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Carlos Molinari

Carlos Molinari

Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



11/09/2014 17h11

Futebol é jogo pra homem! Meninos fiquem do lado de fora!
Carlos Molinari

Semana passada tive a oportunidade de conversar longamente com o ex-zagueiro Carlos Renan, que hoje faz parte da Comissão Técnica do Bangu. A identificação da torcida banguense com ele é imensa. No entanto, Carlos Renan está com uma "batata quente" nas mãos. Tem a missão de explicar porque o time de 2014 é tão fraco.

Bangu. Foto: Divulgação

Uma olhada rápida no elenco e é fácil compreender isso. Entre os titulares, o volante Tiago Conceição, é o mais veterano. Tem 29 anos e quase nenhuma experiência no futebol. Antes do Bangu, jogava no Mesquita. Os demais sequer têm barba. Uma garotada que busca um lugar ao sol. Muitos ali sonham com o eldorado. Eu mesmo já recebi e-mail de familiares do meia Daniel Rozen. Os familiares o apontam como um jogador de futuro.

O zagueiro Rafael Sales, na minha opinião, ainda muito ingênuo para a posição, já tem contrato assinado com o empresário Anselmo Paiva, que sonha em negociá-lo. Todos vivem de sonhos. Em campo, quando se juntam, é uma negação. Qualquer escanteio para a área significa, obrigatoriamente, gol do adversário. O goleiro Fernando Cunha, tão jovem quanto os demais, para seu próprio azar, não cresceu o quanto deveria. É baixo demais para a posição.

Carlos Renan, sob o sol de Bangu, tenta orientar a defesa, passar a raça que tinha aos meninotes de hoje. Inútil. A marcação é totalmente falha. Sua obrigação é dar apoio, fazer com que eles acreditem que têm potencial:

"Os meninos estão tendo a oportunidade que sempre quiseram e nunca houve. O Mário [treinador] já frisou que agora só depende deles. Eles precisam mostrar que o Bangu não precisa trazer vinte jogadores para o Carioca. Não podem ficar como eternas esperanças. Mas lógico que com isso vem a inexperiência, às vezes falta aquela malandragem, mas estamos conversando para ajustar isso. A chance que o Mário está dando não é qualquer um que faria. Eles têm que agarrar com unhas e dentes".

O ex-zagueiro olha desolado. Nesta quinta, o time de meninos perdeu para o Queimados por 1 a 0. É bom explicar que o Queimados é uma equipe amadora, não recebe salários há meses, um empresário deu o "cano" na rapaziada após o Campeonato Carioca da 2ª Divisão. Jogam porque também acreditam que um dia irão aparecer para a vitrine do futebol. Uma equipe que vive como pode. E o Bangu, que acredita possuir uma estrutura um pouco melhor, foi até Nova Iguaçu e perdeu. Os meninos não agarraram nada com unhas e dentes.

Mário Marques, o técnico, não é um "São Francisco de Assis", não deu uma oportunidade a esses garotos de atuarem num campeonato de profissionais por pura bondade. Perguntou à diretoria do Bangu por reforços, jogadores mais experientes. O presidente disse não ter dinheiro. O discurso é o mesmo todo ano.

O Bangu é um clube que não demonstra claramente o que faz com o dinheiro. Foge da responsabilidade de publicar os balanços anuais em um jornal de grande circulação durante o mês de abril, que é uma exigência da Lei Pelé. Daí, alega sempre o caixa vazio, que a cota de 1 milhão de reais (ganha para participar do Campeonato Carioca) já acabou. E coloca em campo uns meninos que são, ainda, garototes. Muitos ali ainda nem possuem massa muscular. Mário Marques os coloca em campo. Não tem outros.

O Bangu perdeu do Queimados, assim como poderá perder para o Ceres e fatalmente perderá para o Boavista. Os meninos são fracos. Não conseguiram sequer se sobressair na Copa Rio. As categorias de base do Bangu já não revelam ninguém. O investimento é inexistente. Carlos Renan vai ter que achar 20 nomes novos para o Campeonato Carioca, jogadores de empresários, ex-atletas em atividade, chamar o Almir de volta, acreditar no Alecsandro, contratar um grande goleiro, porque sabe que irá precisar de suas defesas.

O time apesar de ser fraquíssimo não é a prioridade em Moça Bonita. O presidente do Bangu passou a semana preocupado em saber se um shopping da região iria utilizar o hino do clube em uma festividade sem pagar direitos autorais ao clube. Parecia um fiscal do ECAD.



10/09/2014 15h27

A bola vai rolar no tapete verde
Carlos Molinari

Hoje tem mais uma rodada da Copa Rio. Para quem acha que a competição da FFERJ é uma verdadeira pelada, nada pode ser pior do que ver a Seleção Brasileira, no dia anterior, jogando num gramado bem pior do que o estadinho do Ceres, na Rua da Chita.

Foto: Vitor Moniz

Lá em Nova Jersey, o gramado artificial do futebol americano foi coberto com placas de grama natural na véspera, as placas não se fixaram bem e o piso ficou fofo. A bola não ganhava velocidade, nem quicava. Qualquer chute ou carrinho tirava pedaços do gramado. Pelo menos, na Rua da Chita não é assim.

Não haverá público pagante no estadinho do Ceres, porque o campo não apresenta laudos técnicos. Porém, quem já viu um jogo por lá sabe que nada disso impede a presença de muita gente em volta do campo, assistindo o jogo tranquilamente. A FFERJ não esboça qualquer punição. Hoje, o Boavista, de Márcio Bittencourt vai até lá. O treinador anuncia que vai de time misto e escancara uma realidade: está desprezando o Ceres.

