Segunda de luxo
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 21/02/2012 09h42
O Domingo deixou uma boa sensação, mas a segunda foi arrebatadora com emoções de todos os tipos: boas e ruins e foi, tecnicamente melhor que o dia anterior.
São Clemente - Bum Bum de fora, pernas pro ar...que desfile!!! Já esperava bastante da São Clemente mas ela conseguiu superar as minhas expectativas. O Fabinho beirou a perfeição, quem o acompanha desde a Mangueira, passando pela Rocinha, sabe que ele vai se tornar, em breve, um dos maiores carnavalescos do Rio. Ouso dizer que foi um desfile tão bom quanto "O samba sambou". O samba funcionou muito bem e, a cada alegoria e fantasia que passavam, minha satisfação aumentava. A bateria de mestre Caliquinho cumpriu muito bem o papel com boas bossas e a paradinha do violino era sensacional. Pena que a Comissão de frente me deixou com a sensação de que faltava algo nela para um 10 e algumas alas comerciais teimaram em não cantar. Nada que possa tirar o brilho deste grande desfile. Merece sonhar com uma vaguinha no sábado afinal "O violino anuncia, vem viajar na magia"
União da Ilha - Estranho, terceiro ano da Ilha no Especial e vai se confirmando uma tendência: a escola mudou. Talvez pelo fato de ter que brigar pela permanência no grupo com outras necessidades, como um carnaval mais pesado do que a escola está acostumada(deixando claro que aqui não vai nenhuma crítica).
A abertura do desfile impressionou pelo peso e beleza das roupas e as alas e carros iam seguindo com o mesmo capricho do Alex. Mas ficou a sensação de que a escola não teve evolução, não cantou e não dançou tanto. Pontos que sempre foram a marca da União da Ilha. Mas fez um bom carnaval, digno de grupo Especial. A bateria do Riquinho, como sempre, muito bem e vale ressaltar a bela homenagem a Maria Augusta, que veio de rainha Elizabeth na ótima comissão de frente.
Salgueiro - entrou na avenida com pinta de campeã, comissão de frente bem entrosada com o enredo, um pede passagem e um belo abre-alas. Os carros foram aparecendo, um após o outro, cada vez mais bonitos, com pequenos problemas de acabamento mas nada que pudesse estragar o conjunto da obra. As Baianas mais leves chamaram a atenção e as fantasias acompanhavam a riqueza e o bom gosto de Renato Lage. O problema é que o Salgueiro teve sérios problemas com harmonia e evolução, abriu buracos em alguns setores e não conseguiu confirmar toda a expectativa mas vai brigar pelo título.
Mangueira - Algumas escolas tentam impressionar, outras emocionar. A verde e rosa optou pelo segundo caminho e fez uma manobra ousada: resolveu transformar parte do desfile numa roda de samba deixando bateria e puxadores mudos enquanto artistas e a escola cantavam. A manobra só não foi um desastre completo pois o público respondia bem a cada tentativa. O problema é que os jurados viram uma escola ficar sem harmonia em sua maior parte já que o som da "roda de samba" não chegava a maior parte dos desfilantes. Isso certamente vai prejudicar o julgamento da escola que já não veio bem de alegorias e fantasias. O desenvolvimento do enredo foi bastante confuso e prejudicou a compreensão do desfile. O destaque foi, mais uma vez, a bateria de mestre Aílton que deu um show e não foi prejudicada pela manobra da escola.
Tijuca - Entrou em cena na briga pelo título. Quem duvidou de Paulo Barros, mais uma vez, teve que se render a criatividade e soluções geniais num enredo que, diziam os críticos, "não é a cara dele". Momentos lindos e marcantes levantaram as arquibancadas. Mais uma vez, a comissão de frente levou o público ao delírio. Mas dois momentos muito emocionantes marcaram o desfile: o setor que falava do Mestre Vitalino e o último carros com Gonzagão no céu e as "Asas Brancas" batendo em volta. Destaque também para a roupa das Baianas que encantou pelo bom gosto e beleza. Mesmo com alguns problemas de acabamento no carro do mercado, veio para marcar o carnaval de 2012 e pinta como grande favorita. Bateria do Casa Grande e Bruno Ribas levaram o bom samba com muita competência.
Grande Rio - foi um desfile morno. Gostei muito do abre-alas com boas soluções. A bateria do Ciça também foi muito firme. O samba morreu na avenida, não era bem cantado nem fora e nem dentro da pista. A comissão de frente foi regular com a idéia das crianças vencendo seus medos. Não gostei da roupa das Baianas e achei as fantasias muito irregulares.
Um dia de alegria
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 20/02/2012 20h14
Boas surpresas marcaram o domingo de desfiles na Sapucaí. O furacão Portela subiu o Pelô, navegou na procissão e varreu o Bonfim e toda a Sapucaí com um samba extraordinário, o ótimo acabamento dos carros de Max Lopes e Alexandre Louzada e mais um samba que fez um dia clarear sem cansar: Angola da Vila Isabel. Mas nem tudo foram flores.
Renascer - Fez um bonito desfile, mas manteve a cara do grupo de acesso. Desde o barracão já dava para imaginar que não seria um desfile arrebatador e a escola não conseguiu mostrar força para permanecer no grupo. Os destaques foram a comissão de frente, o belo casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria.
Portela - No mínimo, fez o portelense, tão sofrido nos últimos anos, voltar a sentir o orgulho de sua escola. Que desfile, que samba e que canto contagiante. A comissão de frente, mesmo simples, me emocionou. Pena que o acabamento dos carros não ajudou. Mas está com tudo para voltar no sábado.
Imperatriz - O Max foi o Max dos bons tempos. Além de bem vestida, a escola mostrou carros muito bem acabados e imponentes. Pena que a verde e branco de Ramos se complicou no que tem de melhor: a evolução. Um problema no abre-alas, no setor 11, e dificuldades com a montagem do último carro fizeram com que a escola perdesse muito tempo e tivesse que correr demais para terminar o desfile. O samba não funcionou, arrastou demais e o desfile ficou muito frio, principalmente por vir depois da Portela.
Mocidade - Os carros do Louzada estavam com um primor de acabamento que deveriam servir de curso para quem quer ser carnavalesco. Aqui, o problema foi a irregularidade. Até o quarto carro, a Mocidade fazia desfile de título, mas, no final, o dinheiro parecia ter acabado, exatamente a impressão que tive quando visitei o barracão. Achei as fantasias um pouco pesadas, a comissão de frente fraca e os desfilantes muito desanimados para um dos melhores sambas da noite. Mesmo com tudo isso, confesso que o desfile me surpreendeu positivamente e, na minha opinião, foi o melhor da escola nos últimos anos.
Porto da Pedra - Se uma comissão de frente pode ajudar a levantaruma escola, também pode ajudar a enterrá-la. Tirando os efeitos especiais da roupa, em nada me agradaram os lactobacilos vivos. Acho que o Jaime Césário tirou leite de pedra (sem nenhum trocadilho com o enredo), mas não deu para a escola de São Gonçalo. Não empolgou, não brilhou e briga para não cair. O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi o grande destaque, com muita sintonia e apresentações emocionantes.
Beija-Flor - Escura e sombria, a azul e branco de Nilópolis abusou dos tons fechados. Mesmo assim, os carros eram imponentes. A comissão de frente criou sérios problemas para a evolução da escola, que teve que correr demais no final. Entra na briga pelo título, mas sem grandes favoritismos.
Vila Isabel - A melhor da noite. Pela falta de empolgação do começo, o desfile não chegou a ser uma "Kizomba", mas à medida que o desfile passava, as alas se empolgavam e o final foi apoteótico. A comissão de frente foi, disparada, a melhor da noite. As fantasias da Rosa estavam belíssimas, mas os carros vieram um pouco irregulares. O destaque da escola foi a brilhante parceria entre o sensacional samba e a bateria de mestre Paulinho, que voltou a ser a verdadeira Swingueira de Noel. Volta no sábado e briga pelo título.
Bola de Cristal II
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 17/02/2012 01h47
Devido à grande repercussão do primeiro texto e por perceber que muitos não entenderam a mensagem dele, me senti na obrigação de explicar melhor o sentido do "Bola de Cristal".
1- Em nenhum momento me senti dono da verdade ou ignorei o que vai acontecer no desfile. Muito pelo contrário, comecei o texto dizendo "Quer saber como vai ser o carnaval da sua escola? Consulte uma vidente". Claramente afirmei que não estou adivinhando nada e nem seria capaz disto.
2- Não seria louco de achar que os ensaios e o barracão são definitivos no resultado final. Por isso, disse: "Segue uma avaliação escola por escola levando-se em consideração que todas desfilarão corretamente. Porque é claro que erros de desfile e/ou problemas na Sapucaí acontecem e podem mudar totalmente essa avaliação".
3- Em NENHUM momento agrido ou diminuo a Mocidade, apenas digo "excelente samba, bons ensaios, mas o barracão me decepcionou demais". E a minha decepção é totalmente justificável. Quem leu meus posts anteriores, viu que a escola que mais elogiei no começo do processo do carnaval foi a Mocidade. Achei as contratações fantásticas e, por isso, esperava demais do barracão do Louzada, de quem, sempre, espero muito. Isto não quer dizer que o barracão está feio, pobre ou seja lá o que for.
4- Como acompanho o carnaval há anos, sei muito bem que a decisão virá nos desfiles e que muitas surpresas estão reservadas para quem os acompanha. Estas surpresas podem ser decisivas, como a Comissão de Frente da Tijuca em 2010, mas os dados que já temos nos ajudam a começar a ter uma noção das tendências de cada uma das escolas.
5- Por fim, como vários leitores, eu também tenho meus palpites e minhas opiniões. A opinião de todos é sempre muito saudável, a crítica gratuita e agressiva é que não combina com a nossa realidade.
