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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



21/04/2015 12h04

Em cima do muro? Jamais! O América vencerá o 1º Turno
Carlos Molinari

Angra dos Reis x Portuguesa; Americano x América. Essas são as partidas das semifinais do Campeonato Carioca da 2ª Divisão (1º Turno). Entre quarta-feira e sábado iremos conhecer os dois finalistas da Taça Santos Dumont.

Dentre os 18 times da nossa "Série-B" ninguém tem melhor campanha que a Portuguesa da Ilha. O time fez 20 pontos em 9 jogos, ganhou seis vezes e aparece como favorito para o confronto da semifinal. Treinado por Luiz Antônio, o mesmo técnico que rebaixou o Olaria em 2013, a Portuguesa tem uma equipe sem grandes nomes. Belarmino, ex-Nova Iguaçu, Silvano, ex-Cabofriense e o artilheiro Alan, ex-América, são os jogadores mais conhecidos do elenco.

Foto: Raffa Tamburini/ America Rio

Pode parecer pouco, mas é suficiente para conseguir passar por cima dos demais adversários desta Série-B e, creio eu, passar também pelo Angra dos Reis. Até porque o time dirigido por Carlos Alberto Santos não poderá mandar jogos em seu estádio. A primeira partida das semifinais será em Moça Bonita, campo neutro, portanto. Ao menos, o goleiro da equipe angrense é o Fernando Cunha, ex-Bangu, que conhece bem o gramado alvirrubro. Fora isso, tudo leva a crer que a Portuguesa irá se classificar. Afinal, o Angra dos Reis - que ficou em segundo lugar na chave do América - fez apenas 14 pontos em 9 jogos e marcou meros sete gols em toda a competição. Se estivesse na Chave A - grupo onde estava a Portuguesa - teria ficado em sexto lugar.

O segundo confronto, entre América e Americano, possui um prognóstico bem mais difícil. Pese o fato de que são dois "gigantes" desta Série-B e dois times ávidos por retornar à elite. O Americano fez mais pontos que o América nesta primeira fase (18 a 16), porém enfrentou adversários mais fáceis.

O Americano do técnico João Carlos Ângelo tem a obrigação de conseguir a vitória no primeiro jogo, disputado no estádio Ari de Oliveira e Souza. Um empate atuando em Campos seria desastroso para o time alvinegro, que tem como destaques o meia Abuda e o atacante Léo Guerreiro, ex-Boavista.

Equipe mais cotada em qualquer bolsa de apostas, o América do técnico Arturzinho tem tudo para se classificar para a decisão do 1º Turno. Tem um elenco mais experiente, possui bons nomes como Abedi, Somália, ex-Duque de Caxias e Léo Rocha e, apesar de ter decaído nas últimas partidas - o time não marca gols há três jogos - possui um conjunto melhor que o Americano e até mesmo que a Portuguesa.

Falta ao América se livrar de uma estranha sina de perder jogos decisivos em Édson Passos, que já impediram ao clube rubro chegar ao título de alguns turnos. Está bem viva na memória dos torcedores tropeços para a Cabofriense e para o Olaria, que foram cruciais para deixar o América na "Série-B" até os dias de hoje.

Este ano, creio eu, ninguém irá impedir o sucesso dos rubros. Nem mesmo o bom time da Portuguesa.

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17/04/2015 11h50

Não é pra qualquer um: 111 anos de Bangu
Carlos Molinari

Hoje, dia 17 de abril, o segundo clube de futebol mais antigo do Rio de Janeiro, completa 111 anos. Fundado num domingo numa casa  vila operária anexa à Fábrica de Tecidos, o Bangu representa, por mais de um século, uma curiosa resistência: ser o único clube originalmente fabril que se mantém participando de campeonatos profissionais, mesmo com a extinção da Companhia que lhe deu origem.

Para  comemorar a data, reunimos 15 ex-atletas do clube, que teceram uma pequena homenagem e nos dizem o que o simpático time da Zona Oeste representa na vida de cada um.

Parabéns, Bangu!

Foto: Reprodução

Bimba, lateral-direito entre 1988 e 1994

O Bangu pra mim pra mim, depois das minhas filhas, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Devo tudo que sou hoje a esse clube maravilhoso, que arrebatou e encheu o meu coração de amor. Bangu se resume em uma simples palavra na minha vida: amor.

Carlos Renan, zagueiro entre 2010 e 2014

O Bangu representa muito para mim. Lá vivi momentos muito especiais na minha vida e que guardo com muito carinho.  Foi uma honra poder ter vestido essa camisa como atleta, poder dar meus primeiros passos nessa minha nova fase dentro do futebol. Quando nascemos temos o clube que normalmente recebemos de nossos pais, e o Bangu é o clube que eu me apaixonei e que escolhi amar. Gostaria poder estar comemorando essa data com o presente que seria a volta ao Campeonato Brasileiro, mas tenho certeza que irá se concretizar em breve. Parabéns ao nosso querido Bangu e que continuemos grem busca do crescimento do nosso clube e de sua história.

Eduardo Melo, goleiro entre 1989 e 1997

Parabéns ao Bangu! Venho por meio desta mensagem expressar minha gratidão ao Bangu Atlético Clube por minha visibilidade no âmbito nacional. Obrigado, Bangu!

Édson Souza, meio-campo entre 1989 e 2000

Parabéns Bangu pelos seus 111 anos de existência na história do futebol brasileiro. Clube pelo qual tenho respeito e admiração, me sinto privilegiado de fazer parte de sua história como jogador.

Ernesto, meio-campo entre 1976 e 1978

Com certeza eu tenho o nosso Bangu no meu coração, tenho a camisa e faixa de campeão. Quando vesti a camisa do Bangu pela primeira vez fiquei emocionado. Eu tive muito orgulho de fazer parte desta história.

João Cláudio, atacante entre 1983 e 1988

Esse clube me deu tudo na minha vida, me ensinou a ser homem de bem e como encarar a vida, me deu fama na vida profissional e uma boa família que eu conservo até hoje. Esse clube foi minha vida. Hoje as pessoas perguntam que time eu sou. Sem duvida, eu falo: sou Bangu!

Joãozinho, meio-campo entre 1988 e 1992

Falar do Bangu é sempre um prazer, eu vivi 9 anos da minha vida ali dentro e se hoje sou um professor formado, ex-atleta profissional e pai de 4 filhos, eu credito muito disso ao meu crescimento como atleta e como homem, principalmente com o aprendizado que tive com incontáveis treinadores que tive no desenrolar desses 9 anos.

Mantenho a amizade de muitos, afinal chegamos a conviver mais de cinco anos numa rotina diária, obtivemos títulos, como o de juvenil em 1986 com um gol de pênalti meu sobre o Vasco; nosso ano de 1983 com Calazans: 33 partidas, 32 vitórias e uma única derrota para o Botafogo; o 1° torneio Pelé no qual fomos campeões em 1987 e também o Carioca de Juniores em 1987, com Xerém.

O momento da chegada ao profissional em seguida com Zagalo, Rogério Melo, Didi, Moisés, João Francisco e outros...

Enfim, uma vida dentro de um clube que hoje poderia e pode ser uma fábrica de jogadores, se tivesse uma base levada a sério, porque nossa Zona Oeste é privilegiada nesse quesito. Lamento muito por isso, mas carrego o Bangu Atlético Clube com muito carinho dentro de mim.

Macula, meio-campo entre 1986 e 1996

Falar do Bangu pra mim é um prazer. Minha carreira como jogador de futebol agradeço muito ao Bangu. Lá que tive a minha infância, meus sonhos, minhas alegrias. Fui criado praticamente dentro do Bangu. Muita gente me ajudou a ser hoje o Macula. Muito obrigado por tudo meu querido Bangu! Parabéns pelos seus 111 anos!