Contra o Bangu, na semana anterior, fez questão de dizer que colocaria em campo o time principal, sem poupar um único titular. E foi para Moça Bonita com sua força máxima. Estava ganhando por 3 a 1, com um jogador a mais. Poderia golear o inexperiente time banguense. Mas conseguiu sofrer dois gols e retornou à Bacaxá com um improvável empate.

Não há lógica em poupar titulares nesta quarta-feira. O Boavista já está mais do que eliminado da Série-D do Campeonato Brasileiro. É o último colocado do seu grupo e após seis rodadas, não conseguiu vencer ninguém. Tem mais é que pensar na Copa Rio, em que o baixo nível técnico está mais compatível com o futebol apresentado até agora.

Na minha opinião, Ceres e Boavista ficam no empate hoje na Rua da Chita e Márcio Bittencourt dificilmente fica no cargo até o Estadual.

No Grupo C, Madureira e Macaé também devem ir de times mistos no confronto da rua Conselheiro Galvão. Os dois clubes devem conquistar a vaga na próxima fase - até porque os rivais desta chave (Barra da Tijuca e Campo Grande) não assustam. E como os dois têm compromissos já no sábado pelo Campeonato Brasileiro da 3ª Divisão, ninguém vai arriscar perder seus melhores valores em uma partida que não vale quase nada.

Outro jogo interessante, pela expectativa de uma goleada, é o confronto entre Nova Iguaçu e Duquecaxiense, no Laranjão. O Duquecaxiense não conseguiu ir bem sequer no Carioca da Série-C e deu um passo maior que as pernas ao aceitar participar da Copa Rio. Está pagando o preço. Em três jogos neste Grupo A, perdeu os três: fez um gol, levou nove. Não há outro palpite para este jogo: goleada do Nova Iguaçu.

Por fim, pelo Grupo D, Resende e Bonsucesso jogam no estadinho do SESI que, com certeza, possui um gramado muito melhor do que o de Nova Jersey. Lá, onde a arquibancada é só de um lado, o empate é o mais provável. O Resende, do técnico Édson Souza, se já não foi bem no Estadual, enfraqueceu ainda mais para a Copa Rio. De destaque, cito apenas o Geovane Maranhão. Por isso, creio que o Bonsucesso volta de lá com um empate.

Além desses jogos citados, o América enfrenta o Audax, em Édson Passos e tem totais possibilidades de vencer, até porque acreditou mais na competição do que o rival. E o Friburguense joga à noite (é o único clube que acende os refletores para a Copa Rio) contra o Duque de Caxias. No Eduardo Guinle também deve vencer, até porque 2014 não é o ano do Duque, em qualquer competição.

Depois do "peladão" que a televisão transmitiu ontem à noite, qualquer jogo da Copa Rio parece ser muito mais interessante.


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20/08/2014 14h29

Um ranking para a Copa Rio
Carlos Molinari

Começa nesta quarta-feira, 20 de agosto, a 17ª edição da Copa Rio. Este ano 17 times irão disputar a competição, sendo o Queimados o único estreante.

Como fizemos com o Campeonato Carioca, elaboramos um ranking histórico de participações na Copa Rio, dando 10 pontos ao campeão, 9 ao vice, 8 ao terceiro colocado... até 1 ponto ao décimo colocado, abaixo disso não atribuímos pontos. Chegamos a uma conclusão bastante óbvia, o Volta Redonda - tetracampeão da competição - é a equipe com melhor retrospecto desde a primeira edição, em 1991.

E é o Voltaço que inicia a Copa Rio de 2014, enfrentando o Audax, em São João de Meriti, às 15 horas, num duelo de campeões. No mesmo horário, na Ilha do Governador, o Duquecaxiense - que retorna à disputa após 14 anos - recebe o América.Foto: Reprodução



18/08/2014 13h48

'Acabaram com a minha carreira!'
Carlos Molinari

Conversei esses dias com um jogador de futebol que defendeu um dos times medianos do Rio no Campeonato Carioca de 2013 e que, desde então, está sem jogar. Por medo, ele me pediu para ocultar seu nome. Falar apenas a sua história. Contar o que o clube fez com ele.

No ano passado, o time da 1ª Divisão do Campeonato Carioca resolveu dar o famoso "calote" em alguns atletas do elenco. Não fez isso com todos. Escolheu a dedo quem pagaria, quem deixaria de pagar. Quem não interessasse mais, que seria dispensado ao final da competição, iria embora sem os salários de março e abril. Simples assim. É praxe fazer isso no futebol carioca. Há respaldo até da Federação.

Foto: Divulgação

Muitos jogadores aceitam essa situação. Vão embora, buscam outro clube e esquecem a dívida. Outros não. Outros entram com uma ação na justiça trabalhista, ficam aguardando uma audiência. E encontram outro sério problema. O clube acionado entra em contato com os outros, utiliza-se a influência que tem dentro da Federação do Rio e avisam: "Nada de dar uma chance ao jogador Fulano de tal".

Mas o rapaz era um bom jogador, tem credenciais, tem um vídeo de uma partida excelente que fez contra o Flamengo, é um nome confiável. Esqueça. Todos os outros clubes medianos do Rio estão proibidos de contratá-lo. O atleta em questão tem o passe livre. Pode alugá-lo a qualquer time. Menos no futebol do Rio. Todas as portas se fecharam a ele por causa da ação judicial.

Imagine a situação. É como se você saísse de uma empresa com os salários atrasados, acionasse a justiça do trabalho e todas as demais firmas do estado do Rio não contratassem mais você. Pior. Estariam avisadas de que você não era bem-vindo.

