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Bia Willcox

Bia Willcox

Advogada formada pela UERJ, tem bacharelado em língua inglesa. Educadora progressista, fundou sua escola de inglês para crianças em 1994 com metodologia própria. Dos livros didáticos que desenvolveu, partiu para outros tipos de livros fundando a editora Faces em 2010. Dos concursos literários que venceu quando estudante e da vocação para o jornalismo, ela escreve roteiros e assina algumas colunas Brasil afora. Produz conteúdos e eventos atuando como debatedora e mediadora. Curiosa e instigada por natureza, escreve sobre comportamento, passeando por temas como relacionamento, amor, preconceito, respeito e tantos outros valores, muitas vezes permeados por filosofia simplificada e acessível a todos.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



27/08/2014 14h00

O diabo mora no celular
Bia Willcox

Dizem por aí que o diabo mora ao lado. Para muitos sua oficina funciona em cabeças vazias. O diaba abraça a todos que estão no Inferno, certo? Mas onde realmente mora o Diabo.
Ultimamente, tudo leva a crer que o diabo mora dentro do celular. Especificamente dos smartphones. Eu explico.
Já repararam a quantidade de confusão, desentendimento e ruptura que um aparelhinho que cabe no bolso pode causar?
Eu tenho ouvido tantas histórias de brigas, desconfianças e traições descobertas no celular, que tô começando a acreditar que o capeta fica por ali na espreita.
Presta atenção:
1- Esposa expulsa marido de casa porque descobre amante. Onde ela viu tudo? No celular.
2- Marido descobre que mulher tá falando com um amigo especial aonde? no imessage do iphone que aparece em seu ipad. Em resumo, no celular.
3- Marido larga celular em casa e mulher lê inbox de amiga alegre. Por que deu merda? O celular, oras.
4- Namorada vê namorado flertando no whatsapp com colega e resolve fazer o mesmo para empatar. Vira bagunça por que? O de sempre, o celular.
5- Possível cliente liga pra celular de prestador de serviços que não atende por ter deixado o celular no silencioso. Este perde o cliente. Culpa do smart (não tão smart) phone.
6- Namorado manda imagem errada pra namorada pelo whatsapp. Ela vê que não era pra ela e dá ruim. Confusões corriqueiras no celular.
7- Pessoas que não atendem o celular mas ficam visíveis online também se tornam vítimas de agressões verbais e ameaças de rompimento do relacionamento.
8- Marido abrir o whatsapp e não responder à mulher que enviou mensagem, pode até dar morte. Basta ela ver que você entrou lá e não lhe respondeu.
9- Mulher ou marido põem senha no celular. Mas por que? Desconfiança generalizada no ar.
Facebook, Whatsapp, imessage, e-mail, todos faces do mesmo cramulhão (dizem até que todos os diabos são mesmo parecidos). Aquele que amassa o pão que a gente come com prazer na tela do smartphone.

E mesmo com tantos dados alarmantes, ninguém pretende deixá-lo de lado. Pelo contrário, dorme-se e acorda-se com o diabinho ao lado, na mão.
Até mesmo porque dizem que o Inferno tem lá a sua graça. Quem quer parar de se divertir nas redes? Quem quer largar o vício?
Sigamos em frente e dancemos conforme a música. Afinal, nem sempre o diabo é tão feio como pintam. Mas que ele tá lá no seu celular, ah isso ele tá.



16/07/2014 10h37

O lugar comum de cada dia
Bia Willcox

Segundo o Aulete, "lugar comum é Ideia, expressão ou argumento banal, sem originalidade; BANALIDADE; CLICHÊ.

O clichê é uma frase ou expressão que, de tão utilizada, ficou previsível. É uma ideia batida, uma fórmula que se repete.

Eu sei que muitos aqui sabem disso. Não quero parecer didática.
Acho que comecei pelos dicionários porque preciso mudar em relação aos clichês.
Virei uma pessoa paranoica e quase amarga por causa deles. Passei muito tempo ouvindo pessoas interessantes e sabidas dizendo "isso é um clichê" quando queriam criticar um texto ou obra, tornando-o menor. Daí, desenvolvi essa espécie de clichefobia: ando ligada o tempo todo para que o que penso, falo ou escrevo, não caia em algum lugar comum. Para não usar clichê.

Nossa, que pretensão a minha! Óbvio que não vou conseguir. E que chata venho me tornando com isso! Quero acordar enquanto é tempo (opa, detectei um...) e seguir escrevendo com liberdade o que sinto (ai meu deus, mais um). Alguém pode me ajudar a parar de debochar de mim mesma? Tudo bem que hoje só se pode ser politicamente incorreta com a gente mesmo (o famoso se autossacanear) mas essa história de patrulhar meu próprio texto atrás de clichês tá me fazendo mal.

A verdade é que essa busca frenética pelo "lado B" ou pelo que nunca se viu nem ouviu é quase ingênua. Escrever o que ninguém espera ler é admirável, fazer o que não se costuma fazer, ou fazer de um jeito novo, também. Os textos cliche-free de Rubem Fonseca, os dramas psicológicos de Bergman ou o humor refinado de Woody Allen justificam a minha saga pelo extermínio de clichês - eles são geniais. E eu admiro feitos geniais, esse é o meu tombo.

