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Cadu Zugliani

Cadu Zugliani

Jornalista, trabalha no Sportv há 5 anos e na TV Globo há 18. Compositor campeão da Mangueira em 2004. Louco, amante, apaixonado por Carnaval, onde já fez de tudo um pouco, ou muito.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



15/04/2014 08h52

Curtinhas do Cadu 7
Cadu Zugliani

- Mestre Capoeira renova com Império da Tijuca

- Mestre Átila pode pintar na Imperatriz após eleição no Império


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07/04/2014 17h41

Curtinhas do Cadu 6
Cadu Zugliani

- Futuro da Viradouro só será decidido após as eleições. Até o momento, o intérprete Zé Paulo e o carnavalesco João Vitor seguem na escola.


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28/03/2014 14h36

Curtinhas do Cadu 5
Cadu Zugliani

- Lolo, Capoeira e Ciça eram opções para a União da Ilha, mas o presidente Ney Filari optou por Ciça.

- Max Lopes só espera resultado da eleição na Vila Isabel para fechar com a escola.

*Atualizado em 31/03/2014


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25/03/2014 09h20

Curtinhas do Cadu 4
Cadu Zugliani

- Rosa Magalhães está fora da Mangueira. Cid Carvalho deve ser o novo carnavalesco.

- Comissão de frente da Unidos da Tijuca deve mudar de endereço para Caxias.

- Diretores de harmonia e bateria estão fora dos planos da Imperatriz.

- Dependendo da proposta, União da Ilha não tem como segurar mestre Thiago Diogo.

- Daniel, mestre-sala da Estácio de Sá, está fechando com a Grande Rio.


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21/03/2014 22h58

Curtinhas do Cadu 3
Cadu Zugliani

- Mais uma escola grande entra na briga para fazer o enredo da Fernanda Montenegro.

- Thiago Diogo é o nome da vez para assumir a bateria da Grande Rio.

- Protesto nas campeãs teria sido o motivo da dispensa de mestre Ciça na escola de Caxias.

- Ilha se movimenta e consegue manter o carnavalesco Alex de Souza.

Atualizada em 23/03, às 14h41.


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20/03/2014 09h05

Curtinhas do Cadu 2
Cadu Zugliani

- Lolo fica na Curicica. Só sai se for para o Grupo Especial.

- Fernando Costa, diretor de Carnaval da Tijuca, confirma permanência de mestre Casagrande na escola do Borel.

- Priscila e Rodrigo, responsáveis pela comissão de frente da Tijuca, podem ser os próximos a deixar a escola.

Veja as curtinhas de quarta-feira no post anterior.

 

*Atualizado às 12h40


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19/03/2014 14h25

Curtinhas do Cadu 1
Cadu Zugliani

- Mestre Ciça está fora da Grande Rio.

- Diogo Jesus não é mais mestre-sala da Portela. Ele já entregou um comunicado à diretoria e vai fazer par com a Lucinha Nobre na Mocidade.

- Eleição na Vila Isabel pode ter chapa com ex-presidente Russa e Damásio Desidério.

- Wilsinho e dona Rita devem formar outra chapa.

- Alex de Souza é o favorito de Fernando Horta para a vaga deixada por Paulo Barros.

- Dr. Ney, atual presidente da União da Ilha, garante estar apalavrado com o carnavalesco e só espera as eleições de abril para assinar.

- Enredo de Paulo Barros na Mocidade já tem nome "O último dia de nossas vidas".

- Portela bate o martelo e enredo já tem título "imaginaRIO, 450 janeiros de uma cidade surreal".

- Em seu retorno ao grupo especial, Viradouro deve homenagear a atriz Fernanda Montenegro.


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06/03/2014 01h15

Bola de Cristal 2014 e os acertos
Cadu Zugliani

E não é que mais uma vez o resultado da Bola de Cristal foi um acerto com mais de 90% de aproveitamento. Adivinhação? Conhecimento na LIESA como alguns inistem em dizer? NÃO, vivência de carnaval mesmo.

- Relembre: 'Bola de Cristal 2014'

De todas as escolas citadas no texto, apenas uma apresentou um erro de avaliação. Pra mim, a Beija brigava pelo título, apesar de achar o samba fraco...sobre o samba eu acertei, e as notas foram um reflexo, a colocação da escola errei feio. Realmente não esperava a Beija longe da disputa pelo título e, ainda por cima, fora das campeãs, fato que não ocorria desde 1992.