O que aconteceu com esse atleta é desumano. Um dirigente avisa para o outro: "É encrenqueiro. Se você atrasar o pagamento, ele bota o clube no pau" - como se diz por aí. É praxe no futebol do Rio. E em São Paulo, fatalmente, irá ocorrer com os jogadores que defendem o Grêmio Barueri na Série-D.

Desde que todo o time se recusou a entrar em campo contra o Operário, perdendo por W.O., justamente pela falta de pagamento de salários a dois meses, os jogadores já esperam retaliações. Quem irá contratar um jogador que participou de uma "rebelião"?

O que os dirigentes acreditam é que ninguém pode desafiá-los. Esses jogadores devem oferecer sua força de trabalho e não precisam receber. E se correrem atrás dos seus direitos, como um trabalhador comum, irão perder todo o mercado que tinham. É provável que, na justiça, o atleta vença, ganhe os salários atrasados e uma indenização. Mas, além de demorado, o processo judicial significa também o fim de sua carreira no Rio de Janeiro.

O governo federal não se importa com isso. O Ministério Público também não. Os clubes fazem lobby para ter suas dívidas anistiadas. É bem provável que irão conseguir a aprovação da lei no Congresso. Beneficiar os clubes a qualquer custo, sem saber a falta de caráter que existe em cada dirigente.

"Depois que saí de lá estou sem clube até hoje! Mais de um ano parado! Aqueles caras acabaram com a minha carreira, pois eu me desanimei totalmente!" - foi a mensagem que recebi, sob o pedido de sigilo de identidade. É mais um jogador amedrontado pelo clube e pela Federação do Rio. Um jogador que, pelo menos, teve a coragem de denunciar algo que é bastante corriqueiro.



12/08/2014 14h37

Estádios interditados (mais uma vez)
Carlos Molinari

O que você vai fazer na próxima quarta-feira, dia 20 de agosto? Provavelmente, qualquer coisa mais interessante do que se interessar pelo início da Copa Rio, competição imposta pela Federação aos clubes médios e pequenos do estado.

Mesmo que alguém quisesse ir ao primeiro jogo, entre Audax e Volta Redonda, não poderia. O estádio Arthur Sendas está sem laudos, não irá receber público. A Federação acha normal realizar partidas sem público. O Audax acha bom não ter que confeccionar ingressos, pagar despesas de quadro móvel, segurança, para uma partida que dará prejuízo. E não há uma intervenção, não aparece uma ação do Ministério Público exigindo que os jogos tenham público, que sejam disputados em estádios com condições de receber os torcedores. Até porque, ao que parece, os times da Copa Rio não têm mais torcedores.

Estádio do Ceres. Foto: Divulgação

No dia seguinte, 21 de agosto, é hora do Duquecaxiense receber o América no estádio Telê Santana. A numerosa torcida americana não poderá ir. Mais um confronto de portões fechados. Mais um estádio sem os laudos técnicos exigidos. É claro que é ridículo.

Talvez a culpa não seja só dos clubes. Os clubes acham bom não terem que se preocupar em abrir os seus portões. Preferem não cumprir as exigências dos bombeiros, da defesa civil, da vigilância sanitária. O Bangu, por exemplo, acha ótimo. Sua torcida é a mais "chata" do Rio. Protesta os 90 minutos contra a diretoria, xinga o presidente, reclama do caos que é a administração atual do clube. Daí, é até melhor que ninguém entre. Fiquem do lado de fora.

Ano passado, pela Copa Rio, fui a um jogo assim. Sem torcida, sem ninguém. A credencial de jornalista é muito útil nessas horas. E é desolador ver as arquibancadas no cimento, desertas, os jogadores lá dentro do campo falando e você compreendendo tudo. Todas as frases, todos os xingamentos, você consegue ouvir. O resultado é um só: uma partida desanimada.

Eu, pelo menos, penso assim. A Federação deve achar bom. Além do "Arthur Sendas", do "Telê Santana", outros estádios estão sem laudos: o "Laranjão", do Nova Iguaçu; o "João Francisco", do Ceres; "Moça Bonita", do Bangu; "Ítalo Del Cima", do Campo Grande; "Leônidas da Silva", do Bonsucesso. Ou seja, sete estádios!

Depois, a grande imprensa não consegue entender, não consegue explicar aos seus leitores o fracasso dos times do Rio de Janeiro em qualquer competição. O futebol carioca está dilapidado. A Federação continua próspera, rica. Mas os clubes estão à deriva.

A Copa Rio está aí para isso. Para provar mais uma vez que o futebol do Rio continua no fundo do poço. Mas cá entre nós, quem em sã consciência, depois da Copa do Mundo, vai querer entrar nesses estadinhos dos times cariocas?


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24/07/2014 11h15

Da Copa do Mundo para a Copa Rio; sem escalas
Carlos Molinari

A Federação pretende iniciar a sua falida Copa Rio no dia 20 de agosto. Queria contar com 20 clubes, porém, até agora só conseguiu 14 inscrições. Isso tudo porque 10 equipes são obrigadas a disputá-la (as que ficaram entre a 5ª e a 14ª colocação no Campeonato Carioca de 2013).

Não fosse isso, o Audax teria pulado fora, como chegou a ameaçar. No entanto, a multa imposta pela Federação, de R$ 50 mil, e a suspensão por dois anos da dita competição, fez com que o clube - em evidente declínio no futebol carioca - voltasse atrás e aceitasse jogar a Copa Rio.

O Resende, por sua vez, anunciou que irá a campo com um time de juniores, comandado pelo rodado Édson Souza.

O Bonsucesso trouxe um técnico do interior de Pernambuco, Caio Couto, e aposta que o time que terminou o Campeonato Carioca em 13º lugar será suficiente para ir bem nesta competição.