Carta branca aos leitores
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 15/02/2012 13h35
Não sou e nem pretendo ser o "dono da verdade". Por isso, embora muitos possam não acreditar, sempre leio todos os comentários postados aqui - até aqueles cuja única finalidade é a agressão pura e gratuita - porque sei que qualquer possibilidade de aprender não pode e não deve ser ignorada. E em respeito a todos os que gastam seu tempo comentando meus posts, não respondo a nenhum deles. Não porque não queira, mas porque não teria tempo para responder a cada um deles individualmente.
Como tenho visto que algumas pessoas ficam muito chateadas apenas por não concordarem com minhas opiniões, estou escrevendo esse novo e inesperado post somente para dizer que o que escrevo aqui é, simplesmente, a "minha" opinião. Assim como o que é escrito em cada um dos comentários é a opinião de seus autores, ainda que eu possa não concordar com algumas delas.
Não critico ou elogio escolas para obter benefícios. Quando faço uma critica, estou emitindo a opinião de alguém que vive o carnaval há muitos anos e, modéstia à parte, entende um pouquinho desse universo. Já fui diretor de harmonia na Mangueira e na Ilha, diretor de carnaval em três escolas e compositor vencedor no grupo Especial. Sou ritmista porque gosto muito e estudo as baterias. E fui sim presidente de uma linda escola que precisava de ajuda e que, infelizmente, por problemas muito acima do meu alcance, acabou caindo de grupo no meu último ano de mandato. Mas não fui eleito e jamais me candidatei. Não tenho nem nunca tive essa pretensão.
Por tudo o que aprendi com essas escolas e que venho aprendendo com os comentários de vocês, é que gosto demais desse universo. Para mim, o momento que mais espero acontecer é o dia de ver todas elas, em cada um dos grupos, disputando o campeonato.
E falando especificamente da Mocidade, a quem elogiei em vários posts anteriores, nunca teria qualquer tipo de ódio ou raiva da escola de Padre Miguel. Não poderia. A Mocidade faz parte da minha vida. Foi vendo "Tupinicópolis", em 1987, que, pela primeira vez, me diverti de verdade em um desfile. Aliás, tenho ótimas histórias com várias escolas que hoje fazem parte dos grupos Especial e A, sou e serei um eterno fã desta festa sob qualquer ótica.
Bola de Cristal
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 13/02/2012 22h31
Quer saber como vai ser o carnaval da sua escola? Consulte uma vidente. Mas se quiser saber quais as possibilidades reais para o carnaval 2012, siga lendo.
Muitos acham que as opiniões são baseadas em chutômetro, bola de cristal ou premonição. Nada disso. A gente anda pela avenida nos ensaios, corre as escolas, escuta as pessoas envolvidas e, principalmente, vai aos barracões para ver os carros. E querem saber, pouca coisa mudou sobre o meu último texto. Algumas escolas caíram de favoritas para voltar nas campeãs e outras passam a ter que se cuidar contra o rebaixamento.
Segue uma avaliação escola por escola levando-se em consideração que todas desfilarão corretamente. Porque é claro que erros de desfile e/ou problemas na Sapucaí acontecem e podem mudar totalmente essa avaliação.
Salgueiro: bons ensaios, bom samba e excelente barracão, praticamente pronto e entregue. Favorita ao título!!
Vila Isabel: ótimos ensaios, ótimo samba e barracão muito bom, ainda faltando alguns acabamentos. Favorita ao título!!
Unidos da Tijuca: bons ensaios, bom samba, mas o barracão não me convenceu por completo. Porém, é Paulo Barros e temos que esperar. Favorita ao título!!
Beija-Flor: o último ensaio foi bom, o samba não me convence e o barracão, pelo pouco que vi, não está tão bonito. Volta nas campeãs.
Portela: excelente samba, ótimo ensaio este fim de semana e barracão um pouco atrasado. Mas o que está pronto está bem bonito. Volta nas campeãs.
Grande Rio: samba chato, ensaio ruim, barracão mais ou menos. Torce para voltar nas campeãs.
Mangueira: o samba é bom, a bateria é a melhor, mas o barracão e o ensaio não me convenceram. Briga para voltar nas campeãs.
Imperatriz: bom samba, ensaio que me impressionou (o último) e um barracão que está bem direitinho. Briga para voltar nas campeãs.
União da Ilha: Samba estilo Ilha, ensaio bom (o segundo) e um barracão que me surpreendeu demais. Briga para voltar nas campeãs.
São Clemente: bons ensaios, bom samba e barracão muito correto, ao estilo Fabinho. Acho que não cai e pode brigar para voltar.
Mocidade: excelente samba, bons ensaios, mas o barracão me decepcionou demais. Acho que não briga por nada e pode passar sufoco.
Porto da Pedra: não me convenceu nos ensaios, não me convence no samba, mas, plasticamente, não está mal. Briga contra o rebaixamento.
Renascer: Ensaios razoáveis, samba razoável, barracão que não me convence. Briga contra o rebaixamento.
Podem me cobrar!!!!!
Quem vai ganhar o Carnaval 2012?
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 11/02/2012 17h20
Falta uma semana, sete dias para os desfiles começarem e, pela primeira vez, se me perguntarem quem vai ganhar o carnaval, te dou, pelo menos, seis opções. Näo lembro de ter passado por isso antes. Quando penso nisso, as primeiras imagens que me vêm à cabeça são os ensaios da Vila, os dois na Sapucaí e os que vi na 28 de setembro. Que canto, que samba, que bateria!!! Basta? Claro que não! O barracão andou, está bonito, mas é muito cedo para considerar a Vila a única favorita . Aí penso no Salgueiro, o melhor carnavalesco da atualidade, um bom samba, boa bateria, excelentes ensaios... Não, ainda não me convenceu por inteiro.
Lembrei da Tijuca, que fez um primeiro ensaio maravilhoso, tem um ótimo samba e um carnavalesco que SEMPRE pode nos surpreender, mas não tenho cacife para cravar as minhas fichas só na Tijuca. Como também nunca vou dizer que a Beija-flor está fora. O barracão está muito bonito, mas algo me diz que este não é ano de título em Nilópolis. Meu Deus, toca, neste momento, o samba da Portela. Como pude esquecer do melhor samba do ano, um resgate às verdadeiras raízes da escola de Osvaldo Cruz e Madureira? O barracão está bonito, nada fora do normal, mas está na briga. E a Mangueira, a minha Mangueira, mesmo com notícias de atraso de barracão, tem samba, tem bateria - aliás, a melhor bateria de todos os ensaios técnicos que passaram pela Sapucaí - e tem aquele povo cantando, emocionando e emocionado quando olha para a arquibancada e vê que boa parte do sambódromo está com eles. Será que esqueci de alguém? Dizem que era o ano da Grande Rio, mas dessa aí, nada me convenceu.
Mas falta ainda uma semana e muita coisa pode mudar até a sirene tocar e, como diz o samba da São Clemente, a orquestra entoar o nosso cantar. São setecentos metros de avenida e, até o portão do final se fechar, tudo pode acontecer.
Um dia com Jamelão, o mestre que cantava e encantava
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 06/02/2012 11h21
Sempre tive aquele respeito, quase medo, ao ver o mestre Jamelão na quadra da Mangueira na minha época de compositor. Sabe aquela sensação de estar vendo alguém que antes só freqüentava o seu imaginário? Pois era assim que me sentia. E ele ficava lá no cantinho dele, com os elásticos na mão e batucando, discretamente, em sua mesa enquanto esperava a hora de soltar a voz que nem a idade, nem as seguidas doenças conseguiram alterar. Me lembro que, durante as eliminatórias para o samba de 2004, ele sumiu da quadra. Foi levado para São Paulo, onde seria mais bem tratado do grave quadro de diabetes.
Pensava que nunca iria realizar o sonho de ouvir um samba meu gravado pela voz do mestre dos mestres. Ganhamos o samba e a diretoria da Mangueira começou a montar um mega esquema para viabilizar a participação de Jamelão na gravação do CD. Foi gravada a base com o Clóvis Pê, cordas, bateria e nada de Jamelão. Os jornais chegaram a dizer que o mestre tinha uma amante em São Paulo... E o homem lá, preso a uma cama de hospital. Um dia, recebemos uma ligação do presidente Alvinho: "a voz será gravada em São Paulo". Arrepiamos. Seria o primeiro contato mais próximo com um grande ídolo. Fomos eu, Gabriel e Almyr, os parceiros do samba, Alvinho e Laíla para o estúdio.
Chegamos e o médico conseguiu uma saída rápida de Jamelão do hospital. Chegaram ao estúdio e foram recepcionados por uma equipe da Globo, o que fez crescer ainda mais o mau humor de Jamelão, que disse que só gravaria se a equipe fosse embora. Laíla conduzia os passos do Mestre. Ele sentou no estúdio, ficou escutando a gravação guia, pediu para tirar a voz do Clóvis e seguiu ouvindo a melodia. Aí começou um espetáculo inesquecível: como se a boca fosse um instrumento, ele pediu ao Gabriel que tocasse as notas no cavaco e foi afinando a voz, nota por nota. Confesso que, pode até ser normal, mas nunca tinha visto nada igual.
E aí começou a cantar, frase por frase, sem nenhuma pressa, durante horas, e comandado com grande paciência pelo Laíla. Da metade para o final da gravação, já bem mais solto e animado, ele brincava imitando o trem, brincadeira que ficou na gravação original. Pronto. Sonho realizado. Nosso samba ganhou alma na voz de Jamelão. Depois disso, o contato se estreitou e várias outras histórias nasceram. O meu respeito e carinho por Jamelão cresceram e já não enxergava mais aquele senhor carrancudo de quem muitos, inclusive eu, tinham medo. Vai chegando o carnaval e está na hora de ouvir de novo a gravação original para tentar diminuir um pouco a saudade da melhor voz que o carnaval conheceu.
Ecos de um simples ensaio, nem tão simples assim...