Mas convenhamos (escrevo e falo pro espelho, pra tentar me convencer) se algo se repete porque deu certo, tem um grande mérito não? Se virou clichê é porque funcionou bem, ficou popular, fez sucesso na acepção simples e objetiva da palavra. É preciso mais respeito ao sucesso. Se é pop, se agrada a milhões, tem o seu valor, reconheçamos. De Romero Britto a Paulo Coelho, de Anitta a Marcelo Rossi, há uma legião de críticos se referindo a eles com desdém e sarcasmo. Se eles se tornaram clichês humanos, é porque agradaram a muitos fazendo o que fazem como fazem. Têm todo o meu respeito. Sempre tiveram. Principalmente hoje, quando tento humildemente entender meu erro em rejeitar tão radicalmente o lugar comum.

A partir de hoje não terei medo de ser feliz (ops, lá vem ele). Nelson Rodrigues não deixou de ser do time dos geniais porque se utilizava de clichês (e ele abusava deles!). Faço minhas as palavras da Lispector: nasci pra ser livre (até ela, viu?) e não preciso fazer o ENEM, portanto inauguro aqui uma nova fase. A fase em que amadureci e entendi que o estoque de opções de linguagem é limitado e que o que é bom vai se repetir, sim. E virar o tão mal falado lugar comum.

Afinal de contas, por que o meu lugar não pode ser comum?
Pode sim. E será.



02/07/2014 07h49

Uma chave para qualquer sucesso
Bia Willcox

Passei anos da minha vida acreditando no glamour da inteligência, do charme e da sorte para se triunfar. Achava que o sol nascia mais pra quem tinha esse bilhete premiado. 

Na escola, desdenhei, graças a Deus por pouco tempo (acordei rápido!), os caras aplicados (eram chamados de CDFs ou cedeéfes) e endeusei (e me endeusei, também por tempo curto -  (o equivalente ao anos dourados das bobagens teens) os que tinham "facilidade", os que eram considerados inteligentes. Como a gente é boba, não?

À medidaque o tempo foi passando, fui observando umas pessoas mais próximas e ouvindo histórias de outras que diziam mais ou menos assim: "tão intelgente, tão talentoso, mas não deu em nada" ou "era tão bom no que fazia, mas não deslanchou e acabou desistindo". Comecei a entender que de talentos e gênios anônimos o mundo tá cheio.

Como não sossego se não entender o funcionamento das coisas (incluindo o comportamento humano), procurei fazer o caminho inverso: buscar nas pessoas de sucesso, bem-sucedidas material e psiquicamente, o percurso delas pra chegar onde estão.

Da leitura da Forbes Brasil ou Você S/A ao passado de atletas, artistas, profissionais liberais e empresários saudáveis que fucei, localizei um ponto na maior parte deles (claro que há exceções onde uma genialidade gigante basta) - a perseverança.

Ok, eu digo algo sabido, óbvio e nada novo. Mas sempre é pertinente lembrar isso, já que, muitas vezes, nossa reação diante de uma dificuldade é acabarmos esmorecendo.

Desanimar quando não "vem tão fácil" é humano à grande maioria de nós. É difícil ver "o quadro maior" ver à frente do que todo mundo vê.

Bem, eu não tenho mais dúvida (e as notícias podem não ser boas aqui):

- Nosso corpo só começa a modificar com a continuidade dos exercícios físicos, tem que insistir!

-Não dá pra aprender língua estrangeira em poucas semanas, tem que ralar por mais tempo se quer dominar minimamente.

-Dietas milagrosas em uma semana não vingam por muito tempo, é bom que se mudem certos hábitos alimentares pra se perder peso de forma consistente. Tem que levar adiante.

-Uma ideia nova ou um produto novo podem não "estourar" logo no mercado. Tem que bolar e rebolar pra vender a sua ideia e isso leva tempo.

-Chegar com seu negócio num local que ainda não o conhece é trilha difícil. Divulgar, convencer, mostrar a que veio, insistir. Se você acredita na qualidade do que você faz ou do serviço que você presta, não desista.

-Há talentos muitas vezes ainda não revelados. Muitos "nãos" em testes e seleções diversas. Vá em frente, persevere.

O que se quer é o produto final triunfal, mas é no percurso que ganhamos sabedoria e expertise. É também no percurso que, mesmo com tropeços e tombos, reafirmamos ou descobrimos novas vocações. É na busca pelo tão esperado sucesso que desenhamos expectativas e nos sentimos felizes. Desistir pode ser aconselhável em alguns casos, mas em outros traz frustração e infelicidade.

Eu podia encerrar com Steve Jobs que dizia que o que separava empreendedores de sucesso dos outros era a perseverança pura. Mas meu universo é maior e eu vou além, fechando com um provérbio milenar chinês.

Perseverança realiza o impossível.



11/06/2014 15h49

A briga dos X-Men é nossa!
Bia Willcox

Muitas vezes quando ando pelas ruas da cidade ou mesmo qua do estou no metrô ou num evento qualquer, me pego olhando pras diferentes gentes ao meu redor e pensando: "em que cada uma dessas pessoas é especial, diferente das outras?"

Nos últimos dias prestei ainda mais atenção nisso, principalmente depois de ter assistido o novo filme dos X-Men no cinema.

Gosto de achar lógica e aplicabilidade na ficção. Acredito no fundo verídico das histórias inventadas. 

Os mutantes estão por aí em cores e formatos diferentes, misturados entre si e tentando sobreviver em meio a tantas diferenças. Todos temos algo especial que nos torna diferenciados, sejam super poderes explícitos ou implícitos. Todos somos heróis (ou anti-heróis) para um alguém ao menos. A Humanidade não se constitui de uma série incontável de tijolos iguais na parede , imagem eternizada por Pink Floyd. E justamente porque não somos tijolos idênticos, precisamos saber lidar com a aldeia de mutantes em que vivemos e convivemos.