Os times da Série-C, Madureira, Macaé e Duque de Caxias, estarão até o dia 4 de outubro envolvidos com as partidas do Campeonato Nacional e irão colocar reservas e juniores na primeira fase.

Assim também é o planejamento no Boavista e na Cabofriense - equipes da Série-D - que, até o dia 21 de setembro - possuem compromissos mais importantes do que a Copa Rio. Os dois clubes estão na mesma chave B, que conta também com o Bangu, do técnico Mário Marques.

O Goytacaz fez questão de desistir mesmo após a tabela ter sido confeccionada. A multa da Federação de R$ 50 mil não assusta os dirigentes do clube que creem que ela sai mais em conta do que pagar salários, alimentação, transporte e hospedagem para o time disputar os jogos da Copa Rio. Com isso, o Grupo C terá apenas 3 equipes: Macaé, Madureira e Barra da Tijuca.

A desistência dos clubes, os pobres espetáculos em campo, estádios sem laudos, tudo isso escancara a falta de consideração que a própria Federação tem com seus filiados. Em vez de fortalecê-los, o que faz é multá-los sistematicamente, obrigá-los a disputar torneios deficitários e, com isso, amargar prejuízos ainda maiores. Não creio que jogo algum dessa Copa Rio ultrapasse os 400 pagantes.

Deslumbrados com as cortesias que ganharam para ver os jogos da Copa do Mundo da tribuna de honra, os dirigentes da Federação de Futebol do Rio de Janeiro assistiram a partidas da melhor qualidade, repletas de craques, com toda mordomia, em estádios novíssimos, tal como "reis do camarote" e esqueciam-se completamente da dura realidade que lhes espera a partir de agosto. Será que os "poderes constituídos" da FFERJ também vão prestigiar algum jogo da Copa Rio?

Presidente da FFERJ na tribuna no jogo Brasil x Chile. Foto: Reprodução/Facebook



09/07/2014 21h50

Uma goleada de 7 x 1...
Carlos Molinari

Perder nunca é bom. De goleada é pior ainda. E quando isso acontece contra o seu maior rival, a sensação é das piores. Não falaremos aqui da derrota da Seleção Nacional, porque em qualquer blog, qualquer site, é possível encontrar uma série de motivos para a vitória alemã e para o fracasso brasileiro.

Porém, como o blog é visitado em sua maioria por torcedores banguenses e americanos, resolvi contar sobre um jogo em que o placar também envergonhou um time e enalteceu as qualidades do outro.

Foto: Reprodução

No Campeonato Carioca de 1942, mais uma vez, os dois clubes vinham mal na tabela. O América era apenas o 7º colocado, com 12 pontos em 17 partidas, enquanto o Bangu, pior ainda, estava em 9º, com 8 pontos conquistados em 17 rodadas. Na época, apenas dez times disputavam a competição, que tinha Botafogo, Fluminense e Flamengo como os postulantes ao título.

Pela 18ª rodada (no total, seriam 27), o América recebeu o Bangu no antigo estádio da Rua Campos Sales numa noite de sábado. Era favorito, não só pela melhor campanha, mas pelo fato de atuar em casa, embora a torcida não comparecesse em grande número. O Bangu, do técnico Antônio Manfrenatte, apenas fazia figuração naquele Campeonato.

Numa época em que o esquema tático era o 2-3-5, as defesas ficam bem mais expostas do que hoje. Por isso, não foi difícil para o América conseguir entrar na área dos banguenses.

Aos 3 minutos, Nelsinho recebeu cruzamento na área e marcou logo o primeiro gol dos rubros. O Bangu resistiu ao baque inicial e só foi sofrer outro gol aos 25 minutos. Segundo os jornais, Esquerdinha estava em "off-side" quando concluiu para o gol o centro de Carola. Os suburbanos reclamaram, mas o juiz Fioravanti D´Angelo não deu ouvidos: 2 a 0.

Hoje, uma sequência de gols é chamada de "apagão". Na época, era falha mesmo. Assim, o América fez 3 a 0 aos 37 minutos, por intermédio de Carola.

A goleada continuou aos 42 minutos, quando Esquerdinha - segundo a imprensa, novamente em impedimento -, consegue encobrir o goleiro Atlante, do que se aproveita o atacante César para concluir para o gol vazio: 4 x 0.

Era uma outra época. Não eram permitidas substituições e o Bangu voltou do intervalo com os mesmos 11 jogadores, totalmente derrotados. Aos 20 minutos, porém, nunca cobrança de falta rasteira, Baleiro consegue o gol de honra dos "Mulatinhos Rosados", como eram chamados naqueles tempos. "Ponto esse que foi mais o fruto de um cochilo do guardião dos rubros, que mesmo a perícia do artilheiro. É verdade que o tiro foi rasteiro, mas em compensação, pela distância de que foi desferido e pela sua pouca violência, podia ter sido interceptado" - contou o Diário da Noite.

O gol não mudou a ordem do jogo. O América continuou melhor e até acordou após o tento. Aos 25, Esquerdinha ampliou para 5 a 1. Aos 35, o grande atacante dos rubros nos anos 40, fez 6 a 1. O Bangu estava acabado. No último minuto, a bola bate no braço do zagueiro Enéas dentro da área. O árbitro não titubeou: pênalti! Esquerdinha cobrou e decretou o fim do massacre: América 7 a 1.

O jogo, claro, não tinha a importância de uma semifinal de Copa do Mundo, mas a goleada - a maior do América sobre o Bangu em Campeonatos Cariocas - ficou registrada, entrou para a história, para algum dia alguém vir desenterrá-la...