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 30/01/2012 17h45
Quando escrevi, semana passada, que um samba pode mudar uma escola e um bom samba pode fazer um desfile acontecer, muitos torceram o nariz. Quando avaliaram, erradamente, que estaria escolhendo a escola campeã do carnaval 2012 pelos ensaios técnicos, voltaram a se enganar. Conheço o suficiente de carnaval para não opinar desta forma. O que digo, e repito, é que um bom samba é a alavanca principal para que coisas boas aconteçam em um desfile. E este é o caso da Vila Isabel. Uma combinação de fatores, incluindo um ótimo samba e liberdade de componentes, transformou o ensaio do dia 22 de janeiro no MELHOR ENSAIO TÉCNICO QUE A AVENIDA JÁ VIU!!!
Isso quer dizer que a Vila vai ganhar o carnaval??? NÃO. Mas quer dizer que as outras precisam correr atrás, e muito, para cantar e evoluir como a Vila promete fazer no domingo de carnaval.
De fontes seguras, sei que tem muito medalhão de outras escolas já querendo proibir alas coreografadas (que lindo seria!!!) para dar liberdade aos componentes e tentar chegar ao grau de emoção e animação que a Vila chegou, no último domingo. Sinto dizer que, para a maioria das escolas, falta o essencial: um bom samba. O da Vila Isabel não é um bom samba, é um ÓTIMO samba. Ajuda a levantar a escola e impulsionar o povo de Noel que já gosta mesmo de cantar. Independente do resultado da avenida, pensem dirigentes como é importante escolher um bom samba e como é importante dar liberdade para seus componentes. Junte estes dois ingredientes e aposto que a sua escola vai sempre incomodar na Sapucaí. "Vibra, oh minha Vila...incorpora outra vez Kizomba...".
Hora da Polêmica: Será que teremos, este ano, finalmente, uma disputa?
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 21/01/2012 16h00
Eu sou daqueles que curtem o carnaval até a terça-feira gorda, mas cansei das injustiças dos envelopes e dos carnavais pré-decididos. Quando você conhece muita gente no meio, o que é o meu caso, você acaba sabendo quem vai ganhar antes mesmo do desfile começar. Isto fez com que eu criasse uma barreira de "limite de amor" pelo carnaval que morria na quarta-feira de cinzas. Este ano, apesar de não estar ainda buscando estas informações, mais uma vez, os "papos" começaram cedo e apontavam para a Grande Rio, escola que, historicamente, está por merecer um título mas, sinceramente, não em 2012. O enredo é fraco, o samba médio e o barracão não está lá muito empolgante. Sim, eu vi o barracão!! Sim, as coisas ainda podem mudar e surpreender. Mas não espero grandes evoluções.
Aparentemente, tudo começa a mudar com a possível queda dos bicheiros. Vejo a força de escolas que não dependem de mecenas crescendo assustadoramente. Isto poderia deixar o resultado do carnaval em aberto, o que, convenhamos, seria muito melhor, para nós e para o carnaval. Nesse embalo, vejo aumentarem as chances de Tijuca e Salgueiro, escolas que estão muito organizadas, com bons enredos, bons sambas (o da Tijuca é melhor) e excelentes carnavalescos (aqui, quem leva vantagem é o Salgueiro). E ainda torço para que o resgate da Portela e seu maravilhoso samba também possam brigar pelo título. Seria lindo para o nosso carnaval voltar a ver uma disputa emocionante e ganhar na emoção da avenida, com escolas igualmente grandes e com história para brigar pelo caneco.
VILA ISABEL:
Estive na 28 de setembro na última quarta para conferir o ensaio de rua da Vila. Estava curioso para ver como estava funcionando o samba que, para mim, é um dos melhores deste carnaval. Primeiro, vale destacar a forte presença da comunidade - um mar de gente, como sempre. Quando o ensaio começou, tive a impressão de que o samba está um pouco "pra frente", acelerado mais do que deveria. Senti um pouco de dificuldade do pessoal para acompanhar o canto no comecinho do ensaio. A parte da pergunta e resposta funciona muito bem, o povo responde com vontade "dança, jongo, capoeira", "ao sabor de um chorinho", "a herança verdadeira" e "agradece com carinho" mas, mesmo assim, fiquei com algumas dúvidas: como os trechos não cantados estão na letra do samba, será que os jurados não vão implicar com o fato de a escola não cantar estes trechos??? Além disso, como vem acontecendo com alguma frequência, o que será da escola se o som da avenida falhar? Sem escutar o Tinga, muito provavelmente as pessoas ficarão sem cantar os trechos dele , podendo causar uma tremenda confusão, com o risco até de atravessar o samba. É bom a harmonia da escola pensar bastante nisso. Mas tem destaque também: a bateria, ao contrário da bagunça musical do mestre Átila, está muito boa sob o comando do Paulinho. A Vila vem para fazer Kizomba. Aguardem!!
GRUPO A:
Para não dizer que não falei do Acesso, acompanhei alguns ensaios do grupo A, dois na Sapucaí e um na rua. E gostei do que vi, principalmente do Tuiutí. A escola fez um ensaio muito animado, tem uma comunidade que eu respeito e gosto demais e a bateria... Que prazer ver o Celinho de volta, categoria pura!!!
Ainda na Sapucaí, a Rocinha fez um ensaio correto, colocou mais gente do que o esperado e mostrou força.
No último domingo, acompanhei o ensaio técnico do Império da Tijuca. Apesar da enorme chuva que insistia em cair, a escola do presidente Tê colocou bastante gente para desfilar na rua. Destaque para a bateria do Capoeira que, mais uma vez, promete arrebentar no sábado de carnaval. O cara é meu amigo de muitos anos, mas sei muito bem separar bem as coisas. A competência dele vem de longe Parabéns, Capoeira! Parabéns, Imperinho!
Como é bom ter samba!!
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 17/01/2012 20h59
Tivemos três grandes exemplos de que um bom samba é o pilar de um grande desfile. Os ensaios de Mocidade, Portela e Tijuca foram sensacionais. O público que vai até a Marquês de Sapucaí é o público que gosta de carnaval, que sabe os sambas e canta com vontade. E são eles que servem de termômetro e fazem os melhores julgamentos. Isto ficou provado após o segundo fim de semana de ensaios técnicos.
A Mocidade tem um samba extremamente gostoso que fluiu perfeitamente no ensaio. A melhora da bateria é visível. Aliás, faz algum tempo que eu não falava que a bateria "não existe mais quente" era destaque de alguma coisa. Neste fim de semana ela foi o grande destaque entre as baterias.
Unidos da Tijuca e Gonzagão, outro sambaço e uma escola que já mostra como é ser grande. Fez um excelente ensaio técnico, trouxe emoção e surpresas e passou muito bem, num casamento perfeito entre bateria e samba. Principalmente agora, após seguidos ataques a cúpula do jogo do bicho, a Tijuca se torna, para mim, a grande favorita para este carnaval. E mostrou no ensaio que está quase pronta para isso.
A Portela é quem pode surpreender. Não paro de me emocionar com este samba e, no sábado, a Sapucaí também se emocionou e cantou... muito!!!
O samba está mudando a escola, está fazendo o portelense voltar a acreditar que um título é possível. Leio relatos de pessoas nos ensaios dizendo que o clima na escola, há muito tempo, não era tão bom. E aí vem a questão: o último grande desfile da Portela foi também acompanhado do último grande samba da escola no enredo sobre os carnavais em 95. Coincidência???
Salve a safra de 2012!!
Uma boa pedida
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 09/01/2012 23h58
Esta é para a turma que gosta de um bom som e uma excelente bateria. Fui ver a apresentação do conjunto Sambamix7, um novo grupo que mescla música pop com as batidas de surdos, tamborins, caixas e chocalho. O show foi no Teatro Rival no centro e superou qualquer expectativa. O cantor é muito bom, os músicos excelentes e o repertório é muito divertido, digno de uma bela noite animada e dançante. Para quem quiser se divertir, fica a dica, eles voltam a se apresentar no Rival todas as segundas à partir do dia 9 de janeiro até o carnaval.
Outra pedida muito interessante é a quadra da São Clemente, os ensaios temáticos são, literalmente, um show. Vale conferir a grande mudança por que passou a escola. Olho neles neste carnaval, vai ser um Bububu no Bóbóbó!!!
Indo a fundo nos sambas de 2012: uma análise mais detalhada
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 23/12/2011 11h48
Uma análise mais detalhada dos sambas depois de escutar bastante a safra de 2012
BEIJA-FLOR
A escola de Nilópolis parece ter pasteurizado a forma de fazer sambas. As melodias e formas são muito parecidas ano a ano e isso não é uma crítica positiva e nem negativa. Eu, particularmente, gosto deste estilo de samba. Funciona muito bem para este povo que morre cantando pela escola. Acho até que o samba de 2012 é melhor que o de 2011 mas falta emoção. Falta aquele momento em que, como diz um grande amigo meu, a gente usa para recarregar as baterias no desfile. E isso, o samba do Roberto Carlos tinha, Maranhão não tem.
O destaque, para mim, é a cabeça do samba - "Tem magia em cada palmeira que brota em seu chão..." - que é muito bonita em letra e melodia. O refrão do meio, tenho a impressão de já tê-lo ouvido 1000 vezes, mas funciona bem. Gosto também da parte final: "No rádio um reggae do bom...a arte do gênio João". Mas o que mais me incomoda é o refrão final, pobre de melodia e, principalmente, de letra, óbvia demais.
UNIDOS DA TIJUCA
Samba despretensioso, modesto, como era o Gonzagão. E é aí que ele cresce. Quanto mais o escuto, mais acho os termos nordestinos bem empregados, mais descubro passagens melódicas lindíssimas e percebo que este samba tem o mesmo estilo de melodia que o "Rei do Sertão" usava. Se foi proposital, não sei, mas é sensacional. A segunda parte então é um primor, a partir de "Simbora que a noite já vem"...até "Hoje tem coroação".
Grande expectativa para este desfile!