 

Existem sim indivíduos com dons e capacidades especiais e que fazem a diferença onde chegam. Aceitá-los e tolerá-los é processo social complexo mas possível - trate-se de entendimento da nossa engrenagem biológica e social. Entendimento de que temos co stituições genéticas diferentes que nos tornam melhores em algum aspecto e piores em outros. Até o Superman tem seu ponto fraco. Todos temos. E essa é a dança da Humanidade.

 

A luta dos X-Men por inclusão é uma boa ilustração ficcional de como devemos proceder enquanto elementos sociais.

 A "briga" dos mutantes deve ser a de  todos nós.

Briga por aceitação de todos os gêneros, gostos, opções, habilidades e inteligências.

Briga por inclusão, tolerância e respeito.

Briga por felicidade e paz.

 

De certa forma, estamos em constante mutação nesse planeta. Se nos enxergarmos assim, a trama ficcional dos X-Men passa a fazer até mais sentido real. Passamos a aceitar intransitivamente, sem objeto direto.

 

Nunca fomos e nunca seremos os tijolos do muro. Somos elementos que nos completamos na diversidade sem muros.

Não tenho dùvida. A briga dos X-men é de todos nós!



30/05/2014 14h52

A ideologia Criolo no Circo Voador
Bia Willcox

Um dia eu pedi uma ideologia pra viver, e nesta quinta, 29 de maio, no espaço democrático do Circo Voador no Rio, parece-me que fui atendida.

Era Criolo no palco. E na plateia uma legião de adeptos que interagiam com suas letras e ritmos tal qual seguidores de uma crença ou fé. Sim, Criolo tem fé. Suas letras tem dor, paixão e crença. Seu show é autêntico, sem concessões à felicidade fácil. Tudo ali faz pensar, sentir e acreditar.

"A ganância vibra, a vaidade excita".
"Não precisa morrer pra ver Deus".
"Rap, que energia é essa?
Um dom, um karma, uma dívida , uma prece?"

Foto: Bia Willcox

E em certos momentos do show, eu me senti numa prece coletiva.  Amor universal pregado por eles, ele e seu fiel escudeiro - o DJ Dan Dan. A plateia lotada e sintonizada teve seu ponto alto quando foi convidada a se abraçar pelo DJ Dan Dan - "Abracem quem está a seu lado."

E assim Criolo contamina uma uninimidade ávida por suas músicas.
No setlist, Nó na Orelha e o indispensável "Não existe amor em SP" além do single "Duas de Cinco", seu mais novo trabalho.

E enquanto o grafiteiro ia delineando sua obra ao som do rapper, suas letras soavam num Circo Voador temático, lotado e energizado.
E dá-lhe ideologia. Dá-lhe questionamentos. Dá-lhe talento.

"É salto alto, MD
Absolut, suco de fruta
Mas nem todo mundo é feliz
Nessa fé absoluta"

Alguns são felizes, sim. Principalmente ao ouvirem você, Criolo, com sua música assertiva, embalada e dissonante no melhor sentido.

Foto: Bia Willcox



16/05/2014 10h18

Todos podem dizer eu te amo (no Facebook ou fora dele)
Bia Willcox

Com o surgimento das redes sociais, alguns sentimentos, desejos e sintomas ficaram em evidência também. Entre eles aquele das demonstraçòes públicas de carinho, paixão e afetos em geral.
Quem não gosta (especialmente no lado feminino) de uma homenagem em público num evento ou comemoração, de uma dedicatória em facebook ou de qualquer outra forma de se sentir valorizado ou querido?

Muitos ficam felizes quando seus namorados ou namoradas assumem um relacionamento sério no Facebook ou quando aceitam em sua timeline um post com uma linda declaração de amor. Postar fotos do casal ou simplesmente do outro ou outra, com palavras incríveis de admiração e afeto e obviamente marcando a foto, fazem a alegria da grande maioria dos que usam as redes.

E eu vou além. Estendo a minha constatação ao mundo offline, especialmente quando se trata de mulheres.
Muitos acreditam que agradá-las é mantê-las desejadas, com a vida sexual em dia. Mas elas querem muito mais. Ou bem menos, depende do ponto de vista.
Mulher quer romance, elogio e sedução. Quer posts pra ela no facebook, quer carinho em público e sedução em particular vinda de quem ela ama. Mulher quer tentativas de declarações originais, quer ser surpreendida com criatividade, quer beijo tanto quanto quer sexo (às vezes até mais).
Mulher quer namorar com seu velho companheiro de guerra. Ela quer se sentir adolescente.

Se isso é fato como parece ser, vai se refletir obviamente no mundo online das redes.
Na verdade, todos querem reconhecimento. Querem ser de alguma forma admirados, seja por familiares, amigos, colegas de trabalho ou parceiros amorosos.
E se, em você, cabem afetos pra dar e vender, não perca tempo, ligue o seu sensibilizômetro pra sacar se as pessoas que você gosta e admira se sentiriam feliz com suas demonstrações públicas de carinho e afeto, e manda bala!
Afinal, adaptando Woody Allen, todos podem dizer Eu te Amo.


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04/05/2014 14h44

O acaso que me protege
Bia Willcox

Não sei se vocês já se deram conta, mas o sentido da vida tá no acaso.
Da fecundação à morte, passando por fatos relevantes de nossas vidas, há sempre a presença de um certo acaso, mesmo que aparentemente planejado e sob controle.
Tem quem não acredite no acaso - acham que ele é uma espécie de força superior que determina as coisas mais inesperadas e inusitadas de nossas vidas. Nós só não tomamos conhecimento com uma antecedência justa. Tudo bem, consideremos o acaso então como uma espécie de pseudônimo de Deus - é quando ele faz algo sem assinar seu nome. Pura sorte ou obra divina, o acaso não deixa de ser incrível por ser surpreendente, aleatório, soco no estômago ou bilhete premiado.

