, o Artsul, com apenas três empates e oito derrotas, deve ser o mais novo integrante da 3ª Divisão em 2014. A outra vaga é ainda uma incógnita. Serra Macaense, Mesquita, Americano, Angra dos Reis e Tigres são fortíssimos candidatos ao descenso. Por enquanto, é o Tigres, do empresário nicaraguense Miguel Larios, quem está indo embora.
Porém, mais pela força econômica do que pela qualidade do time, acho difícil o Tigres cair... É hora, então, do Mesquita e do Angra dos Reis abrirem o olho...
1ª Divisão
Ah, sim, o Botafogo foi o campeão. Mas ficou faltando ganhar do Bangu e do Boavista...
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Ninguém notou a data, mas há 100 anos começava a 8ª edição do Campeonato Carioca. Naquele ano de 1913, a temporada só teve início no dia 3 de maio, um sábado, com duas partidas: América x Americano, em Campos Sales, e Fluminense x Paysandu, nas Laranjeiras.
O América goleou por 9 a 1 o Americano, que não era o de Campos, mas sim um clube da Vila Isabel. Começava desta forma a caminhada dos rubros rumo ao primeiro título carioca de sua história.
O time entrou em campo naquela tarde com: Marcos Carneiro de Mendonça, Luiz Mendonça e Belfort Duarte; Jonathas, Lincoln e Mendes; Witte, Juquinha Moreira, Ojeda, Cardoso e Aleluia.
O Americano pisou o gramado de Campos Sales com: Campos, Flores e Raul Couto; De Maria, Rello e Arlindo; Pereira, Ramos, Rega, Bahia e Luiz Prior.
Só o atacante Ojeda fez cinco gols. Juquinha Moreira marcou duas vezes. Cardoso e Aleluia completaram a goleada. O Americano fez seu tento de honra com Rello.
Confesso que sinto curiosidade em voltar no tempo e ver como foi este jogo, como devem ter sido os gols, como se comportava o goleiro do Americano e como deveria atuar de forma incrível este América de 1913.
Cem anos depois, o América está vivo na luta árdua da Segunda Divisão do Rio. Já alcançou até um placar parecido - fez 8 x 1 no Serra Macaense - e, atualmente, já garantiria vaga no Triangular Final por ser o time com maior número de pontos: tem 27 em 11 jogos.
Para terminar esta fase faltam apenas seis partidas, entre elas, duas pedreiras: a Portuguesa, em casa, e o Goytacaz, em Campos.
Vencendo estes compromissos, ninguém duvida de que uma vaga no Triangular ficará nas mãos do América. Daí, a expectativa é de que os atletas de hoje possam, ao final da Segundona, honrar dignamente os campeões de cem anos atrás.
Há dez anos, o Americano era o terror dos "pequenos" e também dos "grandes". Chegou até as semifinais do Campeonato Carioca, ganhava respeito com uma equipe formada por desconhecidos que davam o recado. O técnico era o mesmo Gaúcho que anteontem estava no Vasco.
Jogar no Godofredo Cruz era sinal de armação. Nenhum time do mesmo porte conseguia ganhar lá. O Americano ficou invicto em casa por mais de dez anos. Só os "grandes" ainda venciam lá dentro.
Normalmente, a estratégia era simples. Coagidos pelo presidente da Federação da época, Eduardo Vianna, os árbitros eram estimulados a fazer tudo pelo Americano. No 1º tempo já amarelavam todo o sistema defensivo do rival. Na etapa final, qualquer falta poderia significar uma expulsão. Se isso não desse certo, podia extender o jogo até os 55 minutos do 2º tempo. A imprensa não cobria essas partidas mesmo, ninguém ligaria se o Bangu, o América, a Cabofriense fossem roubados descaradamente.
E assim, com equipes bem limitadas, o Americano ia longe no Campeonato Carioca. Em 2002, chegou a erguer a Taça Guanabara e a Taça Rio. Pena que o regulamento não previa que o campeão dos dois turnos levasse também o Campeonato inteiro.
Mas, depois da morte de seu protetor-mor, em agosto de 2006, o Americano passou a agonizar. Se o time tinha sido o 5º colocado em 2006, caiu para a 10ª posição no Estadual de 2007. E, a partir daí, não conseguiu nada de útil. Em 2008, foi o 13º. Até que, em 2012, ficou em 16º e último lugar, sendo rebaixado pela primeira vez em sua história.