Marcelo, ponta-esquerda entre 1980 e 1984

Aprendi a gostar do Bangu ainda na adolescência jogando pelo juvenil, gostei do seu uniforme alvirrubro, de sua história, de seu estádio com o bonito nome de Moça Bonita e ao entrar em campo pela primeira vez com aquela camisa linda e ouvir os gritos daquela torcida apaixonada, pensei "vou ser Bangu por toda minha vida"!

Marcelo Araújo, lateral-direito entre 1986 e 1987

Dia 17 de abril! O clube que mais me marcou entre todos que joguei durante minha carreira, faz 111 anos!! Parabéns ao querido Bangu Atlético Clube!! Cheguei aos 17 anos ao clube, seguindo meu saudoso irmão Alexandre, para a categoria juvenil, e depois de mais três anos nos Juniores e dois nos profissionais, só tenho excelentes lembranças, grande amigos e muitas estórias. Tudo naquele clube, naquele tempo, entre 83 até 87, foi muito especial!! Parabéns grande alvirrubro de Bangu!!

Marcelo Cardoso, meio-campo entre 1993 e 2000

Alô Bangu Atlético Clube! Primeiramente, quero parabenizá-lo pelos 111 anos de vida. É com muita alegria que menciono o nome do Bangu. Porque foi exatamente ali que, em 1991, começou minha trajetória. Se hoje consegui ter um nome no futebol carioca é graças ao Bangu. Devo tudo a esse clube. Só não consegui o que eu mais queria: encerrar minha carreira onde tudo começou. Eternamente Bangu!

Marcelo Pires, goleiro entre 1999 e 2000

O Bangu Atlético Clube foi o clube que me promoveu profissionalmente. Hoje tudo que tenho foi do futebol e devo muito ao nosso querido Bangu, e se possível quero um dia voltar ao clube para pode ajudar da melhor forma. Parabéns !!!

Marcelo Rodrigues, meio-campo entre 1992 e 1993

O Bangu para mim foi tudo. Minha escola realmente de futebol e de vida também. Sou muito grato ao Bangu Atlético Clube e sou eternamente apaixonado por esse clube!

Palmieri, goleiro entre 1987 e 1990

Palavras não conseguiriam expressar minha gratidão por esse clube. Moldou minha vida, me encheu de esperança e me fez viver dias de alegrias e grandes conquistas. Por certo, faz o mesmo na vida de muitos outros jovens.  De uma fábrica de tecidos à uma Fábrica de Sonhos.  O tempo segue seu caminho e a "Moça" segue "Bonita", porque a sua beleza não está naquilo que o tempo e a traça podem destruir! Obrigado Bangu Atlético Clube, por fazer parte da minha história, da minha vida! Saudações Alvirrubras!

Paulo Campos, zagueiro entre 1993 e 1999

O Bangu representa grande parte da minha carreira, foram aproximadamente 8 anos defendendo a camisa do querido alvirubro e tenho grandes lembranças desse tempo que estive por lá. É um prazer imenso fazer parte da história de um clube centenário. Parabens Bangu pelos seus 111 anos de glórias e vitórias.

Sérgio Júnior, atacante entre 2012 e 2013

O que escrever do Bangu? Apenas dizer que um dos clubes mais importante da minha carreira, que mora no meu coração, com uma torcida apaixonante e com toda a certeza um dia voltará ao lugar que jamais deveria ter saído. Grande abraço! Saudações alvirrubras, parabéns, parabéns e parabéns!

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27/03/2015 08h56

Na reta final do Campeonato Carioca, bateu o desespero
Carlos Molinari

Essa rodada do Campeonato Carioca foi surpreendente. A começar pelo empate do Madureira com o Bonsucesso, em Conselheiro Galvão. Quem pensaria que isso pudesse acontecer. O time de Toninho Andrade pressionante, colocando bola na trave e quando vê, leva um gol do Bonsuça.

Madureira x Bonsucesso. Foto: ReproduçãoO empate só saiu aos 44 minutos do 2º tempo, com um gol de Rodrigo Pinho, o nono do garoto no Campeonato. Para quem não sabe, Rodrigo Pinho não é artilheiro à toa. Filho de Nando, um ex-atacante do Bangu, do Flamengo, do Internacional e do Hamburgo (Alemanha), Pinho já foi artilheiro do Campeonato Carioca de Juniores de 2011, com 20 gols.

Na época, Pinho atuava pelo Bangu. Hoje é artilheiro isolado, destaque absoluto deste Campeonato. Não sei se o Madureira terá fôlego financeiro para mantê-lo para o Brasileiro da Série-C no segundo semestre...

O gol foi um alívio, mas o resultado foi péssimo, desastroso mesmo em termos de classificação. Tanto que, a Taça Rio (disputada entre os 12 "pequenos"), foi entregue com os jogadores do tricolor extremamente abatidos e receosos. A obrigação de ganhar transformou um time excelente em um grupo nervoso e desesperado para marcar os gols rapidamente. O empate reavivou as chances do Fluminense na competição e pôs em risco a classificação do Madureira para as semifinais.

Outra zebra foi a vitória do Nova Iguaçu sobre o Friburguense: 1 a 0, gol de Elias aos 42 minutos do 2º tempo. Curioso que o Nova Iguaçu atuava com um jogador expulso (o Paulo Henrique) e ainda encontrou forças para ganhar a partida. O Friburguense, nas mãos de Gérson Andreotti, enfrenta uma de suas piores fases. São oito jogos sem ganhar de ninguém. A palavra rebaixamento já pode ser ouvida no Eduardo Guinle. O time realmente não rende mais.

Ninguém mais aceita perder (ou até empatar) com o time dos veteranos Cadão, Bidu e Ziquinha. Os tempos são outros.

A surpresa mais grata veio com o Barra Mansa, que é outro time desde que Manoel Neto assumiu. Vejam bem: já empatou com Vasco e Botafogo. Nesta quarta, todos esperavam uma vitória confortável do líder e o que se viu foi o atacante Bill perder um pênalti aos 43 minutos do 2º tempo, defendido pelo ótimo goleiro Thiago Leal.

Ponto a ponto, tijolinho por tijolinho, o Barra Mansa vai escapando do seu destino. Para qualquer especialista, o rebaixamento este ano estava destinado ao simpático clube azul e branco. Em 14º lugar, correndo tantos riscos quanto o Bonsucesso (outro favoritíssimo ao descenso), o Barra Mansa vai respirando.

Do jeito que as coisas estão lá embaixo - com oito equipes brigando contra o rebaixamento - creio que o Campeonato ainda irá reservar muitas emoções aos torcedores desses clubes. Em mais três rodadas tudo pode acontecer: a precariedade está unindo estes clubes. Nenhum deles empolgou durante toda a competição e agora, terão que correr atrás do tempo perdido (além de torcerem um contra os outros).


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25/03/2015 15h15

Maracanã, 25 de março: Bangu 4 x 3 Flamengo
Carlos Molinari

Hoje é dia de Bangu x Flamengo, no gramado do Maracanã. Há 48 anos, os dois times se encontraram no mesmo estádio para uma partida repleta de lances inesquecíveis. Impossível pensar que tudo se repetirá em 2015. Aquele Bangu, de Paulo Borges, era uma verdadeira máquina de jogar futebol e ainda contava com a sorte...

Ubirajara estava numa tarde infeliz em 25 de março de 1967. Falhou duas vezes contra o Flamengo, numa partida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Mas não foi crucificado.

Para sorte do Bangu, o goleiro rubro-negro Marco Aurélio, estava tão mal, que engoliu quatro bolas defensáveis - três delas de autoria de Paulo Borges. Era, para o jornalista Aparício Pires, do jornal Última Hora, o "Dia Nacional dos Frangos".

O jogo foi disputado num sábado, no Maracanã, e prometia muito. O Bangu assumiria a liderança do campeonato nacional se vencesse. Estava com 7 pontos, um a menos que o ponteiro Santos. O Fla tinha 4 pontos, era o sexto colocado.
O Bangu acabou vencendo por 4 x 3, tornou-se líder, deixando outras 14 equipes para trás. Tinha um ponto de vantagem em relação a Santos e Palmeiras. Graças a Paulo Borges, ou ao goleiro Marco Aurélio, Ubirajara poderia receber seu "bicho" pela vitória. Ninguém se lembraria de suas falhas. 