O que seria de nossas vidas sem o eterno ponto de interrogação invisível e indolor que acorda com a gente todos os dias ( e dorme também!) e que está pronto pra nos lembrar que tudo pode acontecer. Ou nada.
Descer para comprar o jornal e encontrar com alguém que não se vê há muito tempo. Perder o ônibus que foi assaltado. Pegar o avião que teve problemas na decolagem. Ir a um compromisso social chato e conhecer o amor da sua vida. Conhecer pessoas durante um vôo, na fila do banco ou na sala de espera do médico. Numa simples reunião de trabalho se encantar com uma ideia ou colocação de alguém. Sempre o acaso botando as manguinhas de fora. Como prever?
O que seria do romance, do sonho e da idealização sem "serendipity" (Serendipismo)? Ele é o acaso com final feliz, é quando algo acidental traz felicidade. Imagina viver sem essa possibilidade?

Pra todo o yin tem o yung, pra todo o bem tem o mal e pra todo o lado bom, tem também o ruim. Se não houvesse o acaso a vida seria monótona e frustrante, mas sabemos o quanto o eterno fantasma do aleatório pode nos assombrar de forma constante. É o medo de sair de casa, o medo de apostar em um projeto novo, o medo de que a pessoa que você ama conheça alguém incrível por obra do acaso. Sempre o temor do que desconhecemos e que pode nos trazer dor.

Bingo! Chegamos num ponto crucial - a angústia existencial. E não há o que fazer a não ser aceitar que o acaso está em tudo e que o não-saber-o-que-vai-ser pode ser sempre uma boa aposta. E que tudo pode terminar( e geralmente termina) bem.
Eu, como vivo distraída, divagando por aí, prefiro acreditar que o acaso vai me proteger sempre.
E assim eu sigo, tentando aceitar a vida com ela é: um grande acaso de inícios, meios e finais felizes.


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10/04/2014 08h22

Presidente do fã-clube dos solucionadores de problemas
Bia Willcox

Quando alguém entra na minha fila mental de possíveis ganhadores da minha admiração, tem que me provar o quanto sabe solucionar problemas.

Admiro a boa memória, a versatilidade, a linguagem sofisticada e o humor refinado. Admiro um monte de coisas nas pessoas. Mas pra virar mesmo fã de alguém, só se for bom solucionador de problemas. Tem que saber dar errado e se reinventar. Sem mimimimi.

Eu ouso afirmar que a solução de problemas é a mais importante das habilidades nesse século que se inicia. A complexidade é muita, a quantidade de informação mais ainda, e as divergências por conta disso ocupam um lugar de destaque nos cotidianos pessoais e corporativos.

Não há mais tempo para analisar, digerir e buscar soluções sem pressa. O problema, o conflito ou o impasse estão aí, gritando no meio da multidão de dados e informes. É um labirinto de vertentes e possibilidades e a saída deve ser achada de maneira breve, a contento. 

Não defendo a dinâmica de hoje como o melhor dos mundos. 

Não, mesmo.

Só observo e relato, com toques pessoais, opinião. 

A maior parte das pessoas gerencia lindamente as crises, define padrões, acha facilmente um plano B, critica com embasamento tudo e todos ao redor, governa o Brasil e tece considerações sobre o mundo do alto de seu doutrinamento, porém dentro de suas cabeças tão-somente. No máximo, exteriorizam numa mesa de bar, num papo entre amigos ou até mesmo em seu blog ou nas redes sociais. E mesmo assim, tendem a focar no problema, nas suas causas e no que não funcionou como desejado, raramente partem pra solução.

Não, não são esses os primeiros da minha fila de semi-ídolos.

Admiro muito quem "pega e faz". Mesmo que sem o planejamento ideal. Mesmo que de uma forma imperfeita. Ele (ou ela) fez. Resolveu. Solucionou o que estava até então intrincado, sem solução. Saiu de dentro de sua cabeça e partiu para o ataque com seu cérebro, olhos, boca, mãos (e muito mais!). Os primeiros da minha fila têm aquela ansiedade necessária (e criticada por muitos, como se não ser nada ansioso fosse algo extremamente virtuoso) para mover a fila, seguir em frente, tocar o barco. Eles veem (muitas vezes anteveem) o problema e não esperam o outro, não esperam o divino, não esperam a velha e manjada solução do tempo. Eles não esperam nada. Eles correm atrás.

Intuitivos e proativos, eles saem do papel. Largam os jargões pelo caminho e acham saídas. Muitas vezes a luz no fim do túnel ou o plano B requerem criatividade e calma, o que me faz admirar em dobro esses caras. Mas, às vezes, a solução é óbvia, simples, direta. Basta levantar da cadeira, tomar um café e mandar ver na solução.

Não uso Nextel, não, mas esse é o meu clube, ou, ao menos, o clube a que eu gostaria de pertencer - o clube doPega-e-Faz.

Por um espaço com menos mimimimi.



03/04/2014 16h23

Assim caminha a humanidade
Bia Willcox

Não sou uma pessoa excessivamente otimista. Sou positiva, mas longe de ser daquelas que, diante de um problema, sorri com leveza, se empolga e diz que vai dar tudo certo, irritando os normais ao seu redor.

Mas tenho a nítida impressão de que há mais bondade que maldade no mundo.
Suponha que pudéssemos contar cada ato de bondade, cada feito, cada sorriso, cada ato de caridade, filantropia, amor ou ternura, cada atitude generosa que tenha ocorrido no planeta no ano que passou e somássemos tudo para termos uma incidência total de Bondade em 2013.

