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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



03/12/2015 15h37

Mudança de cores no Tigres
Carlos Molinari

Não sou fã de clubes de empresários, isso todo mundo sabe. Acho que eles, realmente, são mais bem organizados, possuem, atualmente, chances melhores de galgarem postos dentro do futebol brasileiro, mas sei que sem tradição, torcida e história suas partidas sempre vão ser disputadas com arquibancadas às moscas.

O Tigres do Brasil, de Xerém, é um desses casos. Participou da 1ª Divisão do Campeonato Carioca em três ocasiões e irá disputar a edição de 2016 numa boa parceria com o Corinthians, que cederá além de jovens atletas em experiência, toda uma comissão técnica para acompanhar a evolução desses jogadores. O Corinthians está explorando como nunca esse time de acordo. Já o fez com o Bragantino e com o América-RJ.

No caso do América, não houve o pedido que foi feito ao Tigres: mude suas cores. O América é o América desde sempre. O Corinthians não iria pedir para o América ser preto e branco (como foi no início do século XX). Mas o Tigres - que ninguém em São Paulo conhece - não poderia mais ter as cores verde e amarelo. Verde jamais. Lembra o Palmeiras. Então, como se pode ver, o Tigres, fundado em 2004, mudou suas cores, agora é amarelo e preto enquanto os jogadores do Corinthians estiverem lá por Xerém.

Foto: Reprodução de Internet

O time do nicaraguense Miguel Lários, dono da Poland Química, pode se prestar a esse tipo de mudança. Ninguém irá perceber. Sua inexistente torcida não irá protestar. O Tigres pode vestir qualquer camisa, utilizar qualquer escudo, não possui identidade, é muito novo para isso. Nem em Xerém, os moradores torcem pelo clube, que possui um dos melhores centros de treinamento do Rio.

O Tigres, ou o Corinthians-B ou C, está sob o comando de Marcelo Cabo - mesmo treinador que rebaixou o Bangu em 2004 (ano de fundação do Tigres) e irá estrear no Campeonato Carioca diante da Portuguesa, na Ilha do Governador, no dia 31 de janeiro. A mesma e tradicional Portuguesa, que mantém suas cores iguais as da bandeira de Portugal, desde a fundação. Tradição não se vende... 

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09/10/2015 11h33

Desnutridos
Carlos Molinari

A foto não é do jogo de quarta-feira entre Bangu x Gonçalense, é de um jogo-treino realizado em 2011 entre Bangu x Bonsucesso. O jogador da esquerda é um banguense, pequeno, mirrado, praticamente desnutrido. O jogador da direita pertence ao clube da Leopoldina, mais parrudo, forte, físico de atleta.

Foto: Divulgação

Essa é a realidade do Bangu presidido por Jorge Varela, advogado, primo do presidente da Federação do Rio. Seu clube ganha por ano mais de um milhão de reais só com cotas de TV. Os investimentos que faz para o Campeonato Carioca não passam da casa dos 300 mil reais. Há ainda recursos provenientes com transações de jogadores, que já passaram pelo clube e continuam mudando de equipe. Bem ou mal, as finanças cobririam o ano todo, sem percalços.

No entanto, o Bangu faz questão de se apequenar. Varela inventou a desculpa que para este ano não haveria dinheiro para a Copa Rio. Efetivou o ex-zagueiro Carlos Renan na função de técnico. Um técnico que não ganha salário. Está em experiência. Se der certo, continua. Se não, perdeu seu tempo no sol quente do bairro.

Seus jogadores também não recebem salário. Todos os jovens mirrados, desnutridos, anêmicos que o clube possui estão ali numa espécie de "contrato de experiência". Jogam, jogam e se conseguirem boas apresentações, serão mantidos no elenco do Campeonato Carioca e aí sim, passariam a ter direito a salários.

Evidente que nenhum jogador denuncia essa situação de escravidão que o Bangu faz hoje com os atletas. Todos jovens, temem que suas carreiras sejam destruídas pela influência que Varela tem na Federação de seu primo. Um jogador que for à Delegacia do Trabalho reclamar que participa de um campeonato de profissionais, mas não ganha nada, está definitivamente com as portas trancadas.

Alguns deles poderiam ir. Já deveriam estar convencidos que o futuro não está no futebol. Ninguém ali - exceção do atacante Samuel - tem qualquer chance de brilhar em um grande clube. O futebol de hoje é extremamente competitivo. Só joga no Bangu quem parou no tempo.

Recentemente fui cobrir um jogo da Série-D. Os jogadores do Botafogo de Ribeirão Preto pareciam touros premiados, fortes, altos, dispostos a ganhar o jogo no preparo físico. Estão a um passo de subir para a Série-C.

Hoje, um jogador que tenha sido titular no Bangu não consegue sequer espaço em qualquer equipe do futebol brasileiro. Vejam o exemplo do Willen, atacante que fez 5 gols em 19 partidas pelo clube entre 2013 e 2014. Atualmente, Willen esquenta o banco da Portuguesa de Desportos e fez apenas um gol na Série-C. Vejam o exemplo do Madureira, repleto de ex-jogadores do Bangu, como o goleiro Márcio, o lateral Iago, o volante Ives, o zagueiro Luís Felipe, o atacante Mateus, o meia Rafael Augusto. O que aconteceu? Foi rebaixado da Série-C para a Série-D com apenas uma vitória em 18 jogos.

Não são jogadores de futebol que vestem a camisa do Bangu. São os rejeitados, os que não conseguem empregar-se em um clube com mais estrutura, que pague melhor. Varela se aproveita disso e oferece salários baixos no Estadual e inventa um "contrato de experiência", até mesmo para o treinador, durante a Copa Rio. Faz os rapazes perderem tempo correndo no sol, esforçando atrás de um sonho impossível. É até sádico isto.

Na partida contra o Gonçalense isso ficou patente e até patético. No segundo tempo, foram três gols fáceis, de atletas profissionais contra amadores que não conseguiam sequer correr, sequer chegar na frente mesmo largando antes. Hoje, o Gonçalense não é só três, é duzentas vezes melhor que o Bangu.

Foi uma quarta-feira turbulenta em Moça Bonita. Antes do jogo, torcedores com camisas do grupo "Reage Bangu" - um movimento de oposição ao presidente Varela - foram impedidos de entrar nas arquibancadas cobertas do estádio. Ao que parece, é um direito legítimo do atual mandatário de bloquear a entrada de partidários de outro grupo nas sociais do clube. Até porque se ele quisesse fazer valer o nome de social ninguém poderia ficar ali, só os sócios, coisa que o Bangu hoje também não tem.

O problema maior ocorreu ao final do jogo, quando seguranças do presidente do clube bateram em um jovem da torcida "Castores da Guilherme", que protesta contra o resultado adverso. Aí já é caso de polícia, de dar-se o trabalho de um boletim de ocorrência. A truculência é a única resposta que Varela tem aos seus críticos. Jamais, desde 1999, se importou em fazer uma gestão digna ou transparente. Por isso, em vez de pagar os jogadores, gasta verbas do clube pagando seguranças.

E por aí vai...

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02/10/2015 08h39

Perguntas idiotas, competição inútil
Carlos Molinari

Na última terça-feira, o presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro esteve no Senado Federal, em Brasília, participando do engodo que é esta CPI do futebol.

Rubens Lopes foi a Brasília se divertir um pouco. Rir por dentro das perguntas idiotas dos senadores brasileiros. Cada um desses milionários do dinheiro público, fez uma questão mais abobada para o dirigente. Provando, mais uma vez, que nenhum deles entende absolutamente nada do que está acontecendo dentro das federações esportivas.