Bangu 4 x 3 Flamengo. Foto: Reprodução

Por outro lado, o goleiro Marco Aurélio, do Flamengo, deixou o campo chorando. Com os olhos vermelhos, foi lacônico com os repórteres que o esperavam: "Sou o único culpado", sintetizou.

A partida começou à feição do rubro-negro. Com menos de 30 segundos, o Fla abriu o placar, surpreendendo o Bangu ainda frio. Américo chutou e o goleiro Ubirajara fez o que não podia fazer: soltou a bola para frente. Ademar, na corrida, emendou sem dificuldades. Para amenizar sua falha, Ubirajara passou alguns segundos reclamando dos colegas da defesa, que sequer tinham tocado na bola.

O Bangu reagiu com a mesma rapidez. Aos 8 minutos, Aladim cobrou uma falta na meia-lua da grande área. O goleiro Marco Aurélio voou e tocou na bola, mas foi com a chamada "mão mole", sem forças para espalmá-la. Desta forma, os alvirrubros chegavam ao empate em 1 a 1.

Quatro minutos depois, foi a vez de Paulo Borges se aproveitar da tarde negra do goleiro do Fla. Ele recebeu em profundidade e atirou de pé esquerdo, Marco Aurélio deixou a bola passar sob seu corpo, caindo de joelhos na grama. Era a virada do Bangu: 2 a 1.

Bangu 4 x 3 Flamengo. Foto: ReproduçãoPara quem achava que já tinha visto "frangos" demais, Ubirajara voltou a aprontar aos 19 minutos. Ademar cobrou uma falta para a área, "Bira" deu um tapa bisonho na bola, que caiu nos pés de Carlinhos. Estava decretado o empate: 2 a 2.

No 2º tempo, os gols também saíram logo nos minutos iniciais. Aos 5, Paulo Borges recebeu um passe na entrada da área e soube se aproveitar da saída precipitada de Marco Aurélio. O ponta-direita atirou mansamente, com a meta abandonada e marcou o terceiro gol do Bangu.

O duelo voltaria a ficar empatado aos 10 minutos, no único gol em que não houve falha dos goleiros. Rodrigues chutou cruzado e Jair Pereira apareceu de carrinho: 3 a 3.

Precisando da vitória para assumir a liderança do Robertão 67, o Bangu continuou apostando em Paulo Borges. Aos 18 minutos, o craque recebeu de calcanhar de Fernando e chutou de primeira. Para sua sorte, Marco Aurélio voltou a falhar, pulando atrasado: era o quarto gol do melhor time do país naquele momento!

A vitória, porém, só foi consolidada nos minutos finais, quando Ubirajara se redimiu das duas falhas, desviando para escanteio um chute de Ademar, de curta distância. No último minuto, Paulo Borges ainda foi derrubado dentro da área rubro-negra pelo zagueiro Murilo, mas o juiz Armando Marques preferiu ignorar o lance e evitar que o Bangu chegasse ao quinto gol.

Terminava desta forma o chamado "Dia Nacional dos Frangos", para decepção do técnico rubro-negro Armando Renganeschi:
"É a tal coisa, goleiro é o único jogador que não pode falhar..." - resumiu o treinador derrotado.

A frase

"A gente contra o Flamengo tem que correr mesmo, senão é fogo. Foi o que eu fiz. Corri muito e dei sorte".
Paulo Borges, autor de três gols na partida


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23/03/2015 10h52

Eles jogam o melhor futebol do Rio
Carlos Molinari

No início da competição, quando a grande imprensa enchia a bola do Volta Redonda, eu falava que o bom mesmo entre os chamados "pequenos" era o Madureira. E espera ansioso pelo confronto entre essas duas equipes. 

O que o time do técnico Toninho Andrade fez no Raulino de Oliveira foi até covardia. O jogo já estava definido no 1º tempo, graças aos dois gols do genial Rodrigo Pinho. 

Foto: ReproduçãoO Madureira não é o vice-líder com 26 pontos à toa. Possui um elenco muito melhor que o do Botafogo, que o do Fluminense e quem sabe até mesmo que o Vasco (que equilibrou um pouco as coisas com a chegada de Gilberto e Dagoberto). 

Não canso de enaltecer o Tricolor Suburbano porque possui, do meio pra frente, cinco jogadores que hoje são fundamentais no êxito do time este ano: Rodrigo Lindoso, Thiago Galhardo, Rodrigo Pinho, Camacho e João Carlos (este na reserva). São nomes que os grandes clubes ainda não atentaram, mas que possuem uma qualidade única no futebol carioca atual.

Basta comparar os resultados do Madureira diante dos mesmos adversários que também complicaram a vida dos "grandes". O Volta Redonda tinha tirado pontos de Botafogo e Fluminense e dificultado o jogo contra o Flamengo. E o que fez contra o Madureira? Levou um chocolate de 3 a 0. 

A Cabofriense que bloqueou o Botafogo na partida de domingo em Macaé e perdeu por apenas 1 a 0, tinha sido derrotada, em Cabo Frio, por 3 a 0 para o Madureira. É algo a se pensar. 

E se formos analisar friamente, o Madureira fez seus últimos quatro jogos fora de Conselheiro Galvão, passando por cima de Barra Mansa, Friburguense, Cabofriense e Volta Redonda, com tal desenvoltura que eu creio cegamente que é o virtual campeão da Taça Rio (disputada apenas pela pontuação entre os "pequenos") e por que não também da Taça Guanabara.

Tudo depende de como as arbitragens vão se comportar. O Madureira tem, nas duas últimas rodadas, confrontos diretos contra Botafogo e Fluminense. Ali é que vamos ver se o empreendimento de Elias Duba levará mais uma taça para o subúrbio.

Eu estou na maior torcida pelo Madureira. Será um belo tapa no rosto desses clubes que ainda se acham grande. 

Rebaixamento

Com as vitórias de Barra Mansa sobre o Nova Iguaçu (2 x 1) e de Bonsucesso sobre o Boavista (4 x 0), dois confrontos diretíssimos pela degola, acho que está cada vez mais resolvido o assunto. Este ano, dois clubes com relativa estrutura e poucos torcedores serão os rebaixados da vez. E acho que pouca gente irá chorar a queda do Nova Iguaçu e do Boavista.


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09/03/2015 10h48

Erro é uma coisa. Má fé é outra
Carlos Molinari

Em 2013, após denunciar uma armação para beneficiar a Cabofriense no acesso à 1ª Divisão do Campeonato Carioca, recebi um aviso do pessoal do site SRZD.

- Molinari, tem um tal de Daniel de Sousa Macedo querendo teus contatos, querendo falar com você. Você o conhece?

Pelo nome, eu não conhecia nenhum Daniel de Sousa Macedo. Depois, o próprio pessoal da redação do SRZD me alertou.

- Molinari, esse Daniel é o árbitro da partida entre Cabofriense e Bonsucesso, que você citou na sua crônica.

Foto: Reprodução

Só aí eu me lembrei. O professor de Educação Física Daniel de Sousa Macedo, árbitro nas horas vagas, transformou uma vitória do Bonsucesso por 2 a 1, em um empate em 2 a 2, com um pênalti inexistente no minuto final a favor da Cabofriense. Esse pênalti transformou o resultado da Série-B de 2013. Caso não existisse, a Cabofriense não seria a campeã e o América subiria.

Enfim, o pessoal do SRZD nunca passou meus contatos para o sr. Daniel e nunca conversamos. Se a conversa existisse, certamente não seria amistosa. Daniel não aceitou as críticas que fiz em relação à sua péssima e tendenciosa arbitragem na partida de 2013.

