
Talvez, das atribuições de um treinador de futebol, uma das mais difíceis seja convencer um atacante a marcar. Que não se restrinja ao retorno à área dos jogadores altos nos escanteios contra a própria equipe. Que seja, também, pelo menos, para voltar e fazer uma ‘sombra’ dificultando a troca de passes dos volantes e laterais adversários, recompondo o setor e gerando dificuldades na distribuição do jogo pela defesa e o meio de campo do outro time. E será que conseguimos relembrar em algum momento Romário, Ronaldo, e tantos outros marcando, voltando além da linha central para fortalecer o sistema defensivo? Mas por que conseguimos, no presente, ver tantas vezes Messi, Neymar e o Love marcando? E mais, há inúmeras retomadas de bola no campo de defesa gerando contra-ataques fatais, destaque para um dos últimos gols de Neymar pelo Santos.
Então, houve evolução na forma tática de pensar dos treinadores? Ou o fato da preparação física ter alcançado uma projeção de muita importância no futebol proporcionou uma nova abordagem da capacidade de resistência de um jogador? Ainda: será que as constantes críticas jornalísticas, a exposição na mídia dos comentários, inúmeros jogos em repetição, edição de imagens, de participações individuais e atuações coletivas desenvolveram um novo pensamento crítico sobre a importância defensiva do atacante? Quem sabe a nova mentalidade de jogo dos goleadores aliada aos conceitos táticos de outros esportes fizeram perceber que o futebol precisa(va) evoluir nesse aspecto, e, verdadeiramente, ser definido como um equilíbrio entre ataque e defesa: ataca-se com 11 e defende-se com 11?
Divagar sobre as tais possibilidades de resposta nos leva a conclusão que possa depender exclusivamente da vontade do jogador o interesse em colaborar com o sistema defensivo da sua equipe. Ou, porventura, uma combinação de fatores que venha a proporcionar um novo colorido numa linguagem preta e branca desgastada pelo tempo. Na verdade, a questão passa ao largo pelos clubes, treinadores, auxiliares, imprensa e exerce um amplo domínio pelo perfil do jogador de futebol moderno, nas suas atribuições, exemplos e buscas. Mas a tendência é inevitável: copiar a forma de jogar da principal equipe e do melhor jogador do futebol mundial na atualidade. Elevar a importância do futebol desenvolvido pelo Barcelona à décima potência. Perceber os novos(?) conceitos futebolísticos e proporcionar o encaminhamento dos ensinamentos e observação a quem interessar possa.

Por que o modelo de jogo do Barcelona é atualmente conceituado como o melhor do mundo?
Por que jogar sem nenhum atacante de referência pode virar moda no futebol brasileiro?
Por que exercer uma marcação sob pressão no campo de defesa do adversário é benéfico?
Por que estimular o goleiro a usar os pés permite uma postura mais corajosa ao time?
Por que a manutenção da posse de bola é valorizada como um conceito primordial de jogo?
Por que não é necessário ter goleiros e zagueiros de estatura muito alta?
Por que alguns volantes são construtores do jogo de ataque e não meros destruidores?
Por que a transição defesa-ataque não é feita por bolas aéreas?
Por que a melhor estratégia de jogo é atacar, atacar e atacar?
Há um discurso uníssono no meio dos boleiros e jornalistas de que o Barcelona refez os caminhos do vitorioso e bonito futebol brasileiro e reconduziu o antigo esporte bretão a um novo patamar. Apostou alto na qualidade técnica de seus atletas e buscou um padrão de jogo envolvente e audacioso nas referências mais apaixonantes das nossas grandes seleções nacionais. Não há dúvidas, nem questionamentos sobre o sucesso da equipe catalã e do colírio aos olhos proporcionado pelas constantes atuações e resultados obtidos. Mas existe um desacordo, uma dissonância entre alguns profissionais do futebol em classificar o Barcelona como um vírus contagiante, daqueles que arrebatam, assolam, sem nenhum tipo de antídoto. O efeito Barcelona não pode ser devastador, nem capaz de redefinir os parâmetros e os caminhos do futebol sendo uma unanimidade. A totalidade de uma opinião gera uma conformidade perigosa. O Barcelona não deve e não pode ser a verdade absoluta dos gramados. O êxito de um trabalho é uma conjunção de fatores que conspiram a favor por um instante e ressoam com uma idéia brilhante por um tempo, mas não são imutáveis e eternos.
A expectativa criada pelas vitórias e títulos conquistados pelo Barcelona faz com que diversas equipes copiem o modelo de jogo do clube espanhol evidenciando um rótulo de obrigatoriedade na tentativa desenfreada de gerar uma nova tendência de jogo do futebol contemporâneo. É preocupante confundir a eficiência do Barcelona com a fórmula do sucesso. Conceder um selo único e inviolável de padrão de qualidade ao futebol espanhol, como se todos os conceitos, convicções e concepções de sistema de jogo, táticas e aplicações convergissem apenas para um mesmo ponto. A idéia e o exemplo espanhol são válidos e honestos, porém a identidade própria, o carimbo de um estilo e a construção de uma marca no futebol são estimulados por várias referências e apoios, e a edificação do modelo Barcelona, por exemplo, buscou a transpiração, cópia e colagem nas escolas brasileira e holandesa. Por que, então, creditar todas as inspirações atuais a um só clube de futebol?
É o momento de definir entre a reprodução fidedigna de um modelo vitorioso ou a sua adaptação às realidades dos clubes brasileiros. Surgem manifestos de apoio à saga do clube espanhol na propagação e multiplicação de suas metas e desempenhos. Reprodução e imitação são os termos mais ouvidos e utilizados nos campos de treinamento das categorias de base e profissional. Uma febre alta e perigosa que se alastrou pela mente/cabeça dos treinadores. Estamos diante da bolha de verdades e ilusões que tornou o Barcelona o sonho de consumo do futebol. É hora das doses homeopáticas ou altas? Quem se habilita a prescrever o futuro nos gramados? De médico, louco e treinador de futebol todo brasileiro tem um pouco.
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Parabéns ao Figueirense que soube, no começo desse ano, escolher o Jorginho para o cargo de treinador. Jorginho jamais foi uma aposta. Era a pessoa certa, na hora certa, para o lugar certo e pelo tempo certo. Jorginho detém as qualidades necessárias para ser um bom técnico e gestor de uma equipe de futebol. Respira idoneidade e ética. Fez o seu caminho sem trilhas e sem atalhos. Qualificou-se de bom caráter e de vivências dentro do campo para ocupar o espaço. A sustentação do seu nome era uma questão de tempo. É um acréscimo de seriedade na falta de responsabilidade de alguns treinadores. Técnicos são referências, apoio de palavras, gestos, atitudes e exemplos. Acima de tudo devem ser espelhos para os jogadores. Jorginho tem um passado e um presente que o dignifica para o seu futuro. Sua história não passou em branco.