E aí, suponha que fizéssemos o oposto: contássemos cada franzida de cenho, cada momento egoísta e mesquinho, cada chute, soco, tapa, cada ato de maldade, falsidade, cada assassinato, erro ou atitude de má-fé, somássemos tudo também para termos uma incidência total de Maldade.
Teríamos duas colunas - bondade e maldade - um tipo de contagem moral para a humanidade. Qual seria a maior coluna?

Meu palpite cego, sem consultar estatísticas ou especialistas, é de que as duas colunas parecem iguais, mas a da bondade tem um pouco mais e que, ao longo dos anos, séculos e milênios, essa diferença acumulada vai ser cada vez maior.

A meu ver, há uma propensão para a bondade que desenha a humanidade aos poucos e faz com que os povos se movam a passos pequeninos da escuridão em direção à luz. Ou seja, o Homem no futuro será melhor, mais bondoso do que o do passado. Há uma direção na história da Humanidade e isso é claro pra mim.
Por isso a razão nos foi dada, segundo o filósofo iluminista Locke - para que usemos nossa inteligência e senso moral a fim de escolhermos bem e alcançarmos a felicidade.

Eu não estou sozinha na minha crença. Um dia Martin Luther King disse a uma multidão que as pessoas melhorariam. Ele não podia precisar quando, mas ele sabia que as pessoas seriam mais bondosas e justas umas com as outras. Segundo ele, o arco do Universo Moral é longo, mas se curva em direção à Justiça. Obama, 40 anos depois, disse que o arco se curva sim em direção à justiça, mas não o faz sozinho, por sua conta. Ele se curva porque cada um de nós coloca a mão nele, da nossa maneira, e o faz se curvar.
Faz sentido.

Sei que não vivi tanto assim, mas sei de guerras religiosas, saques, aniquilações, injustiças sociais, preconceitos, crueldades tanto quanto sei de atos de bondade e generosidade. Amo e sou amada. Sei do poder e mistério disso. E sei que há uma bondade furiosa no mundo. Ela está lá - teimosa, insistente, tenaz. A questão é: por quê?

Teríamos nós, humanos, recebido certa chuva de poeira angelical? Não. Meu temperamento, minhas imperfeições, defeitos e capacidade de não ser boa, às vezes, me diz que não. Não me sinto nada angelical. E imagino que, como eu, ninguém se sinta também. Nós, seres humanos, estamos melhorando, mas jamais seremos perfeitos.
Talvez o desafio da busca pela perfeição seja a resposta.

O filósofo australiano John Passmore acha que as pessoas são capazes de grandes atos de bondade sabendo que podem "derrapar" nas suas imperfeições a qualquer momento e que o progresso da Humanidade está justamente aí: é a consequência do descontentamento, paixão e ansiedade dos seres humanos na busca para serem melhores.
Portanto, tudo indica que a Bondade esteja mesmo superando a Maldade.

O mundo já foi muito pior. Já vimos mais atrocidades. É fato.
Se o movimento em direção à luz é otimismo, que me perdoem os pessimistas, mas espero mesmo que nós humanos estejamos ficando cada vez mais distantes da escuridão.
Nessa caminhada, não ser mau já é a melhor maneira de ser bom.



24/03/2014 14h37

O show de Truman revisitado ou não existe almoço grátis
Bia Willcox

O universo paralelo existe fora da fantasia ou ficção. A realidade alternativa se mistura ao nosso cotidiano desde a hora que fazemos café pra despertar pela manhã (e provavelmente checamos o celular) à hora de encerrar o dia em casa e ir dormir (não sem antes dizermos boa noite nas redes sociais). Parece-me que o show de Truman era previsão de futuro e que estamos todos interligados por aplicativos e logins na cyber-irmandade globalizada.
Loucura minha? Esquizofrenia apontando seus primeiros sintomas?

Se todos estamos no mesmo barco, a dormência digital pode ser loucura coletiva e silenciosa onde a lucidez é pré-fabricada e previsível como a minha neste momento.

Falo do futuro que vivemos agora, da tecnologia que nossos poros e sentidos absorvem diariamente. Falo das soluções quase mágicas de Silicon Valley que nos inebriam, turvam a visão e encantam nossos sentidos, nos fazendo crer que a realidade (sim, vivemos um mundo real de sentidos, sensações e acontecimentos orgânicos e materiais) hoje é muito mais palatável do que já foi um dia.

Em outras palavras, acreditamos que estamos caminhando pra o nirvana, alcançando uma espécie de cyber-paraíso, onde pra todos os males há solução, onde tudo ficou mais fácil, onde a mágica virtual acontece e com ela, nos tornamos mais corajosos, charmosos, inteligentes e bem-sucedidos.

O comércio é mais fácil na Internet. Comprar, vender, comparar e buscar melhor preço - tudo ao alcance dos dedos.

Ideologia pode ser construída nos blogs e movimentos organizados no twitter. Tópicos são debatidos no Facebook e talentos naturais descobertos lá também.
Pode-se amar mais e melhor com a ajuda das redes e aplicativos de namoro online.
Pornografia na net é a opção de sexo a custo baixo ou zero, sem ter que brigar pelo "dinheiro de volta" caso a satisfação não seja garantida.
Todos mais bonitos nas fotos, selfies ou não, sempre com a generosa ajuda de ferramentas e filtros.

