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Alemão do Cavaco

Alemão do Cavaco

Formado pela Faculdade de Música Carlos Gomes em São Paulo, é compositor, arranjador, produtor musical e multi-instrumentista (cavaquinho, bandolim e violão). Como compositor, é autor de diversas obras em escolas de samba, sendo 8 na Gaviões da Fiel, uma na X-9 Paulistana, uma na Estação Primeira de Mangueira, agremiação em que foi diretor de harmonia e musical no Carnaval de 2013.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



21/08/2014 01h20

Paulo Barros teria espaço no Carnaval de São Paulo?
Alemão do Cavaco

Olá minha gente!

Mais uma vez estamos aqui neste espaço maravilhoso onde podemos falar de Carnaval, mais especificamente, das nossas escolas de samba de São Paulo.

Sambódromo do Anhembi. Foto: Divulgação

Hoje a abordagem deste artigo, pode parecer, para algumas pessoas, uma mensagem de desabafo.

Sempre procuro falar, de forma geral, sobre os bastidores dos processos que ocorrem dentro das agremiações.

Por diversas vezes, somos surpreendidos por fatos, que, nos dão a sensação de que muitas decisões tomadas por interesses pessoais se sobrepõem ao desejo coletivo.

Fico triste quando ocorre divergência entre as diretorias e a comunidade das escolas de samba.

Por se tratar de uma disputa muito acirrada que envolve investimento, competição, dificuldades e sobretudo, muitas pessoas, é absolutamente aceitável a resposta de que não é simples manter a harmonia e a acertividade nesta árdua tarefa de liderar os diversos processos de um projeto de Carnaval. É impossível agradar a maioria, seja a pauta que for, no entanto, é preciso ressaltar que as decisões tomadas em uma entidade envolvem diretamente uma comunidade inteira, além de torcedores e simpatizantes.

Quando se dirige uma agremiação, por mais que não se tenha um total conhecimento técnico, o que é muito comum nos dias de hoje, é necessário acima de tudo, ter bom senso, sabedoria e amor ao pavilhão de forma incondicional, caso contrário, continuaremos a assistir grandes potências do nosso Carnaval deixando de brilhar, e mais do que isso, descartando em poucos anos, histórias, suor e trabalho que muitos levaram décadas para construir.

O Carnaval não pode perder sua essência. Sei que algumas pessoas poderão criticar esta reflexão, uma vez que existem muitas questões culturais envolvidas, mas vou citar o Carnaval carioca.

A grande parte dos componentes da folia carioca respira o desfile, se entrega por seus pavilhões, e mesmo com inúmeras dificuldades e questões de tradições, existe sempre uma abertura para o "novo" e "mágico".

Paulo Barros e suas criações no Carnaval carioca. Foto: Divulgação

Vide o gênio Paulo Barros, que foi tão criticado em seu início e hoje é considerado com um dos ícones do Carnaval, dando sequência à Pamplona, João, Fernando Pinto e Renato Lage.

A tradicional bateria da verde e rosa comandada então por mestre Ailton e com direção artística de Ivo Meirelles, inovou, sendo destaque nos últimos desfiles. O samba-enredo que tive a felicidade de vencer na querida Mangueira com meus parceiros, também trouxe uma inovação de posicionamento, sendo premiado como hino mais bem pontuado de 2011.

E temos mais um batalhão de exemplos que fazem do Carnaval carioca, o espetáculo mais completo e emocionante do mundo.

O Carnaval de São Paulo tem crescido muito em muitos aspectos e a paixão pelas escolas também. A profissionalização é mais do que uma realidade em diversos segmentos, mas uma coisa muito séria que vemos aqui, e que a meu ver, prejudica uma evolução que poderia ser maior, é a intransigência, o medo de inovar e a ignorância no sentido literário, dos dirigentes.

Quando digo dirigentes, não estou falando especificamente dos presidentes, e sim daqueles que tem como função comandar, dirigir e tomar decisões.

Muitos irão negar, mas eu acredito que a maioria que hoje comanda, tem medo do novo e do diferente.

Será que se Paulo Barros tivesse surgido em São Paulo, teria espaço para executar suas maravilhas em alguma escola?

Bateria da Estação Primeira de Mangueira. Foto: Divulgação

Será que alguma bateria seria bancada por um presidente ou diretor de Carnaval para fazer uma parada total de 20 segundos?

Será que um samba qualificado, com poesia e uma melodia valente, mas muito diferente, teria espaço pra vencer? Sem torcida, sem marketing e sem investimento?

Utopia pensar nisso em um Carnaval globalizado?

Talvez, mas esta reflexão me assusta.

Confesso ser tradicionalista sim, em muitas coisas, inclusive no Carnaval.

Respeito muito a opinião de todos, mas torço muito por um Carnaval de São Paulo mais ousado, inteligente, renovado, que insere a comunidade nas principais decisões e qualificado, principalmente nas mentes de quem tem como responsabilidade, representar as escolas e enaltecer a cultura popular brasileira.

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28/02/2014 03h19

A emoção é geral, falta pouco para o Carnaval.
Alemão do Cavaco

Chegou o Carnaval !

