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Carlos Molinari

Carlos Molinari

Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



24/07/2014 11h15

Da Copa do Mundo para a Copa Rio; sem escalas
Carlos Molinari

A Federação pretende iniciar a sua falida Copa Rio no dia 20 de agosto. Queria contar com 20 clubes, porém, até agora só conseguiu 14 inscrições. Isso tudo porque 10 equipes são obrigadas a disputá-la (as que ficaram entre a 5ª e a 14ª colocação no Campeonato Carioca de 2013).

Não fosse isso, o Audax teria pulado fora, como chegou a ameaçar. No entanto, a multa imposta pela Federação, de R$ 50 mil, e a suspensão por dois anos da dita competição, fez com que o clube - em evidente declínio no futebol carioca - voltasse atrás e aceitasse jogar a Copa Rio.

O Resende, por sua vez, anunciou que irá a campo com um time de juniores, comandado pelo rodado Édson Souza.

O Bonsucesso trouxe um técnico do interior de Pernambuco, Caio Couto, e aposta que o time que terminou o Campeonato Carioca em 13º lugar será suficiente para ir bem nesta competição.

Os times da Série-C, Madureira, Macaé e Duque de Caxias, estarão até o dia 4 de outubro envolvidos com as partidas do Campeonato Nacional e irão colocar reservas e juniores na primeira fase.

Assim também é o planejamento no Boavista e na Cabofriense - equipes da Série-D - que, até o dia 21 de setembro - possuem compromissos mais importantes do que a Copa Rio. Os dois clubes estão na mesma chave B, que conta também com o Bangu, do técnico Mário Marques.

O Goytacaz fez questão de desistir mesmo após a tabela ter sido confeccionada. A multa da Federação de R$ 50 mil não assusta os dirigentes do clube que creem que ela sai mais em conta do que pagar salários, alimentação, transporte e hospedagem para o time disputar os jogos da Copa Rio. Com isso, o Grupo C terá apenas 3 equipes: Macaé, Madureira e Barra da Tijuca.

A desistência dos clubes, os pobres espetáculos em campo, estádios sem laudos, tudo isso escancara a falta de consideração que a própria Federação tem com seus filiados. Em vez de fortalecê-los, o que faz é multá-los sistematicamente, obrigá-los a disputar torneios deficitários e, com isso, amargar prejuízos ainda maiores. Não creio que jogo algum dessa Copa Rio ultrapasse os 400 pagantes.

Deslumbrados com as cortesias que ganharam para ver os jogos da Copa do Mundo da tribuna de honra, os dirigentes da Federação de Futebol do Rio de Janeiro assistiram a partidas da melhor qualidade, repletas de craques, com toda mordomia, em estádios novíssimos, tal como "reis do camarote" e esqueciam-se completamente da dura realidade que lhes espera a partir de agosto. Será que os "poderes constituídos" da FFERJ também vão prestigiar algum jogo da Copa Rio?

Presidente da FFERJ na tribuna no jogo Brasil x Chile. Foto: Reprodução/Facebook



09/07/2014 21h50

Uma goleada de 7 x 1...
Carlos Molinari

Perder nunca é bom. De goleada é pior ainda. E quando isso acontece contra o seu maior rival, a sensação é das piores. Não falaremos aqui da derrota da Seleção Nacional, porque em qualquer blog, qualquer site, é possível encontrar uma série de motivos para a vitória alemã e para o fracasso brasileiro.

Porém, como o blog é visitado em sua maioria por torcedores banguenses e americanos, resolvi contar sobre um jogo em que o placar também envergonhou um time e enalteceu as qualidades do outro.

Foto: Reprodução

No Campeonato Carioca de 1942, mais uma vez, os dois clubes vinham mal na tabela. O América era apenas o 7º colocado, com 12 pontos em 17 partidas, enquanto o Bangu, pior ainda, estava em 9º, com 8 pontos conquistados em 17 rodadas. Na época, apenas dez times disputavam a competição, que tinha Botafogo, Fluminense e Flamengo como os postulantes ao título.

Pela 18ª rodada (no total, seriam 27), o América recebeu o Bangu no antigo estádio da Rua Campos Sales numa noite de sábado. Era favorito, não só pela melhor campanha, mas pelo fato de atuar em casa, embora a torcida não comparecesse em grande número. O Bangu, do técnico Antônio Manfrenatte, apenas fazia figuração naquele Campeonato.

Numa época em que o esquema tático era o 2-3-5, as defesas ficam bem mais expostas do que hoje. Por isso, não foi difícil para o América conseguir entrar na área dos banguenses.

Aos 3 minutos, Nelsinho recebeu cruzamento na área e marcou logo o primeiro gol dos rubros. O Bangu resistiu ao baque inicial e só foi sofrer outro gol aos 25 minutos. Segundo os jornais, Esquerdinha estava em "off-side" quando concluiu para o gol o centro de Carola. Os suburbanos reclamaram, mas o juiz Fioravanti D´Angelo não deu ouvidos: 2 a 0.

Hoje, uma sequência de gols é chamada de "apagão". Na época, era falha mesmo. Assim, o América fez 3 a 0 aos 37 minutos, por intermédio de Carola.

A goleada continuou aos 42 minutos, quando Esquerdinha - segundo a imprensa, novamente em impedimento -, consegue encobrir o goleiro Atlante, do que se aproveita o atacante César para concluir para o gol vazio: 4 x 0.

Era uma outra época. Não eram permitidas substituições e o Bangu voltou do intervalo com os mesmos 11 jogadores, totalmente derrotados. Aos 20 minutos, porém, nunca cobrança de falta rasteira, Baleiro consegue o gol de honra dos "Mulatinhos Rosados", como eram chamados naqueles tempos. "Ponto esse que foi mais o fruto de um cochilo do guardião dos rubros, que mesmo a perícia do artilheiro. É verdade que o tiro foi rasteiro, mas em compensação, pela distância de que foi desferido e pela sua pouca violência, podia ter sido interceptado" - contou o Diário da Noite.