O presidente César Gama, na época de "vacas gordas" era um dirigente detestado pelos cartolas dos outros clubes. Todos sabiam que ele se valia da substancial ajuda do presidente da Federação e de árbitros extremamente coagidos para levantar seu clube.
Um dos que não gostavam de César Gama era o dirigente do Bangu, Rubens Lopes. Os dois não se bicavam. No entanto, para azar do presidente do Americano, eis que o cartola banguense ganha de herança a presidência da Federação. Era tudo o que faltava!
César Gama não titubeou. Em 2008, fez as pazes com seu antigo desafeto, dando-lhe o título de sócio benemérito do Americano. "Rubinho", como é chamado, jamais se comoveu com este título e não teve pena do clube de Campos quando este caiu para a 2ª Divisão em 2012.
Agora, agonizando na Segundona, depois de ter trocado o técnico Acácio por André Pimpolho, o Americano continua sem saber para onde ir. Está à beira do rebaixamento para a Terceirona Carioca. Por enquanto, é o antepenúltimo colocado, à frente apenas do Tigres (equipe que está em ascensão) e do Artsul. Dois times serão rebaixados.
Ao mesmo tempo, a diretoria decidiu vender o próprio estádio Godofredo Cruz para a construtora IMBEG Engenharia. Cobiçado por ficar no Parque Tamandaré, bairro nobre de Campos, a construtora irá erguer um shopping no local. Em contrapartida, o clube recebeu uma área próxima ao aeroporto da cidade, onde a mesma IMBEG irá construir um novo estádio para o Americano, com capacidade para apenas 8 mil torcedores.
O estádio Godofredo Cruz podia receber, nos bons tempos, até 25 mil pessoas. Hoje, a capacidade está reduzida pela metade. Desde agora já se sabe que em 2014, o time não mandará seus jogos na cidade. Seja na Segundona ou na Terceirona Carioca, o Americano terá que atuar em Quissamã ou em São João da Barra, já que ninguém imagina que o Goytacaz emprestará seu campo para o arqui-rival.
Nesta quarta-feira, para completar, o time estreou no 2º Turno perdendo para o Barra da Tijuca por 2 x 1...
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Resende e Volta Redonda não deram nem para a saída diante de Botafogo e Fluminense. As duas goleadas sofridas foram justas e demonstraram que, quando os "grandes" querem realmente se empenhar, em partida que vale alguma coisa, o abismo técnico entre os clubes é cada vez maior.
O técnico Cairo Lima, ao meu ver, abusou de errar. Quis mexer demais na equipe após a eliminação para o Avaí e colocou em campo um ataque que, normalmente, não faz gols. Josiel e Sassá podem ter sido salvadores diante de Madureira e Quissamã, mas não iriam conseguir se sobressair diante do Fluminense.
Com a "genial" inspiração que só os treinadores têm, Cairo Lima deixou Frontini no banco até os 20 minutos do 2º tempo. O ex-argentino só entrou no lugar de Josiel quando não havia mais jeito.
Porém, nem Josiel, nem Sassá foram tão mal quanto o zagueiro Leonardo Luís. O camisa 3 do Voltaço foi uma negação. Quase entregou um gol um minuto após o time levar o primeiro, ao perder uma bola na sua própria intermediária. Depois, no 2º tempo, ainda perdeu o tempo da jogada e viu Rayner encobrir Gatti. Para sua sorte, a bola foi fora.
Mas nem mesmo a má atuação de Leonardo Luís foi tão notada quanto à ausência de público nesses dois jogos semifinais. Botafogo x Resende levou 4.402 pagantes no sábado. Fluminense x Volta Redonda foi ainda pior: apenas 3.983 ingressos foram vendidos. Para efeitos de comparação, na 2ª Divisão do Rio, sem qualquer apelo da mídia, o América colocou 2.000 pessoas no estádio de Édson Passos...
A solução de dividir o Raulino de Oliveira entre as torcidas, ofertando 7 mil ingressos para cada uma delas se tornou um fiasco. O Volta Redonda deixou imensos clarões no seu espaço. A torcida da cidade não abraçou o time nesta hora. E olha que, Volta Redonda tem mais de 260 mil habitantes...
O público pequeno nas semifinais pode ser pela ausência de clássicos, pode ser pelo fato de os jogos serem no interior, o que determinou um total desinteresse pela Taça Rio de 2013.
Ao mesmo tempo, recebo um comentário sob o pseudônimo de "Vermelhão", dizendo que o Bonsucesso - campeão da Taça Santos Dumont - também não tem torcedores para comemorar seu título. Um bairro com mais de 160 mil habitantes merecia que muitos deles se preocupassem com os destinos do clube local.