É de pensar o quanto trabalhamos, vibramos e suamos pra isso acontecer.

Sambódromo do Anhembi. Foto: José Cordeiro - SPTurisO exército de pessoas envolvidas neste evento que tem dimensões de uma abertura de Copa do Mundo ou das Olimpíadas.

O nosso Carnaval de rua, quer dizer, das escolas de samba, não é diferente neste quesito, aliás é muito mais complexo.

Todos os anos a história se repete. Em busca de novidades e de um salto em relação ao ano anterior, vem também o anseio da vitória, da novidade e o sucesso acontece.

Carnavalescos, diretores de bateria, coreógrafos, direção de harmonia e outros segmentos se desdobram pra colocar um Carnaval cada vez mais competitivo na rua.

Junte isso com foliões experientes ou nem tanto, pois a cada ano "figuras" típicas descobrem nossas escolas e estão lá ora para ajudar, ora para atrapalhar a evolução de nossas agremiações.

Pois é, me pergunto muitas vezes como juntarmos profissionais e amadores na mesma missão e ainda tudo dar certo?

Realmente é um desafio, pois não imagino numa empresa, uma diretoria técnica se dedicando, estudando e desenvolvendo um projeto ou plano de ação e no meio disso, várias pessoas que não entendem nada daquilo, participando ativamente.

Tem como dar certo? Quase impossível né?

Está é a magia da maior festa popular do planeta. E sempre dá certo. Porque temos profissionais competentes em áreas específicas e porque tudo é tão apaixonante que a dedicação e a vontade faz tudo se encaixar como se todos fossem peritos.

Estava analisando alguns ensaios técnicos e uma coisa que sempre me chama a atenção é a emoção do componente.

Vemos inúmeras pessoas distintas com funções diferentes dentro da escola, mas quando a vibração de um diretor de Carnaval é a mesma de um folião que comprou sua fantasia, a lágrima, o brilho nos olhos, a emoção de um belo samba ou o pulsar de batucada que remexe até defuntos, temos a receita da felicidade plena na avenida.

É cativante a energia que começa no carro de som e atravessa fronteiras da barreira sonora até o tocar os corações. O desespero de uma alegoria que não entra na avenida até a alegria de uma baiana ecoando, as notas
mais agudas de um lindo samba, é a motivação maior pra tudo não cessar!

Vai começar o que nunca terminou, parafraseando os poetas Wilson Moreira e Candeia: "A emoção é geral, falta pouco para o Carnaval."

Salve o Carnaval!

E que tudo se repita sem cessar, afinal é isso que respiramos.


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15/01/2014 02h39

Feliz ano novo ! É tempo de Carnaval !
Alemão do Cavaco

Sambódromo do Anhembi. Foto: Claudio L. CostaFeliz ano novo... 

É assim que se diz quando um ciclo novamente tem início e oficialmente mudamos o ano.

Para muitos, as esperanças se renovam e "injeções de ânimo" tomam conta das expectativas, mas como dizem por aí, tudo pode não passar de ilusão, uma vez que se não mudarmos nossas atitudes, nada de novo teremos. Não basta a alteração se limitar apenas ao calendário.

Enfim, uma coisa temos a certeza: acontecerá e de forma inédita, ou pelo menos quase, mais um grande espetáculo na passarela do nosso Carnaval!

A expectativa aumenta, pois chegou a hora daqueles ensaios de quadra lotados, bem verdade que diversos foliões que nada tem a ver com a folia, são maioria e buscam o prazer em uma quase "balada" que é tranformada a sede de algumas agremiações, mas assim mesmo, o ambiente e o clima de Carnaval ainda prevalece.

Ensaios de rua, ensaios técnicos e de coreografias ganham a pista do Sambódromo nas prévias e simulações dos desfiles oficiais.

As expectativas dos testes que serão feitos, a cronometragem, canto dos componentes, carros de som e o ajustes no ritmo das baterias. Como tudo isso será cuidado? Chegou a hora de ensaiar.

Mesmo que em São Paulo as pessoas ainda não tenham, por diversos motivos, a cultura dos ensaios técnicos, que necessitam de planejamento geral em vários setores, nossas agremiações a cada ano superam adversidades e levam cada vez mais integrantes e alegria para a passarela.

Torço para que os governantes e organizadores consigam melhorias para os sambistas possam lotar o Anhembi mesmo não sendo o dia dos desfiles oficiais.

Agora mais do que nunca é tempo de trabalho, dedicação dos envolvidos com as escolas e da grande expectativa que se instala a cada segundo no relógio dos sambistas pela chegada do Carnaval de 2014.

Feliz ano novo sambistas !!!

É tempo de Carnaval !!!

Salve o nosso Samba !!!


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01/11/2013 12h03

Vem aí o CD do Carnaval 2014!
Redação SRZD

Mesa de som e mixagem. Foto: RW StudiosMuita gente não imagina como se dá o processo de gravação do CD com os hinos das escolas de samba.

É verdade que ao longo dos anos, muita coisa mudou, e há quem diga que como no passado, jamais teremos um registro de "LP", "CD" ou qualquer outro tipo de mídia, como aqueles.