O gol não mudou a ordem do jogo. O América continuou melhor e até acordou após o tento. Aos 25, Esquerdinha ampliou para 5 a 1. Aos 35, o grande atacante dos rubros nos anos 40, fez 6 a 1. O Bangu estava acabado. No último minuto, a bola bate no braço do zagueiro Enéas dentro da área. O árbitro não titubeou: pênalti! Esquerdinha cobrou e decretou o fim do massacre: América 7 a 1.

O jogo, claro, não tinha a importância de uma semifinal de Copa do Mundo, mas a goleada - a maior do América sobre o Bangu em Campeonatos Cariocas - ficou registrada, entrou para a história, para algum dia alguém vir desenterrá-la...

Sábado, 8 de agosto de 1942
AMÉRICA 7 x 1 BANGU
Competição: Campeonato Carioca
Local: Campos Sales (RJ)
Juiz: Fioravanti D´Angelo
América: Mozart, Osny e Grita; Oscar, Jofre e Jaime; Nelsinho, Carola, César, Maneco e Esquerdinha.
Bangu: Atlante, Enéas e Mineiro; Nadinho, Rodrigo e Antônio; Moacir Bueno, Baleiro, Anito, Madureira e Joaquim.
Gols: No 1º tempo, Nelsinho (3), Esquerdinha (25), Carola (37) e César (42). No 2º tempo: Baleiro (20), Esquerdinha (25), Esquerdinha (35) e Esquerdinha (pên.) (45).



01/07/2014 18h43

O recomeço ou o fim do América
Carlos Molinari

Fiquei bastante surpreso com a decisão do presidente americano, Léo Almada, de fechar a sede social do América, no história número 118 da rua Campos Sales.

A nota explicativa é direta: a sede social vem gerando prejuízos ao próprio clube. O afastamento deliberado de muitos sócios, descontentes com o loteamento de várias salas da pomposa sede, a crise financeira que o clube atravessa há muitos anos, a situação calamitosa da conservação física do patrimônio do América. Tudo isso somado, fez com que o Conselho Deliberativo tomasse tal atitude.

Sede do America. Foto: Divulgação

Em 20 de junho, o clube já tinha tomado a medida de interditar a sede por falta de laudo do Corpo de Bombeiros. No entanto, alguns sócios mais radicais, dizem que o laudo dos bombeiros foi manipulado a favor da própria diretoria americana que estaria ávida por negociar a área, valorizadíssima, por sinal.

Desde que o América começou a jogar ali, pelos lados da rua Campos Sales, por volta de 1912, a área pertence ao clube rubro. No entanto, a situação da sede social do clube não é muito diferente das de outros tradicionais do Rio de Janeiro. O Campo Grande passa pelo mesmo problema. Suas dependências, em Ítalo Del Cima, são as mais deterioradas possíveis. O Bangu também alugou várias salas de sua sede social para diversos comerciantes e a cada ano que passa, o prédio de 1907 se despedaça ainda mais. Talvez, só o Madureira ainda mantenha sua sede social - contígua ao estádio de Conselheiro Galvão - em condições de impressionar o sócio e o visitante.

O caos financeiro nos clubes tradicionais do Rio é real. Se a diretoria americana chegou à conclusão que o histórico prédio da rua Campos Sales deve ser fechado, é porque não vê outra viabilidade econômica para a área. A solução pode ser a mesma que fizeram alguns clubes sociais da cidade de Santos, como o Clube XV.

Com um terreno valorizadíssimo na orla de Santos, o Clube XV, fundado em 1869, vendeu sua sede para uma construtora. No local, foi erguido o Hotel Mercure, sendo que à antiga agremiação foi destinada dois andares para continuar com suas atividades. Em um andar, o clube está lá, com suas mesas de bilhar, sua parte administrativa, sua vida corrente. No outro, há um salão de festas que a diretoria aluga e se mantém vivo.

Por isso, o fechamento da história sede social de Campos Sales pode significar o recomeço para o América, desde que se saiba aproveitar as ofertas que logo aparecerão (se é que já não apareceram) à diretoria rubra. Caso contrário, é mais um capítulo rumo ao desaparecimento...


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20/06/2014 19h14

Até onde vai essa Colômbia?
Carlos Molinari

Exatos 55.497 ingressos foram vendidos para os colombianos para esta Copa. No entanto, a conta não parece fechar. No Mineirão, diante da Grécia, as arquibancadas estavam tomadas pelos nossos vizinhos do norte. Agora, em Brasília, havia uma multidão de gente falando espanhol e vestindo a camisa amarela e azul.

Foto: Reprodução

Pelos números oficiais, 68.748 pessoas foram ao jogo no Mané Garrincha. Com certeza, mais da metade representava a Colômbia. Ou seja, é possível que muitos brasileiros tenham revendido seus ingressos para a fanática torcida que chegou em peso ao país.

São animados, barulhentos e entoam o tempo inteiro um "Olê, Olê, Olê, Olá, que mi Colombia vá a ganar". Eles não têm outra música. Assim como nós não temos outra além do "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". Só que desta vez, em Brasília, não havia tantos brasileiros assim para puxar o coro. Simplesmente, ninguém cantou isso. Ao contrário, o hino colombiano foi bradado a plenos pulmões.

Foto: Reprodução

O time da Colômbia, que derrotou a Costa do Marfim por 2 a 1, não é uma super seleção. Tem falhas. Durante o 1º tempo pouco atacou. Guardou forças para incendiar o estádio na segunda etapa. Aos 19 minutos, em escanteio para a área, o atacante Rodríguez cabeceou para as redes.

Depois, numa boa roubada de bola, ficou fácil para Quintero ampliar para 2 a 0. A Costa do Marfim diminuiu com Gervinho, aos 27 minutos, em um chute que o ótimo goleiro Ospina quase defendeu.

O resto do tempo foi de ataques dos africanos e a velha cera dos sul-americanos. Por fim, a malandragem do zagueiro Yepes - que fingiu ter se contundido algumas vezes - superou a vontade dos companheiros de Drogba.