Havia várias questões a ser feitas ao presidente da FFERJ. Os clubes pequenos são obrigados a pagar taxas abusivas, incluindo o frete de vans que levam os juízes a seus estádios e que pertencem todas elas à própria Federação, passando por multas impostas se um time desistir de participar dos deficitários campeonatos promovidos pela FFERJ. Isso nenhum senador sabe, nenhum senador perguntou.

Foto: DivulgaçãoEntre as perguntas toscas, uma foi feita pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), que resolveu perguntar por quê o Vasco, campeão carioca, vai tão mal no Campeonato Brasileiro, se isso era ou não uma prova de que o Campeonato Estadual tem um nível baixíssimo. Omar Aziz poderia ter perguntado por que o Vasco tem oito pênaltis durante o Estadual, por que com o retorno de Eurico Miranda - parceiro histórico de Rubinho - o Vasco foi tão beneficiado no último Estadual. Mas, principalmente, perguntar qual a lógica da FFERJ fazer realizar, no segundo semestre, a Copa Rio, uma competição em que, pelo menos 50% dos clubes, não pagam treinadores e atletas.

Rubens Lopes e sua FFERJ promovem, todos os anos, uma competição amadora, dizendo-se profissional. Há vários treinadores que não ganham um centavo para comandar suas equipes. Eu, pelo menos, conheço três. Contrato de experiência, dizem os clubes. Há vários jogadores desses vários times - incluindo alguns que estão na primeira divisão do Estadual - que não recebem salários. Os clubes inventaram a lógica de que, quem se destacar na Copa Rio, garante contrato em 2016. Treinar sob o sol carioca, jogar para um público de 100 pagantes, perder tempo na vida, para, quem sabe, assinar efetivamente no ano que vem. A Copa Rio proporciona isso.

O America, curiosamente, é o clube que mais investe nesta Copa Rio. Isso não significa que vai ganhar a competição, nem que vai passar da primeira fase. Nesta quarta-feira, perdeu para o Barcelona de Jacarepaguá, do técnico Mazolinha. Foi 3 a 1. Um baile. E como todos nós já sabemos, o Barcelona é uma equipe praticamente amadora.

A FFERJ alimenta essa competição. Elias Duba, presidente do Madureira, foi enfático, vai colocar seus jogadores em campo apenas porque é obrigado e como forma de castigo pelo rebaixamento à Série-D. Para ele, a Copa Rio não serve para nada. Os senadores não perguntaram a Rubens Lopes a lógica de colocar 20 equipes em campo numa competição praticamente clandestina e financeiramente inviável. Nesta quarta-feira, nas arquibancadas de Moça Bonita, apenas 182 pessoas viam a partida entre o time da casa e o Friburguense.

Os senadores eram as pessoas mais despreparadas para questionar Rubens Lopes sobre qualquer coisa. Perguntaram sobre a Liga Sul-Rio-Minas, perguntaram sobre amenidades, sobre o jogo que passou ontem na TV. E mostraram mais uma vez que estão ali para brincar com o dinheiro público e fingir que trabalham. A FFERJ é muito mais nebulosa do que as perguntas amenas dos senadores demonstraram.

Sobre a Copa Rio

Pelo Grupo A, o Gonçalense já disparou com 12 pontos e uma vaga já parece certa ao time de Mário Marques, com toda justiça. O Resende deve ficar com a segunda vaga. Bangu, Friburguense e Angra dos Reis, com equipes "embustes", apenas participam.

Pelo Grupo B, o Volta Redonda alcançou a quinta vitória seguida. Não significa muita coisa. Está jogando contra equipes fragílimas. Barra Mansa, Duquecaxiense, Audax e até o Boavista não são testes para ninguém.

Pelo Grupo C, o mais equilibrado até aqui, Madureira, Macaé, América e Barcelona brigam por duas vagas. O Rio-São Paulo, treinado pelo simpático Macula, será o fiel da balança. Se conseguir tirar ponto de algum desses quatro, certamente irá interferir na classificação final.

Pelo Grupo D, Bonsucesso e Portuguesa me parecem mais aptos a passar de fase.

Enfim, a sorte está lançada. Mas pergunte a Elias Duba qual é a mesmo a importância da Copa Rio...

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03/08/2015 12h04

Quando não cair já está bom demais
Carlos Molinari

Estive sábado em Moça Bonita acompanhando o jogo entre Madureira x Caxias pela Série-C. É incrível o quanto o Tricolor Suburbano decaiu em relação ao Campeonato Carioca. Evidente que isso ia acontecer após o desmanche da equipe. Com Rodrigo Lindoso, no Botafogo; Rodrigo Pinho, no Braga; Thiago Galhardo, no Coritiba; o Madureira é uma sombra do time do primeiro semestre.

Madureira x Caxias. Foto: Carlos Molinari

Tem a sorte de ter enfrentado o Caxias, um time de péssima qualidade, que se fechou no 4-4-2 e ia ao ataque esporádicas vezes. Mesmo assim, o time de Toninho Andrade também não conseguiu fazer muito no 1º tempo. João Carlos, o homem-gol, estava completamente perdido. Brigador, tentava de tudo e fazia pouco. O árbitro de Tocantins, Alisson Furtado, também atrapalhou. Teve tudo para expulsar Negueba, o camisa 7 do Caxias, por três vezes e não o fez.

Assim, como quem não quer nada, o Caxias ainda fez 1 a 0 aos 43 minutos do 1º tempo. Bola rolada na meia-lua da grande área para Diego Torres. Ele chutou forte, mas no meio do gol. O goleiro Márcio pulou todo errado, a bola ainda bateu na sua mão e entrou. Um frango. O Caxias foi para o intervalo com a vantagem.

No 2º tempo, o Madureira foi para cima, apesar de irritar a torcida com a inoperância de Leandro Chaves e Arthur Faria. Toninho Andrade fez o certo: tirou o volante Magno e colocou o atacante Geovane Maranhão. O Tricolor começou a encurralar o adversário.

Mas aí, veio outro erro grosseiro do goleiro Márcio. Inadvertidamente, colocou a mão na bola fora da área. Um lance simples se transformou numa falta perigosa. Matheus Leoni cobrou, Márcio saltou e não evitou o segundo gol do Caxias, aos 14 minutos. Uma derrota seria péssima para o Madureira na luta contra o rebaixamento.

Quem salvou o Madureira foi o ex-atacante do Resende. Geovane Maranhão, de fora da área, acertou um belo chute no ângulo, aos 31 minutos, justamente quando o Caxias atuava com um a menos, depois da expulsão de Matheus Leoni.

Madureira x Caxias. Foto: Carlos Molinari

O gol deu ânimo ao Madureira, que ainda acertou uma cabeçada no travessão com o zagueiro Daniel. Maranhão, o herói do jogo, deixou tudo igual, em chute rasteiro, aos 42 minutos. Era a redenção do Madureira. O empate mantinha a vantagem que o clube tem sobre o Caxias, de 4 pontos, na luta contra a degola: 9 a 5.

No último minuto, Diego Torres quase fez o terceiro gol do Caxias. Bateu bem de fora da área. A bola explodiu no travessão. Sorte do Madureira.

O Caxias, rebaixado no Campeonato Gaúcho, fatalmente cairá na Série-C também, juntamente com o falido Guaratinguetá. O Madureira, que não fez questão de investir este ano, irá se conformar em ficar na 8ª posição do Grupo B. Ano que vem, estará novamente na 3ª Divisão. Era isso que a diretoria queria. Pra que se precipitar? Está bom demais assim.