Os sambistas mais apaixonados e  nostálgicos trazem na memória até o ano do "melhor" disco de todos os tempos. Há muitas divisões de opiniões, principalmente quando falamos de um produto que no Rio de Janeiro já ultrapassou a marca de mais de  1,5 milhão de cópias
vendidas, número difícil se ser alcançado nos dias atuais.

Em São Paulo, chegamos a ter disco duplo com sambas do grupo especial e acesso, modelo feito na cidade maravilhosa na década de 80. Foram bons tempos em que os discos não eram vendidos em bancas de jornal e o público em geram tinha acesso mais fácil para adquirir um produto feito com bastante cuidado e qualidade.

Não que hoje esteja ruim, afinal temos profissionais digníssimos e competentes trabalhando neste segmento. O que fere a parte final do produto, são os prazos, as formas de trabalho de distribuição e divulgação, incompetência de quem dirige o processo que nos passa a impressão de que uma escola pode escolher um samba a tarde e tenha que gravar no dia seguinte.

Não preciso nem dizer o resultado disso não é?

Mas vamos as partes boas de nosso tema. Cada agremiação define seu samba e imediatamente é passado aos coordenadores do CD, onde arranjadores, engenheiros de som e músicos, executam o melhor para que aquela obra possa "crescer", se tornar compreensível em seu máximo de melodia, enriquecendo a harmonia e o canto da escola na avenida, combinando com o ritmo da bateria.

Todos os participantes vão para o estúdio, e depois deste processo, grava-se o coro, a voz do intérprete oficial, muitas vezes melhorando e muito a obra, e algumas vezes piorando, dependendo da qualidade do mesmo, e enfim a mixagem final, onde o engenheiro de som tem muita influência, junto aos equipamentos de ultima geração de estúdio, para finalizar a faixa.

Gravação em estúdio. Foto: RW Studios

Não podemos esquecer de mencionar que quando gravado em estúdio, há muita influência de acústica, sala de gravação e instrumentos usados.

Quando feito ao vivo, é praticamente o mesmo processo, mas com a diferença de usarmos as baterias das escolas e sendo reproduzidos em auditórios, teatros ou lugares preparados especialmente para dar aquela impressão de quadra de escola de samba.

Os profissionais envolvidos dedicam horas de seu dia até de seu mês, dependendo do grau de envolvimento com o produto, para que se chegue a um resultado satisfatório para as escolas e sambistas.

E nos aqui, ouvintes e amantes do samba, aguardamos ansiosamente o produto final das gravações para "saborearmos" mais uma ano de obras inéditas que embalarão por mais um ano a festa mais popular do planeta.

Salve o nosso Carnaval!


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10/10/2013 16h05

Sambas definidos: 'Mãos à obra'
Alemão do Cavaco

Cavaquinho. Foto: DivulgaçãoCom exceção a Leandro de Itaquera que escolherá seu novo samba no próximo sábado, todos os hinos que irão embalar os desfiles das escolas de samba do grupo especial e acesso paulistano de 2014 já estão definidos.

Este momento é realmente muito especial, tanto para os compositores campeões, quanto para as escolas que assumem uma nova e eterna obra para suas galerias de melodias.

Quando termina uma disputa de samba, acabam angústias, gastos gigantescos dos participantes, períodos de inimizades criadas em virtude da competitividade do concurso e vaidade dos compositores, tendo como desfecho somente a certeza de que a escolha feita pela agremiação representa a grande arrancada para o desfile.

Em alguns casos podemos dizer que, em relação as "escolhas", trata-se de uma verdade absoluta, em outras, temos a certeza que é uma grande ilusão devido a falta de conhecimento técnico para o julgamento, e de interesses pessoais que envolvem as eliminatórias.

Infelizmente muitas escolas acabam definindo o que nem sempre seria o mais adequado para o sucesso de sua apresentação na avenida. Sim, é isso mesmo, pois com a escolha de uma obra inadequada, as consequências serão notadas em vários setores da entidade.

O carnavalesco que pensou e organizou seu desfile pode ver seu sonho de enredo com difícil leitura e falta de emoção na letra escolhida, e isso em nada tem a ver com as alegorias e a montagem de seu Carnaval que muitas vezes diante da escolha do samba-enredo sofre mudanças e adaptações.

A ala musical "sofrerá" com seus intérpretes e músicos para tentar melhorar ou fazer de uma melodia previsível e desgastada em uma canção inédita e atraente.

A bateria que terá que "se virar" pra manter um bom andamento e criar bossas que "conversem" com a música, precisará trabalhar bastante para dar o sentido harmônico esperado e embalar os foliões durante sessenta e cinco minutos.

Evidente que quando a obra possui qualidade, está de acordo com a sinopse e proposta do enredo e a escola faz uma escolha que agrada sua comunidade, a chance do resultado positivo ser atingido cresce consideravelmente, sempre lembrando que cada diretoria escolhe o que é melhor para o seu projeto de Carnaval e muitas vezes este plano de desfile não é de conhecimento do grande público.