MANGUEIRA
Um samba de altos e baixos. Tem momentos bastante emocionantes, como a segunda parte até "...fez o meu sonho acontecer". Depois disso, se perde na melodia, deixando o final bem chato. O refrão tem o estilo dos sambas do Lequinho nestes anos de Mangueira.
Uma outra coisa que me incomoda e que, também, é característica da parceria é que, em alguns trechos, a letra não cabe na melodia "salve o novo Palácio do samba..." em outras acelera demais "...ver o bafo da onça desfilar". Mas é um samba que deve passar forte na avenida e, com certeza, ajudará muito na evolução da escola
VILA ISABEL
A Vila só cometeu um pecado: fazer um samba desses no mesmo ano em que a Portela decide lembrar dos seus melhores tempos com a obra prima sobre a Bahia. Voltando ao samba da turma de Noel, a música é sensacional, consegue casar muito bem letra e melodia e tem momentos inesquecíveis como "...tambor africano ecoando em solo feiticeiro" e "temos o sangue de Angola correndo na veia...". Para completar, uma ousadia que EQUIVOCADAMENTE, dizem que é contracanto mas não passa de um simples pergunta-resposta. Chamo de ousado porque ainda não consegui visualizar como vai funcionar no desfile este trecho que vai de "Pelos terreiros" até "agradece com carinho". Dois refrões muito fortes e outro desfile que desperta muito a minha curiosidade. Grande samba, parabéns Vila!!
SALGUEIRO
Não há dúvida de que o Salgueiro tem se empenhado em fazer sambas melhores nos últimos anos. Nós vivemos, recentemente, depois do "Explode Coração", uma era muito chata quando todos os compositores pareciam querer achar a fórmula do sucesso do Ita, em 93. Ainda bem que isso parece que está mudando e o Sal nos brindou com ótimas obras como Candances, em 2007, e o Rio no cinema, no ano passado. O samba deste ano não é ruim, é correto. Mas falta emoção, falta o algo mais, aquilo que torna uma obra inesquecível. Na verdade, é mais um samba numa boa safra. Ele peca por não emocionar quem está escutando a música. Passa batido sem chamar a atenção mas, assim como o samba da Mangueira, pode ajudar a escola a fazer um bom desfile.
IMPERATRIZ
Outro samba de uma qualidade excelente. Na minha opinião, falta um pouco de empolgação nele, mas é belíssimo. Já começa muito bem, a cabeça é sensacional: "Ave Bahia sagrada, abençoada por Oxalá" é um achado. E segue com várias partes muito bonitas, como "menino amado...destino bordado de inspiração."
O refrão do meio é bem escrito, tem boa melodia, mas é um pouco longo para um refrão. Talvez isso atrapalhe na empolgação da escola em geral. A segunda parte segue um espetáculo. A melodia dá uma guinada e fica ainda mais bonita. No final, um presente: a parte do Kaô Kabesilê é primorosa, belíssimo encerramento para um samba muito bonito. Parabéns aos compositores!
MOCIDADE
Não é apenas mais um samba. A Estrela Guia também veio para "cavar" seu espaço no topo do carnaval 2012. Um samba que fica na memória, de fácil interpretação e com passagens melódicas muito bonitas. Começa com um refrão que une beleza e força: "É por ti que a Mocidade canta..."
A primeira parte é morna mas muito agradável. E melhora muito no trecho "solto no céu feito pipa a voar...", desaguando num refrão do meio tão bom quanto o principal. Aí começa de vez o "passeio" deste samba. A segunda parte é brilhante, não consigo destacar sequer um trecho para ilustrar. A Mocidade está fazendo o dever de casa, remontando sua bateria, com um excelente carnavalesco, contratou um bom cantor e vem com um belíssimo samba.
PORTO DA PEDRA
O samba do Tigre, se tivesse sido feito no ano passado, passaria como um samba normal. Mas este ano, com tantos sambas bons e alguns excelentes, a obra destoa. Ele tem momentos bonitos, como o final da segunda "Brilhou à luz da civilização...", mas não emociona. Nenhum dos refrões empolga e, para mim, a bagunça métrica do refrão principal atrapalha demais. Uma pena. Gostava demais da Maria Clara Machado do ano passado mas, este ano, ficou devendo.
SÃO CLEMENTE
Mea culpa, comecei irado quando ouvi o BUBUBU e o BOBOBO. Aquilo me tirou do sério e me deixou "surdo", sem entender que este samba consegue reunir sensações antagônicas de rara felicidade, que começa com o enredo que é de muito fácil entendimento. O samba sabe ser leve e forte ao mesmo tempo, consegue empolgar e nos fazer prestar atenção em momentos deliciosos da melodia, como no trecho "o violino anuncia...", que, para mim, é um dos melhores momentos de todo o CD. Tem uma repetição de melodia no final da primeira parte que fica um pouco chata mas que não compromete. Gosto do refrão do meio. Chegaram a dizer que lembra o "endiablado" do Porto da Pedra. Não concordo. Mas alguns trechos da letra são pobres, além do já citado refrão principal. A segunda parte começa com "de tudo aconteceu"(dava pra melhorar!!!!) mas, no geral, é uma bela aventura musical que tem tudo para divertir e empolgar quem estiver assistindo o desfile da simpática escola da zona sul.
GRANDE RIO
Fui muito mal interpretado aqui quando falei no samba da Grande Rio. Em nenhum momento eu disse que o samba era feio. A minha opinião sobre este samba não mudou: ele não empolga, não emociona. Tem um enredo que poderia trazer várias emoções à tona, principalmente depois das dificuldades enfrentadas pela escola no ano passado. Mas o samba não traz este sentimento. Parece que estamos lendo um manual de auto ajuda. O que me incomoda é que ele não fugiu do óbvio, não encontrou soluções ricas de letra e melodia para ser um samba inesquecível. Ao contrário, virou um samba de clichês e obviedades. Mais uma vez vou dizer, NÃO É UM SAMBA RUIM, é só mais um na multidão e sem destaque.
PORTELA
10 nota 10, salve a Portela, salve a Majestade do Samba! E que bom te ver de volta depois de anos de sumiço. Que samba é este que a minha filha com 6 anos entra no carro e quer escutar antes de todos os outros. A gente "viaja na canção", sobe junto o Pelô, sente a força da batida do Olodum, mareja na procissão dos navegantes e tem a certeza de que veremos história, mais uma vez, passando na Sapucaí. O portelense deve estar orgulhoso e merece este orgulho depois de alguns anos de sufoco. Parabéns nação azul e branca. A Bahia me chamou!
UNIÃO DA ILHA
A ilha é assim, ela não quer ter o melhor samba, ela não quer ter o samba inesquecível... Ela quer pisar na avenida, contagiar o público e fazer mais um desfile com cara de Ilha e isto ela vai conseguir. Não por menos, os vencedores deste ano são compositores acostumados com a escola e com o ambiente, sabem como funciona a escola e fazem o barco "atravessar o mar" mais uma vez. Cheguei a criticar a junção, passei mal com o molho inglês na feijoada, mas tenho certeza que todo o público da Sapucaí vai se divertir. É um bom samba? Não, mas também não é ruim. Da parceria do Marquinhus do Banjo é o pior dos últimos anos, mas é um samba com cara de ilha e de empolgação. Vem quente!!
RENASCER
Na minha opinião, a escola de Jacarepaguá cometeu dois erros graves: escolheu mal o enredo e pecou ao não trazer um samba empolgante para narrar a desconhecida história de Romero Brito. O samba é bonito, tem boas passagens, mas nasce morto. Usei outro dia um exemplo. O Tuiuti, quando subiu para o especial de 2001, trouxe um samba com uma boa história e uma melodia ousada, diferente e guerreira. Não desfilou bem, é verdade, mais por culpa de sua harmonia do que do samba que se tornou inesquecível para os amantes do carnaval. A impressão que me passa é que este samba da Renascer vai tocar, vai passar e vai ser esquecido em meio a tantos outros do carnaval. Sei que a escola é alegre e pode reverter na avenida com muita raça, mas a expectativa não é animadora.
Mudanças com o vento...
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 15/12/2011 16h30
Volto para falar dos sambas porque sei que acontece com todos os que amam Carnaval. Ninguém mantém a mesma opinião sobre os sambas à medida que vai ouvindo e posso dizer que eles não saem do som do meu carro.
Na minha opinião, alguns sambas valorizaram. São os casos de Mocidade e São Clemente. O da Mocidade tem uma letra impecável e é gostoso de ouvir. Já me peguei, por duas vezes, cantando-o sem sequer me dar conta. É daí que tiro minhas conclusões.
O da São Clemente já consigo até cantar o BUBUBU no BÓBÓBÓ, ainda que com muita implicância. Mas o resto é muuuuito bom! Que samba animado, empolgado. Posso imaginar o desfile enquanto canto. E o que é a passagem do violino? Lindíssima.
Ainda não gosto tanto dos sambas do Salgueiro, Porto da Pedra e Grande Rio. Sobre o da Renascer, mantenho a opinião de que é bonito, mas sinto falta de algo mais, como a São Clemente nos apresenta. Uma escola que pisa pela primeira vez no grupo Especial tinha a obrigação de "chegar chegando", como fez o Tuiuti em 2001, com um belo samba que, infelizmente, foi comprometido pelo péssimo desfile.
Ainda são imbatíveis, para mim, Portela e Vila. Mas outros já começam a ganhar espaço...
Análise dos sambas de 2012
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 02/12/2011 18h29
Não vim escrever uma coluna para ser amigo de ninguém e muito menos para fazer média com quem quer que seja. Por acaso, algumas escolas que, para mim, tinham os melhores sambas do ano passado, não repetiram este ano e decepcionaram. Mas no geral este cd é dos melhores dos últimos anos, a média de qualidade subiu demais. Vou fazer a crítica saindo do pior para o melhor, NA MINHA OPINIÃO!!!
Grande Rio: Uma pena. Eu era fã do samba de Floripa, que até hoje toca demais no meu carro, mas não dá para ficar empolgado com a superação deste ano. Como disse um amigo meu, parece samba de auto ajuda, muitos clichês e pouca invenção.