Sábado, 8 de agosto de 1942
AMÉRICA 7 x 1 BANGU
Competição: Campeonato Carioca
Local: Campos Sales (RJ)
Juiz: Fioravanti D´Angelo
América: Mozart, Osny e Grita; Oscar, Jofre e Jaime; Nelsinho, Carola, César, Maneco e Esquerdinha.
Bangu: Atlante, Enéas e Mineiro; Nadinho, Rodrigo e Antônio; Moacir Bueno, Baleiro, Anito, Madureira e Joaquim.
Gols: No 1º tempo, Nelsinho (3), Esquerdinha (25), Carola (37) e César (42). No 2º tempo: Baleiro (20), Esquerdinha (25), Esquerdinha (35) e Esquerdinha (pên.) (45).



01/07/2014 18h43

O recomeço ou o fim do América
Carlos Molinari

Fiquei bastante surpreso com a decisão do presidente americano, Léo Almada, de fechar a sede social do América, no história número 118 da rua Campos Sales.

A nota explicativa é direta: a sede social vem gerando prejuízos ao próprio clube. O afastamento deliberado de muitos sócios, descontentes com o loteamento de várias salas da pomposa sede, a crise financeira que o clube atravessa há muitos anos, a situação calamitosa da conservação física do patrimônio do América. Tudo isso somado, fez com que o Conselho Deliberativo tomasse tal atitude.

Sede do America. Foto: Divulgação

Em 20 de junho, o clube já tinha tomado a medida de interditar a sede por falta de laudo do Corpo de Bombeiros. No entanto, alguns sócios mais radicais, dizem que o laudo dos bombeiros foi manipulado a favor da própria diretoria americana que estaria ávida por negociar a área, valorizadíssima, por sinal.

Desde que o América começou a jogar ali, pelos lados da rua Campos Sales, por volta de 1912, a área pertence ao clube rubro. No entanto, a situação da sede social do clube não é muito diferente das de outros tradicionais do Rio de Janeiro. O Campo Grande passa pelo mesmo problema. Suas dependências, em Ítalo Del Cima, são as mais deterioradas possíveis. O Bangu também alugou várias salas de sua sede social para diversos comerciantes e a cada ano que passa, o prédio de 1907 se despedaça ainda mais. Talvez, só o Madureira ainda mantenha sua sede social - contígua ao estádio de Conselheiro Galvão - em condições de impressionar o sócio e o visitante.

O caos financeiro nos clubes tradicionais do Rio é real. Se a diretoria americana chegou à conclusão que o histórico prédio da rua Campos Sales deve ser fechado, é porque não vê outra viabilidade econômica para a área. A solução pode ser a mesma que fizeram alguns clubes sociais da cidade de Santos, como o Clube XV.

Com um terreno valorizadíssimo na orla de Santos, o Clube XV, fundado em 1869, vendeu sua sede para uma construtora. No local, foi erguido o Hotel Mercure, sendo que à antiga agremiação foi destinada dois andares para continuar com suas atividades. Em um andar, o clube está lá, com suas mesas de bilhar, sua parte administrativa, sua vida corrente. No outro, há um salão de festas que a diretoria aluga e se mantém vivo.

Por isso, o fechamento da história sede social de Campos Sales pode significar o recomeço para o América, desde que se saiba aproveitar as ofertas que logo aparecerão (se é que já não apareceram) à diretoria rubra. Caso contrário, é mais um capítulo rumo ao desaparecimento...


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20/06/2014 19h14

Até onde vai essa Colômbia?
Carlos Molinari

Exatos 55.497 ingressos foram vendidos para os colombianos para esta Copa. No entanto, a conta não parece fechar. No Mineirão, diante da Grécia, as arquibancadas estavam tomadas pelos nossos vizinhos do norte. Agora, em Brasília, havia uma multidão de gente falando espanhol e vestindo a camisa amarela e azul.

Foto: Reprodução

Pelos números oficiais, 68.748 pessoas foram ao jogo no Mané Garrincha. Com certeza, mais da metade representava a Colômbia. Ou seja, é possível que muitos brasileiros tenham revendido seus ingressos para a fanática torcida que chegou em peso ao país.

São animados, barulhentos e entoam o tempo inteiro um "Olê, Olê, Olê, Olá, que mi Colombia vá a ganar". Eles não têm outra música. Assim como nós não temos outra além do "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". Só que desta vez, em Brasília, não havia tantos brasileiros assim para puxar o coro. Simplesmente, ninguém cantou isso. Ao contrário, o hino colombiano foi bradado a plenos pulmões.

Foto: Reprodução

O time da Colômbia, que derrotou a Costa do Marfim por 2 a 1, não é uma super seleção. Tem falhas. Durante o 1º tempo pouco atacou. Guardou forças para incendiar o estádio na segunda etapa. Aos 19 minutos, em escanteio para a área, o atacante Rodríguez cabeceou para as redes.

Depois, numa boa roubada de bola, ficou fácil para Quintero ampliar para 2 a 0. A Costa do Marfim diminuiu com Gervinho, aos 27 minutos, em um chute que o ótimo goleiro Ospina quase defendeu.

O resto do tempo foi de ataques dos africanos e a velha cera dos sul-americanos. Por fim, a malandragem do zagueiro Yepes - que fingiu ter se contundido algumas vezes - superou a vontade dos companheiros de Drogba.

Ganhou a maioria. Os colombianos, agora, estão aqui pelos bares de Brasília fazendo festa, comemorando a classificação para as Oitavas-de-Final. E muitos deles já possuem ônibus fretados para continuar a caminhada, agora em Cuiabá, diante do Japão.

Neste feriado, até eu virei colombiano!


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16/06/2014 13h32

O maior espetáculo da Terra
Carlos Molinari

Diferentemente da Copa das Confederações, em que 97% dos ingressos foram adquiridos por brasileiros e o clima no país era de revolta e insatisfação, a Copa do Mundo - por ser um torneio maior, extramamente midiático e que prende a atenção de todos - está tendo uma outra imagem.