Mas, pelo que tenho visto, só existem três clubes que realmente possuem torcedores entre os "pequenos": América, Goytacaz e Bangu.
O restante, como diz a tese do meu amigo e historiador Raymundo Quadros (torcedor único do São Cristóvão), deixou de ir nos jogos a partir do momento em que construíram o Maracanã, afastando de vez os adeptos dos clubes de bairro, que se desinteressaram de acompanhar de perto seus times.
A partir de 1950, então, tornou-se raro ver quem defenda ardorosamente as cores do Madureira, do Olaria, do Bonsucesso ou do São Cristóvão. Curiosamente, nos anos 80 e 90, cheguei a ver torcedores do Campo Grande... Hoje creio que não há mais esta espécie entre nós.
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O Bonsucesso foi a grande surpresa da Taça Santos Dumont, equivalente ao 1º Turno do Campeonato Carioca da 2ª Divisão. Chegou ao título deixando para trás equipes consideradas favoritas, como a própria Cabofriense, o América, a Portuguesa, o Goytacaz.
A campanha foi na medida para alcançar o triunfo: teve cinco vitórias, três empates e duas derrotas, caindo justamente para a Portuguesa e o América, os melhores times do Grupo B. Em dez jogos, fez apenas 11 gols.
A equipe treinada pelo competentíssimo Ricardo Barreto (ex-Bangu e Botafogo) demorou a "engrenar". Em 2012, após a eliminação na Copa Rio, o presidente Zeca Simões entendeu que Orlando Caulin não poderia ser o técnico no ano do centenário do clube. Daí, optaram pela experiência de um comandante que já esteve em alta nos anos 90, mas que ultimamente não vinha recebendo propostas de grandes clubes.
Curioso que o Bonsucesso jogou toda a primeira fase com os portões fechados na Teixeira de Castro. O "estadinho" Leônidas da Silva não tem, realmente, a mínima condição de receber público. Por isso, nas semifinais, a Federação determinou que o time jogasse em outro campo.
A primeira opção era a Rua Bariri, que logo foi interditada para o público. Com isso, sobrou Moça Bonita para o Bonsucesso. No primeiro jogo, contra a Portuguesa, os jogadores estranharam. As dimensões do campo do Bangu são imensas para quem estava acostumado a treinar na Teixeira de Castro.
Mesmo assim, numa partida em que nenhuma das duas equipes mereceu vencer, o 0 x 0 foi suficiente para que o vencedor do Grupo A eliminasse a Portuguesa. Estranho campeonato este. A Portuguesa (no Grupo B) tinha até mais pontos que o Bonsucesso e caiu fora de forma invicta.
Neste sábado, contra a Cabofriense - turbinada pelos investimentos do vice-presidente da Federação, Luís Martinelli - era a favorita, mesmo precisando ganhar o jogo. Novamente o empate favorecia os comandados de Ricardo Barreto.
Apenas 527 pessoas pagaram ingresso para ver o Bonsucesso se defender durante todo o 1º tempo. Nos 45 minutos derradeiros, quando a pressão da Cabofriense aumentou, surgiu a figura elástica do goleiro Santiago. Lesionado, ele continuou em campo e foi o herói do título.
Na Cabofriense, o técnico Antônio Carlos Roy lamentou a péssima atuação do time. Provavelmente, está se referindo aos fiascos de Ramón, de Éberson, de Téti, de Abedi - jogadores experientes que não conseguiram ajudar a equipe na hora da decisão.
Se o 0 x 0 já era suficiente, eis que o reserva Camilo fez um improvável gol para o Bonsucesso no primeiro chute ao gol do time da Zona da Leopoldina. Camilo também era um "azarão". Ainda não tinha feito gols neste Campeonato. Foi fazer agora. Tornou-se um predestinado.
O título do 1º turno ficou com quem menos se esperava entre os quatro semifinalistas. O Bonsucesso, que completará 100 anos no mês de outubro, ganhou um presente antecipado. Está agora no Triangular Final, esperando dois adversários. O acesso que premiará o trabalho de Ricardo Barreto não é 100% garantido, mas um passo enorme foi dado nesta tarde.
Na quarta-feira já começa o 2º turno. E como está no Grupo A, sem maiores rivais além da Cabofriense, é bem provável que o Bonsucesso ganhe novamente uma vaga nas semifinais da Taça Corcovado.