Zeca Simões, presidente do Bonsucesso, também chiou horrores na época. No entanto, por não ter força política dentro da Federação, aceitou que o mesmo árbitro apitasse o jogo de domingo contra o Vasco, no Engenhão.

Daniel sabe para quem apita. Não deu um pênalti a favor da Cabofriense em 2013 à toa. Assim como não beneficiou o Vasco em rede nacional de televisão de graça. Foi tendencioso. Apitar a favor dos times que interessam à Federação é sempre mais proveitoso para ascender na carreira de árbitro. Em 2013, estava soprando seu apito na Segunda Divisão. Agora, está fazendo suas lambanças na Primeira Divisão.

Outro dia reclamei aqui do erro de Wagner Nascimento Magalhães na partida Madureira 1 x 1 Flamengo. Se o Madureira vencesse aquele jogo, estaria hoje entre os quatro melhores e o Fla estaria fora. Prova mais do que concreta de que a manipulação afeta diretamente o Campeonato e traz benefícios aos mesmos quatro times de sempre.

O pênalti do Vasco aos 49 minutos do 2º tempo, pra mim, não foi um simples erro do sr. Daniel. Foi a oportunidade que o árbitro precisava para dar os 3 pontos ao Vasco. Erro é quando eu entro numa rua na contra-mão quando estou perdido; erro é quando marco a letra A e a resposta certa é a letra D numa prova de concurso; erro é quando ligo para um número de telefone equivocadamente ou quando aperto a campainha do apartamento ao lado.

Quando um árbitro, formado desde 2004 (portanto há 11 anos) e que apita jogos da Primeira Divisão do Rio desde o ano passado, vê pênalti num lance desses, é porque claramente tem algum interesse. Tudo que aprendeu na carreira o desautorizaria a marcar essa infração.

Os vascaínos que acessarem esta coluna irão protestar. Irão dizer, como já faziam ontem nas redes sociais, que o Vasco já foi muito "roubado" e que poderia ganhar "roubado" uma vez. Uma armação não justifica a outra. Se o Vasco já foi "roubado" mil vezes, então, o Bonsucesso já foi "assaltado" umas 2 mil vezes em sua história.

Disseram até que o Fernando nem reclamou. Ora, o jogador já tinha levado um cartão amarelo bem estranho num lance no meio-campo que o coloca fora da próxima partida do Bonsucesso contra o Fluminense. Iria reclamar para levar também um cartão vermelho?

A atuação de Daniel de Sousa Macedo foi desastrosa. Na outra área, o Rodrigo colocou a palma da mão na bola de forma acintosa. Sua senhoria disse que ele sofreu falta... Eu não vi.

Dessa vez, pelo menos, eu não estou sozinho a criticá-lo. Toda a imprensa fala abertamente sobre sua má arbitragem. Agora, se quiser, o sr. Daniel Macedo terá que ligar de redação em redação atrás de cada colunista, jornalista, articulista. Afinal, o rapaz de 32 anos parece não saber lidar bem com as críticas...

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01/03/2015 13h38

O Madureira está maduro!
Carlos Molinari

Perdoem o trocadilho infame do título. Queria destacar que no sábado ocorreu mais um passeio do Madureira. Fez 4 a 0 no Nova Iguaçu, como poderia ter feito 5 ou 6. A cada dia eu vejo no Tricolor Suburbano um potencial semifinalista. Nenhum dos 12 clubes "médios" da 1ª Divisão pode se gabar de ter um elenco recheado de craques do meio para a frente.

Aliás, nem mesmo o Vasco ou o Fluminense possuem, atualmente, a força ofensiva que tem o Madureira. Vejam bem: Thiago Galhardo, Rodrigo Pinho, João Carlos, Camacho, Rodrigo Lindoso são todos habilidosíssimos. Toninho Andrade tem apenas o trabalho de fazer tantos destaques atuarem na mesma partida.

Thiago Galhardo. Foto: Reprodução

Contra o Nova Iguaçu não foi sequer necessário que João Carlos, artilheiro do Duque de Caxias e do Macaé, entrasse em campo. O time jogou com apenas um homem oficialmente na frente: Rodrigo Pinho, um gênio nas bolas aéreas. Um jogador que foi de mão beijada do Bangu para o Madureira e agora está mostrando todo seu potencial.

Já falei aqui neste espaço. Enquanto muita gente está achando que o Volta Redonda é o "papão" dos pequenos, eu olho com extrema atenção esse time do Madureira. Por mais que a parte defensiva ainda não seja a ideal - na partida contra o Vasco, por exemplo, o goleiro Jonathan foi um fracasso -, sobra meias habilidosos na equipe de Toninho Andrade.

Anos e anos disputando a Série-C do Campeonato Brasileiro fizeram bem ao Madureira. O clube está apto não só para disputar as semifinais do Carioca, como também para o acesso à Série-B.

Macaé

Outra prova de que disputar campeonatos nacionais faz bem para o crescimento do clube é o caso do Macaé. Nem precisaria fazer muitos esforços neste Estadual, poderia guardar seus recursos para a disputa da Série-B no segundo semestre, mas é tamanha a diferença que o separa dos outros times que, bem ou mal, já possui 12 pontos e perdeu apenas um jogo, para o Vasco.

Neste sábado, mesmo tendo que cumprir a ilógica punição do TJD-RJ, que obrigou o Macaé a perder o mando de campo na partida contra o Tigres, a equipe de Josué Teixeira venceu. Joga atualmente um futebol menos exuberante que o Madureira, porém, é bastante eficaz.

Barra Mansa

E quem diria que Manoel Neto, o popular "Rei do Acesso" daria jeito no Barra Mansa? Mesmo extremamente depende de seu "único" jogador - Vitinho - o time azul e branca vem se mantendo invicto com o novo treinador. São três empates em três partidas. Mais que os pontinhos acumulados, a certeza de que o Barra Mansa melhorou sensivelmente.

Dava pena ver o time jogar nas primeiras rodadas sob o comando do técnico Wilson Leite. Havia também a problemática falta de pagamento, fato grave que não sei se foi sanado.

Bem ou mal, mesmo com um elenco limitado, em que se sobressaem apenas o goleiro Thiago Leal e o próprio Vitinho, o Barra Mansa vai se afastando do rebaixamento e deixando a parte inferior da tabela nas mãos de Nova Iguaçu e Boavista, o que não deixa de ser surpreendente.

Olaria

Pronto para estrear na Segunda Divisão do Campeonato Carioca, o Olaria mudou de uma só vez o seu treinador - passou o Ronald para auxiliar técnico e trouxe Antônio Carlos Roy (recém demitido do Boavista) - e praticamente todo seu elenco.

Roy trouxe com ele uma gama de jogadores, surpreendente a rapaziada que estava dando duro nos treinos durante todo o verão.

Se a mudança em cima da hora irá dar certo? Eu creio que não.

Contra o Gonçalense, sábado que vem, é que vamos ver se a decisão de trocar treinador e trocar quase todo o elenco vai vingar.

Coisa de maluco na Bariri...

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27/02/2015 07h11

Azul é a cor mais quente
Carlos Molinari

Neste sábado, Vasco e Bangu vão se enfrentar em São Januário, às 16 horas. Provavelmente sob um calor intenso. O Vasco, esperto, vai jogar com a camisa branca. O Bangu, otário, vai com seu uniforme azul escuro. Mais calor ainda.

Originalmente, todo mundo sabe, o Bangu possui as cores vermelha e branca. Contrariando os próprios estatutos, a diretoria banguense inventou uma camisa azul escura, com golas amarelas. Parece uma homenagem ao Madureira. Não é.

Bangu em ação contra o Fluminense. Foto: Reprodução

O presidente Jorge Varela (no cargo desde 2007) acha que está homenageando o Southampton, da Inglaterra. Clube cuja terceira camisa também é azul. Esquece que o clima na Inglaterra é outro. E jogar de azul escuro não compromete o desempenho dos atletas. Varela, mesmo estando há tanto tempo no cargo, desconhece a história do próprio clube que comanda.