A convivência entre brasileiros e estrangeiros é a marca registrada das cidades-sedes. Isso porque, em cada partida, temos 60% de ingressos vendidos para nacionais e 40% para outros povos.

Foto: Reprodução

Foi o que se viu em Brasília, neste domingo, quando Equador e Suíça se enfrentaram no remodelado Mané Garrincha. O estádio mais caro da Copa - 1 bilhão e 600 milhões de reais foram investidos nele - recebeu 68 mil pessoas, a maioria brasileiros e depois, um sem número de equatorianos, que apareceram em ônibus de turismo.

Uma pena que, ao redor do estádio, o governo do Distrito Federal tenha feito pouco pelos torcedores e turistas. Para chegar até o Mané Garrincha era preciso se sujar pelo saibro de Brasília. Embora, tenha sido alardeado que a administração tenha gasto mais 300 milhões de reais em obras de calçamento, jardinagem e paisagismo ao redor da nova arena... É difícil acreditar...

Nas arquibancadas, rapidamente lotadas, os equatorianos gritavam o seu conhecido "Sí se puede", uma espécie de "Yes we can" da campanha de Barrack Obama, como se eles pudessem sim vencer a Suíça. E não era impossível.

A Suíça não tem time para ser cabeça-de-chave de uma Copa. Só o estranho ranking da Fifa e o fato de ser o país de Joseph Blatter deram essa condição aos suíços. O time é bem fraquinho e levou um gol do Equador, de Enner Valencia, de cabeça, logo no 1º tempo.

Na etapa final, os suíços empataram aos 2 minutos, também com um gol de cabeça, de Mehmedi, que nem precisou sair muito do chão para escorar um escanteio.

Os dois times erraram muitos passes e demonstraram ter uma grande dificuldade em acertar os cruzamentos. O empate estava de bom tamanho. No entanto, aos 48 minutos do 2º tempo, em um rápído contra-ataque, Seferovic apareceu na pequena área para marcar o gol da vitória da Suíça, calando os milhares de equatorianos em Brasília.

Não foi um resultado justo. Neste Grupo E da Copa, a França leva imensa vantagem e certamente ficará em primeiro lugar. A vitória dos suíços os credenciam a ficar com a segunda vaga. Equador e Honduras caminham para a desclassificação.

No fim, as duas torcidas saíram irmanadas, com muitos brasileiros entre eles aproveitando para tirar fotos com os "gringos".

A Copa do Mundo é, realmente, o maior espetáculo da Terra. Dentro dela, até mesmo um inssosso Suíça x Equador vira um evento de primeira grandeza.


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13/06/2014 17h00

Bangu e as Seleções da Copa do Mundo
Redação SRZD

A derrota do Fluminense para a Seleção Italiana, e o alarde que o clube tricolor fez por enfrentar a Squadra Azzura neste domingo, me fez lembrar que um time jogar contra uma seleção nacional não é novidade. Embora atualmente esteja em desuso, em outros tempos era algo bem corriqueiro.

Para termos uma ideia, das 32 seleções da Copa do Mundo, 14 delas já jogaram em algum momento contra o glorioso Bangu Atlético Clube, gerando um total de 30 partidas entre o time alvirrubro e as diversas seleções nacionais.

Para encurtar o tempo de leitura, apresento as partidas em formato de tabelas, divididas pelo grupo em que se encontram as seleções nesta Copa.

Foto: Reprodução

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09/06/2014 16h48

No lado A, o Bonsucesso... no lado B, a Seleção Brasileira...
Carlos Molinari

Get the Flash Player to see this player.

Foto: DivulgaçãoLamartine Babo é conhecido até hoje no Rio de Janeiro por ser o compositor dos hinos de 11 clubes da cidade. Fora o seu inesgotável acervo de marchinhas de Carnaval ("O teu cabelo não nega", "AEIOU", "Linda Morena", "História do Brasil"), cantadas até hoje, Lalá se aventurou no campo do futebol aproveitando o embalo da Copa do Mundo de 1950.

Em 1949, contratado pela Continental para compor os hinos dos clubes, Lamartine adiou como pôde a missão. Cansada de esperar pela encomenda, a gravadora preparou uma armadilha para o compositor. "Como Lamartine era mulherengo, disseram-lhe que seria o paraninfo de uma turma de debutantes" - contou Oswaldo Sargentelli, sobrinho de Lalá.

Marcaram um encontro num apartamento para acertar os detalhes da festa e quando o autor chegou, forçaram-no a fazer os hinos, ali mesmo, na hora. Só poderia sair quando terminasse a missão. A arapuca deu certo.

Em três horas, Lamartine compôs as canções do Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco e Canto do Rio (de Niterói), deixando a do América para o final. Cansado, louco para sair do apartamento, Lamartine lembrou-se de um filme de faroeste em que o cowboy dedilhava um banjo. A melodia acabou inspirando-o na composição do hino americano, clube do coração de Lalá.

Depois, Lamartine ainda escreveria - com mais tempo - os hinos do Bangu ("a torcida reunida até parece a do Fla-Flu", dizia), do São Cristóvão ("estimulam a tua fibra extraordinária, os grandes feitos do saudoso Cantuária"), do Madureira, do Olaria e do Bonsucesso, em 1950, apresentando-os no programa "Trem da Alegria", na Rádio Mayrink Veiga.

Como 1950 era ano de Copa do Mundo, a Continental também pediu ao compositor um hino para a Seleção Brasileira ("Scratch" brasileiro, como se dizia na época), que jogaria suas partidas no novíssimo Maracanã, estádio construído pela prefeitura, especialmente para a ocasião.