Porto da Pedra: Acho a melodia bagunçada e a métrica meio torta, mas não dá para negar que o Wander Pires o salvou - e muito - nesta gravação oficial.
Salgueiro: Outra decepção. Em nada lembra os últimos sambas que mudaram a cara da escola, muito inferior às obras dos últimos anos. Expressões nordestinas forçadas nas frases e uma melodia que, depois da quinta passada, tem tudo para começar a cansar.
União da Ilha: Não posso negar que o samba melhorou muito na gravação. A junção tosca foi acertada e o Ito, mais uma vez, QUE SHOW!!!
Dos últimos sambas da turma do excelente compositor Marquinhus do Banjo, este é o mais fraco.
São Clemente: Sinceramente, é um samba bem legal que foi estragado no BUBUBU e BOBOBO. Boa melodia, samba com começo, meio e fim, mas que peca neste refrão oba oba sem sentido. Uma pena!
Mangueira: O que me incomoda no samba da Mangueira não é exatamente o samba, mas sim o enredo. A idéia de fazer um "pout pourri" de sambas é difícil de encaixar. Mesmo assim, acho que Lequinho e parceria foram felizes e conseguiram um bom resultado. Samba correto.
Beija-Flor: A melodia é aquela de sempre da Beija-Flor, mas o samba é muito bem encaixado, com ótimas passagens. Gosto muito da cabeça do samba e apesar da melodia batida, gosto do refrão do meio, bem valente. Tem tudo para acrescentar a um bom desfile.
Renascer: Que samba gostoso de ouvir! Correto, com belas passagens melódicas e letra agradável. Boa surpresa.
Mocidade: Outro samba gostoso de ouvir, avaliação muito parecida com a da Renascer. Gosto muito do refrão e já é possível sentir uma mudança de swing na bateria. Fiquei ainda mais ansioso para ver o desfile da Estrela Guia de Padre Miguel.
Unidos da Tijuca: Aqui se vê uma clara diferença para o samba do Salgueiro. Na obra tijucana, as expressões nordestinas e as menções a musicas do Gonzagão estão muito bem encaixadas. Ele tem trechos de melodia que empolgam e a gravação com as bossas da bateria estão sensacionais. Muito bom!!
Imperatriz: A escola de Ramos, mais uma vez, acertou em cheio. Uma combinação sensacional de letra e melodia, uma cabeça de samba emocionante, assim como o final da segunda parte do Kao Kabecilê. Forte candidato ao Estandarte de Ouro.
Vila Isabel: Kizomba 2, a revanche. E como é bom este samba!!! As soluções diferentes, o refrão que não é refrão, as perguntas e respostas da segunda parte do samba e o refrão final deixam a gente imaginar a Vila desfilando. Tipo de samba que vai fazer o povo de Noel abraçar a escola e partir pro título.
Portela: Parabéns, Águia, por ter tido a coragem de escolher este samba, de fugir do óbvio e de nos presentear com esta mistura de samba antigo, empolgante e emocionante. Muito bom ouvir um samba com a cara da Portela. Parece que recuperaram o selo de qualidade. Bom para quem gosta de carnaval, de samba e da tradição da Portela.
2012, um alento!!
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 20/10/2011 21h10
Até agora, salvo a junção na Ilha, não temos do que reclamar das escolhas de samba nas escolas. Muito pelo contrário. A safra de 2012 vai pintando como uma das melhores dos últimos anos. Ótimos sambas e mais: uma disposição para fugir dos medalhões.
Desde que escutei o samba do Vanderlei na Portela, me apaixonei. Tem gente que vai escutar e dizer: "este cara está maluco, não tem nada demais e etc..." Pois eu digo que tem sim. De cara, ele foge do padrão que se impôs aos sambas recentes. Tem força, beleza, melodia e não se prende a nada. Além disso, escutei que vários outros sambas eram os favoritos para a disputa e, no final, deu Vanderlei. Muito bom para os portelenses e melhor ainda para quem vai estar na Sapucaí.
O Salgueiro não tem um grande samba, mas nenhum dos que disputaram eram grandes sambas. Mesmo assim escolheu o melhor. Na minha opinião, o samba do Marcelo Motta é correto e deve embalar bem o desfile do Salgueiro.
O samba da Vila, não dá para dizer que fugiu dos medalhões. Pelo contrário. Mas é bom demais, um sambaço e tem tudo para acontecer no desfile.
A Mangueira também não fugiu dos medalhões, mas escolheu um ótimo samba. A composição do Lequinho figurava entre as favoritas desde o começo. Venceu apertado, mas fará com que a verde e rosa, mais uma vez, venha com um grande samba para a Sapucaí.
E prestem atenção na MOCIDADE!!! Mais uma bola dentro da diretoria. Depois de acertar nas escolhas de cantor, carnavalesco e enredo, agora escolheram um ótimo samba para o desfile. Olho vivo na verde e branco de Padre Miguel neste carnaval, porquer ela vem para incomodar!!!!
Mais sobre os sambas
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 19/09/2011 12h03
Disputa acirrada na Mangueira. Escutei dois sambas - um cantado pelo Tinga, outro pelo Igor Sorriso - que me deram esperança de que, mais uma vez, o samba possa salvar a escola na avenida. Como não podemos saber os nomes dos compositores, vou chamá-los pelos "codinomes".
O samba 107-A começou estranho na gravação. Apesar de ter momentos de grande beleza na primeira e na segunda, achei o refrão meio bobo, sem sentido, mas depois que escutei o samba inteiro, ele passou a fazer muito sentido e cresceu demais. Também torci o nariz para a semelhança com a melodia do Fundo de Quintal no refrão do meio, mas funcionou muito bem e ficou bonito. Acho que ele consegue fugir do trivial e já merece grande crédito.
O samba 65-A é outro que vem muito forte. Não gosto do refrão principal, do tipo "vários que já ouvimos alguma vez na vida", mas a primeira e a segunda partes me conquistaram. O samba é forte e com letra boa; veio para brigar mesmo. É do tipo de que responde bem na quadra. Não tem a mesma variação melódica e a mesma pintura do concorrente, mas a escola estará muito bem representada na avenida se escolher esta obra.
Na Rocinha, mais uma boa disputa, polarizada pelos mesmos compositores que brigaram pelo título no ano passado. Ouvindo os sambas, acho que o de Diego do Carmo, Ricardo Bernardes e Cia é favorito ao bicampeonato.
Na Renascer, a notícia mais legal não vem da disputa de samba e sim de uma idéia bem original e que pode fazer escola. A escola resolveu fazer um documentário sobre a preparação para a estréia da agremiação no grupo Especial, mostrando os preparativos em todos os setores. A idéia da direção da escola é mostrar o documentário pronto poucos dias antes do desfile, para empolgar ainda mais os integrantes da escola. Os responsáveis pelo documentário são Alex Santos, Gabriela Ferreira, Thiago Bouça e Vitor Coutinho, todos jovens mas com bom conhecimento no assunto. Vale a pena esperar para ver.
Habemus samba!!!
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 05/09/2011 14h38
Rodei pelos sites atrás de novidades entre os sambas concorrentes, algo que pudesse mudar o panorama entristecido de composições nada imaginativas, mas não tive êxito. Não até esta semana, quando fui alertado sobre um concorrente da Portela, logo a escola que, ultimamente, não vem animando muito nas composições. Abri o site, a letra, pus a música para tocar e me emocionei. Parecia um retorno aos sambas antigos, parecia uma composição feita dos anos vencedores da Portela. O samba de Luiz Carlos Máximo, Naldo, Toninho Nascimento e Wanderley Monteiro e muito bem interpretado pelo Pixulé tem de tudo. Boa melodia, boa letra, mudança de ritmo, belas variações e o mais importante: é a cara da Portela.
Para não dizer que é perfeito, acho que eles poderiam resolver alguns probleminhas de métrica que, de forma alguma, tiram o brilhantismo do samba. Alô direção da Portela! Vocês que precisam dar a volta por cima e que já acertaram no casamento enredo/carnavalesco, por favor, não deixem passar esta chance de ouro de transformar o desfile de 2012 numa antologia. A escola precisa e os portelenses merecem.
Já na Vila Isabel, o "dream team" das parcerias, formado pelos campeoníssimos Bocão, Leonel, André Diniz e com a valiosíssima presença de Arlindo Cruz, vai ter uma parada indigesta: o samba da Mart'nália é competentíssimo e forte candidato a hino oficial da Vila em 2012. Tudo bem que a disputa ainda está no começo, mas, finalmente, a turma encontrou um adversário de peso. Vale acompanhar essa disputa.
Ahh Salgueiro!!!
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 23/08/2011 20h26
Depois de tanto anunciar aos quatro cantos que o Salgueiro escolheu um dos melhores enredos da próxima temporada. Depois de criar a expectativa de mais um grande show do Renato Lage. Depois de guardar na memória os sambas de Candaces, Tambor e o cinema do ano passado, eis que surge a safra 2012. Na verdade, não dá para chamar de safra, a decepção foi grande. Pode até ser que a minha expectativa otimista tenha prejudicado o julgamento, mas a verdade é que só vejo um samba hoje em condições de guiar o Salgueiro a um bom desfile. É o samba assinado por Marcelo Mota, Tico do Gato, Ribeirinho, Dilson Marimba, Domingos OS e Diego Tavares. Não é uma maravilha, não chega nem perto do samba do ano passado, mas... serve.
É claro que ainda falta muito tempo de disputa, mas ouvir os outros sambas na quadra não mudará muito.
Mangueira muda.