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17/07/2015 09h07

Quatro anos na Segunda Divisão
Carlos Molinari

Depois que o América voltou à primeira divisão do Campeonato Carioca, passaram a me perguntar como foi a campanha americana, o que eu espero do clube em 2016, se estava feliz ou triste com o acesso dos rubros. Fiz questão de lembrar a todos que o América sofreu - tal como o Bangu entre 2005 e 2008 - quatro anos na Segundona, disputando sem sucesso os torneios de 2012, 2013 e 2014.

Darlan. Foto: Raffa Tamburini/America

Quantos jogos fez o América para subir? De 2012 até hoje, foram exatas 79 partidas. Das quais, os rubros venceram 34, empataram 20 e perderam 25. Os americanos anotaram 120 gols e levaram 90. Um bom saldo de 30 gols.

Abaixo, apresento para os torcedores americanos e para todos aqueles que não acompanharam, o drama do clube rubro na Segunda Divisão do Campeonato Carioca. Não incluo aqui as vitórias conquistadas por WO, como a que o América obteve este ano sobre o Mangaratibense.

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2012

04/02 - América 4 x 1 Juventus
08/02 - América 1 x 1 Sampaio Corrêa
11/02 - América 1 x 2 Audax
15/02 - América 2 x 1 Angra dos Reis
22/02 - América 1 x 2 Imperial
25/02 - América 2 x 1 Goytacaz
03/03 - América 3 x 3 Cabofriense
10/03 - América 0 x 1 Portuguesa
17/03 - América 0 x 1 São João da Barra
24/03 - América 1 x 1 Juventus
28/03 - América 2 x 3 Sampaio Corrêa
31/03 - América 1 x 2 Audax
04/04 - América 1 x 2 Angra dos Reis
07/04 - América 4 x 1 Imperial
14/04 - América 0 x 1 Goytacaz
21/04 - América 2 x 1 Cabofriense
28/04 - América 1 x 0 Portuguesa
02/05 - América 4 x 3 São João da Barra

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2013

02/03 - América 1 x 0 Mesquita
06/03 - América 1 x 0 Cabofriense
09/03 - América 2 x 2 América/TR
16/03 - América 1 x 1 Americano
23/03 - América 4 x 0 Barra Mansa
30/03 - América 3 x 1 Bonsucesso
03/04 - América 5 x 0 Barra da Tijuca
06/04 - América 2 x 1 Ceres
10/04 - América 8 x 1 Serra Macaense
13/04 - América 2 x 1 Tigres
20/04 - América 0 x 2 Cabofriense
01/05 - América 2 x 2 Sampaio Corrêa
08/05 - América 3 x 0 Artsul
11/05 - América 2 x 1 Portuguesa
25/05 - América 0 x 2 Paduano
01/06 - América 1 x 1 São João da Barra
05/06 - América 0 x 2 Goytacaz
08/06 - América 0 x 1 Angra dos Reis
25/08 - América 1 x 1 Cabofriense
28/08 - América 1 x 2 Bonsucesso
31/08 - América 1 x 0 Cabofriense
08/09 - América 0 x 0 Bonsucesso

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2014

15/02 - América 2 x 2 Tigres
22/02 - América 1 x 2 Ceres
26/02 - América 1 x 4 Barra Mansa
08/03 - América 2 x 1 Sampaio Corrêa
15/03 - América 1 x 0 Angra dos Reis
22/03 - América 1 x 0 Mangaratibense
26/03 - América 2 x 1 Olaria
29/03 - América 2 x 3 Olaria
12/04 - América 1 x 3 Portuguesa
16/04 - América 0 x 4 Americano
19/04 - América 1 x 2 Barra da Tijuca
26/04 - América 0 x 2 São João da Barra
30/04 - América 2 x 0 Queimados
10/05 - América 2 x 1 Paduano
14/05 - América 0 x 1 Goytacaz
17/05 - América 0 x 0 São Gonçalo

Campeonato Carioca da 2ª Divisão 2015

14/03 - América 2 x 2 Audax
18/03 - América 1 x 0 São João da Barra
22/03 - América 0 x 0 Americano
25/03 - América 3 x 0 Ceres
29/03 - América 3 x 0 São Cristóvão
04/04 - América 2 x 1 Portuguesa
11/04 - América 0 x 1 Gonçalense
15/04 - América 0 x 0 Sampaio Corrêa
18/04 - América 0 x 0 Goytacaz
22/04 - América 0 x 0 Americano
25/04 - América 2 x 3 Americano
13/05 - América 0 x 0 Duque de Caxias
16/05 - América 4 x 0 Barcelona
20/05 - América 3 x 2 Olaria
23/05 - América 2 x 1 Barra da Tijuca
30/05 - América 0 x 0 Angra dos Reis
10/06 - América 2 x 0 São Gonçalo
13/06 - América 0 x 1 Queimados
17/06 - América 2 x 2 Portuguesa
20/06 - América 0 x 1 Portuguesa
08/07 - América 2 x 0 Americano
12/07 - América 2 x 2 Portuguesa
15/07 - América 2 x 0 Americano


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16/07/2015 10h43

O América no lugar certo
Carlos Molinari

Acabou o drama de quatro anos do América. Desde que foi rebaixado em 2011, os americanos sonham com esta quarta-feira. Estiveram a ponto de subir em 2013, mas tiveram que ver outras equipes, menos tradicionais, ocuparem as duas vagas que o América tanto desejava. 

Em 2015, no papel, ninguém tinha uma equipe tão promissora quanto o América. Somália, Léo Rocha, Fábio Braz, Vágner Eugênio, Abedi. Na prática, o América penou mais do que deveria. Chegou a demitir o treinador Arturzinho na reta final do Campeonato. Ignorou todo o trabalho feito pelo ídolo Eduzinho. 

América volta à Série A do Campeonato Carioca. Foto: Sandro Vox/America Rio

Sem ganhar um turno sequer, o América pensou que este dia nunca ia chegar. Tinha sido eliminado pelo Americano e pela Portuguesa nas duas semifinais. Quando estava convencido de que poderia subir graças aos esforços da Portuguesa, eis que o Americano forçou um Triangular Final.

Muito se falava que a vaga da Portuguesa já era certa. Mas que o Americano - por entrar em conflito com a Federação pela taxa de transporte do Batalhão Policial que trabalha em estádios - jamais teria qualquer ajuda da FFERJ no Triangular. E o América, mesmo com o técnico interino Ricardo Cruz, fez três partidas memoráveis. Primeiro, ganhou lá em Campos. Depois, teve tudo para vencer a Portuguesa em Édson Passos. O empate acabou sendo bom para ambos. E, nesta quarta, venceu no 2º tempo, eliminou o alvinegro campista, exorcizou um fantasma e assumiu a liderança do Triangular com 7 pontos. 

Ainda não é o campeão de 2015, mas isso pouco importa. O América está de volta à 1ª Divisão do Campeonato Carioca. A Portuguesa também está na elite após nove anos de ausência. Os dois clubes brigarão pelo título nas duas rodadas que faltam. 

Para o América, tudo ficou mais bonito. Subir graças à Portuguesa, na "aba", seria algo falso. Subir graças aos próprios méritos, humilhando duas vezes o Americano, é bem melhor. Voltar à elite como bicampeão pode ser a glória final. 

E era importante para o América estar na 1ª Divisão em 2016, ano do centenário do segundo título do clube. Em 2013, os americanos sequer podiam se lembrar que, há cem anos, o time tinha sido campeão carioca. Agora em 2016, o América vai nos esfregar nos rostos que foi campeão também em 1916. 

Para o Campeonato Carioca é ótimo. Além de Bangu, Madureira e Bonsucesso, agora temos também Portuguesa e América. Falta, é claro, o Olaria, o São Cristóvão e o praticamente extinto Campo Grande. Aí seria alegria total. Mas eu fico feliz que cinco gigantes da história do nosso futebol participem da 1ª Divisão. 