Foto: SRZD - Tatiana Perrota

Salgueiro e Tijuca, como adiantei, brigariam pelo título e a disputa foi décimo a décimo.
Portela, a surpreendente Ilha, Imperatriz e Grande Rio foram colocadas por mim como algumas das favoritas ao retorno para o desfile das campeãs. Aliás, este bolo era grande e ainda contava com a Mangueira que terminou em oitavo.

Mocidade e Vila Isabel, apesar dos protestos ferrenhos de seus torcedores sobre o meu texto, acabaram mesmo na zona da marola pois não dá para fazer carnaval campeão em poucos dias....Ainda sobre a Vila, achava mesmo que a escola não cairia pois tem quesitos fortes mas não precisava contar com o desatino dos jurados que deram notas excelentes para fantasias e conjunto alegórico. Sobre a Mocidade, digo e repito o que escrevi no Bola de Cristal, aguardem a escola em 2015...tá com pinta de quem volta a disputar títulos, espero que consigam um samba tão bom ou melhor que este e que a bateria do Andrezinho siga em sua nítida evolução.

Sobre o rebaixamento, aconteceu o que previa, o Império da Tijuca foi julgado por ser uma escola que veio da série A. Mais um julgamento sem nexo, equivocado e sem refletir o que foi visto na avenida.
Mesmo assim, as escolas, em geral, estão de parabéns, foi um belo espetáculo plástico, com alguns erros é verdade, mas emocionante e disputadíssimo como há tempos não víamos.


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26/02/2014 11h59

Bola de Cristal 2014
Cadu Zugliani

Mais uma edição do Bola de Cristal, mais uma vez explicando que são motivados apenas por achismos, ensaios e barracões e que o desfile pode mudar muito o panorama deste quadro. É, apenas, a MINHA OPINIÃO. E bola pra frente!!!

Foto: Reprodução de Internet

REBAIXAMENTO

A briga aqui, na MINHA OPINIÃO, não traz grandes novidades. Aliás, traz sim: a MOCIDADE está fora desta briga. Apesar de toda a turbulência por que passou, a escola, se não tem barracão, tem quesitos para se salvar com tranquilidade e planejar algo muito melhor e digno para 2015. Um deles é o excepcional samba que já emocionou no ensaio técnico e vai emocionar ainda mais no desfile oficial.

A SÃO CLEMENTE, na minha opinião, errou na escolha do enredo e, depois, na troca da sinopse original, que foi escrita pelo André Diniz. Também pesa o fato de achar que enredos sociais demais não dão samba. Mas a escola aposta na grandiosidade de seus carros e na experiência de quem já completa quatro anos seguidos de Grupo Especial.

IMPÉRIO DA TIJUCA terminou em tempo recorde seu barracão mas não fez nada muito grandioso, apesar do enredo ser bem legal. O popular samba do "Vai Tremer", que é uma das apostas da escola, não rendeu o esperado no ensaio técnico da Sapucaí, mas eles tiveram tempo de fazer acertos. A bateria do Mestre Capoeira evoluiu bastante e achou um andamento mais cadenciado para ela. O problema é que todos sabem que a primeira a ser julgada na Sapucaí é sempre muito castigada.

ZONA DA MAROLA

Aqui sim entram a MOCIDADE e a VILA ISABEL. A campeã do ano passado vem cheia de problemas e dificuldades, apesar de ter feito um bom ensaio técnico. O barracão não está tão atrasado mas está bem fraco.

BRIGA POR VAGA NAS CAMPEÃS

Este é o bloco mais equilibrado e disputado do carnaval.

A UNIÃO DA ILHA tem um dos melhores barracões do ano, bonita demais, e um enredo que promete emocionar. Mas o samba tem problemas e alguns quesitos precisam ser bem trabalhados para o desfile. A bateria comandada pelo mestre Thiago Diogo promete melhorar as notas ruins dos últimos anos.

Falar do Zico não era uma aposta muito boa, mas a ideia de enredo do Cahê para a IMPERATRIZ mudou este quadro. Ao criar um reino do futebol, ele conseguiu desenvolver uma ideia deliciosa e rica. O samba é que não rendeu no ensaio e também vejo problemas de construção nele com letra fraca e repetições desnecessárias em alguns versos. A bateria do mestre Noca também não esteve bem no ensaio técnico.