O futebol precisa de treinadores profissionais sérios, evoluídos, determinados e que façam de suas carreiras um trampolim para um futuro mais promissor dentro das quatro linhas, e não uma rampa de saltos para os seus objetivos mais obscuros e financeiros. O futebol brasileiro vive e sobrevive na escuridão. Mas ainda há uma luz no fim do túnel. As lanternas estão de posse de novos profissionais com a responsabilidade de iluminar as verdades e os horizontes promissores. A retomada do caráter científico vai clarear uma nova crença e um novo traço futebolístico. É uma nova geração que vem aí. Não estão travestidos de ontem no amanhã. São canais abertos de contato para o entendimento de um nascente futebol do século 21. Não podemos regredir nas ideias. Sobreviverá, a médio e longo prazo, quem usar o oxigênio restante de forma segura e adequada e não soprar o monóxido de carbono pelos ares. O branco das nuvens não pode ficar cinza.
Há quem oscile na descoberta de sua função profissional dentro da sua área de atuação. Quer ser tanta coisa sem conseguir ser nada. Há os que se julgam entendedores de futebol, há os que julgam os entendedores de futebol. Há os que se aproveitam de oportunidades e fazem do seu trabalho o campo dos seus negócios. Há quem faça cursos e mais cursos que, supostamente, os enobrecem e os classifiquem para o mercado do futebol. Mas o estudo da ética, da moral e dos bons costumes não está nos livros, nas apostilas e nas encadernações. É o curso de um rio sem correntezas que nos leva a um mundo justo de pessoas íntegras. Mas, infelizmente, o futebol permite aos curiosos, aos incentivadores, aos investidores, aos pseudotécnicos experientes e a camada mais torcedora da população um encontro com os interesses e com as mentiras. O impossível se torna sonho, as dificuldades se transformam em facilidades e o branco se desbota em um mundo colorido.
O perfil dos novos treinadores não combina com hábitos sujos e de falso purismo. Está na hora de monitorar os passos extracampo desses profissionais. Bebidas, cigarros e noitadas são apostas muito altas de treinadores e jogadores. É fácil olhar para o umbigo alheio quando não se consegue olhar para o próprio. Assinar um papel em branco é tão perigoso quanto destilar discursos enfadonhos e vazios do que se deve fazer ou não no futebol. A idéia de ser técnico amadurece na cabeça de vários Professores de Educação Física, só não pode deixar o tempo apodrecê-la. Uma mensagem de esperança àqueles que fazem do futebol a estrada dos louros. É hora de colocar o preto no branco.
"Em Deus confiamos. Quanto aos outros, que tragam dados". A célebre frase do estatístico americano Edwards Deming é a precisa definição da importância dos números nesse Campeonato Brasileiro. A matemática é uma ciência exata e revela a precisão dos resultados. Contra fatos não há argumentos. Ou melhor, contra dados não há argumentos. A verdade é que a disputa do título brasileiro era quase um Campeonato Carioca entre os quatro clubes grandes do Rio e o intruso Corinthians. Confirmavam-se as vitórias e os empates e a classificação parcial nos deixava confiantes. A redenção do futebol carioca era evidente e clara. Entre os cinco clubes mais bem classificados estavam Vasco, Fluminense, Botafogo e Flamengo. Qualquer que fosse o campeão, o futebol do Rio já era o grande vencedor. O Jornal O Globo, em 18 de outubro, estampava em seu caderno de esportes: "Libertadores carioca. O Rio pode ter pela primeira vez na história quatro representantes na competição continental. As chances de o estado ter três times é de 73%, o que também seria um fato inédito." Sonho ou realidade? Estávamos vendo o mundo do futebol pelos olhos de uma criança? Seria uma claridade sobre a escuridão? Ou seria um ensaio sobre a cegueira?
Na verdade "Ensaio sobre a Cegueira" é um fascinante livro do escritor português José Saramago que foi adaptado para o cinema, e transformado em filme pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles em 2008. A obra literária viaja pelo imaginário de uma suposta epidemia, causada por um vírus, que assola uma população inteira. Saramago cega todos pela própria visão dos tempos e no conceito moral. Pano de fundo verde para os nossos gramados cariocas. Cegos-treinadores que vêem, que tapam o sol com a peneira, que usam óculos escuros e que se apoiam em bengalas. Discursos prontos, defesas forjadas e forçadas, lamentações em terceiros, atitudes pequenas, livros de autoajuda e a divagação sobre o universo do futebol profissional como se todos os torcedores fossem cegos em potencial. Vírus real e letal sendo disseminado. A idéia monocromática sobre a cegueira modificou-se e acometeu principalmente nas cores vermelha e preta.
O clube com o maior número de torcedores no Brasil poderia fazer uma campanha de doação de córneas para ser transplantada no professor rubro-negro que mais necessita avistar, descortinar, observar, pressentir e deduzir além do alcance de sua vista. A instituição Flamengo, infelizmente, "delargou" o futebol profissional e continua com os problemas de visão. Não enxerga de longe nem de perto. Precisa de lentes corretivas para a miopia e de óculos para a vista cansada. Há, também, quem precise de um tempo para se reciclar, quem sabe ler livros em braille, fazer um intensivo de conhecimento no Instituto Benjamin Constant. Os verdadeiros cegos aguçam outros sentidos, o tato e, principalmente, a audição. Utilizam bolas com guizos e fitas demarcatórias de espaços. Ocupam apenas as áreas que podem ser preenchidas. Sabem se posicionar nos campos. Usam da percepção e do bom senso. Levados pelas circunstâncias da deficiência visual não podem ser teimosos. A teimosia deixa a visão turva É preciso que se tenha coragem para reconhecer as limitações físicas e psíquicas. Não há lupa nem binóculo que resolvam. A melhor saída é contratar um cão guia.
O Botafogo tentou a correção da miopia, fez a cirurgia nos olhos e agora busca os colírios capazes de acelerar o processo de cura e cicatrização em tempo recorde de duas semanas. Merece o reconhecimento pela coragem de operar mudanças. Vasco e Fluminense apresentaram sintomas de dor nos olhos e ciscos, mas, por enquanto, os remédios profiláticos ainda causam efeitos de melhoria e euforia. As reações do ser humano às necessidades, às dificuldades, à impotência, à cegueira e ao descontrole leva-nos a refletir sobre a necessidade de pedirmos ajuda especializada. Conflitar com a nossa vaidade é saber que o pior cego é aquele que enxerga e não quer ver. E o Botafogo, o Fluminense e o Vasco souberam perceber que em terra de cego quem tem um olho é rei virou ditado para esquecer.