Por isso, como diz o velho ditado, "não adianta chorar o leite derramado". Depois de escolha equivocada, duvidosa ou insegura da obra que será cantada pelo menos até o próximo Carnaval, o trabalho de ensaios e treinos devem ter uma atenção especial de todos os segmentos e comunidade da escola.

Um Carnaval campeão nasce a partir da definição e do trabalho em cima de uma trilha-sonora que tenha qualidade e que consiga através do canto e da evolução dos sambistas, qualificar o desfile.

O samba-enredo contribui para o bom desempenho da escola na passarela  e consequentemente influencia na avaliação em pelo menos quatro quesitos. São eles, harmonia, evolução, samba-enredo e bateria.

Salve o nosso Carnaval!

Grande abraço amigos!

Até a próxima !


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23/08/2013 16h38

Eliminatórias: quem faz o julgamento dos sambas?
Alemão do Cavaco

Nota musical. Foto: DiuvlgaçãoAinda em época de eliminatórias e concursos de samba-enredo, vem um outro assunto em minha mente que está ligado ao momento, no entanto visto por outro prisma: o julgamento das obras.

Tudo bem que, como dizem os compositores Álvaro Maciel e meu querido parceiro Wanderley Monteiro, samba-enredo, só ganha um. Esta é a máxima real. "Doa a quem doer", tem que ser aceita.

Os caminhos de como ganha este "um", é uma incógnita e às vezes, traz a este importante momento do processo de Carnaval de uma escola de samba, a sensação de covardia, dúvida e impotência.

Claro que todo autor, principalmente quando tem uma auto-crítica e uma certa qualidade, espera que sua obra seja finalista ou ganhe prêmio máximo, mas precisa se preparar para a perda pois existem outros concorrentes com a mesma qualidade ou até superior no que diz respeito a criação da música e vontade de vencer.

Tudo bem! Falar nisso é chover no molhado, mas estou voltando ao assunto por qual motivo?

Para deixar bem claro que esta "qualidade" tem que ser analisada por quem entende o mínimo do assunto.

Sempre me perguntei:

Como um cidadão que em muitas vezes tem um poder na agremiação, seja ele por competência em sua área, ou por indicação, influência, ou seja qual for o motivo, está apto a julgar uma obra que tem uma letra, melodia, e em muitas vezes, "sacadas" geniais de melodia?

Animação reunião. Foto: DivulgaçãoAcho um absurdo! Quais os quesitos em julgamento nas disputas? Quais os critérios e quem este apto para avaliar?

Como pessoas que na maioria das vezes mal conseguem compreender o próprio enredo, tem o poder de julgar as obras concorrentes de uma agremiação em concursos cada vez mais disputados e cheio de regras?

O futuro de um Carnaval de sucesso passa pela escolha correta do samba-enredo. Uma definição equivocada compromete um trabalho de centenas de pessoas.

Os nomes dos autores das parcerias, interesses pessoais e as chamadas "firmas de samba-enredo" estão prevalecendo e o resultado são concursos fracos, questionamentos por todos os lados e muitas obras de gosto duvidoso.

Depois das escolhas, as escolas fazem aqueles "ajustes" fantásticos nas letra para acertar erros grosseiros de português, e muitas vezes perdendo sentido e a forca da obra pois quando se arruma uma linha, a melodia é comprometida pela métrica da letra.

Mas é assim que tem sido...

Pobres "juízes" que aos poucos vão matando suas escolas e suas comunidades com obras quase que incantáveis, em razão de questões internas e interesses ocultos.

Vamos torcer para que isso mude, e que realmente quando um for vencedor, no mínimo, tenha qualidade para ser interpretado, para emocionar e eternizar o Carnaval da escola na avenida.

Cédula de julgamento Carnaval 2013 SP. Foto: Divulgação

Salve o samba, Salve o nosso Carnaval!


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09/07/2013 15h52

As eliminatórias de samba-enredo
Alemão do Cavaco

Notas musicais. Foto: DivulgaçãoChegou novamente aquela época do ano que divide muito as opiniões dos sambistas do nosso Carnaval.

Alguns adoram, matam a saudade das quadras, baterias, amizades de suas agremiações e principalmente voltam a entrar no clima da folia.

Outros não gostam tanto devido a disputa das eliminatórias, período em que muitas vezes ocorrem divergências de opiniões por gosto musical, interesses pessoais e até financeiros, uma vez que os concursos ficam cada vez mais acirrados, concorridos e badalados.

Inegavelmente, este modelo tradicional que a maioria das escolas de samba utilizam para escolher seus novos hinos tem pontos positivos e negativos.

Eu, particularmente nunca coloquei acima de amizades, valores morais e éticos, um título de campeão de samba-enredo e até mesmo, quando perecebi que tinha alguma obra concorrente melhor, de certa forma, fiquei feliz em perder.

Da mesma forma, fiquei algumas vezes bastante chateado e triste com alguns julgamentos que consagraram obras inferiores, fato que se comprovou nos desfiles e resultados. Tudo isso faz parte desta fase de escolha de samba que as agremiações passam neste período do ano.