Ganhou a maioria. Os colombianos, agora, estão aqui pelos bares de Brasília fazendo festa, comemorando a classificação para as Oitavas-de-Final. E muitos deles já possuem ônibus fretados para continuar a caminhada, agora em Cuiabá, diante do Japão.

Neste feriado, até eu virei colombiano!


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16/06/2014 13h32

O maior espetáculo da Terra
Carlos Molinari

Diferentemente da Copa das Confederações, em que 97% dos ingressos foram adquiridos por brasileiros e o clima no país era de revolta e insatisfação, a Copa do Mundo - por ser um torneio maior, extramamente midiático e que prende a atenção de todos - está tendo uma outra imagem.

A convivência entre brasileiros e estrangeiros é a marca registrada das cidades-sedes. Isso porque, em cada partida, temos 60% de ingressos vendidos para nacionais e 40% para outros povos.

Foto: Reprodução

Foi o que se viu em Brasília, neste domingo, quando Equador e Suíça se enfrentaram no remodelado Mané Garrincha. O estádio mais caro da Copa - 1 bilhão e 600 milhões de reais foram investidos nele - recebeu 68 mil pessoas, a maioria brasileiros e depois, um sem número de equatorianos, que apareceram em ônibus de turismo.

Uma pena que, ao redor do estádio, o governo do Distrito Federal tenha feito pouco pelos torcedores e turistas. Para chegar até o Mané Garrincha era preciso se sujar pelo saibro de Brasília. Embora, tenha sido alardeado que a administração tenha gasto mais 300 milhões de reais em obras de calçamento, jardinagem e paisagismo ao redor da nova arena... É difícil acreditar...

Nas arquibancadas, rapidamente lotadas, os equatorianos gritavam o seu conhecido "Sí se puede", uma espécie de "Yes we can" da campanha de Barrack Obama, como se eles pudessem sim vencer a Suíça. E não era impossível.

A Suíça não tem time para ser cabeça-de-chave de uma Copa. Só o estranho ranking da Fifa e o fato de ser o país de Joseph Blatter deram essa condição aos suíços. O time é bem fraquinho e levou um gol do Equador, de Enner Valencia, de cabeça, logo no 1º tempo.

Na etapa final, os suíços empataram aos 2 minutos, também com um gol de cabeça, de Mehmedi, que nem precisou sair muito do chão para escorar um escanteio.

Os dois times erraram muitos passes e demonstraram ter uma grande dificuldade em acertar os cruzamentos. O empate estava de bom tamanho. No entanto, aos 48 minutos do 2º tempo, em um rápído contra-ataque, Seferovic apareceu na pequena área para marcar o gol da vitória da Suíça, calando os milhares de equatorianos em Brasília.

Não foi um resultado justo. Neste Grupo E da Copa, a França leva imensa vantagem e certamente ficará em primeiro lugar. A vitória dos suíços os credenciam a ficar com a segunda vaga. Equador e Honduras caminham para a desclassificação.

No fim, as duas torcidas saíram irmanadas, com muitos brasileiros entre eles aproveitando para tirar fotos com os "gringos".

A Copa do Mundo é, realmente, o maior espetáculo da Terra. Dentro dela, até mesmo um inssosso Suíça x Equador vira um evento de primeira grandeza.


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13/06/2014 17h00

Bangu e as Seleções da Copa do Mundo
Redação SRZD

A derrota do Fluminense para a Seleção Italiana, e o alarde que o clube tricolor fez por enfrentar a Squadra Azzura neste domingo, me fez lembrar que um time jogar contra uma seleção nacional não é novidade. Embora atualmente esteja em desuso, em outros tempos era algo bem corriqueiro.

Para termos uma ideia, das 32 seleções da Copa do Mundo, 14 delas já jogaram em algum momento contra o glorioso Bangu Atlético Clube, gerando um total de 30 partidas entre o time alvirrubro e as diversas seleções nacionais.

Para encurtar o tempo de leitura, apresento as partidas em formato de tabelas, divididas pelo grupo em que se encontram as seleções nesta Copa.

Foto: Reprodução

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09/06/2014 16h48

No lado A, o Bonsucesso... no lado B, a Seleção Brasileira...
Carlos Molinari

Get the Flash Player to see this player.

Foto: DivulgaçãoLamartine Babo é conhecido até hoje no Rio de Janeiro por ser o compositor dos hinos de 11 clubes da cidade. Fora o seu inesgotável acervo de marchinhas de Carnaval ("O teu cabelo não nega", "AEIOU", "Linda Morena", "História do Brasil"), cantadas até hoje, Lalá se aventurou no campo do futebol aproveitando o embalo da Copa do Mundo de 1950.

Em 1949, contratado pela Continental para compor os hinos dos clubes, Lamartine adiou como pôde a missão. Cansada de esperar pela encomenda, a gravadora preparou uma armadilha para o compositor. "Como Lamartine era mulherengo, disseram-lhe que seria o paraninfo de uma turma de debutantes" - contou Oswaldo Sargentelli, sobrinho de Lalá.

Marcaram um encontro num apartamento para acertar os detalhes da festa e quando o autor chegou, forçaram-no a fazer os hinos, ali mesmo, na hora. Só poderia sair quando terminasse a missão. A arapuca deu certo.

Em três horas, Lamartine compôs as canções do Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco e Canto do Rio (de Niterói), deixando a do América para o final. Cansado, louco para sair do apartamento, Lamartine lembrou-se de um filme de faroeste em que o cowboy dedilhava um banjo. A melodia acabou inspirando-o na composição do hino americano, clube do coração de Lalá.

Depois, Lamartine ainda escreveria - com mais tempo - os hinos do Bangu ("a torcida reunida até parece a do Fla-Flu", dizia), do São Cristóvão ("estimulam a tua fibra extraordinária, os grandes feitos do saudoso Cantuária"), do Madureira, do Olaria e do Bonsucesso, em 1950, apresentando-os no programa "Trem da Alegria", na Rádio Mayrink Veiga.

Como 1950 era ano de Copa do Mundo, a Continental também pediu ao compositor um hino para a Seleção Brasileira ("Scratch" brasileiro, como se dizia na época), que jogaria suas partidas no novíssimo Maracanã, estádio construído pela prefeitura, especialmente para a ocasião.