"Conhecer não é demonstrar nem explicar, é aceder à visão" (Antoine de Saint-Exupéry).
"Quantas vezes a simples visão de meios para fazer o mal / Faz com que o mal seja feito!" (William Shakespeare).
Neymar tem uma capacidade de drible e finta impressionante. Um repertório quase inesgotável de lances bonitos. Joga em linha reta, direto, com velocidade e balanço, e saída para ambos os lados. Indecifrável e "inadivinhável". A audácia é o elemento principal de suas jogadas. É quase lugar comum falar dos seus predicativos, nomear suas qualidades e projetar o seu futuro. Renova a esperança do advento de um futebol ousado e poético. Faz de qualquer pequeno espaço de campo um latifúndio. Utiliza-se com maestria da faculdade de improvisar. O campo dos sonhos é o seu quintal de diversões. Seus rascunhos são constantes obras-primas. Colírio para os olhos. A precisão dos seus movimentos eleva um simples jogo coletivo a um espetáculo individual. Uma pintura a sua participação no jogo de domingo contra o Vasco. Todos os Santos conspiram a favor. Alegria do povo.
Os adversários mentais parecem desconhecer o talento de Neymar, que, por sua vez, ignora a existência desses obstáculos (in)visíveis. São sucessivas partidas em alta performance, com um desempenho técnico acima de qualquer média de expectativa. É um prematuro artista do futebol profissional ainda com idade de juniores até 2012. Apresenta um rendimento excepcional e uma regularidade impressionante digna de um experiente jogador famoso. Uma ode ao talento.
Deleite a serviço do futebol brasileiro e mundial. Neymar cresce ao sabor do sucesso a cada partida, temperando o seu amanhã com pitadas geniais. Não há pré-cozimento, pré- julgamento e nem comparação, mas vê-lo jogar e praticar um futebol tão vistoso e belo nos permite sonhar com novos e promissores tempos de arte. Uma linha tênue entre a genialidade e a loucura dos grandes artistas. O surrealismo dos seus traços pela tela verde dos campos nos convida a apreciá-lo. Um quadro vivo! Pintando o sucesso! Se quiser saber o futuro do Neymar olhe para o seu passado. Sua breve história traduz a predestinação para a glória. Assim falaria Nelson Rodrigues.
Há anos tive o prazer de conhecer pessoalmente Luiz Mendes em uma dessas visitas de trabalho a "Rádio Globo". O jornalista gaúcho radicado no Rio de Janeiro, apaixonado pelo Grêmio e pelo Botafogo, foi extremamente educado e solícito comigo. Atento as minhas palavras e desenvolto com a sua voz serena, sem ostentação de sua sapiência, discursou sobre um conhecimento abrangente de futebol. Conversamos sobre as categorias de base e profissional em um tom de interação e de troca-troca de saber, que, com certeza, era muito mais relevante e precioso para mim. Estava aos pés de um monstro sagrado do jornalismo esportivo brasileiro. O exercício de ouvir mais e falar menos era ativo e necessário. A oportunidade de um encontro único me fez aproveitar cada momento, e atentar a todos os detalhes que eu escutava.
Jornalista esportivo ímpar, íntegro e capaz, era praticamente uma enciclopédia ambulante do futebol. Detinha uma memória invejável e um senso de jornalismo limpo e correto sem precisar vangloriar-se do seu saber e sem querer abafar ninguém. Era capaz de elogiar sem bajular e de criticar sem precisar colocar pressão em suas palavras. Tinha a capacidade de comentar os jogos de futebol sem estampar palavras agressivas, pesadas e parciais. Era elegante nos comentários e entusiasta da outrora beleza das partidas. Conheceu e participou da cobertura de 13 Copas do Mundo. Viveu uma intensa relação de amor com a bola. Trabalho e alegria, enamorados.
A recriação e o futuro de um jornalismo esportivo informativo, seguro, imparcial e sobretudo digno passará sempre pelo nome do Luiz Mendes. A palavra é fácil para quem torna os dizeres simples. Sua vida profissional será sempre um ponto de referência para os antigos e os novos jornalistas. É inovadora e antiga a sua idéia da imparcialidade e lisura nas críticas. A condução da doutrina correta torna-se natural para quem dirige a vida pelos caminhos mais seguros, para quem não se preocupa com os atalhos, e sim com o destino da viagem. A trilha do sucesso passa por obstáculos, e percorre as vias mais perigosas até a chegada. E nada superou a transpiração, a intuição, o ânimo, o trabalho, o talento e o caráter desse gaúcho com sotaque carioca.
Luiz Mendes repousará a sua voz sobre um código de ética poucas vezes visto e ouvido. A saudade não será suficiente para expressar o agradecimento e reconhecimento pelos anos dedicados ao jornalismo esportivo. No momento da perda e da sua ausência querida do nosso convívio, vivemos a dor e a gratidão pela sua, pela nossa rádio do coração, e temos a certeza que a vida tem que continuar, o globo tem que girar. O presente tem que existir para nos tornarmos melhores para o futuro, para darmos espaço ao novo. O incômodo e a lacuna dão lugar a esperança e a renovação. A força para superar, seguir e viver. Conviver com a saudade e o seu tempo. As páginas do livro da vida são, a qualquer hora, constantemente folheadas. Luiz Mendes é um capítulo do livro do jornalismo esportivo que merecerá ser sempre relido. Sua história é gloriosa!
Para dar referências ao tema dessa coluna vou listar os nomes dos novos atletas e seus respectivos pais ou parentes que foram(são) jogadores de futebol. Não obtive informações sobre jogadores com este perfil no Fluminense ou no Botafogo. Podemos lembrar também dos filhos de jogadores de gerações mais antigas, como os do Pelé, Zico, Junior e Claudio Adão que não alcançaram as expectativas esperadas. Outros atletas projetaram os seus nomes e os das suas famílias: Djalminha, filho de Djalma Dias; Ademir da Guia, filho de Domingos da Guia; Zico, irmão do Edu Coimbra, Fórlan, filho do Pablo Fórlan; Ronaldinho Gaúcho, irmão do Assis e tantos mais.