O Estadual sem o América é mais sem graça. Qual a lógica de um Barra Mansa na vaga de um América? Eu prefiro o América, duelando com o Bangu, atrapalhando a vida dos grandes, tirando pontos dos times do interior. 

E vou além. Se o América conseguir manter este elenco para o segundo semestre, é desde já favorito ao título da Copa Rio. A equipe está entrosada. Jogadores outrora contestados agora viraram ídolos. Após quatro longos anos, o clima em Édson Passos voltou a ser bom. 

Parabéns ao América e à Portuguesa. Conseguir o acesso em um certame longo, cansativo, cheio de fases e turnos é sempre uma luta árdua. Só vence quem investe, quem raspa os cofres, quem leva a sério o futebol.

Madureira

Enquanto isso, na Série-C, o remodelado Madureira - que perdeu todos os seus destaques no Campeonato Carioca e se armou com ex-jogadores do Bangu - está na zona de rebaixamento, caminhando para a Série-D em 2016...


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01/07/2015 13h41

Parabéns ao Olaria Atlético Clube
Carlos Molinari

Lembro bem de um domingo em que peguei um ônibus e saltei na Avenida Brasil, na altura de algum supermercado que hoje já está desativado. Estava indo para a lendária Rua Bariri. Era 1999 e pela primeira vez iria ver um jogo no alçapão.

Andei alguns quarteirões e logo me deparei com o estádio do Olaria. Simpático, bem no meio do bairro, com uma ampla piscina, área de lazer para os sócios e um pagode rolando solto. O jogo entre Bangu e o time da casa parecia bem menos importante. Tinha mais gente no pagode.

Centenário do Olaria. Foto: ReproduçãoO Olaria me pareceu, eis a verdade, um grande clube social. O futebol profissional, que naquela época contava com o atacante Darci (sósia do Ronaldo), não despertava tanto interesse dos moradores do bairro.

Foi esse o Olaria que vi. Em 2000, voltei ao alçapão. O estádio estava mais vazio ainda. Nem aquele torcedor solitário do megafone, que gritava "Olaria, Olaria, Olaria" até a língua embolar, existia mais. Era dia de semana. Não tinha nem o pagode.

Eis que recebo um aviso: aquele clube lá da Zona Norte vai fazer 100 anos. Dia 1º de julho, o Olaria completa um século de vida. És 7h da manhã houve uma estrondosa queima de fogos. És 8 horas, uma missa no salão nobre. E às 9h da manhã,um café da manhã.

Segundo o presidente Augusto Pinto Monteiro, o Olaria tem hoje cinco mil sócios ativos (número que faz um Bangu e um América babar de inveja). Durante os finais de semana, mais de quatro mil pessoas passam pela sede social do clube, indo se refrescar na piscina, frequentar o bar ou escutar o famoso pagode.

O futebol, em baixa nos últimos anos - este ano o time ficou apenas em 7º lugar na Segundona -, parece uma prioridade distante. Mesmo assim, o presidente Pintinho me garante: tem mais de duas mil crianças nas escolinhas do clube. Ou seja, quem mora no bairro não necessariamente torce para o Olaria, muitas famílias das redondezas acreditam que ali na Bariri é possível formar um jogador para o futuro.

Nem sempre o centenário Olaria Atlético Clube esteve em baixa no futebol profissional. Já disputou 60 vezes o Campeonato Carioca da 1ª Divisão. Em 1971, impressionou ficando em terceiro lugar na disputa. Participou duas vezes do Brasileirão (Série A), em 1973 e 1974. Foi campeão da Segundona carioca em 1931 (deixando o Mackenzie como vice) e 1983 (deixando o Friburguense como vice). Foi campeão do Torneio Início em 1960, do Torneio da Integração (uma espécie de Copa Rio) em 1977 e da Taça de Bronze (o primeiro Campeonato Brasileiro da Série-C) em 1981.

Olaria. Foto: Reprodução

Recentemente, quando estava na 1ª divisão, ganhou a Taça Moisés de Andrade em 2010 (goleando o Boavista na final) e a Taça Washington Rodrigues em 2011 (batendo o Resende nos pênaltis).

Gosto do Olaria. Gosto do azul forte do clube. Gosto do estádio da Rua Bariri. E desejo que toda a diretoria, por mais problemas que tenha para administrá-lo, consiga dar a volta por cima. Aos poucos, estabelecendo metas, buscando patrocínios, é possível ver o Olaria novamente na 1ª Divisão do Campeonato Carioca e, quem sabe, na Série-D do Campeonato Brasileiro.

O futebol profissional, porém, é o grande "calo" nesses clubes de bairro, que ainda hoje insistem em sobreviver. Mas qual seria a lógica do futebol se, em vez desses times tradicionais, como o Olaria, só tivéssemos em campo equipes como Audax? O resultado imediato é que jamais ganharíamos um convite para uma festa de cem anos...

Parabéns, Olaria Atlético Clube!


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25/06/2015 20h21

A Portuguesa será campeã! O América sobe!
Carlos Molinari

Sábado será um dia importante. A Portuguesa será tetracampeã carioca da Segunda Divisão: 1996, 2000, 2003 e 2015. Nada mais merecido. Este ano, a equipe do técnico Luiz Antônio perdeu apenas duas vezes (uma para o América, por 2 a 1, e outra para o Americano, por 4 a 3). Fora isso, fez 40 pontos em 17 rodadas na fase de classificação, ganhou o 1º turno, tem Allan, com 19 gols, como artilheiro da competição e, agora, está a apenas um empate de ganhar também o 2º turno. Nunca houve isso.

Portuguesa x Americano. Foto: Reprodução/Site Americano

A Portuguesa sobrou na turma. Montou um time na medida para a Série-B e irá conquistar o título com a máxima justiça. Ao Americano, do técnico João Carlos, a situação ficou mais complicada. Deveria ter ganho a partida em Campos, colocou algumas bolas na trave, perdeu oportunidades e desperdiçou a chance de jogar no sábado com a vantagem do empate. Na Ilha do Governador, com as torcidas da Portuguesa e do América unidas, dificilmente o Americano conseguirá vencer.

Aí é que surge uma outra história engraçada. O Americano foi vice-campeão do 1º turno e, agora, pode ser também vice-campeão do 2º turno. Ou seja, à frente do time campista, apenas a Portuguesa. E quem será o vice-campeão carioca de 2015? O América.

Sim! O regulamento assinado pelos clubes e bolado pelo genial Marcelo Vianna prevê que, em caso de um time vencer os dois turnos e ser o maior pontuador na fase de classificação, o vice-campeão seria o segundo time que mais tivesse somado pontos na primeira fase. Desta forma, o América, com 33 pontos, bate o Americano, que teve 32 pontos.

É estranho e não deixa de ser uma situação ridícula. Mesmo sem nunca (eu disse nunca, americanos!) ter chegado a uma final de turno enquanto esteve na Segunda Divisão em quatro anos, o América tem agora a chance de ouro de voltar à primeira divisão, sem muito esforço. Basta que a Portuguesa empate o jogo de sábado. A Portuguesa erguerá a taça. O América, eliminado nas semifinais dos dois turnos, será o vice-campeão.

E, como o Campeonato Carioca de 2016 já foi todo alterado, o América não irá mais participar daquele Torneio Seletivo com Bonsucesso, Tigres, Boavista... Agora, todo mundo está diretamente na 1ª Divisão. Seja a Portuguesa ou o América.