A "Marcha do Scratch Brasileiro" tem letra simples, mas cativante:

Eu sou brasileiro, tu és brasileiro
Muita gente boa brasileira é
Vamos torcer com fé
Em nosso coração
Vamos torcer para o Brasil ser campeão

Salve, salve o nosso estádio Municipal
No Campeonato Mundial
Salve a nossa bandeira
Verde, ouro e anil
Brasil, Brasil, Brasil

Interpretada por Jorge Goulart, a música não faz parte de nenhuma compilação de obras-primas de Lamartine, mas a "Marcha do Scratch Brasileiro" é a primeira música deste tipo feita especialmente para uma Copa do Mundo, um espécie de antecessora dos "jingles".

A Continental lançou a música em um disco de 78 rotações, no lado B da "Marcha do Bonsucesso", o hino do clube da Leopoldina ("na Leopoldina, em cada esquina, quem domina é o Bonsucesso", diz um trecho da canção).

Hoje, a "Marcha" é uma preciosidade e só não alcançou a projeção de outras músicas futebolísticas, como "A Taça do Mundo é nossa" (de 1958) ou de "Pra frente Brasil" (de 1970), porque o Brasil perdeu para o Uruguai, naquele fatídico dia 16 de julho de 1950.

A "Marcha do Scratch Brasileiro" pode ser ouvida aqui, graças a uma cortesia da discoteca do Centro Cultural São Paulo, instituição mantida pela prefeitura paulistana.


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20/05/2014 18h12

Goytacaz e um estreante na Série-A
Redação SRZD

Depois do emparceiramento das semifinais da Taça Corcovado (o 2º Turno do Campeonato Carioca da 2ª Divisão), já é possível prever que teremos um estreante na Série-A do ano que vem.

No Triangular Final, além do Barra Mansa (campeão do 1º turno), do Barra da Tijuca (que somou o maior número de pontos nos dois turnos), teremos ou Ceres, ou Tigres, ou Goytacaz ou São João da Barra (isso, caso o Barra da Tijuca vença o 2º Turno).

De todos esses seis times, apenas o Tigres (em duas ocasiões) e o Goytacaz (12 vezes) participaram do Campeonato Carioca da 1ª Divisão.

Foto: Divulgação

Esse ineditismo não deixa de ser uma surpresa. Afinal, quando muitos esperavam ver as equipes tradicionais brilhando - como América, Olaria e Portuguesa - eis que o Campeonato revelou que o importante mesmo é ser bancado ou pela prefeitura (caso do São João da Barra), de empresários (caso do Barra da Tijuca) ou por políticos (caso do Ceres).

Creio que a Federação torce (e pode até fazer alguns "esforços") para ajudar o Goytacaz a subir este ano. Principalmente pelas críticas que o Campeonato Carioca vem recebendo da imprensa pela falta de público. O time de Campos na 1ª Divisão significaria, pelo menos, um acréscimo de 10 mil pessoas a cada partida, especialmente nos jogos no Ari de Oliveira e Souza. O Goytacaz, pelo tamanho de sua torcida, pelos anos de ausência na "elite", pode ser a grande atração de 2015.

Por isso, se fosse possível apostar, creio que o time azul e branco irá eliminar o Tigres, neste sábado, em Los Larios e seguir vivo na 2ª Divisão. No outro jogo, disputado em Moça Bonita, entre Barra da Tijuca e Ceres, torcerei abertamente para o simpático time do Ceres, até porque o Barra da Tijuca de Adílson de Oliveira já tem vaga garantida no Triangular Final.

O acesso de times sem tradição compromete a qualidade do Campeonato Carioca. Seria um desastre para a Federação se o Ceres e o Barra da Tijuca aparecessem na 1ª Divisão ano que vem. Assim como também seria se Barra Mansa e Tigres conseguissem subir.

Nada contra nenhum deles, até porque o Barra Mansa já é um clube mais do que centenário (foi fundado em 1908) e o Ceres é de 1933, mas quem se animaria a assistir um confronto entre Botafogo x Ceres ou entre Fluminense x Barra Mansa?

Por mais que o Goytacaz não possua um elenco extremamente forte, o time possui o "rei do acesso" Manoel Neto no banco, está invicto há 9 partidas e sua diretoria ávida para se recuperar da falha grosseira que cometeu no Campeonato de 2013. Pra mim, são ingredientes suficientes para o Goytacaz vencer a Taça Corcovado e monopolizar o Triangular Final.

Hoje, o azul e branco de Campos e o Barra da Tijuca são os meus favoritos.


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02/05/2014 17h22

O artilheiro que não desafina
Carlos Molinari

Estava em São Paulo quando surgiu uma polêmica na imprensa esportiva de lá. O Palmeiras perdeu o atacante Allan Kardec (ex-Vasco) para o São Paulo. O motivo teria sido a recusa do presidente Paulo Nobre em pagar 20 mil reais a mais para o rapaz. Por isso, o pai do jogador articulou-se e negociou o "artilheiro dos gols de pênalti" com Carlos Miguel Aidar.

Foto: Divulgação

Para o palmeirense parecia ser o fim do mundo. Segundo a crônica esportiva, não há mais nenhum atacante que saiba fazer gols. Só o Allan Kardec ainda mantinha viva essa técnica de balançar as redes.

Talvez a imprensa paulista pense assim porque não conhece o grande artilheiro Cláudio Pagodinho, do Ceres. Na minha opinião, ele é, neste momento, o melhor jogador em atividade no Estado do Rio de Janeiro. Goleador, sabe o que fazer dentro da área e, neste Campeonato Carioca da 2ª Divisão, já anotou 14 gols - três a mais que o Ricardo, do Americano.

Cláudio Pagodinho, porém, é um patrimônio do Ceres. Entra temporada, sai temporada, ele está lá no clube do Coronel Jairo vestindo a camisa azul e branca e marcando gols em todos os jogos. Parece que, no clube da Rua da Chita, só ele faz gol.