C.R.Flamengo:
Matheus Oliveira - Meia - Sub-17 - Bebeto
Renan Donizete - Meia - Sub-16 - Donizete Pantera
Bernardo - Meia - Sub-15 - Leandro Ávila
Thiago - Atacante - Sub-12 - Irmão do Adriano
Rieguel - Lateral Direito - Neto do Valdir Espinosa
Jogadores que passaram pelo Flamengo:
Daniel - Volante - Sub-19 - Mozer
Luan - Atacante - Sub-19 - Paulo Nunes
Diego - Atacante - Sub-17 - Djalminha
Patrick - Zagueiro - Sub-16 - Júnior Baiano
Rodrigo - Atacante - Sub-20 - Adalberto
É jogador do Benfica, ex-Real Madri e Seleção Sub-20 da Espanha
Thiago Alcântara e Rafael - Meia e Atacante - Sub-20 e Sub-18 - Mazinho
Ambos estão no Barcelona e o Thiago na Seleção Sub-20 e na Principal da Espanha.
C.R.Vasco da Gama:
Rodrigo - Atacante - Sub-18 - Roberto Dinamite
Stephano - Meia - Sub-16 - Branco
Andrey - Meia - Sub-17 - Geovani
Romarinho - Atacante - Sub-18 - Romário
As chaves dos portões que dão acesso aos campos de futebol estão sempre de posse dos ex-jogadores. Seus filhos têm acesso livre aos gramados, e plantam as sementes de uma geração na expectativa da colheita dessa nova linhagem familiar. O manual de sobrevivência no futebol tem sempre um capítulo dedicado aos ex-jogadores e seus filhos. Histórias de esforços, de sucessos e de fracassos. Troféus de dedicação, insistência e decepção. Medalhas de ouro, de prata e de inglórias. Tentativas e mais tentativas. Chances e mais chances. As oportunidades de tornar-se jogador de futebol são inúmeras se comparadas a qualquer outro jovem. Para quem trás no DNA e no sobrenome algum talento o mundo dos clubes nas divisões de base é mais acessível. Afinal sempre herdamos algo dos nossos pais e doamos aos nossos filhos. Talvez a cor dos olhos, a cor da pele, o tipo de cabelo, os traços físicos, o caráter, a educação, ou quem sabe, toda uma genética privilegiada para a prática de futebol. E o mais importante: uma grade de relacionamentos que abre as portas e estende o tapete vermelho.
O exercício das funções afetivas torna-se restrito ao objetivo da descoberta de um novo talento. O sonho de todo pai é ver seu filho crescer e ser bem sucedido na profissão em que escolher, seja ela qual for. Mas alguns pais são exemplos, não só de vida, mas de profissionalismo para os filhos. Muitas crianças tentam repetir as atitudes e os passos de seus responsáveis. Normalmente, os comportamentos preferidos para serem imitados são aqueles de pessoas que são referências, como a figura paterna. Ou seja, há a reprodução das características principalmente pelo convívio, pela imposição e admiração. E essa tal admiração é tanta que os rebentos acompanham a escolha feita pelos pais na profissão. As semelhanças vão muito além de fisionomia e gostos. E quando crescem, os filhos formulam conceitos que quase sempre envolvem a personalidade dos pais. Como se houvesse a necessidade de comprovar que filho de peixe, peixinho é. E como poderia um peixe vivo viver fora da água fria? Será que sobreviveria?
Pais são referências, transformadores, formadores e às vezes deformadores. Há pais que projetam os seus desejos e as suas frustrações nos seus filhos. Querem escolher para eles um bom futuro, digno, repleto de alegrias e facilidades. Acham-se capazes de nortear o futuro e indicar todo o caminho correto levando sempre em consideração o discurso da responsabilidade de educar e dar alicerce. Mas não podem, não devem e não conseguem impedir que os filhos cometam erros, indispensáveis ao aprendizado e amadurecimento do ser humano. Amar não é modelar o outro com as nossas mãos para que ele seja parecido com o que desejamos, mas sim deixá-los manusear a massa, retocá-la e construir o seu modelo de vida. Pessoas podem ser parecidas, ter características similares, mas não são iguais. Pais querem sonhar os sonhos dos filhos sem deixá-los acordar. As futuras páginas de nossas vidas estão em branco para nós preenchermos. Cada um de nós é responsável pela própria vida. Somos nós que escrevemos a nossa história. Livre arbítrio na ponta do lápis, ou melhor, da caneta. Não existem borrachas para o viver.
Algumas figurinhas já foram coladas nesse álbum de futebol. Filhos de ex-jogadores que tiveram muitas oportunidades e não chegaram aos pés do talento de seus pais. Exemplos não faltam e não faltarão. Por que fica a constatação de que ser filho de um grande nome do futebol não é garantia de talento. Honrar a hereditariedade de alguém famoso é colocar um peso maior sobre as suas costas. Exemplos abundam na música, no rádio, na televisão e no próprio esporte. Não deve ser fácil conviver com todo esse assédio e pressão da mídia e de familiares. Não gerar expectativas e projeções futuras na tentativa de ser fazer presente no futebol desfaz o mito da celebridade e as comparações inevitáveis entre as gerações. Ex-jogador conhece os atalhos do campo, mas os caminhos curtos podem ser perigosos. Não adianta forçar uma situação. O processo tem que acontecer naturalmente. Nada de atropelar as etapas de formação. Tudo na sua hora, respeitando a maturação do homem. O tempo dará o seu veredito. Mas não precisamos culpar esses pais por tudo. Isso é absurdo! São crianças como "seus" atletas. Nada é fácil de entender... Pais e Filhos.
Parabéns, Adalberto e Mazinho! As estrelas dos seus filhos têm um brilho de vocês.
Howard Gardner, Charles Darwin e a ciência em prol da evolução no futebol.
O valor que o brasileiro confere ao futebol é imensurável. Desperta a imaginação e a utopia de milhões de crianças e adolescentes para um futuro melhor. Quem é que nunca sonhou em ser um Pelé, Garrincha, Romário, Zico ou Ronaldo? Quem é que, hoje, não sonha em ser um Neymar, Lucas ou Ganso? A prática esportiva brasileira é toda voltada para a monocultura do futebol. São novas sementes brotando pelos campos todos os dias. A colheita da safra depende exclusivamente da qualidade dos grãos. O solo fértil, os adubos e as mãos zelosas ajudam no crescimento saudável da plantação. A contemplação da lavoura cheia de frutos é o ponto de partida para a identificação do trabalho científico bem estruturado e planejado.