O fato é que nós compositores quando criamos uma obra, não apenas fazemos um samba, mas plantamos uma semente que consideramos como um "filho". O carinho que temos pela criação é tão grande que queremos sempre ver seu crescimento e evolução. Só esquecemos que outros poetas colegas também fazem o mesmo e possuem o mesmo sonho.

Quando passa este momento de disputa e de praticamente "eleições" sambísticas, tudo volta ao normal e todos os sambistas se unem a um único samba que se torna o hino oficial para mais um Carnaval.

Desejo a todos os compositores uma disputa serena, acirrada, emocionante, justa e verdadeira, e que as melhores obras se tornem vencedoras. Somente assim teremos um grande Carnaval.

Quem ganha, somos nós que mais uma vez seremos agraciados com poesias e melodias emocionantes para embalar o maior espetáculo cultural do planeta!

Salve o Samba e o Carnaval!


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06/06/2013 13h39

Mais samba, menos caciques!
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoDe volta meu povo à este espaço magnífico de comunicação, desta vez para falarmos sobre nossas agremiações e seus comandantes.

Claro que em todo lugar, empresa, ou até mesmo em um lar, é fundamental o papel do "chefe". Aquele que impõe regras, costumes, limites para fazer a coisa funcionar de verdade.

Em uma escola de samba isto não é diferente. Precisamos de chefes e diretores competentes para colocar o "Carnaval na rua" literalmente. Mas aí é que vem a questão: todos estes senhores tem condições para exercerem estes cargos?

Por anos, vivenciei vários setores de uma escola de samba. Iniciei como ritimista, atuei como compositor, diretor musical e diretor geral de harmonia, função que exerci na tradicional Estação Primeira de Mangueira no último Carnaval.

Acompanhando de perto os bastidores da folia, pude ter a certeza da veracidade daquela antiga e popular frase: "de poder à uma pessoa e saberás que és".

Sem generalizar é claro, fca uma sensação estranha e muitas vezes triste de observar pessoas que sem a menor capacidade intelectual e até mesmo emocional, se tornam peças chaves no comando de diversas agremiações.

Uma decisão mal pensada, um passo em falso em uma competição tão acirrada como é o Carnaval, pode representar mais do que um deslize, mas comprometer um trabalho de um ano feito por mais de três mil pessoas.

Atualmente, vejo muito "cacique" e poucos índios sendo comandados, confusões de ordens sem nexo e importância, por simples vaidades, questões particulares e pelo simples fato de "poder mandar".

Evidente que temos grandes diretores de Carnaval, harmonia, bateria e outras funções, mas quando a "Síndrome do pequeno poder" toma conta de um cidadão que coloca uma "farda" da entidade, tudo se modifica e geralmente não dá certo. É gente apitando demais, mandando muito, sem saber e ter o pensamento no coletivo.

Como pode por exemplo, um diretor de harmonia estar tão preocupado com as "calcas brancas" dos componentes, nao saber se a tonalidade do samba esta adequada para o canto da escola ou se o andamento do samba com a bateria é o ideal para a evolução?

Será que realmente estes "cacique" amam verdadeiramente o Carnaval? Será que seus interesses estão de acordo com aquilo que é mais importante para os objetivos de suas escolas? O interesse é pessoal ou coletivo?

Triste realidade que inevitavelmente encontramos nas quadras de diversas entidades de norte a sul do nosso país. Temos o dever de incentivar nossos jovens sambistas a pesquisarem a história dos grandes sambistas que tanto lutaram pelo nosso Carnaval e torcer para que sigam o caminho da correção e da dignidade.

Como nem tudo esta perdido, deixo o meu abraço especial aos verdadeiros comandantes na arte de dirigir com honestidade, capacidade e humildade. Independente da função, cargo ou grau de comando, é preciso ter sabedoria para liderar.

Salve o samba! Salve o nosso Carnaval!



23/05/2013 00h00

7 anos do SRZD: festa do site em prol da cultura, samba e Carnaval
Alemão do Cavaco

É com grande prazer que festejamos os 7 anos de existência deste veículo de comunicação maravilhoso em prol da cultura brasileira e, principalmente, do samba e do Carnaval.

O SRZD é a mais legítima resistência de uma luta secular em defesa de nossos costumes, porém de cunho jornalístico e sambístico, onde podemos e devemos expressar todos os temas que envolvem a maior festa do país.

Parabéns a todos, inclusive aos leitores que fazem este espaço crescer e se credibilizar a cada dia.



07/05/2013 11h52

Amor verdadeiro ao maior espetáculo do planeta
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoQuando falamos em amor, abrimos um leque gigantesco de interpretações para essa palavra se transformar em algo grandioso e emocionante.

Cada um pode dimensionar, imaginar ou aceitar da maneira que quiser, mas é indiscutível o seu sentido e o seu entendimento por todos sobre o que representa este sentimento.

Pois bem, se é assim na vida, não seria diferente no samba e no Carnaval.

Pegando uma licença poética de um grande sambista e amigo, Zé luiz do Império Serrano, e do grande historiador e poeta Nei Lopes, "quem ama, nao deve saber a razão por que ama, a chama deve arder e nada mais".