O Ceres é, neste momento, o líder geral da Segundona do Rio com 27 pontos. Está à frente do São João da Barra (26), do Barra da Tijuca (25), do Sampaio Corrêa (24), do Barra Mansa, do Goytacaz e da Portuguesa (todos com 23). O time também é fortíssimo candidato para chegar nas semifinais do 2º Turno, embora duvide muito que vá conseguir uma vaga na 1ª Divisão. Acho que temos politicagem demais no futebol carioca e que isso irá impedir o acesso do Ceres.

Mas é este o time que tem o melhor jogador do futebol carioca atualmente. Um time com um estadinho modestíssimo na Rua da Chita, em Bangu. Cláudio Pagodinho é mais produtivo do que um Fred, que um Conca, que um Hernane, que um Wallison. Apesar do apelido esdrúxulo, herdado da infância, Cláudio Cardoso Barbosa é o homem-gol que qualquer time precisa.

Tudo bem que ele já tem 28 anos, teve uma carreira conturbada, começou tarde no futebol, parou um tempo para servir o exército, voltou e foi acolhido pelo Ceres. Concordo com os que dizem que Cláudio não atuou bem com nenhuma outra camisa. Já jogou pelo Icasa (CE), Calouros do Ar (CE), Caucaia (CE), Ipitanga (BA), Goiânia (GO), Mangaratibense e Madureira e ninguém se lembra dele por esses clubes.

Porém, já acho que passou da hora de alguém dar uma oportunidade justa para este rapaz. Se em 2014 ele voltar a ser o artilheiro da Segundona Carioca, gostaria de vê-lo atuando em algum clube da 1ª Divisão Estadual em 2015. Poderia até ser no Bangu, time vizinho, do mesmo bairro, que não encontrou um grande atacante desde a saída de Sérgio Júnior, ou nos abonados Boavista e Cabofriense.

O que não deveria ocorrer era o desperdício do talento deste rapaz por mais um ano. Afinal, trocadilhos à parte, é Cláudio Pagodinho quem dita o ritmo no time líder da Segundona carioca.

Sábado, a saga continua: o Ceres viaja até Saquarema para enfrentar o Sampaio Corrêa, em jogo que só a vitória interessa para os dois lados.


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27/03/2014 15h16

A Cabofriense foi longe demais
Carlos Molinari

Estava bem claro para todo mundo que a Cabofriense não conseguiria nada nas semifinais contra o Flamengo. Aliás, isso já vinha se desenhando durante todo o mês de março: a forte equipe montada com o dinheiro da prefeitura de Cabo Frio e de uma construtora que investe na cidade, decaiu muito. Não vence um único jogo desde que bateu o Vasco, em São Januário. E isso foi antes do Carnaval...

Foto: Fla Imagem

O time conseguiu a classificação em 4º lugar, mas não era nem a sombra da Cabofriense do início da competição. Perdera até para o rebaixado Audax por 2 a 0. No atual momento, era preferível que o Boavista conquistasse a vaga, pois poderia ser um rival mais complicado para o Flamengo, embora também não tivesse fôlego para ir à final.

No domingo, o Flamengo, em ritmo de treino, ganhou por 5 a 3. Poderia ter feito uma ampla goleada e eliminado a Cabofriense, mas, ao meu ver, relaxou. Os três gols do time de Cabo Frio (dois de Éberson e um de Fabrício Carvalho) foram suficientes para eliminar o Boavista.

Ao ver tanta facilidade, o Flamengo sabia que, em dois jogos, era impossível perder a vaga na final. Meros 5.000 espectadores foram ontem ao Maracanã, pagando ingressos de, no mínimo, 60 reais. Os 3 a 0 saíram barato. Fora o 1º tempo que ainda teve algum equilíbrio, a Cabofriense jogou fora qualquer sonho de ir adiante ao atuar apaticamente no 2º tempo. O rubro-negro também se desinteressou e achou que a vantagem construída já estava de bom tamanho.

Temo pelo público que comparecerá sábado ao Maracanã. Era um jogo que poderia ser transferido para Moça Bonita, diminuindo o prejuízo de abrir o "estádio do consórcio" para uma partida inútil. A semifinal já está esvaziada. Só quem nunca foi ao Maracanã e quiser conhecer o "ex-maior do mundo" irá ao estádio. Um bom programa para turistas, jogo de uma só torcida, mais policiais do que espectadores...

O sonho da Cabofriense acabou. O elenco continua sendo ótimo. Muitos ali podem ser mantidos para a disputa da Série-D e conquistar o acesso incontestavelmente. Manter o goleiro Cetin, os atacantes Éberson e Fabrício Carvalho, o meia Keninha e o volante Silvano seria a melhor coisa que Alair Corrêa faria pelo clube. O problema é que, muitas vezes, é preciso vender atletas para recuperar os gastos do Campeonato Carioca.

Em 2014, a Cabofriense volta para a casa com a 4ª colocação, mesma posição que conseguiu em 2006, quando tinha nomes como o volante Marcão e o zagueiro Cléberson.

Alair Corrêa, ao invés de lamentar a desclassificação, deveria comemorar. Se o prefeito de Cabo Frio voltar no tempo, lembrará que ano passado, seu time teve que suar a camisa para conseguir o título da 2ª Divisão, de forma até bastante suspeita naquele Triangular Final.

Já está bom demais!


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17/03/2014 18h12

Vai cair, vai cair, vai cair
Carlos Molinari

Duque de Caxias, Audax e Resende começam a semana pressionadíssimos. Domingo que vem saberemos os dois rebaixados do Campeonato Carioca. Há uma probabilidade remota de que apenas um caia imediatamente após a 15ª rodada e dois jogos-extra definam o outro degolado ou até mesmo que ocorra um triangular da morte.

Foto: Divulgação

Por enquanto, vamos analisar as possibilidades de cada um. O Duque de Caxias, com apenas 9 pontos, vive a situação mais periclitante. Primeiro, porque precisa derrotar o Vasco, dentro de São Januário. Mesmo assim, caso consiga a proeza, o Duque não está livre do rebaixamento. Precisaria torcer para derrotas de Audax para o Macaé e do Resende para o Madureira. Assim, forçaria dois jogos-extra contra o Resende. Eu acho muito improvável.