Se a GRANDE RIO já voltou em sexto no ano passado, quando estava cheia de problemas, imagina este ano que está muito bonita. Méritos totais ao trabalho do carnavalesco Fábio Ricardo, que descascou um abacaxi e conseguiu montar um belo enredo em cima de um tema árido, Maricá. Em termos de harmonia e bateria a escola vem muito forte.

Neste carnaval, a PORTELA é emoção pura e promete fazer um desfile com a essência do que é o portelense. É isso que espero a partir do momento que a Águia (uma das mais bonitas que já ví) comece a evoluir pela avenida. Em termos de quesitos, a escola está bem em quase todos e promete brigar forte por uma boa colocação.

MANGUEIRA vai fazer um desfile nos mesmos moldes da Portela. Muito bem vestida e acabada pela Rosa Magalhães, a escola vem forte, apesar de não ter feito um bom ensaio técnico. Tem carnaval e quesitos para brigar na parte de cima também.

BRIGA PELO TÍTULO

Aqui eu só vejo três escolas brigando.

BEIJA-FLOR, com a faca entre os dentes para tentar recuperar o título que não ganha desde 2011, vem apostando na melhora de alguns quesitos que custaram pontos importantes para a escola, como a Comissão de Frente. Pelo barracão, dá para ver que o investimento foi alto, apesar de não ter um conjunto maravilhoso. Também não gosto do samba, mas ele rendeu demais nos últimos ensaios, ajudado pelo andamento da bateria do Rodney e do Plínio que, para mim, é das melhores do ano.

O SALGUEIRO vem com carros maravilhosos e um samba muito bom, mas precisa encontrar uma evolução mais solta para conquistar a avenida. A bateria fez um ensaio firme, mas não brilhante. Mesmo assim, pisa forte para tentar o título.

E finalmente, quem tem Paulo Barros tem sempre chance de brigar. A homenagem que a TIJUCA fará ao Ayrton Senna virou uma corrida que vai ter de tudo e isso abriu espaço para a criatividade do seu carnavalesco. Em termos de quesitos, ela é, para mim, uma das mais fortes. Casal, Comissão, harmonia, evolução... Só o samba não é uma unanimidade. E se os carros e fantasias funcionarem, Senna pode vencer mais uma.


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20/02/2014 16h03

'30 anos do Sambódromo': Vem ouvir de novo o meu cantar...
Cadu Zugliani

Sim gente, isso é um samba da Mangueira. E foi neste primeiro verso que o meu coração tomou sua decisão. Estava lá, vestido na combinação mais cafona, linda e elegante que existe: o verde e rosa.

Outros versos se seguiram até que o Balancê tomou conta da recém inaugurada Sapucaí. Concreto cheirando a novo assim como aquele amor que acabara de nascer. "Sim meu pai, vou lhe acompanhar, agora entendo toda a sua paixão pela escola, toda a sua ansiedade para a chegada do LP e toda a sua empolgação ao colocar a agulha direto na faixa da Estação Primeira." Meu pai é mangueirense a ponto de nunca ter saído na escola.

Foto: Reprodução de InternetTá bom, parece até contradição, mas não é. Ele afirmava que seu coração não aguentaria um desfile em sua escola e, assim, partiu para outros desfiles, em outras agremiações, desde que nenhuma delas atrapalhasse o momento de sentar e assistir a sua verdadeira paixão flutuar pela avenida.
A Mangueira não passa, flutua mesmo. É a escola que sempre começa campeã e, infelizmente, teima em perder pontos no caminho. Pontos irrelevantes, pois ela é sempre a maior no auge dessa nossa "arrogância do bem" que todo mangueirense tem.
Pois foi em 1984 que conheci a arte de um desfile de escola de samba, a arte de flutuar. Eu e a "passarela do samba" fizemos nossa estreia no mesmo ano. E que estreia foi a minha!!

Se houvesse alguma chance de dúvida sobre a minha escolha, ela fugiria envergonhada ao presenciar uma escola subir até a Apoteose e retornar levando com ela um mar de gente, um verdadeiro bloco, lindo, bem arrumado, chique mas mostrando a essência do que é o carnaval. A nova praça com o símbolo que ganhou o mundo foi o ponto de retorno de toda uma nação.

Pronto, não faltava mais nada. Eu estava entregue, com o coração preparado e blindado contra péssimas administrações, desfiles fracos, renascimentos e títulos.