Escolher as melhores sementes não é fácil. Requer habilidade e conhecimento prévios. Processos, projetos e procedimentos estimuladores da alfabetização e do desenvolvimento motor e técnico de um novo atleta são fundamentais e de relevância incontestável. A ciência no futebol precisa ocupar o seu espaço e jogar para escanteio todo o empirismo existente. A tal da divina inspiração, o dom de jogar bola é terminologia antiga, ultrapassada. O novo talento é uma predisposição genética, a aptidão natural do atleta, um organismo dotado de condições favoráveis e uma capacidade inata notável e admirável. Jogar bola é uma competência de excelência, requer estudo e ciência. O futuro do futebol.
Howard Gardner é um psicólogo cognitivo e educacional ligado à Universidade de Harvard e conhecido em especial pela sua teoria das inteligências múltiplas. No seu livro Estruturas da Mente, ele dá a ciência e a convicção que o ser humano é dotado de sete dimensões de inteligência, que incluem a visual-espacial, a musical, a verbal, a lógica-matemática, a interpessoal, a intrapessoal e a corporal-cinestética. 
Gardner crê que todos temos tendências individuais (áreas de que gostamos e em que somos competentes) e que estas tendências podem ser englobadas numa das inteligências listadas acima. A inteligência cinestésico-corporal se identifica e se manifesta no futebol, na capacidade de um atleta usar o seu corpo com eficiência, precisão e rapidez. Não necessitando elaborar cadeias de raciocínios na execução de seus movimentos corporais: dribles e fintas. A inteligência passa a ser concebida como uma capacidade de resolver problemas ou ainda como a faculdade de conhecer, compreender, discernir e adaptar-se rapidamente a qualquer situação nova de treino ou de jogo. A prática do futebol pede uma competência e uma inteligência que não responde por QI nem por capacidade cognitiva de instrução.
Pode ser que uma criança ou um adolescente de uma classe social mais privilegiada tenha recebido mais estímulos para o seu crescimento pessoal e atlético do que um morador de comunidade carente. Mas não são apenas as condições econômicas que estabelecem à chegada ao futebol e a sua permanência. Atletas oriundos da pobreza podem apresentar estímulos ambientais, que jamais serão vistos em comparação a qualquer desenvolvimento cognitivo. A competência é genética. O seu desenvolvimento maior ou menor depende das oportunidades e vivências. Não há dúvidas que teríamos excelentes esquiadores nas favelas do Rio de Janeiro. Apenas essas pessoas jamais serão estimuladas e descobertas para essa prática esportiva. Ficarão para sempre escondidas ou desaparecerão como as mariposas brancas nas florestas. Já o futebol está em todas as esquinas, na vida, na arte e na memória do brasileiro: mariposas escuras do nosso cotidiano.
Charles Darwin teorizou uma evolução natural, aonde só os mais fortes e os mais adaptados sobreviveriam. As espécies que tem mais capacidade vivem mais e melhor. Ao longo do tempo vão se adaptando ao meio até se tornarem regras. A diversidade de estímulos ambientais interfere no desenvolvimento físico, e, sobretudo, no futuro de quem deseja jogar futebol em alto nível. Os estímulos externos vão influenciar o melhor rendimento e a passagem do tempo. Há um projeto embrionário no futebol de uma nova mentalidade, novos horizontes. Um diário de empenho, entrega e obstinação, mas que, as vezes, não são suficientes para que se possa progredir e mudar. Por mais que haja a transpiração, a inspiração de quem nasceu pré-dotado interfere nos resultados. A seleção natural de Charles Darwin privilegia as características favoráveis. E quem vai sobreviver no futebol: a ciência ou o empirismo. Mariposas escuras ou as brancas?
"Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar". A citação à música do Paulinho da Viola refaz os sentidos, os pensamentos e os oceanos cheios de correntezas que os comandantes-timoneiros-treinadores de futebol percorrem. Contudo, o mar não pode ser um obstáculo, tem que ser o caminho. Maré baixa e calmaria iludem os navegantes. Maré alta e fortes ventos comprometem qualquer navegação. As marés alteram e modificam as rotas de chegada de quem se aventura a navegar em condições adversas. As ondas que nos levam podem ser as mesmas que nos trarão de volta. O treinador não é um mero navegador, não é, necessariamente, aquele que navega um barco em alto mar, mas sim aquele que se orienta através das "cartas de navegação", ou por outras referências da natureza. Estrelas.
Cartas hidrográficas, dos oceanos e mares, com indicação das profundidades, perigos, canais, faróis etc. servem ao traçado de rotas de navegação. São mapas com orientações direcionadas que nos ajudam a seguir. Pontos de apoio, portos seguros e alegres que invadem as nossas terras, tornando férteis os redutos de semeadura. Cada carta tem características e indicações específicas para orientar o navegador. As cartas visam dotar quem percebe os sinais das coordenadas essenciais à navegação. São mapas usados para guiar os navegantes! E os comandantes podem e devem usufruir desse apoio. O mar é traiçoeiro, mas também é de Iemanjá.
Amyr Klink, o solitário navegador brasileiro, planeja suas viagens de forma meticulosa. Os detalhes, centímetros de cada planejamento, são transformados em quilômetros ao longo das travessias. Uma vez que, sozinho, ele não depende de ninguém para o êxito de suas jornadas. Os resultados dos seus esforços não são divididos. Pretende-se, apenas, de forma segura, conduzir a navegação de um ponto a outro e antecipar os problemas que possam aparecer. O que não alcanço, e que pretendo entender no futebol, é como que um comandante não consegue compartilhar as idéias, distribuir competências, ouvir e gerar um ambiente de trabalho agradável e prazeroso com a sua tripulação. Não perceber que ele não está sozinho, que o troféu fica no clube, e não vai para a sua casa. Tem treinadores que precisam compreender que para a sua estrela brilhar não precisa apagar a de ninguém. A estrela que brilha é a que guia. Parafraseando Gandhi: "quer conhecer um treinador, dê poder a ele".
Mudanças bruscas no futebol são corriqueiras. Treinadores balançam em suas embarcações e o velho comandante da nau continua a falar de planejamento e estratégia. Não existe um projeto a longo prazo e uma ordenação de metas futuras. Há qualquer momento o mar pode virar. Os perigos para a navegação são eminentes. São correntes e tempestades que mudam as rotas. Respeito às leis da natureza. Respeito às leis do futebol. O projeto é diário, com sol ou na chuva. Comandante é comandante, na dor ou na alegria, nos barcos a remo, a motor, iates, navios, transatlânticos ou jangadas. Mas há comandantes que jogam a âncora, largam seus remos, abandonam a sua tripulação, esquecem das bússolas e dos mapas. Embarcação à deriva. Não há sinalizadores que possam norteá-los.