A "Marcha do Scratch Brasileiro" tem letra simples, mas cativante:

Eu sou brasileiro, tu és brasileiro
Muita gente boa brasileira é
Vamos torcer com fé
Em nosso coração
Vamos torcer para o Brasil ser campeão

Salve, salve o nosso estádio Municipal
No Campeonato Mundial
Salve a nossa bandeira
Verde, ouro e anil
Brasil, Brasil, Brasil

Interpretada por Jorge Goulart, a música não faz parte de nenhuma compilação de obras-primas de Lamartine, mas a "Marcha do Scratch Brasileiro" é a primeira música deste tipo feita especialmente para uma Copa do Mundo, um espécie de antecessora dos "jingles".

A Continental lançou a música em um disco de 78 rotações, no lado B da "Marcha do Bonsucesso", o hino do clube da Leopoldina ("na Leopoldina, em cada esquina, quem domina é o Bonsucesso", diz um trecho da canção).

Hoje, a "Marcha" é uma preciosidade e só não alcançou a projeção de outras músicas futebolísticas, como "A Taça do Mundo é nossa" (de 1958) ou de "Pra frente Brasil" (de 1970), porque o Brasil perdeu para o Uruguai, naquele fatídico dia 16 de julho de 1950.

A "Marcha do Scratch Brasileiro" pode ser ouvida aqui, graças a uma cortesia da discoteca do Centro Cultural São Paulo, instituição mantida pela prefeitura paulistana.


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20/05/2014 18h12

Goytacaz e um estreante na Série-A
Redação SRZD

Depois do emparceiramento das semifinais da Taça Corcovado (o 2º Turno do Campeonato Carioca da 2ª Divisão), já é possível prever que teremos um estreante na Série-A do ano que vem.

No Triangular Final, além do Barra Mansa (campeão do 1º turno), do Barra da Tijuca (que somou o maior número de pontos nos dois turnos), teremos ou Ceres, ou Tigres, ou Goytacaz ou São João da Barra (isso, caso o Barra da Tijuca vença o 2º Turno).

De todos esses seis times, apenas o Tigres (em duas ocasiões) e o Goytacaz (12 vezes) participaram do Campeonato Carioca da 1ª Divisão.

Foto: Divulgação

Esse ineditismo não deixa de ser uma surpresa. Afinal, quando muitos esperavam ver as equipes tradicionais brilhando - como América, Olaria e Portuguesa - eis que o Campeonato revelou que o importante mesmo é ser bancado ou pela prefeitura (caso do São João da Barra), de empresários (caso do Barra da Tijuca) ou por políticos (caso do Ceres).

Creio que a Federação torce (e pode até fazer alguns "esforços") para ajudar o Goytacaz a subir este ano. Principalmente pelas críticas que o Campeonato Carioca vem recebendo da imprensa pela falta de público. O time de Campos na 1ª Divisão significaria, pelo menos, um acréscimo de 10 mil pessoas a cada partida, especialmente nos jogos no Ari de Oliveira e Souza. O Goytacaz, pelo tamanho de sua torcida, pelos anos de ausência na "elite", pode ser a grande atração de 2015.

Por isso, se fosse possível apostar, creio que o time azul e branco irá eliminar o Tigres, neste sábado, em Los Larios e seguir vivo na 2ª Divisão. No outro jogo, disputado em Moça Bonita, entre Barra da Tijuca e Ceres, torcerei abertamente para o simpático time do Ceres, até porque o Barra da Tijuca de Adílson de Oliveira já tem vaga garantida no Triangular Final.

O acesso de times sem tradição compromete a qualidade do Campeonato Carioca. Seria um desastre para a Federação se o Ceres e o Barra da Tijuca aparecessem na 1ª Divisão ano que vem. Assim como também seria se Barra Mansa e Tigres conseguissem subir.

Nada contra nenhum deles, até porque o Barra Mansa já é um clube mais do que centenário (foi fundado em 1908) e o Ceres é de 1933, mas quem se animaria a assistir um confronto entre Botafogo x Ceres ou entre Fluminense x Barra Mansa?

Por mais que o Goytacaz não possua um elenco extremamente forte, o time possui o "rei do acesso" Manoel Neto no banco, está invicto há 9 partidas e sua diretoria ávida para se recuperar da falha grosseira que cometeu no Campeonato de 2013. Pra mim, são ingredientes suficientes para o Goytacaz vencer a Taça Corcovado e monopolizar o Triangular Final.

Hoje, o azul e branco de Campos e o Barra da Tijuca são os meus favoritos.


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02/05/2014 17h22

O artilheiro que não desafina
Carlos Molinari

Estava em São Paulo quando surgiu uma polêmica na imprensa esportiva de lá. O Palmeiras perdeu o atacante Allan Kardec (ex-Vasco) para o São Paulo. O motivo teria sido a recusa do presidente Paulo Nobre em pagar 20 mil reais a mais para o rapaz. Por isso, o pai do jogador articulou-se e negociou o "artilheiro dos gols de pênalti" com Carlos Miguel Aidar.

Foto: Divulgação

Para o palmeirense parecia ser o fim do mundo. Segundo a crônica esportiva, não há mais nenhum atacante que saiba fazer gols. Só o Allan Kardec ainda mantinha viva essa técnica de balançar as redes.

Talvez a imprensa paulista pense assim porque não conhece o grande artilheiro Cláudio Pagodinho, do Ceres. Na minha opinião, ele é, neste momento, o melhor jogador em atividade no Estado do Rio de Janeiro. Goleador, sabe o que fazer dentro da área e, neste Campeonato Carioca da 2ª Divisão, já anotou 14 gols - três a mais que o Ricardo, do Americano.