Pois é, aí me pergunto: com tanto amor aflorando, abdicação de vidas, horas sem dormir, e vários outros exemplos deste sentimento, o amor ao Carnaval tem preço?

O amor que sentimos pelo samba e pelo Carnaval é incondicional, atemporal, e principalmente emocional. Quando uma criança, em seus primeiros passos, começa a sambar, tocar ou cantar, taí o primeiro sintoma deste amor, sem querer saber a razão, onde irá terminar e quanto irá ganhar se for ganhar, pois o ganho real, é completamente emocional.

Claro que quando comecei a me interessar pela música e principalmente pelo samba e pelo Carnaval, foram estes parâmetros e sentimentos que me levaram à certeza de que sem "ele" eu não viveria, e por "ele", de tudo eu faria.

Mas o Carnaval foi mudando, a vida foi acompanhando e percebendo que pra viver literalmente com o samba e a música, precisaria "sobreviver".

Ganhar pelas horas trabalhadas, estudar, desenvolver, aprimorar e se concentrar no segmento vai nos levando a busca de um profissionalismo natural como em qualquer outra profissão.
 
Isso é ruim? Perde-se a essência? Em minha visão sem titubear respondo: claro que não. É de certa forma a recompensa diante de um investimento e ao mesmo tempo uma necessidade.

Foto: Divulgação
 
Mas essa abordagem vai mais longe do que podemos imaginar. Cito  exemplos de pessoas abnegadas sem uma especialização técnica, sem "ganhos", ou quaisquer outros retornos que nao sejam o samba. O desfile, a emoção de ouvir a sirene na abertura dos desfiles, o esquenta da bateria, o samba no pé da passista, a baiana com seus bordados, a costureira que colocou a arte nas fantasias, e qualquer outra pessoa que contribuiu ou apenas estava lá pra assistir e se deliciar com a magia de da folia, todos estes sentimentos são demonstrações de um amor verdadeiro ao nosso Carnaval.

Ah! tudo isso é realmente gratificante, afinal podemos esquecer, interesses políticos, sociais e financeiros. Deixamos de lado nossos problemas para viver a fantasia por apenas alguns minutos.

Respirarmos esta "festa" o ano todo e esperamos aquele momento mágico, que consisero ser uma das maiores emoções que um ser humano pode sentir, tanto quanto o nascimento de um filho, um casamento ou a conquista de um bem muito almejado.

Por isso, claro que respeitando e muito os profissionais do Carnaval, onde me enquadro nisso, respeito demais o amor verdadeiro ao maior espetáculo do planeta.

Salve o samba! Salve o Carnaval!

Imagem: GRES Estrela do Vale - Carnaval 2013 de Belo Horizonte



08/04/2013 12h56

Quase tudo igual?
Alemão do Cavaco

Foto: SPTurisDepois da grande festa vem o descanso de mais um Carnaval de árduo trabalho e dedicação. Passados dois meses do fim da folia, temos a serenidade de analisarmos o que ficou de bom e o que devemos jogar fora para 2014.

Falando especificamente sobre o Carnaval de São Paulo, mesmo tendo assistido com calma, e várias vezes seguidas, ainda não consegui entender o rebaixamento de duas agremiações paulistanas: Mancha Verde e Unidos de Vila Maria.

Claro que percebemos erros em diversos setores, mas erros que outras escolas também cometeram. Analisando com atenção a todas as notas dadas pela comissão julgadora, cheguei a conclusão de que o Carnaval de Sampa está nivelado por baixo, em suas análises.

Analisando friamente a apuração deste Carnaval, como pode, doze ou até treze agremiações de um total de catorze, terem a nota máxima alcançada em alguns quesitos? Fizeram o mesmo Carnaval? Então não teríamos campeã e nem rebaixada. Em uma disputa que é decidida por décimos, isso faz muita diferença.

O que me deixa extremamente preocupado, é a dúvida de como e quem faz este julgamento, pois se há um ano de trabalho duro, sério e árduo por parte das escolas, tudo acaba sendo jogado no "lixo" com justificativas parecidas e sem critério.

Sabemos que temos diferenças grotescas na pista e nos desfiles, mas que não aparecem nas notas e justificativas.

Se uma pessoa que não assistiu ao Carnaval, pegar as notas, terá a conclusão de que o Carnaval paulistano foi completamente igual, com desfiles milimetricamentes perfeitos ou cheio de defeitos.

Foto: Reprodução TVPor exemplo, uma escola "x" com um samba antológico, fantástico, tem a mesma nota máxima de uma agremiação "y" que apresentou um hino mediano ou fraco.

A diferença dos sambas onde se decidiriam posições muito importantes, foram anuladas, prejudicando o resultado na classificação final.

Percebo a evolução do Carnaval de São Paulo e fico feliz pela profissionalização e crescimento, mas os profissionais envolvidos diretamente e principalmente no julgamento, precisam ter mais serenidade e principalmente coragem de dar as notas merecidas para os desfiles.