Na Manga está difícil julgar. Os sambas tem mudado demais de uma apresentação para a outra. As mudanças são autorizadas pelo Ivo, o que pode se transformar em uma faca de dois gumes: melhorar a qualidade e piorar o que estava bom. Os sambas que estavam gravados nos CDs não servem mais como referência. Agora, só indo à quadra mesmo para conferir de perto. Pelo que deu para ouvir, os sambas 107e, cantado pelo Igor Sorriso, e 65ª, cantado pelo Tinga, tem boas chances (não consigo me acostumar com estes compositores com nomes de número e letras). O que deu para entender é que podemos achar uma fauna de estilos diferentes entre os sambas, que não existe uma linha. E isso não é uma crítica, mas sim uma constatação. Apesar disso, eles merecem ser ouvidos de perto, na quadra, para ratificar qualquer opinião.
A medida que as disputas forem avançando, vou emitindo outras opiniões. Aguardem!!
Ecos de lá, ecos daqui, que carnaval interessante em 2012
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 03/08/2011 14h30
Um mês no frio da Argentina, cobrindo a Copa América, perto da frieza da nossa Seleção, longe do calor do início dos sambas e do final das definições de enredos mas...se engana quem pensou que fiquei longe do Carnaval. Os argentinos estão encantados com o resultado dos desfiles realizados em San Luís (este é o segundo ano). Como tivemos que rodar pelo país para acompanhar os jogos, pudemos sentir como é forte o efeito dos desfiles organizados pela turma que, um dia, comandou a Mangueira (Elmo, Alvinho, Moacir, Dr. Alcyone Barreto, Amauri, Elias Riche, Célia Regina, Edson Marcos...) além da Ganga Zumba e Antônio Pitanga. Pelo que deu para perceber, a moda pegou e, até mesmo no frio de julho, ainda era possível ver cartazes do evento e sites falando sobre a festa que lotou hotéis e viu esgotada sua capacidade para acompanhar um evento cem por cento brasileiro. Uma ousadia que deu muito certo.
Na volta ao Brasil, a palavra de ordem continua sendo ousadia. Esta palavra está latente na tendência para o próximo carnaval, com mudanças de estilo e afirmação. Sim, estou falando sobre os dois maiores carnavalescos da atualiade, Renato Lage e Paulo Barros.
Dos lados do Salgueiro, vejo um povo muito animado com o desenvolvimento dos trabalhos até agora, sinopse que, mesmo em forma de cordel, não atrapalha em nada a possibilidade da criação de um bom samba(seria o segundo bom samba seguido para uma escola que estava precisando disto). Renato já provou que pode ser o mesmo gênio de sempre com enredos tradicionais ou high tech e, como esta história promete, vejo um Salgueiro fortíssimo na avenida.
Coragem é a palavra que mais me vem à cabeça quando vejo que o Paulo Barros embarcou no enredo do Gonzagão, este sim é um baita desafio. Todos já sabem da facilidade que ele tem para mexer em materiais e efeitos mas, como será transformar uma história simples em pura magia, na avenida, esta mesma mágica que tem arrebatado a passarela nas últimas passagens da Unidos da Tijuca. Eu acho que teremos surpresas(boas) o que aumenta ainda mais a curiosidade. É uma grande chance para o Paulo calar, de vez, os críticos que insistem em julgar um trabalho que, para mim, já deu provas de ser indispensável para o sucesso dos nossos desfiles.
Mestre Delegado, novo presidente de honra da Mangueira, tremenda bola dentro do Ivo Meirelles mas...Já que o assunto é ousadia, ou falta de, ouvi alguns sambas da Mangueira e lí a sinopse escrita por Sérgio Cabral. Vejo que o enredo que exaltava o Cacique de Ramos virou uma homenagem musical ao Fundo de Quintal. Que medo!!!!
Surpresas e mais do mesmo nos enredos
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 13/06/2011 15h19
Duas escolas saíram na frente na questão enredos, com temas que já conseguimos imaginar na avenida, conteúdos que já animam foliões, compositores e apaixonados pelo carnaval. Renato Lage e o Salgueiro, mais uma vez, vêm para destruir. Que escolha maravilhosa!! Ainda não está amplamente divulgado, mas o enredo do Salgueiro é "Cordel Branco e Encarnado". Vai falar sobre a literatura de cordel, tema muito rico que nos proporcionará mais uma sensacional viagem do mago Renato.
Jorge Amado vai aparecer em verde e branco na avenida. A gente pensa que é um enredo com cara de Império Serrano, e é. Mas, desta vez, vem com a coroa da Imperatriz. Com a mudança no perfil leopoldinense, que fez um desfile muito mais leve em 2011, dá para esperar muito de samba, plástica e empolgação. Outra bela escolha!!!.
O enredo da União, apesar de ter Olimpíadas como foco, que é um tema batido, terá a ajuda do cenário de Londres para ilustrar seu carnaval. Lembremos que, no enredo sobre as ilhas, a escola falou sobre a Inglaterra no divertido samba do Marquinhus do Banjo e Cia. Ainda não li a sinopse, mas confio demais no Alex.
O Cacique de Ramos da Mangueira é um tema tremendamente carnavalizado e extremamente difícil de se colocar na avenida. Tomara que o Cid me faça queimar a língua.
No grupo A, gostei muito do enredo do Tuiuti. Falar de Clara Nunes é sempre rico e sinônimo de bons desfiles.
Vamos esperar outras novidades. E que sejam tão boas quanto as que vieram da Tijuca e de Ramos.
Vergonha que não acaba
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 08/06/2011 17h55
Fim do carnaval, desfile das campeãs e eu escuto uma entrevista na rádio Tupi com o presidente Pelé, da Cubango, revoltadíssimo, com justiça, por causa de sua colocação no desfile do grupo A. Durante a entrevista, ele chegou a dizer que tinha contato com jurados que garantiam que as notas dadas por eles foram alteradas e que já tinha depoimentos lavrados em cartório. Acusações seríssimas!!!!
Entramos em junho e leio a notícia de que ele está feliz por não ter sido punido e porque a sua escola não vai mais abrir o desfile. Punição que seria dada pela Lesga por causa das reclamações. Mas o que aconteceu neste meio tempo? O que eu perdi? E por que denúncias tão graves se perderam no vento?
Não estou aqui contestando o resultado final dos desfiles da Lesga, apesar de achar que algumas escolas - como o Império da Tijuca, a Rocinha e a própria Cubango - foram muito prejudicadas com colocações bem abaixo do que apresentaram. O que me irrita mais é saber que as denúncias aparecem, causam furor e somem do mesmo jeito que apareceram, sorrateiramente. Fica parecendo que tudo que foi dito pelo Pelé nada mais era do que bravata, sem nenhum fundamento, e, pelo pouco que conheço do presidente da Cubango, isto não é do seu feitio.
Eleição no Salgueiro
Demorei para me pronunciar, mas fiquei muito feliz com a reeleição da Regina Coeli no Salgueiro. O trabalho que ela faz na escola recolocou o Sal no papel de protagonista dos desfiles, tirando a escola de um lugar secundário que durou anos. Fiquei imaginando a postura dos filhos do casal concorrente no dia da eleição...
Boa sorte ao Sal no próximo biênio e que continue nos brindando com grandes desfiles como os últimos.
Bateria da Mocidade
Mestre Odilon na Mocidade... Quanta saudade!!! Bem-vindo de volta ao carnaval, mestre!!!
Em 2000, participei de um curso de percussão e conheci pessoalmente o então autor do livro "Batuque Carioca". Daí em diante começou uma boa amizade com esse cara que considero um dos maiores gênios da história das baterias do carnaval. Sem desmerecer os outros componentes da super direção, só o fato de ter o Odilon nesta lista já credencia a bateria da Mocidade a voltar aos áureos tempos. Mais um grande ponto do presidente Paulo Vianna e a confirmação de que a Mocidade também quer recuperar o seu papel de protagonista nos desfiles. Parabéns Mocidade!!!
O pulso forte das baterias
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 31/05/2011 08h34
As baterias foram, para mim, o principal destaque dos desfiles 2011. Sem muitos fru-frus, sem muitas bossas antológicas, mas com muita competência, as escolas desfilaram muito bem "carregadas" pelas batidas do coração. Na minha opinião, só o ritmo do Átila, na Vila, fugiu à regra. Logo dele, de quem mais se esperava. Mas já são águas bem passadas. Ele até já assumiu uma outra batuta no Império, de ritmo bem mais forte.
Voltando ao compasso, vi alguns nomes crescerem como o do mestre Diogo, da Porto da Pedra, bateria que está muito gostosa de se ouvir, o show aquático do Ciça e a competência da "furiosa de elite" sob o comando do Markão. Mas duas baterias emocionaram, levantaram a arquibancada e me deram saudade do meu tamborim meio aposentado: a Imperatriz do Marcone e a Mangueira do Aílton.
Já gostava do samba da verde e branco. Gostei da gravação no cd e, ao vivo, ficou melhor ainda. Além do ritmo sensacional, a bossa do Marcone foi a melhor entre as paradinhas das 12 escolas que desfilaram no Grupo Especial. A que começava no final do refrão principal e se estendia pela cabeça do samba era um primor. Dava pra ignorar até o fato da pequena embolada que os surdos deram no final da paradinha quando saía do último boxe. Essa bossa é tão genial quanto difícil na execução e funcionou muito bem com o samba. Marcone já vem mostrando trabalho, competência e, principalmente, coragem de ousar.
O Aílton já é um velho conhecido. Meu primeiro samba na Mangueira foi gravado por ele num pequeno estúdio em Vila Isabel e, é óbvio, a percussão ficou muito melhor do que a música. Nesse mesmo período, a verde e rosa sofria, desde a morte de Alcyr Explosão, um gênio, com os altos e baixos em sua bateria . A Surdo 1 ficou meio perdida, sem cara, sem ritmo. Nos últimos anos vem mudando, vem acontecendo, impondo a volta do ritmo que me emocionava com o Explosão e, agora, em 2011, alcançou o melhor efeito dos últimos anos. Uma bateria forte, com muito ritmo, sem perder andamento e com muito suingue. E as paradinhas, que têm na confiança dos ritmistas a sua ousadia, com um tempo perfeito entre o silêncio dos instrumentos e a volta. Valeu a noite de chuva, meus ouvidos agradecem.