As ligações do Bangu com o Southampton são nulas. Nenhum dos britânicos que fundaram o Bangu em 1904 vieram de Southampton, jogaram no Southampton ou torciam pelo Southampton. Os irmãos Andrew e William Procter eram escoceses de Dundee. O pioneiro Thomas Donohoe também era escocês, do vilarejo de Busby. Clarence Hibbs era inglês de Derbyshire. Thomas Hellowell veio de Yorkshire e William French veio de Liverpool.

Enfim, no máximo, pode-se dizer que a camisa do Bangu atualmente é azul escura para homenagear a seleção escocesa. Mas, na verdade, o interesse é outro.

A camisa com listras na vertical - como os fundadores ideaizaram - é péssima para destacar o nome dos anunciantes. O Bangu conseguiu, para esta temporada, uma série de patrocinadores de ocasião - como a Útil, Elite, Charme, Net - que pagam para colocar suas marcas na camisa do time por partida transmitida pela TV. Fora essas marcas, a camisa ainda ostenta logos de antigos parceiros do clube: Frangochic, Fibrolar e Fly Remoções e do fornecedor de material esportivo: WA Sport. No total, são 8 patrocinadores estampados na blusa azul escura.

Em outros anos, sempre que havia um confronto com os "grandes", o Bangu optava por jogar de branco. Evitava a camisa listrada, tão tradicional, e valorizava seus patrocinadores, que chegavam a pagar 35 mil reais por partida (casos de Subway e Lalita).

No entanto, a opção por descaracterizar as cores originais do clube - tirando o branco e colocando o azul escuro - tem fundamento numa retaliação. Para que não está por dentro da politicagem do Bangu, é bom explicar que a diretoria não gosta dos torcedores e os torcedores tem ojeriza à diretoria. O que os dirigentes podem fazer para sabotar os torcedores, eles fazem. Inclusive, com ameaças de violência, como já ocorreu nos tempos em que o time estava na 2ª Divisão carioca.

Mesmo sem qualquer apoio à torcida, sem implantar um programa de sócio-torcedor (o presidente Varela diz que essa categoria de sócio não está prevista nos estatutos, assim como também não está o fardamento azul e amarelo...), os adeptos das cores vermelha e branca foram aumentando nos últimos tempos. Talvez seja algo retrô, meio cult torcer para um time de tantas tradições, comprar a camisa alvirrubra do título de 66, levar faixas e bandeiras para os estádios e se orgulhar de morar no bairro mais quente do Rio.

Algo impensável para a diretoria que fez, ao longo das duas últimas décadas esforços inauditos para afastar do clube todo e qualquer tipo de torcedor (seres chatos que cobram, dão pitacos e reclamam de tudo, na visão dos dirigentes). Descaracterizar as cores originais do Bangu, nos jogos transmitidos pela TV, romper com a tradição, implantar à força o azul e amarelo é ir contra os próprios estatutos do clube e virar as costas para um bairro inteiro que se veste de vermelho e branco ao longo dos 365 dias do ano.

Basta ler os artigos 94 e 95 dos Estatutos do Bangu Atlético Clube, publicados em 2002 e redigidos pelo mesmo homem que hoje é o presidente da Federação do Rio, Rubens Lopes.

Art. 94 - As cores oficiais do Bangu serão branco e vermelho.
Art. 95 - O pavilhão, a flâmula e o emblema permanecem os mesmos já registrados, ficando os uniformes de competição desportiva à critério da Diretoria Executiva, DESDE QUE RESPEITADAS AS TRADIÇÕES E AS CORES OFICIAIS.

Enfim, se o clube tiver ainda algum sócio, ele pode muito bem representar contra a diretoria executiva por romper com os estatutos. Este sábado, atuando de azul escuro sob um sol de 40 graus, o Bangu já entrará em campo perdendo de 1 a 0 para o Vasco. Ainda assim, os anunciantes agradecem...

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24/02/2015 08h02

É claro que não foi gol!
Carlos Molinari

Chega a ser desgastante falar mais uma vez que as arbitragens do Campeonato Carioca estão adulterando os resultados dos jogos na maior "cara de pau". Toda rodada, pelo menos, uma partida importante tem o seu vencedor alterado por um erro capital dos juízes do quadro da COAF.

Foto: Reprodução

Neste domingo quem sofreu foi o Madureira. O gol do zagueiro Bressan, claramente, não ocorreu. Apesar da farsa da TV Bandeirantes, afirmando que a bola realmente vazara o gol de Jonathan e da rádio CBN que, mesmo após o final da partida, ainda dizia não saber se a bola entrara ou não, os recursos tecnológicos da Rede Globo já mostravam que o gol não existiu. A bola não entrou totalmente na meta do Madureira.

Julgar se isso ocorreu, com 100% de certeza, em um lance rápido, de cerca de um segundo, com vários jogadores a sua frente, é humanamente impossível. Wagner Nascimento Magalhães, o juiz da partida, validou o gol por razões óbvias. O Flamengo estava em desvantagem no placar, precisava de sua ajuda. Independentemente da bola ter entrado ou não, ele correria para o meio-campo, autorizaria a fraude.

Vamos imaginar o contrário. Que o Flamengo estivesse vencendo por 1 a 0 e a bola duvidosa favorecesse ao Madureira. Imaginemos que o goleiro Paulo Vitor tenha feito o mesmo esforço para tirar uma bola que já estava entrando na sua meta. A decisão do árbitro seria outra. Jamais ele validaria um gol assim do Madureira. Na dúvida, por que prejudicar o Flamengo?

Wagner Nascimento Magalhães já vinha "ajudando" o Flamengo nos minutos anteriores. No 1º tempo, por exemplo, naquela simulação de pênalti de Marcelo Cirino, o juiz sequer deu cartão amarelo para o farsante. Volto a perguntar: e se fosse um jogador do Madureira que tentasse cavar um pênalti? Corria o risco até de ser expulso.

Outro dia um amigo me perguntou, qual a solução para tantos erros de arbitragem? Por que, em apenas seis rodadas, já tivemos tantos resultados polêmicos e tantos erros boçais?

A solução todo mundo sabe e os dirigentes de todos os outros esportes já entenderam. No Taekwondo, no tênis, no vôlei, em qualquer esporte, o recurso do vídeo é utilizado com sucesso. No taekwondo o sistema é interessantíssimo. O treinador do lutador pode pedir para revisar um lance no vídeo, mas se estiver errado no seu ponto de vista, e paralisar a luta à toa, seu pupilo é quem perde ponto. E pode usar o recurso do replay apenas uma vez.

No futebol mantém-se aquele mito de que "a polêmica faz parte do jogo". Ora, todos sabemos que a resistência das instituições em utilizar o replay para solucionar dúvidas capitais é a tônica para manter no futebol os larápios e a manipulação de resultados. O futebol com o auxílio tecnológico do replay não vai beneficiar os "grandes" clubes ao redor do mundo. Irá beneficiar, sempre, aquele que é a maior vítima dos erros dos apitadores: os times menores, que sempre "pagam o pato".

Na Copa do Mundo, a Fifa já agiu e autorizou o chip na bola e nas traves. A tecnologia, porém, é cara. Não há como imaginar nossos estádios com este recurso. Porém, o replay, em um simples monitor de vídeo, é algo bem mais simples.

Sem o uso do replay, a máfia das arbitragens vai continuar. Erros são comuns, qualquer um pode errar. Eu mesmo já apitei uma partida de futebol amador e vi o quanto a função do árbitro é difícil. Mas errar sempre contra as mesmas equipes, favorecendo os mesmos times ano após ano, aí já é um caso grave de roubo reiterado. E isso, ao meu ver, não tem solução.


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19/02/2015 13h47

Um time que incomoda
Carlos Molinari

Após cinco rodadas, o Volta Redonda aparece assustando a crônica esportiva carioca. A grande imprensa, principalmente os comentaristas de TV, não entendem como pode uma equipe "pequena" (e chamam o Voltaço de "pequeno" às claras e até mesmo de equipe "tricolor", para o pasmo de todos nós) ter tirado pontos do Botafogo e vencido o Fluminense.