Falo assim, porque considero a Portuguesa como campeã por antecipação. Mas, se o Americano vencer a partida na Ilha, a coisa se complica. Aí teremos um Triangular Final com os três clubes. Seria um martírio para a Portuguesa ter que jogar mais quatro partidas, podendo arriscar um título que estava tão fácil. Para o América, seria uma tormenta. Nessa reta final, está claro que a situação dos times de Luiz Antônio e João Carlos é melhor do que os rubros de Ricardo Cruz. Ir para o Triangular, significaria ficar novamente em terceiro lugar, assim como ocorreu em 2013.

O único interessado neste Triangular, claro, é o Americano. É a única chance que o tradicional clube de Campos tem para voltar à elite. Sábado, por mais difícil que seja, por maior favoritismo que a Portuguesa leve, o Americano terá que se desdobrar. E dificilmente conseguirá.

Por mim, a fatura já está liquidada. No 1º Turno, a Portuguesa fez 5 a 1 no Americano na decisão. Creio que, no sábado, com o nervosismo típico das grandes decisões, a Lusa irá se contentar com um placar bem menor. Um 0 x 0 está de ótimo tamanho. E o América volta à Primeira Divisão "na aba"...


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17/06/2015 17h17

Ah... o América...
Carlos Molinari

Eis que chegamos na reta final do Campeonato Carioca da 2ª Divisão. Apenas a Portuguesa, o América, o Americano e o Duque de Caxias têm chances de estar entre os dois (segundo o novo regulamento da FFERJ para 2016) que subirão para a primeira divisão.

A Portuguesa, apesar de ter ganho o 1º Turno e ter sido o time que mais pontos fez em toda a competição, inacreditavelmente, ainda não tem vaga assegurada. Para conseguir o feito, a Lusa tem que vencer também o 2º Turno. Parece mentira, mas é o regulamento.

Foto: Raffa Tamburini/ America Rio

Na tarde desta quarta-feira, a Portuguesa conseguiu dar mais um passo nesse confuso Campeonato. Empatou com o América, em Édson Passos, por 2 a 2 e agora, pode empatar na Ilha do Governador que chegará à final do 2º Turno.

A situação do América, mesmo empatando este primeiro jogo e com Accioli perdendo um pênalti quando o jogo ainda estava 0 x 0, ainda é cômoda.

Caso a Portuguesa confirme o título dessa Taça Corcovado, o América passa à 1ª Divisão como vice-campeão estadual por ter feito a segunda melhor campanha nas 17 rodadas de classificação. Seria o fim de um martírio de quatro anos.

Mas no América nada é tão simples. Depois de disputar todo o Campeonato, com altos e baixos, o técnico Arturzinho foi demitido às vésperas de se iniciar as semifinais. Por mais que o "Rei" Artur não seja um gênio tático, ele é um treinador com um bom currículo, subiu o Joinville da Série-C para a Série-B e merecia, no mínimo, mais respeito.

A demissão de Arturzinho desagradou alguns atletas do elenco - como Léo Rocha (autor do gol de empate nesta quarta-feira) - e abriu espaço para que o ex-goleiro Ricardo Cruz assumisse interinamente o cargo. Na primeira experiência, contra a Portuguesa, o time errou muitos passes, empatou e mantém suas esperanças numa vaga na final. Especula-se que, se houver mesmo o Triangular Final, com Portuguesa, América e mais um time, o clube rubro irá contar com os serviços de Cleimar Rocha.

Tem torcedor americano achando melhor perder a vaga na final para a Portuguesa e depois torcer para que a Lusa derrote ou Americano ou Duque de Caxias na final da Taça Corcovado. As opinião são de que, participando de um Triangular Final com esse time e entrando com um ponto a menos que os dois vencedores de turno, as chances do América voltar à 1ª Divisão são bem reduzidas. Em confrontos diretos, o time perderia para a própria Portuguesa e até para o Americano.

Eu concordo com eles. Com o time sem um comandante, em má fase, perdendo até mesmo para o Queimados (só não comprometendo sua classificação porque o Olaria caiu na última rodada para o Angra dos Reis), o América teria forças para um Triangular Final.

Merecidamente, esse título deverá ficar com a Portuguesa, futura tetracampeã da Segunda Divisão: 1996, 2000, 2003 e 2015. Ao América, resta torcer pela Lusa para se classificar automaticamente.

Paciência, torcedores americanos, o acesso vai chegar...

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15/05/2015 19h35

Spray de pimenta x pó de mico
Carlos Molinari

O polêmico ataque da torcida do Boca Juniors com spray de pimenta aos jogadores do River Plate, pela Libertadores da América, trouxe-me à lembrança um fato ocorrido no ano de 1979, em Moça Bonita.

- La Bombonera é interditado pela Justiça após violência em partida da Libertadores

La Bombonera. Foto: Divulgação

Bangu x Vasco jogavam pela 3ª rodada do Campeonato Carioca, o estadinho do subúrbio estava cheio: 7.954 pessoas pagaram ingresso, fora os muitos penetras. Na época, spray de pimenta era novidade. Para irritar o adversário, nada melhor que jogar o hoje quase extinto, pó de mico.

A descrição da cena é feita pelo também extinto Jornal do Brasil:

"Estádio lotado. As torcidas festejavam a entrada dos times em campo. A do Bangu, expressiva, afinal a equipe estava invicta há seis jogos. Eis que, durante a saudação dos jogadores do Vasco à sua torcida, o goleiro Leão apressou-se a correr para o vestiário, tentando desesperadamente livrar-se das luvas, logo seguido por Abel e Marco Antônio, porque começaram a sentir uma coceira súbita.

Consultado, o massagista Santana garantiu tratar-se de pó de mico, pois ele também passara a sentir as coceiras. Convocada a segurança do clube, logo descobriu-se que partira do vestiário do Bangu, ao lado, mas a essa altura Santana tentava resolver o problema a seu modo. Partiu para cima do técnico Duque, do Bangu, tentando agredi-lo.

Constatado o fato, o médico Nicolau Simão ainda tentou cancelar a partida, mas persuadido pelo juiz fez com que os jogadores tomassem banho com sabão de coco e álcool. Serenados os ânimos, o discotecário do Bangu, Édson Isidoro, foi detido com uma caixa de papelão contendo o insólito produto, que tantos contratempos causou ao Vasco. Foi levado para a 34ª DP, mas o Delegado Tito não encontrou no código penal um artigo em que pudesse enquadrá-lo".

A história, prosaica, faz parte do folclore do futebol carioca. O Bangu não perdeu o mando de campo - afinal foi um fato isolado de um único homem. A partida foi realizada com um grande atraso e o Vasco acabou vencendo por 3 a 0.

Édson Isidoro, o discotecário que não foi preso em 1979, acabaria voltando às manchetes vinte anos depois, em 1999. Trabalhando como enfermeiro do Hospital Salgado Filho, no Méier, ele foi novamente detido (e desta vez preso) por cometer eutanásia em alguns pacientes internados.

Eram outros tempos. A violência generalizada de hoje nem se compara com a de 1979. Outro dia, na Ilha do Governador, torcedores da Portuguesa da Ilha e do Goytacaz entraram em guerra durante o intervalo. Numa partida do Campeonato Carioca da 2ª Divisão que levou apenas 518 pessoas ao Luso-Brasileiro. Mesmo assim, houve conflito. Os sete policiais que estavam no estádio não deram conta de tamanho público. Um dirigente do time de Campos foi além e disse que havia apenas dois homens da PM acompanhando o jogo.

Na súmula, o árbitro Paulo Renato Moreira da Silva deu poucos detalhes sobre a confusão que tomou conta do jogo. Disse que o atraso para o início do 2º tempo foi de apenas 8 minutos e informou que o tumulto começou do lado da torcida do Goytacaz. Bastante sucinto.