Paulo Barros: amado, odiado, genial
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 16/05/2011 10h46
Não sou um cara antigo em carnaval, muito pelo contrário, tenho 12 anos de participação direta e ativa. Nestes tempo sempre escutei boas histórias sobre carnavalescos geniais e suas soluções inventivas. Não vi a revolução de Fernando Pamplona nos anos 60, nem os enredos bons, bonitos e baratos da Maria Augusta, nos 70. Ví muito pouco de Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto (Tupinicópolis, me lembro bem, estava na avenida) e nada de Viriato. Acompanhei e acompanho bem de perto o trabalho do Renato Lage, um dos gênios que me fizeram amar o carnaval, e do eterno Joãozinho Trinta com o seu luxo exubrante.
Posso e devo fazer menções mais que honrosas a carnavais de Oswaldo Jardim e outras feras que deram belas cores aos desfiles. Mas gostem ou não, o carnaval tem um novo gênio chamado Paulo Barros, um artista que faz a Sapucaí parar, prender a respiração, ansiosa pelo que vem.
Podem chamar seus desfiles de espetáculos hollywoodianos, de efeitos de cinema. Eu chamo de arte de primeira linha, criatividade e, mais do que isso, uma habilidade de transformar o óbvio no inesperado.
Muitos depreciam suas mais que elogiadas comissões de frente de 2010 e 2011 alegando que aqueles truques já estavam na internet, mas esquecem que foi ele que os levou para a Avenida, fazendo total sentido ao desfile.
E como acontece com todo gênio, o Paulo é dado a exageros e, às vezes, perde a linha do enredo nesta "overdose" de ousadia e inteligência. Acho também que ele sofreu um pouco até achar a fórmula de um bom acabamento em seus carros, principalmente na época da Viradouro. Mas tudo que saiu do seu barracão foi atração. Não vejo o nosso carnaval hoje sem o Paulo Barros, carnavalesco que conheci no Tuiuti, fazendo Portinari. Aliás, uma boa lembrança: no dia em que os carros saíram do barracão esperando a "mágica transformação" da avenida, as baianas da escola, que foram dar aquela força, choravam vendo a quantidade de ferros expostos e a até então incompreensível estética. O resultado foi um desfile magnífico com direito a gritos de "é campeã" ecoando em todos os setores da Sapucaí.
No ano seguinte, já na Tijuca, muitos davam a escola como favorita ao rebaixamento. Visitei o barracão semipronto com um grande amigo salgueirense, a convite do Paulo, e toda a minha opinião mudou. Enquanto ele explicava o que iria acontecer na avenida, eu lembrava do Tuiuti 2003. O vice-campeonato do Pavão foi surpresa para muitos, para mim não. Vice com gosto de título e com sabor de antologia.
Estou ansioso para ver o que vem por aí. Não sei se ele vetou ou não o enredo, mas não vejo um Luiz Gonzaga produtivo nas mãos do Paulo Barros.
Mocidade inicia 2012 com força e boas contratações
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 14/05/2011 15h49
A movimentação nas escolas já está à todo vapor. Algumas mostram que a intenção é mudar a cara e a postura, outras nem tanto.
A escola que mais me chama a atenção neste inverno carnavalesco é a Mocidade. Acho que nenhuma agremiação começou 2012 com tanta força quanto a escola da Estrela Guia. Começa pela contratação do campeoníssimo Alexandre Louzada, que dispensa apresentações e comentários, e já mostra que a Mocidade quer pensar grande. Grande como a história da verde e branco de Padre Miguel. Gosto também da contratação do Luizinho Andanças para o carro de som, uma das vozes mais firmes do Grupo Especial.
Do outro lado está a Mangueira. Ainda não vejo no enredo sobre o Cacique de Ramos conteúdo e capacidade para preencher todas as alas e carros de um desfile, o que pode acabar trazendo várias partes sem representatividade para o enredo. Também não gostei da contratação do Cid Carvalho. Tomara que ele acerte na minha escola mas, pelo que tem mostrado nos últimos anos, tenho muito a temer.
A Portela não fez ainda grandes mudanças; tá devendo demais. Porém, confesso que gostei da contratação do Paulo Menezes, que tem um estilo de enredos mais conservadores, de detalhes com bom acabamento e me parece a cara da Águia. Boa sorte, Paulo!
Soube que o presidente Renato reclamou de um "excesso de rigor" dos jurados contra a São Clemente e eu concordo. Acho que eles tiram pontos de forma exagerada, parecem já determinados a descontar décimos importantes da escola da zona sul. Como disse na análise que fiz há duas semanas, achei o trabalho do Fabinho muito bom e merecedor de notas melhores do que as de outras escolas. Seria bastante injusto o rebaixamento. O que acho que não cabe é a forma pouco emocionada com que a São Clemente desfila. Às vezes parece que ela vem arrastando os componentes e não o contrário.
E num momento meio Mãe Dinah, acho que temos uma escola que, se tudo correr bem e sem sustos (isto é o mais importante), deve despontar como campeã. É a Grande Rio. O enredo sobre Superação vai trazer uma escola emocionada e emocionante para a avenida. Integrantes com vontade de mostrar que 2011 é mais um combustível para a tricolor, que já está merecendo levantar um caneco. É esperar...
Domingo de eleição no Império Serrano
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 11/05/2011 10h12
Domingo tem eleição no Império Serrano, por mais que os resultados atuais escondam, a escola da Serrinha é puro brilho, história e é uma das poucas escolas de samba a carregar a bandeira do tradicionalismo e do samba de raiz. Quem já foi a uma feijoada da "Sinfônica do Samba" sabe bem do que eu estou falando.
Torço muito pelo Império, torço para que os momentos mais turbulentos passem e a escola volte a conquistar espaço e vitórias na Marquês de Sapucaí.
Para o pleito, quatro candidatos: A atual presidente Vera Lúcia, Helton Dias, Valdir Carola e Mestre Átila.
Dos três, Mestre Átila foi o primeiro a apresentar um pacote que, pelo menos, serve para reanimar o sofrido coração imperiano. De cara, já escolheu um enredo que promete sensibilizar não só os torcedores da escola, mas também todos os amantes do samba: os 90 anos de Dona Ivone Lara.
E a formação da equipe para tentar fazer a verde-e-branco voltar ao Grupo Especial também é muito promissora. Átila pretende fechar com Carlinhos de Jesus para fazer a coreografia da comissão de frente e acertou com Mauro Quintães que, há dois anos, venceu o carnaval do Grupo A com a São Clemente.
Que os outros consigam opções ainda melhores ou que Mestre Átila cumpra as propostas e volte com o Império Serrano ao seu lugar que é o grupo Especial.
Escolas de samba e futebol
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 09/05/2011 22h15
Essa eu acho que vai encher a minha caixa de comentários e vai dar o que falar. Esta ideia achei legal dividir com vocês e foi publicada na revista "ESPN" de março:
É uma comparação entre times de futebol e escolas de samba do grupo Especial do Rio de Janeiro
Fluminense - Unidos da Tijuca
Já nasceu grande, destacando-se pelo pioneirismo no cenário carioca. Teve períodos turbulentos e andou dando seus vexames com rebaixamentos, mas reestruturou-se e viu a consagração com o título em 2010, acabando com um longo jejum.
Corinthians - Grande Rio
Representa uma zona de "povão", mas é bem endinheirada. Costuma apostar em nomes midiáticos e muitas vezes desperta com isso a antipatia de rivais. É fácil tirar os torcedores do sério: basta lembrar que ainda falta "aquele" título…
São Paulo - Beija-Flor
Houve um tempo em que era vista com certa simpatia pelos adversários, mas isso acabou quando passou a conquistar um título atrás do outro. Bem organizada, adotou certa dose de arrogância no discurso.
Internacional - Vila Isabel
Celeiro de bambas, passou período sendo grande só no rótulo. Hoje em dia é novamente cotada para todos os títulos, especialmente depois da glória alcançada em 2006, contra a maioria dos prognósticos.
Palmeiras - Salgueiro
Encerrou de maneira memorável uma incômoda seca de títulos em 1993. De lá pra cá, descobriu que ter o Edmundo nem sempre é garantia de conquistas.
Flamengo - Mangueira
Impossível ficar indiferente: é amada ou odiada. Nas suas maiores conquistas, contava com craques formados em casa. Politicamente, costuma ser uma bagunça.
Botafogo - Mocidade
Viveu épocas gloriosas, mas hoje é coadjuvante. Beliscar uma vaga no desfile das campeãs está de bom tamanho. Os torcedores eram mais felizes quando o dinheiro dos bicheiros ajudava da montagem do elenco.
Grêmio - Imperatriz
O estilo pode não agradar aos puristas, mas ela não se importa. É copeira e tem o respeito dos adversários, mesmo quando a fase não é das melhores.
Santos - Portela
Algumas das maiores referências do meio saíram de sua base. É uma das favoritas dos saudosistas, daqueles que gostam de dizer que "no meu tempo era melhor". Até hoje reclama de um título roubado em 1995.
Bahia - União da Ilha
Muitos lamentam pelo tempo que ela andou longe da primeira divisão na última década. A torcida festiva, unida pelas cores azul, vermelho e branca, é sempre garantia de espetáculo. Mas só assiste à briga dos grandes.
Atlético/GO - Porto da Pedra
Inesperadamente tornou-se a única representante de sua região na divisão de elite. Lutar contra o rebaixamento é sua rotina, e cada permanência deve ser comemorada como um título.
América/MG - São Clemente
Volta e meia aparece no Grupo Especial. Ninguém sabe direito como subiu, mas é certo que vai cair.
Atlético/MG - Império Serrano
Tem uma história bonita, conta com uma torcida grande e apaixonada, mas raramente brigou nas cabeças nos últimos tempos. E o último título importante já faz um tempinho…
Atlético/PR - Viradouro
De um centro periférico, já foi campeã e conseguiu fazer barulho em diversas ocasiões. Considerada-se grande, mas aos olhos dos grandes tradicionais será sempre menos importante.