Cláudio Pagodinho, porém, é um patrimônio do Ceres. Entra temporada, sai temporada, ele está lá no clube do Coronel Jairo vestindo a camisa azul e branca e marcando gols em todos os jogos. Parece que, no clube da Rua da Chita, só ele faz gol.

O Ceres é, neste momento, o líder geral da Segundona do Rio com 27 pontos. Está à frente do São João da Barra (26), do Barra da Tijuca (25), do Sampaio Corrêa (24), do Barra Mansa, do Goytacaz e da Portuguesa (todos com 23). O time também é fortíssimo candidato para chegar nas semifinais do 2º Turno, embora duvide muito que vá conseguir uma vaga na 1ª Divisão. Acho que temos politicagem demais no futebol carioca e que isso irá impedir o acesso do Ceres.

Mas é este o time que tem o melhor jogador do futebol carioca atualmente. Um time com um estadinho modestíssimo na Rua da Chita, em Bangu. Cláudio Pagodinho é mais produtivo do que um Fred, que um Conca, que um Hernane, que um Wallison. Apesar do apelido esdrúxulo, herdado da infância, Cláudio Cardoso Barbosa é o homem-gol que qualquer time precisa.

Tudo bem que ele já tem 28 anos, teve uma carreira conturbada, começou tarde no futebol, parou um tempo para servir o exército, voltou e foi acolhido pelo Ceres. Concordo com os que dizem que Cláudio não atuou bem com nenhuma outra camisa. Já jogou pelo Icasa (CE), Calouros do Ar (CE), Caucaia (CE), Ipitanga (BA), Goiânia (GO), Mangaratibense e Madureira e ninguém se lembra dele por esses clubes.

Porém, já acho que passou da hora de alguém dar uma oportunidade justa para este rapaz. Se em 2014 ele voltar a ser o artilheiro da Segundona Carioca, gostaria de vê-lo atuando em algum clube da 1ª Divisão Estadual em 2015. Poderia até ser no Bangu, time vizinho, do mesmo bairro, que não encontrou um grande atacante desde a saída de Sérgio Júnior, ou nos abonados Boavista e Cabofriense.

O que não deveria ocorrer era o desperdício do talento deste rapaz por mais um ano. Afinal, trocadilhos à parte, é Cláudio Pagodinho quem dita o ritmo no time líder da Segundona carioca.

Sábado, a saga continua: o Ceres viaja até Saquarema para enfrentar o Sampaio Corrêa, em jogo que só a vitória interessa para os dois lados.


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27/03/2014 15h16

A Cabofriense foi longe demais
Carlos Molinari

Estava bem claro para todo mundo que a Cabofriense não conseguiria nada nas semifinais contra o Flamengo. Aliás, isso já vinha se desenhando durante todo o mês de março: a forte equipe montada com o dinheiro da prefeitura de Cabo Frio e de uma construtora que investe na cidade, decaiu muito. Não vence um único jogo desde que bateu o Vasco, em São Januário. E isso foi antes do Carnaval...

Foto: Fla Imagem

O time conseguiu a classificação em 4º lugar, mas não era nem a sombra da Cabofriense do início da competição. Perdera até para o rebaixado Audax por 2 a 0. No atual momento, era preferível que o Boavista conquistasse a vaga, pois poderia ser um rival mais complicado para o Flamengo, embora também não tivesse fôlego para ir à final.

No domingo, o Flamengo, em ritmo de treino, ganhou por 5 a 3. Poderia ter feito uma ampla goleada e eliminado a Cabofriense, mas, ao meu ver, relaxou. Os três gols do time de Cabo Frio (dois de Éberson e um de Fabrício Carvalho) foram suficientes para eliminar o Boavista.

Ao ver tanta facilidade, o Flamengo sabia que, em dois jogos, era impossível perder a vaga na final. Meros 5.000 espectadores foram ontem ao Maracanã, pagando ingressos de, no mínimo, 60 reais. Os 3 a 0 saíram barato. Fora o 1º tempo que ainda teve algum equilíbrio, a Cabofriense jogou fora qualquer sonho de ir adiante ao atuar apaticamente no 2º tempo. O rubro-negro também se desinteressou e achou que a vantagem construída já estava de bom tamanho.

Temo pelo público que comparecerá sábado ao Maracanã. Era um jogo que poderia ser transferido para Moça Bonita, diminuindo o prejuízo de abrir o "estádio do consórcio" para uma partida inútil. A semifinal já está esvaziada. Só quem nunca foi ao Maracanã e quiser conhecer o "ex-maior do mundo" irá ao estádio. Um bom programa para turistas, jogo de uma só torcida, mais policiais do que espectadores...

O sonho da Cabofriense acabou. O elenco continua sendo ótimo. Muitos ali podem ser mantidos para a disputa da Série-D e conquistar o acesso incontestavelmente. Manter o goleiro Cetin, os atacantes Éberson e Fabrício Carvalho, o meia Keninha e o volante Silvano seria a melhor coisa que Alair Corrêa faria pelo clube. O problema é que, muitas vezes, é preciso vender atletas para recuperar os gastos do Campeonato Carioca.

Em 2014, a Cabofriense volta para a casa com a 4ª colocação, mesma posição que conseguiu em 2006, quando tinha nomes como o volante Marcão e o zagueiro Cléberson.

Alair Corrêa, ao invés de lamentar a desclassificação, deveria comemorar. Se o prefeito de Cabo Frio voltar no tempo, lembrará que ano passado, seu time teve que suar a camisa para conseguir o título da 2ª Divisão, de forma até bastante suspeita naquele Triangular Final.

Já está bom demais!


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