Ocultar a verdade não é a forma mais correta para que a violência nos estádios diminua...

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28/04/2015 09h46

O mal do América
Carlos Molinari

A torcida do América tem toda razão em reclamar. Alguns, reclamam do técnico Arturzinho que recuou o time após o empate em 2 a 2. Outros, reclamam de mim, como se eu fosse o pé-frio, o seca-pimenteira que atrapalhou o título do 1º turno.

A derrota, em casa, com um gol aos 44 minutos do 2º tempo foi algo de cortar o coração. O América não merecia tamanho castigo. Porém, é bom lembrar a fragilidade emocional e o azar que clubes como o América e o Bangu têm na hora das decisões.

Esse ano, os dois só precisavam empatar para conseguirem algo maior. O Bangu perdeu para o Resende. O América caiu para o Americano, sempre em Édson Passos.

Foto: Reprodução

Fora isso, eu lembro de uma história que o Chico Anísio contava. Torcia para o América, até que num daqueles Campeonatos Brasileiros cheios de fase, o América precisava apenas empatar com o Náutico, em São Januário, para seguir na competição. Acabou perdendo para o time pernambucano. Chico Anísio se irritou e virou a casaca. Passou a torcer para o Vasco - o que não quer dizer obrigatoriamente que ele parou de sofrer.

O fato é que o América, apesar dos bons nomes no elenco, perdeu fôlego nessa reta final. Há quantos jogos o time não vence? Já são cinco partidas sem vitória. Nos últimos cinco jogos, o América marcou apenas dois gols - justamente esses dois diante do Americano. De 11 de abril para cá, o time perdeu para o Gonçalense (0 x 1), empatou com o Sampaio Corrêa (0 x 0), empatou com o Goytacaz (0 x 0), empatou com o Americano (0 x 0) e, por fim, acabou sendo eliminado pelo time de Campos no finalzinho.

Pelo menos, com a eliminação, o time terá um longo tempo de inatividade para tentar se reestruturar. A próxima partida, novamente em Édson Passos, será no dia 13 de maio, contra o Duque de Caxias, que está flertando com o rebaixamento.

O desânimo pela terceira eliminação consecutiva em casa - anteriormente, o América já tinha perdido para a Cabofriense e para o Olaria - já vai ter passado. Mas há algo errado. Sempre quando precisa apenas de um empate, jogando em Édson Passos, o time perde.

Eu tenho minha teoria. O América é um time tijucano. Atuar em Édson Passos é, para o clube, uma situação estranha. O estádio, inaugurado no ano 2000, trouxe algumas alegrias, é verdade, como aquela vitória por 3 a 2 sobre o Flamengo, em 2003. Mas, fora isso, e é bom que seja feita uma estatística, creio que o América tenha mais derrotas do que vitórias em seu próprio campo.

Vejamos o exemplo das partidas contra o Bangu em Édson Passos desde o ano 2000. No campo do América, o Bangu venceu 11 vezes, empatou três e perdeu apenas duas (uma em 2001 e outra em 2004). É absurdo que o América não consiga se impor em Édson Passos!

Seja como for, fica minha dica à Comissão Técnica dos rubros para o 2º Turno da Série-B: em caso de classificação para as semifinais, joguem em outro campo! Livrem os jogadores desse trauma de sempre perder em casa (inclusive para o Ceres por 3 a 1, lembram-se?)

Pronto, americanos, podem discordar, podem me xingar. Mas eu acho que diagnostiquei o principal problema...

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21/04/2015 12h04

Em cima do muro? Jamais! O América vencerá o 1º Turno
Carlos Molinari

Angra dos Reis x Portuguesa; Americano x América. Essas são as partidas das semifinais do Campeonato Carioca da 2ª Divisão (1º Turno). Entre quarta-feira e sábado iremos conhecer os dois finalistas da Taça Santos Dumont.

Dentre os 18 times da nossa "Série-B" ninguém tem melhor campanha que a Portuguesa da Ilha. O time fez 20 pontos em 9 jogos, ganhou seis vezes e aparece como favorito para o confronto da semifinal. Treinado por Luiz Antônio, o mesmo técnico que rebaixou o Olaria em 2013, a Portuguesa tem uma equipe sem grandes nomes. Belarmino, ex-Nova Iguaçu, Silvano, ex-Cabofriense, e o artilheiro Alan, ex-América, são os jogadores mais conhecidos do elenco.

Foto: Raffa Tamburini/ America Rio

Pode parecer pouco, mas é suficiente para conseguir passar por cima dos demais adversários desta Série-B e, creio eu, passar também pelo Angra dos Reis. Até porque o time dirigido por Carlos Alberto Santos não poderá mandar jogos em seu estádio. A primeira partida das semifinais será em Moça Bonita, campo neutro, portanto. Ao menos, o goleiro da equipe angrense é o Fernando Cunha, ex-Bangu, que conhece bem o gramado alvirrubro. Fora isso, tudo leva a crer que a Portuguesa irá se classificar. Afinal, o Angra dos Reis - que ficou em segundo lugar na chave do América - fez apenas 14 pontos em 9 jogos e marcou meros sete gols em toda a competição. Se estivesse na Chave A - grupo onde estava a Portuguesa - teria ficado em sexto lugar.

O segundo confronto, entre América e Americano, possui um prognóstico bem mais difícil. Pese o fato de que são dois "gigantes" desta Série-B e dois times ávidos por retornar à elite. O Americano fez mais pontos que o América nesta primeira fase (18 a 16), porém enfrentou adversários mais fáceis.

O Americano do técnico João Carlos Éngelo tem a obrigação de conseguir a vitória no primeiro jogo, disputado no estádio Ari de Oliveira e Souza. Um empate atuando em Campos seria desastroso para o time alvinegro, que tem como destaques o meia Abuda e o atacante Léo Guerreiro, ex-Boavista.

Equipe mais cotada em qualquer bolsa de apostas, o América do técnico Arturzinho tem tudo para se classificar para a decisão do 1º Turno. Tem um elenco mais experiente, possui bons nomes como Abedi, Somália, ex-Duque de Caxias e Léo Rocha e, apesar de ter decaído nas últimas partidas - o time não marca gols há três jogos - possui um conjunto melhor que o Americano e até mesmo que a Portuguesa.

Falta ao América se livrar de uma estranha sina de perder jogos decisivos em Édson Passos, que já impediram ao clube rubro chegar ao título de alguns turnos. Está bem viva na memória dos torcedores tropeços para a Cabofriense e para o Olaria, que foram cruciais para deixar o América na "Série-B" até os dias de hoje.

Este ano, creio eu, ninguém irá impedir o sucesso dos rubros. Nem mesmo o bom time da Portuguesa.

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17/04/2015 11h50

Não é pra qualquer um: 111 anos de Bangu
Carlos Molinari

Hoje, dia 17 de abril, o segundo clube de futebol mais antigo do Rio de Janeiro, completa 111 anos. Fundado num domingo numa casa  vila operária anexa à Fábrica de Tecidos, o Bangu representa, por mais de um século, uma curiosa resistência: ser o único clube originalmente fabril que se mantém participando de campeonatos profissionais, mesmo com a extinção da Companhia que lhe deu origem.

Para  comemorar a data, reunimos 15 ex-atletas do clube, que teceram uma pequena homenagem e nos dizem o que o simpático time da Zona Oeste representa na vida de cada um.

Parabéns, Bangu!

Foto: Reprodução

Bimba, lateral-direito entre 1988 e 1994

O Bangu pra mim pra mim, depois das minhas filhas, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Devo tudo que sou hoje a esse clube maravilhoso, que arrebatou e encheu o meu coração de amor. Bangu se resume em uma simples palavra na minha vida: amor.