Foto: Reprodução de InternetA paixão se tornou tão intensa, que ficaram insuficientes os vinte e poucos minutos que passava na avenida. Queria algo mais e, então, comecei a escrever sambas, a viver o dia a dia da escola, a personificar os nomes que alimentavam meus sonhos, tudo amarrado aqueles momentos vividos em mil novecentos e oitenta e quatro. E foi assim, perdendo e aprendendo, o amor aumentando até que vinte anos depois, em 2004, realizei o sonho dos meus sonhos. Ouvi, da boca do presidente Alvinho, o meu nome na parceria vencedora. Foi um dos últimos sambas da vida de Jamelão e vi a avenida, lotada de bandeiras, cantar o samba da Mangueira que levava o meu nome na composição.

Um filme passou naquele momento. Voltaram os LPs, os sambas, a expectativa, aquele sentimento de vários verões que antecediam a chegada da nova safra e é claro que meu pai não desfilou.
Seria demais, ainda mais puxado para o seu coração. Só pude vê-lo por um rápido momento, com lágrimas nos olhos, sentado numa frisa, como que revendo o mesmo filme do que eu. Filme que começou em 1984.

Naquele momento, assim como vinte anos antes, tive a certeza de que as rosas nunca precisariam falar.

Leia também:

- '30 anos do Sambódromo': São Clemente 1987, o Carnaval dos meninos de rua

- Noca da Portela: '30 anos de Sapucaí


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17/02/2014 14h21

Temas ruins, plástica nem tanto
Cadu Zugliani

Taí, gostei do que ví. Após duas semanas de giro por todos os barracões da cidade do samba, posso dizer que o meu primeiro susto, por conta dos temas escolhidos e dos sambas beeeeem razoáveis, passou. Os temas ruins viraram enredos e estes enredos se tornaram carros e fantasias plasticamente agradáveis aos olhos. Em alguns casos, ficou claro o esforço que os competentes profissionais dispensaram para contar histórias em cima de temas difíceis e, muitas vezes, áridos.

Zico e Boni não eram temas fáceis, mas o Cahê e a comissão da Beija-Flor descascaram muito bem estes abacaxis e vão contar uma história boa de se ver e escutar. Paulo Barros fez de uma corrida com o Senna um prato cheio para o seu estilo ousado e teatral e, como sempre, trará surpresas em todos os carros.

Não vou perder o meu tempo e nem o seu elogiando Renato Lage que, mais uma vez, tem um barracão fora de série, até porque Gaia não é nenhum tema ruim.
Mas o prêmio de descascador de abacaxis do ano vai para o Fábio Ricardo, da Grande Rio. Juro que morria de curiosidade pra saber como tirar 6 ou 7 carros de um tema como Maricá. E não é que ele conseguiu!!! Não só conseguiu, como transformou num espetáculo de alegorias e fantasias. Fabinho, cada vez mais, se posiciona como o grande carnavalesco desta nova geração. O que vem por aí vale o ingresso. Podem apostar.

Foto: Reprodução de Internet


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05/02/2014 14h09

Samba na contramão
Cadu Zugliani

Está em todos os jornais, em todas as mídias, a luta que os times de futebol passam hoje para tentar apagar os rastros sujos deixados pelas torcidas organizadas. Basta uma passada, esta semana, no noticiário esportivo para saber o sofrimento que estão passando jogadores e dirigentes do Corinthians, por exemplo. Um mal que começou com a melhor das intenções, com torcidas montadas por pessoas inteligentes e respeitadas, se espalhou pelo país, mas que, com o tempo, acabou, em sua maioria, na mão de gente ignorante e covarde.

E o que acontece no samba???? Vemos nascer várias torcidas organizadas em diferentes escolas aqui do Rio de Janeiro. Por enquanto, estas torcidas estão nas mãos de gente "do bem", pessoas inteligentes que não deixariam as coisas descambarem para a selvageria que se vê no futebol.
O problema é "até quando?".

Em São Paulo, as organizadas invadiram o carnaval e obrigaram a criação de divisões, como dias de desfile diferentes para cada uma delas, para que o seu encontro não acabasse em violência. Aqui no Rio, elas nasceram dentro das escolas, geralmente oriundas de departamentos culturais ou de desfilantes apaixonados. Mas isto vai crescer como o carnaval, que está sempre em desenvolvimento. E como tudo que cresce demais, a tendência é sair do controle. O que quero dizer é que estas mesmas pessoas inteligentes deveriam pensar nisso e cortar, pela raiz, esta perigosa possibilidade. O samba carioca SEMPRE foi pautado pelo respeito entre as coirmãs. Íamos todos à Sapucaí, Presidente Vargas ou Rio Branco para torcer por nossas escolas e aplaudir de pé o esforço de todas as outras. Isso foi se perdendo ao longo dos anos e cabe a nós não deixarmos que se acabe de uma vez. Ao contrário, deveríamos estar tentando resgatar esse estado de espírito que era tão característico dos desfiles das escolas de samba.