Campeão da 2ª Divisão em 1921, 1926, 1927, 1928, 1981, 1984 e 2011, o Bonsucesso de Santiago, Nêgo, Camilo e Marco Túlio tem tudo para comemorar o centenário em alto estilo.
Como a grana é sempre curta, a diretoria investiu no time, mas não no estádio. O resultado é que nos jogos na Teixeira de Castro não há liberação de venda de ingressos. Quarta-feira, contra o América de Três Rios, a torcida não poderá comemorar com os campeões...

Justamente no momento em que mais precisa se impor, o Volta Redonda se encolhe. Turbinado pelo dinheiro do aço, o clube conseguiu se organizar para este ano e o primeiro reflexo positivo foi a classificação para as semifinais da Taça Rio.
No entanto, o time de Cairo Lima chega à decisão contra o Fluminense amargando um jejum de três partidas sem vitória e sem gols no Campeonato Carioca. Perdeu para o Nova Iguaçu (0 x 1), empatou com o Olaria (0 x 0) e caiu para os reservas do Botafogo (0 x 1).
O clima ficou ainda pior quando veio a eliminação na Copa do Brasil. Levando para Florianópolis uma pequena vantagem de 1 x 0, o Voltaço não conseguiu segurar o ímpeto do Avaí e caiu por 4 x 1.
O time está com a moral baixa. Mesmo assim, a Federação decidiu dividir o Raulino de Oliveira ao meio: sete mil ingressos para cada torcida. O Volta Redonda já mostrou, diante do Quissamã, que é capaz de esgotar sua cota, mesmo que sem ganhar com isso. Naquele jogo, dos 4.000 espectadores, 1.000 pagaram ingresso, 3.000 entraram quando os portões foram abertos aos 30 minutos do 1º tempo...
Nos anos 70 e 80, quando a Eucaliptaço era a maior torcida do aurinegro e viajava por todo o Estado atrás do time, era ainda mais fácil fazer frente à torcida do Flu. Cito como exemplo um jogo contra o Bangu, em 1977, que o Volta Redonda colocou mais de 13.000 pessoas no Raulino de Oliveira... Era muita gente!
Tendo que vencer o seu algoz de 2005 para chegar à final, eu acredito no Volta Redonda. De todos os chamados "pequenos", é o que tem o maior orçamento anual, estimado em 4 milhões de reais. A folha salarial ultrapassa os 200 mil reais por mês. E a dependência em relação à prefeitura da cidade não existe mais, graças ao patrocínio da CSN. Dinheiro há. Falta só superar a queda de rendimento.
Ganhar o 2º Turno é a única forma de evitar que, no segundo semestre, o rico time da Cidade do Aço fique parado. Por enquanto, está alijado da Série-D e tem só a Copa Rio pela frente.
A mesma emissora de TV que mudou o regulamento do Campeonato Carioca, passando o jogo Resende x Botafogo para sábado e, com isso, o encontro entre Volta Redonda x Fluminense para domingo, me oferece uma tarde de futebol europeu.
Já disse aqui e repito. Estou fora. Não me seduz aquela grama verdinha, sem buracos, aqueles estádios monumentais e repletos, aqueles times que não erram passes.

Queria ver era a transmissão de Bonsucesso x Portuguesa, em Moça Bonita, nesta quarta-feira. Este jogo, sim, vale muita coisa. O resultado é totalmente imprevisível, apesar da melhor campanha da Lusa - que já derrotou o Bonsuça por 2 x 0 na 1ª rodada.
Só que naquela ocasião, o Bonsucesso ainda estava em formação, ajustando suas peças. Ricardo Barreto nem conhecia pelo nome todos os seus atletas. Acompanhei aquele encontro pelo rádio e vi que, para cada ataque do time da Teixeira de Castro, a Portuguesa respondia com dois lances sucessivos de puro perigo.
Hoje, o time de Manoel Neto - auto-apelidado de "Rei do Acesso" - é mais coeso e um fortíssimo candidato para chegar à final. Só que o empate beneficia o Bonsucesso, por ter sido o vencedor do Grupo A.
Por isso, a Portuguesa deverá tomar a iniciativa do jogo desta quarta-feira e partir para o ataque. Destaco na equipe, o habilidoso Juninho e continuo em dúvidas em relação ao futebol do Gilmax, que era para ser o craque da Lusa, mas que até agora não fez muita coisa.