É preciso julgar as diferenças. A cada ano temos uma disputa acirradíssima, séria e grandiosa, portanto, merecemos um julgamento compatível com a beleza e o tamanho da folia paulistana.

O nosso papel é este, discutir, questionar e lutar por justiça e reconhecimento do trabalho de muita gente séria.

Salve o Samba, salve o Carnaval!


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08/03/2013 11h46

O que passou, passou...
Alemão do Cavaco

Foto: Jefferson Pancieri - SPTurisO Carnaval acabou? Para a grande mídia, foliões itinerantes, aventureiros, e os não tão aficcionados como nós, até pode se admitir que sim.

Mas que nada. Ele somente teve seu ápice e agora volta a viver seu tempo em todos nós amantes das escolas de samba.

Depois de uma maratona de ensaios, desfiles, emoções, alegrias, tristezas, erros, acertos, o que passou? Quem passou? O que ficou? O que valeu?

Claro que muitas coisas, muitos erros, a maioria, pois são a inspiração para os jurados se deliciarem nas grandes canetadas, buscando uma justificativas técnicas, profissionais e teóricas.

Evidente que concordo com o julgamento. É a premiação de quem trabalha sério, é o que diferencia as disputas, mas também tenho o sentimento do Carnaval que aprendi a amar. A emoção a flor da pele de uma concentração, de um ritmista, um diretor de harmonia em sua solidão momentânea, mesmo que sendo acompanhado por milhares de pessoas em diversos países do mundo pela transmissão televisiva, aquele momento é único.

O filme de um ano todo de trabalho vem a mente, e nem mesmo sequer dá tempo de valorizar este momento, pois o grande momento virá em segundos. Na sequência, hora do desfile. Tão rápido, principalmente para quem está curtindo, se divertido, e tão angustiante, e não menos emocionante e vibrante pra quem está trabalhando.

Passam os casais de mestre-sala e porta-bandeira, as divinas baianas, a batucada, os passistas, o carro de som que contagia a plateia e o samba.

O samba? Ele é a única coisa que fica depois de tudo isso. Trata-se do único elemento que não irá se desfazer após a faixa amarela da dispersão e que poderá ser relembrado depois. Claro que se for bom, fica eternizado em nossa memória e se torna hino que será relembrado e cantado eternamente.

Tudo que passou no momento do desfile fica para a história nas mentes e no registro de câmeras. Que bom! Memórias, emoções, brincadeiras, missões cumpridas, tudo isto e mais um pouco compõe a maior festa do mundo.

Fico na torcida para que cada vez mais, as escolas escolham grandes melodias para embalar os desfiles e ao mesmo tempo, emocionar nossos corações e imortalizar Carnavais.

Salve o Carnaval, salve a música e salve o Samba!


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08/02/2013 14h03

É hoje !
Alemão do Cavaco

Foto: SPTurisÉ com grande satisfação que escrevo este artigo nesta data tão especial. Para nós, amantes do Carnaval, sabemos que mais um ano de lutas, dedicação, entrega, comprometimento, problemas, decepções, mas de muita emoção, e inúmeros adjetivos imensuráveis está terminando.

A contagem regressiva começou e o tempo aperta para os últimos ajustes visando a perfeição que será buscada em sessenta e cinco minutos, em quinhentos e trinta metros e muitas sensações. Mas para que tudo isso? Pra tudo acabar como num passe de mágica antes da dita quarta-feira de cinzas?

Não ! Simplesmente porque a maior festa popular cultural do planeta vive hoje o seu ápice, mas o que ficará eternamente em nossa lembrança é a conclusão de um ano de trabalho e empenho das agremiações que se prepararam para este momento durante um ano inteiro.

Carnaval ! Uma brincadeira muito séria, que vem dos ancestrais europeus, elitizados, e que, com o nosso "brasileirismo", ganhou um toque especial, se transformando em ópera popular, orquestra de músicos de percussão somadas ao lindo trabalho de marceneiros, escultores, ferreiros e artistas em geral. E claro, com a consagração popular, mesmo que a maioria das pessoas ainda não entenda a essência do espetáculo.

O desfile das escolas de samba é democrático, agrega pessoas de todas as classes sociais, cores e lugares. Já ouvi muita "baboseira", desde pessoas que acham que músico não é profissional, não é comprometido, até gente que diz que o Carnaval é uma festa "suja", é um festejo da "carne", e que, por esta questão, não deve ser exaltado. Pensamentos lamentáveis e ignorantes que não combinam com a representatividade das ações feitas pelas escolas de samba que ultrapassam os limites da faixa amarela da dispersão.

Somos os únicos a organizar um ato tão grandioso, cultural, belo e emocionalmente, e que, por culpa das transmissões despreparadas de emissoras de televisão e de alguns veículos de imprensa, ficamos condicionados a uma visão apenas comercial que esconde as raízes, os integrantes das comunidades e o povo.

Enfim, voltando ao Carnaval, é inegável afirmar que a festa se modifica a cada ano. Tudo se modifica, evolui, algumas coisas melhoram, outras pioram, mas o mais importante é que a comununhão de sambistas se faz presente anualmente, realizando sonhos de anônimos e condecorando os trabalhos e o compromentimento de todas as comunidades.