E onde estão as bóias e os salva vidas?
O exemplo e as referências do basquete norte americano e brasileiro. Lembro-me sempre de uma passagem marcante do livro Cestas Sagradas, do treinador norte americano de basquete Phil Jackson. Quando ele opta por mudar o emergente astro Michael Jordan de posição, de ala para armador. Houve questionamentos e dúvidas sobre a eficácia da mudança. A justificativa de Phil Jackson era simples, direta e pertinente: o quanto a capacidade individual do Jordan cederia para o coletivo da equipe? O quanto que a sua nova função de armador, mais centralizado na quadra, seria capaz de subir o rendimento de todo um grupo de atletas? O quanto que um atleta extraordinário mexeria no seu íntimo, na sua vaidade, para construir um espírito de equipe com pilares mais firmes de sustentação? Pois bem, a resposta para isso tudo veio no trinômio Chicago Bulls-Michael Jordan-Phil Jackson. Um dos mais talentosos e vitoriosos times de basquete de todos os tempos.
A referência do trabalho do Phil Jackson e o exemplo da recente conquista do basquete brasileiro estampam a verdade do esporte coletivo. A ótima atuação da nossa seleção na Argentina, a ausência de 3 importantes atletas e a tão decantada classificação para as Olimpíadas, nos fornece os subsídios para entendermos que o esporte coletivo necessita da individualidade para o grupo, e não para a dependência técnica à determinados jogadores. E o futebol, como o esporte coletivo mais praticado no Brasil, deveria beber dessa fonte. Um time não joga sozinho, não sobrevive de egoísmo, depende de cooperação e de integração. Futebol requer sempre, no mínimo, a colaboração de dois ou mais atletas. O crescimento e maturação do futebol brasileiro passa pelo entendimento das necessidades coletivas. Evidenciar que a Espanha é a atual campeã do mundo é ter a certeza que o talento individual tem que servir ao time, ao objetivo comum, e não aos interesses pessoais.
Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo e tantos outros são exemplos de atletas dotados de uma capacidade individual singular e memorável, que desenvolveram técnicas em alto nível, e souberam se adaptar a padrões, táticas e sistemas de jogo que facilitavam ao desenvolvimento de todo o potencial, alcançando status de ídolos e referências. Essa individualidade é a que constrói bons coletivos e deve ser respeitada como formadora de uma equipe de trabalho, a tal família. Mas as dúvidas e interrogações permanecem: será, então, o futebol um esporte individual? Conforme o dicionário, os esportes podem ser classificados como individuais, segundo seu próprio nome indica, quando o atleta participa sozinho durante a ação esportiva total (duração da prova, do jogo), sem a participação colaborativa de ninguém, no qual não é necessária a formação de uma equipe para alcançar o objetivo final. Ou seja, no futebol se misturam os conceitos de individualidade e coletividade, na relação direta com a produtividade e resultados. Pois, sempre haverá o dia que o potencial individual do grande atleta vai falhar, fracassar. E a essência do esporte coletivo vai gritar. Os clubes brasileiros não podem viver à dependência técnica de Ronaldinhos Gaúchos, Neymares e Freds. Dependências enfraquecem trabalhos.
E você, caro leitor, convocaria para as Olimpíadas Varejão, Nenê e Leandrinho? A seleção brasileira de basquete estaria fortalecida ou não?
"Com talento ganhamos partidas; com trabalho em equipe e inteligência ganhamos campeonatos" - Michael Jordan.
"Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos. E é por isso que eu sou um sucesso" - Michael Jordan.
"O que une uma equipe é quando um cobre as fraquezas do outro" - Phil Jackson.
"Nunca esqueça que a vaidade é inimiga do espírito de equipe" - Bernardinho, técnico da seleção brasileira de voleibol masculino
"Nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos" - Warren Bennis.
Quem tem garrafa vazia para vender?
"Quem usa álcool cotidianamente é alcoólatra". A constatação nas palavras do ex-jogador Sócrates refaz os caminhos da negligência à vida. A renúncia aos valores afetivos e ao amor próprio. O disfarce aos sentimentos de construção e o abandono total das referências de um mundo melhor. O importante é reconhecer a queda e buscar ajuda. Aceitar aquilo que as próprias forças não conseguem mudar. Depor as armas pelo inevitável do sofrimento e da dor. E o pacote é completo. Quase que anexado às bebidas vem as más companhias. A convivência próxima e diária com pessoas vazias, sem conteúdo e aproveitadoras é arrebatador. É o declínio do império. É uma batalha interna. Mas a derrota pode ser evitada.
O álcool faz parte do cotidiano do jogador de futebol. O consumo de bebidas alcoólicas é grande, e interfere no rendimento dos atletas devido a mudanças no metabolismo. O problema maior é o consumo exagerado e combinado com noites mal dormidas e alimentação inadequada. O atleta necessita do dia a dia para se preparar. O treinamento invisível (repouso, alimentação, recuperação física e mental) é fundamental. Se ele vai mal nos treinos, a tendência é de queda de rendimento nos jogos. Alguns agüentam mais tempo levando essa vida desregrada, mas outros têm uma condição física inferior e o corpo dá os sinais de alerta e cansaço. E o consumo freqüente de álcool aumenta o risco de lesão. A comissão técnica consegue identificar quem tem o desempenho prejudicado pela bebida. Não há como se ter uma política proibitiva. O que se pede é que os jogadores se comportem de maneira profissional. Para treinar e competir com sucesso, os atletas também precisam manter seu corpo bem abastecido com os alimentos e, principalmente, com as bebidas corretas. Definitivamente o álcool e o esporte de alto rendimento não combinam.
Além de tudo existe uma conduta social e publicitária que aprova o consumo de álcool. Propagandas de cerveja que, geralmente acontecem durante programas esportivos, incentivadas por ídolos de grande visibilidade no futebol, instigam ao uso do álcool. Há o lamento que (ex) atletas sejam os protagonistas dos impactos maléficos da ingestão de bebidas alcoólicas. O álcool é a porta de entrada para outras drogas, e a porta de saída para diversos atletas.