Além disso, há o fator "vingança" neste jogo. Manoel Neto - hoje na Portuguesa - foi o técnico campeão da Segundona de 2011 com o Bonsucesso. Porém, uma má campanha na Copa Rio 2011 fez com que os dirigentes optassem por substituir o treinador antes que ele pudesse estrear na 1ª Divisão. E o Bonsuça se afundou nas mãos de Wilson Gotardo e Marcão...
No Bonsucesso, Marco Túlio vem levando o time nas costas. Seu rendimento faz com que o famoso Valdiram esquente o banco para ele.
Seja quem for que chegue à final, terá a vantagem do empate e jogará em casa no duelo decisivo contra a Cabofriense.
Quarta-feira, a obrigação dos torcedores do Bonsuça (e eu sei que eles existem) é ir até Moça Bonita prestigiar a equipe que busca mais um acesso na sua história.
Clubes tradicionais no Rio de Janeiro, Bonsucesso e Portuguesa já se conhecem desde 1935, quando disputaram o Campeonato da Liga Carioca de Futebol (o Bonsuça venceu o encontro pioneiro por 3 x 2), mas desde 1985 os dois times não participam concomitantemente de uma 1ª Divisão Estadual.
Em 1985, foi até curioso, o confronto derradeiro entre ambos decidiria quem seria rebaixado. O empate em 0 x 0, na Ilha do Governador, decretou a queda do Bonsucesso, em partida acompanhada por 797 pagantes (mais que um jogo do Vasco hoje em dia...)
E, apesar da boa fase de ambos, dificilmente isso voltará a ocorrer em 2014.
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Terminou mais um Campeonato Carioca para 12 equipes. Alguns clubes fizeram o esperado. Outros se superaram. No início da competição fiz uma arriscada previsão de quais times ficariam entre a 5ª e a 8ª posição, entre a 9ª e 12ª, e entre a 13ª e a 16ª.
Entre os melhores, acreditei cegamente no Resende, no Macaé, no Bangu e no Madureira. Apenas Resende e Madureira ficaram em boas colocações. O Resende, atualmente, é o quinto colocado (mas pode melhorar de rendimento se ganhar a Taça Rio), enquanto o Madureira foi o oitavo.
Entre a 9ª e a 12ª, acreditava no Nova Iguaçu, no Audax, no Boavista e no Volta Redonda. Acertei apenas o Voltaço que, se não erguer a Taça Rio, terá que se consolar com uma 10ª colocação geral.
Enfim, fui mais feliz entre a 13ª e a 16ª posições. Arrisquei no Friburguense, Duque de Caxias, Olaria e Quissamã. Era notório que os dois clubes azuis fossem rebaixados, enquanto o Caxias é especialista em não investir no Carioca, contentando-se em não cair e embolsar, no ano que vem as cotas da TV novamente. E assim foi. O Duque foi o 13º, o Olaria o 15º e o Quissamã o 16º.
Boavista e Audax, clubes, aparentemente, sem problemas financeiros, ficaram na 6ª e na 7ª posição, respectivamente. Arrisco-me a dizer que, bem administrado, o Audax será um time que ficará por muitos e muitos anos na 1ª Divisão.
Treinadores
Entre esses 12 clubes, seis deles trocaram de técnico durante a competição:
o Volta Redonda acertou em tirar Alfredo Sampaio e colocar Cairo Lima;
o Boavista perdeu Lucho Nizzo - que não aceitou ver o time entregar o jogo para o Duque de Caxias - e promoveu o Jefinho;
o Olaria tirou Chiquinho de Assis e recontratou Luiz Antônio sem sucesso algum;
o Bangu tentou melhorar as coisas trocando Cleimar Rocha por Alfredo Sampaio;
o Duque de Caxias teve três treinadores antes de se acertar com Mário Marques;
e o Quissamã passou por Marcelo Buarque, Gabriel Vieira e achou uma solução caseira em Marquinhos, inutilmente.
Resende, Macaé, Nova Iguaçu, Audax, Friburguense e Madureira conseguiram passar os quatro meses de Campeonato com o mesmo treinador. Alguns, já são "patrimônios" do clube, casos de Gérson Andreotti e Toninho Andrade. Outros, gratas surpresas, como Eduardo Allax e Maurício Barbieri.
Agora, é somarmos forças e torcer para que o Resende e o Volta Redonda (este atuando em casa) consigam reverter o fato de atuar sem a vantagem do empate e derrubem o Botafogo e o Fluminense no próximo final de semana. Difícil é, mas não é impossível.