Diz-se o que se pensa sem pudor ou receio de desagradar. Redes sociais são palcos livres para se atuar. Fala-se com o prefeito da sua cidade, jogando na cara o que se pensa dele, comentando num de seus posts no Facebook. A sinceridade e transparência de opiniões nunca foram lugar tão comum no nosso dia a dia como agora.
Famílias felizes, conquistas materiais, carros, viagens, amor de Hollywood. Tudo é possível e bem divulgado na internet.

Tratamentos, curas, descobertas, evolução da medicina, tudo apoiado e viabilizado pela tecnologia de ponta. Poucos problemas são considerados insolúveis.
Perfeito. Que lindo o mundo em que vivemos, não? Tudo indica que a Humanidade chegou a um ponto de sua caminhada onde a balança pende (com folga) pros prós. Os contras se tornaram invisíveis, disfarçados. O torpor cibernético de efeito prozac nos faz acordar e dormir acreditando que temos um mundo mais justo, mais democrático e de mais possibilidades para qualquer um com iniciativa, ideia, ou desejo.

E de repente acordo como num pesadelo, no susto, atordoada ainda com todo o ópio virtual, com uma frase na cabeça (como se viesse do além em alto e bom som): "Não existe almoço grátis" (tradução de um ditado inglês).

Volto ao início: será essa voz em minha cabeça um sintoma de transtorno psiquiátrico ou vivi por instantes o gosto amargo da falta da droga-passaporte para o mundo perfeito?

O almoço nunca é de graça e o que vivemos hoje na internet tem um preço a ser pago.
O melhor (?) de tudo é que a conta já chegou e estamos pagando suavemente, sem percebermos. A conta é grandiosa, mas indolor. O cheque especial da falta de privacidade tem juros embutidos. O controle cada vez maior e mais fiel de tudo o que temos, somos e pensamos, se veste de democracia. "Obrigada, Internet. Sem você não teríamos democracia de verdade." As prestações desse almoço não doem no bolso, são suavizadas pelo mundo dos memes e das aspas. Não podemos acreditar no que não vemos.

Foto: Reprodução

 

Mas podemos, ao menos, tentar identificar a quantia e o peso do que pagamos. Basta pensar um pouco. Se Internet é bom pra vender produtos diversos (a cada "like" em páginas deles no Facebook nos deixamos seduzir mais um pouco) é melhor ainda pra vender ideias e posicionamentos. E se somos controlados por tendências e tecnologias no mundo do consumo fácil (somos e não podemos negar) por que não o seríamos no campo ideológico? Falta de privacidade e democracia não combinam.

Definitivamente. Ainda consigo enxergar em meio à nossa good (?) trip.
Controle crescente é o nosso carnê de prestações. Seguimos pagando.
E voltemos ao show de Truman.



12/03/2014 14h52

Do jeito que funcionar
Bia Willcox

Graças à insônia habitual das viagens de avião, dia desses revi o maravilhoso filme Whatever Works do diretor Woody Allen, de quem sou grande fã.
Escrevo o título original em Inglês não por metidez ou pretensão, mas porque acho que a tradução

oficial em Português deixa a desejar.
Eu diria que esse título , por mais estranho que parecesse, poderia ser "o que quer que funcione (para ser feliz)" ou algo com esse exato significado. O protagonista e narrador do filme, Boris, é um personagem neurótico, com algumas frustrações, hipocondria, e pânico, além de ter um brilhantismo ímpar na análise da condição humana. É um dos um dos mais perfeitos alteregos de Woody Allen.
No fundo, apesar de um pessimismo aparente e de um delicioso to m politicamente incorreto, o filme nos traz um sopro de liberdade, de libertação mesmo. do tipo "sempre dá pra virar seu próprio jogo e ser feliz".

Sim, ser feliz. Como diz Boris no filme, clichês como "ser feliz" explicam melhor as coisas.
Ser feliz do jeito que funciona melhor pra cada um.
Tendemos a bloquear e esconder nossos desejos.

Tendemos a estabelecer padrões internos de conduta e exigirmos de nós mesmos o fiel cumprimento deles. Achamos muitas vezes que ficou tarde pra mudar. Ou que a sociedade nos será impiedosa e não vale rá o sacrificio.
Mas sempre vale.

A sensação de dar um looping na montanha-russa é indescritível. Dar um único looping que seja ao longo de nossa existência será provavelmente inesquecível.

Não estou aqui incitando ninguém a radicalismos. Não precisamos queimar bandeiras ou sutiens, declarar guerra ou provocar rupturas ou separaç ões.
O looping às vezes é interno e por isso mesmo maior e mais intenso.
Muitas vezes, na busca pela felicidade, queremos romper com farores externos - casamento, profissão, moradia, relação de familia.

No entanto, podemos manter os laços externos e romper com hábitos e processos internos. Romper com certos jogos psicológicos, reações previsíveis, manias, padrões estabelecidos e olhar para com terceiros.

É verdade que rupturas materiais e externas muitas vezes são necessárias também.
Seja quais forem as mudanças, o filme nos mostra que o que deve pesar mais em todos os nossos movimentos é o fator felicidade e alcançá-la do jeito que funcion ar pra gente. Se deu certo de um jeito torto, tá valendo.

Ao som dos Rolling Stones, reproduzo aqui o refrão que ouço ao escrever essa reflexão: não se pode ter tudo o que se quer , então, tentemos optar pelo que nos faz melhores e mais completos.
Whatever works.
Sempre.


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27/02/2014 14h39

Os amores urbanos
Bia Willcox

E eu começo falando de amor.
Poderia ficar horas justificando esse amplo tema que vai morar agora nesse espaço do jornal.
Mas tentarei ser concisa como num quase-twitter (em se tratando da vastidào do tema, né?):

O amor é a linha que costura toda e qualquer relação humana. A falta dele também.
Ele tem diversas feições. É amplo, infinito.
Pode se desdobrar e se dividir.