Reconhecer que precisa de ajuda para um problema com álcool talvez não seja fácil para um (ex) jogador de futebol. Acostumado a badalações e vida fácil, o círculo de amizades se fecha e o acesso de pessoas benfeitoras torna-se quase intransponível. O fundamental é que não exista relutância. É importante saber que o atleta só vai aceitar ajuda se realmente admitir que esteja com um problema. O consumo habitual de álcool, mesmo em quantidades não exageradas, detona um processo de dependência física, emocional e psicossocial. A batalha é contra as forças ocultas do futebol. A interferência de terceiros se faz necessária. Há um muro das lamentações, de concreto e de silêncio, onde depositamos nossas esperanças de mudanças. Quais são os benefícios de parar de beber e o risco de continuar bebendo? Simples, é só ver quem tem garrafa vazia para vender. Só por hoje.
Ricardo Gomes e a solidão à beira do campo
Um estádio de futebol é o paraíso da loucura. Tudo é permitido aos torcedores. Todo descontrole é razão. Toda emoção é coerente. O que se procura é extravasar. O que se acha é efêmero e passageiro. A paixão transforma os torcedores. Loucos comportamentos coletivos nas arquibancadas confrontam-se com a solidão do treinador à beira do campo. Calado, agitado, tenso ou calmo, as suas emoções se escondem atrás de uma capa de proteção. Seus poderes não são dos super-heróis. A dor é inerente ao treinador. O sofrimento não é opcional. A inteligência emocional sempre perde.
Treinador de futebol con(vive) com pressões, aborrecimentos, ingratidões e injustiças. É o seu caminho e a sua escolha. Abdica da vida pessoal, do convívio familiar, dos amigos, e principalmente da saúde por um bem-estar e status profissional. Devido à alta cobrança por resultados em curto prazo, a exigência pelas vitórias é altamente agressiva, o que acaba expelindo os sentimentos de fracasso e dor. As reações emocionais geram dúvidas dos valores de trabalho: o que é certo ou errado, verdadeiro ou falso. As relações afetivas profissionais são sacrificadas em prol dos números e placares. E o treinador balança na corda bamba, se equilibra na linha tênue entre o bestial e o besta, o herói e o bandido, o amor e o ódio.
O privilégio e o prazer de ser treinador de futebol no Brasil, com milhares de técnicos amadores em volta, torna a profissão aberta à críticas e massacres constantes. O que é realmente relevante para uma análise futebolística, não é quantidade de pressão em si, mas como os treinadores lidam com essa pressão à qual são submetidos diariamente. E quanto maior a posição hierárquica do profissional no futebol, maior a cobrança. Ser treinador é chegar ao topo da montanha, é, por muitas vezes, ser mais importante que o presidente do clube. E o que isto quer dizer? Quer dizer que na busca constante por melhores resultados, não precisam estar necessariamente satisfeitos com todos os patamares alcançados e produtividade apresentada. Ou seja, mesmo nas vitórias o trabalho recebe críticas, sejam elas pertinentes ou não. A convivência com a dor e a alegria é proporcional as derrotas e vitórias obtidas.
O tema futebol é tão recorrente e apaixonante que nos entregamos de corpo e alma, de coração aberto. A grandeza humana é capaz de nos mostrar um esporte sem fronteiras, sem limites. A esperança nos impulsiona a acreditar que na dor encontraremos o prazer da luta. Vivemos de emoção e para a emoção. E o que está diante dos nossos olhos é a parte mais interessante e bonita do homem Ricardo Gomes. A postura, a elegância, a educação e o caráter são suas marcas registradas e o seu legado em vida. A constatação imediata é que os resultados dos jogos ficaram em segundo plano, e todos os apaixonados por futebol se uniram na maior e mais bonita torcida do mundo. A torcida pela vida. Vamos, Ricardo! Estamos te esperando, de volta, à beira do campo. E dessa vez você não estará sozinho.
Túlio Maravilha: estrela do céu ou do mar?
"O objetivo é ser campeão da Copa Rio e, com a conquista, já aviso que preferimos a vaga na Copa do Brasil do que a na Série D do ano que vem, porque assim podemos ter acesso à Libertadores". - após ser apresentado com novo reforço do Bonsucesso para a temporada 2011/2012.
Túlio Humberto Pereira Costa, mais conhecido como Túlio Maravilha, é um futebolista brasileiro e um ex-atleta de futebol em atividade. É conhecido pelos seus inúmeros gols, artilharias, fanfarronices e outros fatos marcantes em sua vida profissional. Vive, ultimamente, a busca desenfreada, desesperada e frenética pelo milésimo gol de sua carreira. O gol da salvação! Andarilho, já teve passagens pela seleção brasileira e por mais de 30 clubes. Aos 42 anos, Túlio acredita ter o dom de rei Midas. Tudo é ouro, tudo brilha, é o que lhe parece ser até que lhe provem ao contrário. Então, a sua estrela solitária, hoje, brilha no céu ou está no fundo do mar escondida?
Não há duvidas que ele saiba e sempre soube lhe dar muito bem com a imprensa. Tem o mérito de trazer a mídia para o seu lado. Vaidoso e esperto se auto-divulga o tempo todo, sempre falando na terceira pessoa, igual ao Pelé. Se esforça para alcançar os seus objetivos individuais, muitas vezes, dificultando e atrapalhando o desempenho e a performance de uma equipe de futebol. Os projetos e as metas pessoais sempre estiveram na frente dos coletivos. Túlio é protagonista e jamais foi um coadjuvante dos gramados nas partidas de futebol. E o Bonsucesso trilhará qual caminho: o do esporte individual ou do coletivo? Do Oscar para o melhor ator ou para o melhor filme?
Túlio, como todo atleta de futebol, vive o fantasma da aposentadoria e quase sempre não sabe conviver com a possibilidade do fim da carreira. Como aceitar que as luzes todas se apaguem e que os holofotes não o iluminem mais? Como aceitar o silêncio da histeria dos fãs e as mudanças obrigatórias no curso da vida? Quando o jogador se aposenta é a sua morte pública. A visibilidade e o apelo popular perdem lugar para o ostracismo e a vida cotidiana. O corpo fala pelo tempo e a cabeça responde pelas atitudes. É hora de parar, renascer e começar uma nova fase. O placar eletrônico informa a próxima substituição: sai o atleta e entra o homem Túlio. Ih! Parece que deu pane no placar e nos alto-falantes.
Algumas célebres frases ditas por Túlio:
"Ele vem jogando muito bem e só vestir a camisa 7 do Fogão, que foi minha e de Garrincha, já é meio caminho andado" - sobre o bom momento do atacante Dodô, então do Botafogo, em 2007, igualando sua importância à Garrincha, o anjo de pernas tortas.
"Vou fazer e dedicar para ele o gol anticoncepcional" - sobre o atacante Dill, antes de enfrentar seu ex-time, o Goiás, quando atuava pelo Botafogo.