A situação do Resende, atualmente em 14º lugar, com 12 pontos, também não me parece cômoda. Uma vitória sobre o Madureira, em Conselheiro Galvão, seria suficiente. Porém, a equipe de Mauro, Marcel e Geovane Maranhão não se encontrou durante as 14 rodadas do Campeonato. O poderoso time alvinegro que ficou em 5º lugar nas duas últimas temporadas, apostou nos mesmos jogadores, mas perdeu. Ano passado, nas mãos do técnico Eduardo Allax, o Resende foi até às semifinais da Taça Rio. Agora, sem encontrar um esquema tático, demonstrando fragilidade tanto no ataque quanto na defesa, o time do Vale do Paraíba é um dos favoritos ao descenso. Creio que nem um empate diante do Madureira será suficiente para livrá-lo.

Isso porque considero a situação do Audax, em 15º lugar, com 11 pontos, mais propícia à fuga do rebaixamento do que a do Resende. O Audax cresceu de produção nessas últimas rodadas e atuará, em Moça Bonita, contra o Macaé. Apesar de depender de um fracasso do rival, o Audax tem tudo para vencer esta partida, assim como fez diante da Cabofriense.

Domingo, às 18 horas, deveríamos ver duas torcidas chorando. Porém, como é reduzidíssimo o número de pessoas que se importam com os três clubes, é provável que ninguém vá reparar ou lamentar a queda deles, a não ser a própria diretoria de cada um, que perderá a cota de TV para 2015.

Entre os leitores deste blog sei que a torcida é pela queda do Duque de Caxias e do Audax. O Duque, aliás, entra no rol de clube "non-grato" pelas sucessivas benesses que recebeu há alguns anos e que propiciaram uma ascensão meteórica, mesmo sem ter ganho competição alguma.

Em 2006, era um clube da 3ª Divisão que disputou um Torneio Seletivo, que garantiu nove vagas na Segundona Carioca. O Duque de Caxias, naquela ocasião, ficou em primeiro lugar em uma chave que tinha também o Miguel Couto, o Arraial do Cabo, o Rubro e o União de Marechal Hermes. Foi fácil demais.

Depois, em 2007, foi novamente beneficiado, quando a Federação decidiu promover cinco equipes de uma só vez à 1ª Divisão. Naquele ano, o Duque obteve a posição limítrofe: foi justamente o quinto colocado, ganhando um quadrangular que tinha também o Floresta de Cambuci, o Olaria e o Independente de Macaé.

Depois, na 1ª Divisão, o Duque de Caxias fez campanhas medíocres e suficientes apenas para se manter. Foi o 12º em 2008; o 13º em 2009, 2010 e 2013; 10º colocado em 2011 (sua melhor posição); e 11º em 2012. Ou seja, sempre lutou contra o rebaixamento.

Ano passado, em um jogo estranhíssimo, o Duque se livrou porque venceu o Boavista por 2 x 1, em uma partida em que o time de Bacaxá desperdiçou (talvez propositadamente) duas cobranças de pênalti.

Este ano, não haverá escapatória, apesar de o time ter bons jogadores, como o lateral-esquerdo Rodrigues Baiano e o meia Juninho. Eles foram os únicos que se livraram do fiasco geral do Duque.


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12/03/2014 13h23

Acabou o charme
Carlos Molinari

Os torcedores do Rio de Janeiro começaram a conhecer, neste Campeonato Carioca, quem é o presidente da Federação de Futebol do Rio.

A reeleição para mais um quadriênio foi simples. Rubens Lopes mandará na FFERJ até 2018, não teve concorrentes. Eurico Miranda garante todo apoio ao amigo de longa data. E mesmo sem os votos de Flamengo, Fluminense e Vasco - que juntos somariam apenas 18 pontos -, Rubinho garantiu a vitória, sem problemas.

Foto: Divulgação

Todos os outros clubes da 1ª Divisão mantiveram seu apoio ao presidente. Os 12 "pequenos" não são bobos. Qual deles irá se recusar a votar no dirigente para, depois, sofrer com arbitragens tendenciosas? Os "grandes" podem se rebelar. Não sofrerão o risco de um rebaixamento, não serão vítimas de uma retaliação.

No entanto, a Federação e o seu principal produto - que é o Campeonato Carioca - caminham em estradas opostas. Enquanto a saúde financeira da Federação é ótima, as rendas, público e interesse do Estadual declinou de vez. A Federação é mestra em cobrar taxas dos clubes. Cada jogador inscrito, o clube paga uma taxa. Cada jogo, a Federação recolhe sua pequena parte. Cada jogo dos times "grandes" em outros estados, a Federação leva 10 por cento da renda.

Quando o Flamengo, o Vasco e o Botafogo mandaram seus jogos em Brasília, em 2013, a Federação pegava 10% de uma renda que ultrapassava os 3 milhões de reais. Dinheiro fácil.

Os clubes "grandes" já entenderam como funciona a FFERJ. Em entrevista à uma rádio, Rubens disse que todo o processo eleitoral foi feito de acordo com os Estatutos da entidade, que todas as taxas são cobradas de acordo com os estatutos, que a divisão das cotas de TV e a negociação delas é uma questão dos clubes com a TV Globo e que até mesmo, a fórmula do Campeonato é decidida pelos clubes, e não pela Federação.

A frase é um misto de ironia e confissão de inutilidade: "Não foi a Federação que estabeleceu nada referente a esse Campeonato" - lavou as mãos Rubinho.

Os clubes "grandes" não pensam assim. Estão cansados de jogar para 300 pagantes, de enfrentar gramados esburacados, de assumirem prejuízos de mais de 50 mil reais por jogo. Os pequenos não têm outra solução. Aceitam jogar, embora já tenham percebido que nem mesmo no confronto contra os quatro grandes a divisão da renda seja proveitosa. Anos atrás, era ótimo jogar contra o Fla no Maracanã, contra o Vasco em São Januário. Hoje, são 15 partidas de prejuízo. Só o que salva é a cota da TV.