Fluminense x Volta Redonda. Foto: Divulgação/Fluminense FC

A campanha da equipe em 2015 é até melhor que a da fortíssima equipe de 2005, quando tinha o goleiro Magrão e o atacante Túlio. Na época, o time do técnico Dario Lourenço, em cinco jogos, tinha 3 vitórias, um empate e uma derrota. O Voltaço atual está indo além.

Pelo que vi, a força do Volta Redonda encontra-se na velocidade dos seus homens de frente. Todo mundo conhece o Hugo, que joga como um ponta-esquerda. Já passou pelo Americano, pelo América, pelo Bangu e sempre se destacou pelos dribles e rapidez. Não era um artilheiro. Agora, em 2015, é capaz até de concluir com perfeição. O Niltinho, na ponta-direita, é outro destaque. Assim como o Magnum, um meia que dificilmente não fechará um bom contrato após o Campeonato. Além desses três craques, o reserva Adeílson entrou para definir a partida. Fez um gol e perdeu outra chance de ouro, chutando nos pés de Cavallieri. Há um outro destaque. No gol, Douglas esteve perfeito, parando as perigosas cabeçadas de Fred.

A boa campanha também é fruto do fator "casa". Das cinco partidas até agora, três foram no Raulino de Oliveira: contra o Barra Mansa, Botafogo e Fluminense. Isso ajuda e muito. Mesmo assim, quando teve que atuar em outras cidades, o Voltaço derrubou a Cabofriense e o Nova Iguaçu.

O próximo adversário é o Bangu. Evidente que o time do técnico Marcelo Cabo é o favorito. Até porque, mais uma vez, jogará no Raulino de Oliveira. Fato curioso é que o treinador Marcelo Cabo já teve uma melancólica passagem pelo Bangu, em 2004, rebaixando o time no Campeonato Carioca.

Marcelo Cabo era, há dez anos, um técnico inexperiente. Depois de derrubar o Bangu, foi comandar o pequeno São Bento, do Maranhão. Sua carreira mudou muito. Passou pelo mundo árabe, foi auxiliar do técnico Marcos Paquetá; foi "espião" na seleção brasileira (graças à amizade que tem com Jorginho) e agora, voltou ao Rio de Janeiro para causar surpresas.

Até onde o Voltaço pode ir ninguém sabe. O fato é que, sábado, diante de um Bangu ainda instável, o Volta Redonda tem tudo para pular para 16 pontos.

Madureira

Porém, apesar da força inicial do Volta Redonda, nenhum time alegra tanto os meus olhos quanto o Madureira. A facilidade com que a equipe de Toninho Andrade passa pelos adversários é espantosa. Nesta quarta-feira, foi a vez do Tigres cair, em Xerém, por 3 a 0. Os gols foram feitos pelos principais destaques da equipe: Rodrigo Pinho, Rodrigo Lindoso e Camacho. O outro craque do "tricolor suburbano", Thiago Galhardo, conseguiu a proeza de ser expulso numa partida relativamente fácil.

Barra Mansa

E o Barra Mansa, hein? Com técnico novo - o "rei do acesso" Manoel Neto -, o Barra Mansa quase venceu o Vasco, em São Januário. Um resultado mais que surpreendente, afinal todos esperavam uma goleada vascaína. O bandeirinha errou ao anular o gol do Vasco no último minuto. Mas é outro fato inimaginável. Em outros tempos, para ajudar o time da Colina, valia estender a partida até os 59 minutos, valia gol de mão, valia inventar pênalti. Agora, a arbitragem erra a favor de um "pequeno". Outros tempos... outros tempos...

O destaque do empate em 1 a 1 foi, obviamente, o atacante Vitinho - autor do gol do Barra Mansa - e o goleiro Thiago Leal que suportou bem a pressão.

Nova Iguaçu

O Nova Iguaçu perdeu (outra vez) em casa. Desta vez para o Bangu. O time do técnico Mário Marques, realmente, teve as melhores chances, apesar de contar um goleiro dos juniores na meta e ainda perder um pênalti. O Nova Iguaçu, com Jânio Moraes à beira do campo, protestou muito após o apito final. Reclamavam não só da expulsão de Yan (quando a partida já estava 3 a 2), como de uma falta de ataque no último lance do jogo. O que o Nova Iguaçu não percebeu ainda é que a fragilidade desse time é enorme. Fora o goleiro Jéferson, quem é capaz de dar algum ânimo à Laranja da Baixada?


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09/02/2015 14h46

Resende e Bangu vergonhosamente roubados
Redação SRZD

Quem tem a santa paciência de acompanhar o Campeonato Carioca dia a dia assistiu a dois jogos manipulados neste final de semana. Primeiro, no sábado, o Resende - que equilibrou a partida o tempo todo contra o Flamengo - foi vergonhosamente "garfado" pelo árbitro Grazianni Maciel Rocha. 

O Flamengo já vencia por 1 a 0, embora a equipe do técnico Édson Souza estivesse bem na partida e poderia empatar a qualquer momento. O que fez o árbitro? Achou a solução mais básica. Numa bola lançada dentro da área, a disputa normal entre Admílton e Marcelo Cirino virou, claro, um pênalti para o Flamengo. 

Lance do jogo. Foto: reprodução de vídeo

Jamais, repito, jamais, se um lance semelhante ocorresse na área rubro-negra, Grazianni Maciel Rocha marcaria pênalti para o Resende. A Federação pode estar em guerra com o Fla, mas a COAF-RJ sempre irá ajudar o clube da Gávea. Seus árbitros são treinados e incentivados a manipular resultados a favor dos chamados "grandes" do Rio. Vou além. No Rio de Janeiro, um árbitro só cresce dentro da carreira se der provas de que não tem pudor algum. 

Dessa forma, Alecsandro conseguiu fazer o segundo gol do Flamengo e decretou uma injusta derrota do Resende. 

No domingo, ocorreu algo semelhante. Desta vez, a desonestidade pesou para o bandeirinha (esse papo de auxiliar é pura balela) Daniel de Oliveira Alves Pereira. O Fluminense vencia o Bangu por 1 a 0, até que, numa cobrança de falta, Almir lançou a bola para a área e Luís Felipe cabeceou para as redes de Cavalieri. Gol normal. Pois o bandeirinha inventou de anular o tento banguense. O motivo? Quer crescer na profissão. 

O rapaz, de 25 anos, é bombeiro no Rio de Janeiro. Está nos quadros da FFERJ desde 2009, sendo que desde 2012 é assistente das partidas dos times profissionais. O lance era muito simples. Bola parada, levantada na área. Só erra quem quer, quem realmente quer "assaltar" os clubes menores. 

Daniel de Oliveira Alves Pereira não cometeu um erro. Assinalou o impedimento inexistente do Luís Felipe por pura má intenção, por saber que ao ajudar um "grande", logo, deixará de ser assistente e virar árbitro. Seu crescimento dentro da COAF-RJ será rápido, podem escrever. 

O rapaz, que ganha mensalmente R$ 2.903,87 como soldado do Corpo de Bombeiros, certamente viu na possibilidade de integrar o quadro de arbitragem da FFERJ uma oportunidade de ganhar um dinheiro a mais. Por ter trabalhado neste domingo num "clássico" no Maracanã e influenciado diretamente no resultado, Daniel ganhou um valor maior do que seu salário mensal na corporação. Ser árbitro ou bandeirinha no Rio de Janeiro é recompensador. 

É provável que na rodada de quarta-feira, tanto Grazziani Maciel Rocha quanto Daniel de Oliveira Alves Pereira voltem a trabalhar normalmente. Resende e Bangu não possuem força suficiente para colocar os dois manipuladores de resultados na geladeira. O Botafogo e seu eterno chororô conseguiu isso. Rodrigo Nunes de Sá (o árbitro) e Luiz Cláudio Regazone (o assistente), que anularam um gol alvinegro na partida contra o Volta Redonda, estão suspensos temporariamente. 