"Eu era como uma melancia: verde por fora e vermelho por dentro" - sobre o contraste de ter jogado no Goiás, mesmo sendo torcedor do Vila Nova GO.
"Minha meta é virar presidente da República" - depois de ser eleito vereador em Goiânia em 2008.
"Eu sou o Rei do Rio" - Campeonato Carioca de 1995.


Aos psicólogos, Paulo Ribeiro e Michelle Melhem, a minha gratidão e menção honrosa.
"Quem quer que esteja fisicamente bem preparado pode fazer coisas incríveis com seu corpo. Mas quem junta a um corpo em forma uma cabeça bem cuidada é capaz de feitos excepcionais." (Alexander Popov, melhor nadador da Olimpíada de 1996)
Estamos sempre atrás das respostas para as nossas perguntas. Andamos por ali, acolá, buscamos em todos os lugares. Procuramos a nossa alegria em um dia nublado e encontramos com a nossa tristeza num festejo de Carnaval. Subimos as ladeiras na contramão dos sentimentos. Descemos sem freios impondo velocidades incompatíveis com o nosso tempo. Confrontamos com os nossos desejos mais íntimos em momentos de angústia e solidão, e enfrentamos nossos medos mais profundos em ocasiões de muita felicidade e fartura. Vivemos o contraste o tempo todo. Perdemos o controle várias vezes. Todas essas metáforas nos remetem aos campos de futebol. As angústias, as aflições, os conflitos, as sensações, as percepções, as pressões, as dúvidas, o fracasso e o sucesso. E que tal um psicólogo para ordenar os pensamentos e o entendimento dos movimentos e das emoções?
Paulo Ribeiro e Michelle Melhem são referências de profissionais da psicologia do esporte que tive o prazer de conviver e trabalhar junto. Profissionais dotados de conhecimento e de estratégias para consolidar a importância do atendimento psicológico no futebol profissional e de base. Não são bombeiros, não apagam incêndios, mas podem ajudar a evitá-los. Renovam a idéia do trabalho de vanguarda e da relevante participação dos psicólogos no dia a dia do clube. O fato é que a psicologia do esporte está sempre pronta a ajudar. Promovendo o estreitamento das relações interpessoais entre atletas, comissão técnica e membros de um clube. Avistando as causas e as conseqüências dos desempenhos individuais e coletivos de uma equipe. Identificando os comportamentos e movimentos geradores da dor e da alegria. E mexendo com os sentimentos e as emoções, gerando um estado de equilíbrio entre corpo e mente.
E os atletas de futebol estão propensos a buscar esse apoio? Será que estão dispostos a enfrentar os medos? Será que estão dispostos a colocar a cabeça nas mãos de um psicólogo? Passam grande período de suas carreiras sabotando-se. Preferindo viver na superficialidade das bebidas, mulheres e más companhias, do que correr o risco de tentar mergulhar no seu interior, descortinando as verdades, o passado, o presente e o futuro. Quando está tudo bom (ou não) a tendência é achar (mais) problemas. Não suportam ser felizes. Não suportam que os ajudem, que os estendam as mãos e os ofereçam a voz e os ouvidos. O atleta de futebol rejeita o auxílio por achar que não tem problemas, que o dinheiro traz a solução. Ledo engano. Dinheiro na mão é vendaval. Perde-se a voz falando e corta-se a língua treinando. E apenas refletindo, vendo e ouvindo por um tempo pode-se fazer observar e aprender muito mais.
Pessoas especiais não se tiram do caminho por nada, por nenhum motivo. Não há pretexto, não há razão, não há justificativa que me pareça verdadeira para simplesmente anulá-las e afastá-las do contato, do cotidiano, da vida. Psicólogos são essas pessoas especiais que nos preparam para enfrentar o jogo da vida, do perder e do ganhar. Mostram o caminho do gol sem saber chutar. Apontam uma estratégia de vitória sem conhecer o adversário. Estão sempre dispostos a entrar em campo com a gente e nos presentear com a melhor chuteira para qualquer tipo de tempo. Como na vida, o futebol é feito de escolhas e de tomada de decisões. Certas ou não, o tempo nos responderá. A saúde do atleta de futebol é física e principalmente psíquica. Temos que aprender a selecionar nossos diamantes, cacos de vidro não podem nos enganar mais.
Madureira, Macaé, Volta Redonda e Audax Rio, representantes cariocas nas divisões de acesso C e D do Campeonato Brasileiro, vivem as expectativas das participações nessas competições. Esses clubes buscam no reconhecimento e na repercussão de seus trabalhos e resultados positivos a reverberação para os possíveis delírios capazes de projetá-los a edificações mais altas. Planos ambiciosos necessitam de investimentos de vida e de alma. E financeiros também. A organização, a preparação adequada e o planejamento correto são fundamentais para o êxito final.
Madureira e Macaé, que disputam o Campeonato Brasileiro da Série C, independem do resultado de suas participações para a manutenção de um calendário anual. A pior das classificações e o fracasso de seus times ainda os mantêm dentro de um calendário nacional pelo menos por mais um ano. Volta Redonda e Audax Rio vivem uma outra situação na Série D: necessitam de resultados diretos de conquista para permanecerem na esfera dos campeonatos brasileiros. O calendário anual com competições no primeiro e segundo semestre é sempre um grande atrativo para os clubes cariocas que almejam uma visibilidade maior. Geram facilidades para os investimentos e para a captação de atletas.
Antonio Carlos Roy, Toninho Andrade, Dario Lourenço e Edson Souza, treinadores conceituados e regionalmente renomados, trabalham as suas aspirações para além do confronto regional da primeira fase. Há a expectativa de novos rumos e, literalmente, de uma nova fase para os seus clubes na continuidade das competições. Um misto de juventude e experiência; de valentia e expectativa, de fortaleza e fraqueza, de vitórias e derrotas, de futuro e de passado, de partida e de chegada habitam os pensamentos dos técnicos.
Renovam-se as esperanças para os clubes cariocas de porte médio. Dependem de seus esforços, de seus empenhos e sobretudo da coragem e ousadia. É hora de olhar para frente. É hora dos olhos de águia: firmes e diretos no horizonte. Caranguejos andam para trás e atolam nas lamas. O que move um clube para o amanhã é o seu sucesso, as vitórias. É o tempo do amadurecimento, dos campos em flores, das rosas sem espinhos, dos sonhos possíveis, da colheita da estação. O destino estende o tapete vermelho. Madureira, Macaé, Volta Redonda e Audax Rio querem caminhar sobre.