Rubens não é bobo. Assumiu mais um mandato e faz "ouvido de mercador" às críticas. Irá continuar por mais quatro anos. O cargo de presidente da FFERJ é algo quase que vitalício. Está bem alicerçado ali, na suntuosa sede reformada pela Martinelli Construtora - empresa que pertence a um dos vice-presidentes da entidade, José Luís Martinelli.

O futebol carioca vai continuar tendo o Campeonato MENOS charmoso do país. Os presidentes dos "pequenos" jamais reclamarão. Alguns por fidelidade, como é o caso de Elias Duba, do Madureira; outros, por gratidão, como é o caso de Jorge Varela, do Bangu, que foi colocado onde está justamente pelas mãos de Rubens Lopes.

Os "grandes" clubes e o torcedor carioca demoraram a descobrir, mas por onde o dirigente passa deixa um rastro de falência administrativa. Foi assim no Bangu Atlético Clube, está sendo assim na FFERJ...


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06/03/2014 08h49

Duque de Caxias rebaixado?
Carlos Molinari

O futebol continua sendo o esporte mais fascinante para os brasileiros porque nele o improvável pode ocorrer, porque o fator surpresa pode influir, porque o goleiro frangueiro pode acabar salvando seu time e o jogador que vai mal um dia, pode arrebentar no outro.

Foi assim na 12ª rodada do Campeonato Carioca. Para quem não viu - e apenas 367 pessoas largaram a apuração das Escolas de Samba na TV para prestigiar ao encontro entre Bangu x Duque de Caxias, em Moça Bonita -, eu vou explicar.

A partida era "chave" para os dois times, que lutavam contra o rebaixamento. O Bangu foi melhor, ganhou por 2 x 1, mas teve um herói inimaginável. O volante Juninho Acerola fez o segundo gol alvirrubro - seu primeiro gol com a camisa do clube - e saiu de campo aplaudidíssimo com toda justiça.

Uma semana antes, em Resende, o mesmo Juninho tinha sido um dos piores atletas em campo. Não conseguia acertar um passe de meio metro e pelos seus erros, o time do Sul Fluminense ligou vários contra-ataques.

Eis que, nesta quarta-feira, o jovem volante do Bangu surpreendeu, calou os críticos e foi responsável direto pela fuga do Bangu da 2ª Divisão. Mesmo com o gol, Juninho não foi o melhor em campo. O lateral-esquerdo Rodrigues, do Duque de Caxias, pode ter saído derrotado, mas bateu um bolão e chegou até mesmo a marcar um gol olímpico, estranhamente anulado pelo árbitro Rodrigo Carvalhaes de Miranda, quando o placar ainda estava em 0 a 0.

A equipe da Baixada vive sua pior crise desde que chegou à 1ª Divisão do Campeonato Carioca. Normalmente, o clube dá prioridade para o Brasileirão da Série-C, que disputa no segundo semestre, e investe pouco no Estadual. Porém, sempre fez o suficiente para se manter.

Para se ter uma ideia, em seis participações, o máximo que o Duque conseguiu foi um 10º lugar em 2011. Este ano, a equipe estacionou nos 8 pontos, e nas três rodadas que ainda lhe restam terá que enfrentar Vasco e Fluminense. Ficou muito complicado.

Para quem torce pela queda dos clubes bancados por prefeituras, este ano um deles deverá voltar à 2ª Divisão. Pode ser o Duque, pode ser o Resende...

A grande revelação do Campeonato

O Nova Iguaçu tinha que vencer o Madureira para continuar sonhando em chegar ao G-4. Graças ao talento de Erick Foca - ex-Flamengo e Boavista -, a "Laranja da Baixada" vencia o Madura por 2 a 1 e se aproximava do Vasco na tabela de classificação.

Nos acréscimos, aos 48 minutos do 2º tempo, um pênalti atrapalhou os planos de Édson Souza de uma vitória em casa. O Madureira colocou Carlinhos, seu melhor jogador, para cobrar. Era o empate: 2 x 2.

O gol de Carlinhos deixou o Nova Iguaçu a uma distância quilométrica do Vasco e deu ao lateral do Tricolor Suburbano a artilharia máxima do Campeonato, com 6 tentos, ao lado de Alecsandro e Edmílson.

Eu, por aqui, fico na torcida para que Carlinhos consiga se manter na artilharia e iguale o feito do Marcelo que, em 2007, foi artilheiro máximo do Estadual, desbancando muitos atacantes "milionários" naquele ano.

Não é à toa que o Fluminense já está de olho no jovem de 20 anos - a grande revelação deste Campeonato.


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27/02/2014 07h31

Muito calor e quatro gols em Resende
Carlos Molinari

Foi um resultado frustrante para a pequeníssima torcida do Resende que foi ao Estádio do Trabalhador na tarde desta quarta-feira. A equipe - ameaçada pelo rebaixamento - precisava vencer o Bangu de qualquer maneira e não conseguiu.

Foto: Reprodução

O Bangu, que também não vive em um mar de rosas, foi atrás de um empate. Em momento algum mostrou que queria ou poderia vencer e saiu contentíssimo com o 2 a 2.

No 1º tempo, o Resende esteve nitidamente superior e, antes mesmo que o Bangu ameaçasse a meta do goleiro Mauro, o time alvinegro fez um gol. Aos 25 minutos, em um chute cruzado de Marcel para dentro da pequena área, o zagueiro Dudu desviou para o gol de Rafael. Fácil, fácil.

Com a desvantagem, o Bangu se organizou e foi à frente, desafiando o calor e a defesa do Resende. Numa cobrança de escanteio, aos 33 minutos, o atacante Wilen tocou de cabeça, a bola bateu na trave e entrou: 1 x 1.

Nem deu tempo para os 14 torcedores banguenses que foram até Resende comemorar... Aos 37 minutos, novamente, a defesa alvirrubra bobeou. Clébson chutou rasteiro, o goleiro Rafael espalmou para o lado, justamente onde estava Geovane Maranhão. Livre, ele só tocou para as redes: 2 a 1 com inteira justiça.