As redes sociais já criaram vários sambistas monstros que se digladiam falando mal de outras escolas e brigando com torcedores com quem, antes, dividiam as arquibancadas em harmonia. Este recado vai para essas pessoas inteligentes que formam departamentos culturais e são apaixonadas pela nossa festa maior. Esqueçam este negócio de torcidas organizadas, que não funcionam mais nem mesmo nas suas origens. Quem ama sua escola deve desfilar por ela e dar o seu canto e suor, não torcer numa organizada. Pensem nisso, pensem no futuro do samba e aonde NÃO queremos chegar.


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16/02/2013 17h52

Quase colocando tudo a perder
Cadu Zugliani

No carnaval, prestamos atenção a alguns fatos que passam desapercebidos para alguns, mas que podem pesar demais na hora do resultado. São erros, "atravessadas", bossas mal executadas e desencontros harmônicos que podem custar pontos preciosos, mas que, em alguns casos, acontecem fora dos olhos dos jurados.

Foi isso que aconteceu com o Império da Tijuca, campeão incontestável do grupo A numa subida mais do que merecida. Um problema que poucos notaram quase colocou tudo a perder. Mestre Capoeira montou três bossas para o desfile, duas delas sustentadas pelos atabaques. Para a realização de bossas como essas é preciso que andamento e ritmo estejam integrados e que haja um perfeito entendimento entre carro de som e bateria, para não dar chance ao azar. Mas o Imperinho deu.

Durante a execução da bossa do refrão principal, quando a bateria parava e mantinha só algumas batidas compassadas, o cantor Pixulé se perdeu completamente e desmantelou a bateria no meio da paradinha. A "atravessada" durou todo o refrão e o problema só foi corrigido na volta dos surdos na cabeça do samba.

A sorte é que isto aconteceu entre os módulos 1 e 2 de julgamento. A partir deste momento, a confiança desabou como um castelo de areia no vento, a bateria não fez mais as bossas (lindas, por sinal) e passou quase reta pelos outros módulos. Mestre Capoeira só parava os surdos, numa bossa mais simples, para justificar a passagem pelos julgadores seguintes. Como o ritmo da bateria estava muito bom, não houve problema de perda de pontos. Mas fica a dica para que os intérpretes e carros de som redobrem a atenção no andamento e se concentrem no canto, especialmente durante a execução das bossas.

Leia outro texto do blogueiro Cadu Zugliani:

- Kizomba na Roça


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15/02/2013 12h10

Julgamentos: melhoraram, mas ainda não podemos comemorar
Cadu Zugliani

Uma análise fria do mapa de apuração nos traz algumas boas conclusões. Os resultados finais, no geral, me agradaram. Vi algumas notas bem coerentes, mas ainda acho que os jurados precisam ser analisados, individualmente, para que voltemos a ter total confiança nestes julgamentos.

São algumas notas que nos fazem acreditar que não entendemos nada de carnaval e que há um mundo paralelo entre o que vemos e o que realmente acontece na Sapucaí. Notas, no mínimo, muito estranhas. Por isso, vou deixar no ar algumas questões e este post, que, para ficar completo, precisará da ajuda de vocês, leitores do SRZD, para podermos respondê-las.

Vou começar por uma nota que me irritou bastante, um 9,8 dado ao samba da Vila. Tudo bem que, no descarte, não atrapalhou, mas este samba já estava consagrado antes mesmo dos desfiles começarem. Que disparidade é essa???

A vice-campeã Beija-Flor tem motivos para reclamar, mas foi beneficiada também. Explico: a escola de Nilópolis perdeu décimos importantes no quesito alegorias e adereços (9,9 em todos os jurados), a meu ver injustos. Podem até dizer que viram erros aqui e ali, tudo bem, mas como deram duas notas 10 para a Grande Rio ,que passou com um dos conjuntos alegóricos mais mal acabados entre as doze desfilantes???? Um tripé imitando um posto de saúde que, com todo respeito às nobres escolas que desfilam em Campinho, parecia retirado de uma das últimas colocadas do grupo D da Intendente Magalhães. Quer dizer que os carros da Grande Rio estavam melhores do que os da Beija-Flor??? Precisamos rever os desfiles. Aliás, o sábado das campeãs nos dá esta grande chance.
Por outro lado, houve um desacoplamento e um enorme buraco se abriu em frente ao primeiro módulo de jurados, nas barbas do julgador, e a Beija-Flor, com estes dois graves problemas, foi penalizada em apenas um décimo. Penalização justa????