Desejo uma festa maravilhosa aos foliões de todo o Brasil. Que tenhamos um espetáculo de superação, amor, samba, alegria e feliciades em todos os sentidos.

E como dizia o poeta Didi: É hoje o dia, da alegria.


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08/01/2013 11h35

Reflexão: é tempo de festas?
Alemão do Cavaco

Este clima de fim e início de ano traz uma vibração ainda maior quando falamos de Carnaval.

Pra quem ama verdadeiramente o samba como nós, não existe distância de tempo entre fim e início.

Respiramos "Carnaval" o ano todo e esperamos por este momento único e especial que são os desfiles oficiais no sambódromo.

Por isso, logo pensamos: Por que não chega logo os ensaios técnicos, os ensaios de rua, os fogos, as festas de baterias, passistas, compositores, enfim o Carnaval?

É o que nos move, é também o que nos emociona, por isso, para o povo é a "festa da festa". É verdade, mas será que os estes eventos tão importantes e emocionantes, têm o respeito que merecem? Será estas ações possuem uma merecida e necessária divulgação?

Tenho visto sete ou até oito escolas ensaiando no mesmo dia no Anhembi, sendo com isso, esmagadas umas pelas outras, sem veIculações nas grandes mídias, preços abusivos em ensacionamentos e serviços de alimentação e transportes deficitários.

Será que ainda é uma festa para o povo?

Os amantes e participantes dos desfiles das agremiações, principalmente aquelas que tem os ensaios marcados no Anhembi, esperam praticamente o ano todo para este momento, por isso, não podemos suportar o que vem acontecendo com estes ensaios com falta de organização, divulgação e preparação para receber o público que treina e assiste.

Falta organização e planejamento para os eventos que antecedem a folia. Hoje o próprio componente está carente e precisa ser valorizado.

Com uma organização melhor, agremiações, visitantes e foliões ganham. Precisamos trabalhar e lutar por uma real evolução para o maior espetáculo cultural do planeta para que possamos enfim afirmar: É tempo de Festas!


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17/10/2012 15h03

Como era o refrão mesmo?
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoJá estava com saudades deste espaço maravilhoso e deste nosso encontro, pois além de expressar minha opinião, troco muitos conhecimentos e recebo vários comentários de leitores e amigos.

A cada texto aprendo mais e fico contente em poder falar de Carnaval o ano inteiro. Em um destes comentários recebidos nas colunas anteriores, um querido leitor questionou o motivo de muitos sambas de enredo atuais não terem ficado em nossas memórias, alegando que as obras estão cada vez mais "descartáveis".

Claro que nenhuma mudança vem sozinha da noite para o dia, mas de fato tenho que concordar com esta indagação. Os fatores são variados, mas podemos citar alguns, que são cruciais para o resultado final dos hinos que embalam os últimos desfiles.

Infelizmente, a grande maioria das melodias parecem ser obras de "ontem à noite".  O que quero dizer com isso, é que muitos sambas viraram "receita de bolo" e as escolas de samba, "confeitarias". O samba precisa funcionar na passarela, independente se tem ou não qualidade, precisa cumprir seu papel no atual formato de competição. Esta é a regra.

Algumas agremiações muito preocupadas com o resultado final do desfile, com títulos, subvenções maiores, interesses políticos e outros, passaram a ditar as regras do Carnaval disputadíssimo na passarela, pagando caro perante aos amantes do samba e grande espetáculo artístico que é o Carnaval.

Devido a estes e outros interesses, diretores, presidentes, e muita gente ligada a tudo isso, esquecem da essência do samba preocupando-se apenas com o objetivo final. Claro que temos que admitir a evolução do espetáculo, e o crescimento dos desfiles, mas o medo e a pergunta que fica no ar é, será que um dia isso não ultrapassará a razão principal que é o movimento carnavalesco como todo envolvido? Sambas, bateria, folclore, passistas, arte etc...

O resultado disso, está sendo muito preocupante. Hoje temos sambas muito iguais, na qual ficam nítidas as famosas "colchas de retalho", pedaços de sambas antigos do próprio autor ou o que é pior, plágios descarados a fim de um suposto "me engana que eu gosto".

Consequentemente não temos mais aqueles refrões antológicos e marcantes, gostosos de serem cantados até o raiar do dia. É uma pena, pois o que está valendo são muito interesses que nada tem a ver com nosso querido desfile de escola de samba.

Onde estão as melodias inéditas de "Mareô, maré levou, Lá no largo São Francisco bem no centro da cidade, Bate batéia...Pra lá e ra cá, ooooo...", e por aí vai....

Volto a dizer, tudo muda e o Carnaval não pode ser diferente, mas temos que policiar, pois daqui a pouco vamos nos pegar cantando um refrão novo para o próximo Carnaval, que até a chegada do mesmo, não o lembremos mais, ou até mesmo estaremos cantando um que já foi cantado e julgado há mais de trinta anos.

É de se pensar!

Salve o Carnaval!

Foto: Divulgação


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