No 2º tempo, quem diria, o Bangu resolveu jogar. Pressionou muito o goleiro Mauro, em chutes de Mateus (de dentro da área) e de Almir (de fora da área). Mas só chegou ao empate aos 30 minutos, quando Almir lançou o reserva Elias. Livre, ele tocou na saída de Mauro e correu para comemorar o gol. Curiosamente, ao invés de ir até a torcida alvirrubra, Elias foi na direção dos adeptos do Resende, onde foi bastante hostilizado...

Depois do empate o Bangu não teve nenhuma chance de virar o marcador. O Resende, por sua vez, abusou de perder gols. Inclusive em um lance de falta em dois toques dentro da área - fruto de um "pé alto" do jogador Felipe Foca. No desespero, com todo o time banguense na linha do gol, a bola acabou não entrando. Sorte do técnico Mário Marques que passou boa parte do 2º tempo discutindo com um torcedor...

Na minha opinião, o empate foi um mau negócio para os dois. O Bangu é o 11º colocado com 12 pontos. O Resende está em 14º lugar com 9 pontos. Uma campanha vexatória para um clube que foi o "melhor dos pequenos" nos dois últimos anos.

Avante Bonsuça!

Quando fiquei sabendo da inacreditável virada do Bonsucesso para cima do Audax, bateu um arrependimento profundo em não ter ido a Moça Bonita assistir a este jogo.

Foi o jogo que, praticamente, marcou o rebaixamento do Audax - agora sem o apoio polpudo do Grupo Pão de Açúcar - e que colocou o Bonsucesso, de Alfredo Sampaio, em uma situação um pouco mais confortável na tabela.

A virada era totalmente improvável. O Bonsucesso perdia por 3 x 0 até a parada técnica do 2º tempo. Virou para 4 a 3 já nos acréscimos e ainda teve tempo de chegar ao quinto gol. Somália - que se autointitulou o artilheiro do Campeonato Carioca - marcou duas vezes.

Esta partida me lembrou muito um Olaria x Itaperuna, que ocorreu em 1996. O Itaperuna vencia por 4 x 0 e tomou a virada para 5 x 4, na Rua Bariri.

Depois de uma derrota como esta, o moral dos jogadores do Audax deve ter caído muito. Mesmo que a próxima rodada seja só depois do Carnaval, um novo revés para o Botafogo, pra mim, já é certo.


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20/02/2014 09h51

Quem cansa perde
Carlos Molinari

Há quem tenha gostado da atuação do Bangu na tarde desta quarta-feira diante do Vasco da Gama. Eu fui ao jogo e achei que, no 1º tempo, o alvirrubro (que agora só joga de branco, como se fosse o São Cristóvão) foi bem melhor e criou as chances mais significativas com o atacante Rodrigo Pinho. 

O Bangu teve azar em não abrir a contagem. Primeiro porque Rodrigo Pinho perdeu um gol logo aos 5 minutos, chutando em cima do goleiro Martin Silva e depois, já no final dos 45 minutos, o jovem atacante arriscou de fora da área. Por poucos centímetros a bola não entrou.

Bangu x Vasco. Foto: Vitor Moniz

No 2º tempo, porém, tudo mudou. O Vasco, que, até então, jogava somente nos erros de saída de bola do Bangu, foi mais ousado e mostrou a diferença entre um time mediano e um time pequeno. Depois da parada técnica é que o gol saiu. Um cruzamento na área encontrou Talis livre para raspar de cabeça e deslocar o goleiro Rafael. Um gol que poderia ser evitado se a zaga do Bangu soubesse se posicionar corretamente. 

O gol foi um duro golpe na empolgação do Bangu. Depois dele, o time de Moça Bonita não conseguiu tramar uma única boa jogada de ataque, não incomodou o goleiro vascaíno e, claro, sucumbiu novamente.

Em uma grande jogada de Montoya que foi driblando, ganhando aos trancos dentro da área, até chutar cara a cara com o goleiro Rafael, que ainda tocou na bola. Era o 2 x 0. Resultado exagerado pelo pouco que o Vasco tinha produzido, mas que consolidava uma vitória justa, afinal durante os 45 minutos finais, quem mandou em campo foi o time de Adílson Batista.

A impressão que fica para quem assistiu ao jogo é de que o Bangu cansou durante o 2º tempo. Por mais paradoxal que seja, um elenco que representa o bairro mais quente do Rio possui um preparo físico insuficiente para manter o ritmo durante os 90 minutos. Seus jogadores já não corriam mais e optaram pelo esquema "Fut-trote" dos 20 minutos do 2º tempo em diante. 

É claro que o elenco armado este ano é um dos mais frágeis dos últimos tempos, que a diferença de qualidade técnica levaria o Vasco à vitória naturalmente, mas duas coisas me surpreenderam: o fato de o Bangu equilibrar a partida por um bom tempo, conseguindo ser superior em vários momentos e a inadmissível falta de preparo físico e o cansaço apresentado por diversos atletas no 2º tempo. Após a parada técnica, ninguém conseguia mais correr.  

Outros resultados da rodada

O Duque de Caxias finalmente venceu uma! Fora de casa, ganhou do Resende por 3 x 1. Incrível como o Resende - 5º colocado nos dois últimos anos - decaiu em 2014. Apesar de o elenco ter nomes como Marcel, a equipe não se encontrou. Fez apenas aquela grande goleada sobre o Volta Redonda e agora declinou totalmente. O Duque saiu da zona de rebaixamento e jogou o Bonsucesso para lá.

Para os amantes dos "pequenos", o negócio é torcer para que a Cabofriense, inflada pelo dinheiro investido pelo vice-presidente da FFERJ, José Luiz Martinelli, consiga a vaga nas semifinais. O Nova Iguaçu que vinha tão bem, perdeu no último minuto para o Friburguense - gol do eterno Ziquinha - e se distanciou do sonho de ficar entre os quatro melhores. 


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