Ele alerta e cega, acorda e faz dormir. É divino e diabólico. Uno e dual.
Amores em casa, no trabalho, na praia, no clube, na cama, no avião, na calçada, no trânsito, no ventre, no celular.
Amor é energético, seja pelo sexo, pelo discurso, pelo olhar, pelo pensamento afinado ou pela troca. É ele que tá ali nos grandes e pequenos acontecimentos da vida. Porque, mais do que ser um impulso voltado pra fora, pra outro, ele é combustível gerado e queimado pela gente mesmo. Ele é responsável por um dos maiores sonhos de consumo de todos os tempos - a felicidade imediata. Engana-se quem pensa em dinheiro ou poder.

Platão, filósofo grego, não me deixa mentir: ele disse que o amor é a busca do todo e que só com ele a gente se realiza plenamente.
Ele sacou isso tudo há muito tempo atrás.
E até hoje buscamos nos entender, nos relacionar, nos apaixonar e funcionar em conjunto. Mesmo sozinhos, precisamos do amor. Não existimos plenamente sem amor próprio.
Por que urbanos?
Porque vivemos essa trança de relações cruzadas, agendadas, engarrafadas, conectadas.

A urbanidade aqui representa o hoje, as angústias e aflições românticas da contemporaneidade. Representa o amor do smartphone, da rede social, do bar, do karaokê, da roda de samba e da balada.
É o que acontece nas famílias modernas ou tradicionais, nas grandes corporações ou nas startups, nos casais homo ou héteros, nas diferentes classes, cores, costumes e vizinhanças.
Parecem ser muitos, de muitos tipos. Mas no fundo, no fundo, os amores urbanos são todos meio parecidos.
Por que?

Porque, recorrendo ao meu ídolo hipster, Platão, todos querem a mesma coisa no final das contas - querem ser plenos e realizados, querem achar o todo.
E eu, como não fujo à regra, venho aqui compartilhar essa busca com vocês.

*Crônica de abertura da coluna Amores Urbanos exclusiva no jornal "O DIA" no Rio de Janeiro



21/02/2014 13h45

Amor de Carnaval para dar e receber
Bia Willcox

Em época de Carnaval, traição é assunto em alta. Lugar comum em época de festas, blocos e desfiles.
Como eu não acredito em generalizações do tipo tudo, todos, nada ou de jeito nenhum, quero falar do oposto.

Se muita gente trai, muitos não traem também.
Por que não falar do reverso dessa moeda?

Carnaval não é sentença de morte pra relacionamento nenhum. Nunca será. Muito pelo contrário, atrás de todo essa euforia escandalosa, arrisco dizer que há um certo romantismo inspirador. Pierrôs atrás de Colombinas e Colombinas atrás de Pierrôs.
Mascarados e mascaradas buscando a sua máscara-metade. Sempre as máscaras. Na procura por mácaras ideais pra nós, ironicamente visamos a ausência de disfarces, queremos algo transparente, de cara limpa.

Então, ao contrário das expectativas gerais, há muitos que buscam amor e outros tantos que querem manter o amor que tem.
Pra muita gente o Carnaval é época de namorar, sabia? E de juntos curtirem o Carnaval, a alegria da folia. Sambar e cantar. Sem estresse, sem ciume, sem pancadaria. No amor e na paz. Diversão a dois pode ser caviar e champanhe.

Foto: Reprodução de Internet

Além disso, há os casais que querem se divertir longe das festas de Carnaval. L onge de quererem pegação e álcool em excesso, querem descansar, meditar, botar o cinema em dia, esquecer da vida na praia e no sol. Juntinhos. A dois.
Erro de avaliação achar que o melhor do carnaval é a bagunça sexual e etílica que ele proporciona. Não tenho dúvidas que as loucura sde Carnaval podem ser inesquecivelmente boa sem alguns momentos da vida, mas não são obrigatórias.

Pra muita gente o melhor bloco de carnaval ainda é o que só cabem dois. Sem a zueira que fica a rua, cheiro de xixi, perigo de assalto, perda de celular. Bloco a dois com enredo convincente, boa harmonia e perfeita evolução, que tal?

Bem, carnaval dois ou a um milhão, é sempre carnaval! E o que quer que seja nesses dias deve ser bem pensado antes, porque e m uma semana tudo acaba e depois tem mais de 50 semanas pra encarar a realidade. E essa realidade pode ficar feia se você der mole de perder um amor presente ou futura pra folia do carnaval.

Carnaval é tão especial que vale diluí-lo pelas mais de 50 semanas do ano e prolongar a felicidade.



20/02/2014 13h34

2 em 1: Waldir Leite relança seu romance policial e e-book grátis na internet
Bia Willcox

No dia em que Waldir Leite, roteirista de TV e jornalista, relança o seu romance policial "A Última Canção de Bernardo Blues" pela Editora Faces, ele lança também um romance inédito, "Ipanema em Lágrimas", em versão digital, propositalmente no ano em que a ditadura militar completa 50 anos.

"A Última Canção de Bernardo Blues" é um romance policial sobre um seminarista prestes a se tornar padre, que promove uma caçada ao criminoso que matou seu irmão, um cantor de boate muito popular em Ipanema.

Foto: Acervo pessoalIpanema é o universo de onde brota toda a literatura de Waldir Leite. Em 2011 ele lançou "Amei um Pitboy", coletânea de contos eróticos,
que tinha Ipanema como seu principal cenário.