Jorga Rabello - presidente da COAF-RJ - diz que eles vão passar por uma "reciclagem". Afinal, prejudicar um dos "grandes" não é algo que a cartilha da COAF-RJ ensina. Não se anula gol do Botafogo diante do Volta Redonda. Acompanho o Campeonato Carioca há mais de 25 anos e as manipulações são as mesmas do tempo de Eduardo Vianna. Isso nunca vai mudar. Quando saírem da "geladeira", podem escrever, Rodrigo Nunes de Sá e Luiz Cláudio Regazone irão aprontar. Azar do "pequeno" que cruzar o seu caminho.

No Rio de Janeiro, o crime sempre vai compensar.

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06/02/2015 08h27

O que eu vi (ou ouvi) da rodada
Carlos Molinari

Foi triste ver o Barra Mansa jogar no Maracanã. Triste porque mostrou claramente, para todo o país, o seu favoritismo absoluto ao descenso. Uma equipe desorganizada, sem um meia que pense as jogadas, sem uma zaga confiável - Thiagão e Paulão é de doer, e dependendo dos milagres do goleiro Thiago Leal, que é ótimo, mas não é imbatível.

O Barra Mansa demonstrou claramente que, em 2015, será igual ao Quissamã de 2013. Pode ganhar de alguém, mas eu duvido muito que qualquer time aceite perder dois pontos que seja para a equipe do técnico Wilson Leite.

Foto: Divulgação

O próximo adversário é o Friburguense, no Raulino de Oliveira. Sem medo de errar, não duvido que o Frizão vença o jogo.

Mas, o que podemos esperar de um clube que, desde o mês de novembro, não paga seus atletas?

No mesmo nível do Barra Mansa está o Bonsucesso. O clube da Leopoldina começou tarde sua preparação para o Carioca deste ano e está pagando seus pecados. Fora o fato de estar impedido de atuar na Teixeira de Castro, o Bonsuça foi dominado pelo Bangu durante os 90 minutos da partida de quarta-feira, em Conselheiro Galvão.

Um time ser dominado os 90 minutos pelo Flamengo, tudo bem. Mas ser dominado 90 minutos por um Bangu que, já sabemos por antecipação, ficará numa posição intermediária na tabela, é demais.

O Bangu, em boa fase neste início de ano, revelou ontem um menino chamado Marcus Vinícius. Garoto de apenas 19 anos e que, quando entrou no 2º tempo, colocou fogo no jogo. Até que, aos 35 minutos, fez o seu gol. Um gol logo na estreia. Era demais para a cabecinha dele. "Marcudinho", como é chamado, ajoelhou, chorou, ergueu as mãos aos céus e voltou a chorar. Imagino a emoção do rapazola.

Não preciso conhecê-lo para saber o quanto aposta viver dias melhores graças ao futebol que tem. Um gol logo na estreia entre os profissionais é um ótimo sinal para mostrar que está no caminho certo, que tem tudo para seguir uma carreira vertiginosa. "Marcudinho" deve estar, neste momento, sonhando em marcar um gol no Fluminense, no Maracanã, neste domingo. Pode até conseguir... aí sim, seria a glória total.

Se o "meu" Bangu vai bem. O Volta Redonda também está com 4 pontos e conseguiu frustrar o Botafogo, com um gol de Magnum aos 48 minutos do 2º tempo. O Botafogo de Renê Simões não pode ser visto como um "grande" atualmente. Tem um ótimo goleiro, repatriou o Rodrigo Pimpão para o futebol carioca, mas não é time para assustar ninguém. O Voltaço, em casa, tinha a obrigação de tirar pontos do Bota. E tirou.

Para terminar: não colocava muita fé no Nova Iguaçu diante do Fluminense. Resistiu bravamente durante todo o 1º tempo, mas acabou cedendo a virada. Uma pena para o time da baixada que, este ano, vai ter que suar muito para fugir da repescagem de 2016. Eu acho que não conseguirá ficar entre os dez primeiros...

Por outro lado, esperava e confiava muito no Resende do técnico Édson Souza. E, em pleno Estádio do Trabalhador, o time empacou diante do Tigres: o 1 a 1 foi uma decepção para os campeões da Copa Rio. Mesmo assim, nada impedirá uma outra grande campanha dos alvinegros este ano.

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30/01/2015 08h06

Melhor e pior
Carlos Molinari

Excluindo o Barra Mansa que, apesar de ser um clube bem antigo, mas que nunca tinha disputado a 1ª Divisão do futebol carioca, resolvi pesquisar um pouco e publicar qual foi o ano em que cada um dos times se saiu melhor e pior na história do Campeonato, a começar pelo meu Bangu...

Bangu Atlético Clube
Melhores campanhas: Campeão em 1933 e 1966
Pior campanha: 15º lugar em 1976 (último colocado. Na época não havia rebaixamento).
Total de participações: 99

Boavista Sport Club
Melhor campanha: 4º lugar em 2011 (quando foi vice-campeão da Taça Guanabara)
Piores campanhas: 12º lugar em 1996 e 1997 (quando ainda se chamava Barreira)
Total de participações: 11

Bonsucesso Futebol Clube
Melhor campanha: 4º lugar em 1933 (entre 6 participantes)
Pior campanha: 15º lugar em 2012 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 56

Associação Desportiva Cabofriense
Melhores campanhas: 4º lugar em 2006 e 2014
Piores campanhas: 15º lugar em 2009 e 2011 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 15

Friburguense Atlético Clube
Melhores campanhas: 4º lugar em 1999 e 2002
Pior campanha: 15º lugar em 2010 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 20

Macaé Esporte Futebol Clube
Melhor campanha: 5º lugar em 2009
Pior campanha: 14º lugar em 2011
Total de participações: 7

Madureira Esporte Clube
Melhores campanhas: Vice-campeão em 1936 e 2006
Pior campanha: 15º lugar em 1979
Total de participações: 68

Nova Iguaçu Futebol Clube
Melhor campanha: 8º lugar em 2014
Pior campanha: 14º lugar em 2013
Total de participações: 6

Resende Futebol Clube
Melhores campanhas: 5º lugar em 2012 e 2013
Piores campanhas: 14º lugar em 2010 e 2014
Total de participações: 7

Esporte Clube Tigres do Brasil
Melhor campanha: 11º lugar em 2009
Pior campanha: 16º lugar em 2010 (quando foi rebaixado)
Total de participações: 2

Volta Redonda Futebol Clube
Melhor campanha: Vice-campeão em 2005
Piores campanhas: 14º lugar em 1979 e 2009
Total de participações: 32



29/01/2015 17h16

Você já foi a Xerém?
Redação SRZD

Revolta. Essa é a palavra que eu mais li essa semana nas redes sociais. O descaso dos clubes com os prazos para requerer laudos técnicos, o descaso da Federação com seu próprio Campeonato, o descaso dos dirigentes com seus torcedores.

Estádio Los Larios. Foto: Reprodução

Se a competição é tida hoje como um fracasso de público - segundo estimativas do Correio Braziliense, a média do Campeonato Carioca de 2010 pra cá é de 4.112 pessoas por jogo, pior que o Campeonato Chinês da 2ª Divisão e que o Campeonato Inglês da 4ª Divisão -, os erros somados da Federação e dos dirigentes dos clubes são primordiais para que o torcedor fique em casa durante a competição.

Na semana que antecede o pontapé inicial, quase todos os jogos tiveram seus estádios modificados. Daí, o Fluminense protesta, publica uma nota cheia de ironias e passa a ser alvo da ira da Federação.

Vejamos o que temos pela frente:

Botafogo x Boavista, seria no Engenhão, mas foi transferido para São Januário.

Resende x Bonsucesso, seria em Resende, mas foi transferido para Édson Passos.