Rogerinho e Lucinha, da Inocentes de Belford Roxo, um dos melhores casais do nosso carnaval, tiveram um ótimo desempenho na Sapucaí mas foram duramente penalizados. Alguém pode me ajudar com estas justificativas???

A Mocidade pode ter tido inúmeros problemas neste carnaval, mas se teve uma coisa que funcionou na escola foi a evolução. Pois bem, a escola foi penalizada em sete décimos neste quesito. A Mangueira, que já chegou bem atrasada no último módulo, teve um carro enganchado na torre de tv, retrocedeu e perdeu seis minutos de desfile, foi descontada em apenas três décimos. Na opinião de vocês, houve justiça nestas avaliações???

Sabemos que algumas notas são dadas de forma subjetiva. A análise dos enredos, por exemplo, passa pelo desenvolvimento e pelo que foi mostrado na avenida. Por isso, não adianta a gente reclamar e tentar comparar um tema com outro. Prefiro me fixar nas notas que são mais práticas e objetivas e, a partir de agora, espero a ajuda de vocês nos comentários para que possamos entender melhor o mapa de notas e, até mesmo, cobrar e fazer com que a LIESA entenda que só o que queremos é um julgamento mais justo.

Leia também:

- Kizomba na Roça


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13/02/2013 22h35

Kizomba na Roça
Cadu Zugliani

Em toda a minha história no carnaval, a principal marca é a lembrança dos sambas, daqueles que basta um verso, um acorde, para que eu cante a letra toda. Outro dia me peguei cantando um sambaço do Império da Tijuca ("Tudo que vamos contar veio de lá de Itaparica...") e a homenagem do Cabuçú a Roberto Carlos ("sou um mensageiro do amor, no esplendor da madrugada...").

Era uma época em que o samba mandava, ditava as regras e fazia com que uma escola saísse favorita para a avenida só por escutar e gostar da faixa no LP. O tempo mudou, o LP deu lugar ao CD e ao Pen Drive e o carnaval evoluiu para melhor na plástica, mas, ao permitir a desvalorização do samba, derrubou tudo. Cheguei a um ponto que, mesmo acompanhando o carnaval de perto em todos os desfiles, não consigo lembrar alguns sambas de dois anos atrás e, o pior, não consigo lembrar os sambas de escolas campeãs nos últimos anos. Lembro dos carros, da estética e até de algumas fantasias, mas o samba não vem...

A Beija-Flor foi campeã em 2011 homenageando o mesmo Roberto Carlos da Cabuçú e preciso de um esforço sobre-humano para lembrar do samba. Porque falo isso tudo???? Porque, meus amigos, o carnaval 2013, apesar de uma safra fraquíssima, devolveu minha alegria e a chance de lembrar de um samba campeão mesmo daqui a dez anos. Com certeza, vou me pegar em 2023 cantarolando "a Lua se ajeita, enfeita a procissão..." Foi assim que me senti quando a Vila Isabel pisou na manhã de terça na Sapucaí. Foi assim que entendi o porque de, mesmo não tendo uma grande torcida, a avenida ter permanecido lotada para acompanhar a passagem da Vila Isabel. Todos ali tinham a mesma sensação, a ideia de que aquele samba valeria a pena... E valeu. O samba invadiu os ouvidos e inebriou, deturpou a visão, não nos deixou enxergar erros, só acertos.

O samba nos passou a sensação de que ali estava acontecendo um desfile incontestável, antológico. Nem sei se foi tudo isso mas, com certeza, foi isso tudo !!! Sua majestade, o Samba, voltou a ter honras e poder, voltou a mandar no baile e a exercer sua função primordial de transformar o desfile em história. Meus caros, a Vila fez história, a ordem dos fatos voltou ao seu devido lugar. A Rosa foi excelente, os carros estavam ótimos, as fantasias criativas, mas o samba, ahhh o samba, foi brilhante, inesquecível e o grande responsável pelo título. É tempo de comemorar a Kizomba na Roça.


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