Carlos Renan, zagueiro entre 2010 e 2014

O Bangu representa muito para mim. Lá vivi momentos muito especiais na minha vida e que guardo com muito carinho.  Foi uma honra poder ter vestido essa camisa como atleta, poder dar meus primeiros passos nessa minha nova fase dentro do futebol. Quando nascemos temos o clube que normalmente recebemos de nossos pais, e o Bangu é o clube que eu me apaixonei e que escolhi amar. Gostaria poder estar comemorando essa data com o presente que seria a volta ao Campeonato Brasileiro, mas tenho certeza que irá se concretizar em breve. Parabéns ao nosso querido Bangu e que continuemos grem busca do crescimento do nosso clube e de sua história.

Eduardo Melo, goleiro entre 1989 e 1997

Parabéns ao Bangu! Venho por meio desta mensagem expressar minha gratidão ao Bangu Atlético Clube por minha visibilidade no âmbito nacional. Obrigado, Bangu!

Édson Souza, meio-campo entre 1989 e 2000

Parabéns Bangu pelos seus 111 anos de existência na história do futebol brasileiro. Clube pelo qual tenho respeito e admiração, me sinto privilegiado de fazer parte de sua história como jogador.

Ernesto, meio-campo entre 1976 e 1978

Com certeza eu tenho o nosso Bangu no meu coração, tenho a camisa e faixa de campeão. Quando vesti a camisa do Bangu pela primeira vez fiquei emocionado. Eu tive muito orgulho de fazer parte desta história.

João Cláudio, atacante entre 1983 e 1988

Esse clube me deu tudo na minha vida, me ensinou a ser homem de bem e como encarar a vida, me deu fama na vida profissional e uma boa família que eu conservo até hoje. Esse clube foi minha vida. Hoje as pessoas perguntam que time eu sou. Sem duvida, eu falo: sou Bangu!

Joãozinho, meio-campo entre 1988 e 1992

Falar do Bangu é sempre um prazer, eu vivi 9 anos da minha vida ali dentro e se hoje sou um professor formado, ex-atleta profissional e pai de 4 filhos, eu credito muito disso ao meu crescimento como atleta e como homem, principalmente com o aprendizado que tive com incontáveis treinadores que tive no desenrolar desses 9 anos.

Mantenho a amizade de muitos, afinal chegamos a conviver mais de cinco anos numa rotina diária, obtivemos títulos, como o de juvenil em 1986 com um gol de pênalti meu sobre o Vasco; nosso ano de 1983 com Calazans: 33 partidas, 32 vitórias e uma única derrota para o Botafogo; o 1° torneio Pelé no qual fomos campeões em 1987 e também o Carioca de Juniores em 1987, com Xerém.

O momento da chegada ao profissional em seguida com Zagalo, Rogério Melo, Didi, Moisés, João Francisco e outros...

Enfim, uma vida dentro de um clube que hoje poderia e pode ser uma fábrica de jogadores, se tivesse uma base levada a sério, porque nossa Zona Oeste é privilegiada nesse quesito. Lamento muito por isso, mas carrego o Bangu Atlético Clube com muito carinho dentro de mim.

Macula, meio-campo entre 1986 e 1996

Falar do Bangu pra mim é um prazer. Minha carreira como jogador de futebol agradeço muito ao Bangu. Lá que tive a minha infância, meus sonhos, minhas alegrias. Fui criado praticamente dentro do Bangu. Muita gente me ajudou a ser hoje o Macula. Muito obrigado por tudo meu querido Bangu! Parabéns pelos seus 111 anos!

Marcelo, ponta-esquerda entre 1980 e 1984

Aprendi a gostar do Bangu ainda na adolescência jogando pelo juvenil, gostei do seu uniforme alvirrubro, de sua história, de seu estádio com o bonito nome de Moça Bonita e ao entrar em campo pela primeira vez com aquela camisa linda e ouvir os gritos daquela torcida apaixonada, pensei "vou ser Bangu por toda minha vida"!

Marcelo Araújo, lateral-direito entre 1986 e 1987

Dia 17 de abril! O clube que mais me marcou entre todos que joguei durante minha carreira, faz 111 anos!! Parabéns ao querido Bangu Atlético Clube!! Cheguei aos 17 anos ao clube, seguindo meu saudoso irmão Alexandre, para a categoria juvenil, e depois de mais três anos nos Juniores e dois nos profissionais, só tenho excelentes lembranças, grande amigos e muitas estórias. Tudo naquele clube, naquele tempo, entre 83 até 87, foi muito especial!! Parabéns grande alvirrubro de Bangu!!

Marcelo Cardoso, meio-campo entre 1993 e 2000

Alô Bangu Atlético Clube! Primeiramente, quero parabenizá-lo pelos 111 anos de vida. É com muita alegria que menciono o nome do Bangu. Porque foi exatamente ali que, em 1991, começou minha trajetória. Se hoje consegui ter um nome no futebol carioca é graças ao Bangu. Devo tudo a esse clube. Só não consegui o que eu mais queria: encerrar minha carreira onde tudo começou. Eternamente Bangu!

Marcelo Pires, goleiro entre 1999 e 2000

O Bangu Atlético Clube foi o clube que me promoveu profissionalmente. Hoje tudo que tenho foi do futebol e devo muito ao nosso querido Bangu, e se possível quero um dia voltar ao clube para pode ajudar da melhor forma. Parabéns !!!

Marcelo Rodrigues, meio-campo entre 1992 e 1993

O Bangu para mim foi tudo. Minha escola realmente de futebol e de vida também. Sou muito grato ao Bangu Atlético Clube e sou eternamente apaixonado por esse clube!

Palmieri, goleiro entre 1987 e 1990

Palavras não conseguiriam expressar minha gratidão por esse clube. Moldou minha vida, me encheu de esperança e me fez viver dias de alegrias e grandes conquistas. Por certo, faz o mesmo na vida de muitos outros jovens.  De uma fábrica de tecidos à uma Fábrica de Sonhos.  O tempo segue seu caminho e a "Moça" segue "Bonita", porque a sua beleza não está naquilo que o tempo e a traça podem destruir! Obrigado Bangu Atlético Clube, por fazer parte da minha história, da minha vida! Saudações Alvirrubras!

Paulo Campos, zagueiro entre 1993 e 1999

O Bangu representa grande parte da minha carreira, foram aproximadamente 8 anos defendendo a camisa do querido alvirubro e tenho grandes lembranças desse tempo que estive por lá. É um prazer imenso fazer parte da história de um clube centenário. Parabens Bangu pelos seus 111 anos de glórias e vitórias.

Sérgio Júnior, atacante entre 2012 e 2013

O que escrever do Bangu? Apenas dizer que um dos clubes mais importante da minha carreira, que mora no meu coração, com uma torcida apaixonante e com toda a certeza um dia voltará ao lugar que jamais deveria ter saído. Grande abraço! Saudações alvirrubras, parabéns, parabéns e parabéns!

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27/03/2015 08h56

Na reta final do Campeonato Carioca, bateu o desespero
Carlos Molinari

Essa rodada do Campeonato Carioca foi surpreendente. A começar pelo empate do Madureira com o Bonsucesso, em Conselheiro Galvão. Quem pensaria que isso pudesse acontecer. O time de Toninho Andrade pressionante, colocando bola na trave e quando vê, leva um gol do Bonsuça.