Barra Mansa x Volta Redonda, seria em Barra Mansa, mas foi transferido para o Raulino de Oliveira.

Bangu x Madureira, seria em Moça Bonita, mas foi transferido para Xerém.

Fluminense x Friburguense, seria no Maracanã, mas foi transferido para o Raulino de Oliveira.

Quem em sã consciência sairá de Resende ou de Bonsucesso e irá até Mesquita, no campo do América, ver esta partida? A torcida dos dois clubes é pequena. Está concentrada na bela cidade do interior fluminense e no tradicional bairro da Zona Norte do Rio. E a Federação, aliada à incompetência dos clubes para conseguir laudos de bombeiros e de defesa civil, manda a partida para um terceiro município, distante de tudo. Não teremos nem 80 pagantes, afirmo isso aqui sem medo de errar. As gratuidades obrigatórias por lei é que vão inchar o público oficial desta partida.

Vejam o caso ridículo de Bangu x Madureira. Em dezembro, o homem que responde pela presidência do Bangu, Jorge Varela, garantia aos quatro ventos que "o gramado de Moça Bonita estava isento de problemas". Inclusive, o time não jogou as últimas partidas da Copa Rio por lá, justamente para iniciar a necessária manutenção. E agora, na semana que antecede o clássico suburbano com o Madureira, a Federação vem informar que o jogo será no Estádio Los Lários, em Xerém, porque uma comissão da própria FFERJ não aprovou o estado do "tapete verde" dos banguenses.

Na verdade, não é só isso, o estádio de Moça Bonita aparece ainda devendo o laudo técnico pedido pela Polícia Militar.

Dessa forma, quem quiser ir ao jogo terá que se deslocar uma hora e meia pela BR-101 até chegar a Xerém. O que a Federação quer dizer quando remarca a partida entre os co-irmãos suburbanos para a Baixada Fluminense?

Vocês querem mesmo ver o "timinhos" de vocês... então vão ver lá, bem longe! Nada de Moça Bonita, nada de Conselheiro Galvão!

Vai ser outro espetáculo deprimente. Pouquíssimos ingressos colocados à venda, bilheteria às moscas. No máximo, um ônibus de cada torcida alugado, com muito esforço por alguns abnegados, para ir até Xerém.

Não adianta o Eurico Miranda entrar em guerra contra o Flamengo e o Fluminense, colocando os ingressos a preços módicos. Não adianta a Federação lançar publicações dizendo que este é o "campeonato mais charmoso do país". A desorganização dos clubes e os sucessivos erros na organização do Campeonato, pela própria Federação, condenaram, de antemão, a disputa de 2015 a ser mais um fracasso.

Por essas mudanças em cima da hora do local de vários jogos, pela baixíssima qualidade das equipes, pela falta de apoio da mídia aos clubes "médios", pelo excessivo número de jogos, o Campeonato Carioca vai continuar assim, com uma média de público pior que o Campeonato Nacional do Uzbequistão ou da Malásia.

Estatísticas

Desde 1934 quando começaram a se enfrentar, Bangu e Madureira já atuaram em Conselheiro Galvão (55 vezes), em Moça Bonita (54 vezes), na Rua Ferrer (antigo estádio do Bangu), na Rua Domingos Lopes (antigo estádio do Madureira), na Teixeira de Castro, no Maracanã, na Rua Bariri, em General Severiano (antigo estádio do Botafogo), em São Januário, na Gávea, nas Laranjeiras, na Figueira de Melo, em Campos Sales e no Andaraí (antigos estádios do nômade América), em Ítalo Del Cima, em São Gonçalo, em Édson Passos e em Nova Iguaçu. Em Xerém vai ser a primeira vez.

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27/01/2015 16h55

Bem-vindos ao Campeonato Carioca de 2015!
Redação SRZD

Tudo muito confuso, muito desorganizado. É assim que eu vejo o Campeonato Carioca deste ano. Faltam alguns dias para que a bola comece a rolar e as polêmicas estão aí. Primeiro, o preço dos ingressos. Depois, vários estádios sem laudo, mudanças de locais das partidas. Tudo a ser resolvido em cima da hora. Tal como manda a desorganização de uma Federação que não consegue promover seu principal produto.

É verdade que a fórmula do Campeonato Carioca esgotou. Uma mesma disputa, que vem desde 1906 e irá completar agora sua 110ª edição, realmente passa pelo desgaste do tempo. Só que, até pelo menos 1995, o público ainda achava bacana ir ao Maracanã, prestigiar os clubes e ver decisões emocionantes, tais quais o Fla x Flu daquele ano, o Botafogo x Fla de 1989, o próprio Flu x Bangu de 1985.

Jogo entre Bangu e Madureira, em Moça Bonita. Foto: DivulgaçãoHoje, ninguém acha interessante ir a um Campeonato cuja final entre Botafogo x Fluminense é lá em Volta Redonda, como foi em 2013. Ser campeão carioca é uma vitória de Pirro, só os tolos acreditam que aquela taça significa que o time está preparado para o Brasileirão logo em seguida. Ganhar do Nova Iguaçu, do Bangu, do Boavista não é mérito algum. Se os "grandes" decaíram muito, os "médios" e "pequenos", então, têm que se virar com o que conseguem: reforços de qualidade duvidosa e uma cota de TV que alcança o máximo de 1 milhão e 300 mil reais por ano (embora alguns presidentes digam que recebem entre 700 e 800 mil...)

A ideia da Federação para atrair público a um Campeonato sem prestígio e que, em 2014, levou, em média, 2.800 pessoas aos estádios, é baixar os preços. O tabelamento da Federação é até interessante. Mesmo que o expectador não torça para um Volta Redonda ou para uma Cabofriense, ele pode muito bem ir ao estádio e ver uma partida desses clubes por 10 reais. É um preço quase simbólico. Não vai desfalcar o orçamento de ninguém.

E, por mais que eu tenha a ideia clara de que os dirigentes da FFERJ gostam mais de dinheiro do que de futebol, eles também estão cortando na própria carne. Afinal, a Federação embolsa 10% da renda de cada jogo. Embora, tenham a esperança de que mais gente passe pelas bilheterias.

O desespero do Flamengo e do Fluminense é essa limitação ao teto de uma meia-entrada por 50 reais. Acham que por possuírem elenco milionários, seus clubes só podem entrar em campo para enfrentar um Barra Mansa ao preço de 100 reais, no mínimo. É ridículo isso. Por isso, a estreia do Flu já não vai mais ser no Maracanã, e sim no Raulino de Oliveira.

Na minha opinião, a Federação é a dona do Campeonato e pode muito bem tabelar o preço dos ingressos. Volto a dizer, jamais vi em qualquer ação de Rubens Lopes, desde que o conheci em 1999, algo positivo. Mas desta vez, creio que ele acertou. Estamos em um ano em que tudo aumenta: conta de luz, IPTU, IPVA, alíquota do Imposto de Renda, material escolar. A única coisa que baixou foram os ingressos do Campeonato Carioca. Que bom, né? E aí vem o Flamengo e o Fluminense e começam a entrar na Justiça contra isso?

Mas a Federação também tem seus problemas. Há um sem-número de estádios sem laudos. Bangu e Madureira, no sábado, por exemplo, iria ser em Moça Bonita. Não vai mais. O Bangu não tem laudo. Poderia se pensar em inverter o mando de campo, levar o jogo para Conselheiro Galvão. Mas o estádio do Madureira também não tem o laudo de proteção contra incêndio. Qual foi a solução? Mandar o jogo entre as duas equipes suburbanas para Xerém, no campo do Tigres. Resumindo: as torcida do Bangu e do Madureira dificilmente irão se deslocar até lá. Com isso, um jogo que poderia ter 500 pessoas, irá ter, no máximo, 80 pagantes.

Enfim, sábado começa esse paradoxal Campeonato. Não vai ser bom como já foi. Mas é o que temos. No final das contas, todos sabemos o que vamos encontrar pela frente.

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