"Ipanema está para mim, assim como o Leblon está para o Manoel Carlos. Adoro Ipanema. As praia, as ruas, os lugares, as pessoas, as árvores, os bares... Tudo ali me serve de inspiração para o que escrevo", afirma Waldir.

O inédito "Ipanema em Lágrimas" se passa numa Ipanema idílica e romântica onde um garoto, filho de um militar linha dura, se envolve com um comunista procurado pelo Exército e que está escondido numa oficina mecânica perto da sua casa. O garoto, que brinca de boneca e gosta de se vestir com as roupas da mãe, se transforma num elo entre a força repressora da ditadura e o desejo por um novo mundo, representado pelo comunista.

O autor nos conta que o livro foi construído a partir das lembranças de sua infância, no auge da ditadura militar. "Nessa época eu vivia assustado porque os adultos da minha família costumavam dizer que os comunistas comiam criancinhas. Comiam no sentido alimentar, no sentido canibal. E eles acreditavam mesmo que isso seria possível. No meu livro eu faço uma alegoria sobre esse aspecto do Brasil daqueles tempos."

Roteirista de TV, Waldir Leite já trabalhou em novelas da Globo (Salsa e Merengue), da Record (Os Mutantes) e do SBT (Superpoder do Amor), esta última ainda inédita. Mas sua outra grande paixão é o jornalismo.

Foto: Acervo pessoal"A época em que eu fui mais feliz profissionalmente foi quando trabalhei no Jornal do Brasil, ainda na época do jornal impresso. Durante quatro anos fui repórter e colunista do Caderno H, suplemento publicado aos domingos. Ali fiz reportagens que me deram muito orgulho. Além disso, tive a oportunidade de trabalhar bem de perto com a Hildegard Angel, editora do Caderno H, uma pessoa maravilhosa, por quem tenho grande carinho e admiração",declara o escritor.

Waldir leite recebe amigos e colegas de trabalho para uma noite de autógrafos, na Livraria da Travessa de Ipanema nesta quinta-feira, 20 de fevereiro, quando será disponibilizado gratuitamente o e-book "Ipanema em Lágrimas" no site da Editora Faces.

"A ideia de lançar um e-book inteiramente grátis na internet é uma forma de nos mostrarmos, autor e editor, atentos às profundas mudanças pelas quais o mercado editorial vem passando", afirma Bia Willcox, publisher da Faces.



20/02/2014 11h48

Elton John, a estrela de sempre
Bia Willcox

Sabe aquelas pessoas que nunca enfraquecem com o pôr-do-sol ou com a chuva que chega? Ídolos são assim.

Ouvi essa metáfora da boca de um dos meus maiores ídolos musicais. Em sua lingua original, ao som do seu piano e carregada de emoção, essa expressão, dentre outras, da linda música Candle in the Wind (Goodbye England's Rose), me tocou na primeira vez que ouvi e me tocou igualmente ontem no HSBC Arena. Foi a segunda canção de Elton John no palco carioca.

Ele a cantou para Norma Jean, para a princesa Diana e cantará sempre para todas nós, como uma vela que não se apaga nunca.

Dia de Elton John é dia de se sentir atemporal, sem data, sem pouso, sem residência. Cidadãos do tempo e do espaço. Ontem me senti assim.

A platéia foi chegando com seus brilhos e trajes caprichados, como se a elegância e sofisticação fossem uma forma de homenageá-lo e de reafirmar a importância e grandeza daquele espetáculo.
Estão certos.

Sir Elton John é grande e sofisticado.

Os saltos, blazers e lantejoulas de muitos compuseram o cenário grandioso que um artista como Elton John impõe à noite com seu piano de cauda, terno azul brilhante e voz superheróica.

Essa turnê nos apresentou seu novo álbum, Goodbye Yellow Brick Road, que para Elton John é o seu White Album (referindo-se ao inesquecível Álbum Branco dos Beatles).

Vejo esse seu último trabalho, um álbum duplo estourado nos charts americanos, como uma maneira de conhecermos não só a sua música, mais e mais, como também a sua personalidade.

Elton John passeia pelos sons e estilos que fizeram dele a estrela que conhecemos.

Abrindo o show com rock progressivo, Funeral for a Friend, ele passa pelo popcraft, Bennie and the Jets, por baladas marcantes como Goodbye Yellow Brick Road (quando a platéia levantou "tijolos" amarelos de papel para acompanhar o refrão), pelo hard rock Saturday Night's Alright for Fighting e por tudo mais que imaginarmos ser possível a um artista como ele, incluindo a novidade de seu novo álbum Jamaica Jerk-off, que ele deixou de fora na noite de ontem.

Fotos: Reprodução

A diversidade sempre me atraiu e quando se trata de alguém como Elton John, jamais terá um saldo negativo no final.

Mas, apesar de impressionante, toda essa variedade de estilos e formas parece não ter tido o resultado final que se esperava no álbum.

Popularmente falando, não deu tanta liga, sabe?

O que não tira o glitter e o impacto do show e de seus momentos marcantes como em Rocket Man, Skyline Pigeon, Don't Let the Sun Go Down on Me, Philadelphia Freedom e I guess That's why They Call it the Blues.

Sem falar nas imortais e cinematográficas Your Song e Tiny Dancer que embalaram uma platéia de todas as idades (todas mesmo, de adolescentes a idosos) ávidas por minutos de romance no ar.

Elton John é um showman cuja performance nocauteante justifica perfeitamente o novo álbum e define o que o fez um superstar ainda no inicio dos anos 70. Ele será sempre a vela que não apaga, nem no pôr-do-sol e nem sob chuva.