Madureira x Bonsucesso. Foto: ReproduçãoO empate só saiu aos 44 minutos do 2º tempo, com um gol de Rodrigo Pinho, o nono do garoto no Campeonato. Para quem não sabe, Rodrigo Pinho não é artilheiro à toa. Filho de Nando, um ex-atacante do Bangu, do Flamengo, do Internacional e do Hamburgo (Alemanha), Pinho já foi artilheiro do Campeonato Carioca de Juniores de 2011, com 20 gols.

Na época, Pinho atuava pelo Bangu. Hoje é artilheiro isolado, destaque absoluto deste Campeonato. Não sei se o Madureira terá fôlego financeiro para mantê-lo para o Brasileiro da Série-C no segundo semestre...

O gol foi um alívio, mas o resultado foi péssimo, desastroso mesmo em termos de classificação. Tanto que, a Taça Rio (disputada entre os 12 "pequenos"), foi entregue com os jogadores do tricolor extremamente abatidos e receosos. A obrigação de ganhar transformou um time excelente em um grupo nervoso e desesperado para marcar os gols rapidamente. O empate reavivou as chances do Fluminense na competição e pôs em risco a classificação do Madureira para as semifinais.

Outra zebra foi a vitória do Nova Iguaçu sobre o Friburguense: 1 a 0, gol de Elias aos 42 minutos do 2º tempo. Curioso que o Nova Iguaçu atuava com um jogador expulso (o Paulo Henrique) e ainda encontrou forças para ganhar a partida. O Friburguense, nas mãos de Gérson Andreotti, enfrenta uma de suas piores fases. São oito jogos sem ganhar de ninguém. A palavra rebaixamento já pode ser ouvida no Eduardo Guinle. O time realmente não rende mais.

Ninguém mais aceita perder (ou até empatar) com o time dos veteranos Cadão, Bidu e Ziquinha. Os tempos são outros.

A surpresa mais grata veio com o Barra Mansa, que é outro time desde que Manoel Neto assumiu. Vejam bem: já empatou com Vasco e Botafogo. Nesta quarta, todos esperavam uma vitória confortável do líder e o que se viu foi o atacante Bill perder um pênalti aos 43 minutos do 2º tempo, defendido pelo ótimo goleiro Thiago Leal.

Ponto a ponto, tijolinho por tijolinho, o Barra Mansa vai escapando do seu destino. Para qualquer especialista, o rebaixamento este ano estava destinado ao simpático clube azul e branco. Em 14º lugar, correndo tantos riscos quanto o Bonsucesso (outro favoritíssimo ao descenso), o Barra Mansa vai respirando.

Do jeito que as coisas estão lá embaixo - com oito equipes brigando contra o rebaixamento - creio que o Campeonato ainda irá reservar muitas emoções aos torcedores desses clubes. Em mais três rodadas tudo pode acontecer: a precariedade está unindo estes clubes. Nenhum deles empolgou durante toda a competição e agora, terão que correr atrás do tempo perdido (além de torcerem um contra os outros).


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25/03/2015 15h15

Maracanã, 25 de março: Bangu 4 x 3 Flamengo
Carlos Molinari

Hoje é dia de Bangu x Flamengo, no gramado do Maracanã. Há 48 anos, os dois times se encontraram no mesmo estádio para uma partida repleta de lances inesquecíveis. Impossível pensar que tudo se repetirá em 2015. Aquele Bangu, de Paulo Borges, era uma verdadeira máquina de jogar futebol e ainda contava com a sorte...

Ubirajara estava numa tarde infeliz em 25 de março de 1967. Falhou duas vezes contra o Flamengo, numa partida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Mas não foi crucificado.

Para sorte do Bangu, o goleiro rubro-negro Marco Aurélio, estava tão mal, que engoliu quatro bolas defensáveis - três delas de autoria de Paulo Borges. Era, para o jornalista Aparício Pires, do jornal Éltima Hora, o "Dia Nacional dos Frangos".

O jogo foi disputado num sábado, no Maracanã, e prometia muito. O Bangu assumiria a liderança do campeonato nacional se vencesse. Estava com 7 pontos, um a menos que o ponteiro Santos. O Fla tinha 4 pontos, era o sexto colocado.
O Bangu acabou vencendo por 4 x 3, tornou-se líder, deixando outras 14 equipes para trás. Tinha um ponto de vantagem em relação a Santos e Palmeiras. Graças a Paulo Borges, ou ao goleiro Marco Aurélio, Ubirajara poderia receber seu "bicho" pela vitória. Ninguém se lembraria de suas falhas. 

Bangu 4 x 3 Flamengo. Foto: Reprodução

Por outro lado, o goleiro Marco Aurélio, do Flamengo, deixou o campo chorando. Com os olhos vermelhos, foi lacônico com os repórteres que o esperavam: "Sou o único culpado", sintetizou.

A partida começou à feição do rubro-negro. Com menos de 30 segundos, o Fla abriu o placar, surpreendendo o Bangu ainda frio. Américo chutou e o goleiro Ubirajara fez o que não podia fazer: soltou a bola para frente. Ademar, na corrida, emendou sem dificuldades. Para amenizar sua falha, Ubirajara passou alguns segundos reclamando dos colegas da defesa, que sequer tinham tocado na bola.

O Bangu reagiu com a mesma rapidez. Aos 8 minutos, Aladim cobrou uma falta na meia-lua da grande área. O goleiro Marco Aurélio voou e tocou na bola, mas foi com a chamada "mão mole", sem forças para espalmá-la. Desta forma, os alvirrubros chegavam ao empate em 1 a 1.

Quatro minutos depois, foi a vez de Paulo Borges se aproveitar da tarde negra do goleiro do Fla. Ele recebeu em profundidade e atirou de pé esquerdo, Marco Aurélio deixou a bola passar sob seu corpo, caindo de joelhos na grama. Era a virada do Bangu: 2 a 1.

Bangu 4 x 3 Flamengo. Foto: ReproduçãoPara quem achava que já tinha visto "frangos" demais, Ubirajara voltou a aprontar aos 19 minutos. Ademar cobrou uma falta para a área, "Bira" deu um tapa bisonho na bola, que caiu nos pés de Carlinhos. Estava decretado o empate: 2 a 2.

No 2º tempo, os gols também saíram logo nos minutos iniciais. Aos 5, Paulo Borges recebeu um passe na entrada da área e soube se aproveitar da saída precipitada de Marco Aurélio. O ponta-direita atirou mansamente, com a meta abandonada e marcou o terceiro gol do Bangu.

O duelo voltaria a ficar empatado aos 10 minutos, no único gol em que não houve falha dos goleiros. Rodrigues chutou cruzado e Jair Pereira apareceu de carrinho: 3 a 3.

Precisando da vitória para assumir a liderança do Robertão 67, o Bangu continuou apostando em Paulo Borges. Aos 18 minutos, o craque recebeu de calcanhar de Fernando e chutou de primeira. Para sua sorte, Marco Aurélio voltou a falhar, pulando atrasado: era o quarto gol do melhor time do país naquele momento!

A vitória, porém, só foi consolidada nos minutos finais, quando Ubirajara se redimiu das duas falhas, desviando para escanteio um chute de Ademar, de curta distância. No último minuto, Paulo Borges ainda foi derrubado dentro da área rubro-negra pelo zagueiro Murilo, mas o juiz Armando Marques preferiu ignorar o lance e evitar que o Bangu chegasse ao quinto gol.

Terminava desta forma o chamado "Dia Nacional dos Frangos", para decepção do técnico rubro-negro Armando Renganeschi:
"É a tal coisa, goleiro é o único jogador que não pode falhar..." - resumiu o treinador derrotado.

A frase

"A gente contra o Flamengo tem que correr mesmo, senão é fogo. Foi o que eu fiz. Corri muito e dei sorte".
Paulo Borges, autor de três gols na partida


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