Continuando minha análise sobre os desfiles de 2011...
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 02/05/2011 21h38
UNIÃO DA ILHA:
A Ilha não fez um desfile, fez O DESFILE. Me impressionou demais! Esperava tudo muito prejudicado pelo fogo e vi uma escola radiante, bonita, bem arrumada, empolgante e empolgada. Um dos grandes momentos deste carnaval. Só não é surpresa para mim o Alex, que além de competente, tem muito bom gosto e soluções ótimas. Acho que o casamento Ilha-Alex vai longe.
SALGUEIRO:
O Sal comprovou que o segundo dia de desfiles seria mágico. Desde a primeira fantasia que passou na avenida, passando pelos carros, que perfeição, que bom gosto!! Quando a escola parou, a vontade das pessoas nas frisas era saltar para a avenida e ajudar a empurrar os carros para que a escola cumprisse o tempo de desfile. Uma pena! Era para ser um desfile campeão e inesquecível. Falando com um amigo salgueirense na hora da "desgraça", ele disse que, se fosse da diretoria, deixaria a escola estourar o tempo que fosse só para que o público pudesse curtir com calma aqueles momentos primorosos do Renato Lage. Acho até que valia!
MOCIDADE:
Vamos dividir a Mocidade em duas partes: de um lado, a do samba empolgante, que não rendeu tanto assim na avenida, mas foi bem cantado e, do outro, a feiura dos carros e fantasias que tomaram a avenida. Pelo amor de Deus, o que deu no Cid Carvalho? Rezo para que na Mangueira em 2012 tudo mude!!
GRANDE RIO:
Que momento lindo! A escola de Caxias se ergueu no meio da desgraça do fogo e mostrou que tudo neste carnaval poderia ser diferente se o projeto original tivesse vindo para a Marquês de Sapucaí. A empolgação das pessoas, mesmo debaixo de um dilúvio, mostrou que a alma do carnaval que amamos ainda vive. Apesar do samba que tanto gosto ter sido muito mal interpretado pelo Wantuir. A bateria do Ciça não precisa de comentários, e sim de aplausos; é sempre nota 10.
PORTO DA PEDRA:
Perdeu uma chance de ouro. Antes do desfile começar e depois de todos os problemas vividos por Grande Rio, Ilha e Portela, poderia apostar que a Porto estaria de volta nas campeãs. Bom enredo, bom samba e uma ótima bateria comandada por mestre Diogo. Mas o que vi na avenida foi um desfile burocrático e nada mais. Bonitinho, mas ordinário.
BEIJA-FLOR:
Algum engraçadinho há de dizer: "Ele é mangueirense e nunca falará bem da Beija". E se enganará redondamente. Não conheço escola mais organizada e bem montada que a Beija. Mas acho que erraram a mão feio neste carnaval. Não discuto o título, que acho que ficou em boas mãos, mas discuto a enxurrada de notas 10 que, na minha opinião, não foram merecidas. A ideia de levar um samba mais leve e fantasias idem foi perfeita, mas não precisava tanto mau gosto nos carros. Não estou falando de acabamentos não, falo de gosto. Além disso, o casal foi muito prejudicado pelo óleo que a Porto da Pedra deixou e seu julgamento ficou bastante comprometido. Acho que era difícil julgar a Selminha naquele momento. Mas o que foi a passagem do Roberto Carlos?? Mesmo escondido no carro alegórico, as pessoas choravam em volta e o samba ajudou demais. Era fácil de cantar e bem bonito também. Infelizmente, a azul e branco de Nilópolis não foi avassaladora como em outras vezes. Ficou devendo.
Minha análise sobre os desfiles de 2011
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 02/05/2011 21h35
Como disse na coluna anterior, pela primeira vez depois de dez anos, pude acompanhar, mais de perto e com mais calma, os desfiles e refletir, pensar sobre o que vi de cada escola. Apesar da usual enxurrada de Egitos, Índias, carros com temas orientais e etc... Tinha saudades disso, sentia falta de poder curtir a essência de cada desfile. E como opinião cada um tem a sua, concordem ou discordem à vontade.
SÃO CLEMENTE:
Plasticamente muito bem. Que alegria poder ver de novo o trabalho do Fabinho, um dos mais promissores carnavalescos da nova geração, no grupo Especial!!! A São Clemente em si não consegue mais me empolgar como a escola alegre e irreverente do passado. O desfile da escola da Zona Sul passou frio, sem sal, sem ingredientes que pudessem mexer com o público na avenida. Fico me perguntando o que será que ela pretende ser no futuro.
IMPERATRIZ:
Um dos desfiles que mais gostei na avenida. Era visível a vontade da escola de Ramos de mostrar que está mudando. A Comissão de Frente foi uma das mais legais da avenida, uma belíssima ideia da escola, empolgante mesmo. O samba, achei maravilhoso desde o CD. Estandarte mais do que merecido. E o que dizer da bateria do Marcone? Quanto mais eu ouço mais gosto da batida e da ousadia. O que me entristeceu foi ver problemas de acabamento em carros do Max, carnavalesco que admiro demais exatamente pelo capricho que tem. Ah! E teve Egito...
PORTELA:
Me dá vontade de pular para a próxima, mas, em respeito aos vários portelenses que conheço e admiro, vou escrever. Todos sabem que foi a menos atingida pelo fogo. Todos sabem que o trabalho estava atrasado desde antes do incêndio. E o que foi a Portela na avenida?? Nada que nos faça lembrar que ela é a grande campeã do nosso carnaval, um dos berços do samba e uma das escolas mais admiradas em todo o país. Mais não falo.
TIJUCA:
O Paulo Barros faz uma coisa que me incomoda: deixa a gente de boca aberta o desfile quase todo e, com isso, acaba prejudicando a evolução e o samba da escola. Brincadeiras à parte, acho que ele foi mais brilhante no ano passado. Em 2011, o assunto não estava tão bem amarrado e alguns problemas de evolução prejudicaram a escola. Sei que alguns puritanos do carnaval vão me xingar, mas é impossível, hoje, pensar em ir para a avenida sem ver o trabalho do Paulo. É genial.
VILA ISABEL:
A Rosa voltou a ser Rosa, a Vila é que deixou de ser Vila. Estava acostumado com os desfiles emocionantes que a turma do morro dos Macacos sempre levou para a avenida e, surpreendentemente, me deparei com uma chatice técnica insuportável. Muito bonita plasticamente mas sem brilho, sem tesão. Além disso, o que aconteceu com o Átila??? Um dos melhores mestres que conheço, não se acertou com uma das melhores baterias do carnaval.
MANGUEIRA:
Começou deixando a avenida irada com o infeliz e enorme discurso do Milton Gonçalves e o tempo de desfile rolando. Na primeira virada da bateria, já podia sentir que vinha algo diferente. O samba, que também achava dos melhores da safra, funcionou bem e os componentes começaram a aparecer empolgados mesmo com a chuva que caía. Mas nem tudo pode ser perfeito. Carros feios e mal acabados começaram a desfilar cercados de fantasias irregulares. Acho até que o terceiro lugar foi exagerado. Mas valeu, e muito, pela emoção.
Cheguei!
Cadu Zugliani | Cadu Zugliani | 01/05/2011 00h41
Sou Carlos Eduardo Zugliani, um jornalista apaixonado por samba e louco pelo mundo que envolve os desfiles das Escolas de todos os grupos. Sou compositor desde 2000, quando escrevi meu primeiro samba para a Mangueira, minha escola de coração. Fui um dos autores do samba da verde e rosa em 2004, parei de escrever em 2007 quando encontrei mais uma paixão no samba: o Boi da Ilha do Governador, lá fui diretor de carnaval, vice-presidente e depois da morte do presidente Eloy, terminei seu mandato como presidente até 2010.
Depois de 10 anos de envolvimento direto com o carnaval, pela primeira vez, pude assistir com calma aos desfiles de domingo e segunda, ver as escolas do Grupo Especial com a mesma expectativa que tinha até 2000 foi decepcionante! Os sambas eram até bons de se ouvir na grande maioria, as baterias competentes e a parte plástica então... incrível!! Mas cadê a emoção??? Onde estão os componentes emocionados, empolgados e, como diz o Quinho, cantando até desmaiar, onde estão os componentes históricos?? Escondidos entre muitas plumas e roupas pesadas, não pude reconhecê-los. "Que papo velho" devem estar pensando, mas é chocante a diferença que 10 anos fazem. E se vocês acham que emoção não ganha carnaval, estão enganados, a Mangueira nos provou mais uma vez que a emoção é a diferença de tudo. E olha que a escola se esforçou para ficar mal colocada com carros de gosto terrível e mal acabados além de fantasias assim, assim. Mas o que fez a mistura de samba-componentes-bateria foi de assustar, um momento comparável à entrada do Rei Roberto Carlos na avenida, posso dizer que deixei o sono de lado e encarei a chuva cantando sem parar como se estivesse lá no meio deles, empurrando a escola pra frente, um terceiro lugar com cinco notas 10 no quesito emoçäo.
Para näo passar em branco, 3 outros momentos foram muito marcantes: A passagem de Roberto Carlos, mesmo com o esforço que a Beija-Flor fez para escondê-lo num carro muito feio e de pouca visibilidade, as pessoas em volta tinham lágrimas nos olhos e, devo confessar, mesmo não sendo um fã do Rei, ARREPIEI!
E as passagens de União da Ilha e Grande Rio pela Marquês. Depois do desastre do fogo, eu não poderia imaginar que as duas ainda mostrariam o que levaram para a avenida. Parabéns ao presidente Ney que vai fazendo um grande trabalho na União e parabéns especial ao povo de Duque de Caxias, que desfile!! Que emoção!! Se tivessem sido julgadas, certamente, ficariam à frente de muitas escolas chatas que me ajudaram nos cochilos das noites chuvosas. Sobre os julgamentos, falo na próxima coluna.
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